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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 17 de julho de 2018

16º DOMINGO TEMPO COMUM-Ano B


16º DOMINGO TEMPO COMUM

22 de Julho – Ano B

Evangelho - Mc 6,30-34

  
Hoje, o nosso lugar deserto, pode ser apenas apagar a luz, ou fechar os olhos, em um lugar seguro nós nos isolamos do exterior, para nos encontrar com Deus, para ouvir Deus. Ler mais

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“VINDE SOZINHOS PARA UM LUGAR DESERTO..." Olivia Coutinho

16º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 22 de Julho de 2018

Evangelho de Mc6,30-34

Todos nós, necessitamos de descanso, de fazermos, vez por outra, um repouso restaurador, desacelerando  da correria do dia a dia, para repor as nossas energias.
Devemos respeitar os nossos limites e, se insistirmos em não fazermos estas pausas no cotidiano de nossas vidas, corremos o risco de não sermos  produtivos no que fazemos.
De nada adianta fazermos muitas coisas, se elas não são feitas com qualidade. Um equilíbrio entre trabalhar e descansar, é fundamental para a qualidade daquilo que fazemos.
Em nossas comunidades, devemos ter o cuidado de não nos tornarmos simplesmente, fazedores de coisas, nos considerando insubstituível. O trabalho de comunidade, dever ser distribuído, assim, todos terão tempo para o descanso.    
O evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, começa dizendo,  que Jesus, percebendo o cansaço dos apóstolos, ao retornarem de uma missão, os convidou  a um  descanso restaurador: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”.
O texto coloca diante de nós, duas situações que deixaram Jesus sensibilizado diante a necessidade humana: de um lado, a necessidade de descanso dos apóstolos, do outro lado, a carência de um povo que buscavam neles, um norte para suas vidas!
Conhecidos, pela a convivência contínua com Jesus, os apóstolos haviam ganhado  a confiança do povo, que passaram a confiar neles, na mesma intensidade que confiavam em Jesus!
 A procura pelos os apóstolos tomou uma dimensão tão grande, que eles já nem tinham mais tempo para se alimentarem.
Embora felizes com o sucesso   da missão, o cansaço desses homens, era visível, tão visível, que deixou Jesus sensibilizado, à ponto Dele convidá-los a se retirarem sozinhos para um lugar deserto, longe da multidão, onde eles pudessem descansar, repor as  suas energias, para dar continuidade a missão, que estava apenas começando! 
Porém, o descanso planejado por Jesus, não lhes fora possível, pois muitas pessoas os reconheceram de longe, e foram ao encontro deles! A compaixão de Jesus, pela a multidão, que era como ovelhas sem pastor, falou mais forte ao seu coração, do que a necessidade do descanso dos apóstolos!  
Os apóstolos tinham pão, mas não tinham tempo para comer, já,  a multidão, tinha todo o tempo do mundo, mas não tinha o pão, nem o pão material, nem o pão do amor, que eles estavam encontrando em Jesus e nos seus apóstolos.
Jesus e os apóstolos,  rendendo-se à necessidade do povo, o local, que deveria ser um  lugar de descanso para Jesus e os  apóstolos, tornou o local de mais uma das pregações de Jesus. 
Ao contrário da insensibilidade, presente no mundo de hoje, em que o trabalhador é visto como máquina, com a única finalidade de gerar lucros, Jesus prioriza a necessidade humana, Ele se compadece daqueles que não tem seus direitos respeitados. 
Assim como Jesus, nós também, devemos ter compaixão do outro, o que é completamente diferente do que ter pena, ter compaixão, é tomar para nós, a dor do outro, é chorar com ele, é inteirar-se das suas necessidades e nos colocar pronto  para  ajuda-lo no que for possível.
É no mais profundo do nosso ser, que realizamos o nosso encontro com Jesus, e é a partir deste encontro, que vamos aos poucos, aprendendo a viver como Ele viveu, a fazer o que  Ele fazia. 
FIQUE NA PAZ DE JESUS  - Olivia Coutinho






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Jesus cristo é o pastor das ovelhas
No Evangelho é frequente Jesus utilizar exemplos tirados da vida no campo para anunciar a Boa Nova do Reino. Várias vezes se fala das ovelhas que se perdem, das que estão protegidas no aprisco, de alguns que são ladrões e salteadores e de outros que protegem o rebanho. Por vezes chega a afirmar-se que Jesus é a porta das ovelhas. Na liturgia de hoje retoma-se a mesma comparação quer na profecia de Jeremias, quer no texto de são Marcos. O profeta Jeremias interpela os que são maus pastores que dispersam as ovelhas e não têm cuidado delas. Depois, o próprio Senhor se afirma pastor das ovelhas. Ele dará ao seu povo um rebento novo que pratica a justiça e constrói a paz (1ª leitura). Marcos avalia o povo que segue Jesus e classifica-o como ovelhas sem pastor. Por isso, as multidões correm atrás de Jesus Cristo à espera da salvação. Ele é o verdadeiro pastor das ovelhas (Evangelho). Na carta aos Efésios, Paulo define Cristo como o verdadeiro Pastor que aproxima de Deus, que dá paz, que guia o seu povo, que permite a construção do homem novo (2ª leitura).
1. Dar-vos-ei pastores
Jeremias conhece a situação de Israel. Os responsáveis no governo do povo, os sacerdotes na administração do templo, os cidadãos na sua vida pessoal viviam numa enorme corrupção que, aliás, deu origem à queda de Jerusalém e ao cativeiro da Babilônia. É neste contexto que o profeta faz a denúncia daqueles que são maus pastores, exploram o povo, dispersam as tribos e não cuidam da comunidade. Deus tem direito de pedir-lhes contas do que não fazem e do que fazem mal. A profecia não pára, porém, na parte negativa. Deus promete ser Ele o Pastor que reunirá todas as ovelhas e lhes concederá um rebento novo, o Justo, capaz de conduzir o povo na justiça e na paz. O Senhor é a justiça.
2. Eram como ovelhas sem pastor
Esta página de Marcos tem 4 pontos que merecem reflexão. Primeiro, os discípulos fazem revisão de vida, avaliando o trabalho que, dois a dois, tinham realizado ao anunciarem a Boa Nova. Depois, vão para um lugar deserto para descansar mas, ao mesmo tempo, para fazerem oração. A seguir, atravessam o lago que nem sempre era fácil pelas tempestades que surpreendiam os pescadores. Finalmente, Jesus acolhe as multidões que sentem a violência da solidão e que eram ovelhas sem pastor. Jesus dispõe-se a ensinar-lhes muitas coisas. Nesta página pode encontrar-se a metodologia da ação evangelizadora: a avaliação do trabalho realizado, a oração na intimidade do diálogo com Deus, a travessia das dificuldades, o acolhimento de quem pode ser evangelizado. Todo o cristão tem muitas coisas a dar aos que quiserem receber a mensagem.
3. Em Cristo, uma relação nova com Deus
Paulo, à sua maneira, descreve o perfil de Cristo Bom Pastor: Ele aproxima-nos de Deus, Ele dá-nos a paz, Ele guia o seu povo por caminhos direitos, Ele dá vida ao homem novo, o homem segundo o Evangelho, Ele faz todos reconciliados com Deus, Ele, na força do Espírito Santo, oferece-nos a Boa Nova da paz. De fato, só quem se deixar conduzir por Jesus Cristo encontra a felicidade verdadeira.
monsenhor Vitor Feytor Pinto “Revista de liturgia diária”


Como ovelhas sem pastor
As leituras deste domingo apresentam de novo a figura bíblica do pastor. Desta vez, porém, para criticar o modo de proceder dos maus pastores (1ª leitura) o qual provoca a compaixão e a misericórdia de Deus para com o seu povo por eles abandonado. Esta compaixão de Deus torna-se mais evidente na atitude de Jesus, renunciando a seu descanso para atender àquele povo desejoso de ouvir a sua palavra (evangelho). Desta forma Ele se apresenta como Bom Pastor (1ª leitura), fonte de reconciliação e de paz (2ª leitura) no caminho do bem ao encontro do Pai.
1ª leitura: Jeremias 23,1-6
O profeta Jeremias se refere aos reis, sacerdotes e profetas para condenar a atitude deles porque, em lugar de cuidar do povo como verdadeiros pastores, “espalharam e expulsaram minhas ovelhas e não se preocuparam com elas”. Por isso é Deus que vai cuidar agora do seu povo (suas ovelhas), colocando à frente dele verdadeiros “pastores que cuidem delas” para, no futuro, fazer “brotar para Davi um broto justo”, portador da justiça, o direito e a prudência. Será o Messias por Ele enviado.
À luz do Novo Testamento entendemos que o verdadeiro Messias (o Ungido do Senhor) é Jesus, descendente de Davi, que abriu para nós o caminho de uma nova vida. Ele reúne na sua Igreja o Povo de Deus disperso, a começar pelos mais fracos. Por isso será chamado «Javé (Deus), nossa justiça»;
Jesus cumpre a promessa de atender o rebanho de Deus e renova a critica aos maus pastores cujos interesses pessoais estão acima do serviço ao Povo de Deus. Crítica sempre atual que não poupa os padres, os bispos, os ministros e, também, os leigos dedicados às pastorais, pois a tarefa que o Senhor nos encomenda é grandiosa demais para não ser levada a bom termo com a seriedade e humildade necessárias.
2ª leitura: Efésios 2,13-18
Para o judaísmo a humanidade estava dividida em dois mundos: o mundo dos “eleitos” que, apesar de suas infidelidades, sempre seria o Povo de Deus, e o mundo dos “pagãos” que, apesar de suas boas obras, sempre estaria “longe de Deus”.
Paulo entende que a morte de Cristo derrubou o muro de separação que a Lei de Moisés colocara entre judeus e pagãos. Agora só existe um Pai para todos e uma casa comum, a comunidade de irmãos, a Igreja. Surge assim o novo Povo de Deus, que está aberto a todos os homens. De agora em diante, haverá “um homem novo”, “num só corpo” cuja cabeça é Cristo, formando um só povo e vivendo “num só Espírito”.
Para Paulo, a participação de judeus e pagãos dentro das comunidades que ele fundara como o único Povo de Deus é sinal concreto do “homem novo”. O projeto de unidade de Deus se realiza em Cristo que “é a nossa paz”. A mensagem de Cristo, levada à prática, fará cair todas as diferenças próprias das sociedades classistas porque o Espírito participa da obra de reconciliação.
Evangelho: Marcos 6,30-34
No Domingo passado contemplávamos Jesus enviando os discípulos em missão. Hoje vemos os discípulos voltar felizes e desejosos de contar ao Senhor tudo o que haviam realizado. Jesus aproveita a oportunidade para convidá-los a um merecido descanso e, ao mesmo tempo, ensiná-los a dedicar certos espaços para interiorizar e avaliar sua vida pessoal e sua ação apostólica.
Por isto os conduz a um “lugar deserto” que, na perspectiva bíblica, nada mais é do que um estado de ânimo, um modo de ficar a sós com Deus e consigo mesmos. O espaço interior necessário para encontrar o eixo da própria existência.
No entanto, aquele povo desejoso de ouvir Jesus não lhes deu sossego (“saíram de todas as cidades, correram na frente, a pé, e chegaram lá antes deles”) e quando chegaram ao lugar onde se dirigiam, lá estavam eles de novo. Isto foi demais para Jesus, que “teve compaixão” e, abandonando seus planos, “começou a ensinar”.
Nunca chegaremos a conhecer profundamente esse lado humano do Senhor. Marcos nos ajuda a aproximar-nos d'Ele e perceber a sua sensibilidade. Diante de tanta carência naquele povo, Jesus não sentiu a sua privacidade invadida nem se importou mais com o descanso d'Ele e dos discípulos. Com carinho e com paciência, começou novamente a evangelizar.
A palavra “compaixão”, que usa Marcos, só se aplica a Jesus no Evangelho. Significa uma comoção profunda como a que o levou, por exemplo, a ressuscitar o filho da viúva de Naim sem ela pedir nada (ver Lucas 7,11-17) ou a chorar no sepulcro de Lázaro antes de o ressuscitar (ver João 11,28-36).
Sentir profundamente a necessidade dos outros, percebendo que eles estão “como ovelhas sem pastor”, é o primeiro passo para deixar-nos levar pelo Espírito de Jesus a fim de dedicar-nos aos outros e assumir uma verdadeira ação pastoral. O resto pode ser filantropia, colaboração, participação (o que, aliás, é muito bom), mas não pastoral (que é muito mais profundo e melhor).
A origem da palavra PASTORAL lembra o cuidado de Jesus, Bom Pastor, acolhendo e ensinando. Pastoral é praticar a compaixão (“padecer-com”), sentir na própria carne o problema, a carência ou a necessidade de alguém. Pastoral não é qualquer atividade, por boa que seja, mas aquela atividade que transforma as pessoas em gente conduzida por Deus. Para tanto é preciso que as pessoas que participam das pastorais numa comunidade eclesial tenham alma de pastor, atitudes de pastor, acolhimento, liderança, verdadeiro amor.
Se fazer pastoral é conduzir o povo pelo caminho de Deus, ela deve estar inspirada, não pela ânsia de poder ou pelo gosto de aparecer, mas pelo espírito de serviço. Jesus não quis apoderar-se do povo para si. Unicamente tentou levar o rebanho para o Pai.
Só isso. Ser pastor não tem nada a ver com auto-afirmação. É o carisma que nos leva a orientar o Povo de Deus para o Pai.
Palavra de Deus na vida
Temos que reconhecer que o comportamento de Jesus para com aquele povo carente é bem outro do nosso comportamento nesta vida corrida, na qual, primeiro somos nós; depois ninguém e, se houver espaço, podemos até dedicar um pouco do nosso tempo aos outros. Compaixão, porém, é fundamental na convivência humana. Não se trata apenas de ter bons sentimentos. É mais do que isso: é ser capaz de colocar-se no lugar do outro para sentir seus problemas e poder ajuda-lo com nossa presença amiga. Se não tivermos a solução, bastará ouvir o irmão com paciência, dar atenção, ficar do seu lado. Isto é exercer a compaixão (padecer com alguém, sentir o problema do outro).
Por que Jesus “teve compaixão” daquele povo? Porque “estavam como ovelhas sem pastor”. Esse é o segredo..! Não se trata de esperar que alguém que precisa venha a nós para pedir ajuda. Ajudar, neste caso, é ser solidário. Certamente, é muito bom. Mas se quisermos mais, se quisermos imitar Cristo e sermos “pastores” de alguém, precisamos ter sensibilidade e capacidade de compaixão para descobrir onde se encontram as pessoas perdidas na vida que andam desorientadas, “como ovelhas sem pastor”. Seguindo o exemplo do Senhor, haveremos de renunciar ao nosso sossego para oferecer nosso ombro amigo e toda a ajuda que estiver ao nosso alcance.
Pensando bem...
+ Se estivermos de olhos abertos para a realidade, poderemos descobrir pessoas que fogem dos seus problemas e se afundam no vicio; jovens sem orientação de vida que procuram a felicidade lá onde ela não está; gente com fome e sede, não só de pão, mas também de Deus; famílias desunidas; crianças abandonadas nas ruas... Será quer não conseguiremos perceber que são “como ovelhas sem pastor”?
+ Quem vai se colocar no lugar deles? Quem vai sentir o seu problema? Quem vai arriscar-se a perder seu tempo e seu sossego? Alguém poderia dizer que não faria isso nem por todo o dinheiro do mundo. Por dinheiro, não. Mas por amor a Deus e ao próximo, SIM. Se nós, cristãos, não fizermos isso, quem o fará, então?
Conselhos de um bom pastor
Qualquer que seja a tua condição de vida, não te deixes prender pelo cerco estreito de tua família.
Uma vez por todas adota a família humana.
Procura não sentir-te estranho em nenhuma parte do mundo.
Sê um homem em meio aos homens.
Que nenhum problema de qualquer povo te seja indiferente.
Vibra com as alegrias e as esperanças de cada grupo humano.
Faz teus os sofrimentos e as humilhações de teus irmãos de humanidade.
Vive a escala mundial, ou melhor, a escala universal (dom Helder Câmara).
padre Ciriaco Madrigal



"Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão
porque eram como ovelhas sem pastor"
Domingo da volta dos Doze. Em cada celebração fazemos memória da Páscoa de Jesus ressuscitado e vivo no meio de nós. Hoje nós o contemplamos como Mestre  que se revela muito próximo e íntimo dos discípulos e se comove diante da multidão faminta e desamparada que o cerca.
Como Bom Pastor, Ele se compadece de nossos sofrimentos, guia-nos, fortalece-nos e defende nossa vida.
Hoje, a Páscoa de Jesus se prolonga na vida de tantas pessoas que são movidas em missão, em seu trabalho pastoral, pela mística da compaixão, da ternura e da doação, vencendo todo o tipo de autoritarismo, esnobismo e exploração interesseira.
Primeira leitura - Jeremias 23,1-6
Os profetas do Primeiro Testamento criticaram o presente (cf. vs. 1-2a) à luz da ação de Deus no passado (cf. vs. 5.7-8) e prometeram um futuro melhor da parte de Deus (v. 2b.6). Nas suas denúncias os profetas responsabilizaram antes de tudo as classes que exerciam a liderança política, judicial, econômica, militar e religiosa, aqui todas indicadas como a palavra "os pastores" (vs. 1-2a). Do povo em geral denunciam-se especialmente as crenças e práticas heterodoxas e cheias de superstições, junto com os desvios morais etc. Essas doutrinas práticas religiosas erradas e morais junto com os fracassos e desgraças nas gestões políticas, econômicas e militares são denunciadas como conseqüências da falta de responsabilidade, de omissão e de exploração das classes dominantes. O povo em geral é visto como vítima e como rebanho por elas transviado e traído.
Essa interpretação profética da realidade, aponta que os lideres são responsáveis pela má situação do povo, os profetas dirigem geralmente a eles e contra eles suas profecias que, neste contexto, assumem a forma e o conteúdo de denúncias e ameaças. Poucas vezes os profetas apelaram à responsabilidade do povo. Proclamam que Deus mesmo intervirá. Ele destruirá os lideres e lideranças erradas, salvará o povo e lhe dará novos líderes que guiarão o povo com justiça (cf. vs. 3-4).
A primeira leitura e o Evangelho trazem presente a figura do pastor, como no 4º domingo da Páscoa. O profeta Jeremias faz uma acusação contundente aos pastores que traíram as esperanças do povo, especialmente o rei Sedecias, cujo nome significa "Justiça de Deus", mas na prática impunha sua justiça contra o povo, em nome de Deus.
Jeremias garante ao povo que nem tudo está perdido. Deus mesmo vai cuidar de seu povo e lhe dará um pastor segundo o seu coração, um Messias que se chamará "O Senhor é nossa justiça". A justiça e o direito expressam a vontade de Deus.
Salmo responsorial 22,1-3a.3b-4.5-6
É um Salmo de confiança em Deus. A solicitude divina para com os justos, descrita com a dupla imagem do pastor (vs. 1-4) e do hospedeiro que oferece o festim messiânico (vs. 5-6). Este salmo é tradicionalmente aplicado à vida sacramental, especialmente ao batismo e à eucaristia.
É um dos salmos mais conhecidos e belos do saltério, aplica ao próprio Deus a humilde imagem do "pastor" como expressão de terno cuidado e guia segura que Ele tem para com um rebanho amado e protegido (vs. 2-4). Além disso, recupera o tema da "unção" do fiel como sinal de predileção e de dignidade (vs. 5-6).
Nos versículos de 1-4, o tema pastoril fornece algumas imagens fundamentais: verde, água, caminho. A última imagem conjura o grande perigo, a escuridão temerosa plenamente superada. Na segunda parte versículos 5-6 adianta-se o plano real, imediato: a experiência religiosa tem lugar no Templo de Jerusalém. Ali a pessoa humana encontra asilo frente ao opressor, participa na mesa do banquete sagrado, recebe a unção que o consagra. A experiência religiosa intensa converte-se em esperança e desejo para toda a vida.
O rosto de Deus no Salmo 22. Sem dúvida é uma das imagens mais bonitas do Primeiro Testamento que mostra Deus como pastor. Outras imagens também mostram o rosto de Deus como hospedeiro, libertador e aliado. Jesus no Evangelho de João, assume as características de Javé pastor, libertador e aliado (João 10). Jesus é esse pastor que se compadece do povo explorado. Ele caminha à frente de seu rebanho, tanto para chegar ao pasto e à água, como para voltar ao curral de repouso, já na escuridão da noite. Este salmo é tradicionalmente aplicado à vida sacramental, especialmente ao Batismo e à Eucaristia.
Por este salmo, peçamos ao Senhor que restaure as nossas forças, que derrame sobre nós o óleo do seu amor e faça de nós instrumentos de salvação, no meio de nossas comunidades.
Segunda leitura - Efésios 2,13-18
Este trecho da carta aos efésios pode ser considerado o centro teológico da carta. Paulo mostra a Igreja como o lugar onde as pessoas das mais diferentes condições estão juntas. A Igreja não nasce do acordo ou da decisão dos seus membros, é anterior a eles, é fruto do sangue de Cristo derramado na cruz. Portanto, a Igreja não é uma invenção humana.
O sangue de Cristo trouxe paz ao mundo, paz que inclui em si a destruição dos muros que dividiam as pessoas, dos quais o muro do Templo de Jerusalém que separava o átrio dos pagãos era um sinal vivo e concreto; e das leis de morte, das quais a judaica da pureza e impureza se tornara um modelo, por exigir sem dar condições de observância.
Cristo estabeleceu a paz entre as pessoas e entre as pessoas e Deus. Destruiu os muros que separavam as pessoas, e de uma vez por todas cumpriu a lei pela morte de cruz (Colossesnses 2,14). A paz messiânica prometida pelos profetas, tornou-se uma realidade pela morte de Cristo (Colossesnses 1,22) e na fundação da Igreja (1 Coríntios 12,12). O próprio Cristo, pela sua boca e dos apóstolos, anunciou a paz realizada, congregando as pessoas ao redor do único Espírito. Em outras palavras, o Espírito que vivifica a Igreja é o motivo da união entre as pessoas.
O apóstolo Paulo conclui, nesta passagem, uma exposição sobre um dos frutos mais importantes da obra redentora de Cristo: a reunião dos judeus e dos pagãos na única Igreja de Deus.
Cristo é a paz em duplo sentido: porque inaugura um novo modelo de humanidade, no qual esfumam-se as diferenças entre judeus e pagãos (vs. 14-16), e porque edificou a paz entre Deus e a humanidade, por sua morte na cruz (v. 16) e pelo dom do Espírito (v. 18).
Deste modo, Cristo proclamou e realizou a paz anunciada e pregada pelos profetas (Isaias 57,19), instaurando relações normais com as pessoas, e entre elas e Deus, com tanta competência que os mais afastados ouvem e aceitam sua mensagem, assim como as pessoas que estão próximas.
A fé em Cristo-paz entre Deus e as pessoas e entre as próprias pessoas reflete automaticamente na participação que tem o cristão nos esforços da humanidade por uma paz maior no mundo.
Esta leitura é um hino cristológico. Cristo é a paz e quem nos traz a paz; Ele derruba a parede divisória entre judeus e pagãos, que eram desconsiderados pelos primeiros. Como pastor, Cristo reúne a todos como um só rebanho. Não há mais discriminação e Deus nos chama para participar de seu Reino.
No Senhor ressuscitado desaparecem antagonismos e injustiças que fazem com que os homens e mulheres não se entendam entre si. O Evangelho é uma mensagem de caráter universal, derruba os muros sociais, políticos, econômicos, culturais e irmana todos numa fraterna comunhão.
Evangelho - Marcos 6,30-34
Esta passagem inaugura um conjunto que podemos chamar com o nome de "seção dos pães" (Marcos 6,31-8,26), que gira em torno da narrativa das duas multiplicações dos pães. Dos três evangelistas, Marcos foi o que melhor redigiu esta seção.
Na passagem lida hoje na liturgia, Marcos se preocupa em conduzir Jesus ao deserto por uma série de acontecimentos que parecem ter apenas um simples relato com poucas palavras, episódios encarregados de operar a transição entre as duas partes do Evangelho. Fala da volta dos apóstolos (v. 30), de seu repouso (versículo 31) e das multidões que vão atrás de Jesus.
O tema do rebanho sem pastor é tomado de Números 27,17 onde ele reflete a preocupação de Moisés em encontrar para si um sucessor, a fim de não deixar o povo sem direção (Ezequiel 34,5). Cristo se apresenta assim como esse sucessor de Moisés, capaz de retomar em suas mãos o rebanho, de nutri-lo com alimentos de vida e de conduzi-lo às pastagens definitivas. Toda a seção dos pães é formada de tal maneira que Cristo apareça efetivamente como o este "Novo Moisés" oferecendo o verdadeiro maná (Marcos 6,35-44; 8,1-10), triunfando, por sua vez, sobre as águas do mar (Marcos 6,45-52), libertando o povo do legalismo ao qual os fariseus tinham levado a lei de Moisés (Marcos 7,1-13) e abrindo aos próprios pagãos o acesso à Terra Prometida (Marcos 7,24-37).
Cristo pode reivindicar o título de "Novo Moisés" porque, em sua vida pessoal, restabeleceu a obediência à lei, no regime da fé e da íntima ligação com o Pai. Ele realizou em sua própria carne a fidelidade requerida pela verdadeira aliança. Sendo assim Ele pode propor-se como exemplo para toda a humanidade.
Não é pelo "bom exemplo" moral dos cristãos que Cristo se manifesta ao mundo, pois a ética pode ser reivindicada tanto pelos ateus quanto pelos cristãos. O verdadeiro sinal da presença de Jesus Cristo no mundo está na fé com a qual o cristão se prende a Deus que é o "Todo-Outro", na defrontação das provações quotidianas, dos desafios da morte e do pecado pelos grandes problemas da guerra, do terrorismo, da crise mundial, da fome e da injustiça social.
Precisamos entender que o Evangelho nos apresenta duas cenas. Na primeira aparecem os apóstolos cansados, mas felizes e cheios de entusiasmo pelo bom êxito da missão e por tudo o que tinham conseguido realizar. Jesus os convida amigavelmente a se retirarem para um lugar sossegado, à solidão do deserto, a fim de refazerem suas forças e buscarem maior intimidade com o Pai, pela oração. No Evangelho de Marcos e em outros textos bíblicos, o deserto é o lugar onde Deus fala a seu povo.
É indispensável para a missão o espaço da oração, o cultivo da relação íntima e pessoal com Deus. É Ele quem anima e dá forças para enfrentar todas as dificuldades que apóstolos e apóstolas de todos os tempos vão encontrar.
A segunda cena apresenta a chegada da multidão: povo abandonado e desprezado pelos maus governantes, maus pastores que, pela corrupção, abuso do poder, busca de interesses pessoais e total descaso pelo povo, provocavam o triste drama da miséria cada vez maior das multidões de miseráveis, excluídas do sistema do Império Romano que só beneficiava uma minoria de privilegiados.
Diante dessa multidão sofrida, Jesus moveu-se de compaixão, um traço característico de Deus. Deixa-se estremecer por dentro, tem um sentimento profundo como dores de parto, escuta o gemido e suas entranhas comovem-se porque os pastores haviam abandonado seu povo nas mãos de estranhos e exploradores.
A eucaristia é o lugar por excelência do renascimento desta moral, porque ela une novamente, de maneira viva, o cristão ao acontecimento máximo no qual Jesus Cristo expressou sua fidelidade ao desígnio misterioso de seu Pai.
Da Palavra celebrada ao cotidiano da vida
Pastor ou pastora é quem tem responsabilidade pelo bem de outras pessoas. A atitude de Jesus nos lembra que esta é a forma de ser de Deus e também deve caracterizar a comunidade cristã. No seguimento de Jesus, somos ovelhas e pastores, convocados a viver a "compaixão/sentir com" os pobres, ser "pastores amorosos", responsáveis pela sorte, pela vida, pela paz, pela felicidade dos irmãos e irmãs.
O que significa ser pastor hoje? O que é um mau pastor? As lideranças políticas, religiosas, sindicais, dos movimentos sociais agem como bons pastores? Que tipo de pastor você e na sua família, na comunidade em seu local de trabalho? São perguntas que freqüentemente precisamos nos fazer para não cairmos no ativismo.
Ser pastor e pastora hoje é desenvolver a ética do cuidado, da compaixão, da ternura. É perceber que o outro é o meu semelhante, meu irmão. Todo o nosso culto a Deus, todo rito, todo sacramento deve ter como centro o seguimento de Jesus, caminho, verdade e vida. Ser pastor é ser presença solidária junto dos esquecidos, que estão dentro do coração de Deus. É cuidar do planeta Terra, assumindo, no respeito ilimitado a todo ser, a responsabilidade diante do futuro do nosso planeta.
Ser pastor é se fazer escutar pelas ovelhas, despertar no coração do povo confiança e esperança. Não se trata de palavras vazias, superficiais, fora do tempo. Trata-se de tocar o coração do povo com o amor e a compaixão de Jesus, para construir alternativas de vida e sobrevivência.
Jesus traz a paz a todos sem exceção, porque vem da parte de Deus, e Deus nos tem por filhos e filhas. A divisão entre judeus e pagãos, crentes e não-crentes, brancos e negros, homem e mulher, ou qualquer outra oposição, não pode ser aceita por nós.
O convite de Jesus para ir a um lugar tranqüilo e descansar um pouco não é detalhe que destoa do resto do Evangelho. É importante que em nossas comunidades criemos espaço para o descanso, o lazer, a convivência prazerosa. A vida cristã não se reduz a preceitos, normas, pecados, obrigações, orações, devoções, abstinências, jejuns, esmolas, apenas... mas é bom caprichar na gratuidade, no aconchego, no convívio alegre e fraterno.
A Palavra se faz celebração
O Bom Pastor não desampara
O conhecido e apreciado Salmo 22/23, também chamado de "salmo do Bom Pastor" é de fato uma das "pérolas" do livro dos salmos. A sua beleza poética e riqueza de imagens encantam cristãos, judeus e até pessoas de outras religiões. O mais belo deste salmo talvez seja a forma de tratamento que reconhecemos receber de Deus: "mesa farta", "águas tranqüilas", segurança, bem-estar... é a imagem do "Deus protetor". Aquele que não desampara sua criação, provendo-lhe vida e salvação...
Mas nos salmos, como ensina santo Agostinho no comentário do Salmo 98, devemos procurar Cristo. E com esse mesmo olhar e inteligência que cantamos o salmo 22/23. Pois Cristo é o Pastor que nos conduz à vida plena com sua Ressurreição. É Ele quem nos conduziu à fé, fruto da Palavra que nutre e dá sentido à nossa vida, qual prado verdejante para o rebanho. Assim nutridos, passamos pelas "águas repousantes e tranqüilas" do Batismo e nos saciamos nas delícias da mesa eucarística, onde participamos do banquete do Reino, preparado para nós.
Jesus Pastor e Guia
Jesus, o Pastor escatológico, prenunciado pelo profeta Jeremias, tem cuidado agregador na condução do rebanho do Pai. Com  seu sangue, "traz-nos para perto"de si,  a nós que andávamos distanciados Dele e de seu projeto. Sob seu comando, caem todos os muros que separam "judeus e gentios". Pasto e Guia, Ele não se distancia de nós, mas se senta à mesa conosco para cear, conforme rezamos na antífona de comunhão: "Eis que estou à porta e bato, diz o Senhor: se alguém ouvir a minha voz e abrir, eu entrarei e cearemos juntos" (Apocalipse 3,20). O cuidado do Bom Pastor nos "cura" de todo sentimento de discriminação e exclusão, que nos torna racistas, classistas e preconceituosos. Quanto a nos, sendo também bons pastores uns para com os outros, nossas forças pastorais não de dispersarão. Viveremos uma prática pastoral forjada na compaixão e no zelo missionário. Nossa ação evangelizadora e nossas liturgias terão "vida", vida e conteúdo e viveremos na paz o dom da unidade, sob o olhar compassivo daquele que nos governa com prudência: nosso rei-pastor Jesus Cristo, o "Senhor nossa justiça".
Ligando a Palavra com a ação eucarística
Como rebanho, encontramo-nos no regaço de nosso Pastor para refazer as forças e ouvir a Palavra. A celebração nos afasta da correria dos afazeres da vida e da missão para permanecermos na intimidade do Senhor e prosseguirmos mais animados em nossa caminhada pascal.
Somos tocados pelo seu olhar compassivo. Sua presença amorosa se faz sentir na comunidade de irmãos que juntos celebram o sacramento da sua Palavra, a qual ecoa dos acontecimentos, dos textos bíblicos, da homilia, dos cantos e do silêncio. E, num diálogo de aliança e compromisso, respondemos, professando nossa fé e suplicando, desejosos que seu Reino venha logo.
Mas é no rito eucarístico que vivemos plena comunhão de aliança com o Senhor. Agradecidos, oferecemos com Ele nossa vida ao Pai que nos brinda com a ceia, sacramento da entrega de seu Filho na cruz.
Na comunhão de sua aliança, deixamo-nos tomar de compaixão pela multidão faminta, sofrida e desesperançada ao nosso redor. Pela força do Espírito, como bons pastores, assumimos doar nossa vida para que o mundo tenha vida e alegria.
padre Benedito Mazeti



"A sós com o Senhor..."
Sempre ouço uma crítica contundente em nossa Igreja, de que, “no dia em que Jesus voltar, não vai nos encontrar unidos, mas reunidos”. Há de fato um excesso de reuniões, as vezes sem pauta e nem assunto determinado, e o que é pior, sem horário para terminar, onde patina-se em assuntos pessoais, troca-se muitas farpas, seria necessário refletirmos sobre a qualidade de nossas reuniões, avaliando-se os resultados. Lembro-me da primeira vez em que fui convocado para uma reunião na igreja, isso já faz tempo, e senti-me muito importante, hoje o entusiasmo já não é tanto.
Pelo jeito, os apóstolos também gostavam de uma reunião, haviam sido enviados em missão, e no evangelho de hoje voltam para Jesus, querendo fazer uma reunião de avaliação, mas ao que parece, o Mestre não era muito chegado em reunião, pois assim que os apóstolos começaram a expor o relatório de tudo o que tinham feito, ele os convidou a irem para um lugar á parte: “Vamos descansar um pouco em um lugar á parte!” – Prestemos atenção nesse verbo, “descansar”, que tem muitos significados: descontrair, fazer algo diferente, jogar um pouco de conversa fora, dar boas risadas de coisas engraçadas que aconteceram na missão, rir dos próprios erros e enganos “Imagine Senhor, que eu por engano bati na porta de um ateu, e quando comecei a falar em teu nome, pensei que o homem ia ter um “saracotico”!, fico imaginando o grupo todo caindo na risada com aquele apóstolo distraído, e Jesus exclamando bem humorado “Mas você é uma anta mesmo!” e tome mais risada e até o sisudo Pedro quase se engasga de tanto rir, e me dirão os extremamente conservadores, que isso não está no evangelho, e nem precisaria.
Modéstia á parte, nossas reuniões de diáconos da diocese de Sorocaba, são um pouco assim, as vezes o Dirigente tem que dar um “breque” para acalmar os faladores e piadistas, e não pensem que os mais idosos não gostam, até eles fazem rodinhas para contar suas anedotas ou coisas engraçadas do seu ministério. Faz muito bem a alma, ao coração e à nossa “psique”, esses momentos de pura alegria por estarmos juntos, e graças a Deus, nossos irmãos maiores no ministério, os sacerdotes, estão resgatando esses encontros, com a valiosa ajuda da psicanálise, pois não se conhece arma mais poderosa do que o isolamento, para destruir por completo uma vocação, agente de pastoral que se isola dos demais, catequistas, ministros, padres e diáconos, começou a ficar sozinho, está dando “sopa” para a derrota e o fracasso na sua vocação, daí vêm certas tristezas, angústias e desvios de conduta, por falta de apoio.
Na correria dos trabalhos pastorais e ministérios, é preciso parar de vez em quando, e aqui há outro sentido belíssimo nessa reflexão, pois, descansar com o Senhor, significa abastecer-se, na intimidade da oração, no mistério da Eucaristia, onde Deus é um frágil pedacinho de pão, na palma da minha mão, ou ainda como Maria, irmã de Marta, sentar-se confortavelmente aos pés do Senhor, para ouvir a sua palavra. De que me adianta não ter tempo para mais nada, nem para mim mesmo, nem para os amigos, nem para a família, nem para comer, por conta de uma agenda lotadíssima de compromissos, se vou aos poucos me distanciando daquilo que é essencial?
O ativismo exacerbado das atividades pastorais e ministeriais começa a nos fazer sentir que somos Donos do Reino e da igreja, querendo nos colocar no centro das atenções, quando na verdade apenas trabalhamos para o Mestre Jesus, é ele quem nos envia, quem nos confia a missão, é portanto ele, que no “intervalo” do jogo, como fazem os técnicos de futebol, irá nos dar as instruções, fazer as correções necessárias, mostrando-nos a melhor estratégia para sermos bem sucedidos na missão.
Não tenho nenhuma dúvida que, sem essa intimidade dos bastidores, com Nosso Senhor, retirados em um lugar á parte, sem essa descontração com o grupo todo, que solidifica a amizade e o carinho entre os membros, qualificando as relações pessoais, corre-se o risco de estressar-se diante do volume de trabalho a ser feito na comunidade e na evangelização fora da Igreja, a multidão que temos que servir é muito grande, as pessoas buscam desesperadamente algo que o cristianismo tem de sobra, que é a esperança, presente na palavra da qual somos portadores.
Mas é perigoso esse “corre-corre” nos tornar insensíveis a dor, ao sofrimento e as necessidades das pessoas, tornando-nos profissionais da palavra, realizando trabalhos belíssimos e ações arrojadas, mas não movidos por essa COMPAIXÃO, que Jesus tem pelas pessoas que o procuram, mas apenas levados por nossos interesses mesquinhos, pela nossa vaidade, prepotência e arrogância, manifestando de vez em quando o nosso mau humor e azedume naquilo que fazemos, e de Agentes de Pastoral ou ministros da igreja, com essa característica, longe de atrair as pessoas, como o Mestre fazia, as vezes é melhor manter a devida distância, porque nunca se sabe em que hora que o “Rei ou a Rainha da Cocada”, vai dar o seu terrível “coice”, que magoa, machuca e gera tantas divisões e intrigas na comunidade, perdendo de vista a compaixão, vivida por Jesus.
diácono José da Cruz



1. Jesus e os seus discípulos estão em constante movimento. Quase não têm tempo para descansar e por vezes as refeições são feitas à pressa, pois há sempre pessoas a chegar e a partir.
O primeiro dos evangelistas, são Marcos, o mais "genuíno", não tendo a preocupação de apresentar uma reflexão refletida e ordenada sobre Jesus, quer dar-nos o testemunho daqueles que viveram com Ele, como é o caso de São Pedro, para que o maior número de pessoas possa beneficiar da Sua mensagem e da Sua benevolência. É um Jesus mais humano e sensível, em ação permanente, sem tempo para grandes paragens, e onde são mais as interrogações que as respostas.
Duas premissas sobressaem de imediato em são Marcos: Jesus é o Filho de Deus e tem consciência que é Filho de Deus, mas é um homem entre homens, com necessidades, precisa de comer e de descansar, de se afastar da multidão e rezar em silêncio; e é o Messias esperado, n'Ele se cumprem as promessas de Deus feitas ao Povo da Aliança, de forma mais explícita pelos profetas; surge do povo e ao povo é enviado.
Ao lermos com atenção este trecho do evangelho sobrevém a delicadeza e atenção de Jesus. Enviou os seus discípulos e no regresso Ele sabe/sente que precisam de descansar, de retemperar forças, de comer, e de relatar tudo o que passaram, a experiência vivida. É um lado muito humano de Jesus e muito concreto. Neste episódio não há nada de abstrato ou elaborado. É a vida no seu pulsar quotidiano. O Messias, o Enviado de Deus, assume em pleno a Sua humanidade.
2. A compaixão de Jesus pela multidão é constante na Sua vida. Vem da parte de Deus. É o próprio Filho de Deus, mas vem como Pastor para o meio da humanidade, para o meio de um rebanho tantas vezes desorientado, sem guia e sem esperança.
É notório que há muitas pessoas que ouviram falar de Jesus e não apenas um bando de maltrapilhos (que Ele acolhe com maior afabilidade). É grande a multidão que a Ele acorre, gente que vem de toda a parte, de vários grupos sociais, religiosos e políticos, de várias regiões e em diferentes idades.
A resposta de Jesus é atitudinal: levanta-Se de imediato, não deixa a multidão à espera. Ensina-lhes muitas coisas. Quem chega não está faminto apenas de pão, mas de vida nova, de sentido para os seus dias de trabalho e canseira.
As palavras do salmista apropriam-se a Jesus: “O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma. A bondade e a graça hão de acompanhar-me todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre”.
Deus nada nos tira. Diante d'Ele não precisamos de disfarces, apresentamo-nos como somos, com a nossa alma em transparência, sabendo que Ele nos guia para o bem, que nos proporciona descanso, o reencontro conosco.
3. A primeira leitura que hoje nos é proposta antecipa a chegada do Messias-Pastor. Deus virá para o meio do Seu povo. É uma promessa que renova a esperança em Deus e que haveria de motivar os israelitas a voltarem à Aliança, evitando a conflitualidade, egoísmo, a perversão, que levaria à ruína do reino do Norte e de Judá. Um povo sem Deus, e sem Mandamentos, é um povo sem alma e sem futuro, correndo o sério risco de se desmoronar.
Jeremias é mais um profeta da interioridade, cimentando o compromisso com as pessoas mais frágeis, apontando a conversão interior, como caminho para Deus e para os outros, adesão firme à Aliança e que implique, pressuponha e conduza à prática da justiça e da caridade. Os ritos valem se preenchidos com Deus e com a Sua Palavra, na vivência dos Seus mandamentos. De contrário são como ossos ressequidos, esqueleto sem carne e sem músculo, sem vida!
A religião, como a vida política e social, há de estar ao serviço do bem, da paz, ao serviço de todos, promovendo os mais pequenos. Só iguais podemos viver como irmãos e também com a mesma responsabilidade social e política.
Hoje precisamos de profetas que bradem esperança e sobretudo nos tragam Deus. E nós também somos responsáveis pela profecia da esperança e de Deus. Deus não tardará, já alouram as searas, os campos começam a ficar preparados para a ceifa, Deus já se anuncia breve, como o Bom Pastor para o meio do seu rebanho, do Seu povo.
“Eu mesmo reunirei o resto das minhas ovelhas de todas as terras onde se dispersaram e as farei voltar às suas pastagens, para que cresçam e se multipliquem. Dar-lhes-ei pastores que as apascentem e não mais terão medo nem sobressalto; nem se perderá nenhuma delas – oráculo do Senhor. Dias virão, diz o Senhor, em que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e governará com sabedoria; há de exercer no país o direito e a justiça. Nos seus dias, Judá será salvo e Israel viverá em segurança. Este será o seu nome: "O Senhor é a nossa justiça”.
4. O anúncio profético realiza-se em Jesus Cristo, o Pastor por excelência. Não vem por sobre as nuvens, mas encarna, vem do povo, é Homem que tem poiso e pisa o nosso chão, terra sagrada para o encontro de Deus e do Homem, vem com a força divina encher de beleza e enriquecer a fragilidade humana. Não se coloca de fora, como observador, mas dentro da humanidade. É n'Ele que encontramos a salvação de Deus.
Como clarifica o apóstolo, “foi em Cristo Jesus que vós, outrora longe de Deus, vos aproximastes d’Ele, graças ao sangue de Cristo. Cristo é, de fato, a nossa paz. Foi Ele que fez de judeus e gregos um só povo… de uns e outros, Ele fez em Si próprio um só homem novo, estabelecendo a paz. Pela cruz reconciliou com Deus uns e outros, reunidos num só Corpo... Cristo veio anunciar a boa nova da paz, paz para vós, que estáveis longe, e paz para aqueles que estavam perto”. 
Veio para reunir de todas as nações, para congregar os de perto e os de longe, para salvar, para semear a paz e a justiça, para formar de todos um só Povo para Deus.
padre Manuel Gonçalves