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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 27 de abril de 2016

6º DOMINGO DA PÁSCOA-DIA DO TRABALHO-C

6º DOMINGO DA PÁSCOA

DIA DO TRABALHO

1 de Maio de 2016

Evangelho - Jo 14,23-29



Hoje é o dia mundialmente dedicado ao trabalhador.  Aquele que acorda cedo e sai de casa ainda escuro, e quando volta para casa já está escuro novamente.  Leia mais


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“SE ALGUÉM  ME AMA, GUARDARÁ  A MINHA PALAVRA...” – Olivia Coutinho

6º DOMINGO DA PÁSCOA

Dia 1º de Maio de 2016

Evangelho de Jo 14,23-29

Ao nos enviar Jesus, Deus manifestou o seu desejo de participar da nossa vida! E Jesus, por sua vez, quer que nós, ligados a Ele, participemos da vida do outro, no sentido de criar laços de fraternidade e de cumplicidade  entre irmãos!
Acolher a palavra de Jesus e colocá-la em prática é dar a Ele uma resposta de amor! Viver a dinâmica da escuta e da resposta a esta palavra de vida, é estar continuamente em comunhão com o Filho e com o Pai! 
Não são com palavras bonitas, com longas orações, que daremos testemunho do nosso amor a Jesus e sim, com as nossas atitudes do dia a dia!
De nada adianta, erguermos as nossas mãos para louvar o Senhor da vida,  se não nos dispusermos  em  ser as  mãos de Jesus,  para reerguer o irmão que está no chão!
Quando damos passos no sentido de dar vida a palavra de Jesus, estamos preparando o nosso coração para ser a sua morada, o santuário, de onde Ele poderá agir no mundo em favor do outro!
O amor é a presença de  Deus  em nós, e Jesus é a revelação deste amor!
Ninguém se realiza longe do amor, o amor é vital em nossas vidas, é a força que nos move o alimento que nos sustenta!  A falta de amor nos paralisa, pode até nos causar doenças!
A nossa adesão a Jesus, parte da nossa disposição em permanecer no seu amor sendo fiel aos seus mandamentos, como Ele fora fiel ao querer do Pai!
Quem ama, faz a vontade da pessoa amada, portanto, se amamos verdadeiramente Jesus, faremos a vontade de Deus, como Jesus sempre fez!
No evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, Jesus, continuando o seu discurso de despedida, visa fazer brotar nos corações dos discípulos, sentimentos positivos, garantindo-lhes que mesmo na sua ausência física, eles não estariam sós!
As palavras consoladoras de Jesus, dirigidas aos discípulos, nos consolam também, chegam até a nós, como uma injeção de ânimo a nos encorajar, afinal, Ele nos garantiu que nós  nunca estaremos sós!
Respondendo a uma pergunta feita por Judas, não, o Iscariotes, (Jo14,22) Jesus, disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e o meu Pai o amará...”
A vida cristã, deve ser alicerçada no acolhimento à palavra de  Jesus! Ele  só se manifesta à aqueles que o ama, pois estes, guardam as sua palavra.  Ao mundo, Jesus  não se manifesta, porque o mundo despreza a sua palavra!
A palavra de Jesus, não encontra ressonância no coração de quem não o ama!
Guardar a palavra de Jesus é o mesmo que trazer para nossa vida, o seu modo de viver! 
Quem guarda a  palavra de Jesus, caminha com segurança sem temer os desafios, pois sabe, que ele  poderá contar sempre com a ajuda do Espírito Santo, que o fará recordar a palavra guardada, palavra,  que o orientará nas encruzilhadas da vida!
Ter a palavra de Jesus, guardada no coração, é ter segurança, é ter permanentemente à nossa disposição, um “manual” de instrução a nos orientar! 
O amor foi e é, a fonte inspiradora de Jesus, quem observa e põe em prática a sua palavra, com certeza, O ama verdadeiramente!
Só um amor que pressupõe vínculos estreitos de relação com Jesus, a ponto de nos transformar, pode garantir o êxito da nossa caminhada de fé!
A melhor escola de amor para todos nós, é sem dúvida, o exemplo  de Jesus! E ao trazer para nossa vida o exemplo de Jesus, nós criamos caminhos de fraternidade!
“Deixo-vos a paz, minha paz vos dou...” Estas palavras de Jesus que encorajaram os discípulos, nos encorajam também, nos tira do comodismo e nos coloca na dinâmica do Reino!
Quando falamos de paz, pode nos vir a ideia de uma situação externa, onde não há conflitos abertos, no entanto, a paz verdadeira, é um estado interior de contentamento  mesmo nas adversidades!
 No final do texto, Jesus assegura aos discípulos de que, os acontecimentos que estavam por vir, não poriam fim na relação entre eles! A nós também, Jesus assegura: se guardarmos as sua palavra, nada nos separará Dele!
Quanto maior a nossa intimidade com a palavra de Jesus,  maior é a nossa identificação com Ele na vivencia do amor!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

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Quem ama Jesus ouve sua palavra. Meditada e praticada em comunidade, a Palavra produz muitos e bons frutos. O Espírito Santo, dom de Deus, recorda aos discípulos tudo o que o Mestre ensinou. Uma comunidade que ama é, por excelência, o espaço sagrado, pois nela habita a Trindade. Onde mora Deus, há a verdadeira paz (evangelho). O Espírito Santo também inspira e fortalece os discípulos de Jesus para continuarem sua missão. Como anunciadores da verdade do evangelho, encontram oposições por parte dos que seguem as propostas do mundo. A paz de Deus é diferente da paz que o mundo dá. A paz de Deus não é ausência de conflitos. No dinamismo do Espírito Santo, os seguidores de Jesus precisam encontrar-se, dialogar, discernir e decidir pelo melhor caminho (1ª leitura). As comunidades cristãs são convidadas a acolher a “nova Jerusalém”, a cidade da paz, que desce do céu, fruto da graça divina e da fidelidade dos que ouvem sua palavra. É a nova humanidade, cujos alicerces se encontram no testemunho dos apóstolos, os quais viram, acolheram e transmitiram a palavra da vida: Jesus Cristo morto e ressuscitado (2ª leitura). Iluminados e encorajados pelo mesmo Espírito Santo, continuamos a testemunhar a fé em Jesus, reunindo-nos para rezar, para comungar a palavra-eucaristia, para dialogar, discernir e viver o amor, conscientes de que a Trindade fez sua morada no meio de nós.
Evangelho: Jo 14,23-29
Ser humano, morada de Deus
A redação do Evangelho de João se dá ao redor do ano 100. Constitui-se numa reflexão pós-pascal das comunidades joaninas. O texto deste domingo faz parte do discurso de despedida de Jesus junto aos seus discípulos. Percebe-se íntima relação entre Jesus e Moisés. Assim como Moisés fora enviado para guiar o seu povo rumo à terra prometida, Jesus foi enviado por Deus para dar a vida à humanidade. Assim como Deus se manifestou no Êxodo por meio de dez sinais, Jesus realiza sete sinais libertadores. Assim como Deus revelou, por meio de Moisés, os Mandamentos como estatutos para o povo de Israel, Jesus revela o Mandamento do Amor, estatuto do novo povo de Deus, conforme o texto do domingo passado.
Há, porém, uma novidade radical, sintetizada no texto da liturgia de hoje. É fruto da experiência de fé, ao longo da caminhada das comunidades joaninas, que iluminou a compreensão da pessoa e da proposta de Jesus: ele e o Pai vivem intimamente unidos. O que Jesus diz e faz é a própria expressão de Deus Pai. Jesus e o Pai são UM. A intimidade amorosa entre ambos estende-se às pessoas que praticam o amor. Nelas Deus faz sua morada. O mesmo foi dito do Espírito Santo (v. 17). Então, a pessoa que crê torna-se morada da Trindade. Cumpre-se a antiga promessa da habitação de Javé no meio de seu povo: “Estabelecerei a minha habitação no meio de vós e não vos rejeitarei jamais. Estarei no meio de vós, serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo” (Lv 26,11s). Em João, porém, é ainda mais profundo: a habitação divina não se dá apenas “no meio”, mas “dentro”. É uma experiência única e maravilhosa.
A comunidade cristã, portanto, é a expressão viva de Deus-Amor. As pessoas participantes ouvem a sua palavra, que é o próprio Jesus feito carne, presente no meio delas. O Espírito Santo, dom do amor de Deus, recorda todos os ensinamentos de Jesus. Como ouvintes e praticantes da Palavra, unidas na fé e no amor, as comunidades cristãs transformam-se num espaço da paz e da alegria de Deus. O termo “paz”, na Bíblia, expressa a síntese dos bens necessários para uma vida plena, tanto temporais como espirituais.
1ª leitura: At. 15,1-2.22-29
Conflitos fazem parte da caminhada
Após a primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé permaneceram algum tempo na comunidade cristã de Antioquia da Síria. Ela se tornou importante centro irradiador da proposta cristã. A experiência que trouxeram da viagem foi partilhada e meditada na comunidade. O principal ponto polêmico levantado por Lucas, neste texto, é a questão da circuncisão. Trata-se de polêmica suscitada por judeu-cristãos que manifestam ainda muita dificuldade de desvencilhar-se da lei judaica como constitutiva da salvação. Alguns deles se deslocam de Jerusalém para Antioquia a fim de pregar a obrigatoriedade da circuncisão como manifestação de fidelidade à Lei de Moisés. A seu ver, somente assim se poderia obter a salvação.
Paulo e Barnabé, missionários junto às nações, não concordam com essa obrigatoriedade, pois a verdadeira fonte de salvação é Jesus Cristo. Com tal convicção dirigem-se à Igreja-mãe, Jerusalém. O conflito é evidente. Para discernir qual o caminho a ser seguido, é convocada uma assembleia. Realizou-se, então, o que é normalmente conhecido por “Concílio de Jerusalém”. Estamos no ano 49.
O relato de Lucas tem a preocupação de mostrar a disposição dos participantes desse “concílio” para salvar a unidade da Igreja. Percebe-se isso, especialmente, pela acolhida mútua e carinhosa entre os representantes da Igreja de Antioquia e os de Jerusalém. A unidade vem junto com a preocupação de inclusão de toda a gente, pois a salvação que Jesus trouxe é para todos os povos. O decreto final determina a abstenção de algumas atitudes que feriam profundamente a fé judaica: das “carnes sacrificadas aos ídolos”, pois isso significaria participar dos cultos pagãos, o que seria um sacrilégio; do “sangue e das carnes sufocadas”, pois o sangue expressa a própria vida, que só a Deus pertence (por isso, ao ser sacrificado, o sangue do animal deveria ser totalmente derramado – cf. Lv. 1,5); das “uniões ilegítimas” (cf. Lv. 18). Transparece claramente, nas decisões da assembleia, uma estratégia pastoral com o objetivo mais alto: proporcionar a acolhida do evangelho da salvação por todas as culturas.
2ª leitura: Ap. 21,10-14.22-23
A nova humanidade
Os dois últimos capítulos do Apocalipse apontam para a nova criação, em que já não há lugar para a maldade. O texto da liturgia deste domingo relata essa visão utópica que se dá num alto monte. Na tradição judaica, a montanha carrega um significado simbólico de muita importância. Basta lembrar a concessão dos Mandamentos a Moisés e a morte salvadora de Jesus. Também a Jerusalém histórica se situa no monte Sião.
O alto monte contrasta com o deserto para onde o visionário João havia sido levado anteriormente (cf. 17,3). Enquanto o deserto é, simbolicamente, a morada da meretriz, a montanha é o lar da Noiva de Cristo, a nova Jerusalém constituída pelo povo justo. A meretriz representa a “Babilônia”, nome simbólico de Roma, promotora da morte e da destruição. A nova Jerusalém é a cidade perfeita que desce do céu trazendo a própria glória de Deus. A muralha, grossa e alta, tendo os anjos como guardas, está totalmente protegida e segura.
O número doze é articulado no texto como expressão da nova realidade da qual participa o novo povo de Deus. É o número da perfeição teocrática que lembra as doze tribos de Israel, os doze apóstolos e, por extensão, o povo fiel a Jesus Cristo. Esse número cruza-se com o número três, referindo-se quatro vezes às portas abertas para os quatro cantos do mundo. É, portanto, a realidade-síntese de um mundo novo.
A cidade perfeita é dom de Deus. Nela já não há templo, pois toda ela é habitação divina. Essa perspectiva teológica do Apocalipse aponta para a realização plena do desígnio de Deus inaugurada com a vinda de Jesus, o Messias. Ele é o Cordeiro: a lâmpada que ilumina a cidade. A situação da humanidade transformou-se. Seu relacionamento com Deus se dá de forma íntima, perfeita e definitiva. A aliança é plenamente acolhida e vivida com fidelidade.
PISTAS PARA REFLEXÃO
A utopia do “novo céu e da nova terra” exerceu um papel de resistência, de coragem e de perseverança nas comunidades cristãs do Apocalipse. As violentas perseguições pelas quais passaram as pessoas discípulas de Jesus, por causa do testemunho de fé em Jesus Cristo, desafiaram a sua fidelidade. Muitas foram mortas. O seu martírio, porém, é o sinal por excelência que ilumina e confirma o caminho do seguimento de Jesus.
O testemunho dos primeiros cristãos nos interpela profundamente. A fidelidade aos valores evangélicos permanece como caminho para um mundo novo. É neste mundo onde vivemos que Deus deseja estabelecer sua morada. Tudo, então, torna-se sagrado. Quando nossas palavras e nossas ações respeitarem a presença de Deus em cada ser humano, na natureza e em toda a sociedade, o mundo será outro...
No evangelho, Jesus anuncia e garante a presença de Deus Trindade nas pessoas que o amam e ouvem a sua palavra. Desta verdade decorre o nosso compromisso de contemplar cada pessoa como morada de Deus e, portanto, respeitá-la em sua dignidade. Daí decorre também o nosso compromisso de proteger e promover a vida em todas as suas dimensões. Como faz a mãe com relação aos seus filhos, amando-os sem discriminação, dando prioridade àquele que mais necessita, somos todos convidados a adotar esse mesmo jeito de amar em nossa comunidade e na sociedade por meio da participação nas pastorais, movimentos, organizações...
Por isso, iluminados pelas atitudes dos primeiros discípulos e missionários, reunimo-nos em comunidade para celebrar, realizar encontros e assembleias para discernir e decidir o que fazer, tendo em vista a vida digna sem exclusão...
Celso Loraschi

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A nova habitação do Altíssimo
Estamos terminando o alegre e jubiloso tempo pascal. No próximo domingo comemoramos a Ascensão do Senhor e em quinze dias estaremos festejando o Espírito que vem no vento e no fogo. Vamos aprofundando nossa fé no Ressuscitado.
O Apocalipse nos leva para o céu. O autor da página hoje proclamada é levado a uma alta montanha. O anjo lhe mostra uma nova Jerusalém, esplendorosa Jerusalém que desce do céu.  Com a subida de Jesus para junto do Pai o sinal de sua presença, o sacramento de sua presença no mundo será a Igreja, santa e em estado de conversão.  Sempre se interpretaram textos referentes à Nova Jerusalém como aplicáveis a essa Igreja que conserva a memória do Cristo e atualiza sua presença em sinais e gestos. O autor do Apocalipse não encontra imagens suficientemente deslumbrantes para descrever a beleza da  Cidade Nova.  Seu brilho era semelhante ao brilho da pedra de jaspe.  A Cidade Nova é cercada de muros  maciços e altos  com doze portas, os doze apóstolos. Curiosamente esta nova Cidade não tinha templo. O Cordeiro é seu centro.  “A muralha da cidade  tinha doze alicerces, e sobre eles estavam  escritos os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.”  E o vidente não consegue enxergar templo.  O templo da  Cidade Nova é o próprio  Senhor e o Cordeiro. Eles constituem o templo. “A cidade não precisa de sol, nem de lua que iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz e a lâmpada é o cordeiro”. Assim, no seio da Igreja, a nova Jerusalém, vivemos em convivemos com o Cordeiro esperando sua última manifestação.
O texto do quarto evangelista tem o mesmo tema sob um outro ângulo.  Os que amam o Senhor atraem a presença do Senhor, passam a ser habitação do Altíssimo:  “Se alguém me ama, guardará minha palavra, e o meu Pai o amará e nos viremos a ele e faremos nele a nossa morada”.  Assim, para além dos templos de pedra há templos vivos da Trindade no meio das pessoas mais simples. Na medida em que pessoal, mas de modo especial em fraternidades, as pessoas amam o Senhor vão se constituindo em templos vivos do Senhor. Johan Konings afirma: “Na caridade fraterna,  Deus e o  “Cordeiro” moram conosco. A cidade de Deus não é uma grandeza de ficção científica, nem uma cristandade sociologicamente  organizada. Ela é uma realidade interior, atuante em nós e, naturalmente, produzindo modificações no mundo em que vivemos. Ela é obra do Espírito d Deus que nos impele”.
Essa Nova Jerusalém, a  Cidade Nova, é esposa do Cordeiro.
frei Almir Ribeiro Guimarães

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Viver na presença de Cristo e de Deus
A nova Jerusalém é a “morada de Deus com os homens”, dizia-nos a utopia que escutamos domingo passado. Mas uma utopia serve para mostrar o sentido da realidade presente. Hoje, a liturgia insiste na presença da utopia de Deus: a “inabitação” de Deus nos homens não acontece apenas na utópica Nova Jerusalém, mas em cada um que guarda a palavra do Cristo, seu mandamento de amor. Pois a palavra do Cristo não é sua, mas a do Pai que o enviou (Jo 13,24; evangelho).
Os discípulos não entenderam isso logo. Por isso, grande parte dos primeiros anos do cristianismo decorreu em “tensão escatológica”: aguardava-se a vinda de Cristo com o poder do alto, a Parusia, como instauração do Reino de Deus. Só aos poucos, o cristãos começaram a entender que a nova criação já tinha iniciado, na própria comunhão do amor fraterno, testemunho do amor de Cristo a todos os homens. Esta compreensão, esta “memória esclarecida” de Cristo é uma das realizações, talvez a mais importante, do Espírito Santo.
Neste tempo intermediário, não devemos ficar com medo ou tristes porque Cristo não está conosco. Ele permanece conosco, neste Espírito, que nos faz experimentar a inabitação em nós dele e do Pai – portanto, muito mais do que significa sua presença na terra, pois o Pai vale mais do que a presença física de Cristo (14,28). Ele permanece conosco também no dom messiânico que ele nos deixa, a “paz”, porém, não como o mundo a concebe (14,27). Escrevendo isso, Jo parece polemizar com a idéia de paz dos tratados políticos (3) e também com o conceito judaico da paz messiânica, a realização de um Reino de Deus mundano, dirigido pelas mesmas leis e mecanismos que dirigiram os reinos até agora, portanto, uma paz que prepara a guerra …
Antes de ver o que é, no concreto, a inabitação de Deus e de Cristo entre nós hoje, é bom olhar para a sugestiva descrição da nova Jerusalém, na 2ª leitura (cf. domingo passado). Observemos alguns detalhes: os nomes das doze tribos de Israel e dos doze apóstolos, símbolos do novo povo de Deus fundamentado sobre os apóstolos; a ausência do templo – idéia cara ao N.T., já que Cristo substituiu o templo de Jerusalém pelo de seu corpo ressuscitado (cf. Jo 2,18-22 etc.); sua “iluminação”: a glória de Deus, e o Cordeiro, sua lâmpada. Não se deve explicar muito essas imagens, importa captar o que querem sugerir, num espírito global. É uma cidade que tem doze portas com os nomes das doze tribos, para acolhê-las no dia em que elas forem reunidas dos quatro ventos, para viverem na paz messiânica, tendo por centro só e exclusivamente Deus e o Cordeiro. É a cidade para viver na presença de Deus e Cristo. E isto é a paz.
Nossa comunidade cristã deve ser a antecipação da Jerusalém celeste. Tendo Cristo por centro e luz, certamente haverá unidade e comunhão entre seus habitantes. A 1ª  leitura de hoje pode ilustrar isso. O conflito na comunidade era grave, certamente tão grave quanto hoje o conflito entre os defensores da cristandade e os de uma Igreja-testemunha, despojada, que vai ao encontro dos mais pobres. O problema era análogo: a Igreja devia ser concebida como uma instituição acabada, à qual os outros se deveriam agregar? Neste caso, ela podia conservar suas instituições tradicionais, que eram judaicas. Ou seria a Igreja um povo a ser constituído ainda, aberto para a forma que o Espírito lhe quisesse dar? Para este fim, Paulo e Barnabé procuraram a união dos irmãos em redor daquilo que o Espírito tinha obrado junto com eles. Conseguiram. Não esforçaram em vão (cf. Gl. 2,2). O “Concílio dos Apóstolos”, como se costuma chamar este episódio (At. 15), confirmou a prática de admitir pagãos sem passar pelas instituições judaicas (circuncisão, sábado etc.). Apenas, em nome da mesma união fraterna, os cristãos do paganismo deviam abster-se de quatro coisas que eram realmente tabu para os judeu-cristãos; não respeitar isso seria tornar a vida em comunidade impossível. A caridade fraterna acima de tudo!
Na caridade fraterna, Deus e “o Cordeiro” moram conosco. A cidade de Deus não é uma grandeza de ficção científica, nem uma cristandade sociologicamente organizada. Ela é uma realidade interior, atuante em nós e, naturalmente, produzindo também modificações no mundo em que vivemos. Ela é obra do Espírito de Deus que nos impele.
(3) - Cf. a pax romana, ideologia da supremacia romana no mundo mediterrâneo no tempo de Cristo e dos primeiros cristãos.
Johan Konings "Liturgia dominical"

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Espírito Santo e paz
Hoje, Jesus começa falando novamente do amor: “Quem me ama obedecerá a minha palavra, e meu Pai o amará.”, reforçando mais uma vez a importância do verdadeiro amor já descrito no Evangelho da semana passada (Jo 13,31-35), porém agora, destaca a necessidade da ação da obediência por parte de seus seguidores às palavras proferidas por Ele e que vêm do Pai.
Esta passagem tem intenção de testamento-herança: Este é o momento em que Jesus se despede de seus seguidores, mas não os deixa sozinhos na missão, pois o Pai lhes enviará Seu Espírito Santo, para lhes amparar, orientar e fortalecer. Os discípulos não compreendem de imediato a presença do Espírito Santo, e sentem-se abandonados, uma vez que Jesus não está mais presente fisicamente junto a eles. Esta presença física de Jesus é substituída pela espiritual, interior, prometida a todos que O amam. Por esta razão, nos primeiros anos do cristianismo, os seguidores de Jesus ficaram aguardando Sua volta, e só aos poucos compreenderam que a nova criação havia começado na comunhão do amor fraterno de Cristo com a humanidade, compreensão esta que só é possível com a presença do Espírito Santo.
Jesus deixa seu Espírito Santo, para auxiliar e defender Seu povo. Ele é a presença de Jesus sempre viva junto à comunidade, ajudando-a a compreender o sentido das ações e das mensagens que quer transmitir com elas, para assegurar ao Seu povo, através dos tempos, a verdadeira libertação. A função do Espírito na caminhada da comunidade é lembrar e ajudar a interpretar a palavra de Jesus à luz de sua morte e ressurreição.
No momento de sua morte, Jesus deixa como herança a Sua Paz. É difícil compreender este desprendimento de falar de paz e alegria num momento de dor e aflição e, só à luz do Espírito Santo esta mensagem pode ser compreendida, vendo a morte não como o fim, mas como o começo de uma nova vida; e a paz por Ele deixada, não é esta paz humana que precede a guerra, mas uma paz verdadeira que vem da ressurreição, da vitória da vida sobre a morte. Uma Paz que nesta vida não dispensa o sofrimento, mas infunde coragem para enfrentar sem medo a luta para conservar a fé em Deus. 
Pequeninos do Senhor

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Sob a guia do paráclito
Pensando em sua ausência futura, Jesus tomou providências para que os seus discípulos não se sentissem abandonados, ao se verem entregues à missão, sem a presença física de seu Mestre. Esta sua falta, no entanto, haveria de ser compensada com a presença do Paráclito - o Defensor - que daria continuidade ao papel desempenhado por Jesus, junto aos discípulos.
O Paráclito iria ensinar-lhes todas as coisas, outrora transmitidas por Jesus, e recordar-lhes todas as orientações transmitidas. Ou seja, assumiria a função magisterial, antes desempenhada pelo Mestre. Os discípulos não teriam necessidade escolher um dos membros do grupo como mestre dos demais. Todos continuariam a ser discípulos do Mestre Jesus, pela mediação do Paráclito.
Por conseguinte, não deveriam esperar novidades por parte do Paráclito. Sua missão consistiria em fazê-los compreender, sempre mais e melhor, o que já havia sido transmitido por Jesus, mas, quiçá mal assimilado. O Espírito Santo iluminaria, aprofundaria e atualizaria as palavras do Filho de Deus, nos contextos plurais de desempenho da missão. Em cada circunstância concreta, as palavras do Senhor haveriam de revestir-se de apelos novos, pela luz oferecida pelo Paráclito.
O discípulo não pode dispensar o auxílio do Paráclito se deseja conservar sua fidelidade ao Senhor.
padre Jaldemir Vitório

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O Sopro de Deus em nós
O trecho do evangelho deste domingo é parte do discurso de despedida de Jesus (13,31–14,31). Trata-se, aqui, de encorajar os discípulos para que não desanimem ante as perseguições, paixão e morte de Jesus. A paz que o Senhor oferece para a missão e a constância dos discípulos é a sua própria vida, pois ele é o “fazedor de paz” (Mt. 5,9), o “príncipe da paz” que, entrando em sua cidade, Jerusalém, reconciliou pela sua entrega a humanidade com Deus. A paz é um dos primeiro dons do Cristo Ressuscitado. O Senhor promete a sua volta: “Voltarei a vós” (Jo 14,28). Não se trata de retorno à vida terrestre. A missão do Espírito Santo é tornar o Cristo presente a nós e sua palavra viva em nós. No Espírito Santo, a partida de Jesus não é sentida como ausência, pois ele estará conosco “todos os dias até os fins dos tempos” (Mt. 28,20). O Espírito Santo, dom de Deus, não permite que a palavra de Jesus fique sem sentido ou caia no esquecimento; o Sopro de Deus em nós ensina e recorda tudo o que Jesus disse. A fé é necessária para manter viva em nós a Palavra do Senhor e não sucumbirmos diante das dificuldades na realização da missão, que é participação na missão daquele que, enviado pelo Pai, passou por este mundo fazendo o bem, sofreu a paixão e morreu crucificado, mas ressuscitou ao terceiro dia.
O Apocalipse, livro escrito em fins do primeiro século, busca encorajar os cristãos a permanecerem firmes na fé e a guardarem a palavra de Cristo em meio à perseguição. A Igreja, lugar da habitação de Deus, é iluminada pelo Senhor: “A cidade não precisa de sol nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz, e a sua lâmpada é o Cordeiro” (Ap. 21,23). A Igreja, fiel ao Senhor, não tem o que temer, pois o Senhor está no seu meio qual uma luz. Sob essa luz nenhum mal pode se esconder, e não há o que possa levá-la a tropeçar. A luz de Deus e do Cordeiro desvela as armadilhas do mal, as falsas doutrinas que buscam se impor como verdadeiras e necessárias. A questão sobre a circuncisão dos pagãos, como, queriam alguns, necessária para a salvação, leva os apóstolos a darem uma resposta apostolicamente criativa e teologicamente brilhante. É um duplo problema que está presente na questão apresentada: o da unidade da Igreja e o da salvação. Para a unidade da Igreja é fundamental a aceitação da diferença – a unidade só é possível por causa da diferença. Em segundo lugar, não é a Lei que salva, mas a fé em Jesus Cristo.
Que neste dia, o primeiro da semana, sejamos iluminados para que todos os demais dias sejam vividos neste mesmo clarão.
Carlos Alberto Contieri,sj

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No domingo passado, dizíamos que a Igreja é fruto da Páscoa do Senhor, que ela nasceu do lado do Cristo morto e ressuscitado, que ela vive e continua a nascer da água do Batismo e do sangue da Eucaristia, que o Senhor, na sua fidelidade, haverá de levá-la à plenitude, que até lá, a Igreja deve ser sinal vivo do Reino de Deus entre as provações da história e deve viver no amor – herança que o Senhor nos deixou...
No domingo presente, a Palavra de Deus continua a nos falar da Igreja, dessa Comunidade do Ressuscitado, Comunidade que peregrina já há dois mil anos na história humana, como um povo tão pobre, tão débil, humanamente falando, mas também tão rico e tão forte pela presença do Ressuscitado entre nós.
É ainda o Apocalipse que nos apresenta, de modo belíssimo, a glória da Jerusalém celeste, Esposa do Cordeiro, nossa Mãe católica: “Mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, brilhando com a glória de Deus” – Esta Jerusalém gloriosa é a Igreja! Ela não nasce do povo, não nasce de um projeto humano; ela nasce do coração do Pai, que, através do Filho Jesus, doador do Espírito, chamou-nos, reuniu-nos, salvou-nos e fez de nós um novo povo, uma nova cidade, uma nova aliança, início de uma nova humanidade. A Igreja é a verdadeira Jerusalém, a verdadeira Cidade de Deus, que desce do céu e que é santificada pelo sangue do Cordeiro e, um dia, será totalmente transfigurada na glória de Deus. Não na sua própria glória, mas na de Deus, aquela glória que já brilha na face do Cristo ressuscitado!
Ela é a herança e a realização plena do antigo povo de Israel, ela é a plenitude do povo de Israel, é o Israel da nova aliança. Por isso, “nas suas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel”. Mas, a Igreja é mais que Israel: ela é aberta a todos os povos, suas portas são abertas para todos os lados: “havia três portas do lado do oriente, três portas do lado norte, três portas do lado sul e três portas do lado do ocidente”. A nova Jerusalém é católica, é aberta a todos, aberta em todas as direções, pois nela todos os povos, todas as culturas terão abrigo. A Igreja não é simplesmente uma continuação do antigo Israel e a nova aliança não é simplesmente uma continuação da antiga! Não somos judeus! Em Cristo, tudo foi renovado: “Eis que eu faço novas todas as coisas!” (Ap. 21,5). Se a Igreja tem nas suas portas os nomes das doze tribos de Israel, tem, por outro lado, como alicerce, o doze apóstolos do Cordeiro: “A muralha da cidade tinha doze alicerces, e sobre eles estavam escritos os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro”. Isso aparece muito claramente na primeira leitura da Missa de hoje: os apóstolos, assistidos pelo Espírito Santo, decidiram que os cristãos vindos do paganismo não necessitavam tornarem-se judeus, não precisavam cumprir a Lei de Moisés! Os cristãos não são uma seita judaica! É interessante como os apóstolos, ao tomarem uma decisão tão importante, tinham consciência de que eram assistidos pelo Espírito do Cristo ressuscitado: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós...” - foi o que eles disseram... o que a Igreja ainda hoje diz, quando os bispos, sucessores dos apóstolos, decidem algo sobre a fé, em comunhão com o Sucessor de Pedro. A Igreja sabe e experimente que o seu Esposo ressuscitado não a abandona; não a abandonará jamais! Recordemos a promessa de Jesus no Evangelho de hoje: “O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará o que eu vos tenho dito”. Este Espírito Santo santifica continuamente a Igreja, guia-a, sustenta-a, vivifica-a, orienta-a! Ele é a própria vida do Ressuscitado em nós, seja pessoalmente, seja como comunidade de fé. Por isso Jesus olha para nós e pode dizer com toda verdade e segurança e com toda eficácia: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou! Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes o que eu vos disse: ‘Vou e voltarei a vós!’” – É verdade: o Ressuscitado permanece conosco na potência do seu Espírito! Não precisamos ter medo, não precisamos nos sentir sozinhos, confusos, abandonados: na potência do Espírito, o Cristo estará sempre conosco!
É por isso que o Autor sagrado afirma ainda: "Não vi nenhum templo na cidade, pois o seu Templo é o próprio Senhor, o Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro. A cidade não precisa de sol, nem de luz que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz e a sua lâmpada é o Cordeiro”. Que imagens, irmãos e irmãs! A Igreja, nova Jerusalém está toda imersa em Deus e no seu Cristo. Ela mesma é templo de Deus no Espírito Santo! Ela vive na luz do Cristo, apesar de caminhar nas trevas deste mundo! Para o mundo, que somente pode enxergar a Igreja na sua realidade exterior, ela é apenas mais uma instituição, entre tantas do mundo. Mas, para nós, que cremos, para nós somos Igreja viva, para nós que dela nascemos e nela vivemos, para nós que nos nutrimos de seus sacramentos, ela é muito mais, ela é este admirável mistério de fé! É isto que queremos dizer quando dizemos: “Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica”. Renovemos nossa fé na Igreja e mergulhemos cada vez mais no seu mistério, pois é aí, é aqui, que podemos viver na nossa vida o mistério e a salvação do Cristo, nosso Deus.
Gostaria de terminar com as palavras de Carlo Carreto: “Como és contestável para mim, Igreja! E, no entanto, como te amo!
Como me fizeste sofrer! E, no entanto, quanto te devo!
Gostaria de te ver destruída. E, no entanto, tenho necessidade de tua presença.
Deste-me tantos escândalos! E, no entanto, me fizeste compreender a santidade.
Nunca vi nada de mais obscurantista, mais comprometido e mais falso no mundo. Mas também nunca toquei em nada tão puro, tão generoso e tão belo!
Quantas vezes tive vontade de bater em tua cara a porta de minha alma! E quantas vezes orei para um dia morrer em teus braços seguros!
Não, não posso me libertar de ti, porque eu sou tu, mesmo não sendo completamente tu!
Além disso, aonde iria eu? Construiria outra?
Mas não poderia construí-la, senão com os mesmos defeitos, porque são os meus defeitos que levo para dentro dela.
E, se a construísse, seria a minha igreja e não a Igreja de Cristo!
E já estou bastante velho para compreender que não sou melhor que os outros.”
dom Henrique Soares da Costa



quinta-feira, 21 de abril de 2016

5º DOMINGO DA PÁSCOA-C

5º DOMINGO DA PÁSCOA

24 de Abril de 2016

1ª Leitura - At 14,21b-27

Salmo - Sl 144


2ª Leitura - Ap 21,1-5a



Evangelho - Jo 13,31-33a.34-35



Primeiro Jesus viveu o mandamento do amor durante toda a sua permanência na Terra, e no final Ele recomendou esse amor de uns para com os outros, para todos os que tinham boa vontade. Continua

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“EU VOS DOU UM NOVO MANDAMENTO.” – Olívia Coutinho.

5º DOMINGO DA PÁSCOA

Dia 24 Abril de 2016

Evangelho de  Jo 13,31-33a.34-35

 

 

O amor de Deus, infundido em nossos corações é a fonte que nos sustenta e que nos torna sustento na vida do outro!

O amor é a nossa primeira vocação, Deus nos criou por amor e para o amor!

Quem ama verdadeiramente, ama com o amor de Deus, abraçando neste amor, até mesmo o inimigo!

Fazer o bem ao outro, independente do que ele possa nos oferecer, é amar do jeito de Jesus, é amar gratuitamente, nisto se consiste o verdadeiro amor!
São muitos, os que rejeitam o amor de Deus, para se entregarem aos “amores” do mundo que se fundamentam  na  troca e não na  gratuidade, estes, são incapazes de amar porque estão distantes  de Deus, o amor Maior!
O amor, não é preceito, nem  é algo que se impõe , o amor é entrega, é doação, é oferta de gratuidade que parte de dentro para fora.
No evangelho de hoje, Jesus, já despedindo-se dos apóstolos, mostra-lhes com a própria vida, o caminho que eles  deveriam  percorrer se quisessem  de fato permanecerem com  ele, que é  o caminho do amor, um caminho, que às vezes pode  parecer difícil, mas nunca intransponível, pois o próprio amor abre caminhos!
 O ponto determinante de todos os  ensinamentos de Jesus sempre foi o amor, Jesus era movido pelo o  amor, ele respirava amor, todas  as suas ações se  convergiam  para o bem do outro!
No finalzinho de sua trajetória terrena, Jesus deixa grandes  exemplos  para quem  deseja fazer de sua vida, uma oferta de amor! No episódio do lava pés, Jesus  nos ensinou na prática a vivermos o  amor serviço, já nos seus últimos passos, deixa-nos o exemplo do amor perdão, quando em  respeito a liberdade humana,  não se defende da traição de um dos seus.
Certamente, o que doeu mais em Jesus, não foi a dor da  traição em si, e sim, a dor de conhecer o estrago que a ausência de Deus provoca no coração humano!
Concluindo a sua missão aqui na terra, Jesus chega a extremidade do seu amor:  traído, Ele  toma o caminho da cruz, como um cordeiro, que segue em silencio o caminho para a morte.
 Prestes a voltar para o Pai, o lugar de onde  veio, Jesus estabelece uma condição para que os apóstolos  permanecessem com  Ele: “amai-vos uns aos outros.”  Pouco antes de ser entregue nas mãos das autoridades para ser crucificado, Jesus nos deixa um novo mandamento, o mandamento do amor, uma  síntese de  tudo que ele viveu.
É a falta de  amor, que separa o homem de  Deus,  como separou Judas.  Provavelmente,  quando Jesus  nos deixou este mandamento, a sua preocupação, era que não acontecesse  com nenhum de nós o  que aconteceu com Judas.  Judas, deixou-se vender,  trocou os valores do alto, pelos “valores” do mundo, atitude, que não  leva ninguém a um final feliz. O mandamento do amor, supera todos os outros mandamentos, ou seja, quem ama como Jesus nos ama, realiza a vontade de Deus, não fará nunca, o que Judas fez.
Deus nunca  separa do  homem, pois Deus é amor, é a falta  de amor, que separa o homem de Deus, daí,  a insistência de Jesus em querer que todos nós, filhos e filhas de Deus, vivamos no amor, inseridos  no coração de Deus, pois é este o nosso verdadeiro lugar!
Jesus nos deixa um novo mandamento, no sentido de destacar  a importância do amor na vida de cada um de nós, o que não se trata de uma recomendação e muito  menos de uma lei imposta por Ele , mas sim, de uma condição para que Ele possa estar em nós e nós Nele!  
Não pode haver sintonia entre o homem e Deus  sem a vivencia do amor e o  que  Jesus nos pede, é que amemos uns aos outros, com o mesmo amor que Ele nos ama.
O amor quando vivido na prática, gera vida,  nos torna testemunhas vivas  do amor de Deus no mundo, nos possibilita  viver  a nossa humanidade de forma  divina!
O reino de Deus não se expande através de cumprimento de normas, de rituais  e nem com propagandas, o Reino de Deus, se expande pelo contagio do amor, pois amor é “contagioso” pega de um para o outro!
O mandamento do amor é um mandamento sempre novo, pois o amor é atual, nunca entra em decadência!
A nossa identidade, o que nos identifica como seguidor de Jesus, é a nossa vivencia no amor!
 Se somos filhos do amor, amor devemos ser!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

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O novo mandamento e a nova criação
“Novo” é uma palavra mágica, que domina a publicidade e os jornais, mas também traduz a esperança que se expressa em numerosas páginas da Bíblia. O entendimento do cristianismo é baseado na sucessão da antiga e da nova Aliança, do antigo e do novo Povo de Deus. E, também, na passagem da antiga para a nova vida (páscoa, batismo!) e na observância de uma nova Lei em vez da antiga. Vivemos da perspectiva de uma total renovação. Esta perspectiva se expressa, na liturgia de hoje, sob as imagens de um novo céu e uma nova terra, uma nova Jerusalém e uma nova criação. Entretanto, parece que tudo fica no velho …
Por isso, importa refletir sobre o próprio da novidade que Jesus Cristo nos propõe, nas simples palavras de Jo. 13,34: “Dou-vos um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros”. A própria construção da frase, o paralelismo dos 1° e 3°, 2° e 4° segmentos da frase, sugere que o “novo” deste mandamento (1º segmento) consiste, exatamente, no “como eu vos amei” (3º segmento). Nem a palavra “amar”, nem o mandamento do amor são novos (cf. Lv. 19,18 etc.). Novo é amar como Jesus, amar em Jesus, por causa de sua palavra (evangelho).
Tudo tem um contexto histórico. Também esta frase. Seu contexto é complexo.
Por um lado, existia no judaísmo o amor ao próximo, no sentido de membro da comunidade, combinado com o respeito pelo estrangeiro que morava na vizinhança, e com certa filantropia para com os outros seres humanos. Existia também o amor humano do mundo grego, espécie de filantropia universal, baseada na igualdade essencial do ser humano (pelo menos, em teoria); era um amor antes ao longínquo do que ao próximo, porque o longínquo não incomoda… Existia também o amor erótico. Existia a amizade. Mas, como diz Paulo em Rm. 5,7-11, mesmo a amizade não produz o efeito de alguém dar sua vida pelo amigo; quanto menos pelo inimigo! Ora, o amor de Cristo é um amor dando vida, dando sua vida em prol dos “irmãos”, subentendendo-se que irmão pode ser qualquer um que, pelo Pai, é levado a Cristo ou à sua comunidade. É possível existir tal amor em outros ambientes culturais e religiosos. E nem todos os cristãos vivem, ou pretendem viver, o mandamento do amor que Cristo ilustrou com sua morte. Porém, não se conhece outra comunidade que se caracterize especificamente por este mandamento. “Nisso conhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns pelos outros” (13,35). E bem aquele amor que é ilustrado pelo contexto literário de Jo. 13,31-35 (contexto anterior: o lava-pés, sinal de amor até o fim; contexto posterior: o amor até o fim em realização: a morte na cruz).
Onde reina este amor, as coisas não ficam como estão. O status quo é garantido pelo instinto de conservação do homem: ninguém quer sacrificar algo a favor dos outros “primeiro eu, depois meu vizinho”. Quem quebra o status quo é Deus. É dele que podemos esperar a total novidade (pois deixar tudo como está não parece ser a melhor das soluções). É o que sonha o autor do Ap. (2ª  leitura). No fim da História, ele vê um novo céu e uma nova terra (realização de Is. 65,17). Não tem mar, moradia do Leviatã. A nova realidade tem a aparência de uma noiva enfeitada para seu esposo: as núpcias messiânicas. É a moradia de Deus com os homens (cf. Ez. 37,27). É a nova Aliança: eles serão seu povo e ele será seu Deus (ibid.). É a plenitude do Emanuel, Deus-conosco (Is. 7, 14ss). É a consolação completa (Is. 25,8; 35,10). É tudo o que se pode esperar. É a nova criação (cf. Is. 65,17).
O sonho da nova criação… Os que dizem que a utopia é a mola propulsora da História geralmente não concebem tal utopia como sendo a de Deus. Preferem ter sua própria utopia. Ora, quem reflete um pouco, deve entender que a utopia é coisa importante demais para depender do ser humano … Ou deveremos pensar como o filósofo: “Eu posso conceber que, em vez do homem individual, a própria lógica da História estabeleça a utopia”? Mas quem perscruta a lógica da História?... Portanto, é bom sermos dirigidos por uma utopia que venha de Deus. E como é que a conhecemos? Pela fé em Jesus Cristo, que inspirou o autor do Apocalipse. Na medida em que o sonho do visionário de Patmos traduz a plenitude do “novo” que Jesus nos deixou – o amor segundo o seu exemplo – nós também podemos sonhar nesta linha. Um sonho não é científico, mas nos transmite uma mensagem: a mensagem da ausência de todo o mal, agressividade, exploração, opressão, divisão … Convida-nos a nos empenhar nesta direção. Nisto está sua força propulsora.
Aquilo que “Deus obrou com Paulo e Barnabé”, na 1ª  viagem de missão, início da grande expansão do cristianismo no mundo não judeu (1ª  leitura; cf. domingo passado), se inscreve nesta utopia. Quem move esta obra é Deus. “Que todas as tuas obras te louvem, Senhor” (salmo responsorial).
Johan Konings "Liturgia dominical"


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Glorificação e amor
Esse Evangelho refere-se ao momento em que, após ter anunciado a traição de Judas, Jesus fala de sua glorificação como realidade presente, unida à sua paixão. Esses fatos O afastarão de seus discípulos mas, antes de deixá-los, assegura a sua presença através do amor.
Remetendo-nos ao contexto histórico, o amor é visto de diferentes formas: No judaísmo amar o próximo era amar os membros de sua comunidade, respeitar os estrangeiros que vivessem na vizinhança e praticar filantropia; já no mundo grego amavam-se, antes, quem estava longe que o próximo, pois quem está longe não incomoda e este amor é colocado menos à prova.
Na liturgia de hoje, o novo na proposta de Jesus não é o amor, pois este mandamento Ele já havia ensinado. É o “novo mandamento “ que ensina a forma de amar com a intensidade que Ele sempre amou, sem impor condições ou esperar algo em troca. É preciso amar em Jesus, por Jesus e com Jesus, amor este que Ele demonstra de uma forma especial amando seu próprio traidor e se doando por todos até as últimas conseqüências na morte de cruz.
Uma comunidade onde reina o verdadeiro amor é uma comunidade justa e fraterna. Isto parece ser uma utopia, um sonho, pois o homem dificilmente consegue amar com essa grandeza. Ninguém quer sacrificar seus interesses em benefício do outro, nos dias de hoje, e o que se vê são injustiças, guerras, fome, abandono, enfim violência de todas as formas, e diante disto todos se sentem incapazes achando mais fácil acreditar que não se pode fazer nada. Uma pessoa sozinha não pode mesmo fazer muito, mas Jesus faz uma aliança com seu povo, e sempre que se ama verdadeiramente não se ama sozinho, pois Jesus ama junto.
Este é o legado deixado por Ele, o sentido de sua missão, a orientação mais importante para seus seguidores que ainda não estão preparados para a missão, mas que ao receberem o Espírito Santo serão capazes de uma missão semelhante a de Jesus. Se observarmos bem, a instrução de Jesus, neste momento, não é para amar a Deus ou a Ele, e sim ao próximo, pois amando ao próximo ama-se verdadeiramente ao Pai e ao Filho.
Pequeninos do Senhor

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O distintivo do discípulo
A profissão de fé no Cristo Ressuscitado incide, diretamente, na vida do discípulo. Ela não é um discurso vazio, uma abstração intelectual, nem tampouco uma bela teoria. A fé consiste em acolher Jesus de tal forma, que toda a existência do cristão passe a ser moldada por esta opção. E o molde da vida cristã é a vida de Jesus. Seu distintivo é o amor mútuo.
Estando para concluir o ciclo de orientações aos discípulos, o Mestre resumiu tudo quanto havia ensinado, num único mandamento, chamado de mandamento novo: "Amem-se uns aos outros, como eu amei vocês". A prática do amor mútuo é a expressão consumada da fé em Jesus. Não existe fé cristã autêntica, se não chegar a desembocar no amor.
Não se trata de um amor qualquer. O modelo é: amar como Jesus amou as pessoas, a ponto de entregar a própria vida para salvá-las.
O verdadeiro discípulo distingue-se pelo amor. Quanto mais autêntico e radical for este amor, mais revelará o grau de sua adesão a Jesus.
A capacidade de amar-se mutuamente indica o quanto Jesus está agindo na vida do cristão. A presença salvadora de Jesus tem o efeito de desatar o nó do egoísmo, que afasta os indivíduos de seus semelhantes e, por conseqüência, de Deus também. O cristão, salvo por Jesus, manifesta a eficácia desta salvação na vivência do amor.
padre Jaldemir Vitório


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O mandamento do amor é a expressão máxima da vida cristã
O texto dos Atos dos Apóstolos relata a missão de Paulo e Barnabé entre os pagãos. A missão itinerante de ambos visa encorajar os discípulos a permanecerem firmes na fé, não obstante perseguições e sofrimentos (cf. v. 22). A comunidade primitiva vai se organizando com o fim de cuidar daqueles que abraçavam a fé (cf. v. 23). A Igreja que nasce do mistério pascal de Jesus Cristo é impulsionada pelo Espírito Santo para fazer com que a Boa-Notícia da salvação ultrapasse os limites de Israel: a “porta da fé” é aberta aos pagãos (cf. v. 27).
O evangelho é a sequência imediata da última ceia de Jesus com os seus discípulos (Jo 13,1-30). A última ceia, segundo o evangelho de João, foi o lugar do gesto simbólico do lava-pés, em que os discípulos são chamados a tirar as consequências dos gestos para a própria vida e a “imitar” o Mestre (cf. 13,12-17). Aí, na mesa da comunhão, é anunciada a traição de Judas (13,21-30).
Os versículos que nos ocupam são o indício de um longo discurso de despedida (13,31–14,31). A saída de Judas, à noite, do lugar da ceia, desencadeia o discurso que é instrução e revelação. Em Jesus, Deus revelou a sua própria glória. A glorificação do Filho está, em primeiro lugar, na sua paixão e morte por amor – esta é a glorificação de Deus pelo homem, e do homem por Deus. É à paixão e morte que a glorificação se refere (cf. v. 33). Deus é glorificado na entrega do Filho por amor (cf. 13,1).
O mandamento do amor é a expressão máxima da vida cristã. Em que ele é novo, uma vez que já se encontra prescrito pela Lei (Lv. 19,18.34; Dt. 10,19)?
A identidade dos discípulos é dada pelo mesmo dinamismo que levou o Senhor a entregar-se por nós: “Nisto conhecerão que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (v. 35). A medida do amor fraterno é o amor de Cristo: “Como eu vos amei” (v. 34).
O amor não é uma ideia, nem se reduz a nenhum “sentimento”, mas é um movimento de entrega que faz o outro viver, que gera vida: “Sabemos que passamos da morte para a vida porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte” (1Jo 3,14). A Igreja, “morada de Deus com os homens” (Ap 21,3), deve ser a imagem do Deus que acolhe, que se entrega e faz viver plenamente.
Carlos Alberto Contieri,sj

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Durante todo o tempo pascal a Igreja nos faz contemplar o Ressuscitado e o fruto da sua obra: o dom do Espírito, a nossa santificação, os sacramentos que nascem do seu lado aberto, a Igreja, sua Esposa, desposada no leito da cruz...
Hoje, precisamente, é para a Igreja, comunidade nascida da morte e ressurreição de Cristo, que a Palavra de Deus orienta o nosso olhar.
Primeiramente, é necessário que se diga sem arrodeios: Cristo sonhou com a Igreja, a amou e fundou-a. A Igreja, portanto, é obra do Cristo, foi por ele fundada e a ele pertence! Ela não se pertence a si mesma, não se pode fundar a si própria, não pode estabelecer ela própria a sua verdade. Tudo nela deve referir-se a Cristo e a ele deve conduzir! Mas, há mais: não é muito preciso, não é muito correto dizer que Cristo “fundou” a Igreja. Não! A fundação da Igreja não terminou ainda: Cristo continua fundando, Cristo funda-a ainda hoje, ainda agora, nesta Eucaristia sagrada! Continuamente, o Cordeiro de pé como que imolado, Cabeça da Igreja que é o seu Corpo, funda, renova, sustenta, santifica, sua dileta Esposa pela Palavra e pelos sacramentos: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la com o banho da água e santificá-la pela Palavra, para apresentá-la a si mesmo a Igreja, gloriosa, se mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível!” (Ef 5,25-27). São afirmações impressionantes, belas, profundas: (1) Cristo amou a sua Igreja e, por ela, morreu e ressuscitou; (2) pela sua morte e ressurreição, de amor infinito, ele purifica continuamente a sua Igreja, santifica-a totalmente, sem desfalecer. Por isso a Igreja é santa, será sempre santa e não poderá jamais perder tal santidade, apesar das infidelidades de seus membros! (3) Este processo de contínua fundação e santificação da Igreja em Cristo dá-se pelo “banho da água” – símbolo do Batismo e dos sacramentos em geral – e pela “Palavra” – símbolo da pregação do Evangelho. Então, Cristo continua edificando sua Igreja neste mundo pela Palavra e pelos sacramentos, sobretudo o Batismo e a Eucaristia. A Igreja não se pertence: ela é de Cristo! E, como esposa de Cristo, é nossa Mãe: ela nos gerou para Cristo no Batismo, para Cristo ela nos alimenta na Eucaristia e de Cristo ela nos fala na sua pregação! Ela é a nossa Mãe católica, desposada pelo Cordeiro imolado na sua Páscoa, como diz o Apocalipse: “estão para realizar-se as núpcias do Cordeiro e sua Esposa já está pronta: concederam-lhe vestir-se com linho puro, resplandecente!” (19,7s).
Pois bem, esta Igreja, tão amada por Cristo, tão nossa Mãe, deve caminhar neste mundo nas dores de parto. Temos um exemplo disso na primeira leitura da Missa de hoje. Paulo e Barnabé vão animando as comunidades, “encorajando os discípulos ... a permaneceram firmes na fé”, pois “é preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”. Assim caminha o Povo de Deus, Comunidade fundada por Cristo e vivificada pelo seu Espírito: entre as tribulações do mundo e as consolações de Deus. Muitas vezes, a Igreja enfrentará dificuldades por parte de seus inimigos externos – aqueles que a perseguem direta ou veladamente, aqueles que desejam o seu fim e, vendo-a com antipatia, trabalham para difamá-la. Mas, também, muitas vezes, a provação vem de dentro da própria Igreja: das fraquezas de seus membros, dos escândalos provocados pela humana fraqueza daqueles que deveriam dar exemplo de uma vida nova em Cristo Jesus. Se é verdade que isto não fere a santidade da Igreja - porque essa santidade vem de Cristo e não de nós -, por outro lado, é verdade também que nossos escândalos e maus exemplos atrapalham e muito a credibilidade do nosso anúncio do Evangelho e a credibilidade do próprio Evangelho como força que renova a humanidade! Infelizmente, enquanto o mundo for mundo, enquanto a Igreja estiver a caminho, experimentará em si a debilidade de seus membros. Assim, foi no grupo dos Doze, assim, nas comunidades do Novo Testamento, assim é hoje. É interessante que o Evangelho de hoje começa com Judas, o nosso irmão, que traiu o Senhor, saindo do Cenáculo, saindo do grupo dos Doze, saindo da Comunidade: “Depois que Judas saiu do cenáculo”... – são as primeiras palavras do Evangelho... E, no entanto, apesar da fraqueza de Judas e dos Doze, apesar da nossa fraqueza, Jesus continua nos amando e crendo em nós: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros”. Não tenhamos medo, não desanimemos, não nos escandalizemos: o Senhor está conosco, ama-nos, porque somos o seu rebanho, as suas ovelhas, a sua Igreja. Ama-nos e derramou sobre nós o seu amor e sua força que é o Espírito Santo!
Se agora vivemos entre tribulações e desafios, nossa esperança é firmemente alicerçada em Cristo; nele, venceremos, nele, a Mãe católica, um dia, triunfará, totalmente glorificada e tendo em seu regaço materno toda a humanidade. Ouçamos – é comovente: “Vi um n ovo céu e uma nova terra... O primeiro céu e a primeira terra passaram e o mar já não existe” – o Senhor nos promete um mundo renovado, sem a marca do pecado, simbolizado pelo mar. “Vi a Cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, vestida qual esposa enfeitada para o seu marido”. - É a Igreja, totalmente renovada pela graça de Cristo, totalmente Esposa, numa eterna aliança de amor, realizada na Páscoa e consumada no fim dos tempos! “Esta é a morada de Deus entre os homens. Deus vai morar no meio deles. Eles serão seu povo, e o próprio Deus estará com eles”. - A Igreja é o “lugar”, o “espaço” onde o Reino acontece visivelmente: Deus, em Cristo, habita no nosso meio e será sempre “Deus-com-eles”, Deus-conosco, Emanuel! “Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, nem morte, porque passou o que havia antes. Aquele que está sentado no trono disse: ‘Eis que eu faço novas todas as coisas’”.
Olhem para mim, olhem-se uns para os outros! Somos a cara da Igreja, o cheiro da Igreja, a fisionomia da Igreja, a fraqueza e a força, a fidelidade e a infidelidade, a glória e a vergonha da Igreja! Tão pobre, tão frágil, tão deste mundo... mas também tão destinada à glória, tão divina, tão santa, tão católica, tão de Cristo! Coragem! Vivamos profundamente nossa vida de Igreja; é o único modo de ser cristão como Cristo sonhou! Soframos as dores e desafios da Igreja agora, para sermos partícipes da vitória que Cristo dará a Igreja na glória! Como diz o Apocalipse, "estas palavras são dignas de fé e verdadeiras”.
dom Henrique Soares da Costa


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O tema fundamental da liturgia deste domingo é o do amor: o que identifica os seguidores de Jesus é a capacidade de amar até ao dom total da vida.
No Evangelho, Jesus despede-Se dos seus discípulos e deixa-lhes em testamento o “mandamento novo”: “amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”. É nessa entrega radical da vida que se cumpre a vocação cristã e que se dá testemunho no mundo do amor materno e paterno de Deus.
Na primeira leitura apresenta-se a vida dessas comunidades cristãs chamadas a viver no amor. No meio das vicissitudes e das crises, são comunidades fraternas, onde os irmãos se ajudam, se fortalecem uns aos outros nas dificuldades, se amam e dão testemunho do amor de Deus. É esse projeto que motiva Paulo e Barnabé e é essa proposta que eles levam, com a generosidade de quem ama, aos confins da Ásia Menor.
A segunda leitura apresenta-nos a meta final para onde caminhamos: o novo céu e a nova terra, a realização da utopia, o rosto final dessa comunidade de chamados a viver no amor.

1ª leitura: – Atos 14,21b-27 - AMBIENTE

Vimos, no passado domingo, como o entusiasmo missionário da comunidade cristã de Antioquia da Síria lançou Paulo e Barnabé para a missão e como a Boa Nova de Jesus alcançou, assim, a ilha de Chipre e as costas da Ásia Menor… A leitura de hoje apresenta-nos a conclusão dessa primeira viagem missionária de Paulo e de Barnabé: depois de chegarem a Derbe, voltaram para trás, visitaram as comunidades entretanto fundadas (Listra, Icónio, Antioquia da Pisídia e Perge) e embarcaram de regresso à cidade de onde tinham partido para a missão. Estes sucessos desenrolam-se entre os anos 46 e 49.
MENSAGEM
No texto que nos é proposto, transparecem os traços fundamentais que marcaram a vida e a experiência dos primeiros grupos cristãos: o entusiasmo dos primeiros missionários, que permite afrontar e vencer os perigos e as incomodidades para levar a todos os homens a boa notícia que Cristo veio propor; as palavras de consolação que fortalecem a fé e ajudam a enfrentar as perseguições (vs. 22a); o apoio mútuo (vs. 23b); a oração (vs. 23b.c).
Sobretudo, este texto acentua a ideia de que a missão não foi uma obra puramente humana, mas foi uma obra de Deus. No início da aventura missionária já se havia sugerido que o envio de Paulo e Barnabé não era apenas iniciativa da Igreja de Antioquia, mas uma ação do Espírito (cf. At. 13,2-3); foi esse mesmo Espírito que acompanhou e guiou os missionários a cada passo da sua viagem. E aqui repete-se que o autêntico ator da conversão dos pagãos é Deus e não os homens (cf. v. 27).
Verdadeira novidade no contexto da missão é a instituição de dirigentes ou responsáveis (“anciãos” – em grego, “presbíteros”), que aparecem aqui pela primeira vez fora da Igreja de Jerusalém. Correspondem, provavelmente, aos “conselhos de anciãos” que estavam à frente das comunidades judaicas. Os “Atos” não explicitam as funções exatas destes dirigentes e animadores das Igrejas; mas o discurso de despedida que Paulo faz aos anciãos de Éfeso parece confiar-lhes o cuidado de administrarem, de vigiarem e de defenderem a comunidade face aos perigos internos e externos (cf. At. 20,28-31). Em todo o caso, convém recordar que os ministérios eram algo subordinado dentro da organização e da vida da primitiva comunidade; não eram valores absolutos em si mesmo, mas só existiam e só tinham sentido em função da comunidade.
ATUALIZAÇÃO
·  Como é que vivem as nossas comunidades cristãs? Notamos nelas o mesmo empenho missionário dos inícios? Há partilha fraterna e preocupação em ir ao encontro dos mais débeis, em apoiá-los e ajudá-los a superar as crises e as angústias? São comunidades que se fortalecem com uma vida de oração e de diálogo com Deus?
·  Temos consciência de que por detrás do nosso trabalho e do nosso testemunho está Deus? Temos consciência de que o anúncio do Evangelho não é uma obra nossa, na qual expomos as nossas ideias e a nossa ideologia, mas é obra de Deus? Temos consciência de que não nos pregamos a nós próprios, mas a Cristo?
·  Para aqueles que têm responsabilidades de direção ou de animação das comunidades: a missão que lhes foi confiada não é um privilégio, mas um serviço que está subordinado à construção da própria comunidade. A comunidade não existe para servir quem preside; quem preside é que existe em função da comunidade e do serviço comunitário.

2ª leitura: Ap. 21,1-5ª - AMBIENTE

Depois de descrever o confronto entre Deus e as forças do mal e a vitória final de Deus, o autor do “Apocalipse” apresenta o ponto de chegada da história humana: a “nova terra e o novo céu”; aí, os que se mantiveram fiéis ao “cordeiro” (Jesus) encontrarão a vida em plenitude. É o culminar da caminhada da humanidade, a meta última da nossa história.
Esse mundo novo é, simbolicamente, apresentado em dois quadros (cf. Ap. 21,1-8 e 21,9-22,5). A leitura que hoje nos é proposta apresenta-nos o primeiro desses quadros (o outro ficará para o próximo domingo). É o quadro do novo céu e da nova terra – um quadro que apresenta a última fase da obra regeneradora de Deus e que aparece já em Is. 65,17 e em 66,22. Também se encontra esta imagem abundantemente representada na literatura apocalíptica (cf. Henoch, 45,4-5; 91,16; 4 Es. 7,75), bem como em certos textos do Novo Testamento (cf. Mt. 19,28; 2Pe. 3,13).
MENSAGEM
Neste primeiro quadro, o profeta João chama a essa nova realidade nascida da vitória de Deus a “Jerusalém que desce do céu”. Jerusalém é, no universo religioso e cultural do povo bíblico, a cidade santa por excelência, o lugar onde Deus reside, o espaço onde vai irromper e onde se manifestará em definitivo a salvação de Deus. A “nova Jerusalém” é, portanto, o lugar da salvação definitiva, o lugar do encontro definitivo entre Deus e o seu Povo.
No contexto da teologia do livro do Apocalipse, esta cidade nova, onde encontra guarida o Povo vitorioso dos “santos”, designa a Igreja, vista como comunidade escatológica, transformada e renovada pela ação salvadora e libertadora de Deus na história. Dizer que ela “desce do céu” significa dizer que se trata de uma realidade que vem de Deus e tem origem divina; ela é uma absoluta criação da graça de Deus, dom definitivo de Deus ao seu Povo.
Esta nova realidade instaura, consequentemente, uma nova ordem de coisas e exige que tudo o que é velho seja transformado. O mar, símbolo e resíduo do caos primitivo e das potências hostis a Deus, desaparecerá; a velha terra, cenário da conduta pecadora do homem, vai ser transformada e recriada (v. 1). A partir daí, tudo será novo, definitivo, acabado, perfeito.
Quando esta realidade irromper, celebrar-se-á o casamento definitivo entre Deus e a humanidade transformada (a “noiva adornada para o esposo”). Na linguagem profética, o casamento é um símbolo privilegiado da aliança. Realiza-se, assim, o ideal da aliança (cf. Jr. 31,33-38; Ez. 37,27): Deus e o seu Povo consumam a sua história de intimidade e de comunhão; Deus passará a residir de forma permanente e estável no meio do seu Povo, como o noivo que se junta à sua amada e com ela partilha a vida e o amor. A longa história de amor entre Deus e o seu Povo será uma história de amor com um final feliz. Serão definitivamente banidos do horizonte do homem a dor, as lágrimas, o sofrimento e a morte e restarão a alegria, a harmonia e a felicidade sem fim.
ATUALIZAÇÃO
· O testemunho profético de João garante-nos que não estamos destinados ao fracasso, mas sim à vida plena, ao encontro com Deus, à felicidade sem fim. Esta esperança tem de iluminar a nossa caminhada e dar-nos a coragem de enfrentar os dramas e as crises que dia a dia se nos apresentam.
· A Igreja de que fazemos parte tem de procurar ser um anúncio dessa comunidade escatológica, uma “noiva” bela e que caminha com amor ao encontro de Deus, o amado. Isto significa que o egoísmo, as divisões, os conflitos, as lutas pelo poder, têm de ser banidos da nossa experiência eclesial: eles são chagas que deturpam o rosto da Igreja e a impedem de dar testemunho do mundo novo que nos espera.
· É verdade que a instauração plena do “novo céu e da nova terra” só acontecerá quando o mal for vencido em definitivo; mas essa nova realidade pode e deve começar desde já: a ressurreição de Cristo convoca-nos para a renovação das nossas vidas, da nossa comunidade cristã ou religiosa, da sociedade e das suas estruturas, do mundo em que vivemos.

Evangelho: Jo 13,31-33a.34-35 - AMBIENTE

Estamos na fase final da caminhada histórica do “Messias”. Aproxima-se a “Hora”, o momento em que vai nascer – a partir do testemunho do amor total cumprido na cruz – o Homem Novo e a nova comunidade.
O contexto em que este trecho nos coloca é o de uma ceia, na qual Jesus Se despede dos discípulos e lhes deixa as últimas recomendações. Jesus acabou de lavar os pés aos discípulos (cf. Jo 13,1-20) e de anunciar à comunidade desconcertada a traição de um do grupo (cf. Jo 13,21-30); nesses quadros, está presente o seu amor (que se faz serviço simples e humilde no episódio da lavagem dos pés e que se faz amor que não julga, que não condena, que não limita a liberdade e que se dirige até ao inimigo mortal, na referência a Judas, o traidor). Em seguida, Jesus vai dirigir aos discípulos palavras de despedida; essas suas palavras – resumo coerente de uma vida feita de amor e partilha – soam a testamento final. Trata-se de um momento muito solene; é a altura em que não há tempo nem disposição para “conversa fiada”: aproxima-se o fim e é preciso recordar aos discípulos aquilo que é mesmo fundamental na proposta cristã.
MENSAGEM
O texto divide-se em duas partes. Na primeira parte (vs. 31-32), Jesus interpreta a saída de Judas, que acabou de deixar a sala onde o grupo está reunido, para ir entregar o “mestre” aos seus inimigos. A morte é, portanto, uma realidade bem próxima… Jesus explica, na sequência, que a sua morte na cruz será a manifestação da sua glória e da glória do Pai. O termo grego “doxa” aqui utilizado traduz o hebraico “kabod” que pode entender-se como “riqueza”, “esplendor”. A “riqueza”, o “esplendor” do Pai e de Jesus manifesta-se, portanto, no amor que se dá até ao extremo, até ao dom total. É que a “glória” do Pai e de Jesus não se manifesta no triunfo espetacular ou na violência que aniquila os maus, mas manifesta-se na vida dada, no amor oferecido até ao extremo. A entrega de Jesus na cruz vai manifestar a todos os homens a lógica de Deus e mostrar a todos como Deus é: amor radical, que se faz dom até às últimas consequências.
Na segunda parte (vs. 33a.34-35) temos, então, a apresentação do “mandamento novo”. Começa com a expressão “meus filhos” (v. 33a) – o que nos coloca num quadro de solene emoção e nos leva ao “testamento” de um pai que, à beira da morte, transmite aos seus filhos a sua sabedoria de vida e aquilo que é verdadeiramente fundamental.
Qual é, portanto, a última palavra de Jesus aos seus, o seu ensinamento fundamental?
“Amai-vos uns aos outros. Como Eu vos amei, vós deveis também amar-vos uns aos outros”. O verbo “agapaô” (“amar”) aqui utilizado define, em João, o amor que faz dom de si, o amor até ao extremo, o amor que não guarda nada para si mas é entrega total e absoluta. O ponto de referência no amor é o próprio Jesus (“como Eu vos amei”); as duas cenas precedentes (lavagem dos pés aos discípulos e despedida de Judas) definem a qualidade desse amor que Jesus pede aos seus: “amar” consiste em acolher, em pôr-se ao serviço dos outros, em dar-lhes dignidade e liberdade pelo amor (lavagem dos pés), e isso sem limites nem discriminação alguma, respeitando absolutamente a liberdade do outro (episódio de Judas). Jesus é a norma, não com palavras, mas com atos; mas agora traduz em palavras os seus atos precedentes, para que os discípulos tenham uma referência.
O amor (igual ao de Jesus) que os discípulos manifestam entre si será visível para todos os homens (v. 35). Esse será o distintivo da comunidade de Jesus. Os discípulos de Jesus não são os depositários de uma doutrina ou de uma ideologia, ou os observantes de leis, ou os fiéis cumpridores de ritos; mas são aqueles que, pelo amor que partilham, vão ser um sinal vivo do Deus que ama. Pelo amor, eles serão no mundo sinal do Pai.
ATUALIZAÇÃO
·  A proposta cristã resume-se no amor. É o amor que nos distingue, que nos identifica; quem não aceita o amor, não pode ter qualquer pretensão de integrar a comunidade de Jesus.
·  Falar de amor hoje pode ser equívoco… A palavra “amor” é, tantas vezes, usada para definir comportamentos egoístas, interesseiros, que usam o outro, que fazem mal, que limitam horizontes, que roubam a liberdade… Mas o amor de que Jesus fala é o amor que acolhe, que se faz serviço, que respeita a dignidade e a liberdade do outro, que não discrimina nem marginaliza, que se faz dom total (até à morte) para que o outro tenha mais vida. É este o amor que vivemos e que partilhamos?
·  Por um lado, a comunidade de Jesus tem de testemunhar, com gestos concretos, o amor de Deus. Nos nossos comportamentos e atitudes uns para com os outros, os homens descobrem a presença do amor de Deus no mundo? Amamos mais do que os outros e interessamo-nos mais do que eles pelos pobres e pelos que sofrem?
padre Joaquim Garrido – padre Manuel Barbosa – padre Ornelas Carvalho