.

I N T E R N A U T A S - M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Domingo de Páscoa - ano A

DOMINGO DE PÁSCOA 
e
RESSUREIÇÃO DE JESUS CRISTO


Comentários-Prof.Fernando

  

DOMINGO DE PÁSCOA - José Salviano


DDia 20  de abril
Evangelho Jo 20, 1-9
ALEGREM-SE! DISSE O RESSUSCITADO-José Salviano
           
============================

            Hoje a Igreja celebra a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a maior festa dos cristãos católicos.  Continua


============================
JESUS CRISTO  RESSUSCITOU, ELE VIVE ENTRE NÓS! – Olívia Coutinho

DOMINGO DE PÁSCOA

Dia 20 de Abril de 2014

Evangelho Jo 20,1-19

 Angustia, sofrimento, morte, era sempre noite na humanidade, até que na noite mais clara que o dia, a vida venceu a morte, as trevas deram lugar a luz,!
O acontecimento mais belo que já se viu na terra, tirou das trevas a humanidade, tornando o céu mais próximo da terra!
Agora não vivemos mais ao léu, encontramos uma direção, nossa vida ganhou um novo sentido, temos em quem confiar e a quem seguir, as promessas de Deus se cumpriram, Jesus Ressuscitou, pagou com o seu sangue o preço da nossa liberdade.  Inseridos   no mistério  Pascal, que é a vida de Jesus em nós e a nossa vida Nele, tornamos sinal  vivo de Deus no mundo!            
Na ressurreição de  Jesus,  está expresso o amor de Deus por cada um de nós, um amor tão grande que o levou à morte, para nos restituir a vida!
A ressurreição de Jesus, retira as vendas dos nossos olhos, nos faz  enxergar  as maravilhas que antes não víamos,  por estarmos focados nos nossos  sofrimentos, sofrimentos, que muitas vezes alimentamos dentro de nós, como justificava do nosso comodismo.
É no encontro com O Cristo Ressuscitado, que nós também  ressuscitamos, saindo   do sofrimento, para vivermos as alegrias do recomeço!
É Jesus Cristo ressuscitado quem devolve o brilho ao nosso olhar, que  transforma o nosso medo em coragem, a esperança em certeza e  as nossas noites escuras em dias claros!
A todo instante, somos chamados a fazermos  a experiência do  Cristo ressuscitado, indo ao encontro do outro.  É através da relação humano, com o humano, que nos envolvemos por inteiros no Mistério Pascal, deixando a vida divina agir em nós, possibilitando-nos  assim, vivermos   a nossa humanidade de forma Divina.
 O coração humano, quando se deixa  tocar pelo amor Divino, torna fonte de luz no mundo a tirar da escuridão muitos corações sombrios! 
Muito mais do que compreendermos o que é a Páscoa, é celebrá-la, é sermos Pascais, vivendo como o ressuscitado, buscando ver dentro de nós e entre nós, o amor do Pai explícito em Jesus.
Viver a Páscoa, não significa  somente crer no Deus que em Cristo nos redimiu  e nos ressuscitará, mas se trata em saber quem é Cristo para nós, qual é o lugar que Ele ocupa em nossa vida, somente assim,  seremos Pascais  e viveremos  verdadeiramente a ressurreição de Jesus.
A alegria, é a marca de quem vive a ressurreição de Jesus, é o sinal de sua adesão à Cristo! Quem se deixa iluminar pela Luz do Cristo Ressuscitado, irradia alegria por onde passa, uma alegria, que não se resume em um sentimento superficial, inconsistente, pelo contrário, é uma alegria duradora, consistente, de origem Divina, que independe das circunstancia em que se vive.
O evangelho de hoje, nos fala desta alegria vivenciada pelas primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus, da alegria de Maria Madalena que ao visitar o sepulcro de Jesus, naquela manhã de domingo, pode testemunhar, diante do túmulo vazio,  a  mais bela de todas as  verdades cristãs: JESUS CRISTO RESSUSCITOU!  À princípio, pode ser, que o medo, a alegria, se misturaram dentro dela, afinal,  tudo aquilo era grande demais para o seu entendimento!
Maria Madalena teve pressa em partilhar a sua alegria,  por isto, vai apressadamente levar esta Boa Notícia aos outros discípulos que se alegram com ela!
 Assim como Maria Madalena e os outros dois discípulos que correram até o sepulcro onde puderam constatar o acontecimento mais importante de toda história, também nós, deveríamos ter pressa em  levar ao outro, esta Boa Notícia:  Jesus Cristo ressuscitou, Ele está no meio de nós!
A liturgia  deste domingo,  fala fundo ao nosso coração,  fazendo  ressoar nos  nossos ouvidos a saudação dos primeiros cristãos  que diziam  alegremente: ” Cristo ressuscitou Aleluia! Saudação, que hoje, respondemos com a mesma alegria: Sim, verdadeiramente Jesus  Cristo ressuscitou, Ele vive entre nós!
O  melhor meio de anunciar a Ressurreição de Jesus é dar testemunho de fé no serviço ao outro, como fez Jesus, na última ceia, lavando os pés dos Apóstolos, numa atitude de humildade e serviço.
 Experimentamos as alegrias da Ressurreição, quando deixamos para trás, a escuridão do  passado, para vivermos as alegrias de um novo dia, irradiados pela Luz do Cristo Ressuscitado.

QUERIDOS LEITORES, IRMÃOS EM CRISTO, DESEJO A VOCÊS, UMA FELIZ PÁSCOA!
 FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia
Visite  a minha página no Facebook -https://www.facebook.com/groups/552336931551388/

============================
Evangelhos Dominicais Comentados

20/abril/2014 – Domingo da Páscoa do Senhor

Evangelho: (Jo 20, 1-9)


Páscoa é a festa da vitória de Jesus sobre as forças do mal e da própria morte. É o dia da remissão da humanidade, Jesus Cristo, resplandecente e vitorioso, deixou para cada um de nós a certeza da vida eterna.

O Senhor venceu a morte! Tudo que vai contra a vida é “morte”. Como Jesus, e em Jesus, nós também venceremos as forças que se contrapõem à vida e ao nosso bem. Com Jesus venceremos as forças que estimulam a exclusão de tantos irmãos.

Só Jesus poderá levar-nos a vencer tudo que é contrário ao bem estar. Cristo Ressuscitado é nossa força na luta contra o latifúndio e opressão. Jesus quer que as famílias ressuscitem para a dignidade, alegria e paz.

Realmente, em cada passagem bíblica Jesus faz questão de ressaltar que veio para mudar! Também aqui neste episódio, vivido numa sociedade em que as mulheres não tinham vez, nem voz, Jesus provoca mudanças.

Na época de Jesus, muito mais do que hoje, as mulheres eram marginalizadas. A sociedade não aceitava o testemunho das mulheres. Eram discriminadas como os escravos e, no entanto, foram as primeiras testemunhas da ressurreição.  

Jesus, que já havia reabilitado a mulher em sua dignidade, dá a ela a primazia de testemunhar o maior acontecimento da história da salvação. Elas ficam assustadas, mas sentem grande alegria.

Alegres correm comunicar a novidade aos apóstolos, que também são convidados a verem o sepulcro vazio. Nada encontraram, ainda não tinham compreendido a escritura, segundo a qual Jesus deveria ressuscitar dos mortos.

No relato de Mateus (Mt 28,1-10) um anjo diz para as mulheres: “Não tenham medo” e Jesus Ressuscitado vem ao encontro delas dizendo: “Alegrem-se!” Alegria e ausência de medo são frutos da ressurreição.

Alguns dias depois, Jesus se apresenta aos apóstolos reunidos no cenáculo e lhes diz: “A paz esteja com vocês!” Isso nos leva a concluir que alegria, coragem e paz devem ser características marcantes de quem crê em Jesus e vive sua proposta.

O cristão tem que se alegrar! Tem tudo para ser como o discípulo que Jesus amava. Foi ele o primeiro a perceber que o Mestre ressuscitara. Enxergou a Vida explodindo com toda sua força, percebeu a intervenção de Deus “escancarando” o sepulcro e fazendo brotar a Vida Plena.

É preciso enxergar a vida e torná-la presente em todas as coisas. O desânimo, a acomodação, a aceitação das injustiças sociais, são sinais de morte. A vida é a meta do cristão. Pelo batismo nos unimos ao Cristo e assumimos a sua proposta de vida nova. Em Jesus passamos para uma vida nova, uma vida plena.

Como diz São Paulo, com Jesus, deixamos de ser “filhos das trevas” e passamos a ser “filhos da luz”. Uma vida verdadeiramente cristã não termina com a morte, mas se abre para a plenitude da verdadeira vida.

Neste período pascal, a Igreja nos convida a participar dos Sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia. É uma excelente ocasião para nos reaproximarmos de Deus.

Para nos reconciliarmos com Deus, basta rever nossa caminhada de fé; rever nossos compromissos com a comunidade, com a família e com os menos favorecidos. Esta é boa notícia de hoje: reconciliados com Deus, certamente, nos aproximaremos dos excluídos e ressuscitaremos o Amor.

(2872)



http://lista.mercadolivre.com.br/mlb550606701-cartao-memoria-camera-digital-sony-pro-duo-4-gb-mark-ii-jm
============================

Hoje é o dia mais solene do ano: é a Páscoa!
Aquele que vimos envolto em sangue, tomado pelas dores da morte na Sexta-feira, Aquele que velamos respeitosamente no silêncio da morte no Sábado, agora proclamamo-lo Ressuscitado, Vivo, Vitorioso!
Hoje pela manhã, “quando ainda estava escuro”, nossas irmãs foram ao túmulo e encontraram-no aberto e vazio! Elas correram apavoradas: foram contar ao nosso líder, Simão Pedro. Ele foi também ao túmulo com o outro discípulo, aquele que Jesus amava: viram as faixas de linho no chão... O túmulo estava vazio... O que acontecera? Roubaram o corpo? Os judeus levaram-no? Que houve? Que ocorrera?
Na tarde de hoje, dois outros irmãos nossos estavam voltando para Emaús, sem esperança nenhuma: voltavam para sua vida de cada dia... estavam deixando a Comunidade dos discípulos, a Igreja que ia nascer: Jesus morrera, tudo acabara, a esperança fora embora... Mas, um Desconhecido começou a caminhar com eles, e lhes falava sobre tudo quanto a Escritura havia predito a respeito do Messias: sua pregação, suas dores, sua derrota, sua morte, sua vitória final... E o coração daqueles dois começou a encher-se de nova esperança, a arder de alegria! Eles, agora, começavam a compreender: tudo quanto havia acontecido com Jesus não fora simplesmente um cego absurdo, uma loucura, um sinal de maldição! Tudo fazia parte de um incrível projeto de amor do Pai: “Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” E, o que é mais impressionante: ao sentarem-se à mesa, o Desconhecido tomou a iniciativa, não esperou o dono da casa: pegou o pão e deu graças, partiu-o.... Coisa impressionante, irmãos: os olhos daqueles dois se abriram, e eles o reconheceram: era Jesus! Jesus vivo! Jesus reconhecido nas Escrituras e no partir o pão! Como mais uma vez, acontecerá agora, nesta Missa! Os dois voltaram, imediatamente a Jerusalém e, lá, a alegria foi maior ainda: os apóstolos confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão Pedro!”
Por esta fé nós vivemos, por esta fé somos cristãos, por esta fé empenhamos a vida toda! Neste Dia santíssimo, Jesus entrou na glória do Pai. Nós continuamos aqui; ele já não mais está preso a dia algum, a tempo algum, a limitação alguma: ele entrou na eternidade de Deus, na plenitude do seu Deus e Pai! Irmãos, escutai: a Morte, hoje, foi vencida! Jesus abriu o caminho, Jesus atravessou o tenebroso e doloroso mar da Morte, Jesus entrou no Pai! Jesus “passou”, fez sua Páscoa!
Mas, não só: ele fez isso por nós, por cada um de nós: “Vou preparar-vos um lugar... a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14,2-3). Ele, que morrera da nossa Morte, tem agora o poder de nos dar a sua vitória. Para isso, irmãos, ele nos deu, no Batismo, o seu Espírito de ressurreição, o mesmo no qual o Pai o ressuscitou na madrugada de hoje!
Eis a Páscoa de Cristo e nossa! Na certeza desta vida nova, renovemos nossa própria vida! “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos para alcançar as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus!” Vivamos uma vida nova em Cristo! Crer na sua ressurreição, viver sua vida de ressuscitado é, já agora, viver numa perspectiva nova, viver com o olhar a partir da Eternidade. São Paulo nos diz, para a Festa de hoje: “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Celebremos a Festa, não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade ou da perversidade, mas com os pães sem fermento de pureza e de verdade”. É o pão sem fermento, pão ázimo, da Eucaristia que vamos comer daqui a pouco; pão que é o próprio Cordeiro imolado, Cordeiro pascal, Cordeiro que tira o pecado do mundo! Nós vamos entrar em comunhão com ele, vivo e vencedor!
Pelo dia de hoje, não mais tenhamos medo do pecado, da maldade e da morte!
Pela festa deste hoje bendito, abramos nosso coração a Deus e aos irmãos!
Pela Páscoa que estamos celebrando, perdoemo-nos, acolhamo-nos e demo-nos a paz!
Terminemos com as comoventes palavras da liturgia bizantina:
Dia da Ressurreição,
resplandeçamos, ó povos!
Páscoa do Senhor! Páscoa!
Cristo Deus nos fez passar
da morte à vida, da terra ao céu,
entoando o hino de sua vitória!
Purifiquemos os sentidos e veremos
a Luz inacessível da Ressurreição
a Cristo resplandecente
que diz: Alegrai-vos!
Exultem os céus e a terra.
Exulte o universo inteiro, visível e invisível:
Cristo ressuscitou. Alegria eterna!
Exultem os céus e exulte a terra,
faça festa todo o universo
visível e invisível.
Alegria eterna,
porque Cristo ressuscitou!
Dia da Ressurreição,
resplandeçamos, ó povos:
Cristo ressuscitou dentre os mortos,
ferindo com sua morte a própria morte
e dando a vida aos mortos em seus túmulos.
Ressurgindo do túmulo,
como havia predito
Jesus nos deu a vida eterna e a grande misericórdia!
Este é o Dia que o Senhor fez:
seja ele nossa alegria e nosso gozo!
Páscoa dulcíssima,
Páscoa do Senhor, Páscoa!
Uma Páscoa santíssima nos amanheceu.
Páscoa! Plenos de gozo,
abracemo-nos todos!
Ó Páscoa, que dissipas toda tristeza!
É o Dia da Ressurreição!
Irradiemos alegria por tal Festa,
abracemo-nos mutuamente
e chamemos de irmãos até àqueles que nos odeiam;
perdoemos-lhes tudo
por causa da Ressurreição,
e gritemos sem cessar dizendo:
Cristo ressuscitou dentre os mortos,
ferindo a morte com a sua morte
e dando a vida aos mortos em seus túmulos!
Surrexit Dominus vere! O Senhor ressuscitou verdadeiramente! Aleluia!

SEGUNDA HOMILIA
Há situações, acontecimentos, fatos, que são tão bons, há novidades que transformam de tal modo a vida, que abrem de tal maneira novos horizontes, que chegam a nem parecer realidade... parecem mais um conto de fadas, assemelham-se mais a fábulas...
Assim é a Ressurreição de Cristo. Bultmann, teólogo protestante alemão do século passado, afirmava que aquele sepulcro de há dois mil anos, em Jerusalém, nunca estivera vazio. Nele, o cadáver de Jesus teria ficado, apodrecido, decomposto pela morte. O que interessa – garantia Bultmann – é que Jesus está vivo para mim, vivo no meu coração e, assim, é capaz de transformar a minha vida. Olhando direitinho essa idéia do teólogo alemão, não é Jesus quem nos dá a vida, mas nós quem damos vida a Jesus. No fundo, o Crucificado de Nazaré não seria o Salvador de ninguém: tragado pela morte, somente poderia viver na nossa memória! Em resumo: a Ressurreição não passaria de uma fábula; e a nossa fé, não seria mais que uma doce ilusão!
Mas, não! O Evangelho que acabamos de ouvir dá conta de algo bem diferente. De manhã cedo, Maria Madalena foi ao túmulo. Ainda estava escuro, pela hora, muito cedo, e pela dor do coração daquela mulher... O túmulo estava aberto, a pedra fora retirada. Madalena correu até Pedro (Madalena é católica, sabe que o referencial dos discípulos é Pedro), desesperada: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram!” Pedro correu, com o Discípulo Amado. Este último chegou primeiro; também ele católico, espera Pedro. Não entrou; apenas inclinou-se e olhou.. O que viu? Vamos traduzir de modo mais preciso que aquele que escutamos: “Inclinou-se para observar e reparou que os panos de linho estavam espalmados no chão”. O Chefe, a Pedra, chegou também e entrou primeiro. Ficou admirado com o que vira! O que constara? Escutemos o texto, traduzido de modo bem fiel: “Entrou no túmulo e ficou admirado ao ver os panos de linho espalmados no chão, ao passo que o lenço que estivera em volta da cabeça não estava espalmado no chão juntamente com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição”. Aí, entrou também o outro Discípulo, o Amado. Viu e creu! Mas, o que eles viram? No que acreditou o Discípulo Amado? O grande lençol que envolvera Jesus e a faixas que o amarravam estavam no mesmo lugar, espalmadas, isto é, estiradinhas no mesmo lugar onde estivera o corpo de Jesus. Quanto ao lenço que cobria o seu rosto (um sudário, isto é um lenço normalmente usado para enxugar o suor), estava não espalmado, estirado na pedra sobre a qual o corpo fora colocado; ao invés, endurecido, como um pano muito engomado, mantinha a forma da cabeça de Jesus, como uma espécie de máscara! Ou seja, Jesus saíra dali de um modo inexplicável: ninguém o tirara; simplesmente ele desaparecera de dentro dos panos! Pedro constata, impressionando; o discípulo amado, crê: o Mestre ressuscitou! Eis, caros meus! Não é uma lenda, a Ressurreição! O túmulo de verdade estava vazio. Depois, o próprio Ressuscitado veio até o seus, e comeu e bebeu com eles, constituindo-os suas testemunhas.
Na primeira leitura de hoje, Pedro anuncia claramente: “Nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus. Eles o mataram pregando numa cruz. Mas Deus o ressuscitou, concedendo-lhe manifestar-se não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós, que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos!” Eis aqui! Anás, Caifás, Pilatos, os judeus jamais poderão ver Jesus! Ele, agora, vitorioso, é pleno de uma outra vida, a vida de Deus. O mundo jamais poderá ver Jesus! Nós, que comemos e bebemos com ele é que somos as suas testemunhas! Nós, que no Batismo, fomos mergulhados pelo seu Espírito Santo, na morte e ressurreição do Senhor; nós, enxertados nele, membros do seu Corpo; nós, que comungamos no seu Corpo e Sangue, é que podemos ouvi-lo vivo e atual, é que podemos comer e beber com ele no altar do Sacrifício eucarístico. Nós somos as suas testemunhas. São Paulo nos diz: “Vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo, em Deus”. Nós conhecemos o Cristo de um modo que o mundo não conseguirá jamais compreender. Para os de fora, o Cristo é um personagem do passado, preso no tempo. Para nós, o Senhor, está vivo, presente no hoje de nossa existência e nós vivemos nele e por ele: “Vossa vida está escondida com Cristo!” Ele é tão concreto, tão atual, tão vivo, tão real, que toda a nossa vida é pautada nele, e modelada segundo a sua santa vontade!
Eis! Não somos nós que mantemos um Jesus morto, vivo somente na nossa lembrança. É o próprio Senhor nosso, Jesus Cristo que, vivo, dando-nos o seu Espírito no batismo e na eucaristia, unindo-nos a ele, nos vivifica, nos dá o perdão dos pecados e nos abre a estrada da Vida eterna. E nós, que experimentamos tal mistério maravilhoso, somos e seremos sempre, as suas testemunhas. É isto que significa ser cristão! Aleluia!

TERCEIRA HOMILIA
Aquele que vimos envolto em sangue, tomado pelas dores da morte na Sexta-feira, Aquele que velamos respeitosamente no silêncio da morte no Sábado, agora proclamamo-lo Ressuscitado, vivo, vitorioso!
Hoje pela manhã, “quando ainda estava escuro”, nossas irmãs foram ao túmulo e encontraram-no aberto e vazio! Elas correram apavoradas: foram contar ao nosso líder, Simão Pedro. Ele foi também ao túmulo com o outro discípulo, aquele que Jesus amava: viram as faixas de linho no chão… O túmulo estava vazio… O que acontecera? Roubaram o corpo? Os judeus levaram-no? Que houve? Que ocorrera?
Na tarde de hoje, dois outros irmãos nossos estavam voltando para Emaús, sem esperança nenhuma: voltavam para sua vida de cada dia… estavam deixando a Comunidade dos discípulos, a Igreja que ia nascer: Jesus morrera, tudo acabara, a esperança fora embora… Mas, um Desconhecido começou a caminhar com eles, e lhes falava sobre tudo quanto a Escritura havia predito a respeito do Messias: sua pregação, suas dores, sua derrota, sua morte, sua vitória final… E o coração daqueles dois começou a encher-se de nova esperança, a arder de alegria! Eles, agora, começavam a compreender: tudo quanto havia acontecido com Jesus não fora simplesmente um cego absurdo, uma loucura, um sinal de maldição! Tudo fazia parte de um incrível projeto de amor do Pai: “Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” E, o que é mais impressionante: ao sentarem-se à mesa, o Desconhecido tomou a iniciativa, não esperou o dono da casa: pegou o pão e deu graças, partiu-o…. Coisa impressionante, irmãos: os olhos daqueles dois se abriram, e eles o reconheceram: era Jesus! Jesus vivo! Jesus reconhecido nas Escrituras e no partir o pão! Como mais uma vez, acontecerá agora, nesta missa! Os dois voltaram, imediatamente a Jerusalém e, lá, a alegria foi maior ainda: os apóstolos confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão Pedro!”
Irmãos, por esta fé nós vivemos, por esta fé somos cristãos, por esta fé empenhamos a vida toda! Neste Dia, Jesus entrou na glória do Pai. Nós continuamos aqui; ele já não mais está preso a dia algum, a tempo algum, a limitação alguma: ele entrou na eternidade de Deus, na plenitude do seu Deus e Pai! Irmãos, escutai: a Morte, hoje, foi vencida! Jesus abriu o caminho, Jesus atravessou o tenebroso e doloroso mar da morte, Jesus entrou no Pai! Jesus “passou”, fez sua Páscoa!
Mas, não só: ele fez isso por nós, por cada um de nós: “Vou preparar-vos um lugar… a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14,2-3). Ele, que morrera da nossa Morte, tem agora o poder de nos dar a sua vitória. Para isso, irmãos, ele nos deu, no batismo, o seu Espírito de ressurreição, o mesmo no qual o Pai o ressuscitou na madrugada de hoje!
Eis a Páscoa de Cristo e nossa! Na certeza desta vida nova, renovemos nossa própria vida! “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos para alcançar as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus!” Vivamos uma vida nova em Cristo! Crer na sua ressurreição, viver sua vida de ressuscitado é, já agora, viver numa perspectiva nova, viver com o olhar a partir da Eternidade. São Paulo nos diz, para a festa de hoje: “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Celebremos a festa, não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade ou da perversidade, mas com os pães sem fermento de pureza e de verdade”. É o pão sem fermento, pão ázimo, da eucaristia que vamos comer daqui a pouco; pão que é o próprio Cordeiro imolado, Cordeiro pascal, Cordeiro que tira o pecado do mundo! Nós vamos entrar em comunhão com ele, vivo e vencedor!
dom Henrique Soares da Costa
============================
Os sinais da ressurreição de cristo
Nas Sagradas Escrituras, um sinal não é simplesmente um evento milagroso, mas algo que aponta para uma realidade de significado mais amplo. Por analogia, é como um sinal de trânsito, que serve para orientar os viajantes na estrada, de sorte que ninguém erre o caminho ou corra risco de acidentes. Um sinal na estrada faz-nos chegar a nosso destino sem incorrer em nenhum dano. Nos textos bíblicos, os sinais indicam que Deus está realizando algo que não é percebido por quem não fez a experiência de fé e amor. Os sinais não servem como provas ou argumentos lógicos para convencer ninguém, porque somente podem ser percebidos por quem faz a experiência de fé e amor. É esta que indica que um acontecimento comum é sinal da ação de Deus.
1. Evangelho (Jo 20,1-9)
O túmulo vazio
O trecho divide-se em duas cenas no cenário do sepulcro: a visita de Maria Madalena (vv. 1-2) e a visita dos discípulos (3-9).
Na manhã do primeiro dia da semana, antes da alvorada, Maria Madalena vai ao sepulcro, vê a pedra removida e volta correndo para avisar aos discípulos. Ela não entra, mas suspeita que o corpo do Senhor tenha sido roubado.
Diligentemente, os dois discípulos correm ao sepulcro. Ambos saem juntos, mas é o outro discípulo que chega primeiro e se inclina para ver as faixas mortuárias. Ele não entra; espera que Pedro seja o primeiro a entrar e o segue para o interior do sepulcro. O discípulo vê e crê. O Evangelho de João atribui ao discípulo amado a fé na ressurreição de Jesus pela primeira vez.
Observe-se que a forma de ver de Pedro é diferente da do outro discípulo. Pedro vê, mas não crê, ainda que seu ver denote disposição para tal. Ao passo que o “ver” do outro discípulo acompanha a fé, indica a compreensão exata e a verdadeira tomada de consciência. Esse ver é propiciado pelo amor. Somente o amor possibilita ver, nos sinais da ausência do corpo, a presença do Ressuscitado. Por isso o discípulo crê de imediato.
O crer, em João, tem o sentido de compreensão do mistério, que é a ressurreição de Jesus, cujos sinais para serem compreendidos exigem adesão da fé. Aqui os sinais são o túmulo vazio e as faixas deixadas não de qualquer jeito, mas dobradas.
O evangelho quer ressaltar a prontidão do discípulo para discernir os vestígios do Senhor ressuscitado. No entanto, o final do texto nos apresenta algo importante. No processo de compreensão da fé no Ressuscitado está presente a Escritura, na qual se atesta a ressurreição. Somente compreendendo a Escritura é que se poderá chegar ao verdadeiro crer, sem a necessidade do ver. Eles tiveram de ver para crer. Mas o evangelho quer transmitir para sua comunidade que, se tivessem entendido as Escrituras, não necessitariam do ver.
O evangelho afirma que o itinerário da fé se baseia nas Escrituras e no testemunho dos apóstolos. Mas é, em última análise, o amor que conduz o discípulo pelo itinerário da fé.
1ª leitura (At. 10,34a.37-43)
Deus purificou os gentios
Esse relato trata da primeira vez em que Pedro se dirigiu a ouvintes não judeus. O texto faz um resumo da vida de Jesus (v. 37-41), a quem Deus constituiu juiz dos vivos e dos mortos (v. 42), e do testemunho dado pelos profetas a respeito de tudo isso (v. 43).
Aos judeus foi destinada, em primeiro lugar, a mensagem do evangelho (v. 36). Mas agora o anúncio do Reino é endereçado a todas as pessoas. Quando Pedro reconhece que Deus não faz acepção de pessoas, isso não quer dizer que antes pensasse o contrário, pois tal noção está escrita em Dt 10,17. O que se está afirmando é que, até então, Pedro pensava, como os demais judeus, que os gentios tinham de sujeitar-se à circuncisão e a outros ritos da Lei de Moisés para somente depois terem acesso às bênçãos messiânicas. Para todo judeu, os gentios, por mais simpatizantes que fossem do judaísmo, eram sempre considerados impuros em relação ao aspecto do culto.
Agora Pedro admite que Deus purificou os gentios e que os apóstolos, testemunhas da ressurreição, receberam o encargo missionário de anunciar a boa-nova a todos os povos.
2ª leitura (Cl. 3,1-4)
A vida cristã
Nós ressuscitamos com Cristo, afirma o primeiro versículo desse texto. Primeiramente, a ressurreição é tratada como realidade que começa já neste mundo, no tempo presente. Posteriormente é que se destacará a ressurreição como acontecimento do fim dos tempos.
Quem faz a experiência da ressurreição deve mudar a conduta de vida e também os conceitos intelectuais. “Cuidai das coisas do alto, não do que é da terra”, afirma o v. 2. Não se trata de uma orientação para que a Igreja seja “alienada”. Quer dizer que nossa vida é regida pela vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, em contraste com o dispêndio de energias em valores contrários ao reino de Deus. Significa que a Igreja deve ter as aspirações determinantes de suas ações embasadas nos ensinamentos e na vontade daquele que agora está entronizado à direita de Deus.
Do contrário, quando a Igreja valoriza demasiadamente certos aspectos pouco relevantes para o seguimento de Jesus, encontra-se buscando as coisas da terra. Quem morreu para o pecado recebe a vida nova, a ressurreição, algo que não é visível ao olho natural, e por isso a mudança de vida não é compreendida por quem observa tudo apenas pela ótica intelectual. Mas haverá um momento em que a vida ressuscitada será visível e palpável para todos, na segunda vinda de Cristo com poder e glória.
Pistas para reflexão
Ressaltar que os “sinais” são revelações indiretas dadas pelo Senhor, em contraste com o modo exato de comunicação realizado no nosso cotidiano. Nesse tipo de revelação, situações do dia a dia são carregadas de um excesso de significado que desperta a curiosidade das pessoas. Os “de fora” da comunidade percebem “algo mais” quando observam o estilo de vida cristã. É nesse sentido que a Igreja é luz, sal e fermento para o mundo. Resta saber se, olhando para nossas vidas, “os de fora” conseguem receber a revelação de Deus.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj
============================
A verdade da ressurreição mexe com a nossa vida, como aconteceu com as primeiras testemunhas. Tudo adquire um sentido novo.
A alegria invade o nosso ser. A esperança se renova, baseada na certeza da vida em plenitude, dom de Deus! A fé na ressurreição imprime novo dinamismo na nossa caminhada terrena.
A atitude de Maria Madalena nos inspira a partilhar as descobertas que prenunciam uma boa notícia. A sua atitude, bem como a de Pedro e a do discípulo amado, reflete as reações dos participantes das comunidades cristãs diante do fato da ressurreição (Evangelho). Ao participar da comunidade de fé, experimentamos que Jesus está vivo. A ressurreição de Jesus é um fato histórico, com testemunhas oculares; faz parte essencial do credo cristão, conforme percebemos na catequese de Pedro junto à comunidade cristã reunida na casa de Cornélio, um centurião romano. A fé na ressurreição derruba barreiras que separam os povos e provoca novas relações baseadas no amor fraterno (I leitura). Ela nos faz viver de um novo modo, já não voltados para interesses egoístas, mas para “as coisas do alto” (2ª leitura). A celebração da Páscoa do Senhor Jesus é oportunidade de nos deixarmos invadir pelo amor misericordioso de Deus e seguir a Jesus com entusiasmo.
Evangelho (Jo 20,1-9)
O dia da nova criação
O primeiro dia da semana indica um novo tempo. Tem ligação com o início da criação do mundo. A morte de Jesus significou a passagem das trevas para a luz que nunca mais se apagará.
A fé na ressurreição, porém, não se processa da mesma maneira em todas as pessoas. Algumas precisam de um tempo maior para assimilar essa verdade que tudo transforma. Maria Madalena recebe especial distinção: ainda no escuro, dirige-se ousadamente ao túmulo de Jesus. Apesar de ver a pedra removida, não consegue ainda perceber a luz do sol (Jesus que ressuscitou) anunciando uma nova aurora. Perplexa, corre ao encontro de Simão Pedro e do discípulo que Jesus amava para dizer-lhes de sua preocupação com o que havia constatado. O seu anúncio provoca a movimentação dos dois discípulos na busca do verdadeiro sentido dos últimos acontecimentos.
Maria Madalena, nesse relato de João, é representativa da comunidade que não aceita permanecer acomodada. Busca ansiosamente a explicação do que realmente aconteceu naquele “primeiro dia da semana”. É atitude muito positiva, pois “quem busca encontra e quem procura acha”. Por isso, ela é especialmente valorizada.
Jesus deixa-se encontrar. Impulsionada pelo amor, caminha na direção do Amado. O maravilhoso encontro de Maria Madalena com Jesus ressuscitado se dá logo a seguir (20,11-18).
A comunidade cristã primitiva reconhecia-se no jeito de ser de Maria Madalena, de Pedro e do discípulo amado. Havia pessoas que ainda permaneciam nas “trevas” da morte de Jesus; sentiam-se desamparadas e desorientadas. Havia as que não conseguiam acolher a verdade da ressurreição de Jesus. Diziam que seu corpo fora retirado por alguém e que se inventou a notícia de que ele havia ressuscitado. É o que se percebe na expressão de Maria Madalena: “Retiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram”. Essas pessoas ainda estão no emaranhado de dúvidas, porém, pouco a pouco, receberão a graça de reconhecer a ressurreição de Jesus como um acontecimento verdadeiro e não como uma lenda.
Pedro e o discípulo que Jesus amava, ao ouvirem a notícia de Maria Madalena, correm para o local onde Jesus fora enterrado. Partem juntos, mas Pedro corre menos. É intenção dos autores do Evangelho de João demonstrar a dificuldade de Pedro em entender e aceitar o verdadeiro significado da morte de Jesus. Talvez esteja ainda amarrado à sua vergonha de ter negado o Mestre e de tê-lo abandonado na hora decisiva. Pedro, porém, segue o discípulo que Jesus amava e, à tarde desse mesmo dia, fará a experiência maravilhosa de encontrar-se com o Ressuscitado junto com outros discípulos (20,19-23). Também na comunidade cristã havia pessoas que manifestavam resistência a aderir a Jesus morto e ressuscitado com convicção de fé.
Lentamente, porém, com a ajuda dos “discípulos amados”, chegaram a trilhar o caminho do seguimento de Jesus, a ponto de dar a vida por ele, como aconteceu com o próprio Pedro.
O “discípulo que Jesus amava” chega mais depressa ao túmulo. Esse discípulo é aquele que, junto com algumas mulheres, acompanhou Jesus até a cruz (19,25-27) Testemunhou sua morte e lhe foi solidário. Agora também mostra solidariedade para com Pedro, que chega depois.
Dá-lhe preferência para entrar no túmulo. Reconhece sua autoridade. Ao entrar, Pedro vê as faixas de linho e o sudário. O texto não diz que ele acreditou, apenas “viu”. Porém, do discípulo amado, diz que ele “viu e acreditou”. Os mesmos sinais são interpretados de forma diferente. Para quem ama a Jesus e se sente amado, nada o impede de crer na vitória da vida sobre a morte.
Os discípulos voltam para casa. É na casa que as comunidades primitivas se reúnem para ler e compreender a Sagrada Escritura, fazer a memória de Jesus, partilhar a experiência de fé e crescer no amor fraterno. É na casa onde se derrubam as barreiras separatistas e se exercita a acolhida respeitosa da alteridade. A Igreja nas casas vai constituir o espaço sagrado por excelência onde Jesus ressuscitado manifesta sua presença, se dá em alimento e convoca seus discípulos à missão.
1ª leitura (At. 10,34a.37-43)
O querigma cristão
O capítulo 10 de Atos dos Apóstolos constitui uma página de especial importância. Lucas (o mesmo autor do evangelho) revela uma de suas intenções fundamentais: a salvação trazida por Jesus Cristo é para todos os povos.
Pedro, depois de um processo de relutância e discernimento, aceita o convite para entrar na casa de um pagão, centurião romano, chamado Cornélio. É a porta de entrada para o mundo dos gentios, missão que será assumida integralmente por Paulo.
É significativo o fato de ser Pedro aquele que primeiro rompe a barreira do judaísmo exclusivo para dialogar com os estrangeiros. É recebido por Cornélio com muita reverência. Lucas enfatiza a autoridade de Pedro, representante dos apóstolos. Quer fortalecer a fidelidade à tradição apostólica. A atitude de Pedro na casa de um romano legitima a abertura para todos os povos.
Jesus é o Salvador universal.
Cornélio revela-se extremamente receptivo à pessoa e à mensagem de Pedro. De fato, a resistência ao anúncio do evangelho é perceptível muito mais entre os judeus do que entre os gentios. O próprio Pedro manifesta dificuldade em desvencilhar-se do exclusivismo judaico e da lei de pureza. Converte-se à medida que se insere no lugar social dos estrangeiros, a ponto de comer com eles. É na casa de Cornélio que ele se abre verdadeiramente para o plano divino de salvação universal: “Dou-me conta de verdade que Deus não faz acepção de pessoas, mas que, em qualquer nação, quem o teme e pratica a justiça lhe é agradável” (10,34-35). O critério de pertença ao povo de Deus já não é a raça ou o cumprimento da Lei, e sim a prática da justiça.
Por esse caminho, dá-se a inclusão de todos os povos, sob a ação do Espírito Santo. As comunidades cristãs primitivas concretizaram esse ideal.
Formadas por pessoas de culturas diferentes, reuniam-se nas casas, ao redor da mesma mesa e unidas na mesma fé.
O discurso de Pedro constitui um resumo da catequese primitiva. É a síntese do querigma apostólico. Apresenta Jesus de Nazaré, desde o seu batismo, passando pela sua missão de resgate da vida e dignidade de todas as pessoas, pela sua morte de cruz, culminando com a sua ressurreição.
O anúncio de Pedro é fundamentado em seu próprio testemunho e no de várias outras pessoas: “Nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez” (v. 39); “Nós comemos e bebemos com ele, após sua ressurreição dentre os mortos” (v. 39). O discurso termina com a confissão de fé em Jesus como juiz dos vivos e dos mortos, constituído por Deus e anunciado pelos profetas.
E finalmente: “Todo aquele que nele acreditar receberá a remissão dos pecados” (v. 43).
2ª leitura (Cl. 3,1-4)
Cristo é a nossa vida!
A comunidade cristã da cidade de Colossas, na Ásia Menor, manifestava certo distanciamento das verdades fundamentais da fé. Influenciadas por tendências da época (por exemplo, a importância dada às forças cósmicas, depositando nelas toda a confiança), havia pessoas que observavam práticas religiosas, dietas e exercícios de ascese (2,16-23) levadas por “vãs e enganosas filosofias”. Havia também pessoas levadas pela “fornicação, impureza, paixão, desejos maus e a cobiça de possuir” (v. 5). O autor da carta preocupa-se com essa situação e, por isso, escreve aos colossenses no intuito de orientá-los para uma vida coerente com a fé em Jesus Cristo, único mediador entre Deus e as criaturas.
Nessa pequena leitura deste domingo de Páscoa, encontramos quatro pontos do querigma cristão que fundamentam a fé das primeiras comunidades: a morte de Jesus, sua ressurreição, sua exaltação à direita de Deus e sua volta.
Cada um desses pontos é indicativo de atitudes que caracterizam o novo modo de viver dos cristãos.
A fé na morte de Jesus Cristo implica a morte de nossos maus comportamentos. Para os cristãos colossenses, implicava morrer para as práticas religiosas que contradiziam a fé cristã; implicava passar de uma mentalidade idolátrica para o mergulho na vida divina, seguindo a Jesus Cristo: “Vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”.
A fé na ressurreição e na ascensão de Jesus Cristo implica discernir o que realmente edifica o ser humano em comunidade: “Se, pois, ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto...”.
Quem permanece com o pensamento e o coração mergulhados em Deus vive dignamente.
A fé na volta de Jesus nos motiva a viver na esperança militante, com a certeza de estarmos com ele: “Quando Cristo, que é vossa vida, se manifestar, então vós também com ele sereis manifestados em glória”.
Pistas para reflexão
– Jesus ressuscitou: a vida já não é a mesma. Maria Madalena se distingue pela sua coragem.
Ela vai ao túmulo, mesmo no escuro. Seu amor a Jesus não permite que permaneça afastada. Procura entender o sentido da morte de Jesus. Não é acomodada nem derrotista. Vai ao encontro dos discípulos e lhes anuncia uma notícia inquietante: o túmulo está vazio. A sua ousadia na busca da verdade a levará ao encontro com Jesus ressuscitado.
Pedro, apesar de sua boa vontade em seguir a Jesus, ainda permanece na dúvida. O discípulo que Jesus amava é o mais rápido para “ver e crer”. Não precisou ver Jesus com os olhos da carne. Quem ama e se deixa amar por Jesus caminha na certeza de que ele está vivo.
– A fé na ressurreição derruba barreiras. O encontro de Pedro com Cornélio corresponde à atitude das pessoas que amam a Deus acima dos preconceitos humanos. A fé em Jesus Cristo como salvador do mundo derruba as barreiras de raças e de tradições culturais e religiosas que dividem as pessoas. Nada pode impedir o diálogo, a reconciliação, o respeito mútuo e a vivência do amor fraterno. O espaço privilegiado para essa vivência é a casa. O que aconteceu na casa de Cornélio nos anima a fortalecer o modelo da Igreja como comunidades eclesiais de base; também nos incentiva ao compromisso com o ecumenismo e com o diálogo inter-religioso.
– A vida mergulhada em Jesus Cristo. Como aconteceu entre os cristãos colossenses, também hoje corremos o perigo de nos deixar arrastar por ideologias que contradizem o Evangelho. É importante cultivarmos a prática do discernimento para assumirmos os valores que nos conservam na vontade de Deus e edificam a nossa vida. Professar a fé em Jesus Cristo implica viver dignamente, bem como respeitar a dignidade das demais pessoas e da natureza.
padre Celso Loraschi

============================
A manhã luminosa da Páscoa
O primeiro dia de um novo mundo
A princípio não foi tão luminosa assim… Depois, quando os olhos dos discípulos se abriram pela luz e para a luz da fé, as coisas mudaram. Esse primeiro dia da semana ficará para sempre na memória dos discípulos de Jesus. Maria Madalena não esperou o dia nascer, foi ao túmulo de seu amado muito cedo, de madrugada, quando as trevas ainda não tinham sido espancadas. A pedra que cobria a entrada do sepulcro fora afastada. E sai correndo… nada pode ser feito devagar, com lentidão, com indolência… afinal de contas se tratava do corpo daquele que havia dado sentido aos seus dias. Sai correndo para avisar a Simão Pedro e ao outro discípulo. Houve o roubo do corpo do Senhor.  As coisas não podiam ficar assim. Os dois saem de casa e se dirigem ao sepulcro. O relato evangélico faz questão de dizer que os dois corriam, mas que João corria mais ligeiro do que Pedro O discípulo amado corria mais depressa… o amor faz com que as pessoas não sejam inertes, indolentes, apáticas. O amor coloca fogo no coração e agilidade nas pernas, nas mãos e em todo o corpo. E todos constatam a ausência do corpo, daquilo que os olhos podiam ou não podiam ver… Ainda não tinham entrado no universo da fé… A ressurreição de Jesus não consiste na reanimação de um cadáver, mas é um mistério de fé. “Creio na ressurreição de Jesus”. O texto evangélico diz claramente: “Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou. De fato eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos”.
Mistério de fé e de vida! Somos discípulos do Ressuscitado. Ele caminha conosco, transfigurado, com seu corpo espiritual que passa pelas portas fechadas, aquele que é o ressuscitado. Ele nos fala sempre por sua palavra viva, faz com que sentemo-nos à sua mesa, lava-nos com a água de seu peito e vive conosco. Cremos. Esta é a nossa fé. Desde o começo da vida da comunidade cristã  esta passou a se reunir no primeiro dia da semana, dia do sol, dia feito pelas mãos do Senhor. Dia em que todos entramos na estalagem de Emaús e reconhecemos o Senhor na fração do pão. Celebramos sua presença em todos os momentos, mas de modo especial nesse primeiro dia da semana.
A mensagem da Páscoa não é a do sepulcro vazio mas de uma Presença misteriosa e firme atestada desde as primeiríssimas gerações cristãs. “A pedra que os pedreiros rejeitaram se tornou a pedra angular. Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: que maravilhas ele fez aos nossos olhos”.
“Responde, pois,  Maria: no teu caminho o que havia? ‘Vi Cristo ressuscitado, o túmulo abandonado. Os anjos da cor do sol, dobrado ao chão o lençol’” (sequência da Missa da Páscoa).
Nossos olhos não podem deixar de olhar para o alto. Morremos com Cristo na sexta-feira das dores, estivemos no silêncio do grande sábado, nossa vida está escondida com Cristo em Deus” (cf. Cl. 3,1-4).


SEGUNDA HOMILIA
Deus estava com ele
Cessa todo luto, desaparece toda tristeza.  A fé nos garante que aquele Jesus todo aniquilado vive, ressuscitou. Deus não permitiu que ele permanecesse no mundo das trevas, da morte, da escuridão. Ele vive, é o vivo, é o ressuscitado, mora na luz, não conheceu para sempre a mansão dos mortos, mas tornou-se transparente em seu corpo espiritual, atravessando portas fechadas,  presente no pão e no vinho, sempre presente nas salas tão parecidas com aquela da estrada de  Emaús. Deus permitiu que ele se manifestasse, esse que passou o tempo todo fazendo o bem, curando os doentes, anunciando um tempo de paz. “Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressuscitou dos mortos”.  A Igreja vive uma incontida alegria. E a solene liturgia não sabe que fazer para dar mais brilho aos aleluias que se duplicam, triplicam, quadriplicam....  Quem dera pudéssemos ter vozes harmoniosas brotando de corações límpidos para viver esse tempo de glória e de vitória.
Os discípulos de Cristo renascem e  ressuscitam com ele. Espero que  Nicodemos tenha compreendido que o renascimento não é entrar na carne da mãe, mas  nascer da água e do espírito. Da água que saiu do peito aberto de Cristo e daquele que ele nos deu, expirando: “E entregou o espírito!”.    Não somos da terra, mas do alto. Temos que procurar as coisas do alto onde está Cristo sentado à direita do Pai. Que conforto e que alegria ouvir essas palavras de Paulo aos Colossenses: ”Aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes e vossa vida está escondida com Cristo em Deus”.  Levantamos, corremos, trabalhamos, somos leigos cristãos, religiosos, contemplativos, balconistas, pais e mães, doentes e sadios.... vivemos nossa vida à luz da vida do ressuscitado. Não somos fadados a morrer.  Nossa vida está escondida em Cristo Jesus. Um dia essa vida escondida da páscoa do ressuscitado explodirá em nós e seremos revestidos de glória.
Cantamos nesse dia essa sequência tão esplendorosa que parece já o céu na terra: “O rei da vida, cativo, é morto, mas reina vivo! Responde, pois, ó Maria: no teu caminho o que havia?  “Vi Cristo, ressuscitado, o  túmulo  abandonado. Os anjos da cor do sol, dobrado no chão o lençol”...
Ela, essa admirável mulher chamada Maria Madalena, havia ido ao sepulcro de manhãzinha, no primeiro dia da semana...E a pedra estava retirada, e os lençóis dobrados... Ela sai correndo, correndo de verdade para avisar a Simão e aos outros, de modo especial ao discípulo que Jesus amava...  O corpo do amado tinha sido tirado do sepulcro... Correm Pedro e  João, corre Maria... todos correm, ninguém agora é lento e preguiçoso... correm lepidamente...  Pedro, Maria, o discípulo que Jesus amava  viram as coisas assim: tudo vazio, roupas dobradas e João, o evangelista conclui: “Eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos”.
Festa das festas, festas da verdadeira passagem, da verdadeira páscoa. Festa o círio iluminado. Festa dos pequenas que acolhem a certeza da vitória. Aleluia, aleluia, aleluia.
frei Almir Ribeiro Guimarães

============================
A vida venceu a morte
A ressurreição de Cristo suscita nos seus discípulos a consciência de que ele vive e não foi abandonado pelo Pai, mas confirmado na vida e confirmado também na obra que levou a termo. Hoje, Deus dá abertamente razão a Jesus.
“Deus o ressuscitou no terceiro dia e tornou-o manifesto…” (At. 10,40, 1ª leitura). Hoje congratulamos Cristo, porque Deus mostrou que ele esteve certo naquilo que fez! É o mesmo sentido que aparece no evangelho da tarde, o acontecimento de Emaús, situado na tarde daquele “primeiro dia da semana”, o domingo de Páscoa: Jesus mesmo mostra que as Escrituras prefiguravam seu caminho (Lc. 24,26). Mas agora ele vive, e, quando o pedimos, ele fica conosco (Lc. 24,29) e se dá a conhecer no “partir o pão”, a celebração da comunidade cristã (Lc. 24,30).
O evangelho da manhã é outro: a corrida de Pedro e do misterioso “discípulo amado” ao sepulcro. Pedro tem a precedência, embora o outro (impulsionado pelo amor) tenha corrido mais rápido. Pedro entra primeiro, e vê. O outro vem depois: vê e crê! O amor é que faz reconhecer nos sinais da ausência (as faixas, o sudário) a presença, transformada e gloriosa, do Cristo. “Crê”, só agora, porque até então não tinha entendido as Escrituras que significam a ressurreição de Cristo dos mortos.
Com este último pensamento, nos aproximamos novamente do evangelho da tarde: a ressurreição de Cristo significa o entendimento das Escrituras. Os discípulos descobrem nas Escrituras o delicado fio – que muitos não enxergam – do engajamento da vida como realização da vontade do Pai, da missão messiânica e do Reino de Deus. À luz do Cristo ressuscitado, descobrem a estratégia central de Deus na Escritura; e à luz da Escritura, descobrem que Jesus é o Servo rejeitado, mas exaltado, de Is. 53, o Messias e Filho de Deus (cf. Jo 20,30 ss.).
Atentemos para os acontecimentos pascais na liturgia: a visita das mulheres ao sepulcro na madrugada, em seguida a visita de Pedro e o Discípulo Amado (Páscoa, manhã); o episódio de Emaús (Páscoa, tarde); o episódio de Tomé (oito dias depois) (2° domingo pascal); e assim em diante até a Ascensão e Pentecostes. E sempre o propósito de seguir Jesus passo por passo, iniciado no domingo de Ramos, “seis dias antes da Páscoa”.
Consideremos os detalhes característicos do relato evangélico de João: o amor que faz correr mais rápido, o amor que faz crer ao ver (Jo 20,9). E, no evangelho da tarde, o desenvolvimento dramático, desde a decepção dos discípulos, passando pela generosa oferta: “Fica conosco, pois está anoitecendo”, até a confissão: “Não ardia o nosso coração…? e a mensagem triunfal dos onze apóstolos: “O Senhor foi ressuscitado de verdade!” (Lc. 24,34).
As orações aplicam o tema pascal à existência cristã, como faz também a 2ª leitura: “Se fostes ressuscitados com Cristo, buscai as coisas do alto” (Cl. 3,1). “Eliminar o velho fermento” (1Cor 5,7), costume pascal de Israel, significa a renovação de nossa vida (cf. oração do dia; oração final). Abre-se também a perspectiva escatológica, manifestação gloriosa de nossa vida, que agora está escondida no Cristo glorioso (Cl. 3,3) (cf. oração final).
O salmo responsorial é, naturalmente, o salmo pascal 118 [l17]. E não se esqueça de cantar, antes da aclamação ao evangelho, a seqüência Victimae Paschali Laudes. Para nós, na América Latina, Páscoa tem um intenso sentido de libertação. “A vida venceu a morte”, canta a seqüência. O domínio das forças da morte é apenas aparente. A ressurreição de Cristo mostra que a Vida que nele se manifesta é mais forte. A comunidade que se une para viver, com o Ressuscitado, a Vida que ele nos mostrou se sabe no caminho certo.
Johan Konings "Liturgia dominical"

============================
Temos o dia da ressurreição de Jesus como “o primeiro dia da semana”, o domingo, lembrando a primeira ou nova criação. Para os cristãos o domingo se tornou o primeiro de todos os dias, o Dia do Senhor.
Foi no domingo que Maria Madalena foi ao túmulo para embalsamar o corpo de Jesus, fato que não aconteceu logo após Sua morte, por ter sido tirado às pressas da cruz para ser levado ao sepulcro antes que se iniciasse o sábado dos judeus.
Maria Madalena representa a comunidade sem a perspectiva da fé, incapaz de assimilar a morte e acreditar na ressurreição de Jesus. Ela vê a pedra do sepulcro removida e acredita que esteja vazio. Não entra para certificar-se da ausência de Jesus, reage como se O tivessem levado para outro lugar, e corre ao encontro de Pedro e João para contar-lhes o fato. Ela é a primeira testemunha e mensageira da ressurreição de Cristo aos apóstolos.
A presença das santas mulheres na vida de Jesus foi muito marcante. O zelo, o cuidado, a acolhida e o respeito delas para com Ele são um prenúncio da importante atuação das mulheres nas comunidades cristãs. E Maria Madalena foi uma das seguidoras de Jesus, curada por Ele.
Pedro e João ao saberem do ocorrido vão com pressa e esperança ao local para certificarem-se. João, mais jovem, vai à frente, mas não entra, espera Pedro chegar e entrar primeiro no sepulcro. Esta atitude de João demonstra que a fé de Pedro ocupa um lugar privilegiado entre os discípulos, e um gesto de amor que repete o de Jesus.
Eles vêem no chão as faixas do sepultamento e o pano que envolvia a cabeça de Jesus. Se tratasse de roubo, quem se preocuparia em tirar os panos do corpo e dobrá-los com tanto cuidado?
João escreveu no Evangelho que após ver os linhos dobrados, “Ele viu e creu”, falando de si mesmo. Ele viu apenas o mínimo, mas acreditou na ressurreição de Jesus.
Este é o primeiro ato de fé em Jesus ressuscitado.
Deus usa sinais simples para iluminar os discípulos que estão atentos para acreditar, ouvir, aprender e praticar os ensinamentos que Jesus deixara.


SEGUNDA HOMILIA
Ressurreição do Senhor
Domingo é o dia do Senhor, o mais importante da semana do cristão, pois é o dia em que ele vai à casa do Pai para se encontrar com o seu Senhor. É o dia da ressurreição de Jesus que está vivo no meio de todos os que crêem.
E, foi neste dia, no terceiro depois da morte de Jesus, que Maria Madalena, mulher símbolo da comunidade convertida, foi até o lugar onde Ele estava sepultado para limpar o Seu corpo. Essa higienização era comum acontecer antes do sepultamento, porém, não foi possível pelo fato de Jesus ter morrido e ter sido sepultado às pressas na sexta-feira à tarde. Aos sábados os judeus não podem trabalhar.
Quando Maria Madalena chegou ao tumulo, encontrou o lugar aberto sem Jesus presente. Diante desta cena ela pensa que haviam roubado o corpo de Jesus, mas o fato mostra que não houve violação do sepulcro e nem roubo do cadáver, porque os ladrões não teriam se preocupado em dobrar o sudário (nome que se dá ao tecido que envolve o cadáver).
Maria Madalena representa a comunidade sem a perspectiva de fé, incapaz de assimilar a morte de Jesus, mas que mesmo assim, vai até Seu túmulo, sintetizando a busca dos cristãos pela vida e pelo amor. Ela ficou assustada porque não tinha entendido a mensagem que Jesus havia deixado durante a Sua vida, sobre a Sua morte e ressurreição, e foi correndo contar a Pedro o que tinha visto.
Os discípulos estavam descrentes, sem entender o que havia acontecido e, o fato de Maria Madalena encontrar Pedro e João sozinhos, mostra como os cristãos haviam se dispersado após a morte de Jesus.
Nesta passagem, pode-se verificar como João teve fé na ressurreição no momento em que não viu o corpo de Jesus no sepulcro. A ressurreição do Senhor era algo inusitado e, neste momento, só o discípulo que ama é capaz de descobrir e torná-la objeto de sua fé: Jesus não estava preso à morte. Ele estava vivo!
Tanto Pedro como João vêem os mesmos sinais, porém, aquele que ama é quem chega primeiro à descoberta do que é a verdade, porque o amor é mais forte do que a morte.
Nas tradições das primeiras comunidades circulavam dois tipos de textos sobre a ressurreição: uns relativos à constatação do túmulo vazio e outros relacionados às aparições do ressuscitado. Em Marcos encontramos apenas a tradição do túmulo vazio (as aparições [16,9-20] são acréscimos tardios). Os demais evangelistas combinam-se ao coletar textos extraídos das duas tradições. No texto de hoje, do Evangelho de João, temos a narrativa do encontro do túmulo vazio. Em continuação, o Evangelho apresentará as narrativas de aparições. A tradição do túmulo vazio suscita a fé no ressuscitado sem vê-lo. Maria Madalena chega ao túmulo. Vê a pedra que o fechava removida e acha que roubaram o corpo. Ela o comunica a Pedro e ao discípulo que Jesus amava (talvez João). Este discípulo é mais ágil do que Pedro ao dirigir-se ao túmulo; porém, em consideração a ele, deixa que entre primeiro. O pano que tinha coberto a cabeça de Jesus estava enrolado num lugar à parte. O discípulo que Jesus amava viu e creu na presença viva de Jesus. Até então não tinham compreendido que ele ressuscitaria. Contudo, os sinais do túmulo vazio são suficientes para o discípulo amado crer que Jesus continuava vivo. Em Atos, Lucas narra o anúncio de Pedro (primeira leitura): a partir do batismo de João, iniciou-se o ministério libertador de Jesus, por toda parte, até sua morte na cruz. Porém, ressuscitado, continua presente entre os discípulos. É o mesmo Jesus de Nazaré, Filho de Deus encarnado, que a todos comunicou eternidade e vida divina. As primeiras comunidades tinham consciência de que, pelo batismo, já viviam como ressuscitadas, isto é, em união com Jesus em sua eternidade e divindade (cf. segunda leitura; tb. Rm. 6,1-4). Comprometer-se, hoje, com o projeto vivificante de Jesus, na justiça, no amor, na partilha, é viver a ressurreição, em comunhão com o Deus eterno.



SEGUNDA HOMILIA
O sepulcro vazio
Os discípulos começaram a se dar conta da ressurreição do Senhor, ao se depararem com o sepulcro vazio. Maria Madalena, alarmada, pensou que o corpo de Jesus tivesse sido retirado, à surdina, e colocado num outro lugar. Pedro, tendo acorrido para se inteirar dos fatos, apenas constatou onde estavam o lençol e os demais panos com que Jesus havia sido envolvido. O discípulo amado, este sim, começou a perceber que algo de muito extraordinário havia acontecido. Por isso, foi capaz de passar da constatação do sepulcro vazio à fé: "Ele viu e acreditou".
O sepulcro vazio, por si só, não podia servir de prova para a ressurreição do Senhor. Seria sempre possível acusar os cristãos de fraude. Poderiam ter dado sumiço ao cadáver de Jesus, e sair dizendo que ele ressuscitara. Era preciso ir além e descobrir, de fato, onde estava o corpo do Mestre.
O discípulo amado, de imediato, cultivou a esperança de encontrar-se com o Senhor. Sua fé consistiu na certeza de que o Mestre estava vivo, não no sepulcro, porque ali não era o seu lugar. Senhor da vida, não poderia ter sido derrotado pela morte. Filho amado do Pai, as forças do mal não poderiam prevalecer sobre ele. Embora sem ter chegado ao pleno conhecimento do fato, a fé na ressurreição despontava no coração do discípulo amado.
padre Jaldemir Vitório

============================
Pedro, discípulo do Senhor
É possível ver o Senhor ressuscitado, e é preciso vê-lo. Nas três primeiras semanas da Páscoa, Ele se deixa ver, primeiramente numa visão de fé. Quando Maria Madalena, na manhã da Páscoa, "viu" o túmulo vazio, correu e foi dar a notícia a Simão Pedro e ao Discípulo amado. Ambos correram até o túmulo, que era uma gruta. O Discípulo chegou primeiro e viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Era costume enrolar o corpo do falecido com faixas e colocar ainda um pano, chamado sudário, por sobre o corpo.
Quando Pedro chega, ele entra e vê as faixas e o sudário. É então que o discípulo entra. Ele viu e acreditou, escreve o evangelista. O que foi que o Discípulo viu e em que acreditou? Ele viu o túmulo vazio. Ele não viu Jesus ressuscitado, mas acreditou. Vendo o túmulo vazio, as faixas no chão e o sudário dobrado, ele acreditou em Jesus. O discípulo é aquele que, não vendo nada, acredita. O importante não é ser Pedro. O importante é ser Discípulo e seguir Jesus Cristo. A última palavra de Jesus para Pedro será: "Segue-me". Toda a importância de Pedro virá do fato de ele ser Discípulo.
Nesta história, o Discípulo não tem nome porque ele é todo e qualquer discípulo que crê em Jesus e o segue. Na comunidade de Jesus, podemos ter cargos e funções. Não é difícil encontrar quem nos indique para algum posto de importância e fazer carreira. Muito mais exigente é ser discípulo. Seguir Jesus Cristo decididamente e não deixar que nada se coloque entre Ele e nós. O discípulo vê o que outros não veem, e acredita.
Na manhã da Páscoa, todos nós nos colocamos diante do túmulo vazio e ouvimos a pergunta: "Por que vocês estão  procurando entre os mortos  aquele que está vivo?". Mas, onde Ele está? "Não sabemos onde o colocaram" - diz Maria Madalena. Pouco depois, ela estará diante do Senhor ressuscitado e não o reconhecerá. Ver o Senhor é um ato de fé provocado pelo próprio Senhor. Maria Madalena estará na frente de Jesus e não o verá, num primeiro momento.
O discípulo não viu nada no sepulcro e acreditou. Ele e Pedro acabaram vendo o Senhor na fé. Isso não quer dizer que não o tenham visto fisicamente. Isso quer dizer que não basta ver apenas fisicamente. Quanta gente vê a hóstia consagrada e não vê Jesus! Quanta gente não vê Jesus no menor dos irmãos, embora veja e deixe de lado o menor dos irmãos.
"Todo aquele que crê em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados" - ouvimos na leitura dos Atos dos Apóstolos. Por isso nos esforçamos para alcançar as coisas do alto, viver uma vida nova com Cristo em Deus. Esta vida está escondida, não nos torna diferentes dos outros na aparência exterior. Ela é percebida quando em nós o velho fermento da maldade e da perversidade dá lugar ao pão sem fermento da pureza e da verdade.
Mergulhados na cidade dos homens, vivemos a fé no Cristo ressuscitado sem nos distinguir em nada dos demais a não ser pela pureza e pela verdade que dão qualidade aos nossos relacionamentos. Vivemos no meio dos outros e com os outros, construindo a cidade terrena, enfrentando os mesmos problemas, mas vivemos como quem vê o invisível. Eles viram o túmulo vazio!
Iniciamos as sete semanas da Páscoa. O Cristo ressuscitado se deixa ver. Seus discípulos veem o túmulo vazio, Tomé o vê e toca em suas chagas, os discípulos de Emaús o reconhecem ao partir o pão. O Ressuscitado é o Bom Pastor. Não nos perturbemos. Cremos em Cristo, Caminho, Verdade e Vida. Observamos seus mandamentos, porque o amamos. Ele parte, levando consigo a nossa natureza humana e não nos deixa órfãos. Envia um outro Defensor, o Espírito da Verdade.
O túmulo está vazio. Por que procurar entre os mortos aquele que está vivo? “Ressuscitei e estou sempre com o Pai e com todos vocês!” – nos diz Jesus na liturgia pascal. Páscoa é a festa da vida, da vida verdadeira, em seu realismo sem ilusões. Ela vem depois de um momento de intensa dor, e não é vista por todos. Ver o Ressuscitado não é privilégio. É responsabilidade. “Ele viu e acreditou.” Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Vi o Senhor”. O discípulo viu o túmulo vazio, e acreditou.
Páscoa é vida, e vida nova. O corpo do Senhor ficou inerte no repouso sabático. Passado o sábado, Ele inaugura um novo tempo. No início do primeiro dia da semana, Ele sai da inércia e se movimenta. Uma extraordinária energia atravessa os panos e Jesus ressuscitado vence a força da morte. Sua energia se espalha pelo Universo todo e atinge todas as criaturas. Os que se deixarem tocar por ela e forem sensíveis profetizarão. Por toda parte haverá homens e mulheres novos, capazes de incendiar o mundo com o fogo do Espírito Santo. Muitos permanecerão na inércia, querendo segurar para si o repouso sabático. Não vão se aventurar no movimento inaugurado no primeiro dia da semana, o Dia do Senhor.
At. 10,34a.37-43 – A leitura dos Atos no Tempo Pascal constitui uma catequese especial para os que foram batizados na Vigília da Páscoa. Nossa fé se baseia no testemunho dos que viram Jesus e com Ele conviveram. “Somos testemunhas” – diz Pedro – “de tudo o que Jesus fez... Eles o mataram, mas Deus o ressuscitou. Ele nos mandou pregar ao povo. Aquele que crê em Jesus recebe em seu nome o perdão dos pecados”.
Sl. 117 (118) – O dia da Páscoa é o dia que o Senhor fez para nós. Aquele que foi rejeitado tornou-se o centro de uma nova construção.
Cl. 3,1-4 – Ressuscitamos com Cristo e saímos da mediocridade. Temos uma vida escondida com Cristo em Deus que um dia se manifestará em sua glória.
1Cor. 5,6b-8 – Na Páscoa os judeus jogam fora tudo o que tem fermento e comem pão ázimo. Nossa missa é sempre a celebração da Páscoa, por isso, no rito latino, usamos o pão sem fermento, mas o fermento que deixamos é o da maldade e da perversidade.
Jo 20,1-9 – Pedro e o discípulo amado vão ao sepulcro na manhã depois do descanso do sábado, e o túmulo está vazio. Pedro é Pedro e o discípulo é o modelo de todos os discípulos. Ele chegou primeiro, mas não entrou. Esperou por Pedro e deixou que ele entrasse primeiro. Mas é dele que se diz: “Ele viu, e acreditou”. O discípulo vê com os olhos da fé. Assim Pedro, que também era discípulo. Jesus não estava lá porque tinha ressuscitado. Os discípulos sabiam que Jesus tinha morrido, e que nenhum deles tinha escondido o corpo.
cônego Celso Pedro da Silva

============================