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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A paz esteja convosco

3º DOMINGO DA PÁSCOA

Evangelho - Lc 24,35-48


 -A PAZ ESTEJA CONVOSCO-José Salviano


19 de Abril de 2015
Ano B

Exatamente como Jesus prometeu, ele cumpriu: "Assim está escrito: o Messias sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia".Continua
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“POR QUE ESTAIS PREOCUPADOS E POR QUE TENDES DÚVIDAS NO CORAÇÃO?”- Olívia Coutinho

III DOMINGO DA PÁSCOA.

Dia 19 de abril de 2015

Evangelho de  Lc 24,35-48

Estamos vivendo o tempo Pascal!  Um tempo  forte, propício para um  reencontro com as raízes da nossa fé, e a partir daí, fazermos um confronto pessoal de crescimento, afim de que  possamos avaliar a qualidade da nossa fé e o quanto há de luz e sombras em nossas vida!
 “O Mistério Pascal é de tal importância na vida litúrgica da Igreja e na vida e atividade apostólica de todos os redimidos pelo Sangue de Cristo, que a sua celebração se prolonga por cinquenta dias, número cheio de significado, pois exprime a plenitude da salvação definitivamente alcançada por Jesus Ressuscitado e por Ele oferecida aos homens”.
A ressurreição de Jesus,  é um acontecimento marcante na vida de cada um de nós, um acontecimento que  não deve ser vivida somente nestes dias em que a igreja sabiamente nos oferece a oportunidade de saborearmos uma riqueza  litúrgica, que nos faz mergulhar no mistério do amor de Deus. A ressurreição,  deve ser vivida todos os dias de nossa vida!
A narrativa do evangelho de hoje, nos fala de mais uma aparição de Jesus! Enquanto os dois discípulos comentavam com os demais, sobre a experiência que fizera com Jesus ressuscitado, no caminho  para Emaús, Ele aparece no meio deles e os  saúda dizendo:” A paz esteja convosco!”   Assustados, os discípulos  chegaram a pensar  que se tratava de um fantasma, ainda havia dúvidas em seus corações, e mesmo depois de terem vistos as marcas da cruz nas mãos e nos pés de Jesus,  eles continuavam com dificuldades em  acreditar, afinal, tudo aquilo era grande demais para a compreensão deles que acabara  de ver Jesus  morto  na cruz!
Mesmo diante a apreensão dos discípulos,  que pareciam não acreditar no que estavam vendo,  Jesus não os repreendeu, pelo contrário,  Ele compreendeu a  dificuldade deles em assimilar tudo aquilo.  E numa atitude de amor, Jesus abriu-lhes a inteligência, possibilitando-os  entender as Escrituras, e se tornarem  testemunhas de sua ressurreição. A partir de então, os discípulos perderam o medo e assumiram a desafiante missão de testemunharem a ressurreição de Jesus, fato que as autoridades queriam abafar.
Hoje, somos nós, os convocados a dar testemunho da Ressurreição de Jesus, o que podemos fazer, não somente com palavras, mas principalmente, com as nossas atitudes!
 Neste encontro com os discípulos, Jesus transmitiu- lhes a sua paz! Foi  a paz de Jesus que os libertou do medo que os mantinha presos! Esta mesma Paz, chega a até a nós, é uma paz diferente daquela que o mundo nos  oferece através de armas. A paz de Jesus, é a paz de quem venceu a cruz, uma paz que nos  aquieta e ao mesmo tempo nos inquieta, que  nos faz  sairmos de nós mesmos para irmos ao encontro do outro!
Viver a ressurreição de Jesus,  é  ter o olhar transfigurado pelo Espírito Santo! É o Espírito Santo, que nos faz enxergar com clareza o que está oculto aos  olhos do mundo, que nos faz distinguir os clamores dos que sofrem em meio ao ruídos dissonantes de uma sociedade insensível  às suas necessidades. 
Só faz a experiência do Cristo ressuscitado, quem faz a experiência da cruz, da partilha e da entrega da vida! A paz de Cristo é o ponto fundamental para a nossa caminhada de fé!

 FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

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A Palavra de Deus deste domingo do tempo pascal recorda-nos um fato histórico tremendo, ao mesmo tempo misterioso e doloroso: os judeus, povo que esperou o Messias, não acolheu o Messias! E tudo terminou num desastre: "Vós rejeitastes o Santo e o Justo. Vós matastes o Autor da vida. Vós o entregastes e o rejeitastes diante de Pilatos”. Eis, caríssimos: misteriosamente o Povo de Deus do Antigo Testamento não foi capaz de reconhecer o Messias que lhe fora enviado e o entregou a Pilatos, que o mandou crucificar. Não culpemos os judeus. A própria Palavra do Senhor afirma: “Eu sei que agistes por ignorância, assim como vosso chefes. Deus, porém, cumpriu desse modo o que havia anunciado pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo haveria de sofrer”. Que mistério, amados irmãos: na rejeição dos judeus, que terminou levando Cristo à cruz, o plano de Deus estava sendo cumprido! O próprio Senhor ressuscitado afirma a mesma coisa no Evangelho de hoje: “Assim está escrito: ‘O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações”.
Mas, por que deveria ser assim? Por que o plano de Deus deveu passar pela cruz, tão feia, tão humilhante, dolorosa e sofrida? Com piedade e unção, procuremos contemplar um pouquinho tão grande e santo mistério. A cruz fazia parte do plano de Deus, caríssimos, primeiramente porque nela se manifesta o que o pecado fez com o homem e do que o homem pecador se tornou capaz: de matar Deus e se desgraçar. A humanidade pecadora – esta, que vemos hoje – de tal modo se fechou para Deus que o está matando (recordem a mais recente punhalada: uma obra de arte blasfema numa exposição no Centro Cultural do Banco do Brasil no Rio de Janeiro. Lá apresentaram dois terços da Virgem Maria em forma de órgão genital masculino. Os católicos protestaram. E o ministro da cultura do Governo Lula, o Gilberto Gil ficou indignado com os católicos; e muitos artistas foram à rua protestar contra esses católicos reacionários. É a lógica do mundo atual: massacrar Deus, ridicularizá-lo, matá-lo no coração dos homens e do mundo). Desde o início da história temos matado Deus, renegando-o, desobedecendo-o, colocando-o em último lugar... Mas, quando fazemos isso, nos destruímos, nos desfiguramos, edificamos a nossa vida pessoal e social sobre a areia. Na cruz de Jesus, Deus nos mostra isso: a gravidade do nosso pecado, o desastre que é fechar-se para o Senhor. Num mundo que brinca com o pecado e já não leva a sério a gravidade de pecar, olhemos a cruz e veremos o que nosso pecado provoca! Não deixará nunca de impressionar a frase de São Pedro na primeira leitura de hoje: “Vós matastes o Autor da Vida!” – Eis! Com o nosso pecado, matamos aquele que é a Vida e nos matamos a nós!
Mas, a cruz revela também, com toda a força, até onde Deus é capaz de ir por nós: ele é capaz de se entregar, de dar sua vida por nós! No seu Filho o Pai nos entrega tudo de precioso que ele tem! No Filho feito homem de dores, humilhado e derrotado, nós podemos compreender o quanto somos amados por Deus, o quanto ele nos leva a sério, o quanto é capaz de descer para nos procurar! Contemplemos a cruz e sejamos gratos a Deus que se entrega assim!
Finalmente, a cruz revela a estupenda, desconcertante, fidelidade de Deus: nela descobrimos o verdadeiro nome do nosso Deus. E o seu nome é fidelidade, o seu nome é amor. Primeiramente fidelidade e amor do Pai em relação ao Filho. Ao Filho amado que se entregou ao Pai por nós, Deus-Pai o ressuscitou e deu-lhe toda glória. É o que anuncia a primeira leitura de hoje: “O Deus de nossos Pais glorificou o seu servo Jesus. Vós matastes o Autor da Vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos!” Que mistério! O Filho, entregue ao Pai com toda a confiança e todo o abandono, o Filho, feito homem de dores, agora é glorificado pelo Pai e colocado no mais alto da glória. Deus jamais abandona os que a ele se confiam. Podemos imaginar o Senhor Jesus dizendo as palavras do Salmo de hoje: “Eu tranqüilo vou deitar-me e na paz logo adormeço, pois só vós, ó Senhor Deus, dais segurança à minha vida!” O nosso Salvador adormeceu no sono da morte certo que o Pai o despertaria para a vida da glória! Sim, o Pai é fidelidade, o Pai é amor! Mas, é também fidelidade e amor para conosco. Efetivamente, tudo quanto aconteceu com o Filho na cruz foi por nós, para nossa salvação, para que o nosso pecado, a nossa situação de miséria, encontrasse expiação. Eis como a Palavra de Deus deste hoje insiste nisso: “Se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor: Jesus Cristo, o Justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro”. E o próprio Jesus afirma no Evangelho que “no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações”. Na cruz e ressurreição do Senhor, Deus, amorosamente nos concedeu o perdão dos pecados!
Então, que temos de fazer para corresponder a tanto amor, a tão grande graça? Três coisas: primeira: crer em Jesus, o Enviado do Pai, que por nós morreu e ressuscitou: “Convertei-vos para que os vossos pecados sejam perdoados!” Quem crer em Jesus, quem diante dele reconhecer-se pecador e o acolher como o Salvador e nele colocar a vida, nele encontrará o perdão que vem pela cruz e a ressurreição. Segunda coisa: viver na Palavra do Senhor: “Para saber se o conhecemos, vejamos se guardamos os seus mandamentos. Naquele que guarda a sua palavra, o amor de Deus é plenamente realizado”. A fé, caríssimos, não é um sentimento nem uma teoria. Nossa fé em Jesus morto e ressuscitado deve levar a um compromisso sério e radical com o Senhor na nossa vida concreta. Quem não guarda os mandamentos, não crê! Quem não crê, fecha-se para a salvação! Terceira coisa: testemunhar Jesus morto e ressuscitado: “Vós matastes o Autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos. Disso nós somos testemunhas!” E Jesus diz: “Vós sereis testemunhas de tudo isso!” Caros meus, nós não conhecemos Jesus de um modo teórico. Nós o experimentamos na força da sua Palavra e na graça dos seus sacramentos, sobretudo na participação na Eucaristia. Jesus, para nós, não é um fantasma! “Por que estais preocupados tendes dúvidas no coração? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo!" Sim, meus caros, quantas vezes tocamos Jesus, sentimo-lo vivo, caminhando conosco! Tenhamos, então a coragem de nele crer, de nele viver e dele dar testemunho onde quer que estejamos e onde quer que vivamos. Jesus não é um fantasma! Jesus está vivo! Jesus é Senhor! E que a sua paz, a sua vitória e o seu perdão estejam sempre conosco.
dom Henrique Soares da Costa

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Jesus ressuscitou verdadeiramente? Como é que podemos fazer uma experiência de encontro com Jesus ressuscitado? Como é que podemos mostrar ao mundo que Jesus está vivo e continua a oferecer aos homens a salvação? É, fundamentalmente, a estas questões que a liturgia do 3° domingo da Páscoa procura responder.
O Evangelho assegura-nos que Jesus está vivo e continua a ser o centro à volta do qual se constrói a comunidade dos discípulos. É precisamente nesse contexto eclesial - no encontro comunitário, no diálogo com os irmãos que partilham a mesma fé, na escuta comunitária da Palavra de Deus, no amor partilhado em gestos de fraternidade e de serviço - que os discípulos podem fazer a experiência do encontro com Jesus ressuscitado. Depois desse "encontro", os discípulos são convidados a dar testemunho de Jesus diante dos outros homens e mulheres.
A primeira leitura apresenta-nos, precisamente, o testemunho dos discípulos sobre Jesus. Depois de terem mostrado, em gestos concretos, que Jesus está vivo e continua a oferecer aos homens a salvação, Pedro e João convidam os seus interlocutores a acolherem a proposta de vida que Jesus lhes faz.
A segunda leitura lembra que o cristão, depois de encontrar Jesus e de aceitar a vida que Ele oferece, tem de viver de forma coerente com o compromisso que assumiu D Essa coerência deve manifestar-se no reconhecimento da debilidade e da fragilidade que fazem parte da realidade humana e num esforço de fidelidade aos mandamentos de Deus.
1ª leitura – At. 3,13-15.17-19 - AMBIENTE
A primeira leitura do 3° domingo da Páscoa situa-nos em Jerusalém, à entrada do templo. Pedro e João (esta "dupla" aparece, frequentemente associada na primeira parte do Livro dos Atos dos Apóstolos - cf. At. 4,7-8.13.19) tinham subido ao Templo para a oração da "hora nona" (três da tarde). Um homem, coxo de nascença, que estava à entrada do Templo a mendigar (junto da porta "chamada Formosa"), dirigiu-se aos dois apóstolos e pediu-lhes esmola. Pedro avisou-o de que não tinha "ouro nem prata" para lhe oferecer; mas, "em nome de Jesus Cristo Nazareno", curou-o. "Cheia de assombro e estupefata", a multidão reuniu-se "sob o chamado pórtico de Salomão" para ouvir da boca de Pedro a explicação para o estranho fato (cf. At. 3,1-11). O "assombro" e a "estupefação" traduzem o estado daqueles que testemunham a ação de Deus manifestada através dos apóstolos; é a mesma reação com que as multidões acolheram os gestos libertadores realizados por Jesus. A ação dos apóstolos aparece, assim, na continuidade da ação de Jesus. O nosso texto é parte do discurso que, segundo Lucas, Pedro teria feito à multidão (cf. At. 3,12-26).
Nas figuras de Pedro e João, Lucas apresenta-nos o testemunho da primitiva comunidade de Jerusalém, apostada em continuar a missão de Jesus e em apresentar aos homens o projeto salvador de Deus. Lucas está convencido de que esse testemunho se concretiza, não só através da pregação, mas também da ação dos discípulos. As palavras e os gestos das "testemunhas" de Jesus mostram como o mundo muda quando a salvação chega e como o homem escravo passa a ser um homem livre. O "testemunho" dos discípulos irá provocar, naturalmente, a oposição daqueles que, instalados nos velhos esquemas, recusam os desafios de Deus. Por isso os discípulos de Jesus, arautos desse mundo novo, irão conhecer a perseguição (cf. At. 4,1-22).
MENSAGEM
Pedro, dirigindo-se aos israelitas, dá-lhes a entender que o gesto libertador que beneficiou o homem coxo foi realizado em nome de Jesus. Ele mostra que o projeto de Jesus continua a realizar-se e demonstra que Jesus está vivo. Enquanto percorreu os caminhos da Palestina, Jesus manifestou, em gestos concretos, a presença da salvação de Deus entre os homens e essa salvação continua a derramar-se sobre os homens doentes e privados de vida e de liberdade, é porque Jesus continua presente, oferecendo aos homens a vida nova e definitiva. Os discípulos são os agentes através dos quais Jesus continua a sua obra libertadora e salvadora no mundo.
No seu "testemunho", Pedro começa por se referir aos dramáticos acontecimentos que culminaram na morte de Jesus, explicando-os como o resultado da rejeição da proposta salvadora de Deus por parte dos israelitas e Deus ofereceu-lhes a vida e eles escolheram a morte; preferiram preservar a vida de alguém que trouxe morte e condenar à morte alguém que oferecia a vida ("negastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação de um assassino. Destes a morte ao Príncipe da vida” – vs. 14-15a). Deus, no entanto, ressuscitou Jesus, demonstrando como a proposta que Jesus veio apresentar é uma proposta geradora de vida. A ressurreição de Jesus é a prova de que o projeto de Deus - projeto apresentado por Jesus e que os israelitas rejeitaram - é uma proposta geradora de vida e de vida que a morte não pode vencer (v. 15b). Estará tudo terminado para Israel? O Povo não terá mais oportunidade de corrigir a sua má escolha e de fazer uma nova opção, uma opção pela vida? A oferta de Deus terá caducado, face à intransigência dos chefes de Israel em acolher os dons de Deus?
Não. Pedro "sabe" (e se Pedro "sabe" é porque Deus também o sabe) que o Povo agiu por ignorância. O comportamento do Povo, em geral, e dos líderes judaicos, em particular, face a Jesus tem, pois, atenuantes. Na legislação religiosa de Israel, as faltas "involuntárias" tinham um tratamento especial e mereciam um tratamento diferente das faltas "voluntárias" (cf. Lv. 4). Assim Deus, na sua imensa bondade, continua a oferecer ao seu Povo a possibilidade de corrigir as suas opções erradas e de escolher a vida, aderindo a Jesus e ao projeto por Ele apresentado. A prova disso é que o homem coxo recebeu de Deus o dom da vida.
O que é preciso fazer para que essa oferta de salvação que Deus continua a fazer se torne efetiva? É necessário "arrepender-se" e "converter-se". Estes dois verbos definem o movimento de reorientar a vida para Deus, de forma a que Deus passe a estar no centro da vida do homem e o homem passe a "dar ouvidos" às propostas de Deus e a viver de acordo com os projetos de Deus. Ora, uma vez que Cristo é a manifestação de Deus, "arrepender-se" e "converter-se" significa aderir à pessoa de Cristo, crer n'Ele, acolher o projeto que Ele traz, entrar no Reino que Ele anuncia e propõe. Os israelitas podem, portanto, "apanhar a carruagem" da salvação, se deixarem a sua auto-suficiência, os seus preconceitos, o seu comodismo (que os levaram a rejeitar as propostas de Deus) e se aderirem a Jesus e à vida que Ele continua a propor (através do testemunho dos discípulos).
ATUALIZAÇÃO
• Para os cristãos, Jesus não é uma figura do passado, que a morte venceu e que ficou sepultado no museu da história; mas é alguém que continua vivo, sempre presente nos caminhos do mundo, oferecendo aos homens uma proposta de vida verdadeira, plena, eterna. Como é que os nossos irmãos que caminham ao nosso lado podem descobrir que Jesus está vivo e fazer uma experiência de encontro com Cristo ressuscitado? Através de documentos históricos que demonstrem cientificamente a realidade da ressurreição? Para Lucas, o fator decisivo para que os homens descubram que Cristo está vivo é o testemunho dos discípulos. Jesus está vivo e apresenta-se aos homens do nosso tempo nos gestos de amor, de partilha, de solidariedade, de perdão, de acolhimento que os cristãos são capazes de fazer; Jesus está vivo e atua hoje no mundo, quando os cristãos se comprometem na luta pela paz, pela justiça, pela liberdade, pelo nascimento de um mundo mais humano, mais fraterno, mais solidário; Jesus está vivo e continua a realizar aqui e agora o projeto de salvação de Deus, quando os seus cristãos oferecem aos coxos a possibilidade de avançar em direção a um futuro de esperança, oferecem aos que vivem nas trevas a capacidade de encontrar a luz e a verdade, oferecem aos prisioneiros a possibilidade de ter voz e de decidir livremente o seu futuro. Os meus gestos anunciam aos irmãos com quem me cruzo nos caminhos deste mundo que Cristo está vivo?
• A existência humana é uma busca incessante de vida - de vida eterna, plena, verdadeira. Essa busca, contudo, nem sempre se desenrola em caminhos fáceis e lineares. Por vezes é cumprida num caminho onde o homem tropeça com equívocos, com falhas, com opções erradas. Aquilo que parece ser garantia de vida gera morte; e aquilo que parece ser fracasso e frustração é, afinal, o verdadeiro caminho para a vida. Lucas garante-nos, neste texto, que a proposta que Jesus veio apresentar é uma proposta geradora de vida, apesar de passar pelo aparente fracasso da cruz. É de vida vivida na doação, na entrega, no amor total a Deus e aos irmãos, a exemplo de Jesus, que brota a vida eterna e verdadeira para nós e para aqueles que caminham ao nosso lado.
• O apelo ao arrependimento e à conversão que aparece no discurso de Pedro lembra-nos essa necessidade contínua de reequacionarmos as nossas opções, de deixarmos os caminhos de egoísmo, de orgulho, de comodismo, de auto-suficiência em que, por vezes, se desenrola a nossa existência. É preciso que, em cada instante da nossa vida, nos convertamos a Jesus e aos seus valores, numa disponibilidade total para acolhermos os desafios de Deus e a sua proposta de salvação.
2ª leitura - 1Jo 2,1-5ª - AMBIENTE
A liturgia do terceiro Domingo da Páscoa continua a propor à nossa consideração a primeira Carta de João.
Já vimos no passado domingo que este escrito de tom polêmico - destinado provavelmente às comunidades cristãs da parte ocidental da Ásia Menor - procura combater doutrinas heréticas pré-gnósticas e apresentar aos cristãos o caminho da autêntica vida cristã.
Os adeptos das heresias em causa pretendiam "conhecer Deus" (1Jo 2,4), "ver Deus" (1Jo 3,6), viver em comunhão com Deus (1Jo 2,3) e, não obstante, apresentavam uma doutrina e uma conduta em flagrante contradição com a revelação cristã. Recusavam-se a ver em Jesus o Messias (cf. 1Jo 2,22), o Filho de Deus (cf. 1Jo 4,15) e recusavam a encarnação (cf. 1Jo 4,2). Para estes hereges, o Cristo celeste tinha-se apropriado do homem Jesus de Nazaré na altura do batismo (cf. Jo 1,32-33), tinha-O utilizado para levar a cabo a revelação e tinha-O abandonado antes da paixão, porque o Cristo celeste não podia padecer. As doutrinas destes hereges punham em causa a teologia da encarnação e a cristologia cristã.
O comportamento moral destes hereges não era menos repreensível: pretendiam não ter pecados (cf. 1Jo 1,8.10) e não guardavam os mandamentos (cf. 1Jo 2,4), em particular o mandamento do amor fraterno (cf. 1Jo 2,9).
São estas pretensões que o texto que hoje nos é proposto denuncia. Quem diz que não comete pecados, é mentiroso; e, ao mesmo tempo, faz Deus mentiroso. Que necessidade teria Deus de enviar ao mundo o seu Filho com uma proposta de salvação, se o pecado não fosse uma realidade universal (cf. 1Jo 1,8-10)?
MENSAGEM
Na primeira parte do nosso texto (vs. 1-2), o autor critica veladamente esses hereges que consideravam não ter pecados e sugere aos cristãos a atitude correta que Deus espera de cada crente, a propósito desta questão.
O cristão é chamado à santidade e a viver uma vida de renúncia ao pecado. Deus chama-o a rejeitar o egoísmo, a auto-suficiência, a injustiça, a opressão (trevas) e a escolher a luz. No entanto, o pecado é uma realidade incontornável, que resulta da fragilidade e da debilidade do homem. O cristão deve ter consciência desta realidade e reconhecer o seu pecado. Não fazer isto é fechar-se na auto-suficiência, é recusar a salvação que Deus oferece (quem sente que não tem pecado, também não sente a necessidade de ser salvo) e é, portanto, "pecar".
O cristão é aquele que reconhece a sua fragilidade, mas não desespera. Ele sabe que Deus lhe oferece a sua salvação e que Jesus Cristo é o "advogado" (literalmente, "parakletos", que podemos traduzir por "defensor") que o defende. Ele veio ao mundo para eliminar o pecado - o pecado de todos os homens.
Na segunda parte do nosso texto (vs. 3-5a), o autor da carta refere-se à pretensão dos hereges de conhecer a Deus, mas sem se preocuparem em guardar os seus mandamentos. Na linguagem bíblica, "conhecer Deus" não é ter de Deus um conhecimento teórico e abstrato, mas é viver em comunhão íntima com Deus, numa relação pessoal de proximidade, de familiaridade, de amor sem limites. Ora, quem disser que mantém uma relação de proximidade e de comunhão pessoal com Deus, mas não quer saber das suas propostas e indicações para nada, está a mentir. Não se pode amar e não considerar as propostas da pessoa que se ama. O "conhecer Deus" exige atitudes concretas que passam pelo escutar, acolher e viver as propostas de salvação que Deus faz, através de Jesus.
ATUALIZAÇÃO
• A questão fundamental que o nosso texto põe é a da coerência de vida. O cristão é uma pessoa que aceitou o convite de Deus para escolher a luz e que tem de viver, dia a dia, de forma coerente com o compromisso que assumiu Não pode comprometer-se com Deus e conduzir a sua vida por caminhos de orgulho, de auto-suficiência, de indiferença face a Deus e às suas propostas. A vida do crente não pode ser uma vida de "meias-tintas", de comodismo, de opções volúveis, de oportunismos, mas tem de ser uma vida conseqüente, comprometida, exigente. Na minha vida procuro viver, com coerência e honestidade, os meus compromissos com Deus e com os meus irmãos, ou deixo-me levar ao sabor da corrente, das situações, das oportunidades?
• Essa coerência de vida deve manifestar-se no reconhecimento da debilidade e da fragilidade que fazem parte da realidade humana. O pecado não é algo "normal", para o crente (o pecado é sempre um "não" a Deus e às suas propostas e isso deve ser visto pelos crentes como uma "anormalidade"); mas é uma realidade que o crente reconhece e que sabe que está sempre presente ao longo da sua caminhada pelo mundo. Hoje, fala-se muito da falta de consciência do pecado e falta de consciência do pecado cria homens insensíveis, orgulhosos e auto-suficientes, que acreditam não precisar de Deus e da sua oferta de salvação. O autor da Carta de João convida-nos a tomar consciência da nossa realidade de pecadores, a acolher a salvação que Deus nos oferece, a confiar em Jesus, o "advogado" que nos entende (porque veio ao nosso encontro, partilhou a nossa natureza, experimentou a nossa fragilidade) e que nos defende. Reconhecer a nossa realidade pecadora não pode levar-nos ao desespero; tem de levar-nos a abrir o coração aos dons de Deus, a acolher humildemente a sua salvação e a caminhar com esperança ao encontro do Deus da bondade e da misericórdia que nos ama e que nos oferece, sem condições, a vida eterna.
• A coerência que o autor da primeira Carta de João nos pede deve manifestar-se, também, na identificação entre a fé e a vida. A nossa religião não é uma bela teoria, separável da nossa vida concreta. É uma mentira dizer que se ama Deus e, na vida concreta, desprezar as suas propostas e conduzir a vida de acordo com valores que contradizem de forma absoluta a lógica de Deus. Um crente que diz amar Deus e, no dia a dia, cria à sua volta injustiça, conflito, opressão, sofrimento, vive na mentira; um crente que diz "conhecer Deus" e fomenta uma lógica de guerra, de ódio, de intransigência, de intolerância, está bem distante de Deus; um crente que diz ter "a sua fé" e recusa o amor, a partilha, o serviço, a comunidade, está muito longe dos caminhos onde se revela a vida e a salvação de Deus. A minha vida concreta, as minhas atitudes para com os irmãos que me rodeiam, os sentimentos que enchem o meu coração, os valores que condicionam as minhas ações, são coerentes com a minha fé?
Evangelho – Lc. 24,35-48 - AMBIENTE
O episódio que Lucas nos relata no Evangelho deste domingo situa-nos em Jerusalém, pouco depois da ressurreição. Os onze discípulos estão reunidos e já conhecem uma aparição de Jesus a Pedro (cf. Lc. 24,34), bem como o relato do encontro de Jesus ressuscitado com os discípulos de Emaús (cf. Lc. 24,35).
Apesar de tudo, o ambiente é de medo, de perturbação e de dúvida. A comunidade, cercada por um ambiente hostil, sente-se desamparada e insegura. O medo e a insegurança vêm do fato de os discípulos não terem, ainda, feito a experiência de encontro com Cristo ressuscitado.
Nesta última secção do seu Evangelho, Lucas procura mostrar como os discípulos descobrem, progressivamente, Jesus vivo e ressuscitado. Ao evangelista não interessa tanto fazer uma descrição jornalística e fotográfica das aparições de Jesus aos discípulos; interessa-lhe, sobretudo, afirmar aos cristãos de todas as épocas que Cristo continua vivo e presente, acompanhando a sua Igreja, e que os discípulos, reunidos em comunidade, podem fazer uma experiência de encontro verdadeiro com Jesus ressuscitado.
Para a sua catequese, Lucas vai utilizar diversas imagens que não devem ser tomadas à letra nem absolutizadas. Elas são, apenas, o invólucro que apresenta a mensagem. O que devemos procurar, neste texto, é algo que está para além dos pormenores, por muito reais que eles pareçam: é a catequese da comunidade cristã sobre a sua experiência de encontro com Jesus vivo e ressuscitado.
MENSAGEM
A ressurreição de Jesus terá sido uma simples invenção da Igreja primitiva, ou um piedoso desejo dos discípulos, esperançados em que a maravilhosa aventura que viveram com Jesus não terminasse no fracasso da cruz e num túmulo escavado numa rocha em Jerusalém?
É, fundamentalmente, a esta questão que Lucas procura responder. Na sua catequese, Lucas procura deixar claro que a ressurreição de Jesus foi um fato real, incontornável que, contudo, os discípulos descobriram e experimentaram só após um caminho longo, difícil, penoso, carregado de dúvidas e de incertezas.
Todos os relatos das aparições de Jesus ressuscitado falam das dificuldades que os discípulos sentiram em acreditar e em reconhecer Jesus ressuscitado (cf. Mt. 28,17; Mc. 16,11.14; Lc. 24,11.13-32.37-38.41; Jo 20,11-18.24-29; 21,1-8). Essa dificuldade deve ser histórica e significa que a ressurreição de Jesus não foi um acontecimento cientificamente comprovado, material, captável pela objetiva dos fotógrafos ou pelas câmaras da televisão. Nos relatos das aparições de Cristo ressuscitado, os discípulos nunca são apresentados como um grupo crédulo, idealista e ingênuo, prontos a aceitar qualquer ilusão; mas são apresentados como um grupo desconfiado, crítico, exigente, que só acabou por reconhecer Jesus vivo e ressuscitado depois de um caminho mais ou menos longo, mais ou menos difícil.
O caminho da fé não é o caminho das evidências materiais, das provas palpáveis, das demonstrações científicas; mas é um caminho que se percorre com o coração aberto à revelação de Deus, pronto para acolher a experiência de Deus e da vida nova que Ele quer oferecer. Foi esse o caminho que os discípulos percorreram. No final desse caminho (que, como caminho pessoal, para uns demorou mais e para outros demorou menos), eles experimentaram, sem margem para dúvidas, que Jesus estava vivo, que caminhava com eles pelos caminhos da história e que continuava a oferecer-lhes a vida de Deus. Eles começaram a percorrer esse caminho com dúvidas e incertezas; mas fizeram a experiência de encontro com Cristo vivo e chegaram à certeza da ressurreição. É essa certeza que os relatos da ressurreição, na sua linguagem muito própria, procuram transmitir-nos.
Na catequese de Lucas há elementos que importa pôr em relevo:
1. ao longo da sua caminhada de fé, os discípulos descobriram a presença de Jesus, vivo e ressuscitado, no meio da sua comunidade. Perceberam que Ele continua a ser o centro à volta do qual a comunidade se constrói e se articula. Entenderam que Jesus derrama sobre a sua comunidade em marcha pela história a paz (o "shalom" hebraico, no sentido de harmonia, serenidade, tranqüilidade, confiança, vida plena - verso 36).
2. Esse Jesus, vivo e ressuscitado, é o filho de Deus que, após caminhar com os homens, reentrou no mundo de Deus. O "espanto" e o "medo" com que os discípulos acolhem Jesus são, no contexto bíblico, a reação normal e habitual do homem diante da divindade (v. 37). Jesus não é um homem reanimado para a vida que levava antes, mas o Deus que reentrou definitivamente na esfera divina.
3. As dúvidas dos discípulos dão conta dessa dificuldade que eles sentiram em percorrer o caminho da fé, até ao encontro pessoal com o Senhor ressuscitado. A ressurreição não foi, para os discípulos, um fato imediatamente evidente, mas uma caminhada de amadurecimento da própria fé, até chegar à experiência do Senhor ressuscitado (v. 38).
4. Na catequese/descrição de Lucas, certos elementos mais "sensíveis" e materiais (a insistência no "tocar" em Jesus para ver que Ele não era um fantasma – vs. 39-40; a indicação de que Jesus teria comido "uma posta de peixe assado" – vs. 41-43) são, antes de mais, uma forma de ensinar que a experiência de encontro dos discípulos com Jesus ressuscitado não foi uma ilusão ou um produto da imaginação, mas uma experiência muito forte e marcante, quase palpável. São, ainda, uma forma de dizer que esse Jesus que os discípulos encontraram, embora diferente e irreconhecível, é o mesmo que tinha andado com eles pelos caminhos da Palestina, anunciando-lhes e propondo-lhes a salvação de Deus. Finalmente, Lucas ensina também, com estes elementos, que Jesus ressuscitado não está ausente e distante, definitivamente longe do mundo em que os discípulos têm de continuar a caminhar; mas Ele continua, pelo tempo fora, a sentar-Se à mesa com os discípulos, a estabelecer laços de familiaridade e de comunhão com eles, a partilhar os seus sonhos, as suas lutas, as suas esperanças, as suas dificuldades, os seus sofrimentos.
5. Jesus ressuscitado desvela aos discípulos o sentido profundo das Escrituras. A Escritura não só encontra em Jesus o seu cumprimento, mas também o seu intérprete. A comunidade de Jesus que caminha pela vida deve, continuamente, reunir-se à volta de Jesus ressuscitado para escutar a Palavra que alimenta e que dá sentido à sua caminhada histórica (vs. 44-46).
6. Os discípulos, alimentados por essa Palavra, recebem de Jesus a missão de dar testemunho diante de "todas as nações, começando por Jerusalém". O anúncio dos discípulos terá como tema central a morte e ressurreição de Jesus, o libertador anunciado por Deus desde sempre. A finalidade da missão da Igreja de Jesus (os discípulos) é pregar o arrependimento e o perdão dos pecados a todos os homens e mulheres, propondo-lhes a opção pela vida nova de Deus, pela salvação, pela vida eterna (vs. 47-48).
Lucas apresenta aqui uma breve síntese da missão da Igreja, tema que ele desenvolverá amplamente no livro dos Atos dos Apóstolos.
ATUALIZAÇÃO
• Jesus ressuscitou verdadeiramente, ou a ressurreição é fruto da imaginação dos discípulos? Como é possível ter a certeza da ressurreição? Como encontrar Jesus ressuscitado? É a estas e a outras questões semelhantes que o Evangelho deste domingo procura responder. Com a sua catequese, Lucas diz-nos que nós, como os primeiros discípulos, temos de percorrer o nem sempre claro caminho da fé, até chegarmos à certeza da ressurreição. Não se chega lá através de deduções lógicas ou através de construções de caráter intelectual; mas chega-se ao encontro com o Senhor ressuscitado inserindo-nos nesse contexto em que Jesus Se revela - no encontro comunitário, no diálogo com os irmãos que partilham a mesma fé, na escuta comunitária da Palavra de Deus, no amor partilhado em gestos de fraternidade e de serviço. É nesse "caminho" que vamos encontrando Cristo vivo, atuante, presente na nossa vida e na vida do mundo.
• É que Cristo continua presente no meio da sua comunidade em marcha pela história. Quando a comunidade se reúne para escutar a Palavra, Ele está presente e explica aos seus discípulos o sentido das Escrituras. Não sentimos, tantas vezes, a presença de Cristo a indicar-nos caminhos de vida nova e a encher o nosso coração de esperança quando lemos e meditamos a Palavra de Deus? Não sentimos o coração cheio de paz - a paz que Jesus ressuscitado oferece aos seus - quando escutamos e acolhemos as propostas de Deus, quando procuramos conduzir a nossa vida de acordo com o plano de Deus?
• Jesus ressuscitado reentrou no mundo de Deus; mas não desapareceu da nossa vida e não se alheou da vida da sua comunidade. Através da imagem do "comer em conjunto" (que, para o Povo bíblico, significa estabelecer laços estreitos, laços de comunhão, de familiaridade, de fraternidade), Lucas garante-nos que o Ressuscitado continua a "sentar-se à mesa" com os seus discípulos, a estabelecer laços com eles, a partilhar as suas inquietações, anseios, dificuldades e esperanças, sempre solidário com a sua comunidade. Podemos descobrir este Jesus ressuscitado que se senta à mesa com os homens sempre que a comunidade se reúne à mesa da Eucaristia, para partilhar esse pão que Jesus deixou e que nos faz tomar consciência da nossa comunhão com Ele e com os irmãos.
• Jesus lembra aos discípulos: "vós sois as testemunhas de todas estas coisas". Isto significa, apenas, que os cristãos devem ir contar a todos os homens, com lindas palavras, com raciocínios lógicos e inatacáveis que Jesus ressuscitou e está vivo? O testemunho que Cristo nos pede passa, mais do que pelas palavras, pelos nossos gestos. Jesus vem, hoje, ao encontro dos homens e oferece-lhes a salvação através dos nossos gestos de acolhimento, de partilha, de serviço, de amor sem limites. São esses gestos que testemunham, diante dos nossos irmãos, que Cristo está vivo e que Ele continua a sua obra de libertação dos homens e do mundo.
• Na catequese que Lucas apresenta, Jesus ressuscitado confia aos discípulos a missão de anunciar "em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém". Continuando a obra de Jesus, a missão dos discípulos é eliminar da vida dos homens tudo aquilo que é "o pecado" (o egoísmo, o orgulho, o ódio, a violência e propor aos homens uma dinâmica de vida nova.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho

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O dia do Senhor
I. “No dia chamado do sol, reúnem-se num mesmo lugar todos os que moram nas cidades ou nos campos [...]. E reunimo-nos todos no dia do Sol porque é o primeiro da semana, aquele em que Deus criou o mundo, e porque nesse mesmo dia Jesus Cristo nosso Salvador ressuscitou dos mortos” (1). O sábado judeu deu lugar ao domingo cristão desde os começos da Igreja. A partir de então, comemoramos em cada domingo a Ressurreição de Cristo.
No Antigo Testamento, o sábado era o dia dedicado a Javé. Foi o próprio Deus que o instituiu (2), ordenando que nesse dia o povo israelita se abstivesse de certos trabalhos, para dedicar-se a honrá-lo (3). Era também o dia em que se congregava a família e em que se celebrava o fim do cativeiro no Egito. Com o decorrer do tempo, os rabinos complicaram o preceito divino, e no tempo de Jesus estavam em vigor inúmeras prescrições minuciosas e aflitivas que nada tinham que ver com o que o Senhor havia ordenado.
Os fariseus implicaram freqüentemente com Jesus por essas questões. Mas o Senhor não desprezou o sábado nem o suprimiu como dia dedicado a Javé; pelo contrário, parecia ser esse o seu dia predileto: é nesse dia que vai pregar às sinagogas, e muitos dos seus milagres foram feitos num sábado.
A Sagrada Escritura, em numerosas passagens, tinha formulado um conceito alto e nobre do sábado. Era o dia estabelecido por Deus para que o seu povo lhe prestasse culto público, e a dedicação integral da jornada ao Senhor configurava-se como uma obrigação grave4. Houve ocasiões em que os profetas denunciaram a violação do sábado como causa dos castigos de Deus sobre o seu povo.
De natureza estritamente religiosa, o descanso sabático manifestava-se e culminava na oblação de um sacrifício5. Como as demais festas de Israel, que estavam todas ligadas a um acontecimento salvífico, era sinal da aliança divina e um modo de o povo escolhido expressar o júbilo de saber-se propriedade do Senhor e objeto da sua eleição e do seu amor.
Com a Ressurreição de Jesus Cristo, o sábado dá lugar à realidade que prenunciava: a festa cristã. O próprio Jesus fala do Reino de Deus como uma grande festa oferecida por um rei para celebrar as bodas do seu filho6. Com Cristo surge um culto novo e superior, porque temos também um novo Sacerdote e se oferece uma nova Vítima.
II. Depois da ressurreição, os Apóstolos passaram a considerar o primeiro dia da semana como o dia do Senhor, dominica dies (7), porquanto foi nesse dia que Ele nos alcançou com a sua Ressurreição a vitória sobre o pecado e a morte. E esta tem sido a tradição constante e universal da Igreja, desde o tempo dos primeiros cristãos até os nossos dias. “Por uma tradição apostólica que tem a sua origem no próprio dia da Ressurreição de Cristo, a Igreja celebra cada oito dias o mistério pascal, no dia que é muito justamente chamado o dia do Senhor ou domingo” (8).
Além do domingo, a Igreja estabeleceu as festas que comemoram os principais acontecimentos da nossa salvação: o Natal, a Páscoa, a Ascensão, o Pentecostes, outras festas do Senhor, bem como as festas de Nossa Senhora. E desde o princípio os cristãos celebraram também o dies natalis ou aniversário do martírio dos primeiros cristãos. As festas cristãs chegaram até a ordenar o próprio calendário civil. Com essa sucessão de festas, a Igreja “relembra os mistérios da Redenção, franqueia aos fiéis as riquezas do poder santificador e dos méritos do seu Senhor, de tal sorte que, de alguma forma, os torna presentes em todos os tempos, para que os fiéis entrem em contacto com eles e sejam repletos da graça da salvação” (9).
O centro e a origem da alegria da festa cristã encontra-se na presença do Senhor na sua Igreja, que é o penhor e a antecipação de uma união definitiva na festa que não terá fim (10). Daí a alegria que inunda a celebração dominical, como se percebe na oração sobre as oferendas da Missa de hoje: “Recebei, Senhor, as oferendas da vossa Igreja exultante de júbilo; e já que com a ressurreição do vosso Filho nos destes motivo para tanta alegria, concedei-nos que possamos participar desse gozo eterno”. Por isso, as nossas festas não são uma mera recordação de fatos passados, como pode ser a data de um acontecimento histórico, mas um sinal que nos manifesta Cristo e o torna presente entre nós.
A Santa Missa torna Jesus presente na sua Igreja e é o Sacrifício de valor infinito que se oferece a Deus Pai no Espírito Santo. Todos os outros valores humanos, culturais e sociais da festa devem ocupar um lugar secundário, cada um na sua ordem, de modo a não obscurecerem ou substituírem em momento algum o que deve ser fundamental. A par da Santa Missa, têm também um lugar importante as manifestações de piedade litúrgica e popular, como o culto eucarístico, as procissões, o canto, etc.
Temos de procurar, mediante o exemplo e o apostolado, que o domingo seja “o dia do Senhor, o dia da adoração e da glorificação de Deus, do santo Sacrifício, da oração, do descanso, do recolhimento, do alegre convívio na intimidade da família” (11).
III. Aclamai a Deus, toda a terra, cantai a glória do seu nome, rendei-lhe glorioso louvor, lemos na antífona de entrada (12).
O preceito de santificar as festas corresponde também à necessidade de prestar culto público a Deus, e não somente de modo privado. Alguns pretendem relegar o trato com Deus ao âmbito da consciência, como se não houvesse necessidade de manifestações externas. Mas o homem tem o direito e o dever de prestar culto externo e público a Deus, e seria uma gravíssima injustiça que os cristãos se vissem obrigados a ocultar-se para poderem praticar a sua fé e prestar culto a Deus, que é o seu primeiro direito e o seu primeiro dever.
O domingo e as festas determinadas pela Igreja são, antes de mais nada, dias para Deus e dias especialmente propícios para procurá-lo e encontrá-lo. “Quaerite Dominum. Nunca podemos deixar de procurá-lo. Mas há períodos que exigem que o façamos com mais intensidade, porque neles o Senhor está especialmente perto, e por conseguinte é mais fácil achá-lo e encontrar-se com Ele. Esta proximidade constitui a resposta do Senhor à invocação da Igreja, que se expressa continuamente através da liturgia. Mais ainda, é precisamente a liturgia que atualiza a proximidade do Senhor” (13).
As festas têm uma grande importância para ajudar os cristãos a receber melhor a ação da graça. Nesses dias, exige-se também que o fiel suspenda o seu trabalho para poder dedicar-se com maior liberdade ao Senhor. Mas, assim como não há festa sem celebração, pois não basta deixar de trabalhar para já se ter uma festa, assim também não há festa cristã se os fiéis não se reúnem para dar graças ao Senhor, louvá-lo, recordar as suas obras, etc. Por isso, seria sinal de pouco sentido cristão programar os domingos, as festas, os fins de semana... de maneira que se tornasse impossível ou muito difícil esse trato com Deus. Por esse caminho, alguns cristãos tíbios acabam por pensar que não têm tempo para assistir à Santa Missa, ou fazem-no de maneira precipitada, como quem se livra de uma obrigação tediosa.
O descanso não é apenas uma ocasião de repor as forças; é também sinal e antecipação do repouso definitivo na festa do Céu. Esta é a razão pela qual a Igreja quer que a celebração das suas festas inclua a suspensão do trabalho, algo a que, por outro lado, os fiéis cristãos têm direito como cidadãos iguais aos outros.
O descanso festivo não deve ser interpretado nem vivido como um simples não fazer nada – uma perda de tempo –, mas como um ocupar-se positivamente e um enriquecer-se pessoalmente em outras tarefas. Há muitas maneiras de descansar, e não convém ficar na mais fácil, que muitas vezes não é a que mais descansa. Se soubermos limitar, por exemplo, o uso da televisão, não repetiremos tanto a falsa desculpa de que “não temos tempo”. Pelo contrário, veremos que nesses dias podemos conviver mais com a família, cuidar melhor da educação dos filhos, cultivar o relacionamento social e as amizades, fazer uma visita a pessoas necessitadas ou que estão sozinhas ou doentes, etc. É talvez a ocasião que andávamos procurando de poder conversar com mais calma com um amigo; ou o momento em que o pai ou a mãe podem falar a sós com o filho que mais necessita disso e escutá-lo. Em geral, é necessário “ter o dia todo preenchido com um horário elástico onde não faltem como tempo principal – além das normas diárias de piedade – o devido descanso, a reunião familiar, a leitura, os momentos dedicados a um gosto artístico, à literatura ou a outra distração nobre, enchendo as horas com uma atividade útil, fazendo as coisas o melhor possível, vivendo os pormenores de ordem, de pontualidade, de bom-humor” (14).
Francisco Fernández-Carvajal

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Nós somos testemunhas
Fulton Sheen, na sua admirável "Vida de Cristo", tem um capítulo que se intitula "A chaga mais séria da terra". É onde ele fala do sepulcro de Jesus encontrado vazio na manhã do terceiro dia. Quando o anjo do evangelho de Mateus diz às mulheres: "Ele não está aqui. Ressuscitou, como havia dito" (Mt. 28,6). O mesmo que dizem os dois anjos resplandecentes da narração de Lucas: "Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou" (Lc. 24,5-6) O simples sepulcro vazio não seria ainda uma prova suficiente da ressurreição. A rigor, seria possível pensar em outra explicação. Aliás, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo subornaram os guardas para que espalhassem que o corpo tinha sido roubado pelos discípulos. E a notícia se divulgou por muito tempo (cf. Mt. 28,11-15). Foi a palavra dos mensageiros celestes que garantiu a explicação verdadeira: a ressurreição.
Mas a verdadeira prova, que funda nossa certeza de fé são as aparições, atestadas por Pedro, por Madalena, pelos discípulos. É tão Límpida, por exemplo, esta palavra de Pedro, no seu segundo discurso ao povo de Jerusalém: "O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, o Deus de vossos pais, glorificou o seu Filho Jesus, que vós entregastes e renegastes diante de Pilatos, quando este achava que o devia libertar. Vós negastes o Santo e o Justo. Vós pedistes graça para um assassino, enquanto fazíeis morrer o Autor da vida. Mas Deus o ressuscitou dos mortos. Disso nós somos testemunhas" (At. 3,13-15). Pedro e os outros viram o Senhor ressuscitado. Não era uma visão. Não era um fantasma. Era o próprio Jesus que eles tinham conhecido em vida. Os relatos evangélicos insistem em elementos histórico - apologéticos, sobretudo no evangelho de Lucas, que escreveu para os gentios, que não admitiam ressurreição: olhar as chagas, tocar, palpar, e até tomar parte na refeição deles. Isto, que pode causar estranheza, tem esta bela explicação de Fulton Sheen: "Este corpo glorioso não comia à semelhança da planta que absorve a umidade da terra por necessidade, mas como o sol que a embebe com a sua intensidade" (o.c., cap. 53). Era um corpo glorioso. Ao mesmo tempo que se deixava ver e tocar, entrava sem que fosse preciso abrir-Ihe as portas e vencia distâncias instantaneamente. E ficava a certeza da Ressurreição. Ressuscitou, como tinha dito.
Na sua apresentação como ressuscitado, Jesus faz questão de dizer que tudo se cumpriu como estava nas Escrituras: "Que o Cristo haveria de sofrer, ressuscitaria dos mortos ao terceiro dia, e que a penitência seria pregada em seu nome, para remissão dos pecados, a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós dareis testemunho disso" (Lc. 24,45-48). Duas verdades estão aí bem explícitas. A primeira é que o Messias predito nas Escrituras, não é um messias triunfante, na glória de um poder político, como era muitas vezes entendido. Cristo era o descendente de Davi e herdeiro de seu trono, mas seu poder era todo espiritual. "Meu reino não é deste mundo", como proclamou diante de Pilatos (Jo 18,36). E é esse Reino que a Igreja deve difundir no mundo. Um reino de valores espirituais, embora com as mais benéficas influências nos valores temporais dos povos. Não devemos pensar numa Igreja triunfalista. Seu caminho será sempre marcado pelo sofrimento. Mas essa é sua verdadeira glória. E, ao longo dos séculos, o sangue de seus mártires - como disse Tertuliano - tem sido e será sempre semente de cristãos.
A segunda verdade que está explícita na palavra de Jesus ressuscitado é que a Ressurreição traz para o mundo uma mensagem de penitência. "Penitência" -"metanoia" -no seu sentido mais fundamental que é "mudança de vida". Aceitá-Io como Salvador e seguir sua doutrina. O mesmo São Pedro o vai dizer ainda mais claramente aos homens do Sinédrio :"Não há sob o céu outro nome dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos" (At. 4,12). Aliás, o nome de Jesus significa "Deus salva".
Onde, portanto, se estiver abraçando os ensinamentos de Jesus aí estará acontecendo a ressurreição. E a salvação. E estará , surgindo um mundo novo. "Um novo céu e uma nova terra", preludiando o definitivo céu novo e a definitiva nova terra da eternidade.
padre Lucas de Paula Almeida, CM

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"Testemunhas"
Nesse tempo de Páscoa, a liturgia nos apresenta as primeiras aparições de Cristo ressuscitado aos apóstolos, que tinham a missão de continuar a sua obra salvadora iniciada por Cristo.
Eles continuam tendo muitas dúvidas. Cristo vai ao encontro deles, para fortalecer a fé deles profundamente abalada.
No Evangelho o Ressuscitado aparece à comunidade e a convoca para ser sua testemunha (Lc. 24,35-48)
Cristo está vivo e continua a ser o centro da comunidade. Jesus toma a iniciativa: aparece aos apóstolos, desejando-lhes a "Paz": "a Paz esteja convosco".
A reação dos apóstolos: ficam apavorados pensando ser "um fantasma". Jesus apresenta provas de sua identidade:
- físicas: mostra os pés e as mãos… come com eles…;
- bíblicas: abre as inteligências para compreenderem as Escrituras: Jesus devia padecer e ressuscitar…
Aponta a missão: "Vós sereis minhas testemunhas"
Ser testemunha é conhecer, viver e anunciar a mensagem de amor, que Cristo trouxe. Cristo continuará vivo na Igreja, através deles.
Assim na 1ª leitura, vemos são Pedro, cumprindo essa missão:
- anunciando com coragem o Cristo Ressuscitado diante do povo: "O Cristo, que vós matastes, Deus o ressuscitou dos mortos. E disso nós somos testemunhas..."
- agindo: provando com sinais... que Jesus ainda estava vivo. Cura o coxo na porta do templo em nome de Jesus (At. 3,13-15.17-19)
Pedro testemunha Jesus com palavras e gestos e faz um apelo ao arrependimento e à conversão, para o perdão dos pecados.
E na 2ª leitura, João nos lembra que devemos testemunhar: vivendo o que se conhece e se anuncia: "Quem diz conhecer o Senhor e não vive a sua mensagem é mentiroso e a verdade não está nele...” (1Jo 2,1-5)
É um forte apelo à coerência entre fé e vida... É com a vida que demonstramos "conhecer" Deus. Se pecarmos, Jesus é o nosso intercessor junto do Pai...
No Evangelho, a Ressurreição de Jesus aparece como um fato real, mas assim mesmo os apóstolos não conseguiam acreditar facilmente. O caminho foi longo, difícil, penoso, carregado de dúvidas e incertezas. O caminho espiritual para chegar à fé continua o mesmo. Como os apóstolos, também nós podemos "ver" Cristo ressuscitado, no meio de muitas dúvidas, incertezas e medos.
Quando nos reunimos em comunidade, ele está sempre entre nós. Aos poucos os nossos olhos vão se abrindo e nós vamos descobrindo que, quem morre com ele, com ele entra na plenitude da vida de Deus.
Elementos importantes, que o texto nos apresenta:
1. Os discípulos descobriram a presença de Jesus, vivo e ressuscitado, no meio da sua comunidade.
Cristo continua a ser o centro, onde a comunidade se constrói e se articula.
2. Esse Jesus ressuscitado é o filho de Deus, que reentrou no mundo de Deus, mas não apareceu da nossa vida, nem da vida da comunidade.
3. As dúvidas dos discípulos mostram a dificuldade que eles sentiram em percorrer o caminho da fé, até o encontro pessoal com o Senhor ressuscitado. Foi uma longa caminhada de amadurecimento da própria fé.
4. O gesto de tocar e comer nos ensina que o encontro dos discípulos com Jesus ressuscitado foi um fato real e palpável.
5. O Ressuscitado revela o sentido profundo das Escrituras.
A comunidade deve reunir-se com Jesus ressuscitado para escutar a Palavra, que sempre ilumina a nossa vida e nos ajuda a descobrir os caminhos de Deus na história...
6. Os discípulos recebem a missão de serem testemunhas de tudo isso...
A raiz da missão é o encontro com o Ressuscitado e a compreensão das Escrituras. Viver e anunciar essa novidade é a missão da comunidade eclesial, que vive do amor e da presença do Senhor em seu meio.
Cristo continua precisando ainda hoje de testemunhas…
E nós somos chamados a ser testemunhas da presença do Ressuscitado, através de nossas Palavras e ações.
Até que ponto, somos testemunhas de Cristo: conhecendo… vivendo… e anunciando… essa mensagem?
Não adianta proclamar que Jesus ressuscitou e não viver o projeto do Reino que ele anunciou e viveu.
Cristo ainda hoje continua nos lembrando: "Vocês também devem ser minhas testemunhas..."
O que pretendemos testemunhar nesta semana?
padre Antônio Geraldo Dalla Costa

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Eis-nos no terceiro domingo da Páscoa. No primeiro domingo da Páscoa, fomos conduzidos a tomar uma opção de fé diante do sepulcro vazio. No segundo domingo, a Palavra de Deus revelou-nos que Jesus ressuscitado se manifesta na comunidade. Este domingo, a Palavra coloca-nos uma nova e essencial questão: como posso experimentar Jesus Cristo ressuscitado? Terá sido a ressurreição de Jesus uma fantasia, um fracasso, uma ilusão?
O Evangelho de Lucas ajuda-nos a esclarecer essa questão. Depois de dois anjos anunciarem a ressurreição de Jesus (Lc. 24,4-5), depois de Jesus ter aparecido no caminho dos dois discípulos que iam a caminho de Emaús, e estes terem invertido caminho e regressado rapidamente a Jerusalém ao encontro dos Apóstolos, o Evangelho apresenta-nos uma nova aparição de Jesus aos onze apóstolos e discípulos (Lc. 24).
“A paz esteja convosco.” Os discípulos ao escutarem estas palavras de Jesus, enchem-se de medo, pois julgavam ver um espírito. A primeira experiência que os discípulos têm, diante de Jesus ressuscitado, é de medo, de perturbação, de dúvida no coração. Jesus não nos quer com medo. Tudo nos oferece para alcançarmos a confiança e a clarividência. Face à reação dos discípulos, que já tinham recebido a aparição do Senhor ressuscitado, Ele não os julgou, não desistiu deles, não os abandonou, chama-os a Si!
“Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho.” Jesus não se revela como um puro espírito, uma idéia, uma força, mas como um Ser bem real. Os discípulos, ao escutarem essas palavras de Jesus, continuando sem acreditar na Sua ressurreição, encheram-se duma enorme alegria e assombro, ficando fora de si! Os discípulos passaram do extremo do medo ao extremo da euforia, do desvaneio, do irreal. Jesus não nos quer iludir ou entreter com fantasias, nem sequer alhear-nos da realidade do mundo. Face à reação dos discípulos, Jesus não os julgou, não desistiu deles, não os abandonou, colocou-se à mesa com eles.
Jesus disse-lhes: “Tendes alguma coisa para comer?” Enquanto comia com eles, ensinava-lhes que n’Ele se cumpriam as Escrituras. Os discípulos, abrindo nesse momento o entendimento, compreenderam que Jesus deveria ressuscitar dos mortos. Os discípulos saindo do medo e da ilusão chegaram pelo entendimento à fé. Então Jesus, aquele que ao longo do relato sempre toma a iniciativa e o único que fala, é reconhecido como ressuscitado pelos seus discípulos.
A fé unida à razão! A fé é a experiência mais sublime da razão, e esta o meio para a alcançar. A fé e a razão são como duas asas daquela pomba que voa vinda de Deus, e nos leva a Deus. O que é necessário para viver da razão de Deus? É necessário arrependimento, conversão, metanoia, que não é outra coisa senão mudar a mente, abrir o entendimento, pensar como Deus. Quantas vezes insistimos nas nossas idéias e auto-defesas? Quantas vezes insistimos em manter a nossa ignorância ferindo o próximo e esquecendo-nos de Deus? A ignorância dos homens matou Jesus.
Ainda que a experiência da ressurreição de Jesus apareça unida ao entendimento, o evangelista não a apresenta como uma tarefa fácil ou imediata, nem sequer como um dado científico. Ao mesmo tempo, o autor é explícito que a experiência da ressurreição não é uma fantasia ou ilusão, mas algo bem real. O encontro com Jesus ressuscitado requer de nós assumir a nossa fragilidade, a nossa autenticidade, a nossa confiança em Deus. O encontro com Jesus ressuscitado une-se necessariamente à Sua paixão e aos seus mandamentos. Aquele que diz conhecer Deus e não observa os seus mandamentos é mentiroso. Aquele que observa a Sua palavra vive na perfeição o amor de Deus. Conhecer Deus é estar em comunhão com Ele, Tu a Tu, coração a coração, mente a mente. Conhecer Deus é deixar que Ele brilhe sobre nós a luz da Sua face.
Os discípulos reconhecem Jesus ressuscitado na escuta da Sua Palavra e à mesa com Ele. A Eucaristia é o lugar por excelência onde em comunidade reconhecemos Jesus ressuscitado. Jesus, o intérprete e o cumprimento das Escrituras, coloca-se no centro da comunidade, senta-se à sua mesa, alimenta-a, caminha a seu lado. Os discípulos, fortalecidos pela sua Palavra e alimento, reconhecem-nO e d’Ele recebem a missão de testemunhar a todas as nações a sua morte e ressurreição.
Jesus, enquanto se prepara para subir para o Pai, envia os discípulos aos homens. Assim fez Pedro, ao encontrar um homem coxo desde nascença no templo. Pedro, juntamente com João, olhando-o fixamente, disse-lhe: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho, isto te dou: Em nome de Jesus Cristo, levanta-te e caminha!” E, segurando-o pela mão direita, ergueu-o. Pedro, passando do medo e da euforia ao entendimento de Deus, é enviado pelo poder de Deus a conduzir os homens a Deus.
Essa é a missão da Igreja: dizer à humanidade “caminha!”. Caminha para a casa do Pai, aquela que te formou. Caminha para a casa do Pai, aquela que te acolhe. Caminha para a casa do Pai, aquela que te espera. Por Jesus a humanidade recebe toda a fé, todo o amor e toda a esperança! A Igreja, enviada por Deus, realiza a sua missão quando diz ao homem, ao pai ou à mãe, ao irmão ou à irmã, à comunidade, ao mundo: caminha!
frei Bernardo

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A Paz esteja convosco
A centralidade do Mistério Pascal de Jesus Cristo exige de cada cristão, de forma responsável e dinâmica, um amadurecimento pessoal e comunitário deste imprescindível acontecimento de salvação.
É na morte e ressurreição de Cristo que Deus nos fala de uma forma bela, amorosa, e responde às questões mais pertinentes do Homem e de Deus.
Na primeira leitura, São Pedro, revela esse acontecimento central. Ele possui uma história de fragilidade e pecado, mas possui também uma experiência forte de acolhimento, de amor. O encontro com o Ressuscitado leva-o a proclamar e a testemunhar as maravilhas da misericórdia de Cristo ressuscitado. Recordemos que depois de ressuscitado, Cristo, tem um dos mais belos diálogos de amor, de vocação e chamamento a Pedro. O diálogo termina com: «segue-me».
Pedro oferece-nos o seu testemunho para que também nós, na nossa fragilidade, possamos ser tocados pela presença de Cristo ressuscitado e sentir a necessidade de amar. Amar somente e para sempre. E nesse amor descobrir a vocação, o chamamento e o compromisso do anúncio.
A experiência de João é também uma experiência de paz que nasce d’Aquele que é superior ao pecado e que intercede por nós. João, na sua fragilidade, também tocou esse amor e por isso nos pede que o guardemos como fonte permanente de conversão e de santidade.
A experiência do perdão do pecado leva-nos a tocarmos o mais profundo do amor de Deus, que tendo descido à nossa miséria nos introduz na santidade e beleza da Sua vida.
Ainda hoje, no sacramento da reconciliação eu toco o amor de Deus. Este sacramento, sinal da presença do ressuscitado, que me faz surgir homem novo, que reconstrói a minha vida é também dinamismo de confirmação da minha vocação e envio como testemunha da Sua pessoa e missão. E sobretudo o Sacramento da Eucaristia, a exemplo dos discípulos de Emaús: O reconhecem, se enchem de alegria e entusiasmo e O anunciam.
Sentimos muitas vezes necessidade de mostrar os nossos os nossos títulos, o nosso recheado curriculum, Mas temos receio de nos mostrar a nós próprios. Temos medo de mostrar a nossa fragilidade. Às vezes a santidade não é realidade em nossa vida porque não lemos os sinais da nossa fragilidade no encontro com o Amor, Jesus Cristo.
Cristo mostrou as mãos e os pés. Eles eram o sinal do seu amor, da sua doação e entrega, o sinal da cruz. Mostrou-se naqueles sinais transformados pelo amor mas que foram infligidos com força de ódio, de violência, de tentativa de destruição do próprio Deus feito Homem. Esses sinais são sinais de liberdade: «ninguém me tira a vida: eu é que a dou».
Mas este gesto de Lucas é a proclamação da fé em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem: em tudo semelhante a nós. Não é fruto da nossa imaginação! É Ele mesmo, diferente, ressuscitado, mas Deus e Homem, uma só pessoa e duas naturezas. É Jesus Cristo em verdadeira comunhão com os seus discípulos, com a comunidade humana.
Todos somos convidados a vê-Lo, a toca-Lo com o profundo olhar da fé que na leva a amar de forma intensa e a comprometer a vida com o seu projeto. Tocaremos e veremos o Senhor Ressuscitado em muitos sinais da sua presença, o mais forte e máximo é a Eucaristia, e depois o irmão, e sobretudo o no mais frágil, os pequeninos, os doentes…
Na realidade é preciso vê-Lo e toca-Lo.
A Igreja vive do seu Senhor Ressuscitado. A experiência com Cristo Ressuscitado compromete o cristão, os seus discípulos: no anuncio, no testemunho, no envio, no compromisso com o seu projeto.
Testemunhas pela vida, pela palavra, pelas opções, pelo compromisso com as pessoas, com a Igreja, com a comunidade.
O dinamismo do mistério pascal de Cristo é uma constante até ao seu ponto final. Também em minha vida, na relação com Cristo vivo e ressuscitado, surge em mim, apesar da fragilidade, a novidade e a vitória do mistério pascal do Senhor. E também no mundo, embora este possa acentuar sinais contrários. Nada nem pode deter a vitória do amor e da vida: Cristo ressuscitado.
A liturgia da celebração deste domingo é um convite à disponibilidade da conversão que dimana do encontro com Cristo ressuscitado. Convite a um compromisso que nos torna suas testemunhas.
Para o cristão, o discípulo que encontrou Jesus Cristo, já não há lugar ao temor, ao medo, à paralisia egoísta, ao calculismo, à corrida aos primeiros lugares, à deturpação da verdadeira imagem de Deus.
É também um convite a amarmos profundamente a Igreja. É nela, comunidade dos crentes, a fazermos a experiência de Cristo ressuscitado e empenharmo-nos com sabedoria e esforço no Seu anúncio.
Maria Santíssima caminha com Igreja de Jesus, comunidade dos seus discípulos, e nos continua a dizer: «Fazei tudo o que Ele vos disser».
dom Antonio Carlos Rossi Keller