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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 19 de setembro de 2017

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM-A

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM
24 de Setembro de 2017
Cor: Verde
Evangelho - Mt 20,1-16ª






No Evangelho de hoje, Deus está nos convidando para trabalhar na construção contínua do Reino dos Céus, oferecendo-nos a possibilidade de recebermos seus dons.
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O Reino de deus precisa de operários
A Palavra de Deus deste XXV domingo do tempo comum nos convida a acolher a Liberdade Divina com a sua lógica diferente da lógica humana. Os pensamentos dos homens, nem seus caminhos, se identificam com os pensamentos e os caminhos divinos (1ª leitura). Deus é o “Totalmente Transcendente”: aquele que está além das nossas previsões! Também sua justiça não corresponde à justiça humana! A justiça humana é proporcional, a divina é generosa, misericordiosa, gratuita. Somos convidados a sermos bons operários da sua Vinha certos, na esperança, de que, passada a fadiga dos sofrimentos terrenos, seguindo a Jesus Cristo (2ª leitura) receberemos a “moeda da justa remuneração” divina, o paraíso (evangelho). Essa “moeda” é para todos os que forem salvos independentemente do tempo e das fadigas da vida terrena!
1ª leitura: Is. 55,6-9
Um chamado à conversão
Temos nestes versículos um convite à conversão. Deus, na sua imensa gratuidade não força a liberdade humana a aceitar o que a pessoa humana não reconhece. Deus, através do profeta, convida seu povo para um gratuito banquete com ricas iguarias para que cada um se delicie, saciando sua fome e apagando sua sede (cf. Is. 55,1-5). Mas na lógica da fé como resposta humana ao amor de Deus, é necessária para que cada um faça sua adesão a Ele, por isso diz o profeta: “procurem Javé enquanto ele se deixa encontrar; chamem por ele enquanto está perto” (Is. 55,6). Isso quer dizer, enquanto livremente podemos procurá-lo! Através da fé podemos buscá-lo e o encontramos. Não se trata de uma adesão intelectual ou teórica, mas moral, ou seja, implica necessariamente uma mudança de comportamento: “que o ímpio deixe o seu caminho e o homem maldoso mude os seus projetos” (Is. 55,7). O verdadeiro encontro com Deus gera transformação. Conversão... isto é, melhoria de vida porque implica mudança de rota, de direção, de rumo (metanóia em grego – retorno!). A mudança do caminho significa a conduta concreta da pessoa que provém do teor das suas escolhas. Isso depende do seu projeto de vida. Se ele não está em conformidade com os projetos de Deus sua conduta será maldosa, errante, inconsistente (cf. Is. 55.8). Seguirá seus caprichos pessoais. Enfim, o profeta ressalta a decisão do retorno a Deus – o arrependimento (Lc. 15,17), como condição para que o pecador receba de Deus a compaixão: “cada um volte para Javé e ele terá compaixão” (Is. 55,7) perdoando com generosidade.
Nossa vida
O texto acentua a necessária opção humana, livre e responsável, pelo projeto divino. Dois significativos elementos são evidenciados no texto. O primeiro é o do estímulo e o segundo, como sinal de liberdade, a decisão da volta, como condição para a experiência da compaixão e do perdão generoso da parte de Deus que gera vida nova. O estímulo vem da Palavra escutada que convida, sensibiliza, toca o coração... Mas só isso não basta para acontecer a mudança de vida, se não houver uma decisão por parte da pessoa. Podemos dizer, partindo dessa perspectiva e parafraseando Paulo Freire, que: ninguém muda ninguém, mas também é verdade, ninguém muda sozinho! Precisamos ser estimulados, mas todo estímulo será inútil se cada um não fizer sua opção pessoal por mudança. A lição final desse texto é que somos convidados a não rejeitar momentos oportunos para o nosso crescimento. Os estímulos (sobretudo externos) passam e corremos o risco de ficarmos presos dentro da nossa caverna existencial.
Salmo 145
O salmo 145 é um bonito e profundo hino de louvor a Deus por ser Rei de grandeza, Bondade e Justiça. O salmista começa e conclui sua oração declarando Deus como seu Rei manifestando-lhe sua vontade de bendizê-lo todos os dias e para sempre (cf. Sl. 145,1-2.21). A grandeza divina é dinâmica, pois é através de suas obras que se manifestam seu poder e glória (cf. Sl. 145,3-5.11-12). Mas, a mais nobre característica divina, essência do seu ser, é a sua bondade. Assim afirma o autor: “Javé é piedade e compaixão, lento para a cólera e cheio de amor. Javé é bom para com todos, compassivo com todas as suas obras (cf. Sl. 145,8-1.13). A obra que mais se beneficia da compaixão divina, em virtude da sua liberdade, é o ser humano: pois Deus ampara todos os que caem, endireita todos os encurvados, ouve o grito dos que o temem e guarda o que o amam (cf. Sl 145,14.19). Quem tem fé em Deus, então, sente conforto e amparo!
2ª leitura: Fl. 1,20c-24.27ª
Paulo testemunha ser um bom operário do senhor
Paulo fala aos fiéis Filipenses do sentido da sua experiência de prisioneiro por causa do Evangelho (cf. Fl. 1,13). O testemunho do apóstolo trouxe um efeito positivo para muitas pessoas, por isso releva dizendo: “a maioria dos irmãos, vendo que estou na prisão, têm mais confiança no Senhor, e mais ousadia para anunciar sem medo a Palavra” (Fl. 1,14). Trata-se de um testemunho fértil que alimenta a fé dos outros colaborando para a perda do medo do anúncio da Palavra. Paulo verbaliza o sentido que dá para o seu sofrimento enquanto priosioneiro dizendo estar ciente que tudo isso havia de servir para a sua salvação (cf. Fl. 1,19). Mas ao mesmo tempo confessa: “o que desejo e espero, é não fracassar... com toda a coragem a glória de Cristo em meu corpo, tanto na vida, como na morte” (Fl. 1,20). Paulo manifesta a clara consciência de ter cumprido sua missão, por isso diz: “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl. 1,21); “o meu desejo é partir dessa vida e estar com Cristo, e isso é muito melhor. No entanto, por causa de vocês, é mais necessário que eu continue a viver” (Fl. 1,23-24). Também até na experiência do sofrimento injusto prevalece em Paulo a Caridade quando demonstra ter consciência das necessidades da comunidade que ainda precisa da sua presença. Apesar de tudo, o que mais quer no momento, é ser útil (cf. Fl.1,22) para servi-los e ajudando-os a progredir na fé que gera alegria (cf. Fl. 1,23). Paulo nos convida a pensar que a Fé e Esperança na Vida Eterna devem nos levar a sermos úteis para os outros neste mundo... a sermos promotores do Bem, porque a Vida terna é a imersão (entrada, mergulho) no mundo da bondade eterna que nos transforma para sempre.
Nossa vida
O apóstolo Paulo nos dá uma perspectiva muito significativa para a nossa vida. Ele nos convida, não somente a dar um significado para o sofrimento que pode ser através da sublimação, da esperança da recompensa, mas a refletir sobre o efeito positivo do testemunho de resistência e serenidade nos momentos de provação. Ou seja, quem dá testemunho de superação estimula e educa os outros a não se deixaram vencer pelo mal, a não desanimarem de permanecerem no Bem. Quem persevera no bem, superando as tentações advindas do mal, desperta o ânimo daqueles que vivem tristes, amedrontados e angustiados. Outra lição muito importante é aquela de não pensarmos “egoisticamente” no paraíso mas, sobretudo, conservando esse santo desejo, ser quanto possível, útil aos outros nesta terra. Como Jesus, devemos passar por esta terra fazendo o bem (cf. Atos 10,38).
Evangelho: Mt. 20,1-16ª
O Reino de Deus precisa de bons operários
Mateus nos apresenta, através da parábola dos operários da vinha, a Justiça Divina, as necessidades do Reino de Deus e a importância da colaboração humana para a recepção do prêmio eterno. A questão das diárias de trabalho era uma forma comum de remuneração na Palestina nos tempos de Jesus, sobretudo, nos campos de vinha (plantações de uva). Também hoje em nossa sociedade, nas áreas urbanas e rurais, muitas categorias de pessoas são contratadas para trabalhos remuneradas à diária. A vinha simboliza a Igreja encarregada de promover o Reino de Deus. A iniciativa das “contratações” parte do próprio Deus. Antes de começar o trabalho aparece com clareza a combinação da justa remuneração: uma moeda de prata por dia (cf. Mt 20,9). Não se apresenta como forma de negociação! As contratações acontecem ao longo do dia desde a madrugada até às 17:00 horas, final do dia. A lição é esta: o Reino de Deus necessita de operários em todas as horas. Sempre há necessidade de promover o bem independentemente da duração do compromisso de cada um. Do ponto de vista teológico-eclesial (vocacional) assumimos esse compromisso de trabalho na Vinha do Senhor (Reino de Deus através da Igreja) no momento do nosso Batismo, de modo mais explícito, mas a missão de dar um sentido para a própria vida nos é dada desde o nascimento. Fomos “contratados” para estarmos a serviço do Bem deste o início da nossa concepção. O fim desse trabalho se dá com a nossa morte, hora do “acerto de contas” com aquele que nos convocou. Não importa quantos anos vivemos, ou trabalhamos: todos receberemos o mesmo pagamento (cf. Mt 20,8): o paraíso! Essa é a “moeda” combinada para a nossa “remuneração” pela nossa “jornada existencial” de trabalho na e pela vinha do Senhor. Aqui também não se leva em conta a questão dos sacrifícios assumidos padecidos como prerrogativas para se ganhar uma recompensa diferenciada. Na parábola isso aparece com evidência como manifestação de protesto por parte de quem trabalhou o dia inteiro: "esses últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor do dia inteiro!" (Mt. 20,12). Eis outro tema: a justiça divina! A justiça divina nos é apresentada como uma realidade totalmente diferente da justiça humana que tem como critério o respeito pela justa proporção. A justiça divina se manifesta como generosidade e gratuidade. Deus é bom! Para quem não tem fé isso parece injustiça: uma pessoa, por exemplo, que viveu 90 anos que muito sofreu, lutou e fez sempre o bem aos outros, recebe o mesmo prêmio que um jovem que viveu apenas 18 anos de modo saudável e sem muito sofrer... ou de uma criança que teve apenas poucos de vida. Todos teremos a mesma “moeda”! Mas para quem tem fé, o que vale mesmo é receber a “moeda” da justiça divina. A lógica do mundo, muito se distancia da lógica divina!
Nossa Vida
Na parábola dos talentos (cf. Mt. 25,14-30) encontramos algumas semelhanças com esse texto que nos foi apresentado hoje, os operários da vinha. Ambos nos convidam a pensar na importância da responsabilidade humana diante das propostas divinas sintetizadas na expressão “Reino de Deus”. O texto de hoje nos convida a refletir sobre a importância de darmos um sentido dinâmico para a nossa vida e não vivermos como meros expectadores alienados na ociosidade em nome da fé ou inspirados em teorias religiosas. Somos convidados a nos sentir e ser bons operários da Vinha do Senhor! O patrão da parábola, que simboliza o Deus Criador, nos mostra a sensibilidade divina para com as necessidades da sua Vinha, o Reino de Deus, da qual a Igreja (a comunidade dos discípulos de Jesus) é uma operária sem férias. A mensagem do texto nos leva a pensar no mal da ociosidade que destrói o sentido da vida de milhões de pessoas no mundo. A ociosidade é um mal porque é vazio de sentido de responsabilidade, de sensibilidade, de compaixão... de luta pelo desenvolvimento humano... desprovida de inquietudes! A ociosidade é fonte de muitos males! (cf. Eclo 33,28). Na parábola, os trabalhadores ociosos se desculpam dizendo: “ninguém nos contratou!”. Essa resposta acusa a falta de espírito de iniciativa e de inquietude, mas antes, a falta de tomada de consciência do sentido da vida e de seus dons naturais: inteligência, vontade, consciência, liberdade... Também na parábola dos talentos há uma desculpa para não se fazer nada (o medo!). O maior problema não é não ter emprego, mas a triste constatação de que milhões de pessoas vegetam sem fazer nada porque não tomam iniciativas para darem um sentido para a própria vida.
Antônio de Assis Ribeiro - SDB (padre Bira)



Estás com inveja porque eu estou sendo bom?
A graça e a misericórdia de Deus se contrapõem à mentalidade religiosa judaica dos tempos de Jesus. Diante da teologia do mérito do sistema religioso se opõe a teologia da graça pregada por Jesus. Partindo dessa perspectiva, a salvação não se alcança somente por méritos próprios mas pela misericórdia de Deus que no-la concede, apesar de não merecê-la.
O texto do segundo Isaias centra sua atividade profética no tema da consolação do povo desterrado. Porém, o desterro foi pela desobediência do povo e de seus dirigentes que se afastaram de Deus e quebraram a aliança. Contudo, Deus não abandona seu povo. Se o povo é infiel à aliança, Deus permanece sempre fiel.
Os caminhos do Senhor são distintos dos caminhos humanos. O profeta insiste no convite a buscar o Senhor. Faz um chamado à conversão e ao arrependimento porque Deus é clemente e misericordioso e sempre está disposto ao perdão. Os planos de Deus não são tão limitados e mesquinhos como os nossos.
Paulo, na carta aos Filipenses, propõe uma questão: ou morrer para estar com Cristo ou ficar no meio do povo para ajudá-lo em suas dificuldades. Paulo, prisioneiro por Cristo, pressente que seus dias já estão chegando ao fim. Perseguido, caluniado, encarcerado, açoitado e desprezado por muitos, viveu em sua própria carne a paixão do Senhor.
Conseqüente com sua pregação, sempre se esforçou por viver o evangelho de Jesus. É normal, pois, que tenha a mesma sorte que o mestre. Porém, também tem a plena convicção de participar da glória da ressurreição. Tanto sua vida como sua morte estão em função de Cristo. Se está vivo, é para continuar anunciando o evangelho, se morre é para entrar na plena comunhão dos justificados por Ele.
Assim Paulo sente que sua missão está chegando ao fim. Como Jesus, pode dizer que tudo foi cumprido. Porém, Paulo ainda tem uma grande preocupação, que é a fragilidade das comunidades, cuja fé está fortemente ameaçada pelo ambiente cultural e religioso das colônias do império.
Na parábola dos trabalhadores descontentes com o pagamento, se reflete o modo de agir de Deus, contrario à nossa mentalidade utilitarista. A parábola pode ser situada no contexto da controvérsia de Jesus com as autoridades judaicas pela relação de Jesus com pessoas de reputação duvidosa, como publicanos, pecadores, enfermos, crianças, pagãos e mulheres, precisamente aqueles que eram considerados impuros e, portanto, excluídos do círculo de santidade.
Porém, no contexto da comunidade de Mateus, percebe-se o conflito produzido entre os judeu-cristãos e pagãos convertidos ao cristianismo que faziam parte da mesma comunidade. Era inaceitável que os recém convertidos tivessem o mesmo trato dos que já pertenciam há muito tempo à comunidade, como era o caso do povo eleito. É claro que o encontro entre judaísmo e cristianismo no seio de uma mesma comunidade ficou bastante complicado. Assim o manifestam outros escritos do novo testamento como a carta aos gálatas.
A parábola narrada por Jesus parte de um fato real. O proprietário representa os donos de terras, conquistadas dos camponeses. Os desocupados simbolizam os que haviam perdido tudo e ofereciam seu trabalho por qualquer valor para poder sobreviver. Evidentemente que havia os clientes fixos dos proprietários, isto é, aqueles que sempre eram contratados e durante o dia apareciam os de última hora.
A chave de leitura da parábola não está na atitude equitativa do patrão, pois ele poderia pagar como queria. O que chamou a atenção dos ouvintes é que tenha preferido os que não eram seus trabalhadores (os da última hora) preferindo aos que já eram seus trabalhadores (os da primeira hora). Situação incompreensível sob qualquer ponto de vista.
O sistema religioso do tempo de Jesus e das primeiras comunidades centrava a prática religiosa no mérito e no pagamento. A salvação já se havia convertido em um mercado de compra e venda. Jesus questiona a fundo essa mentalidade que tanto mal fez ao povo. A salvação é dom gratuito de Deus. E a graça tem a ver com o amor misericordioso. Deus não manipula nossos esquemas contábeis, interesseiros e lucrativos. Para Deus, tanto os primeiros como os últimos são objeto de seu imenso amor e misericórdia.
Hoje temos que superar todo espírito de competição e cobiça. Temos que superar, sobretudo, o "exclusivismo" que ainda está presente no subconsciente cristão: já não falamos nem o sustentamos, porém muitos continuam pensando: nós, nossa religião, é a única verdadeira, e portanto, superior, definitiva, insuperável, aquele que as demais religiões e culturas devem confluir...
Se já muitos abandonaram aquela visão veterotestamentaria de que "as nações e os povos virão adorar a Deus em Sião", porque sociologicamente já não parece previsível nem viável que o mundo um dia seja todo ele cristão, não deixamos de ter essa consciência de "exclusivismo" quando nossas autoridades e hierarquias condenam autoritariamente e sem dialogo algumas opiniões sociais, critérios éticos, que se dão em distintas sociedades, apoiados no convencimento de que nossa verdade é inquestionavelmente superior à dos demais, por principio e que teríamos direito a impor na sociedade (laica, aconfessional), sem necessidade sequer de dialogar e convencer a população... É uma atitude de complexo de superioridade que não tem nenhuma justificativa.
A abertura a todos, o reconhecimento sincero de que não temos um "gratuito e imerecido direito de primogenitura", que não somos "os (únicos) eleitos", que os que nos consideramos tradicionalmente "últimos" (ou posteriores a nós) não o são, que Deus é "gratuito" e sem favoritismos... são ainda reflexões pendentes para as Igrejas cristãs...
Não há dúvida de que aceitar em profundidade a mensagem evangélica de hoje de que "os primeiros serão os últimos", exige de nós uma mudança profunda de mentalidade. Também o pluralismo religioso e do dialogo intercultural devem ser elencados entre esses grandes desafios gerados pela descoberta mais profunda da "gratuidade de Deus" que a parábola do evangelho de hoje volta a colocar diante de nossos olhos.

Portal Clarete

Aqui estamos novamente para meditar a Palavra de Deus. Neste Evangelho encontramos uma coisa meio rara de ser encontrada; Jesus nos fala de um patrão que trata os seus empregados com justiça e bondade. Não se trata de utopia, apesar de não ser algo tão comum, felizmente, alguns patrões tratam seus empregados com respeito e amor.
Tratam com dignidade os seus funcionários e por causa disso, são criticados. A selvagem globalização trouxe consigo uma inversão de valores. Particularmente nos dias de hoje, é difícil encontrar uma patroa ou um empresário, dispostos a pagar salário justo.
Foge do nosso entendimento a bondade deste produtor de vinho. Lembra aquele dito popular; “É um negócio de Pai para filho”. Para fazer tudo isso, só mesmo um Pai que conhece as necessidades de cada um de seus filhos. Um pai que sabe como é difícil saldar os compromissos diários com alimentos, aluguel, farmácia...
Como entender o modo de agir desse patrão? Sem querer fazer trocadilhos, parece injusta essa sua justiça. Pagar salário igual para todos, independentemente da quantidade de horas trabalhadas? Como pode alguém trabalhar uma hora e receber igual àquele que molhou a camisa desde cedo?
Falando sem demagogia, se estivéssemos entre aqueles contratados logo cedinho, será que não estaríamos reclamando da forma de pagamento? Reclamando sem nos preocuparmos com os pais de família que, não tiveram a felicidade de serem contratados pela manhã, mas que também precisam levar o alimento para casa?
Os primeiros contratados sentiram-se roubados, no entanto, receberam o merecido, o salário combinado foi pago. Com este exemplo, Jesus quer nos mostrar que a justiça de Deus está muito acima do nosso entendimento e que o bem do próximo deve estar acima dos nossos próprios interesses.
 “A messe é grande e os operários são poucos”. A todo instante, de manhã, de tarde e à noite, somos chamados. Todos nós somos convocados para a missão. Alguns aceitam de imediato, logo cedinho atendem ao chamado...
Outros, apesar de estarem presentes na “praça”, não ouvem e não entendem o chamado. E, se ouvem, a mensagem entra por um ouvido e sai por outro. Importante, porém é a persistência. Precisamos fazer como o do dono da vinha, chamar em intervalos regulares, chamar a todo instante.
Se voltarmos na praça às nove horas, encontraremos alguém disponível e disposto a ouvir; o mesmo acontecerá na hora do almoço ou à tarde. É preciso procurar constantemente, retornar de hora em hora, de minuto em minuto. Persistência! É isso que Deus espera encontrar nos seus discípulos.
Todas as praças e ruas devem ser rebuscadas. Precisamos chamar nas casas e nas famílias. Nesses locais, pelo menos um estará disposto a trabalhar pelo Reino. Não importa o horário, nunca é tarde para começar. Nosso Patrão é Justo. Todos que o ouvirem, entenderem e atenderem irão receber uma justa recompensa no entardecer da vida.
Jorge Lorente




Parábola dos trabalhadores da vinha
Porque o reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha. Depois de combinar com os trabalhadores um denário por dia, mandou-os para a vinha. Tornando a sair pela hora terceira, viu outros que estavam na praça, desocupados, e disse-lhes: “Ide, também vós para a vinha, e eu vos darei o que for justo”. Eles foram. Tornando a sair pela hora sexta e pela hora nona, fez a mesma coisa. Saindo pela hora undécima, encontrou outros que lá estavam e disse-lhes: “Por que ficais aí o dia inteiro desocupados?”. Responderam: “Porque ninguém nos contratou”. Disse-lhes: “Ide, também vós, para a vinha”. Chegada a tarde, disse o dono da vinha ao seu administrador: “Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário começando pelos últimos até os primeiros”. Vindo os da hora undécima, receberam um denário cada um. E vindo os primeiros, pensaram que receberiam mais, mas receberam um denário cada um também eles. Ao receber, murmuravam contra o pai de família, dizendo: “Estes últimos fizeram uma hora só e tu os igualaste a nós, que suportamos o peso do dia e o calor do sol”. Ele, então, disse a um deles: “Amigo, não fui injusto contigo. Não combinaste um denário? Toma o que é teu e vai. Eu quero dar a este último o mesmo que a ti. Não tenho o direito de fazer o que eu quero com o que é meu? Ou o teu olho é mau porque eu sou bom?”. Assim, os últimos serão primeiros.
Estamos diante de uma parábola estranha. Ela pretende explicar o mistério do reino do céu. O seu ponto central é que aqueles que parecem ser primeiros, no reino do céu serão os últimos e os últimos serão os primeiros.
Na comparação, a vinha, para um judeu, significava Israel, e ser chamado para trabalhar na vinha queria dizer ser chamado a fazer parte do povo de Deus, que era sinal da presença do seu reino na terra.
O trecho se divide em três partes:
“O convite aos operários nas diversas horas do dia” (20,1-7). Com os primeiros chamados, o patrão da vinha acerta o pagamento segundo o costume da época: uma moeda de prata. Com aqueles que são chamados às nove horas, ao meio-dia e às três da tarde promete que pagará “o que for justo”. E, para os operários chamados às cinco da tarde, não promete nada. Somente diz para que fossem também eles trabalhar em sua vinha.
“O momento do pagamento” (20,8-12). Na hora de pagar, o patrão chama primeiramente os operários das cinco da tarde, de modo que os outros estivessem presentes para que percebessem como ele iria agir. Os últimos, que haviam trabalhado somente uma hora, recebem o salário de um dia inteiro de trabalho. Os primeiros recebem simplesmente aquilo que haviam acertado com o patrão: uma moeda de prata. Contudo, o fato que faz com que os operários da primeira hora murmurem contra o patrão não é tanto porque esperavam receber mais, pois haviam acertado que seria uma moeda de prata. Na verdade, eles queriam que os companheiros da última hora recebessem menos.
“O patrão explica o seu modo de agir” (20,13-15). Antes de tudo, ele não foi injusto com os primeiros. E, depois, o Senhor pode acrescentar à justiça, o amor, a generosidade. O verdadeiro problema, porém, é que os primeiros não suportam esse amor e essa bondade gratuita do patrão.
A vida eterna não é uma recompensa devida por direito, em base aos nossos esforços pessoais. As classes marginalizadas, os pecadores, as prostitutas, os cobradores de impostos podem então também ter a esperança de entrar no reino, pois isso é um puro dom de Deus. É claro que não se exclui uma diferença de recompensa no mundo futuro, em base ao fazer agora a vontade de Deus.
o milite



Os operários da vinha
A oração canônica da Igreja, rezada pelo clero, pelos religiosos e religiosas e por leigos mais integrados na oração litúrgica, é dividida ao longo do dia em quatro "horas": prima, terça, sexta e nona. Essa divisão é tirada do modo de contar o tempo usado pelos judeus. Á semelhança dos gregos e dos romanos, eles dividiam o dia, do amanhecer ao pôr-do-sol, em doze horas. Mas, na prática, depois das primeiras horas do dia, falavam apenas em hora terceira (das nove ao meio-dia), hora sexta (do meio-dia às três da tarde), e hora nona (das três ao fim da tarde). Jesus se refere a essas horas na parábola que nos conta hoje, pela palavra de São Mateus.
A parábola fala de um proprietário de vinha, que saiu a contratar trabalhadores para a sua vinha. Saiu logo de manhã cedo e contratou alguns que encontrou, prometendo dar –lhes no fim do dia a paga de um denário. Era o que na maneira antiga de nossa língua se chamava um "jornal" (do latim "diurnalis"), como o trabalhador diarista se chamava "jornaleiro". Saiu de novo o proprietário pela praça na hora terceira, e contratou mais outros, com a mesma promessa de dar-Ihes o que fosse justo. Saiu de novo à hora sexta e à hora nona, e contratou mais outros, com a mesma promessa: pagar-Ihes-ia o que fosse justo. Já quase no fim do dia -à décima primeira hora, que corresponde às nossas cinco da tarde - saiu e encontrou gente ainda na praça sem trabalho, uma vez que ninguém os convocara, e mandou-os também para a sua vinha. Nem tudo na parábola é muito razoável, como isso de contratar trabalhadores no fim do dia. Mas são arranjos pedagógicos de que Jesus se servia para as finalidades de seu ensinamento.
A parábola continua dizendo que, ao findar o dia, o patrão mandou a seu administrador que pagasse os trabalhadores, começando pelos últimos. E eles chegaram e receberam cada um 1 denário. Depois vieram os outros, que tinham começado a trabalhar desde cedo. Vendo como tinham sido pagos os da última hora, ficaram na esperança de receber mais. Porém receberam apenas o denário que Ihes tinha sido prometido. Naturalmente reclamaram contra o patrão que pagava o mesmo aos que tinham trabalhado apenas uma hora, e a eles que tinham suportado o peso do cansaço e do calor do dia inteiro. À primeira vista, o homem realmente não estava sendo justo. Mas a parábola não está dando uma lição de justiça social.
E vem então a explicação do proprietário da vinha a um dos que reclamavam: "Meu amigo, não estou sendo injusto para contigo. Não tínhamos combinado que receberias um denário? Toma o que é teu e vai em paz. Se eu quero dar a este último o mesmo que te dei, não tenho o direito de fazer com o meu dinheiro o que eu quiser? Ou estás vendo de maus olhos o bem que eu estou fazendo?" (Mt. 20, 13-15).
A parábola quer mostrar a gratuidade dos dons de Deus e a grande liberalidade com que nos dá seus favores. Nosso relacionamento com Deus não é um negócio baseado em número e quantidade. Tudo o que fazemos é sempre muito pouco em relação aos dons celestes. E Deus é
sempre o que nos dá seus dons com infinita grandeza de coração. Recebe os pecadores depois de uma longa vida afastada de Deus, como fez Jesus com o publicano Zaqueu, com a Madalena e com todos os ~ "filhos pródigos" que encontrou no seu caminho. E Jesus tinha certamente em vista os judeus - sobretudo os fariseus - que se - julgavam privilegiados por terem sido de longa data fiéis à lei de L Moisés, e não viam com muito bons olhos a entrada para o Reino anunciado por Jesus, de pecadores e publicanos.
Esta parábola tem sido usada tradicionalmente na Igreja para se falar dos que são chamados ao sacerdócio. Em diversas épocas da vida: jovens, adultos. ...até na terceira idade.
Entrou muito o modo de se falar em "operários da décima primeira hora". Em algumas dioceses, sobretudo dos Estados Unidos, criou-se até algum seminário especialmente para essas vocações adultas. Em toda a Igreja há a preocupação com tais vocações. Em São Paulo, não há muito tempo, deu-se um caso mais único do que raro. Um zeloso confrade vicentino, homem de muita piedade e fé atuante, tinha um filho que se tornou sacerdote. Para alegria da família, esse padre foi feito bispo. O pai ficou viúvo e sentiu-se chamado por Deus para ser sacerdote. Preparou-se seriamente e se encaminhou para o altar. Foi ordenado pelo próprio filho bispo! Maravilhosos caminhos de Deus!
padre Lucas de Paula Almeida, CM




Na vinha
A liturgia nos leva a refletir novamente sobre a Igreja, na qual somos convidados a trabalhar. Qual será o critério de Deus no "pagamento" pelo trabalho nela realizado. As leituras bíblicas nos dão a resposta.
Na 1ª leitura, Isaías afirma que o jeito de Deus ser é muito diferente de como nós o imaginamos. Deus não pensa como nós. Ele não julga pela quantidade, mas pela qualidade com que se faz (Is. 55,6-9).
A 2ª Leitura apresenta o testemunho de Paulo, que fez de Cristo o centro de sua vida. "Para mim o viver é Cristo, e o morrer um lucro" (Fl. 1,20c-24.27a).
O Evangelho destaca que Deus chama à Salvação todos os homens, sem considerar a antiguidade na fé, ou os créditos pelo trabalho realizado (Mt. 20,1-16)
A parábola da vinha é exclusiva de Mateus: um patrão contrata trabalhadores para a sua vinha, em vários momentos. No final do dia, paga uma diária completa a todos. Os primeiros "murmuram, reclamando indignados: "Eles trabalharam apenas uma hora, e tu os igualaste a nós". O dono da vinha responde ao primeiro descontente: "Não sou injusto contigo. Não tinhas combinado comigo uma diária?
Estás com inveja, porque eu sou bom?"
Os murmuradores eram os escribas e fariseus que confiavam em seus créditos.
Deus não é um negociante que contabiliza os créditos dos homens para depois lhes pagar conforme a quantia produzida. A Salvação é mais obra de Deus do que merecimento do homem. Deus é um Pai, cheio de bondade, que ama todos os seus filhos por igual e sobre todos derrama o seu amor. Ele nos dá muito mais do que merecemos...
O que a parábola queria dizer?
Para Jesus, que era criticado porque acolhia os pecadores e os publicanos,
os primeiros chamados foram os judeus, como povo escolhido e herdeiro das promessas do Antigo Testamento;
os últimos: os pecadores, que, convidados por ele, também entraram no ambiente da misericórdia de Deus.
O Reino de Deus é para todos; não há excluídos, indignos, desclassificados.
Para Deus há pessoas a quem ele ama, a quem ele oferece a salvação e a quem ele convida para trabalhar na sua vinha. A única coisa realmente decisiva é se os convidados aceitam ou não trabalhar na sua vinha.
Para Mateus, que escrevia para judeus convertidos ao cristianismo,
os primeiros trabalhadores chamados eram os cristãos oriundos do judaísmo;
os últimos eram os não-judeus, isto é, todos os homens.
Para Deus, não há Judeus ou gregos, escravos ou livres, cristãos da primeira hora ou da última hora.
Não há graus de antiguidade, de raça, de classe social, de merecimento…
Todos são filhos amados do mesmo Pai.
Para nós, Cristo continua convidando: "Ide também vós para a minha vinha". Muitos ouviram o chamado de Deus logo no alvorecer de sua existência; outros escutaram este apelo no vigor da juventude; outros apenas na idade madura ou bastante avançada...
Deus não pensa como nós, Deus não olha o tempo... mas a atitude pronta e generosa de nossa resposta...
Não remunera pela eficiência, mas pela necessidade...
Mede muito mais pelo amor, do que pelo produto do mesmo.
Diante da recompensa gratuita e universal de Deus, qual a nossa atitude?
nos alegramos com o amor de Deus que acolhe a todos?
ou nos deixamos levar por sentimentos de inveja ou ciúmes?
ou nos consideramos merecedores de direitos, ou "privilégios"?
Como explicar essa aparente injustiça de Deus?
Humanamente é difícil entender... só entenderemos numa visão de fé.
Quem trabalha para o Reino de Deus, deve fazê-lo por amor. E quando alguém faz por amor não se interessa pela recompensa... pelos elogios... pelo pagamento...
A fidelidade ao Senhor já é uma recompensa... Sem dúvida, Deus nos dá muito mais que merecemos.
Que pensar dos que se sentem "donos" da comunidade porque estão há mais tempo do que os outros, ou porque contribuíram para a comunidade mais do que os outros?
Na comunidade de Jesus, a idade, o tempo de serviço, a posição hierárquica, não servem para garantir direitos, privilégios ou superioridade...
Embora com funções diversas, todos são iguais em dignidade e todos devem ser acolhidos, amados e considerados de igual forma.
Se na Vinha do Senhor há lugar para todos, por que muitas pessoas continuam "desempregadas"?
Será que não há trabalho para elas?
Será que não tiveram oportunidade, "porque ninguém as contratou"?
Será que elas se acomodaram, não querendo compromisso?
Deus não quer ninguém desocupado.
Cristo continua convidando: "Ide também vós para a minha vinha!..."
Qual será a nossa resposta ao chamado de Deus?
Qual é o nosso lugar na vinha do Senhor.
padre Antônio Geraldo Dalla Costa




Trabalhadores de última hora
Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?
Neste Evangelho, Jesus nos conta a parábola dos trabalhadores esperando na praça. O patrão é Deus; os trabalhadores somos nós; a vinha é o Reino de Deus. A parábola se refere, ao mesmo tempo, aos dois aspectos: Aos direitos trabalhistas e à nossa atuação, como cristãos, no Reino de Deus. No procedimento do patrão está o procedimento de Deus para conosco, e também o nosso procedimento correto uns com os outros.
O patrão "saiu de madrugada para contratar trabalhadores". Deus não perde tempo, e nós também não podemos perder. Deus não quer o desemprego. Quer que todos trabalhem. Ele não quer ver ninguém parado na praça.
"Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia." Era o salário justo na época. Os trabalhadores têm direito à remuneração justa.
"Saiu outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça e lhes disse: Por que estais aí o dia inteiro desocupados? Eles responderam: “Porque ninguém nos contratou". O desemprego deles era culpa, não deles, mas da sociedade que não lhes dava oportunidades de trabalho. Mas, tanto else como seus familiares, precisavam comer, do mesmo modo que aqueles que foram contratados de manhã. Ao pagar o salário, o patrão deve considerar também essa parte: aquilo que o trabalhador e sua família precisam para viver.
"Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: “Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos, começando pelos últimos até os primeiros". Esta decisão é o coração da parábola. Aí está a diferença entre a justiça do Reino de Deus e a "justiça" do reino do Dragão (cf. Ap. 12). Na justiça do Dragão, cada um recebe pelo que produziu, sem levar em conta as necessidades do trabalhador, nem os motivos pelos quais as pessoas estavam desempregadas. No Reino de Deus é o contrário: Todos têm direito à vida, tanto os empregados como os desempregados. E, se os desempregados têm esse direito, ajudá-Los não é um favor, uma esmola, mas uma obrigação nossa.
Quanto àqueles que o patrão encontrou na praça às cinco horas da tarde, os motivos do atraso não foram apresentados. Mas, sejam quais forem, estes também têm, assim como suas famílias, as necessidades de todo ser humano: alimentação, vestuário, saúde etc. E mais: o mundo pecador, que leva em conta só a produtividade, marginaliza-os. Por isso no Reino de Deus else são colocados em primeiro lugar.
Nesta parábola está a chave para entendermos o plano de Deus a respeito do trabalho e toda a questão trabalhista. O mais importante não é o que a pessoa produz, mas a própria pessoa que trabalha.
Lei fundamental na questão do salário é a igualdade, pois todos temos o estômago do mesmo tamanho. Se a diferença entre o salário dos trabalhadores é muito Grande, está havendo injustiça, pois perante Deus nós somos todos iguais.
"Em seguida, vieram os que foram contratador primeiro, e pensavam que iam receber mais." É o protesto dos egoístas, daqueles que só pensam em is, esquecendo-se dos demais. Veja que o que else acham errado não é o salário deles, que sabiam que inclusive foi combinado antes com o patrão, mas a igualdade de tratamento usada pelo patrão. Por isso que o patrão OS chama de invejosos. Cada vez que alguém quer aumentar o próprio salário sem levar em conta aqueles que ganham menos, está sendo como essa turma, isto é, está contra o plano de Deus!
E Jesus termina a parábola apresentando a lei geral do Reino de Deus: "Os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos". Em outras palavras, no Reino de Deus Os últimos da sociedade são colocados em primeiro lugar, e os primeiros da sociedade são colocados em último lugar. Só quem age desse modo entra no céu.
"Se a vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus" (Mt. 5,20). A justiça do mundo nem sempre coloca a pessoa humana em primeiro lugar.
"Construirão casas e nelas habitarão. Plantarão vinhas e comerão seus frutos. Ninguém construirá para outro morar, nem plantará para outro comer. E a vida do meu povo será longa como a das árvores. Meus escolhidos poderão gastar o que suas mãos fabricarem" (Is. 52,21-22).
"No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava sem forma e vazia; as trevas cobriam o abismo... Deus disse: Que exista a luz!... Então Deus disse: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele domine OS peixes do mar, as aves do céu... E Deus viu que tudo o que havia criado era muito bom. Foi o sexto dia. No sétimo dia Deus terminou o seu trabalho e descansou. Então Deus abençoou e santificou o sétimo dia, porque nele, descansou do seu trabalho" (Gn 1,1-2,3). Pelo trabalho, continuamos a obra de Deus na criação do mundo. Deus trabalha e nos manda trabalhar também, mas sempre dentro do seu plano amoroso.
Certa vez, um empregado chegou para o seu patrão e disse: "É melhor o senhor me dar um aumento de salário". O patrão perguntou: "Por quê?" O empregado respondeu: "É porque há várias empresas atrás de mim". O patrão, com um ar muito desconfiado, perguntou: "Quais são essas empresas?" O empregado respondeu: "As empresas são as de água, de luz, de telefone, de cobranças..."
Esse patrão foi convidado a olhar também o lado das necessidades do seu empregado, não apenas a produtividade dele.
Maria Santíssima era uma mulher trabalhadeira. Nas Bodas de Caná, tudo indica que ela, apesar de simples convidada, estava ajudando a servir. Que ela nos ajude a agir corretamente no vasto mundo do trabalho humano.
Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?
padre Antonio Queiroz




O mundo em que vivemos
Nosso mundo é organizado sobre a economia (investimento, produção, consumo, acumulação, poupança, riqueza, bem estar, prazer e felicidade). Como o dinheiro está na base de tudo, também somos marcados pela ideias de remuneração, aumento salarial, trabalho e merecimento de desempenho, bônus, justiça social. Tudo isso faz parte de nossa cultura e não é necessariamente ruim. Apenas corremos o risco de esquecer as pessoas, no meio de tantas coisas. Por ex.: quando os pais decidem ter um filho estão fazendo um “investimento”?
Se alguém nasceu com deficiências genéticas ou se tornou limitado por algum acidente, é mal visto por não ser “produtivo” no mundo de trabalho e dinheiro? É menos importante?
Os povos pobres da África golpeados pelo Ebola merecem a pesquisa dos laboratórios e os altos custos de pesquisa para descobrir a vacina? Ou remédios para a cura?
Sírios, palestinos, somalis, líbios, iraquianos, turcos, curdos e milhões de outros refugiados, migrantes, minorias perseguidas (seja por terroristas do Estado Islâmico, seja pelo preconceito em países mais ricos), são uma população que deveria ser eliminada? (as ditaduras do passado também pensaram em genocídio e eliminação de minorias). Será que esta multidão de desgraçados fazem parte da raça humana?
E os desempregados da Europa? ou os pobres (na Ásia, América latina e Caribe ou os de dentro das nações mais ricas)? servem para alguma coisa? (além, é claro, de servir para ganhar eleições...)
A parábola de hoje deveria sacudir nosso torpor, pois estamos ficando acostumados à gradual eliminação dos mais frágeis, famintos, doentes, deficientes, analfabetos, bombardeados, infiéis, pobres, os que não têm “nossa” cultura (religião, valores, etc.).
Uma parábola que prega a injustiça? O comentário a seguir é baseado em M. Domergue.
Invertendo a lógica da meritocracia. Há uma longa lista de textos bíblicos que aponta para um Deus que parece não ter muita “lógica”. Começando por Gênesis 4 em que a preferência de Deus é por Abel, mais novo e, ainda por cima, pastor, isto é, consumidor de carne (ao passo que, cf. Gênesis 1,29, todos eram vegetarianos, até que a carne animal foi autorizada depois de Noé, cf. 8,21;9,1-4) Há uma longa lista das preferências de Deus... Mas citemos Jacó, escolhido em vez do mais velho Esaú; Davi, o caçula dos sete filhos de Jessé; Salomão, o filho da mulher tirada de Urias pelo crime de Davi. Sempre escolhidos exatamente os que “não tinham direito” de ser os primeiros, o que nos lembra Paulo aos Coríntios (1Cor. 1,26): irmãos, considerai a que fostes chamados. Não há entre vós muitos sábios, nem poderosos, nem bem nascidos. Mas, o que é loucura para o mundo, Deus escolheu para confundir os sábios. E Paulo acrescenta: os frágeis, escolhidos para confundir a força; os desprezados, em vez dos famosos... Tudo isso quer dizer que ninguém pode apresentar seus títulos para justificar o dom de Deus. Deus não nos ama porque somos bons mas nos seremos bons, nos tornamos bons porque Deus nos ama.
Injustiça de Deus ou loucura divina? É preciso corrigir qualquer toda teologia do mérito que nos leva a crer que o dom de Deus se mede por nosso valor, mesmo se alguns trechos bíblicos, isolados do contexto, nos levem a pensar assim. O dom de Deus se mede pelo amor que vem dele (que podemos deixar passar por nós até chegar a outros (cf. Lc. 6,38). Da parte de Deus, o dom é total. Ele nos dá tudo o que nós somos, ou tudo o que aceitamos ser, e tudo o que ele é. Só nele o dom é sem medida. Pedro diz que ele nos faz participar de sua própria natureza (2 Pedro 1,4). Ele – que não nos deve nada – nos dá tudo. Portanto: começamos a existir por um amor sem razão, isto é esse dom não parece razoável e nunca acabamos por entendê-lo. Por isso Jesus Cristo diz que não veio para os justos, mas para os pecadores, para que se convertam, quer dizer, para que cheguem a crer no dom. Se houver conversão “moral”, ela vem depois, como consequência de nossa confiança no amor. Na raiz de cada um de nós há algo (melhor, alguém) inexplicável. Sou incapaz de dizer porque eu sou eu. Às vezes sei “como” cheguei ao que sou, mas não há resposta para o “por quê?”. Simplesmente somos. Gratuitamente. Não podemos “justificar” nosso existir.
Os trabalhadores da última hora. A parábola fala de como age aquele a quem chamamos “Deus”. Ela também fala do “Reino”: da “lógica” de nosso relacionamento com ele, onde, novamente nos deparamos com o “injustificável”. A justiça de Deus não é a nossa justiça, sua lógica não é a nossa lógica, mesmo se em nossa justiça (nem sempre praticada...) achamos que cada qual deve receber o que lhe é devido. Seus caminhos não são nossos caminhos. Sua justiça não é “justiceira” mas “justificadora”. É uma justiça diferente que, no sentido bíblico, torna justo quem não era justo. Começa com o Justo por excelência que não joga sobre o culpado a pedra nem a primeira nem a última, nem a sentença nem o castigo. Na parábola, o “dono” desse “Reino” chega a pagar pelo trabalho que nem foi realizado completamente. E os da “última hora” são os primeiros a receber (um salário que nem deviam ganhar). Onde sobra falta de merecimento, é superabundante o amor, totalmente gratuito. Paulo diz (cf. Romanos 5,20) que Deus é injusto por excesso de amor. Não é que a justiça tenha sido abandonada, mas sua justiça ultrapassa o que era devido. Os “primeiros” (e, em geral nós nos julgamos os “certinhos” que trabalham há muito tempo na “vinha do Senhor”) devem se alegrar ao ver os “últimos”, passando à frente. Ao aceitar essa “injustiça” adotam o comportamento do amor com que Deus os ama também, pois aos “primeiros” também foi dado este amor sem “justificação”. O próprio Cristo (o primeiro, a imagem perfeita do Deus invisível) veio para ficar no último lugar e se fez um servidor.
E, por que os da “primeira hora” não recebem mais que os outros? Porque o que Deus dá, é ele mesmo, mais que qualquer pagamento, salário ou retribuição. Ao nos dar conta disso, talvez possamos ajudar um pouquinho na modificação do mundo em que vivemos. As religiões não podem consertar este mundo, mas a fé pode nos tornar mais próximos dos gestos divinos.
prof. Fernando




Deus chama a todas as horas
Através de uma parábola, Jesus mostrou a seus discípulos que “O reino dos céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para s sua vinha” (Mt. 20). Observemos de início que Cristo fala em parábola, gênero literário por ele muitas vezes usado. Ao contrário da alegoria numa parábola é preciso procurar o ponto central da mensagem, porque nisto se encontra a lição principal do Mestre divino. O resto são detalhes que permitem oferecer um contraste, visando forçar a atenção e a avivar o interesse do interlocutor.
Não era intento de Jesus manifestar a relação complexa entre patrões e trabalhadores numa ótica, por exemplo, neo-marxista. São João Crisóstomo que meditou profundamente esta parte do Evangelho levantou uma questão inicial de sumo valor, ou seja, “porque o empregador não chamou todos os operários ao mesmo tempo? Porque renovou o chamado durante todo o dia?” O douto exegeta e teólogo responde dizendo que o desejo de Deus foi chamar a todos ao mesmo tempo  para o seu Reino. Entretanto na sua delicadeza e paciência Deus chama na hora mais oportuna que convém a outros convidados. Os apóstolos logo o seguiram, mas Dimas, por exemplo, só entraria no céu na última hora. Ele que é o Senhor do cronos e de sua vinha escolhe o instante mais propício para poder escutar o sim do ser racional que é livre.
De fato, os homens se dão a Deus em idades e circunstâncias diferentes. Imperscrutáveis são os desígnios divinos. Aí vem, em seguida, a questão do pagamento. O patrão fora claro ao dizer que daria o salário justo, no caso, uma moeda de prata. O pagamento começou pelos últimos contratados para que os primeiros testemunhassem o que ele faria. Os primeiros assistem a paga dos últimos e percebem que é a mesma para todos. É que para Deus não há privilegiados. Todos são tratados igualmente. A medida de Deus é uma medida plena aos chamados para o seu Reino através de Jesus. Deus dá o máximo a cada um. O essencial da questão não é a generosidade de Deus como se faltasse qualquer coisa aos trabalhadores da primeira hora. O problema se situa do lado humano que estima injusta a liberalidade divina e cai então no pecado da inveja.
No fundo a parábola lembra uma verdade essencial da fé: Para todos que crêem não há diferença perante o Ser Supremo. Com bem se expressou São Paulo na Carta aos Romanos (3,22-31), todos os homens pecaram e são privados da glória de Deus, mas todos foram gratuitamente justificados por pura graça divina. Todos justificados pelo Senhor Onipotente que ama a todos os homens em particular. Sua generosidade não tem limites e não é demarcada pelos méritos de cada um. Este Deus ultrapassa a justiça dos homens para dar infinitamente mais a cada um, mais do que ele tem direito a receber. Resta então louvar a bondade do Criador, Senhor de suas graças.
Deste modo esta parábola encerra um ensinamento de sumo valor para a vida espiritual. Deus, realmente nos chama a todos e em todas as horas. Cumpre estar atentos. Notemos sempre, porém, que o chamamento divino é bem mais importante do que a recompensa advinda da correspondência ao convite do Pai. Toda atenção é pouca para escutar o apelo divinal para, imediatamente, segui-lo. É de se observar finalmente que o patrão da parábola, dando a todos a mesma paga, mostra que levou em conta não só o que prometera a cada um, mas também sua necessidade de emprego. Isto bem ao contrário de nossa sociedade capitalista que baseia a recompensa unicamente nos interesses econômicos dos ricos e, nem sempre, cuida dos trabalhadores nas mais diversas empresas. Deus se fundamenta muito mais nas necessidades pessoais de cada um, de cada pessoa em particular. É preciso haver o perfeito equilíbrio entre o salário e o mérito, um salário segundo as precisões de cada ser humano. O trabalho nunca pode ser considerado uma mercadoria, pois quem o faz é alguém criado à imagem e semelhança de Deus e possui também a dignidade de filho bem-amado deste Deus de bondade infinita. Os sindicatos e demais corporações trabalhistas nem sempre observam a estrita justiça e as reivindicações, mesmo porque há poucos ganhando muito e muitos recebendo pouco.
Não assim na vinha do Senhor que é a Igreja para a qual todos são chamados a trabalhar, certos de que nela não há discriminação, mas aí reina a benignidade  de um Deus poderoso e infinitamente generoso. Ele precisa de sacerdotes, diáconos, catequistas, agentes comunitários para seu plantio que é o anúncio do Evangelho. Que cada um pese seus atos e se dê conta de que é preciso ser evangelizador. Não se preocupe com a recompensa, pois o Senhor sabe retribuir. Nunca é tarde para atender o seu convite! * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.
cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho




Somos trabalhadores e não donos de Deus
A liturgia do 25º Domingo do Tempo Comum, faz-nos lembrar que os caminhos e pensamentos de Deus estão muito acima dos nossos. Daí que resulte num insistente apelo à conversão dos esquemas deste mundo que por causa da injustiça que provocam estão muito longe da vontade de Deus. Mais ainda se converte este apelo à necessidade de andar alguém a pensar que pode dominar o coração e vontade Deus. Nenhuma criatura deste mundo tem poder para tal. O querer de Deus é um grande mistério, por isso, nada nem ninguém se pode dar ao luxo de considerar que pode impor, pelo domínio e pela força, um desejo que achou ter descortinado de Deus.
O primeiro texto tirado do profeta Isaías pede aos crentes que «voltem para Deus», isto é, que deixem todas a formas de pensar e de agir que estão contra um «querer» de Deus que radica sempre no bem universal contra todas as formas de poder que marginalizam e escravizam. A palavra do profeta insiste na necessidade de encontrar a lógica da relação de uns para com os outros baseada na lógica dos valores de Deus que são sempre de libertação contra toda a opressão que este mundo sempre vai impondo.
No segundo texto da missa deste domingo temos o exemplo de um cristão, Paulo, que confessa até onde já chegou a fé que abraçou: «Porque, para mim, viver é Cristo e morrer é lucro» (Fil. 1,21). Esta ideia representa que de forma exemplar o Apóstolo quer mostrar-nos como funciona em si a lógica de Deus, renunciou aos seus interesses pessoais, a todo e qualquer egoísmo e comodismo, e colocou no centro da sua vida Jesus Cristo, a Sua Palavra, os Seus valores, e o Seu projeto universal de salvação.
No Evangelho, Jesus inverte toda a lógica deste mundo que considera que quem mais dá mais deve receber. No campo da fé e da salvação, Deus concede esse dom como lhe aprouver, sem medida de peso nem muito menos de tempo, são uma intensidade que se descobre em qualquer momento da vida. A Deus interessa que todos cheguem lá.
Não conta a longevidade da fé, os créditos em depósito das muitas rezas e devoções cumpridas, as qualidades e os comportamentos realizados antes, interessa essencialmente para Deus é que cada um de nós se descubra no caminho do bem e por aí realize ações que sejam benéficas para a construção da beleza do mundo onde está a realizar a sua existência. Todos os lugares são «a vinha de Deus» e nós os trabalhadores desse vinhal, contratados para produzir o néctar saboroso da paz, da amizade, da justiça e da fraternidade.
A Deus interessa que cada um corresponda pelo melhor de si ao convite para se achegar a esse «trabalho» da vida, abdicando dos interesses puramente pessoais que se mal conduzidos redundam no egoísmo puro e duro. Também para nada serve estar neste «serviço» de Deus movido pela lógica da inveja que destrói a relação. Mais importa trabalhar em qualquer circunstância animado pela força do amor, para que na hora da recompensa a festa da felicidade possa sanear qualquer ponta de ciúme quando Deus conceder para todos sem descriminar o dom da plenitude da vida para todos.
padre José Luís Rodrigues




Operários da vinha
“Deus ama todas as pessoas da mesma forma.
A nossa salvação acontece na abertura ao seu amor”.
A nossa relação com Deus sempre será misteriosa acontecendo sempre no âmbito da fé. Esta passa a ser a divisora de águas em nossa vida. Quando aceitamos de coração o que Deus deseja de nós nos comprometemos com seu amor. Ele dá a mesma oportunidade a todas as pessoas. Alguns aceitam antes e outros depois o seu infinito amor. Diante de Deus somos iguais e Ele deseja que façamos parte de sua felicidade profunda. O direcionamento da nossa liberdade é que irá fazer a diferença. A luta contra nós mesmos se faz necessária para educarmos a nossa liberdade na busca pela verdade.
“Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence?”
A bondade infinita de Deus continua nos questionando fortemente. Especialmente por estarmos inseridos num mundo onde os valores materiais estão acima dos espirituais. A pessoa humana está sendo encerrada dentro de um conceito de compra e de venda. Não se está dando importância ao que ela pode ter de mais precioso em seu interior. A moda externaliza as pessoas fazendo que vejam só para o transitório.
Esta bondade ou graça está à disposição de todos nós desde antes de nosso nascimento. Deus não faz distinção de pessoas. O seu coração ama profundamente a todas as suas criaturas. Todos fazem parte de seu projeto de amorização. Quando olhamos para a profundidade de nossa vida percebemos que somos amados. O amor de Deus por nós é concreto e forte em nossa vida.
No fato de sermos gerados, percebemos que Deus depositou em nós 1000% de seu amor (amor inefável, fora da nossa compreensão racional). Somos suas criaturas prediletas. Amadas por Ele antes mesmo de nosso nascimento.
Esta parábola tem muito a ver com a propagação ou generalização da Graça de Deus. Todos são beneficiados da mesma forma pelo desejo de promoção que o Senhor tem em relação as suas criaturas. Deus é justo com todos. Procura dar sua salvação a todos que se abrem ao seu amor. Os caminhos e os tempos podem ser diferentes. A estabilidade do amor, que caracteriza o Ser de Deus, é estável e acontece com a mesma intensidade. A falha acontece na forma de nós recebermos este amor.
Quando buscamos a santidade estamos em busca de uma estabilidade no amor na constante instabilidade da vida. Hoje somos envolvidos por um mundo de competição que visa o lucro e a prosperidade em um direcionamento errado. Até mesmo muitas religiões, que se consideram cristãs, pregam em seus discursos um negócio com Deus. O materialismo se infiltrou dentro do sentido religioso por ingenuidade das pessoas que estão carentes de uma verdadeira espiritualidade.
A verdadeira pregação cristã tem base na misericórdia e na solidariedade que terá como conseqüência a prática efetiva do bem. A pessoa fechada em si mesma jamais poderá encontrar as raízes da verdadeira felicidade. Devemos nos alegrar com a salvação que é dada de uma forma gratuita para todos. Alguns a recebem logo no início de suas vidas, através de suas famílias, outros irão se converter por outros meios. Vemos esta realidade no momento da morte de Jesus em relação ao bom ladrão que foi o primeiro santo canonizado pelo próprio Senhor. A fonte de misericórdia no coração de Jesus inundou a vida deste homem fazendo que toda sua existência fosse entregue nas mãos do Senhor.
Assim como Deus perdoa a todos da mesma forma Ele ama aos seus filhos e quer a salvação de todos sem exceção. Só poderemos entender o seu gesto se experimentarmos a verdadeira alegria que é fruto do altruísmo universal, ou seja, de nossa abertura de coração a todos que precisam de nosso auxílio.
“Senhor Jesus fazei que sempre nos reconheçamos amados por ti.”
padre Giribone - OMIVICAPE