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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 20 de julho de 2016

17º DOMINGO TEMPO COMUM-C

17º DOMINGO TEMPO COMUM

24 de Julho – ANO C

1ª Leitura - Gn 18,20-32

Salmo - Sl 137

2ª Leitura - Cl 2,12-14



Evangelho - Lc 11,1-13



·     Jesus estava rezando, como sempre o fazia, e então os discípulos pediram que Ele os ensinasse a rezar. E foi assim que surgiu o Pai Nosso, que é a oração mais perfeita, por ter sido composta pelo Filho de Deus, e por conter tudo o que necessitamos pedir ao Pai.  Continua

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“SENHOR, ENSINA-NOS A REZAR...” - Olívia Coutinho

17º DOMINGO DO TEMPO COMUM

De 24 Julho de 2016

Evangelho Lc 11,1-13

É muito importante, termos a consciência de que somos frágeis, mas que podemos nos tornar fortes, se colocarmos a nossa segurança em Deus!
A nossa relação com Deus, deve ser de dependência  e de intimidade, como a relação de uma criança com os  seus pais!
É a nossa intimidade com Deus, que nos possibilita viver já aqui na terra, as alegrias do céu! E esta intimidade com Ele, começa com a  oração, a oração, é o nosso contato íntimo com Deus, quando falamos com  Ele e Ele fala conosco! 
A humildade deve ser o primeiro passo de quem quer dirigir-se a Deus, ninguém pode dirigir a Ele de igual para igual, querendo impor suas vontades.
 Uma oração que não nos leva à conversão, é uma oração  vazia,  portanto, não chega a Deus!  A nossa oração deve ser sincera, deve brotar do fundo do nosso  coração, ter um vínculo profundo com o nosso desejo de conversão, de buscar uma vida nova em Jesus!
Para sermos ouvidos por Deus, não precisamos fazer orações  longas, discursivas, o importante, é que o nosso falar com Deus exprima o nosso compromisso de vida com Ele e com os irmãos.
No nosso diálogo com o Pai, devemos ser  sempre objetivos  e não desejar que  por força de nossas muitas palavras, a nossa vontade seja feita.
 O evangelho que a liturgia deste Domingo coloca diante de nós, nos fala, que Jesus estava rezando num certo lugar e que,  terminada a oração, um de seus discípulos pediu  a Ele que os ensinasse a rezar: “Senhor ensina-nos a rezar, como João ensinou os seus discípulos.”
Vindos de uma cultura que dava grande importância à oração, os discípulos, certamente, estavam familiarizados com as muitas orações do Antigo Testamento, entretanto, quando ouviram Jesus rezar, sentiram - se atraídos por uma nova forma de comunicação com Deus. A intimidade profunda de Jesus com o Pai chamou a atenção dos discípulos!
Jesus ensina os discípulos a rezar e foi  por meio deles, que a oração do Pai Nosso chegou até a nós!
A oração do Pai Nosso, é a mais bela síntese de como se deve fazer uma prece! Mais do que uma simples oração, o PAI NOSSO é um roteiro seguro, do qual podemos extrair profundas lições que nos despertará para a  conversão, nos levando ao desejo de reconciliar com nós mesmos, com  Deus e com os  irmãos!  
Esta oração ensinada por Jesus,  é a oração mais completa que existe, ela nos leva ao louvor, ao compromisso de realizar  a vontade do Pai, a recorrer a Ele nas nossas necessidades do dia a dia, e principalmente a pedir o seu perdão com o  compromisso de também perdoar  a quem nos ofendeu! E por último, a oração do Pai Nosso, nos motiva a pedir ao Pai que nos ajude a não cairmos nas tentações e a nos livrarmos de todo mal!
A oração é um canal que nos permite pedir a Deus tudo que quisermos, mas não podemos esquecer, de  que somente Deus sabe o que de fato precisamos e o que é  bom para nós! O nosso "Pedir", o nosso "Procurar", o nosso "Bater" devem ser constantes, o próprio Jesus nos disse, que podemos  insistir, mas nunca devemos esquecer de que é a vontade de Deus que deve prevalecer e  não a nossa!
Feitos os nossos pedidos,  e conscientes dos nossos deveres, podemos nos aquietar,  pois  tudo que for da vontade de Deus, chegará a nós à  seu tempo!
Será que nós, realmente confiamos no que nos disse Jesus? Ou será que ainda paira sobre nós alguma dúvida, se seremos mesmos atendidos por Deus em nossas súplicas?     Tudo é uma questão de fé!           
Com a oração do Pai Nosso,  Jesus  nos ensina uma forma simples de buscar o perdão de  Deus, para podermos retornar  ao seu convívio!
No final do evangelho Jesus se refere a nós, como “maus”, o que a princípio, pode nos soar estranho, mas se aprofundarmos  um pouco mais no sentido de suas palavras, vamos entender, que ao dizer “maus”, Jesus quis   destacar a grandiosidade do coração do Pai, nos dando a certeza de que Ele  atende à quem quer que seja, basta ter fé e paciência para esperar a hora de Deus.
Temos tudo para sermos felizes, não precisamos   enfrentar as nossas   dificuldades sozinhos se temos um Pai que nos ama, que está sempre pronto para nos socorrer!
Colocando  em prática cada palavra do Pai Nosso, estaremos trilhando o caminho da santidade...

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Basta recordar a primeira leitura e o evangelho para ver claramente que a Palavra de Deus deste domingo fala da oração. Abraão reza, intercedendo por Sodoma e Gomorra; Cristo ensina seus discípulos a rezar. Portanto, a oração.
É impressionante não somente o fato de Jesus nos ter mandado rezar, nos ter ensinado a rezar, mas sobretudo, o fato de ele mesmo ter rezado com muitíssima freqüência. Basta recordar o início do evangelho de hoje: “Jesus estava rezando num certo lugar”. Nós sabemos que ele passava noites inteiras em oração, que rezava antes dos grandes momentos de sua vida, que morreu rezando.
Afinal, por que rezar? Para nos abrir para Deus, para nos fazer tomar consciência dele com todo o nosso ser, para que percebamos com cada fibra do nosso ser, do nosso consciente e do nosso inconsciente que não nos bastamos a nós mesmos, mas somos seres chamados a viver a vida em comunhão com o Infinito, em relação com o Senhor. Sem a oração, perderíamos nossa referência viva a Deus, cairíamos na ilusão que somos o centro da nossa vida e reduziríamos o Senhor Deus a uma simples idéia abstrata, distante e sem força. Todo aquele que não reza, seja leigo, seja religioso, seja padre, perde Deus, perde a relação viva com ele. Pode até falar dele, mas fala como quem fala de uma idéia, de uma teoria e não de alguém vivo e próximo, que enche a vida de alegria, ternura, paz e amor. Sem a oração, Deus morre em nós. Sem a oração é impossível uma experiência verdadeira e profunda de Deus e, portanto, é impossível ser cristão. Por tudo isso, a oração tem que ser diária, perseverante e fiel.
Assim, quando agradecemos, reconhecemos que tudo recebemos de Deus; quando suplicamos, reconhecemos e aprendemos que dependemos dele e da sua providência; quando intercedemos, aprendemos e experimentamos que tudo e todos estão nas mãos amorosas de Deus; quando pedimos perdão, reconhecemos que nossa vida é vivida diante dele e a ele devemos prestar contas da existência que recebemos. Portanto, a oração nos abre, nos educa, nos amadurece, nos faz viver em parceria com o Senhor.
Quanto aos modos de rezar, são variados. A melhor forma é com a Sagrada Escritura: tomando a Palavra de Deus, lendo-a com os lábios, meditando-a com o coração e procurando vivê-la na existência. Tome diariamente a Bíblia, leia-a com fé, repita as palavras ou frases que tocaram seu coração e derrame sua alma diante do Senhor. Nunca esqueçamos que essa Palavra de Deus é viva e eficaz, transformando a nossa vida e dando-lhe um novo sentido. Também é importante a oração espontânea, com nossas palavras e a oração vocal, aquela decorada, como o Pai-nosso e a Ave-Maria. Aqui, é bom recordar o terço, que tanto bem tem feito ao longo dos séculos. Mas, a oração por excelência é a própria missa. Aí, de modo pleno, nós somos unidos à própria oração de Cristo, participando do seu sacrifico pela salvação nossa e do mundo inteiro.
Mas, recordemos que a oração não é uma negociata com Deus nem é para dobrar Deus aos nossos caprichos. É, antes, para nos tornar disponíveis à vontade do Senhor a nosso respeito. Uma das coisas muito belas da oração é que, tendo rezado e pedido, o que acontecer depois podemos saber com certeza que é vontade de Deus! É nesse sentido que Nosso Senhor afirmou que tudo quanto pedirmos em seu nome, o Pai no-lo concederá. Ora, o que é pedir em nome de Jesus? É pedir como Jesus; “Pai, não se faça a minha, mas a tua vontade”. Rezar assim é entrar no cerne da oração de Jesus. Então, tudo que nos vier, saberemos que é vontade do Pai, pois sabemos que nossa oração foi atendida; e nisto teremos paz.
Que nesta missa, nós peçamos, humildemente, como os primeiros discípulos: “Senhor, ensina-nos a rezar”. E aqui não se trata de fórmulas, mas de atitudes. Observemos que a oração que Jesus ensinou, o Pai nosso, é toda ela centrada não em nós, mas no Pai: no seu Reino, na sua vontade, na santificação do seu nome. Somente depois, quando aprendermos a deixar que Deus seja tudo na nossa vida, é que experimentaremos que somos pessoas novas, transformadas pela graça do Senhor.
Cuidemos, pois de avaliar nossa vida de oração e retomar nosso caminho de busca de intimidade com o Senhor, ele que é a fonte e a razão de ser da nossa existência.
dom Henrique Soares da Costa

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Pedi e recebereis
Primeira leitura
Este texto, continuação do que foi lido no domingo passado, nos mostra Abraão, pai da fé e antepassado de Israel, como grande intercessor ante os habitantes dessas cidades. Mostra uma atitude a imitar: abertura e ajuda aos demais. A negociação entre o intercessor e Deus, lembra o estilo oriental (e muito latino-americano também) de regatear. O que se busca é acentuar a insistência intercessora de Abraão e a magnitude do pecado de Sodoma e Gomorra.
O texto é o melhor exemplo de oração como diálogo audaz e comprometido com Deus, no qual vemos Abraão conversar com o Senhor e procurar convencê-lo a partir de sua bondade e justiça, porém, com aparente excesso de confiança. O estilo e modo de proceder é de uma mentalidade semítica: colocar em jogo a honra de Deus, sua reputação de justiça, porém que mostra a confiança em Deus e a proximidade dos homens a ele.
Por outra parte, esse texto pode ser modelo para o tema da hospitalidade: Ao narrar como estes “três seres” escutam a Abraão atentamente. Esta “atenção” lhe permite entrar no mistério. Uma pessoa se revela como o Senhor (18,10.13.20) e os outros como seus anjos (19,1). A narrativa que a princípio falava de três homens, adquire aqui um caráter teofânico e manifesta o sentido profundo da hospitalidade.  
Segunda Leitura
A partir desse texto, os cristãos consideravam a pia batismal como um sepulcro no qual somos sepultados com Cristo; por outra parte, é também como a mãe que engendra a vida; daí o expressivo ritual da imersão. Porém, o ritual que representa a more e a ressurreição, somente é eficaz se corresponde à fé em Deus que ressuscitou a Cristo de entre os mortos.
É a expressão do vínculo que existe entre o batismo e a fé. Pecado e morte, fé e batismo são correlativos. A inserção ao mistério de Cristo acontece no batismo, porém se fundamenta na fé. Ressuscitar significa viver em Cristo, como consequência de ter obtido o perdão dos pecados como resultado da morte do Senhor. Coerentemente, Paulo diz que o perdão do pecado é libertação da lei e de sua observância, porque existe uma correspondência entre Lei, morte e pecado (cf. Rm. 7,7-9). A maior expressão paulina a respeito se encontra aqui como imagem. A Lei foi cravada na cruz. 
Evangelho
A oração faz parte da vida do povo judeu. Os piedosos voltavam seu pensamento a Deus varias vezes ao dia. Jesus aprende a orar a partir do povo e de sua tradição. Como bom judeu, aprendeu a rezar em família e na sinagoga. Em seu ministério, sua oração adquire uma particularidade: sua intimidade com Deus, “seu Abba”. Lucas o descreve em oração em várias ocasiões (3,21; 5,16; 6,12; 9,29). Mesmo sendo a mais breve, os exegetas reconhecem em Lucas a transmissão mais fiel da oração do Pai Nosso. Do aramaico passou ao grego e assim foi incluída por Lucas em sua narrativa.
A expressão Pai já foi explicada. Aqui vamos explicar o restante: Santificado seja o teu nome: ou seja, que Deus seja conhecido, dado a conhecer, louvado, amado, glorificado e agradecido por todas as pessoas do mundo. Que o nome do Senhor seja o mesmo Deus, receba estima, amor veneração e piedosa adoração por todos e cada vez mais. É preciso perceber a ordem no Pai Nosso: antes de tudo que Deus seja reverenciado e amado. 
Venha a nós o teu reino: é uma oração missionária. O objeto de busca dos missionários é fazer com que Deus reine nas pessoas das terras que estão missionando, a partir de suas culturas e idiossincrasias. É o que devemos desejar e pedir e buscar em todos os tempos: que Deus reine. Que venha seu Reino. Se primeiro buscamos o Reino de Deus, tudo o mais virá por acréscimo. É um desejo que Deus reine em nossa mente, em nosso coração, em nossa casa, na sociedade, na nação e no mundo inteiro e em quantas nações e pessoas ainda não reina. 
Dá-nos hoje o pão de cada dia. Pedimos para cada dia o pão, sem demasiada preocupação com o futuro, porque Deus estará também no futuro e o proverá. Como o Maná do deserto, o pão de cada dia é um dom maravilhoso da bondade do Senhor. Com este pedido do pão diário pedimos que nos liberte do desemprego ou da crise, das inundações e secas que acabam com as plantações, das guerrilhas que impedem os camponeses de recolher suas colheitas; dá-nos o pão do emprego para o esposo ou a esposa, que precisam manter uma família; ajuda econômica para a mãe abandonada; proteção para o idoso excluído da sociedade. Dá-nos o pão corporal e o espiritual, agora e todos os dias, pois precisamos dele todos os dias.
Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos os que nos ofenderam. O perdão é uma arte que se consegue com infindáveis exercícios. Santo Agostinho ensina que Deus não escuta a oração que algumas pessoas fazem porque não conseguiram perdoar as ofensas, ou não pediram perdão ao Senhor por seus pecados. Sem pedir perdão pelo mal feito, como queremos que nos conceda a graça que estamos suplicando? É uma lembrança muito oportuna para que não tenhamos a mentirosa idéia de acreditar que somos bons. Deus coloca uma condição para nos perdoar: não obtemos o perdão do céu se não perdoamos na terra. O dia do juízo não terá desculpas: serás julgado da mesma forma que julgaste. Serás condenado se não quiseste perdoar aos demais, e serás absolvido se soubeste perdoar sempre (São Cipriano): O Pai Celeste dará o Espírito Santo aos que o pedem. Ele lhes dará o Espírito Santo. O objetivo final e o conteúdo da oração cristã é chegar a receber o Espírito Santo que é capaz de renovar-nos e a face da terra. O Espírito Santo é a força que vem do alto com poder avassalador, afasta os vícios, traz pensamentos e desejos bons.
O Espírito Santo quer ser nosso hóspede e é enviado pelo Pai Celeste, se o pedimos com fé e perseverança. O Espírito Santo é o que faz compreender a Sagrada Escritura. A presença do Espírito Santo nos faz orar melhor, arrepender dos pecados e despertar em nós o desejo de nos dedicar e agradar a Deus.
As pessoas viam Jesus orar com tanta devoção e notava que o Pai-Deus o escutava de maneira tão admirável que sentiam o vivo desejo de aprender dele a forma de orar para ser melhor escutado pelo Altíssimo. E havia a tradição ou costume de que os mais afamados mestres espirituais ensinavam a seus discípulos métodos fáceis e práticos de orar, pois a oração, como toda boa arte, necessita de um mestre que guie o principiante. João Batista havia ensinado seus seguidores alguns métodos práticos de fazer oração, e agora a Jesus era solicitado também esse grande favor. É que uma arte não se aprende sem um bom mestre. E orar é uma arte.
Esta deveria ser uma de nossos mais frequentes e fervorosos pedidos a Jesus: Senhor, ensina-nos a orar! Se Jesus não nos ensina a arte de orar, estaremos perdidos nesse trabalho tão nobre e difícil. Devemos aprender a “orar”, isto é, a falar com Jesus e com seu Pai e nosso Pai e com o Espírito Santo, com o amor e a confiança de filhos muito amados. Aprender a orar de tal maneira que nossa oração sempre seja escutada. Que nosso orar não seja somente pedir, mas também adorar, agradecer e amar.
Digamos a Jesus: “Ensina-nos a orar”, não com nossos lábios, mas do fundo do nosso coração e com toda a atenção, para que seja, como dizia Santa Teresa, “um falar com Deus que sabemos que nos ama imensamente”. Senhor, ensina-nos a orar! São estas as quatro condições da oração:
Atenção: porque se não prestamos atenção ao que dizemos a Deus, como podemos pretender que ele preste atenção ao que lhe pedimos? 
Humildade: reconhecer que não temos nada que não tenha sido recebido e por isso pedimos para ser escutados.
Confiança: lembrando que o Senhor Deus nos ama muito mais que a melhor das mães ao mais amado dos filhos.
Insistência: Como Abraão, quando intercede por Sodoma: sem cansar-se de pedir.
A oração é uma página em branco. “Eu lhes darei tudo o que necessitem e me peçam com fé”. Abaixo está a assinatura: “Deus”. Que escrevemos em todo esse espaço em branco? Ou seremos tão loucos a ponto de não escrever nada?
Com a ajuda do Espírito Santo, o grande mestre e guia que nos faz compreender a Sagrada Escritura, meditemos sobre a mais bela oração do mundo, o Pai Nosso, a oração na qual empregamos as mesmas palavras de Jesus. O Pai Nosso se compõe de duas series de pedidos: a primeira se refere a Deus, a outra, mais numerosa, se refere a nós. Somente depois de ter pedido que Deus seja glorificado, devemos atrever-nos a pedir que nós sejamos socorridos. Tertuliano dizia que o Pai Nosso é o resumo de todo o evangelho. E Cipriano afirma que ao Pai Nosso não lhe falta nada para ser uma oração completa. No Diário Bíblico está a explicação da primeira palavra: Pai - palavra com a qual Jesus nos ensinou a chamar a Deus. Dizem certos autores que a noticia mais bela trazida por Cristo é que Deus é nosso Pai e que lhe agrada que o tratemos com um pai muito amado. São Paulo dirá: “Não recebemos um espírito de temor nem um espírito de filhos adotivos, mas um espírito de filhos que nos faz exclamar: Abba, Pai! (Rm 8,15). Não temos um Deus distante, mas um pai próximo. Ninguém de nós é um órfão. Ninguém de nós se sente desamparado; todos somos filhos do Pai mais amável que existe. E se temos um mesmo pai, somos todos filhos dele, portanto devemos reconhecer-nos e amar-nos como irmãos. Se o chamamos “Pai”, amemo-lo como um bom pai e não sejamos faltos de carinho para com ele (Orígenes). Deus, pois, é um pai que conhece muito bem as necessidades de seus filhos, alegra-se em ajudá-los e sente enorme satisfação cada vez que pode socorrê-los. E nos ajuda, não porque nós somos bons, mas porque ele é bom e generoso em seus sentimentos. Talvez não nos teríamos atrevido a chamar a Deus de nosso Pai, se Jesus não nos tivesse ensinado a chamá-lo assim. Não esqueçamos, a oração é o meio mais seguro para obter de Deus a graça que necessitamos para nossa salvação (Santo Afonso). 
Oração: Pai, que através de teu Filho nos ensinaste a pedir, buscar e clamar com insistência, escuta nossa oração e concede-nos a alegria de sentir que nos atendes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém!

Claretianos


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O Mestre ensina a rezar
João Batista ensinou seus discípulos a rezar. Os apóstolos pediram também a Jesus que fizesse o mesmo com eles. E Jesus ensinou o "Pai nosso". É a mais bela de todas as orações, e é rezada milhões de vezes por dia pelos cristãos, em toda a face da terra, às vezes até de maneira muito espontânea, em certos momentos de dor ou de alegria coletiva. A redação do Pai-nosso em são Mateus é mais longa e mais completa. Em são Lucas, mais abreviada. Jesus a terá ensinado mais uma vez, e as redações diferentes se devem, sem dúvida, ao uso de catequese. Mas o pensamento substancial é o mesmo.
A oração se abre com um louvor a Deus. É aquilo que na arte da oratória se chama "captatio benevolentiae" a conquista da benevolência. Queremos atrair para nós a boa vontade de Deus. Mas essa "captatio benevolentiae" no Pai-nosso não se estende em muitos louvores, como acontece em certas orações muçulmanas. É muito concisa. Mas também muito expressiva: "Pai nosso, que estais no céus". E tem o dom de elevar nosso pensamento para o alto, e de desprender-nos da materialidade das coisas do tempo, que muitas vezes podem impedir-nos de rezar bem. Seguem-se, então, os pedidos. Primeiro para a glória de Deus: que seu nome seja santificado (o nome de Deus significa o próprio Deus), que venha o seu reino; que se faça a sua vontade "assim na terra como no céu". Depois os pedidos em nosso benefício: o pão de cada dia, o perdão dos pecados, a libertação das tentações e de todo o mal. Quando pedimos o perdão dos pecados, comprometemo-nos a perdoar também a quem nos ofendeu. Essa atitude é tão essencial no Evangelho, que são Marcos a menciona, mesmo sem trazer a inteira oração do Pai-nosso (cf. Mc. 11,25-26). E fácil observar que o Pai-nosso, eminentemente evangélico e cristão, pode ser rezado por qualquer pessoa que tenha fé em Deus. E uma oração universal.
E importante rezar. E rezar com freqüência. E insistir na oração, quando queremos obter de Deus algum favor. Não porque Deus precise de ouvir muitas vezes nosso pedido, mas para que nós demonstremos nosso interesse e nossa confiança. "Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e se vos abrirá. Pois todo aquele que pede, recebe; o que busca, acha; e ao que bate, se abrirá (Lc. 11,9-10). E Jesus o confirma com uma comparação oriental muito viva. Lembra que, se alguém vai bater à porta de um amigo, alta noite, porque lhe chegou um hóspede inesperado, e precisa de três pães para lhe oferecer, a princípio oamigo reclamará, porque já está deitado e não são horas de ser incomodado. Mas, se continuar a bater e a chamar, o amigo acaba atendendo (cf. vs. 5 a 8). E nessa mesma linha de atendimento à oração, faz ainda três bonitas comparações. Se um filho pede ao pai um pão, o pai não lhe dará uma pedra (ver Mt. 7,9); se pede um peixe, não lhe dará uma serpente; se pede um ovo, não lhe dará um escorpião. "Pois, se vós que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que lho pedirem?" (Lc. 11,11-13). É claro que o Espírito Santo é o maior dom que se possa pedir a Deus.
Talvez se pudesse comentar que um pai aqui na terra nunca daria uma pedra a um filho que lhe pedisse um pão. Mas o Pai do céu vai mais longe ainda: daria um pão, mesmo que o filho desencaminhado pedisse uma pedra. Ele corrige nossos estouvamentos. Para usarmos uma comparação muito singela, se alguém pedisse a Deus a "graça" de tirar a sorte grande na loteria, Deus poderia dar-Ihe em vez disso a graça - essa sim verdadeira graça - do amor ao trabalho e do bom êxito nesse trabalho. Ele pediria uma "serpente", e Deus lhe daria um peixe, para nos valermos da palavra do divino Mestre.
O Evangelho está cheio de lições muito valiosas sobre a oração. Sobre tudo no sermão da montanha. Não há religião sem oração. E o progresso espiritual de alguém se mede pela qualidade da sua oração. De acordo, aliás, com uma sapientíssima palavra de santo Agostinho: "Recte novit vivere, qui recte novit orare", isto é, aquele que rezar bem, sabe viver dignamente.
padre Lucas de Paula Almeida, CM







Era costume da época, os mestres ensinarem seus seguidores a rezar, como uma forma de transmitir a eles a essência de suas mensagens. Os discípulos observavam Jesus falar com Deus, em oração com tanta intimidade, que despertava neles a vontade de aprender a falar com Deus da mesma forma e, por isso, pedem que Ele os ensine. Jesus então lhes mostra uma forma muito íntima de falar com Deus, e como deseja que todos os cristãos se relacionem com Ele, e lhes ensina a mais bela e completa oração que conhecemos, chamando Deus de “Pai”.
O texto do Evangelho de hoje pode ser dividido em três partes distintas que se complementam: a oração, a persistência e a confiança.
Jesus ensina a rezar a oração com intimidade de filho, chamando Deus de Pai. Ele faz cinco pedidos: “Santificado seja o teu nome”, desejando que todos reconheçam a santidade de Deus; “Venha o teu Reino“, como desejo do verdadeiro cristão que o Reino, repleto de amor, justiça e paz, faça parte de sua vida; “Dá-nos cada dia o alimento que precisamos”, que nos seja dado o necessário para o sustento, sem acumular para o dia seguinte, assim como o maná no deserto que caía todos os dias alimentando o povo de Deus; “Perdoa as nossas ofensas, pois também nós perdoamos todos os que nos ofenderam”, como um pedido a Deus de perdão futuro, que depende de nossa ação de perdoar primeiro o próximo; “Não nos deixes cair em tentação”, que Deus não permita a seus filhos desviar de Seu projeto.
Logo após a oração, Jesus através de uma parábola, dá orientações valiosas aos discípulos, para que persistam na oração, pois o Pai os atenderá assim como o vizinho que de tanta insistência acabará por se levantar e ceder o pão ao outro. E confiem que podem pedir, pois Deus está sempre pronto a atender seus filhos. Cabe a cada um pedir e acreditar com fé de que será atendido, pois até mesmo um homem mau não recusa o pedido de um filho, quanto mais o Pai que está no céu.
Muitos cristãos não pedem a Deus coisas corriqueiras, por acharem que Deus é ocupado demais para ouvir um simples apelo do dia-a-dia, e fazem apenas orações de agradecimento e contemplação, mas Jesus ensina com o Pai-Nosso, que o Pai está sempre pronto a ouvir, a saciar seus filhos com o pão de cada dia, e que Ele espera o pedido com confiança e persistência.
Essa parábola põe toda ênfase na certeza de sermos ouvidos. O Pai nos dá a cada dia o pão que precisamos, mas nós temos que importunar os amigos para conseguir emprestado. Deus não age assim conosco, nem considera importuno os pedidos que nascem das necessidades dos seus filhos. Os amigos de Deus sempre rezaram na certeza de serem atendidos. Abrahão e Moisés são exemplos de pessoas que rezaram com confiança, humildade e ousadia na certeza de serem ouvidos por Deus.
Deus não quer a morte do injusto, mas que ele se converta e viva. O Pai-nosso, a única oração que Jesus nos ensinou, é o melhor exemplo de oração, de intimidade com Deus, de comunhão com o Seu projeto de vida que é o Reino, e o compromisso que leva à novas relações de partilha e de perdão, e a superação das “tentações” da sociedade estabelecida, na certeza de sermos atendidos em nossas necessidades.

Pequeninos do Senhor



A misericórdia do pai celeste
O traço mais característico do Pai, transmitido nos Evangelhos, é a misericórdia. Por isso, ao ensinar os discípulos a rezar, Jesus revela-lhes o rosto misericordioso do Pai, e os exorta a contar sempre com ele. Um dado fundamental: é preciso ser perseverante, quando se trata de recorrer ao Pai. Só ele conhece o momento oportuno de atender a quem lhe pede ajuda. Contudo, ninguém perde por esperar.
A argumentação de Jesus funda-se na insuperável misericórdia divina. Se nenhum pai humano, por pior que seja, responderia à súplica de um filho, dando-lhe algo nocivo, quanto mais o Pai celeste. Sua bondade infinita responde generosamente a quem lhe suplica. E ninguém fica decepcionado, pois é garantida a sua intervenção em favor de seus filhos.
A oração do Pai-Nosso é o resumo de tudo de que há de bom e que o discípulo pode desejar obter do Pai. Para rezá-lo, o orante deverá despojar-se de suas ambições pessoais e sintonizar-se com a misericórdia divina. Por isso, seu desejo é ver santificado o nome do Pai celeste, e concretizado seu Reino, na história humana. Seus anseios abrem-se para as relações interpessoais e se manifestam na esperança de ver o pão ser partilhado entre todos, os pecados, perdoados, e o ser humano, livre das insídias do Maligno. Só um coração misericordioso, à imitação do Pai, poderá nutrir tais desejos!
padre Jaldemir Vitório






A vida cristã acontece nos relacionamentos familiares, profissionais e de vizinhança. Um vizinho pede ajuda, um se preocupa com o outro, procuramos fazer coisas boas para os nossos familiares e os nossos amigos. Quando alguém se interessa por nós, nós nos sentimos valorizados e felizes. Assim também é Deus conosco, e muito melhor porque Ele não deixa de atender aos nossos pedidos. Ele não nos dá coisas, Ele nos dá o Espírito Santo.
Ora, o Espírito Santo em nós é a presença ativa do amor dinâmico e construtivo. O Espírito, que é Amor, nos torna criativos e inventivos. Quando se ama realmente, procura-se o melhor para a pessoa amada. Assim, no relacionamento renovado, próprio do cristão, estamos sempre criando algo novo para que os outros estejam bem. Estamos o tempo todo procurando uma Boa Notícia que alegre o coração do nosso próximo.
Nossa fé não pode ser expressa apenas em fórmulas fixas e repetitivas. O Espírito Santo presente em nós aciona a nossa criatividade e a orienta para o bem dos nossos irmãos. O amor foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado, nos leva a uma vida dinâmica, sempre atenta ao que pode se tornar boa notícia para os outros. Podem ser gestos pequenos, podem ser grandes ações, o importante é estarmos sempre criando situações que favoreçam a alegria e a felicidade de todos. Isto se chama ser prestativo. Nas bodas de Caná, Maria, cheia do Espírito Santo, estava atenta às necessidades dos noivos e procurou ajudá-los quando faltou o vinho.
A mediação e a intercessão fazem parte da nossa solidariedade fraterna. Mediar situações difíceis, interceder para que haja perdão, como fez nosso pai Abraão em favor dos habitantes de Sodoma e Gomorra. Às vezes, é preciso ser insistente, como na oração, segundo o ensinamento do próprio Jesus, tanto em relação a Deus como em relação aos outros.
Se temos algum problema que não sabemos como resolver, podemos insistir junto de Deus, por intermédio de seus santos, nossos intercessores, para que nossa causa seja atendida. A oração com fé remove montanhas e consegue milagres. Deus, porém, nos dá de antemão o Espírito Santo, a fim de que procuremos para os problemas as soluções humanas ao nosso alcance. O início de todo o nosso esforço vem da graça de Deus, mas podemos pedir ajuda se o nosso esforço não for suficiente. Não peça, porém, sem antes ter feito a sua parte, porque você já recebeu o Espírito Santo.
Podemos dizer o mesmo em relação aos outros, sobretudo quando se trata de ajudar alguém. Podemos ser mediadores insistentes que procuram aproximar corações distanciados, obter perdão, abrir caminhos novos. Quem é solidário não mede esforços para ajudar os outros e, se ama, não se cansa.
Da mesma forma podemos ser ativos nas conquistas sociais que beneficiam, sobretudo os mais fracos, sem nos esquecer de que eles também devem viver a justiça. A obtenção de direitos sociais por meios lícitos e justos é uma causa a ser abraçada. É bom, porém, pedir também a Deus para não cairmos em tentação. A tentação está sempre às portas, e pode minar a autenticidade da causa defendida. A maldade instituída também tem seus defensores.
cônego Celso Pedro da Silva



O que pedir? O que Deus oferece?
No texto do evangelho deste domingo é enquadrado à menção do “pedido”: no v. 1, “um dos discípulos pediu-lhe: ‘Senhor, ensina-nos a orar…?”; no v. 13 é Jesus quem diz: “… quanto mais o Pai do céu saberá dar o Espírito Santo aos que lhe pedirem!”. O “pedido” é o tema principal de nossa perícope. Qual deve, então, ser o pedido que caracteriza a súplica do discípulo? Pedido e promessa visam ao Espírito Santo. Não é, aqui, o espaço de fazermos um comentário sobre o Pai-Nosso.
Basta simplesmente dizer que, o que nos permite entrar no dinamismo da relação filial entre Jesus e o Pai, é o Espírito Santo, que o Pai dará.
Segue à oração do Pai-Nosso, que é a oração do Senhor e da comunidade que ele reúne, uma parábola (vs. 5-8) e sua interpelação para o discípulo (vs. 9-12). O que pedir? O que Deus oferece?
É preciso mover a vontade e pedir insistentemente (cf. vs. 8-9), sem desanimar.
A súplica é exercício de humildade e confiança. Mas o que pedir? O Pai-Nosso ilustra: pão, perdão, não ceder às tentações. Pedir não só para o indivíduo, mas para todos. Mas não é só, ou não é tudo, pois a vida do ser humano não se reduz ao imediato. Deus nos oferece gratuitamente o Espírito Santo (v. 13); Jesus sugere que nós o supliquemos ao Pai. É o Espírito Santo, Deus em nós, que ilumina nossa vida para que possamos discernir as soluções dos dramas humanos. É o Espírito Santo que nos permite entrar na intimidade divina.
Carlos Alberto Contieri,sj






quinta-feira, 14 de julho de 2016

16º DOMINGO TEMPO COMUM-C

16º DOMINGO TEMPO COMUM


1ª Leitura - Gn 18,1-10a



Salmo 14

2ª Leitura - Cl 1,24-28


Evangelho - Lc 10,38-42






Então Marta achou que tinha escolhido a melhor parte, ela estava agitada fazendo tantas coisas, preparando o almoço para aquela visita tão importante em sua casa, enquanto sua irmã, a Maria sentou-se aos pés de Jesus, e ali permaneceu escutando a sua palavra... Leia mais


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 “PORÉM, SÓ UMA COISA É NECESSÁRIA!” – Olivia Coutinho.

16º DOMINGO DO TEMPO COMUM.

Dia 17 de Julho de 2016

Evangelho de Lc10,38-42

A nossa correria do dia a dia, nos  rouba  de Deus e de nós mesmos! Nossa  preocupação em fazer, fazer e  fazer, nos impede de “ser”:  de  ser amigo, de ser pai, mãe, esposo, esposa, filhos... E assim, vamos deixando as coisas mais  importantes de lado!
O evangelho que a liturgia deste Domingo nos convida a refletir, chama a nossa atenção sobre a importância de dedicarmos tempo na escuta da palavra de Deus, é  a partir desta escuta,  que vamos nos inteirando  do querer de Deus, aprendendo a viver do jeito de Jesus!
O texto nos coloca em Betânia, na casa de duas amigas de Jesus: Marta e Maria, duas irmãs, que se alegram ao receber o grande amigo em  sua casa! As duas querem acolhem  bem Jesus, cada  uma,  a seu modo. Maria faz opção pela escuta atenta da sua palavra, enquanto que Marta, se ocupa com  os afazeres, talvez,  querendo oferecer ao amigo uma boa refeição...
A narrativa nos diz, que Maria, sentou-se para ouvir Jesus, o que caracteriza  a postura  do discípulo que  quer aprender com o  Mestre! Aquele momento para ela, certamente, era um momento único, por isto, ela quis aproveitá-lo ao máximo, afinal, não era todo dia que Jesus estava ali, diante dela!  
Em Maria, temos o exemplo de como deve ser a nossa postura diante de Jesus: de escuta! Marta também, nos dá um exemplo de dedicação ao serviço, com uma ressalva: ela deveria ter compreendido  a postura da irmã e não ter reclamado dela com Jesus!  
 Marta também, desejava ouvir Jesus, mas a preocupação exagerada com as afazeres domesticas, foi maior, privando-a  de desfrutar as maravilhas que a visita de Jesus poderia lhe proporcionar.
Talvez, a falha de Marta, não tenha sido na sua  dedicação  ao serviço,  e sim, em querer  desempenhá-lo, sem  antes, ouvir Jesus!
Quando Marta reclama com Jesus, sobre a  postura de Maria em não querer ajuda-la,  Ele, com uma suave repreensão, acalma  Marta dizendo:  “Marta, Marta tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”!
Com estas palavras, Jesus não só corrige  Marta, como também nos alerta sobre a importância de nossas escolhas! Devemos priorizar as coisas de Deus, antes de iniciar  as nossas tarefas diárias, devemos primeiro, dedicar  tempo a Deus, ouvindo o que Jesus  tem a nos dizer! 
A intenção de Marta, era boa, afinal, ela queria servir bem a Jesus,  mas o próprio Jesus  já havia dito: ”Eu não vim para ser servido, mas para servir.” Mc 10,45
Deixemo-nos, pois, de nos preocupar com tantos afazeres,  paremos um pouco,  para ouvir Jesus, Ele nos fala a todo momento, através das escrituras, dos acontecimentos  das pessoas... Se não tirarmos tempo para ouvi-Lo,  a sua mensagem vai passando  desapercebida aos nosso sentidos.
 Hoje, Jesus continua a nos dizer: "Só uma coisa é necessária..."
Para muitos, pode ser difícil definir o que é necessário, mas para nós, que dizemos seguidores de Jesus, deve estar claro, o necessário é: ouvir Jesus, saber o que Ele quer de nós e para nós! Se assim fizermos, tudo fluirá bem em nossa vida! "E tudo mais nos será acrescentado."
O nosso relacionamento  com Jesus através da escuta de sua palavra, é imprescindível, a eficácia de todos os nossos feitos, está em nos deixar orientar por Ele!  
O amor, a busca pela santidade, deve ser o nosso objetivo primeiro, o horizonte que não podemos perder  de vista em meio as nossas ocupações diárias.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Duas mulheres admiráveis: Maria e Marta
Uma só coisa é necessária (Lc  10,42).
“Enquanto o grupo de discípulos prossegue seu caminho, Jesus entra sozinho numa aldeia e se dirige a uma casa onde encontra duas irmãs de quem ele gosta muito.  A presença de seu amigo  Jesus vai provar nelas duas reações diferentes.
Maria, certamente a irmã mais jovem,  deixa tudo e “fica sentada aos pés do Senhor”.  Sua única preocupação é escutá-lo. O evangelista descreve-a com traços que caracterizam o verdadeiro discípulo:  aos pés do Mestre, atenta à sua voz, acolhendo sua Palavra e alimentando-se de seu ensinamento.
A reação de Marta é diferente. Desde que Jesus chegou, ela não faz senão desvelar-se  para acolhê-lo e atende-lo devidamente.  Lucas descreve-a angustiada por muitas ocupações. Chega um momento em que, sobrepujada pela situação e magoada com sua irmã, expõe sua queixa a Jesus: “Senhor, não te importa que  minha irmã me tenha  deixado  sozinha com o serviço? Dize-lhe que me dê uma mãozinha”.
Jesus não perde a calma. Responde a Marta  com um grande carinho, repetindo devagar seu nome; depois faz ver que ele também se preocupa com o sufoco que ela está passando,  mas ela precisa saber que escutar a ele  é tão necessário que nenhum discípulo  que nenhum discípulo pode ser privado de sua  Palavra:  “Marta, Marta  andas inquieta e nervosa  com tantas coisas.   Só uma coisa é necessária e Maria escolheu  a melhor parte e está não lhe será tirada”.
Jesus não critica o serviço de Marta. Como iria fazê-lo se ele próprio, com seu exemplo, está ensinando a todos a viver acolhendo, servindo e ajudando os outros?  O que ele critica é seu modo de trabalhar, com os nervos à flor da pele, sob a pressão de demasiadas ocupações.
Jesus  não contrapõe a vida ativa à vida contemplativa, nem a escuta fiel de sua Palavra e o compromisso de viver praticamente a entrega aos outros.  Antes, alerta quanto ao perigo de viver  absorvidos por um excesso de atividade, apagando em nós  o Espírito e transmitindo mais nervosismo e afobação  do que paz e amor.
Sob pressão da escassez de forças, estamos nos habituando a pedir aos cristãos mais generosos todo tipo de compromissos dentro e fora da Igreja. Se, ao mesmo tempo, não lhes oferecemos   espaços e momentos  para conhecer Jesus, escutar sua Palavra e alimentar-se de seu Evangelho, corremos o risco de fazer crescer na Igreja  a agitação e o nervosismo, mas não seu Espírito e sua paz.  Podemos nos deparar  com comunidades animadas pro funcionários afobados, mas não por testemunhas que irradiam vigor”.
(José A. Pagola, O caminho aberto por Jesus: Lucas,  Vozes, p. 187-188)
frei Almir Ribeiro Guimarães




O único necessário
O ativismo não data deste século.  É uma doença que espreita a humanidade desde sempre. Jesus, às vezes um tanto irreverente para com seus anfitriões (cf. Lc. 13,27ss), aproveita as intensas ocupações da Da. Marta, sua anfitriã, para falar do assunto (evangelho). Pois ela deseja que Da. Maria, imersa na escuta das palavras de Jesus, interrompa sua audiência e a ajude para preparar a comida. Mas, por que preparar comida, se não se sabe para quê? Se a gente não se abre para acolher a mensagem, para que acolher o mensageiro? Um bom anfitrião procura servir o melhor possível, mas se ele não faz tempo para se abastecer, que poderá oferecer? Um montão de coisas, mas não aquilo que serve. “Marta, Marta, tu te ocupas com muitas coisas; uma só, porém, é realmente indispensável”. Não diz o quê. Só diz que Maria escolheu a parte certa: escutar Jesus. Muito mais importante do que acolher Jesus numa casa bem arrumada, a uma mesa bem provida, é acolhê-lo, com suas palavras, no coração. Então saberemos preparar a mesa do modo certo.
Marta dá muita importância àquilo que ela está fazendo, e pouca àquilo que ela recebe de Jesus. A 1ª leitura mostra que, quando se está oferecendo hospitalidade, na realidade está recebendo. A hospitalidade que Abraão generosa e gratuitamente oferece a três homens, perto do carvalho de Mamré, transforma-se num receber; recebe a coisa que mais deseja: um filho de sua mulher legítima, Sara. Talvez por isso se diga que a hospitalidade é “receber” uma pessoa: o hóspede é um dom para nós.
A verdadeira hospitalidade não é preparar muitas coisas, mas acolher o dom que é a pessoa. Receber as pessoas com atenção, dar-lhes audiência, pode ser uma ocasião para receber a única coisa verdadeiramente necessária, a palavra de Deus: sua promessa (no caso de Abraão), seu ensinamento (no caso de Maria). Deus vem no ser humano. Paulo (2ª  leitura) sabe desta união de Deus e Cristo com o homem que lhes pertence. Seu sofrimento, ele o considera como a complementação, no seu próprio corpo, do sofrimento de Cristo. Ele leva em si o mistério escondido desde a eternidade, a realidade que só conhece quem dela participa, a esperança da glória, “Cristo em vós”. Na comunidade dos fiéis, especialmente, desses pagãos dos quais Paulo se tomou o apóstolo, está presente aquele que assume todo o sentido de nossa vida e da criação toda (Cl. 1,15-20). Para que esses fiéis sejam levados à perfeição, Paulo oferece sua vida.
O ativismo, mesmo a serviço dos outros, corre o perigo de ser um serviço a si mesmo: auto-afirmação às custas do “objeto” de nossa caridade. A superação do ativismo consiste em ver o mistério de Deus nas pessoas, assim como Maria o enxergou em Jesus, certamente, o porta-voz de Deus, o portador das “palavras de vida eterna” (cf. Jo 6,68). Mas podemos também enxergar no homem o destinatário do carinho de Deus: é também uma maneira de ver Deus nele. A verdadeira contemplação não é uma fuga em pensamentos aéreos, mas aquele realismo superior que nos leva a ver Deus no homem e o homem em Deus. Esta contemplação é também o fundamento da verdadeira práxis da fé, que consiste, precisamente, em tratar o homem como filho e representante de Deus. Para isso, o centro de nossa preocupação não deve ser nossa atividade, mas a pessoa humana que nos é dada e que nós “recebemos” como um dom da parte de Deus.
Johan Konings "Liturgia dominical"




A cena se passa em Bethânia, na casa de Marta e Maria. Jesus entra na casa delas e, naquele tempo, as mulheres eram colocadas à margem, não participavam oficialmente no culto e não podiam se dedicar aos estudos da Lei. Jesus, porém, anula essas regras, elas tornam-se também discípulas que Ele procura.
As duas irmãs, de temperamento bastante diferente, cada uma à sua maneira recebe Jesus com alegria. Enquanto Marta se preocupa em receber a pessoa de Jesus servindo-lhe, procurando acomodá-lo e Lhe prepararando um banquete, Maria se concentra em servir-se dos ensinamentos do Senhor.
Este texto pode ser visto por dois ângulos: No primeiro, a escolha certa de Maria em deixar tudo e receber os ensinamentos de Jesus, acolher sua palavra, pois Ele não veio para ser servido, mas para servir; e Marta, ao se preocupar em servir a Jesus, negligencia receber em seu coração seus ensinamentos. Quando Deus visita os homens é para lhes trazer seus Dons, sua Palavra, que valem muito mais do que tudo aquilo que os homens possam fazer por Ele. Sem a Palavra de Deus não há salvação, por isso ouvi-la é necessidade absoluta.
Olhando por outro ângulo, este texto está inserido no evangelho de Lucas logo na sequência do domingo passado, onde Jesus deixa clara a forma correta de agir com amor. Por este contexto, e observando que o conteúdo dos ensinamentos de Jesus que Maria ouve com tanta atenção sequer são relatados, pode-se acreditar que, ao repreender Marta, Jesus não o faz por ela estar se dedicando aos afazeres domésticos, pois todas as atividades são importantes aos olhos Dele, mas sim pela forma como faz. Ele quer que Marta compreenda um modo novo de realizar as tarefas seguindo seus ensinamentos e, não importando qual seja a missão, elas devem ser realizadas com amor e alegria, sem atropelos. Não é a multiplicidade de obras que salva o homem, mas sim viver a Palavra de Deus com amor, fidelidade e muita alegria.
Pequeninos do Senhor


A melhor parte
A cena evangélica desafia-nos a fazer uma leitura integrativa, sem contrapor Maria e Marta, como se uma fosse símbolo da ação e a outra, da contemplação, como se uma tivesse feito uma ação louvável e a outra, uma ação censurável. Portanto, quando Jesus fala que Maria escolheu a melhor parte, pensa-se logo que a contemplação é mais importante que a ação ou, mais radicalmente, a contemplação pode prescindir da ação.
Tanto a atitude de Maria quanto a de Marta foram de carinhosa acolhida a Jesus e a seus discípulos. A primeira deteve-se a escutar o amigo recém-chegado, enquanto a outra pôs-se a preparar uma refeição para esses hóspedes. Diante de amigos com fome, nada melhor do que oferecer-lhes algo para restaurar as forças. O erro de Marta consistiu em não começar por acolher a quem chegava, talvez depois de um longo período de ausência. Era preciso acolher o Mestre, antes de pôr-se em ação. Afinal, Jesus estava mais interessado em partilhar alguns momentos de convívio com uma família amiga do que em degustar uma excelente refeição.
No caso de Maria, sua amabilidade inicial transformar-se-ia em insensibilidade, se fosse incapaz de perceber a situação dos amigos e não se apressasse em dar-lhes comida. Ela, porém, agiu corretamente. Sua ação foi precedida da escuta da palavra do Mestre. Ou seja, a contemplação culminou e expressou-se na ação caridosa para com os visitantes.
padre Jaldemir Vitório




Se a nossa pastoral se faz na rua, a exemplo dos apóstolos e do Senhor Jesus, nossas igrejas e todas as nossas instituições materiais são casas de acolhida. A casa de Marta e Maria acolhendo Jesus é o modelo das nossas instituições. "Quem vos acolhe a mim acolhe", e "o que fizerdes ao menor de meus irmãos, a mim o fareis" - disse Jesus.
Quem recebe o hóspede recebe Jesus. O anonimato de nossas "celebrações" pode ser amenizado pela acolhida. Acolher, indicar um lugar mais próximo do altar, entregar material de canto ou folhetos, assim como despedir-se, cumprimentar na porta da igreja, tudo isso ajuda a criar um ambiente humano e bom relacionamento. O importante, porém, no exemplo de Marta e Maria, é a acolhida que escuta e que serve com boa vontade, valorizando aquele que chega. Esse tipo de acolhida não acontece somente na igreja, mas em qualquer lugar.
Jesus se movimenta de um lado para outro, entra nos povoados, para nas casas. Ele se comporta como um morador do lugar, como alguém desprotegido que depende da boa acolhida dos outros. Marta e Maria o acolhem. Enquanto Marta prepara uma refeição, Maria dá especial atenção ao hóspede. Senta-se com Ele e o escuta. Parece que isso provocou algum ciúme em Marta ou, o que é muito comum, ela não gostou de ter de arcar sozinha com o serviço.
O ambiente da casa é tranquilo, normal e humano, com seus problemas de relacionamento. Jesus procura ajudar mostrando onde estão os valores e afirma que Maria escolheu a melhor parte. A melhor parte consiste em estar com Cristo e ouvir a sua Palavra. As ocupações materiais vêm depois. O que importa, porém, é que as duas foram acolhedoras, assim como Abraão, que sem saber acolheu anjos e o próprio Deus.
Abraão estava diante da sua tenda quando viu três homens que se aproximavam. Não esperou que eles chegassem e pedissem alguma coisa. Adiantou-se em preparar a acolhida e ofereceu a eles o seu espaço. Abraão e Sara foram recompensados com o anúncio do nascimento de Isaac, o filho da promessa.
Sabemos, de forma realista, que os católicos praticantes não são tão numerosos hoje em dia. Entendemos por praticantes os que participam da missa dominical e das atividades da sua comunidade. Esses deveriam constituir um núcleo forte de testemunho cristão no ambiente em que vivem, tanto em relação aos não praticantes quanto em relação aos não católicos.
Os contatos, a amizade, as visitas, a ajuda mútua para que ninguém passe necessidade deveriam ser uma prática comum. Às vezes, é mais comum a dissensão, o falatório, a concorrência, a "fofoca". No entanto, a solidariedade fora da Igreja pode se tornar um forte testemunho de vida evangélica. E na Igreja também com a atenção aos mais velhos, a indicação dos lugares vazios e mais próximos do altar, a ajuda nas informações, a entrega de material litúrgico e de evangelização. Os antigos ostiários, que cuidavam das portas, continuam sendo importantes e necessários, mais até do que o serviço do próprio altar, que se faz com mais facilidade.
A hospitalidade é a flor da caridade e revela os mistérios ocultos, porque nos torna perfeitos em nossa união com Cristo.
cônego Celso Pedro da Silva




Jesus aceita o convite das duas irmãs
O evangelho deste domingo está situado na parte central de Lucas, a “subida de Jesus para Jerusalém”.
É preciso, como ponto de partida, eliminar um equívoco, a saber, a oposição entre ação e contemplação. Neste caso, Jesus daria prioridade à contemplação sobre a ação.
Aqui, a questão é bem outra: trata-se de receber Jesus, de recebê-lo de verdade.
Foi Marta quem o recebeu: “… e uma mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa” (v. 38). Daí que é não só precipitado, mas uma má leitura do texto, desqualificá-la. Jesus aceita o convite de Marta. Aliás, ele espera ser convidado: “... eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap. 3,20). Nós temos sempre uma porta a abrir para acolher Jesus.
A fé em Jesus é hospitalidade – trata-se de recebê-lo em si, em sua intimidade pessoal e familiar. E recebê-lo bem! Receber bem é deixar o outro falar e se dispor a ouvi-lo. Escutar é um trabalho, exige esforço.
Frequentemente, há muito barulho à nossa volta, muito barulho em nós. Escutar alguém exige atenção. Escutar distraidamente, continuando a fazer as tarefas, é um modo de dizer àquele que fala que o que ele diz não tem nada de decisivo ou de importante. Escutar alguém exige, como ponto de partida, admitir que ele possa ter razão no que diz. Nosso relato tem um valor simbólico. Ele responde a uma questão fundamental para o cristão: o que é ser, realmente, discípulo de Jesus? A lição deste episódio é que ele não opõe duas opções. Ele afirma uma prioridade: escutar, receber uma palavra que se instala em nós como um hóspede se instala em nossa casa.
O erro de Marta foi ter obstruído este tempo de escuta, de ter considerado que receber Jesus é simplesmente preparar a mesa, pôr pequenos pratos, como é o costume até hoje no Oriente. Marta queria fazer-se apreciar.
Tal zelo acaba se transformando em tristeza, amargura, inveja; ela estima que o seu trabalho não é reconhecido o bastante: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda, pois, que ela venha me ajudar!” (v. 40).
O texto é um apelo a dar prioridade a uma palavra que precede tudo e que nos faz agir em consequência dela.
Carlos Alberto Contieri,sj




O Senhor hoje nos acolhe em sua Casa, hospeda-nos ao redor do seu Altar sagrado, para nos falar de hospitalidade. Aquele que nos hospeda bate à nossa porta, humildemente, como hóspede, esperando ser acolhido por nós: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap. 3,20). Abramos para ele nosso coração e nossa vida.
A Palavra de Deus apresenta-nos, nas leituras deste Domingo, dois modos de acolher o Senhor; dois modos distintos, mas que se relacionam e mutuamente se condicionam. O primeiro, é acolhendo-o na sua Palavra, como Maria, a irmã de Marta e de Lázaro. Para nós, ela é modelo do discípulo perfeito, pois “sentou-se aos pés do Senhor, e escutava sua palavra”. Marta também acolheu Jesus, mas é um acolhimento exterior e, portanto, superficial, como o daqueles que são cristãos tão empenhados em trabalhar por Cristo e em falar de Cristo, que esquecem de estar com Cristo, de realmente dar-lhe atenção na escuta da Palavra e na oração. Ora, é nisto, precisamente, que Maria, hoje, é exemplo para nós: “sentou-se aos pés do Senhor”. – Vejam a disponibilidade, à atenção à Pessoa de Cristo, a disposição em acolher a Palavra que brota do coração do Salvador: “escutava sua palavra”. Aqui, cabe-nos perguntar: neste mundo dispersivo e agitado, neste mundo da competição e do estresse, tenho tido tempo, realmente, para acolher o Cristo que bate à minha porta? “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei...” Não tenhamos dúvida que grande parte da crise de fé e de entusiasmo de muitos cristãos decorre da falta desse acolhimento íntimo em relação ao Senhor, da incapacidade de hospedá-lo no nosso afeto e no nosso coração pela escuta da Palavra que se torna oração amorosa e perseverante. Talvez sirva para todos nós, ativos em excesso e dispersos contumazes, a advertência de Jesus: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária”. Qual? Que coisa é a única necessária? Estar aos pés do Senhor, abrindo-se à sua Palavra: “O homem não vive somente de pão, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). É esta a parte que Maria escolheu e que, por nós escolhida, jamais nos será tirada, porque Deus é fiel!
Mas, há um outro modo de acolher Aquele que está à porta e bate. Este modo deve decorrer da escuta da Palavra e mostra se essa Palavra é eficaz na nossa vida. Trata-se de acolher os outros, de hospedá-los no nosso coração e na nossa vida. Recordemos a cena de Abraão, nosso pai na fé. Colhamos os detalhes! Abraão estava sentado, talvez descansando do almoço, “no maior calor do dia”. Ao ver os estrangeiros que lhe estão próximos, corre ao encontro deles. Observem a solicitude de nosso pai na fé: não os conhecia, mas corre, com pressa, até eles e os reverencia: “Assim que os viu, correu ao seu encontro e prostrou-se por terra”. Observem a insistência no convite para que os estranhos comam de sua mesa; notem a solicitude em preparar rápido o melhor que tem: entrou logo na tenda, tomou farinha fina, correu ao rebanho e pegou um dos bezerros mais tenros e melhores, pegou coalhada e colocou tudo diante dos hóspedes... Por que fez isso? Porque tem fé! Para Abraão, não existe acaso. Notem como ele diz aos estrangeiros: “Foi para isso mesmo que vos aproximastes do vosso servo”. Ou seja: fizestes-vos próximos de mim para que eu me faça próximos de vós e vos sirva! Notem ainda como a situação se inverte: ao início, Abraão estava sentado e os hóspedes, de pé; agora, Abraão está de pé, servindo, e os hóspedes, comodamente sentados. Sem saber, naqueles estrangeiros, acolhidos desinteressadamente, Abraão estava acolhendo o próprio Senhor. E, ao fazê-lo, ao esquecer-se de si para preocupar-se com os outros, tornou-se fecundo: “Onde está Sara, tua mulher? Voltarei, sem falta, no ano que vem, por esse tempo, e sara, tua mulher, já terá um filho!” Bendita hospitalidade, que gera vida! Bendito sair de nós, que nos torna fecundos!
Domingo passado, a Palavra nos fazia perguntar: quem é o meu próximo? Pois hoje, a pergunta volta, insistente: quem são aqueles e aquelas que estão de pé, à porta da minha tenda esperando que eu os acolha no meu coração e na minha atenção? Pensemos nos pobres, nos desvalidos, nos sem amor, nos que caíram, nos que se sentem sozinhos, nos que batem à nossa porta pedindo uma esmola e nos que pedem atenção, respeito, compreensão, perdão e amor... Somos tão tentados ao fechamento no nosso mundo e nas nossas preocupações! E, no entanto, neles, o Senhor bate à nossa porta, pede-nos hospedagem: “Eis que estou à porta e bato!” E isso não é de hoje nem de ontem: desde Belém, que ele está à porta, desde Belém, que ele procura o nosso acolhimento! Desde Belém, não “havia lugar para ele na hospedaria” (Lc. 2,7).
Então, somente poderemos hospedar Jesus em plenitude quando estes dois modos se completam: hospedá-lo na escuta da Palavra e no silêncio da oração e hospedá-lo naqueles que vêm a nós pelos caminhos da vida. Calha maravilhosamente hoje o conselho do Autor da Carta aos Hebreus: “O amor fraterno permaneça. Não vos esqueçais da hospitalidade, porque graças ela alguns, sem saber, acolheram anjos” (Hb 13,1s). Mais que anjos: acolheram o próprio Deus, aquele que disse: “Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes!” (Mt. 25,40).
dom Henrique Soares da Costa




As leituras deste domingo convidam-nos a refletir o tema da hospitalidade e do acolhimento. Sugerem, sobretudo, que a existência cristã é o acolhimento de Deus e das suas propostas; e que a ação (ainda que em favor dos irmãos) tem de partir de um verdadeiro encontro com Jesus e da escuta da Palavra de Jesus. É isso que permite encontrar o sentido da nossa ação e da nossa missão.
A primeira leitura propõe-nos a figura patriarcal de Abraão. Nessa figura apresenta-se o modelo do homem que está atento a quem passa, que partilha tudo o que tem com o irmão que se atravessa no seu caminho e que encontra no hóspede que entra na sua tenda a figura do próprio Deus. Sugere-se, em consequência, que Deus não pode deixar de recompensar quem assim procede.
No Evangelho, apresenta-se um outro quadro de hospitalidade e de acolhimento de Deus. Mas sugere-se que, para o cristão, acolher Deus na sua casa não é tanto embarcar num ativismo desenfreado, mas sentar-se aos pés de Jesus, escutar as propostas que, n’Ele, o Pai nos faz e acolher a sua Palavra.
A segunda leitura apresenta-nos a figura de um apóstolo (Paulo), para quem Cristo, as suas palavras e as suas propostas são a referência fundamental, o universo à volta do qual se constrói toda a vida. Para Paulo, o que é necessário é “acolher Cristo” e construir toda a vida à volta dos seus valores. É isso que é preponderante na experiência cristã.
1ª leitura: Gn. 18,1-10ª - AMBIENTE
Os capítulos 12-36 do Livro do Gênesis são um conjunto de textos sem grande unidade e sem caráter de documento histórico ou de reportagem jornalística de acontecimentos. Fundamentalmente, estamos diante de uma mistura de “mitos de origem” (que narravam a chegada de um “fundador” a um determinado local e a tomada de posse daquela terra), de “lendas cultuais” (que relatavam como um deus qualquer apareceu em determinado local a um desses “fundadores” e como esse lugar se tornou um local de culto) e de relatos onde se expressa a realidade da vida nômade durante o segundo milênio antes de Cristo.
Na origem do texto que hoje nos é proposto como primeira leitura está, provavelmente, uma antiga “lenda cultual” que narrava como três figuras divinas tinham aparecido a um cananeu anônimo junto do carvalho sagrado de Mambré (perto de Hebron), como esse cananeu os tinha acolhido na sua tenda e como tinha sido recompensado com um filho pelos deuses (Mambré é um famoso santuário cananeu, já no terceiro milênio a.C., muito antes de Abraão aí ter chegado). Mais tarde, quando Abraão se estabeleceu nesse lugar, a antiga lenda cananaica foi-lhe aplicada e ele passou a ser o herói desse encontro com as figuras divinas. No séc. X a.C. (reinado de Salomão), os autores jahwistas recuperaram essa velha lenda para apresentar a sua catequese.
MENSAGEM
Qual é, então, a proposta catequética que os autores jahwistas querem fazer passar, servindo-se dessa velha “lenda cultual”?
No estado atual do texto, a personagem central é Abraão. É esta figura que os catequistas jahwistas vão apresentar aos israelitas da época de Salomão, como um modelo de vida e de fé.
O texto apresenta-nos Abraão “sentado à entrada da sua tenda, na hora de maior calor do dia” (v. 1). De repente, aparecem três homens diante de Abraão (v. 2). Abraão convida-os a entrar; não se limita a trazer-lhes água para lavar os pés, mas improvisa um banquete com pão recentemente cozido, com um vitelo “tenro e bom” do rebanho, com manteiga e leite; depois, fica de pé junto deles, na atitude do servo sempre vigilante para que nada falte aos convidados (vs. 3-8): é a lendária hospitalidade nômade no seu melhor.
Abraão é, assim, apresentado, como o modelo do homem íntegro, humano, bondoso, misericordioso, atento a quem passa e disposto a repartir com ele, de forma gratuita, aquilo que tem de melhor.
Terminada a refeição, é anunciada a Abraão a próxima realização dos seus anseios mais profundos: a chegada de um filho, o herdeiro da sua casa, o continuador da sua descendência (vs. 9-10). Aparentemente, o dom do filho é a resposta de Deus à ação de Abraão: o catequista jahwista pretende dizer que Deus não deixa passar em claro, mas recompensa uma tal atitude de bondade, de gratuidade, de amor.
O texto apresenta, complementarmente, a atitude do verdadeiro crente face a Deus. Ao longo do relato – sem que fique expresso se Abraão tem ou não consciência de que está diante de Deus – transparece a serena submissão, o respeito, a confiança total (num desenvolvimento que, contudo, não aparece na leitura que nos é proposta, Sara ri diante da “promessa”; mas Abraão conserva-se em silêncio digno, sem manifestar qualquer dúvida – vs. 10b-15): tais são as atitudes que o crente israelita é convidado a assumir diante desse Deus que vem ao encontro do homem.
Atente-se, também, na sugestiva imagem de um Deus que irrompe repentinamente na vida do homem, que aceita entrar na sua tenda e sentar-Se à sua mesa, constituindo-Se em comunidade com ele. Por detrás desta imagem, está o significado do comer em conjunto: criar comunhão, estabelecer laços de família, partilhar vida. O jahwista apresenta, assim, um Deus dialogante, que quer estabelecer laços familiares com o homem e estabelecer com ele uma história de amor e de comunhão.
O catequista jahwista aproveitou a velha “lenda cultual” e a figura inspirativa de Abraão para apresentar aos homens do seu tempo o modelo do crente: ele é aquele a quem Deus vem visitar, que o acolhe na sua casa e na sua vida de forma exemplar, que coloca tudo o que possui nas mãos de Deus e que manifesta, com o seu comportamento, a sua bondade, a sua humanidade, a sua confiança e a sua fé; ele é aquele que partilha o que tem com quem passa e cumpre em grau extremo o sagrado dever da hospitalidade. A realização dos anseios mais profundos do homem é a recompensa de Deus para quem age como Abraão.
ATUALIZAÇÃO
• Cada vez mais, o sagrado sacramento da hospitalidade está em crise, pelo menos na nossa civilização ocidental. O egoísmo, o fechamento, o “salve-se quem puder”, o “cada um que se meta na sua vida”… parecem marcar cada vez mais a nossa realidade. No entanto, são cada vez mais as pessoas perdidas, não acolhidas, que têm por teto os buracos das nossas cidades… De África, do Leste da Europa, da Ásia, da América Latina, chegam todos os dias à fronteira da “fortaleza Europa” bandos de deserdados, que procuram conquistar, com sangue, suor e lágrimas, o direito a uma vida minimamente humana. Que fazer por eles? Como os acolhemos: com indiferença e agressividade, ou com a atitude humana e misericordiosa de Abraão? Temos consciência de que, em cada irmão deserdado, é Deus que vem ao nosso encontro?
• É com atenção, com bondade, com respeito, que as pessoas são acolhidas na nossa família, na nossa comunidade cristã, nas nossas repartições públicas, nas urgências dos nossos hospitais, nas recepções das nossas igrejas, nas portarias das nossas comunidades religiosas?
• A atitude de Abraão face a Deus é, também, questionante, numa época em que muita gente vê em Deus um concorrente ou um rival do homem… Abraão é o crente que acolhe Deus na sua vida, que aceita viver em comunhão com Ele, que aceita pôr tudo o que tem nas mãos de Deus e que se coloca diante de Deus numa atitude de respeito, de submissão, de total confiança. Qual é a atitude que marca, dia a dia, a nossa relação com Deus?
2ª leitura: Cl. 1,24-28 - AMBIENTE
Continuamos com a leitura dessa carta aos Colossenses que já vimos no passado domingo. Recordemos que é uma carta escrita por Paulo da prisão (em Roma), convidando os habitantes da cidade de Colossos (Ásia Menor) a não darem ouvidos a esses doutores para quem a fé em Cristo devia ser complementada com o culto dos anjos, com rituais legalistas, com práticas ascéticas rigoristas e com a observância de certas festas… Para Paulo, o único necessário é Cristo: a sua vida, o seu testemunho, a sua cruz (o dom da vida por amor) e a sua ressurreição. Estamos por volta dos anos 61/63.
O texto que nos é proposto inicia a parte polêmica da carta. Nele, Paulo apresenta o seu próprio exemplo, para que ele sirva de estímulo aos Colossenses.
MENSAGEM
Qual é, então, o exemplo que o apóstolo quer propor aos cristãos de Colossos? É um exemplo de alguém que, a partir da sua conversão, se alheou de tudo o resto, fez de Cristo a referência fundamental e se preocupou apenas em pôr a sua vida ao serviço de Cristo.
Ao longo do seu caminho de missionário, Paulo sofreu muito para levar a proposta de salvação a todos os homens, sem exceção (cf. 2Cor. 11,23-29). Inclusive, no momento em que escreve, Paulo está prisioneiro por causa do anúncio do Evangelho. No entanto, o apóstolo sente-se feliz pois sabe que esses sofrimentos não foram em vão, mas deram frutos e levaram muita gente a descobrir Jesus Cristo e a sua proposta de libertação.
Mais ainda: os sofrimentos de Paulo completam “o que falta à paixão de Cristo, em favor do seu corpo que é a Igreja”. Que significa isto? Para uns, Paulo refere-se à união da Igreja/corpo com o Cristo/cabeça: uma vez que a cabeça (Cristo) sofreu, os membros devem sofrer também para partilhar a sorte que a cabeça suportou. Esta explicação põe em relevo a união dos cristãos com Cristo e dos cristãos entre si.
Para outros, Paulo refere-se à ação redentora de Jesus: para Jesus, a redenção significou a cruz e o dom da vida; se os apóstolos aceitam ser testemunhas da redenção, isso implica, também para eles, o dom da vida (que passa pela perseguição e pelo sofrimento). Esta explicação põe em relevo a unidade do ministério de Cristo e dos apóstolos e a necessidade do testemunho apostólico. Esta explicação – que aparece já nos Padres Gregos – é a que está mais de acordo com o contexto.
De resto, Paulo tem consciência de que foi chamado por Cristo a anunciar o “mistério” (“mystêrion” – v. 26). Esta palavra (que a “Lumen Gentium” retomará para definir a Igreja e a sua missão no mundo – cf. LG 1) designa, em Paulo, o plano salvador de Deus, escondido aos homens durante séculos, revelado plenamente na vida, na ação e nas palavras de Jesus Cristo e continuado pelos discípulos de Jesus (Igreja) na história. O esforço de Paulo (e dos cristãos em geral) deve ir no sentido de continuar a apresentação desse projeto de salvação/libertação que traz a vida em plenitude aos homens de toda a terra.
Paulo convida, pois, os Colossenses a construir a sua vida à volta de Jesus e do seu projeto (mesmo que isso implique sofrimento e perseguição); com o seu exemplo, Paulo estimula-os a uma comunhão cada vez mais perfeita com Cristo, pois é em Cristo (e não nos anjos, ou nas prática legalistas, ou nas práticas ascéticas) que os crentes encontrarão a salvação e a vida em plenitude.
ATUALIZAÇÃO
• Paulo é, para os crentes, uma das figuras mais questionantes da história do cristianismo. É o cristão de “vistas largas”, que não se deixa amarrar pelas coisas secundárias, mas sabe discernir o essencial e lutar por aquilo que é importante… Mas, sobretudo, é o exemplo do apóstolo por excelência, do apóstolo para quem Cristo é tudo e que põe cada batida do seu coração ao serviço do Evangelho e da libertação dos homens. É com o mesmo empenho de Paulo que eu “agarro” a missão que Cristo me confiou? Como é que a nossa comunidade trata e considera esses irmãos que, tantas vezes escondidos atrás da sua simplicidade e humildade, dão a vida à causa do Evangelho e da libertação dos outros?
• A centralidade que Cristo assume na experiência religiosa de Paulo leva-o à conclusão de que Cristo basta e que tudo o resto assume um valor relativo (quando não serve, até, para “desviar” os crentes do essencial). Que valor ocupa Cristo na minha experiência de fé? Ele é a prioridade fundamental, ou há outras imagens ou ritos que chegam a ocupar o lugar central que só pode pertencer a Cristo?
Evangelho: Lc. 10,38-42 - AMBIENTE
Este episódio situa-nos numa aldeia não identificada, em casa de duas irmãs (Marta e Maria). Estas duas irmãs são, provavelmente, as mesmas Marta e Maria, irmãs de Lázaro, referidas em Jo 11,1-40 e Jo 12,1-3. Se assim for, a ação passa-se em Betânia, uma pequena aldeia situada na encosta oriental do monte das Oliveiras, a cerca de 3 quilômetros de Jerusalém. Continuamos, de qualquer forma, a percorrer esse “caminho de Jerusalém”, durante o qual Jesus vai revelando aos seus discípulos os projetos do Pai e os vai preparando para o testemunho do Reino.
MENSAGEM
Estamos no contexto de um banquete. Não se diz se havia muitos ou poucos convidados; o que se diz é que uma das irmãs (Marta) andava atarefada “com muito serviço” (v. 40), enquanto a outra (Maria) “sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua Palavra” (v. 39). Marta, naturalmente, não se conformou com a situação e queixou-se a Jesus pela indiferença da irmã. A resposta de Jesus (vs. 41-42) constitui o centro do relato e dá-nos o sentido da catequese que, com este episódio, Lucas nos quer apresentar: a Palavra de Jesus deve estar acima de qualquer outro interesse.
Há, neste texto, um pormenor que é preciso pôr em relevo. Diz respeito à “posição” de Maria: “sentada aos pés de Jesus”. É a posição típica de um discípulo diante do seu mestre (cf. Lc. 8,35; At. 22,3). É uma situação surpreendente, num contexto sociológico em que as mulheres tinham um estatuto de subalternidade e viam limitados alguns dos seus direitos religiosos e sociais; por isso, nenhum “rabbi” da época se dignava aceitar uma mulher no grupo dos discípulos que se sentavam aos seus pés para escutar as suas lições. Lucas (que, na sua obra, procura dizer que Jesus veio libertar e salvar os que eram oprimidos e escravizados, nomeadamente as mulheres) mostra, neste episódio, que Jesus não faz qualquer discriminação: o fato decisivo para ser seu discípulo é estar disposto a escutar a sua Palavra.
Muitas vezes, este episódio foi lido à luz da oposição entre ação e contemplação; no entanto, não é bem isso que aqui está em causa… Lucas não está, nesta catequese, explicando que a vida contemplativa é superior à vida ativa; está é a dizer que a escuta da Palavra de Jesus é o mais importante para a vida do crente, pois é o ponto de partida da caminhada da fé. Isto não significa que o “fazer coisas”, que o “servir os irmãos” não seja importante; mas significa que tudo deve partir da escuta da Palavra, pois é a escuta da Palavra que nos projeta para os outros e nos faz perceber o que Deus espera de nós.
ATUALIZAÇÃO
• O nosso tempo vive-se a uma velocidade estonteante… Para ganhar uns minutos, arriscamos a vida porque “tempo é dinheiro” e perder um segundo é ficar para trás ou deixar acumular trabalho que depois não conseguimos “digerir”. Mudamos de fila no trânsito da manhã vezes incontáveis para ganhar uns metros, passamos semáforos vermelhos, comemos de pé ao lado de pessoas para quem nem olhamos, chegamos a casa derreados, enervados, vencidos pelo cansaço e pelo stress, sem tempo e sem vontade de brincar com os filhos ou de lhes ler uma história e dormimos algumas horas com a consciência de que amanhã tudo vai ser igual… Claro que estas são as exigências da vida moderna; mas, como é possível, neste ritmo, guardar tempo para as coisas essenciais? Como é possível encontrar espaço para nos sentarmos aos pés de Jesus e escutarmos o que Ele tem para nos propor?
• Nas nossas comunidades cristãs e religiosas, encontramos pessoas que fazem muitas coisas, que se dão completamente à missão e ao serviço dos irmãos, que não param um instante… É ótimo que exista esta capacidade de doação, de entrega, de serviço; mas não nos podemos esquecer que o ativismo desenfreado nos aliena, nos massacra e asfixia. É preciso encontrar tempo para escutar Jesus, para acolher e “ruminar” a Palavra, para nos encontrarmos com Deus e conosco próprios, para perceber os desafios que Deus nos lança. Sem isso, facilmente perdemos o sentido das coisas e o sentido da missão que nos é proposta; sem isso, facilmente passamos a agir por nossa conta, passando ao lado do que Deus quer de nós.
• Esta época do ano – tempo de férias, de evasão, de descanso – é um tempo privilegiado para invertermos a marcha alienante que nos massacra. Que este tempo não seja mais uma corrida desenfreada para lugar nenhum, mas um tempo de reencontro conosco, com a nossa família, com os nossos amigos, com Deus e com as nossas prioridades. A oração e a escuta da Palavra podem ajudar-nos a recentrar a nossa vida e a redescobrir o sentido da nossa existência.
• Qual é a nossa perspectiva da hospitalidade e do acolhimento? Esta leitura sugere que o verdadeiro acolhimento não se limita a abrir a porta, a sentar a pessoa no sofá, a ligar a televisão para que ela se entretenha sozinha, e a correr para a cozinha para lhe preparar um banquete opíparo; mas o verdadeiro acolhimento passa por dar atenção àquele que veio ao nosso encontro, escutá-lo, partilhar com ele, a fazê-lo sentir o quanto nos preocupamos com aquilo que ele sente…
• A atitude de Jesus – que, contra os costumes da época, aceita Maria como discípula – faz-nos, mais uma vez, pensar nas discriminações que, na Igreja e fora dela, existem, nomeadamente em relação às mulheres. Fará algum sentido qualquer tipo de discriminação, à luz das atitudes que Jesus sempre tomou?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho