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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

CRISTO REI


34º DOMINGO - TEMPO COMUM

SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI

DO UNIVERSO

-CRISTO REI-José Salviano



Evangelho - Mt 25,31-46

23 de Novembro de 2014

ANO   A

Deixar Deus reinar em nossas vidas, dirigir e governar os nossos passos é a opção mais inteligente, a melhor decisão que podemos  e devemos tomar. Leia mais

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“VINDE BENDITOS DE MEU PAI!”!

SOLENIDADE DE CRISTO REI.

DIA 23 de Novembro de 2014

Evangelho de Mt 25,31-46

Neste domingo,  a Igreja conclui o ano  litúrgico com a solenidade de Cristo Rei, quando revivemos  a feliz conclusão da peregrinação de Jesus junto a humanidade.
Iluminada pelo Espírito Santo, a igreja foi muito feliz em colocar esta solenidade nesta ocasião, pois é ao nosso Rei: NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, que devemos ofertar toda a nossa caminhada de fé realizada ao longo deste ano litúrgico que chega ao seu final.
Jesus é o único  Rei   que se apresenta aos homens  sem nenhum aparato, sem nenhuma segurança física,  pois no Reino que Ele veio implantar aqui na terra, a arma mais poderosa  é o amor e  a autoridade é o serviço! Neste Reino não há espaço para a violência, as operações de guerra são concentradas no serviço ao próximo.
Embora o  Reino  de Jesus não seja deste mundo, como Ele mesmo diz, o seu reinar não está fora do mundo, pois a sua  presença,  é a presença  deste reino!
O modelo de Rei visto pelos homens, em nada assemelha a condição de Rei aplicada a Jesus, pois o seu reinar independe dos esquemas deste mundo, o reinar de Jesus,  é fundamentado unicamente no querer do Pai!
O evangelho que a liturgia desta  solenidade nos apresenta, vem nos  acordar para uma realidade que ninguém pode fugir: a transitoriedade da vida terrena, da  vida, que muitos de nós  transformamos em trevas quando distanciamos da Luz que é Jesus!
O texto  nos sugere a  uma revisão de vida, a reavermos  os valores sob os quais devemos assentar a nossa vida! O nosso tempo é curto, é preciso aproveitar bem este espaço sagrado que Deus nos concede, para ajustarmos os nossos passos nos passos de Jesus e assim, construirmos  a cada dia, um degrau da escada que nos levará  ao céu!
É importante tomarmos consciência de que a vida de quem realiza a vontade de Deus, não termina nos túmulos frios construídos pelos homens. O destino de quem vive em Deus, é a gloria do céu!
O que vai nos colocar à direita do nosso Rei,  não são as nossas  práticas religiosas como a observância de normas, rituais e sim, o amor vivido junto aos irmãos, não, o amor escrito nas poesias e sim, o amor escrito no coração de Deus com os nossos gestos concretos em favor dos mais fracos. O que fazemos a estes,  é a Deus que fazemos!
Jesus é o modelo do amor simples, desinteressado, do amor  que liberta que nos une como irmãos, é este o amor que devemos viver no nosso dia a dia!
O amor é a motivação de todo aquele que tem a sua vida pautada  no exemplo  de Jesus! Quem ama, perdoa, acolhe, promove, abraça, carrega, caminha junto, realizando assim a vontade de Deus!
Como povo de Deus, que peregrina aqui na terra, rumo a Pátria definitiva, somos convidados a fazer parte do Reinado de Jesus, fazendo o que Ele fazia,  acolhendo,  promovendo, acalentando os que vivem às margens da sociedade.
O que nos identificará diante de Deus, como filhos da Luz, é a marca do amor que deixamos no mundo!
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

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CRISTO REI- Jorge Lorente

Evangelhos Dominicais Comentados

23/novembro/2014 – Jesus Cristo, Rei do Universo

Evangelho: (Mt 25, 31-46)


Hoje é um dia festivo para o cristão, pois celebramos Cristo Rei. O Único e Verdadeiro Rei. O Rei do universo, Rei das nossas vidas, das nossas famílias e dos nossos corações.

Com a festa de Cristo Rei, nós encerramos este ano litúrgico (ano A). Na próxima semana estaremos comemorando o primeiro domingo do Advento. Advento, tempo de preparação para a vinda do Menino Deus, tempo de espera e início de mais uma caminhada no novo ano litúrgico, (ano B.

A festa de Cristo Rei do Universo é um prêmio para o cristão. É a forma que a Igreja encontrou para coroar os esforços e trabalhos das comunidades através dessa grande festa. Festa que é, ao mesmo tempo, de extrema nobreza e humildade.

Festejamos Jesus, o Rei dos reis que, sendo Filho de Deus, não assumiu o poder nem os símbolos da grandeza humana, mas vestiu-se com as roupas da humildade, da simplicidade e da pobreza. Um Rei nobre por natureza, capaz de vencer sem destruir, fazendo do amor sua única arma.

"Vinde, benditos de meu Pai! Vós que estais à minha direita, recebei como herança este Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo!" Já pensou? Consegue imaginar a alegria daqueles que ouvirem estas palavras?

Ser chamado de bendito e encontrar seu lugar reservado em meio às maravilhas que os olhos humanos jamais viram. Essa é a herança para quem souber partilhar e encontrar no amor uma forma de servir. Estar à direita do Rei significa estar ao lado dos fracos, dos pobres, dos oprimidos e injustiçados.

Jesus se identifica com o irmão faminto, doente, encarcerado e marginalizado. Dar de comer ou de beber, visitar, abrigar, socorrer nos momentos difíceis; essas são algumas das coisas que podemos fazer, ou não, por nosso semelhante.

Não existe neste mundo um reinado com tanta liberdade. Ninguém é tão livre quanto os súditos do Rei dos reis. A escolha é nossa, no entanto, Jesus deixou bem claro que aquilo que se faz ou se deixa de fazer ao próximo, é a Ele que fazemos ou deixamos de fazer.

Ser ovelha ou cabrito é uma questão de livre escolha. Ficar à esquerda ou à direita do Pastor depende somente de nós. Como foi dito, nossa liberdade é ilimitada, nosso Rei não é opressor, mas é exigente, e suas regras são muito claras. Seu lado direito já está reservado para quem viver o amor.

E os gestos concretos? A solidariedade, a caridade, onde estão? Estas serão as perguntas que ouviremos um dia. Feliz aquele que tiver respostas concretas, feliz o justo que, mesmo sem saber, deu de beber e de comer, vestiu, visitou, acudiu Jesus Cristo na figura do irmão. Esse viverá a liberdade, será acariciado como a ovelha resgatada e receberá sua herança na eternidade.

(2239)



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Neste último domingo do ano litúrgico, a Igreja nos apresenta Jesus Cristo como Rei do universo. O Evangelho no-lo mostra cercado de anjos, sentado num trono de glória para o julgamento final da história e da humanidade. Ele é Rei-Juiz, é o critério da verdade e da mentira, do bem e do mal, da vida e da morte. Por mais que a humanidade queira fazer a verdade do seu modo, por mais que distorça o bem em mal e o mal em bem e procure a vida onde não há vida verdadeira, vida plena, uma coisa é certa: somente em Jesus Cristo tudo aparecerá, um dia, na sua justa realidade, na sua inapelável verdade. Nós cremos com toda firmeza que a criação toda, a história toda e a vida de cada um de nós caminham para o Cristo e por ele serão passadas a limpo, nele serão julgadas! Ele é Rei-Juiz: ao final “todas as coisas estarão submetidas a ele”. Fora dele não haverá salvação, nem esperança nem vida. Ele é a Vida!
Mas, se Cristo Jesus é nosso Rei-Juiz, isto se deve ao fato de ser primeiramente nosso Rei-Pastor, aquele que dá a vida pelas ovelhas. Ele é “o que foi imolado”, o mesmo que, com ânsia e cuidado, procura suas ovelhas dispersas, toma conta do rebanho, cuida da ovelha doente e vigia e vela em favor da ovelha gorda e forte. Eis o nosso juiz, eis o juiz da humanidade: aquele ferido de amor por nós, aquele que por nós deu a vida, aquele que se fez um de nós, colocando-se no nosso meio!
Atualmente, a nossa civilização ocidental perdeu quase que de modo total a consciência da realeza de Cristo. Dizem hoje, cheios de orgulho, os sábios da sabedoria do mundo: "O homem é rei!" Gritam: “Não queremos que esse Jesus reine sobre nós! Não queremos que nos diga o que fazer, como viver; não aceitamos limites do certo e do errado, do bem e do mal, do moral e do imoral... a não ser os nossos próprios limites. E, para nós, não há limites!” Eis o pecado original, a arrogância fundamental da humanidade atual. Nunca fomos tão prepotentes quanto agora; nunca tão iludidos e enganados como atualmente!
E, no entanto, Cristo é Rei, o único Rei verdadeiro, cujo Reino jamais passará. Mas esse Rei nos escandaliza também a nós, cristãos. É que ele não é um rei mundano, estribado na vã demonstração de poder, de glória, de imposição. Não! Ele é o Rei-Pastor que se fez Rei-Cordeiro manso e humilde imolado por nós. Por isso “é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele o poder pelos séculos”. A grandeza e o poder do Senhor neste mundo não se manifestarão na grandeza, mas nas coisas pequenas, na fragilidade do amor, daquele amor que na cruz apareceu como capaz de entregar a vida pelos irmãos. Gostaríamos de um Cristo-Rei na medida das nossas vãs grandezas... Gostaríamos de uma Igreja forte, aplaudida, elogiada, reverenciada. Mas, não! A Igreja, continuadora na história do mistério salvífico de Cristo, tem de participar do escândalo do seu Senhor, de pobreza do seu Senhor. E, então, neste Cristo-Rei de 2006, vemo-la humilhada e manchada por tantos escândalos. Pobre Mãe católica! Não merecia isso de seus filhos, de seus ministros, de seus pastores! Mas, faz parte das dores do Reino do Senhor! Faz parte do mistério do Reino a pobreza de Cristo, a mansidão de Cristo, a derrota de Cristo na cruz, o silêncio de Cristo, a morte de Cristo. E tudo isso tem que estar presente também na vida da Igreja e na nossa vida! Como nos exorta São Paulo: “Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos. Fiel é esta palavra: Se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele sofremos, com ele reinaremos” (2Tm. 2,8.11).
Eis, pois, caríssimos no Senhor. Celebremos hoje a Realeza de Cristo, dispondo-nos a participar da sua cruz. Na Igreja, no Reino de Deus, reinar é servir. Sirvamos, com Cristo, como Cristo e por amor de Cristo! No Evangelho desta Solenidade, o critério para participar do Reinado do Senhor Jesus é tê-lo servido nos irmãos: no pobre, no despido, no doente, no prisioneiro, no fraco. Que Reino, o de Cristo! Manifesta-se nas coisas pequenas, nas pequenas sementes, nos pequenos gestos, no amor dado e recebido com pureza cada dia.
Na verdade, segundo os Santos Padres da Igreja, o Reino de Cristo, o Reino que ele entregará ao Pai, somos nós; nós, que fizemos como ele fez, lavando os pés do mundo e servindo ao mundo a única coisa que realmente compensa: a amor de Cristo, a verdade de Cristo, o Evangelho de Cristo, o exemplo de Cristo, a salvação de Cristo, a vida de Cristo... para que o mundo participe eternamente do Reino de Cristo!
Caríssimos no Senhor, despojemo-nos de todo pensamento mundano sobre reis, reinos e coroas. Fixemos nosso olhar no trono da cruz, naquele que ali se encontra despido e coroado de espinhos. Aprendamos com admiração, estupor e gratidão que nossa mais gloriosa herança neste mundo é participar do seu reinado, levando a humanidade a descobrir quão diferentes dos nossos são os critérios de Deus. Quando aprendermos isso, quando a humanidade aprender isso, o Reino entrará no mundo e o mundo entrará no Reino, Reino de Cristo, "Reino de verdade e de vida, Reino de santidade e de graça, Reino da justiça, do amor e da paz".
dom Henrique Soares da Costa

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O último julgamento - Mateus 25,31-46
Hoje se conclui mais um ano litúrgico e na próxima semana, iniciamos o tempo do Advento, tempo de preparação para receber Jesus.
No texto do Evangelho de Mateus que arremata este ano litúrgico, Jesus apresenta aos cristãos o juízo final, solicitando a eles que não descuidam de seu comportamento, no que diz respeito à prática da justiça, como condição essencial para a participação da vida no Reino.
Jesus é o Rei que estará sentado no trono. Não um trono de poder, coroa e palácio, porque Jesus é um Rei diferente, e Seu reinado é de justiça e de amor.
No Evangelho, Ele é chamado de “Filho do Homem”. Isto quer dizer que Jesus é o filho de Deus que nasceu como Homem, ou seja, está presente neste Homem a divindade de Deus, o próprio Deus que veio para fazer o bem e trazer a justiça para todos.
As ovelhas representam as pessoas que seguem a Jesus, aqueles que são seus amigos e se
comprometem com o que Ele ensina. Os cabritos são os que rejeitam a Jesus e seus ensinamentos. E todos serão julgados pela fé que tiveram no filho de Deus feito Homem.
Ter fé significa aceitar e seguir a Jesus que é o Mestre que ensina a viver como Ele. A fé não é somente a realização de atos religiosos como, ir à catequese, à missa, rezar, mas significa, também, o reconhecimento e o compromisso com a pessoa de Jesus.
Ele mesmo diz que se identifica com “os menores”, “os pequeninos”, com as pessoas mais fracas, marginalizadas, oprimidas, enfim, pode ser encontrado em todas as pessoas: “Eu afirmo que quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, de fato foi a mim que fizeram“ (Mt. 25). Os justos ignoram ter ajudado o Filho do Homem na pessoa dos empobrecidos; e os benditos do Pai são, portanto, os que lutam por um mundo justo e fraterno, sem discriminações nem desigualdades.
Jesus fala do compromisso com a prática da bondade, da justiça e do amor, e que Ele reconhecerá como seu amigo todo aquele que pratica atos de partilha, fraternidade e amor em favor dos irmãos. Jesus fica feliz com todos aqueles que ajudam as pessoas, com as quais Ele mesmo se identifica.
O Filho do Homem, não exigiu nada para si, mas solidariedade na prática, traduzida na partilha.

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A solenidade de Cristo Rei não é uma festa triunfalista na qual celebramos um Deus imperador que domina e controla tudo o que existe. Jesus mesmo já tinha dito que poder e dominação não podiam constituir o pensamento orientador dos cristãos. "Entre vocês não será como é no mundo, onde os governantes dominam os outros e os tiranizam" disse Jesus aos seus apóstolos. A festa foi instituída pelo Papa Pio XI no dia 11 de dezembro de 1925. Pode ser que naquele momento houvesse necessidade de se afirmar a soberania de Jesus sobre todas as coisas. Foi assim também que, a partir do século VI, começamos a retratar Jesus sentando num trono cercado pela corte celeste, ou em posição séria e solene como "aquele que tudo governa. Esta figura é chamada de "Pantocrator". Jesus se parece um pouco com o soberano da corte bizantina, mas não como dominador. Ele segura o Evangeliario com a mão esquerda e abençoa com a direita mantendo juntos o polegar e o anular que representam as duas naturezas, divina e humana, enquanto os três outros dedos indicam sua natureza divina na Trindade. Nosso Cristo Rei é acima de tudo o Bom Pastor. Sua coroa de espinhos mostra que ele sabe se sacrificar pelas ovelhas. Ele não veio para condená-las e sim para salvá-las. O amor de Cristo Rei para com o seu povo se expressa no interesse, na atenção, na preocupação para com todos. Ele não é, de forma alguma, indiferente à sorte de cada um. Não deixa que ninguém se extravie e indica com firmeza o caminho a ser seguido.
Ez. 34, 11-12.15-17 - Que tipo de rei é Jesus Cristo, ou que tipo de governante? Ele é como um pastor que cuida das suas ovelhas com carinho. Ele vai atrás das ovelhas, procura para elas um lugar de repouso, trata das que estão feridas, fortifica as doentes, vigia as que estão bem. Esse é o nosso rei, que administra a justiça entre os membros do seu povo.
Sl. 22/23 - O Bom Pastor procura boas pastagens para alimentar as ovelhas, para dar-lhes de beber e proporcionar-lhes descanso. Ele prepara para os seus uma mesa de festa. Serão todos uma grande família, alegre e feliz.
1Co 15,20-26.28 - Jesus é o rei que subjuga as forças da morte. A morte é a expressão do poder do inimigo, o demônio. Jesus não pisa sobre ninguém. Ele pisa somente sobre a cabeça de satanás. Com a destruição da morte, pouco a pouco tudo vai se submetendo a ele, até que Deus seja tudo em todos.
Mt. 25,31-46 - O Rei que se senta no trono do julgamento e tem diante de si todos os povos quer saber apenas uma coisa de todos, cristãos e não cristãos, crentes e não crentes: o que fizeram de concreto e positivo em favor de quem precisava. A esta pergunta todos devemos responder: O que foi que você fez em favor de seu irmão necessitado? Vamos tentar responder enquanto estamos a caminho e temos possibilidade de conversão. Sempre é tempo de começar. O Evangelho dá indicações bem definidas, que podem nos ajudar. Há gente com fome, há gente com sede, há gente sem roupa, há doentes, há estrangeiros, há prisioneiros, gente feia, gente sem graça, gente sem educação. O que por eles fizermos, será feito a Jesus.
cônego Celso Pedro da Silva

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O ano litúrgico termina com a festa de Cristo Rei. E fica a pergunta: quem é esse Cristo Rei para a comunidade reunida para celebrar o memorial da Páscoa? A primeira leitura mostra em que consiste a realeza de Deus: ela é serviço à liberdade e à vida das pessoas. Sobretudo das que são impedidas de viver.
O Evangelho, por sua vez, nos compromete radicalmente com a prática da justiça, traduzida em solidariedade e partilha com todos os necessitados, vendo neles o próprio Cristo e sacramento da salvação. Jesus hoje continua nos desafiando, colocando-nos diante dos irmãos “menores e mais fracos”. Paulo, por sua vez, com a ressurreição de Jesus comprova a vitória da justiça. Dentro de nós há uma semente de ressurreição, de justiça, de partilha e solidariedade. Jesus fala das obras de misericórdia ensinadas pelo judaísmo: dar de comer aos famintos, dar de beber aos que têm sede, acolher o estrangeiro, vestir os nus, visitar os doentes, acrescentando a visita aos prisioneiros; não menciona, porém, a educação dos órfãos e o sepultamento dos mortos, que também faziam parte das recomendações. Quem não praticou essas obras perdeu a oportunidade de fazer isso ao próprio Jesus presente nos necessitados. Se ele está nos irmãos, ele está no meio de nós em todos os lugares e momentos. O Reino de que Jesus fala é um reino não de poder, mas sim de serviço: “O Filho do homem não veio para ser servido. Ele veio para servir” (Mt. 20,28). Esse é o critério de julgamento.
Entrar no reino supõe que os discípulos tenham seguido os passos do pastor, do mestre a serviço de todos, especialmente dos mais necessitados. É possível proclamar a realeza de Cristo enquanto seus irmãos prediletos são excluídos da liberdade e do direito à vida digna?
Chamá-lo de Cristo Rei e deixá-lo com fome, com sede, sem casa, nu, doente, aprisionado, sem direito à educação em nosso meio? “Entre nós, está, e não o conhecemos, entre nós está e nós o desprezamos”. Nesta data em que comemoramos o dia da consciência negra, somos chamados à conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional, pois colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país.
É um dia que devemos comemorar nas escolas, nos espaços culturais e em outros locais, valorizando a cultura afro-brasileira. Por tudo isso, hoje as organizações do Movimento negro estão unidas nas ruas clamando por: inclusão no mercado de trabalho; titulação das terras das comunidades quilombolas; democratização do acesso à universidade pública; aprovação do estatuto da igualdade racial; melhor distribuição de renda; acesso à saúde e educação com qualidade; cultura e lazer; habitação; respeito às religiões de matrizes africanas.
A lei maior é o amor ao próximo. Vivamos este mandamento com nossos irmãos(as), sem discriminação.



No 34º domingo do tempo comum, celebramos a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. As leituras deste domingo falam-nos do Reino de Deus (esse Reino de que Jesus é rei). Apresentam-no como uma realidade que Jesus semeou, que os discípulos são chamados a edificar na história (através do amor) e que terá o seu tempo definitivo no mundo que há-de vir.
A primeira leitura utiliza a imagem do Bom Pastor para apresentar Deus e para definir a sua relação com os homens. A imagem sublinha, por um lado, a autoridade de Deus e o seu papel na condução do seu Povo pelos caminhos da história; e sublinha, por outro lado, a preocupação, o carinho, o cuidado, o amor de Deus pelo seu Povo.
O Evangelho apresenta-nos, num quadro dramático, o “rei” Jesus a interpelar os seus discípulo acerca do amor que partilharam com os irmãos, sobretudo com os pobres, os débeis, os desprotegidos. A questão é esta: o egoísmo, o fechamento em si próprio, a indiferença para com o irmão que sofre, não têm lugar no Reino de Deus. Quem insistir em conduzir a sua vida por esses critérios ficará à margem do Reino.
Na segunda leitura, Paulo lembra aos cristãos que o fim último da caminhada do crente é a participação nesse “Reino de Deus” de vida plena, para o qual Cristo nos conduz. Nesse Reino definitivo, Deus manifestar-Se-á em tudo e atuará como Senhor de todas as coisas (v. 28).
1ª leitura – Ez 34,11-12.15-17 – AMBIENTE
Ezequiel é conhecido como “o profeta da esperança”. Desterrado na Babilônia desde 597 a.C. (no reinado de Joaquin, quando Nabucodonosor conquista Jerusalém pela primeira vez e deporta para a Babilônia a classe dirigente do país) Ezequiel exerce aí a sua missão profética entre os exilados judeus.
A primeira fase do ministério de Ezequiel decorre entre 593 a.C. (data do seu chamamento) e 586 a.C. (data em que Jerusalém é arrasada pelas tropas de Nabucodonosor e uma segunda leva de exilados é encaminhada para a Babilônia). Nesta fase, Ezequiel procura destruir falsas esperanças e anuncia que, ao contrário do que pensam os exilados, o cativeiro está para durar… Eles não só não vão regressar a Jerusalém, mas os que ficaram em Jerusalém (e que continuam a multiplicar os pecados e as infidelidades) vão fazer companhia aos que já estão desterrados na Babilônia.
A segunda fase do ministério de Ezequiel desenrola-se a partir de 586 a.C. e prolonga-se até cerca de 570 a.C. Instalados numa terra estrangeira, privados de Templo, de sacerdócio e de culto, os exilados estão desesperados e duvidam da bondade e do amor de Deus. Nessa fase, Ezequiel procura alimentar a esperança dos exilados e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus salvador e libertador – esse Deus que Israel descobriu na sua história – não os abandonou nem esqueceu.
O texto que nos é hoje proposto pertence, provavelmente, à segunda fase do ministério de Ezequiel. Depois de denunciar os “maus pastores” que exploraram e abusaram do Povo e o conduziram por caminhos de morte e de desgraça, até à catástrofe final de Jerusalém e ao Exílio (cf. Ez 34,1-9), o profeta anuncia a chegada de um tempo novo em que o próprio Deus vai conduzir o seu Povo e apascentar as suas ovelhas. É um oráculo de esperança, que abre uma nova história e propõe um novo futuro ao Povo de Deus.
MENSAGEM
No Antigo Médio Oriente, o título de “pastor” é atribuído, frequentemente, aos deuses e aos reis. É um título bastante expressivo em civilizações que viviam da agricultura e do pastoreio. A metáfora expressa admiravelmente dois aspectos, aparentemente contrários e com frequência separados, da autoridade exercida sobre os homens: o pastor é, ao mesmo tempo, um chefe que dirige o seu rebanho e um companheiro que acompanha as ovelhas na sua caminhada para as pastagens onde há vida.
Além disso, o pastor é um homem forte, capaz de defender o seu rebanho contra os animais selvagens; e é também delicado para as suas ovelhas. Conhece o estado e as necessidades de cada uma, leva nos braços as mais frágeis e débeis, ama-as e trata-as com carinho. A sua autoridade não se discute: está fundada na entrega e no amor.
É sobre este fundo que Ezequiel vai colocar as relações que unem Deus e Israel.
A este Povo a quem os pastores humanos (os reis, os sacerdotes, a classe dirigente) trataram tão mal, o profeta anuncia a chegada desse tempo novo em que Jahwéh vai assumir a sua função de pastor do seu Povo. Como é que Deus desempenhará essa função?
Deus vai cuidar das suas ovelhas e interessar-se por elas. Neste momento, as ovelhas estão dispersas numa terra estrangeira, depois dos acontecimentos dramáticos que trouxeram ao rebanho morte e desolação; mas Deus, o Bom Pastor, vai reuni-las, reconduzi-las à sua própria terra e apascentá-las em pastagens férteis e tranqüilas (vs. 11-12).
Mais: Deus, o Bom Pastor, irá procurar cada ovelha perdida e tresmalhada, cuidar da que está ferida e doente, vigiar a que está gorda e forte (v. 16); além disso, julgará pessoalmente os conflitos entre as mais poderosas e as mais débeis, a fim de que o direito das fracas não seja pisado (v. 17).
ATUALIZAÇÃO
• A imagem bíblica do Bom Pastor é uma imagem privilegiada para apresentar Deus e para definir a sua relação com os homens. Sublinha a sua autoridade e o seu papel na condução do seu Povo pelos caminhos da história; mas, sobretudo, sublinha a preocupação, o carinho, o cuidado, o amor de Deus pelo seu Povo. Na nossa cultura urbana, já nem todos entendem a figura do “pastor”; mas todos são convidados a entregar-se nas mãos de Deus, a confiar totalmente n’Ele, a deixar-se conduzir por Ele, a fazer a experiência do seu amor e da sua bondade. É uma experiência tranquilizante e libertadora, que nos traz serenidade e paz.
• Também aqui, a questão não é se Deus é ou não “pastor” (Ele é sempre “pastor”!); mas é se estamos ou não dispostos a segui-l’O, a deixar-nos conduzir por Ele, a confiar n’Ele para atravessar vales sombrios, a deixar-nos levar ao colo por Ele para que os nossos pés não se firam nas pedras do caminho. Uma certa cultura contemporânea assegura-nos que só nos realizaremos se nos libertarmos de Deus e formos os guias de nós próprios. O que escolhemos para nos conduzir à felicidade e à vida plena: Deus ou o nosso orgulho e auto-suficiência?
• Às vezes, fugindo de Deus, agarramo-nos a outros “pastores” e fazemos deles a nossa referência, o nosso líder, o nosso ídolo. O que é que nos conduz e condiciona as nossas opções: a riqueza e o poder? Os valores ditados por aqueles que têm a pretensão de saber tudo? O política e socialmente correto? A opinião pública? O presidente do partido? O comodismo e a instalação? A preservação dos nossos esquemas egoístas e dos nossos privilégios? O êxito e o triunfo a qualquer custo? O herói mais giro da telenovela? O programa de maior audiência da estação televisiva de maior audiência?
2 leitura – 1Cor. 15,20-26.28 - AMBIENTE
No decurso da sua segunda viagem missionária, Paulo chegou a Corinto, vindo de Atenas, e ficou por lá cerca 18 meses (anos 50-52). De acordo com At. 18,2-4, Paulo começou a trabalhar em casa de Priscila e Áquila, um casal de judeo-cristãos. No sábado, usava da palavra na sinagoga. Com a chegada a Corinto de Silvano e Timóteo (2Cor. 1,19; At. 18,5), Paulo consagrou-se inteiramente ao anúncio do Evangelho. Mas não tardou a entrar em conflito com os judeus e foi expulso da sinagoga.
Como resultado da pregação de Paulo nasceu, contudo, a comunidade cristã de Corinto. A maior parte dos membros da comunidade eram de origem grega, embora, em geral, de condição humilde (cf. 1Cor. 11,26-29; 8,7; 10,14.20; 12,2); mas também havia elementos de origem hebraica (cf. At. 18,8; 1Cor. 1,22-24; 10,32; 12,13).
De uma forma geral, a comunidade era viva e fervorosa; no entanto, estava exposta aos perigos do ambiente corrupto que se respirava na cidade e não podia deixar de ser influenciada por esse ambiente. É neste contexto que podemos entender alguns dos problemas sentidos na comunidade e apontados na Primeira Carta aos Coríntios: moral dissoluta (cf. 1Cor. 6,12-20; 5,1-2), querelas, disputas, lutas (cf. 1Cor. 1,11-12), sedução da sabedoria filosófica de origem pagã que se introduzia na Igreja revestida de um superficial verniz cristão (cf. 1Cor. 1,19-2,10)… Na comunidade de Corinto, vemos as dificuldades da fé cristã em inserir-se num ambiente hostil, marcado por uma cultura pagã e por um conjunto de valores que estão em contradição com a pureza da mensagem evangélica.
Um dos pontos onde havia uma notória dificuldade em conciliar os dados da fé cristã com os valores do mundo grego era na questão da ressurreição. Enquanto que a ressurreição dos mortos era relativamente bem aceite no judaísmo (habituado a ver o homem na sua unidade), constituía um problema muito sério para a mentalidade grega. A cultura grega estava fortemente influenciada por filosofias dualistas, que viam no corpo uma realidade negativa e na alma uma realidade nobre e ideal. Aceitar que a alma viveria sempre não era difícil para a mentalidade grega… O problema era aceitar a ressurreição do homem total: sendo o homem (de acordo com a mentalidade grega) constituído por alma e corpo, como podemos falar da ressurreição do homem?
MENSAGEM
Frente às objeções e dúvidas dos coríntios, Paulo parte da ressurreição de Cristo (cf. 1Cor. 15,1-11), para concluir que todos aqueles que se identificarem com Cristo ressuscitarão também (cf. 1Cor. 15,12-34).
O nosso texto começa precisamente com a afirmação de que “Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram” (v. 20). A sua ressurreição não foi um caso único e excepcional, mas o primeiro caso. “Primeiro” deve ser entendido aqui, não apenas em sentido cronológico, mas sobretudo no sentido do princípio ativo da ressurreição de todos os outros homens e mulheres. Cristo foi constituído por Deus princípio de uma nova humanidade; a sua ressurreição arrasta atrás de si toda a sua “descendência” – isto é, todos aqueles que se identificam com Ele, que acolheram a sua proposta de vida e o seguiram – ao encontro da vida plena e eterna (vs. 21-23).
O destino dessa nova humanidade é o Reino de Deus. O Reino de Deus será uma realidade onde o egoísmo, a injustiça, a miséria, o sofrimento, o medo, o pecado, e até a morte (isto é, todos os inimigos da vida e do homem) estarão definitivamente ausentes, pois terão sido vencidos por Cristo (vs. 24-26). Nesse Reino definitivo, Deus manifestar-Se-á em tudo e atuará como Senhor de todas as coisas (v. 28).
A reflexão de Paulo lembra aos cristãos que o fim último da caminhada do crente é a participação nesse “Reino de Deus” de vida plena e definitiva, para o qual Cristo nos conduz.
ATUALIZAÇÃO
• O nosso texto garante-nos que a meta final da nossa caminhada é o Reino de Deus – isto é, uma realidade de vida plena e definitiva, de onde a doença, a tristeza, o sofrimento, a injustiça, a prepotência, a morte estarão ausentes. Convém ter sempre presente esta realidade, ao longo da nossa peregrinação pela terra… A nossa vida presente não é um drama absurdo, sem sentido e sem finalidade; é uma caminhada tranquila, confiante – ainda quando feita no sofrimento e na dor – em direção a esse desabrochar pleno, a essa vida total que Deus nos reserva.
• Como é que aí chegamos? Paulo responde: identificando-nos com Cristo. A ressurreição de Cristo é o “selo de garantia” de Deus para uma vida oferecida ao projeto do Reino… Demonstra que uma vida vivida na escuta atenta dos projetos do Pai e no amor e no serviço aos homens conduz à vida plena; demonstra que uma vida gasta na luta contra o egoísmo, a opressão e o pecado conduz à vida definitiva; demonstra que uma vida gasta ao serviço da construção do Reino conduz à vida verdadeira… Se a nossa vida for gasta do mesmo jeito, seguiremos Cristo na ressurreição, atingiremos a vida nova do Homem Novo e estaremos para sempre com Ele nesse Reino livre do sofrimento, do pecado e da morte que Deus reserva para os seus filhos.
• Descobrir que o Reino da vida definitiva é a nossa meta final significa eliminar definitivamente o medo que nos impede de atuar e de assumir um papel de protagonismo na construção de um mundo novo. Quem tem no horizonte final da sua vida o Reino de Deus, pode comprometer-se na luta pela justiça e pela paz, com a certeza de que a injustiça, a opressão, a oposição dos poderosos, a morte não podem pôr fim à vida que o anima. Ter como meta final o Reino significa libertarmo-nos do medo que nos paralisa e encontrarmos razões para um compromisso mais consequente com Deus, com o mundo e com os homens.
Evangelho – Mt 25,31-46 – AMBIENTE
Esta impressionante descrição do juízo final é a conclusão das três parábolas precedentes (a “parábola do mordomo fiel e do mordomo infiel” – cf. Mt. 24,45-51; a “parábola das jovens previdentes e das jovens descuidadas” – cf. Mt. 25,1-13; a “parábola dos talentos” – cf. Mt. 25,14-30). Tanto no texto que nos é proposto como nessas três parábolas aparecem dois grupos de pessoas que tiveram comportamentos diversos enquanto esperavam a vinda do Senhor Jesus. O autor do texto mostra agora qual será o “fim” daqueles que se mantiveram e daqueles que não se mantiveram vigilantes e preparados para a vinda do Senhor.
Mais uma vez, para percebermos a catequese que Mateus aqui desenvolve, temos de recordar o contexto da comunidade cristã a quem ela se destina. Estamos nos últimos decênios do séc. I (década de 80). Já passou o entusiasmo inicial pela vinda iminente de Jesus para instaurar o Reino definitivo. Os cristãos que constituem a comunidade de Mateus estão desinteressados, instalados, acomodados; vivem a fé de forma rotineira, morna, pouco exigente e pouco comprometida; alguns, diante das dificuldades, deixam a comunidade e renunciam ao Evangelho…
Mateus, preocupado com a situação, procura revitalizar a fé, reacender o entusiasmo, entusiasmar ao compromisso. Vai fazê-lo através de uma catequese que convida à vigilância, enquanto se espera o encontro final com Cristo.
No texto que nos é proposto, Mateus mostra aos crentes da sua comunidade – com a linguagem veemente dos pregadores da época – o que espera, no final da caminhada, quer aqueles que se mantiveram vigilantes e viveram de acordo com os ensinamentos de Jesus, quer aqueles que se esqueceram dos valores do Evangelho e que conduziram a vida de acordo com outros interesses e preocupações.
MENSAGEM
A parábola do juízo final começa com uma introdução (vs. 31-33) que apresenta o quadro: o “Filho do Homem” sentado no seu trono, a separar as pessoas umas das outras “como o pastor separa as ovelhas dos cabritos”.
Vêm, depois, dois diálogos. Um, entre “o rei” e “as ovelhas” que estão à sua direita (vs. 34-40); outro, entre “o rei” e os “cabritos” que estão à sua esquerda (vs. 41-46). No primeiro diálogo, o “rei” acolhe as “ovelhas” e convida-as a tomar posse da herança do “Reino”; no segundo diálogo, o “rei” afasta os “cabritos” e impede-os de tomar posse da herança do Reino. Porquê? Qual é o critério que “o rei” utiliza para acolher uns e rejeitar outros?
A questão decisiva parece ser, na perspectiva de Mateus, a atitude de amor ou de indiferença para com os irmãos mais pequenos de Jesus, que se encontram em situações dramáticas de necessidade – os que têm fome, os que têm sede, os peregrinos, os que não têm que vestir, os que estão doentes, os que estão na prisão… Jesus identifica-Se com os pequenos, os pobres, os débeis, os marginalizados; manifestar amor e solidariedade para com o pobre é fazê-lo ao próprio Jesus e manifestar egoísmo e indiferença para com o pobre é fazê-lo ao próprio Jesus.
A cena pode interpretar-se de duas maneiras, dependendo de como entendemos a palavra “irmão”. Entendida em sentido genérico, a palavra “irmão” designaria qualquer homem; neste caso, a exortação de Jesus convida os que querem entrar no Reino a ir ao encontro de qualquer homem que tenha fome, que tenha sede, que seja peregrino, que esteja nu, esteja doente ou que esteja na prisão, para lhe manifestar amor e solidariedade. Entendida num sentido mais restrito, a palavra “irmão” designaria os membros da comunidade cristã… De qualquer forma, os dois sentidos não se excluem; e é possível que Mateus se refira às duas realidades.
A exortação que Mateus lança à sua comunidade cristã (e às comunidades cristãs de todos os tempos e lugares) nas parábolas precedentes ganha, assim, uma força impressionante à luz desta cena final. Com os dados que este Evangelho nos apresenta, fica perfeitamente evidente que “estar vigilantes e preparados” (que é o grande tema do “discurso escatológico” dos capítulos 24 e 25) consiste, principalmente, em viver o amor e a solidariedade para com os pobres, os pequenos, os desprotegidos, os marginalizados. Em última análise, é esse o critério que decide a entrada ou a não entrada no Reino de Deus.
Esta exortação dirige-se a uma comunidade que negligencia o amor aos irmãos, que vive na indiferença ao sofrimento dos mais débeis, que é insensível ao drama dos pobres e que não cuida dos pequenos e dos desprotegidos. Como essas são atitudes que não se coadunam com a lógica do Reino, quem vive desse jeito não poderá fazer parte do Reino.
A cena do juízo final será uma descrição exata e fotográfica do que vai acontecer no final dos tempos?
É claro que não. Mateus não é um repórter, mas um catequista a instruir a sua comunidade sobre os critérios e as lógicas de Deus. O objetivo do catequista Mateus é deixar bem claro que Deus não aprova uma vida conduzida por critérios de egoísmo, onde não há lugar para o amor a todos os irmãos, particularmente aos mais pobres e débeis. Um dos pormenores mais sugestivos é a identificação de Cristo com os famintos, os abandonados, os pequenos, os desprotegidos: todos eles são membros de Cristo e não os amar é não amar Cristo. Dizer que se ama Cristo e não viver do jeito de Cristo, no amor a todos os homens, é uma mentira e uma incoerência.
Deus condena os maus (“os cabritos”) ao inferno? Não. Deus não condena ninguém. Quem se condena ou não é o homem, na medida em que não aceita ou aceita a vida que Deus lhe oferece. E haverá alguém que, tendo consciência plena do que está em jogo, rejeite o amor e escolha, em definitivo, o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência – isto é, o afastamento definitivo de Deus e do Reino? Haverá alguém que, percebendo o sem sentido dessas opções, se obstine nelas por toda a eternidade?
Então, porque é que Mateus põe Deus a dizer aos “cabritos”: “afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos”? Porque Mateus é um pregador veemente, que usa a técnica dos pregadores da época e gosta de recorrer a imagens fortes que toquem o auditório e que o levem a sentir-se interpelado. Para além dos exageros de linguagem, a mensagem é esta: o egoísmo e a indiferença para com o irmão não têm lugar no Reino de Deus.
ATUALIZAÇÃO
• Quem é que a nossa sociedade considera uma “pessoa de sucesso”? Qual o perfil do homem “importante”? Quais são os padrões usados pela nossa cultura para aferir a realização ou a não realização de alguém? No geral, o “homem de sucesso”, que todos reconhecem como importante e realizado, é aquele que tem dinheiro suficiente para concretizar todos os sonhos e fantasias, que tem poder suficiente para ser temido, que tem êxito suficiente para juntar à sua volta multidões de aduladores, que tem fama suficiente para ser invejado, que tem talento suficiente para ser admirado, que tem a pouca vergonha suficiente para dizer ou fazer o que lhe apetece, que tem a vaidade suficiente para se apresentar aos outros como modelo de vida… No entanto, de acordo com a parábola que o Evangelho propõe, o critério fundamental usado por Jesus para definir quem é uma “pessoa de sucesso” é a capacidade de amar o irmão, sobretudo o mais pobre e desprotegido. Para mim, o que é que faz mais sentido: o critério do mundo ou o critério de Deus? Na minha perspectiva, qual é mais útil e necessário: o “homem de sucesso” do mundo ou o “homem de sucesso” de Deus?
• O amor ao irmão é, portanto, uma condição essencial para fazer parte do Reino. Nós cristãos, cidadãos do Reino, temos consciência disso e sentimo-nos responsáveis por todos os irmãos que sofrem? Os que não têm trabalho, nem pão, nem casa, podem contar com a nossa solidariedade ativa? Os imigrantes, perdidos numa realidade cultural e social estranha, vítimas de injustiças e violências, condenados a um trabalho escravo e que, tantas vezes, não respeita a sua dignidade, podem contar com a nossa solidariedade ativa? Os pobres, vítimas de injustiças, que nem sequer têm a possibilidade de recorrer aos tribunais para que lhes seja feita justiça, podem contar com a nossa solidariedade ativa? Os que sobrevivem com pensões de miséria, sem possibilidades de comprar os medicamentos necessários para aliviar os seus padecimentos, podem contar com a nossa solidariedade ativa? Os que estão sozinhos, abandonados por todos, sem amor nem amizade, podem contar com a nossa solidariedade ativa? Os que estão presos a um leito de hospital ou a uma cela de prisão, marginalizados e condenados em vida, podem contar com a nossa solidariedade ativa?
• O Reino de Deus – isto é, esse mundo novo onde reinam os critérios de Deus e que se constrói de acordo com os valores de Deus – é uma semente que Jesus semeou, que os discípulos são chamados a edificar na história (através do amor) e que terá o seu tempo definitivo no mundo que há-de vir. Não esqueçamos, no entanto, este fato essencial: o Reino de Deus está no meio de nós; a nossa missão é fazer com que ele seja uma realidade bem viva e bem presente no nosso mundo. Depende de nós fazer com que o Reino deixe de ser uma miragem, para passar a ser uma realidade a crescer e a transformar o mundo e a vida dos homens.
• Alguém acusou a religião cristã de ser o “ópio do povo”, por pôr as pessoas a sonhar com o mundo que há-de vir, em lugar de as levar a um compromisso efetivo com a transformação do mundo, aqui e agora. Na verdade, nós os cristãos caminhamos ao encontro do mundo que há-de vir, mas de pés bem assentes na terra, atentos à realidade que nos rodeia e preocupados em construir, desde já, um mundo de justiça, de fraternidade, de liberdade e de paz. A experiência religiosa não pode, nunca, servir-nos de pretexto para a evasão, para a fuga às responsabilidades, para a demissão das nossas obrigações para com o mundo e para com os irmãos.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Talentos

33º DOMINGO TEMPO COMUM

Sejamos servos bons e fiéis!


16 de Novembro de 2014

Evangelho - Mt 25,14-30


-OS NOSSOS TALENTOS-José Salviano





A justiça de Deus não é como a nossa, e pode nos surpreender. Pois os últimos poderão ser os primeiros... Leia mais...





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DEUS CONFIA A NÓS A ADMINISTRAÇÃO DOS SEUS BENS! – Olívia Coutinho

33º DOMINGO DO TEMPO COMUM
16 de Novembro de 2014
Evangelho de Mt 25,14-30

O comodismo paralisa-nos,  leva-nos  a passividade e consequentemente nos distancia de Deus! 
Quantos de nós, passamos pela vida escondidos no nosso  mundinho particular, não desenvolvendo os nossos talentos, ora, por comodismo, ora,  por medo de nos expor, de sermos criticados, o que não deixa de ser uma espécie de vaidade! 
Enquanto que a  vida de quem  se propõe a seguir Jesus, é regada o tempo de estímulo,  pois quem tem Jesus como Mestre,  tem gosto pela  vida!
A expansão do reino de Deus  aqui na terra, depende da nossa disposição  em colocar as nossas capacidades  e habilidades em prol  de um mundo melhor, afinal, somos nós, os contratados para a obra do Senhor, no Batismo assinamos este contrato 
A obra do Senhor é gigantesca, há trabalho para todos, ninguém pode dizer que não tem algo a oferecer nesta “empreitada”, pois o Senhor capacita a todos de acordo com a suas aptidões, cabendo  a cada   nós,  descobrir em que setor nos encaixamos nesta obra que nunca terá fim, pois o Reino de Deus,  é construção permanente!
A eficiência  de um  operário, está em fazer a diferença, em não ficar somente na sua obrigação, pois quem está ajustado no Senhor da Messe, pode fazer muito mais!
O  evangelho  que a  liturgia deste domingo nos apresenta,  faz-nos perceber através de uma parábola,  o  quão é grande a nossa responsabilidade para com o que é de Deus!  Seus bens estão em nossas mãos, e Ele bem sabe do que cada um é capaz!
 Deus confia a nós, a administração de todos os seus bens, e para que possamos ser bons administradores, Ele nos concede   “talentos,” um indicativo de  capacidade e de habilidade que Deus concede  a cada um de nós, diferentemente, cabendo  a quem  recebe, desenvolvê-lo!
A parábola nos fala de um patrão  que antes de viajar para o estrangeiro, entrega os seus bens a  três de seus empregados. A cada um deles, foi dada a responsabilidade destes bens de acordo com as suas capacidades e quando voltou, pediu conta destes bens a cada um deles.  Os dois primeiros, por terem alcançado  êxito na administração dos bens confiados a eles, receberem  elogios  do Patrão.  Já o terceiro empregado, que por medo de  arriscar enterrou o talento que recebera, não o fazendo multiplicar,  foi duramente castigado pelo patrão.
Este empregado,  simboliza todos os que tem medo de arriscar, os que vivem na passividade, que não agem e nem reagem, aquele que não fazem nada de errado, mas também não praticam o bem!
Na  administração dos bens de Deus, muitas vezes, precisamos ousar,  arriscar!  É importante conscientizarmos de que nós não seremos cobrados pelo não êxito do que fizemos, e sim, pelo  que deixamos de fazer! De nada  adianta, termos as  mãos limpas para apresentarmos a Deus no juízo final, se com elas nada fizemos em favor do Reino!
O empregado citado na parábola,  escondeu o seu talento no chão, e muitos de nós, escondemos os nossos  talentos dentro de nós mesmos, negando a  nossa contribuição na  construção do reino!
A consciência de que um dia teremos que prestar contas  a Deus dos frutos que produzimos aqui na terra, não deve nos intimidar, pelo contrário, deve nos estimular a ir em frente, a ousar...

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Servir ao Senhor com fidelidade e confiança
Com a parábola dos talentos, Jesus quer revelar‑nos nossa real condição. Pode­ríamos pensar que somos livres e independentes e usar de nós mesmos e do que dispomos como bem entendermos, sem ter de prestar contas a ninguém. Mas o exemplo dos servos que recebem os talentos indica que somos criaturas de Deus. Nós mesmos, com tudo o que somos e temos, pertencemos a Ele. Teremos de prestar‑lhe contas de tudo, e disso dependerá o êxito de nossa vida.
0 que distingue os servos não é a quantidade de talentos (com efeito, os dons de Deus são variados e multiformes), mas sim a atitude individual. Os dois servos bons, recebidos os talentos, põem logo mãos à obra, fazendo‑os render o dobro, e prestam contas a seu senhor com prontidão, o qual os reconhece como servos bons e fiéis. Um servo bom e fiel aceita de bom grado sua posição e coloca‑se plenamente a serviço do seu senhor. Não segue as próprias idéias e os próprios humores. Não se distancia de seu senhor, mas identifica‑se com seus objetivos e seus interesses. Um servo fiel tem consciência do tesouro que lhe foi confiado e cuida dele com esmero. Após terem superado a prova, aos dois servos bons são confiados bens maiores. 0 senhor os chama a participar da felicidade plena: "Entra na alegria do teu senhor" (Mt. 25,21.23). Freqüentemente no Evangelho se fala de "entrar no reino dos céus (Mt. 5,20; 7,21;18,3), "de entrar na vida" (Mt. 18,8‑9;19,6) e aqui se fala de "entrar na alegria".
Para os que foram admitidos a tomar parte do Reino dos Céus, isto significa plenitude de vida e felicidade sem fim. 0 senhor não afasta seus servos bons, mas os acolhe no seu âmbito de vida, na sua plena felicidade. Não podemos atingir esse fim, que é a realização plena da nossa vida somente com as forças, nem por meio de um caminho escolhido por nós mesmos, mas somente a partir do serviço ao Senhor. Ambos os servos bons recebem a mesma recompensa, que não é determinada pela medida do desempenho, mas sim pelo empenho e fidelidade. 0 servo mau, já de início, revela um relacionamento desfocado com o seu senhor. Sente sua dependência de maneira pesada, negativa, opressora. Fica indignado com ele como se fosse um explorador que vive do trabalho de outrem.
Por isso, não se lhe submete nem age de acordo com a vontade dele, Não desperdiça o que lhe foi confiado e não o usa para si mesmo. Deixa‑o intocável e o restitui tal como recebeu. O senhor o chama de servo mau, preguiçoso e inútil, alguém que fracassou completamente na sua missão. 
Por isso, não o admite à sua íntima comunhão de vida, mas manda que seja lançado fora nas trevas exteriores, onde não há alegria, mas choro por causa do sofrimento e ranger de dentes, por causa da raiva pela ruína que cada um atraiu para si mesmo (Mt. 8,12). 0 momento do confronto com o senhor só faz aparecer o abismo de separação que o próprio servo foi cavando. A exclusão da comunhão com Deus, significa trevas e escuridão, terror e desespero irremediáveis.
É somente colocando‑nos a serviço do Senhor, usando tudo o que nos deu e confiou de acordo com sua vontade, que podemos alcançar a nossa realização. Não podemos desperdiçar displicentemente nossa vida e nosso tempo, nossas possibilidades e capacidades. Deus nos pedirá conta de tudo. É na confiança, porém, que haveremos de servir a Deus, não no medo.
frei Aloísio Antônio de Oliveira OFV Conv


A parábola dos talentos é, sem dúvida, o texto capital entre os três de hoje. Um comentário pastoral a esta leitura poderá ir pela senda usual com este texto. Mateus acaba de falar da vinda futura do Filho do homem para o inicio e para a continuação nos diz quais as atitudes adequadas ante essa vinda, a saber, a vigilância (parábola das dez virgens) e o compromisso da caridade (parábolas dos talentos e do juízo das nações).
A parábola dos talentos é, nesse contexto interpretativo, um elogio ao compromisso, à efetividade, ao trabalho, ao rendimento. Poderá ser aplicada frutuosamente ao trabalho, à profissão, às realidades terrestres, ao compromisso dos leigos...
Contudo, o contexto da hora histórica que vivemos é tal que esta mensagem, em si mesmo boa e até ingênua, pode-se tornar funcional em relação à ideologia atualmente dominante, o neoliberalismo. Este, com efeito, prega, como seus valores, a eficácia, a competitividade, a criação de riqueza, o aumento da produtividade, o crescimento econômico, os altos rendimentos de juros bancários, a inversão em valores, etc. São nomes modernos bem adequados aos apresentados na parábola, ainda que se utilizados na homilia, não poucos ouvintes pensarão que o orador sagrado tenha saído de sua competência...
Por uma causalidade do destino, esta parábola se tornou atual e os teólogos neoconservadores (também existe os "neocons" em teologia) a valorizam altamente. Algumas de suas frases, sem necessidade sequer de interpretações rebuscadas, confirmam diretamente os princípios neoliberais. Pensemos, por exemplo, no enigmático versículo de Mt. 25, 29: "Ao que produz lhe será dado e terá em abundancia, porém ao que não produz, se lhe tirará até mesmo o que pensa ter". Não é fácil fazer uma pregação aplicada que não faça o jogo do sistema, o que, para muitos cristãos de hoje, está nos antípodas dos primeiros cristãos.
A eficácia, a produtividade, a eficiência... não são más em principio. Diríamos que não são valores em si mesmos, mas "quantificações" que podem ser aplicadas a outros valores. Pode-se ser eficiente em muitas coisas muito diferentes (umas boas e outras más) e com intenções muito diversas (más e boas também).
A eficácia em si mesma, abstraída de sua aplicação e de sua intenção... não existe, ou não nos interessa. O juízo que fazemos sobre a eficácia dependerá, pois, da matéria à qual apliquemos essa eficiência assim como do objetivo ao qual se oriente.
Cabe então imaginar uma "eficiência" (agrupando neste símbolo vários outros valores semelhantes) cristã. O próprio evangelho a apresenta em outros lugares, em sua célebre inclinação para a práxis: Nem todo o que diz Senhor, Senhor, mas o que faz..., a parábola dos dois irmãos, bem-aventurados os que escutam a palavra e a põem em prática... e mais paradigmaticamente, o mesmo texto que continua o de hoje, que vamos meditar no próximo domingo, Mateus 25, 32ss, onde o critério do juízo escatológico será precisamente o que tenhamos "feito" efetivamente aos pobres...
A eficiência aceita e até favorecida pelo evangelho é a eficiência "pelo Reino", a que é colocada a serviço da causa da solidariedade e do amor. Não é a eficiência do que consegue aumentar a rentabilidade (reduzindo trabalhadores pela adoção de novas tecnologias), ou a daquele que consegue conquistar mercados (reduzindo a capacidade de auto-subsistência dos países) de capital "andorinha"...
A eficiência pela eficiência não é um valor cristão, nem sequer humano. Talvez seja certo que o capitalismo, sobretudo em sua expressão selvagem atual, seja "o sistema econômico que mais riqueza cria"; porém, o certo é também que o faz aumentando simultaneamente o abismo que existe entre pobres e ricos, a concentração da riqueza, às custas da expulsão do mercado de massas crescentes de excluídos. O critério supremo para nós, não é uma eficiência econômica, que produz riqueza e distorce a sociedade e a torna mais desequilibrada e injusta. Não só de pão vive o ser humano.
De acordo com a doutrina cristã, não podemos aceitar um sistema que presta culto ao crescimento da riqueza, sacrifica (idolatricamente) a justiça, a fraternidade e a participação das massas humanas. Colocar a eficiência acima de tudo isto, é uma idolatria, a idolatria do culto ao dinheiro, verdadeiro deus neoliberal. Sobre a "idolatria do mercado" e o caráter sacrificial da ideologia neoliberal, muita coisa já foi escrita.
Não queremos ser eficientes, competentes (mais que competitivos), ou que não sejamos partidários da "qualidade total", ao contrário .... Somos partidários da maior eficácia no serviço ao reino, assim como da competitividade e da qualidade total no serviço ao Evangelho. (In ordinis non ordinarius, dizia um velho adágio da ascética clássica, querendo levar a qualidade total aos menores detalhes da vida ordinária ou oculta).
Pode-se reconhecer que com freqüência os mais "religiosos" foram omissos às implicações econômicas da vida real, pregando com facilidade uma generosa distribuição onde não se consegue uma produção suficiente, esperando tudo da esmola ou dos piedosos mecenas.
Também em um campo da economia teórica - sobretudo nesta hora - precisamos do compromisso dos cristãos. Se Jesus se lamentou de que os filhos das trevas são mais astutos que os filhos da luz, isso significa que a "astucia" (outro tipo de eficácia) não é má; o mau seria colocá-la a serviço das trevas e não da luz.


Já estamos chegando ao final do ano litúrgico A. No próximo domingo estaremos celebrando a festa de Cristo Rei e com essa festa, acontece o encerramento deste ano litúrgico. Depois da festa de Cristo Rei, vem o primeiro domingo do Advento, quando então, iniciamos um novo ano litúrgico, o ano B.
No evangelho de hoje Jesus nos conta a parábola dos talentos. Esta parábola provoca ou pelo menos deveria provocar em nós uma profunda reflexão sobre a nossa missão e vivência cristã.
Jesus sempre procurou ensinar através de parábolas. Sabia que através de exemplos do dia-a-dia, ele seria mais bem entendido pelo povo. Jesus sempre foi talentoso na forma de ensinar. As parábolas são claros exemplos de seu talento didático.
Percebeu que dissemos que Jesus tem muito talento para ensinar e, o chamamos de talentoso? Verificando no dicionário, talento é uma antiga e valiosa moeda grega e romana. Talento também é um dom natural ou habilidade adquirida. Talento virou sinônimo de dom.
É dessa maneira que devemos entender o talento da parábola, como um dom. Um dom que recebemos de Deus e que devemos preservar, fazer crescer, multiplicar. Os talentos, os bens do Senhor, não podem ficar escondidos, enterrados, sem render o esperado.
Nascemos para produzir frutos, fomos criados para assumir a missão. Missão na família, na sociedade e na comunidade. Missão de evangelizar, de levar aos povos a Boa Nova da presença de Deus em nosso meio.
O empregado da parábola não perdeu nem multiplicou o seu talento. Na verdade, ele só não fez uso de seu dom. Ele cavou o chão, guardou-o muito bem guardado e deixou-o intacto. "Tive medo de arriscar, poderia perder tudo, aqui tens o que te pertence". Covardemente disse isso e devolveu o talento, sem uso.
Quantas e quantas vezes fazemos o mesmo. Os compromissos sociais, a televisão, as novelas, o comodismo, o medo de assumir, não nos deixam arriscar. Vem um desejo enorme de cavar o chão e enterrar os nossos dons e talentos.
Vem a vontade de enterrar tudo que quebra a rotina e que exige mudança de comportamento. Vontade de fugir de tudo que nos amarra aos compromissos. Como já dissemos, esta parábola deve servir de alerta e fazer-nos refletir.
É bom lembrar que virá a cobrança e, quem não multiplicou seus talentos será excluído e abandonado nas trevas. Em compensação, o muito será confiado para aquele que soube administrar o pouco. O talentoso será premiado.
Ainda é tempo, vamos enterrar o comodismo e a covardia. Vamos assumir a vocação cristã e o compromisso batismal. Vamos administrar o muito; esse muito que Deus nos deu e que, certamente, qualquer dia destes, virá pedir para prestarmos contas.
Jorge Lorente


Medo do risco
A parábola dos talentos é muito conhecida entre os cristãos. Segundo o relato, antes de viajar, um senhor confiou a gestão de seus bens a três empregados. A um deixa cinco talentos, a outro dois, e a um terceiro, um talento: “a cada um de acordo com a sua capacidade”. De todos espera uma resposta digna.
Os dois primeiros se põem “imediatamente” a negociar com seus talentos. Vê-se-lhes trabalhar com decisão, identificados com o projeto de seu senhor. Não temem correr riscos. Quando chega o senhor, lhe entregam os frutos com orgulho: conseguiram duplicar os talentos recebidos.
A reação do terceiro empregado é estranha. A única coisa que se lhe ocorre é “esconder debaixo da terra” o talento recebido para conservá-lo seguro. Quando o senhor volta, se justifica com estas palavras: “Senhor, eu sabia que és exigente e colhes onde não semeaste... Por isso, tive medo e fui esconder o teu talento debaixo da terra. Aqui tens o que é teu”. O senhor lhe condena como empregado “negligente”.
Na realidade, a raiz de seu comportamento é mais profunda. Este empregado tem uma imagem falsa do senhor. Imagina-o egoísta, injusto e arbitrário. É exigente e não admite erros. Não pode ser confiável. O melhor é defender-se dele.
Esta idéia mesquinha de seu senhor o paralisa. Não se atreve a correr risco algum. O medo lhe bloqueia. Não é livre para responder de maneira criativa à responsabilidade que se lhe foi confiada. O mais seguro é “conservar” o talento. Isso basta.
Provavelmente, os cristãos das primeiras gerações captavam melhor que nós a força interpeladora dessa parábola. Jesus deixou em nossas mãos o Projeto do Pai de fazer um mundo mais justo e humano. Deixou-nos como herança o mandamento do amor. Confiou-nos a grande Notícia de um Deus amigo do ser humano. Como nós hoje, seguidores de Jesus, estamos respondendo a isso?
Quando não se vive a fé cristã a partir da confiança, mas sim do medo, tudo se desvirtua. A fé se conserva, porém não contagia. A religião se converte em dever. O Evangelho é substituído pela observância. A celebração é dominada pela preocupação ritual.
Seria um erro nos apresentarmos, um dia, diante do Senhor com a atitude do terceiro empregado: “Aqui tens o que é teu. Aqui está teu Evangelho, aqui está o projeto de teu reino e tua mensagem de amor a todos que sofrem. Conservamos tudo fielmente. Pregamos corretamente. Não serviu muito para transformar nossa vida. Tampouco para abrir caminhos de justiça em vista de teu reino. Porém, aqui o tens intacto”.
Desperta na Igreja a confiança.
José Antonio Pagola


Com este 33° domingo do tempo comum, estamos chegando perto de mais um fim do ano litúrgico. Como sabemos, o ano da Igreja não segue o calendário civil, mas possui uma dinâmica própria que nos remete sempre à primazia não do homem e das suas coisas, mas de Deus e de suas intervenções na história. Nós, cristãos, vivemos um “tempo fora do tempo”, um lugar para o qual a santa liturgia nos leva e que chamamos “tempo da graça”; a vida do cristão não pode ser um suceder de horas e dias, mas uma vivência de sua fé, madura e autêntica. Quantos de nós não deixamos a vida passar sem nos preocupar com aquilo que apresentaremos a Deus? Podemos até estar na Igreja e participar de várias coisas nela, mas ainda impedir que esta Igreja e o Senhor dela, Jesus Cristo, entre em nossos corações. Neste quase final do ano litúrgico, devemos pensar em como aproveitamos as graças e as oportunidades de conversão que o Senhor nos concedeu ao longo das diversas celebrações. Hoje, de maneira particular, o Senhor nos chama a refletir sobre isso em sua “parábola dos talentos”.
A palavra “talento” chegou a nós como sinônimo de “qualidade humana”, “dom pessoal”, “jeito para tal coisa”. Para o Evangelho, no entanto, talento é uma unidade monetária, uma quantia em ouro ou prata. Assim, na parábola que ouvimos, estes “dons” não são dos empregados, mas do patrão; a alusão de Jesus é óbvia: os dons são de Deus e não das criaturas! Não somos donos de nada! Nem nossa vida nos pertence, nem mesmo o último alfinete que tivermos em casa é nosso, tudo é de Deus. Aqueles que vivem nesta dinâmica não perdem a paz na vida, não se preocupam de maneira intemperante com o futuro, são pessoas generosas, bondosas e não estressadas. Aqueles, ao contrário, que vivem presos ao que tem, preocupados em perder e que não se põem a trabalhar para multiplicar o que receberam de Deus, esses vivem mal, sempre cheios de preocupações, avarentos, nunca disponíveis e sempre irritados...
Devemos criar a consciência de que nada somos e nada temos; tudo vem de Deus e, se não for Ele nada teremos em nossas mãos. No entanto, ao receber os talentos que são de Deus, temos que fazer como os dois primeiros homens do Evangelho que “saíram logo, trabalharam com os talentos e lucraram o dobro”. Deus, em seu amor e bondade, concede a nós administrarmos coisas, pessoas e circunstâncias em Seu Nome. O Senhor é provedor de tudo, mas deixa aos seus filhos – nós – a responsabilidade de gerir, administrar, cuidar de tudo aquilo que foi posto em nossas mãos. Assim, o talento pode ser entendido também como a missão que Deus nos dá, aquilo que não pode ser delegado, mas cumprido fielmente por cada pessoa; visto assim, o talento é para a edificação do Reino de Deus e aquele que não se põe a trabalhar para a construção desse Reino, furta-se de deixar sua contribuição, sua parte, um pouco de sua vida e é chamado por Jesus, sem rodeios, de “servo mau e preguiçoso”.
Não sabemos quando o Senhor voltará; o próprio Apóstolo São Paulo escreveu acerca disso aos tessalonicenses. Para ele, o importante não é saber dia exato, mas que todos vivam em estado de vigilância esperando seu Senhor chegar. E como nos prepararemos? O que fazer para que o Senhor nos encontre dispostos para o Reino? Aqui não há surpresas: fazendo o bem! Fazendo o bem como aquela mulher solícita do livro dos Provérbios; fazendo o bem como os primeiros empregados do Evangelho. E em que consiste tal bem? Consiste em usar e valorizar os dons que Deus nos deu. Para Jesus não há meio termo: ou utilizamos e desenvolvemos o que recebemos como dádiva ou nos mantemos na inércia, na paralisia que não nos faz crescer como pessoas e como cristãos. Ou seremos “servos bons e fiéis” ou seremos “servos maus e preguiçosos”. Por mais que a nossa natureza humana queira sempre tender para a segunda opção, para o Reino de Jesus, só é válida a primeira.
Chegando a quase o fim de mais um ano litúrgico, examinemos a nós; vejamos como nos utilizamos dos talentos que Deus nos deu ao longo desse ano; perguntemo-nos pela nossa prática sacramental – como recebemos tais dons. Diante de Deus, com sinceridade e razão, devemos nos indagar sobre como temos vivido e atuado neste mundo como testemunhas da Palavra da verdade. Que sejamos tidos por “servos bons e fiéis”, para que um dia, nosso último dia, nosso “patrão celeste” possa nos dizer: “Como foste fiel na administração de tão pouco, Eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!”


“Muito bem, empregado bom e fiel”
O Evangelho de hoje situa-se no quinto e último grande discurso do Evangelho de Mateus - o Discurso Escatológico, ou aquele que trata do fim último das coisas. O tema básico do discurso é a vigilância, ilustrada pela leitura dos sinais dos tempos (24,1-44), a parábola do empregado responsável (24,45-51), a das virgens prudentes e imprudentes (25,1-13), e que vai terminar no próximo domingo, Festa de Cristo Rei, com o texto sobre o Juízo Final (25, 31-46).
O texto de hoje versa sobre os empregados e os talentos - no tempo de Jesus um talento era uma soma considerável de dinheiro, e hoje, no contexto da parábola, pode ser interpretado em termos de dons recebidos de Deus. O trecho demonstra que o importante é arriscar-se e lançar-se à ação em prol do crescimento do Reino de Deus, para que os dons que recebemos de Deus possam crescer e se frutificar (de forma alguma se deve interpretar o texto ao pé-da-letra, como se ela tratasse de investimentos e lucros financeiros, pois ele é uma parábola, que é uma comparação que usa imagens e símbolos conhecidos).
Jesus confiou à comunidade cristã a revelação dos segredos do Reino e a revelação de Deus como o “Abbá”, ou querido Pai. Esse dom é um privilégio, mas também um desafio e uma responsabilidade. Nem a comunidade cristã, nem o cristão individual podem guardar para si essa riqueza. Embora carreguemos “esse tesouro em vasos de barro” (2Cor. 4, 7), como disse São Paulo, temos que partir para a missão, para que o maior número possível chegue a essa experiência de Deus e do Reino. Não é suficiente que estejamos preparados para o encontro com o Senhor (mensagem do texto anterior a este, o das virgens) - o outro lado da medalha é a atividade missionária, que faz com que o Reino de Deus cresça, mediante o testemunho da nossa prática da justiça!
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Dons que devem dar frutos
A parábola dos talentos é de propósito provocadora, apresentando uma imagem mitigada de Deus. Mas, não esqueçamos qual é o seu objetivo: levar cada um à conversão, ou seja, a uma mudança de vida, não se deixando dominar pela omissão e preguiça.
O questionamento pode ser assim resumido: como empregamos com proveito o tempo que nos é concedido enquanto esperamos o retorno do Cristo na glória? Nossa vida é vazia, "sem objetivo" (1Pd. 1,18) ou, ao contrário, rica daquela fecundidade, cujas raízes estão em Deus e em nossos corações?
Para responder a estas questões, tomemos a medida dos talentos recebidos examinando-os à luz da Escritura. O que nos diz esta parábola, senão o dom de termos sido criados à imagem e semelhança de Deus (Gn. 1), o dom de sermos em Cristo filhos de Deus pelo batismo, nossa segunda criação ( Jo. 1,1-14)? Dons que nos tornam "capazes de Deus" ou seja, aptos para participar de sua vida, unidos a ele na oração, testemunhas de seu amor. E há outros talentos concedidos a nós individualmente, tais como nossa inteligência, intuição, criatividade...
Observemos que compete a cada um dar uma resposta pessoal, sem querer fazer comparação com os outros. Deus não exige daquele que recebeu cinco talentos lucrar quantitativamente tanto quanto lucrou o que recebeu dez...ele quer que fiquemos na faixa da lógica da vida, que supõe confiança no empregador e recusa de se deixar dominar pelo medo, que, na realidade, é desculpa para encobrir a preguiça. ("Sei que és um homem severo., fiquei com medo e escondi o teu talento no chão ")
Se cada um é julgado por aquilo que construiu (1Cor. 3,12) ou frutificou, lembremos que o amor é a medida de tudo. Sem ele, com efeito, as mais belas realizações não passam de "bronze que soa " (1Cor. 13,1)
E o que não podemos esquecer é que o desafio é entrar na alegria de nosso Senhor e Mestre: "entra na alegria do teu senhor!"
Tradução "Prions en Église”


Fazer render os dons de Deus
O ano litúrgico caminha rapidamente para o fim. Dentro de quinze dias estaremos entrando de novo no Advento.. E a liturgia deste domingo nos faz refletir sobre uma simpática parábola que faz pensar nas contas que iremos prestar a Deus que nos confiou tantos dons preciosos. É a parábola dos “talentos”, que na antiga cultura grega e romana era o nome de um peso e de uma moeda de altíssimo valor. Esse nome hoje significa um valor moral que se encontra numa pessoa. O uso do Evangelho deve ter influído  nessa transposição de significado.
A parábola está aí na limpidez de sua apresentação. Um homem, devendo ausentar-se para uma viagem, distribuiu dinheiro a três servos, para que tomassem conta dele e o fizessem frutificar. Quantias todas muito grandes, fazendo já alusão à generosidade de Deus nos seus dons. O servo que recebera cinco talentos negociou também e lucrou mais cinco. O que recebera dois, negociou também e lucrou outros dois. O terceiro, porém, sem coragem e omisso, escondeu debaixo da terra o talento recebido, para devolvê-lo na volta ao patrão. Na volta do patrão, os dois primeiros lhe entregaram o lucro conseguido, e foram elogiados pelo patrão , os dois primeiros lhe entregaram o lucro conseguido, e foram elogiados pelo patrão, que lhes confiou quantias maiores e os convidou a “entrar para a alegria do seu Senhor”. Ao terceiro, que entregou envergonhado o talento que guardara escondido, de medo das exigências do patrão, a acolhida deste foi dura: “Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu ceifo onde não semeei e recolho onde não espalhei!” (O servo havia alegado isso). E continuou dizendo que o servo deveria ter posto seu dinheiro no banco para render juros. E mandou que lhe irassem o talento e o entregassem ao que tinha dez; pois quem tem, recebe mais ainda; e a ele, o lançassem nas trevas, onde haveria choro e ranger de dentes (cfr. Mt. 25,14-30).
Ninguém deve estranhar que Jesus se sirva de um tema comercial, e até de um tema comercial, e até de sabor do mundo capitalista, onde o assunto é ganhar, cobrar juros, lucrar, juntar dinheiro. Jesus não está com isso querendo inculcar o interesse pelo mundo do dinheiro. Sua filosofia é bem outra! Trata-se de uma parábola. E  na parábola é preciso olhar aquilo que, em linguagem de escola, chamamos de “tertium comparationis”; isto é, o terceiro elemento entre dois termos da comparação: Entre os negócios materiais e os bens espirituais que Deus nos dá, o que Jesus nos quer apontar é a diligência do negociante. Assim seremos recompensados por Deus.
A grande lição é que devemos fazer render em nossa vida os dons que Deus nos deu e dos quais havemos de prestar contas em nosso encontro final com o Senhor. A todos Ele deu seus dons: saúde, inteligência, habilidade para o trabalho. A alguns deu até dons especiais de criatividade, de comunicação, de visão dos caminhos do futuro. Muitos podem até dizer um pouco como a Virgem Maria: “O Onipotente fez em mim grandes coisas”.
O bem do mundo e da sociedade depende de todos nós. Ninguém deve ser uma peça negativa. Ninguém cometa o pecado de omissão. Ele é mais freqüente do que se pensa! Todos têm que se empenhar em ser construtores de um mundo melhor. Feliz de quem “fizer o bem e não o mal em todos os dias de sua vida” (Pv. 31,12). E puder dizer na sinceridade da humildade: o mundo está melhor, porque nele estou eu com os dons que Deus me deu. Esse ouvirá de Deus a grande palavra final: “Entra para a alegria do teu Senhor”.
padre Lucas de Paula Almeida, CM