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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

1º DOMINGO QUARESMA-B


1º DOMINGO QUARESMA

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 DOMINGO- 18 de Fevereiro – Ano B

Evangelho Mc 1,12-15

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Precisamos seguir o exemplo de Jesus. Ele foi forte diante do maligno, e venceu suas tentações.  Continuar lendo


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FIEIS A CRISTO VENCEREMOS TODAS AS TENTAÇÕES!- Olivia Coutinho

1º DOMINGO DA QUARESMA

Dia 18 de Fevereiro de 2018

Evangelho de Mc1,12-15


Estamos no início da Quaresma, um tempo forte na vida da Igreja e de todos os que se dispõem a caminhar com o Cristo vencedor.
Neste tempo propício a um recolhimento interior, somos chamados a ouvir a voz do Senhor, que nos fala a todo instante, mas nem sempre, ouvimos a sua voz, por estarmos dando ouvidos as vozes do mundo.
A liturgia deste tempo, tem como propósito, despertar em nós, o desejo de mudança, de reaver os valores do evangelho, que às vezes vamos deixando de lado, por estarmos voltados para os “valores” do mundo
Nas palavras de Jesus, que iremos meditar neste tempo reflexivo, haverá  sempre um apelo de conversão, e todos nós sabemos que não é fácil percorrer este caminho, sozinhos nos damos conta, pois mudança, é sempre um grande desafio, requer coragem, determinação,  renuncias, e acima de tudo, o constante exercício do perdão.
A penitência, o jejum e a oração, são os três exercícios que constituem o tripé da nossa  vivencia quaresmal.
O pecado interrompe o nosso relacionamento com Deus, mas a porta do seu coração de Pai misericordioso, nunca fecha, ela está sempre aberta para nos receber de volta, basta querermos voltar!
Aproveitemos, pois, este tempo em que a graça e a misericórdia transbordam do coração do Pai, para voltarmos ao seu convívio!
O evangelho que a liturgia deste primeiro Domingo da Quaresma nos convida a refletir, apresenta-nos  Jesus no deserto, sendo   tentado a desistir da sua missão, a trocar o projeto de Deus por bens materiais, mas a sua resposta é taxativa: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Mt4,4.
Jesus foi tentado a aceitar e a confiar no poder do demônio, mas Ele respondeu com firmeza: “...Não tentarás o Senhor teu Deus.” 
O Filho de Deus venceu o inimigo por estar fortalecido no Espírito do Pai, Ele se manteve firme no propósito de levar em frente a sua missão: libertar a humanidade da escravidão do pecado. 
Assim como aconteceu com Jesus, acontece também conosco, a tentação do TER e do PODER, está sempre a nos rondar, precisamos estar sempre atentos, vigilantes,  para não sermos pegos de surpresa, pois a tentação é oportunista, ela surge inesperadamente, principalmente quando nos propomos a mudar de vida, ou quando estamos enfraquecidos na fé.  
Para nos seduzir, o mal chega até a nós, disfarçado do bem, por isto, precisamos estar sempre atentos para não tornarmos presas fácies do inimigo, deixando-nos enganar pelas aparências. 
Ninguém está livre das tentações, elas estão por toda parte, principalmente onde existe o bem, para vencê-la, é importante estarmos sempre em sintonia com Deus, perseverantes na fé, munidos de uma arma poderosíssima, que é a oração!
Ser tentado, não significa pecar, pecar é cair na tentação. E todos nós, já passamos pela a experiência de ser tentado, o próprio Jesus viveu esta experiência, é a nossa ligação com Ele, que nos torna resistentes as tentações, que não nos deixa cair nas ciladas preparadas pelo o inimigo.
Que o Espírito Santo de Deus, que fortaleceu Jesus nas tentações, nos fortaleça também, e que nenhuma proposta do mundo, nos convença a trocar o SER, pelo o TER!
Na oração do Pai Nosso Jesus nos ensina a pedir ao Pai: “...não nos deixeis cair em tentação”... Peçamos a Ele todos os dias esta graça!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

PARA OUVIR O ÁUDIO DESTA REFLEXÃO, ACESSE  O LINK:   https://www.spreaker.com/user/radiolibertador1/programa-refletindo-o-evangelho-1-domngo




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Compromissos batismais
Neste I Domingo da Quaresma somos convidados a refletir sobre os compromissos assumidos no dia do nosso batismo. Deus fez conosco uma Aliança pela Vida (1ª leitura), essa responsabilidade nos envolve por inteiro e é a referência que aprova ou rejeita a nossa consciência diante de Deus (2ª leitura). O Evangelho nos convida a não termos medo da luta pelo testemunho dos nossos compromissos batismais na sociedade assumindo a nossa missão de féis e corajosos discípulos de Cristo capazes de conviver com “animais selvagens”, mas acolher “anjos” como parceiros no serviço ao Reino de Deus.   
1ª leitura: Gênesis 9,8-15
Deus quer uma aliança pela vida
Esta breve passagem nos apresenta Noé como alguém profundamente comprometido com o projeto de Salvação de sua Família. Desde seu nascimento Noé é visto como sinal de bênção e consolo (cf. Gn. 5,29). Esta primeira leitura tem uma profunda relação com o Evangelho. Encontramos vários pontos semelhantes nas narrações sobre Noé e Jesus (I leitura e evangelho). Jesus nos é apresentado por Marcos como o homem impelido pelo Espírito ao “deserto”, onde passa “quarenta dias” (=sua vida sintoniza com o Pai), que viveu entre “animais selvagens”, era servido por “anjos” (cf. Mc. 1,13) e aos pobres anuncia a conversão para a Salvação. Noé viveu entre gigantes heróis e famosos (cf. Gen 6,4), num ambiente de maldade crescente (cf. Gn. 6,5.11.12), acolheu o projeto de Deus de renovar a face da terra e dentro da arca conviveu com animais domésticos e feras (cf. Gn. 9,9). “Noé era um homem justo, íntegro entre seus contemporâneos, e andava com Deus” (Gn. 6,9). O patriarca Noé é a prefiguração do autêntico cristão que zela pela sua Salvação através da fé: a arca. A fé é a arca que nos conduz com segurança ao porto seguro definitivo, o paraíso. Quem não tem fé, facilmente “se afoga” nas águas turbulentas da história, ao contrário, para o batizado, animado pelo Espírito Santo, o dilúvio representa desafios a serem superados, ou seja, o egoísmo, a violência, a indiferença etc. Esse compromisso de Salvação da pessoa humana tem uma dimensão cósmica (universal), pois beneficia também o resto da criação. Noé, salvando sua família, também salva a natureza por ele cuidada. Paulo fala disso quando diz que a criação “geme e sofre esperando por libertação” (cf. Rm 8,22). Deus quer conosco uma aliança pela Vida, uma aliança “bioética” e “ecológica”. Faz a sua parte e nos dá ao longo da nossa história de vida pessoal e social, muitos sinais arco Iris.
Nossa Vida:
Com a celebração do nosso batismo assumimos, em síntese, um único compromisso: zelar pela nossa Salvação... estrategicamente, amando a Deus e os outros! Somos convidados neste I Domingo da Quaresma a seguir o exemplo de Noé renovando diante de Deus e da comunidade o nosso compromisso de construir e calafetar cuidadosamente a nossa arca ao longo da nossa história: nossa Fé (1Pedro 3,20  cf. II leitura). Uma barca furada, logo afunda! Uma canoa rasa logo é invadida pelas águas do dilúvio da história. Um barco sem leme fica à deriva das ondas. O Espírito nos conduz! A fé é um dom, mas também é uma responsabilidade humana (construção) porque para ser aprofundada é necessário, por parte da pessoa, o seu esforço, reflexão, estudo, oração... A calafetagem é o ato de tapar os furos de uma embarcação para que não entre água e, assim, não afunde. Nossa fé também precisa ser “calafetada”: deve ser, ao máximo possível, preservada de impurezas das águas do dilúvio dos males do contexto sócio-cultural onde vivemos. Quando ela fica contaminada, se torna ideologia; deixa de ser um caminho do Espírito que nos conduz a Vida Eterna.
SALMO 25 (24): este salmo é uma oração de súplica na qual apresenta duas situações distintas: de um lado o suplicante sente-se pressionado por seus inimigos; sentindo-se solitário, infeliz, angustiado implora socorro a Deus. Por isso pede que não fique envergonhado, e seus inimigos não triunfem sobre si (cf. Sl. 25,2.3.16-20).  Por outro lado parece-lhe fortemente, como inimigo que o aflige, a consciência de pecado. Pede a Deus que não se lembre dos desvios de sua juventude (cf. Sl. 25,7), que olhe seu sofrimento e miséria, mas perdoe seus pecados todos (cf. Sl. 25,18). O Salmista revela ainda sua consciência da necessidade de andar nos caminhos de Deus (cf. Sl. 25,4.5), pois Deus é bondade e retidão, e aponta o caminho da vida para os pecadores, bem como Ele guia os pobres conforme o direito, e ensina a eles o seu caminho (Sl. 25,8-10).
2ª leitura: 1 Pedro 3,18-22
O efeito absoluto da morte de Cristo
Em primeiro lugar Pedro nos apresenta a validade absoluta da morte de Cristo, Senhor da história: “Cristo morreu uma vez por todas pelos pecados” (1Pd. 3,18). Isso significa que o benefício do seu sacrifício na cruz atingiu também aqueles que morreram antes Dele (cf. 1Pd. 3,19-20). Esse absoluto Dom é real e sempre presente pelo fato de que Jesus Cristo é o Deus encarnado e, enquanto Deus, Ele tem o domínio de toda a história: presente, passado, futuro e submeteu a si todas as suas criaturas e poderes (cf. Cl. 1,16; 1Pd. 3,22). Para Deus não há limites. Para aqueles que vivem na era cristã somos convidados a acolher a graça do convite à Salvação através da vivência dos nossos compromissos batismais: cuidar de cultivar uma “boa consciência diante de Deus, mediante a ressurreição de Jesus Cristo” (cf. (1Pd. 3,21). Essa “boa consciência diante de Deus” da qual Pedro fala, significa o confronto ao qual submetemos o nosso agir: escolhas e atitudes. Para Paulo a bondade “da consciência” é testemunhada pelo Espírito Santo (cf. Rm. 9,1) e não pela própria pessoa, pois a falta de acusação da consciência não significa inocência: Deus é quem tudo julga  (cf. 1Cor. 4,4), porque só ele tem pleno conhecimento de quem somos, o que sentimos, o que pensamos, o que decidimos e o que fazemos. Da parte do cristão, resta o dever se fazer sempre o bem (cf. Rm. 2,10; Rm. 12,17; Gl. 6,9).
Nossa vida
Deus já fez a sua parte e continua nos fazendo o bem nos dando sua assistência através do Espírito Santo que nos orienta na vivência dos compromissos do nosso batismo. O desafio da nossa parte é aquele de viver com a “consciência tranqüila” porque lutamos para colocar em prática a dinâmica vontade de Deus. Como Paulo já bem frisou, a consciência da pessoa é susceptível, ou seja, passível de erro: pode ser alienada, viciada, entorpecida, anestesiada, torturada, enganada... Uma consciência nesse estado perde a sua função crítica que é aquela de, imediatamente, emitir um juízo sobre a qualidade das ações da pessoa a partir do critério Verdade-Caridade! A fé, que se traduz em serviço aos outros, é o princípio supremo que avalia e julga a própria consciência pessoal (cf. Mt 25, 31-46; Fl 4,4-8).
Evangelho: Marcos 1,12-15
Jesus é tentado a abandonar os pobres
Marcos nos apresenta Jesus ligado à Galiléia, Ele veio dessa região antes do seu batismo (cf. Mc. 1,9) e pós o batismo a ela retorna (cf. Mc. 1,14). O Filho de Deus tudo transcende, portanto, Marcos em seu evangelho não está preocupado em evidenciar o apego de Jesus ou a opção por um território simplesmente. Para melhor entendermos essa questão basta lembrarmos o fato histórico de que no tempo de Jesus essa região da Palestina era habitada basicamente por pobres e era alvo de pouco cuidado político. O centro de referência era a Judéia e Jerusalém era a capital para onde tudo convergia. Com isso Marco quer dar ênfase ao fato que, desde o início da vida pública de Jesus, Ele mostrou a todos sua radical opção preferencial pelos excluídos e pobres. Começa cuidando dos pobres galileus: um jovem galileu promovendo seus irmãos! Nos versículos apresentados hoje, Marcos nos revela que essa missão é difícil, pois a pobreza tem uma história, deixa sequelas na vida das pessoas, é gerada e há pessoas que dela se interessam para mantê-la e dominar os empobrecidos. Nessa missão o grande aliado de Jesus é o Espírito Santo. Ele impele Jesus ao deserto, ou seja, a viver movido por uma contínua relação com o Pai, quem lhe confiou essa missão (cf. Mc. 1,12). O deserto, mais que um lugar geográfico do ponto de vista bíblico, é um estado de espírito que leva o fiel a confessar sua consciência de dependência de Deus e sua necessária comunhão com Ele. O deserto para Marco também significa a Missão de Jesus com a totalidade das suas dificuldades. A fidelidade à Missão implicará a necessária experiência do serviço, sacrifício, da generosidade, da descentralização pessoal, do desapego, da total dependência de Deus. É dentro desse contexto de luta que Jesus é tentado por Satanás a abandonar a pobre humanidade. Para Satanás “cair” na tentação seria abandonar os pobres ou conviver com eles mantendo-os como estão. Abandonar os pobres sedentos de salvação, significava rejeitar a cruz (o martírio). Para Satanás “cair” na tentação seria viver no conforto pessoal e, em vez de conviver com “animais selvagens” (duros opositores), seria fechar-se a um grupo de amigos, ser aplaudido e querido. Jesus viveu entre “animais selvagens” e “anjos”. Marco simbolicamente com essa imagem, quer nos dizer que Jesus teve opositores, inimigos, pessoas que lhe foram indiferentes, que o rejeitavam, que não o acolhiam... quando um animal selvagem vê um humano, corre ou ataca! Mas não foi só isso. Jesus também viveu rodeado de “anjos” que o serviam: seus discípulos, os pobres que acorriam a seu encontro movidos pela fé, Maria sua mãe, as mulheres que o acompanhavam e lhe ajudavam (cf. Lc 8, 1-3). Jesus não agia à semelhança de um sociólogo mapeando a pobreza. O que lhe interessava era, antes de tudo, o coração, a mentalidade, a postura das pessoas. Por isso os pobres são chamados à conversão (cf. Mc 1,15). É necessário decidir-se pela Salvação integral e vida eterna.
Nossa Vida:
Logo após o seu batismo Jesus, intrepidamente, assume sua missão num contexto profundamente marcado pela violência: seu precursor, João Batista, tinha sido cruelmente decapitado. Jesus mesmo, diante dos discípulos reconheceu esse drama dizendo: “desde os dias de João Batista até agora, o Reino do Céu sofre violência...”(Mt 12,12). Contudo, essa realidade em nada intimida Jesus que, totalmente movido pelo poder do Espírito Santo inicia o anúncio do Amor e da Paz: “Jesus voltou para a Galiléia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza” (Lc 4,14). Eis algumas mensagens desse texto: a) Quem é movido pelo Espírito não tem medo.  Esse é um fato documentado por todos os evangelistas: Jesus é confortado pelo seu Pai através do Espírito Santo. Assim também pode acontecer conosco: à medida que cresce a nossa paixão pelo Reino de Deus mais somos confortados pela presença de Deus em nossa vida que arranca o medo de nossa alma.  b) A experiência do deserto robustece a nossa espiritualidade. A experiência do “deserto” é a oração.  C) A promoção do Reino de Deus implica, com sabedoria, sabermos conviver com “animais selvagens”, mas fazer-nos ajudar por “anjos”. Por outro lado, mais que combater os primeiros, o discípulo de Jesus, deve mesmo, é apostar todos os recursos na promoção de “anjos”; todavia, o desafio maior e mais nobre, é aquele de assumirmos, pacientemente e com coragem, a transformação de “animais selvagens em anjos”. D) Os pobres são chamados à conversão porque ao Reino de Deus interessa, essencialmente, o coração (amor) e a consciência da pessoa. Jesus dá prioridade aos pobres porque reconhece neles a dignidade humana ferida por serem vítimas do sistema político-cultural excludente e viverem sem meios para efetivarem a própria libertação. Mas para Jesus isso não basta. A pobreza econômica não é sinônimo de santidade. Há pobres moralmente culpados e espiritualmente mesquinhos. Jesus, sabendo da ambigüidade do coração humano, os convida à conversão. Quando Jesus apresenta as bem-aventuranças reforça esse caminho de pobreza espiritual: «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu” (Mt 5,3).
MENSAGENS e COMPROMISSOS:
O Bom cristão deve zelar pela manutenção da barca da fé que nos conduz, anima, purifica na perspectiva da Salvação.
Testemunhar o batismo cuidando do estado de boa consciência diante de Deus, fazendo o bem, servindo...
Não ter medo de testemunhar a própria fé diante dos “animais selvagens de hoje”, mas lutar para transformá-los em anjos!
Antônio de Assis Ribeiro - SDB (padre Bira)



Foi tentado por Satanás, e os anjos o serviam
A primeira leitura, Gênesis 9, fala da aliança de Deus com Noé. A aliança mais importante, será a realizada com Abraão... A Aliança com Noé pertence a um segundo plano da economia da salvação. Nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra, assegura Deus a Noé (Gn. 9,11). E esta promessa vai acompanhada de um memorial: o arco-íris, sinal de um novo pacto entre Deus e a humanidade.
O medo do “dilúvio” foi quebrado! Agora temos uma nova aliança a partir de uma alternativa de vida para todos os seres viventes. A arca que abrigou a família se transforma em uma grande casa acolhedora da vida, onde o cuidado com os animais se destaca, de maneira especial (Gn. 9,10-7). É a casa da vida que coloca o ser humano em comunhão entre a terra, a natureza, e o cosmos.
O rio Jordão, o deserto e a Galileia são como que um mesmo “fio condutor” de um deslocamento fundamental que dá inicio ao evangelho de Marcos. Aí percebemos o movimento do reino de Deus que convida a mobilizar-nos em busca de nossos próprios “lugares do Reino” onde se concretizam e se desenrolam nossas opções pela vida, pela dignificação das pessoas e das comunidades.
O rio Jordão evoca grandes e significativos feitos da historia de Israel. É mais importante, sem dúvida, quando Josué e o grupo do deserto atravessam o rio para entrar na terra prometida (Js. 3-4). Relato das origens daquele projeto de vida igualitária revelado por Deus aos escravos fugitivos do Egito. A partir dessa memória primordial, João, o Batista, convoca o povo ao redor de uma nova esperança messiânica. Aí também chega Jesus, procurando “as águas de João”.
O deserto é a mediação muito freqüente de discernimento, formação e amadurecimento do projeto de Deus. Jesus é levado pelo Espírito ao deserto, lugar por excelência onde Israel aprendeu a ser povo. Sujeito e projeto unidos na memória do êxodo, dando inicio ao evangelho de Jesus.
Galileia é o lugar onde Jesus concretiza sua opção pela humanidade e pela humanização. Essa geografia é, para Jesus, o espaço vital do Reino. É um mar, uma terra e um povo aberto às nações do entorno. As fronteiras se “cruzam” dando lugar à inclusão do diferente em múltiplas “misturas”. Tudo isto favoreceu o amadurecimento e a irrupção do kairós do reino de Deus.
A passagem do Jordão em direção ao deserto, propõe a articulação de movimentos messiânicos proféticos que têm nesses lugares suas fontes de inspiração e de organização. Marcos vincula o confronto com Satanás, principio cósmico do mal, com a enfermidade, a marginalização e a morte dos pobres; será para Jesus a definição de sua vida pela rota do reino de Deus.
O deserto deixa de ser um lugar de prova e penitencia, segundo a tradição judaica, para converter-se em lugar de aprendizagem definitiva no confronto e na superação do desequilíbrio. O Espírito de Deus leva Jesus até a memória fundacional de Israel; vencendo a Satanás, a vida se transforma em fidelidade para com Deus e para com o ser humano. O simbolismo dos “quarenta” tem a ver com o trauma do novo nascimento. Os poderes da historia se confrontam: Jesus, como princípio da humanidade, libertada a partir de Deus, e Satanás, que é símbolo e causa de morte no mundo. Nós nos encontramos frente ao relato de uma nova origem.
Marcos reescreve a historia, levando-nos da água do batismo à reconstrução da humanidade, par nos dizer que Jesus está aí apostando numa nova opção de vida, dignidade e felicidade humana. Porém, Jesus não assume o combate solitário. Está junto como os animais e os anjos como que evocando um novo paraíso. O serviço evangélico comunica esperança e a realidade da salvação.
Ao retomar o “paraíso” para reiniciar o caminho do humano, Jesus conta com forças naturais e angelicais (terra e céu) favoráveis. Jesus se encontra entre a tentação satânica e o serviço angélico. É o dilema que permanentemente enfrentamos. Marcos evocou estes poderes como em um espelho para que possamos nos espelhar neles.  Ele esclareceu o que é servir, conectando-nos à “historia original”. Já na historia concreta esses atores sobrenaturais desaparecem e é quando Jesus nos ensina a servir, servindo à sua comunidade discipular.
Obviamente, os quarenta dias de deserto não desaparecem. Duram todo o evangelho, toda a vida. São paradigma da contradição e do desequilíbrio, que permanentemente atravessam a historia. Na trama da vida humana nasceu e foi sendo introduzida e decidida a trama do pecado e a esperança de todos os viventes (incluindo animais, anjos e diabos). Definitivamente, a liturgia apresenta este evangelho do começo do ministério de Jesus em paralelo com o começo da quaresma. A quaresma é a vida humana...
Um chamado à conversão ecológica Urgente
A primeira leitura deste domingo introduz o tema ecológico na liturgia, concretamente no tema da conversão. Se a mensagem deste primeiro domingo da quaresma é centrado na conversão, este texto nos dá uma motivação bíblica para incluir a dimensão ecológica nessa conversão hoje necessária.
Embora nos custe admitir, é do conhecimento de todos que as três religiões monoteístas, a religiões do livro, tiveram e continuam tendo muito pouca sensibilidade ecológica. Mais ainda: a dimensão cultural da exploração sem misericórdia da natureza, vista como mero objeto, objeto de exploração, coisificada, objetivada como mero recurso à nossa disposição, não foi invenção humana alheia ao religioso, ao contrario se apóia literalmente nas palavras do Gênesis, (1,26, no primeiro capítulo da Bíblia). E tudo isso pelo “antropocentrismo”, um erro de perspectiva do qual a Bíblia não nos libertou, mas nos confirmou, e pelo qual nos consideramos o centro da realidade do cosmos.
Um conceito novo, que especifica bem o sentido do “antropocentrismo” é o de “especismo”: concretamente, considera que nós somos a última espécie, somos os recém vindos ao mundo, nos convertemos em uma autêntica força geológica e nos consideramos os seus donos e protagonistas, postergando todas as demais espécies, considerando-as uma classe inferior, biologia e filosoficamente.
A “aliança com Noé” é um pacto com o qual, segundo a tradição recolhida do gênesis, Deus quer comprometer-se com toda a humanidade e todo ser vivo; promessa de que não haverá nenhum novo dilúvio que destrua o ser humano nem a vida sobre a face da terra. O arco-íris será sua lembrança para Deus, diz o Gênesis (9,13).
Hoje é necessário outro pacto ecológico, uma aliança de paz do ser humano com a natureza, para deixar de agredi-la e de destruí-la, para passar a uma atitude de cuidado e de responsabilidade. É preciso superar a postura tradicional de “concordismo bíblico”; pensamento segundo o qual tudo o que é bom que descobrimos ou amadurecemos... já estava previamente na Bíblia, ainda que tivéssemos passado vinte séculos sem percebê-lo.... A dimensão ecológica que hoje estamos descobrindo não está na bíblia.
Mais: na bíblia estão fundamentadas atitudes que hoje parecem ecologicamente irresponsáveis, ou anti-ecológicas. A Bíblia foi escrita em uma época sem perspectiva ecológica e é por isso que na liturgia e no ano litúrgico está tão ausente a ecologia. É necessário “forçar” adequadamente a situação para introduzir o tema, pela urgência do mesmo.
Neste momento, aumentar a consciência da responsabilidade ecológica da humanidade, sobretudo em vista da urgência de evitar o “ponto de retorno” que se aproxima perigosamente segundo todos os cálculos, é um dos deveres máximos do cristão e de todo simples ser humano consciente. Se a humanidade não toma urgentemente uma nova atitude, entra em crise sua própria sobrevivência.
E ainda que mudemos amanhã mesmo, os estragos causados no planeta já são irreversíveis, e vamos pagar caro por eles durante muito tempo. É importante que a conversão de que nos fala a quaresma inclua a conversão ecológica, além da conversão para um compromisso maior com a questão da saúde.



Quaresma é um tempo muito especial para o cristão. É período de oração e penitência para nos prepararmos para os acontecimentos centrais de nossa fé; a morte e Ressurreição de Jesus.
O período da quaresma representa os quarenta dias que Jesus passou no deserto após ter sido batizado. Jesus se preparava para assumir sua missão e, durante todos esses dias, foi tentado pelo demônio. Não teve um só minuto de sossego.
Durante as vinte e quatro horas do dia o demônio tentava fazê-lo mudar de idéia. O príncipe da terra sabia dos objetivos de Jesus e não estava gostando nada, nada, daquela história de pregar a conversão e a aceitação da Palavra de Deus.
Jesus quis se fazer semelhante a nós em tudo, menos no pecado, no entanto, quis também experimentar as tentações que enfrentamos diariamente. Este evangelho é o nosso próprio dia-a-dia, vivemos rodeados pelas tentações. É só o demônio perceber que estamos nos preparando para assumir a evangelização, e lá vem ele.
Vem como quem não quer nada. Oferece mundos e fundos para nos ver desistindo. Não tem fraco que resista suas ofertas. Se ele não consegue por "bem", coloca pedrinhas em nossos sapatos. Faz de tudo para atrapalhar e desestimular.
Marcos diz que Jesus foi para o deserto "movido pelo Espírito Santo". Jesus deixou-se guiar pelo Espírito. Foi no Espírito, que encontrou forças para superar as provações e as tentações que se apresentaram em seu caminho.
Esta é a prova concreta que Jesus nos deixou. O vencedor deixa-se guiar e entrega-se com fé. Porém, não podemos vacilar, é preciso estar atento, pois o demônio não desiste e vai estar permanentemente cochichando maravilhas, em nossos ouvidos.
Estar atento significa estar preparado. Jesus preparou-se para iniciar sua missão fazendo penitência, Jejuando e orando durante os quarenta dias em que ficou no deserto. Mais uma vez, Jesus quis mostrar-nos o poder da penitência e da oração.
Mais uma lição nós aprendemos com o evangelho de hoje. O jejum e a oração não nos isentam das tentações, porém são os meios mais eficazes para vencê-las. O jejum e a oração devem levar-nos à conversão e à aproximação.
Quaresma é tempo de aproximar-se do irmão e de viver a experiência da intimidade com Deus. Tempo de lembrar que Jesus foi traído. Tempo de meditar a perseguição, o calvário e sua morte. É tempo de profunda meditação e não de profunda tristeza, pois Jesus Ressuscitou.
Jesus venceu a morte! Nessa verdade se baseia toda nossa fé, por isso, vamos viver a alegria e a esperança de vida eterna. É preciso deixar de lado o comodismo e dar continuidade ao trabalho iniciado. Vamos nos preparar para a vinda Gloriosa de Jesus e levar este recado para todos os irmãos: "O Reino de Deus já chegou, convertam-se e creiam nesta boa notícia!"
Jorge Lorente




O despontar de uma nova humanidade
E logo o Espírito o impeliu para o deserto. E Ele esteve no deserto quarenta dias sendo tentado por Satanás; e vivia entre as feras, e os anjos o serviam.
Depois que João foi preso, veio Jesus para a Galileia proclamando o Evangelho de Deus: "Cumpriu-se o tempo e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho".
O trecho de hoje está claramente dividido em duas partes: a tentação de Jesus no deserto (1,12-13) e a inauguração de sua atividade na Galileia (1,14-15).
"Em seguida o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto" (v. 12). O deserto é o lugar do encontro com Deus, mas também a moradia preferida dos demônios.
"E Jesus ficou no deserto durante quarenta dias, e aí era tentado por Satanás. Jesus vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam" (v. 13). Segundo Oseías (2,16), Deus teria impelido novamente o seu povo para o deserto a fim de falar ao seu coração. Jesus se retira para o deserto a fim de se tornar o chefe de uma comunidade a caminho de Deus. Durante quarenta dias foi continuamente tentado. No início da atividade de Jesus, Satanás procura pô-lo em oposição à vontade do Pai.
"Depois que João Batista foi preso, Jesus voltou para a Galileia, pregando a boa notícia de Deus" (v. 14). Depois que João foi traído e entregue a Herodes, Jesus foi para a Galileia. É a Galileia das nações (Is. 9,1), porque habitada principalmente por pagãos, mas é também a terra de Jesus e dos seus primeiros discípulos.
"Pregando a boa noticia de Deus": Jesus não se apresenta como um rabi que ensina, mas como um arauto que anuncia com coragem a verdade que Deus quer que seja transmitida. Esse anúncio, o querigma, é a função essencial da comunidade, pois a fé provém da escuta (cf. Rm. 10,17).
"O tempo já se cumpriu, e o reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na boa notícia" (v. 15). O tempo de expectativa já passou. Agora Deus está para inaugurar o novo tempo. "O reino de Deus está próximo": O senhorio de Deus sobre o mundo começa a se manifestar no ensinamento e nas obras de Jesus.
O evangelho é uma boa notícia da salvação que já está agindo. "Convertam-se e acreditem na boa notícia". Para acolher essa boa noticia se faz necessária uma mudança total de mentalidade, uma profunda conversão de coração. A salvação se adquire aceitando a revelação de Deus e se entregando com total abandono a Jesus Cristo.
padre Fernando Armellini - Celebrando a Palavra
 temas de pregação dos padres dominicanos
Revista “O Mílite”





"Se és Filho de Deus..."
A noroeste de Jericó, há um maciço montanhoso, inculto e áspero, que tem o nome de "monte da Quarentena" (Djebel Garantal). Nesse lugar, segundo a tradição, é que Jesus se retirou para quarenta dias de jejum e oração, logo depois do batismo recebido nas águas do rio Jordão. A primeira quaresma do cristianismo! E aí, como nos contam os evangelhos, Jesus foi agredido pelo demônio com três violentas tentações. Misteriosas tentações, na verdade, pelas quais o divino Salvador quis ser solidário com nossa condição de frágeis criaturas humanas, sujeitas a todo o tipo de tentações. É claro que Ele jamais poderia ceder a nenhuma tenta­ção; mas quis com seu exemplo ensinar-nos o modo de vencê-Ias. Como disse elegantemente o nosso Padre Vieira, no sermão que pregou em Roma, num primeiro domingo da Quaresma, na igreja de Santo Antônio dos Portugueses: "Permitiu, pois, Cristo Senhor nosso ser tentado do demônio hoje, não para se honrar com a vitória (que era pequeno triunfo), mas para nos ensinar a vencer com seu exemplo".
O evangelho de Marcos, na sua costumeira concisão, nos diz apenas que Jesus se retirou para o deserto e aí foi tentado por Satanás, e os anjos o serviam (cf. Mc. 1,12-13). Mas tanto Mateus como Lucas desenvolvem a narração das tentações e da vitória. Jesus tinha passado quarenta dias em jejum, e estava sentindo fome. O demônio começou por aí: "Se és filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães" (Mt. 4,3). A resposta de Jesus foi imediata: "Está escrito: 'Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus'" (v 4). O tentador o levou, então, à Cidade Santa e o colocou no pináculo do Templo. E o desafiou: "Se és Filho de Deus, atira-te daqui para baixo, pois está escrito: Ele dará ordem a seus anjos a teu respeito, e eles te tomarão pelas mãos, para não tropeçares em alguma pedra''.
E Jesus respondeu prontamente: "Também está escrito: 'Não tentarás o Senhor  teu Deus' (ibid. vs. 6-7). É interessante notar que um desta tentação vai reaparecer no Calvário: "Se és Filho de Deus, desce da cruz" (Mt. 27,40). E veio, então, a terceira tenta­ção. Por não sabermos qual sorte de fantasmagoria, o demônio transportou Jesus a um monte altíssimo, e ali daquelas alturas lhe mostrou o deslumbrante espetáculo da grandeza de todos os reinos do mundo. E lançou seu insolente desafio: "Eu te darei tudo isto, se prostrado me adorares". E Jesus respondeu com nobre majesta­de: "Vai-te, Satanás, porque está escrito: “Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele prestarás culto" (vs. 8-10). Aí, o demônio o deixou em paz e vieram os anjos do céu para servi-Io.
E fácil descobrir como essas tentações correspondem às três áreas de inclinação para o mal a que está sujeito o homem nesta terra: a área dos prazeres dos sentidos, a área da soberba e da vai­dade, e a área da cobiça dos bens e do dinheiro. Os três ídolos aos quais o homem de hoje presta sua adoração: o prazer, o poder, o dinheiro. E Jesus nos ensina o caminho para vencer essas más inclinações. E procurar a força de Deus, a força de sua palavra, que ilumina os caminhos e nos dá coragem para caminhá-Ios.
A Quaresma está aí para nos ajudar nesse trabalho. Para nos levar à conversão, na medida em que dela precisamos. E justamen­te nos traz neste primeiro domingo o exemplo de Jesus. Convida­mos a usar o remédio que Ele usou: a Palavra de Deus, a oração, o jejum.
Quaresma é tempo de Palavra de Deus. Como não lembrar as famosas pregações quaresmais de outros tempos? Os pastores de hoje, em estilo mais modesto, sabem descobrir novos caminhos para a catequese e a evangelização. A Campanha da Fraternidade cumpre em grande parte esse papel. Quaresma é tempo de oração.
Rezar mais e, sobretudo, rezar melhor. E incrível a desproporção entre os poucos minutos diários que os cristãos, na média, dedicam à oração, e as muitas horas gastas nas outras ocupações! Quaresma é tempo de jejum e penitência. A Igreja abrandou muito a antiga disciplina do jejum, que era observado outrora realmente durante quarenta dias. Em parte ela o fez, olhando para os milhões de cristãos de hoje, que fazem um jejum forçado, pelas condições de pobreza em que se encontram. Mas não estamos dispensados do jejum. Ou melhor, não estamos dispensados de praticar a sobriedade cristã, que nos faz moderar o uso da comida e da bebida e fugir de todos os excessos, por exemplo, no hábito de fumar.
Vamos desejar e esperar que a Quaresma nos leve a um conhecimento sempre maior de Jesus Cristo - é o que pede a "coleta" da missa deste domingo - de quem vamos celebrar no fim destes quarenta dias a Paixão, a Morte e a Ressurreição.
padre Lucas de Paula Almeida, CM




No Deserto
Estamos no início da Quaresma. Quaresma é o grande retiro espiritual dos cristãos em preparação da festa da Páscoa. É o coração do ano litúrgico e o cume da fé cristã. Na Igreja primitiva, na Quaresma fazia-se a preparação próxima do Batismo.
As leituras nos introduzem no caminho da renovação do Batismo e nos chamam à conversão.
A 1ª leitura  evoca o dilúvio, o 1° batismo pelo qual todo o universo teve de passar para que surgisse uma nova criação (Gn. 9,8-15). Começamos a ler a historia da salvação a partir do episódio do dilúvio, quando Deus salvou o justo Noé e sua família e fez a primeira Aliança com a humanidade. Através do dilúvio, Deus purificou a humanidade corrompida. O dilúvio foi o grande batismo de todo o universo, que renasceu das águas para estabelecer uma nova Aliança.
E o arco-íris deixado por Deus no céu foi o sinal dessa Aliança, desse abraço entre o céu e a terra, entre Deus e os homens.
A 2ª leitura, nos lembra que as águas purificadoras do dilúvio são imagem das águas purificadoras do batismo (1Pd. 3,18-22).
Pedro interpreta a figura de Noé e do dilúvio em chave batismal. É uma antiga catequese batismal da Igreja primitiva.
O Evangelho resume as palavras inaugurais do ministério de Jesus, proclamando a graça do reino e chamando os homens à conversão. (Mc. 1,12-15)
O episódio das tentações de Jesus no deserto, mais do que uma narrativa histórica, trata-se de uma catequese.
O "deserto", para os judeus, é o lugar privilegiado do encontro com Deus. Foi no deserto que o povo experimentou o amor e a solicitude de Deus e foi no deserto que Deus propôs a Israel uma Aliança.
Foi também no deserto, que Israel tentou Deus: valia a pena o êxodo.
Não seria melhor permanecer no Egito ao redor das panelas de carne e cebolas.
Para Jesus o "deserto" é o "lugar" do encontro com Deus e do discernimento dos seus projetos. E é o "lugar" da prova, da tentação de abandonar Deus e de seguir outros caminhos.
"Quarenta dias" é um número simbólico, que lembra o tempo da caminhada do Povo no deserto e a experiência de Moisés e de Elias.
"Satanás" representa os que se opõem ao estabelecimento do seu Reino.
"As tentações": Marcos não especifica as tentações, mas elas simbolizam as provações que Jesus enfrentou ao longo de toda a sua vida para se manter fiel à missão confiada por Deus. Elas resumem também as tentações de todos nós...
A vida de Jesus será uma luta constante de superação até a vitória definitiva na cruz, através da Ressurreição. Da sua opção, vai surgir um mundo de paz e de harmonia.
Jesus aparece como o novo Adão, que vence o tentador. Vencendo a tentação, Jesus inaugura a Aliança definitiva, mais importante que a de Noé.
Após ser batizado e ter superado as tentações no deserto, Jesus inicia o seu trabalho apostólico, proclamando: "O Reino já chegou... Convertei-vos e crede no evangelho".
As mesmas palavras, que ouvimos quarta feira passada ao receber as cinzas e que são um resumo do espírito da Quaresma, que estamos iniciando.
Quaresma é dilúvio e deserto. É dilúvio que arranca o pecado e leva a construir a área de Salvação e é sinal de que Deus está em Paz conosco. É deserto pela espiritualidade do despojamento, que nos propõe.
Quaresma é converter-se e crer: "converter-se" é muito mais que fazer penitências ou realizar privações momentâneas. É fazer com Deus seja o centro de nossa existência e ocupe sempre o primeiro lugar.
"Crer" não é apenas aceitar um conjunto de verdades intelectuais. É aderir à pessoa de Cristo, escutar a sua proposta, acolhê-la no coração e fazer dela o guia de nossa vida.
A nossa Quaresma: a liturgia de hoje nos conscientiza da fidelidade de Deus e da necessidade de morrer ao homem velho para ressuscitar com Cristo a uma vida nova. Sinal eficaz desse passo é o batismo; o caminho é a conversão até a Páscoa.
Gesto concreto: o que pretendo fazer nesse tempo sagrado da Quaresma?
Planejei gestos concretos:
Quais são os momentos especiais de oração... de deserto?
Qual a minha penitência quaresmal, proveitosa para mim e agradável a Deus?
Quais os atos de caridade que pretendo realizar?
O que poderia fazer para promover a minha saúde e de todos os irmãos, para que "a saúde se difunda sobre a terra".
Esse é o caminho para que a Páscoa aconteça dentro de cada um de nós...
padre Antônio Geraldo Dalla Costa




“Arrependimento e fé”
Estamos no tempo litúrgico que busca a conversão dos pecados e das atitudes que ferem o diálogo com Deus. Momento oportuno para revermos nossas ações: estamos seguindo retamente os ensinamentos do filho do Homem ou estamos fazendo nossa caminhada paralela com o Evangelho? O que podemos fazer para mudar a direção da vida, caso não esteja a contento com o Pai? Se Deus fez a aliança com todos os seres e cumpriu sua palavra e Jesus foi tentado  a deixar sua missão, mas manteve perseverante, qual lição possamos tirar desta lógica para amadurecer na fé? Será que consigamos buscar o arrependimento dos pecados na construção de um novo Reino? Afinal, buscamos qual Reino: o reino da justiça ou da injustiça; o reino do amor ou do desamor? Que atitude poderemos tomar a partir da nossa introspecção?
Diante de nossos olhos têm-se dois caminhos: o caminho do bem e o caminho do mal. O caminho do bem requer um pouco de atenção, solicitude, compaixão e amor com o próximo. Este, por sua vez, é um caminho lento, moroso e pesado, devido às atenções a serem contempladas. Enquanto que o caminho do mal é reto, limpo, colorido e cheio de pegadinhas. Não cansa muito, pois sempre nos chama a atenção para a distração. Além disso, o caminho do mal oferece uma deixa para resolver a situação amanhã e não cobra comprometimento um com o outro. Agora, estamos numa bifurcação: qual dos caminhos devemos seguir?
Para muitos cristãos do mundo de hoje o caminho a ser seguido não é o caminho verdadeiro e correto, ou seja, o caminho de Cristo. Talvez pela exigência, pela renúncia, pelo compromisso com o outro não oferece atração inequívoca para a dedicação. São tantas atrações e tentações que o mundo mundano ofereça  que enche os olhos dos descrentes e dos sem fé. São alegrias falsas como o carnaval desregradas a pura bebida, dinheiro, traição e vale tudo; são ostentações baratas dos realitys shows, nas observâncias das facilidades, nas entregas carnais e nos tramas da desunião a preço de conchavos que saltam pelos olhos, mais uma vez, dos descrentes e dos sem fé. Estes na verdade são caminhos desejados, maturados por muitos na intenção da luxúria e do status pessoal.
Jesus salientou que seguir os ensinamentos do Pai requer tolerância consigo mesmo. Não é fácil dispor das tentações e dos arrependimentos para construir nova vida. Estes que aventurarem por seguir os preceitos da justiças serão perseguidos, maltratados, violentados e achacados pelos covardes acobertados de peles de carneiros. Porém são lobos famintos e afoitos por víveres que não aprenderam a discernir.
Olha que os hebreus viveram quarenta anos no deserto, tempo necessário para compreender o valor e a fé no Senhor. Ali no deserto foram colocados a prova do amor para com Deus. Sentiram-se fome, sede, frio, abandonados, mas provaram que estavam crentes na promessa feita ao Pai Abraão, Isaac e Jacó.  Não arredaram o pé, mesmo em contratempo. Foi também no deserto que Moisés teve a experiência com Deus e colocou diante de si os mandamentos que fundamenta até hoje nossa caminhada. Sem dúvida, tanto os hebreus quanto Moisés sentiram vontade de abandonar tudo e seguir outros caminhos. As tentações eram evidentes. O povo cobrava de Moisés alimentos, saída daquelas dificuldades, exigia respostas claras e objetivas. Porém, no abraço a missão e no caminho escolhido não deixou abalar por nenhuma tentação.
Jesus também foi tentado. No Evangelho de Marcos não encontramos uma tentação explicita, mas no conjunto do Evangelho percebemos que foram muitas as tentações que colocaram a prova o amor do Filho Amado para com os irmãos necessitados durante a sua vida. Em meios aos animais selvagens  e o Satanás de um lado e os espíritos e anjos que os servem de outro, Jesus precisava discernir um caminho que levasse a construção de um Reino que contemplasse a felicidade. Assim a prática de Jesus vai mostrar como venceu as tentações e como foi fiel ao projeto do Pai até o fim.
Ao retirar-se para o deserto Jesus queria isolar do poder opressor dos grandes centros para abastecer das vitalidades. Sabia que o povo estava a sua espera. Não tinha como enfrentar o poder operante despreparados. Não que Jesus era desprovido da santidade, ele tinha poder para tal, mas ao afastar dos traidores o pensamento do homem libertador se concentrava no bem-fazer para uma legião de necessitados. Tanto que quanto fica sabendo que João foi morte, Ele segue para Galiléia na pregação de que o Reino está próximo.
A proximidade do Reino está na sua morte. A completa eficácia da construção do Reino está na morte de cruz que causará pavor entre seus seguidores. Somente os seguidores que tiveram fé e acreditaram nas suas palavras vão continuar na missão de evangelizar e denunciando todas as mazelas sociais que machucam o povo. Pedro, o discípulo fiel e amado de Jesus afirmou: “Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus”
Por que então Jesus morreu? Ou seja, qual o motivo que levou Jesus a morte? Jesus morreu por pregar severamente contra o domínio opressor, por rejeitar as propostas maléficas do poder dos fariseus e doutores da lei. Jesus morreu por querer uma sociedade justa, fraterna, solidária, saudável e sem tentações perniciosas. A escolha que Jesus fez foi da vida e da liberdade para atender a vontade do Pai. Ele foi fiel e deixou este legado para nos atentar seguir com discernimento o que fez.
Nesta quaresma, tempo de jejum, oração e esmola requer muito de nós. Procuremos atentar-se para os caminhos que nos levam ao Pai, mas antes tentamos compreender em nós o arrependimento das tentações que abraçamos por prazer. Colocamos em primeiro lugar a busca incessante de um Deus fraterno que nos quer o bem e a felicidade e/ou espelhamos nos salmo 24 “mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sóis o Deus da minha salvação”. As tentações estão nos cercando por todos os lados. Não desanimem de buscar o verdadeiro Deus que é o caminho reto e honrado de todo o cristão. Quem ousar conhecer o caminho de Cristo Ressuscitado, for batizado para obter uma boa consciência, estará junto do Pai no céu.
Claudinei M. Oliveira




Com Jesus enfrentemos as tentações
A quaresma é um tempo de graça para cada cristão. É o período em que somos convidados a nos prepararmos para o grande acontecimento de nossa fé: a páscoa.
O que este tempo litúrgico de quarenta dias nos lembra e qual o seu sentido?
Os quarenta dias que durou o dilúvio no tempo de Noé: tempo de purificar a humanidade corrompida.
Os quarenta anos de marcha do povo de Deus pelo deserto em busca da terra prometida: tempo de caminhada em busca da liberdade, é também tempo de purificação, de abandono dos falsos deuses e adesão ao Deus de Jacó.
Os 40 dias de jejum e oração que Jesus Cristo passou no deserto, preparando-se para a vida pública: tempo de preparação para a missão.
Para vivermos bem este tempo litúrgico que dura 40 dias a Igreja nos propõe três instrumentos: a caridade, o jejum e a oração. São gestos exteriores que devem ser realizados não para agradar aos homens, mas para agradar a Deus.
O jejum não é regime, não brota da necessidade estética, brota da necessidade que o homem tem de experimentar práticas ascéticas para purificar o próprio espírito e de se tornar solidário com os que sofrem privações das coisas essenciais da vida.
1 - O jejum ajuda-nos a controlar os próprios desejos e instintos. Não podemos fazer tudo que queremos. Vários de nossos desejos não podem ser satisfeitos.
2 - Ensina-nos a ser solidários. A partilhar, caridade, que em nossas partilhas e gestos de caridade, saibamos valorizar o outro. Não posso dar ao outro aquilo que não quero para mim. Pobre não é lata de lixo. Lugar de lixo é no lixo.
3 - Neste primeiro domingo o Espírito Santo nos conduz ao deserto para, juntamente com Cristo, enfrentarmos as tentações e sairmos vencedores.
O evangelho de hoje (Mc. 1,12-15) é composto de duas partes: a primeira tem como tema central a tentação de Cristo no deserto e a segunda já nos mostra Cristo anunciando a chegada do Reino de Deus.
Marcos não cita o diálogo entre Jesus e Satanás tal como fazem Mateus e Lucas. Marcos nos faz notar que Jesus se deixa conduzir pelo Espírito de Deus. O Espírito o conduz ao deserto, lugar onde o povo de Deus também foi tentado e, ao contrário de Jesus, muitas vezes caiu.
Mesmo de forma breve, Marcos faz questão de mostrar que Jesus foi tentado por Satanás durante os quarenta dias em que passou no deserto, sua condição divina não o eximiu de fazer a dura experiência humana da luta contra o mal. Jesus não foi tentado somente durante estes quarenta dias, toda a sua vida foi uma constante e dura batalha contra o mal.
Toda a vida do Mestre foi de luta: às vezes era diretamente contra Satanás, outras, com seus adversários, outras ainda por parte de seus discípulos que por o amarem não o queriam ver pregado no alto de uma cruz (Mc. 8,33). A tentação culminou no alto do Calvário, lá foi tentado a descer do madeiro e a salvar-se a si mesmo, traindo assim sua missão (Mc. 15,29-32).
A Grande tentação que Cristo teve que encarar foi a de negar sua condição de ser filho obediente do Pai. Existem dois modos de entender o que significa ser filho de Deus: para o tentador equivale a ter poder e glória; para Jesus ser filho de Deus significa cumprir fielmente a vontade do Pai. Esta mesma tentação experimentamos a cada dia quando somos convocados a viver na glória, a ostentar poder e a abandonar o caminho da cruz, precisamos, como Jesus, optar por fazer a vontade do Pai.
Assim como Jesus, somos tentados quotidianamente a desobedecermos a Deus. O diabo raramente se mostra como de fato ele é, a tentação vem sempre disfarçada de algo bom, que vai nos fazer bem! Mas é só aparência, é como o pescador que para fisgar o peixe esconde a agulha dentro de um pedaço de carne. Precisamos ficar atentos e pedir forças a Deus para não nos curvarmos diante das tentações que o mundo nos apresenta. Não vale a pena ceder às tentações, não se arrisque, elas trarão somente destruição para sua vida e para a vida de sua família.
Jesus não ficou no deserto, foi em missão, à procura daqueles que dele precisava. E vai para a Galiléia, um lugar insignificante ao norte da Palestina. Cristo anuncia a chegada do Reino de Deus, que significa a soberania universal de Deus. O Reino é um presente de Deus pela humanidade, a resposta esperada de quem quer adentrar neste dinamismo é conversão e fé. É justamente essa a mensagem central da quaresma: converter-se para chegar à páscoa de Cristo renovados.
O Reino de Deus vai acontecendo à medida que os nossos corações se converterem e se abrirem à ação divina. Que esta quaresma nos sirva para darmos espaço ao Reino de Deus.
padre Erivaldo Gomes de Almeida





Jesus tentado por satanás
Quem estuda a Bíblia com atenção percebe que o livro santo mostra a tentação não tanto como um estímulo para a prática do mal, incitação que vem de fora do ser racional, mas como uma disposição interior para o desprezo de algum dos dez mandamentos. A atitudes eticamente condenáveis é levada a criatura humana que cede a tais impulsos, sendo que eles propiciam a atuação do Maligno. Tiago falou claramente: “Cada um é tentado pela sua própria concupiscência” (Tg. 1,14).
A Sagrada Escritura, portanto,  focaliza a tentação mais através de suas causas e ocasiões externas, deixando de lado o aspecto da sedução que é uma conseqüência da falta de controle interno. São testes pelos quais Deus faz passar o homem. Assim a queda de Adão e Eva no paraíso (Gn. 3,1-19); a provação de Abraão (Gn. 22,1-19); o sofrimento por que passou Jó. É certo que, segundo a narrativa bíblica, o Criador permitiu a Satanás atribular o célebre patriarca da Induméia, mas o Adversário atuou como um instrumento do Todo-Poderoso para provar a paciência daquele Justo, como aconteceu no Paraíso para testar a fidelidade de nossos primeiros pais.
É interessante ressaltar que no Antigo Testamento o Povo Eleito tentava o Ser Supremo, sempre paciente diante das infidelidades humanas (Dt. 6,16; 9,22; 1Cor. 10,9). No Novo Testamento aparece mais acentuada a atuação externa do demônio para levar ao pecado. Ele é um aproveitador das circunstâncias menos favoráveis ao crente para o fazer se afastar do Ser Supremo. Os que desejam ser fiéis ao Senhor do Universo são vítimas do Inimigo. Paulo advertiu os Tessalonisenses: “Pois, quando ainda estávamos convosco, vos predizíamos que havíamos de padecer tribulações, como com efeito aconteceu: e vós o sabeis.
Por isso, não podendo eu sofrer mais demora, enviei a reconhecer a vossa fé, temendo que o tentador vos tenha tentado; e que se torne inútil o nosso trabalho” (1Ts. 3,4-5). O que insiste, porém, a Bíblia é que o verdadeiro manancial das tentações é a concupiscência que está enraizada no interior do homem. Por isto Paulo mostra que “os que são de Cristo crucificaram a sua própria carne com os vícios e concupiscências” (1Gl. 5,24).
Pedro fala naqueles que “vão atrás da carne na imunda concupiscência” (2Pd. 2,10). Portanto, cumpre, ao cristão, antes de tudo, ter o autocontrole de suas más tendências, pois do contrário cairá fatalmente nas garras satânicas. Aí entra a liberdade humana ao aderir, ou não, à graça de Deus que nunca falta a quem quer triunfar do mal. O Novo Testamento mostra que nunca Deus permite que  tentação acima das possibilidades do fiel, mas este tem que corresponder ao influxo divino.
Este trecho paulino é luminoso: “Deus é fiel, o qual não permitirá que sejais tentados além do que podem as vossas forças, antes, fará que tireis ainda vantagens da mesma tentação, para a poderdes suportar” (1Cor. 10,13). Por tudo isto se compreende como Jesus pôde com facilidade, enquanto homem, vencer as tentações do demônio no deserto (Mc. 1,12-15). 
Como desceu a detalhes Mateus (Mt. 4,1-11), satanás queria provar os poderes messiânicos do Salvador da humanidade com fins muito materiais como matar a fome, mudando pedras em pães, vanglória ou enorme imprudência, lançando-se do pináculo do templo e  o anseio de dominação, possuindo os reinos terrenos. Cristo venceu o tentador e demonstrou peremptoriamente que o seu Reino não era deste mundo. Nunca ele colocaria os seus poderes divinos no plano material, mas unicamente a favor da Boa Nova que veio trazer a este mundo. Ele jamais trairia sua missão salvífica.
O que importava era o Reino de Deus. Assim age também o seu verdadeiro epígono que sabe se mortificar, pois diz João na sua primeira carta que “tudo quanto há no mundo é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida” (1Jo 2,16). Quem não é continente abre as portas ao Demônio. Cumpre, pois, garrotar, sufocar interiormente os maus pensamentos que excitam desejos perigosos, os quais Satanás sabe trabalhar com rara perspicácia. A quaresma é tempo propício para isto.
O desapego dos bens terrenos, objetivando um novo milênio sem exclusões; o interesse pela dignidade humana; o esforço para que a saúde  se difunda por toda a terra como proclama o lema da Campanha da Fraternidade; e a difusão da paz por toda parte são meios para que haja uma real preparação para a Páscoa. Cumpre, como Jesus, vencer o demônio e suas aliciações.
cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho





Dom Hélder Câmara, antigo bispo de Recife, Brasil, dizia: «É necessário viver a religião, não só representá-la.» Nesta conclusão, descobrimos o sentido do ser batizado e mergulhamos na água viva que salva cada um no horizonte último da vida, a salvação. Não basta representar a religião, mas viver a religião em todos os seus aspectos que conduzem à prática da justiça, da paz, da fraternidade e acreditar que é possível um mundo novo onde todos de verdade se sentem à mesa do bem comum.
O batismo é um dos vários requisitos indispensáveis para a salvação. São Pedro, compara o batismo ao dilúvio dos dias de Noé. O dilúvio salvou Noé da corrupção e da perversidade do velho mundo. O batismo salva-nos da corrupção e do pecado da nossa velha vida. Uma vez que o texto afirma que o batismo nos salva, a questão é indiscutível. Por isso, vejamos o que diz o texto: "Ser batizado não é tirar a imundície corporal, mas alcançar de Deus uma boa consciência…", isto é, pelo batismo alcançamos a salvação de Deus.
Depois de recebermos o batismo a nossa vida não entra num caminho tipo "mar de rosas", sem problemas, sem sofrimentos e sem as peculiaridades de qualquer história pessoal. Todos estamos sujeitos às contingências desta vida. Não devemos temê-las, mas antes devemos robustecer-nos com os ensinamentos de Jesus para as vencermos sempre. O batismo é o primeiro requisito desta força interior que Deus nos quer oferecer. O deserto pode ser toda a nossa propensão para a esterilidade do amor. Uma vida toda carregada de egoísmo, de violência e de ódio contra os outros é uma vida no deserto árido sem sombra de existência verdadeira.
As tentações, fazem parte da vida e podem ser uma constante no nosso pensamento e no nosso coração. Porém, se, sob a condição de batizados, à maneira de Jesus, acreditamos de verdade na mediação fiel do Espírito Santo, nada nos pode demover daquilo que é o mais importante. O espírito de Deus, guiar-nos-á sempre para o bem. Assim, o batismo não é o único requisito para a salvação hoje, mas não podemos ser salvos sem ele. "Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus" (Jo 3,5).
Neste sentido, conta-se que certo dia, dom Hélder enviou um homem pobre, desempregado e maltrapilho, a um pequeno empresário amigo, pedindo que o contratasse, apresentando-o como seu irmão de sangue. Diante da sua incredulidade e estupefação, dom Hélder responde: "Desculpe meu amigo, mas João é verdadeiramente meu irmão...". "Mas o senhor disse: irmão de sangue...".
"Sim, ele é verdadeiramente meu irmão de sangue. Pois Cristo deu o seu sangue por ele como por mim, por você e por todos os homens. Nós somos todos verdadeiramente irmãos de sangue, pelo sangue do Senhor..."
É verdadeiramente este o significado do batismo que todos nós recebemos em Jesus Cristo. Deixemo-nos nesta Quaresma transformar por este realidade divina que nos eleva para o dom maior da nossa religião, o dom da fraternidade universal...
padre José Luís Rodrigues





O Reino de Deus está próximo!
Sim, o Reino se aproximou do mundo na pessoa do Filho de Deus. Desde que os humildes pastores de Belém viram o Menino na palha seca da manjedoura, tornava-se possível tocar Aquele que é o Reino de Deus posto ao nosso alcance.
Até então, nada havia na terra dos homens que se configurasse como um espaço – geográfico, social, humano etc. – onde a vontade de Deus fosse plenamente acolhida e realizada. Agora, com a Encarnação do Verbo, é na pessoa de Jesus Cristo que esse “reino” acontece. Ali, Deus reina!
Estranhamente, ainda existe muita gente que tem a ilusão de que Deus permanece distante, transcendente, fora de alcance. E ele se faz presente no pobre, na família em oração, nas palavras do Evangelho, no pão e no vinho consagrados. Nossos olhos míopes ainda custam a reconhecê-lo, mesmo que ele esteja constantemente à nossa procura.
Falo disso em meu soneto:
“O visitante”
Senhor, tu vens bater à minha porta,
Disfarçado nos trapos de um mendigo:
É teu jeito de estar sempre comigo
Mesmo quando faz frio e o vento corta…
Assim é que o exemplo teu me exorta
Então, sou eu quem pede para o Amigo
A migalha de amor que me conforta…
Ah! Jesus, como é doce o teu convívio!
É remédio no mal; na dor, alívio…
É virtude a elevar-me de meu pó…
Depois, de volta ao lar, se me ajoelho,
Eu fito a minha face, ali no espelho,
E vejo que o Amor nos fez um só!
Orai sem cessar: “Ele está no meio de nós!” (da liturgia eucarística)
Antônio Carlos Santini