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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

OS PRIMEIROS SERÃO OS ÚLTIMOS

25º DOMINGO TEMPO COMUM

Comentários-Prof.Fernando


21 de Setembro de 2014

AnoA

OS ÚLTIMOS SERÃO OS PRIMEIROS-José salviano


OS PRIMEIROS SERÃO OS ÚLTIMOS

Evangelho - Mt 20,1-16a



         Os parâmetros da justiça de Deus são diferentes dos nossos.  Aparentemente, os trabalhadores da primeira hora estavam certos em reclamar pelo modo injusto do patrão pagar os trabalhadores da última hora com o mesmo valor que pagaram a eles, que deram duro desde as primeiras horas da madrugada.  Continua...



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NO REINO DE DEUS TODOS SÃO IGUAIS! – Olívia Coutinho

25° DOMINGO COMUM

Dia 21 de Setembro de 2014

Evangelho de Mt 20,1-16

Estamos no mês da Bíblia, um tempo especial, que tem como propósito nos despertar  para a  importância de darmos uma atenção maior à   palavra de Deus! A Bíblia não é somente um livro de estudo, de referencias históricas, ela é muito mais que isto, a Bíblia é fonte de  transformação de vida, é o guia para a nossa vida diária!  
Quando fechada, a bíblia é um livro comum, mas quando aberta, ela se torna o livro da vida, a bússola que nos orienta na nossa trajetória terrena!
Numa comunidade que alimenta a sua intimidade com a bíblia,  acontece muitas mudanças significativas, tanto na catequese, quanto na liturgia, como também na vivencia  do dia a dia, pois através da leitura profunda,  todos vão se inteirando  do querer de Deus, se  colocando na dinâmica do Reino!
O evangelho que a liturgia deste domingo nos apresenta, chama a nossa atenção para a importância da igualdade entre irmãos! A narrativa  nos mostra que para os homens, há diferença entre as pessoas, mas para  Deus todos são iguais!  O amor de Deus é igualitário para com todos!
Os primeiros cristãos sentiram-se enciumados vendo Jesus acolher os pagãos. Estes cristãos de origem judaica,  tinham muitas dificuldades em aceitar os pagãos em pé de igualdade diante de Jesus.  Eles  se sentiam no direito de terem  privilégios,  por se considerarem  o povo escolhido! Esta, certamente, deve ter sido uma das razões que levou Jesus a contar esta parábola, no sentido de fazê-los compreender, de  que o Reino de Deus, é para todos!  
Os pagãos, vistos pelos judeus  como pecadores, representam os que hoje, chegam na última hora, ora, porque ainda não haviam sido convidados, ora, porque  demoraram a se decidirem! A comparação feita por Jesus, vem nos dizer, que entre  os cristãos, não pode haver diferença, entre os que já estão na comunidade a mais tempo, e os que estão chegando!
Através de uma parábola, Jesus nos mostra  que a lógica de Deus é diferente da lógica dos homens! Para os homens, uma pessoa vale por aquilo que ela produz, aquele que não produz, é descartado, podemos constatar isto claramente vendo o descaso da sociedade  para com os idosos, os doentes... Enquanto que para Deus, o valor da pessoa está na sua essência!
Na parábola, o patrão simboliza o Pai, a Vinha, o Reino de Deus! O sentido principal desta Parábola, é destacar a incomparável generosidade de Deus! Deus é um Pai solícito, Ele está  sempre pronto para  nos acolher, sem considerar o tempo da nossa adesão a sua proposta de vida nova, anunciada por Jesus!  A Salvação é graça de Deus, não a alcançaremos por nossos méritos,  e sim, pela sua misericórdia! 
Todos são convidados a trabalhar na Vinha do Senhor, uns acolhe o seu chamado no alvorecer de sua vida, isto é, no auge da  sua juventude, outros, já mais maduros e outros, já  na idade avançada! O importante para o dono da vinha, não é o tempo que acontece a adesão, e sim a resposta que se dá ao chamado!
No Reino de Deus, todos tem  os mesmos direitos, independente  do tempo de serviços prestados!  A recompensa,  é  igual para todos, isto é: um lugar definitivo no coração do Pai!
Como operários antigos  da vinha do Senhor, não temos o direito de reivindicar privilégios,  pelo contrário, devemos privilegiar, acolhendo  com carinho os novos trabalhadores que vão se somando a nós, no cultivo da vinha!
Para Deus, o que é creditado a nosso favor, é  a gratuidade no servir, afinal, tudo que temos e que somos, nos foi dado gratuitamente por Ele, portanto, todos os nossos dons, devem  ser colocado à serviço do Reino!
Muitos,  tem muito a oferecer, mais ainda vagueiam por aí, ao invés de barreira, sejamos caminho, para que estes, encontrem o seu lugar no reino de Deus, construído por cada um de nós, aqui na terra!
 No Reino dos céus, os valores, são  completamente diferentes, do que o mundo vê como valores! No Reino dos céus, a vida é o maior valor!
 O verdadeiro seguidor de Jesus não faz questão de ser o maior,  o que  importa para ele, é estar à serviço!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia

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Tomemos como norte de nossa meditação da Palavra que o Senhor nos dirige neste domingo a leitura primeira desta liturgia sagrada, retirada da profecia de Isaías. O profeta convida-nos, dirige-nos um apelo para que busquemos o Senhor, o invoquemos, voltemos para ele. Eis aqui, caríssimos, um grito tão necessário nesses tempos do homem cheio de si, preocupado consigo, embriagado pelos seus próprios feitos e tão confiado em suas próprias idéias! O profeta grita-nos, quase que nos prevenindo, ameaçando-nos: “Buscai o Senhor; invocai-o! Que volte para o Senhor!”
Mas, isso significa ter a coragem de sair de si mesmo para abraçar os pensamentos e caminhos do Senhor. Pensem bem, caríssimos, que felicidade, que graça: abraçar os desígnios de Deus, entrar no seu projeto, viver a sua proposta! Pensem bem: não seria isso a sabedoria plena, a felicidade verdadeira da humanidade e do mundo? E, no entanto, isso não é possível sem um doloroso e generoso processo de conversão. Porque, infelizmente, os pensamentos do Senhor não são os nossos e os nossos caminhos não são os do Senhor! Que triste desacordo, que desencontro danado! Escutem: “Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor!” Isto não é brincadeira: o homem sozinho não pensa como Deus, não caminha no caminho de Deus: nem na ONU nem na Casa Branca nem no Palácio do Planalto nem no Congresso nem mesmo no nosso coração! Somente a conversão pode nos elevar ao pensamento de Deus e fazer com que nossos caminhos sejam os dele: “Abandone o ímpio seu caminho e o homem injusto, suas maquinações; volte para o Senhor!” Voltar para o Senhor! Volte, ó homem do século XXI, para o Senhor! Deixe sua auto-suficiência, seu cinismo, deixe sua ilusão de pensar que sabe tudo, que é maduro o bastante para prescindir de Deus! “Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto está perto; volte para o Senhor, que terá piedade, volte para o nosso Deus, que é generoso no perdão!”
O Senhor nos procura, como o dono da vinha do Evangelho de hoje – e procura-nos com insistência: sai de madrugada à nossa procura, porque o amor tem pressa, o amor anseia encontrar a pessoa amada. E, como o amor é insistente, o Senhor vem sempre, a cada momento, em cada ocasião, sempre à nossa procura: pelas nove, ao meio-dia, pelas três... e até mesmo às cinco da tarde, quando o sol já se esconde, o Senhor vem novamente! Sempre é tempo de conversão, sempre é tempo de voltar para o Senhor! Aí, então, experimentaremos que tudo é graça, que o pensamento de Deus para nós é amor que não é mesquinho, que sabe tratar a todos com generosidade, fazendo primeiro no seu Reino aquele que tem coragem de crer no amor, de ir ao encontro do Senhor mesmo que seja a última hora! Ó mundo, ó humanidade, ó cristão, voltai para o Senhor! A única coisa que vos pede é que acrediteis no seu amor generoso e no seu perdão abundante e vos convertais de todo o coração!
Converter-se, significa entrar na maravilhosa experiência que são Paulo testemunha na segunda leitura de hoje: viver de um modo novo, de um viver diferente: “Para mim, viver é Cristo! Cristo vai ser glorificado no meu corpo, seja pela minha vida, seja pela minha morte!” Para que idéia mais bela do que seja a conversão: viver em Cristo! Notemos os passos do pensamento do apóstolo. Ele é tão unido a Cristo, tão apaixonado por ele, que seja na vida seja na morte sabe que está unido ao seu Senhor e em tudo o Senhor é nele glorificado. Que é a vida para quem voltou para o Senhor? A vida é Cristo! Que é a morte para quem vive mergulhado no Senhor? A morte é estar com Cristo e, por isso, é lucro! Por isso, a vida de Paulo – e a do cristão, com Paulo – é atraída para o seu Senhor: “Tenho o desejo de partir para estar com Cristo!” Eis por que Paulo vive, eis para que vive: para estar com Cristo! Aqui, uma observação: prestem atenção que São Paulo sabe muito bem que assim que morrer vai estar com Cristo. Por isso mesmo ele diz que isso “para mim, seria de longe o melhor!” Jamais o apóstolo compartilharia a afirmação errônea das seitas protestantes, que pensam que os que morrem em Cristo ficam dormindo. Se ficassem, não seria melhor para Paulo partir para estar com Cristo; seria melhor continuar vivendo e trabalhando pelos irmãos. Portanto, nem a vida nem a morte nos podem mais separar do amor de Cristo. É só voltarmos para o Senhor, é só procurá-lo de todo o coração com nosso afeto, com nossos atos, com nosso desejo sincero de a ele nos converter de todo coração!
Buscai o Senhor, voltai para o Senhor, invocai o Senhor! E, lembrai-vos: ele é tão bom, que se deixa encontrar! Primeiro nos atrai e, depois, deixa que o encontremos e, como o senhor da parábola, nos enche de dons, sem levar em conta a hora em que nos convertemos em trabalhadores da sua vinha. Mas, querem saber qual é a hora da conversão? Esta, agora! Voltai para o Senhor!
dom Henrique Soares da Costa
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Meus caminhos não são os vossos (Is 55,8)
As leituras de hoje exortam-nos a tomar cuidado para não reduzir Deus aos critérios humanos, por melhor que eles sejam. Deus ultrapassa tudo o que se pode pensar ou dizer sobre ele. Muitas vezes seus planos se tornam incompreensíveis ao ser humano. Quando isso acontece, resta-nos perseverar na fidelidade sem mudar de caminho, a exemplo de Jesus, que disse: “Pai, afasta de mim este cálice, contudo não se faça a minha vontade, mas, sim, a tua” (cf. Mt. 26,39).
Evangelho (Mt. 20,1-16a)
“Os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos”.
O texto situa-se no “sermão sobre a comunidade”. Jesus continua instruindo seus seguidores sobre como se comportar no mundo.
O reino dos céus é aqui comparado ao proprietário que contratou vários trabalhadores para sua vinha, em horários diferentes. No final, paga a todos igualmente, começando pelos últimos, contratados à tardinha, até os primeiros, contratados de manhã.
A maneira como o patrão trata seus operários nos chama a atenção para a gratuidade com que Deus nos acolhe em seu reino. Não é segundo os critérios humanos que Deus age em favor da humanidade. A estranheza das palavras de Jesus nessa parábola deve nos chamar a atenção para nossa maneira de julgar a Deus ou de atribuir-lhe atitudes especificamente humanas.
Geralmente o ser humano quer recompensa por suas boas ações. E, quando não se sente recompensado, acha que Deus é injusto, ou não o ama, ou esqueceu-se dele. Costuma-se até dizer: “Por que Deus não atende às minhas preces? Sou tão dedicado, tenho tanta fé!”.
Mas a maneira de Deus agir não se iguala à nossa. Ele é absolutamente livre para agir como quiser. E essa liberdade é pontuada por seu amor incondicional e sua generosidade inestimável. Deus nos ama e deu-nos mais do que ousamos pedir. Deu-nos a vida. Deu-nos a si mesmo no seu Filho. Deu-nos a eternidade ao seu lado.
Por isso, o reino dos céus não se apresenta como recompensa por nossos méritos pessoais. É puro dom de Deus, que nos chama gratuitamente a participar da vida plena. Cabe a nós acolhê-lo como dom ou ficar numa atitude mesquinha de sempre esperar recompensas por méritos prévios. Isso não é cristianismo, não é gratuidade. Isso não é resposta amorosa a Deus.
1ª leitura (Is. 55,6-9)
Que o perverso deixe o seu caminho
O texto da primeira leitura é uma oferta de perdão, de paz e de felicidade para os pecadores. Em primeiro lugar, assegura que as orações e o arrependimento serão acolhidos por Deus: “buscai o Senhor... invocai-o... deixe o mau caminho... converta-se... que o Senhor se compadecerá” (v. 6-7).
Deus não é como o ser humano, seus pensamentos são totalmente diferentes. Deus é infinitamente fiel: não desiste de seus filhos, não cessa de ofertar-lhes sua misericórdia sem limites. Ao contrário, o ser humano desiste de Deus, trilha outros caminhos bem diferentes daqueles que são propostos pelo Senhor.
“Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao Senhor... volte-se para o nosso Deus” (v. 7).
Em primeiro lugar, arrepender-se é mudar de caminho, de atitudes, é tomar outros tipos de decisões, fazer outras escolhas. Mas não é só isso: há que mudar também os pensamentos, ou seja, transformar-se internamente, mudando de mentalidade em relação ao mundo, às pessoas e às situações; mudar de idéia a respeito de si mesmo, mudar até mesmo as concepções sobre Deus e sobre seus caminhos, porque o Senhor sempre estará muito além do que se pode dizer e pensar a respeito dele.
Converter-se é mudar de mente e voltar aos caminhos do Senhor. Mas voltar a ele não porque houve total compreensão do seu projeto, e sim porque ele é soberano e misericordioso. A vida humana só tem sentido no relacionamento com Deus, e, quando seus caminhos são difíceis de entender e de trilhar, resta, acima de tudo, perseverar na fidelidade.
2ª leitura (Fl. 1,20c-24.27a)
Meu viver é Cristo
Grande exemplo de perseverança, mesmo que os planos de Deus se tornem incompreensíveis, é-nos dado na leitura da epístola aos Filipenses. O cristão vive unicamente para Deus, não em função de recompensas por méritos pessoais. Qualquer que seja a situação, boa ou ruim, deve perseverar no bem e na busca de agradar unicamente a Deus, seguindo em frente sem hesitar.
O cristão não deve desanimar nunca, mesmo se, depois de repetidos esforços, sentir-se fracassado ou mesmo perseguido, como o apóstolo Paulo. É necessário confiar somente em Deus, pois só ele pode dar eficácia à atividade humana. Mesmo sem entender o que acontece consigo, o cristão deve viver de modo digno do evangelho (v. 27).
Pistas para reflexão
Não considerar a parábola no plano da justiça social, mas respeitar a estranheza das palavras de Jesus, que tem por objetivo nos conscientizar de que o reino de Deus não se baseia em mérito-recompensa, mas é puro dom. O próximo domingo será o dia da Bíblia; é bom destacar a importância do itinerário do povo de Deus, comparando-o ao daqueles trabalhadores das primeiras horas. Os hebreus foram os primeiros a responder “sim” ao apelo do dono da vinha. As demais nações herdaram desse povo as alianças, as promessas, a história e principalmente o Messias. Sejamos gratos a Deus e a Israel, nosso irmão mais velho, fatigado pelo dia inteiro de trabalho.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj
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Histórias de muitas vidas
Cada um de nós teve seu encontro particular com o Senhor. Há os que desde a infância estiveram perto do Senhor. Nasceram num ambiente profundamente cristão, sentiram a presença do Senhor no jeito como seus pais se dirigiam a ele, sentiam-no presente na festa dos domingos. Foram operários desde a primeira hora.  Alguns construíram belamente sua vida conjugal e familiar. Outros optaram por um caminho de vida consagrada e dedicada às missões.  Isto desde a primeira hora. E alguns desses morrem quase centenários cheios de virtudes que foram sendo adquiridas desde a infância.
Outros, no meio dia da vida, despertaram para a fé. Depois de viverem, quem sabe um sofrimento duro ou uma alegria inesperada se jogaram aos pés do Senhor, deixaram ilusões e quimeras e passaram a fazer com que seu coração tivesse as batidas do coração de Deus. Reorganizaram sua vida, arrumaram sua história, passaram a ter um contato íntimo e vigoroso com o Senhor e a trabalhar na vinha.
Outros ainda, já quando os filhos cresceram, pelas três da tarde da vida, depois de uma vida sem nada de tão errado, mas superficial, sentiram uma vontade louca  de se perderem em Deus.
Passaram a frequentar as Escrituras, procuraram perambular pelos espaços onde pudessem encontrar  Cristo no rosto dos mais abandonados e desvalidos. Deram parte de seus bens para os pobres e o tempo todo de seus dias para viverem a ventura do amor.
Finalmente há histórias que, por circunstâncias diversas,  estiveram  longe do coração de Deus. Vidas estraçalhadas, vazias, marginalizadas, prostituídas, esquecidas. Pessoas que estavam na iminência de uma total auto-destruição. Tais histórias receberam um convite de uma passagem dos evangelhos, de um amigo, de um sacerdote zeloso a que, mesmo no fim da vida, na última hora,  passassem a ser do Senhor. Estes são os operários da última hora....
Há histórias diferentes... há diferentes trajetórias entre aqueles que buscam a Deus... O importante é continuar, não desanimar, recomeçar... é sempre tempo de recomeçar...
“Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?”
frei Almir Ribeiro Guimaeães

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Os operários da última hora
Para nós, justiça é pagar algo com o preço equivalente. Mas para Deus, justo é o que é bom, certo. Para nós, justiça é pagar algo com o preço equivalente. Mas para Deus, justo é o que é bom, certo. Como uma tampa é justa quando ela serve direitinho. Deus, na sua justiça, “ajusta” tudo o que faz (Sl. 146[145], 17; salmo responsorial). Assim, a justiça de Deus não é contrária à sua
bondade. E idêntica! Em Ez. 18,25, Deus se defende da acusação de ser injusto quando perdoa ao pecador que se converte. Deus não está interessado em pagamento, mas em vida: “Não quero a morte do pecador, mas sim, que ele se converta e viva” (Ez. 18,23). A mesma mensagem traz a 1ª leitura de hoje, Is. 55,6-9, convite para o tempo messiânico, que é também o tempo da plena revelação da estranha justiça de Deus, que tanto ultrapassa a nossa quanto o céu transcende a terra.
Nessa perspectiva, a parábola de Jesus no evangelho não é apenas uma lição para fazer-nos refletir sobre a justiça de Deus, mas ainda uma proclamação de que chegou o Reino de Deus, a realidade messiânica: buscai o Senhor, é o momento (cf. Is 55,6)! Como é, então, esse tempo messiânico, esse Reino em que se realiza sem restrição o que Deus deseja? É como um dono que, em vários momentos do dia, contrata operários por uma diária e os manda trabalhar na vinha. Ainda às cinco da tarde (“undécima hora’) encontra alguns que até então não foram contratados (pormenor importante!) e também os manda à vinha. Ao pôr-do-sol, fazem-se as contas. Para escândalo dos “bons”, que trabalharam desde cedo, o dono começa pelos últimos, pagando-lhes a diária completa, tanto quanto aos primeiros... Aí descarrilam os nossos cálculos de retribuição. Mas Deus não está retribuindo, ele está fazendo o melhor que pode: “Me olhas de mau olhar porque sou bom?” Os primeiros tiveram tudo de que precisavam: trabalho, segurança e diária. Os últimos sofreram a insegurança, mas eles também devem viver, portanto, é bom dar a diária completa a eles também. Entendemos isso apenas quando temos uma mentalidade de comunhão, não de varejista. Tudo é de Deus. Não importa que eu receba menos ou mais que um outro; o importante é que todos tenham o necessário. E, se depender de Deus, é isso que acontecerá, pois “ele acerta em todas as suas obras” (Sl. 145[l44],17).
“Os últimos serão os primeiros, e os primeiros os últimos” (Mt. 20,16). Deus desafia a justiça calculista, auto-suficiente... Se achamos que podemos colocar-nos na frente da fila para acertar nossas contas com ele, estamos enganados. Os israelitas foram chamados primeiros e se gloriavam disso, achando que, por serem filhos de Abraão, por circuncidarem-se e observarem a Lei e a tradição, podiam reclamar o céu. Na última hora, Deus encontrou os que ainda não tinham sido convidados, os gentios, e estes precederam os israelitas auto-suficientes no Reino. Inclusive, isso serve para que esses israelitas mudem de idéia e se abram para o espírito de participação e gratuidade, que é o espírito do Reino. A graça não se paga; recebe-se. As pessoas “muito de Igreja” incorrem no perigo do farisaísmo, de achar que merecem o céu. Um presente não se merece. Ser bom cristão não é merecer o céu: é guardar-se sempre em prontidão para o receber de graça. E não querer mal àqueles que recebem essa oportunidade “em cima do laço”.
Pensemos em Paulo (2ª leitura), que não sabe o que escolher: viver para um frutuoso trabalho ou morrer para estar com Cristo. Continuar a trabalhar não teria para ele o sentido de ganhar o céu; desejá-lo-ia somente porque seria bom para os filipenses. Mas o que ele deseja mesmo é participar plenamente da proximidade do Senhor Jesus. Viver, para ele, é Cristo. Uma vida animada pela amizade por Cristo, não pelo cálculo... Na mesma carta, ele dirá que seu espírito de merecimento, suas vantagens conforme os critérios farisaicos, ele considera tudo isso como perda, como esterco (FI. 3,7-8)! Só o impulsiona ainda a graça, a gratuita bondade que Deus lhe manifestou em Jesus Cristo.
É difícil para o cristão tradicional assimilar esse espírito. Deve converter-se da preocupação de fazer tudo direitinho para ganhar o céu! Pois deve saber que sempre ficará devendo (cf. 6º dom, do T.C.) e terá de contar com a gratuita bondade de Deus tanto quanto os pecadores, que, muitas vezes, compreendem melhor a necessidade da graça.
Johan Konings "Liturgia dominical"

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1. A Palavra de Deus não tem somente um sentido espiritual, mas também existencial. Isso quer dizer que para entendermos o sentido das paginas da Bíblia e, sobretudo do Evangelho, devemos aprender a entrarmos nela com a nossa vida. A final de conta, a Bíblia é uma Palavra que Deus dirige aos homens e mulheres de todos os tempos para salvar-nos de uma vida vazia, perdida. Se as vezes sentimos a distancia entre nós e a Bíblia é porque não deixamos que ela penetre na nossa existência. Por isso as vezes, sentimos indiferença no confronto da Palavra, talvez porque achamos que Ela não tem nada pra dizer a nós de importante e por isso não prestamos atenção. Para que a palavra de Deus possa revelar os seus sentidos pela nossa existência, precisa de duas condições essenciais. A primeira é o tempo. É impossível entender algo de profundo da Palavra de Deus se não dedicarmos o tempo necessário. A segunda é a docilidade ao Espírito Santo. É aquilo que nos aconselho são Paulo na segunda leitura de hoje: “O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza” (Rom. 8,26). De que fraqueza se trata? Talvez da nossa capacidade de entender, compreender os conteúdos profundos da palavra de Deus. É com estas atitudes que abrimos as paginas da Palavra de hoje e, para agilizar a nossa compreensão, podemos também formular algumas perguntas. De fato, o pano de fundo existencial das parábolas de Jesus que hoje ouvimos, pode ser referido a nossa maneira de criar laços humanos, de fazer amizades. Por isso podemos nos perguntar: quem são hoje os nossos amigos? Quais são os critérios que utilizamos para discerni-los?
2. “Deixai crescer um e outro até a colheita!” (Mt. 13,30).
Na parábola do joio, Jesus pronuncia uma sentença importante. No tempo presente é impossível separar o trigo do joio, porque o perigo imediato seria aquele de arrancar o trigo junto com o joio. Este trabalho de divisão do trigo do joio será feito só no final dos tempos. Qual é o sentido existencial e espiritual destas palavras de Jesus? Jesus está ajudando os discípulos a aprender a conviver com as pessoas ruim. O motivo disso talvez seja contido na outra parábola que Jesus narra hoje no Evangelho. “O reino dos céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado” (Mt. 13,33). Este é o interesse de Jesus: que tudo fique fermentado, ou seja, que nada seja desperdiçado. Por isso Jesus nos convida a aprender a lidar com as pessoas ruim, a rezar e até amar os nossos inimigos, a perdoar sempre, porque a esperança é que tudo se salve, que a semente do Evangelho possa no tempo, nos séculos, fermentar toda a realidade, também a humanidade ruim. Jesus não apenas falou isso, mas viveu aquilo que pregava pelos outros. Olhando a turma dos seus discípulos, Jesus conviveu com pessoas que, enquanto escutavam as suas palavras e partilhavam a sua vida, matutavam outros planos. É o caso de Judá, o discípulo que traiu o Mestre. A mesma coisa podemos falar de Pedro. Apesar de ter sido escolhido como chefe dos discípulos, na hora da perseguição renegou o Senhor por três vezes. Jesus nos ensina que a caridade é paciente, sabe esperar o tempo da passagem do Seu Espírito no coração das pessoas, para que possam mudar. Esta, talvez, seja uma das características da vivencia cristã, que marca a nossa caminhada. Se, de fato, o mundo descarta logo quem julgou que não presta, o cristão sabe que não cabe a ele o julgamento, mas ao Senhor. Tempo presente é o tempo da conversão, da esperança que algo mude. Só Deus conhece os nossos corações, só Ele sabe aquilo que está acontecendo no coração do homem e da mulher. É esta uma grande indicação ao mesmo tempo espiritual e existencial para entrarmos nas nossas famílias, comunidades, grupos de amigos, lugares de trabalho com uma atitude diferente, menos arrogante e mundana e mais cristã e humana, respeitosa dos tempos dos outros.
3. “O reino dos céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo” (Mt. 13,31).
Também nesta breve parábola Jesus nos oferece um ensinamento de grande importância, que vale a pena salientar. O mundo nos acostuma a pensar que vale somente aquilo que se apresenta com as características da grandeza, aquilo que é deslumbrante. Muitas pessoas fascinadas com esta miragem passam a vida toda sonhado conseguir alcançar objetos de valor, dinheiro, fama, gloria. Jesus com poucas palavras revela que a dignidade de uma pessoa não passa por ai. O reino dos Céus, no qual nós batizados somos envolvidos, é como uma semente de mostarda, ou seja, pequeno e não grande. É a menor semente e não a maior. É escondida dentro da terra e não manifestada perante todos. Quer dizer isso para nós? Que a lógica do reino, a lógica do Evangelho é totalmente diferente da lógica do mundo. Quem busca a Deus com todas as forças, não precisa daquilo que o mundo oferece. A sede do poder, do dinheiro, das coisas materiais são sintomas daquilo que está dentro do coração do homem: não precisa falar, se explicar, se justificar. Aonde é o meu coração lá e o meu tesouro. Se o nosso coração é repleto de Deus e do seu amor, na nossa vida, no nosso dia a dia buscaremos aquilo que é menor, escondido, pequeno. Se o Evangelho está preenchendo a nossa alma, então os nossos desejos serão os mesmo desejos de Cristo, que de rico que era se fez pobre para nos encontrar e que, apesar de ser de natureza divina se despojou disso para encontrar a nossa humanidade. O cristianismo, o caminho que Jesus traçou não é um punhado de palavras, mas sim um estilo de vida, uma maneira diferente de viver. E este estilo de vida não se expressa apenas na vida consagrada, mas deve brilhar na vida corriqueira das pessoas casadas em Cristo, nas famílias que tem no Evangelho o programa de vida, nos jovens que anseiam o amor de Jesus, nos adolescentes que estão aprendendo os primeiros passos da vida cristã, nos namorados que desejam viver o amor conforme se manifestou na vida de Jesus. A semente de mostarda que é o Evangelho, que é Jesus, quer transformar toda a nossa humanidade, toda a historia e o mundo em amor. E o amor não é vulgarmente exposto ao olhar do mundo, mas é escondido nos pequenos gestos da vida concreta. Por isso precisamos da Eucaristia, precisamos que Deus derrame este amor nos nossos corações, para que aprendemos a conviver com todos, também com as pessoas ruim, esperando no julgamento final. Precisamos da Eucaristia para vencermos as ilusões de gloria e grandeza que o mundo coloca na nossa frente, para continuarmos a almejar a vida escondida de Cristo, que da pequena e humilde cidade de Nazaré, transformou e continua transformando a humanidade toda.
padre Paolo Cugini


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A justiça se manifesta como gratuidade
1. Para mim, viver é Cristo 
Paulo, na carta aos Filipenses, dá-nos o belo testemunho de uma vida cristã totalmente unida a Cristo. O quê não sofreu por Cristo? Mas nada o fez separar-se de Cristo. Ele é assim, porque foi conquistado por Cristo (FI. 3,12). Sua correspondência foi total, a ponto de dizer: "Para mim, viver é Cristo" (FI. 1,23). 
O apóstolo tem de onde tirar essa "loucura" por Cristo (1Cor. 2,14). É a sabedoria do Espírito, que o leva a viver à altura do evangelho de Cristo. Vivendo o Evangelho, vive a vida do Espírito e vive Cristo - "meu viver é Cristo". 
Para Paulo, era a mesma coisa viver ou morrer, pois dos dois modos estava unido a Cristo. Deus é abundante, por Cristo nos dá tudo. O que o mundo oferece é bom, mas nem sempre é necessário ou urgente. Passamos bem unidos a Cristo! 
Viver em Cristo é a maior contribuição que podemos dar às pessoas, às instituições e à sabedoria do mundo. Em Cristo, Deus nos deu todas as coisas e, oferecendo-o às pessoas, através de nossa vida, estamos dando mais do que poderiam pedir. 
2. O Senhor é amor, paciência e compaixão 
Nossa união com Cristo funda-se em um grande dom: O Pai nos deu o Filho quando ainda éramos pecadores (Rm. 5,8). O Pai "é misericórdia e piedade, amor, paciência e compaixão. Muito bom para com todos. Sua ternura abraça toda a criatura" (SI. 144). 
Cristo é a encarnação desta bondade do Pai. Paulo diz, referindo-se à entrada de Jesus no mundo: "Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador e o seu amor para com os homens" (Tt. 3,4). 
Estar à altura do evangelho de Cristo é refletir esta bondade em nossa vida. Nosso viver será a vida de Cristo. 
3. Deus é Generoso Demais 
Na parábola dos operários da última hora, entendemos que Deus nos faz justiça e, ainda mais, é maior do que nossas exigências. Tudo que pensamos receber de Deus por termos feito o bem ou cumprido nosso dever, Ele nos faz por justiça.
Mas a justiça de Deus é misericórdia e generosidade. A parábola nos mostra que não devemos ficar enciumados dos dons que Deus oferece a todos, mesmo àqueles que julgamos não merecer. Basta contemplar o que temos e que nos vem de Deus. Veremos que ultrapassa todas as nossas expectativas e vai mais longe do que merecemos. 
dom Emanuel Messias de Oliveira
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Os cristãos judeus achavam que, como povo escolhido por Deus, deveriam ter certos privilégios e direitos diferenciados dos demais cristãos, e eram condicionados a cumprir a lei acreditando que não havia o perdão para o erro, mas somente a punição.
No Evangelho de hoje Jesus conta uma parábola para que eles compreendam que a justiça do Reino de Deus é diferente daquela justiça que eles conhecem. Ele ensina novas referências de pesos e medidas para a vida em harmonia, porque, neste tempo em que Ele está presente entre eles, a mentalidade não pode mais ser de individualismo, e sim de comunhão, onde todos são iguais perante o Pai, que provê o necessário para cada um, indiferente ao tempo e ao caminho que foi percorrido para chegar até Ele.
A parábola mostra que o patrão praticou a justiça porque pagou a cada trabalhador o que havia combinado, e conforme as suas necessidades. O salário não é imposto pelo patrão, e sim fruto de um acordo entre ele e o empregado que concordou com o salário estipulado. Aqueles trabalhadores que por último foram contratados não eram vagabundos ou preguiçosos, apenas não tiveram a oportunidade do chamado.
A decisão do patrão assemelha-se ao comportamento de Deus, que é justo e dá a todos conforme a necessidade. Esse é o coração da parábola, a lição que mostra a diferença entre a justiça da sociedade e a justiça do Reino de Deus que tem o seguinte princípio: todos têm direito à vida em abundancia. Assim, ninguém é o primeiro nem o último. Todos são iguais, e não há, portanto, lugar para o ciúme ou a inveja, para a competição nem para a desigualdade.
O trabalho não deve ser visto como um meio que cria a desigualdade. O ciúme do operário da primeira hora é uma pequena amostra de todos os conflitos que Jesus enfrentou por causa de sua opção de fazer justiça aos últimos, aos pobres, aos marginalizados, aos doentes e excluídos. O resultado final desse ciúme é a condenação e a morte.
Soa, portanto, aos ouvidos, mais uma vez, o programa de Jesus: ”Devemos cumprir toda a justiça” e o programa dos seus seguidores: “Se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus,
vocês não entrarão no Reino do Céu.”



Nem sempre é fácil compreender a bondade de Deus ou imaginar como ela age com os bons e os maus, com os melhores e os piores, com os da primeira hora e os da última. A dificuldade vem de que nós somos mesquinhos em nossas medidas, enquanto Deus é generoso.
Os trabalhadores da primeira hora, no Evangelho, são o povo de Israel, que penou no Egito, agüentou a fome e a sede no deserto, e enfrentou as agruras da conquista da Terra Prometida. Os da última hora são os cristãos, enxertados na raiz de Israel, que recebem de graça o enorme presente que é o Messias prometido. Os primeiros podem não gostar dos que agora estão chegando e recebem a mesma herança.
A Escritura nos ensina que Deus é generoso, sobretudo no perdão, e, por isso, nos convida a voltar a Ele sem medo. A descoberta da grandiosidade do coração do nosso Deus deve nos levar a ser sumamente atenciosos e respeitosos para com Ele. O perdão e a escolha na última hora não significam privilégio que permite abusos.
Mt. 20,1-16a – O Reino dos Céus é parecido com a história do dono de um campo que saiu procurando gente para trabalhar na sua plantação. Ele cultivava uvas. Durante todo o dia contratou gente por uma moeda de prata. O trabalho terminava às 6 da tarde e ele ainda contratou algumas pessoas às 17 horas. Estes evidentemente trabalharam apenas uma hora, enquanto outros trabalharam o dia inteiro, e o dono do campo deu a cada um o que tinha combinado: uma moeda de prata. Ele pagou o que tinha combinado e não foi injusto com ninguém, mas é claro que houve reclamações, sobretudo dos que trabalharam mais e não aceitaram receber o mesmo pagamento dos que trabalharam menos. Os da primeira hora reclamaram dos colegas da última hora.
Is. 55,6-9 – Os pensamentos de Deus não são como os nossos, nem os seus caminhos. São muito diferentes e estão muito distantes uns dos outros. É o que nos diz o profeta Isaías. Ele quer que percebamos o quanto Deus é generoso e bondoso. Ele não é de forma alguma mesquinho, sobretudo no perdão. O pecador pode sempre voltar para Ele, que será muito bem recebido. Aquele que está sempre arquitetando o mal contra os outros e se dá conta da sua maldade, não deve perguntar: “Será que Deus me perdoa?”. Volte-se ele mesmo ao Senhor, que é generoso no perdão.
Sl. 144 (145) – O salmista não se cansa de cantar que o Senhor nosso Deus é misericórdia e piedade. É amor, paciência e compaixão, é muito bom para com todos e nos abraça com ternura.
Fl. 1,20c-24.27a – Sendo Deus tão generoso, bondoso e compassivo, só nos resta viver de acordo com sua vontade, com atitudes que lhe agradem. Alguém poderia pensar o contrário: “Podemos fazer o mal sem receio porque, no fim, Deus acaba perdoando tudo”. Deus sabe que o filho pródigo volta por necessidade e não por amor, e assim mesmo o acolhe. No entanto, a alma sensível e o coração generoso, diante de tanto amor, só podem querer viver para Deus. O que diz São Paulo aos filipenses? “Para mim o viver é Cristo.” “Tenho desejo de partir para estar com Cristo”. Se estar com Ele é o que há de melhor, “vivamos vida digna do Evangelho de Cristo”, não por temor e sim para corresponder ao amor que Ele tem por nós.
cônego Celso Pedro da Silva
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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando* 25ºdom.T.Comum(15ºp.Pent)
21 set. 2014
meus pensamentos não são os vossos e
vossos caminhos não são os meus
(Isaías55,8)
O mundo em que vivemos
·                    Nosso mundo é organizado sobre a economia (investimento, produção, consumo, acumulação, poupança, riqueza, bem estar, prazer e felicidade). Como o dinheiro está na base de tudo, também somos marcados pela ideias de remuneração, aumento salarial, trabalho e merecimento de desempenho, bônus, justiça social. Tudo isso faz parte de nossa cultura e não é necessariamente ruim. Apenas corremos o risco de esquecer as pessoas, no meio de tantas coisas. Por ex.: quando os pais decidem ter um filho estão fazendo um “investimento”?
·                    Se alguém nasceu com deficiências genéticas ou se tornou limitado por algum acidente, é mal visto por não ser “produtivo” no mundo de trabalho e dinheiro? É menos importante?
·                    Os povos pobres da África golpeados pelo Ebola merecem a pesquisa dos laboratórios e os altos custos de pesquisa para descobrir a vacina? Ou remédios para a cura?
·                    Sírios, palestinos, somalis, líbios, iraquianos, turcos, curdos e milhões de outros refugiados, migrantes, minorias perseguidas (seja por terroristas do Estado Islâmico, seja pelo preconceito em países mais ricos), são uma população que deveria ser eliminada? (As ditaduras do passado também pensaram em genocídio e eliminação de minorias). Será que esta multidão de desgraçados fazem parte da raça humana?
·                    E os desempregados da Europa? ou os pobres (na Ásia, América latina e Caribe ou os de dentro das nações mais ricas)? servem para alguma coisa? (além, é claro, de servir para ganhar eleições...)
·                    A parábola de hoje deveria sacudir nosso torpor, pois estamos ficando acostumados à gradual eliminação dos mais frágeis, famintos, doentes, deficientes, analfabetos, bombardeados, infiéis, pobres, os que não têm “nossa” cultura (religião, valores, etc.).

Uma parábola que prega a injustiça?
·              Das leituras previstas para hoje: Isaías 55,6-9 (no Lecionário LCR=Jonas3,10-4,11 – cf. próprio20), Filipenses 1,20-27 e Mateus 20,1-16, destaca-se a parábola contada por Jesus. (O comentáro a seguir é baseado em M. Domergue, in: “croire.com”).
·                    Invertendo a lógica da meritocracia. Há uma longa lista de textos bíblicos que aponta para um Deus que parece não ter muita “lógica”. Começando por Gênesis 4 em que a preferência de Deus é por Abel, mais novo e, ainda por cima, pastor, isto é, consumidor de carne (ao passo que, cf.Gênesis 1,29, todos eram vegetarianos, até que a carne animal foi autorizada depois de Noé, cf.8,21;9,1-4). Há uma longa lista das preferências de Deus... Mas citemos Jacó, escolhido em vez do mais velho Esaú; Davi, o caçula dos sete filhos de Jessé; Salomão, o filho da mulher tirada de Urias pelo crime de Davi. Sempre escolhidos exatamente os que “não tinham direito” de ser os primeiros, o que nos lembra Paulo aos Coríntios (1ª.Cor 1,26): irmãos, considerai a que fostes chamados. Não há entre vós muitos sábios, nem poderosos, nem bem nascidos. Mas, o que é loucura para o mundo, Deus escolheu para confundir os sábios. E Paulo acrescenta: os frágeis, escolhidos para confundir a força; os desprezados, em vez dos famosos... Tudo isso quer dizer que ninguém pode apresentar seus títulos para justificar o dom de Deus. Deus não nos ama porque somos bons mas nos seremos bons, nos tornamos bons porque Deus nos ama.
·                    Injustiça de Deus ou loucura divina?. É preciso corrigir qualquer toda teologia do mérito que nos leva a crer que o dom de Deus se mede por nosso valor, mesmo se alguns trechos bíblicos, isolados do contexto, nos levem a pensar assim. O dom de Deus se mede pelo amor que vem dele (que podemos deixar passar por nós até chegar a outros (cf. Lc 6,38). Da parte de Deus, o dom é total. Ele nos dá tudo o que nós somos, ou tudo o que aceitamos ser, e tudo o que ele é. Só nele o dom é sem medida. Pedro diz que ele nos faz participar de sua própria natureza (2Pedro1,4). Ele – que não nos deve nada – nos dá tudo. Portanto: começamos a existir por um amor sem razão, isto é esse dom não parece razoável e nunca acabamos por entendê-lo. Por isso J.Cristo diz que não veio para os justos, mas para os pecadores, para que se convertam, quer dizer, para que cheguem a crer no dom. Se houver conversão “moral”, ela vem depois, como consequência de nossa confiança no amor. Na raiz de cada um de nós há algo (melhor, alguém) inexplicável. Sou incapaz de dizer porque eu sou eu. Às vezes sei “como” cheguei ao que sou, mas não há resposta para o “por quê?”. Simplesmente somos. Gratuitamente. Não podemos “justificar” nosso existir.
·                    Os trabalhadores da última hora. A parábola fala de como age aquele a quem chamamos “Deus”. Ela também fala do “Reino”: da “lógica” de nosso relacionamento com ele, onde, novamente nos deparamos com o “injustificável”. A justiça de Deus não é a nossa justiça, sua lógica não é a nossa lógica, mesmo se em nossa justiça (nem sempre praticada...) achamos que cada qual deve receber o que lhe é devido. Seus caminhos não são nossos caminhos. Sua justiça não é “justiceira” mas “justificadora”. É uma justiça diferente que, no sentido bíblico, torna justo quem não era justo. Começa com o Justo por excelência que não joga sobre o culpado a pedra nem a primeira nem a última, nem a sentença nem o castigo. Na parábola, o “dono” desse “Reino” chega a pagar pelo trabalho que nem foi realizado completamente. E os da “última hora” são os primeiros a receber (um salário que nem deviam ganhar). Onde sobra falta de merecimento, é superabundante o amor, totalmente gratuito. Paulo diz (cf.Romanos 5,20) que Deus é injusto por excesso de amor. Não é que a justiça tenha sido abandonada, mas sua justiça ultrapassa o que era devido. Os “primeiros” (e, em geral nós nos julgamos os “certinhos” que trabalham há muito tempo na “vinha do Senhor”) devem se alegrar ao ver os “últimos”, passando à frente. Ao aceitar essa “injustiça” adotam o comportamento do amor com que Deus os ama também, pois aos “primeiros” também foi dado este amor sem “justificação”. O próprio Cristo (O Primeiro, a imagem perfeita do Deus invisível) veio para ficar no último lugar e se fez um servidor.
·                    E, por que os da “primeira hora” não recebem mais que os outros? Porque o que Deus dá, é ele mesmo, mais que qualquer pagamento, salário ou retribuição. Ao nos dar conta disso, talvez possamos ajudar um pouquinho na modificação do mundo em que vivemos. As religiões não podem consertar este mundo, mas a fé pode nos tornar mais próximos dos gestos divinos.

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( * ) Prof.(1975 a 2012:filos/ educ/ teol/ ética) fesomor2@gmail.com