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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 21 de julho de 2012

Jesus e os discípulos precisavam de um descanso


16º DOMINGO TEMPO COMUM

DIA 22 DE JULHO

Jesus e os discípulos precisavam de um descanso -  José Salviano

INTRODUÇÃO
        “ Venham! Vamos sozinhos para um lugar deserto a fim de descansarmos um pouco.”
        De vez em quando precisamos parar tudo para descansar um pouco. Uma hora, um dia uma semana ou até mesmo um mês.   Conheço um diácono, três padres, e alguns catequistas que estão muito cansados, precisando de um remanso. Precisando de um lugar deserto para fugir de tudo e de todos e descansar tudo que tem direito, para poder voltar ao trabalho do Reino com forças novas. Jesus e os apóstolos não tinham tempo nem para comer, e foi então que chamou os discípulos para dar um tempo...
        Que diria de nós! Descanso não é simplesmente ficar deitado o dia inteiro. Descanso é mudança de atividades. É mudar a rua por onde passamos todo dia, mudar o cenário, a paisagem que de tanto vermos, olhamos mais nem vemos mais, mudar  a comida, o alojamento, etc. É por isso que uma viagem é uma atividade muito saudável.  Vamos mudar de ambiente, vamos respirar outro ar,  ver outras pessoas, e assim por diante. Mais é preciso mudar totalmente a rotina também. Aquele padre que “viajou”  para outra cidade, e lá  hospedou-se em uma paróquia, e teve de celebrar diariamente por que o vigário de lá viajou, será que esse padre descansou?
        Não somos de ferro!  Se Jesus que era verdadeiramente Deus e verdadeiramente humano, juntamente com seus discípulos sentiram que estava sendo sufocado pela multidão que o procurava e clamou por um descanso, quanto mais nós, seres puramente humanos!
Costumamos dizer que o cristão não tira férias. Sim. O fato de sermos imitadores de Cristo, é um ato contínuo, como as batidas do nosso coração, que só pára quando morremos. Porém, o nosso esforço na tarefa da evangelização, isso sim, precisa tirar umas férias de vez em quando, para podermos voltar com mais forças, com novo ânimo!
Conclusão: Precisamos descansar da luta, do combate contra a incredulidade, porém não podemos parar de rezar, de vigiar, de perseverar, e jamais relaxar nas orações.

José Salviano.       
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“VINDE SOZINHOS PARA UM LUGAR DESERTO E DESCANSAI UM POUCO”. - Olívia Coutinho


XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM
Dia 22 de Julho de 2012
 Evangelho de Mc 6, 30-34

O evangelho que a liturgia deste domingo nos apresenta, chega até a nós, como o mesmo  convite que Jesus fez aos discípulos, assim que  eles retornaram da missão:“ Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”. Nós também precisamos descansar um pouco, desacelerarmos desta nossa rotina estressante, na qual tornamos  escravos de nós mesmos, sem nos dar o direito ao descanso.
O evangelho nos desperta sobre a importância de reservar um tempo para um encontro com nós mesmo, fazer um deserto interior,  buscar na  nossa essência,  a motivação para sermos presença do amor de Jesus, na vida do outro.
É no mais profundo do nosso ser, que realizamos o nosso encontro pessoal com Jesus e é  a partir deste encontro, que passamos a visualizar o rosto sofrido do nosso irmão, a descobrir as suas necessidades. Precisamos resgatar  os  valores que  se perderam, devido a nossa não observância, conseqüência desta nossa correria desenfreada.
A presença amorosa de Jesus nos modifica, vai ampliando aos poucos, o nosso horizonte. 
Jesus é a  chave que abre a porta do nosso coração, que nos leva da oração para a ação!
O evangelho de hoje, embora pequeno, é  rico em ensinamentos, o texto nos apresenta duas realidades diferentes, nas quais  Jesus deixa transparecer  a sua sensibilidade  diante a necessidade humana.
Ao contrario da insensibilidade, tão presente no mundo de hoje , em que o trabalhador é visto como máquina com a única finalidade de produz lucros,  Jesus  vê  a necessidade humana de cada um. Podemos perceber isso claramente na sua preocupação  com o desgaste dos discípulos, após retornarem da missão.
Conhecidos, pelos poderes que Jesus lhes havia dado, os discípulos ganharam a confiança do povo, que passaram a procurá-los  na mesma intensidade da procura por Jesus.
 A procura pelos discípulos,  tomou uma dimensão  tão grande, que eles não  tinham  sequer tempo para se alimentarem.
 Embora felizes com êxito da missão, o cansaço lhes era visível, o que levou  Jesus a convidá-los a se retirarem  para um deserto, onde pudessem descansar, repor as energias,  para logo em seguida, retomarem a missão. Mas parece que o  descanso  planejado por Jesus, não lhes fora possível, devido aos clamores de uma  multidão, que não os perdiam de vista. Jesus, na sua sensibilidade, vence o cansaço, e juntamente com os discípulos, acolhe  aquela multidão, desprovida  de tudo.
Jesus sente compaixão daquele povo,  que depositavam neles  a  sua única esperança.
Os discípulos tinham o pão, mas não tinham tempo para comerem, enquanto que a multidão, ceifada até mesmo do seu direito à vida, não tinham sequer o que comer.
Essas duas realidades, ainda presente nos tempos de hoje, nos convida a  um questionamento: o que temos a contar para Jesus, sobre a missão que a nós foi confiada ?
Qual  tem sido a nossa atitude diante à necessidade do nosso irmão?   Estamos ficando somente no sentimento? Jesus nos passa grandes ensinamentos: não devemos  ficar somente   no sentimento, não basta reconhecer a necessidade do outro, e somente sentir pena, precisamos ir mais além, fazer algo a seu favor. 
           Assim como Jesus, nós também, devemos ter compaixão do irmão que sofre, o que é completamente diferente do que sentir pena. Ter compaixão, é tomar a dor do outro, é sofre com ele,  mas acima de tudo, é  ajudá-lo a se libertar do sofrimento.  
Hoje somos convidados a um descanso semanal, num encontro com Jesus na celebração eucarística, onde podemos reabastecer as nossas energias, para darmos  continuidade a missão,  missão  que recomeça a cada semana, quando sairmos da Igreja, alimentados de Jesus!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

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Jesus tem compaixão do povo, ovelhas sem pastor.– Missionários Claretianos
Domingo, 22 de julho de 2012

16º Domingo do Tempo Comum

Santos do Dia: Santa Maria Madalena (Memória); Cirilo de Antioquia (bispo), Menelau de Ménat (abade), Pancário de Besançon (mártir), Filipe Evans e João Lloyd (presbíteros, mártires), Plato de Ancira (mártir), Síntico de Filipos (citado por São Paulo em Fp 4, 2-3), Teófilo de Chipre (mártir), Wandregísilo (abade).

Primeira leitura: Jeremias 23, 1-6
Oráculo contra os maus pastores. 
Salmo responsorial: 22, 1-6
O Senhor é o pastor que me conduz: felicidade e todo bem hão de seguir-me.
Segunda leitura: Efésios 2, 13-18
Pagãos e judeus reunidos pela cruz de Cristo. 
Evangelho: Marcos 6, 30-34
Jesus tem compaixão do povo, ovelhas sem pastor.

No Antigo Testamento, os guias políticos e religiosos são apresentados com frequência como pastores e o povo como rebanho. A figura do chefe como pastor passou a existir a partir de Davi, o pastor convertido em rei. O rebanho não é propriedade dos pastores, mas do Senhor. Os pastores são seus representantes, por isso o próprio Deus tomará conta de suas ovelhas. O ofício dos chefes se perverteu e isto permitiu a dispersão e o extravio do rebanho. O rei Joaquim, com sua política desatinada, provocou a intervenção da Babilônia.  A expulsão mencionada parece referir-se à primeira deportação.

A intervenção do Senhor, justificada por tratar-se de seu rebanho, se desenvolve em três tempos: repatriação dos deportados, nomeação de pastores exemplares e ressonância escatológica. Passa-se dos pastores ao Pastor-Chefe, ao rei davídico, em quem os judeus põem sua confiança. Jeremias tinha consciência de que a desordem, a situação de injustiça e o afastamento que o povo suportava e sofria, se devia aos mandatários que não souberam governar em função do bem público, mas que governavam em função de seus próprios interesses pessoais e de classe, por isso fracassaram como governantes; daí a necessidade de Deus suscitar novos pastores.

Os povos viviam pedindo a mudança de situação cada vez que se apresentava a oportunidade de um novo governo. A esperança e a ilusão de que algum dia houvesse oportunidade para viver a justiça não terminava ainda que os fatos mostrassem que as situações continuavam iguais. Naquele momento, o problema de injustiça se havia tornado mais agudo, porque os dirigentes dos povos tinham que obedecer à ordem econômica internacional, ainda que houvesse esperança de encontrar saídas, por vontade política dos grandes dirigentes do mundo e principalmente de quem dirigia a economia mundial. Mais que nos tempos de Jeremias, mais que nos tempos de Jesus, hoje encontramos no mundo mais desordem, mais injustiça, mais exclusão. Que a palavra de Jeremias nos ajude a continuar crendo que é possível a prática da justiça.

O texto da segunda leitura parece ser uma inserção dentro da carta aos Efésios. Há diferenças na linguagem, nas idéias e na forma. Inserção em forma de hino sobre Cristo: a paz e a pessoa que nos traz a paz. Cristo derrubou o muro de divisão, fez dos dois âmbitos, judeu e gentio, um só e destruiu por de sua carne a inimizade. A lei, convertida em norma absoluta, converteu-se  em uma norma absoluta e trouxe como consequência o casuísmo e o legalismo; destruindo este caráter da lei, elimina-se a inimizade. 
A grande ação de Cristo, nossa paz, foi a eliminação da lei como dogma, como norma absoluta e suprema que separava Deus dos seres humanos, judeus e gentios. Se os chefes dispersam, Jesus tem capacidade de congregar e de acabar com tudo aquilo que separa e divide homens e mulheres. Coube a Paulo enfrentar o problema cultural na Igreja primitiva entre cristãos judaizantes e gentios e lutou até conseguir que os gentios fossem admitidos também dentro da comunidade cristã. O texto de hoje lembra que em Jesus Cristo desaparece todo antagonismo e toda situação de injustiça que faz com que homens e mulheres da mesma cultura e de culturas diferentes não se entendam entre si... O evangelho é uma mensagem de caráter universal, derruba os muros sociais, políticos, econômicos, culturais e irmana a todos, homens e mulheres.

O texto de Marcos diz que Jesus teve compaixão da multidão porque o povo andava como ovelhas sem pastor. Os discípulos chegaram de seu trabalho apostólico, contaram a Jesus tudo o que havia acontecido; Jesus então os convida a descansar em um lugar ermo, porém quando chegaram, foi impossível encontrar descanso porque uma grande multidão já estava no lugar esperando-os. Jesus compreendeu que era mais urgente atender a multidão que o alimento e o descanso.

Se Jeremias, em seu tempo, se queixa dos dirigentes políticos, muito mais aguda é a situação nos tempos de Jesus. Na época de Jesus, os chefes políticos e religiosos dispersavam cada vez mais o povo. O regime político, militar e econômico imposto por Roma era uma carga que pesava sobre o povo e que se tornava mais onerosa. Algumas pessoas faziam o jogo dos romanos, entre eles os saduceus, que administravam o Templo.

O rei e os cobradores de impostos eram nomeados por Roma e as forças militares romanas tinham sua força junto ao templo de Jerusalém. Essa situação, além de oprimir, ofendia a dignidade do povo. O dízimo ao templo e o regime tributário tornavam a vida do povo muito onerosa. A situação econômica era crítica.

A sociedade estava dividida e se atomizava cada vez mais em busca de solução ao problema do momento; uns acreditavam na força das armas, outros se isolavam e viviam como independentes. Esperava-se a irrupção de Deus a fim de que ele colocasse fim a essa situação e desse oportunidade ao povo de Israel. Por outro lado, depois da reconstrução do templo, ao regressar do exílio, as leis de purificação dominaram a religião judaica até convertê-la em um simples cumprimento de normas, atitude com a qual Jesus não acorda porque o sistema se havia desligado totalmente da vida, ausente de justiça, de amor e de misericórdia.

Em uma situação assim, há mais desorientação e confusão entre o povo, por isso Jesus é a alternativa de Deus nesse momento. Muitos se encontram marginalizados do templo, excluídos dele por não conseguirem cumprir as normas rituais de purificação. Quando ouvem Jesus falar, sentem-se  distantes dos caminhos de Deus e encontram nele o pastor que, em vez de dispersar, congrega e reúne. Por isso, enquanto os guias políticos e religiosos encontram tempo suficiente para descansar e se alimentar, Jesus e os seus têm que encontrar tempo para satisfazer necessidades vitais do povo.

Marcos reconhece que Jesus, movido pela compaixão de ver a multidão que andava como ovelha sem pastor, começa a ensinar. É a causa do Reino a que consome seu tempo e sua vida. Para isto é que veio, sua paixão e sua loucura é o Reino, em outra passagem do evangelho quando Maria e os familiares de Jesus ficam sabendo que não lhes sobre tempo sequer para se alimentar por causa dos trabalhos do Reino, buscam-no porque crêem que está fora de si. Somente quem andou na vida motivado por uma causa assim entende essas atitudes de Jesus e não sente fome nem fadiga em fazer o que ele mesmo fazia.

Oração: Nosso Deus e nosso Pai, olha para nós com amor, pois somos filhos teus e, ainda que nem sempre nos comportemos como irmãos e irmãs que somos, não deixes nunca de guiar-nos como bom pastor, para que transformemos nosso coração à semelhança do teu e sejamos bons pastores, uns dos outros. Amém.
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16º DOMINGO DO TEMPO COMUM 22/07/2012
1ª Leitura Jeremias 23, 1-6
Salmo 9 (10) , 1ª 6ª “O Senhor é meu Pastor, nada me faltará. A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me”
2ª Leitura Efésios 2, 13-18
Evangelho Marcos 6, 30-34

              "A SÓS COM O SENHOR..." DIAC. JOSÉ DA CRUZ
Sempre ouço uma crítica contundente em nossa Igreja, de que, “no dia em que Jesus voltar, não vai nos encontrar unidos, mas reunidos”. Há de fato um excesso de reuniões, as vezes sem pauta e nem assunto determinado, e o que é pior, sem horário para terminar, onde patina-se em assuntos pessoais, troca-se muitas farpas, seria necessário refletirmos sobre a qualidade de nossas reuniões, avaliando-se os resultados. Lembro-me da primeira vez em que fui convocado para uma reunião na igreja, isso já faz tempo, e senti-me muito importante, hoje o entusiasmo já não é tanto.
Pelo jeito, os apóstolos também gostavam de uma reunião, haviam sido enviados em missão, e no evangelho de hoje voltam para Jesus, querendo fazer uma reunião de avaliação, mas ao que parece, o Mestre não era muito chegado em reunião, pois assim que os apóstolos começaram a expor o relatório de tudo o que tinham feito, ele os convidou a irem para um lugar á parte: “Vamos descansar um pouco em um lugar á parte!” – Prestemos atenção nesse verbo, “descansar”, que tem muitos significados: descontrair, fazer algo diferente, jogar um pouco de conversa fora, dar boas risadas de coisas engraçadas que aconteceram na missão, rir dos próprios erros e enganos “Imagine Senhor, que eu por engano bati na porta de um ateu, e quando comecei a falar em teu nome, pensei que o home ia ter um “saracótico”!, fico imaginando o grupo todo caindo na risada com aquele apóstolo distraído, e Jesus exclamando bem humorado “Mas você é uma anta mesmo !”, e tome mais risada e até o sisudo Pedro quase se engasga de tanto rir, e me dirão os extremamente conservadores, que isso não está no evangelho, e nem precisaria.
Modéstia á parte, nossas reuniões de diáconos da diocese de Sorocaba, são um pouco assim, ás vezes o Dirigente tem que dar um “breque” para acalmar os faladores e piadistas, e não pensem que os mais idosos não gostam, até eles fazem rodinhas para contar suas anedotas ou coisas engraçadas do seu ministério. Faz muito bem a alma, ao coração e à nossa “psique”, esses momentos de pura alegria por estarmos juntos, e graças a Deus, nossos irmãos maiores no ministério, os sacerdotes, estão resgatando esses encontros, com a valiosa ajuda da psicanálise, pois não se conhece arma mais poderosa do que o isolamento, para destruir por completo uma vocação, agente de pastoral que se isola dos demais, catequistas, ministros, padres e diáconos, começou a ficar sozinho, está dando “sopa” para a derrota e o fracasso na sua vocação, daí vêm certas tristezas, angústias e desvios de conduta, por falta de apoio.
Na correria dos trabalhos pastorais e ministérios, é preciso parar de vez em quando, e aqui há outro sentido belíssimo nessa reflexão, pois, descansar com o Senhor, significa abastecer-se, na intimidade da oração, no mistério da Eucaristia, onde Deus é um frágil pedacinho de pão, na palma da minha mão, ou ainda como Maria, irmã de Marta, sentar-se confortavelmente aos pés do Senhor, para ouvir a sua palavra. De que me adianta não ter tempo para mais nada, nem para mim mesmo, nem para os amigos, nem para a família, nem para comer, por conta de uma agenda lotadíssima de compromissos, se vou aos poucos me distanciando daquilo que é essencial?
O ativismo exacerbado das atividades pastorais e ministeriais, começa a nos fazer sentir que somos Donos do Reino e da igreja, querendo nos colocar no centro das atenções, quando na verdade apenas trabalhamos para o Mestre Jesus, é ele quem nos envia, quem nos confia a missão, é portanto ele, que no “intervalo” do jogo, como fazem os técnicos de futebol, irá nos dar as instruções, fazer as correções necessárias, mostrando-nos a melhor estratégia para sermos bem sucedidos na missão.
Não tenho nenhuma dúvida que, sem essa intimidade dos bastidores, com Nosso Senhor, retirados em um lugar á parte, sem essa descontração com o grupo todo, que solidifica a amizade e o carinho entre os membros, qualificando as relações pessoais, corre-se o risco de estressar-se diante do volume de trabalho a ser feito na comunidade e na evangelização fora da Igreja, a multidão que temos que servir é muito grande, as pessoas buscam desesperadamente algo que o cristianismo tem de sobra, que é a esperança, presente na palavra da qual somos portadores, mas é perigoso esse “corre-corre” nos tornar insensíveis a dor, ao sofrimento e as necessidades das pessoas, tornando-nos profissionais da palavra, realizando trabalhos belíssimos e ações arrojadas, mas não movidos por essa COMPAIXÃO, que Jesus tem pelas pessoas que o procuram, mas apenas levados por nossos interesses mesquinhos, pela nossa vaidade, prepotência e arrogância, manifestando de vez em quando o nosso mau humor e azedume naquilo que fazemos, e de Agentes de Pastoral ou ministros da igreja, com essa característica, longe de atrair as pessoas, como o Mestre fazia, as vezes é melhor manter a devida distância, porque nunca se sabe em que hora que o “Rei ou a Rainha da Cocada”, vai dar o seu terrível “coice”, que magoa, machuca e gera tantas divisões e intrigas na comunidade, perdendo de vista a compaixão, vivida por Jesus. (16º. Domingo do Tempo Comum)

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DOMINGO, DIA 22 DE JULHO
Mc 6,30-34

Eram como ovelhas sem pastor.
O Evangelho de hoje começa com o amável convite de Jesus aos Apóstolos, que acabavam de chegar da sua missão apostólica, satisfeitos e cansados: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansemos um pouco”.
Entretanto, o povo descobriu para onde iam, e foi a pé, por terra. Assim, quando chegaram, encontraram uma multidão os esperando! Jesus “teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas”.
É interessante o modo de Jesus se relacionar com a multidão. Ele disse uma vez: “Eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem” (Jo 10,14). Jesus evitava aquele messianismo político, pelo qual os seus contemporâneos judeus ansiavam. Evitava também o sectarismo gregário de massa. O seu contato era personalizado, dando origem ao Povo de Deus, ou à Comunidade cristã, na qual todos se conhecem e se amam, assim como o pastor conhece suas ovelhas.
“Foi vontade de Deus santificar e salvar os homens, não isoladamente e sem conexão alguma de uns com os outros, mas constituindo um Povo, que o confessasse em verdade e o servisse em santidade” (Concílio Vat. II, LG, 9).
Os primeiros cristãos entenderam bem essa lição e se uniam em Comunidades, onde viviam unidos como irmãos, tendo um só coração e uma só alma. Hoje a Igreja, pelo fato de ter milhões de membros, pode dar a impressão de ser massa. Mas não é. É só observar as nossas paróquias e Comunidades.
Várias vezes os evangelistas escrevem que Jesus sentiu compaixão. Ele tinha dó das pessoas carentes, das que sofriam, e aqui, das que estavam como ovelhas sem pastor. E ele não parava só no sentimento de compaixão, mas fazia o que ele podia pelo povo.
Jesus não possuía nada, não tinha nem onde reclinar a cabeça. Mesmo assim, não se preocupava consigo mesmo, mas com os outros. Quantos cristãos e cristãs têm esse mesmo coração! É deles que nascem as diversas pastorais e as atividades missionárias das Comunidades. Quando sentimos compaixão, e rezamos, Deus nos indica algum caminho.
Que bom seria se nós, ao nos depararmos com situações de carência, material ou espiritual, sentíssemos compaixão, uma compaixão ativa que se transforma depois em ação!
Certa vez, um homem terminou de construir a sua casa. Ficou linda. Ele a mobiliou com móveis novos, todos no mesmo estilo.
Então convidou um amigo para almoçar com ele e ver a casa. Terminada a refeição, mostrou toda a casa para o amigo, depois perguntou: “Falta alguma coisa? Pode dizer sem acanhamento, que vou comprar hoje mesmo”.
O amigo criou coragem e falou: “Eu sinto que está faltando Deus na sua casa!” O dono da casa se surpreendeu, porque não havia pensado nesse componente da casa. E ficou perdido, confuso, sem saber o que fazer, pois Deus não dá para se comprar!
Quantas casas hoje são assim: têm tudo, menos o principal que é Deus. Que sintamos compaixão, uma compaixão ativa, como fez o visitante da nova casa. “O que adianta a alguém ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se e a arruinar a si mesmo?” (Lc 9,25).
Maria Santíssima foi uma mulher ativa na luta pelo bem do povo. Vemos os seus anseios expressos no magnificat, e levados à ação nas bodas de Caná, ao pé da cruz, no Cenáculo etc. Santa Mãe Maria, o povo continua como ovelhas sem pastor; dai-nos um coração semelhante ao vosso!
Eram como ovelhas sem pastor.

Padre Queiroz

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DOMINGO

Marcos 6,30-34
Ser discípulo de Jesus  é saber dar testemunho de fé, de confiança no plano de Deus. – Maria Regina
                A multidão sedenta seguia Jesus em busca de ajuda. Ele teve compaixão deles, pois eram como “ovelhas sem pastor e começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.” Hoje também, a multidão precisa de ajuda e, mesmo sem ter muita consciência, ela busca alguma coisa que possa preencher o vazio do seu coração. Somos chamados a enxergar as necessidades dessa multidão e, para isso, Jesus também nos forma.
                Os discípulos de Jesus voltavam da missão para a qual haviam sido enviados e reuniram-se com Ele para contar tudo que lhes havia acontecido. Com certeza deviam estar cansados, pois Jesus convidou-os a descansar com Ele em um lugar deserto. Apesar de todo cansaço e da hora avançada Jesus motivava aos Seus discípulos a perceberem a necessidade daquele povo que buscava cura, libertação e paz. Assim como fez com os Seus discípulos Ele também nos atrai a um lugar deserto para nos preparar como pastores  das pessoas desanimadas e sem esperança que estão ao nosso redor.
                     Com Jesus nós aprendemos muitas coisas que nos são úteis, tanto para a nossa felicidade pessoal, como também, comunitária e familiar. Ele nos ensina a arte de viver melhor em qualquer circunstância enfrentando todas as dificuldades. Desse modo nós poderemos também ajudar aquelas pessoas que ainda não O conhecem e não têm ainda intimidade para ficarem a sós com Ele. Jesus também, hoje, nos leva a descansar, refrigera as nossas dores e nos consola para que também, possamos ser pastores que aliviam e que amparam as ovelhas transviadas. Ser pastor é saber dar testemunho de fé, de confiança no plano de Deus e, assim, ser luz para o irmão que também passa por necessidade. Reflita – Você sente-se pastor de alguém ou espera que alguém venha pastoreá-lo ? – Você tem testemunhado as suas experiências de dor para ajudar a alguém? – Jesus já o levou para o deserto? – O que você tem aprendido com Jesus?
– Maria Regina

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Se pensarmos bem, em Cristo, tudo quanto a Igreja tem para dizer ao mundo é Jesus: ele é a Palavra viva do Pai, ele é o Salvador e a Salvação, é a ele que a Igreja dirige continuamente o olhar e o coração, para contemplá-lo, escutá-lo e nele beber das fontes da vida e da paz! Pois bem: é de Jesus que a Palavra santa hoje nos fala – de Jesus Bom Pastor!
Em Israel, pastores do povo eram seus dirigentes: reis, aristocracia, sacerdotes, escribas, profetas. Infelizmente, de modo freqüente, esses eram pastores maus e infiéis, pois não faziam o que era de se esperar de quem apascenta: não amavam o rebanho, dele não cuidavam, com ele não se preocupavam. Faziam como os políticos brasileiros de agora, esses mesmos que irão mostrar a cara lisa no programa eleitoral gratuito, enganando, mentindo e fazendo-se passar por bons, sem, no entanto, terem outra preocupação que o próprio bem-estar e os próprios poder e prestígio... Dos maus pastores, Santo Agostinho dizia que procuram somente o leite e a lã das ovelhas, sem com elas se preocuparem. O leite simboliza os bens materiais; a lã, o prestígio e os aplausos. Pobres ovelhas, o povo brasileiro, que mais uma vez serão assaltadas por cruéis ataques de pastores maus: mensaleiros, sanguessugas e gatunos de todos os níveis e especialidades. Que Deus ajude esse povo a discernir políticos de politiqueiros e os poucos preocupados com o bem comum, dos muitos ocupados com o próprio bem!
Contudo, não devemos esquecer de modo algum que os pastores do povo de Deus, que é a Igreja, são os ministros de Cristo: Bispos, padres e diáconos. A eles também o Senhor repreende neste hoje e a eles exorta a que se convertam e sejam pastores de verdade. Mas, quem é pastor de verdade na Igreja? Quem se deixa plasmar pelo verdadeiro Pastor, pelo único Pastor, aquele que é a própria justiça, a própria santidade de Deus: “Este é o nome com que o chamarão: ‘Senhor, nossa Justiça’”. Falamos de Jesus Cristo.
Ante os maus pastores da Israel, que infestaram todo o tempo do Antigo Testamento, o Senhor prometeu, da Casa de Davi, um novo pastor: “Eis que virão dias em que farei nascer um descendente de Davi; reinará e será sábio, fará valer a justiça e a retidão na terra”. Aqui Deus fala do Messias; e esse Messias é a própria presença de Deus apascentando o seu povo: “Eu reunirei o resto de minhas ovelhas de todos os países para onde forem expulsas, e as farei voltar a seus campos, e elas se reproduzirão e multiplicarão”. Eis, portanto: um messias, presença do próprio Deus, Pastor do seu povo, cuidador do seu rebanho... É precisamente assim que o evangelho de hoje nos apresenta Jesus: “Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas”. Que imagem sublime, que cena tão doce! Jesus cansado, pensando em algo tão humano, tão legítimo: um dia de descanso em companhia dos doze. E quando chega ao local escolhido para o merecido repouso, lá estava a multidão cansada e acabrunhada, sedenta de luz, sedenta de vida, sedenta de verdes pastagens, desorientada, como ovelhas sem pastor... E Jesus, Bom Pastor, esquece de si mesmo, deixa de lado seu cansaço e, cheio de compaixão, vai cuidar das ovelhas... Por isso mesmo, ele é o Pastor por excelência, o Belo, Perfeito, Pleno Pastor! Ele ama o rebanho, preocupa-se com ele, dele se compadece e por ele vai dando, derramando, diariamente, a própria vida. Nunca se viu Jesus poupar-se, nunca se testemunhou Jesus fazendo um milagre em benefício próprio, nunca se apanhou o Senhor buscando algum favor para si. Não! Toda a sua vida foi vida vivida para o rebanho por amor ao Pai, vida dada, vida doada, entregue de modo total... até a morte e morte de cruz. Tem razão São Paulo, quando diz aos Efésios, na segunda leitura de hoje: “Agora, em Cristo, vós que outrora estáveis longe, vos tornastes próximos, pelo sangue de Cristo. Ele, de fato é a nossa paz!” O Bom Pastor, entregando a vida pela humanidade, nos atraiu, abrindo um novo caminho, suscitando uma nova esperança para judeus e pagãos, reunindo-os todos no seu aconchego, no seu coração de Pastor, dando-nos a paz e fazendo de nós a sua Igreja!
Igreja aqui reunida, em torno deste Altar, tu nasceste da dedicação do teu Pastor; tu és fruto da sua vida entregue amorosa e dolorosamente! O Apóstolo afirma, de modo profundo e comovente que Cristo “quis reconciliá-los, judeus e pagãos, com Deus, ambos em um só corpo, por meio da cruz; assim ele destruiu em si mesmo a inimizade”. Prestai bem atenção: na carne de Cristo, no corpo ferido de Cristo, na vida dilacerada de Cristo, deu-se a nossa paz! – Ó Senhor Jesus, que tu mesmo, de corpo e alma, de sonho e de dor és o nosso repouso, és nossa segurança! Tu mesmo és a nossa paz! E quão alto foi o preço dessa paz! E tudo isso para que, no teu Santo Espírito, tivéssemos acesso Àquele a quem tu chamas de Pai, fonte de toda vida!
Tanto para nós, pastores, quanto para vós, ovelhas, o exemplo de Cristo é motivo de questionamento e chamado à conversão. Para nós, pastores, é forte apelo a que sejamos como ele, sejamos presença dele no meio do rebanho, tendo seus sentimentos, suas atitudes, participando de sua entrega total. Pastores que não apascentam em Cristo, que não vivem a vida de Cristo na carne de sua vida, não são pastores de fato; são maus pastores, ladrões e salteadores, como aqueles do Antigo Testamento. E para vós, ovelhas, que apelos o Bom Pastor hoje vos faz? Ele que se deu todo a vós como pastor, vos convida a que vos entregueis totalmente a ele como ovelhas. Como a ovelha do Salmo da Missa de hoje, que confia totalmente no seu pastor, ainda mesmo que passe pelo vale tenebroso, porque sabe que o pastor é fiel, que o pastor haverá de defendê-la, assim também nós, ovelhas do seu pasto, confiemo-nos ao Senhor, sigamo-lo, nele coloquemos a nossa existência. E que ele, cheio de amor e misericórdia, nos conduza às campinas verdejantes, nos faça descansar, restaure nossas forças, guie-nos no caminho mais seguro, nos prepare a mesa eucarística, unja-nos com o suave óleo do seu Espírito, faça transbordar a taça da nossa exultação e nos dê habitação na sua casa pelos tempos infinitos.
dom Henrique Soares da Costa
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Cristo, o verdadeiro pastor  que nos apascenta
O tema do Deus pastor e do Messias pastor é o fio condutor das leituras de hoje. Esse tema tão importante do Antigo Testamento é reinterpretado com frequência pelo Novo Testamento. O evangelho sintetiza no simbolismo do pastoreio as intensas atividades de Jesus junto ao povo e o cuidado com os discípulos. Totalmente entregue à tarefa de proclamar o reino de Deus, Jesus se dedica com intensidade ao cuidado do rebanho que o Pai lhe confiou. Cristo, o verdadeiro pastor, não se comporta como os líderes religiosos a quem o profeta Jeremias critica como maus pastores que não cuidaram do rebanho de Deus. A vocação ao pastoreio foi dada por Jesus aos seus seguidores, não é exclusiva da hierarquia da Igreja. Todos os cristãos são convidados a continuar a missão de Cristo e, para que isso seja possível, é necessário fixar os olhos nele, modelo e critério do pastor.
Evangelho: Mc. 6,30-34
A multidão era como ovelhas sem pastor
Os apóstolos que tinham sido enviados dois a dois se reuniram novamente a Jesus e contaram tudo o que tinham realizado. 
Como bom pastor, Jesus reúne suas ovelhas e as leva ao deserto para descansar. O deserto era o lugar onde o pastor costumava reunir suas ovelhas para restaurarem suas forças (cf. Sl. 23,23). A atitude de Jesus demonstra seu cuidado para com seus discípulos. Ele cuida com carinho e atenção de suas ovelhas, levando-as para um lugar propício, devido à vida fatigante que levam com ele em prol do anúncio do reino. Todos, em certo momento, precisam dirigir-se ao deserto para estar a sós com o Senhor, recuperar suas forças e, depois, retornar à missão de anunciar o reino.
Também a multidão percebeu a intenção de Jesus e o seguiu para fora da cidade. A multidão vinda de várias cidades evoca a promessa de que o Messias deveria reunir os judeus dispersos pelo mundo. E Jesus percebeu a carência profunda desse povo. Ele se compadeceu porque eram como ovelhas sem pastor, famintas da palavra de Deus. Os supostos pastores do povo, que deveriam alimentá-lo com a palavra de Deus, estavam sendo omissos nessa missão. 
O povo foi em busca de Jesus porque viu nele o verdadeiro pastor e encontrou nele o mesmo cuidado dedicado aos seus discípulos.
1ª leitura: Jr. 23,1-6
Ai dos pastores  que dispersam meu rebanho
Por meio de Jeremias, Deus condena a conduta dos maus pastores, os líderes religiosos daquela época. Em vez de reunir as ovelhas (o povo de Deus), dispersavam-nas. Em vez de cuidar delas, deixavam-nas perecer. Essas duas atividades principais do pastoreio, reunir as ovelhas e delas cuidar, estavam sendo negligenciadas pelos pastores do povo. Por isso Deus mesmo cuidará de suas ovelhas e as entregará a pastores mais dignos.
Além do simbolismo do pastor e do rebanho, o texto de Jeremias utiliza o símbolo do brotinho nascido de um tronco de árvore cortada. Esse brotinho representa o Messias, o rei pastor, sob cujo governo as ovelhas dispersas de Israel serão finalmente reunidas e poderão desfrutar de segurança, justiça e paz.
2ª leitura: Ef. 2,13-18
Reconciliados com Deus mediante a cruz
Ainda no quadro da salvação universal realizada por Deus por intermédio de Cristo, a segunda leitura nos lembra que, pela cruz, as ovelhas dispersas, não pertencentes ao povo de Israel, mas às outras nações, foram reunidas ao antigo povo de Deus. Israel bem como as demais nações foram reconciliados em Cristo e se tornaram amigos de Deus. Todos os seres humanos foram irmanados por meio de Jesus, todas as ovelhas foram reunidas em um só rebanho no Messias. Todos receberam um só Espírito. Tudo isso é o fruto da oferta da vida que Jesus fez a Deus por suas ovelhas.
Pistas para reflexão
– Lido com olhos cristãos, o salmo responsorial delineia a figura de Jesus, o bom pastor, e expressa a alegria dos fiéis: “O Senhor é meu pastor, nada me falta” (Sl. 23,1). Jesus é o pastor que cuidadosamente guarda seu rebanho, defende-o dos perigos, alimenta-o com a rica mesa de sua palavra e do seu Corpo e Sangue.
– É importante enfatizar na homilia a experiência existencial e profunda de cada cristão com o Cristo ressuscitado. A eucaristia já não pode ser entendida como uma obrigação do católico, mas como o momento em que Cristo reúne suas ovelhas, após os trabalhos e as lutas por um mundo melhor, para que possam restaurar suas forças e ser alimentadas por sua palavra e pelo pão eucarístico.
– Também é importante que as celebrações efetivamente proporcionem um encontro pessoal e comunitário com o Ressuscitado, em vez de serem rituais mecânicos e enfadonhos, em que o presidente da celebração pronuncia palavras vazias de espiritualidade e vida plena. Não esqueçamos a palavra de Jeremias: “Ai de vós, pastores, que dispersam e destroem as ovelhas”.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj
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Pastores, bom pastor, pastoral
Como é difícil, em nossos tempos, realizar uma verdadeira pastoral que leve as ovelhas a verdejantes prados! Muitas de nossas paróquias foram se esvaziando de pessoas e de entusiasmo por motivos que agora não vem ao caso examinar. Parece que, nas cidades grandes,  ficou muito difícil  “alimentar” uma comunidade de vida e de fé com expressões concretas de amor, de serviço e de benquerença. A impressão que se tem é que algumas paróquias  se preocupam quase que somente  com a questão do culto e dos sacramentos. Algumas. Não queremos ser injustos. Pobres pastores das comunidades locais… não sabem bem o que fazer… E enquanto isso as pessoas parecem ovelhas sem pastor…
“Ai dos pastores que deixam perder-se e dispersar-se o rebanho de minha pastagem…”. “Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram ovelhas sem pastor…”.
E hoje… e ontem… mais hoje… o que vemos? Há essas crianças que nascem sem  o respaldo de um uma família, numa casa onde não se fala do sacramento do matrimônio nem do pastor que dá a vida pelos seus. Vivem com colegas que não têm fé e vida cristã… e essas crianças e seus colegas… crescem sem ter uma pessoa que lhes diga as coisas essenciais da vida. Pode até ser que venham a fazer a primeira comunhão… Mas, isso nunca bastou!
Há esses casados que precisam trabalhar, lutar, comprar, vender… e não pertencem a um grupo de oração, a um círculo de aprofundamento conjugal. Não lhes sobra tempo. Talvez os pastores tenham certa dificuldade em lhes falar dos temas de  Igreja doméstica, de espiritualidade conjugal…  Há esses homens e mulheres da Igreja que conservaram apenas um certo cristianismo meio infantil, que aprenderam doutrinas no começo… sem terem tido ocasião de confrontar sua história pessoal com a fé…. Ovelhas sem pastor! Culpa dos padres? Culpa de quem? De ninguém e de muitos. Não temos tido a coragem de inventar o novo… e nossa pastoral, algumas vezes, se tornou seca, legalista, de cursos e não de uma paixão louca pelo Cristo.
Marcos, no evangelho hoje proclamado, dá a entender que Jesus e os apóstolos andavam assoberbados e quase estressados. Jesus mais de que depressa convida-os a descansar… a se retirarem para um lugar deserto. Na verdade havia tanta gente indo e vindo que Jesus e os seus não tinham tempo para comer.  E vão então para o outro lado do lago. E as pessoas correm atrás.  Quando o barco chegou as multidões já estavam lá… Nesse momento é que Jesus pronuncia a famosa frase que nos deixa pensativos:  “Jesus viu uma numerosa multidão e teve  compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor”.
Cristo é o bom Pastor previsto e predito  por Jeremias: “ Suscitarei para as ovelhas novos pastores que as apascentem; não sofrerão mais o medo e a angústia, nenhuma delas se perderá, diz o Senhor”.
frei Almir Ribeiro Guimarães
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A compaixão de Jesus, pastor messiânico
O evangelho esboça o quadro para a ação seguinte de Jesus, a multiplicação dos pães. Os discípulos voltam de seu “estágio pastoral”, contam tudo o que fizeram. E Je­sus, dando um exemplo para a Igreja futura, os convida a
descansar na sua presença, num lugar deserto (o deserto, em Mc e em muitas páginas da Bíblia, é o lugar onde Deus fala a seu povo). Mas aí acontece o inesperado: chegando ao lugar deserto, encontram uma multidão de gente, que acorreu por terra ao lugar aonde se dirigira o barco. Decepção no plano humano, mas hora da graça no plano de Deus. E então, Jesus tem compaixão da multidão, “porque eram como ovelhas sem pastor”. Esta breve frase de Mc. 6,34 evoca um mundo: toda a tradição bíblica acostumada a falar em Deus como o “Pastor de Israel” (cf. Is. 40,11), título dado também a Moisés (Is. 63,11), aos reis e, sobretudo, ao rei messiânico, anunciado por Jr, Ez. e Zc. Para quem sabe ler, significa que ele é o Pastor escatológico que chegou. Jesus, movido de compaixão (qualidade primordial de Deus: cf. Ex. 34,5-6) assume ser o pastor dessas ovelhas que não têm pastor, vindas de todos os lados para encontrá-lo (imagens de Ez. 34 e 36). Uma situação humana inesperada torna-se rea­lização da reunião escatológica do rebanho de Deus. Pela incansável “com-paixão” do Cristo, prepara-se a mesa para o banquete escatológico.
O simbolismo do pastor, no A.T., tem várias facetas. Nos textos clássicos de Jr, Ez e Zc encontramos a oposição entre o bom pastor (Deus ou seu enviado) e os maus pas­tores, que são os chefes de Israel e Judá (cf. festa de Cristo Rei/A). Que o significado do bom Pastor oscila entre Deus e seu enviado não é um problema para o leitor orien­tal: ele sabe que o pastor não é necessariamente o dono do rebanho; pode ser seu ho­mem de confiança. Em Sl. 23[22] (salmo responsorial), Jr. 23,1-3 (1ª leitura), Ez. 34,1-22, o pastor é Deus mesmo; em Jr. 23,4-6 e Ez. 34,23-24 e, sobretudo, em Zc. 9,14, trata-se de seu(s) enviado(s). O N.T. vê a realização desta figura em Jesus Cristo (Mc. 6,34; 14,27 cf. 16,7 e par; Jo 10, 1Pd. 2,25). A imagem do pastor nos lembra ainda a ter­nura descrita em Is. 40,11.
No presente contexto predomina o fato de reunir o rebanho: a reunião escatológica das tribos dispersas. Falar do Bom Pastor significa falar de unidade (cf. Jo 10). Neste sentido, a 2ª leitura de hoje vem sublinhar a mensagem da 1ª leitura e do evangelho. Enquanto em outros textos, por exemplo, Rm. 3,21-25, a idéia da reconciliação pelo sangue do Cristo – simbolismo cultual tomado do A.T. – se refere à reconciliação do homem com Deus, Ef. 2 a aplica à superação da divisão da humanidade, divisão entre “o povo” (Israel) e “as nações” (pagãs). Agora, em Cristo, os que estavam longe (os helenistas, a quem a carta é dirigida) aproximaram-se. Isso foi realizado pelo sangue de Cristo, isto é, por sua morte, que marcou o fim do sistema de justificação baseado na Lei judaica, até então parede divisória da humanidade (alusão à parede que confinava, no templo de Jerusalém, o “átrio dos gentios”). Ef retoma aqui um tema caro a Paulo: se Jesus foi condenado pela Lei, mas ressuscitou, quem foi condenado é a Lei (cf. Gl. 3,13-14). A Lei não mais separa os que pertencem a Cristo, sejam judeus, sejam gentios. Assim, Jesus anunciou a “paz” (o dom messiânico) aos de longe (os pagãos) e aos de perto (os judeus), linguagem que evoca a reunião escatológica presente também no simbolismo do pastor (cf. 1ª  leitura e evangelho).
Do conjunto destas leituras depreendemos uma idéia para ser meditada: a reconci­liação do homem com Deus o une com seus irmãos. Na prática, porém, o homem, mui­tas vezes, usa Deus para justificar discriminação, ódio, perseguição. De modo aberto, quando uma convicção religiosa se torna ideologia de combate. De modo velado, no coração do indivíduo, quando alguém se acha superior por razões religiosas. Jesus fez “dos dois um só povo”, “um só corpo”, o “homem novo”, “em si mesmo” (“linguagem corporativa”: a descendência está no patriarca, a comunidade no seu fundador). Este único corpo é, ao mesmo tempo, o do Cristo e o da comunidade constituída por ele. Ele veio a nós, dando-nos o poder de nos aproximar do Pai: movimento recíproco, cuja iniciativa está do lado da graça de Deus. Uma religião agressiva não é de Jesus Cristo. Este morreu, não para separar, mas para aproximar. Aquele que morreu por todos pode servir de pretexto para qualquer discriminação.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Urgência da missão
Naquele tempo, os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. Ele lhes disse: “Vinde sozinhos para um lugar deserto, e descansai um pouco”. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer. Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado. Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé, e chegaram lá antes deles. Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.
Comentário do Evangelho
Após o retorno da missão, os discípulos cansados da viagem, anseiam ficar a sós com Jesus, que os chama para ir a um lugar deserto, lugar de encontro com Deus, e é neste contexto que Ele muda seus planos. Há neste momento a decepção no plano humano, mas hora da graça no Plano de Deus. Os Apóstolos precisam estar junto Dele para restaurar suas forças físicas e espirituais, assim como ter tempo para suas orações, para a partilha de vida com o Mestre, e também a leitura da Palavra para conhecê-la, vivenciá-la no compromisso de discípulos.
Porém, muitas pessoas que viviam marginalizadas, e que ouviram o anúncio do Evangelho por Jesus ou pelos discípulos, procuravam estar sempre por perto, pois, tinham sede da liberdade e da vida que eles pregavam. E diante desse povo, carente e marginalizado pelas autoridades, que estão a Sua volta, Jesus assume acolhê-lo e alimentá-lo.
Embora os discípulos precisem ficar a sós com Jesus, Ele responde primeiro à maior necessidade da multidão que encontrou um lugar de refúgio entre eles.
Há uma grande diferença entre as atitudes dos chefes do poder que desprezam e condenam o povo, e as atitudes de Jesus que acolhe e mata a fome, libertando para a vida plena. Jesus mostra desta forma que o elemento fundamental de toda a sua obra é o serviço com humildade daqueles que seguem o Bom Pastor.
Jesus se esquece de si mesmo e se entrega ao cuidado do seu rebanho e ensina os discípulos a fazerem o mesmo. 
Marcos apresenta, neste texto, mais um sumário da missão de Jesus, agora também registrando o retorno dos apóstolos que haviam sido enviados. Estes sumários de missão, que indicam o bom andamento do ministério de Jesus, mostram Jesus cuidando de seus discípulos e em contato com as multidões carentes, atento às suas necessidades e procurando libertá-las de suas carências e opressões, dirigindo-lhes a palavra. Os Doze, que tinham sido enviados, retornam e contam a Jesus tudo o que fizeram e ensinaram. "Fazer e ensinar" é o próprio estilo de Jesus e sua proposta para a prática missionária. Marcos retoma, então, a observação de que o assédio da multidão não deixava tempo nem para comer (cf. 3,20). Jesus preocupa-se com a recuperação dos discípulos, em lugar que ofereça repouso, depois da fadiga da missão, na oração e na comunicação da palavra. O tema do "comer" prepara também o tema do "pão", que virá a seguir. O "barco" associado à missão é também utilizado para a busca do devido repouso. Marcos, com um texto expressivo, acentua a insistência da multidão: partindo de todas as cidades correram a pé e chegaram antes deles! E diante desta multidão excluída pela classe dirigente do sistema teocrático da Judéia, Jesus enche-se de terna compaixão. Marcos usa a palavra ochlós, que designa o grande número de excluídos e marginalizados, uma confusa maioria de anônimos que se diferenciam da classe dirigente. Eram pessoas prejudicadas pelo sistema político-religioso, tanto do templo de Jerusalém como do Império Romano, que agiam como "pastores que destroem e dispersam o rebanho da minha pastagem" (primeira leitura). Estas pessoas empobrecidas, excluídas das sinagogas e das elites sociais, buscam acolhida em Jesus, que, com sua palavra amorosa, dá-lhes esperança e ânimo. Ele é o bom pastor, que traz a paz e acolhe as multidões sem discriminar ninguém (segunda leitura).
padre Jaldemir Vitório
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Compaixão de Jesus por seu povo
Temos neste texto do evangelho de Marcos mais um sumário da missão de Jesus, que fecha a narrativa do retorno dos apóstolos que haviam sido enviados em missão e revela a intensa atividade de Jesus com os apóstolos, em seu ministério.
Os apóstolos, ao retornarem, contam tudo o que tinham feito e ensinado, identificados com a prática de Jesus. Na missão o ensino é acompanhado da ação libertadora e vivificante. Não há notícias detalhadas sobre o desenvolvimento desta missão, pois os evangelhos concentram-se na pessoa de Jesus, em seus atos e em seus ensinamentos.
Sendo solicitados pela multidão que chegava e saía, Jesus se preocupa com o repouso dos apóstolos. É necessário um tempo para "descansar" e "comer". É uma alusão ao recolhimento para a oração e o alimentar-se da palavra de Jesus. Ele, com seus discípulos, deslocam-se, então, de barco para um lugar deserto. Marcos, em estilo bem impressivo, narra que muitos que viram Jesus partir, e outros mais que se juntaram a estes, se antecipam, a pé, chegando antes de Jesus e seus discípulos, na margem onde desembarcaram. Encontrando a multidão carente que nele busca um sentido para a sua vida, Jesus enche-se de compaixão por ela.
Para indicar a multidão, Marcos usa uma palavra (ochlós) que designa o grande número de excluídos e marginalizados, uma confusa maioria de pessoas anônimas que se diferenciam da classe dirigente. Eram pessoas prejudicadas pelo sistema político-religioso, tanto do império romano como do Templo de Jerusalém, que agiam como "governantes e pastores que destroem e dispersam o rebanho da minha pastagem!", em um contexto bem semelhante ao vivido pelo profeta Jeremias (primeira leitura), que denunciava a injustiça e a opressão em seu tempo e colocava a esperança de Judá em um messias que reinaria com justiça. Estas pessoas empobrecidas, excluídas das sinagogas e das elites sociais, buscam acolhida em Jesus. Marcos, de maneira muito característica de seu estilo, destaca o sentimento de compaixão de Jesus pela multidão, realçando sua condição humana e seu amor divino.
Jesus é o bom pastor que acolhe as multidões, sem discriminar ninguém, unindo a todos na paz que é fruto do amor (segunda leitura). Ele se põe a ensinar. O ensino de Jesus, a ser comunicado na missão, não é um simples acúmulo de saber. É a revelação da face de Deus e de sua presença amorosa entre os pobres e excluídos, descartando a busca ambiciosa de dinheiro e de poder.
A palavra amorosa Jesus, dirigida aos excluídos e marginalizados, traz-lhes esperança e ânimo. Suas palavras não são princípios de uma doutrina, mas são uma comunicação de vida e amor. Sua prática é acompanhar suas palavras com gestos de libertação e dom da vida.
O ponto alto de seu ensinamento, destacado neste episódio, é a educação para a partilha, que será narrada em seguida.
José Raimundo Oliva
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A liturgia do 16º domingo do tempo comum dá-nos conta do amor e da solicitude de Deus pelas “ovelhas sem pastor”. Esse amor e essa solicitude traduzem-se, naturalmente, na oferta de vida nova e plena que Deus faz a todos os homens.
Na primeira leitura, pela voz do profeta Jeremias, Jahwéh condena os pastores indignos que usam o “rebanho” para satisfazer os seus próprios projetos pessoais; e, paralelamente, Deus anuncia que vai, Ele próprio, tomar conta do seu “rebanho”, assegurando-lhe a fecundidade e a vida em abundância, a paz, a tranquilidade e a salvação.
O Evangelho recorda-nos que a proposta salvadora e libertadora de Deus para os homens, apresentada em Jesus, é agora continuada pelos discípulos. Os discípulos de Jesus são – como Jesus o foi – as testemunhas do amor, da bondade e da solicitude de Deus por esses homens e mulheres que caminham pelo mundo perdidos e sem rumo, “como ovelhas sem pastor”. A missão dos discípulos tem, no entanto, de ter sempre Jesus como referência… Com frequência, os discípulos enviados ao mundo em missão devem vir ao encontro de Jesus, dialogar com Ele, escutar as suas propostas, elaborar com Ele os projetos de missão, confrontar o anúncio que apresentam com a Palavra de Jesus.
Na segunda leitura, Paulo fala aos cristãos da cidade de Éfeso da solicitude de Deus pelo seu Povo. Essa solicitude manifestou-se na entrega de Cristo, que deu a todos os homens, sem exceção, a possibilidade de integrarem a família de Deus. Reunidos na família de Deus, os discípulos de Jesus são agora irmãos, unidos pelo amor. Tudo o que é barreira, divisão, inimizade, ficou definitivamente superado.
1ª leitura: Jr. 23,1-6 - AMBIENTE
Jeremias, o profeta nascido em Anatot por volta de 650 a.C., exerceu a sua missão profética desde 627/626 a.C., até depois da destruição de Jerusalém pelos Babilônios (586 a.C.). O cenário da atividade do profeta é, em geral, o reino de Judá (e, sobretudo, a cidade de Jerusalém).
A primeira fase da pregação de Jeremias abrange parte do reinado de Josias. Este rei – preocupado em defender a identidade política e religiosa do Povo de Deus – leva a cabo uma impressionante reforma religiosa, destinada a banir do país os cultos aos deuses estrangeiros. A mensagem de Jeremias, neste período, traduz-se num constante apelo à conversão, à fidelidade a Jahwéh e à aliança.
No entanto, em 609 a.C., Josias é morto, em combate contra os egípcios. Joaquim sucede-lhe no trono. A segunda fase da atividade profética de Jeremias abrange o tempo de reinado de Joaquim (609-597 a.C.).
O reinado de Joaquim é um tempo de desgraça e de pecado para o Povo, e de incompreensão e sofrimento para Jeremias. Nesta fase, o profeta aparece a criticar as injustiças sociais (às vezes fomentadas pelo próprio rei) e a infidelidade religiosa (traduzida, sobretudo, na busca das alianças políticas: procurar a ajuda dos egípcios significava não confiar em Deus e, em contrapartida, colocar a esperança do Povo em exércitos estrangeiros). Jeremias está convencido de que Judá já ultrapassou todas as medidas e que está iminente uma invasão babilônica que castigará os pecados do Povo de Deus. É, sobretudo, isso que ele diz aos habitantes de Jerusalém… As previsões funestas de Jeremias concretizam-se: em 597 a.C., Nabucodonosor invade Judá e deporta para a Babilônia uma parte da população de Jerusalém.
No trono de Judá fica, então, Sedecias (597-586 a.C.). A terceira fase da missão profética de Jeremias desenrola-se, precisamente, durante este reinado.
Após alguns anos de calma submissão à Babilônia, Sedecias volta a experimentar a velha política das alianças com o Egito. Jeremias não está de acordo que se confie em exércitos estrangeiros mais do que em Jahwéh… Mas, nem o rei, nem os notáveis lhe prestam qualquer atenção à opinião do profeta. Considerado um amargo “profeta da desgraça”, Jeremias apenas consegue criar o vazio à sua volta.
Em 587 a.C., Nabucodonosor põe cerco a Jerusalém; no entanto, um exército egípcio vem em socorro de Judá e os babilônios retiram-se. Nesse momento de euforia nacional, Jeremias aparece a anunciar o recomeço do cerco e a destruição de Jerusalém (cf. Jr. 32,2-5). Acusado de traição, o profeta é encarcerado (cf. Jr. 37,11-16) e corre, inclusive, perigo de vida (cf. Jr. 38,11-13). Enquanto Jeremias continua a pregar a rendição, Nabucodonosor apossa-se, de fato, de Jerusalém, destrói a cidade e deporta a sua população para a Babilônia (586 a.C.).
O texto que nos é hoje proposto como primeira leitura faz referência a esses tempos de desnorte nacional, em que Judá, sem líderes capazes, já perdeu as referências e a esperança no futuro. No texto, Deus condena os “pastores” de Israel porque dispersaram as ovelhas do rebanho, o que parece aludir ao exílio na Babilônia. Provavelmente, este texto deve situar-se entre 597 e 586 a.C., no tempo que vai desde o primeiro exílio (após a primeira queda de Jerusalém – 597 a.C.) ao segundo exílio (após a segunda tomada de Jerusalém pelos babilônios – 586 a.C.).
O uso da imagem do “pastor” para falar dos líderes da nação é bastante frequente no Antigo Testamento. Aliás, a imagem adquiriu uma força especial na sequência de David, o pastor que Jahwéh ungiu e transformou em rei, encarregando-o de cuidar do rebanho do Povo de Deus.
MENSAGEM
O nosso texto começa com uma breve exposição da culpa: os “pastores” de Judá perderam, dispersaram, escorraçaram as ovelhas do Senhor, sem terem cuidado delas (vs. 1-2a). Cada um dos verbos utilizados faz referência a fatos concretos (bem recentes) da história de Judá. O aventureirismo, os interesses pessoais, as jogadas políticas, a inconsciência dos líderes trouxeram consequências funestas ao Povo, ao “rebanho” de Deus. Os líderes de Judá não procuraram servir o Povo, mas serviram-se do Povo para concretizar os seus objetivos pessoais. Ora, o “rebanho” não é propriedade dos “pastores”, mas do Senhor… Deus chamou-os a uma missão concreta, encarregou-os de cuidar do seu “rebanho” e eles, depois de terem aceite o compromisso, falharam totalmente.
Depois da culpa, vem a sentença: Deus vai “ocupar-se” desses maus pastores: vai castigá-los, pedir-lhes contas das suas más ações (v. 2b). Deus não está disposto a tolerar abusos de confiança, nem pode pactuar com líderes que exploram o “rebanho” em seu benefício próprio. Na perspectiva de Deus, trata-se de algo intolerável e que não pode ser deixado em claro.
Mas a intervenção de Deus não se fica pelo pedir contas aos maus líderes… O próprio Jahwéh vai intervir, no sentido de salvar o seu “rebanho”. A intervenção de Deus justifica-se pelo fato de se tratar do “rebanho” do Senhor e de Ele ter responsabilidades para com as suas ovelhas.
A intervenção de Deus vai desenvolver-se em três tempos, ou momentos… O primeiro é a repatriação dos exilados: as ovelhas serão devolvidas “às sua pastagens para que cresçam e se multipliquem” (v. 3). Para esta tarefa, Deus não conta com intermediários: Ele mesmo vai liderar o processo de libertação e de regresso dos exilados à terra.
O segundo momento da intervenção de Deus consiste na escolha de “pastores” exemplares (v. 4). A missão desses “pastores” será, simplesmente, “apascentar”. Isso implica, naturalmente, o cuidado, a solicitude, o amor, a ternura pelo rebanho… Esses pastores estarão, naturalmente, ao serviço do rebanho e não usarão o rebanho para concretizar os seus interesses pessoais. As “ovelhas” aprenderão a confiar nesse “pastor” que as ama e não terão mais “medo nem sobressalto”.
O terceiro momento da intervenção de Deus é projetado para um futuro sem data marcada. Promete a chegada de um “rebento justo” da dinastia de David (v. 5). A imagem tirada do reino vegetal (“rebento”) sugere fecundidade e vida em abundância, porque ele dará vida em abundância ao rebanho de Jahwéh. Ele assegurará “o direito e a justiça” e trará salvação e segurança ao Povo de Deus. O nome desse rei será “o Senhor é a nossa justiça” (v. 6), pois é Deus que o legitima e a sua missão será administrar a justiça que Deus quer. Garantindo a justiça, esse “pastor” irá trazer a harmonia, a paz, a tranquilidade, a salvação, a vida verdadeira ao Povo de Deus. Esta promessa com contornos messiânicos pretende anular a frustração e o desespero e inaugurar um tempo de esperança para o Povo de Deus.
ATUALIZAÇÃO
• Antes de mais, o nosso texto mostra a preocupação de Deus com a vida e a felicidade do seu Povo. Nos momentos conturbados da nossa história (coletiva ou pessoal) sentimo-nos, muitas vezes, órfãos, perdidos e abandonados ao sabor dos ventos e das marés… As catástrofes que afetam o mundo, os conflitos que dividem os povos, a miséria que toca a vida de tantos dos nossos irmãos, os perigos dos fundamentalismos, as mudanças vertiginosas que o mundo todos os dias sofre, a perda dos valores em que apostávamos, as novas e velhas doenças, as crises pessoais, os problemas laborais, as dificuldades familiares trazem-nos a consciência da nossa pequenez e impotência frente aos grandes desafios que o mundo hoje nos apresenta. Sentimo-nos, então, “ovelhas” sem rumo e sem destino, abandonadas à nossa sorte. Por vezes, no nosso desespero, apostamos em “pastores” humanos que, em lugar de nos conduzirem para a vida e para a felicidade, nos usam para satisfazer a sua ânsia de protagonismo e para realizar os seus projetos egoístas… A Palavra de Deus que nos é proposta neste domingo garante-nos que Deus é o “Pastor” que se preocupa conosco, que está atento a cada uma das suas “ovelhas”; Ele cuida das nossas necessidades e está permanentemente disposto a intervir na nossa história para nos conduzir por caminhos seguros e para nos oferecer a vida e a paz. É n’Ele que temos de apostar, é n’Ele que temos de confiar. Esta constatação deve ser, para todos os crentes, uma fonte de alegria, de esperança, de serenidade e de paz.
• As ameaças contra os maus pastores apresentadas neste texto de Jeremias talvez nos tenham levado a pensar nos líderes do mundo, nos nossos governantes e, talvez também, nos líderes da Igreja. Na verdade, a nossa história recente está cheia de situações em que as pessoas encarregadas de cuidar da comunidade humana usaram o “rebanho” em benefício próprio e magoaram, torturaram, roubaram, assassinaram, privaram de vida e de felicidade essas pessoas que Deus lhes confiou… De qualquer forma, este texto toca-nos a todos, pois todos somos, de alguma forma, responsáveis pelos irmãos que caminham conosco. Convida-nos a refletir sobre a forma como tratamos os irmãos, na família, na Igreja, no emprego, em qualquer lado… Recorda-nos que os irmãos que caminham conosco não estão ao serviço dos nossos interesses pessoais e que a nossa função é ajudar todos a encontrar a vida e a felicidade.
• O nosso texto faz referência a “um rei” que Deus vai enviar ao encontro do seu Povo e que governará com sabedoria e justiça. Jesus é a concretização desta promessa. Ele veio propor ao “rebanho” de Deus a vida plena e verdadeira… Como é que nós, as “ovelhas” a quem se destina a proposta de salvação que Deus nos faz em Jesus, acolhemos o que Ele nos veio dizer? As propostas de Jesus encontram eco na nossa vida? Estamos sempre dispostos a acolher as indicações e os valores que Ele nos apresenta?
2 leitura: Ef. 2,13-18 - AMBIENTE
A Carta aos Efésios é, provavelmente, um dos exemplares de uma “carta circular” enviada a várias Igrejas da Ásia Menor, numa altura em que Paulo está na prisão (em Roma? em Cesareia?). O seu portador é um tal Tíquico. Estamos por volta dos anos 58/60.
Alguns vêem nesta carta uma espécie de síntese da teologia paulina, numa altura em que Paulo sente ter terminado a sua missão apostólica na Ásia e não sabe exatamente o que o futuro próximo lhe reserva (recordemos que ele está, por esta altura, prisioneiro e não sabe como vai terminar o cativeiro).
O tema central da carta aos Efésios é aquilo a que Paulo chama “o mistério”: o desígnio (ou projeto) salvador de Deus, definido desde toda a eternidade, escondido durante séculos aos homens, revelado e concretizado plenamente em Jesus, comunicado aos apóstolos, desfraldado e dado a conhecer ao mundo na Igreja.
O texto que nos é aqui proposto integra a parte dogmática da carta. Depois de refletir sobre o papel de Cristo no projeto de salvação que Deus tem para os homens (cf. Ef. 2,1-10), Paulo refere-se à reconciliação operada por Cristo, que com a sua doação uniu judeus e pagãos num mesmo Povo (cf. Ef. 2,11-22).
MENSAGEM
Paulo dirige-se aos pagãos (“vós outrora longe de Deus” – v. 13) e explica-lhes que foi pelo sangue de Cristo que eles se aproximaram de Deus. Antes, eles adoravam os ídolos e tinham convicções religiosas; mas desconheciam o verdadeiro Deus e a sua proposta de salvação; agora, foram admitidos a fazer parte da família de Deus.
Além disso, a entrega de Cristo derrubou a tradicional barreira de inimizade que separava judeus e pagãos e fez de todos um único Povo. Os judeus, convencidos de que eram um Povo à parte, desprezavam os pagãos e não queriam qualquer contacto com eles; as suas leis pugnavam por uma rígida separação e interditavam o contacto com os outros povos. Os pagãos, por sua vez, nutriam um profundo desprezo pelos judeus, pela sua diferença, pela sua arrogância…
Ora, Cristo veio apresentar uma proposta de vida que é para todos, sem exceção. O que é decisivo, agora, não é a pertença a um determinado Povo, mas a forma como se responde à proposta de vida que Jesus faz. Responder positivamente à proposta de Cristo é passar a integrar a comunidade dos santos. A Lei de Moisés, com as suas prescrições e exigências (que, na prática, vedavam aos pagãos a possibilidade de integrar o Povo de Deus), fica anulada… Na nova economia da salvação, o que conta é a disponibilidade para acolher a vida que Deus oferece e ser Homem Novo.
Nasce, assim, um “corpo” que integra os mais diversos membros, pertencentes a todos os quadrantes da família humana. Todos aqueles que aceitaram integrar a comunidade de Jesus, sem diferenças de etnias, de raças, de cor da pele, de classes sociais ou culturais, pertencem à mesma família, a família de Deus. Todos – judeus e pagãos – são, agora, membros da comunidade trinitária do Pai (que oferece a vida), do Filho (que vem ao encontro dos homens para lhes comunicar a vida do Pai) e do Espírito (que mantém unidos os membros deste “corpo” entre si e com Deus.
ATUALIZAÇÃO
• O texto que nos é proposto tem, em pano de fundo, essa verdade fundamental que a liturgia nos recorda todos os domingos: Deus tem uma proposta de salvação para oferecer a todos os homens, sem exceção; e essa proposta tem como finalidade inserir-nos na família de Deus. A constatação de que para Deus não há distinções e todos são, igualmente, filhos amados – para além das possíveis diferenças rácicas, étnicas, sociais ou culturais – é algo que nos tranquiliza, que nos dá serenidade, esperança e paz. O nosso Deus é um pai que não marginaliza nenhum dos seus filhos; e, se tem alguma predileção, não é por aqueles que o mundo admira e endeusa, mas é pelos mais débeis, pelos mais fracos, pelos oprimidos, pelos que mais sofrem.
• O que é verdadeiramente importante, na perspectiva de Deus, não é a cor da pele, nem as capacidades intelectuais, nem as qualidades humanas, nem a pertença a determinada instituição política ou religiosa, nem os contributos (em dinheiro ou em obras) que se dão à Igreja; mas o que é decisivo é ter disponibilidade para acolher a vida que Ele oferece e para aderir à proposta de caminho que Ele faz. Estou sempre numa permanente atitude de escuta das propostas de Deus, ou vivo fechado a Deus e às suas indicações, num caminho de orgulho e de auto-suficiência? Para mim, o que é que significam as propostas de Deus? Elas influenciam as minhas opções, os meus valores, as minhas atitudes? A forma como eu me relaciono com todos os homens e mulheres que encontro nos caminhos deste mundo é coerente com essa proposta de vida que Deus me faz?
• A comunidade cristã é uma família de irmãos, que partilham a mesma fé e a mesma proposta de vida. É um “corpo”, formado por uma grande diversidade de membros, onde todos se sentem unidos em Cristo e entre si numa efetiva fraternidade. As nossas comunidades (cristãs ou religiosas) são, efetivamente, comunidades de irmãos que se amam, para além das diferenças legítimas que há entre os membros? Nas nossas comunidades todos os irmãos são acolhidos e amados, ou há irmãos considerados de segunda classe, marginalizados e maltratados? Eu, pessoalmente, como é que vejo esses irmãos na fé que caminham comigo? Perante as diferenças de perspectiva, como é que eu reajo: com respeito pela opinião do outro, ou com intolerância?
• No mundo de hoje o fenômeno da globalidade aproxima-nos dos outros homens que partilham conosco esta casa comum que é o mundo e torna-nos mais tolerantes para com as diferenças. Contudo, subsistem muros – alicerçados nas diferenças rácicas, políticas, religiosas, sociais, afetivas – que impedem uma total experiência de fraternidade universal. Na nossa vida pessoal e familiar, na nossa vida pessoal e na nossa experiência de caminhada comunitária, aparecem frequentemente muros que nos dividem, que impedem a comunicação, o encontro, a comunhão. Nós, os discípulos desse Cristo que veio reconciliar “judeus e gregos” e fazer de todos “um só povo”, temos o dever de dar testemunho da paz e da unidade e de lutar objetivamente contra todas as barreiras que separam os homens.
Evangelho: Mc. 6,30-34 - AMBIENTE
O Evangelho do passado domingo mostrava-nos Jesus a enviar os discípulos, dois a dois, para pregarem o arrependimento, expulsarem os demônios, ungirem e curarem os doentes (cf. Mc. 6,7-13). O anúncio que é confiado aos discípulos é o anúncio que Jesus fazia (o “Reino”); os gestos que os discípulos são convidados a fazer para anunciar o “Reino” são os mesmos que Jesus fez.
O Evangelho deste domingo apresenta-nos o regresso dos enviados de Jesus. Marcos chama-lhes, agora, “apóstolos” (enviados): é a única vez que a palavra aparece no Evangelho segundo Marcos. A missão correu bem e os “apóstolos” estão entusiasmados, mas naturalmente cansados.
Não há, no texto, qualquer indicação do lugar onde a cena se teria desenrolado.
MENSAGEM
O nosso texto começa com a narração do regresso dos discípulos que, entusiasmados, contam a Jesus a forma como se tinha desenrolado a missão que lhes fora confiada (v. 30). Na sequência, Jesus convida-os a irem com Ele para um lugar isolado e a descansarem um pouco (v. 31). Os discípulos foram, com Jesus, para um lugar deserto (v. 32); mas as multidões adivinharam para onde Jesus e os discípulos se dirigiam e chegaram primeiro (v. 33). Ao desembarcar, Jesus viu as pessoas, teve compaixão delas (“porque eram como ovelhas sem pastor”) e pôs-se a ensiná-las (v. 34).
O episódio, em si, é banal… No entanto, Marcos vai aproveitá-lo para desenvolver a sua catequese sobre o discipulado. A catequese apresentada por Marcos desenvolve-se à volta dos seguintes pontos:
1. Os apóstolos são os enviados de Jesus, chamados a continuar no mundo a missão de Jesus. Essa missão consiste em anunciar o Reino. Para a concretizar, os apóstolos convidam os homens que escutam a mensagem a mudarem a sua vida e a acolherem a proposta que Jesus lhes faz. Os gestos dos discípulos (“expulsaram demônios, curaram doentes” – Mc 6,13) anunciam esse mundo novo de homens livres e esse projeto de vida verdadeira e plena que Deus quer oferecer a todos os homens.
2. A referência à necessidade de os “apóstolos” descansarem (pois nem sequer tinham tempo para comer) pretende ser um aviso contra o ativismo exagerado, que destrói as forças do corpo e do espírito e leva, tantas vezes, a perder o sentido da missão.
3. Os “apóstolos” são convidados por Jesus a irem com Ele para um lugar isolado. Já dissemos, acima, que não se nomeia esse lugar: na realidade, o que interessa aqui não é o lugar geográfico, mas sim que esse “descanso” deve acontecer junto de Jesus. É ao lado de Jesus, escutando-O, dialogando com Ele, gozando da sua intimidade, que os discípulos recuperam as suas forças. Se os discípulos não confrontarem, frequentemente, os seus esquemas e projetos pastorais com Jesus e a sua Palavra, a missão redundará num fracasso.
4. Entretanto, as multidões tinham seguido Jesus e os discípulos a pé – quer dizer, deslocando-se à volta do Lago de Tiberíades, com o barco sempre à vista. Esta busca incansável e impaciente espelha, com algum dramatismo, a ânsia de vida que as pessoas sentem… Jesus, cheio de compaixão, compara a multidão a um rebanho sem pastor. Não é nos líderes religiosos ou políticos da nação que elas encontram segurança e esperança; não é nos ritos da religião tradicional que elas encontram paz e sentido para a vida… Mas é em Jesus e na sua proposta que as multidões encontram vida verdadeira e plena. Na sequência, Marcos vai narrar-nos a cena da multiplicação dos pães e dos peixes, que saciam a fome de cinco mil homens.
ATUALIZAÇÃO
• A proposta salvadora e libertadora de Deus para os homens, apresentada em Jesus, é agora continuada pelos discípulos. Os discípulos de Jesus são – como Jesus o foi – as testemunhas do amor, da bondade e da solicitude de Deus por esses homens e mulheres que caminham pelo mundo perdidos e sem rumo, “como ovelhas sem pastor”. As vítimas da economia global, os que são colocados à margem da sociedade e da vida, os estrangeiros que buscam noutro país condições dignas de vida e são empurrados de um lado para o outro, os doentes que não têm acesso a um sistema de saúde eficiente, os idosos abandonados pela família, as crianças que crescem nas ruas, aqueles que a vida magoou e que ainda não conseguiram sarar as suas feridas, encontram em cada um de nós, discípulos de Jesus, o amor, a bondade e a solicitude de Deus? Que fizemos com essa proposta de vida nova e de libertação que Jesus nos mandou testemunhar diante das “ovelhas sem pastor”?
• A missão dos discípulos não pode ser desligada de Jesus. Os discípulos devem, com frequência, reunir-se à volta de Jesus, dialogar com Ele, escutar os seus ensinamentos, confrontar permanentemente a pregação feita com a proposta de Jesus. Por vezes, os discípulos (verdadeiramente comovidos com a situação das “ovelhas sem pastor”) mergulham num ativismo descontrolado e acabam por perder as referências; deixam de ter tempo e disponibilidade para se encontrarem com Jesus, para confrontarem as suas opções e motivações com o projeto de Jesus… Por vezes, passam a “vender”, como verdade libertadora, soluções que são parciais e que geram dependência e escravidão (e que não vêm de Jesus); outras vezes, tornam-se funcionários eficientes, que resolvem problemas sociais pontuais, mas sem oferecerem às “ovelhas sem pastor” uma libertação verdadeira e global; outras, ainda, cansam-se e abandonam a atividade e o testemunho… Jesus é que dá sentido à missão do discípulo e que permite ao discípulo, tantas vezes fatigado e desanimado, voltar a descobrir o sentido das coisas e renovar o se empenho.
• A comoção de Jesus diante das “ovelhas sem pastor” é sinal da sua preocupação e do seu amor. Revela a sua sensibilidade e manifesta a sua solidariedade para com todos os sofredores. A comoção de Jesus convida-nos a sermos sensíveis às dores e necessidades dos nossos irmãos. Todo o homem é nosso irmão e tem direito a esperar de nós um gesto de bondade e de acolhimento. Não podemos ficar no nosso canto, comodamente instalados, com a consciência em paz (porque até já fomos à missa e rezamos as orações que a Igreja manda), a ver o nosso irmão a sofrer. O nosso coração tem de doer, a nossa consciência tem de questionar-nos, quando vimos um homem ou uma mulher (nem que seja um desconhecido, nem que seja um estrangeiro) ser magoado, explorado, ofendido, marginalizado, privado dos seus direitos e da sua dignidade. Um cristão é alguém que tem de sentir como seus os sofrimentos do irmão.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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“Teve compaixão porque eram como ovelhas sem pastor” (Mc. 6,34)
O tema central de nossa última reflexão (15) foi a missão. Vimos a missão do profeta Amós e a missão dos Apóstolos enviados por Jesus de dois em dois. Aprendemos que Jesus hoje nos chama a sermos discípulos-missionários. Então, não nos esqueçamos de levar o cajado da fé, as sandálias da esperança, o pão da palavra que alimenta e a túnica que cobre o necessitado.
O tema central da liturgia deste 16º domingo do tempo comum é a compaixão de Jesus. Os discípulos enviados no domingo passado, hoje estão retornando para junto de Jesus e empolgados com o resultado das tarefas apostólicas realizadas querem contar tudo com detalhes. Então Jesus disse: ”Vinde à parte para algum lugar mais tranqüilo e descansai um pouco”. Segundo relato do evangelista a situação do grupo não é nada tranqüila. Os trabalhos aumentam a cada dia. Vejamos.
A multidão percebeu que Jesus se retirou para encontrar os discípulos no outro lado do rio, certamente para fazer uma avaliação da missão com tranqüilidade. No entanto, o que Jesus viu ali, foi uma grande multidão, muitas pessoas se aglomerando em volta do Mestre. Então, Jesus teve compaixão do povo, porque era como ovelhas sem pastor. O texto ressalta com clareza que Jesus está atento às necessidades do povo e tem compaixão das multidões abandonadas sem voz e sem vez. Jesus atrai tanta gente, justamente pelo fato de irradiar compaixão e demonstrar de uma maneira concreta o amor compassivo de Deus. Ele sofre literalmente junto com esta gente abandonada por seus líderes políticos e religiosos. Desta compaixão que Jesus trazia no coração brotavam palavras cheias de ternura e de sabedoria. Sintonizado com a multidão, transmite muitos ensinamentos e realiza muitos sinais.
Sabemos que o Império Romano no tempo de Jesus só beneficiava uma minoria de privilegiados e a estrutura religiosa do Templo estava atrelada ao poder político. Vejamos o que diz o Senhor Deus através do profeta Jeremias na primeira leitura. “Vos dispersastes o meu rebanho e o afugentastes e não cuidastes dele” (Jr. 23,1-6). Jesus Cristo ontem, hoje e sempre, se compadece dos pobres, dos excluídos e abandonados pelos seus líderes. Jesus Cristo o pastor que nos conduz (Salmo 22) é nosso guia e nos defende em meio aos reveses e sobressaltos do dia a dia. Pense nisto e tenha uma semana abençoada. Acompanhe nossa reflexão semanal pelo site:
Pedro Scherer
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Como ovelhas sem pastor
As leituras deste Domingo (22/07/12) apresentam de novo a figura bíblica do pastor. Desta vez, porém, para criticar o modo de proceder dos maus pastores (1ª leitura) o qual provoca a compaixão e a misericórdia de Deus para com o seu povo por eles abandonado. Esta compaixão de Deus torna-se mais evidente na atitude de Jesus, renunciando a seu descanso para atender àquele povo desejoso de ouvir a sua palavra (evangelho). Desta forma Ele se apresenta como Bom Pastor (1ª leitura), fonte de reconciliação e de paz (2ª leitura) no caminho do bem ao encontro do Pai.
PALAVRA DE DEUS NA BÍBLIA
1ª LEITURA: Jeremias 23,1-6
O profeta Jeremias se refere aos reis, sacerdotes e profetas para condenar a atitude deles porque, em lugar de cuidar do povo como verdadeiros pastores, “espalharam e expulsaram minhas ovelhas e não se preocuparam com elas”. Por isso é Deus que vai cuidar agora do seu povo (suas ovelhas), colocando à frente dele verdadeiros “pastores que cuidem delas” para, no futuro, fazer “brotar para Davi um broto justo”, portador da justiça, o direito e a prudência. Será o Messias por Ele enviado.
À luz do Novo Testamento entendemos que o verdadeiro Messias (o Ungido do Senhor) é Jesus, descendente de Davi, que abriu para nós o caminho de uma nova vida. Ele reúne na sua Igreja o Povo de Deus disperso, a começar pelos mais fracos. Por isso será chamado «Javé (Deus), nossa justiça»;
Jesus cumpre a promessa de atender o rebanho de Deus e renova a critica aos maus pastores cujos interesses pessoais estão acima do serviço ao Povo de Deus. Crítica sempre atual que não poupa os padres, os bispos, os ministros e, também, os leigos dedicados às pastorais, pois a tarefa que o Senhor nos encomenda é grandiosa demais para não ser levada a bom termo com a seriedade e humildade necessárias.
2ª LEITURA: Efésios 2,13-18
Para o judaísmo a humanidade estava dividida em dois mundos: o mundo dos “eleitos” que, apesar de suas infidelidades, sempre seria o Povo de Deus, e o mundo dos “pagãos” que, apesar de suas boas obras, sempre estaria “longe de Deus”.
Paulo entende que a morte de Cristo derrubou o muro de separação que a Lei de Moisés colocara entre judeus e pagãos. Agora só existe um Pai para todos e uma casa comum, a comunidade de irmãos, a Igreja. Surge assim o novo Povo de Deus, que está aberto a todos os homens. De agora em diante, haverá “um homem novo”, “num só corpo” cuja cabeça é Cristo, formando um só povo e vivendo “num só Espírito”.
Para Paulo, a participação de judeus e pagãos dentro das comunidades que ele fundara como o único Povo de Deus é sinal concreto do “homem novo”. O projeto de unidade de Deus se realiza em Cristo que “é a nossa paz”. A mensagem de Cristo, levada à prática, fará cair todas as diferenças próprias das sociedades classistas porque o Espírito participa da obra de reconciliação.
EVANGELHO: Marcos 6,30-34
No Domingo passado contemplávamos Jesus enviando os discípulos em missão. Hoje vemos os discípulos voltar felizes e desejosos de contar ao Senhor tudo o que haviam realizado. Jesus aproveita a oportunidade para convidá-los a um merecido descanso e, ao mesmo tempo, ensiná-los a dedicar certos espaços para interiorizar e avaliar sua vida pessoal e sua ação apostólica.
Por isto os conduz a um “lugar deserto” que, na perspectiva bíblica, nada mais é do que um estado de ânimo, um modo de ficar a sós com Deus e consigo mesmos. O espaço interior necessário para encontrar o eixo da própria existência.
No entanto, aquele povo desejoso de ouvir Jesus não lhes deu sossego (“saíram de todas as cidades, correram na frente, a pé, e chegaram lá antes deles”) e quando chegaram ao lugar onde se dirigiam, lá estavam eles de novo. Isto foi demais para Jesus, que “teve compaixão” e, abandonando seus planos, “começou a ensinar”.
Nunca chegaremos a conhecer profundamente esse lado humano do Senhor. Marcos nos ajuda a aproximar-nos d'Ele e perceber a sua sensibilidade. Diante de tanta carência naquele povo, Jesus não sentiu a sua privacidade invadida nem se importou mais com o descanso d'Ele e dos discípulos. Com carinho e com paciência, começou novamente a evangelizar.
A palavra “compaixão”, que usa Marcos, só se aplica a Jesus no Evangelho. Significa uma comoção profunda como a que o levou, por exemplo, a ressuscitar o filho da viúva de Naim sem ela pedir nada (ver Lucas 7,11-17) ou a chorar no sepulcro de Lázaro antes de o ressuscitar (ver João 11, 28-36).
Sentir profundamente a necessidade dos outros, percebendo que eles estão “como ovelhas sem pastor”, é o primeiro passo para deixar-nos levar pelo Espírito de Jesus a fim de dedicar-nos aos outros e assumir uma verdadeira ação pastoral. O resto pode ser filantropia, colaboração, participação (o que, aliás, é muito bom), mas não pastoral (que é muito mais profundo e melhor).
A origem da palavra PASTORAL lembra o cuidado de Jesus, Bom Pastor, acolhendo e ensinando. Pastoral é praticar a compaixão (“padecer-com”), sentir na própria carne o problema, a carência ou a necessidade de alguém. Pastoral não é qualquer atividade, por boa que seja, mas aquela atividade que transforma as pessoas em gente conduzida por Deus. Para tanto é preciso que as pessoas que participam das pastorais numa comunidade eclesial tenham alma de pastor, atitudes de pastor, acolhimento, liderança, verdadeiro amor.
Se fazer pastoral é conduzir o povo pelo caminho de Deus, ela deve estar inspirada, não pela ânsia de poder ou pelo gosto de aparecer, mas pelo espírito de serviço. Jesus não quis apoderar-se do povo para si. Unicamente tentou levar o rebanho para o Pai.
Só isso. Ser pastor não tem nada a ver com auto-afirmação. É o carisma que nos leva a orientar o Povo de Deus para o Pai.
PALAVRA DE DEUS NA VIDA
Temos que reconhecer que o comportamento de Jesus para com aquele povo carente é bem outro do nosso comportamento nesta vida corrida, na qual, primeiro somos nós; depois ninguém e, se houver espaço, podemos até dedicar um pouco do nosso tempo aos outros. Compaixão, porém, é fundamental na convivência humana. Não se trata apenas de ter bons sentimentos. É mais do que isso: é ser capaz de colocar-se no lugar do outro para sentir seus problemas e poder ajuda-lo com nossa presença amiga. Se não tivermos a solução, bastará ouvir o irmão com paciência, dar atenção, ficar do seu lado. Isto é exercer a compaixão (padecer com alguém, sentir o problema do outro).
Por que Jesus “teve compaixão” daquele povo? Porque “estavam como ovelhas sem pastor”. Esse é o segredo..! Não se trata de esperar que alguém que precisa venha a nós para pedir ajuda. Ajudar, neste caso, é ser solidário. Certamente, é muito bom. Mas se quisermos mais, se quisermos imitar Cristo e sermos “pastores” de alguém, precisamos ter sensibilidade e capacidade de compaixão para descobrir onde se encontram as pessoas perdidas na vida que andam desorientadas, “como ovelhas sem pastor”. Seguindo o exemplo do Senhor, haveremos de renunciar ao nosso sossego para oferecer nosso ombro amigo e toda a ajuda que estiver ao nosso alcance.
PENSANDO BEM...
+ Se estivermos de olhos abertos para a realidade, poderemos descobrir pessoas que fogem dos seus problemas e se afundam no vicio; jovens sem orientação de vida que procuram a felicidade lá onde ela não está; gente com fome e sede, não só de pão, mas também de Deus; famílias desunidas; crianças abandonadas nas ruas... Será quer não conseguiremos perceber que são “como ovelhas sem pastor”?
+ Quem vai se colocar no lugar deles? Quem vai sentir o seu problema? Quem vai arriscar-se a perder seu tempo e seu sossego? Alguém poderia dizer que não faria isso nem por todo o dinheiro do mundo. Por dinheiro, não. Mas por amor a Deus e ao próximo, SIM. Se nós, cristãos, não fizermos isso, quem o fará, então?
Conselhos de um bom pastor
Qualquer que seja a tua condição de vida, não te deixes prender pelo cerco estreito de tua família.
Uma vez por todas adota a família humana.
Procura não sentir-te estranho em nenhuma parte do mundo.
Sê um homem em meio aos homens.
Que nenhum problema de qualquer povo te seja indiferente.
Vibra com as alegrias e as esperanças de cada grupo humano.
Faz teus os sofrimentos e as humilhações de teus irmãos de humanidade.
Vive a escala mundial, ou melhor, a escala universal.
(Dom Helder Câmara)
padre Ciriaco Madrigal
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"A sós com o Senhor..."
Sempre ouço uma crítica contundente em nossa Igreja, de que, “no dia em que Jesus voltar, não vai nos encontrar unidos, mas reunidos”. Há de fato um excesso de reuniões, as vezes sem pauta e nem assunto determinado, e o que é pior, sem horário para terminar, onde patina-se em assuntos pessoais, troca-se muitas farpas, seria necessário refletirmos sobre a qualidade de nossas reuniões, avaliando-se os resultados. Lembro-me da primeira vez em que fui convocado para uma reunião na igreja, isso já faz tempo, e senti-me muito importante, hoje o entusiasmo já não é tanto.
Pelo jeito, os apóstolos também gostavam de uma reunião, haviam sido enviados em missão, e no evangelho de hoje voltam para Jesus, querendo fazer uma reunião de avaliação, mas ao que parece, o Mestre não era muito chegado em reunião, pois assim que os apóstolos começaram a expor o relatório de tudo o que tinham feito, ele os convidou a irem para um lugar á parte: “Vamos descansar um pouco em um lugar á parte!” – Prestemos atenção nesse verbo, “descansar”, que tem muitos significados: descontrair, fazer algo diferente, jogar um pouco de conversa fora, dar boas risadas de coisas engraçadas que aconteceram na missão, rir dos próprios erros e enganos “Imagine Senhor, que eu por engano bati na porta de um ateu, e quando comecei a falar em teu nome, pensei que o homem ia ter um “saracotico”!, fico imaginando o grupo todo caindo na risada com aquele apóstolo distraído, e Jesus exclamando bem humorado “Mas você é uma anta mesmo!” e tome mais risada e até o sisudo Pedro quase se engasga de tanto rir, e me dirão os extremamente conservadores, que isso não está no evangelho, e nem precisaria.
Modéstia á parte, nossas reuniões de diáconos da diocese de Sorocaba, são um pouco assim, as vezes o Dirigente tem que dar um “breque” para acalmar os faladores e piadistas, e não pensem que os mais idosos não gostam, até eles fazem rodinhas para contar suas anedotas ou coisas engraçadas do seu ministério. Faz muito bem a alma, ao coração e à nossa “psique”, esses momentos de pura alegria por estarmos juntos, e graças a Deus, nossos irmãos maiores no ministério, os sacerdotes, estão resgatando esses encontros, com a valiosa ajuda da psicanálise, pois não se conhece arma mais poderosa do que o isolamento, para destruir por completo uma vocação, agente de pastoral que se isola dos demais, catequistas, ministros, padres e diáconos, começou a ficar sozinho, está dando “sopa” para a derrota e o fracasso na sua vocação, daí vêm certas tristezas, angústias e desvios de conduta, por falta de apoio.
Na correria dos trabalhos pastorais e ministérios, é preciso parar de vez em quando, e aqui há outro sentido belíssimo nessa reflexão, pois, descansar com o Senhor, significa abastecer-se, na intimidade da oração, no mistério da Eucaristia, onde Deus é um frágil pedacinho de pão, na palma da minha mão, ou ainda como Maria, irmã de Marta, sentar-se confortavelmente aos pés do Senhor, para ouvir a sua palavra. De que me adianta não ter tempo para mais nada, nem para mim mesmo, nem para os amigos, nem para a família, nem para comer, por conta de uma agenda lotadíssima de compromissos, se vou aos poucos me distanciando daquilo que é essencial?
O ativismo exacerbado das atividades pastorais e ministeriais começa a nos fazer sentir que somos Donos do Reino e da igreja, querendo nos colocar no centro das atenções, quando na verdade apenas trabalhamos para o Mestre Jesus, é ele quem nos envia, quem nos confia a missão, é portanto ele, que no “intervalo” do jogo, como fazem os técnicos de futebol, irá nos dar as instruções, fazer as correções necessárias, mostrando-nos a melhor estratégia para sermos bem sucedidos na missão.
Não tenho nenhuma dúvida que, sem essa intimidade dos bastidores, com Nosso Senhor, retirados em um lugar á parte, sem essa descontração com o grupo todo, que solidifica a amizade e o carinho entre os membros, qualificando as relações pessoais, corre-se o risco de estressar-se diante do volume de trabalho a ser feito na comunidade e na evangelização fora da Igreja, a multidão que temos que servir é muito grande, as pessoas buscam desesperadamente algo que o cristianismo tem de sobra, que é a esperança, presente na palavra da qual somos portadores.
Mas é perigoso esse “corre-corre” nos tornar insensíveis a dor, ao sofrimento e as necessidades das pessoas, tornando-nos profissionais da palavra, realizando trabalhos belíssimos e ações arrojadas, mas não movidos por essa COMPAIXÃO, que Jesus tem pelas pessoas que o procuram, mas apenas levados por nossos interesses mesquinhos, pela nossa vaidade, prepotência e arrogância, manifestando de vez em quando o nosso mau humor e azedume naquilo que fazemos, e de Agentes de Pastoral ou ministros da igreja, com essa característica, longe de atrair as pessoas, como o Mestre fazia, as vezes é melhor manter a devida distância, porque nunca se sabe em que hora que o “Rei ou a Rainha da Cocada”, vai dar o seu terrível “coice”, que magoa, machuca e gera tantas divisões e intrigas na comunidade, perdendo de vista a compaixão, vivida por Jesus.
diácono José da Cruz
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“Jesus sentiu compaixão, pois eram como ovelhas sem pastor”
Os dias passam como relâmpagos. Parece que ainda ontem estávamos juntos meditando o Evangelho dominical, e já estamos de volta. Ô vida agitada, sô! É uma paradinha rápida para as refeições e só. Mal temos tempo para descansar.
Pelo visto essa agitação toda não é exclusividade dos tempos modernos. No tempo de Jesus a coisa não era muito diferente; pelo menos para Ele e seus discípulos. As multidões não davam folga. Durante as vinte e quatro horas chegavam pessoas de todos os cantos, a procura da Palavra e de ajuda.
Jesus até que tentou amenizar o dia-a-dia dos seus apóstolos. Percebendo o olhar de fome, de cansaço, e talvez as bolhas nos pés, resultantes das caminhadas em missões, convidou-os para um merecido descanso.
No mesmo instante, subiram no barco e foram para um local deserto e afastado dali. Parecia que iriam descansar, mas não foi isso que aconteceu, milhares de pessoas os seguiram.
Já pensou se isso acontecesse conosco? Com tantos dias na semana, procurar nossa ajuda num dia de folga e bem na hora do almoço? Se fosse uma só pessoa, ela já não seria bem aceita, imagine então, aquele mundo de gente! Para mim e, quem sabe, para você, essa insistência chega a ser irritante.
Mas não foi esse o comportamento de Jesus, Ele não se irritou. Muito pelo contrário, ficou compadecido ao ver tanta gente esperando pelo atendimento, e aguardando uma palavra de conforto e de carinho. Ficar próximos de Jesus, era tudo o que queriam, era só o que precisavam.
Jesus comparou aquela multidão a ovelhas sem pastor. Perdidas, andando de um lado para o outro, sem destino e inseguras. Se o Bom Pastor é capaz de dar a vida por suas ovelhas, você acha que Ele não seria capaz de sacrificar seu horário de refeição por elas?
Jesus sabe muito bem qual é a sua missão. Em tempo integral está a serviço do Reino de Deus. Sua missão é guiar o povo pelos caminhos que conduzem ao Pai. Sabe da urgente necessidade de reaver suas ovelhas, quer acariciá-las e curar suas feridas.
Não tem dia, não tem hora e nem intervalo para refeição. Não existe hora de descanso para quem pretende cuidar e manter unido o rebanho. Mais vale um exemplo do que um milhão de palavras, esse foi o recado de Jesus quando deixou tudo para estar próximo dos necessitados. Só não entende sua mensagem quem não quer. E quem pretende ser seu discípulo, precisa imitá-lo.
O discípulo de Jesus tem que estar disponível e deve andar com o "lanche" na mochila. O evangelizador precisa aguçar o seu apetite; apetite para evangelizar. A oração é um excelente estimulante da fome e da sede, pois o verdadeiro apetite não é informado pelo cérebro, mas sim pelo coração.
A boa notícia de hoje é poder dizer que o discípulo que Jesus ama é um bem aventurado que sente fome de justiça e paz. É aquele que sente sede de unidade e de amor. Acredite no Mestre e todas suas necessidades serão saciadas.
Jorge Lorente
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A compaixão de Jesus
Os apóstolos reuniram-se a Jesus e contaram-lhe tudo o que tinham feito e ensinado. Ele disse: "Vinde vós, sozinhos, a um lugar deserto e descansai um pouco". Com efeito, os que chegavam e os que partiam eram tantos que não tinham tempo nem de comer. E foram de barco a um lugar deserto, afastado. Muitos, porém, os viram partir e, sabendo disso, de todas as cidades, correram para lá, a pé, e chegaram antes deles. Assim que Ele desembarcou, viu uma grande multidão e ficou tomado de compaixão por eles, pois estavam como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.
Os apóstolos reuniram-se em torno de Jesus e lhe contaram tudo o que haviam feito e ensinado (v. 30): os discípulos de Jesus são aqui chamados "apóstolos" pela primeira vez (e única) no evangelho de Marcos. Provavelmente isto se deve ao contexto da missão precedentemente apresentada pelo evangelista. Apóstolo, de fato, significa enviado, mensageiro (do verbo grego apostèllein, enviar, mandar). A expressão "tudo o que haviam feito e ensinado" designa o conteúdo da missão, que é concentrado, sobretudo, na pregação e nas curas. "Se reuniram com Jesus" é uma expressão que delineia um traço característico da fisionomia espiritual dos discípulos de Jesus no evangelho de Marcos. Estes são aqueles que estão com Jesus, vivem com Ele, operam com Ele e como Ele. O seu ponto de referência é sempre Jesus.
"Vamos sozinhos para algum lugar deserto" (v. 31): estas duas expressões querem designar as modalidades da formação espiritual concedida por Jesus aos discípulos. "Sozinhos" alude a uma condição em que, mais profundamente, consegue-se a compreensão do reino pregado por Jesus, uma compreensão não contaminada pelas esperas nacionalísticas da época. O "lugar deserto" retoma o deserto (seja exterior como interior) como lugar de silêncio e de contemplação, de purificação e de prova, de preparação para uma missão, de revisão de vida e de oração.
"E teve compaixão, porque eles estavam como ovelhas sem pastor" (v. 34): o verbo usado para exprimir a comoção de Jesus é o mesmo que na bíblia toda indica a compaixão, o amor profundo e materno de Deus por seu povo (o verbo grego splanchnizomai evoca o ventre materno, as vísceras da mãe, chamadas splanchna). Não se trata de uma simples emoção, mas de um sentimento profundo, forte e rico de intensidade. A expressão "estavam como ovelhas sem pastor" ressoa o texto de 1Reis 22,17 e ao mesmo tempo coloca em evidência a missão de Jesus e o significado das suas curas e de sua pregação, entendidas como conforto e salvação para a humanidade abandonada e dispersa pelo pecado.
Revista “O Mílite”
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Jesus tem compaixão do povo, ovelhas sem pastor.
No Antigo Testamento, os guias políticos e religiosos são apresentados com frequência como pastores e o povo como rebanho. A figura do chefe como pastor passou a existir a partir de Davi, o pastor convertido em rei. O rebanho não é propriedade dos pastores, mas do Senhor. Os pastores são seus representantes, por isso o próprio Deus tomará conta de suas ovelhas. O ofício dos chefes se perverteu e isto permitiu a dispersão e o extravio do rebanho. O rei Joaquim, com sua política desatinada, provocou a intervenção da Babilônia.  A expulsão mencionada parece referir-se à primeira deportação.
A intervenção do Senhor, justificada por tratar-se de seu rebanho, se desenvolve em três tempos: repatriação dos deportados, nomeação de pastores exemplares e ressonância escatológica. Passa-se dos pastores ao Pastor-Chefe, ao rei davídico, em quem os judeus põem sua confiança. Jeremias tinha consciência de que a desordem, a situação de injustiça e o afastamento que o povo suportava e sofria, se devia aos mandatários que não souberam governar em função do bem público, mas que governavam em função de seus próprios interesses pessoais e de classe, por isso fracassaram como governantes; daí a necessidade de Deus suscitar novos pastores.
Os povos viviam pedindo a mudança de situação cada vez que se apresentava a oportunidade de um novo governo. A esperança e a ilusão de que algum dia houvesse oportunidade para viver a justiça não terminava ainda que os fatos mostrassem que as situações continuavam iguais. Naquele momento, o problema de injustiça se havia tornado mais agudo, porque os dirigentes dos povos tinham que obedecer à ordem econômica internacional, ainda que houvesse esperança de encontrar saídas, por vontade política dos grandes dirigentes do mundo e principalmente de quem dirigia a economia mundial. Mais que nos tempos de Jeremias, mais que nos tempos de Jesus, hoje encontramos no mundo mais desordem, mais injustiça, mais exclusão. Que a palavra de Jeremias nos ajude a continuar crendo que é possível a prática da justiça.
O texto da segunda leitura parece ser uma inserção dentro da carta aos Efésios. Há diferenças na linguagem, nas ideias e na forma. Inserção em forma de hino sobre Cristo: a paz e a pessoa que nos traz a paz. Cristo derrubou o muro de divisão, fez dos dois âmbitos, judeu e gentio, um só e destruiu por de sua carne a inimizade. A lei, convertida em norma absoluta, converteu-se  em uma norma absoluta e trouxe como consequência o casuísmo e o legalismo; destruindo este caráter da lei, elimina-se a inimizade. 
A grande ação de Cristo, nossa paz, foi a eliminação da lei como dogma, como norma absoluta e suprema que separava Deus dos seres humanos, judeus e gentios. Se os chefes dispersam, Jesus tem capacidade de congregar e de acabar com tudo aquilo que separa e divide homens e mulheres. Coube a Paulo enfrentar o problema cultural na Igreja primitiva entre cristãos judaizantes e gentios e lutou até conseguir que os gentios fossem admitidos também dentro da comunidade cristã. O texto de hoje lembra que em Jesus Cristo desaparece todo antagonismo e toda situação de injustiça que faz com que homens e mulheres da mesma cultura e de culturas diferentes não se entendam entre si... O evangelho é uma mensagem de caráter universal, derruba os muros sociais, políticos, econômicos, culturais e irmana a todos, homens e mulheres.
O texto de Marcos diz que Jesus teve compaixão da multidão porque o povo andava como ovelhas sem pastor. Os discípulos chegaram de seu trabalho apostólico, contaram a Jesus tudo o que havia acontecido; Jesus então os convida a descansar em um lugar ermo, porém quando chegaram, foi impossível encontrar descanso porque uma grande multidão já estava no lugar esperando-os. Jesus compreendeu que era mais urgente atender a multidão que o alimento e o descanso.
Se Jeremias, em seu tempo, se queixa dos dirigentes políticos, muito mais aguda é a situação nos tempos de Jesus. Na época de Jesus, os chefes políticos e religiosos dispersavam cada vez mais o povo. O regime político, militar e econômico imposto por Roma era uma carga que pesava sobre o povo e que se tornava mais onerosa. Algumas pessoas faziam o jogo dos romanos, entre eles os saduceus, que administravam o Templo.
O rei e os cobradores de impostos eram nomeados por Roma e as forças militares romanas tinham sua força junto ao templo de Jerusalém. Essa situação, além de oprimir, ofendia a dignidade do povo. O dízimo ao templo e o regime tributário tornavam a vida do povo muito onerosa. A situação econômica era crítica.
A sociedade estava dividida e se atomizava cada vez mais em busca de solução ao problema do momento; uns acreditavam na força das armas, outros se isolavam e viviam como independentes. Esperava-se a irrupção de Deus a fim de que ele colocasse fim a essa situação e desse oportunidade ao povo de Israel. Por outro lado, depois da reconstrução do templo, ao regressar do exílio, as leis de purificação dominaram a religião judaica até convertê-la em um simples cumprimento de normas, atitude com a qual Jesus não acorda porque o sistema se havia desligado totalmente da vida, ausente de justiça, de amor e de misericórdia.
Em uma situação assim, há mais desorientação e confusão entre o povo, por isso Jesus é a alternativa de Deus nesse momento. Muitos se encontram marginalizados do templo, excluídos dele por não conseguirem cumprir as normas rituais de purificação. Quando ouvem Jesus falar, sentem-se  distantes dos caminhos de Deus e encontram nele o pastor que, em vez de dispersar, congrega e reúne. Por isso, enquanto os guias políticos e religiosos encontram tempo suficiente para descansar e se alimentar, Jesus e os seus têm que encontrar tempo para satisfazer necessidades vitais do povo.
Marcos reconhece que Jesus, movido pela compaixão de ver a multidão que andava como ovelha sem pastor, começa a ensinar. É a causa do Reino a que consome seu tempo e sua vida. Para isto é que veio, sua paixão e sua loucura é o Reino, em outra passagem do evangelho quando Maria e os familiares de Jesus ficam sabendo que não lhes sobre tempo sequer para se alimentar por causa dos trabalho do Reino, buscam-no porque crêem que está fora de si. Somente quem andou na vida motivado por uma causa assim entende essas atitudes de Jesus e não sente fome nem fadiga em fazer o que ele mesmo fazia.
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