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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 6 de julho de 2012

XIV DOMINGO DO TEMPO COMUM


DOMINGO DIA 08 DE JULHO

Comentários-Prof.Fernando


XIV DOMINGO DO TEMPO COMUM

(Marcos 6,1-6)

Introdução

        A concorrência e a competição fazem parte da convivência social. E em decorrência delas, temos a inveja, o jogo sujo,  o desprezo, entre outros processos psicológicos, geralmente contrários ao que Jesus nos ensinou. Aqueles que se julgam poderosos pelo poder material, desprezam os fracos, ou  que se parecem fracos. Pois se formos medir a força e a fraqueza baseando-nos na riqueza e na pobreza, realmente, os ricos são fortes e os pobres são fracos. Porém, se usarmos como base para medir a força e a fraqueza social os valores eternos e os valores passageiros, a coisa muda de figura.
        Eu posso possuir uma enorme fortuna na terra, porém posso ser pobre em se tratando do tesouro que eu não construí nos céus.   Além do mais, nada levarei para a outra vida. A minha fortuna é válida somente enquanto eu estiver nesta vida passageira. Eu posso usar e abusar dela, desfrutando de tudo que tenho direito, e  até humilhando os pobres. Porém, quando chegar a minha hora, nada mais restará para mim, tudo ficará para os outros, muitos dos quais nem me ajudaram a acumular tudo aquilo. Então chegarei diante do Juízo Final, de mãos completamente vazias...
        Paulo nos mostra que podemos ser humilhados, ignorados, desprezados, pelos ricos, e pelos poderosos da sociedade, pelo fato de sermos pobres, e principalmente pobres de espírito. Principalmente por não termos optado por uma vida baseada na ambição dos bens materiais.
        Porém, Paulo nos conforta e nos acalma, dizendo que: "Pois, quando eu me sinto fraco, é então que sou forte."
         No momento em que passa por nós um irmão dentro naquele carrão e nos humilha com atitudes, palavras  ou gestos, pelo fato de não sermos como ele, e por estarmos usando apenas e tão somente uma condução humilde, isso pode doer muito. Porém, ao lembrarmos do Evangelho e das palavras de Paulo, nos reequilibramos, e voltaremos ao normal.  Porque "é na fraqueza que a força se manifesta".  Sim, a força de Deus se manifesta em nós, principalmente nos momentos de fraqueza, coisa que não acontece com aqueles que apesar de possuírem tudo, ou quase tudo, fazem escárnio dos pobres em vez de matar a sua fome, para com  esse gesto construir um tesouro no céu.
        Por causa da fraqueza, os olhos do fraco estão sempre fitos no Senhor. Ao contrário, aquele que tem muito acha que não precisa de Deus. E seus olhos estão fitos nos seus bens.
        Tende piedade, ó Senhor, tende piedade dos humildes;
pois já é demais esse desprezo!  Os pobres estão fartos do escárnio dos ricaços e do desprezo dos soberbos! (Salmo).
        Irmão, soframos tudo com humildade, e oferecemos a Deus. Conformemo-nos com o que temos, e roguemos a  Deus por aqueles que nos perseguem, nos humilham, nos maltratam. Soframos tudo isso por amor a  Deus. Eis porque eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições nas angústias sofridas por amor a Cristo.
E não nos preocupamos, nem nos sentimos menos gente, e menos felizes, diante dos poderosos deste mundo.  "Pois, quando eu me sinto fraco, é então que sou forte."   Porque sabemos que Ele estará conosco até o fim dos tempos.
        O próprio Jesus foi ignorado, desprezado em sua terra.  Aqueles que só conheciam os poderes materiais terrenos, questionaram:
"De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres?... Aqueles que somente conheciam o poder terreno  passageiro e limitado, não tinham a capacidade de perceber o poder que vinha do alto e que estava NELE, E COM ELE! O poder de Jesus vinha do alto, porque a ele foi dado todo poder no céu e na terra. E Ele e o Pai eram um...
        Não obstante todo este poder, Jesus não ignorava os pobres. Pelo contrário, ele comia com os pecadores, com a mesma naturalidade que comia com os seus amigos. Ao contrário, os fariseus por se considerarem justos, desprezavam as demais pessoas.  Assim, os ricos por se julgarem todos poderosos, desprezam os demais que não são como eles, que não são do seu nível sócio-econômico.
        Jesus preferiu os humildes. "Eu não vim chamar os justos mais sim os pecadores" . E Jesus acrescentou que todo aquele que se considerar isento de salvação e ignorar Deus, estão cegos. Estão enganados, pois não obstante toda a nossa riqueza, se não formos caridosos, não chegaremos um dia a merecer a vida eterna.
        Senhor, tende piedade de todos nós. Ricos e pobres. Perdoa os nossos pecados e nos conduza para o caminho que nos levará um dia para vida eterna. Amém.
Salviano

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“Basta-te a minha graça” -  Claudinei M. Oliveira.

Domingo - feira, 08   de Julho de 2012.
Evangelho: Mc 6,1-6

            Na celebração deste domingo do Senhor voltemos para nossa fé e nosso compromisso com o anúncio da palavra da libertação. O reino de Deus está para ser construído através das forças daqueles que acreditam na mensagem do amor. Para tanto,  os filhos de Deus são mensurados a revelar os sinais da salvação na sua própria comunidade, mesmo que sejam retaliados pelos opositores.
            Para ter a certeza de que objetiva anunciar o reino da libertação na  íntegra , basta observar o testemunho fiel de Jesus em sua missão. Tanto que levou o discernimento para o homem que vivia na opressão, curava os males dos enfermos  e expulsava o demônio do corpo dos fracos. Jesus apresentou para o mundo em destruição o novo mundo da prosperidade, da justiça e do amor.
            Acontece que Jesus sofreu nas mãos dos opressores. Estes, por sua vez, não aceitaram a proposta da nova vida; enxergavam em Jesus obstáculos para seus privilégios e resolveram matar o Homem da verdade.
            Jesus morreu depois de apresentar para o homem perverso sua pedagogia desmistificadora. Suas palavras convergiam  em adesão pela sua proposta depois de mostrar o real sofrimento que o povo passava. Jesus foi insistente, mesmo sendo rejeitado pelos fariseus, doutores da Lei, escribas e até pelos próprios familiares  e amigos.
            Tudo isso demonstra exemplo a ser seguido pelo Mestre da vida e de novos projetos acolhedores. Ao conhecer a totalidade das ações  do Homem de Nazaré as forças aumentam, o equilíbrio aparece, o medo some e a vida floresce. Basta estar disposto para anunciar a nova vida da graça e da justiça.
            De certa forma aconteceu com o profeta Ezequiel. Teve a confiança do Senhor e foi ao encontro do povo desunido de Israel. Não amedrontou, mas assegurou a prática da palavra na intenção de aproximar os homens desonrosos de Israel; dar vivacidade e fazê-los acreditar no Senhor que prometeu estar presente em todas as circunstâncias.  Assim os filhos de cabeça dura e de coração de pedra tiveram a presença do profeta em missão. Ezequiel foi o enviado do Senhor com uma proposta: “fazer o povo desunido ouvir ou não sua palavra”.
            Diante disto os homens de cabeça dura e de coração de pedra ficaram sabendo que houve entre eles um profeta. Esta didática foi para mostrar para o povo de Israel que o Senhor não abandonou, mas permanece atento na intenção de ajudar.
            Estamos em outra realidade, noutro contexto e o povo ainda continua de cabeça dura e com o coração de pedra. São tantas mazelas acontecendo no seio da sociedade que parece não existir cristãos comprometidos com a renovação do Deus-Presente. Os homens de hoje lutam para crescer  o poder e  os privilégios, lutam-se entre si, matam-se por vingança ou por cobiça, ou seja, auto destroem-se. Entretanto, quando o profeta anuncia a paz, a concórdia, a solicitude e o bem-fazer, tratam logo de bani-lo do meio social. Esses homens não aceitam unilateralmente a presença de alguém que fale a verdade ou coloca uma meta a ser alcançada. Assim, o povo de Deus continua sofrendo por não acreditar no seu próprio profeta anunciador da libertação.
            Paulo também foi um grande anunciador da palavra de Deus e da doutrina da Santa Igreja. Sofreu perseguição, mas não se assoberbou pela extraordinária grandeza da revelação. Paulo foi um profeta anunciador em sua região e estendeu toda a vida na igreja nos lugares mais longínquos; não teve medo, pois se sentiu chamado para evangelizar na graça do Deus-vivo e benfeitor.
            Diante dos percalços no serviço missionário, Paulo teve momento de fraqueza. Chegou a rogar três vezes ao  Senhor que o afastasse, mas o Senhor disse a Paulo: “Basta-te a minha graça. Pois é na fraqueza que a força se manifesta”.
            Tanto Paulo quanto Ezequiel encontraram no Deus o necessário para refazer de suas fraquezas e, a partir da força do Senhor, puseram-se em caminhada da libertação.
            Mais uma vez o exemplo de Ezequiel e de Paulo aumenta a vontade de lutar na construção do Reino novo da justiça. Nada pode impedir que o missionário leve a percepção para uma comunidade que ainda não encontrou o verdadeiro caminho da salvação.
            Já no Evangelho de Marcos, Jesus é maltratado pela sua própria comunidade de patriotas, não porque sabia de mais e tinha bom discurso renovador, mas porque era daquela comunidade pobre. Jesus foi rejeitado pelos amigos por não acreditar que poderia trazer algo novo, ou seja, disseram: como pode um homem que nasceu aqui no nosso meio, tinha uma vida pobre, sua família ainda vive na miséria, agora chega trazendo palavras bonitas? Como isso pode acontecer? Deveríamos estar esperando alguém importante de Jerusalém? Eles sim merecem nosso respeito! Agora, este pé rapado, pobretão não pode continuar pregando no templo! Fora daqui!
            Jesus sofreu esta perseguição verbal por pertencer a família pobre, sem tradição cultural, ou por ser um nazareno igual tantos moribundos.
            Entretanto, Jesus entrou na sinagoga e fez valer a palavra da justiça. Falou diante de seus irmãos o necessário para sair da situação de miséria. Jesus colocou para o povo  toda a injustiça sofrida e que estava na hora de construir novas realidades  de acordo com  a situação.
            O profeta missionário deve alertar a comunidade de todos os males que assolam para não continuar inflando de glórias. Os homens devem estar atentos para ação dos opressores. Às vezes, a sutiliza da opressão não permite que estes enxerguem as causas da destruição; porém, permanecem cegos para a realidade e ideologicamente alienados na pedagogia do opressor. Como escapar desta situação? Como superar as mazelas? Como projetar novos sentidos para a vida? Culturalmente fica complicado dar uma resposta para tais indagações, mas o profeta missionário, mesmo contrariando as forças opositoras, deve anunciar a verdade para este povo sofredor.
            Portanto, basta à graça do Senhor para continuar firme na fé e na esperança de levar um comunicado da libertação  para a comunidade que seja eficaz. A comunidade do povo de Deus não pode permanecer com a cabeça dura e com o coração de pedra, deve sim, compreender os ensinamentos  da salvação e acreditar no profeta missionário local. Esperamos que a nossa cabeça não seja dura e que o coração seja acolhedor para a mensagem da vida. Amém!
            Claudinei M. Oliveira

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“Basta-te a minha graça” -  Claudinei M. Oliveira.

Domingo - feira, 08   de Julho de 2012.
Evangelho: Mc 6,1-6

            Na celebração deste domingo do Senhor voltemos para nossa fé e nosso compromisso com o anúncio da palavra da libertação. O reino de Deus está para ser construído através das forças daqueles que acreditam na mensagem do amor. Para tanto,  os filhos de Deus são mensurados a revelar os sinais da salvação na sua própria comunidade, mesmo que sejam retaliados pelos opositores.
            Para ter a certeza de que objetiva anunciar o reino da libertação na  íntegra , basta observar o testemunho fiel de Jesus em sua missão. Tanto que levou o discernimento para o homem que vivia na opressão, curava os males dos enfermos  e expulsava o demônio do corpo dos fracos. Jesus apresentou para o mundo em destruição o novo mundo da prosperidade, da justiça e do amor.
            Acontece que Jesus sofreu nas mãos dos opressores. Estes, por sua vez, não aceitaram a proposta da nova vida; enxergavam em Jesus obstáculos para seus privilégios e resolveram matar o Homem da verdade.
            Jesus morreu depois de apresentar para o homem perverso sua pedagogia desmistificadora. Suas palavras convergiam  em adesão pela sua proposta depois de mostrar o real sofrimento que o povo passava. Jesus foi insistente, mesmo sendo rejeitado pelos fariseus, doutores da Lei, escribas e até pelos próprios familiares  e amigos.
            Tudo isso demonstra exemplo a ser seguido pelo Mestre da vida e de novos projetos acolhedores. Ao conhecer a totalidade das ações  do Homem de Nazaré as forças aumentam, o equilíbrio aparece, o medo some e a vida floresce. Basta estar disposto para anunciar a nova vida da graça e da justiça.
            De certa forma aconteceu com o profeta Ezequiel. Teve a confiança do Senhor e foi ao encontro do povo desunido de Israel. Não amedrontou, mas assegurou a prática da palavra na intenção de aproximar os homens desonrosos de Israel; dar vivacidade e fazê-los acreditar no Senhor que prometeu estar presente em todas as circunstâncias.  Assim os filhos de cabeça dura e de coração de pedra tiveram a presença do profeta em missão. Ezequiel foi o enviado do Senhor com uma proposta: “fazer o povo desunido ouvir ou não sua palavra”.
            Diante disto os homens de cabeça dura e de coração de pedra ficaram sabendo que houve entre eles um profeta. Esta didática foi para mostrar para o povo de Israel que o Senhor não abandonou, mas permanece atento na intenção de ajudar.
            Estamos em outra realidade, noutro contexto e o povo ainda continua de cabeça dura e com o coração de pedra. São tantas mazelas acontecendo no seio da sociedade que parece não existir cristãos comprometidos com a renovação do Deus-Presente. Os homens de hoje lutam para crescer  o poder e  os privilégios, lutam-se entre si, matam-se por vingança ou por cobiça, ou seja, auto destroem-se. Entretanto, quando o profeta anuncia a paz, a concórdia, a solicitude e o bem-fazer, tratam logo de bani-lo do meio social. Esses homens não aceitam unilateralmente a presença de alguém que fale a verdade ou coloca uma meta a ser alcançada. Assim, o povo de Deus continua sofrendo por não acreditar no seu próprio profeta anunciador da libertação.
            Paulo também foi um grande anunciador da palavra de Deus e da doutrina da Santa Igreja. Sofreu perseguição, mas não se assoberbou pela extraordinária grandeza da revelação. Paulo foi um profeta anunciador em sua região e estendeu toda a vida na igreja nos lugares mais longínquos; não teve medo, pois se sentiu chamado para evangelizar na graça do Deus-vivo e benfeitor.
            Diante dos percalços no serviço missionário, Paulo teve momento de fraqueza. Chegou a rogar três vezes ao  Senhor que o afastasse, mas o Senhor disse a Paulo: “Basta-te a minha graça. Pois é na fraqueza que a força se manifesta”.
            Tanto Paulo quanto Ezequiel encontraram no Deus o necessário para refazer de suas fraquezas e, a partir da força do Senhor, puseram-se em caminhada da libertação.
            Mais uma vez o exemplo de Ezequiel e de Paulo aumenta a vontade de lutar na construção do Reino novo da justiça. Nada pode impedir que o missionário leve a percepção para uma comunidade que ainda não encontrou o verdadeiro caminho da salvação.
            Já no Evangelho de Marcos, Jesus é maltratado pela sua própria comunidade de patriotas, não porque sabia de mais e tinha bom discurso renovador, mas porque era daquela comunidade pobre. Jesus foi rejeitado pelos amigos por não acreditar que poderia trazer algo novo, ou seja, disseram: como pode um homem que nasceu aqui no nosso meio, tinha uma vida pobre, sua família ainda vive na miséria, agora chega trazendo palavras bonitas? Como isso pode acontecer? Deveríamos estar esperando alguém importante de Jerusalém? Eles sim merecem nosso respeito! Agora, este pé rapado, pobretão não pode continuar pregando no templo! Fora daqui!
            Jesus sofreu esta perseguição verbal por pertencer a família pobre, sem tradição cultural, ou por ser um nazareno igual tantos moribundos.
            Entretanto, Jesus entrou na sinagoga e fez valer a palavra da justiça. Falou diante de seus irmãos o necessário para sair da situação de miséria. Jesus colocou para o povo  toda a injustiça sofrida e que estava na hora de construir novas realidades  de acordo com  a situação.
            O profeta missionário deve alertar a comunidade de todos os males que assolam para não continuar inflando de glórias. Os homens devem estar atentos para ação dos opressores. Às vezes, a sutiliza da opressão não permite que estes enxerguem as causas da destruição; porém, permanecem cegos para a realidade e ideologicamente alienados na pedagogia do opressor. Como escapar desta situação? Como superar as mazelas? Como projetar novos sentidos para a vida? Culturalmente fica complicado dar uma resposta para tais indagações, mas o profeta missionário, mesmo contrariando as forças opositoras, deve anunciar a verdade para este povo sofredor.
            Portanto, basta à graça do Senhor para continuar firme na fé e na esperança de levar um comunicado da libertação  para a comunidade que seja eficaz. A comunidade do povo de Deus não pode permanecer com a cabeça dura e com o coração de pedra, deve sim, compreender os ensinamentos  da salvação e acreditar no profeta missionário local. Esperamos que a nossa cabeça não seja dura e que o coração seja acolhedor para a mensagem da vida. Amém!
            Claudinei M. Oliveira

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DOMINGO, DIA 08 DE JULHO
Mc 6,1-6

Um profeta só não é estimado em sua pátria.

Jesus foi rejeitado em Nazaré, porque era de lá, e todos o conheciam desde criança, e também a sua família. Nós também frequentemente fazemos esse pecado de rejeitar nossos líderes cristãos locais e valorizar mais os que vêm de fora.
“Jesus se admirou da incredulidade deles, e “ali não pôde fazer milagre algum.” A graça de Deus depende da nossa abertura a ela e da nossa fé.
Os chefes judeus eram divididos em três grupos: fariseus, saduceus e sacerdotes. Os fariseus colocavam sua segurança na Lei. Os saduceus colocavam sua segurança no dinheiro; eram todos latifundiários. E os sacerdotes colocavam a sua segurança no culto. Assim, nenhum deles precisava de profetas. O pior é que essas mesmas tentações estão nos rodeando o tempo todo!
“Esse povo me procura só de palavra, honra-me apenas com a boca, enquanto o coração está longe de mim. Seu temor para comigo é feito de obrigações tradicionais e rotineiras” (Is 29,13). “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15,8).
“Na sua boca, tu (Senhor) estás presente, mas longe do coração” (Jr 12,2).
“Jesus admirou-se com a falta de fé deles.” A rejeição a um líder, só porque é da própria cidade ou bairro, é sinal de falta de fé. Pensando bem, é até preferível um líder cristão local, porque nos conhece, para falar o que precisamos ouvir, e porque nós o conhecemos e unimos às suas palavras o seu exemplo de vida. Também porque possibilita a continuidade na evangelização, já que o líder está sempre presente ali.
Entretanto, na maioria das vezes a rejeição não é ao líder, mas à sua mensagem. Se o profeta falasse o que o povo quer ouvir, ninguém o atacaria. É mais fácil destruir o mensageiro do que acolher a mensagem.
“Eles roubam, matam... e depois se apresentam diante de mim no Templo, dizendo: estamos salvos” (Is 1,11-15).
Se os destinatários do líder fossem santos, não precisariam dele. Por isso, o líder deve continuar firme, confiando em Deus que sempre o protegerá. “Se, quando éramos pecadores, fomos reconciliados com Deus, muito mais agora, redimidos, seremos salvos” (Rm 5,10). Vamos imitar a Deus, amando os pecadores.
O profeta tem o dom de falar a palavra certa, na hora certa, para a pessoa certa e do jeito certo. O profeta tem o dom de tocar na ferida, isto é, falar aquilo que precisamos ouvir, não o que queremos ouvir. Por isso a sua palavra às vezes dói em nossos ouvidos, mas nos liberta e nos faz felizes.
O profeta não se preocupa em agradar os ouvintes, mas em levá-los à conversão e à felicidade plena. Ele tira todas as nossas seguranças e apoios. Ficamos como Pedro andando sobre as águas.
Há muitos modos de perseguir um profeta ou líder: “Gelá-lo”; exagerar os seus pontos fracos; torcer as suas falas, jogando-os contra o povo.
Recebemos no batismo, e principalmente na crisma, a missão de sermos profetas. Nós a exercemos, ou não, todos os dias em nossos relacionamentos, palavras e atitudes.
Certa vez, um professor mandou um aluno conjugar o verbo amar. Ele conjugou direitinho, no presente, no passado e no futuro. Ganhou nota dez.
Na hora do recreio, aquele aluno brigou com um colega sem motivo e o xingou de palavrão. O professor ficou sabendo e, depois do recreio, lhe disse: “Vou diminuir a sua nota. Você conjuga bem o verbo amar, mas não o pratica”.
Quantas vezes nós fazemos isso, falando uma coisa e vivendo outra!
Maria Santíssima é Rainha dos profetas. Ela testemunhou a verdade com atitudes e com palavras, especialmente no hino Magnificat. Que ela ajude a nós, seus filhos e filhas, a cumprir bem a nossa missão de profetas.
Um profeta só não é estimado em sua pátria.

Padre Queiroz


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Domingo 8

Marcos 6,1-6
Deus é simples e a simplicidade de Deus escandaliza as pessoas -  Maria Regina.

                                 Jesus foi a Nazaré, Sua terra, onde morava Sua família e ensinava na sinagoga. O povo admirava-se da Sua sabedoria, mas desconfiava das Suas palavras e até dos milagres que Ele realizava. Por isso, Ele não pôde fazer milagre algum na Sua terra, pois o povo não acreditava que Ele, o simples filho do carpinteiro, tivesse tanta sabedoria. Deus é simples e a simplicidade de Deus escandaliza as pessoas. A maneira como Ele opera os Seus planos, também nos deixa confusos. Esperamos “grandes coisas”, “grandes acontecimentos” e o Senhor nos fala e orienta na simplicidade dos nossos corações.
                                 Por que não olhamos com os olhos da Fé, os milagres também são difíceis de acontecerem na nossa vida. Necessitamos do extraordinário e temos planos complicados que vêm dos nossos desejos humanos, não trabalhamos o nosso ser espiritual para perceber os gestos simples. Não acreditamos nos planos de Deus e principalmente o que Ele deseja realizar através de coisas e de pessoas simples. Ainda hoje, nós também damos pouco valor às pessoas que estão muito próximas de nós, principalmente àquelas que são humildes e simples. Acostumamo-nos a conviver com elas e não percebemos que elas são instrumentos de Deus para o nosso crescimento e até para o nosso livramento.
                              Muitos milagres poderiam acontecer no nosso meio se déssemos atenção àqueles  que são instrumentos de Deus para nós. Não entendemos o porquê que alguém, mesmo simples e humilde, possa ao mesmo tempo ser sábio aos olhos de Deus. Confundimos a sabedoria que vem de Deus com o conhecimento que o mundo dá. Jesus, o Salvador visitou a sua casa, mas os Seus não O reconheceram. Assim também, Jesus Salvador, visita a nossa casa, o nosso coração. Está dentro de nós e mora conosco, está ao nosso alcance e nós achamos que só vamos encontrá-Lo La fora. Procuramos longe Aquele que está tão perto de nós e quer fazer maravilhas na nossa vida.
                                   Somos chamados , então a refletir: as coisas simples nos incomodam ou atraem? – Valorizamos as pessoas da nossa casa quando nos dão algum conselho? – Na nossa casa também os profetas não são bem recebidos por nós? – A quem estamos valorizando, o que nos prende a atenção e a que nós estamos dando importância: às coisas simples do alto, ou às coisas complicadas de baixo?
amém
abraço carinhoso de
– Maria Regina.

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14º DOMINGO DO TC  08/07/2012
1ª Leitura Ezequiel 2, 2-5
Salmo 122 (123) “Nossos olhos estão voltados para o Senhor, nosso Deus, esperando que ele tenha piedade de nós”
2ª Leitura 2 Cor 12, 7-10
Evangelho Marcos 6, 1-6
- "NAZARÉ DAS NOSSAS ILUSÕES" – DIAC. JOSÉ DA CRUZ
É bonito quando vemos alguém famoso causando admiração, outro dia em uma festa de casamento, que acontecia em um belo salão, adentrou um artista de grande talento, contratado pela noiva, representando o Elvis Presley e era de se espantar em ver como os seus trejeitos, lembravam realmente o rei do rock, todos os convidados se aproximaram para umas fotos, as mulheres queriam acompanhá-lo na dança ousada, e até os homens se admiravam e a sua presença inusitada, surpreendeu a todos.
Quando Jesus chegou a sua “terrinha” de Nazaré, acompanhado dos discípulos, deve ter causado um verdadeiro “rebuliço”, pois a fama de suas pregações e milagres já tinha chegado por ali, e no sábado, como todo piedoso judeu, foi á celebração da palavra da comunidade, onde qualquer pessoa adulta poderia partilhar o ensinamento sobre a Palavra e Jesus, usando desse direito, começou a pregar á sua gente fazendo a homilia.
O povinho da terra nunca tinha ouvido uma pregação feita com tanta sabedoria, que superava o ensinamento dos Mestres da Lei e Fariseus, imaginemos que na comunidade, algum ministro da palavra pregue melhor do que o padre... E com o estudo teológico acessível aos leigos, isso hoje não seria novidade. Aquilo que causa muita admiração, também logo acabará despertando inveja e ciúmes. Basta que olhemos para os nossos trabalhos pastorais, onde o carisma das pessoas não deveria jamais perturbar o coração de ninguém, ao contrário, deveria motivar um hino de louvor, por Deus ter dado a alguém um carisma tão belo, colocado a serviço da comunidade. Mas logo surgem os questionamentos maldosos: Como é que ele faz isso? Onde aprendeu? Quem o ensinou, de onde é que vem todo esse saber? Será que o padre o autorizou? (esta última coloquei por minha conta) E a admiração, contaminada por sentimentos de inveja, vai logo se transformando em desconfiança aumentando o questionamento: “Quem ele pensa que é, para falar assim com a gente? Será que ele não se enxerga? E ainda tem gente que o aplaude...” Os que não gostam muito do padre, logo vão afirmar que o sujeito faz parte da sua “panelinha”, ou então, irão inventar alguma coisa para que o padre “corte a asinha” do tal.
Jesus deve ter sentido uma frustração muito grande, quando percebeu sentimentos tão mesquinhos em meio á comunidade onde cresceu e fez a sua catequese. Duvidavam da sua sabedoria, e talvez para provocá-lo, queriam que ele resolvesse algum problema da comunidade, “Se ele endireitar a comunidade, daí eu acredito”. Às vezes também nos iludimos quando queremos que alguém que fala “certos milagres”, talvez o cooperador, o coordenador do grupo, o catequista, o ministro da palavra, quem sabe o coitado do Diácono ou o Padre, que têm autoridade. Penso que na sinagoga de Nazaré foi mais ou menos assim que os fatos ocorreram, queriam jogar tudo nas costas de alguém, e como Jesus tinha fama de ser o Messias...
As pessoas, quando enxergam algo de extraordinário no carisma de alguém, começam a fazer do sujeito uma referência importante, acham que a sua oração é especial, que um toque de sua mão poderosa pode realizar curas prodigiosas, e em pouco tempo, a propaganda é tanta, que o tal não pode mais sair as ruas que é logo procurado para resolver os mais complicados problemas, inclusive de relacionamento entre as pessoas, apaziguar casais brigados, aconselhar jovens, e assim a sua palavra se torna poderosa e em conseqüência passa a ter poder religioso paralelo, e se na comunidade não houver um espaço para ele atuar, terão de criar um, pois ele precisa ser o centro das atenções. Jesus não quis formar um grupo só para ele, para bater de frente com os Doutores da lei, escribas e fariseus, e como ele pertencia a uma das famílias do local, a ponto de sua mãe e seus irmãos serem de todos conhecidos, começaram a vê-lo como um vulgar, que nada de extraordinário tinha feito em Nazaré, para que merecesse toda aquela fama. Na verdade, Jesus não quis assumir o papel de “Salvador da Pátria”, diferente de muitos cristãos, que se julgam o máximo naquilo que fazem, e pensam que sem eles, a comunidade estaria perdida. Essa rejeição á ele, suas obras e ensinamentos, iria se ampliar e lhe traria conseqüências muito trágicas na cruz do calvário, tudo porque suas palavras anunciavam um reino novo, que exigia uma total renovação e mudança de vida.
Quando a pregação que ouvimos, serve para o vizinho, ou para o marido ou a esposa, ou quem sabe para os filhos, ou para o chefe ou o colega de trabalho, prestamos muita atenção e vibramos, só em pensar que aquelas verdades atingem em cheio a pessoa em quem pensamos. Porém, quando a pregação toca o nosso coração e nos motiva a mudar o nosso jeito de pensar ou de agir, temos duas reações, ou reconhecemos a legitimidade da palavra e abrimos o nosso interior, para uma conversão sincera, ou então rejeitamos o pregador e passamos a querer vê-lo pelas costas.
Na sinagoga de Nazaré foi assim, e nas nossas comunidades, não é muito diferente. Quem prega mudanças de mentalidade e conduta, vai sempre arrumar uma bela de uma encrenca. Enfim, o Jesus que há dentro de nós, criado pelas nossas fantasias, ou fruto de nossas ideologias sociais ou políticas, não coincide com esse Jesus, Profeta de Nazaré, Ungido de Deus. E o pior, é que projetamos tudo isso nas pessoas que lideram a comunidade, nos cooperadores, nos coordenadores, nos ministros, nas catequistas, nos padres e diáconos e assim vai. Um dia, basta um desentendimento mais sério e o nosso Jesus idealizado “vai pro espaço” com a pastoral e o movimento.
Quanto mais somos realistas em nossa fé, mais nos adequamos á comunidade aceitando-a como ela é, quanto mais nos iludimos com o Jesus da nossa fantasia, mais difícil será vivermos em comunidade, aceitando as pessoas do jeito que elas são. Daí, como em Nazaré, nenhum milagre acontece, por causa dessa fé infantil e ilusória...

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O Evangelho deste domingo apresenta-nos Jesus na sua Nazaré. Ali mesmo, na sua própria cidade, onde nascera e fora criado, os seus o rejeitam: “’Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?’ E ficaram escandalizados por causa dele”. Assim, cumpre-se mais uma vez a Escritura: “Veio para o que era seu e os seus não o receberam” (Jo. 1,11). E a falta de fé foi tão grande, a dureza de coração, tão intensa, a teimosia, tão pertinaz, que São Marcos afirma, de modo surpreendente: “Ali não pôde fazer milagre algum!”, tão grande era a falta de fé daquele povo.
Meus caros, pensemos bem na advertência que esta Palavra de Deus nos faz! O próprio Filho do Pai, em pessoa, esteve no meio do seu povo, conviveu com ele, falou-lhe, sorriu-lhe, abraçou-lhe e, no entanto, não foi reconhecido pelos seus. E por quê? Pela dureza de coração, pela insistência teimosa em esperar um messias de encomenda, sob medida, a seu bel prazer... Valia bem para Israel a censura da primeira leitura de hoje, na qual o Senhor Deus se dirige a seu servo: “Filho do homem, eu te envio aos israelitas, nação de rebeldes, que se afastaram de mim. A estes filhos de cabeça dura e coração de pedra, vou-te enviar, e tu lhes dirás: ‘Assim fala o Senhor Deus’. Quer escutem, quer não, ficarão sabendo que houve entre eles um profeta!” Que coisa tremenda, meus caros: houve entre os israelitas um profeta, e mais que um profeta: o Filho de Deus, o Eterno, o Filho amado... E Israel o rejeitou!
Mas, deixemos Israel. E nós? Acolhemos o Senhor que nos vem? Escutamos com fé sua Palavra, quando ele se dirige a nós na Escritura, aquecendo nosso coração? Acolhemo-lo na obediência da fé, quando ele se nos dirige pela boca da sua Igreja católica, ensinando-nos o caminho da vida? Acolhemo-lo, quando nos fala pela boca de seus profetas? Não tenhamos tanta certeza de que somos melhores que aqueles de Nazaré! Aliás, é bom que nos perguntemos: por que os nazarenos não foram capazes de reconhecer Jesus como Messias? Já lhes disse: porque o Senhor não era um messias do jeito que eles esperavam: um simples fazedor de milagres, um resolvedor de problemas... Jesus, pobre, manso, humilde, era também exigente e pedia do povo a conversão de coração. Mas, há também uma outra razão para os nazarenos rejeitarem Jesus: eles foram incapazes de ver além das aparências. De fato, enxergaram em Jesus somente o filho de José, aquele que correra e brincara nas suas praças, aquele ao qual eles haviam visto crescer. Assim, sem conseguir olhar com mais profundidade, empacaram na descrença. Mas, nós, conseguimos olhar com profundidade? Somos capazes de escutar na voz dos ministros de Cristo a própria voz do Senhor? Somos sábios o bastante para ouvir na voz da Igreja a voz de Cristo?
É exatamente pela tendência nossa, tremenda, de sermos surdos ao Senhor, que Jesus tanto sofreu e que Paulo se queixava das dificuldades do seu ministério. O Apóstolo fala de um anjo de Satanás que o esbofeteava. Que anjo era esse? Ele mesmo explica: suas “fraquezas, injúrias, necessidades, perseguições e angústias sofridas por amor de Cristo”. O drama de Paulo é uma forte exortação aos pregadores do Evangelho e a todos os cristãos. Aos pregadores do Evangelho essa palavra do Apóstolo recorda que o anúncio será sempre numa situação de pobreza humana, de apertos e contradições. A evangelização, caríssimos, não é um trabalho de marketing televisivo como vemos algumas vezes nos “missionários” dos meios de comunicação. O Evangelho do Cristo crucificado e ressuscitado, é proclamado não somente pela palavra do pregador, mas também pela carne de sua vida. Como proclamar a Palavra sem sofrer por ela? Como anunciar o Crucificado que ressuscitou sem participar da sua cruz na esperança firme da sua ressurreição? O Evangelho não é uma teoria, não é um sistema filosófico. O Evangelho é Cristo Jesus encarnado na nossa vida, de modo que possamos dizer como São Paulo: “Eu trago no meu corpo as marcas de Jesus” (Gl. 6,17) Triste do pregador que pensar em anunciar Jesus conservando-se para si mesmo. Um diácono, um padre, um bispo, que quisessem se poupar, que separasse a pregação do seu modo de viver, que fosse pregador de ocasião, tornar-se-ia um falso profeta, transformar-se-ia em marketeiro do Evangelho, portanto, inútil e estéril. É toda a vida do pregador que deve ser envolvida na pregação: seu modo de viver, de agir, de vestir, de relacionar-se com os bens materiais, sua vida afetiva, seu modo de divertir-se, seu tipo de amizade... Tudo nele dever ser comprometido com o Senhor e para o Senhor! 
Mas, essa palavra de são Paulo na liturgia de hoje vale também para cada cristão. Hoje, somos minoria. O mundo não-crente, secularizado zomba de nós e já não crê no anúncio de Cristo que lhe fazemos. Sentimos isso na pela! Pois bem, quando experimentarmos a frieza e a dura rejeição, quando em casa, no trabalho, nos círculos de amizades, formos ignorados ou ridicularizados por sermos de Cristo, recordemos do Evangelho de hoje, recordemo-nos dos sofrimentos dos apóstolos e retomemos a esperança: o caminho de Cristo é também o nosso; se sofrermos com ele, com ele reinaremos; se morrermos com ele, com ele viveremos (cf. 2Tm. 2,11-12) Não tenhamos medo: nós somos as testemunhas, os profetas, os sinais de luz que Deus envia ao mundo de hoje! Sejamos fiéis: o Senhor está conosco, hoje e sempre.

dom Henrique Soares da Costa

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“UM PROFETA SÓ NÃO É ESTIMADO EM SUA PÁTRIA”... - Olívia Coutinho

XVI  DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 08 de Julho de 2012

Evangelho Mc 6,1-6

Dificilmente, reconhecemos a sabedoria presente nas pessoas simples, preferimos acreditar  nas palavras retóricas das pessoas  de alto "nível intelectual".  Com isso, deixamos escapar as mensagens que Deus quer nos passar através dos “pequenos”.
Esquecemos de que Jesus, o  Mestre de todos os mestres, o profeta Maior de todos os tempos, serviu-se de meios humanos bem simples,  para realizar as maravilhas de Deus no meio de nós!
Um profeta nunca é reconhecido no meio em que vive, muitas vezes  é preciso que ele deixe o seu lugar de origem, para levar a verdade do evangelho a lugares onde o que  será avaliado, não é a sua pessoa, e sim, a mensagem de Deus dirigida ao povo através dele!
Ninguém estudou para ser profeta, nem o é, porque escolheu ser, o profeta nasce de um anseio de alguém, que ao conhecer a verdade,  não consegue mais  calar diante da mentira e da injustiça!
O que sai da boca do profeta, não são palavras suas, são palavras inspiradas por Deus, que tem como finalidade despertar a humanidade sobre os valores do Reino! Ele é a voz que grita em defesa do povo, é aquele que não se intimida diante dos poderosos, que tem coragem de denunciar as injustiçadas praticadas por eles, levando a público as suas ações contrárias a vida.
O profeta denuncia e anuncia, ele é um eterno insatisfeito, nunca se contenta com o que faz, está sempre  acreditando que pode  fazer algo mais em favor do povo de Deus.
Um verdadeiro profeta nunca tem consciência de que ele  é um  profeta, ele  é alguém  que se sustenta de uma fé profunda, uma  fé que não separa da vida, ele caminha com  a consciência clara da presença de Deus em sua vida e vive esta presença, por isto fala com autoridade.
A vida de união e comunhão com Deus vai impregnando a vida do profeta, de tal modo que ele vai  aos poucos, aprendendo a interpretar os acontecimentos políticos, sociais e religiosos, sempre à luz de Deus.
Nenhum profeta teme pela sua segurança, e nem deseja se destacar, o que ele deseja mesmo, é denunciar o que não está certo e anunciar a verdade que liberta.
A sua maior aspiração é o bem comum, por isto, ele está sempre disposto a lutar por este bem maior, ainda que para isto tenha que sacrificar sua própria vida!
 “Um profeta só não é estimado em sua Pátria”. Estas palavras de Jesus, descritas no evangelho de hoje, devem  nos levar a  um questionamento: estamos acolhendo bem o profeta que vive no nosso meio? Ou acolhemos somente o profeta que vem de fora?
Jesus passou pela experiência dos muitos profetas do antigo testamento, além das autoridades políticas, religiosas, também seus conterrâneos o rejeitaram.
É o que ainda acontece  com muitos  profetas de hoje, eles  também  passam por esta mesma experiência que Jesus passou: rejeição, indiferença, hostilidade, mas assim como Jesus, eles nunca desistem de anunciar e denunciar...
Finalizando esta reflexão, vou relatar um pequeno fato, que pode nos mostrar claramente o não reconhecimento de um profeta no meio em que vive: Em uma  comunidade, as pessoas  se reuniam uma vez por semana, para um encontro de reflexão.  Nestes encontros, lia-se uma mensagem, cujo nome do autor não era divulgado. A mensagem era bem acolhida por todos, seu conteúdo os levava a crer, que eram escritas por alguém  de uma grande sabedoria.  Até que um dia, o povo descobriu  quem era o autor de  tais maravilhas: se tratava de um simples jardineiro, grande observador da natureza, suas mensagens tinham como finalidade conscientizar o povo da importância  da preservação da natureza. A partir de então, tais mensagens passaram  a não ter o mesmo valor de antes pelo simples fato de serem escritas por  um humilde  jardineiro.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia
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Enviados por Deus e rejeitados pelos seus
O tema da liturgia de hoje é a rejeição à palavra de Deus. No evangelho, os contemporâneos de Jesus não lhe dão crédito porque não conseguem ver nele nada mais que um carpinteiro. Mas isso não é fato pontual, já havia incredulidade no tempo dos profetas. A primeira leitura menciona a falta de fé dos contemporâneos de Ezequiel, porque têm um coração insensível. O profeta é orientado a insistir na proclamação da palavra de Deus mesmo que seus contemporâneos não queiram ouvi-la. Assim também agiu Paulo, que, em vez de desanimar com as dificuldades, continuou com o anúncio do evangelho e nos ensinou a dizer: “quando sou fraco, então é que sou forte”.
Evangelho (Mc. 6,1-6)
O profeta é desprezado na própria terra
Passando novamente por sua própria terra, Jesus encontrou dificuldade para operar milagres por causa da falta de fé. Ele se dirigiu à sinagoga no dia de sábado, como todo judeu adulto, e tomou a palavra para ensinar. Não se tratava de qualquer instrução, pois o lugar e o dia faziam disso um ensino oficial e litúrgico.
O ensino de Jesus causa duas reações contrárias: admiração e recusa. Essa disposição para com Jesus marca todo o Evangelho de Marcos, tendo como principais protagonistas dessa recusa os líderes religiosos de seu próprio povo, Israel.
A admiração diante do ensinamento de Jesus estava relacionada com sua autoridade, que não vinha de sua profissão. Ele não tinha a profissão de Rabino (mestre), mas de artesão da madeira. O fato de ser carpinteiro não era desonra, pois se tratava de profissão bem considerada. Essa afirmação apenas prova que os seus compatriotas o conheciam bem e se admiravam que fosse sábio e fizesse milagres, quando o normal seria apenas trabalhar com a madeira. O objetivo aqui é mostrar que a sabedoria e o poder de Jesus não vêm das pessoas, não se adquirem como uma profissão, mas vêm de Deus.
Em seguida, a admiração inicial transformou-se em hostilidade, sinal da incredulidade ante as obras de Jesus. O episódio retrata que os galileus estavam marcados pelo preconceito: admiravam as obras de Jesus, mas não o acolheram. Essa falta de acolhimento o impossibilitou de fazer milagres em sua própria terra, uma vez que os milagres significavam o avanço do reino de Deus e o retrocesso do antirreino, e isso só era possível onde havia fé em Jesus como Messias/Cristo. O preconceito fechou os corações, e os galileus não perceberam a ação de Deus em Jesus.
1ª leitura (Ez. 2,2-5)
O profeta anuncia, quer escutem, quer não
O texto diz que o sopro de Deus entrou em Ezequiel: isso significa que agora ele é inspirado e movido pelo dom da profecia e o que vai anunciar é palavra de Deus. O Espírito põe o profeta de pé, em atitude de prontidão, para anunciar ao povo a profecia que vai receber.
Ezequiel é enviado aos filhos de Israel. Algo fora do comum acontece no v. 3: em vez de Israel ser chamado “povo de Deus”, como geralmente acontece na Bíblia, é chamado de “nação rebelde”, literalmente “gentio rebelde”. Na Bíblia, “gentio” está sempre em oposição a Israel, que é sempre referido como “o povo”. Isso significa que, quando Israel rejeita a palavra de Deus, se torna igual aos gentios. 
A rebeldia dos contemporâneos de Ezequiel vinha de longa data, as gerações passadas se comportaram da mesma forma. As perspectivas da recepção da profecia por parte dos destinatários não são nada animadoras para Ezequiel, pois eles têm a face endurecida e o coração obstinado. Quer escutem, quer não, saberão que “houve um profeta entre eles”. Essa expressão significa que Deus é misericordioso e os advertiu, e que eles já não têm desculpas para o erro.
2ª leitura (2Cor. 12,7-10)
Prefiro gloriar-me de minhas fraquezas
Paulo afirma que tem um “espinho na carne”; de maneira geral, essa expressão significa algo que provoca grande angústia. Uma alusão a Ez 28,24, quando se refere aos povos vizinhos (e inimigos) de Israel como espinhos e abrolhos. Com a expressão “espinho na carne”, o apóstolo pode estar se referindo, entre outras coisas, às angústias que tinha suportado com a oposição à sua pessoa, e à sua autoridade, por parte dos coríntios. A rebeldia da comunidade de Corinto contra Paulo foi tão dolorosa que o compeliu a escrever uma “carta entre lágrimas”: “foi levado por grande aflição e angústias de coração que vos escrevi, em meio a muitas lágrimas” (2Cor 2,4). 
A expressão “mensageiro de satanás” é equivalente a “espinho na carne” e significa que, mesmo sofrendo rejeição por parte dos coríntios, o apóstolo não desanimou da missão de exortá-los a viver conforme o evangelho. Paulo aceitou as angústias como uma motivação para exercer a humildade e vencer o orgulho. O apóstolo deixou que Deus se utilizasse da fraqueza humana para mostrar a grandeza do agir divino.
Pistas para reflexão
– A homilia deve levar a comunidade a refletir sobre as graves consequências da rejeição à palavra de Deus. Ainda hoje Deus nos fala por meio de pessoas humildes e modestas. Às vezes a palavra que nos é anunciada questiona nosso agir, e por isso é muito mais fácil rejeitá-la que sair do nosso estado de comodismo ou de pecado. Não raro nos tornamos um espinho na carne, não raro provocamos grandes angústias a quem somente deseja o bem da comunidade e a vivência mais autêntica da mensagem de Jesus.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj
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A fragilidade e a força dos profetas
“Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”
Onde estão os profetas?  Será que a Igreja está sendo, aos olhos do mundo, encarnação da mensagem dos profetas e sobretudo do  profeta Jesus da Galiléia?  Uma Igreja vigorosa será aquela que se  faz na  esteira, na força e na aparente fragilidade dos profetas.
A leitura de Ezequiel proclamada na liturgia de hoje  fala do nascedouro e da vocação do profeta. Ezequiel se sente possuído por um espírito. É convocado, chamado para uma missão. O espírito o põe de pé.  Belo ver as representações dos profetas de pé, com rosto forte e firme, semblantes rijos e decididos.  O profeta é enviado aos israelitas, homens e mulheres de coração de pedra e de cabeça dura. O profeta sabe que precisa falar. Quer escutem ou não escutem essas pessoas saberão que um profeta, um enviado da parte de Deus, esteve no meio deles.  Deus renova o mundo e a Igreja pela voz dos profetas. “A esses filhos de cabeça dura e coração de pedra vou-te enviar, e tu lhe dirás: ‘Assim diz o  Senhor Deus’ .  Quer te escutem, que não  – pois são um bando de rebeldes -, ficarão sabendo que houve entre eles um profeta”.
Jesus, no evangelho de Marcos hoje proclamado, se apresenta em Nazaré, sua cidade natal. Não o faz como quem meramente visita sua família. Vai na qualidade de profeta, com seus discípulos, como Rabi, com sabedoria e autoridade.  As pessoas estranham tais dotes porque conhecem suas origens humildes. Sua gente se escandaliza com ele e não o aceita. Era um profeta muito frágil para merecer crédito. Jesus não pode fazer milagres. Saiu decepcionado. “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre os seus parentes e familiares”. Ali a voz de Jesus, voz que denuncia o mal e constrói a verdade e o bem  não pôde ser ouvida.  Jesus admirou-se da falta de fé de sua gente e passou a percorrer os povoados vizinhos , ensinando. O profeta forte não é levado em consideração.  Ele é apenas o filho de José.
Paulo   exerce também a missão de profeta que denuncia e anuncia. Seu ministério é fecundo e impressionante.  Experimenta fraquezas e fragilidades e lhe é revelado: “Basta-te a minha graça. Pois é na fraqueza que a força se manifesta”.  Paulo compreende que gloriando-se de suas fraquezas terá nele a força de Cristo.  A força do profeta está em sua fragilidade.
Estamos vivendo um delicado momento da vida da Igreja. Necessitamos de profetas com ardor e fogo.  Os sacerdotes e responsáveis pela animação das comunidades haverão de ser pessoas cheias de amor e de intimidade com o Senhor para poderem atingir, com palavras e testemunho, os corações empedernidos e iluminar o caminho dos perplexos.  Precisamos homens e mulheres  com forte densidade humana e grande amor pelo Senhor para constituírem casais luminosos e sólidos formadores de famílias que evangelizem a cultura atual.  Nas pastorais precisamos apontar para um novo que pode e deve explodir  e não apenas para a repetição do obvio. Precisamos de profetas que não estejam preocupados com o próprio protagonismo e façam a experiência de Paulo:  “Quando eu me sinto fraco é que sou forte”.
frei Almir Ribeiro Guimarães
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 O escândalo da encarnação
Jesus, profeta rejeitado na sua terra
A liturgia de hoje mostra a sorte do profeta: rejeição. Tema atual no continente do bispo Romero e de tantos outros mártires da justiça de Deus. Alguns desaparecem até sem deixar traços, mas sabemos que estiveram entre nós (cf. 1ª leitura: Ez. 2,5). Ezequiel é enviado a um povo “duro de cerviz”, mesmo enquanto vivendo no exílio (Ef. 3,12-15). Como outrora Jeremias (Jr. 2,20; 7,24; 22,21; 32,20), Ezequiel lembra a Israel seu passado rebelde. É um povo que se revolta contra Deus e mata seus profetas, inclusive Jesus de Nazaré (cf. Mt. 23,33-35; At. 7,34.39.51-53 etc.).
O profeta deve marcar presença; goste ou não, o povo deve saber que o porta-voz de Deus esteve no meio dele (Ez. 2,5). Daí o duplo sabor da missão profética: o profeta tem que comer a palavra de Deus, que é doce como mel, mas causa amargura no profeta (Ez. 2,8-3,3; 3,14; cf. Ap. 10,8-10). Aceito ou não (Ez. 3,11), tem de proclamar, oportuna ou inoportunamente (2Tm. 4,2). Profeta não é diplomata. Há um momento em que a palavra deve ser dita com toda a clareza: é o momento do profeta.
O evangelho de Mc descreve a manifestação do “poder-autoridade” em Jesus. Ao revelar seu “poder”, Jesus encontrou aceitação da parte dos humildes, doentes e peca­dores, e inimizade junto às autoridades. Agora, chegando à sua terra de origem, Nazaré, encontra tanta incredulidade, que deve dar testemunho contra sua própria gente  (evangelho). Por não existir fé, o espírito profético nele não encontra respaldo; quase não lhe é dado operar sinais (Mc. 6,5-6). Pois sabemos, pelos evangelhos dos domingos anteriores, que os sinais de Jesus são a revelação, para os que nele acreditam, de sua união com o Pai. A uma geração incrédula não se dá sinal algum (Mc. 8,11-14; cf. Mt. 12,38-42 e Lc. 11,29-32). Mas, mesmo se Jesus não pode fazer milagres em Nazaré, ainda revela sua personalidade. O próprio fato de ser rejeitado demonstra que ele é profeta: é em sua pátria, entre sua gente, que o profeta é rejeitado (cf. Ez. 3,6) (*)
A razão por que Jesus não é escutado é a mesquinhez. Gente mesquinha não presta ouvido a quem é da mesma origem. Santo de casa não faz milagre. Para se fazer de im­portante, gente mesquinha exige coisa importada. Os semi-intelectuais brasileiros ado­ram o último grito de Paris e Nova York, mas desprezam a cultura autêntica das tradições de seu próprio povo e odeiam a cultura emergente que nasce da base conscientiza­da e que denuncia a alienação institucionalizada. A flor do orgulho é o espírito estreito e mesquinho, incapaz de admitir que tão perto do brilho enganoso possa florescer flor admirável de verdade.
Devemos ver, também, nas críticas dos nazarenses, as objeções do judaísmo à pre­gação apostólica. Como pode Jesus ser o Messias, se conhecemos seus parentes até o presente dia? Eles nem mesmo ocupam altos cargos no seu Reino (cf. 10,35-40). A in­credulidade de Nazaré representa a incredulidade de uma tradição religiosa e socioló­gica que não quer mudar seus conceitos a respeito daquilo que Deus deveria fazer. Por isso, Deus também não faz nada: não dá sinal.
A experiência de Paulo (2ª  leitura) vai na mesma direção. Paulo descreve as dificuldades de seu apostolado, “gloriando-se” contra aqueles que se gloriam na observân­cia judaica e outros pretextos para destruir a obra da evangelização que ele está reali­zando. Pede a seus leitores suportar um pouco de loucura da sua parte: seu próprio elo­gio (2Cor. 11,1). Mas que elogio! O currículo de Paulo não está cheio de diplomas, con­cursos e obras publicadas, mas de loucuras mesmo (11,8.16.29). Gloria-se de sua fra­queza (11,30). Tem um aguilhão na carne, algo misterioso – os exegetas falam em doença, prisão, tentações, remorso de seu passado, epilepsia … -, “um anjo de Satanás”, uma provação semelhante à de Jó. Importa o sentido que Paulo lhe dá: impedir que se encha de soberba. O evangelho vale mais que ouro, mas o apóstolo é apenas um recipiente de barro (2Cor 4,6ss; cf. 9° dom. T.C. ). Se ele produz efeito, é o espírito de Deus que o produz. Para o apóstolo, basta a graça, isto é, que Deus realize sua redenção, sem depender de nossas qualidades humanas (embora as utilize e absorva). Em nossa fra­queza é que seu poder se manifesta. Jesus não pôde fazer milagres em Nazaré: fraqueza também. Mas Deus realizou seu plano na suprema “fraqueza” do Cristo: sua morte na Cruz (cf.oração do dia). Junto a ele há lugar para os “fracos”; nele, tornam-se fortes (cf. canto da comunhão II).
(*) Aconselhamos o estudo do trecho Ez. 2,1-3,15 inteiro. Ez 3,6 sugere que as nações pagãs, entre as quais Israel agora deve viver, escutariam a palavra (cf. Jonas)
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Jesus chega a Nazaré, sua terra, lugar onde passou a maior parte de sua vida. Era uma cidade pouco conhecida e desprezada na Galiléia. Na Sinagoga, Jesus começa a ensinar as Escrituras para muitas pessoas, e os discípulos estavam ali com Ele. Jesus cresceu em Nazaré e ali viveu, em silêncio, sem se manifestar como “Filho de Deus”. Era, para todos, simplesmente, o filho de José, o carpinteiro. Mas, a extraordinariedade de Jesus está, justamente, na encarnação, no fato de não ter nada que possa diferir da condição humana comum. O filho de Deus se fez como qualquer um nós.
Depois de trinta anos, Ele saiu da cidade para ensinar a Verdade e pregar o Amor e, quando voltou para visitar sua terra, seu povo, seus familiares e amigos, estes não O receberam com fé, não acreditaram naquilo que Ele pregava e não O reconheceram como o Filho de Deus. Não aceitavam que alguém que conheceram, morando no meio deles como operário braçal lhes pregasse a conversão.
Isso é notado quando perguntam: Ele não é o carpinteiro, filho de Maria? A substituição do nome do Pai pelo nome da Mãe é um sinal de desprezo na época, a não ser que José já tivesse morrido. À expressão ‘irmãos’ de Jesus, dá-se o sentido de seus parentes próximos, visto que a Igreja confessa a virgindade real de Maria.
A falta de reconhecimento pelos da mesma terra aconteceu também com os profetas e Jesus disse: “Um profeta só não é reconhecido e estimado em sua pátria.”
Jesus fica admirado com a falta de fé que encontra em Nazaré. Pela incredulidade das pessoas Ele não realiza milagres ali, pois estes se manifestam quando se tem fé e certeza da ação de Deus na vida do homem. Porém, enquanto permaneceu ali, curou doentes impondo suas mãos, gesto comum para Ele e que se repetirá também pelos discípulos em Seu nome.

O evangelista Marcos narra que Jesus foi para "sua própria terra", isto é, para sua cidade de origem, a cidade de sua família, Nazaré. O fato de os seus discípulos o acompanharem indica que não é apenas uma visita familiar, mas também uma visita já em vista do anúncio de sua Boa-Nova. Neste Evangelho, esta é a terceira e última vez que Jesus aparece no espaço simbólico da sinagoga, e todas as ocasiões em clima de contestação e conflito com os chefes religiosos e sua doutrina. Jesus, exercendo seu ministério na Galiléia e nos territórios gentílicos vizinhos, abandona a sinagoga e tem a "casa" como centro de irradiação da missão. Os que ouviam Jesus "maravilhavam-se" com o que dizia, mas o rejeitaram. E Jesus "espantava-se" com a incredulidade deles. "Não é ele o carpinteiro?" diziam, com desprezo. Faltava-lhes a fé. A sentença "Um profeta só não é valorizado na sua própria terra" é um patrimônio da cultura antiga, sendo citada em documentos do Antigo Egito. Como palavra de Jesus, exprime sua rejeição pelos freqüentadores da sinagoga e por seus familiares. A mensagem central deste episódio é o distanciamento de Jesus em relação às tradicionais estruturas sociorreligiosas de culto e parentesco do judaísmo. Este se afirmava como povo divinamente eleito a partir dos vínculos carnais de consangüinidade, provados por genealogias, com a ascendência abraâmica, e na obediência à Lei de Moisés. Afastando-se das sinagogas, Jesus exerce seu ministério percorrendo os povoados da Galiléia e regiões vizinhas, ensinando. Com ele, o espaço do encontro com Deus é a casa, onde se reúne a comunidade; e a família fica caracterizada pela união em torno do cumprimento da vontade do Pai. Percebe-se bem como os Evangelhos deixam transparecer a dificuldade que aqueles que conviveram com Jesus tiveram em compreender sua identidade. Quem é Jesus? Durante cerca de trinta anos ele viveu com a família, na Galiléia, sem nada excepcional que chamasse a atenção sobre sua pessoa. É o Filho de Deus presente no mundo, em comunicação com todos, certamente de maneira humilde, digna e com amor. É a condição humana, na simplicidade do dia-a-dia, que é valorizada pelo Pai e que, em tudo o que nela há de bom, justo e verdadeiro, a assume no seu amor e na sua vida eterna.
padre Jaldemir Vitório
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A difícil missão do profeta
Esta narrativa de Marcos tem como núcleo a proclamação de Jesus: "Um profeta só não é valorizado na sua própria terra". É a sua rejeição pelos frequentadores da sinagoga e por seus familiares. É uma ruptura com as tradicionais estruturas sociorreligiosas de parentesco do judaísmo, que se afirma como povo eleito a partir dos vínculos carnais de consanguinidade, comprovados por genealogias. Já João Batista em sua pregação advertia: "Produzi fruto de arrependimento e não penseis que basta dizer: 'Temos por pai Abraão'". Com Jesus a família fica caracterizada pela união em torno do cumprimento da vontade do Pai.
No evangelho de Marcos, esta é a terceira e última vez que Jesus vai a uma sinagoga, cada vez tendo ocorrido um conflito com os chefes religiosos. Jesus exerce seu ministério na Galileia e territórios gentílicos vizinhos, tendo a "casa" como centro de irradiação da missão.
Percebe-se, bem, como os evangelhos deixam transparecer a dificuldade que os discípulos, e os demais que conviveram com Jesus, tiveram em compreender sua identidade. Quem é Jesus? Durante cerca de trinta anos Jesus viveu com sua família, na Galileia, sem nada excepcional que chamasse a atenção sobre sua pessoa. É o Filho de Deus presente no mundo, em comunicação com as pessoas, certamente de maneira humilde, digna e com amor. É a condição humana, na simplicidade do dia a dia, que é valorizada pelo Pai, o qual, em tudo que nela há de bom, justo e verdadeiro, a assume no seu amor e na sua vida eterna. Após ser batizado por João, Jesus durante cerca de três anos passa a revelar ao mundo este projeto vivificante do Pai. É o Reino de Deus presente entre nós. Ao fazer, com sabedoria, o seu anúncio profético do Reino, seus conterrâneos se admiravam, mas não o valorizaram, pois sempre o conheceram na sua simplicidade de carpinteiro, filho de Maria. Esta reação do povo indica que Jesus não tinha nenhuma origem davídica, pelo que, se fosse o caso, seria exaltado por todos.
O judaísmo tinha uma expectativa messiânica segundo a qual um dia viria um líder que, com carismas especiais, conduziria a nação judaica e a elevaria a um status de glória, riqueza e poder acima das demais nações. Era um ungido (messias, do hebraico; cristo, do grego) à semelhança de Davi, ungido rei, que, segundo a exaltação da tradição, teria criado um glorioso império, o que foi incorporado na memória do povo. Ao longo do ministério de Jesus, os seus discípulos de origem do judaísmo começaram a ver nele este messias poderoso. Esta falta de compreensão foi frequentemente censurada por Jesus.
O crer em Jesus é ver, na sua humildade e em seus atos de amor, a presença de Deus, cumprindo a vontade do Pai de comunicar a vida aos empobrecidos e marginalizados, os quais são assumidos como filhos, em Jesus. O verdadeiro ato de fé é ver Deus, despido de poder, vivendo entre nós, humildemente, na plenitude do amor.
Paulo testemunha que a missão é feita com humildade e não com atos de poder (segunda leitura). Foi, também, na simples condição da fragilidade humana, como "filho do homem", que Ezequiel foi enviado a profetizar a um povo rebelde (primeira leitura).
José Raimundo Oliva
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O Evangelho deste domingo apresenta-nos Jesus na sua Nazaré. Ali mesmo, na sua própria cidade, onde nascera e fora criado, os seus o rejeitam: “’Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?’ E ficaram escandalizados por causa dele”. Assim, cumpre-se mais uma vez a Escritura: “Veio para o que era seu e os seus não o receberam” (Jo. 1,11). E a falta de fé foi tão grande, a dureza de coração, tão intensa, a teimosia, tão pertinaz, que São Marcos afirma, de modo surpreendente: “Ali não pôde fazer milagre algum!”, tão grande era a falta de fé daquele povo.
Meus caros, pensemos bem na advertência que esta Palavra de Deus nos faz! O próprio Filho do Pai, em pessoa, esteve no meio do seu povo, conviveu com ele, falou-lhe, sorriu-lhe, abraçou-lhe e, no entanto, não foi reconhecido pelos seus. E por quê? Pela dureza de coração, pela insistência teimosa em esperar um messias de encomenda, sob medida, a seu bel prazer... Valia bem para Israel a censura da primeira leitura de hoje, na qual o Senhor Deus se dirige a seu servo: “Filho do homem, eu te envio aos israelitas, nação de rebeldes, que se afastaram de mim. A estes filhos de cabeça dura e coração de pedra, vou-te enviar, e tu lhes dirás: ‘Assim fala o Senhor Deus’. Quer escutem, quer não, ficarão sabendo que houve entre eles um profeta!” Que coisa tremenda, meus caros: houve entre os israelitas um profeta, e mais que um profeta: o Filho de Deus, o Eterno, o Filho amado... E Israel o rejeitou!
Mas, deixemos Israel. E nós? Acolhemos o Senhor que nos vem? Escutamos com fé sua Palavra, quando ele se dirige a nós na Escritura, aquecendo nosso coração? Acolhemo-lo na obediência da fé, quando ele se nos dirige pela boca da sua Igreja católica, ensinando-nos o caminho da vida? Acolhemo-lo, quando nos fala pela boca de seus profetas? Não tenhamos tanta certeza de que somos melhores que aqueles de Nazaré! Aliás, é bom que nos perguntemos: por que os nazarenos não foram capazes de reconhecer Jesus como Messias? Já lhes disse: porque o Senhor não era um messias do jeito que eles esperavam: um simples fazedor de milagres, um resolvedor de problemas... Jesus, pobre, manso, humilde, era também exigente e pedia do povo a conversão de coração. Mas, há também uma outra razão para os nazarenos rejeitarem Jesus: eles foram incapazes de ver além das aparências. De fato, enxergaram em Jesus somente o filho de José, aquele que correra e brincara nas suas praças, aquele ao qual eles haviam visto crescer. Assim, sem conseguir olhar com mais profundidade, empacaram na descrença. Mas, nós, conseguimos olhar com profundidade? Somos capazes de escutar na voz dos ministros de Cristo a própria voz do Senhor? Somos sábios o bastante para ouvir na voz da Igreja a voz de Cristo?
É exatamente pela tendência nossa, tremenda, de sermos surdos ao Senhor, que Jesus tanto sofreu e que Paulo se queixava das dificuldades do seu ministério. O Apóstolo fala de um anjo de Satanás que o esbofeteava. Que anjo era esse? Ele mesmo explica: suas “fraquezas, injúrias, necessidades, perseguições e angústias sofridas por amor de Cristo”. O drama de Paulo é uma forte exortação aos pregadores do Evangelho e a todos os cristãos. Aos pregadores do Evangelho essa palavra do Apóstolo recorda que o anúncio será sempre numa situação de pobreza humana, de apertos e contradições. A evangelização, caríssimos, não é um trabalho de marketing televisivo como vemos algumas vezes nos “missionários” dos meios de comunicação. O Evangelho do Cristo crucificado e ressuscitado, é proclamado não somente pela palavra do pregador, mas também pela carne de sua vida. Como proclamar a Palavra sem sofrer por ela? Como anunciar o Crucificado que ressuscitou sem participar da sua cruz na esperança firme da sua ressurreição? O Evangelho não é uma teoria, não é um sistema filosófico. O Evangelho é Cristo Jesus encarnado na nossa vida, de modo que possamos dizer como São Paulo: “Eu trago no meu corpo as marcas de Jesus” (Gl. 6,17) Triste do pregador que pensar em anunciar Jesus conservando-se para si mesmo. Um diácono, um padre, um bispo, que quisessem se poupar, que separasse a pregação do seu modo de viver, que fosse pregador de ocasião, tornar-se-ia um falso profeta, transformar-se-ia em marketeiro do Evangelho, portanto, inútil e estéril. É toda a vida do pregador que deve ser envolvida na pregação: seu modo de viver, de agir, de vestir, de relacionar-se com os bens materiais, sua vida afetiva, seu modo de divertir-se, seu tipo de amizade... Tudo nele dever ser comprometido com o Senhor e para o Senhor! 
Mas, essa palavra de são Paulo na liturgia de hoje vale também para cada cristão. Hoje, somos minoria. O mundo não-crente, seculartizado zomba de nós e já não crê no anúncio de Cristo que lhe fazemos. Sentimos isso na pela! Pois bem, quando experimentarmos a frieza e a dura rejeição, quando em casa, no trabalho, nos círculos de amizades, formos ignorados ou ridicularizados por sermos de Cristo, recordemos do Evangelho de hoje, recordemo-nos dos sofrimentos dos apóstolos e retomemos a esperança: o caminho de Cristo é também o nosso; se sofrermos com ele, com ele reinaremos; se morrermos com ele, com ele viveremos (cf. 2Tm. 2,11-12) Não tenhamos medo: nós somos as testemunhas, os profetas, os sinais de luz que Deus envia ao mundo de hoje! Sejamos fiéis: o Senhor está conosco, hoje e sempre.
dom Henrique Soares da Costa

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A liturgia deste domingo revela que Deus chama, continuamente, pessoas para serem testemunhas no mundo do seu projeto de salvação. Não interessa se essas pessoas são frágeis e limitadas; a força de Deus revela-se através da fraqueza e da fragilidade desses instrumentos humanos que Deus escolhe e envia.
A primeira leitura apresenta-nos um extrato do relato da vocação de Ezequiel. A vocação profética é aí apresentada como uma iniciativa de Jahwéh, que chama um “filho de homem” (isto é, um homem “normal”, com os seus limites e fragilidades) para ser, no meio do seu Povo, a voz de Deus.
Na segunda leitura, Paulo assegura aos cristãos de Corinto (recorrendo ao seu exemplo pessoal) que Deus atua e manifesta o seu poder no mundo através de instrumentos débeis, finitos e limitados. Na ação do apóstolo – ser humano, vivendo na condição de finitude, de vulnerabilidade, de debilidade – manifesta-se ao mundo e aos homens a força e a vida de Deus.
O Evangelho, ao mostrar como Jesus foi recebido pelos seus conterrâneos em Nazaré, reafirma uma ideia que aparece também nas outras duas leituras deste domingo: Deus manifesta-Se aos homens na fraqueza e na fragilidade. Quando os homens se recusam a entender esta realidade, facilmente perdem a oportunidade de descobrir o Deus que vem ao seu encontro e de acolher os desafios que Deus lhes apresenta.
1ª leitura: Ez. 2,2-5 - AMBIENTE
Ezequiel, o “profeta da esperança”, exerceu o seu ministério na Babilônia no meio dos exilados judeus. O profeta fez parte dessa primeira leva de exilados que, em 597 a.C., Nabucodonosor deportou para a Babilônia.
A primeira fase do ministério de Ezequiel decorreu entre 593 a.C. (data do seu chamamento à vocação profética) e 586 a.C. (data em que Jerusalém foi conquistada uma segunda vez pelos exércitos de Nabucodonosor e uma nova leva de exilados foi encaminhada para a Babilônia). Nesta fase, o profeta preocupou-se em destruir as falsas esperanças dos exilados (convencidos de que o exílio terminaria em breve e que iam poder regressar rapidamente à sua terra) e em denunciar a multiplicação das infidelidades a Jahwéh por parte desses membros do Povo judeu que escaparam ao primeiro exílio e que ficaram em Jerusalém.
A segunda fase do ministério de Ezequiel desenrolou-se a partir de 586 a.C. e prolongou-se até cerca de 570 a.C.. Instalados numa terra estrangeira, privados de Templo, de sacerdócio e de culto, os exilados estavam desiludidos e duvidavam de Jahwéh e do compromisso que Deus tinha assumido com o seu Povo. Nessa fase, Ezequiel procurou alimentar a esperança dos exilados e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus salvador e libertador não tinha abandonado nem esquecido o seu Povo.
O texto que nos é proposto hoje como primeira leitura faz parte do relato da vocação de Ezequiel (cf. Ez 1,1-3,27). Depois de descrever a manifestação de Deus, num quadro que apresenta todas as características especiais das teofanias (cf. Ez 1,1-28), o profeta apresenta um discurso no qual Jahwéh define a missão que lhe vai confiar (cf. Ez. 2,1-3,15). O episódio é situado “no quinto ano do cativeiro do rei Joaquin”, “na Caldeia, nas margens do rio Cabar” (Ez. 1,2).
Seria um erro interpretar este relato como informação biográfica… Trata-se, antes, de mostrar – com a linguagem da época e utilizando os processos típicos da literatura da época – que o profeta recebeu uma missão de Deus e que fala e atua em nome de Deus.
MENSAGEM
O nosso texto apresenta alguns dos elementos típicos dos relatos de vocação e que fazem parte de qualquer história de vocação.
Sugere-se, em primeiro lugar, que a vocação profética é um desígnio divino. Não se nomeia Jahwéh diretamente; mas aquele que chama Ezequiel não pode ser outro senão Deus… O nosso texto é antecedido (cf. Ez. 1,1-28) de uma solene manifestação de Deus. Depois, o profeta ouve uma “voz” que o chama (v. 2) e que revela a Ezequiel que deve dirigir-se a esse Povo rebelde que se insurgiu contra Deus. Há também uma referência ao “espírito” que se apossou do profeta e o fez “levantar”; de acordo com a reflexão judaica, era Deus que comunicava uma força divina – o seu “espírito” – àqueles que escolhia para enviar a salvar o seu Povo, como os juízes (cf. Jz. 14,6.19; 15,14), os reis (cf. 1Sm. 10,6.10; 16,13) e os profetas (no caso de Ezequiel, esse “espírito” aparece como uma manifestação especialmente violenta de Deus, que se apossa do profeta e o destina para o seu serviço). A vocação é sempre uma iniciativa de Deus e não uma escolha do homem. Foi Deus que chamou Ezequiel e que o designou para o seu serviço.
Em segundo lugar, aparece a idéia de que o chamamento é dirigido a um homem. Ezequiel é chamado “filho de homem” (v. 3) – expressão hebraica que significa simplesmente “homem ligado à terra, fraco e mortal. Deus chama homens frágeis e limitados, não seres extraordinários, etéreos, dotados de capacidades incomuns… O que é decisivo não são as qualidades extraordinárias do profeta, mas o chamamento de Deus e a missão que Deus lhe confia. A indignidade e a limitação, típicas do “filho do homem”, não são impeditivas para a missão: a eleição divina dá ao profeta autoridade, apesar dos seus limites bem humanos.
Em terceiro lugar, temos a definição da missão. Ezequiel, o profeta, é enviado a um Povo rebelde, que continuamente se afasta dos caminhos de Jahwéh. A sua missão é apresentar a esse Povo as propostas de Deus. O mais importante não é que as palavras do profeta sejam ou não escutadas; o que é importante é que o profeta seja, no meio do Povo, a voz que indica os caminhos de Deus (vers. 4-5).
A vida de Ezequiel realizou integralmente o projeto de Deus. Chamado por Jahwéh, ele foi, no meio do Povo exilado na Babilônia, uma voz humana através da qual Deus apresentou ao seu Povo o caminho para a vida plena e verdadeira. É essa a missão do profeta.
ATUALIZAÇÃO
• Os “profetas” não são um grupo humano extinto há muitos séculos, mas são uma realidade com que Deus continua a contar para intervir no mundo e para recriar a história. Quem são, hoje, os profetas? Onde estão eles?
• No Batismo, fomos ungidos como profetas, à imagem de Cristo. Cada um de nós tem a sua história de vocação profética: de muitas formas Deus entra na nossa vida, desafia-nos para a missão, pede uma resposta positiva à sua proposta. Temos consciência de que Deus nos chama – às vezes de formas bem banais – à missão profética? Estamos atentos aos sinais que Ele semeia na nossa vida e através dos quais Ele nos diz, dia a dia, o que quer de nós? Temos a noção de que somos a “boca” através da qual a Palavra de Deus se dirige aos homens?
• O profeta é o homem que vive de olhos postos em Deus e de olhos postos no mundo (numa mão a Bíblia, na outra o jornal diário). Vivendo em comunhão com Deus e intuindo o projeto que Ele tem para o mundo, e confrontando esse projeto com a realidade humana, o profeta percebe a distância que vai do sonho de Deus à realidade dos homens. É aí que ele intervém, em nome de Deus, para denunciar, para avisar, para corrigir. Somos estas pessoas, simultaneamente em comunhão com Deus e atentas às realidades que desfeiam o nosso mundo? Em concreto, em que situações sou chamado, no dia a dia, a exercer a minha vocação profética?
• A denúncia profética implica, tantas vezes, a perseguição, o sofrimento, a marginalização e, em tantos casos, a própria morte (Óscar Romero, Luther King, Gandhi…). Como lidamos com a injustiça e com tudo aquilo que rouba a dignidade dos homens? O medo, o comodismo, a preguiça, alguma vez nos impediram de ser profetas?
• É preciso ter consciência, também, que as nossas limitações e indignidades muito humanas não podem servir de desculpa para realizar a missão que Deus quer confiar-nos: se Ele nos pede um serviço, dar-nos-á também a força para superar os nossos limites e para cumprir o que nos pede. As fragilidades que fazem parte da nossa humanidade não podem, em nenhuma circunstância, servir de desculpa para não cumprirmos a nossa missão profética no meio dos nossos irmãos.
2ª leitura: 2Cor.12,7-10 - AMBIENTE
A segunda carta de Paulo aos Coríntios espelha uma época de relações conturbadas entre Paulo e os cristãos de Corinto. As críticas de Paulo a alguns membros da comunidade que levavam uma vida pouco consentânea com os valores cristãos (primeira carta aos Coríntios) provocaram uma reação extremada e uma campanha organizada no sentido de desacreditar Paulo. Essa campanha foi instigada por certos missionários itinerantes procedentes das comunidades cristãs da Palestina, que se consideravam representantes dos Doze e que minimizavam o trabalho apostólico de Paulo. Entre outras coisas, esses missionários afirmavam que Paulo era inferior aos outros apóstolos, por não ter convivido com Jesus e que a catequese apresentada por Paulo não estava em consonância com a doutrina da Igreja. Paulo, informado de tudo, dirigiu-se apressadamente para Corinto e teve um violento confronto com os seus detratores. Depois, bastante magoado, retirou-se para Éfeso. Tito, amigo de Paulo, fino negociador e hábil diplomata, partiu para Corinto, a fim de tentar a reconciliação.
Paulo, entretanto, deixou Éfeso e foi para Tróade. Foi aí que reencontrou Tito, regressado de Corinto. As notícias trazidas por Tito eram animadoras: o diferendo fora ultrapassado e os coríntios estavam, outra vez, em comunhão com Paulo.
Reconfortado, Paulo escreveu uma tranquila apologia do seu apostolado, à qual juntou um apelo em favor de uma coleta para os pobres da Igreja de Jerusalém. Esse texto é a nossa segunda carta de Paulo aos Coríntios. Estamos no ano 56 ou 57.
O texto que nos é proposto integra a terceira parte da carta (cf. 2Cor 10,1-13,10). Aí Paulo, num estilo apaixonado, às vezes cáustico, mas sempre levado pela exigência da verdade e da fé, defende a autenticidade do seu ministério frente a esses “super-apóstolos” que o acusavam.
Como apóstolo, Paulo não se sente inferior a ninguém e muito menos aos seus detratores. Estes orgulhavam-se das suas credenciais e afirmavam por toda a parte os seus dons carismáticos… Paulo, se quisesse entrar no mesmo jogo, podia orgulhar-se de muitas coisas, nomeadamente das revelações que recebeu e das suas experiências místicas (cf. 2Cor. 12,1-4); mas ele quer apenas que o vejam como um homem frágil e vulnerável, a quem Deus chamou e a quem enviou para dar testemunho de Jesus Cristo no meio dos homens.
MENSAGEM
Assumindo essa condição de debilidade e de vulnerabilidade, Paulo fala aos Coríntios de uma limitação que transporta no seu corpo, um “anjo de Satanás” que lhe recorda continuamente a sua finitude e fragilidade (v. 7). De que é que se trata, em concreto? Não o sabemos. Provavelmente, trata-se de uma doença física crônica (em Gl. 4,13-14 Paulo fala de uma grave enfermidade física, que fez com que o corpo do apóstolo fosse, para os Gálatas, “uma provação”; mas nada garante que essa enfermidade física esteja relacionada com este “anjo de Satanás” de que ele fala aos Coríntios). O fato de Paulo chamar a essa limitação que o apoquenta um “anjo de Satanás” deve ter a ver com o fato de a mentalidade judaica ligar as enfermidades aos “espíritos maus”. De acordo com outra interpretação, esse “espinho na carne” que é um “anjo de Satanás” poderia referir-se também aos obstáculos que Satanás põe a Paulo no que diz respeito ao anúncio do Evangelho.
Em todo o caso, o problema pessoal de Paulo mostra como a finitude e a fragilidade não são determinantes para a missão; o que é determinante é a graça de Deus… Com a graça de Deus, Paulo tudo pode, apesar da sua debilidade. Deus não eliminou o problema, apesar dos insistentes pedidos de Paulo; mas é Ele que dá a Paulo a força para continuar a sua missão, apesar dos limites que esse “espinho na carne” lhe impõe. Na verdade, o problema pessoal de que Paulo sofre dá testemunho de que Deus atua e manifesta o seu poder no mundo através de instrumentos débeis, finitos e limitados. No apóstolo – ser humano, vivendo na condição de finitude, de vulnerabilidade, de debilidade – manifesta-se ao mundo e aos homens a força de Deus e de Cristo.
ATUALIZAÇÃO
• O caso pessoal de Paulo diz-nos muito sobre os métodos de Deus… Para vir ao encontro dos homens e para lhes apresentar a sua proposta de salvação, Deus não utiliza métodos espetaculares, poderosos, majestosos, que se impõem de forma avassaladora e que deixam uma marca de estupefação e de espanto na memória dos povos; mas, quase sempre, Deus utiliza a fraqueza, a debilidade, a fragilidade, a simplicidade para nos dar a conhecer os seus caminhos. Nós, homens e mulheres do séc. XXI, deixamo-nos, facilmente, impressionar pelos grandes gestos, pelos cenários magnificentes, pelas roupagens sumtuosas, por tudo o que aparece envolvido num halo cintilante de riqueza, de prestígio social, de poder, de beleza; e, por outro lado, temos mais dificuldade em reparar naquilo que se apresenta pobre, humilde, simples, frágil, débil… A Palavra de Deus que hoje nos é proposta garante-nos que é na fraqueza que se revela a força de Deus. Precisamos de aprender a ver o mundo, os homens e as coisas com os olhos de Deus e a descobrir esse Deus que, na debilidade, na simplicidade, na pobreza, na fragilidade, vem ao nosso encontro e nos indica os caminhos da vida.
• A consciência de que as suas qualidades e defeitos não são determinantes para o sucesso da missão, pois o que é importante é a graça de Deus, deve levar o “profeta” a despir-se de qualquer sentimento de orgulho ou de auto-suficiência. O “profeta” deve sentir-se, apenas, um instrumento humano, frágil, débil e limitado, através do qual a força e a graça de Deus agem no mundo. Quando o “profeta” tem consciência desta realidade, percebe como são despropositadas e sem sentido quaisquer atitudes de vedetismo ou de busca de protagonismo, no cumprimento da missão… A missão do “profeta” não é atrair sobre si próprio as luzes da ribalta, as câmaras da televisão ou o olhar das multidões; a missão do “profeta” é servir de veículo humano à proposta libertadora de Deus para os homens.
• Como pano de fundo do nosso texto, está a polemica de Paulo com alguns cristãos que não o aceitavam. Ao longo de todo o seu percurso missionário, Paulo teve de lidar frequentemente com a incompreensão; e, muitas vezes, essa incompreensão veio até dos próprios irmãos na fé e dos membros dessas comunidades a quem Paulo tinha levado, com muito esforço, o anúncio libertador de Jesus. No entanto, a incompreensão nunca abalou a decisão e o entusiasmo de Paulo no anúncio da Boa Nova de Jesus… Ele sentia que Deus o tinha chamado a uma missão e que era preciso levar essa missão até ao fim, doesse a quem doesse… Frequentemente, temos de lidar com realidades semelhantes. Todos experimentamos já momentos de incompreensão e de oposição (que, muitas vezes, vêm do interior da nossa própria comunidade e que, por isso, magoam mais). É nessas alturas que o exemplo de Paulo deve brilhar diante dos nossos olhos e ajudar-nos a vencer o desânimo e a tentação de desistir.
• Neste texto de Paulo (como, aliás, em quase todos os textos do apóstolo), transparece a atitude de vida de um cristão para quem Cristo é, verdadeiramente, o centro da própria existência e que só vive em função de Cristo… Nada mais lhe interessa senão anunciar as propostas de Cristo e dar testemunho da graça salvadora de Cristo. Que lugar ocupa Cristo na minha vida? Que lugar ocupa Cristo nos meus projetos, nas minhas decisões, nas minhas opções, nas minhas atitudes?
Evangelho: Mc. 6,1-6 - AMBIENTE
O Evangelho de hoje fala-nos de uma visita à “terra” de Jesus. De acordo com Mc. 1,9, a “terra” de Jesus era Nazaré, uma pequena vila da Galileia situada a 22 Km. a oeste do Lago de Tiberíades. Esta povoação tipicamente agrícola nunca teve grande importância no universo na história do judaísmo… O Antigo Testamento ignora-a completamente; Flávio Josefo e os escritores rabínicos também não lhe fazem qualquer referência. Os contemporâneos de Jesus parecem conceder-lhe escassa consideração (cf. Jo. 1,46). Nazaré é, no entanto, a cidade onde Jesus cresceu e onde reside a sua família.
A cena principal que nos é relatada por Marcos passa-se na sinagoga de Nazaré, num sábado. Jesus, como qualquer outro membro da comunidade judaica, foi à sinagoga para participar no ofício sinagogal; e, fazendo uso do direito que todo o israelita adulto tinha, leu e comentou as Escrituras.
O episódio que nos é proposto integra a primeira parte do Evangelho segundo Marcos (cf. Mc. 1,14-8,30). Aí, Jesus é apresentado como o Messias que proclama, por toda a Galileia, o Reino de Deus. Na secção que vai de 3,7 a 6,6, contudo, Marcos refere-se especialmente à reação do Povo face à proclamação de Jesus… À medida que o “caminho do Reino” vai avançando, vão-se multiplicando as oposições e incompreensões face ao projeto que Jesus anuncia. O nosso texto deve ser entendido neste ambiente.
MENSAGEM
Os ensinamentos de Jesus na sinagoga, naquele sábado, deixam impressionados os habitantes de Nazaré, como já tinham deixado impressionados os fiéis da sinagoga de Cafarnaum (cf. Mc. 1,21-28). No entanto, os de Cafarnaum, depois de ouvir Jesus, reconheceram a sua autoridade mais do que divina (e que, segundo eles, era diferente da autoridade dos doutores da Lei); os de Nazaré vão chegar a conclusões distintas.
Depois de escutarem Jesus, na sinagoga, os seus conterrâneos traduzem a sua perplexidade através de várias perguntas… Duas das questões postas dizem respeito à origem e à qualidade dos ensinamentos de Jesus (“de onde lhe vem tudo isto? Que sabedoria é esta que lhe foi dada?” – v. 2); uma outra questão refere-se à qualificação das ações de Jesus (“e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos?” – v. 2).
Numa espécie de contraponto à impressão que Jesus lhes deixou, eles recordam o seu ofício e a “normalidade” da sua família (v. 3a)… Para eles, Jesus é “o carpinteiro”: não é um “rabbi”, nunca estudou as Escrituras com nenhum mestre conceituado e não tem qualificações para dizer as coisas que diz. Por outro lado, eles conhecem a identidade da família de Jesus e não descobrem nela nada de extraordinário: Ele é o “filho de Maria” e os seus irmãos e irmãs são gente “normal”, que toda a gente conhece em Nazaré e que nunca revelaram qualidades excepcionais. Portanto, parece claro que o papel assumido por Jesus e as ações que Ele realizou são humanamente inexplicáveis.
A questão seguinte (que, no entanto, não aparece explicitamente formulada) é esta: estas capacidades extraordinárias que Jesus revela (e que não vêm certamente dos conhecimentos adquiridos no contacto com famosos mestres, nem do ambiente familiar) vêm de Deus ou do diabo? Desde o primeiro momento, os comentários dos habitantes de Nazaré deixam transparecer uma atitude negativa e um tom depreciativo na análise de Jesus. Nem sequer se referem a Jesus pelo próprio nome, mas usam sempre um pronome para falar d’Ele (Jesus é “este” ou “ele” - vs. 2-3). Depois, chamam-Lhe depreciativamente “o filho de Maria” (o costume era o filho ser conhecido em referência ao pai e não à mãe). Como cenário de fundo do pensamento dos habitantes de Nazaré está provavelmente a acusação feita a Jesus algum tempo antes pelos “doutores da Lei que haviam descido de Jerusalém e que afirmavam: «Ele tem Belzebu! É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios»“ (Mc. 3,22). Marcos conclui que os habitantes de Nazaré ficaram “escandalizados” (v. 3b) com Jesus (o verbo grego “scandalidzô”, aqui utilizado, significa muito mais do que o “ficar perplexo” das nossas traduções: significa “ofender”, “magoar”, “ferir suscetibilidades”). Há na vila uma espécie de indignação porque Jesus, apesar de ter sido desautorizado pelos mestres reconhecidos do judaísmo, continua a desenvolver a sua atividade à margem da instituição judaica. Ele põe em causa a religião tradicional, quando ensina coisas diferentes e de forma diferente dos mestres reconhecidos. Conclusão: Ele está fora da instituição judaica; o seu ensinamento não pode, portanto, vir de Deus, mas do diabo. Os conterrâneos de Jesus não conseguem reconhecer a presença de Deus naquilo que Jesus diz e faz.
Jesus responde aos seus concidadãos (v. 4) citando um conhecido provérbio, mas que Ele modifica, em parte (o original devia soar mais ou menos assim: “nenhum profeta é respeitado no seu lugar de origem, nenhum médico faz curas entre os seus conhecidos”). Nessa resposta, Jesus assume-Se como profeta – isto é, como um enviado de Deus, que atua em nome de Deus e que tem uma mensagem de Deus para oferecer aos homens. Os ensinamentos que Jesus propõe não vêm dos mestres judaicos, mas do próprio Deus; a vida que Ele oferece é a vida plena e verdadeira que Deus quer propor aos homens.
A recusa generalizada da proposta que Jesus traz coloca-o na linha dos grandes profetas de Israel. O Povo teve sempre dificuldade em reconhecer o Deus que vinha ao seu encontro na palavra e nos gestos proféticos. O fato de as propostas apresentadas por Jesus serem rejeitadas pelos líderes, pelo povo da sua terra, pelos seus “irmãos e irmãs” e até pelos da sua casa não invalida, portanto, a sua verdade e a sua procedência divina.
Porque é que Jesus “não podia ali fazer qualquer milagre” (vers. 5)? Deus oferece aos homens, através de Jesus, perspectivas de vida nova e eterna… No entanto, os homens são livres; se eles se mantêm fechados nos seus esquemas e preconceitos egoístas e rejeitam a vida que Deus lhes oferece, Jesus não pode fazer nada. Marcos observa, apesar de tudo, que Jesus “curou alguns doentes impondo-lhes as mãos”. Provavelmente, estes “doentes” são aqueles que manifestam uma certa abertura a Jesus mas que, de qualquer forma, não têm a coragem de cortar radicalmente com os mecanismos religiosos do judaísmo para descobrir a novidade radical do Reino que Jesus anuncia.
Marcos nota ainda a “surpresa” de Jesus pela falta de fé dos seus concidadãos (v. 6a). Esperava-se que, confrontados com a proposta nova de liberdade e de vida plena que Jesus apresenta, os seus interlocutores renunciassem à escravidão para abraçar com entusiasmo a nova realidade… No entanto, eles estão de tal forma acomodados e instalados, que preferem a vida velha da escravidão à novidade libertadora de Jesus.
Este fato decepcionante não impede, contudo, que Jesus continue a propor a Boa Nova do Reino a todos os homens (vers. 6b). Deus oferece, sem interrupção, a sua vida; ao homem resta acolher ou não esse oferecimento.
ATUALIZAÇÃO
O texto do Evangelho repete uma ideia que aparece também nas outras duas leituras deste domingo: Deus manifesta-Se aos homens na fraqueza e na fragilidade. Normalmente, Ele não se manifesta na força, no poder, nas qualidades que o mundo acha brilhantes e que os homens admiram e endeusam; mas, muitas vezes, Ele vem ao nosso encontro na fraqueza, na simplicidade, na debilidade, na pobreza, nas situações mais simples e banais, nas pessoas mais humildes e despretensiosas… É preciso que interiorizemos a lógica de Deus, para que não percamos a oportunidade de O encontrar, de perceber os seus desafios, de acolher a proposta de vida que Ele nos faz…
• Um dos elementos questionantes no episódio que o Evangelho deste domingo nos propõe é a atitude de fechamento a Deus e aos seus desafios, assumida pelos habitantes de Nazaré. Comodamente instalados nas suas certezas e preconceitos, eles decidiram que sabiam tudo sobre Deus e que Deus não podia estar no humilde carpinteiro que eles conheciam bem… Esperavam um Deus forte e majestoso, que se havia de impor de forma estrondosa, e assombrar os inimigos com a sua força; e Jesus não se encaixava nesse perfil. Preferiram renunciar a Deus, do que à imagem que d’Ele tinham construído. Há aqui um convite a não nos fecharmos nos nossos preconceitos e esquemas mentais bem definidos e arrumados, e a purificarmos continuamente, em diálogo com os irmãos que partilham a mesma fé, na escuta da Palavra revelada e na oração, a nossa perspectiva acerca de Deus.
• Para os habitantes de Nazaré Jesus era apenas “o carpinteiro” da terra, que nunca tinha estudado com grandes mestres e que tinha uma família conhecida de todos, que não se distinguia em nada das outras famílias que habitavam na vila; por isso, não estavam dispostos a conceder que esse Jesus – perfeitamente conhecido, julgado e catalogado – lhes trouxesse qualquer coisa de novo e de diferente… Isto deve fazer-nos pensar nos preconceitos com que, por vezes, abordamos os nossos irmãos, os julgamos, os catalogamos e etiquetamos… Seremos sempre justos na forma como julgamos os outros? Por vezes, os nossos preconceitos não nos impedirão de acolher o irmão e a riqueza que Ele nos traz?
• Jesus assume-Se como um profeta, isto é, alguém a quem Deus confiou uma missão e que testemunha no meio dos seus irmãos as propostas de Deus. A nossa identificação com Jesus faz de nós continuadores da missão que o Pai Lhe confiou. Sentimo-nos, como Jesus, profetas a quem Deus chamou e a quem enviou ao mundo para testemunharem a proposta libertadora que Deus quer oferecer a todos os homens? Nas nossas palavras e gestos ecoa, em cada momento, a proposta de salvação que Deus quer fazer a todos os homens?
• Apesar da incompreensão dos seus concidadãos, Jesus continuou, em absoluta fidelidade aos planos do Pai, a dar testemunho no meio dos homens do Reino de Deus. Rejeitado em Nazaré, Ele foi, como diz o nosso texto, percorrer as aldeias dos arredores, ensinando a dinâmica do Reino. O testemunho que Deus nos chama a dar cumpre-se, muitas vezes, no meio das incompreensões e oposições… Frequentemente, os discípulos de Jesus sentem-se desanimados e frustrados porque o seu testemunho não é entendido nem acolhido (nunca aconteceu pensarmos, depois de um trabalho esgotante e exigente, que estivemos a perder tempo?)… A atitude de Jesus convida-nos a nunca desanimar nem desistir: Deus tem os seus projetos e sabe como transformar um fracasso num êxito.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho


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Jesus não aceito, desprezado em Nazaré.
Os estudiosos costumam dizer que a primeira parte do Evangelho de Marcos (que termina da “Confissão de Pedro”) se divide em varias partes menores; cada uma destas partes começa com um resumo – normalmente chamado “sumario” – da vida de Jesus; depois de cada uma delas vem uma referencia aos apóstolos. Nesse esquema, o evangelho de hoje é o fim da segunda das três pequenas partes que se caracterizam por um aumento progressivo no conflito que Jesus provoca ao encontrar-se com ele.
O texto marca o ponto chave: Jesus – que é apresentado aqui como profeta – se encontra com a absoluta falta de fé dos seus amigos e parentes. O “fracasso” de Jesus vai se acentuando: na terceira parte já começa a pressentir a “derrota” do Senhor  antecipada na morte do Batista. É característica do Evangelho de Marcos apresentar a seus destinatários o aparente fracasso, a solidão, o escândalo da cruz de Jesus. Essa cruz é partilhada com todos os perseguidos por causa do seu nome, como o é a comunidade de Marcos.
Em toda a segunda parte do Evangelho encontramos Jesus tratando – a sós com os seus – de revelar-lhes o sentido de um “Messias crucificado” que será plenamente descoberto pelo centurião – na ausência de qualquer sinal exterior que o justifique – como o “Filho de Deus”. Os habitantes de Nazaré não dão crédito a seus ouvidos: de onde lhe vem isso que ensina na sinagoga? “A este nós o conhecemos e também a seus parentes”. A sabedoria com a qual fala, os sinais do Reino que saem de sua vida, não parecem coerentes com o que eles conhecem. Aí está o problema: “com o que ele s conhecem”.
É que a novidade de Deus sempre está mais além do conhecido, sempre mais além do aparentemente “sabido”; porém, não um mais além do “celestial”, mas um “mais além” do que esperávamos, porém “mais aqui” do que imaginávamos; não estamos longe da alegria de Jesus porque “Deus ocultou estas coisas aos sábios e prudentes e as revelou aos simples”, não estamos longe da incompreensão das parábolas: não por serem difíceis, mas precisamente ao contrário, por serem simples.
O “Seus sempre maior” desconcerta e isto leva a que falte a fé se não estamos abertos à gratuidade e à eterna novidade de Deus, à sua proximidade. Por isso, pela falta de fé, Jesus não pode fazer ali muitos milagres. Quem não descobre nele os sinais do Reino, não poderão crescer em sua fé e não descobrirão então, que Jesus é o enviado de Deus, o profeta que vem anunciar um Reino de Boas notícias. Isto é escândalo para quem não pode aceitar Jesus porque nenhum profeta é bem recebido em sua própria pátria.
E talvez também a nós nos escandalize. Jesus é olhado com os olhos dos seus conterrâneos como uma pessoa a mais. Não souberam ver nele um profeta. Um profeta é alguém que fala em nome de Deus. Custa muito reconhecer em quem é visto como um de nós: é difícil reconhecer nele alguém que Deus escolheu e enviou. Custa pensar que estes tempo em que vivemos são tempos especiais e preparados por Deus (kairós) desde sempre. Porém, nesse momento específico, Deus escolheu um homem específico, para que pronuncie sua palavra de Boas Noticias para o povo, cansado e abatido por tantas noticias más.
Não é fácil reconhecer a passagem de Deus pela nossa vida, especialmente quando essa passagem se reveste de roupagem comum, como um de nós. Às vezes gostaríamos que Deus se manifestasse de maneira espetacular, tipo “Hollywood”, porém o enviado de Deus, seu próprio Filho, participa de nossas mesas, caminha nossos passos e veste nossas roupas. É alguém que conhecemos, porém não o reconhecemos. Sua palavra é uma palavra que Deus pronuncia e com a qual Deus mesmo nos fala. Suas mãos de trabalhador comum são mãos que realizam sinais, porém com muita freqüência nossos olhos não estão preparados para ver nesses sinais a presença da passagem de Deus em nossa historia.
Muitas vezes não conseguimos perceber a passagem de Deus em nossa historia, não conseguimos reconhecer nossos profetas. É sempre mais fácil esperar os casos extraordinários e espetaculares ou olhar alguém de fora. É muito mais “espetacular” olhar um testemunho em Cualcutá do que cem mil irmãos e irmãs pelas terras da América Latina que trabalham, se gastam e se desgastam trabalhando pela vida, ainda que lhes custe a vida.
É muito mais maravilhoso olhar os milagres anunciados pelos pregadores itinerantes e televisivos, que aceitar o sinal cotidiano da solidariedade e a fraternidade. É muito mais fácil esperar e escapara para uma manhã que talvez venha, do que ver a passagem de Deus em nosso tempo e semear a semente de vida e esperança no tempo e no espaço de nossa própria historia. Tudo isso será mais fácil, porém, não estaríamos deixando Jesus passar longe?
Oração: Ó Deus, Pai nosso, que continuamente nos convidais à conversão, nós te pedimos que abras nossos ouvidos e nossos corações a fim de que estejamos sempre atentos à tua palavra para que nos deixemos transformar por ela e a pratiquemos com entusiasmo.
“Um profeta só não é estimado em sua pátria!”
Jesus foi para sua terra, acompanhado de seus discípulos. Chegado o sábado, pôs-se a ensinar na sinagoga. Muitos que o ouviam se admiravam e diziam: “Donde lhe vem tudo isso? Que sabedoria é essa que lhe foi dada? E estes milagres que se fazem por suas mãos? Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria o, irmão de Tiago, de José, de Judas e Simão? E as suas irmãs não vivem aqui entre nós?” E não queriam acreditar nele. Jesus, porém, lhes dizia: “Um profeta só é desprezado em sua terra, entre seus parentes e em sua própria casa”. E não pôde fazer ali nenhum milagre. Curou apenas alguns doentes, impondo-lhes as mãos. E ficou admirado com a falta de fé deles.
Comentário
Vamos iniciar nossa meditação de hoje desejando muita paz para você conterrânea e conterrâneo amigo. Conterrâneo... essa palavra é bastante utilizada no norte e nordeste do Brasil e tem o mesmo significado de concidadão, compatriota ou patrício. São pessoas nascidas na mesma terra, na mesma cidade.
No evangelho de hoje, Jesus aparece entre seus amigos, muitos talvez, amigos de infância. Rodeado por pessoas, de todas as idades, que o conheciam desde pequeno. Muitos dos presentes devem ter frequentado a mesma escola e partilhado, com Ele, dos mesmos brinquedos.
Sabendo de tudo isso, não conseguiam aceitar que um "conterrâneo", alguém nascido e criado ali, pudesse demonstrar tanta sabedoria e realizar milagres. É muito difícil de aceitar que as virtudes possam estar presentes nas pessoas humildes ou num simples carpinteiro da região.
Esse modo de analisar as pessoas também é utilizado para analisar os produtos industrializados. Assim como eu, você também já deve ter comprado eletro-eletrônicos, eletrodomésticos, roupas, relógios, brinquedos e outras centenas de produtos importados, crente que eles nunca iriam quebrar.
O simples fato de serem importados traz a sensação de serem superiores em qualidade e resistência. Parecem até mais bonitos e bem acabados que os nossos. Chega a ser desleal a concorrência quando comparamos esses produtos com os nacionais. Por mais que se queira disfarçar, existe um grande preconceito quanto aos produtos fabricados internamente em relação aos importados.
O mesmo acontece com as pessoas, profissões e entidades. Não vamos contestar os recursos técnicos e a capacidade de alguns profissionais, mas a verdade é que esperamos verdadeiros milagres dos médicos do exterior e, diante de uma simples dor de cabeça, não acreditamos no poder de cura do analgésico, só porque foi receitado pelo médico do Posto de Saúde.
Os mais abastados fretam avião, hospedam-se em hotéis luxuosos e pagam "fortunas" por uma consulta médica no exterior, enquanto em sua terra estão excelentes profissionais, muito conhecidos e afamados lá fora.
Mas, pelo visto, não é novidade esse modo de pensar e agir. Jesus também foi rejeitado, teve que exercer seu ministério longe da sua terra.
O evangelista diz que: "Ficaram escandalizados por causa dele". Seus amigos e vizinhos se escandalizaram com a sabedoria, com as palavras e com os milagres que estava fazendo um simples jovem, filho daquela terra.
Também não é novidade que o profeta não é bem aceito. As palavras do profeta incomodam, machucam. Geralmente, não é bem vindo quem diz verdades, quem luta por igualdade e prega honestidade e amor. Esse é simplesmente afastado, expulso de nosso convívio.
Não quero parecer maldoso, mas quantas vezes recebemos como verdadeiro herói aquele mau caráter de colarinho branco. Cheios de admiração enaltecemos aquele que lesa as pessoas e o patrimônio público. Não raro, até banda de música está presente na recepção.
Jesus ficou admirado com a falta de fé que encontrou, e ali não fez nenhum milagre. Magoado com tudo que presenciou, diante da incompreensão do povo, Jesus foi procurar nos povoados da redondeza, pessoas que fizessem por merecer seus milagres. Dois mil anos se passaram. Imagine Jesus chegando agora em nosso “povoado”... será que não irá se decepcionar novamente?
Jorge Lorente
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Jesus em sua terra
Saindo dali, foi para a sua pátria e os seus discípulos o seguiram. Vindo o sábado, começou Ele a ensinar na sinagoga e numerosos ouvintes ficavam maravilhados, dizendo: "De onde lhe vem tudo isso? E que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais milagres por suas mãos? Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E as suas irmãs não estão aqui entre nós?". E escandalizavam-se dele. E Jesus lhes dizia: "Um profeta só é desprezado em sua pátria, em sua parentela e em sua casa". E não podia realizar ali nenhum milagre, a não ser algumas curas de enfermos, impondo-lhes as mãos. E admirou-se da incredulidade deles. E Ele percorria os povoados circunvizinhos, ensinando.
O trecho do evangelho nos descreve a visita de Jesus a Nazaré, a cidade em que cresceu, onde havia trabalhado e tinha muitos parentes. Retornava agora como mestre, já aclamado pelas multidões e precedido também pela firma de operador de milagres: seguia-o um grupo de discípulos que já acreditavam em sua palavra.
Como sempre, Jesus vai à sinagoga, justamente no dia de sábado, quando os hebreus a frequentavam em grande número, e coloca-se a falar. Marcos não nos diz o que Jesus falou; mas quase certamente terá comentado qualquer trecho da bíblia, no qual se podia entrever a figura do Messias prometido, esperado por todo o Israel, como nos atesta o trecho paralelo de Lucas (4,14-30). Todo o povo ficou "admirado" com as novas e interessantes coisas que ele dizia e também pela "graça" (Lc. 4,22) com que falava. E se perguntavam curiosos: "De onde vem tudo isto? Onde foi que arranjou tanta sabedoria? E esses milagres que são realizados pelas mãos dele?" (v. 2).
Mas neste ponto da cena se transtornam: da admiração passam a uma tomada de distância, a uma espécie de difamação, pois conhecem bem a sua família e seus parentes, todas pessoas muito modestas para se pensar que daquele ambiente pudesse surgir o Messias (v. 3).
O escândalo não significa aqui algo moralmente indecoroso; mas algo pior: remete a uma "pedra de escândalo", em que se tropeça, que nos faz cair, que atrapalha nosso caminho. É o escândalo da fé, que não nos permite ir além daquele pouco que se vê ou se toca com as mãos, como se o mistério de Deus fosse encerrado nos sistemas lógicos do nosso pensar!
A admiração inicial, que fazia entrever algo grande naquele conterrâneo, apagou-se diante das considerações mesquinhas que colocavam Jesus em dimensões meramente provincianas.
Jesus fica evidentemente contrariado com a acolhida de seus conterrâneos (v. 4). E como reação, parece querer puni-los renunciando a operar milagres.
Na verdade, é que naquelas condições não se podia operar milagres!
O milagre, de fato, se põe em um contexto de fé, que pressupõe confiança e entrega ao enviado de Deus; na falta destas condições, o milagre reduzir-se-ia a um mero espetáculo de circo.
Por outro lado, Jesus bens sabe que os profetas têm logo, quase todos, um destino de rejeição e de martírio, ao longo de toda a história de Israel.
padre Fernando Armellini - Celebrando a Palavra
 temas de pregação dos padres dominicanos
Revista “O Mílite”

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Os missionários do reino
A palavra de Deus brota das páginas do livro Sagrado com a limpidez e a serenidade da água que escorre de uma fonte. E vai matando nossa sede de bem e de verdade. Hoje estamos lendo, na redação de São Marcos, um episódio narrado pelos três sinópticos: Jesus enviando os apóstolos numa primeira viagem missionária. Não era ainda a missão definitiva. Era uma missão que podemos chamar de experimental, destinada ao ambiente judeu e não estendida ainda ao mundo dos gentios. Os conselhos e as recomendações que Jesus Ihes dá valem para eles e, com as devidas transposições, valem também para todos os pregoeiros do Evangelho.
E poderíamos começar lembrando que eles são enviados, são mandados por Deus. Como no Antigo Testamento Deus mandava seus profetas, no Novo Testamento Jesus - que é o Deus-conosco - manda seus apóstolos. Aliás, "apóstolo" é o nome grego correspondente ao latim "missus", que significa exatamente "aquele que é enviado". No caso, enviado por Deus. É lamentável que haja por aí tanto "missionário", que se arroga esse direito - inclusive por deploráveis interesses pecuniários -e vão iludindo os simples e provocando a maior confusão de idéias sobre os valores espirituais.
Noutro .lugar do Evangelho Jesus nos acautela sobre os falsos profetas. Houve-os sempre. Como houve no tempo do profeta Amós, como se pode depreender do breve trecho de seu livro que a liturgia nos oferece como primeira leitura. Amós não era um profeta áulico, como era o sacerdote Amasias do santuário de Betel, a serviço do rei Jeroboão.
Seu poder vinha de Deus, que o chamara de seu humilde ofício de pastor e de cultivador de sicômoros para anunciar a palavra do Senhor, não os caprichos do Rei. Por isso mesmo ele tem palavras do fogo para condenar os abusos dos grandes, que com seu luxo e sua cobiça oprimiam os humildes.
Amós, profeta não por sua vontade mas pela vontade de Deus, gozava de uma nobre independência. Não estava ligado a compromissos com a corte, nem com quaisquer interesses mundanos. Como devem ser os pregoeiros do Evangelho. Desapegados de qualquer empecilho terreno. Leves no corpo e no espírito, para o perfeito cumprimento de sua tarefa sobrenatural. Como disse Jesus aos seus apóstolos para a sua missão inaugural: "Que nada levassem para o caminho, a não ser um cajado apenas; nem pão, nem alforje, nem dinheiro no cinto. Mas que andassem calçados com sandálias e não levassem duas túnicas" (Mc 6, 8-9).
E só transpor isso para os costumes de hoje, e teremos a figura de um missionário sóbrio, sem exigências, cheio de entrega nas mãos da Providência.
E de Jesus receberam a missão de anunciar o Reino de Deus e pregar a conversão. Onde entra o Reino, que é feito de amor, de verdade e de justiça, os corações se vão mudando.
Acontece a "metanoia", isto é a mudança de mentalidade. Como a Luz dissipa as trevas, os valores do Reino vão afastando o erro e a mentira, a Injustiça e a discriminação, o ódio e a violência. Receberam ainda o poder de expulsar os demônios, sinal certo de que tinham chegado os tempos messiânicos. Faziam também curas, ungindo os enfermos com óleo, preludiando o sacramento dos enfermos, como diz o Concílio Tridentino a respeito desse sacramento: instituído por Cristo, insinuado no Evangelho de Marcos, promulgado e recomendado aos fiéis pelo apóstolo São Tiago (cfr Conc. Tridentino, Sessão XIV).
E não deixa de ter um profundo significado também o fato de Jesus os enviar dois a dois. Era a caridade fraterna em ação. Era a condenação do egoísmo e da auto - suficiência. Isso também falava eloqüentemente ao coração dos ouvintes desses profetas do Novo Testamento.
A Igreja, que é toda ela missionária, enviada para o mundo dentro do qual vivemos, tem que ter sempre diante dos olhos a lição que o Divino Mestre deixou para os seus apóstolos. E cada pastor da Igreja -e por que não dizer também cada catequista, e cada pai, e cada mestre? - deve assumir em sua vida as santas lições do Evangelho, para que Deus esteja presente em tudo aquilo que pregam e ensinam.
padre Lucas de Paula Almeida, CM
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“Levanta-te!” Era o imperativo de Jesus do último Domingo. Hoje, Jesus recorda-nos que apenas reconhecendo a nossa condição e compreendendo nela a Sabedoria do olhar de Deus podemos responder-Lhe afirmamente. O Evangelho propõe-nos a sabedoria indivisível do olhar de Deus como o caminho que nos eleva à unidade de Vida.
Jesus desloca-Se a Nazaré, terra natal da Sua mãe e onde cresceu (Mc. 1,9). Nazaré era uma normal e simples localidade. Nem o AT, nem Flávio Josefo ou os escritos rabínicos fazem referência a Nazaré, e alguns judeus do tempo de Jesus desvalorizavam-na (Jo. 1,46). Porém, foi em Nazaré que Deus anunciou o nascimento do Seu filho e aí Jesus quis viver e transformar com a Sua vida aquela simples terra. Jesus participa humildemente na oração na sinagoga em Nazaré, e como qualquer outro judeu habilitado, lê e comenta as Escrituras.
A reacção dos membros da sinagoga foi especialmente negativa. Se na sinagoga de Cafarnaúm, por exemplo, os judeus maravilharam-se e reconheceram a autoridade de Jesus (cf. Mc. 1,21-28), aqueles de Nazaré questionam-nO e não acreditaram n’Ele. Se em Cafarnaúm Jesus encontrou fé e libertou um homem de um espírito imundo, em Nazaré encontrou homens fechados em si mesmos e prontos a questionar: “De onde Lhe vem tudo isto? Que sabedoria é esta que Lhe foi dada e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos? Não é ele o carpinteiro, Filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão?
O Evangelho deste Domingo esclarece-nos uma questão essencial: donde vem a sabedoria de Jesus? A resposta é simples: Jesus vive totalmente do Pai. O Seu olhar é o olhar do Pai, o Seu saber é o saber do Pai. Jesus vive da Luz do olhar do Pai que O orienta e anima. Jesus vive em constante contemplação com o Pai, quando se apresenta aos homens como o Caminho, apresenta o Seu Caminho para o Pai; quando se oferece como o Pão da Vida oferece a Vida do Pai que O sacia; quando olha, olha-nos com o olhar que recebe do Pai. Essa é a Sua autoridade que O anima e com a qual quer encher o mundo.
Outra questão se coloca: como posso viver a Sabedoria que Jesus nos oferece? A autoridade assumida e oferecida por Jesus não se baseia nos livros, nas universidades, nos títulos, nas proveniências, ou nas tradições. Jesus, sem desvalorizar essas mediações, oferece-nos a raiz do saber: a indivisibilidade daquele que tudo recebe e dá no olhar do Pai. A autoridade vivida e oferecida por Jesus é o olhar do Pai, o Seu olhar indiviso, puro, autêntico. O olhar do Pai é pleno em Jesus e n’Ele quer elevar-nos à plenitude do saber.
Apenas o olhar de Deus nos pode realizar, consolar, purificar. Apenas o Seu olhar nos pode ensinar, santificar, e unificar, unificar as nossas ambiguidades, devaneios, o mal que nos persegue, o passado que recebemos do mundo, os pecados passados. Apenas unificados pelo olhar do Pai podemos compreender a nossa condição e contemplar com o Seu olhar cada homem como irmão. Deus é Pai de todos e todos quer congregar na sabedoria do Seu olhar de Amor indiviso.
O primeiro passo para acolher a sabedoria do olhar de Deus é o reconhecer a nossa condição. Assim com um bebé nasce para receber o olhar no regaço de sua mãe, assim cada homem nasceu para viver do olhar materno de Deus. Deus criou-nos e formou-nos fragéis e destinou-nos o Seu olhar de Amor. Apenas o Seu olhar nos pode realizar, sem Ele somos cegos no mundo, sedentos de Amor. Nós fomos destinados a viver do olhar amoroso de Deus que nos criou, o olhar que é o vínculo de unidade do nosso ser e dos seres entre si.
A nossa condição não é prisão, maldição, nem fatalismo. São Paulo clama: “alegro-me nas minhas fraquezas, nas afrontas, nas adversidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor de Cristo, porque, quando sou fraco, então é que sou forte.” O homem que reconhece a sua condição reconhece a sua grandeza, pois é exatamente aí que Deus opera as Suas maravilhas, para as quais nos destinou desde a criação.
Aquele, como alguns dos membros da sinagoga de Nazaré, que ignora a sua condição e fecha-se à ação de Deus, não experimenta a grandeza à qual foi destinado. Quantas ilusões, fantasias, e projetos nossos, nos iludem com grandezas que nos conduzem ao fracasso? A lógica de Deus é outra. Deus recorda-nos a nossa condição e nela oferece-nos a sabedoria que nos realiza. O mundo ilude-nos com as grandezas e conduz-nos ao fracasso, pois ignora a sabedoria criativa do amor. Deus, que nos criou e criou o mundo, esclarece-nos acerca da nossa condição e nela quer-nos elevar a nossa grandeza.
Um generoso homem quis desfrutar e oferecer aos seus amigos de sempre uma bela viagem. Reservou as melhores pousadas, programas, restaurantes, e alugou um belo carro. Ignorando o tipo de combustível, encheu o carro de gasolina. Enganou-se! O carro rapidamente deu problemas. Aquelas férias pareciam condenadas, pois o carro parou! Para prosseguir viagem, depois de se aperceberem do erro, retiraram toda a gasolina e colocaram o combustível ajustado! Nos nossos belos propósitos, se não reconhecemos a nossa condição, se não nos esvaziamos daquilo que não serve, senão recebemos aquilo que nos move e faz mover, estaremos sempre avariados, a empatar o trânsito, e a protestar! Viveremos dum alimento que não nos sacia nem serve!
O passo para acolher a sabedoria do olhar de Deus completa-se quando o homem descobre na sua condição o desejo da sabedoria destinada a realizá-lo. Essa sabedoria encontra-se, desvela-se, clarifica-se no olhar, olho nos olhos, entre Aquele que nos criou, e desde sempre nos ama e contempla, e o homem, criado e destinado a viver do Seu olhar.
A contemplação é escola do sábio, que no silêncio escuta a Palavra, no eterno saboreia o presente, no perdão oferece a comunhão, no amor se entrega. É o próprio Senhor que nos diz: “Basta-te a minha graça, porque na fraqueza manifesta-se todo o meu poder.” Aquele que contempla Deus, passo a passo, cresce na sabedoria, pois vive do olhar sábio de Deus que chama continuamente à Sua verdade.
O encanto na nossa vida é medido pela nossa fé. Jesus sempre caminhou animado pelo olhar do Pai, e assim nos chama a caminharmos. A sabedoria que do pequeno faz grande, a sabedoria que da fraqueza faz grandeza, na humildade transforma a história. Ainda prevalece a guerra na terra de Jesus e no mundo. Deus, como naquela tarde na sinagoga, admira-Se da ignorância e contradição dos homens que recusam a sua condição de viver do olhar do único e mesmo Amor e persistem em viver dos olhares do terror, do medo, do olhar que dispersa e não congrega, do olhar que mata e não dá vida.
Jesus apresentou-Se e chama-nos a sermos profetas no mundo. O profeta é aquele que reconhece a sua condição humana e dirige o seu olhar para o Amor e oferece-o à humanidade. O profeta vive do Espírito de Deus que o levanta e envia ao mundo rebelde, revoltado contra o Amor, duro e obstinado de coração. O profeta haja o que houver não deixa de olhar face a face o Amor que o move.
O profeta tem os seus olhos postos no Senhor e em cada manhã e ocasião levanta os seus olhos ao Amor e n’Ele fixa o seu olhar. O profeta diz não à arrogância e ao desprezo dos duros de coração. O profeta é humilde como Jesus que sendo Deus cresceu e rezou na humildade com os seus. O profeta é humilde no ser, recebe tudo da contemplação do Pai, e dá-lo na mesma medida à humanidade.
frei Bernardo
2Cor. 12,7-10
Por causa das grandes revelações e a fim de não ficar arrogante me foi dado um espinho na carne - pedi ao Senhor para me livrar. Ele me disse: Basta-te a minha graça pois é na fraqueza que a força se manifesta. - Então me glorio das fraquezas para ter a força de Cristo - quando fraco é que sou forte!
Mc. 6,1-6
Jesus foi a Nazaré, sua terra. No sábado ensinou na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam:De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E os milagres de suas mãos?
O mesmo olhar de costume É mais comum do que parece: alguém ser desprezado em sua própria terra natal, pelos seus próprios parentes e vizinhos. Não importa o que ele faça nem mesmo que seja admirado: os da aldeia de Jesus viram sua sabedoria e o poder de suas mãos curando doentes. Eles ficaram “escandalizados”, isto é, ofendidos ou, ao pé da letra, tinham Jesus como um estorvo, ocasião de queda, motivo para tropeçar e cair. Por que não o contrário? Por que não se orgulhavam dele? Por que não estavam felizes ao ver um parente ou conterrâneo cheio de sabedoria nos lábios e poder de cura nas mãos? Era porque olhavam com preconceito. Afinal já era conhecido por eles, era o filho da sua vizinha, Dona Maria de Nazaré, tinha sido carpinteiro na aldeia. Já conhecido antes, tinha um rótulo, um endereço, uma posição definida na comunidade. Não era para ter sabedoria nem podia realizar as maravilhas que realizava.
A “mesmice” e a sabedoria. Jesus mudou. Saiu, como Abraão, de sua casa e de sua parentela. Assumiu a missão de anunciar a Boa Notícia = Deus ama. Mas não arranjou emprego como profissional do Templo nem da Lei. E seus parentes e vizinhos não mudaram. Continuaram olhando o mundo do mesmo jeito. Não queriam aprender nada pois já sabia tudo (o pior obstáculo para aprender é achar que já se sabe e nada mais se precisa aprender). Jesus usa o provérbio popular: ninguém é recebido como profeta em sua terra. De fato, ele não voltou como escriba ou doutor, não era um intelectual importante nem político de fama. Não tinha uma autoridade religiosa nem era um líder como tantos (na antiguidade como muitos hoje também, eram autoritários e arrogantes). O próprio apóstolo Paulo contou que não virou arrogante (ele tinha extraordinárias experiências místicas) porque tinha “um espinho na carne” que só agüentava porque o Senhor lhe dizia: basta-te minha graça. Nunca saberemos que “espinho” era esse, mas Paulo até se gabava de suas limitações: na fraqueza aparecia a força do alto. Se Jesus se comportasse como outros políticos do seu tempo ou como outras autoridades (por exemplo, como certos hipócritas “piedosos”), teria logo multidão de fãs, ou seguidores e bajuladores. E o aplauso certo de seus parentes.
Pior cego é o que não quer ver. A cura é passagem de uma situação de mal para o bem, também chamada de “milagre”. Milagre é um “sinal”. Sinal só presta se é entendido, senão é enigma incompreensível. Se não aponta para nada, não serve pra nada. Só reconhece curas e transformações quem aprende um “novo olhar”. O povo daquela aldeia via mas não enxergava. Se admirava (à toa) com as palavras e curas dele. Para ter um novo olhar é preciso curar primeiro o interior. A cura começa na alma. Experimentar a saúde e o bem dentro de si para reconhecer a cura nos outros. Parece a instrução dada em viagem de avião: se precisar, ponha primeiro sua máscara de oxigênio e depois ajude outros.
Admirados Os parentes e conterrâneos de Jesus estavam admirados (quem sabe queriam, como nós, uma explicação científica: de onde? Como? Como é que pode?). Jesus, diz o narrador, também se admirava, mas era com a falta de fé, pois o Mestre de Nazaré achava que mais do que “explicar” era preciso curar. Até hoje fica tão admirado que não se cansa de tentar de novo, chama cada um pelo nome, atende todos (como no sermão da Montanha: o Pai faz chover sobre justos e injustos).
Sabedoria e cura. Façamos uma oração olhando as mãos (dá no mesmo se olhamos a própria vida). Acreditemos que palavras e mãos (no trabalho, família, vizinhança, cidade) estão sempre fazendo o bem (se cuidamos, curamos). Basta escutar a Palavra dele, e deixar-se curar pelas mãos dele. Todos têm seus “espinhos na carne”. Alguns se tiram como farpas. Para outros, basta-nos a força que ele dá.
prof. Fernando Soares Moreira
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Vitória nas fraquezas
O texto de São Paulo deste Domingo apresenta-se como um incentivo, uma esperança ou um consolo importante para enfrentar todas as consequências, quando tomamos a coragem de defender a verdade e até quando ousamos simplesmente opinar sobre alguma coisa que vá contra o pensamento único e dominante deste mundo. Não é nada fácil estar contra a corrente. Não nos deve calar nem sossegar a mentira que se torna verdade e a verdade que se torna mentira, para dominar e fazer prevalecer o poder de alguns.
Mas, São Paulo adverte que aquilo que recebemos de Jesus Cristo não nos deve ensoberbecer. A simplicidade e a humildade na missão que Deus nos concede realizar, devem ser qualidades tomadas muito a sério. Por isso, perante as injustiças da vida devemos sem medo proclamar o bem para todos. Não devemos estar quietos enquanto a vida se resumir a viver por viver, porque as condições para tal são, o maior dos egoísmos, o individualismo e a soberba de alguns que tudo dominam em detrimento do bem comum.
Tomar a sério a opção pela verdade e pela justiça que o Evangelho proclama arrasta muitos dissabores, que podem ser a calúnia, a vingança, a incompreensão, a prisão e até a morte. Mas, nada disso nos deve derrotar. Perante tais fraquezas são Paulo diz o seguinte: "Alegro-me nas minhas fraquezas, nas afrontas, nas adversidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor de Cristo, porque, quando sou fraco, então é que sou forte" (2Cor 12, 10). Face a esta convicção não deve entrar o medo na nossa vida. Mas, a coragem para proclamar bem alto a maravilha do amor de Deus em favor da humanidade toda.
A coragem deve ser um valor que todos devem assumir, porque o nosso mundo precisa de gente corajosa na luta contra a guerra, isto é, precisa o mundo de um pacifismo militante contra a soberba dos poderosos que tudo querem dominar, esmagando os mais frágeis, os pobres da sociedade, que, afinal, às vezes lhes convém alimentar com migalhas  ou com esmolas ao invés de se fazer o melhor que era levar à prática a justiça. É disto que precisamos e não de singela caridade que alimenta e faz crescer a pobreza.
O nosso tempo está anestesiado com festas, pão e todo o gênero de animação para se manter como que inebriado para nada reclamar e nada fazer contra tudo o que tem direito para ser gente a sério. É um retrato dramático do que hoje vivemos, antepomos a prosperidade econômica à eliminação radical da violência e da morte. Não será que fazemos como os conterrâneos de Jesus, desejamos que se ponha andar, que se afaste e nos deixe sossegados, por mais que junto a nós existam tantos demônios de violência e morte?
As fraquezas desta luta pela justiça, não devem falar mais alto, mas devem ser um incentivo, um impulso, porque deve a utopia do amor ser o alimento da nossa vida. Não devemos permitir que tais fraquezas nos dominem e nos deixem atrofiados. Parece contradição, mas o alimento de Deus, ajuda a tomar coragem e a enfrentar tudo o que seja contrário à beleza da vida. Por isso, cada um e cada qual, pode fazer ação na sua família, no seu trabalho e em qualquer lugar do mundo, onde esteja presente, sem sombra de medo de represálias ou de vir a ficar mal. Vamos dizer alto e bom som que a força de Deus está aí, fazendo das fraquezas um alimento essencial para a luta da vida. Só deste modo seremos felizes. 
padre José Luís Rodrigues
Seguimos com a nossa reflexão dos domingos, não esquecendo que aqui na Europa estamos no verão, isso significa que é tempo de férias, mais longas que as nossas do Brasil nesta época, porém, não deixa de ser um tempo para apropriado para descansar, para sair da rotina, para estar mais perto da família e dos amigos, deixando de lado tudo aquilo que provoca stress psicológico, mental, pessoal ou laboral: assim podemos desfrutar destes dias como dias oportunos para uma renovação do corpo e da mente, mas não olvidemos que também serão dias para renovar a vida espiritual.
A liturgia deste 14º domingo de tempo comum nos apresenta um contraste bastante distinto do que já ouvimos na semana anterior: Jesus estava em Cafarnaum, ali Jesus realizou dois milagres: o primeiro era de uma mulher que já por 12 anos padecia de um fluxo de sangue e já tinha buscado todas as alternativas para se curar, porém, a graça, a cura somente acontece quando ela deixa de lado a lei do Antigo Testamento e abraçar a nova lei que sai de Jesus, assim ela conseguirá voltar a ter uma vida normal. O segundo milagre foi à cura da filha de Jairo, um dos chefes da sinagoga. Que ao vencer todas as dificuldades para salvar a sua filha, a sua fé fui suficiente para que Jesus realizasse a obra da salvação.
A história continua, mas desta vez muda o cenário, “depois, Jesus partiu de Cafarnaum e foi para a sua pátria”, Nazaré. Tal como nos relata o evangelho de hoje (Mc. 6,1-6), Jesus está na sua cidade, está com a sua gente. Todos já lhe conhecem desde a infância. Todos lhe viram crescer, jogar pelas praças e ruas de Nazaré. Conhecem os seus pais, Maria e José. A pesar de tudo, não deixava de ser uma pessoa estranha: “muitos dos que o ouviam se admiravam.“ De onde lhe vem isso?”, diziam. “Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E esses milagres realizados por suas mãos? Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, Joset, Judas e Simão? E suas irmãs não estão aqui conosco?” E mostravam-se chocados com ele” (vs. 2-3). Olham para Jesus com inveja e ciúmes. É o que mais ocorre nas penas cidades e povoados onde todos se conhecem.
O que Jesus realizava, era causa de escândalo e consequentemente não acreditaram n’Ele. Porque esperavam outro Messias, Jesus era muito populista, humilde e preocupado com aqueles que eram considerados os impuros e pecadores da sociedade. A incredulidade sempre esteve presente no meio público e social, seja daquele tempo ou nos nossos dias. A fé acaba se tornando incômodo e exigente. O que Jesus pregava não era o que aquela gente esperava, e muitas vezes acontecem o mesmo quando Igreja fala e é alvo de crítica, porque causam certos descontento social e político, este tipo de reação é uma forma de poder controlar a Igreja.
Jesus se sente desprezado, tal como acontece na atualidade com a comunidade eclesial, que constantemente é alvo de ataques pelos MCS. O desprezo para com Jesus acabou gerando por boca do próprio Jesus uma grave consequência: “‘Um profeta só não é valorizado na sua própria terra, entre os parentes e na própria casa’ E não conseguiu fazer ali nenhum milagre, a não ser impor as mãos a uns poucos doentes. Ele se admirava da incredulidade deles. E percorria os povoados da região, ensinando” (vs. 4-6). O povo de Nazaré não aceita, consequentemente por aquilo que ensinava, porque esperavam outro estilo de Messias. Jesus não era como eles esperavam, não encaixava com os seus pensamentos legalistas, não era um pensador que explicava uma doutrina, porém, ele era o enviado, o ungido que somente comunicava a sua experiência pessoal de Deus como Pai e ensinava a viver sob o signo do amor incondicional. Não é um líder autoritário que impõe o seu poder para tirar proveito á custa dos mais frágeis, mas uma pessoa que passou pelo mundo fazendo o que é bom, como já manifestava no domingo passado, curando e aliviando o sofrimento daqueles que com fé abrem seus corações e as suas vidas á ação salvadora de Deus.
Con este pensamiento ya podemos entender que a Jesús no se le puede entender desde fuera. Hay que entrar en contacto con él. Dejar que nos enseñe cosas tan decisivas como la alegría de vivir, la compasión o la voluntad de crear un mundo más justo. Dejar que nos ayude en la presencia amistosa y cercana de Dios. Cuando uno se acerca a Jesús, no se siente atraído por una dotrina, sino invitado a vivir de manera nueva.
Porém, o povo da antiga aliança não fica atrás, tal como vimos na primeira leitura do profeta Ezequiel (2,2-5) que partilhou com o povo o desterro e ali notou que este povo continuava ‘com a cabeça dura e com o coração insensível’ (v. 4) ao não aceitar a mensagem da vida e da renovação, ao mesmo tempo Deus alertava a Ezequiel dizendo que este povo não iria fazer caso dele, porque ainda estavam fechados interiormente.
Votando uma vez mais ao Novo Testamento, encontramos outro personagem. Paulo na segunda leitura (2Cor. 12,7-10) descreve com toda liberdade a sua natureza humana, assumindo a sua matéria frágil, sem medo das consequências. A pesar de tudo, não perde a confiança naquele que o chamou e enviou a pregar uma mensagem de restauração. Somente assim Cristo manifestará na sua vida.
Diante deste panorama bíblico, podemos dizer que somos sementes e que devemos lançar-nos sem medo nos diferentes terrenos, sejam quais sejam, ou como sejam, e a pesar que não dêem frutos ou não sejam capazes de assumir com humildade ou de abrir a sua vida, o seu coração ou a sua história á proposta d’Aquele Homem que passou pelo mundo fazendo o que era bom e que hoje passa no meio das nossas realidades realizando o mesmo, porém de forma diferente, agora somos nós que levamos a este Jesus, Ele conta com cada um de nós. Para isso devemos cuidar e fazer crescer a nossa fé e não fechar às portas as necessidades dos demais.
padre Lucimar, sf
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É na fraqueza que manifesta todo o meu poder
A liturgia da palavra do XIV domingo do tempo comum convida-nos a refletir sobre a vocação. Na verdade, quando falamos de vocação há sempre muitas perguntas que nos vem à mente: quem é que aquele que chama? A quem chama? Para que missão chama? As leituras deste domingo oferecerem-nos a resposta a estas interrogações.
A liturgia da Palavra deste domingo começa com o relato da vocação de Ezequiel. Ezequiel foi um profeta que viveu na época do exílio da Babilônia e que exerceu a sua missão no meio dos exilados, missão essa que se pode dividir em duas fases. Numa primeira fase, o profeta anunciou ao povo que o exílio não era uma situação provisória, acabando assim com as falsas expectativas e esperanças de alguns exilados, e denunciou as infidelidades a Deus que o povo que não tinha sido deportado continuava a cometer. Por sua vez, na segunda fase da sua missão, o profeta Ezequiel foi o profeta da esperança. Na verdade, a um povo que vivia exilado e que sofria a ausência do templo e se sentia desalentado, o profeta anuncia que Deus é o salvador e o libertador e não se esqueceu do seu povo.  
No início do livro do profeta Ezequiel encontramos o relato da sua vocação. Este texto, através de uma linguagem específica, quer mostrar que Ezequiel é um instrumento escolhido e enviado por Deus a desempenhar uma missão particular. No relato da sua vocação, encontramos três elementos importantes para compreendermos a vocação: a vocação é um chamamento de Deus dirigido a um homem concreto tendo em vista uma missão particular.
Em primeiro lugar, o relato da vocação do profeta Ezequiel recorda-nos que a vocação não é uma iniciativa humana mas é Deus quem chama. Na verdade, a primeira leitura afirma: “O Espírito entrou em mim e fez-me levantar. Ouvi então alguém…”. É verdade, que na leitura proclamada não se afirma que esse alguém seja Deus mas pelo contexto podemos concluir que é Deus que chama. Na verdade, o livro do profeta Ezequiel, antes do trecho proclamado neste dia, apresenta uma manifestação de Deus e a expressão “O Espirito entrou em mim e fez-me levantar” recorda-nos a força divina que Deus concedia aqueles que foi chamando ao longo da história da salvação (juízes, reis e profetas). Assim sendo, a primeira coisa que a leitura do livro de Ezequiel deixa bem claro é que a iniciativa do chamamento, da vocação é de Deus e não humana.
Mas quem é que Deus chama? Deus dirige o seu chamamento a pessoas concretas. Na verdade, nesta leitura, Deus dirige-se a Ezequiel utilizando a expressão “Filho do homem”. Esta expressão hebraica não designa alguém que seja um super-homem mas um homem frágil e limitado. Assim sendo, vemos que Deus não chama os capacitados mas vai capacitando aqueles que chama. A fragilidade, a indignidade e a limitação daquele que é chamado não são um impedimento para Deus porque é Deus que ajuda e dá força, alento e coragem àqueles a quem chama.
Ilustra-nos bem esta realidade a segunda leitura proclamada neste domingo da segunda carta do Apóstolo Paulo aos cristãos de Corinto. Depois de um conflito entre a comunidade de Corinto e Paulo, causado por uns missionários itinerantes que afirmavam que Paulo era inferior aos outros apóstolos e que a sua doutrina não estava em consonância com a dos apóstolos, os cristãos, por intermédio de Tito, voltaram a comunhão com o Apóstolo Paulo e este escreveu-lhes uma carta onde faz uma apologia do seu apostolado e pede que os coríntios participem numa coleta em favor dos cristãos de Jerusalém. 
É nesta carta que o apóstolo Paulo, reconhecendo que o Senhor também se revelou a Ele, mostra a sua fragilidade e as suas limitações: “foi-me deixado um espinho na carne, um anjo de satanás que em esbofeteia.” Não sabemos em concreto que limitações são essas a que Paulo se refere. Pode referir-se a uma doença ou às dificuldades que o apóstolo tem de ultrapassar para anunciar o evangelho. O apóstolo diz-nos que por três pediu ao Senhor que afastasse dele esse espinho cravado na carne, esse anjo de satanás que o esbofeteia. No entanto, o Senhor não realizou o pedido de Paulo e disse-lhe: “Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta o meu poder”. É por isto que o apostolo se gloria das suas fraquezas, porque elas são a prova de que Paulo não age por si próprio. É o poder de Cristo que age nele. 
Assim sendo, a debilidade, as fragilidades e as limitações do chamado não são algo impeditivo para que Deus o chame. O que realmente conta é a graça, o amor de Deus. É a graça de Deus que conforta, anima, estimula e ajuda o chamado a realizar a sua missão. As debilidades do chamado são a prova de que Deus não o chamou porque ele era bom, forte e capaz. Na nossa vida de fé, temos muita dificuldade em aceitar isto. Nós somos o que somos pela graça de Deus. A nossa vida de fé não é uma vida de conquistas pessoais mas é uma vida de acolhimento da graça de Deus que nos vais animando, capacitando, fortalecendo e moldando.
A terceira característica da vocação é que Deus chama o eleito para uma missão específica. No caso do profeta Ezequiel, Deus chamou-o para anunciar ao seu povo a sua palavra. No entanto, as dificuldades não estarão ausentes e Deus adverte o profeta disso: “Podem escutar-te ou não … mas saberão que há um profeta no meio deles”. Apesar das dificuldades, o profeta deverá continuar a desempenhar a sua missão, deverá continuar a ser uma presença interpelante.
Exemplo concreto da rejeição do povo ao grande enviado de Deus, Jesus de Nazaré, mas também de fidelidade à sua missão é o evangelho deste domingo. São Marcos transmite-nos, no evangelho deste domingo, a reação negativa, a oposição e a incompreensão que Jesus encontrou na sua cidade de Nazaré. Depois de Jesus ter entrado num sábado na sinagoga e de ter lido e explicado a palavra de Deus, os seus conterrâneos tem para com ele uma reação negativa. Na verdade, não percebem a origem e a qualidade das palavras e ações de Jesus de Nazaré. Para eles, Jesus é o carpinteiro, o filho de Maria e o familiar de Tiago, de José, de Judas e de Simão. A imagem que o povo tinha do Messias ou dos profetas não era compatível com a vida profissional e familiar de Jesus. Os conterrâneos de Jesus são incapazes de reconhecer naquilo que Jesus diz e faz a presença de Deus. Por isso todos estavam perplexos com Jesus, melhor dizendo, escandalizados.
Que faz Jesus ante esta rejeição? Desiste da sua missão? Não! Ante a rejeição dos seus conterrâneos Jesus toma duas atitudes concretas. Em primeiro lugar, Jesus, adaptando provérbio, responde deixando bem claro que é um enviado e que atua em nome de Deus: “Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa”. A este ponto o evangelista diz-nos que Jesus não realizou em Nazaré nenhum milagre, à exceção de umas curas de doentes, e que estava admirado com a falta de fé daquela gente. Na verdade, Deus sempre propõe mas nada impõe. Deus respeita a nossa liberdade. Em segundo lugar, Jesus, ante a rejeição dos seus conterrâneos, não desiste da sua missão mas prossegue-a: “e percorria as aldeias dos arredores, ensinando”. A rejeição não impede que Jesus continue a proclamar a boa nova do Reino e a antecipa-lo com os seus milagres.
Também a nós nos interpela esta atitude de Jesus. Na verdade, muitas vezes desanimamos na nossa missão quando aparecem algumas dificuldades e pensamos logos em desertar. No entanto, devemos manter-nos fiéis à nossa vocação e, contra todos os ventos e marés, devemos cumprir a missão encomendada pelo Senhor.
Todos os cristãos receberam do Senhor uma vocação, uma missão: a santidade, a construção, no aqui e no agora da história, do Reino de Deus. Acolhamos a chamada que Deus nos faz, cooperemos com a sua graça e não desistamos da nossa vocação quando aparecerem as dificuldades, as incompreensões e o cansaço. A vocação é uma escolha de Deus sustentada pela graça divina que nos ajuda a superar todo e qualquer obstáculo.
padre Nuno Ventura Martins
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“Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”
Jesus vai a sua pátria, seguido dos discípulos. E, por onde passa faz brilhar a novidade de Deus, nos ajudando a reler o Evangelho com um novo olhar. Ele mostra vigor e coragem de avançar. Ensina na Sinagoga, desencadeando uma crise naquele povo. Ele rompe com a normalidade das pessoas, se torna imprevisível e desconcertante.
Na realidade, o ser humano tende a acomodar-se facilmente ao conhecido e se deixa levar pela rotina; isso lhe confere certa sensação de segurança e tranquilidade: “para quê e por quê mudar…?”  E isso ocorre também com suas idéias, crenças… Habituado a ver a realidade a partir de uma determinada perspectiva, o ser humano custa a abrir-se a outras percepções, novas ou desconhecidas.
Esta crise que Jesus introduz entre os seus visa redimir o ser humano, visa tirar o ser humano do seu horizonte limitado e estreito elevando-o ao plano de Deus, ou seja, um horizonte mais elevado. A crise ocorre quando os dois horizontes se entrechocam.
A mensagem de Jesus provoca uma crise radical para a situação social, religiosa, política e humana da época. Pois Ele proclama o Reino de Deus. E no Evangelho hoje, observamos que Jesus por suas palavras e atitudes produz uma crise, que gera uma ruptura, uma decisão pró ou contra Ele.
Jesus é realmente a crise do mundo. Ele veio para provocar uma derradeira decisão das pessoas pró ou contra Deus, agora manifestado em sua pessoa, em seus gestos e em suas palavras. Ele não foi simplesmente a doce e mansa figura de Nazaré; foi alguém que tomou decisões fortes teve palavras duras e não fugiu a polêmicas.
Jesus foi rejeitado precisamente pelos seus parentes e familiares. Jesus se sente “desprezado”: os seus não o aceitam como portador da mensagem profética de Deus. Por isso, fecham-se em sua ideias preconcebidas a respeito de Jesus e resistem a abrir-se à novidade de sua mensagem e ao mistério que se revela em sua pessoa. Porque estavam acostumados a ouvir sempre o mesmo, rejeitam-no por ensinar “coisas novas”.
Mas Jesus não se deixa domesticar e nem se acomoda às expectativas de seu povo.
Aos olhos de Jesus nada é mais perigoso para o espírito humano do que vidas satisfeitas, que não investem seu tempo alimentando sonhos e esperanças; mentes sem inquietações, sem o impulso das buscas; corações quietos, acomodados, ajustados, medrosos, covardes, petrificados, sensatamente contentes com aquilo que são e têm.
Quando o ser humano não busca um sentido maior, se conforma, têm medo de se expor, têm medo de se arriscar, não se assombra diante dos acontecimentos. “Tudo é tão normal… e sem sal”. Leva uma vida morna, sem sabor, sem criatividade.
O ser humano se acomoda e aparece o medo da mudança. Fecha-se no conhecido com medo do desconhecido. O ser humano é marcado pela normose (doença de ser normal). A pessoa fica presa no interior de uma pequena toca, pois em uma cabeça com medos não há espaço para sonhos.
Estas pessoas possuem idéias fixas, são conservadoras; sabem fazer, mas não sabem criar; fazem o que os outros mandam e fazem bem, mas sem paixão, sem emoção, inspiração; são pessoas perfecionistas, para satisfazer ao outro e não serem criticados. Não vivem a partir do interior, por isto não sonham, não têm projeto. Daí o desânimo.
O que queremos: ousar ou nos conformar? Evoluir ou estagnar? Ser original ou mero repetidor? Em cada um de nós há um desejo de plenitude e, ao mesmo tempo, temos medo de arriscar. É o eterno desafio entre a pulsão da vida e a pulsão da morte. A normose se relaciona com a pulsão da morte, impedindo o fluxo da vida.
Somos convocados a existir, a trazer uma novidade. Viver! E não ter vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Não nascemos para morrer e sim para ser. O ser humano é um ser a caminho. Precisamos investir as reservas de criatividade presentes em nosso interior. Se formos capazes de escutar o desejo profundo que habita e atravessar os medos paralisantes, alcançaremos uma identidade pessoal de verdadeiro cristão. Precisamos fazer o êxodo da estreiteza de nosso ser à largueza do coração.
É uma grande aventura tornar-se humano, sujeito da própria existência, ser dotado de um semblante único e assumir a direção dos próprios passos, realizando assim, a aspiração profunda de seu coração.
Como são humanamente repletos de vida aqueles que ainda se encantam com as buscas! Sua vida é penosa, sem dúvida, mas repleta de razões, fervor, criatividade, entusiasmo e vitalidade. O ser humano é um eterno enamorado de esperanças, um ousado, um contestador de tudo.
Ousar também tem a ver com “transgredir”. Nós cristãos seguimos Aquele que é considerado o maior “transgressor” da história: Jesus Cristo. Como o próprio Jesus, precisamos cultivar a arte de transgredir a inércia, o “pensamento único”, a normalidade petrificada. Há sempre um “mais além” com que podemos sonhar.
Que o Evangelho de hoje nos faça mais atentos: viver a palavra com a nossa vida!
padre Adroaldo Palaoro,SJ
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O profeta não é bem aceito em sua casa
 “DEUS NOS AMA INDEPENDENTE DE NOSSA ORIGEM OU CONDIÇÃO SOCIAL”.
A Palavra de Deus exige de nossa parte uma aceitação plena. O plano de Deus sempre será um grande mistério para nossa vida enquanto estivermos neste mundo. Jesus não é valorizado em sua terra porque as pessoas não estavam olhando para o bem que realizava, mas sim para sua origem e condição social. Ele está presente nas nossas comunidades e em nossa vida. Precisamos reconhecê-lo para fazermos a sua vontade que é fonte da verdadeira felicidade para nós.
Evangelho: Mc. 6,1-6
Naquele tempo, Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?” E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus lhes dizia: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”. E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando.
“Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”.
A pregação da Boa Nova de Cristo é um grande desafio para nós em todos os ambientes, especialmente entre aqueles de maior convivência conosco. Somos desafiados mais em nível de “ser” do que “fazer”. Devemos dar um verdadeiro testemunho do que acreditamos a partir de nossa vida, da forma como vivemos aceitando o que Deus nos pede. O cristão muda a realidade através da alegria de ser consagrado pelo santo batismo sentindo-se profundamente amado por Deus.
A afirmação de Jesus pode nos parecer inicialmente dura demais considerando a força e o poder que ele tinha por ser o Filho de Deus. Dentro do contexto do cristianismo é mais fácil de entendermos sua missão. Mas no judaísmo não é fácil compreender que Jesus seja o verbo encarnado, a segunda pessoa da Santíssima Trindade com a missão salvífica universal. Ele é verdadeiramente Deus e homem. Seremos felizes convivendo com ele como nosso verdadeiro amigo. Precisamos de um encontro pessoal com o Senhor. A partir daí irá nascer um cristianismo autêntico.
Deus se serve da simplicidade para se manifestar. Não deseja o luxo e as aparências externas que infelizmente muitas vezes arrastam a humanidade a sua própria destruição. Jesus trabalhou antes de sua vida pública. Foi uma pessoa comum dentro de sua cidade. Sua fama cresceu com os milagres que realizava e sua infinita sabedoria que era capaz de confundir as pessoas mais preparadas intelectualmente da época.
Os irmãos e irmãs de Jesus eram os seus parentes, que conviveram com sua vida simples e alegre em meio a sua família. Não podiam compreender os seus concidadãos que este jovem simples fosse verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Este é o centro de nossa fé cristã. Aceitar Jesus como sendo o Cristo (Ungido), é fundamental para a doutrina cristã. Através de sua aceitação descobrimos o Pai e vivemos a vida nova no Espírito Santo.
Somos desafiados hoje e sempre a trazer Jesus para a realidade em que vivemos. Cremos verdadeiramente na sua presença no meio de nós, nos Sacramentos, na Palavra e na comunidade dos que acreditam na Boa Nova? Será que a nossa atitude não é semelhante à atitude dos que rejeitaram a Cristo? Aceitá-lo de verdade é estarmos atentos a nossa conversão. Abertos ao que ele nos ensina através de sua Igreja.
Só poderemos “conhecer” a Cristo através da dimensão transformante do amor. Deus se revela aos humildes de coração. Aos que desejam a verdadeira felicidade que se encontra na coincidência da Vontade de Deus com a nossa vontade.
“Senhor Jesus que possamos aceitá-lo em nossa vida e em nosso coração.”
padre Giribone - OMIVICAPE
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Um homem vindo do meio do povo candidatara-se a um alto cargo. Seus conterrâneos passaram a considerá-lo, além de despreparado, pretensioso e o criticavam duramente. Como poderia pleitear aquele lugar sendo um deles e não fazendo parte das elites que historicamente exerciam tal função?
As sociedades organizadas em castas costumam chocar. Mas será que somente elas são assim? Um olhar mais de perto sobre as reações costumeiras das pessoas poderá mostrar que também aqui, no meio da gente, não é raro que se tenha criado “sutis castas”. Expressões denotando surpresa por encontrar alguém que tenha superado esse tal muro invisível, podem carregar uma delicada, ou mesmo abrutalhada, carga de preconceitos.
Tal lugar é só para quem possua determinada cor de pele, é para tal sexo, ou tenha vivido em um específico ambiente e mesmo haja frequentado tais e tais escolas. Recados assim podem estar, sub-repticiamente, sendo passados. Sem dúvidas que ainda há muito preconceito por aí.
Notemos como os que são oriundos das cidades consideradas mais chiques e importantes, acabam por herdar essas características do seu lugar de nascimento e de moradia. Em contrapartida, estados, cidades e regiões mais simples e pobres passam, nessa forma enviesada e não cristã de comportamento, a dar a impressão de serem incapazes de gerar gente preparada para assumir grandes responsabilidades.
Era assim também nos tempos de Jesus. Havia o centro e a periferia e, como hoje, as pessoas e mesmo as coisas advindas do núcleo central, terminavam sendo mais valorizadas do que aquelas nascidas ou criadas pelo interior. O que, ou quem, vinha de Jerusalém, Roma ou de Atenas era mais elegante e considerado. Nada muito diferente de hoje quando se costuma valorizar muito mais, por exemplo, a moda e os comportamentos irradiados desde Paris, Nova York e Rio.
Nazaré era povoado que não possuía nenhuma importância. A terra na qual viveu o nosso Salvador nem é citada no Primeiro Testamento da Bíblia. Simples lugarejo considerado como lugar de passagem para cidades mais importantes. Local onde nem valeria a pena uma parada. Era como se nem merecesse constar dos mapas de então.
Ao verem então voltar à sua cidade, tão desconsiderada, aquele homem que conheceram e com quem conviveram desde criança, descreem dele, numa clara demonstração também de baixa autoestima. Não, este nós conhecemos e sabemos quem ele é. É como se dissessem: “não esperem muito da gente. Somos medíocres, afinal somos de Nazaré...”
Mas aquele não era só lugar de gente assim. Naquele povoado sem atrativos viveu sua vida simples e oculta o nosso Salvador. Como deve ter sido grande a decepção de Jesus com o seu povo. Com certeza que doía bastante nele a descrença da sua gente de Nazaré. Jesus sofreu na pele o ditado popular tão conhecido de que “santo de casa não faz milagre”.
É muito complicado ser profeta entre os seus. A vida em comum, as dificuldades e os defeitos compartilhados e conhecidos, fazem com que não se aceite o conhecido como mestre ou líder. Por isto Jesus irá dizer que não é fácil profetizar em sua própria terra.
Nazaré não aceita que Jesus tenha crescido. Os nazarenos queriam-no tal qual havia partido dali um dia. Mas é bem significativo que Ele volte. No seu retorno há um recado para que não desistamos, mesmo não sendo aceitos, de continuar pregando o Reino entre os mais próximos.
Mas não é só Nazaré que descrê de Jesus. O que viveu em sua terra nada mais foi do que um anúncio daquilo que algum tempo depois iria ocorrer no centro do mundo judaico. Em Jerusalém a realidade se fará muito pior. Não será somente a simples descrença que causará dor em nosso Senhor, mas a violência absurda e gratuita da cruz no Calvário que consumará tudo.
Acaso Jesus viesse hoje à nossa cidade – seja ela das mais consideradas, ou alguma dessas mais simples e pouco conhecidas – como iria ser acolhido? Nossa gente teria os ouvidos, braços e corações abertos para recebê-lo? Ou desconfiaríamos daquele homem que vem falar de coisas tão conflitantes em relação ao que se vive modernamente? No meio de nós aconteceriam milagres?
É interessante essa questão dos milagres no Evangelho desse Domingo. Pré-requisito para que aconteçam é crer neles. O povo não acreditou em Jesus e por isto, não pôde observar os prodígios que Ele realizava. Milagre só acontece com quem crê. Para quem não tem fé o maior prodígio terá sempre uma explicação.
Mantenhamos os olhares bem abertos e atentos para perceber e aceitar os profetas que o Senhor continua enviando ao mundo. Pode bem ser que haja alguns desses homens e mulheres de Deus bem próximos de nós. Mais ainda, é capaz de que necessitem do apoio de quem os reconheça nessa sua tão árdua missão.
Fernando Cyrino
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