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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM



XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

Comentários-Prof.Fernando


Dia 05 de Agosto
Jesus, o pão da vida

Jo 6,24-35

Introdução

         No Evangelho de domingo passado, Jesus multiplicou os pães e saciou a fome de uma multidão. Hoje, o Evangelho nos mostra que muitos daqueles que estavam presentes naquele dia, procuravam bastante animados por Jesus, no outro lado do mar. E Jesus que vê os nossos mais íntimos pensamentos, disse àqueles que corriam ao seu encontro: Vocês estão me procurando, não por  causa do milagre que eu fiz, mais sim por causa do pão que comestes. Literalmente Ele disse assim: "...estais me procurando não porque vistes sinais, mais porque comestes pão e ficastes satisfeitos.
         Prezado leitor, prezada leitora. Está aqui a prova de que Jesus operou um milagre. O milagre da multiplicação dos pães. Portanto, naquele dia não aconteceu somente uma partilha, mais sim: Milagre e partilha.
         Jesus não usou a palavra milagre em si, mas sim, Ele disse: SINAIS. E sinais, são milagres.
         Depois de dizer estas palavras, Jesus recomenda ao povo que o buscava, para que não buscassem somente o alimento do corpo, o qual (se perde pelas nossas excreções), mais sim que busquemos o alimento que permanece até a vida eterna, ou seja, o alimento que nos guarda para a vida eterna e que nos é fornecido pelo próprio filho de Deus vivo.
         Jesus estava se referindo à Eucaristia, que é o alimento da nossa alma,  que nos torna preparados para a Vida Eterna.
         Finalizando aquela conversa com aqueles que estavam preocupados com o alimento do corpo, Jesus afirma: "Eu sou o pão da vida" .   Jesus estava se referindo à vida Eterna. Pois quem come a minha carne bebe o meu sangue, terá a vida eterna, disse Ele em outra ocasião.
         Jesus continua explicando, e disse que quem vem a Ele, não em busca apenas de alimento corpóreo, mais em busca do verdadeiro pão, não terá mais fome. Isto é, não terá mais nenhuma carência material ou mesmo espiritual. Não terá medo da solidão, porque tem a companhia de Cristo, porque sente a presença de Cristo nos momentos de solidão humana; não ficará mais desesperado nas horas difíceis, mais sim cheio de confiança, pois sua vida está entregue às mãos de Deus. Não terá mais tristeza, mais sim, terá muito mais motivos para estar alegre, pois este é o pão que nos preenche plenamente. Preenche corpo e alma, muito embora esta vida terrena não nos seja rica de bens materiais e de muito conforto, a Eucaristia nos completa, por que Deus é tudo o que necessitamos. As "maravilhas", as falsas maravilhas que o mundo nos apresenta, não nos bastam, não nos satisfazem plenamente. Só o verdadeiro Pão da vida, o completo alimento para o nosso ser, é que nos completa, nos satisfaz totalmente. Foi por isso que Jesus disse que quem vem a Ele não terá mais fome nem sede. Ele não estava se referindo à sede e à fome biológica, mais sim, estava falando da nossa fome e da nossa sede de felicidade, sede insaciável que nunca conseguimos ficar saciados nesta vida, mesmo com todo o conforto que possamos ter... Exemplo: Aquela estrela da música pop que tinha tudo o que o dinheiro pode comprar mais o carinho de milhões de fãs, não se sentia plenamente feliz, e vivia planejando o suicídio...  
         Prezados irmãos. Não busquemos somente e desesperadamente o pão do corpo, mais sim, busquemos a Jesus sacramentado, o alimento da nossa alma, o verdadeiro Pão que nos prepara para a Vida Eterna.
J. Salviano.
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Domingo, Dia 05 de Agosto
Jo 6,24-35



Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede.
Este Evangelho narra que, após a multiplicação dos pães, Jesus se retirou, mas a multidão foi procurá-lo. Quando o encontraram, Jesus desabafou: “Estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos”.
Com essas palavras, Jesus quis ajudar as pessoas que o procuravam avidamente, a entenderem que o motivo era bastante egoísta e puramente material: queriam mais pão de graça. Segundo Jesus, o povo não entendeu o principal, o motivo por que Jesus havia multiplicado os pães, que era para provar que ele é o Deus encarnado, que sacia todas as sedes e todas as fomes do mundo, e que portanto as pessoas precisam crer nele. E Jesus aproveitou para dar um conselho: “Esforçai-vos, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com o seu selo”.
Então algumas pessoas perguntaram-lhe: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” De acordo com a orientação dos doutores da Lei, por esta expressão eles entendiam: oração, jejum, esmolas, dízimos, ritos, purificações etc. Mas Jesus declara: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”. Percebemos que Jesus centralizava a conversão na fé nele, na união com ele, no seguimento dele, que é o enviado de Deus.
E alguns judeus perguntaram: “Que sinais realizas, para que possamos ver e crer em ti?” Essa pergunta eles sempre faziam, porque não tinham fé, pois Jesus vivia fazendo sinais. E recordam a cena do maná, que está narrada na primeira Leitura. Jesus responde que não foi Moisés, e sim Deus Pai que mandou o maná. E agora este mesmo Deus lhes manda o pão verdadeiro, que é o próprio Jesus, pão fortíssimo que, quem dele comer não terá mais fome. Este é o pão verdadeiro, do qual o maná era apenas uma figura.
“Eu sou o pão da vida.” A samaritana, quando ouviu Jesus dizer que é uma água viva e quem bebe nunca mais terá sede, ela pediu: “Senhor, dá-me dessa, para que eu não tenha mais sede, nem tenha de vir aqui tirar água” (Jo 4,15). Também aqui o povo continua interessado apenas no “terra a terra”, e pede: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. Jesus estão explica: “Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”. Portanto, mais uma vez é um convite ao povo a sair de interesses apenas materiais e pensar na vida eterna.
Jesus é o pão da vida, selado por Deus Pai com a divindade e entregue às pessoas humanas para trazer vida a todos. Mas essa iniciativa amorosa de Deus só chega a nós se tivermos fé e praticarmos boas obras. Portanto, precisamos “esforçar-nos, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna”.
Vemos uma ligação clara entre a multiplicação dos pães, o maná e a eucaristia. Resta para nós saciar-nos continuamente do pão da vida que é Jesus, e assim saciar a nossa sede de paz, nossa fome de justiça, e assim construir a fraternidade na esperança e na alegria. Precisamos viver não como os pagãos, mas como criaturas novas, embriagados pelo Espírito que constrói a santidade verdadeira.
A febre do bem-estar, à base do ter e consumir, é talvez o ideal mais comum na vida das pessoas de hoje. Mas a busca do mero pão material, do ter e do gastar, deixa-nos interiormente vazios. São interessantes as perguntas: O que é que procuramos? Qual é o centro da nossa vida?
Havia, certa vez, três homens super pobres que sempre iam a uma padaria pedir pão. Um dia, o dono da padaria resolveu fazer um teste com eles. Quando os três chegaram, ele foi lá dentro e voltou, com o auxílio dos funcionários, trazendo três sacos cheios. Um continha pães, o outro farinha de trigo e o terceiro sementes de trigo. Colocou os sacos na frente dos homens, explicou o que havia dentro e pediu que eles escolhessem.
O primeiro, apressadamente, pegou o saco de pães e foi-se embora contente. O segundo pegou o saco de farinha e também foi embora feliz. O terceiro não teve escolha: ficou com o saco de sementes. O padeiro perguntou se ele estava triste por isso. Ele, com um largo sorriso, respondeu: “De modo nenhum! Pois vou plantar estas sementes e terei pães em casa por muitos anos!” Agradeceu e foi também embora com o saco de sementes nas costas. Este, com certeza, foi o único que não voltou mais à padaria para pedir pães.
Deus não costuma dar os pães já prontos, nem a farinha. Ele nos dá as sementes. “Eu sou o pão da vida... Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”.
O centro da vida de Maria Santíssima era o seu Filho Jesus. Santa Maria, rogai por nós.
Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede.

Padre Queiroz
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DOMINGO
João  6,24-35


:“Senhor dá-nos sempre desse pão” é o que devemos pedir a Jesus a cada instante da nossa vida para saciar a nossa fome de felicidade --Maria Regina

Jesus é o pão que desceu do céu, o pão que foi providenciado pelo Pai. O Pai deu ao mundo o verdadeiro alimento para a alma do homem: Seu próprio Filho Jesus. Jesus preanunciava a Eucaristia que hoje nos alimenta e sustenta a nossa caminhada espiritual. Precisamos nos colocar numa perspectiva espiritual para entendermos as palavras de Jesus. Ele fala ao coração do homem e não à sua mente ou ao seu entendimento humano. A multidão de hoje somos nós que perseguimos os sinais de prosperidade, de poder, do sucesso e não percebemos o significado das coisas que nos são necessárias. Nós também, como aquele povo que seguia a Jesus procuramos sinais que nos garantam que nós iremos conseguir alcançar os nossos propósitos, nossos sonhos e desejos humanos.
Não entendemos os verdadeiros sinais que Deus nos dá porque vivemos cegos pela nossa própria humanidade que só quer o que lhe apetece e sacia da sua vontade. Jesus é o alimento no qual o Pai pôs o Seu selo de garantia, por isso, Ele mesmo nos adverte: “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna e que o Filho do homem vos dará!” Se levássemos em consideração esta recomendação do Mestre a nossa vida deixaria de ser um fardo pesado e passaria a ser um presente de Deus.
Se o nosso dia a dia fosse um ato de entrega e abandono aos planos do Pai, com certeza nós daríamos mais atenção às realidades que alimentam a nossa alma agitada e, assim, viveríamos na paz do Espírito. “Senhor dá-nos sempre desse pão” é o que devemos pedir a Jesus a cada instante da nossa vida para saciar a nossa fome de felicidade. Reflita – O que você tem feito para provar deste Pão? – Você ainda está esperando pão do céu ou já acolhe a palavra de Jesus como alimento para a sua caminhada? – Você sente a necessidade de se alimentar com o Corpo e o Sangue de Jesus?
Amém
Abraço carinhoso
--Maria Regina
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TRABALHAR PELO PÃO QUE NÃO PERECE É PALTAR A VIDA NO EXEMPLO DE JESUS! -  Olívia Coutinho

XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 5 de Agosto de 2012

Evangelho de Jo 6, 24-35

Estamos no mês de agosto, o mês vocacional, um tempo forte que nos convida à reflexão.
É importante descobrirmos qual é o nosso compromisso com a Igreja e com a sociedade. Não nascemos com tudo pronto, precisamos trabalhar assumir as nossas responsabilidades, temos uma missão a cumprir e esta missão parte do nosso compromisso primeiro: o compromisso com a vida!
Só descobrimos o verdadeiro sentido da vida, quando exercemos bem a nossa vocação.
Vocação é um caminho de felicidade e de santidade, é chamado e resposta, é uma semente divina ligada a um “sim” humano!
Muitos querem ter certeza do poder de Jesus, para depois confiar Nele, querem sinais, mas nunca terão, pois a manifestação do amor de Deus, através de Jesus, só acontece pelos caminhos da fé. A fé é um dom gratuito de Deus e esse dom, já é um sinal do seu amor por nós!
Quem abraça a fé, não caminha sem rumo, não se deixa levar pelos caminhos incertos.
Confiar em Jesus é a nossa maior riqueza, Ele é o sinal por excelência do amor do Pai. Ligados a Ele, encontraremos meios capazes de transformar  qualquer realidade contrária a vida.
Estar ligado a Jesus é aderir ao projeto do Pai, é entrar na dinâmica do Reino, ciente dos nossos compromissos.
A plenitude do nosso ser, não vem de cima, nasce de dentro, pois requer de nós, uma colaboração pessoal, um amor que podemos traduzir como partilha. A vida partilhada se converge  em mais vida para todos, aí está o milagre da partilha!
No evangelho de hoje, vemos que uma multidão estava a procurava de Jesus, não porque visse Nele, o Filho de Deus, o mestre que lhes ensinaria o caminho da felicidade e sim, um líder que fosse resolver todos os seus problemas, o que eles queriam, era  beneficiar-se  dos poderes de Jesus sem nenhum esforço. 
Antes da multiplicação dos pães, esta mesma multidão, buscava Jesus como  um libertador, depositando Nele a sua única fonte de esperança. Depois da partilha do pão, a história tomou  outro rumo, aquela mesma multidão  passou a buscar Jesus como um  líder milagreiro, capaz de  resolver tudo sozinho, uma atitude que vai ao contrário à proposta  de Jesus.
A profundidade do sinal realizado por Jesus, na multiplicação dos pães, está em conscientizar o povo, de que a solução para suas necessidades estava com eles mesmos, ou seja, eles mesmos poderiam encontrar os meios de resolver aquele problema, que era de todos: a fome, bastava que eles abrissem o coração ao amor solidário, o amor que  leva a partilha. O milagre foi realizado por Jesus, mas o instrumento foi o povo, simbolizado naquele menino que doou o pouco que tinha; 5 pães e dois peixes, o que vem nos dizer, que Jesus não quer agir sozinho, Ele quer agir no mundo, através de nós. O episódio nos fala também,  da força que podemos ter, quando nós, (povo),  nos organizamos dentro do espírito da partilha. 
Para a tristeza de Jesus, aquela multidão ficou só no milagre, não foi capaz de entender a profundidade daquele sinal, sinal, que apontava para uma realidade bem maior do que o próprio milagre: a partilha dos bens da criação, direito de todos.
“Vocês estão me procurando não porque viram os sinais, mas porque comeram dos pães e ficaram satisfeitos”. De libertador, Jesus passa a ser visto como alguém que mata a fome física, o que não condiz com o evangelho, pois  Deus, não enviou o seu Filho ao mundo, com a finalidade de resolver os nossos problemas e nem para realizar  milagres, Jesus veio para nos ensinar, Ele quer que caminhemos com nossas próprias pernas, o que precisamos buscar Nele, é a força o discernimento para enfrentarmos todas as adversidades da vida.
Trabalhar pelo Pão que não perece é pautar a vida no exemplo de Jesus!
 Jesus é o pão para vida de todos, Ele é amor que se doa, acheguemos  a Ele, não para nos preencher a nos mesmos, mas para doar e  para amar.
Deus se faz pão em Jesus, Ele é o pão descido do céu, agora não precisamos pedir deste pão, pois Ele é o pão presente no meio de nós, crendo Nele, participamos dessa unidade e comunhão de amor.

 FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

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“O pouco com Deus é muito, o muito sem Deus é nada...”
Pe. Erivaldo Gomes de Almeida.
Eri_gomesseminarista@yahoo.com.br

Neste XVII Domingo Comum o Evangelho me leva a fazer a seguinte meditação:
1-Existem dois modos de seguir Jesus:
·        O dos discípulos que sentavam ao seu redor para ouvi-lo e o tinha como único mestre, que tinham deixado tudo para segui-lo...
·         O da multidão interesseira que o procurava somente pelos milagres que ele podia realizar.
Hoje nossa cultura valoriza mais o TER que o SER e até algumas religiões surgiram somente com este objetivo.  Multidões se aproximam de Cristo, lotam as Igrejas somente pelos milagres e benefícios que os pastores prometem. As pessoas não querem ser cristãs, querem ter Cristo como um mago para suprir as necessidades.  Muitos não estão nem aí para Jesus Cristo, para a Igreja Católica, querem somente os benefícios que Cristo e a Igreja podem lhes oferecer. Um grande exemplo são os assentamentos: antes de ganhar a terra muitos eram pessoas de oração, caminhavam juntos com a comunidade, pois era o padre ou a freira quem apoiava a luta e organizava o povo. Todos se diziam religiosos, mas depois que ganharam a terra se afastaram e em alguns assentamentos das paróquias onde trabalho (Itaeté e Andaraí Bahia) se o padre entrar hoje é “expulso”.
Ø E nós, procuramos Jesus para que? Por que participamos da comunidade? Somos discípulos que seguem Jesus de perto e o tem como único mestre ou fazemos parte desta multidão sem compromisso?
2-Jesus se antecipa às necessidades humanas. Diante de um problema para resolver ele não fez tudo sozinho, mesmo sabendo o que fazer jogou o problema também nas mãos dos discípulos: onde vamos comprar pão para alimentar esta multidão? Felipe constata a quantidade imensa de pessoas para serem alimentadas e a incapacidade de alimentar tanta gente com tão pouco. André, por sua vez, aponta uma solução: a partilha.
·        O milagre e a partilha acontecem, todos se alimentam com fartura e ainda sobra. Lembrando assim os tempos messiânicos de Isaias 49,10 onde os dons de Deus seriam derramados abundantemente sobre o povo e ninguém mais passaria necessidade. Portanto uma das finalidades deste milagre foi mostrar que de fato Jesus era o Messias esperado, o Filho de Deus.  Meus caros, diante da resposta de Felipe fica evidente que houve sim milagre e não somente a partilha. Deus realizou o milagre, mas com a colaboração humana. Se serviu dos pães e peixes que tinham à disposição para realizar o milagre.
·        Hoje há uma grande ferida aberta no seio da humanidade.
*    NO MUNDO: Segundo dados da FAO (organização da ONU para alimentação e agricultura) morrem de fome, anualmente, pelo menos 5 milhões de crianças no mundo, o que dá uma média de um óbito a cada 5 segundos. 12 crianças morrem de fome a cada minuto no mundo. Mais de vinte milhões de crianças nascem com o peso abaixo dos padrões mínimos, correndo maior risco de morte durante a infância e os que sobrevivem carregam seqüelas para o resto da vida. 
*    NO BRASIL: Uma tese de um aluno da Universidade Federal de Santa Catarina divulgou que: 1) 32.000.000 de brasileiros defrontam-se diariamente com o problema da fome; a renda mensal lhes garante, na melhor das hipóteses, apenas a aquisição de uma cesta básica de alimentos. 2) A quantidade diária de calorias e proteínas recomendada para cada pessoa por dia é de 2.242 Kcal e 53 gramas de proteínas. O Brasil tem uma disponibilidade de 3.280 Kcal e de 87 gramas de proteínas por habitante; 3) A fome que atinge 32 milhões de brasileiros não se explica pela falta de alimentos, mas pela má distribuição de renda e pelo desperdício. No Brasil a cada ano, cerca de 70 mil toneladas de alimentos são jogadas no lixo. 64% do que é plantado no Brasil é descartado. Enquanto Jogamos alimento fora a Cruz Vermelha aponta que existe um bilhão de pessoas que aguardando um prato de comida todos os dias.
*    Esses são os dados a nível de país, e em nosso município, em nossas comunidades será que não existem famintos? Será que pessoas não passam fome? E o que estamos fazendo por elas?
·        Jesus quer alimentar os famintos e coloca o problema em nossas mãos: onde vamos comprar pão para alimentar esta multidão? Assim como os discípulos fizeram nós também devemos fazer. Temos que estar dispostos a partilhar e não o que sobra, mas o que temos de melhor, pois o pobre não é minha lata de lixo. E ninguém é tão pobre que não tenha o que partilhar. Quem nos impede de partilhar não é nossa pobreza, é nosso egoísmo. Diz um canto muito comum em nossas comunidades que “o pouco com Deus é muito, o muito sem Deus é nada, o pouco que repartimos é fartura abençoada”.
3-Hoje encerra o mês do dízimo que é, antes de tudo, partilha. Porém o egoísmo não nos deixa partilhar. Ensinamos as crianças desde cedo a ser egoístas, a pensar só em si mesmas. Por isso a importância do dízimo mirim.
Quem faz uma verdadeira experiência de Deus tem a mesma atitude dos discípulos: reconhece Jesus como Mestre, abandona tudo para segui-lo e como o Mestre se comove diante do sofrimento da humanidade. Eis o parâmetro para que cada um analise sua caminhada de fé.

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Evangelhos Dominicais Comentados

29/julho/2012– 17o Domingo do Tempo Comum

Evangelho: (Jo 6, 1-15)

COMENTÁRIO

A multidão vinha de longe para encontrar-se com Jesus. Vinha de todos os cantos à procura de cura para os seus males e também à procura de sua Palavra. Jesus sempre atento às necessidades do povo percebeu que estavam com fome, e aproveitou-se desse momento para dar uma verdadeira aula de partilha.

Deu também uma aula de cidadania, mostrou que todas as pessoas são importantes, independentemente de sexo, idade, cor e classe social. Fez questão de envolver todos os seus discípulos e até mesmo um menino. Um anônimo, de quem não sabemos sequer o nome ou de onde veio. Era apenas mais um na multidão.

Chama nossa atenção, esse menino. Vamos procurar saber um pouco mais sobre o ilustre desconhecido mencionado pelo evangelista João. Um jovem no meio da multidão que, sem abrir a boca, marcou sua presença neste episódio.

Nem sempre Jesus nos fala com palavras. Ele coloca enigmas em nosso caminho e nos convida a desvendá-los. Jesus provoca mudanças de forma tão natural que na maioria das vezes nem percebemos o quanto são radicais.

Apesar das mulheres ainda sofrerem discriminações, podemos dizer que na época de Jesus a coisa era ainda pior. As mulheres eram simplesmente ignoradas. Como os escravos, elas não tinham direitos, só obrigações. Mulheres e crianças eram colocadas à margem da sociedade. Não tinham o menor valor.

Jesus veio para mudar! Mudar conceitos e acabar com preconceitos. Fez questão de valorizar a mulher ao pedir água à samaritana. Não condenou Maria Madalena e foi um grande amigo de Marta e Maria. Mas, para realmente dar à ela seu devido valor, quis nascer de uma mulher.

Das crianças disse: “Deixem que venham a mim, porque delas é o Reino do Céu”. Também disse que para entrar no Reino Celeste é preciso ter coração de criança e arrematou com estas palavras: “Quem recebe em meu nome uma destas crianças, é e mim que recebe”.  

Hoje, Jesus fala de um menino dono de cinco pães e dois peixes. Um jovem desconhecido e dono de um enorme coração. Tinha alimento suficiente para o seu almoço. Poderia afastar-se da multidão e, sozinho, tomar sua refeição, no entanto, preferiu entregar tudo que tinha para ser partilhado.

No gesto de solidariedade e desprendimento desse menino está uma lição tão importante quanto o milagre da multiplicação dos alimentos. Esse jovem anônimo está aí para nos ensinar o milagre da partilha. Mostra que na renúncia e no simples gesto de dar o milagre acontece.

Poucos teriam feito o que ele fez. Entregou nas mãos de Jesus tudo o que tinha e, o que parecia impossível aconteceu. Viu o seu pouco saciando a fome de milhares. Esse menino fez a sua parte e, quem quiser o Reino dos Céus, tem que imitá-lo.

Mesmo com a sensação de ser só mais um na multidão, precisamos lembrar daqueles milhares que esperam pelo milagre. Esse milagre chama-se doação. Para ver acontecer, basta doar. Façamos nossa parte! O restante é só deixar por conta de Jesus; é Ele quem dá graças e distribui.

(2236)

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“Eu sou o pão da vida, disse Jesus.” -  Claudinei M. Oliveira.

Domingo, 05  de Agosto  de 2012.
Evangelho: Jo 6,24-35

            O verdadeiro alimento que sacia toda a fome é o nosso Deus. Ele fortalece o espírito e renova as forças na fé para caminhar retamente no caminho da verdade. Quem alimenta do pão descido do céu comunga com os ensinamentos da libertação porque refaz no Cristo tudo aquilo que Ele fez para salvar o povo do deserto e da escravidão.
O povo de Deus não pode perecer por falta de alimento e, na Eucaristia, o povo pode encontrar aquilo que necessita. Ao comungar as magnitudes da vida eterna no Filho do Homem  as fraquezas esvaece. Assim, o velho homem foi substituído pelo novo homem enrijecido e poderoso para levar adiante o projeto de vida em abundância.
Ao conhecer  o legado dos ensinamentos de Cristo e vivê-los no dia a dia o novo homem  encontrará a fortaleza real para assegurar  nas dificuldades. Revigorado na estância  da solicitude o novo homem vislumbrará horizontes felizes porque estará cimentado na dignidade  da vida liberta.  Não tem como temer diante do encardido, pois sua força ajudará a combater o mal e eliminará as forças que insistem em desmascarar o rosto semelhante de Cristo.
Às vezes o homem não compreende o sinal do salvador. O sinal vivo de Cristo está em tudo que cerca o homem. Pode-se observar a mão de Deus na natureza, no cumprimento entre as pessoas, na cura, na libertação, no acolhimento aos necessitados, na ajuda, no perdão e na solidariedade.  Porém, os olhos do homem só enxergarão os sinais de Deus se atentar para as coisas boas e mudar de vida por completo.
Mas, como mudar de vida? Como enxergar o Senhor como alimento? Como viver o Cristo Ressuscitado?
Mudar de vida pode custar caro para quem enxerga os bens matérias como privilégios. Pode acomodar-se na mansidão das injustiças e distanciar da vida no Deus humilde e compassivo.  O  Senhor libertou o povo da escravidão do Egito e  os logrou para a terra prometida. Permaneceu no deserto por quarenta anos, o tempo necessário para  amadurecer na fé renovada. Para o povo escravizado, ao sair do Egito, significava mudar de vida, libertar da opressão ou tornar-se novo homem para Deus. Sair do Egito era o sinal do amor de Deus. Mas como enxergar a mudança e o sinal do Senhor nesta circunstância?
Nem sempre é visível aos olhos  a atuação do Senhor. Para os fracos na fé a dúvida pode alimentar ainda mais a desconfiança do Deus-vivo. Assim,  o povo liberto do Egito duvidava da  presença do Senhor e pedia provas para mostrar que estava correto. Sentia-se fome e sede. Pedia a Moisés alimento para continuar na caminhada. As barreiras eram intransponíveis. Mas o Senhor não deixou seu povo a mercê da dúvida e agiu sobre o povo.
Alimentado na fé e encorajado a continuar a caminhada o povo do deserto alcançou seu objetivo: chegou a terra prometida  e alicerçou-se nos instrumentos da fé.
Compreender e viver a nova realidade instruída por Deus é tornar-se cristão comprometido com a vida em comunidade. Para tanto, na leitura da carta de São Paulo lê-se: “renunciando à vossa existência  passada, despojai-vos do homem velho, que se corrompe sob o efeito das paixões enganadoras, e renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade” (Ef 4,22). O homem velho e susceptível à corrupção, ou seja, o homem velho vive à custa do serviço alheio e explora o pequeno para satisfazer suas vontades extravagantes.  Este não enxerga o sinal de  Deus e nem alimenta do pão do céu que é a palavra da libertação. Já o homem novo é renovado, acredita e confia na palavra do Senhor, embebe das doutrinas  justas e luta por um mundo melhor.
O homem que participa da Eucaristia e acredita  na força do Espírito Santo é um homem renovado, tem roupa da justiça, da solidariedade, da vida em comunidade e sabe ajudar os necessitados.  Assim, este novo homem estará revestido da verdadeira justiça e santidade.
Somente na participação celebrativa que novo homem entra em consonância com o Pai do céu. Contudo, o salmista oferece uma reflexão para os tementes à Deus que participa do momento de louvor: “tudo aquilo que ouvimos e aprendemos, e transmitimos para nós os nossos pais, não haveremos de ocultar a nossos filhos, mas à nova geração nós contaremos: as grandezas do Senhor e seu poder” (Sl, 77).
Perceber a grandeza e o poder do Senhor é estar abastecido de sua palavra. Só conta e dissemina as maravilhas do Senhor se as conhece, caso contrário, nada saberá para contar ou engrandecer as maravilhas.  O senhor é supremo em todos os sentidos, pois é o único que tem o poder de renovar completamente o mundo com seu poder.
Desse modo, alimentar do Corpo e Sangue do Senhor acaba comprometendo com sua atitude. Foi o que aconteceu com a multidão que procurou Jesus na outra margem do mar em Cafarnaum.  Alimentou do pão vivo do céu e, portanto comprometeu-se, mesmo sem entender o que estava acontecendo, e coube Jesus advertir: “esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna e que o Filho do homem vos dará” (Jo, 6,27).
Não tem com fugir do Deus que acolhe e socorre nos momentos difíceis. Ele sempre estará pronto para atuar com exatidão. Uma vez inteirado da grandeza do Senhor o homem não tem como encontrar fugas, pois ficou presos ao seu poder  e sentiu protegido de todas as armadilhas.
No final do Santo Evangelho de João Jesus volta-se para a multidão que ainda espera um sinal e afirma: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo  6, 35).
Confia-se na palavra de Deus e as faça prática constante nos afazeres do dia a dia, pois ao fazer como ensina a Sagrada Escritura a vida eterna saciará para sempre.
Portanto, o homem reto e renovado ouve e faz a vontade do Senhor. Amém!
Claudinei M. Oliveira.
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Homilia do Padre Françoá Costa – XVIII Domingo do Tempo Comum – Ano B
Presença
Que coisa desnorteadora quando sentimos a presença da ausência de alguém que queremos bem. Jesus Cristo quis poupar-nos desse sentimento tendo em conta o cumprimento da sua missão e as nossas reais necessidades e capacidades. Um cristão já não precisa fazer a pergunta que nós escutamos no Evangelho da Missa: “Mestre, quando chegaste aqui?” (Jo 6,25). Ao contraio, avisará a todos, como o fez Maria à sua irmã Marta: “O Mestre está aí e te chama” (Jo 11,28).
Vi certa vez um filme, um desenho animado, no qual se perguntava a uma criança: “Qual é a diferença entre o Crucifixo e a Eucaristia?” A criança respondeu então com muita sabedoria: “No Crucifixo parece que Jesus está, mas não está; na Eucaristia parece que ele não está, mas está”.
Parece que não está, mas está! A Igreja sempre acreditou que após as palavras da consagração n a Missa, toda a realidade do pão se muda, se converte no Corpo de Jesus Cristo; toda a realidade do vinho se transforma no sangue do Senhor Jesus. Esta verdade de fé é conhecida pelos católicos como transubstanciação. Neste sentido vale a pena trazer a colação as vigorosas palavras do Papa Paulo VI no texto do “Credo do Povo de Deus”, de 1968. Copio ao leitor as palavras do Papa que se referem à Missa e à transubstanciação (n. 24-25):
“Cremos que a Missa, celebrada pelo sacerdote, que representa a pessoa de Cristo, em virtude do poder recebido no sacramento da Ordem, e oferecida por ele em nome de Cristo e dos membros do seu Corpo Místico, é realmente o Sacrifício do Calvário, que se torna sacramentalmente presente em nossos altares. Cremos que, como o Pão e o Vinho consagrados pelo Senhor, na última ceia, se converteram no seu Corpo e Sangue, que logo iam ser oferecidos por nós na Cruz; assim também o Pão e o Vinho consagrados pelo sacerdote se convertem no Corpo e Sangue de Cristo que assiste gloriosamente no céu. Cremos ainda que a misteriosa presença do Senhor, debaixo daquelas espécies que continuam aparecendo aos nossos sentidos do mesmo modo que antes, é uma presença verdadeira, real e substancial(cf. Concílio de Trento, Sessão 13, Decreto sobre a Eucaristia).
“Neste sacramento, pois, Cristo não pode estar presente de outra maneira a não ser pela mudança de toda a substância do pão no seu Corpo, e pela mudança de toda a substância do vinho no seu Sangue, permanecendo apenas inalteradas as propriedades do pão e do vinho, que percebemos com os nossos sentidos. Esta mudança misteriosa é chamada pela Igreja com toda a exatidão e conveniência transubstanciação. Assim, qualquer interpretação de teólogos, buscando alguma inteligência deste mistério, para que concorde com a fé católica, deve colocar bem a salvo que na própria natureza das coisas, isto é, independentemente do nosso espírito, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de sorte que o Corpo adorável e o Sangue do Senhor Jesus estão na verdade diante de nós, debaixo das espécies sacramentais do pão e do vinho(cf. ibid.; Paulo VI, Encíclica Mysterium Fidei), conforme o mesmo Senhor quis, para se dar a nós em alimento e para nos associar pela unidade do seu Corpo Místico(cf. Suma Teológica III, q. 73, a. 3)”.
Trata-se da voz autorizada de um Papa no encerramento do Ano da Fé de 1968. Bento XVI convocou a Igreja para um Ano da Fé a começar em outubro de 2012. Sem dúvida, será essa uma maravilhosa ocasião para que o Senhor renove a nossa fé e para que nós reafirmemos a nossa entrega a Deus, a nossa adesão a ele e a todas as verdades que ele revelou a nós. No dia de hoje, graças sejam dadas a Deus pela nossa fé no Santíssimo Sacramento da Eucaristia, vida da Igreja!
Pe. Françoá Costa
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Homilia do Mons. José Maria – XVIII Domingo do Tempo Comum – Ano B
Pão da Vida Eterna
No Evangelho (Jo 6,24-35), depois do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus se apresenta como o “Pão da Vida”.
Entusiasmado com o milagre, o povo procura Jesus. Vê-se que o povo não entendeu o sentido daquele gesto. Quando viram que não conseguiam encontrar nem a Jesus nem aos seus discípulos, subiram às barcas e foram a Cafarnaum.
Quando o encontraram novamente, Jesus disse-lhes: “Em verdade, em verdade, Eu vos digo: estais Me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos”(Jo 6,26). Comenta Santo Agostinho: “Buscais-me por motivos da carne, não do espírito. Quantos há que procuram Jesus, guiados unicamente pelos seus interesses materiais! Só se pode procurar Jesus por Jesus”.
Com uma valentia admirável, com um amor sem limites, Jesus expõe o dom inefável da Sagrada Eucaristia, em que se dá como alimento. Pouco importa que, ao terminar a revelação, muitos dos que o seguiram com fervor acabem por abandoná-Lo. O Senhor não recua: “Trabalhai não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará… Mas eles perguntaram: Que devemos fazer para realizar as obras de Deus? Jesus respondeu-lhes: A obra de Deus é que acrediteis naquele que Ele enviou” (Jo 6,27-29).
E, apesar de que muitos dos presentes tinham visto com os seus próprios olhos o prodígio do dia anterior, disseram-Lhe: “Que milagre fazes Tu, para que possamos ver e crer em Ti? Nossos pais comeram o Maná no deserto, como está na Escritura: Deu-Lhes a comer o Pão do Céu” (Jo 6, 30-31).
Jesus Cristo é o verdadeiro alimento que nos transforma e nos dá forças para realizarmos a nossa vocação cristã. Exorta vivamente o Beato João Paulo II: “Só mediante a Eucaristia é possível viver as virtudes heroicas do cristianismo: a caridade até o perdão dos inimigos, até o amor pelos que nos fazem sofrer, até a doação da própria vida pelo próximo; a castidade em qualquer idade e situação de vida; a paciência, especialmente na dor e quando estranhamos o silêncio de Deus nos dramas da história ou da nossa existência. Por isso, sede sempre almas eucarísticas para poderdes ser cristãos autênticos”.
A igreja vive da Eucaristia. O concílio Vaticano II afirmou que o sacrifício eucarístico é “fonte e centro de toda a vida cristã” (LG, 11). Com efeito, “na Santíssima Eucaristia, está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o Pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo” (PO, 5).
A Igreja vive de Jesus Eucarístico, por Ele é nutrida, por Ele é iluminada. A Eucaristia é mistério de fé e, ao mesmo tempo, mistério de luz. Sempre que a Igreja a celebra, os fiéis podem de certo modo reviver a experiência dos dois discípulos de Emaús: “Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no” (Lc 24,31).
Referindo-se à Eucaristia, ensinava São Josemaría Escrivá: “O maior louco que já houve e haverá é Ele (Jesus). É possível maior loucura do que entregar-se como Ele se entrega, e àqueles a quem se entrega?
Porque, na verdade, já teria sido loucura ficar como um Menino indefeso; mas, nesse caso até mesmo muitos malvados se enterneceriam, sem atrever-se a maltratá-Lo. Achou que era pouco: Quis aniquilar-se mais e dar-se mais. E fez-se comida, fez-se Pão.
Divino Louco! Como é que te tratam os homens?… E eu mesmo?” (Forja, 824).
Da Eucaristia brotam todas as graças e todos os frutos de vida eterna – para cada alma e para a humanidade – porque neste sacramento “está contido todo o bem espiritual da Igreja” (PO, 5).
Quando nos aproximamos da mesa da Comunhão, podemos dizer: “Senhor, espero em Ti; adoro-Te, amo-Te, aumenta-me a fé. Sê o apoio da minha debilidade, Tu, que ficaste na Eucaristia, inerme, para remediar a fraqueza das criaturas” (Forja, 832).
Façamos nosso (no bom sentido) o pedido do povo citado no Evangelho: “Senhor, dá-nos sempre desse pão” (Jo 6, 34).
O primeiro domingo de agosto é dedicado à vocação Sacerdotal.
Rezemos pelos padres! Rezemos ao Senhor para que continue enviando sacerdotes para a Igreja. Que Ele continue abençoando e plenificando a vida de todos os sacerdotes.
Mons. José Maria Pereira

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No domingo passado, deixamos o Senhor Jesus orando a sós no monte, após ter multiplicado os pães e despedido a multidão. Está no capítulo VI de São João: do monte, Jesus atravessa o mar da Galiléia, caminhando sobre as águas. Ao chegar do outro lado, lá esta o povo a sua espera... Sigamos, as palavras do Senhor nesta perícope, pois elas nos falam de vida, falam-nos do Cristo nosso Deus!
Primeiramente, Cristo censura duramente o povo: procuram-no – como tantos hoje em dia – não porque viram o sinal que ele realizou! Mas, que sinal? Fez o povo sentar-se na relva, como o Pastor do salmo 22 faz a ovelha descansar em verdes pastagens; prepara uma mesa para o fiel, multiplicando-lhe os pães, como Moisés no deserto... Ante tudo isto, amados em Cristo, o povo ainda pensou em Jesus como sendo o Profeta que Moisés prometera (cf. Dt. ); mas, infelizmente, não passou disso. Daí a repreensão do Senhor: aqueles lá o procuravam simplesmente porque comeram pão, como hoje tantos o procuram para ganhar benefícios – e, assim, são enganados pelos charlatões de plantão! A prova de que o povo não compreendeu o sinal, é que ainda vai perguntar no Evangelho de hoje: “Que sinal realizas? Que obra fazes?” Como estes, lá com Jesus, se parecem conosco, tantas vezes cegos para os sinais do Senhor na nossa vida!
Observai! Notai como os judeus não conseguem compreender que o que Jesus quer deles é a fé na sua pessoa e na sua missão! Vede como eles pensam que podem agradar ao Senhor simplesmente com um fazer exterior, sem compromisso de amor que brota do coração: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” Fazer! De nós, Jesus quer muito mais do que um simples fazer! Eis a resposta do nosso Salvador: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou!” Resposta admirável: tua obra, cristão, já não é cumprir a Lei de Moisés; também não é fazer e fazer coisas, mas crer e amar a Jesus! Daí sim, tudo decorre, e também tuas boas obras, feitas por amor a Jesus e na fé em Jesus, serão aceitas pelo Senhor!
Diante da palavra do Cristo, os judeus duros de compreender, pedem a Jesus outro sinal! Não compreenderam o que ele fizera! E ainda citam Moisés, como que dizendo: Tu nos deste pão agora; Moisés nos deu o maná por quarenta anos! Aí, o nosso Salvador faz três revelações surpreendentes e consoladoras! Ei-las.
Primeiro: Aquele maná dado por Moisés não é o pão que vem do céu. É pão terreno mesmo, dado por Deus; pão que mata a fome do corpo, mas não enche de paz o coração; pão que alimenta esta vida, mas não dá a Vida divina, a Vida que dura para sempre! Aquele maná do deserto era apenas pálida imagem de um outro maná, de um outro pão que o Pai daria mais tarde.
E aqui vem a segunda revelação, surpreendente, consoladora: agora o Pai está dando o verdadeiro maná, o verdadeiro Pão do céu, que dá a vida divina ao mundo: Moisés não deu (no passado); meu Pai vos dá (agora, no presente)! Os judeus ficam perplexos, admirados; e pedem: Dá-nos desse pão! Pão que alimenta a fome de vida, de paz, de sentido, de eternidade!
Jesus faz, então, a terceira e desconcertante revelação: “Eu sou o Pão da vida!” Pronto: o pão verdadeiro é uma Pessoa, é ele mesmo! Os pães que ele multiplicara eram imagem dele mesmo, que se nos dá, que nos alimenta, que nos enche de vida: “Eu sou o Pão da vida! O Pão que desce do céu e dá a vida ao mundo! Quem vem a mim nunca mais terá fome de vida e de sentido de existência; quem crê em mim nunca mais terá sede no seu coração!”
Corramos para Jesus! Seja ele nosso alimento! E dele nos alimentando, sejamos nele, novas criaturas, despojando-nos do homem velho, deixando o velho modo de pensar, que conduz não à Vida, mas ao nada, como diz o Apóstolo na segunda leitura! Se nos alimentamos de Cristo, se bebemos de sua santa palavra, como poderemos pensar como o mundo, agir como o mundo, viver como o mundo? Como ainda poderíamos consentir nas velhas paixões que nos escravizam?
Que alimentando-nos de Jesus, Pão bendito de nossa vida, nós atravessemos o deserto desta vida não como o povo de Israel, que murmurou e descreu, mas como verdadeiros cristãos, renovados pelo Senhor, despojados da velhice do pecado e saciados de vida eterna, vida que é o Cristo nosso Deus, bendito pelos séculos dos séculos.
dom Henrique Soares da Costa

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Deu-lhes a comer o pão do céu

Continuando com o tema do sinal do pão, a liturgia de hoje – e nos domingos seguintes – centra-se no discurso de Jesus sobre o “pão da vida” ou “pão do céu”.
Por meio do maná (pela manhã) e das codornizes (à tarde), Deus sustentava a vida do povo no deserto. Apesar da benevolência divina, o povo não mudava de atitude, não parava de murmurar e de preferir a antiga vida de escravidão à vida nova, com dignidade, dada por Deus. É bem adequada a exortação da carta aos Efésios para que os cristãos não tornem a proceder como antigamente, na futilidade de pensamentos: “foi bem outra coisa o que aprendestes de Cristo” (Ef. 4,20).
Evangelho Jo 6,24-35
Eu sou o pão da vida
A multidão está à procura de Jesus, movida não pelo que o sinal do pão aponta, mas pelo interesse pessoal de saciar a fome. Por isso, Jesus reprova a multidão, que não o busca por ele mesmo. Ele chama a atenção para que a multidão se empenhe mais pelo alimento que permanece, e não apenas pelo alimento perecível. Esse empenho deve ocupar a vida do cristão em sua totalidade. O verdadeiro alimento é Jesus, que dá a vida eterna àqueles que o buscam. Vida eterna significa uma existência reconciliada com Deus. Por isso, essa vida inicia-se já aqui na história.
Movida pelo interesse pessoal, a multidão pede a Jesus que realize a obra de Deus, mas não sabe a profundidade do pedido que faz.
A obra que Deus quer realizar é que o ser humano busque a Jesus (v. 29), o caminho para Deus. E buscar a Deus significa abandonar-se incondicionalmente ao seu amor e à sua vontade.
Por isso a multidão não compreende o alcance de seu pedido, já que se nega a fazer a vontade de Deus, que é crer naquele que ele enviou.
O pedido do sinal também revela a incapacidade de enxergar, porque viram o sinal, mas, como não têm fé, não viram a ação de Deus. E os sinais que a multidão pede devem superar os milagres realizados no antigo Israel, milagres que legitimam suas pretensões messiânicas. Para isso recordam o prodígio do êxodo, quando Moisés alimentou o povo no deserto com o maná. A isso Jesus responde, mostrando que o verdadeiro pão do céu quem dá é o Pai. E o pão do céu é o próprio Jesus, que veio dar a vida eterna. Esse sinal revela o messianismo de Jesus, a multidão não precisa então de outro sinal.
Contudo, a multidão continua sem compreender o sinal, porque pede a Jesus que lhe dê sempre desse pão. Não entendem o verdadeiro alcance de suas palavras. A resposta de Jesus é semelhante à que foi dada à samaritana (6,35): quem vai a Jesus nunca mais terá fome nem sede.
No deserto, o povo foi alimentado com  maná e teve a sede saciada com a água que saiu da rocha. Mas o povo morreu; isso mostra que aquelas realidades antigas eram apenas uma prefiguração de Jesus, o enviado e Deus, que oferece o verdadeiro alimento e sacia totalmente a sede que a criatura tem de seu Criador.
1ª leitura Ex.16,2-4.12-15
Farei chover pão do céu para vós
A leitura afirma que “toda a comunidade dos israelitas murmurava” (v. 2). Isso significa que todos estavam de acordo sobre um ponto: era melhor ser escravo no Egito e ter o que comer do que ser livre e passar fome.
A comunidade formava uma multidão interesseira.
O povo rapidamente esqueceu que havia chorado sob os açoites dos feitores egípcios e que clamou a Deus, pedindo que o libertasse. Após a libertação, os israelitas lembravam-se do cheiro e do gosto dos temperos nos cozidos de carne, mas haviam esquecido as chicotadas dos feitores e o trabalho forçado. A que preço, anteriormente, comeram aquele alimento sem ter direito à vida e à dignidade, correndo risco de morte a cada instante.
Nas reclamações dos israelitas há uma acusação contra o Senhor: “Por que nos trouxe o Senhor a este deserto? Para matar de fome toda esta gente?” (v. 3). Conforme essas palavras, não há diferença entre Deus e o faraó, pois ambos armam ciladas para destruir o povo. No entanto, na literatura judaica, o faraó e o Egito simbolizam a ausência de respeito à vida e à dignidade humana, significam opressão e escravidão. Ambos são a negação da vida e do reino de Deus.
O faraó é o contrário de Deus e de seu projeto salvífico. O povo necessita mudar de mentalidade e de atitude. O Senhor não intenta matar Israel no deserto. Na dureza da vida no deserto, o povo é cuidado por Deus como os pais cuidam de seus bebês. Os israelitas foram levados ao deserto para fazer a experiência de serem amados e cuidados por Deus, já que no Egito tinham experimentado apenas o rigor da servidão. Os israelitas conheciam apenas o faraó como senhor, agora necessitavam saber quem era Deus. Eles foram alimentados e cuidados no deserto para que tivessem uma experiência diferente: “Assim sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus” (v. 12).
2ª leitura Ef. 4,17.20-24
Aquele que desceu do céu
O apóstolo faz com que os efésios se recordem do que eram antes de se converterem, ou seja, da maneira como viviam e de como os gentios ao redor deles ainda procedem. Na Bíblia, a vida é frequentemente comparada a uma jornada, e por isso o apóstolo diz que os cristãos não devem caminhar como antigamente o faziam e como ainda fazem os seus conterrâneos.
Os gentios se comportam com “vaidade” de mente, afirma o texto. A palavra “vaidade” nas Escrituras significa “vacuidade” e denota um mal no âmbito da moral. Na Bíblia, comumente esse termo é aplicado aos que adoram ídolos vãos, em contraposição a quem conhece o Deus vivo e verdadeiro. Para religiões tão diferentes, os comportamentos humanos igualmente devem ser muito diferentes; os efésios precisam saber disso e mudar de atitude.
O homem vão é aquele que caminha de acordo com os próprios interesses, mas coisa muito diferente foi ensinada aos cristãos.
Cristo ensinou que a religião exige abandono total no curso da vida.
Com ironia sutil o texto diz: “se é que ouvistes falar de Cristo e nele fostes instruídos” (v. 21). Quem escuta atentamente as instruções de Cristo sabe qual é o verdadeiro propósito da “religião” (relacionamento com Deus). A respeito da conduta anterior ou dos hábitos de vida, os cristãos devem deixar de lado tudo o que pertence a uma natureza egoísta.
O Filho de Deus, que desceu do céu para conviver conosco, instrui-nos sobre o que agrada a Deus; ele nos deu essa instrução com a sua própria vida. Jesus nos mostrou como vive um verdadeiro filho de Deus. E isso não é algo que esteja além dos limites humanos.
Mostrou que é possível ao ser humano tirar do foco os próprios interesses e identificar a própria vontade com a vontade de Deus.
Pistas para reflexão
Já que estamos iniciando o mês das vocações, é bom ressaltar o seguinte:
– há pessoas que fazem da religião uma fonte de lucro ou de privilégios pessoais, usando- a para o conforto e prosperidade pessoais.
– Os hebreus eram escravos no Egito e lá recebiam apenas pão para a própria sobrevivência.
Livres no deserto, queriam continuar no mesmo esquema: Deus teria de alimentá-los. Mas Deus queria ter com eles um relacionamento que não se baseasse na troca de favores.
– O Deus de Jesus Cristo é diferente do faraó e dos deuses antigos dos efésios, ele liberta da escravidão do pecado e do egoísmo.
Deus é livre, não se deixa manipular em favor de interesses egoístas. Deus cuida dos seres humanos porque ele é bom.
– Hoje cresce o número de pessoas que buscam  sagrado porque querem ter um emprego, um companheiro, cursar uma universidade etc. Não buscam a Deus, mas milagres e curas.
Os santos, no entanto, buscavam a Deus por ele mesmo, e não por causa do que lucrariam com a religião. Eles entenderam a instrução de Jesus e trabalharam pelo pão que não perece e que permanece até a vida eterna (Jo 6,27).
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj

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O sinal do pão da vida

As multidões que tinham sido saciadas de pão continuam procurando Jesus, na esperança de que ele lhes dê alimento fácil. Querem milagres, pois não compreendem os sinais que Jesus realiza.
Vale uma comparação com as placas de trânsito. Só consegue entender o que elas sinalizam quem aprendeu a lê-las. As placas estão espalhadas pelo caminho para dar indicações fundamentais ao viajante. Assim as ações de Jesus. Se olhamos para suas ações e não conseguimos entender o que significam ou o que querem sinalizar, elas serão para nós simples milagres ou atos isolados para resolver o problema de uma pessoa ou de um grupo.
A obra de Deus é que creiamos naquele que ele enviou. Crer em Jesus é exatamente segui-lo num caminho de aprendizado, para ver o que ele fez e falou e então saber ler e seguir hoje os seus sinais. Nossa vocação é, de fato, o aprendizado dos sinais.
O que Jesus fez foi saciar cinco mil homens com cinco pães e dois peixes. Mas o sinal que ele deixou, com esta ação, é o que mais conta. Jesus não apenas repartiu o pão material e saciou momentaneamente a fome daquela gente, mas se doou a si mesmo como Pão da vida, a fim de matar uma fome mais profunda, para sempre. Ver este sinal de Jesus é compreender que ele deixou sua vida como Pão que alimenta. Acreditando nele, alimentando-se dele, assimilando seu modo de agir e de se doar pelos outros, a consequência só pode ser uma: quando todos partilhamos o que temos, ainda que seja pouco, todos ficam saciados e ainda sobra.
Jesus questiona, fundamentalmente, por que o procuramos e o que buscamos neste mundo. Podemos procurar milagres ou a satisfação de nossas necessidades pessoais, sem compreender que nossa fome de Deus e de vida eterna só se sacia assimilando o modo de ser e de agir de nosso Mestre, que doou a própria vida pela vida do mundo.
Quais sinais de Jesus já encontramos? Ou ainda estamos tão somente à espera de milagres?
padre Paulo Bazaglia, SSP
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O alimento que nutre de verdade

Longa a caminhada por ocasião do Êxodo do Egito até a terra da promissão. Esta foi uma das mais grandiosas aventuras da fé vividas por um Povo que Deus foi conquistando para si.
Houve o desejo de libertação. Moisés animou o povo a sair e, segundo os desígnios de Deus, liderou toda a caminhada. Depois da festa da partida veio o longo caminhar por sendas  pouco conhecidas,  sempre se esperando os sinais de Deus. Longa e penosa caminhada  que fez com os israelitas tivessem saudades das panelas da terra da escravidão e das cebolas do Egito. “Quem dera que tivéssemos morrido pela mão do Senhor no Egito, quando nos sentávamos junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura!”. O tempo da travessia é longo demais. O Senhor vem em socorro dos seus. “Com efeito à tarde veio um bando e codornizes e cobriu o acampamento; e, pela manhã formou-se uma camada de orvalho ao redor do acampamento. Quando se evaporou o orvalho que caíra, apareceu na superfície do deserto uma coisa miúda em forma de grãos, fina como a geada sobre a terra”. E Moisés: “Isto é o pão que Senhor vos deu como alimento”. Era possível continuar a caminhar. Como Elias ganhou ânimo  quando deitado à sombra de uma árvore viu um jarro com água e um pedaço de pão.
Pão, fome, saciedade… Jesus vai se designar de Pão da Vida.  Muitos dos seus contemporâneos o procuravam porque viam os milagres que ele havia feito… Porque saciara a fome da multidão.  Quando buscarão o pão que dura para sempre?
Jesus, filho de Maria e dom do Pai aos homens, vem alimentar a nossa caminhada e a nossa história. Vem nos propor  um caminho de plenitude: que as pessoa se desvencilhem  do ego, vendam ilusões e bens, andem atrás dele e sintam fome do sopro de sua vida que vem o Espírito que dá carne a ossos ressequidos. Felizes os errantes e nômades que encontram, no deserto da vida e no êxodo da existência, esse que se designou de Pão da Vida.
“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”.
Impossível, neste contexto, não pensar na eucaristia. Ali, na peregrinação da vida até a Terra da Promissão os nômades, andarilhos, com cajado à mão, se revigoram… Aquele pão foi dado no altar da cruz para a vida do mundo… E agora sobre mesa da toalha branca  é mais do que o maná… E os andarilhos se fazem uma só oferenda com aquele que tornou o Pão dos fracos.
“Considera agora qual deles é de maior valor o pão dos Anjos ou a carne de Cristo, que é o Corpo da vida. Aquele maná vem do céu; este  está acima do céu. Aquele, do céu; este, do Senhor dos céus. Aquele é corruptível, se guardado para o dia seguinte; este é totalmente imune de corrupção e quem o tomar piedosamente não poderá experimentar a corrupção. Para aqueles brotou a água da pedra; para ti, o sangue de Cristo. Àqueles, por um momento a água saciou; a ti o sangue de Cristo refrescar para sempre” (santo Ambrósio de Milão).
frei Almir Ribeiro Guimarães
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A vontade de Deus e o “Pão da Vida”


A liturgia de hoje é estruturada pela oposição tipológica entre o maná, o “pão do céu” do A.T. (tipo), e Jesus, o verdadeiro “pão do céu” do N.T. (antítipo), explicitação daquilo que significa o “sinal do pão”. Como maná do A.T., também o pão multiplicado era apenas material, e quem o procura por seu valor material está perdendo o mais importante: neste ponto começa o evangelho de hoje.
Depois da multiplicação dos pães, vendo que o povo o entendera mal (6,14-15) Jesus se tinha retirado para a montanha, sozinho, enquanto os discípulos atravessaram o lago. O povo tinha observado isso. Procuraram então Jesus perto do lugar onde tinha realizado o milagre, mas, não o encontrando, voltaram a Cafarnaum, em outros barcos (6,22-24). E aí encontraram Jesus (que tinha atravessado o lago andando sobre as on­das). Admiram sua presença, mas com a mesma superficialidade que os levou a ver no sinal do pão não um sinal, mas apenas a satisfação de sua fome: é o que Jesus lhes re­preende (6,26).
Inicia então um diálogo, em que o pessoal de Cafarnaum aparece como preocupa­do com a Lei, mas obtuso quanto à realidade de Deus. Perguntam o que devem fazer. Jesus lhes diz que a obra do Pai é que acreditem no Filho (10 6,28)! Então, pedem um sinal como o de Moisés (o maná). Jesus responde que o sinal não era de Moisés (relati­vização do sistema mosaico, do qual eles são os árduos defensores contra os cristãos, expulsos da sinagoga), mas de Deus. Este mesmo Deus dá agora mais do que um sinal; oferece a plenitude de sua obra: seu enviado, Jesus Cristo, que faz o homem viver verdadeiramente, por sua palavra.
A 1ª leitura lembra o que é o maná:
1) um pão material e perecível (leia Ex 16,19-30, as regras de recolhimento diário e conservação do maná);
2) uma coisa dada por intermédio de Moisés (conforme Jo 6,32, os judeus parecem ter esquecido que Moisés fora apenas o intermediário);
3) algo que não se sabe o que é, pois o nome que lhe deram, “maná”, significa “Que é isso?” A isso, o evangelho opõe o pão do N.T.: 1) uma comida que não perece, mas que permanece para a vida eterna (6,27); 2) uma obra de Deus mesmo (6,32); 3) uma realidade bem determinada: é Jesus em pessoa, acolhido na fé (6,35).
Esse contraste é acentuado pelo salmo responsorial, que evoca a maravilha do pão que Deus “fez chover do céu” (o texto que os judeus citam para Jesus: Jo 6,31 = Sl 78[77],24), enquanto a aclamação ao evangelho opõe a isso a realidade que se mani­festa no N. T.; não só de pão é que se vive, mas, antes de tudo, da “palavra” que vem da boca do Altíssimo.
Entre os dois painéis dessa tipologia antitética fica prensada a 2ª leitura. Fala tam­bém da oposição entre o antigo e o novo. O antigo, aí, não é tanto o sistema da Lei judaica, mas o paganismo, do qual provém boa parte dos cristãos de Éfeso. Os pagãos não procuravam “obras de Deus” ultrapassadas, como os judeus. Simplesmente eram dirigidos por concupiscências. Seja como for, tanto o judeu apegado ao sistema mosaico quanto o pagão envolvido com ídolos falsos (e esse pagão vive no meio de nós) devem abrir o ouvido para Cristo, a palavra da verdade que vem de Deus.
A audiência dada a Cristo é que faz viver verdadeiramente: esta é a mensagem de hoje. Por isso, Jesus é chamado “o Pão da Vida”. Concretamente, temos em nós o judeu de Cafarnaum e o pagão de Éfeso; o homem que quer ficar em dia com mediante determinadas práticas religiosas e o ateu prático, que decide na vida tudo conforme seu proveito imediato. Nem uma nem outra coisa serve para realizar o sentido eterno de nossa vida. Não devemos querer ter a última palavra, mas entregar-nos ­àquele que traz o selo de garantia de Deus (10 6,27). Arriscar o caminho da vida que ele nos mostra em sua própria pessoa. Pois ele não apenas ensina, ele é palavra, fala  ­por sua maneira de ser. Jesus não ensina “coisas”, mas se apresenta a nós, e na medida em que temos comunhão com ele, imbuindo-nos de seu modo de ser, de seu espírito, ­vivemos realmente. Isso se manifestará na doação sem restrição, da qual ele nos deu o exemplo. A vida verdadeira, que não perece, é a vida dada como ele a deu.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Jesus em Cafarnaum


Jesus e seus discípulos partiram de Tiberíades para Cafarnaum após a multiplicação dos pães, e a multidão vai para lá em busca de Jesus.
O povo pergunta quando Ele chegou ali, mas Ele não lhes responde. Ao contrário, levanta um questionamento sobre o que as pessoas mais buscam na vida. Jesus percebe que O buscam para resolver problemas como a fome da humanidade e Ele quer então mostrar que é preciso trabalhar para conseguir o alimento, porém, mais importante é trabalhar pelo alimento que dura para a vida eterna. Trabalhar, para o povo da Bíblia significa cumprir a Lei, e Jesus ensina que essa atividade gera morte e, por isso, Ele vem trazer um novo sentido para essa prática que é o amor solidário que gera vida. Missão essa que o Pai lhe confiou.
O povo não entende e pergunta: _ O que devemos fazer para realizar a obra de Deus? E Jesus responde que é necessário aderir à prática do Amor que Ele vive e prega. Que confiem Nele! A primeira e mais importante obra pedida por Deus aos homens é crerem Nele.
Os judeus, que não têm essa fé, pedem milagres a Jesus, semelhante ao maná caído do céu dado a eles por Moisés, mostrando ser mensageiro de Deus. O fato de citarem Moisés demonstra o desejo de liberdade.
Jesus dá a eles um novo sentido ao pão que veio do céu, como o Pai que é fonte de vida eterna, dá. Ensina-lhes que o pão do céu não foi dado por Moisés, mas é o Pai que está nos céus que lhes dá Aquele que desceu dos céus para dar vida ao mundo, “o verdadeiro Pão do Céu” – a Eucaristia. Jesus não só dá o pão, mas de fato é o Pão do céu.
Pão é sinônimo de vida e por isso Jesus se faz alimento do homem.
A Lei não representa mais a vontade de Deus e por isso, cumpri-la não gera aproximação com Ele.  É preciso cumprir os ensinamentos de Jesus e aderir a Ele para estar com Deus.
A multidão, tal qual a samaritana, pede a Jesus esse pão que dá vida. E Jesus se apresenta como o Pão da vida e mostra o caminho que devem seguir para matar a fome e a sede através da Eucaristia e da Sua Palavra. Esse alimento depende da fé que supõe a busca desinteressada do Senhor, que creiam naquele que Deus enviou! A plenitude do ser humano não vem de cima, mas nasce de dentro, pois requer colaboração pessoal; requer amor que se traduz em partilha.
Jesus é o pão para todos. Ele é o verdadeiro e maior dom que Deus dá, não a um grupo privilegiado de pessoas, mas ao mundo inteiro.
João, em seu Evangelho, a partir de 6,22 até 6,66, explica o sinal da partilha dos pães, narrado anteriormente. A multidão, na véspera, vira os discípulos sair sem Jesus, no único barco que havia. Surpresos, interrogam-se como ele partiu. A caminhada sobre as águas só foi testemunhada pelos discípulos no barco. Vão atrás dele, em Cafarnaum. Quando lhe perguntam, a resposta de Jesus vai ao essencial: sabia que queriam fazê-lo rei, mas o que ele lhes propõe é que trabalhem pelo alimento que permanece para a vida eterna. Este trabalho é a obra de Deus, que Jesus realiza e que consiste em fazer a vontade do Pai, que é dar vida, e vida eterna, ao mundo. Ainda incrédulos e apegados a suas tradições, pedem sinais espantosos, como os de Moisés com o maná no deserto (primeira leitura). Contudo, esta tradição do maná ("pão") caído do céu está superada. O maná é alimento para um só dia, não salva da morte. O verdadeiro pão do céu é Jesus, que é dado pelo Pai e que permanece para a vida eterna.
O crer em Jesus é transformar-se no homem novo, criado à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade (segunda leitura).
padre Jaldemir Vitório
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O tema do pão


João desenvolve o capítulo 6 de seu evangelho com a centralidade no tema do pão. Começando com a partilha feita com os discípulos e com a multidão que a ele acorria, no alto da montanha, dá continuidade ao tema com um longo discurso de Jesus que se inicia com a proclamação: "Eu sou o pão da vida...". Jesus, o enviado de Deus, é o pão do céu, é o pão da vida eterna.
Na montanha, na outra margem do mar da Galileia, a multidão ficou satisfeita e tomada de entusiasmo com a ação de graças de Jesus, concretizada na partilha do pão. Tendo Jesus se esquivado da multidão, esta vai a sua procura em Cafarnaum. Jesus é direto: "estais me procurando... porque comestes o pão e ficastes saciados... trabalhai não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna...". Diante da pergunta que lhe fizeram sobre o que fazer para trabalhar nas obras de Deus, Jesus responde que a obra de Deus está em acreditar nele, enviado do Pai, pois nele se realiza esta obra que consiste em fazer a vontade do Pai, que é dar vida, e vida eterna, ao mundo. O crer em Jesus é transformar-se no homem novo, criado à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade (segunda leitura).
Ainda incrédulos e apegados a suas tradições, sem a abertura à novidade de Jesus, pedem sinais espantosos, como os de Moisés com o maná no deserto (primeira leitura). Querem um messias poderoso, mesmo que seja opressor e explorador. Não entenderam o sinal da partilha antes ocorrido. Contudo, esta tradição do maná ("pão") caído do céu está superada. O maná é alimento para um só dia, não salva da morte. O verdadeiro pão do céu é Jesus, que é dado pelo Pai ao mundo e que permanece para a vida eterna. A multidão se sensibiliza e pede a Jesus: "Senhor, dá-nos sempre desse pão!". De modo semelhante, a samaritana pediu: "Dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede", quando Jesus ofereceu a fonte de água que jorra para a vida eterna (Jo 4,14-15). Ir a Jesus, pão da vida, e crer, é encontrar em Deus a vida e a paz.
O sinal de Jesus é o dom de si mesmo, no resgate e no cultivo da vida. É a transformação das pessoas, que, acolhendo o seu amor, passam a ser também fonte de vida para outros. Jesus foi todo ele doação, serviço e amor a todos. Ir a Jesus é segui-lo neste seu projeto de vida. Crer nele é fazer a vontade do Pai e entrar na eternidade. Não mais ter fome, nunca mais ter sede.
José Raimundo Oliva


A liturgia do 18º domingo do tempo comum repete, no essencial, a mensagem das leituras do passado domingo. Assegura-nos que Deus está empenhado em oferecer ao seu Povo o alimento que dá a vida eterna e definitiva.
A primeira leitura dá-nos conta da preocupação de Deus em oferecer ao seu Povo, com solicitude e amor, o alimento que dá vida. A ação de Deus não vai, apenas, no sentido de satisfazer a fome física do seu Povo; mas pretende também (e principalmente) ajudar o Povo a crescer, a amadurecer, a superar mentalidades estreitas e egoístas, a sair do seu fechamento e a tomar consciência de outros valores.
No Evangelho, Jesus apresenta-Se como o “pão” da vida que desceu do céu para dar vida ao mundo. Aos que O seguem, Jesus pede que aceitem esse “pão” – isto é, que escutem as palavras que Ele diz, que as acolham no seu coração, que aceitem os seus valores, que adiram à sua proposta.
A segunda leitura diz-nos que a adesão a Jesus implica o deixar de ser homem velho e o passar a ser homem novo. Aquele que aceita Jesus como o “pão” que dá vida e adere a Ele, passa a ser uma outra pessoa. O encontro com Cristo deve significar, para qualquer homem, uma mudança radical, um jeito completamente diferente de se situar face a Deus, face aos irmãos, face a si próprio e face ao mundo.
1ª leitura: Ex. 16,2-4.12-15 - AMBIENTE
A secção de Ex. 15,22-18,27 desenvolve um dos grandes temas do Pentateuco: a marcha pelo deserto. Aqui estamos, ainda, na primeira etapa dessa marcha – a que vai desde a passagem do mar, até ao Sinai.
Três dos episódios apresentados nesta secção tratam o tema da murmuração do Povo (cf. Ex. 15,22-27; 16,1-21; 17,1-7). O esquema é simples e é sempre o mesmo: o Povo desconfia e murmura diante das dificuldades, subleva-se contra Moisés e chega a acusar Deus pelos desconfortos da caminhada; quando estão prestes a sofrer o castigo pela sua revolta, Moisés intercede diante do Jahwéh e o Senhor perdoa o pecado do Povo; finalmente, apesar do pecado, Jahwéh concede ao Povo os bens de que este sente necessidade. Os relatos apresentam-se sempre de uma forma dramática, com um crescendo de intensidade até ao desfecho final, que se apresenta sempre na forma de uma intervenção prodigiosa de Deus, em benefício do seu Povo.
Provavelmente, estes relatos têm por base elementos de caráter histórico (dificuldades reais sentidas pelos hebreus que saíram do Egito com Moisés, no seu caminho para a Terra Prometida, através do deserto do Sinai) e que ficaram na memória coletiva; no entanto, os catequistas bíblicos estão mais interessados em fazer catequese, do que em apresentar uma reportagem jornalística da viagem (o episódio mistura uma catequese “jahwista”, do séc. X a.C. com uma catequese “sacerdotal”, do séc. VI a.C). A catequese apresentada pretende sempre avisar o Povo contra a tentação de procurar refúgio e segurança fora de Jahwéh… Aqui, Israel fala em regressar ao Egipto, onde eram escravos, mas tinham pão e carne em abundância: o Egito representa a tentação que o Povo sentiu, em tantas situações da sua história, de voltar atrás, de abandonar os valores e a vida de Deus, de se instalar comodamente em esquemas à margem de Deus. O catequista jahwista garante ao seu Povo que Deus o acompanha sempre ao longo da sua caminhada e que só ele oferece a Israel vida em abundância.
O episódio que hoje nos é proposto – o episódio das codornizes e do maná – é situado no deserto de Sin, “que está entre Elim e o Sinai, no décimo quinto dia do segundo mês após a saída da terra do Egipto” (Ex. 16,1). O deserto de Sin estende-se de Kadesh-Barnea para ocidente.
A história das codornizes tem por base um fenômeno que se observa, por vezes, na Península do Sinai: a migração em massa de codornizes que, depois de atravessar o mar, chegam ao Sinai muito cansadas da viagem, pousam junto das tendas dos beduínos e deixam-se apanhar com facilidade. A história do maná deve ter por base uma pequena árvore (“tamarix mannifera”) existente em certas zonas do Sinai que, após ser picada por um insecto, segrega uma substância resinosa e espessa que logo se coagula; os beduínos recolhem, ainda hoje, essa substância (que chamam “man”), derretem-na ao calor do sol e passam-na sobre o pão.
Vai ser com estes elementos – elementos que o Povo conheceu e que o impressionaram, ao longo da marcha pelo deserto – que os catequistas bíblicos vão “amassar” a catequese que nos transmitem no texto que nos é proposto.
MENSAGEM
1. O episódio começa com a murmuração do Povo “contra Moisés e contra Aarão” (v. 2). Por estranho que pareça, Israel sente saudades do tempo em que passou no Egito pois, apesar da escravidão, estava sentado “ao pé de panelas de carne” e comia “pão com fartura” (v. 3). Ao longo da caminhada, vêm ao de cima as limitações e as deficiências de um grupo humano ainda com mentalidade de escravo, demasiado “verde” e sem maturidade, agarrado à mesquinhez, ao egoísmo, ao comodismo, que prefere a escravidão à liberdade. Por outro lado, é um Povo que ainda não aprendeu a confiar no seu Deus, a segui-lo de olhos fechados, a responder sem hesitações às suas propostas, a segui-l’O incondicionalmente no caminho da fé.
2. A resposta de Deus é “fazer chover pão do céu” (v. 4) e dar ao Povo carne em abundância (v. 12). O objetivo de Deus é, não só satisfazer as necessidades materiais do Povo, mas também revelar-Se como o Deus da bondade e do amor, que cuida do seu Povo, que está sempre ao seu lado ao longo da caminhada, que milagrosamente entrega de bandeja a Israel a possibilidade de satisfazer as suas necessidades mais básicas e de vencer as forças da morte que se ocultam nas areias do deserto. Dessa forma, o Povo pode fazer uma experiência de encontro e de comunhão com Deus, que se traduzirá em confiança, em amor, em entrega. O cuidado, a solicitude e o amor de Deus experimentados nesta “crise”, não só ajudarão o Povo a sobreviver, mas irão permitir-lhe, também, superar mentalidades estreitas e egoístas, fazendo-o ver mais além, alargar os horizontes, tornar-se mais adulto, mais consciente, mais responsável e mais santo. Israel aprende, assim, a confiar em Deus, a entregar-se nas suas mãos, a não duvidar do seu amor e fidelidade… Israel aprende, neste percurso, que Jahwéh é a rocha segura em quem se pode confiar nas crises e dramas da vida.
3. O facto de se dizer que Deus apenas dava ao Povo a quantidade de maná necessária “para cada dia” (v. 4) é uma bonita lição sobre desprendimento e confiança em Deus. Ensina o Povo a não acumular bens, a não viver para o “ter”, a libertar o coração da ganância e do desejo de possuir sempre mais, a não viver angustiado com o futuro e com o dia de amanhã; ensina, também, a confiar em Deus, a entregar-se serenamente nas suas mãos, a vê-l’O como verdadeira fonte de vida.
ATUALIZAÇÃO
• Mais uma vez, a Palavra de Deus que nos é proposta dá-nos conta da preocupação de Deus em oferecer ao seu Povo, com solicitude e amor, o alimento que dá vida. A ação de Deus não vai, apenas, no sentido de satisfazer a fome física do seu Povo; mas pretende também (e principalmente) ajudar o Povo a crescer, a amadurecer, a superar mentalidades estreitas e egoístas, a sair do seu fechamento e a tomar consciência de outros valores. Para Deus, “alimentar” o Povo é ajudá-lo a descobrir os caminhos que conduzem à felicidade e à vida verdadeira. O Deus em quem nós acreditamos é o mesmo Deus que, no deserto, ofereceu a Israel a possibilidade de libertar-se de uma mentalidade de escravo e de descobrir o caminho para a vida nova da liberdade e da felicidade… Ele vai conosco ao longo da nossa caminhada pelo deserto da vida, vê as nossas necessidades, conhece os nossos limites, percebe a nossa tendência para o egoísmo e o comodismo e, em cada dia, aponta-nos caminhos novos, convida-nos a ir mais além, mostra-nos como podemos chegar à terra da liberdade e da vida verdadeira. Este texto fala-nos da solicitude e do amor com que Deus acompanha a nossa caminhada de todos os dias; convida-nos, também, a escutar esse Deus, a aceitar as propostas de vida que Ele faz e a confiar incondicionalmente n’Ele.
• As “saudades” que os israelitas sentem do Egito, onde estavam “sentados junto de panelas de carne” e tinham “pão com fartura”, revelam a realidade de um Povo acomodado à escravidão, instalado tranquilamente numa vida sem perspectivas e sem saída, incapaz de arriscar, de enfrentar a novidade, de querer mais, de aceitar a liberdade que se constrói na luta e no risco. Esta mentalidade de escravidão continua, bem viva, no nosso mundo… É a mentalidade daqueles que vivem obcecados pelo “ter” e que são capazes de renunciar à sua dignidade para acumular bens materiais; é a mentalidade daqueles que trocam valores importantes pelos “cinco minutos de fama” e de exposição mediática; é a mentalidade daqueles que têm como único objetivo na vida a satisfação das suas necessidades mais básicas; é a mentalidade daqueles que se instalam comodamente nos seus esquemas cômodos, nos seus preconceitos e se recusam a ir mais além, a deixarem-se interpelar pela novidade e pelos desafios de Deus; é a mentalidade daqueles que vivem voltados para o passado, que idealizam o passado, recusando-se a enfrentar os desafios da história e a descobrir o que há de positivo e de desafiante nos novos tempos; é a mentalidade daqueles que se resignam à mediocridade e que não fazem nenhum esforço para que a sua vida faça sentido… A Palavra de Deus que nos é proposta diz-nos: o nosso Deus não Se conforma com a resignação, o comodismo, a instalação, a mediocridade que fazem de nós escravos e que nos impedem de chegar à vida verdadeira, plenamente vivida e assumida; Ele vem ao nosso encontro, desafia-nos a ir mais além, aponta-nos caminhos, convida-nos a crescer e a dar passos firmes e seguros em direção à liberdade e à vida nova… E, durante o caminho, nunca estaremos sozinhos, pois Ele vai ao nosso lado.
• A ideia de que Deus dá ao seu Povo, dia a dia, o pão necessário para a subsistência (proibindo “juntar” mais do que o necessário para cada dia) pretende ajudar o Povo a libertar-se da tentação do “ter”, da ganância, da ambição desmedida. É um convite, também a nós, a não nos deixarmos dominar pelo desejo descontrolado de posse dos bens, a libertarmos o nosso coração da ganância que nos torna escravos das coisas materiais, a não vivermos obcecados e angustiados com o futuro, a não colocarmos na conta bancária a nossa segurança e a nossa esperança. Só Deus é a nossa segurança, só n’Ele devemos confiar, pois só Ele (e não os bens materiais) nos liberta e nos leva ao encontro da vida definitiva.
2ª leitura: Ef. 4,17.20-24 - MENSAGEM
O nosso texto é, fundamentalmente, um convite – feito com a veemência que Paulo usava sempre nas suas exortações – a deixar a vida antiga e os esquemas do passado, para abraçar definitivamente a vida nova que Cristo veio propor.
Paulo usa duas expressões opostas para definir a realidade do homem antes do encontro com Cristo e depois do encontro com Cristo. O homem que ainda não aderiu a Cristo é, para Paulo, o homem velho, cuja vida é marcada pela mediocridade, pela futilidade (v. 17), pela corrupção, pela escravidão aos “desejos enganadores” (v. 22). O homem que já encontrou Cristo e que aderiu à sua proposta é o homem novo, que vive na verdade (v. 21), na justiça e na santidade verdadeiras (v. 24).
O batismo – o momento da adesão a Cristo – é o momento decisivo da transformação do homem velho em homem novo. O próprio rito do batismo (o imergir na água significa o morrer para a vida antiga de pecado; o emergir da água significa o nascimento de um outro homem, purificado do egoísmo, do orgulho, da auto-suficiência, do pecado) sugere a transformação e a ressurreição do homem para uma vida nova – a vida em Cristo. A partir daí, o homem devia adotar uma nova maneira de pensar e de agir, conseqüência do seu compromisso com Cristo e com a proposta de vida que Cristo veio apresentar.
Contudo, mesmo depois de ter optado por Cristo, o homem continua marcado pela sua condição de debilidade e de fragilidade… Essa condição faz com que, por vezes, sinta a tentação de regressar ao homem velho do egoísmo, do orgulho, do pecado… O crente, animado pelo Espírito é, portanto, chamado a renovar cada dia a sua adesão a Cristo e a construir a sua existência de forma coerente com os compromissos que assumiu no dia do seu batismo. O homem novo não é uma realidade adquirida de uma vez por todas, no dia em que se optou por Cristo; mas é uma realidade continuamente a fazer-se, que exige um trabalho contínuo e uma constante renovação.
ATUALIZAÇÃO
• O cristão é, antes de mais, alguém que encontrou Cristo, que escutou o seu chamamento, que aderiu à sua proposta. A consequência dessa adesão é passar a viver de uma forma diferente, de acordo com valores diferentes, e com uma outra mentalidade. O encontro com Cristo deve significar, para qualquer homem, uma mudança radical, um jeito completamente diferente de se situar face a Deus, face aos irmãos, face a si próprio e face ao mundo. Antes de mais devemos tomar consciência de que também nós encontramos Cristo, fomos chamados por Ele, aderimos à sua proposta e assumimos com Ele um compromisso. O momento do nosso batismo não foi um momento de folclore religioso ou uma ocasião para cumprir um rito cultural qualquer; mas foi um verdadeiro momento de encontro com Cristo, de compromisso com Ele e o início de uma caminhada que Deus nos chama a percorrer, com coerência, pela vida fora, até chegarmos ao homem novo.
• Paulo convida insistentemente os crentes a deixar a vida do homem velho… O homem velho é o homem dominado pelo egoísmo, pelo orgulho, que vive de coração fechado a Deus e aos irmãos, que vive instalado em esquemas de opressão e de injustiça, que gasta a vida a correr atrás dos deuses errados (o dinheiro, o poder, o êxito, a moda…), que se deixa dominar pela cobiça, pela corrupção, pela concupiscência, pela ira, pela maldade e se recusa a escutar a proposta libertadora que Deus lhe apresenta. Provavelmente, não nos revemos na totalidade deste quadro; mas não teremos momentos em que construímos a nossa vida à margem das propostas de Deus e em que negligenciamos os valores de Deus para abraçar outros valores que nos escravizam?
• Paulo apela a que os crentes vivam a vida do homem novo. O homem novo é o homem continuamente atento às propostas de Deus, que aceita integrar a família de Deus, que não se conforma com a maldade, a injustiça, a exploração, a opressão, que procura viver na verdade, no amor, na justiça, na partilha, no serviço, que pratica obras de bondade, de misericórdia, de humildade, que dia a dia dá testemunho, com alegria e simplicidade, dos valores de Deus. É este o meu “projeto” de vida? Os meus gestos e atitudes de cada dia manifestam a realidade de um homem novo, que vive em comunhão com Deus e no amor aos irmãos?
• Todos nós, no dia do nosso batismo, optamos pelo homem novo… É preciso, no entanto, termos consciência que a construção do homem novo nunca é um processo acabado… A monotonia, o cansaço, os problemas da vida, as influências do mundo, a nossa preguiça e o nosso comodismo levam-nos, muitas vezes, a instalarmo-nos na mediocridade, nas “meias tintas”, na não exigência, na acomodação; então, o homem velho espreita-nos a cada esquina e toma conta de nós… Precisamos de ter consciência de que em cada minuto que passa tudo começa outra vez; precisamos de renovar continuamente as nossas opções e o nosso compromisso, numa atenção constante ao chamamento de Deus. O cristão não cruza os braços considerando que já atingiu um nível satisfatório de perfeição; mas está sempre numa atitude de vigilância e de conversão, para poder responder adequadamente, em cada instante, aos desafios sempre novos de Deus.
Evangelho – Jo 6,24-35 - AMBIENTE
No passado domingo, João contou-nos como Jesus alimentou a multidão com cinco pães e dois peixes, na “outra” margem do Lago de Tiberíades (cf. Jo 6,1-15). Ao “cair da tarde” desse dia, Jesus e os discípulos voltaram a Cafarnaum (cf. Jo 6,16-21).
O episódio que o Evangelho de hoje nos apresenta situa-nos em Cafarnaum, no “dia seguinte” ao episódio da multiplicação dos pães e dos peixes. Nessa manhã, a multidão que tinha sido alimentada pelos pães e pelos peixes multiplicados e que ainda estava do “outro lado” do lago apercebeu-se de que Jesus tinha regressado a Cafarnaum e dirigiu-se ao seu encontro.
A multidão encontra Jesus na sinagoga de Cafarnaum – uma cidade situada na margem ocidental do Lago e à volta da qual se desenrola uma parte significativa da atividade de Jesus na Galiléia. Confrontado com a multidão, Jesus profere um discurso (cf. Jo 6,22-59) que explica o sentido do gesto precedente (a multiplicação dos pães e dos peixes).
MENSAGEM
A cena inicial (v. 24) parece sugerir, à primeira vista, que a pregação de Jesus alcançou um êxito total: a multidão está entusiasmada, procura Jesus com afã e segue-O para todo o lado. Aparentemente, a missão de Jesus não podia correr melhor.
Contudo, Jesus percebe facilmente que a multidão está equivocada e que O procura pelas razões erradas. Na verdade, a multiplicação dos pães e dos peixes pretendeu ser, por parte de Jesus, uma lição sobre amor, partilha e serviço; mas a multidão não foi sensível ao significado profundo do gesto, ficou-se pelas aparências e só percebeu que Jesus podia oferecer-lhe, de forma gratuita, pão em abundância. Assim, o fato da multidão procurar Jesus e Se dirigir ao seu encontro não significa que tenha aderido à sua proposta; significa, apenas, que viu em Jesus um modo fácil e barato de resolver os seus problemas materiais.
Na verdade, o gesto de repartir pela multidão os pães e os peixes gerou um perigoso equívoco. Jesus está consciente de que é preciso desfazer, quanto antes, esse mal-entendido. Por isso, nem sequer responde à pergunta inicial que Lhe põem (“Mestre, quando chegaste aqui?” – v. 25); mas, mal se encontra diante da multidão, procura esclarecer coisas bem mais importantes do que a hora da sua chegada a Cafarnaum… As palavras que Jesus dirige àqueles que O rodeiam põem o problema da seguinte forma: eles não procuram Jesus, mas procuram a resolução dos seus problemas materiais (v. 26). Trata-se de uma procura interesseira e egoísta, que é absolutamente contrária à mensagem que Jesus procurou passar-lhes. Depois de identificar o problema, Jesus deixa-lhes um aviso: é preciso esforçar-se por conseguir, não só o alimento que mata a fome física, mas sobretudo o alimento que sacia a fome de vida que todo o homem tem. A multidão, ao preocupar-se apenas com a procura do alimento material, está a esquecer o essencial – o alimento que dá vida definitiva. Esse alimento que dá a vida eterna é o próprio Jesus que o traz (v. 27).
O que é preciso fazer para receber esse pão? – pergunta-se a multidão (v. 28). A resposta de Jesus é clara: é preciso aderir a Jesus e ao seu projeto (v. 28). Na cena da multiplicação dos pães, a multidão não aderiu ao projeto de Jesus (que falava de amor, de partilha, de serviço); apenas correu atrás do profeta milagreiro que distribuía pão e peixes gratuitamente e em abundância… Mas, para receber o alimento que dá vida eterna e definitiva, é preciso, que a multidão acolha as propostas de Jesus e aceite viver no amor que se faz dom, na partilha daquilo que se tem com os irmãos, no serviço simples e humilde aos outros homens. É acolhendo e interiorizando esse “pão” que se adquire a vida que não acaba.
Os interlocutores de Jesus não estão, no entanto, convencidos de que esse “pão” garanta a vida definitiva. Custa-lhes a aceitar que a vida eterna resulte do amor, do serviço, da partilha. O que é que garante, perguntam eles, que esse seja um caminho verdadeiro para a vida definitiva (v. 30)? Qual a prova de que a realização plena do homem passe pelo dom da própria vida aos demais? Porque é que Jesus não realiza um gesto espetacular – como Moisés, que fez chover do céu o maná, não apenas para cinco mil pessoas, mas para todo o Povo e de forma continuada – para provar que a proposta que Ele faz é verdadeiramente uma proposta geradora de vida (v. 31)?
Jesus responde pondo a questão da seguinte forma: o maná foi um dom de Deus para saciar a fome material do seu Povo; mas o maná não é esse “pão” que sacia a fome de vida eterna do homem. Só Deus dá aos homens, de forma contínua, a vida eterna; e esse dom do Pai não veio ao encontro dos homens através de Moisés, mas através de Jesus (v. 32-33). Portanto, o importante não é testemunhar gestos espetaculares, que deslumbram e impressionam mas não mudam nada; mas é acolher a proposta que Jesus faz e vivê-la nos gestos simples de todos os dias.
A última frase do nosso texto identifica o próprio Jesus, já não com o “portador” do pão, mas como o próprio pão que Deus quer oferecer ao seu Povo para lhe saciar a fome e a sede de vida (v. 35). “Comê-lo” será escutar a sua Palavra, acolher a sua proposta, assimilar os seus valores, interiorizar o seu jeito de viver, fazer da vida (como Jesus fez) um dom total de amor aos irmãos. Seguindo Jesus, acolhendo a sua proposta no coração e deixando que ela se transforme em gestos concretos de amor, de partilha, de serviço, o homem encontrará essa “qualidade” de vida que o leva à sua realização plena, à vida eterna.
ATUALIZAÇÃO
• O caminho que percorremos nesta terra é sempre um caminho marcado pela procura da nossa realização, da nossa felicidade, da vida plena e verdadeira. Temos fome de vida, de amor, de felicidade, de justiça, de paz, de esperança, de transcendência e procuramos, de mil formas, saciar essa fome; mas continuamos sempre insatisfeitos, tropeçando na nossa finitude, em respostas parciais, em tentativas falhadas de realização, em esquemas equívocos, em falsas miragens de felicidade e de realização, em valores efêmeros, em propostas que parecem sedutoras mas que só geram escravidão e dependência… Na verdade, o dinheiro, o poder, a realização profissional, o êxito, o reconhecimento social, os prazeres, os amigos são valores efêmeros que não chegam para “encher” totalmente a nossa vida e para lhe dar um sentido pleno. Como podemos “encher” a nossa vida e dar-lhe pleno significado? Onde encontrar o “pão” que mata a nossa fome de vida?
• Jesus de Nazaré é o “pão de Deus que desce do céu para dar a vida ao mundo”. É esta a questão central que o Evangelho deste domingo nos propõe. É em Jesus e através de Jesus que Deus sacia a fome e a sede dos homens e lhes oferece a vida em plenitude. Isto leva-nos às seguintes questões: que lugar é que Jesus ocupa na nossa vida? Ele é, verdadeiramente, a coordenada fundamental à volta da qual construímos a nossa existência? Para nós, Jesus é uma figura do passado (embora tenha sido um homem excepcional) que a história absorveu e digeriu, ou é o Deus que continua vivo e a caminhar ao nosso lado, oferecendo-nos vida em plenitude? Ele é “mais uma” das nossas referências (ao lado de tantas outras) ou a nossa referência fundamental? Ele é alguém a quem adoramos, com respeito e à distância, ou o irmão que nos indica o caminho, que nos propõe valores, que condiciona a nossa atitude face a Deus, face aos irmãos e face ao mundo?
• O que é preciso fazer para ter acesso a esse “pão de Deus que desce do céu para dar a vida ao mundo”? De acordo com o Evangelho deste domingo, a resposta é clara: é preciso aderir (“acreditar”) a Jesus, o “pão” que o Pai enviou ao mundo para saciar a fome dos homens. Aderir a Jesus é escutar o seu chamamento, acolher a sua Palavra, assumir e interiorizar os seus valores, segui-l’O no caminho do amor, da partilha, do serviço, da entrega da vida a Deus e aos irmãos. Trata-se de uma adesão que deve ser consequente e traduzir-se em obras concretas. Não chegam declarações de boas intenções, ou atos institucionais que nos fazem constar dos livros de registro da nossa paróquia; aderir a Jesus é assumir o seu estilo de vida e fazer da própria vida um dom de amor, até à morte.
• No Evangelho deste domingo, Jesus mostra-Se profundamente incomodado quando constata que a multidão o procura pelas razões erradas e, sem preâmbulos, apressa-Se em desfazer os equívocos. Ele não quer, de forma nenhuma, que as pessoas O sigam por engano, ou iludidas. Há, aqui, um convite implícito a repensarmos as razões porque nos envolvemos com Cristo… É um equívoco procurar o batismo porque é uma tradição da nossa cultura; é um equívoco celebrar o matrimônio na Igreja porque, assim, a cerimônia é mais espetacular e proporciona fotografias mais bonitas; é um equívoco assumir tarefas na comunidade cristã para nos auto-promovermos ou para resolvermos os nossos problemas materiais; é um equívoco receber o sacramento da Ordem porque o sacerdócio nos proporciona uma vida cômoda e tranquila; é um equívoco praticarmos certos atos de piedade para que Jesus nos recompense, nos livre de desgraças, nos pague resolvendo algumas das nossas necessidades materiais… A nossa adesão a Jesus deve partir de uma profunda convicção de que só Ele é o “pão” que nos dá vida.
• A recusa de Jesus em realizar gestos espetaculares (como fazer o maná cair do céu), mostra que, normalmente, Deus não vem ao encontro do homem para lhe oferecer a sua vida em gestos portentosos, que deixam toda a gente espantada e que testemunham, de forma inequívoca, a sua presença no mundo; mas Deus atua na vida do homem de forma discreta, embora duradoura e permanente. Deus vem, todos os dias, ao encontro do homem e, sem forçar nem se impor, convida-o a escutar a Palavra de Jesus, propõe-lhe a adesão a Jesus e ao seu projeto, ensina-lhe os caminhos do amor, da partilha, do serviço. Convém que nos familiarizemos com os métodos de Deus, para o conseguirmos perceber e encontrar, no caminho da nossa vida.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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O verdadeiro pão do céu – o pão da vida

O tema central de nossa última reflexão foi a partilha. Aprendemos que devemos partilhar o pão da vida principalmente com todos aqueles que têm fome e sede de justiça, esperança e amor. Dando continuidade ao estudo e reflexão do capítulo 6 do Evangelho de João sobre os sinais de Jesus, iremos hoje novamente abordar o tema da fome. A multidão e os próprios discípulos que saíram de Tiberíades saciados de Paes e peixes (João 6,1-15), não entenderam o sinal de Jesus e queriam fazê-lo rei. Ora, o Filho de Deus não veio ao mundo para distribuir cestas básicas e ser eleito para algum cargo eletivo. A multidão continua seguindo Jesus e muitos com certeza não para se alimentar da Palavra de Deus mas porque tinham comido de graça e querem que Jesus repita este sinal. Em outra passagem disse Jesus: “Não só de pão vive o homem”.
Na primeira leitura de hoje os Israelitas estão a murmurar contra Moisés e Aarão dizendo: “Por que nos trouxestes a este deserto para matar de fome a toda esta gente (Ex. 16,2)! Apesar da precariedade do deserto, Deus nunca abandona seu povo. O Senhor Deus entrega ao povo o maná no deserto. Para o povo o deserto é uma etapa de passagem e importante lugar de organização para a conquista da terra prometida. Eles não se satisfazem plenamente por não perceber quão grande sinal do amor de Deus estava escondido por detrás do maná.
O Evangelho de hoje relata que Jesus está em Cafarnaum pregando a Palavra de Deus e respondendo muitos questionamentos. Disse Jesus: “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde mas pelo alimento que permanece para a vida eterna e que o Filho do Homem vos dará. Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede “(João 6,24-35). Algumas passagens bíblicas nos ajudam a compreender melhor o capítulo 6 de João. No AT o termo “pão” era usado como símbolo da Palavra de Deus (Is. 55,10); Amós fala de fome e sede, más não de pão e água, e sim da Palavra de Deus (Am. 8,11); Sirac (Eclesiástico) fala da sabedoria que alimenta; Até o maná no deserto chegou a ser usado como símbolo da Torá ou Lei (Dt. 8,2). Muitos doutores da Lei ensinavam que o dom do maná era o maior prodígio do tempo do Êxodo. Vejamos: Na ocasião do sinal da multiplicação dos pães Jesus ainda não havia instituído a Eucaristia, portanto o pão que tinha descido do céu era a Palavra de Deus.
Com Jesus, não há mais a entrega de maná, más a entrega total de si mesmo, sendo Ele o próprio Alimento. “Eu sou o pão da vida” disse Jesus. A liturgia de hoje nos exorta a buscar em primeiro lugar o Alimento que dura para a vida eterna, o pão da vida que é Jesus. Estamos iniciando o mês vocacional, tema da próxima reflexão.
Pedro Scherer
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Pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo.
A primeira leitura, do livro do Êxodo, lembra que o deserto é carência de tudo. Toda pessoa tem o seu dia de deserto: situações críticas nas quais se tem a impressão de não encontrar solução para os inúmeros problemas da vida. Ao povo de Israel era muito proveitoso ter que estar no deserto onde faltava tudo, para que pudesse experimentar a portentosa ação de Deus em ajudar aos que a ele se confiavam. No deserto, o povo de Deus aprende a experimentar a condição de “pobre”, de esperar na ajuda milagrosa.
Na península do Sinai há um arbusto chamado “tamarisco”, que produz uma secreção doce que goteja desde as folhas até o solo. Por causa do frio da noite, essas gotículas se solidificam e é preciso recolhê-las de madrugada, antes que o sol as derreta.
Seria isto o que Deus proporcionou ao seu povo, multiplicando esse alimento de forma prodigiosa? O certo é que os israelitas consideraram sempre a aparição desse alimento como uma demonstração da intervenção milagrosa a favor de seu povo. Chamaram-no “maná”, porque as crianças, ao comê-lo, perguntavam: “O que é isso?” (Sl. 78) e o livro da Sabedoria diz que, “tinha o sabor que cada um desejava” (Sb. 16, 20).
Jesus dirá que o verdadeiro Pão descido do céu será seu corpo e seu sangue, ou seja, que esse maná milagroso do deserto era um símbolo e aviso do que Deus iria fazer mais tarde com seus escolhidos, dando-lhes como alimento o corpo de seu próprio Filho divino.
A segunda leitura, continuação da carta aos Efésios, pede aos cristãos que se deixem renovar pelo Espírito Santo e passem de um modo de agir não digno do ser humano para um modo de agir digno de quem tem fé em Cristo. Pede que abandonemos nosso estilo antigo e pecaminoso de vida e caminhemos para um novo caminho de vida cristã. É um convite para que o vazio de critérios não tome conta da nossa vida.
Nesses poucos versículos continua a exortação a buscar a unidade e a viver dignamente a própria vida cristã, guiada e fundamentada no verdadeiro conhecimento de Cristo. Paulo desenvolve este argumento apelando para as antíteses do ser humano velho e novo (Cl. 3,9-10; 1Cr. 5,7-8). Escolher a novidade, o novo, é escolher a Cristo.
Isto significa romper com o velho ser humano pecaminoso, com o pecado do mundo, para ter disposição para uma contínua renovação no Espírito, para viver na justiça e na santidade e para ser justos e retos. Este texto é uma clara resposta para quem pensa que o cristianismo simplesmente é uma coisa do passado.
O evangelho de João, lido hoje, fala do discurso do pão da vida e se desenvolve em três afirmações logicamente sucessivas; a primeira elas é a que apresenta este texto: o real ou verdadeiro pão do céu não é o maná dado uma vez por Moisés, contrariamente ao que as pessoas pensavam (v. 31). É literalmente o pão que desceu do céu. Deus, não Moisés, é quem dá esse pão (v. 32).
Jesus realizou sinais para revelar o sentido de sua pessoa (domingo anterior), porém as pessoas somente entenderam na linha de suas necessidades materiais (6,26.12). Jesus quis levar-nos à compreensão de sua pessoa, porque somente através da fé se pode entender quem é ele e somente assim poderá doar-se como alimento: porém para fazer isto é necessário trabalhar ou procurar por um alimento e uma vida que não tem fim e que é dom do Filho do homem (v. 27).
Os judeus pensam de imediato na obras (v. 28; Rm. 9,31-32), porém Jesus replica que somente uma obra deve ser cumprida: crer nele (v. 29; Rm. 9, 31-32), reconhecer que se tem necessidade dele, como se tem necessidade do alimento material. As mesmas pessoas que consideram o seguimento de Jesus muito exigente são as que pedem dele um sinal ou uma demonstração realizada por Moisés (v. 30-31), pois os sinais que acaba de realizar (6,2) não são considerados suficientes. Jesus responde afirmando que é mais que Moisés, pois nele (Cristo) se realiza o dom imperecível de Deus. Seu pão pode ser recolhido (6,13), o maná apodreceu (Ex. 16,20).
“Eu sou o pão da vida” é uma fórmula de força extraordinária, parecida àquelas outras que somente a Jesus poderiam ser atribuídas: “Eu sou a luz do mundo”, “Eu sou o bom pastor”... o que vem a Jesus não terá fome nem sede, não necessita de outras fontes de alegria para saciar seus anseios e aspirações. Jesus é fonte de equilíbrio e de alegria, fonte de sossego e de paz. Jesus é o lugar e fundamento da doação da vida que Deus faz ao ser humano.
Em Jesus Cristo, Deus está por inteiro a favor do ser humano, de tal modo que nele se abre sua comunhão vital, sua salvação e seu amor e em tal grau que Deus quer estar ao lado do ser humano como quem se dá e se comunica sem reservas. Na comunhão com o revelador – Cristo – se acalma tanto o homem como a sede de vida que agitam o ser humano.
Jesus: Pão de vida


Depois da multiplicação dos pães, Jesus afasta-se para a montanha (v. 15).
As multidões vão à sua procura e, tendo-o encontrado em Cafarnaum, lhe perguntam: “Mestre, quando chegaste aqui?” (vs. 24-25).
Por que este povo está à sua procura? Não para escutar mais palavras suas, para penetrar mais a fundo na sua mensagem, para ser ajudado a compreender os gestos que ele cumpriu, mas porque comeu pão em abundância, de graça, e porque espera continuar tendo o pão garantido, sem mais precisar trabalhar. A pergunta não é verdadeira, por isso ele não responde. É outra a que todos gostariam de dirigir-lhe: “Mestre, vais repetir também hoje e sempre o mesmo milagre?”.
Jesus deixa de lado os pormenores sobre a hora da sua chegada em Cafarnaum e vai direto no ponto central do problema (vs. 26-27). Ele quer que os discípulos entendam que ele não veio para transformar as pedras em pães, mas para ensinar que o amor e a partilha produzem pão em abundância.
O que fazer para não alimentar dentro de nós expectativas errôneas? A resposta nos é dada na segunda parte do evangelho (vs. 28-29): “Esta é a obra de Deus: acreditar naquele que ele mandou”. E o que quer dizer acreditar? Não é suficiente saber com certeza que Jesus existiu, que foi um homem sábio, que pregou o amor. Nestas coisas “acreditam” também os ateus. A fé em Cristo não se reduz a raciocínios. Pressupõe a escolha de unir a própria vida com a dele na doação de si aos irmãos.
Jesus exige uma confiança sem condições: eis o motivo pelo qual os judeus, antes de dar-lhe este crédito de confiança, exigem dele uma prova concreta, um grande milagre (vs. 30-33). Não basta a multiplicação dos pães, porque Moisés fez muito mais: não deu o maná só para uma refeição e só para 5.000 homens, mas alimentou um povo inteiro durante muitos anos.
Jesus, porém, especifica: não foi Moisés quem deu o pão do céu, mas sim o meu Pai; o mesmo Pai que hoje dá ao mundo não mais o maná, que alimenta uma vida destinada a perecer, mas o verdadeiro pão do céu, que dá a vida para a humanidade inteira. O maná embolorava (Ex. 16,20). O pão de Jesus não se estraga; quando é recolhido em cestos e guardado, pode ser distribuído novamente.
Mas o que é este pão do céu? Por que Jesus não o distribui logo para todos? Na última parte do trecho (vs. 34-35) Jesus responde a essas perguntas: “Eu sou o pão da vida; quem vem a mim não terá mais fome, quem crê em mim não terá mais sede”.
O único pão que sacia a necessidade de felicidade e de paz é a palavra de Cristo. O seu evangelho e não o maná do deserto é o pão descido do céu.
Revista “O Mílite”
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Descobrir a ação de Deus

A narração dos dois milagres acontecidos no deserto - o do maná e o das codornizes - se reveste do estilo da literatura épica que caracteriza a história das maravilhas operadas por Deus em favor do seu povo nos famosos quarenta anos - de sua vida nômade a caminho da terra prometida. Não faz mal admitirmos que tanto o fenômeno das codornizes como o do maná têm fundamento natural na região. Acontecem revoadas de codornizes atravessando a península do Sinai no tempo da primavera em demanda de regiões mais quentes. E, quanto ao maná, há na região do deserto uma planta chamada tamargueira (tammarix mannifera), que segrega uma espécie de goma comestível, adocicada, até hoje conhecida e usada pelos homens.
Mas evidentemente o autor bíblico lança o seu olhar para além desses fatos naturais. Ele vê a ação de Deus. Foi Deus que no momento oportuno mandou o alimento - pão e carne - para o seu povo. Quando os israelitas, vendo o maná, perguntam a Moisés: "Que é isto?" (Man-hu?), a resposta da fé que ele Ihes dá é esta: "E o pão que o Senhor vos dá para alimento" (Ex 16, 15).
A lembrança do maná permaneceu muito viva, perpassando toda a história do povo hebreu. No salmo 77 se fala do maná em termos altamente elogiosos: "Fez chover sobre eles o maná, deu-Ihes um trigo do céu; o homem comeu pão dos anjos" (vs. 24 e 25). Como está, aliás, no livro da Sabedoria, onde se diz que "Deus providenciou para seu povo um alimento de anjos, e sem trabalho Ihes mandou do céu um pão preparado, que continha todo o sabor e se amoldava a todos os gostos" (Sb. 16,20). Na Arca da aliança devia ser conservada uma medida de maná para o conhecimento do povo (Ex. 16,33). Não se sabe até que ponto essa prescrição terá sido conservada. Mas na carta aos hebreus, ao falar do tabernáculo erguido para o culto de Javé, se diz expressamente que lá se conservava a arca da aliança e nela havia um vaso de ouro com o maná. E até no último livro da Bíblia - o Apocalipse - há uma bela alusão ao maná, quando ao Anjo da Igreja de Pérgamo se escreve: "Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às Igrejas: ao vencedor darei o maná escondido" (Ap. 2,17).
Mas onde aparece de maneira especial a tradição do maná é no encontro de Jesus com o povo, na sinagoga de Cafarnaum, depois do milagre da multiplicação dos pães. O diálogo é interessantíssimo, e é uma das páginas mais ricas do evangelho de São João, quando, através de várias etapas de ensinamento, Jesus leva o povo à revelação final da promessa do Pão eucarístico. Os judeus o desafiaram a fazer algum milagre, para que pudessem crer nele. E lhe lembraram que Moisés no deserto havia dado aos seus pais o maná, um pão vindo do céu. Mas Jesus Ihes respondeu: "Não foi Moisés que vos deu o pão vindo do céu, mas meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão que vem do céu; pois o pão de Deus é o que desce do céu e dá a vida ao mundo" (Jo 6,32-33). Então lhe pedem, numa visão ainda muito confusa da grandeza do que Jesus Ihes estava revelando: "Senhor, dá-nos sempre desse pão" (v. 34). E Jesus responde: "Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a mim não terá mais fome, e aquele que crê em mim não terá mais sede" (v. 35).
Jesus é o verdadeiro dom de Deus Pai. Muito mais precioso que o maná dado no deserto ou do que os pães e os peixes multiplicados miraculosamente. Quem vem a Ele, isto é, quem escuta seus ensinamentos e adere a Ele com toda a sua vida, não terá mais fome nem mais sede. Ficará plenamente saciado, pois entenderá que há valores mais altos do que a comida e a bebida. "Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus" (Mt. 4,4). E a mesma afirmação superior que aparece no diálogo com a Samaritana, a quem Ele prometeu que daria "água viva". Ela zombou de Jesus, como se Ele se estivesse declarando maior que Jacó, que cavara aquele poço. Mas ele replicou: "Quem bebe desta água, voltará a ter sede; mas quem beber da água que eu vou dar, nele brotará uma fonte que jorra para a vida eterna" (Jo 4,13-14). Tanto no caso do pão, como no caso da água, Jesus se transpõe para um plano superior, o da vida eterna que Ele nos veio dar. E, então, sua grande palavra: "Eu sou o pão da vida" (Jo 6,35).
padre Lucas de Paula Almeida, CM
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"O Pão da Vida"

Nosso coração está sempre insatisfeito do que é e do que tem... sempre está com fome de algo… E Deus intervém sempre na vida dos homens, saciando-os de toda fome.
Na 1ª leitura, Deus alimenta o Povo com o maná no deserto (Ex. 16,2-4.12-15). O povo de Deus está no deserto faminto, a caminho da terra Prometida. Depois dos primeiros dias de entusiasmo pela liberdade conquistada, o povo sente a dureza da marcha e a escassez de alimento e de água. Começa, então, a reclamar de Moisés e Aarão. No Egito era escravo sim, mas tinha comida em abundância. E estavam dispostos a trocar a liberdade por um pouco de comida...
Deus não o abandona, pelo contrário, oferece um alimento inesperado: o maná e codornizes para que possam fortalecidos prosseguir a caminhada. O maná é sinal de outro alimento, de que nos falará o evangelho...
A 2ª leitura diz que quem aceita Jesus como o "pão" da vida e adere a ele, deixa de ser homem velho e passa a ser "o homem novo" (Ef. 4,17.20-24).
No Evangelho Jesus se apresenta como o "Pão da Vida".
O povo busca o pão do milagre e não o Messias que dá o pão (Jo. 6,24-35).
Continua o capítulo 6º de João, introduzindo o "sermão do pão da vida", que Jesus pronunciou na sinagoga de Cafarnaum, dando continuidade ao "sinal" da multiplicação dos pães.
Entusiasmado com aquele milagre estrondoso, o povo procura Jesus. Poderia parecer um sucesso... Para Jesus, ao invés, foi um fracasso. O povo não entendeu o sentido daquele gesto.
Por que o povo está à sua procura?
Não foi para escutar suas palavras e aprofundar a sua mensagem mas porque comeu pão em abundância e de graça e esperava continuar tendo o pão garantido sem precisar trabalhar.
1) Jesus: critica essa procura e sugere outra procura: a fé. "Vocês estão me procurando porque comeram e ficaram satisfeitos. Não busquem o alimento que perece, mas o pão que permanece até a vida eterna."
Jesus não veio para oferecer pão com milagres, mas para ensinar que o amor e a partilha produzem pão em abundância.
Quantos ainda hoje o procuram, esperando apenas graças, milagres...
E quando não conseguem passam para seitas que os prometem...
2) Povo: "Que obras devemos fazer para conseguir esse alimento que permanece até a vida eterna ?"
Jesus: "Que acrediteis naquele que Deus enviou...": Deus não exige "obras" (práticas da lei), mas fé em Cristo, enviado do Pai.
3) O povo exige milagres para acreditar. Querem uma fé com garantias.
Não foi suficiente a multiplicação dos pães: querem um sinal comparável ao de Moisés. Por isso, exigem: "Que sinal tu fazes para que vejamos e creiamos em ti?"
Jesus: tenta explicar que foi Deus quem deu o Maná, e que o mesmo Deus envia o novo e verdadeiro pão do céu, que pode dar a vida verdadeira e sem fim.
4) E o povo não entende a resposta de Jesus. E fixo nos seus interesses materiais, insiste: "Senhor, dá-nos sempre desse pão".
Jesus, constrangido, esclarece: "Eu Sou o Pão da vida… Quem vem a mim não terá mais fome e quem crer em mim jamais terá sede".
Cristo, Palavra de Deus, é o único pão do céu que sacia plenamente nossa fome de felicidade e de paz do homem.
No deserto, o Povo recebeu o Maná, um alimento para prosseguir a caminhada para a Terra Prometida... mas assim mesmo morreu.
Hoje: Deus alimenta o seu povo com o pão da vida, com a sua Palavra, que é Jesus Cristo de Nazaré...
E nós o que buscamos? O povo procurou o pão do milagre, não o seu autor. Não basta buscar o pão de cada dia. É necessário buscar o pão que não perece e dura até a vida eterna.
O pão da vida eterna está presente na bondade, no amor, na luta pela justiça, na construção de um mundo novo...
Qual é a atitude que motiva a nossa busca de Deus, hoje?
O encontro dominical é um momento privilegiado em que Cristo continua alimentar o seu povo, com sua palavra e seu pão...
Nós aceitamos o convite e estamos aqui nessa celebração à sua procura.
É uma procura sincera de Deus, animada pela fé, para um encontro pessoal com Cristo, "Pão da Vida"?
Ou é apenas um encontro social, movido por motivos humanos?
Peçamos que Deus aumente a nossa fé para perceber seus sinais e seguir com generosidade seus apelos...
Façamos nosso (no bom sentido) o pedido do povo de ontem: "Senhor, dá-nos sempre desse pão".
O primeiro domingo de agosto é dedicado à vocação sacerdotal. Rezemos ao Senhor para que continue enviando sacerdotes para o serviço da evangelização e da fraternidade. Que ele continue abençoando e plenificando a vida de todos os sacerdotes.
padre Antônio Geraldo Dalla Costa
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“Eu sou o pão da vida, disse Jesus.”
O verdadeiro alimento que sacia toda a fome é o nosso Deus. Ele fortalece o espírito e renova as forças na fé para caminhar retamente no caminho da verdade. Quem alimenta do pão descido do céu comunga com os ensinamentos da libertação porque refaz no Cristo tudo aquilo que Ele fez para salvar o povo do deserto e da escravidão.
O povo de Deus não pode perecer por falta de alimento e, na Eucaristia, o povo pode encontrar aquilo que necessita. Ao comungar as magnitudes da vida eterna no Filho do Homem as fraquezas esvaece. Assim, o velho homem foi substituído pelo novo homem enrijecido e poderoso para levar adiante o projeto de vida em abundância.
Ao conhecer o legado dos ensinamentos de Cristo e vivê-los no dia a dia o novo homem encontrará a fortaleza real para assegurar nas dificuldades. Revigorado na estância da solicitude o novo homem vislumbrará horizontes felizes porque estará cimentado na dignidade da vida liberta. Não tem como temer diante do encardido, pois sua força ajudará a combater o mal e eliminará as forças que insistem em desmascarar o rosto semelhante de Cristo.
Às vezes o homem não compreende o sinal do salvador. O sinal vivo de Cristo está em tudo que cerca o homem. Pode-se observar a mão de Deus na natureza, no cumprimento entre as pessoas, na cura, na libertação, no acolhimento aos necessitados, na ajuda, no perdão e na solidariedade. Porém, os olhos do homem só enxergarão os sinais de Deus se atentar para as coisas boas e mudar de vida por completo.
Mas, como mudar de vida? Como enxergar o Senhor como alimento? Como viver o Cristo Ressuscitado?
Mudar de vida pode custar caro para quem enxerga os bens matérias como privilégios. Pode acomodar-se na mansidão das injustiças e distanciar da vida no Deus humilde e compassivo. O Senhor libertou o povo da escravidão do Egito e os logrou para a terra prometida. Permaneceu no deserto por quarenta anos, o tempo necessário para amadurecer na fé renovada. Para o povo escravizado, ao sair do Egito, significava mudar de vida, libertar da opressão ou tornar-se novo homem para Deus. Sair do Egito era o sinal do amor de Deus. Mas como enxergar a mudança e o sinal do Senhor nesta circunstância?
Nem sempre é visível aos olhos a atuação do Senhor. Para os fracos na fé a dúvida pode alimentar ainda mais a desconfiança do Deus-vivo. Assim, o povo liberto do Egito duvidava da presença do Senhor e pedia provas para mostrar que estava correto. Sentia-se fome e sede. Pedia a Moisés alimento para continuar na caminhada. As barreiras eram intransponíveis. Mas o Senhor não deixou seu povo a mercê da dúvida e agiu sobre o povo.
Alimentado na fé e encorajado a continuar a caminhada o povo do deserto alcançou seu objetivo: chegou a terra prometida e alicerçou-se nos instrumentos da fé.
Compreender e viver a nova realidade instruída por Deus é tornar-se cristão comprometido com a vida em comunidade. Para tanto, na leitura da carta de São Paulo lê-se: “renunciando à vossa existência passada, despojai-vos do homem velho, que se corrompe sob o efeito das paixões enganadoras, e renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade” (Ef. 4,22). O homem velho e susceptível à corrupção, ou seja, o homem velho vive à custa do serviço alheio e explora o pequeno para satisfazer suas vontades extravagantes. Este não enxerga o sinal de Deus e nem alimenta do pão do céu que é a palavra da libertação. Já o homem novo é renovado, acredita e confia na palavra do Senhor, embebe das doutrinas justas e luta por um mundo melhor.
O homem que participa da Eucaristia e acredita na força do Espírito Santo é um homem renovado, tem roupa da justiça, da solidariedade, da vida em comunidade e sabe ajudar os necessitados. Assim, este novo homem estará revestido da verdadeira justiça e santidade.
Somente na participação celebrativa que novo homem entra em consonância com o Pai do céu. Contudo, o salmista oferece uma reflexão para os tementes à Deus que participa do momento de louvor: “tudo aquilo que ouvimos e aprendemos, e transmitimos para nós os nossos pais, não haveremos de ocultar a nossos filhos, mas à nova geração nós contaremos: as  grandezas do Senhor e seu poder” (Sl. 77).
Perceber a grandeza e o poder do Senhor é estar abastecido de sua palavra. Só conta e dissemina as maravilhas do Senhor se as conhece, caso contrário, nada saberá para contar ou engrandecer as maravilhas. O senhor é supremo em todos os sentidos, pois é o único que tem o poder de renovar completamente o mundo com seu poder.
Desse modo, alimentar do Corpo e Sangue do Senhor acaba comprometendo com sua atitude. Foi o que aconteceu com a multidão que procurou Jesus na outra margem do mar em Cafarnaum. Alimentou do pão vivo do céu e, portanto comprometeu-se, mesmo sem entender o que estava acontecendo, e coube Jesus advertir: “esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna e que o Filho do homem vos dará” (Jo 6,27).
Não tem com fugir do Deus que acolhe e socorre nos momentos difíceis. Ele sempre estará pronto para atuar com exatidão. Uma vez inteirado da grandeza do Senhor o homem não tem como encontrar fugas, pois ficou presos ao seu poder e sentiu protegido de todas as armadilhas.
No final do Santo Evangelho de João Jesus volta-se para a multidão que ainda espera um sinal e afirma: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo. 6,35).
Confia-se na palavra de Deus e as faça prática constante nos afazeres do dia a dia, pois ao fazer como ensina a Sagrada Escritura a vida eterna saciará para sempre.
Portanto, o homem reto e renovado ouve e faz a vontade do Senhor. Amém!
diácono Claudinei M. Oliveira
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Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede.


Este Evangelho narra que, após a multiplicação dos pães, Jesus se retirou, mas a multidão foi procurá-lo. Quando o encontraram, Jesus desabafou: “Estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos”.
Com essas palavras, Jesus quis ajudar as pessoas que o procuravam avidamente, a entenderem que o motivo era bastante egoísta e puramente material: queriam mais pão de graça. Segundo Jesus, o povo não entendeu o principal, o motivo por que Jesus havia multiplicado os pães, que era para provar que ele é o Deus encarnado, que sacia todas as sedes e todas as fomes do mundo, e que portanto as pessoas precisam crer nele. E Jesus aproveitou para dar um conselho: “Esforçai-vos, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com o seu selo”.
Então algumas pessoas perguntaram-lhe: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” De acordo com a orientação dos doutores da Lei, por esta expressão eles entendiam: oração, jejum, esmolas, dízimos, ritos, purificações etc. Mas Jesus declara: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”. Percebemos que Jesus centralizava a conversão na fé nele, na união com ele, no seguimento dele, que é o enviado de Deus.
E alguns judeus perguntaram: “Que sinais realizas, para que possamos ver e crer em ti?” Essa pergunta eles sempre faziam, porque não tinham fé, pois Jesus vivia fazendo sinais. E recordam a cena do maná, que está narrada na primeira Leitura. Jesus responde que não foi Moisés, e sim Deus Pai que mandou o maná. E agora este mesmo Deus lhes manda o pão verdadeiro, que é o próprio Jesus, pão fortíssimo que, quem dele comer não terá mais fome. Este é o pão verdadeiro, do qual o maná era apenas uma figura.
“Eu sou o pão da vida.” A samaritana, quando ouviu Jesus dizer que é uma água viva e quem bebe nunca mais terá sede, ela pediu: “Senhor, dá-me dessa, para que eu não tenha mais sede, nem tenha de vir aqui tirar água” (Jo 4,15). Também aqui o povo continua interessado apenas no “terra a terra”, e pede: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. Jesus estão explica: “Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”. Portanto, mais uma vez é um convite ao povo a sair de interesses apenas materiais e pensar na vida eterna.
Jesus é o pão da vida, selado por Deus Pai com a divindade e entregue às pessoas humanas para trazer vida a todos. Mas essa iniciativa amorosa de Deus só chega a nós se tivermos fé e praticarmos boas obras. Portanto, precisamos “esforçar-nos, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna”.
Vemos uma ligação clara entre a multiplicação dos pães, o maná e a eucaristia. Resta para nós saciar-nos continuamente do pão da vida que é Jesus, e assim saciar a nossa sede de paz, nossa fome de justiça, e assim construir a fraternidade na esperança e na alegria. Precisamos viver não como os pagãos, mas como criaturas novas, embriagados pelo Espírito que constrói a santidade verdadeira.
A febre do bem-estar, à base do ter e consumir, é talvez o ideal mais comum na vida das pessoas de hoje. Mas a busca do mero pão material, do ter e do gastar, deixa-nos interiormente vazios. São interessantes as perguntas: O que é que procuramos? Qual é o centro da nossa vida?
Havia, certa vez, três homens super pobres que sempre iam a uma padaria pedir pão. Um dia, o dono da padaria resolveu fazer um teste com eles. Quando os três chegaram, ele foi lá dentro e voltou, com o auxílio dos funcionários, trazendo três sacos cheios. Um continha pães, o outro farinha de trigo e o terceiro sementes de trigo. Colocou os sacos na frente dos homens, explicou o que havia dentro e pediu que eles escolhessem.
O primeiro, apressadamente, pegou o saco de pães e foi-se embora contente. O segundo pegou o saco de farinha e também foi embora feliz. O terceiro não teve escolha: ficou com o saco de sementes. O padeiro perguntou se ele estava triste por isso. Ele, com um largo sorriso, respondeu: “De modo nenhum! Pois vou plantar estas sementes e terei pães em casa por muitos anos!” Agradeceu e foi também embora com o saco de sementes nas costas. Este, com certeza, foi o único que não voltou mais à padaria para pedir pães.
Deus não costuma dar os pães já prontos, nem a farinha. Ele nos dá as sementes. “Eu sou o pão da vida... Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”.
Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede.
padre Queiroz
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O pão da vida

Em Cafarnaum Jesus declarou a seus discípulos: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim, nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35). Estas palavras de Cristo revelam os efeitos da eucaristia na vida de quem tem fé. O pão eucarístico é fonte da vida eterna, uma vez que se trata de uma união íntima com Cristo, alimento da alma. Daí sua importância capital na vida cristã.
A vida eterna ninguém a pode ter por si mesmo sem a comunhão no corpo e sangue de Cristo. Este alimento celestial a pode comunicar, dado que o pão consagrado é o próprio Filho de Deus, a sabedoria eterna, a Verdade substancial. Então o ser racional se purifica, torna-se o homem novo, inteiramente renovado pelo Corpo de seu Redentor.
Trata-se de um fortalecimento para os embates da vida e o papa Leão Magno lembrava que o fiel, alimentado por este pão, se torna vigoroso para enfrentar o inimigo de sua salvação. Dá-se, além disto, um invisível crescimento espiritual e o cristão marcha então nas veredas da santidade. Adere-se, contudo, ao Pão da vida apenas pela fé, ficando os seguidores de Cristo incorporados nele de uma maneira toda especial: Ele em nós e nós nele.
Ocorre, em consequência, uma união profunda dos membros do Corpo Místico com a sua Cabeça que é o divino Salvador. Donde ser assim a eucaristia sinal da unidade da Igreja e da união de todos os cristãos entre si. O Pão da vida, deste modo, não comunica sua vida pela Eucaristia senão à sociedade dos santos que é esta Igreja una, católica, apostólica. Eis porque se diz que se trata do mistério da fé. Esta fé cresce animada pelo Espírito Santo e leva ao amor que une todos em Cristo, o que é realmente um dos efeitos maravilhosos deste sacramento.
Eis a razão pela qual os cristãos passam a ter uma vida unânime, porque assim tão profundamente unidos a Cristo. A eucaristia é por excelência, de fato, o pão da concórdia, porque pelo dom do Espírito da caridade do Pai e do Filho ela difunde maravilhosamente o amor nos corações. Foi o que bem entenderam os primeiros cristãos que insculpiram no frontispício das Igrejas o lema do amor: “Um só coração, uma alma” Aí está a razão pela uma das condições para se receber este Pão da vida é estar o cristão isento de todo e qualquer rancor contra o próximo, disposto a, em hipótese alguma, jamais magoar o seu semelhante, cuidando continuamente de vigiar os pensamentos, palavras e obras que pudessem injustamente prejudicar a honra alheia, envolto num perdão cordial, sincero.
Na alheta de são Justino, de são João Crisóstomo, de santo Agostinho e tantos outros notáveis teólogos, o papa Bento XVI na sua encíclica “Deus é Amor” mostrou que a Eucaristia exprime o dom de Deus manifestado em Jesus Cristo presente no coração daquele que nele crê, envolvendo os fiéis numa dileção sem fronteiras. É o que ensinou são Paulo aos Coríntios: “O cálice de bênção que abençoamos não é comunhão com o sangue de Cristo?
O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? Já que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão. (1Cor. 10,16-17). Não há dúvida, portanto, que a eucaristia significa que o amor de Deus e o amor do próximo estão profundamente relacionados entre si. Deste modo a celebração do culto eucarístico e o agir humano se acham em estreita relação de fé. Seria uma contradição uma comunhão que não se traduzisse em uma prática concreta da caridade fraterna.
O serviço do próximo permite assim sempre melhor descobrir quem é Deus, dado que o encontro como Senhor na eucaristia renova a capacidade de amar os outros. Este sacramento é o sinal da unidade, liame da caridade, banquete pascal no qual Cristo é recebido em alimento e a alma é cumulada de graça, unindo-se pela fé e pelo amor a todos os irmãos. Como doutrinou o bem-aventurado João Paulo II, a eucaristia, pão da vida, deve ser compreendida como o dom de si mesmo e é a alma de toda vida cristã.
cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho
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Homem novo para um mundo novo


A missa deste domingo segue a mesma temática do domingo passado. A abundância de Deus, que se manifesta sempre com um desejo enorme que cada pessoa encontre sempre o necessário para estar bem de saúde, alimentada convenientemente e acima de tudo que seja muito feliz. São estes os desejos de Deus para todos nós. Quando eles ainda não existem, devemos sentir que nos falta trabalhar mais intensamente para que a ninguém falta estas qualidades para a vida ser verdadeira vida.
A primeira leitura da missa deste domingo, recorda que Deus dá o necessário a cada um e «proíbe» juntar mais do que esse necessário, porque, efetivamente, ir além do necessário resulta sofrimento. Por um lado, emerge a tentação do «ter» em detrimento do «ser», a ganância marca o passo, a ambição desmedida torna-se regra de vida. Por outro, a sofreguidão do «ter» produz mais famintos e faz empobrecer populações inteiras. Os desequilíbrios do mundo a este nível são dramáticos e um escândalo que nos envergonha sobremaneira.
Deus convida-nos a não nos deixarmos dominar pelo desejo descontrolado da posse dos bens, a libertarmos o nosso coração da ganância que nos torna escravos das coisas materiais, a não vivermos obcecados e angustiados com o futuro, a não colocarmos na conta bancária a nossa segurança e a nossa esperança. Só Deus e os valores que Ele nos apresenta, são a nossa segurança, só n’Ele devemos confiar, pois só Ele (e não os bens materiais) nos libertam e nos leva ao encontro da vida definitiva.
São Paulo apresenta-nos um apelo à vida nova. Isto é, cria um parâmetro sobre a nossa condição, «o homem novo». Este faz parte do ideal de Deus. O homem novo será todo aquele que integra a família de Deus, que não se conforma com a maldade, a injustiça, a exploração a opressão, que procura a verdade, o amor, a justiça, a partilha, o serviço, o que pratica obras que se coadunam com a beleza, a bondade e a estética de Deus. O homem novo, não está de forma nenhuma longe da misericórdia, da humildade, empenhado no bem para todos, com a maior das alegrias e simplicidade. O homem novo, sabe quais são e vive seriamente os valores de Deus.  
No Evangelho, Jesus recusa ser um simples mago, um prestidigitador, que faz coisas espetaculares (por exemplo, fazer cair do céu o maná). Nada disso. Jesus faz questão de mostrar que Deus não vem ao encontro da pessoa humana com gestos grandiosos, que deixam toda a gente boquiaberta, espantada… Quiçá que assumindo tais gestos portentosos, Deus conseguisse aumentar o rol dos crentes! – Não se trata disso a proposta de Deus.
Deus atua em cada pessoa de forma discreta. Por isso, será importante estarmos atentos aos sinais, aos gestos que nos falam de Deus e que nos desafiam para a ação. Deus vem ao encontro de todos os homens e mulheres e, sem os forçar nem muito menos lhes impor o que quer que seja, convida-os para um plano de felicidade e salvação. Depois, cada um de acordo com a sua liberdade e vontade própria escolhe ou não o caminho de Deus. Nesta ação Deus não deixa de apresentar que só será feliz quem acolher o caminho do amor, da solidariedade e partilha, o serviço aos outros, porque tal prática liberta e torna-nos úteis.
Por fim, o desejo de Deus para nós todos é manifestar a abundância da paz e da felicidade, por isso, estejamos atentos ao que a vida nos vai oferecendo e propondo para que possamos acolher o que nos faz falta para nos tornarmos em cada dia «humanidade nova» aptos a construirmos um mundo sempre novo para todos.  
padre José Luís Rodrigues

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Cada dia encontro algum motivo para fazer a reflexão dos domingos, querendo ou não sempre acaba me ajudando neste processo de fidelidade e do reconhecimento da graça do Senhor na minha vida como ministro ordenado, como ministro da graça. Alguns dias atrás uma família me perguntou: que sentido um sacerdote pode encontrar celebrando a eucaristia só? Como já sabia o que estava por trás desta pergunta tentei fazer uma breve reflexão, porque neste tempo de férias celebro cada dia a santa missa na capela do colégio. Porém, este gesto não é bem visto ou compreendido por alguns. A minha resposta foi bastante simples: ‘se eu como ministro da graça não me alimento do sacrifício dos santos mistérios, não medito a Palavra de Deus e não cumpro com os meus deveres como religioso (como por exemplo: a liturgia das horas - laudes, vésperas e completas). Neste caso, qual seria o meu alimento? Foi uma pergunta com outra pergunta!
Aproveito esta oportunidade para de citar a Exortação apostólica de Bento XVI, “Sacramentum Caritatis”, datada no dia 22 de fevereiro de 2007. Trata de um referencial bastante atual que o vicário de Cristo aqui na terra da a todos como algumas pistas sobre como devemos responder e perseverar na celebração digna e diária da Eucaristia, o sacrifício da eterna e sublime misericórdia do Nosso Senhor Jesus Cristo, que quis estar presente por meio da consagração do pão e do vinho no seu corpo e sangue no resgate das almas. Agora pretendo transcrever alguns números que mais me chamou a atenção e que hoje nos poderá ajudar a compreender um pouco mais este sacramento do amor para a humanidade. E que neste 18º domingo do tempo comum seguiremos reflexionando sobre o milagre da multiplicação dos pães do evangelista são João.
“A fé da Igreja é essencialmente fé eucarística e alimenta-se, de modo particular, à mesa da Eucaristia. […] Por isso, o sacramento do altar está sempre no centro da vida eclesial; graças à Eucaristia, a Igreja renasce sempre de novo! Quanto mais viva for a fé eucarística no povo de Deus, tanto mais profunda será a sua participação na vida eclesial por meio duma adesão convicta à missão que Cristo confiou aos seus discípulos” (n. 6).
“O Concílio Vaticano II lembrou que « os restantes sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e obras de apostolado, estão vinculados com a sagrada Eucaristia. […] A este respeito, o referido Concílio afirmou que « a Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (n.16).
“Se verdadeiramente a Eucaristia é fonte e ápice da vida e da missão da Igreja” (n. 17).
“Os padres sinodais afirmaram, justamente, que o amor à eucaristia leva a apreciar cada vez mais também o sacramento da Reconciliação” (n. 20).
“O vínculo intrínseco entre a Eucaristia e o sacramento da Ordem deduz-se das próprias palavras de Jesus no Cenáculo: «Fazei isto em memória de Mim» (Lc 22,19). […] Certamente o ministro ordenado «age também em nome de toda a Igreja, quando apresenta a Deus a oração da mesma Igreja e, sobretudo, quando oferece o sacrifício eucarístico» […] Recomendo, pois, ao clero que não cesse de aprofundar a consciência do seu ministério eucarístico como um serviço humilde a Cristo e à sua Igreja” (n. 23).
“Uma vida espiritual intensa permitir-lhe-á entrar mais profundamente em comunhão com o Senhor e ajudá-lo-á a deixar-se possuir pelo amor de Deus, tornando-se sua testemunha em todas as circunstâncias mesmo difíceis e obscuras. Para isso, juntamente com os padres do Sínodo, recomendo aos sacerdotes «a celebração diária da Santa Missa, mesmo quando não houver participação de fiéis»” (n. 80).
“O testemunho profético de mulheres e homens consagrados que encontram, na celebração eucarística e na adoração, a força para o seguimento radical de Cristo obediente, pobre e casto. Embora realizem muitos serviços no campo da formação humana e do cuidado pelos pobres, no ensino ou na assistência aos doentes, os consagrados e consagradas sabem que a finalidade principal da sua vida é «a contemplação das coisas divinas e a união assídua com Deus»; a contribuição essencial que a Igreja espera da vida consagrada destina-se muito mais ao ser do que ao fazer. […] Além disso, a Eucaristia é conforto e impulso para ser, no nosso tempo também, sinal do amor gratuito e fecundo que Deus tem pela humanidade” (n. 81).
Transcrevo muitos textos desta exortação apostólica do santo padre justamente para dar a conhecer que não sou eu que digo a importância que tem na celebração na vida de um ministro de Deus no meio dos fiéis. Ao meditar estes textos busco aprofundar e ao mesmo tempo formar-me: “Recomendo, pois, ao clero que não cesse de aprofundar a consciência do seu ministério eucarístico como um serviço humilde a Cristo e à sua Igreja” (n. 23). Estas palavras são um verdadeiro impulso a seguir realizando o que estou chamado, porque não posso dar aquilo que não tenho, por isso nós que somos os ministros de Deus, devemos estar cheios de Deus, alimentados tanto do corpo como da alma para assim alimentar os outros.
A Eucaristia é o nosso alimento, por isso não podemos medir esforços para celebrá-la com dignidade e respeito. Neste período de férias, vejo como um tempo predileto para celebrar sem presa, sem preocupação por aquilo que tenho ou não por fazer, aproveitar o momento para entrar e ter um contato e uma experiência mística com o mistério de Deus presente no pão e no vinho, corpo e sangue, alma e divindade.
Ao longo destes domingos estamos meditando sobre a multiplicação dos pães, não é coincidência que estamos falando da Eucaristia neste tempo de férias e da necessidade de celebrá-la diariamente como nosso maná mais precioso deixado pelo mesmo Jesus. Assim começo esta reflexão deste domingo, chamando a nossa atenção a zelar por este sacramento, sinal visível da presença de Deus no meio do seu povo.
Na primeira leitura (Ex. 16,2-4.12-15) o povo de Israel seguia os passos de Moisés. Mas chegou o dia que prefigura a escravidão do Egito, porque Deus ouviu os apelos, as súplicas do seu povo, chegou o momento, a liberdade já estava nas mãos dos israelitas, mas ficaram olhando para o passado, pelas panelas cheias de carne que comiam, mas sem liberdade. Já de caminho pelo deserto, as queixas eram frequentes, tudo está mal, nada alegra este povo. O tempo das provações começa: fome, sede, sono, cansaço, medo, etc e num ato de generosidade sem limites por parte de Deus que ouviu as queixas e os lamentos, faz cair o maná do céu e codornizes.
A nossa vida como cristãos também pode ocorrer o mesmo: duvidamos, vacilamos, temos tentações de olhar para trás, de volver à terra das pirâmides, deixar o carro porque pesa. Às vezes só buscamos a Deus como uma farmácia, quando tenho dores, problemas, dificuldades, já sei onde ir e pedir o que poderá tranquilizar os meus problemas. Por isso mesmo que no evangelho (Jo 6,24-35) Jesus fala ao povo: “buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos” (v. 26), faz alguns dias, Jesus se sentia utilizado. Muita gente começava a seguir, mas somente de forma interessada. É um versículo bastante claro para falar de que muitas vezes também cometemos o mesmo erro ao aproximar-nos de Deus e da Eucaristia, mas tudo somente para tirar proveito. Não, não meus queridos irmãos, esta não é a nossa fé, não é a fé que professa a Igreja, não podemos buscar a Deus somente para conseguir coisas, mas buscar a Deus pelo que Ele é.
O mesmo que aconteceu com este povo no tempo de Jesus que estavam mais preocupados em encher as suas barrigas, e não se abrindo aos seus ensinamentos, porque aí esta o verdadeiro alimento que não perece. O mesmo ocorre hoje, buscamos para resolver os nossos problemas e não para adorá-lo, não para buscar forças para vencer as batalhas do cotidiano.
Este tema bastante importante, buscar a Jesus não pelo alimento que perece, mas pelo que permanece eternamente, para isso necessitamos da fé. Crer em Jesus é comer o pão que Deus nos envia para tirar a nossa fome, porque somente este pão nos poderá dar a vida eterna. O pior não é ter fome, mas não ter fome daquilo que realmente vale a pena, não saber que nos falta o autentico pão. O pior também está em ficar satisfeito com a ‘panela de carne’ que nos oferece o mundo, coisas que passam, Jesus nos alimenta com o alimento eterno.
padre Lucimar, sf
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Neste XVIII domingo do tempo comum, o apóstolo Paulo continua-nos a recordar as exigências concretas de sermos cristãos. Na verdade, se no Domingo anterior o apóstolo recomendava a “que vos comporteis segundo a maneira de viver a que fostes chamados”, hoje, na sua carta aos cristãos de Éfeso afirma: “é necessário abandonar a vida de outrora e pôr de parte o homem velho [….] revesti-vos do homem novo”. Na verdade, os cristãos pelo seu batismo morrem ao homem velho e nascem homens novos. Assim sendo, a vida dos cristãos não deve ser marcada pelas obras do homem velho mas pelas obras do homem novo.
A Carta aos cristãos de Éfeso que escutamos hoje na segunda leitura é uma carta circular que o apóstolo Paulo envia a algumas igrejas da Ásia menor desde a prisão. Esta carta, síntese madura e bem elaborada da teologia de Paulo, contem uma parte parenética, ou seja, contem uma parte exortativa onde o Apóstolo Paulo anima os cristãos a serem coerentes com o seu batismo, com a sua adesão a Cristo. Na verdade, ser cristão não é uma questão de nome mas é um estilo de vida concreto. O trecho da segunda leitura deste dia pertence a secção parenética desta carta. 
Paulo pede insistentemente que os cristãos abandonem o homem velho, a vida antiga marcada pela futilidade e pela corrupção dos desejos enganadores e que se revistam do homem novo marcado pela justiça e pela santidade. Paulo pede-nos que sejamos coerentes. Na verdade, todos nós afirmamo-nos cristãos, dizemos que fomos batizados e nos tornamos novas criaturas e filhos de Deus. No entanto, será que estamos a viver verdadeiramente a vida nova dos filhos de Deus? Será que somos verdadeiramente homens e mulheres novos? Será que verdadeiramente conhecemos Jesus e o seu estilo de vida? Ou será, que em nada a nossa vida se distingue daqueles que não acreditam? Pode acontecer que apesar de sermos batizados estejamos ainda a viver a mesma vida de antes.
A nossa fidelidade a Cristo, o nosso esforço e empenho em deixarmos o homem velho e sermos homens novos nem sempre são fáceis. Há momentos em que nos pode apetecer voltar para a escravidão do pecado, do homem velho e deixar a vida do homem novo marcada pelo amor, justiça, paz, santidade, graça e vida. A nossa caminhada de homens novos é uma caminhada de esforço continuo. No entanto, não devemos desanimar porque Deus está conosco e nos ampara no nosso esforço e nas nossas dificuldades em nos renovarmos e nos revestirmos do homem novo. Deus está conosco neste caminho de libertação do pecado em direção à vida nova da graça, à liberdade.
Desta presença de Deus na caminhada do povo da escravidão do Egipto à terra prometida nos fala a primeira leitura deste domingo retirada do livro do Êxodo. A primeira leitura deste domingo insere-se no contexto da caminhada do povo pelo deserto em direção à terra prometida. Depois de Deus libertar o povo da escravidão do Egito, este inicia a sua marcha pelo deserto em direção à terra da promessa. No entanto, nem tudo é fácil neste caminho de libertação. Na verdade, as dificuldades vão-se sentindo. A leitura deste dia conta-nos a dificuldade da fome que o povo sentiu. Ante esta dificuldade, o povo começa a murmurar contra Deus e por muito estranho que pareça até desejou voltar a ser escravo: “Antes tivéssemos morrido às mãos do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados ao pé das panelas de carne e comíamos pão até nos saciarmos”.
O povo de Deus, mesmo depois de ter visto as maravilhas que o Senhor realizou para libertá-los da escravidão do Egito, ainda não aprendeu a confiar em Deus e a segui-lo com confiança. No entanto, Deus não se cansa de se revelar ao povo como o Deus bondoso, solicito e preocupado com o seu povo. Deus não se cansa de mostrar que acompanha o homem no seu caminho da escravidão do Egito à liberdade na terra prometida. Assim sendo, Deus dá ao seu povo faminto maná e codornizes que matem a sua fome.
Quer o fenômeno do maná quer o fenômeno das codornizes são dois fenômenos naturais que ainda hoje se verificam. Na verdade, as codornizes, durante a sua migração entre África, Ásia e países mediterrâneos, na época do outono e da primavera, devido ao seu cansaço tornam-se uma presa fácil para os beduínos. O maná, por sua vez, é a secreção esbranquiçada de um arbusto chamado tamarix mannifera que cresce no deserto do Sinai. No entanto, estes fenômenos naturais foram lidos com os olhos da fé. Para o povo quer o maná quer as codornizes são alimentos que Deus concedeu ao seu povo ao longo do seu caminho, são dons de Deus que mostram a proteção e o amor de Deus para com o seu povo. Além disto, o maná também será uma prova para o povo: “Vou fazer que chova para vós pão do céu. O povo sairá para apanhar a quantidade necessária para cada dia. Vou assim pô-lo à prova, para ver se segue ou não a minha lei.” O maná será uma prova porque o povo só deverá recolher a quantidade necessária para cada dia e não deve acumula-lo. Assim sendo, o maná é uma prova a ver se o povo realmente confia ou não confia em Deus, se confia ou não confia na providência divina. 
Muitas vezes, ante as dificuldades que sentimos no nosso caminho de despojarmo-nos do homem velho e de nos revestirmos do homem novo sentimo-nos desencorajados e tentados a voltar atrás. Nesses momentos, desejamos que Deus interviesse de uma forma espetacular. E tão interessados e ansiosos estamos por uma intervenção divina prodigiosa que podemos estar a desperdiçar tantos sinais de amor, de bondade que Deus nos presenteia todos os dias. Na verdade, as nossas motivações na nossa vida de fé podem estar algo equivocadas. 
O evangelho deste dia fala-nos um pouco disto. Depois do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes que saciou a fome a 5000 homens, Jesus foi para Cafarnaum e a multidão, ao dar conta que nem Jesus nem os discípulos estavam no lago, foi à procura de Jesus. Encontrando Jesus, a multidão pergunta-lhe quando ai tinha chegado. Jesus não lhes reponde a essa pergunta mais adverte-os sobre as verdadeiras motivações que levaram a multidão a procurá-lo: “vós procurais-me, não porque vistes milagres mas porque comestes dos pães e ficastes saciados. Trabalhai não tanto pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que dura até à vida eterna e que o filho do Homem vos dará”. Jesus começa por esclarecer qual deve ser a verdadeira motivação da fé, de irmos até Jesus. Não devemos ir até Jesus à procura de milagres, de soluções fáceis para os problemas. Devemos ir até Jesus à procura daquele alimento que dura até à vida eterna e que é Ele mesmo: “Eu sou o pão da vida: quem vem a mim nunca mais terá fome, quem acredita em mim nunca mais terá sede”. Jesus é o verdadeiro alimento que sacia a fome de felicidade e de sentido do homem. Jesus é a resposta última para a pergunta do Homem. A sua palavra e a sua mensagem são o caminho seguro pelo qual o homem pode alcançar a verdadeira qualidade de vida, a verdadeira felicidade, a vida eterna. Assim sendo, torna-se necessário “acreditar naquele que Deus enviou”, torna-se necessário acreditar em Jesus, confiar na sua pessoa, dar crédito à sua mensagem. Só acreditando em Jesus é que teremos acesso a esse pão que dura até à vida eterna. 
Na nossa caminhada do homem velho em direção ao homem novo muitas vezes sentimo-nos, ante as dificuldades do caminho, tentados a abandonar tudo e a voltar à escravidão do pecado. Nesses momentos desejaríamos uma intervenção de Deus espetacular que dissipasse as nossas dúvidas. No entanto, esse não é o modo de Deus atuar. Ele mostra a sua bondade e a sua companhia em coisas simples e até banais. Ele garante-nos que só Jesus é o pão da vida que mata a nossa fome mas pede-nos que acreditemos nele e que continuemos o nosso caminho porque ele está connosco a alimentar-nos e a fortalecermo-nos nesta caminhada.
padre Nuno Ventura Martins
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