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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Comentários-Prof.Fernando


Comentários-Prof.Fernando (*) in: http://homiliadominical.blogspot.com.br

18ºdom.t.Comum (10ºpósPent.) 5 agosto 2012 – alimentos não perecíveis –

RESUMO ● no Egito tínhamos panelas de carne e comíamos pão com fartura! O Senhor disse a Moisés: “Eis que farei chover para vós o pão do céu Ex 16,2-4.12-15
● despojai-vos do homem velho e renovai o espírito e a mentalidade (=o homem novo) Ef 4,17.20-24
● me procurais não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. Trabalhai, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna. Eu sou o pão da vida: quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede Jo 6,24-35

Questão de vida ou morte
·         O menor trabalho realizado por todo ser que respira é sobreviver. Saciar a fome ou a sede é garantir por mais um dia ou dois a vida ameaçada pela morte. Todas as culturas desde muitos séculos a.C. até as promessas atuais nas sociedades de bem-estar social constroem seus mitos centralizados no sonho da imortalidade. Nos mitos sumérios e babilônicos, há sempre um herói como Gilgamesh: ele supera todas as dificuldades até chegar às águas profundas onde arrancará a planta da imortalidade. Na Bíblia temos a expressão “árvore da vida”, situada no paraíso, logo no início do livro do Gênesis. Na vida moderna todos pensam nas promessas de planos de aposentadoria e planos de saúde. De forma consciente ou não, tudo gira em torno do sonho da imortalidade.
Consumir e viver
·         Vivemos uma experiência diária de muito “consumo”. Mesmo não podendo comprar, hoje há milhares de coisas brilhando diante dos olhos: nas prateleiras do supermercado e nos shoppings, e na propaganda atrativa (TV ou internet). Milhões de produtos produzidos em qualquer parte do mundo são vendidos em todo o globo terrestre. Notícia recente sobre o “telefone inteligente” descreve como multidões de compradores correm para formar fila desde madrugada, sempre que é lançado um novo modelo: são milhões que decidem anualmente se compram agora ou esperam outro modelo com mais recursos.
·         Como numa epidemia, as novidades, sobretudo tecnológicas, espalham-se pelo mundo. Os custos vão diminuindo, e é sempre maior o número de consumidores. Tropeçamos numa gigantesca profusão de objetos e oportunidades de consumo e, se possível, vamos entupindo a casa com mais coisas. Ou porque são úteis e práticas, ou porque nos achamos atualizados na “modernidade”. Satisfazer todos os desejos é um problema mais complicado hoje para educação das crianças, pois estão mais próximas de alcançar a quase infinita variedade de brinquedos e games criadoscom preços mais acessíveis.
·         Alguns filósofos e escritores querem combater essa onda do “consumismo”. Mas, ainda que o modismo possa nos tornar muito superficiais e “materialistas”, não devemos ver demônios em tudo que deriva do avanço tecnológico. É bom haver mais recursos e possibilidades, nascidas das ciências e movimentadas pela “globalização” do comércio. Podem significar maior liberdade e maior qualidade de vida. O mal se encontra onde sempre esteve, em qualquer cultura e qualquer época, no interior humano quando ele cede ao individualismo e se fecha exclusivamente no próprio bem-estar. É assim que esquecemos o que define a alma da vida que é amor e cuidado, de uns pelos outros.
Trabalhai, não para conseguir alimentos perecíveis, mas ...
·         Também havia fartura nas senzalas da escravidão no Egito (ver livro do Êxodo). Também se pode viver e trabalhar apenas pela sobrevivência e o pão (multiplicado pelo milagre ou pela tecnologia) satisfaz e acalma (ver todo o cap.6 de João). Jesus repreende os que o seguiam só para ganhar comida. “O pão que desceu do céu” mata fome e sede, mas desperta outro apetite e sede, ainda maiores. O verso 27, em tradução literal, é: “trabalhai para conseguir a obra da imortalidade. Perguntavam ao Mestre: “que fazer para trabalhar nas obras de Deus?” (o mesmo verbo é usado nesse versículo 28). Ao perguntar pensavam em termos da Lei e suas “obras” (quer dizer, práticas religiosas). Jesus responde que só há uma única “obra”. E essa é Crer. Lendo adiante o verso 40, veremos que só assim “trabalhamos para conseguir” a vida eterna (a ressurreição, ou a imortalidade).
·         No domingo passado Crer era como um resultado do Sinal (milagre) realizado (a “multiplicação”, ou a fartura do pão). Hoje, Crer é como uma condição para conseguir o verdadeiro Pão. O milagre vinha despertar a fé; aqui, a fé pode perceber os milagres, que não existem sem a fé. O homem moderno não gosta muito de procurar a presença de Deus no meio da vida. Mas quem crê é capaz de descobrir onde está Ele (o Pão que dá vida). E entenderá os Sinais (=milagres), não só no sentido de “acontecimentos extraordinários”, mas, principalmente, no sentido de trabalhar para conseguir maior liberdade e maior qualidade de vida para os seres humanos, seus irmãos.

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(*) Prof. (USU-Rio) mestre (educação/ teologia/ t.moral). consultoria: fesomor2@gmail.com

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