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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Comentários-Prof.Fernando


Comentários-Prof.Fernando (*) Assunção  19 agosto 2012 –a discípula Nº 1–

[OBSERVAÇÕES iniciais]
Como a Assunção é solenidade celebrada só pelos católicos pode parecer que os cristãos de outras tradições não têm apreço por Maria, mãe do Salvador. Ora, as representações artísticas, sobretudo na pintura, e as devoções marianas em geral, refletem costumes e doutrinas muito diversas dentro do cristianismo. Maria, em todas as tradições e épocas, sempre recebeu honras e veneração especiais. Até fora do Cristianismo, isto é, no Islamismo, Maria recebe um destaque especial no próprio Alcorão.
A liturgia cristã traz no calendário oficial em cada tradição, confissão ou igreja, diferentes ênfases na memória de Maria. Há diversidade doutrinal entre ortodoxos, católicos e os protestantes em geral. Há ênfases também dentro das próprias tradições: basta lembrar que há católicos de rito oriental celebrando a 26 de agosto a “Dormição” de Maria e católicos romanos celebram a Assunção a 15 de agosto (proclamada como “Dogma” em 1950). [ Quanto ao calendário: no Brasil várias solenidades e festas entre os católicos, como Epifania, Ascensão e Assunção passaram, de uma data fixa anual, para o domingo.
       Sobre as diferenças dentro do cristianismo temos, por ex., no calendário oficial luterano da IECLB as “Festas Menores”: dias em que se faz memória de Maria (31de maio= visitação e 15de agosto= Maria, mãe do Senhor) como dos Apóstolos e Evangelistas; a de alguns mártires, como o Diácono Estêvão; o dia de todos os anjos, de Finados e da testemunha Maria Madalena. De Lutero provém essa ênfase na centralização cristológica da Fé. Os eventos mais importantes são, é claro, Páscoa, Pentecostes e Epifania. A maioria das igrejas cristãs pelo mundo adotam esse Lecionário Ecumênico (o LCR-Lecionário Comum Revisado- é uma distribuição trienal de leituras bíblicas usadas MP calendário cristão). Dessa forma o ano litúrgico é basicamente o mesmo usado por católicos, anglicanos e grande parte dos luteranos, na Europa e nas Américas. O LCR é fruto do trabalho de muitas denominações, iniciado nos anos 70, reformulado ou revisado em 1983 e 1992.
       Essa longa introdução talvez seja útil para explicar porque há celebrações cristãs da Assunção de Maria e outras formas de estima e honra dadas à mãe do Senhor. Os ortodoxos possuem a antiga tradição dos ícones – pinturas bidimensionais – e com eles também lembram a figura de Maria. É claro que não são objeto de adoração mas remetem à oração na contemplação da vida de Jesus. Católicos e não católicos devem conhecer o contexto do que foi a herança medieval onde grande profução de práticas e devoções populares faziam dos santos e de Maria, patronos de regiões ou santuários de peregrinação. Foi nesse contexto que Lutero – particularmente preocupado com o Senhorio único de Deus – liderou (e isso também se tornou herança dos reformadores) o abandono de práticas consideradas risco de distanciamento da Palavra bíblica. Viam nas intercessões dos santos (e nas devoções marianas) um perigo à fé exclusiva no Filho unigênito de Deus e nosso Senhor Jesus Cristo.
É óbvio que o cristianismo é “cristocêntrico”. A Reforma enfatizou essa preocupação com a salvação do único mediador e advogado para o perdão dos pecados. Aí também nasce a “guerra” contras as indulgências e sua “comercialização”, que, por assim dizer, prolongou-se na guerra cruel dos “30 anos” na Europa. Todos os cristãos receberam a fé como explicada nos textos paulinos, nas cartas joaninas e, em suma, no Novo Testamento. Mas é preciso aceitar e respeitar as diferenças doutrinais e históricas entre as várias tradições. Se a preocupação ecumênica (sem esquecer a atenção também para a questão inter-religiosa) deve ser de todos, os católicos podem reler com proveito o Decreto Unitatis Redintegratio –sobre o ecumenismo, documento do concílio realizado entre 1962 e 65, onde se pode ler (n°11): O modo e o método de formular a doutrina católica de forma alguma devem transformar-se em obstáculo ao diálogo com os irmãos. (...) na comparação das doutrinas (...) existe uma ordem ou ”hierarquia” das verdades da doutrina católica, já que o nexo delas com o fundamento da fé cristã é diferente. (...) todos se sintam incitados a um conhecimento mais profundo e uma exposição mais clara das insondáveis riquezas de Cristo (Ef 4,23).
É lamentável que em muitos textos e em repetidas pregações encontremos mais a “condenação” de outros do que o anúncio da Boa Nova. Essa palavra (tradução de Evangelho) está contida no termo evangélico que tem sido usado também em sentido reduzido – ou redutor – que o torna mera classificação sociológica (o que pode ser útil ao IBGE e a outras estatísticas, inclusive eleitorais). Mas é o anúncio evangélico afinal que importa a todos. E ele pode ser resumido na frase de Jesus (cf. João no cap.6, v.29):
A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou.

RESUMO das leituras do dia
● Mas o Filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. A mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar.  Ap 11,19a . 12,1.3-6a.10ab
● Entre cantos de festa e com grande alegria ingressam, então, no palácio real”. Sl 44
● Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Em Cristo todos reviverão 1Cor 15,20-27ª
● A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor Lc 1,39-56

·           O “escândalo” para uns e “loucura” para outros (cf. 1Cor1,23) é crer no crucificado que ressuscita. Esse escândalo começa porque Deus se faz humano na humildade comum de uma gestação no seio de uma mulher simples do povo. O texto do Apocalipse lembra a vitória e o senhorio que Deus deu ao seu Cristo. No mesmo tom simbólico do estilo próprio do Apocalipse meditamos também que o Senhor certamente prepara um lugar especial para sua mãe.
·                  O Salmo e o trecho da primeira carta aos coríntios mostram a centralidade da recuperação da vida, dentro da fé cristã. Na solenidade da Assunção é inevitável que nossa imaginação veja uma cena que tantos pintores ao longo da história puseram em seus quadros. Mas Assunção não é uma espécie de “levitação” da mãe de Jesus, flutuando nos ares como se fosse “abduzida” por uma força extra-terrestre (o que é imaginação boa para cinema de ficção). O sentido espiritual da solenidade não quer apontar um milagre extraordinário ou espetacular. Sua beleza e mística já são representadas na arte sacra. Mas as pessoas mais simples captam o seu sentido profundo. Maria, a mãe de Jesus, foi  “assumida” por Deus, totalmente. Já era “cheia de Graça” do Espírito Santo, quando Gabriel a saudou. Foi ali a primeira mulher a saber sobre a Encarnação. E a Graça não tirou sua liberdade: ela disse: Sim, “seja feito conforme a tua palavra”. Um dia “estava de de pé junto à cruz” de seu filho. 
·           Por causa dessa união especial com seu filho será também a primeira a segui-lo na glória da ressurreição. A “primeira discípula” não deve ter pensado em categorias de nosso tempo-espaço da física comum de nossas vidas esse termo “primeiro”. Assim ficaria difícil entender a palavra de Cristo na cruz, dirigida a um companheiro de tortura: eu te digo: hoje estarás comigo no paraíso (Lucas 23,43)
·           O teólogo Domergue lembra: afinal, o que é dito de Maria se refere também à nossa própria história. Ela é a primeira a seguir o Caminho que é Cristo, e a assunção é profecia de nosso futuro. Esse mistério que já está presente em nós será plenitude, felicidade completa, quando o virmos “face a face” diante do Pai. Essa certeza começa na terra onde se inclui o estar junto à cruz de Jesus em situações vividas com outros ou pelos outros. Às vezes nossa fé é posta à prova, mas Jesus nos aponta também em Maria um exemplo-síntese de outras figuras apresentadas nos evangelhos, expressões da confiança nele: “Eis a tua mãe” (João 19,27).
·           .Assim, com Maria, cantemos o Magnificat, reconhecendo que Deus faz em nós maravilhas e concedeu a Salvação e a ressurreição no Cristo Jesus.

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(*) Prof. (USU-Rio) mestre (educação/ teologia/ t.moral). consultoria: fesomor2@gmail.com

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