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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando (*) 21ºdom.tempo Comum (13pósPent.) 26 agosto 2012
– comer/beber = participar da cruz e da páscoa, alimento para a vida do mundo–

RESUMO ● escolhei hoje a quem quereis servir - Eu e a minha família serviremos o Senhor - Também nós queremos servir o Senhor, porque Ele é o nosso Deus.Js 24,1-2.15-18  ● Sede submissos uns aos outros - - As mulheres... como ao Senhor - o marido ... como Cristo - – Maridos amai ... como Cristo amou a Igreja - e serão dois numa só carne , é grande este mistério: digo-o em relação a Cristo e à Igreja  Ef 5,21-32
● Quem pode escutar essas palavras duras? - o espírito é que dá vida e não a carne. As palavras que Eu vos disse são espírito e vida – Mas há alguns que não acreditam - muitos dos discípulos afastaram-se - Também vós quereis ir embora? – “Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna” Jo 6,60-69


PROVA DE MÚLTIPLA ESCOLHA

·           O livro de Josué esquematiza de forma breve a aliança do povo hebreu ao passo que os livros de Juízes, Samuel e Reis descrevem as idas e vindas da longa conquista da terra prometida. Mas trata-se de uma escolha fundamental “a qual dos senhores vamos servir?” é uma prova contínua na vida, e são múltiplas as escolhas. E a escolha é diária.

·           O trecho de Josué situa numa grande assembléia a escolha do Deus libertador que os tinha resgatado da escravidão. Do outro lado ficavam os deuses da  terra de Canaã. Hebreus vinham do deserto, de longas caminhadas e acampamentos. Canaã é terra de riquezas e culturas atraentes. Mas também lugar da idolatria, dos deuses fabricados por mãos humanas. A linguagem bíblica fala em Senhor e servos. É preciso compreender no contexto, a mensagem e não traduzir as coisas ao pé da letra. O povo ganhou a liberdade dada por Deus. O senhorio de Deus não é dos ditadores mais do criador, fonte da vida. Os ídolos de Canaã são de barro: não podem nem dominar ninguém. Mas (simbólicos) representam a escravidão à qual se entregam os seres humanos quando buscam felicidade e êxito a qualquer preço. Essa a diferença. O ídolo é humano. Deus é divino. O ídolo (o ser humano sozinho) acaba levando à escravidão. Deus cria, dá sua vida, se oferece para alimentar seu povo.

 

O CASAL COMO IMAGEM DO AMOR

·           A carta aos Efésios também deve ser interpretada, mas não ao pé da letra. Ela reflete relações sociais existentes. Mas o autor “reescreve” o amor conjugal, colocando tudo sob a comparação com o Mistério da relação “conjugal” Cristo-sua Igreja (essa é a comunidade dos remidos pelo sangue do Cristo). Submissão, respeito, amor, seja em que cultura for não são aqui o tema principal. O tema aqui não é “curso de noivos”, não é um discurso sobre como deve ser o casamento. Mas o casamento é que deve ser “como Cristo amou”. O tema está no início: sede submissos uns aos outros. Todos: uns aos outros. Carne aqui será sinal de unidade, repetindo o sentido dado no Gênesis. Como Cristo amou, também deveis amar.

 

ESPÍRITO E VIDA

·           Nesse domingo completamos 5 semanas na leitura do capítulo 6 de João. O comentário a seguir se baseia em texto do teólogo M.Domergue (cf.croire.com): ele junta dois discursos de Jesus, mostra sua relação. E mostra também a distinção de vários usos do termo “carne”.

·           A fala de Jesus sobre sua carne e sangue, dados como “comida”, só se entende à luz da paixão e da cruz. Os ouvinte do Mestre se revoltaram (João6,41) quando ele lhes falou de onde vinha. Agora se revoltam porque ele diz para onde vai. Pois ele volta para o Pai – passando pela Paixão e morte: é isso, afinal, o mistério da eucaristia, incluída aí a ressurreição e “subida” para o Pai.. Jesus repreende os ouvintes, como quem diz: vocês acham dura essa palavra “comer a carne e beber o sangue”? O que não direis, então, quando acontecer na realidade? (quando vier a Paixão e o Filho “subir” para o Pai). Antes e depois (na origem e no retorno) e durante sua vida humana, sempre houve o dom da carne e do sangue, isto é, da vida de Deus. Esse  Mistério começa na criação, mas é plenamente revelado na Cruz.

·           Comer sua carne, beber seu sangue, não é um ritual de antropofagia (!!!) é bom que se diga. Não se trata de comer materialmente carne ou um corpo humano. Jesus o indica ao dizer: minhas palavras são espírito e vida. No entanto, pouco antes ele dissera: o espírito é que dá a vida, a carne de nada serve. Então é óbvio que o termo “carne”, aqui, não tem o mesmo sentido do discurso da “carne e sangue”, da doação da vida para remissão dos pecados. Como em muitos outras passagens bíblicas “carne” também tem sentido negativo quando se quer dizer: incapacidade (sem o dom da Graça) de atingir a vida ou “o espírito”.

·           Há dois discursos que se completam. Em João 15, Jesus explica que para viver devemos permanecer nele e ele em nós. A vinha e os ramos. A seiva vem dele (pensemos no sangue que circula). O primeiro discurso nos diz que o Cristo veio de Deus, é Presença de Deus no meio de nós. Essa compreensão, porém, não é suficiente. É preciso aceitar o segundo discurso: aceitar o dom da carne e do sangue. Quando Jesus pergunta: e vós também quereis ir embora? Pedro responde: a quem iríamos só tu tens palavras da vida eterna. Pedro escolhe continuar com Jesus. Mas não fez mais do que repetir o que já sabia no episódio em Cesaréia (cf. Mateus16,13ss). Lá já reconhecera a origem do Cristo. Mas nesse cap.6 de João ainda não faz nenhuma alusão ao sentido de “comer a carne e o sangue” (o sentido da Páscoa de Jesus: entrega de vida – isto é o meu corpo que será dado por vós).

·           Na realidade enquanto Pedro (os ouvintes de Jesus ou cada um de nós) não aceitar (não aceitaremos) o “segundo” discurso (=dar a própria vida para dar vida = “alimentar” outros) não se entendeu ainda nem o “primeiro” discurso (=de onde Jesus veio? = ele é Presença do Deus criador da vida).

·           Só no cap.21 João apresentará um Pedro que – após a Páscoa – afinal compreende que seguir (tu me amas?) Jesus significará então “apascenta as minhas ovelhas”, ou seja, faz como eu fiz: seja pão e vinho para alimentar outros, dá também a vida pelos outros.

 

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(*) Prof. (USU-Rio) mestre (educação/ teologia/ t.moral). consultoria: fesomor2@gmail.com

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