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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Comentários-Prof.Fernando


Comentários-Prof.Fernando (*) 02setembro2012 in: http://homiliadominical.blogspot.com.br
22ºdom.tempo Comum (14pósPent.– mandamentos e cópias piratas –

RESUMO Nada acrescenteis, nada tireis à palavra, mas guardai os mandamentos do Senhor Dt 4,1-2.6-9   ● Recebei com humildade a Palavra que em vós foi implantada que é capaz de salvar – Contudo  sede praticantes da Palavra e não meros ouvintes Tg 1,17-27
● Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens – o que torna impuro é o que sai do coração humano (más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo Mc 7,1-8.14-15,21-23

·           O mundo do Sagrado pode ser uma arma de dois gumes. De um lado constrói religiões e valores, mas pode também criar regras que tornam escravidão. No texto de hoje do livro Deuteronômio aponta-se o objetivo: guardar os mandamentos sem tirar nem por nada a mais. No entanto, a vida concreta na histórica de um povo que seguia os “dez mandamentos da Lei” foram sendo acrescentadas centenas de regulamentações e preceitos religiosos, morais, e até de “etiqueta social” que surgiam de costumes e tradições, tudo, enfim, inventado por muitos autores ao longo de muitas gerações. É como se a árvore da Palavra de Deus estivesse parasitada pelo emaranhado de cipós e pela erva-de-passarinho, sufocando tronco e ramos do que Deus plantou. No tempo de Jesus, havia tantos preceitos e regras que o povo nem entendia nem praticava. Chegou-se a tal ponto que se tornou impossível “não pecar” todo dia infringindo essas “etiquetas” (ver Mt 23,4 ou At15,10). Eram sinal de vida escrava quando os Mandamentos originais foram dados como sinal de liberdade, luz para orientar a vida para o bem e para a paz entre as pessoas. Os “Mandamentos” vieram de Deus. O resto pode ser “cópia pirata”.
·           Como diz Tiago, a Palavra é capaz de salvar, desde que levada à prática da vida, isto é, desde que não sejamos meros ouvintes. Ou seguidores de teorias e doutrinas. No tempo de Jesus, um dos grupos que disputavam a melhor interpretação da Lei era o dos Fariseus. Eram uma espécie de partido político-religioso: aspiravam alcançar o poder civil e, ao mesmo tempo, ter o domínio sobre a religião e suas instituições. Todos os seus membros eram estudiosos e cultos; muitos eram zelosos, piedosos, devotos e devotados ao cumprimento da Lei; não sabemos qual a proporção dos que também exigiam o cumprimento dos acréscimos históricos e das devoções além da Lei – mas não eram poucos, a julgar pela freqüente repreensão feita por Jesus. O Mestre de Nazaré em nada ficava devendo aos Fariseus quando ao conhecimento da Palavra. Aliás, ele era a Palavra ou o Verbo de Deus feito homem...
·           Atualmente, cristãos não formam um mesmo país nem pertencem a uma mesma etnia como o judaísmo antigo. Mas sofrem a mesma tentação de constituir grupos de novos “fariseus”. Não é pequeno o número dos que se preocupam só com “freqüentar a igreja” ou os sacramentos, como se diz. Muitos acham que a salvação vem com a mera obediência, não acompanhada da responsabilidade pessoal e convicção profunda. Apenas fazem o mandam líderes da comunidade. Tudo isso pode levar ao absolutismo de certas tradições, costumes, modos de comportamento ou regras. As atitudes “cristãs” acabam reduzidas a tudo isso que se aprendeu a fazer na família e no catecismo.
·           O problema não está no fazer isso ou aquilo. À base dessa tão difundida tentação ou dessa tendência muito espalhada, encontra-se uma leitura superficial da Bíblia e muitas interpretações irresponsáveis. Há líderes e até pastores que impõem medo ao seu rebanho religioso usando a velha imagem do Deus da ira e do castigo. Mesmo sem chegar a fundamentalismos radicais, todos conhecemos parentes, amigos e conhecidos nas comunidades cristãs, entre os membros de diferentes igrejas ou Tradições dentro do cristianismo, que confiam mais em seu próprio cumprimento de regras do que na Graça da salvação dada em Jesus Cristo. Talvez nós mesmos participamos com freqüência dessa tendência. Cada qual “se achando” bom, cumpridor dos mandamentos, gente “de família”, gente “do bem”, “praticante” da religião e dos “bons costumes”, autor de “boas obras”... Será que olhamos os outros como “publicanos e pecadores” desprezíveis?
·           Nunca é demais lembrar que fomos salvos pela graça (cf. Ef2,5) “Porque é de graça que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus.Não provém das obras, para que ninguém se glorie” (cf. Ef 2,8-9). O Evangelho de hoje é claro nesse ponto: só o coração pode estar perto de Deus e escutar sua palavra. Mais importante que o culto exterior ou seguir tradições humanas é procurar não ter o coração longe de Deus apesar de falar dele com os lábios. Do coração humano – que não ficar atento à presença do Espírito que nos habita – nascem todas as maldades. Essa a impureza que nenhuma prática ou “água benta” pode limpar.

 

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(*) Prof. (USU-Rio) mestre (educação/ teologia/ t.moral). consultoria: fesomor2@gmail.com

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