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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

XIX DOMINGO DO TEMPO COMUM


XIX DOMINGO DO TEMPO COMUM

Comentários-Prof.Fernando

Dia 12 de Agosto
Introdução
Eu sou o pão descido do Céu
        Prezados irmãos. Paulo hoje nos manda um recado urgente e importante, além de muito atual.  Pois no nosso meio, principalmente no meio dos escolhidos, não pode haver a predominância do egoísmo, mais sim do amor fraterno em Cristo Jesus. Irritação, maldade, calúnia, discriminação, desprezo, etc, nada disso deve acontecer na comunidade cristã, mais sim, o amor manifestado através da caridade. Devemos lembrar que caridade não é somente colocar a mão no bolso ou na bolsa e pegar uns trocados e dar a um mendigo. Mais sim todo gesto de amor fraterno, de gentileza, de amizade sincera, de aceitação do outro como ele é,  faz parte da caridade. Assim como aquele irmão faminto espera de você uma ajuda para saciar em parte a sua fome, todos os irmãos do nosso convívio, espera de você, atitudes de acolhida sincera, pois estão famintos de amor fraterno! E devemos aqui frisar bem que nossa caridade deve ser sincera, pois não devemos ser cristãos hipócritas.
        Muitos irmãos nossos que ingressam em uma comunidade paroquial, ou que encontramos pela estrada da nossa vida, no emprego, na escola, na faculdade, a academia, etc, estão famintos de uma atenção, sedentos de partilhar uma conversa amistosa. Mais infelizmente, o que acontece? Estamos com muita pressa! Pressa de ganhar o pão de cada dia para nós e nossa família, pressa para cuidar da saúde, do nosso laser, e, pasmem! Pressa para ir à missa, para chegar lá antes do início,  pois vamos participar da liturgia... "Ame a Deus com todas as tuas forças... e ao irmão como a ti mesmo" É só um lembrete.
        Paulo nos lembra hoje que devemos ser bons uns para com os outros. Bons de verdade e não por interesse como fazem o vendedor, e o político em ano eleitoral.
        Devemos ser COMPASSIVOS, isto é, participar do sofrimento do irmão. Dar atenção ao desabafo do irmão e da irmã, aos seus clamores, ao seu sofrimento, seja lá qual for. Não virar as costas quando notamos um irmão carente no meio de nós. E por falar no meio de nós, é bom lembrar que o irmão carente é Cristo que está ali bem perto, para ver o quanto somos caridosos na prática.  Porque na teoria, nós prometemos tudo a Deus.
        O verdadeiro cristão não é aquele que só se comunica com pessoas do seu nível, pessoas que estão bem, e que não estão passando por nenhuma dificuldade. Mais sim, o verdadeiro imitador de Cristo é aquele que tem COMPAIXÃO, isto é, aquele que procura se colocar no lugar daquele que está sofrendo, procurando compreender o estado emocional do outro, é aquele ou aquela que procura aliviar o sofrimento do outro de alguma maneira. Seja com palavras, seja com um afeto, um conselho, ou simplesmente com a sua atenção, e sua presença nas horas difíceis por que passa o irmão. Porém, a melhor forma de compaixão se manifesta através da ação, e não somente através de algumas palavras ou frases pré-fabricadas, do tipo: Desejo suas melhoras, que Deus lhe ajude... você vai conseguir, e outras frases rápidas para logo em seguida nos sentir livres e sair andando, seguir o nosso caminho...
        Irmãos. Em vez de somente palavras, precisamos fazer alguma coisa de concreto pelo irmão em dificuldades, pelo irmão que sofre. Chamar a polícia, o bombeiro, levá-lo ao médico, dar-lhe um pouco de dinheiro, fazer uma arrecadação entre os demais para aliviar o prejuízo dele, enfim, qualquer tipo de ajuda, qualquer providência no sentido de tirá-lo daquele sufoco, fala muito mais alto do que simplesmente palavras doces, e mais nada.
        Devemos ser imitadores de Cristo, praticando a caridade através do apoio ao irmão, da acolhida, do sorriso sincero, da correção fraterna, do perdão...
       Não nos esqueçamos que Jesus fez da caridade o novo mandamento. Dessa forma, amando-nos uns aos outros, nós imitamos o amor de Jesus que recebemos do nascer ao por do sol, e enquanto dormimos.  Por isso diz Jesus: "Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei em meu amor" (Jo 15,9). E ainda: "Este é o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15,12).
        Irmãos. Jesus acrescentou que é nesse amor que dedicamos uns para com os outros é que todos irão perceber, reconhecer que somos cristãos, isto é, seguidores e  imitadores de Cristo.
        No Evangelho, Cristo nos afirma que Ele é o Pão descido do Céu, e que ninguém pode vir a  Ele se o Pai que o enviou não o atrai.  Isso quer dizer que somos atraídos, escolhidos pelo Pai, para servir a Cristo, seja na família, na escola, na sociedade, na comunidade paroquial, no presbitério ou no altar.   Assim, é indispensável que tenhamos uma conduta irrepreensível, a mais próxima possível do exemplo daquele a que nos propomos a imitar.
 José Salviano.
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A COLABORAÇÃO DO PADRE FERNANDO GROSS

Abraço amigo
Pe. Fernando Gross

Lectio Divina do Evangelho do 19° Domingo do Tempo Comum - Ano B - Diocese de Santos - Pe. Fernando Gross
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19º DOMINGO DO TERMPO COMUM 12/08/2012
1ª Leitura 1 Reis 19, 4-8
Salmo 33 (34) “Provai e vede como o Senhor é bom”
2ª Leitura Efésios 4, 30 – 5,2
Evangelho João 6, 41-51

                                         "O PÃO QUE DÁ A VIDA!" – DIAC. JOSÉ DA CRUZ
Coisa bonita é quando uma pessoa, que todos julgam importante, se apresenta de maneira simples, sem querer um tratamento especial, que a sua posição ou o cargo lhe conferem. Certa ocasião, em um encontro em Aparecida, no momento da Santa Missa, os diáconos permanentes adentraram a sacristia da Basílica em horário adiantado, para não causarem transtorno aos demais celebrantes, mas quando começaram a paramentar-se, um funcionário do Santuário informou que o local dos Diáconos estava reservado no sub-solo, de onde entrariam por outro corredor para não atrasar a celebração que seria televisionada, foi quando chegou D. Diógenes, nosso acompanhante do Regional Sul 1, e que iria presidir a Eucaristia, e estranhando não ver os Diáconos se paramentando, foi informado que os mesmos estavam no sub-solo; então pegou seus paramentos e desceu para lá, para descontentamento do cerimoniário que era rigoroso na disciplina com a equipe celebrativa. O resultado de tal gesto foi que os diáconos acabaram subindo, enquanto ele explicava a um redentorista “Eu também sou um Diácono de Cristo, estou com eles nesse encontro e os quero perto de mim durante a celebração”
Não vai aqui nenhuma crítica a organização e a disciplina, que deve de fato existir nos grandes eventos litúrgicos de uma Diocese, apenas pretendo realçar a postura humilde do nosso Bispo acompanhante, fazendo com que nos sentíssemos um bando de meninos “paparicados” pelo “paizão”.
Jesus gozava de grande estima entre alguns judeus, que viam nele um poderoso profeta, por causa dos seus milagres e prodígios, sempre feitos no Poder de Deus, como os grandes profetas que o povo venerava, mesmo depois de mortos. Mas no momento em que ele afirmou ser o pão vivo descido do céu, a encrenca começou, pois era uma afronta ao Deus Todo Poderoso, que fizera aliança com os seus pais, Aquele que através dos patriarcas conduziu o povo, falou com Moisés, colocando-o como libertador de Israel, derrotou os Faraós do Egito, abriu as águas do mar vermelho, enfim, era inaceitável que esse Deus Grandioso, altíssimo e Santo, estivesse em Jesus de Nazaré, pessoa simples do lugarejo, cuja procedência todos conhecia.
A verdade é que, um Deus na forma humana, era até causa de acusação e condenação á morte, porque ultrajava a todo Israel.
A história daquele povo, e a história da nossa vida, convergem para Jesus, Nele Deus nos atrai, provoca em nós um encanto que nos leva ao desejo de nunca mais nos separar dele, possibilitando a realização da profecia “Todos serão discípulos de Deus”, obviamente tornando-se discípulos de Cristo, quem segue a Jesus, segue ao Pai, quem ouve a Jesus, ouve ao Pai, eles estão em uma comunhão plena, na qual somos inseridos, não por nossos méritos, mas unicamente pela graça.
Os Judeus não acreditavam que o Deus misterioso escondido nos “Sete Véus” do Santo dos Santos, aquele diante do qual Moisés teve de cobrir o rosto, se tornasse assim de repente, alguém comum, que anda com o homem, como no paraíso, fala com ele e torna-se parceiro. Os que se fazem deuses neste mundo, na política, na economia e até mesmo no ambiente religioso, exigem submissão, obediência, adoração e honrarias, ficam sentados nos tronos da imponência, da prepotência, a espera que seus súditos venham lhes beijar os pés.
Divino e humano não podem estar no mesmo espaço, na mesma sala, na mesma mesa, em um mesmo nível. Imagine que o enviado de Deus ia baixar justo na Judéia, na Vilinha de Nazaré... Como Filho de um carpinteiro, impossível! Entretanto, o Deus portador da Vida, realizador de todas as esperanças do povo, o Libertador por excelência, que tornava eminente o messianismo, estava de fato em Jesus de Nazaré, ele se apresenta como a única alternativa para se chegar ao Pai, como o único que viu o Pai e veio dele, o único que dá aos homens muito mais do que o alimento material, o alimento espiritual que os conduzirá á plenitude da realização humana, e tudo isso requer apenas um ato que é em sua pessoa, aceitar que nele Deus nos estende a mão, caminha conosco, sacia nossa fome, supri todas as nossas necessidades e nos dá a Vida Eterna.
O segundo passo é um pouco mais complicado para a compreensão dos Judeus e também para nós, temos que nos alimentar do seu corpo, do Pão que veio do céu, permitindo assim essa convivência pacífica do divino e humano em nossa vida, acolher a sua carne e sermos uma extensão do seu Ser Divino e Humano, deixando que o seu Espírito comande todas as nossas ações, sem que nos transformemos em super-homens, mas continuando a ser pobres mortais simples e pequenos, porém revestidos da grandeza do Divino, caminhando com ele para uma Vida que é Eterna, e que ultrapassa a qualquer realização humana nesse mundo.
Se não aceitarmos essa Verdade em nosso coração, nunca iremos ver esse novo horizonte descortinado por Jesus de Nazaré, e iremos sucumbir diante da espera inútil, por algo em que não cremos. Que o Senhor sacie nossa fome de Vida Eterna. Amém! ( 19º. Domingo do Tempo Comum João 6, 41-51)

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Domingo 12.08.12

João 6,41-51
:Jesus é o Pão da vida e quem come deste pão vive eternamente e não pode lamentar-se com fome – Maria Regina.
O alimento que veio do céu para matar a nossa fome é Jesus ressuscitado, presente em Corpo, Alma e Divindade na Eucaristia e na Palavra Sagrada. A ressurreição e ascensão de Jesus são a prova maior de que Ele veio do céu e que para lá voltou deixando para nós a Sua Palavra e o memorial da Sua Paixão como alimento. “Depois de instituída a Eucaristia na Última Ceia, Jesus confiou-a à Igreja, sua esposa amada, como Memorial da sua Morte e Ressurreição, e penhor da glória futura.”(cf. SC 47; CIC 1323).
Crer nisso é a condição para possuirmos a vida eterna. Os judeus murmuravam porque não acreditavam que Jesus fosse Filho de Deus, porém, hoje nós não podemos mais duvidar de que Jesus é o Filho Unigênito descido céu de junto do Pai para nos conceder vida nova.
Mesmo assim, muitos ainda passam fome e continuam murmurando sem compreender o verdadeiro significado da Morte e ressurreição de Jesus. Jesus é o Pão da vida e quem come deste pão vive eternamente e não pode lamentar-se com fome.
As Suas Palavras são vida eterna para nós e a vida eterna começa desde já e consiste em felicidade constante, fartura, plenitude, tudo o quanto o homem busca viver aqui na terra. Desde já o Senhor nos alimenta e nos prepara com uma veste nova para a nossa entrada na vida que não tem fim. Reflita – Você tem se alimentado com o pão do céu ou você tem se lamentado e comendo apenas o pão da terra? – Aonde você tem buscado alimento para fortalecer a sua alma? – Como estão os seus sentimentos? – Você é feliz?
Amém
Abraço carinhoso
– Maria Regina
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“EU SOU O PÃO VIVO QUE DESCEU DO CÈU”. - Olívia Coutinho

XIX DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 12 de Agosto de 2012

Evangelho de Jo 6, 41-51

Nesta segunda semana de agosto, mês vocacional, a Igreja nos convida a refletir sobre a vocação para a vida em família, dando uma atenção especial, aos pais, são eles, os pilares que  sustentam a família.
Na família, a figura do pai sempre aparece como o ponto de referencia. A ele são conferidas, as maiores responsabilidades.  Deus coloca nas mãos do pai, o destino e a segurança da família.
 A família, é de origem divina, é o berço de todas as vocações, a primeira comunidade humana, planejada pela mente perfeita e soberana do Criador!
O amor de Deus, infundido em nossos corações, por meio da família  éo fio condutor de todo o nosso ser cristão!
Fomos criados por amor e para o amor!  Em Jesus, Deus se fez visível, realizando o encontro com a humanidade.  Nele está Deus de forma humana e o humano de forma Divina. Jesus é o caminho humano para chegar a Deus e o caminho Divino para chegar à humanidade!
O Sinal que Jesus dá da sua divindade, é o dom de si mesmo, no resgate e no cultivo da vida. A transformação de quem acolhe o seu amor, torna fonte de vida para outros!
  Na  Eucaristia, é selada a comunhão de irmãos, sinal inviolável da presença amada de Deus!  
No evangelho de hoje, Jesus atinge o ponto mais profundo do mistério do amor de Deus pela humanidade, ao  se dar como nosso alimento!
Esse mistério de amor, nos transforma, minando as forças do egoísmo, nos tornando livres para esta comunhão de amor com Cristo e com os irmãos!
 A tradicional identificação de Deus Com “poder” foi a cegueira que impediu os Judeus de reconhecer a revelação de Deus nos pequenos.  Eles rejeitaram Jesus, pela sua origem humilde.
Jesus se faz nosso alimento, o Pão que Ele nos dá, é o Pão da vida, sua própria carne, Pão que nos transforma em templo sagrado, onde Ele faz sua morada, para agir no mundo, através de nós!
A vida iniciada aqui na terra, quando alimentada pelo Pão da vida, não será interrompida com a  morte física. É o próprio Jesus que nos faz esta promessa, ao nos indicar o caminho da eternidade: “Eu sou o pão vivo, descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente”!
Quando Jesus  diz: “Quem come da minha carne e bebe do meu sangue permanece em mim e eu nele”, amplia-se o nosso horizonte, aumentando em nós, a responsabilidade de sermos continuadores do seu amor  aqui na terra!
Preocupamos muito com o nosso pão material, queremos ter sempre a garantia de que ele nunca nos faltará, mas às vezes, deixamos de buscar o principal, o Pão  que não perece, o Pão descido do céu!
“Eu sou o Pão que desceu do céu”... Acolher esta revelação de Jesus, é viver o mistério da fé, é  estar em comunhão com o Cristo nesta vida e  permanecer em comunhão com Ele na eternidade.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! -Olívia

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Domingo, 19 de agosto de 2012
Solenidade da Assunção de Nossa Senhora - Missionários Claretianos


São João Eudes, Presbítero (Memória facultativa).
Outros Santos do Dia:
 André da Cilícia e Companheiros (mártires), Agápio e Timóteo (mártires), Bernardo (venerado em Candeleda), Bertulfo de Bobbio (abade), Donato de Sisteron (presbítero), Ezequiel Moreno (bispo de Pasto, na Colômbia), Júlio de Roma (mártir), Luís de Tolosa (feito bispo com apenas 23 anos), Magno d'Avignon (bispo), Mariano de Evaux (eremita), Sisto III (papa).

Primeira leitura:
 Apocalipse 11, 19; 12,1.3-6.10
Uma mulher vestida como sol, tendo a lua sob os pés.
Salmo responsorial:
 44
À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir.
Segunda leitura:
 1 Coríntios 15, 20-27
Primeiro Cristo, que é as primícias, depois os que pertencem a Cristo.
Evangelho:
 Lucas 1, 39-56
O Todo-poderoso fez grandes coisas por mim.

A
 primeira leitura nos ensina a mostrar os sinais com os quais Deus convida a esperança. Aparece a luta mortal do dragão contra a mulher e sua descendência (cristo e os cristãos). A aparição da Arca da Aliança de Deus assinala hoje a presença de Deus no meio dos seres humanos, tendo o pecado e o mal já sido derrotados. Os dois sinais que aparecem no céu, a mulher e o dragão, devem ser interpretados pela assembléia litúrgica no espaço-tempo.
A mulher é o povo de Deus; representa a assembléia de Deus reunida aqui e agora, na Eucaristia dominical. O dragão é o mal, que atua se inserindo na história humana e, sobretudo, desde os centros de poder (as sete cabeças com sete diademas); para tentar destruir a unidade e a comunhão da assembléia dominical. O poder do mundo se opões à mulher (se opõe a Cristo) e quer destruir seu fruto. O Cristo elevado e sentado no Trono de Deus assinala a derrota de Satanás.
A Igreja foge do mal indo ao deserto, onde é sustentada por Deus, como Jesus. A glorificação definitiva de Cristo é a garantia que nunca sua luz será impedida de ser dada à assembléia da Igreja, desde agora até sua vinda na plenitude da glória. Maria assunta é a figura d Igreja, tanto a celestial como a que caminha dando a luz de Cristo ao ser humano de hoje, e prefigura a vitória final da Igreja, com Cristo, por Cristo e em Cristo.
A segunda leitura nos apresenta a afirmação central sobre a ressurreição de Cristo e dos mortos: Cristo não é um cadáver que revive, mas é o Ressuscitado (o vencedor da morte) que causa a ressurreição dos mortos. Cristo derrotou a morte (a vencedora da vida) em seu próprio terreno, a destituiu (tirando seu poder sobre a vida) a fim de libertar todos os que estivessem sob seu poder. Cristo ressuscitado garante a ressurreição de todos os mortos.
Convém notar o paralelismo alternado: por um ser humano, a morte; por outro ser humano, a ressurreição dos mortos; em Adão todos morreram; em Cristo, todos viverão. Definitivamente, Paulo afirma que o dom da vida se da na ressurreição de Cristo. Maria, a frente daqueles que são de Cristo, goza da vida da glória do Reino e já celebra a destituição do único e último inimigo: a morte.
O evangelho de hoje se centra no encontro das duas mães e de seus filhos, unindo teologicamente os relatos paralelos da infância de João e de Jesus. E é o Espírito quem marca esta continuidade. Toda a cena transborda teologia e, para não perder nenhum detalhe, Lucas o conclui com o mutis de Maria. Neste encontro, Maria entoa um hino judaico-cristão que se inspira no cântico de Ana e na tradição bíblica (principalmente os Salmos). Hino que expressa a fé e a esperança dos pobres e humildes do povo de Deus.
São os “filhos de Sião”, “os pobres do Senhor” que em Maria, e com ela, louvam a Deus pelas grandes obras que se fez com eles através dela, pelo que faz em seu favor e, finalmente, por seu amor misericordioso em favor de Israel, em conexão com as promessas realizadas e seladas com a benção de Abraão e sua descendência. Maria é também filha de Abraão. Assim, em Maria, neste encontro entre o AT e o NT, une-se a espera com a realização e, ao mesmo tempo, manifesta-se a predileção histórica do Senhor de Abraão e de Maria pelos pobres de todos os tempos.
Hoje celebramos a Assunção gloriosa de Maria. Nossa fé expressa que, em Maria, Deus dignificou todos os seres humanos, especialmente às mulheres, convertendo-as em plenas participantes de sua obra salvifica. O ser humano se perdeu do plano de Deus com opressões, violências e desigualdades. Deus, em Jesus, chama o mundo à uma nova ordem, onde todos os seres humanos são igualmente dignos e, deste modo, inaugura-se uma nova era de plenitude.
A festa da Assunção nos convida a viver no presente o futuro de Deus. Maria viveu sua existência como uma manifestação da obra salvadora de Deus. Não houve momento em sua existência em que o amor misericordioso do pai não se fizesse solidariedade, misericórdia e compaixão com todas as pessoas. Maria encarnou todos aqueles valores que nos permitem compreender como o futuro de Deus se manifesta nas limitações do nosso presente.
Maria nos convida a viver gozosamente a vida como um encontro permanente com o Deus da vida e a história que realiza sua obra redentora nas misérias de nosso mundo e nas limitações de nossa existência.
Compreendemos o profundo significado da assunção da virgem Maria? Estamos dispostos a modelar nossa existência de acordo com a proposta do evangelho?

Oração
Bom Pai, cuja misericórdia alcança a todos os seres humanos, geração por geração; aumenta nossa fé, a exemplo da de Maria, para que sejamos capazes de construir um mundo mais humano, segundo seu projeto.

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Domingo,  12/08/2012
Jo 6,41-51

Eu sou o pão que desceu do céu.
Padre Queiroz



Neste Evangelho, Jesus nos fala que ele é o pão da vida. Como o profeta Elias (1ª leitura), nós precisamos, para atravessar o deserto da vida ao encontro com o Senhor, de um alimento especial, o pão vivo descido do céu, que é Cristo.
No início do Evangelho, os judeus duvidam que Jesus desceu do céu, pelo fato de conhecerem seus pais e sua família. É o mistério da encarnação que eles não entendiam.
“Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrair.” Quer dizer, a fé em Jesus e na sua encarnação é uma graça, algo que supera a inteligência humana mas que Deus nos dá gratuitamente.
“Quem crê possui a vida eterna.” Quem tem fé em Jesus e no mistério da sua encarnação, está preparado para recebê-lo como o pão da vida e por isso tem a vida eterna. Esta vida eterna começa aqui e terá a sua plenitude no céu.
“Os vossos pais comeram o maná no deserto e no entanto morreram.” Aquele maná foi apenas um símbolo da Eucaristia, isto é, de Jesus como o nosso pão da vida. O maná não podia impedir a morte de quem o comia. Já Jesus, como o pão vivo descido do céu, quem dele comer viverá eternamente.
A Eucaristia é um mistério tão grande que mistura o tempo atual com a eternidade. “Eu sou o pão da vida... Quem dele comer nunca morrerá.”
“Todo aquele que ouve o Pai...” Na verdade Deus Pai nos fala através do seu Filho, que é a sua Palavra eterna. Ficam, portanto, três grandes desafios para nós: ter fé, conhecer e seguir as palavras de Jesus e receber a Eucaristia. Esses três desafios nos levam para a vida eterna, a qual começa agora e no futuro terá a sua plenitude.
“Eu sou o pão da vida.” É a Eucaristia que sustenta a vida cristã, assim como o alimento sustenta a nossa vida corporal. Sem a Eucaristia, nós vamos ficando cada vez mais subnutridos na fé e fracos nas boas obras, e assim não conseguimos vencer as tentações. A pessoa fica como ovelha sem pastor, planta sem água, ou galho separado do tronco e acaba se afogando num copo d’água. Por outro lado, quem recebe a Eucaristia produz frutos como árvore à beira d’água; ama como Jesus amou, pensa como Jesus pensou e vive como Jesus viveu.
O alimento que comemos se transforma em nós. Na Eucaristia acontece o contrário; ela é mais forte do que nós, por isso nós é que nos transformamos nela. De tal modo que um dia poderemos dizer com S. Paulo: “Não sou mais eu que vivo, é Cristo que vive em mim”.
Nós cristãos, que vivemos neste mundo tão complicado, precisamos da Eucaristia para seguir os mandamentos de Deus.
Havia, certa vez, um sábio que era muito famoso. Ele era chamado para fazer palestras em toda parte. Ia de carro e tinha o seu motorista.
Um dia, durante uma viagem, ele ficou rouco. Tão rouco que a sua voz não saía mais. Então ele disse ao motorista: “Você já ouviu minha palestra tantas vezes que a decorou. Como lá ninguém me conhece pessoalmente, eu peço a você que faça a palestra no meu lugar”.
O motorista aceitou. Eles trocaram as roupas, o sábio assumiu a direção do carro e foram. Chegaram já em cima da hora da palestra. O auditório estava lotado. O motorista foi para a frente e o sábio ficou atrás, sentado. Após a apresentação, o motorista pegou o microfone e começou a falar. Fez uma palestra belíssima, e todos bateram palmas. Em seguida vieram as perguntas. Como em todos os lugares as perguntas são quase sempre as mesmas, ele foi respondendo uma a uma, com a maior desenvoltura.
Mas surgiu uma pergunta nova. O motorista foi criativo. Ele disse: “Eu já estou um pouco cansado. Como esta pergunta é muito fácil de ser respondida, eu peço ao meu motorista que a responda para vocês”. O sábio levantou-se foi à frente e, já com a voz um pouco melhor, respondeu àquela pergunta, e as demais que surgiram. No final, mais aplausos. E os ouvintes comentavam: “O homem é um gênio mesmo; até o motorista dele é um sábio!”
Existe certa semelhança entre essa história e Jesus trocando de liderança conosco. Ele não ficou rouco, mas foi para o céu e nos deixou no seu lugar. A Eucaristia nos torna “outros Cristos” no mundo. Como o próprio Jesus disse, temos condições de fazer tudo o que ele fez, e mais ainda.
Maria Santíssima estava unida, não só ao seu Filho, mas também à santa Igreja. Após a ascensão de Jesus, ela ficou junto com os Apóstolos no Cenáculo. Depois, obedecendo ao Filho, foi para a casa do evangelista João, onde participava da Comunidade cristã. Que ela nos ajude a não só amar mais a Eucaristia, mas a sermos Eucaristia para o mundo.
Eu sou o pão que desceu do céu.

Padre Queiroz

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Homilia do D. Henrique Soares da Costa – XVIII Domingo do Tempo Comum – Ano B
Ex 16,2-4.12-15
Sl 77
Ef 4,17.20-24
Jo 6,24-35

Caríssimos em Cristo, no Domingo passado, deixamos o Senhor Jesus orando a sós no monte, após ter multiplicado os pães e despedido a multidão. Está no capítulo VI de São João: do monte, Jesus atravessa o mar da Galileia, caminhando sobre as águas. Ao chegar do outro lado, lá esta o povo a sua espera… Sigamos, as palavras do Senhor nesta perícope, pois elas nos falam de vida, falam-nos do Cristo nosso Deus!
Primeiramente, Cristo censura duramente o povo: procuram-no – como tantos hoje em dia – não porque viram o sinal que ele realizou! Mas, que sinal? Fez o povo sentar-se na relva, como o Pastor do Salmo 22 faz a ovelha descansar em verdes pastagens; prepara uma mesa para o fiel, multiplicando-lhe os pães, como Moisés no deserto… Ante tudo isto, amados em Cristo, o povo ainda pensou em Jesus como sendo o Profeta que Moisés prometera (cf. Dt ); mas, infelizmente, não passou disso. Daí a repreensão do Senhor: aqueles lá o procuravam simplesmente porque comeram pão, como hoje tantos o procuram para ganhar benefícios – e, assim, são enganados pelos charlatões de plantão! A prova de que o povo não compreendeu o sinal, é que ainda vai perguntar no Evangelho de hoje: “Que sinal realizas? Que obra fazes?” Como estes, lá com Jesus, se parecem conosco, tantas vezes cegos para os sinais do Senhor na nossa vida!
Observai, irmão! Notai como os judeus não conseguem compreender que o que Jesus quer deles é a fé na sua pessoa e na sua missão! Vede como eles pensam que podem agradar ao Senhor simplesmente com um fazer exterior, sem compromisso de amor que brota do coração: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” Fazer! De nós, Jesus quer muito mais do que um simples fazer! Eis a resposta do nosso Salvador: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou!” Resposta admirável: tua obra, cristão, já não é cumprir a Lei de Moisés; também não é fazer e fazer coisas, mas crer e amar a Jesus! Daí sim, tudo decorre, e também tuas boas obras, feitas por amor a Jesus e na fé em Jesus, serão aceitas pelo Senhor!
Diante da palavra do Cristo, os judeus duros de compreender, pedem a Jesus outro sinal! Não compreenderam o que ele fizera! E ainda citam Moisés, como que dizendo: Tu nos deste pão agora; Moisés nos deu o maná por quarenta anos! Aí, o nosso Salvador faz três revelações surpreendentes e consoladoras! Ei-las:
Primeiro: Aquele maná dado por Moisés não é o pão que vem do céu. É pão terreno mesmo, dado por Deus; pão que mata a fome do corpo, mas não enche de paz o coração; pão que alimenta esta vida, mas não dá a Vida divina, a Vida que dura para sempre! Aquele maná do deserto era apenas pálida imagem de um outro maná, de um outro pão que o Pai daria mais tarde.
E aqui vem a segunda revelação, surpreendente, consoladora: agora o Pai está dando o verdadeiro maná, o verdadeiro Pão do céu, que dá a vida divina ao mundo: Moisés não deu (no passado); meu Pai vos dá (agora, no presente)! Os judeus ficam perplexos, admirados; e pedem: Dá-nos desse pão! Pão que alimenta a fome de vida, de paz, de sentido, de eternidade!
Jesus faz, então, a terceira e desconcertante revelação: “Eu sou o Pão da vida!” Pronto: o pão verdadeiro é uma Pessoa, é ele mesmo! Os pães que ele multiplicara eram imagem dele mesmo, que se nos dá, que nos alimenta, que nos enche de vida: “Eu sou o Pão da vida! O Pão que desce do céu e dá a vida ao mundo! Quem vem a mim nunca mais terá fome de vida e de sentido de existência; quem crê em mim nunca mais terá sede no seu coração!”
Eis, meus caros! Corramos para Jesus! Seja ele nosso alimento! E dele nos alimentando, sejamos nele, novas criaturas, despojando-nos do homem velho, deixando o velho modo de pensar, que conduz não à Vida, mas ao nada, como diz o Apóstolo na segunda leitura! Se nos alimentamos de Cristo, se bebemos de sua santa palavra, como poderemos pensar como o mundo, agir como o mundo, viver como o mundo? Como ainda poderíamos consentir nas velhas paixões que nos escravizam?
Que alimentando-nos de Jesus, Pão bendito de nossa vida, nós atravessemos o deserto desta vida não como o povo de Israel, que murmurou e descreu, mas como verdadeiros cristãos, renovados pelo Senhor, despojados da velhice do pecado e saciados de vida eterna, vida que é o Cristo nosso Deus, bendito pelos séculos dos séculos. Amém.
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Homilia do Padre Françoá Costa – XVIII Domingo do Tempo Comum – Ano B

Presença

Que coisa desnorteadora quando sentimos a presença da ausência de alguém que queremos bem. Jesus Cristo quis poupar-nos desse sentimento tendo em conta o cumprimento da sua missão e as nossas reais necessidades e capacidades. Um cristão já não precisa fazer a pergunta que nós escutamos no Evangelho da Missa: “Mestre, quando chegaste aqui?” (Jo 6,25). Ao contraio, avisará a todos, como o fez Maria à sua irmã Marta: “O Mestre está aí e te chama” (Jo 11,28).
Vi certa vez um filme, um desenho animado, no qual se perguntava a uma criança: “Qual é a diferença entre o Crucifixo e a Eucaristia?” A criança respondeu então com muita sabedoria: “No Crucifixo parece que Jesus está, mas não está; na Eucaristia parece que ele não está, mas está”.
Parece que não está, mas está! A Igreja sempre acreditou que após as palavras da consagração n a Missa, toda a realidade do pão se muda, se converte no Corpo de Jesus Cristo; toda a realidade do vinho se transforma no sangue do Senhor Jesus. Esta verdade de fé é conhecida pelos católicos como transubstanciação. Neste sentido vale a pena trazer a colação as vigorosas palavras do Papa Paulo VI no texto do “Credo do Povo de Deus”, de 1968. Copio ao leitor as palavras do Papa que se referem à Missa e à transubstanciação (n. 24-25):
“Cremos que a Missa, celebrada pelo sacerdote, que representa a pessoa de Cristo, em virtude do poder recebido no sacramento da Ordem, e oferecida por ele em nome de Cristo e dos membros do seu Corpo Místico, é realmente o Sacrifício do Calvário, que se torna sacramentalmente presente em nossos altares. Cremos que, como o Pão e o Vinho consagrados pelo Senhor, na última ceia, se converteram no seu Corpo e Sangue, que logo iam ser oferecidos por nós na Cruz; assim também o Pão e o Vinho consagrados pelo sacerdote se convertem no Corpo e Sangue de Cristo que assiste gloriosamente no céu. Cremos ainda que a misteriosa presença do Senhor, debaixo daquelas espécies que continuam aparecendo aos nossos sentidos do mesmo modo que antes, é uma presença verdadeira, real e substancial(cf. Concílio de Trento, Sessão 13, Decreto sobre a Eucaristia).
“Neste sacramento, pois, Cristo não pode estar presente de outra maneira a não ser pela mudança de toda a substância do pão no seu Corpo, e pela mudança de toda a substância do vinho no seu Sangue, permanecendo apenas inalteradas as propriedades do pão e do vinho, que percebemos com os nossos sentidos. Esta mudança misteriosa é chamada pela Igreja com toda a exatidão e conveniência transubstanciação. Assim, qualquer interpretação de teólogos, buscando alguma inteligência deste mistério, para que concorde com a fé católica, deve colocar bem a salvo que na própria natureza das coisas, isto é, independentemente do nosso espírito, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de sorte que o Corpo adorável e o Sangue do Senhor Jesus estão na verdade diante de nós, debaixo das espécies sacramentais do pão e do vinho(cf. ibid.; Paulo VI, Encíclica Mysterium Fidei), conforme o mesmo Senhor quis, para se dar a nós em alimento e para nos associar pela unidade do seu Corpo Místico(cf. Suma Teológica III, q. 73, a. 3)”.
Trata-se da voz autorizada de um Papa no encerramento do Ano da Fé de 1968. Bento XVI convocou a Igreja para um Ano da Fé a começar em outubro de 2012. Sem dúvida, será essa uma maravilhosa ocasião para que o Senhor renove a nossa fé e para que nós reafirmemos a nossa entrega a Deus, a nossa adesão a ele e a todas as verdades que ele revelou a nós. No dia de hoje, graças sejam dadas a Deus pela nossa fé no Santíssimo Sacramento da Eucaristia, vida da Igreja!
Pe. Françoá Costa

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Homilia do Mons. José Maria – XVIII Domingo do Tempo Comum – Ano B

Pão da Vida Eterna

No Evangelho (Jo 6,24-35), depois do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus se apresenta como o “Pão da Vida”.
Entusiasmado com o milagre, o povo procura Jesus. Vê-se que o povo não entendeu o sentido daquele gesto. Quando viram que não conseguiam encontrar nem a Jesus nem aos seus discípulos, subiram às barcas e foram a Cafarnaum.
Quando o encontraram novamente, Jesus disse-lhes: “Em verdade, em verdade, Eu vos digo: estais Me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos”(Jo 6,26). Comenta Santo Agostinho: “Buscais-me por motivos da carne, não do espírito. Quantos há que procuram Jesus, guiados unicamente pelos seus interesses materiais! Só se pode procurar Jesus por Jesus”.
Com uma valentia admirável, com um amor sem limites, Jesus expõe o dom inefável da Sagrada Eucaristia, em que se dá como alimento. Pouco importa que, ao terminar a revelação, muitos dos que o seguiram com fervor acabem por abandoná-Lo. O Senhor não recua: “Trabalhai não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará… Mas eles perguntaram: Que devemos fazer para realizar as obras de Deus? Jesus respondeu-lhes: A obra de Deus é que acrediteis naquele que Ele enviou” (Jo 6,27-29).
E, apesar de que muitos dos presentes tinham visto com os seus próprios olhos o prodígio do dia anterior, disseram-Lhe: “Que milagre fazes Tu, para que possamos ver e crer em Ti? Nossos pais comeram o Maná no deserto, como está na Escritura: Deu-Lhes a comer o Pão do Céu” (Jo 6, 30-31).
Jesus Cristo é o verdadeiro alimento que nos transforma e nos dá forças para realizarmos a nossa vocação cristã. Exorta vivamente o Beato João Paulo II: “Só mediante a Eucaristia é possível viver as virtudes heroicas do cristianismo: a caridade até o perdão dos inimigos, até o amor pelos que nos fazem sofrer, até a doação da própria vida pelo próximo; a castidade em qualquer idade e situação de vida; a paciência, especialmente na dor e quando estranhamos o silêncio de Deus nos dramas da história ou da nossa existência. Por isso, sede sempre almas eucarísticas para poderdes ser cristãos autênticos”.
A igreja vive da Eucaristia. O concílio Vaticano II afirmou que o sacrifício eucarístico é “fonte e centro de toda a vida cristã” (LG, 11). Com efeito, “na Santíssima Eucaristia, está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o Pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo” (PO, 5).
A Igreja vive de Jesus Eucarístico, por Ele é nutrida, por Ele é iluminada. A Eucaristia é mistério de fé e, ao mesmo tempo, mistério de luz. Sempre que a Igreja a celebra, os fiéis podem de certo modo reviver a experiência dos dois discípulos de Emaús: “Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no” (Lc 24,31).
Referindo-se à Eucaristia, ensinava São Josemaría Escrivá: “O maior louco que já houve e haverá é Ele (Jesus). É possível maior loucura do que entregar-se como Ele se entrega, e àqueles a quem se entrega?
Porque, na verdade, já teria sido loucura ficar como um Menino indefeso; mas, nesse caso até mesmo muitos malvados se enterneceriam, sem atrever-se a maltratá-Lo. Achou que era pouco: Quis aniquilar-se mais e dar-se mais. E fez-se comida, fez-se Pão.
Divino Louco! Como é que te tratam os homens?… E eu mesmo?” (Forja, 824).
Da Eucaristia brotam todas as graças e todos os frutos de vida eterna – para cada alma e para a humanidade – porque neste sacramento “está contido todo o bem espiritual da Igreja” (PO, 5).
Quando nos aproximamos da mesa da Comunhão, podemos dizer: “Senhor, espero em Ti; adoro-Te, amo-Te, aumenta-me a fé. Sê o apoio da minha debilidade, Tu, que ficaste na Eucaristia, inerme, para remediar a fraqueza das criaturas” (Forja, 832).
Façamos nosso (no bom sentido) o pedido do povo citado no Evangelho: “Senhor, dá-nos sempre desse pão” (Jo 6, 34).
O primeiro domingo de agosto é dedicado à vocação Sacerdotal.
Rezemos pelos padres! Rezemos ao Senhor para que continue enviando sacerdotes para a Igreja. Que Ele continue abençoando e plenificando a vida de todos os sacerdotes.
Mons. José Maria Pereira
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Cristo, o pão vivo descido do céu

O alimento e a água dados por Deus ao profeta Elias, que lhe restauram as forças e o sustentam na longa caminhada até a Montanha de Deus, são transparentes figuras da eucaristia e do batismo, que dão a vida eterna e sustentam o cristão no caminho para Deus. A consequência prática disso é que a caminhada do cristão consiste na configuração da própria vida à vida de Cristo, andando no amor e doando-se a Deus e ao próximo.
Evangelho (Jo 6,41-51)
Quem comer deste pão viverá eternamente
Jesus é o pão da vida, aquele que comer deste pão terá a vida eterna. E vida eterna não é a mesma coisa que vida pós-morte. Vida eterna significa vida reconciliada com Deus.
Vida essa que já começa aqui, numa existência orientada para Deus, em profunda união com ele, e se prolonga após a morte.
Nesse sentido, quem come desse pão não morrerá. Isso não diz respeito à morte física, porque esta faz parte da realidade humana, da sua condição de ser histórico, finito, contingente.
Não morrer, no sentido cristão da palavra, significa que a morte como ruptura definitiva com Deus foi abolida. Se, na existência humana histórica, se pode viver em união com Deus, essa união não termina com a morte. Esta se transforma em passagem para uma vida plena, em que o filho retorna à casa do Pai. Se o cristão vive sua vida reconciliada com Deus, então até mesmo a morte se torna sua aliada, e não uma realidade terrível que o ser humano tenta desesperadamente evitar. Assim como Jesus enfrentou a morte de cabeça erguida, nele nós enfrentamos a morte como vencedores, pois temos nossa vida em Deus.
Quando Jesus afirma: “E o pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo”, refere-se à entrega que faz de si mesmo na cruz para a vida do mundo. Como a existência integral de Jesus foi vivida em profunda união com o Pai em prol da humanidade, sua entrega na cruz não é um evento pontual, mas o resultado de tudo o que ele ensinou e viveu. Porque ele se entregou à humanidade durante sua vida inteira, pôde entregar-se finalmente na morte. A existência inteira de Jesus foi oferta agradável ao Pai em prol do ser humano.
O conhecimento desse mistério será acolhido por todos os que vieram a Jesus. Porque serão instruídos pelo Pai, verdadeiros discípulos de Deus, seus seguidores. Ser discípulo de Jesus é a mesma coisa que ser discípulo de Deus, porque o Filho e o Pai estão unidos em solidariedade pela salvação do mundo. O ensinamento que os discípulos aprendem vem do Pai por meio da vida de Jesus.
1ª leitura 1Rs. 19,4-8
Come deste pão!
Porque o caminho é superior às tuas forças O profeta Elias vagava em fuga pelo deserto adentro. A certa altura, encontrava-se cansado por ter passado longos dias e noites na viagem. Além do cansaço, estava exausto pelo forte calor do sol; sentia fome e sede e, além disso, oprimia-lhe a solidão do deserto.
Nesse estado de coisas, só lhe restava dizer: “Agora basta, Senhor!” (v. 4). Ele pediu a morte – embora isso pareça uma contradição, já que estava fugindo da rainha Jezabel para preservar a própria vida.
Elias está fazendo um êxodo ao contrário, pois, durante 40 anos, o povo foi do deserto para Israel e agora o profeta vai da terra prometida à Montanha de Deus. E, assim como aconteceu aos antepassados, a quem o profeta chama de “pais” (v. 4), Deus providenciou alimento e água para manter a vida do profeta.
O texto menciona que o alimento era “pão assado na pedra”, ou seja, o alimento cotidiano de vários povos orientais (cf. Gn. 18,6).
Com o alimento e a água, Elias sentiu-se confortável e quis ficar ali acomodado, dormindo. Mas recebeu uma ordem para levantar-se (mesmo termo que significa “ressuscitar”) e dirigir-se até a Montanha de Deus.
O texto afirma que o profeta andou 40 dias, fortalecido pelo alimento e pela água, em clara alusão aos 40 anos que os hebreus haviam passado no deserto alimentados pelo maná e pela água tirada da rocha. Elias precisava chegar à Montanha, lugar onde Deus havia confirmado a aliança feita com os patriarcas e seus descendentes e adotado as tribos de Israel como povo escolhido (cf. Ex 3,1).
2ª leitura Ef. 4,30-5,2
Cristo por nós se entregou como oferta de suave odor
A exortação “não contristeis o Espírito Santo” parece estranha. O termo usado também quer dizer “provocar dor” ou “causar pesar”. Essa expressão simbólica significa que os cristãos não devem fazer o oposto daquilo para o qual receberam a unção do Espírito Santo.
O Espírito Santo na vida do cristão é o selo de Deus. Antigamente se marcava qualquer propriedade com um emblema que identificava o dono. Um exemplo atual são os objetos da paróquia, comumente marcados com um carimbo ou etiqueta para indicar a instituição proprietária. O Espírito Santo assegura que somos propriedade do Senhor e que devemos ser empregados completamente no serviço de Deus. Até que chegue “o tempo da redenção”, ou seja, o nosso encontro definitivo com o Senhor, devemos trilhar nosso caminho com firmeza de propósitos e testemunho de vida, sem nunca nos cansarmos de fazer o bem.
Como as crianças gostam de imitar os pais e é assim que aprendem as coisas do dia a dia, da mesma forma os cristãos deveriam seguir o exemplo de Deus. Mas como é possível imitar a Deus? O que significa isso? A resposta está no v. 2: “Andai no amor, como também Cristo nos amou e se entregou por nós a Deus como oferta e sacrifício de suave odor”.
O termo “oferta” significa qualquer oferecimento pelo qual se expressa gratidão por tudo (todas as graças) que se recebe da benevolência de Deus. “Sacrifício” quer dizer aquilo que se oferece quando se perdem, por causa da ruptura do pecado, as graças recebidas de Deus. Por fim, a expressão “de suave odor” significa estar de acordo com o que Deus ordenou, diz-se do sacrifício que agrada a Deus ou que ele aceitou com prazer.
Pistas para reflexão
– O pão e a água, figuras da eucaristia e do batismo, têm o objetivo de levar o cristão a entrar em aliança com Deus, fazer a experiência da ressurreição. São força e sustento na caminhada rumo a Deus. Não nos são dados para que fiquemos acomodados na sombra, mas para enfrentarmos os rigores do deserto.
A jornada de Cristo neste mundo foi vivida no amor. Com esse estilo de vida, ele demonstrou gratidão, ofereceu-se para superar a ruptura provocada por nosso pecado e agradou a Deus em tudo. É esse tipo de vida que Cristo nos dá e é assim que devemos viver.
– Neste dia em que celebramos a vocação de constituir família, no qual homenageamos especialmente os pais, é bom enfatizar o relacionamento filial que Cristo nos ensinou a ter com Deus. Os meios visíveis (sacramentos) que nos introduzem nessa filiação e, principalmente, a ação de Deus para efetivar esse relacionamento filial. O alimento material é apenas um sinal de tudo o que Deus realizou em nosso favor como Pai amoroso.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj

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As vitaminas da caminhada
Ao longo de nossa caminhada, há momentos em que somos fortemente tentados a jogar-nos debaixo de uma árvore frondosa e deixar que o mundo se dane.
Queimadas as reservas da energia e esvaziado o depósito da paciência, parece-nos ter chegado a hora de reviver em nossa história pessoal o drama do profeta Elias: “Agora, Senhor, já chega”.
Mas, enquanto a fé e a esperança continuarem frequentando nosso coração e brilhando em nosso horizonte, iremos descobrindo que os motivos de nossa corrida terão sentido e validade. A meta pode estar longe, mas é bem visível a olho nu. Os meios para alcançá-la são mais que suficientes e estão sempre à nossa disposição.
Contudo, será que nossa caminhada para Deus precisa de meios poderosos? O amor não precisa desses meios: ele é forte por si mesmo, é luminoso por si mesmo, é todo-poderoso por si mesmo e basta a si mesmo.
Um pão assado e um jarro de água pura – este nutriente elementar – é tudo de quanto precisamos para nossa viagem. Basta lembrar que, para nós, eles simbolizam a palavra do evangelho e o sacramento da eucaristia.
Além disso, no fim da linha, há uma verdade que não podemos ignorar: alguém está à nossa espera. Essa certeza, pobre e gloriosa ao mesmo tempo, é a certeza da fé.
Quer dizer que nós não caminhamos rumo ao desconhecido; não andamos rumo ao nada eterno; não buscamos uma pátria imaginária ou um reino inexistente. Bem sabemos que vamos aportar nos braços do Pai, no reino do amor e da felicidade.
Tudo isso nos será possível graças às vitaminas e às energias contidas no alimento da caminhada: aquele pão e aquele vinho, que são o Corpo e o Sangue do Filho amado de Deus.
padre Virgílio, SSP


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Deus nutre os seus
Quadro I
Elias, o profeta ardoroso que um dia haveria de ser arrebatado aos céus num carro de fogo,  experimenta desânimo. Cambaleante penetra no deserto… Caminha um dia todo.  Vai ruminando tristeza… Sente-se rejeitado e há os que  querem lhe tirar a vida… Depois de tanto andar, exaurido,   senta-se ao pé de uma árvore e pede a Deus a graça de morrer.  Cansado, deita-se e dorme. Um anjo lhe traz pão assado e um jarro com água… O anjo aparece duas vezes… “Elias  levantou-se, comeu e bebeu e, com a força desse alimento, andou quarenta dias e quarenta noites até chegar ao Horeb, o monte de Deus”.  Figura do Povo que havia percorrido os quarenta anos de deserto… figura de Jesus que passaria quarenta dias a seco no deserto….Elias que, revigorado com o pão que vem do céu continua a ter coragem…
Quadro II
Jesus se apresenta como pão e alimento. Eu sou o alimento que Deus quer lhes dar… sou pão, água, fonte de vida…. Em minha fragilidade sou força… Sou o filho de José… vocês conhecem minha parentela… Precisam compreender que eu desci do céu… Não estranhem que eu diga e insista e repita: “Eu sou o Pão da vida.” Não murmureis…”. Os ouvintes de Jesus queriam um Messias poderoso e potente. Tinham dificuldade em acolher esse filho de gente simples de Nazaré.
Quadro III
E continua Jesus:  “O pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo”. Nunca nos cansamos de contemplar os últimos momentos da trajetória de Jesus. Foi desdobrando aos olhos de todos os desígnios do Pai. Sempre mostrou-se fiel, fidelíssimo. Fiel ao Pai e fiel ao homem.  Ele via os caídos, os fracos, os doentes, os que tinham as marcas do pecado. E tendo amado os seus, como diz o apóstolo, amou-os até o fim. Arrancou de suas entranhas de sua voz, de seu corpo toda essa disposição nobilérrima de dar a  vida pelos seus. Amando-os até o fim entrega-se ao mundo.
Quadro  IV
A mesa da toalha branca está diante de nossos olhos.  Há um cálice com vinho generoso e um prato com pão branco.  O ministro ordenado toma o pão e o vinho.  Sua voz ecoa na catedral imensa ou na capelinha pendurada na favela: “Isto é meu corpo que é derramado por vós… Este é cálice da nova e eterna Aliança.  “Eu sou o pão vivo descido do céu na cruz e no altar. Os que se alimentam de minha palavra, de meu amor, do pão do altar têm a vida que não acaba. E o pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo”. Que esplendor!
frei Almir Ribeiro Guimarães

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O pão da vida e a manifestação de Deus
A invocação da fidelidade de Deus à sua Aliança, no canto da entrada, cria a atmosfera da mensagem: linha da atuação divina, que alcança seu auge em Jesus Cristo e se perpetua na vida dos fiéis. A 1ª leitura narra a experiência de “refontização” de Elias. Ele refaz, em sua vida pessoal, a experiência de Israel. Está para morrer, no deserto. Mas o Deus que alimentou Israel no deserto, alimenta também Elias. Depois de refeito, quer descansar. Mas Deus o faz andar, pela força do alimento, 40 dias e 40 noites, até a montanha de Deus. Repete simbolicamente a caminhada de Israel (40 anos, alimentado por Javé). Porém, verdadeiro sentido desta história, conforme o quadro da liturgia de hoje, não se deve procurar naquilo que aconteceu antes de Elias, mas no que veio depois. A comida de Elias prefigura a comida que tira todo o cansaço. Se Elias, mortalmente cansado, recebe do pão de Deus força para caminhar 40 dias, o homem morto pelos impasses da vida  recebe do “pão descido do Céu” vigor para a vida eterna (evangelho).
Como é que Jesus, o “pão descido do Céu”, dá vida eterna? Os judeus se mostram céticos: “murmuram” (como fizeram no deserto) a respeito da origem por demais conhecida de Jesus (mas em 9,29 não acreditam porque não sabem de onde é…). A essa murmuração, Deus não mais responde com um dom perecível, como o maná do deserto, mas com o dom escatológico, como indica o texto profético que agora se cumpre: “Todos serão ensinados por Deus”. Que Deus e sua vontade serão conhecidos diretamente, sem o intermédio de mestres (cf. Is 54,13), faz parte da “nova Aliança”, plenitude da antiga (Jr. 31,33-34). É o que se cumpre em Jesus Cristo. O cristão o sabe: ninguém jamais viu Deus (6,46; cf. 1,18), mas quem vê Jesus, vê o Pai (1,18; 12,45; 14,9). Quem procura o ensinamento escatológico de Deus, na plenitude da Aliança, só precisa ir a Jesus (6,45b). Este ensinamento, porém, contém um paradoxo: ao mesmo tempo que o homem é responsável por ir a Jesus, ele deve ser atraído pelo Pai. Temos exemplos de tal relação dialogal em nosso dia-a-dia: para realmente participar de uma aprendizagem, o aluno deve ser admitido pelo mestre e ao mesmo tempo querer aprender; para gozar plenamente a alegria de uma festa, a gente deve ser convidado e ir com gosto ao mesmo tempo. A fé não é uma coisa unilateral. É um diálogo entre Deus que nos atrai a Jesus Cristo e nós que nos dispomos a escutar sua palavra.
Quando se realiza esse diálogo, temos (já: tempo presente; Jo 6,47b; cf. 5,24) a vida eterna. Já nos saciamos com a comida que proporciona vigor inesgotável. A “vida eterna” não é um prolongamento ao infinito de nossa vida biológica. É a dimensão inesgotável e decisiva de nossa existência; não inicia apenas no além. João não fala, praticamente, em “Reino de Deus”. Fala da “vida eterna”, para indicar a realidade da vontade divina assumida pelos homens e encarnada na existência humana. Quem fez isso por excelência é Jesus, seu Filho unigênito. Sua doação até a morte, sua “carne” (= existência humana) dada até a morte, ensina e mostra, mas também realiza, para quem a ele aderir, esta “vida” para o mundo.
Portanto, sermos ensinados por Deus significa que, mediante a adesão à existência que Jesus viveu até a morte, abrimos em nossa vida espaço para a dimensão divina e definitiva de nossa vida, dimensão que lhe confere um sentido inesgotável e irrevogável: o sentido de Deus mesmo.
Nesta perspectiva, a 2ª leitura de hoje toma-se importante. Ensina-nos a imitar Deus (no mútuo perdão) e a amar como Cristo nos amou. Em outros termos, nossa vocação de sermos semelhantes ao pai (Gn. 1,27) se realiza na medida em que assumimos a existência de Cristo, dando-lhe crédito e imitando-o.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Ouvir o Pai e crer
Naquele tempo, os judeus começaram a murmurar a respeito de Jesus, porque havia dito: “Eu sou o pão que desceu do céu”. Eles comentavam: “Não é este Jesus, o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como então pode dizer que desceu do céu?” Jesus respondeu: “Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: ´Todos serão discípulos de Deus`. Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído, vem a mim. Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.
 Comentário do Evangelho
As autoridades judaicas entram em cena para criticar Jesus. Pode o pão tomar forma de homem? Eles não admitem que Jesus venha de Deus, pois acham que conhecem a sua origem: “Este não é Jesus, o filho de José? Nós conhecemos a mãe e o pai dele.” E fazem a interpretação material das Palavras de Jesus.
Desta atitude Jesus conclui que eles não lhe pertencem, que não foram dados pelo Pai a Ele. Por isso eles não escutam aquele que veio de Deus, não têm fé, pois ela é dom de Deus que eles não receberam. E os repreende dizendo que só Deus pode conduzir as pessoas a essa descoberta, portanto é preciso estar do lado de Deus, a favor da vida. Aderindo a Jesus que é o doador da vida se reconhece o Pai que é a própria fonte da vida eterna, e é Ele, Jesus, quem dá a vida para sempre. Isso contradiz àquilo que os fariseus afirmavam, pois para eles, a ressurreição seria o prêmio que Deus daria aos que observassem a Lei.
Jesus, ao afirmar que Ele é o alimento que dá vida, identifica o dom de Deus que é o pão, com o seu corpo. Jesus é o doador do Pão (que é vida), um novo Moisés.
Pode-se compreender melhor o Corpo e o Sangue de Jesus como alimento, quando se conhece o que Javé pediu a Moisés e Aarão antes da Páscoa dos Hebreus, no livro do Êxodo, no capítulo 12, sobre o cordeiro que deveria ser preparado para a ocasião da libertação do povo do Egito. A carne do cordeiro pascal alimentou o povo na saída do Egito e o sangue do cordeiro preservou o povo Hebreu da morte.
Jesus é o Cordeiro da nova Páscoa! Ele dá a sua carne morrendo por amor e seu sangue preserva o homem da morte para sempre. A Eucaristia é para os cristãos o memorial da doação plena de Jesus. Alimentar-se do corpo e do sangue Dele, une o homem de forma única, pois vive Nele como Ele vive no homem. Jesus é o “Pão do Céu”, e precisa ser aceito por meio da crença, pois é um alimento de fé.
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Instruídos por Deus
Apenas o esforço humano para compreender quem é Jesus revela-se inútil, sem a intervenção de Deus. Visto apenas em sua aparência humana, o Messias foi considerado sob dupla vertente. Alguns o tomavam por uma pessoa extraordinária, detentora de um poder jamais visto. Sua sabedoria fazia-o superior aos rabinos, e sua autoridade em muito os superava. Enfim, uma grande figura humana. Outros, movidos pela inimizade que nutriam por Jesus, consideravam-no blasfemo, eliminador das coisas sagradas da religião. Seus gestos prodigiosos eram interpretados como fruto de pacto com Satanás, e sua presença junto aos pecadores e marginalizados, como expressão de má vida.
Tais considerações são enganosas, por não atingirem o cerne da identidade de Jesus. Só por revelação de Deus é possível conhecer a condição de Filho amado do Pai, enviado como penhor de salvação, portador de vida eterna para a humanidade, e pão da vida, que a alimenta na longa caminhada rumo à casa do Pai.
Por conseguinte, o ser humano não pode conhecer Jesus por iniciativa própria. É o Pai quem coloca, no coração humano, o desejo de conhecer seu Filho. Quem se deixa instruir pelo Pai torna-se discípulo de Jesus.
padre Jaldemir Vitório

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Discurso sobre o pão
Esta fala de Jesus, no evangelho de João, é, ainda, a continuação do longo discurso sobre o pão, pronunciado em Cafarnaum, após a partilha dos pães com a multidão na montanha no outro lado do mar da Galileia. O evangelho de João se caracteriza pela repetição didática de um tema central, reapresentado sob diversas formas associado a outros temas. Agora, ao pão está associado o dom da vida eterna por Jesus.
Jesus testemunha sua origem divina e seu conhecimento do Pai, sendo então rejeitado pelos judeus que conheciam sua origem humilde e comum. Jesus e sua família são tipos comuns em sua terra, Nazaré, onde já vivem há cerca de trinta anos, sem que nada de extraordinário os destaque dos demais. Os três evangelhos sinóticos registram esta rejeição de Jesus. A tradicional identificação de Deus com o "poder" que age com violência a favor do "povo eleito", característica do Primeiro Testamento, impede que reconheçam a revelação amorosa de Deus nos pequenos e humildes.
A atração pelo Pai é a atração pelo seu ensinamento, comunicado por Jesus. Jesus viu o Pai. Ir a Jesus é o passo seguinte: é crer nele e segui-lo. O crer, que implica a adesão concreta ao projeto de Deus, insere o discípulo na vida eterna.
Deus é o Deus da vida. A palavra "vida" é mencionada onze vezes no capítulo seis. A obra de Deus, fruto do seu amor, é o dom da vida plena para todos. O Pai e o Filho comunicam a Vida. Todos são atraídos a Jesus, que foi enviado pelo Pai. Não há, absolutamente, discriminações nem privilégios nesta atração. Com pleno amor e liberdade, o Pai atrai todos ao seguimento de Jesus. Este universalismo significa que a nova comunidade dos seguidores de Jesus não é continuação nem restauração de Israel. Quem comeu o maná, da tradição do Êxodo de Israel, morreu. Agora se trata da constituição de um povo novo, formado pela comunhão de todos os povos de todas as nações, para o qual o valor supremo é a geração, a restauração e o cultivo da vida. É o povo que crê em Jesus e o segue. A este povo é servido o pão descido do céu que dá a vida eterna. Quem comer deste pão não morrerá. Já está participando da vida eterna, inserido na vida divina pela prática do amor, em comunhão com Jesus.
O pão do céu é o pão que dá a vida aos pequenos e excluídos, aos pobres bem-aventurados que sofrem a opressão. É Jesus, o pão partilhado com as multidões, criando laços de fraternidade, solidariedade e amor, no grande banquete do Reino dos Céus, que já acontece aqui na terra. É a comunidade que vive na harmonia e na paz, na bondade, na compaixão e na reconciliação (segunda leitura). Elias foi alimentado por um anjo e caminhou ao encontro com Deus (primeira leitura). Agora, Jesus, com sua palavra e com sua presença, alimenta os discípulos, ao longo dos tempos, fortalecendo-os no seu seguimento. Quem escuta o ensinamento do Pai crê, vai a Jesus e tem a vida eterna.
José Raimundo Oliva

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A liturgia do 19º domingo do tempo comum dá-nos conta, uma vez mais, da preocupação de Deus em oferecer aos homens o “pão” da vida plena e definitiva. Por outro lado, convida os homens a prescindirem do orgulho e da auto-suficiência e a acolherem, com reconhecimento e gratidão, os dons de Deus.
A primeira leitura mostra como Deus Se preocupa em oferecer aos seus filhos o alimento que dá vida. No “pão cozido sobre pedras quentes” e na “bilha de água” com que Deus retempera as forças do profeta Elias, manifesta-se o Deus da bondade e do amor, cheio de solicitude para com os seus filhos, que anima os seus profetas e lhes dá a força para testemunhar, mesmo nos momentos de dificuldade e de desânimo.
O Evangelho apresenta Jesus como o “pão” vivo que desceu do céu para dar a vida ao mundo. Para que esse “pão” sacie definitivamente a fome de vida que reside no coração de cada homem ou mulher, é preciso “acreditar”, isto é, aderir a Jesus, acolher as suas propostas, aceitar o seu projeto, segui-l’O no “sim” a Deus e no amor aos irmãos.
A segunda leitura mostra-nos as consequências da adesão a Jesus, o “pão” da vida… Quando alguém acolhe Jesus como o “pão” que desceu do céu, torna-se um Homem Novo, que renuncia à vida velha do egoísmo e do pecado e que passa a viver no caridade, a exemplo de Cristo.
1ª leitura – 1Re. 19,4-8 - AMBIENTE
Elias atua no Reino do Norte (Israel) durante o século IX a.C., num tempo em que a fé jahwista é posta em causa pela preponderância que os deuses estrangeiros (especialmente Baal) assumem na cultura religiosa de Israel. Provavelmente, estamos diante de uma tentativa de abrir Israel a outras culturas, a fim de facilitar o intercâmbio cultural e comercial… Mas essas razões políticas não são entendidas nem aceites pelos círculos religiosos de Israel. O ministério profético de Elias desenvolve-se sobretudo durante o reinado de Acab (873-853 a.C.), embora a sua voz também se tenha feito ouvir no reinado de Ocozias (853-852 a.C.).
Elias é o grande defensor da fidelidade a Jahwéh. Ele aparece como o representante dos israelitas fiéis que recusavam a coexistência de Jahwéh e de Baal no horizonte da fé de Israel. Num episódio dramático, o próprio profeta chegou a desafiar os profetas de Baal para um duelo religioso que terminou com um massacre de quatrocentos profetas de Baal no monte Carmelo (cf. 1 Re. 18). Esse episódio é, certamente, uma apresentação teológica dessa luta sem tréguas que se trava entre os fiéis a Jahwéh e os que abrem o coração às influências culturais e religiosas de outros povos.
Para além da questão do culto, Elias defende a Lei em todas as suas vertentes (veja-se, por exemplo, a sua defesa intransigente das leis da propriedade em 1 Re. 21, no célebre episódio da usurpação das vinhas de Nabot): ele representa os pobres de Israel, na sua luta sem tréguas contra uma aristocracia e uns comerciantes todo-poderosos que subvertiam a seu bel-prazer as leis e os mandamentos de Jahwéh.
Após o massacre dos 400 profetas de Baal no monte Carmelo, Acab e a sua esposa fenícia juraram matar Elias; e o profeta fugiu para o sul, a fim de salvar a vida. Chegado à zona de Beer-Sheba, Elias internou-se no deserto. É precisamente nesse contexto que o episódio do Livro dos Reis que hoje nos é proposto nos situa.
MENSAGEM
A cena apresenta-nos um Elias abatido, deprimido e solitário face à incompreensão e à perseguição de que é alvo. O profeta sente que falhou, que a sua missão está condenada ao fracasso e que a sua luta o conduziu a um beco sem saída; sente medo e está prestes a desistir de tudo… O pedido que o profeta faz a Deus no sentido de lhe dar a morte (v. 4) reflete o seu profundo desânimo, desilusão, angústia e desespero. É uma cena tocante, que nos recorda que o profeta é um homem e que está, por isso, condenado a fazer a experiência da sua fragilidade e da sua finitude.
No entanto, Deus não está longe e não abandona o seu profeta. O nosso texto refere, neste contexto, a solicitude e o amor de Deus, que oferece a Elias “pão cozido sobre pedras quentes e uma bilha de água” (v. 6). É a confirmação de que o profeta não está perdido nem abandonado por Deus, mesmo quando é incompreendido e perseguido pelos homens. A cena garante-nos a presença contínua de Deus e o seu cuidado com aqueles que chama e a quem dá o alimento e o alento para serem fiéis à missão, mesmo em contextos adversos. Repare-se como Deus não anula a missão do profeta, nem elimina os perseguidores; mas limita-Se a dar ao profeta a força para continuar a sua peregrinação.
Alimentado pela força de Deus, o profeta caminha durante “quarenta dias e quarenta noites até ao monte de Deus, o Horeb” (v. 8). A referência aos “quarenta dias e quarenta noites” alude certamente à estadia de Moisés na montanha sagrada (cf. Ex 24,18), onde se encontrou com Deus e onde recebeu de Jahwéh as tábuas da Lei; também pode aludir à caminhada do Povo durante quarenta anos pelo deserto, até alcançar a Terra Prometida. Em qualquer caso, esta peregrinação ao Horeb – o monte da Aliança – é um regresso às fontes, uma peregrinação às origens de Israel como Povo de Deus… Perseguido, incompreendido, desesperado, Elias necessita revitalizar a sua fé e reencontrar o sentido da sua missão como profeta de Jahwéh e como defensor dessa Aliança que Deus ofereceu ao seu Povo no Horeb/Sinai.
ATUALIZAÇÃO
• No quadro que o texto nos apresenta, Elias aparece como um homem vencido pelo medo e pela angústia, marcado pela decepção e pelo desânimo, que experimentou dramaticamente a sua impotência no sentido de mudar o coração do seu Povo e que, por isso, desistiu de lutar; a sua desilusão é de tal forma grande, que ele prefere morrer a ter de continuar. “Este” Elias testemunha essa condição de fragilidade e de debilidade que está sempre presente na experiência profética. É um quadro que todos nós conhecemos bem… A nossa experiência profética está, muitas vezes, marcada pelas incompreensões, pelas calúnias, pelas perseguições; outras vezes, é o sentimento da nossa impotência no sentido de mudar o mundo que nos angustia e desanima; outras vezes ainda, é a constatação da nossa fragilidade, dos nossos limites, da nossa finitude que nos assusta… Como responder a um quadro deste tipo e como encarar esta experiência de fragilidade e de debilidade? A solução será baixar os braços e abandonar a luta? Quem pode ajudar-nos a enfrentar o drama da desilusão e da decepção?
• O nosso texto garante-nos que Deus não abandona aqueles a quem chama a dar testemunho profético. No “pão cozido sobre pedras quentes” e na “bilha de água” com que Deus retempera as forças de Elias, manifesta-se o Deus da bondade e do amor, cheio de solicitude para com os seus filhos, que anima os seus profetas e lhes dá a força para testemunhar, mesmo nos momentos de dificuldade e de desânimo. Quando tudo parece cair à nossa volta e quando a nossa missão parece condenada ao fracasso, é em Deus que temos de confiar e é n’Ele que temos de colocar a nossa segurança e a nossa esperança.
• Como nota marginal, atentemos na forma de atuar de Deus: Ele não resolve magicamente os problemas do profeta, nem Se substitui ao profeta… O profeta deve continuar a sua missão, enfrentando os mesmos problemas de sempre; mas Deus “apenas” alimenta o profeta, dando-lhe a coragem para continuar a sua missão. Por vezes, pedimos a Deus que nos resolva milagrosamente os problemas, com um golpe mágico, enquanto nós ficamos, de braços cruzados, a olhar para o céu… O nosso Deus não Se substitui ao homem, não ocupa o nosso lugar, não estimula com a sua ação a nossa preguiça e a nossa instalação; mas está ao nosso lado sempre que precisamos d’Ele, dando-nos a força para vencer as dificuldades e indicando-nos o caminho a seguir.
• A “peregrinação” de Elias ao Horeb/Sinai, para se reencontrar com as origens da fé israelita e para recarregar as baterias espirituais, sugere-nos a necessidade de, por vezes, encontrarmos momentos de “paragem”, de reflexão, de “retiro”, de reencontro com Deus, de redescoberta dos fundamentos da nossa missão… Essa “paragem” não será nunca um tempo perdido; mas será uma forma de centrarmos a nossa vida em Deus e de redescobrirmos os desafios que Deus nos faz, no âmbito da missão que nos confiou.
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 33 (34)
Refrão: Saboreai e vede como o Senhor é bom.
A toda a hora bendirei o Senhor,
o seu louvor estará sempre na minha boca.
A minha alma gloria-se no Senhor:
escutem e alegrem-se os humildes.
Enaltecei comigo o Senhor
e exaltemos juntos o seu nome.
Procurei o Senhor e Ele atendeu-me, libertou-me de toda a ansiedade.
Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes, o vosso rosto não se cobrirá de vergonha.
Este pobre clamou e o Senhor o ouviu, salvou-o de todas as angústias.
O Anjo do Senhor protege os que O temem e defende-os dos perigos.
Saboreai e vede como o Senhor é bom:
feliz o homem que n’Ele se refugia.
2ª leitura – Ef 4,30-5,2 - AMBIENTE
A nossa segunda leitura apresenta-nos, mais uma vez, um texto dessa “carta circular” que Paulo escreveu a várias comunidades cristãs da parte ocidental da Ásia Menor (inclusive aos cristãos de Éfeso), enquanto estava na prisão (em Roma, durante os anos 61-63?). Esta carta (escrita na fase final da vida de Paulo) é uma carta onde o apóstolo expõe aos cristãos, de forma serena e refletida, as principais exigências da vida nova que resulta do batismo.
Na secção que vai de 4,1 a 6,20, temos uma “exortação aos batizados”: é um texto parenético, que tem por objetivo principal exortar os cristãos a viverem de forma coerente com o seu Batismo e com o seu compromisso com Cristo. A perícope de 4,14-15,14 (que inclui o nosso texto) deve ser entendida como um convite a viver de acordo com a condição de Homem Novo, que o cristão adquiriu no dia do seu batismo.
MENSAGEM
Pelo Batismo, cada cristão tornou-se morada do Espírito; e ao acolher o Espírito, recebeu um sinal ou selo que prova a sua pertença a Deus. Tem, portanto, de viver em consequência e de expressar, nas suas ações concretas, a vida nova do Espírito. A exortação a “não contristar” o Espírito (4,30) deve entender-se como “não decepcioneis o Espírito que habita em vós, continuando a viver de acordo com o homem velho”.
Em concreto, o que é que implica ser “morada do Espírito”?
Significa, por um lado, que os vícios do “homem velho” (o azedume, a irritação, a cólera, o insulto, a maledicência e toda a espécie de maldade – 4,31) devem ser eliminados da vida do cristão. Repare-se como todos estes “vícios” dizem respeito ao mundo da relação com os irmãos: o cristão deve evitar qualquer ação que se oponha ao amor.
Significa, por outro lado, pautar toda a vida por atitudes de bondade, de compaixão, de perdão, de amor, tendo Cristo como o modelo de vida (4,32).
O que fundamenta todas estas exortações é o fato de os crentes serem “filhos bem amados de Deus”; por isso, devem imitar a perfeição, a bondade e o amor de Deus. Como exemplo concreto, os crentes têm diante dos olhos Cristo, o Filho bem amado de Deus que, cumprindo os projetos do Pai, ofereceu a sua vida por amor aos homens (5,1-2).
ATUALIZAÇÃO
Pelo batismo, os cristãos tornam-se filhos amados de Deus e passam a integrar a comunidade de Deus. O Batismo não é, portanto, uma tradição familiar, um rito cultural, ou uma obrigação social; mas é um momento sério de opção por Deus e de compromisso com os valores de Deus. Tenho consciência de que me comprometi com a família de Deus e que devo viver como filho de Deus? Tenho consciência de que assumi o compromisso de testemunhar no mundo, com os meus gestos e atitudes, os valores de Deus? Tenho consciência de que devo, portanto, procurar ser perfeito “como o Pai do céu é perfeito” (cf. Mt. 5,48)?
Para os batizados, o modelo do “Filho amado de Deus” que cumpre absolutamente os planos do Pai, é Jesus… A vida de Jesus concretizou-se na contínua escuta dos projetos do Pai e no amor total aos homens. Esse amor (que teve a sua expressão máxima na cruz) expressou-se sempre em gestos de entrega aos homens, de serviço humilde aos irmãos, de dom de Si próprio, de acolhimento de todos os marginalizados, de bondade sem fronteiras, de perdão sem limites… Dessa forma, Jesus foi o paradigma do Homem Novo, o modelo que Deus propõe a todos os outros seus filhos. Como é que me situo face a esse “modelo” que é Jesus? Como Ele, vivo numa atenção constante às propostas de Deus e disposto a responder positivamente aos seus desafios? Como Ele, estou disposto a despir-me do egoísmo, a caminhar na caridade e a fazer da minha vida um dom total aos irmãos?
• Seguir Cristo e ser um Homem Novo implica, na perspectiva de Paulo, assumir uma nova atitude nas relações com os irmãos. O apóstolo chega a especificar que o azedume, a irritação, os rancores, os insultos, as violências, a má-língua, a inveja, os orgulhos mesquinhos devem ser totalmente banidos da vida dos cristãos. Esses “vícios” são manifestações do “homem velho” que não cabem na existência de um “filho de Deus”, cuja vida foi marcada com o selo do Espírito. É necessário que estejamos cientes desta realidade: quando na nossa vida pessoal ou comunitária nos deixamos levar pelo rancor, pelo ciúme, pelo ódio, pela violência, pela mesquinhez e magoamos os irmãos que nos rodeiam, estamos a ser incoerentes com o compromisso que assumimos no dia do nosso Batismo e a cortar a nossa relação com a família de Deus.
Evangelho – Jo 6,41-51 - AMBIENTE
No seu “livro dos Sinais” (cf. Jo 4,1-11,56), João apresenta-nos um conjunto de cinco catequeses sobre Jesus; e, em cada uma delas, usando diferentes símbolos, Jesus é apresentado como o Messias que veio ao mundo para cumprir o plano do Pai e fazer aparecer um Homem Novo. Todas essas catequeses (“Jesus, a água que dá a vida” – cf. Jo 4,1-5,47; “Jesus, o verdadeiro pão que sacia todas as fomes” – cf. Jo 6,1-7,53; “Jesus, a luz que liberta o homem das trevas” – cf. Jo 8,12-9,41; “Jesus, o Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas” – cf. Jo 10,1-42; “Jesus, vida e ressurreição para o mundo” – cf. Jo 11,1-56) terminam com uma secção onde se manifesta a oposição dos judeus a essa vida nova que Jesus veio propor aos homens. João vai, dessa forma, preparando os seus leitores para aquilo que vai acontecer em Jerusalém no final da caminhada histórica de Jesus: a morte na cruz.
O texto que nos é hoje proposto apresenta-nos uma dessas histórias de confronto entre Jesus e os judeus. No final do discurso explicativo da multiplicação dos pães e dos peixes, pronunciado na sinagoga de Cafarnaum (cf. Jo 6,22-40), Jesus propusera-Se como “o Pão da vida” e convidara os seus interlocutores a aderirem à sua proposta para nunca mais terem fome. O nosso texto é a sequência desse episódio. Refere a murmuração dos judeus a propósito das palavras de Jesus e descreve a controvérsia que se seguiu.
MENSAGEM
Os interlocutores de Jesus não aceitam a sua pretensão de Se apresentar como “o pão que desceu do céu”. Eles conhecem a sua origem humana, sabem que o seu pai é José, conhecem a sua mãe e a sua família; e, na sua perspectiva, isso exclui uma origem divina (v. 41). Em consequência, eles não podem aceitar que Jesus Se arrogue a pretensão de trazer aos homens a vida de Deus.
Em lugar de discutir a questão da sua origem divina, Jesus prefere denunciar aquilo que está por detrás da atitude negativa dos judeus face à proposta que lhes é feita: eles não têm o coração aberto aos dons de Deus e recusam-se a aceitar os desafios de Deus… O Pai apresenta-lhes Jesus e pede-lhes que vejam em Jesus o “pão” de Deus para dar vida ao mundo; mas os judeus, instalados nas suas certezas, amarrados às suas seguranças, acomodados a um sistema religioso ritualista, estéril e vazio, já decidiram que não têm fome de vida e que não precisam para nada do “pão” de Deus. Não estão, portanto, dispostos, a acolher Jesus, “o pão que desceu do céu” (vs. 43-46). Eles não escutam Jesus, porque estão instalados num esquema de orgulho e de auto-suficiência e, por isso, não precisam de Deus.
Para aqueles que, efetivamente, O querem aceitar como “o pão de Deus que desceu do céu”, Jesus traz a vida eterna. Ele “é”, de fato, o “pão” que permite ao homem saciar a sua fome de vida (“Eu sou o pão da vida” – v. 48). A expressão “Eu sou” é uma fórmula de revelação (correspondente ao nome de Deus – “Eu sou aquele que sou” – tal como aparece em Ex. 3,14) que manifesta a origem divina de Jesus e a validade da proposta de vida que Ele traz. Quem adere a Jesus e à proposta que Ele veio apresentar (“quem acredita” – v. 47) encontra a vida definitiva. O que é decisivo, neste processo, é o “acreditar” – isto é, o aderir efetivamente a Jesus e aos valores que Ele veio propor.
Essa vida que Jesus está disposto a oferecer não é uma vida parcial, limitada e finita; mas é uma vida verdadeira e eterna. Para sublinhar esta realidade, Jesus estabelece um paralelo entre o “pão” que Ele veio oferecer e o maná que os israelitas comeram ao longo da sua caminhada pelo deserto… No deserto, os israelitas receberam um pão (o maná) que não lhes garantia a vida eterna e definitiva e que nem sequer lhes assegurava o encontro com a terra prometida e com a liberdade plena (alimentada pelo antigo maná, a geração saída da escravidão do Egito nunca conseguiu apropriar-se da vida em plenitude e nem sequer chegou a alcançar essa terra da liberdade que buscavam); mas o “pão” que Jesus quer oferecer ao homem levará o homem a alcançar a meta da vida plena (vs. 49-50). “Vida plena” não indica aqui, apenas, um “tempo” sem fim; mas indica, sobretudo, uma vida com uma qualidade única, com uma qualidade ilimitada – uma vida total, a vida do homem plenamente realizado.
Jesus vai dar a sua “carne” (“o pão que Eu hei-de dar é a minha carne” – v. 51) para que os homens tenham acesso a essa vida plena, total, definitiva. Jesus estará aqui a referir-se à sua “carne” física? Não. A “carne” de Jesus é a sua pessoa – essa pessoa que os discípulos conhecem e que se lhes manifesta, todos os dias, em gestos concretos de amor, de bondade, de solicitude, de misericórdia. Essa “pessoa” revela-lhes o caminho para a vida verdadeira: nas atitudes, nas palavras de Jesus, manifesta-se historicamente ao mundo o Deus que ama os homens e que os convida, através de gestos concretos, a fazer da vida um dom e um serviço de amor.
ATUALIZAÇÃO
Repetindo o tema central do texto que refletimos no passado domingo, também o Evangelho que hoje nos é proposto nos convida a acolher Jesus como o “pão” de Deus que desceu do céu para dar a vida aos homens… Para nós, seguidores de Jesus, esta afirmação não é uma afirmação de circunstância, mas um fato que condiciona a nossa existência, as nossas opções, todo o nosso caminho. Jesus, com a sua vida, com as suas palavras, com os seus gestos, com o seu amor, com a sua proposta, veio dizer-nos como chegar à vida verdadeira e definitiva. Que lugar é que Jesus ocupa na nossa vida? É à volta d’Ele que construímos a nossa existência? O projeto que Ele veio propor-nos tem um real impacto na nossa caminhada e nas opções que fazemos em cada instante?
• “Quem acredita em Mim, tem a vida eterna” – diz-nos Jesus. “Acreditar” não é, neste contexto, aceitar que Ele existiu, conhecer a sua doutrina, ou elaborar altas considerações teológicas a propósito da sua mensagem… “Acreditar” é aderir, de fato, a essa vida que Jesus nos propôs, viver como Ele na escuta constante dos projetos do Pai, segui-l’O no caminho do amor, do dom da vida, da entrega aos irmãos; é fazer da própria vida – como Ele fez da sua – uma luta coerente contra o egoísmo, a exploração, a injustiça, o pecado, tudo o que desfeia a vida dos homens e traz sofrimento ao mundo. Eu posso dizer, com verdade e objetividade, que “acredito” em Jesus?
No seu discurso, Jesus faz referência ao maná como um alimento que matou a fome física dos israelitas em marcha pelo deserto, mas que não lhes deu a vida definitiva, não lhes transformou os corações, não lhes assegurou a liberdade plena e verdadeira (só o “pão” que Jesus oferece sacia verdadeiramente a fome de vida do homem). O maná pode representar aqui todas essas propostas de vida que, tantas vezes, atraem a nossa atenção e o nosso interesse, mas que vêm a revelar-se falíveis, ilusórias, parciais, porque não nos libertam da escravidão nem geram vida plena. É preciso aprendermos a não colocar a nossa esperança e a nossa segurança no “pão” que não sacia a nossa fome de vida definitiva; é necessário aprendermos a discernir entre o que é ilusório e o que é eterno; é preciso aprendermos a não nos deixarmos seduzir por falsas propostas de realização e de felicidade; é necessário aprendermos a não nos deixarmos manipular, aceitando como “pão” verdadeiro os valores e as propostas que a moda ou a opinião pública dominante continuamente nos oferecem…
• Porque é que os judeus rejeitam a proposta de Jesus e não estão dispostos a aceitá-l’O como “o pão que desceu do céu”? Porque vivem instalados nas suas grandes certezas teológicas, prisioneiros dos seus preconceitos, acomodados num sistema religioso imutável e estéril e perderam a faculdade de escutar Deus e de se deixar desafiar pela novidade de Deus. Eles construíram um Deus fixo, calcificado, previsível, rígido, conservador, e recusam-se a aceitar que Deus encontre sempre novas formas de vir ao encontro dos homens e de lhes oferecer vida em abundância. Esta “doença” de que padecem os líderes e “fazedores” de opinião do mundo judaico não é assim tão rara… Todos nós temos alguma tendência para a acomodação, a instalação, o aburguesamento; e quando nos deixamos dominar por esse esquema, tornamo-nos prisioneiros dos ritos, dos preconceitos, das ideias política ou religiosamente corretas, de catecismos muito bem elaborados mas parados no tempo, das elaborações teológicas muito coerentes e muito bem arrumadas mas que deixam pouco espaço para o mistério de Deus e para os desafios sempre novos que Deus nos faz. É preciso aprendermos a questionar as nossas certezas, as nossas ideias pré-fabricadas, os esquemas mentais em que nos instalamos comodamente; é preciso termos sempre o coração aberto e disponível para esse Deus sempre novo e sempre dinâmico, que vem ao nosso encontro de mil formas para nos apresentar os seus desafios e para nos oferecer a vida em abundância.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho

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O pão vivo descido do céu!
“Quem come deste pão viverá para sempre” (João 6,41-51)
Dando continuidade ao estudo do capítulo 6 do Evangelho de João, teremos hoje um texto bastante difícil. Jesus se apresenta como aquele que veio de Deus para dar a vida definitiva aos homens. O texto está ligado à multiplicação dos pães e ao tema de nossa última reflexão (05) – Jesus o pão da vida. Encontramos no capítulo 6 dois discursos de Jesus: No primeiro na Sinagoga em Cafarnaum Ele fala do pão da vida e no segundo sobre o Pão Eucarístico (João 6,51), este pão celestial que nos nutre para a vida eterna. O Mestre nos ensina que a Eucaristia é a verdadeira presença real e substancial de Jesus Cristo. “Eu sou o pão descido do céu, quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo” (João6, 51). A Palavra se fez carne (gente) e habitou entre nós. Em sua carne tornou-se o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (cf.1,29). O que significa comer deste pão? Significa crer na mensagem salvífica de Jesus e testemunhar seu Evangelho. Para as lideranças religiosas e políticas, Jesus torna-se uma pedra no sapato. O povo judeu esperava por um rei poderoso, um Messias que devia renovar os milagres realizados por Moisés, o maná seria o alimento permanente. Então, não conseguem aceitar a divindade de Jesus, o verdadeiro maná. “Por ventura não é ele o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como pode dizer – desci do céu”?  Ainda comentavam entre eles: Da insignificante Nazaré pode sair algo que preste? Esta gente não consegue compreender que Deus é incomensuravelmente livre e sua vontade de salvar a humanidade inteira manifesta-se de muitas formas. Os adversários de Jesus não admitem que um homem (gente da gente) possa ter origem divina e, portanto possa dar a vida definitiva.
Estamos no mês vocacional. Através do nosso batismo, fonte de todas as vocações, Jesus nos convoca para sermos seus colaboradores na salvação do mundo (João 20). O momento é propício para que as lideranças religiosas e políticas reflitam sobre sua missão no mundo globalizado que requer soluções cada vez mais localizadas (voltaremos ao assunto). Hoje ao celebrar o dia dos pais (vocação matrimonial) peçamos ao Senhor Deus sabedoria e perseverança a fim de continuarem sua missão.
Pedro Scherer


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Eu sou o pão vivo descido do céu, disse Jesus
A narrativa do primeiro livro dos Reis está muito bem cuidada e cheia de detalhes que fazem deste simples guia algo mais profundo e simbólico. Para começar, as alusões ao deserto, aos pobres, aos quarenta dias e quarenta noites de caminho, ao alimento, ao monte de Deus, são muito claras e numerosas e nos fazem reconhecer no caminho de Elias o caminho inverso ao realizado por Israel no Êxodo.
Não se trata somente de uma fuga, mas de uma busca das raízes que terminará em um encontro com Deus . Grandes heróis, como Elias e Moises (cf. Nm 11,15), sentiram nossa debilidade. Elias, desanimado pelo resultado de seu ministério foge porque “não é melhor que suas palavras” no trabalho pelo reino de Deus e é melhor reunir-se com eles na sepultura (v. 4).
Quando a pessoa reconhece sua debilidade, então intervém a força de Deus (2Cor 12, 5.9). Com o pão e a água, símbolos do antigo êxodo, Elias realiza seu próprio êxodo (símbolo dos quarenta dias, v. 8) e chega ao encontro com Deus.
Tal como foi narrado este episodio de Elias, ele fala do caminho, das dificuldades, das tarefas demasiadamente grandes para cumpri-las com as próprias forças e da necessidade de caminhar apoiados nas forças do alimento que nos sustenta.
A segunda leitura é a continuação da exortação apostólica que desce a detalhes falando daquilo que o cristão deve evitar (aspecto negativo) ou deve fazer (aspecto positivo). Assim, o cristão pode trabalhar na edificação da Igreja e não entristecer o Espírito rompendo a unidade (4,25-32a; 4,3). Este modo de viver encontra seu fundamento naquilo que Cristo realizou ou o Pai cumpriu por Cristo.
Viver de maneira cristã e viver no amor como Cristo e o Pai (cf. Mt 5,48). Como o Pai perdoa, assim deve fazer o cristão (v. 32b); Mt 6,12.14-15). Como Cristo ama e se doa em sacrifício, assim faz o cristão. A unidade é fruto do sacrifício pessoal. O tema da imitação de Deus, conseqüência e expressão de ser filhos seus, revela a referencia evangélica desta exortação de Efésios (cf. Mt 4,43-48).
O Espírito Santo é o elemento determinante do comportamento cristão. Na linha com outras passagens paulinas sobre o Espírito, nesta sua recepção se vincula (indiretamente) ao batismo e se considera como selo / marca que identificará na parusia a quantos pertencem a Cristo.
O Evangelho de João começa com o escândalo para os judeus porque Jesus se equipara ao pão; porém, mais ainda porque diz que “desceu do céu”. Para eles, isto não tem explicação, posto que conhecem Jesus desde a sua infância e sabem quem são seus pais. Para eles, seu vizinho Jesus, visto em sua dimensão humana, não guarda relação alguma com as promessas do Pai e com seu projetio de justiça revelado desde outrora.
João utiliza esta figura do escândalo e de não poder ver mais além da dimensão humana de Jesus, para dar a conhecer a dimensão que encerra a pessoa e a obra do Mestre. Em primeiro lugar, a adesão a Jesus é obra também de Deus; é ele mesmo quem suscita a fé dos crente e o atrai através de seu filho.
Conhecer Jesus é apenas um primeiro passo no qual se encontram seus concidadãos; porém, aderir à própria fé a ele é o segundo passo, que exige um despojar-se totalmente para poder encontrar nele o caminho que conduz ao Pai. Somente este segundo momento permite descobrir que Deus está se revelando em Jesus tal qual é; isto é, um Deus intimamente comprometido com a vida do ser humano e sua ação.
Jesus propõe assumir a passagem da vida humana com tal compromisso. O alimento, indispensável para viver, é utilizado como metáfora para fazer ver que mais além da dimensão humana de cada pessoa há, outra dimensão que requer também ser alimentada. O Ser humano, chamado a transcender-se a si mesmo, tem que esforçar-se também continuamente para que seu ciclo de vida não fique somente no material.
Assim, pois, o conhecimento e aceitação da proposta de Jesus alimenta essa dimensão transcendente do ser humano, que é a entrega total e absoluta à vontade do Pai: a busca e realização da Utopia da Justiça no mundo em todos os âmbitos (Reinado de Deus), para que haja “vida abundante para todos” (Jo. 10,10)
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“Eu sou o Pão Vivo descido do céu!”
Já estamos quase na metade do mês de agosto, o mês das vocações. Hoje é um dia muito especial porque comemoramos também, o dia dos pais. Por isso, queremos oferecer as nossas orações para você que é pai.
Certamente não deve ter sido por coincidência que escolheram o mês vocacional para homenagear os pais. O verdadeiro pai é um vocacionado, mas viver essa vocação está se tornando uma tarefa quase que impossível. A falta do pão nas mesas, o desemprego, a falta de terra, moradia, alimento e saúde estão levando ao desespero milhares de pais de família.
Não bastasse tudo isso, os vícios, as drogas e as más companhias estão matando nossos filhos, estão mutilando os lares. A dignidade do chefe de família está seriamente abalada. Por isso, com todas as letras queremos dizer: parabéns pais! Parabéns para vocês que, apesar dos pesares, se mantêm fiéis à vocação.
As palavras de Jesus, neste Evangelho, confundem principalmente aqueles com quem convivia desde sua infância. Não é nada fácil entender e aceitar o lado divino daquele ser humano nascido e criado na região. Provavelmente, alguns deles dividiram com Jesus os brinquedos infantis e a carteira escolar.
Ainda hoje, duvidamos. Com tantas provas existentes, milhares vêm Jesus como um homem extraordinário, o maior dos profetas e nada mais. Apenas um terço da população mundial reconhece Jesus como verdadeiro Deus. Só pela graça do Pai e revelação do Espírito, podemos conhecer e entender o Filho.
João diz que os judeus murmuravam: "Como pode dizer que desceu do céu? Nós o conhecemos, é o filho de José e Maria". Quantos murmúrios nós ouvimos ainda hoje. Murmurar significa falar por falar, sem convicção, sem vibração, significa não acreditar. A oração sufoca o murmúrio e abre os olhos do coração.
A oração nos aproxima de Deus e nos ajuda aceitar seus mistérios. Ninguém pode conhecer Jesus sem a ajuda Divina. Nossa cabeça é muito pequena para entender que um Homem-Deus é o Pão que desceu do céu. Na cabeça não cabe, só mesmo o coração para entender que, quem comer desse Pão, nunca morrerá.
A glória eterna é o grande projeto da Santíssima Trindade. O Pai já demonstrou seu amor por todos os seus filhos quando doou seu próprio Filho. O Filho aceitou o sacrifício e entregou sua carne e o seu sangue para a remissão dos nossos pecados. E, é o Espírito Santo quem nos convida a comer do Pão da Vida.
"Quem come o Pão descido do céu, terá a vida eterna". Quem acredita nessas palavras, segue Jesus Cristo. Seguir Jesus significa divulgar seus ensinamentos e viver suas Palavras. Viver as Palavras de Jesus, é viver o amor, é lutar por justiça e fraternidade.
A vida eterna é a garantia para quem deixar de lado o egoísmo e o orgulho e se posicionar ao lado dos fracos e oprimidos.
Uma eternidade feliz é a boa notícia de hoje.
Jorge Lorente
RECADO DE JORGE LORENTE

Não existem fronteiras para evangelizar!
Por isso, hoje, além de enviar a Boa Notícia desta semana, quero também dividir com você minha alegria!!!
Acabo de lançar pela internet, o meu livro "Nada Falta...onde a presença de Deus é farta" traduzido para o ingles.
Eis seu título atual: "Nothing goes missing... Where God’s presence is plenty"
Você pode adquiri-lo na versão impressa, mas a grande novidade é que na versão ebook ele custa apenas doze reais. Acesse o site: www.clubedeautores.com.br  e confira seu novo visual e preços.
Agradeço se você compartilhar com seus contatos. Receba meu abraço e orações.

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Pão da vida
Os judeus murmuravam, então, contra Ele, porque dissera: “Eu sou o pão descido do céu”. E diziam: “Esse não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como diz agora: ‘Eu desci do céu’?!”. Jesus lhes respondeu: “Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E todos serão ensinados por Deus. Quem escuta o ensinamento do Pai e dele aprende vem a mim. Não que alguém tenha visto o Pai; só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. Em verdade, em verdade, vos digo: Aquele que crê tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais no deserto comeram o maná e morreram. Este é o pão que desce do céu para que não pereça quem dele comer. Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo”.
Nos capítulos lidos hoje, judeus, provavelmente galileus de proveniência, são alguns da multidão que exprimem a perplexidade sobre um discurso verdadeiramente difícil e que se fará de todo paradoxal, se tomado ao pé da letra e não em sentido sacramental, quando Jesus diz: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue” (Jo 6,54.56). Estes não contestam que Deus possa dar um pão da vida, mas ficam surpresos que Jesus possa dizer ser o pão da vida. Na verdade, conhecem bem a sua família, vale dizer que o conhecem como homem normal. De fato, não é um esforço pessoal de interpretação das suas palavras que lhes fará compreender, mas um chamado do Pai: “ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o atrai” (v. 44). Trata-se de uma vocação, dom gratuito de Deus. Em linguagem tradicional, diz-se que é a graça antecipada por Deus que suscita a fé.
Fruto da atração do Pai e da consequente fé em Jesus será a ressurreição: “e eu o ressuscitarei no último dia” (vv. 40 e 44).
Como explicação da obra de Deus, o evangelista cita um versículo de Isaías (54, 11: “Todos os homens serão instruídos por Deus”, “Todo aquele que escuta o Pai e recebe sua instrução vem a mim” (v. 45). O ensinamento do Pai deve ser escutado e acolhido.
Estamos aqui em presença do mistério de Deus que chama, e do mistério da liberdade da pessoa, que deve responder. Uma pessoa não pode vir à fé sem atração e ensinamento divino, mas ao mesmo tempo conserva a liberdade de responder positivamente ou negativamente a este chamado. Trata-se de uma acolhida na escuta, segundo o caminho normal indicado por Deus a Israel: “Ouça Israel”, Shemá Israel (Dt 6,4), não de acordo com a visão: “Não que alguém já tenha visto o Pai. O único que viu o Pai é aquele que vem de Deus” (v. 46).
“Quem acredita possui a vida eterna” (v. 47); já desde agora o cristão, que será ressuscitado no último dia, participa da vida de Deus através de Jesus, que se faz pão da vida. Para que quem o coma não morra. Aqui é introduzido o discurso do comer que continua no resto do capítulo e que é compreendido em sentido sacramental.
O próprio Jesus é o pão que desce do céu, não o pão material, nem o maná doado como alimento a Israel no deserto. Trata-se da própria carne de Jesus, doada para a vida do mundo (Mt. 26,26; Mc. 14,22; Lc. 22,19).
Trata-se de entrar no mistério de Deus em Jesus que se doa pela vida do mundo e que se pode acolher somente na fé, dom de Deus como foi dito acima.
padre Fernando Armellini - Celebrando a Palavra
 temas de pregação dos padres dominicanos
Revista “O Mílite”
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O Pão da vida
A liturgia nos está fazendo viver uma série de domingos - do décimo sétimo ao vigésimo primeiro - em que a leitura evangélica é toda tomada do capítulo sexto de são João, a começar do milagre da multiplicação dos pães, até culminar na revelação do sacramento da eucaristia. Aliás, sem essa revelação, nós não seríamos capazes de entender de que estaria falando Jesus na última ceia, na noite que precedeu sua Paixão. Foram as palavras pronunciadas na sinagoga de Cafarnaum e relatadas por são João, a respeito do "Pão da vida", que prepararam a celebração da Eucaristia, com toda a sua grandeza e com todo o seu mistério. A leitura deste capítulo de São João deve ser feita não apenas com aquela atenção e respeito com que lemos habitualmente a Palavra de Deus, mas tem que ser acompanhada de uma atitude como que de embevecida adoração, diante de tudo o que o evangelista teólogo nos vai desdobrando para os olhos do coração.
Quando Jesus disse que Ele era o Pão que descera do céu, a má vontade de seus adversários colocou-os logo em atitude de oposição. Em vez de se abrirem para acolher o sentido profundo dessa palavra, saíram-se com uma objeção muito primária: "Não é este Jesus o filho de José (o pai legal), aquele de quem conhecemos o pai e a mãe? Como é que ele diz agora: eu desci do céu?" (Jo 6,42). Jesus, com paciência e firmeza, respondeu: "Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim, se meu Pai, que me enviou, não o atrair. E eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: eles serão todos ensinados por Deus. Todo aquele que ouviu o Pai e recebeu seu ensinamento, vem a mim. Não que alguém tenha visto o Pai, senão aquele que vem de junto de Deus: este viu o Pai. Em verdade, eu vos digo: aquele que crê possui a vida eterna" (Ibid., 44-47).
Está aí, segundo nos ajudam a ver os comentadores, o primeiro sentido em que Jesus é o Pão da vida. Devemos assimilá-lo pela fé. Crendo, nós teremos a vida eterna. Da mesma maneira como, comendo o pão material, temos a vida terrena. Depois Jesus dará o segundo passo, que será falar de si mesmo como Pão da vida, no sentido eucarístico: seu corpo é verdadeiramente comida e seu sangue verdadeiramente bebida, que devemos assimilar sob os sinais sacramentais, como vai aparecer claramente na última ceia.
São muito belas as palavras de Jesus, quando nos diz que, para irmos a Ele, é preciso que o Pai nos atraia. É o mistério da "graça eficaz", que age em nós de maneira infalível e irresistível, embora maravilhosamente não aniquilando nossa liberdade. Santo Agostinho é quem, nos seus comentários do evangelho de São João, fala disso magistralmente.
Com que clareza Jesus repete que Ele é "o Pão vivo descido do céu! "Mas com que clareza também Ele assinala a diferença entre "o pão do céu" que foi o maná, tão exaltado pelos judeus, e o verdadeiro "Pão do Céu" que Ele é! O maná, na verdade, era um pão terreno, embora dado aos hebreus de um modo celeste, pelo poder de Deus que vem do céu. Esse pão dava apenas uma vida terrena, perecível. Os que dele comeram, quando completaram seus dias, morreram como morrem todos. Ao passo que os que comem do Pão do Céu que é Jesus têm a vida eterna. Comparação parecida com a da água misteriosa que Jesus prometeu à Samaritana, como já tivemos ocasião de recordar. Quem bebesse da água do poço de Jacó teria sempre sede de novo. Ao passo que quem beber da água que Jesus dá, não terá sede nunca mais: "Pois a água que eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna" (Jo 4,14).
Quando nós falamos em "vida eterna" não devemos pensar que vida eterna é um prolongamento sem fim da vida temporal que vivemos aqui na terra. É outra maneira de vida, que participa da natureza da vida de Deus. E essa vida já começa aqui na terra para todos aqueles que receberam a graça da fé: "Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê tem a vida eterna" (Ibid. 6,47). Naturalmente aqui se fala de uma fé viva, que supõe adesão total a Cristo, uma conformidade com sua vontade santíssima. Não se trata daquele que reza o credo, mas não o vive. Essa é a fé que devemos cultivar e para a qual principalmente havemos de rezar: "Creio, Senhor, mas aumentai minha fé" (cf. Mc. 9,24).
padre Lucas de Paula Almeida, CM
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"Levanta e come"
A Liturgia de hoje nos fala da preocupação de Deus em oferecer aos homens o "pão" da vida plena e definitiva.
Na 1a Leitura Elias recebe no deserto um "pão do céu" para refazer as forças e continuar a sua missão. (1 Rs. 19,4-8)
Ele acusara o Rei e a Rainha de serem a ruína de Israel, desafiara e matara os profetas de Baal, que davam sustentação à religião pagã da rainha Jesabel (± ano 450).
Ameaçado de morte, foge para o DESERTO, onde o povo encontrara a fonte de sua fé (êxodo).
Perseguido, cansado, faminto, abatido e desanimado, adormece debaixo de uma árvore, desejando a morte...
Deus não o abandona, manda um anjo, que lhe diz: "Levanta e come"…
Elias, revigorado por aquele alimento vindo do céu, continua o seu caminho (40 dias e 40 noites) até o monte de Deus (Horeb).
Deus não abandona o profeta em sua missão, nem elimina os inimigos, apenas lhe dá a força para continuar a caminhada...
Esse pão vindo do céu prefigura o "Pão", oferecido por Jesus.
O seguidor de Cristo, que caminha pelo deserto da vida, pode sentir o cansaço, desânimo e a tentação de deixar tudo.
Mas, como Elias, deve despertar do sono, comer do "Pão do Céu" e, fortalecido, retomar o caminho até chegar ao monte santo.
Na 2ª Leitura, Paulo exorta os efésios a serem imitadores de Deus, em sua bondade e misericórdia e arrancar tudo o que se opõe ao Espírito Santo e à caridade.(Ef. 4, 30-5,2)
No Evangelho prossegue o discurso de Jesus em Cafarnaum, onde Jesus se apresentara como o "Pão" descido do céu para dar vida ao mundo. (Jo. 6,41-51)
Provoca uma forte REAÇÃO: "Os judeus murmuram" (como no deserto).
Daí nasce uma tremenda resistência e recusa…
JESUS não desiste e reafirma:
"Eu sou o pão descido do céu… Quem come desse pão viverá eternamente"
E exige FÉ: "Quem crê, tem a vida eterna. Quem dele comer, não morrerá..."
"Comer a carne de Jesus"
É assimilar na sua totalidade a pessoa e a Missão de Jesus e, como ele, ter gestos de doação e de solidariedade em favor dos irmãos.
É acolher Jesus na sua realidade divina e humana, dom de Deus para a salvação da humanidade.
O que essas leituras bíblicas nos dizem no dia dos Pais?
COMO SER PAI, HOJE, num mundo que se transforma e enfrenta todo tipo de dificuldades?
Quantos pais se sentem cansados e desanimados, como Elias?
PAIS, não desanimem como Elias diante de situações difíceis e complicadas… nem murmurem como os judeus diante do incompreensível…
SER PAI é uma Missão sublime…
É participar do maravilhoso mistério da criação, é iluminar o mundo com uma nova e insubstituível centelha de vida.
É prosseguir na história e testemunhar a esperança de um mundo sempre mais humano, fraterno e de paz…
Mas onde buscar força, quando parece tudo perdido?
O Evangelho de Hoje nos dá uma resposta…
Essa energia nos é dada no pão vivo descido do céu, que é CRISTO, presente no meio de nós na EUCARISTIA e na sua PALAVRA.
E mais do que ninguém, o pai tem a missão de oferecer esse pão aos filhos…
SER PAI:
É alimentar a vida dos filhos não apenas como o Pão material, mas também o espiritual… também com a palavra amiga…
É saber gastar tempo com os filhos:
Muitos pais puseram filhos ao mundo e não cresceram com os filhos; depois talvez se queixam que não conseguem entender os filhos…
É saber respeitar a liberdade dos filhos:
sendo uma presença certa na hora exata, respeitando a vocação de cada um...
É saber confiar: As pessoas só confiam em que confiam nelas…
Pior que o erro, é perder essa confiança dos filhos...
FILHOS, O QUE É TER PAI?
É saber descobrir a presença de Cristo naquele que é responsável pelo progresso e felicidade da família…
É saber respeitar e nas horas difíceis confiar…
Há dois momentos que nos ensinam o que é ter um pai:
Quando não podemos mais tê-lo ao nosso lado…
Quando um dia vocês forem pais responsáveis e perceberem como é difícil ser um verdadeiro pai…
No dia de hoje, inicia também a Semana Nacional da Família, com a qual a Igreja pretende fazer redescobrir os valores da família...
Uma família nova que acredita no futuro... que vive de esperanças... não apenas das lembranças do passado...
Uma família, que a exemplo da sagrada família de Nazaré, seja a família que Deus quer...
Uma Família, onde os filhos encontram a paz e a segurança tão desejada e tão necessária...
"FAMÍLIA: o Trabalho e a Festa:
Três dons de Deus, três dimensões de nossa vida, que se devem encontrar num equilíbrio harmonioso". (Bento XVI)
padre Antônio Geraldo Dalla Costa

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O jovem ao telefone convida o amigo para participar do grupo de jovens. Para animá-lo, lhe diz: “lá é sinistro”. A avó escuta e quase tem um infarto. Corre a murmurar querendo que a mãe proíba o adolescente de participar da Igreja. Seus ouvidos fundamentalistas não captaram a mudança de sentido da palavra. Ela não atentou para o fato de que no meio juvenil este termo tem sentido bastante positivo.
Seguimos Jesus ainda através do Evangelho de João. Vamos nos aprofundando um pouco mais no seu discurso Eucarístico. Jesus comida é o motivo base que sustenta toda essa parte da teologia joanina. Mas com certeza que há, a partir deste núcleo central, bem mais a ser refletido. Dentre esses, trago aqui cinco pontos para a nossa meditação durante a semana.
O murmúrio – Os judeus murmuravam contra Jesus. Assim tem início o relato do evangelista. Há murmúrios positivos como as palavras de amor sussurradas ao amado. Há também os negativos e dentre estes três são mais significativos para este momento.
O primeiro é o “murmúrio bico”. Nomeio-o assim porque quando o temos é comum que aconteça o biquinho. Dá-se pela insatisfação com alguma decisão ou encaminhamento dado às questões. Pode ser também fruto de inveja. É feito de susceptibilidades e termina fazendo com que o bicudo se mantenha afastado, resmungando pelos cantos.
Faz isto para si mesmo, como se falasse aos próprios cotovelos. Não será difícil perceber também vê-lo descarregando em cima de alguém seu desagrado, na busca da concordância com seu bico.
O não entendimento é o causador do segundo modo de murmúrio. É por não se compreender algo que tem início o murmurar. Mais simples e eficaz seria um pedido de explicações, ou o estudo do tema. É este o murmúrio acontecido no relato desse Evangelho.
O terceiro jeito de murmuração é mais destruidor: a fofoca. É o murmúrio maldoso acontecido a partir do que se inventa, ouve falar, ou da ampliação do fato: “conte um conto e aumente um ponto”. Algumas vezes esse murmúrio vem embrulhado para presente. Acontece no que se pode chamar de “mentira amor”. Fofoca-se para ajudar alguma causa ou a alguém. Mesmo bem intencionados eles não costumam dar em bom lugar.
O fundamentalismo – Começa com a leitura e interpretação literal do que se ouve ou lê. Entende-se as coisas ao pé da letra, como acontecido com aqueles judeus desse Evangelho. Por isto afirmam a impossibilidade de Jesus ser o pão vivo descido do céu. Assinam seu atestado fundamentalista questionando: “Como Ele pode ser pão? Conhecemos seus pais...”
Há gente demais com visão fundamentalista por aí. A fala e o texto só podem ser entendidos dentro do seu contexto. É necessário considerar, na interpretação, cultura, data e mais além daquilo que esteja sendo dito, o que realmente o autor quis afirmar.
A fé – Vale também a consideração de três pontos:
1 – Pressupõe sempre a possibilidade da dúvida. Pode ser perigosa quando não possui questionamentos. Tende a ficar rasa, torna-se raquítica e ao primeiro vendaval quem sabe despenque. Por isto, em relação à fé a crise, mesmo sendo dolorosa, pode ser bem-vinda. Precisa ser vista como oportunidade de crescimento a partir dos questionamentos suscitados.
2 – É mais sentir do que pensar. A fé de quem só pensa cai na crença fria do filósofo. Há que se experimentar Deus e não ficar somente pensando nele.
3 – É dom de Deus. Nasce no Pai esse desejo profundo de seguir Jesus. É Ele e o Espírito Santo quem nos atraem na direção do Filho. É necessário agradecer pela fé que possuímos, eis que é dádiva do Senhor e só pode ser posta nele.
A ressurreição – Aos olhos de quem não crê trata-se do maior absurdo que professamos. Aos olhos dos que acreditam é nada mais nada menos, mesmo que em meio a possíveis dúvidas, da certeza do Amor infinito e eterno de Deus para com seus filhos. Cremos na ressurreição dos mortos porque sabemos que da mesma forma que Jesus foi ressuscitado pelo Pai, também nós seus filhos, seremos por Ele resgatados da noite escura da morte.
Crer no Ressuscitado é ter a certeza, misturada às vezes aos questionamentos, de que com Ele, por Ele e Nele iremos, um dia, também ressurgir numa vida plena. Não sabemos como será, mas confiamos que terá, além de todas as pessoas amadas, também as coisas que mais gostamos. Deus já preparou tudo para que sejamos plena e eternamente felizes.
O pão para a vida – Jesus é o Pão da Vida. Ele nos afirma ser o pão que nos é dado para a vida no mundo. É usando o símbolo do pão, alimento praticamente universal, que Jesus nos alimenta para que ganhemos força e coragem para a missão. Esta deverá estar alinhada com a caridade, ou seja, com a distribuição, de alguma maneira, do pão.
Um fundamentalista veria nesta frase a chamada para construirmos milhões de padarias. É muito mais do que isto. O mundo sente fome de diversos tipos de pão. Faz falta demais por aí o pão do cuidado, da atenção, do carinho, da mão amiga, da comida, do afeto, da justiça, da paz...
Claro que falta também o Pão Eucarístico para muita gente. Não só porque temos poucos sacerdotes, bem como também porque não lhe damos a devida importância e dignidade, deixando de recebê-lo quando é tão fácil e está tão disponível.
Pequena oração sugerida para ser rezada nessa semana depois da comunhão:
Jesus, livra-nos do fundamentalismo Eucarístico. Este de considerar que a Comunhão começa e se encerra no gostoso de recebê-lo na missa. Que o seu Corpo, Pão da Vida, a nos alimentar, aumente nossa fé e nos envie, cheios de ânimo e coragem, para testemunhar a fé na dura realidade do dia a dia. Que saiamos da Mesa Eucarística como autênticos discípulos missionários, construtores de um mundo novo de justiça e paz. Amém.
Pistas para reflexão durante a semana:
- Identifico na vida meus tempos de murmúrios?
- Minha fé gera questões? Tenho buscado respondê-las, aprofundando-me nelas?
- Que tipo de pão distribuo?
Fernando Cyrino
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