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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM


XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 26 de agosto – 2012

 

Comentários-Prof.Fernando


Evangelho: João 6, 60-69

A quem iremos, Senhor?

Introdução

“Estas palavras são muito duras, quem pode seguir?

       Observando os jogos olímpicos podemos notar a grande tristeza estampada nos olhos e na face daqueles que não conseguem, e por outro lado, vemos a imensa alegria daqueles que conseguiram vencer todas as etapas, e ganhar a medalha de ouro!
            Quanto treinamento, quanto  trabalho de preparação, quanta disciplina, quanta renúncia além dos seus talentos físicos, para eles terem conseguido vencer! Não foi nada fácil toda aquela jornada de preparo físico e mental. Foi um trabalho duro! Tiveram de acatar as duras palavras que saiam da boda do treinador diariamente: Mais esforço! Disciplina! Ainda não está bom! É preciso exceder, melhorar, progredir, vamos lá...
            Todos aqueles que venceram na vida sabem que não foi nada fácil chegar onde chegaram. Tiveram que perder horas de sono, de laser, deixaram de comprar muitas coisas que lhes trariam alegria, privaram de muitos prazeres,  e tiveram de se esforçar muito...
            As palavras de Jesus nos apresenta  uma disciplina muito dura, muito rígida, pois para conseguirmos alcançar a vida eterna, precisamos nos esforçar muito. Assim como os atletas se esforçaram para conseguir atingir as metas e ganhar o ouro, nós também precisamos seguir plenamente a dureza das palavras de Cristo para um dia poder merecermos o prêmio de estar desfrutando as alegrias celestiais.
            Que dureza! Perdoar o irmão que nos irrita, amar os nossos inimigos, aturar os que não nos são simpáticos, ter paciência com os deficientes físicos e mentais, ignorar as calúnias e as críticas daqueles que nos invejam, com tanta tentação por aí, ser fiel à esposa, ser fiel ao marido,  praticar a castidade, ser caridoso... ufa! é muito difícil! É muito duro! Quem consegue?   
             É por isso que muitos desistem de ser cristãos. Muitos fazem como aqueles discípulos que ao ouvir as duras palavras do Mestre, deixaram de andar com Ele. O mundo de hoje está cheio desses que muito embora não criticam Jesus nem a Igreja, não seguem  o Evangelho, não são cristãos autênticos.
            A quem iremos? Só Cristo tem palavra de vida eterna.

            Prezados irmãos. Hoje comemoramos o dia do catequista.  Como sabemos, todos nós somos ou devemos ser catequistas. Não somente aqueles engajados no projeto de Deus que atuam na paróquia  na Pastoral da Criança, ou nas escolas através de uma Catequese Escolar são catequistas. Os pais exercem ou devem exercer uma catequese familiar,  começando a educação para a fé desde cedo, iniciando seus filhos à vida religiosa desde pequenos. Pois pela graça do sacramento do matrimônio, os pais receberam a responsabilidade, a graça e o privilégio de iniciar a evangelização dos seus filhos.  Falando-lhes de Deus, dos ensinamentos de Jesus, ensinando-os a rezar, rezando na frente deles, levando-os à missa e depois ao catecismo,   dando-lhes bons exemplos de cristãos, como por exemplo, praticando a caridade quando estão com eles, colocando um dinheirinho nas mãos deles para que dêem ao pobres, para que coloquem na cesta  da coleta na missa, ensinando-os a respeitar, a pedir desculpas e perdão, etc.
PARABÉNS PREZADOS IRMÃOS CATEQUISTAS. VOCÊS QUE LEVAM A PALAVRA DE VIDA ETERNA PARA OS NOSSOS JOVENS E TAMBÉM PARA OS ADULTOS. SER INSTRUMENTO QUE TRANSPORTA A PALAVRA DE DEUS  É MARAVILHOSO!  PODEMOS SER COMPARADOS COM A ARCA DA ALIANÇA A QUAL TRANSPORTAVA OS DEZ MANDAMENTOS. É UMA GRANDE HONRA PARA NÓS O FATO DE SERMOS O CONDUTO POR ONDE PASSA A ÁGUA PURA FONTE DE VIDA ETERNA!
CATEQUISTA. PARABÉNS PELO SEU DIA. CONTINUE!
PROF. SALVIANO, CATEQUISTA.
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A COLABORAÇÃO DO PADRE FERNANDO GROSS
Salmo 56 e o Evangelho para o Domingo dia 26 de Agosto


Mais dois vídeos e dois abraços!
Boooa semana abençoada!
Pe. Fernando Gross

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Domingo, 26 de agosto de 2012
21º Domingo do Tempo Comum

Missionários Claretianos


Santos do Dia: Adriano de Nicomédia (mártir), Alexandre de Bérgamo (mártir), Bregowine de Cantuária (monge, bispo), Elias de Siracusa (monge, bispo), Félix de Pistóia (eremita), Gelásio de Heliópolis (mártir), Ireneu e Abúndio (mártires), Isabel Bichier des Ages (fundadora), Margarida de Faenza (abadessa), Pelágia (viúva, foi a mãe de Santo Arédio), Rufino de Cápua (bispo), Segundo de Ventimiglia (mártir, s. III), Simplício e seus filhos Constâncio e Vitoriano (mártires de Marsos), Teresa de Jesus Jornet e Ibars (virgem, fundadora), Vítor de Cesaréia (mártir), Zeferino I (papa, mártir).

Primeira leitura: Josué 24,1-2.15-18
Assembléia de Siquém, renovação da Aliança. 
Salmo responsorial: 33, 2-3.16-23
Provai e vede quão suave é o Senhor!
Segunda leitura: Efésios 5, 21-32
Este mistério é grande. 
Evangelho: João 6, 60-69
A quem iremos, Senhor?

Josué organiza a grande assembléia de Siquém, como a reunião constitutiva do povo em tribos. É o ponto de partida de um movimento novo que parte do Êxodo. O povo deve aceitar sua nova identidade teológica, social, cultural. É fundamental identificar o Deus do Êxodo: ele vê a opressão do povo, ouve o grito de dor e conhece seus sofrimentos, está decidido a descer para libertar o povo do poder dos opressores (Ex 3,7-8). É o Deus de seus Pais, o Deus da Historia.
As tribos procedem de diferentes origens culturais, religiosas, étnicas, porém agora se aglutinam em um só povo, Israel, graças à fé no Deus do êxodo. É a teologia, a fé em Javé e não o sangue que os une em uma aliança tribal. O coração dessa aliança tribal é a fé comum no Deus dos pobres.
Porém, supõe também identificar os deuses “estranhos” (deuses cananeus e egípcios), como imagens corrompidas de Deus, que geram escravidão e morte; um sistema de impostos, uma vida de escravos, uma religião opressora. Mudar esses deuses pelo Deus do êxodo, fundar uma sociedade de leis para a vida, partilhar a terra, viver uma nova forma de culto baseado na páscoa, tudo isso é o tema central dessa grande assembléia de Siquém.
As tribos de Israel fazem um pacto de amor com o Deus dos pobres. Um casamento, como insinua a carta aos Efésios. “Uma Igreja dócil ao Messias” “para torná-la radiante, sem mancha e nem ruga”.
As palavras de Jesus chocam com a mentalidade vigente. Há vinte séculos parecida inadmissível que uma pessoa pudesse comunicar  uma mensagem tão exigente e tão libertadora. Hoje seguimos no mesmo plano: procuramos adocicar as palavras de Jesus para que não firam nossos preconceitos. Com frequência queremos converter a palavra de Jesus no exercício de um conjunto de ritos.

Porém, a palavra de Jesus nos desestabiliza, nos desinstala e nos lava a questionar a vida diária. Às vezes, inclusive, dizemos como os discípulos: “Este modo de falar é muito duro, quem pode suportar?” Não obstante, nós queremos seguir a Jesus, a única resposta possível é um “sim” firme, um “amém” decidido e generoso.
Queremos segui-lo e queremos ser como ele. Não queremos nos contentar com as recompensas que o mundo nos oferece, mas desejamos caminhar com o Nazareno a difícil e tortuosa via do povo de Deus na História.
Poucos se atrevem a criticar a Jesus de Nazaré, porém isto não significa que estejam de acordo com ele.
Muitas pessoas há tempo “voltaram para trás” e escolheram seu próprio caminho, somente que se contentam em levar em sua memória a lembrança de um batismo sociológico e o aval das cerimônias religiosas. Porém, para aqueles que queremos escutar o Mestre, não existe outra resposta que a de Pedro ante o desafio de Jesus: “Senhor, a quem iremos? Só tu tens palavras de vida eterna”.
Que útil seria examinar nossas eucaristias! Geram um “movimento de Jesus” em direção à Utopia solidaria do que Ele chamava Reino? Vão mudando nosso modo de pensar e agir? Fazem-nos capazes de identificar as outras presenças de Deus entre os deserdados da vida?
O mesmo Jesus, em cuja boca João colocou estas palavras: “Eu sou o Pão da Vida”, em Mateus também disse: “Tive fome e me destes de comer; cada vez que o fizeram a um dos meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizeram” (Mt 25, 35).
Oração
Ó Deus, Pai e Mãe de toda a Humanidade, que em Jesus de Nazaré nos deste uma Palavra luminosa que traz vida para o mundo; faze que toda a Humanidade possa acolher a palavra que em Jesus pronunciaste para nós e esteja atenta em acolher e assimilar todas as muitas palavras que em outros tempos em outros lugares e de muitas maneiras pronunciaste para alentar a vida no Mundo. Tudo isto te pedimos, inspirados pelo Espírito de Jesus de Nazaré, teu filho e irmão nosso. Amém.

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Domingo 25.08.12

João 6,60-69
:O nosso espírito é quem sustenta a nossa matéria e o Espírito Santo é quem nos vivifica – Maria Regina.
Jesus nos dá um ensinamento de como não racionalizar as coisas sobrenaturais e é firme diante dos questionamentos dos judeus e até dos próprios discípulos sobre as “palavras duras de comer o seu corpo e beber o seu sangue.” Muitos discípulos se escandalizavam e até se afastaram de Jesus quando Ele falou em comer a Sua carne e beber o Seu sangue. A idéia de que eles teriam que comer a carne e beber o sangue de Jesus escandalizava a muitos, justamente, porque eles procuravam entender com a mente aquilo que só o Espírito poderia fazê-lo. Nós nos escandalizamos com os mistérios de Deus porque a nossa fé é muito pequena e não compreendemos que as palavras de Jesus são espírito e verdade. Somente com o nosso espírito nós podemos compreender as coisas de Deus e somente com os olhos do espírito à Luz da Fé nós aceitamos os Seus ensinamentos.
O nosso espírito é quem sustenta a nossa matéria e o Espírito Santo é quem nos vivifica. Entendendo com a razão e dentro da lógica humana seria impossível acontecer o que Jesus afirmara, porém o “Espírito é que dá vida” e “as palavras de Jesus são espírito e vida!” E o Espírito é dado em abundância a quem reconhece que só Jesus tem as palavras de vida eterna! Diante da evasão de alguns, Jesus deu um ultimato aos Seus seguidores: “Vós também vos quereis ir embora?”
Pedro respondeu em nome dos outros discípulos: “a quem iremos Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o santo de Deus.” Alguns discípulos se afastaram de Jesus, porém ficaram aqueles que creram e reconheceram que “Ele era o santo de Deus”. Hoje também são muitos os que se afastam porque não querem entender, os que duvidam porque se acham auto-suficientes e até zombam de Cristo! Assumir as palavras de Jesus como espírito e vida é abraçar tudo o que Ele nos propõe sem questionamentos e com o coração convencido. Reflita – Você tem convicção quanto a tudo o que Jesus lhe propõe? – Você tem plena consciência de que quando comunga está comendo o Corpo e bebendo o sangue de Jesus? – Como você se sente em relação àquelas pessoas que não crêem? – Como você tem demonstrado diante delas a sua fé em Jesus presente na Eucaristia? Quais serão as palavras de vida eterna que Jesus hoje quer revelar para você? – Escute-O!
Amém
Abraço carinhoso de
– Maria Regina

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“NINGUÉM PODE VIR A MIM A NÃO QUE LHE SEJA CONCEDIDO PELO PAI”. - Olívia Coutinho

XXI DO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 26 de Agosto de 2012

Evangelho de Jo 6,-60-69



Muitos recuam, ou abandonam o seguimento a Jesus, porque lhes falta fé suficientemente madura, que o encoraje, que o leve a vencer as dificuldades da vida.
Hoje, se percebe uma grande inquietação no campo da fé, há um desejo de se conseguir tudo fácil, o que leva muitas pessoas a trocar de religião, como se a religião fosse resolver todas as suas questões. Precisamos amadurecer na fé, conscientizarmos, de que a religião, é apenas um caminho de orientação na fé, as nossas questões, cabe a nós mesmos resolvê-las, sempre  à luz da fé, nosso único suporte.
Existe uma grande diferença entre ter fé e viver a fé. Ter fé é acreditar naquilo que não se vê, e viver a fé, é viver de acordo com aquilo que se crê.
É a fé, que nos faz chegar ao coração amoroso do Pai, e o único caminho que nos leva a Ele, é Jesus! É por isso que Ele diz: “Ninguém pode vir a mim a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”. A fé, é um dom de Deus, acolhe-la ou não, é nossa escolha.
Quando abraçamos a fé, clareia-se o nosso horizonte, as pedras do caminho, não nos impede de seguir em frente, e o mais importante: passamos a aceitar, sem questionamentos, todas as exigências do evangelho!
Diante das palavras exigentes de Jesus, devemos nos comportar como uma criança obediente, que mesmo sem entender o que o seu pai diz, acata todas as suas ordens.
No nosso Seguimento a Jesus, mais importante do que entender as suas palavras, é aceitar o que Ele diz, pois é Ele, o senhor da nossa vida! Quando ficamos questionando os seus ensinamentos, é sinal de que estamos impondo condições  para segui-Lo.
O evangelho de hoje, vem nos afirmar que só permanece com Jesus, quem chega até Ele, pelos caminhos da fé!
É impossível permanecer com Jesus, se não aceitarmos o desafio da cruz! Foi o que aconteceu com muitos discípulos, que abandonaram Jesus, quando souberam que no seguimento a Ele, incluía a cruz. Eles queriam  ficar com o Jesus da multiplicação dos pães, não quiseram aceitar, o Jesus que passaria pela cruz! Mesmo  Ele tendo dito: "O meu Reino não é deste mundo", eles estavam longe de entender, que Jesus, não buscava a glória dos homens, e sim, a glória do Pai!  Os mesmo, que queriam proclamar Jesus como Rei, no episodia da multiplicação dos pães, o abandonam  quando Ele disse: “Eis aqui o pão que desceu do céu, quem dele comer viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo” (Jo6,51). Estas palavras de Jesus, prenunciavam a sua morte, ressoando para  aqueles discípulos, como sendo duras, não que eles não tivessem entendido o sentido delas, mas porque não estavam dispostos a unir suas vida com a vida de Jesus, o que implicaria: doação de si mesmo.
A nossa opção por Jesus deve ser radical: estar com Ele para o que der e vier, do contrário, faremos como aqueles discípulos, abandonamo-O no meio do caminho, perdendo a oportunidade  do encontro com o Pai, pois só Ele é o caminho...
Jesus perguntou aos doze discípulos, os únicos que permaneceram com Ele até aquele momento: “Vós também quereis ir embora? Hoje, creio que Jesus nos faz uma pergunta diferente: "E vós quereis ficar comigo na Eucaristia"? A nossa resposta, não vai ser imediata, como foi a resposta de Pedro, vamos respondendo-Lo nas nossas atitudes do  dia a dia!
Comer e beber de Jesus na Eucaristia é comer e beber do seu ideal!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

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DOMINGO, 26 DE AGOSTO
Jo 6,60-69

A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.
Este Evangelho nos trás a última parte do discurso de Jesus sobre a Eucaristia, o pão da vida. Havia uma grande multidão ouvindo-o, entusiasmada por causa da multiplicação dos pães acontecida minutos antes. Alguns queriam até fazê-lo rei.
Mas quando Jesus disse que ia dar um alimento muito melhor do que aquele pão: a sua carne como comida e o seu sangue como bebida, os ouvintes se escandalizaram. Nós não somos antropófagos! disseram entre si. “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?
Jesus procurou explicar, mostrando que ele tem poder para fazer isso: “Isso vos escandaliza? E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são Espírito e vida”. Quer dizer, Deus pode tudo e faz coisas inacreditáveis.
Apesar da explicação, “a partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com Jesus. Então Jesus disse aos doze: Vós também vos quereis ir embora? Simão Pedro respondeu: A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna”. Em outras palavras, Pedro disse: Nós também não entendemos o que o Senhor falou, e nós também achamos um absurdo comer a sua carne e beber o seu sangue. Mas, o mundo lá fora é pior ainda. Preferimos ficar com o Senhor.
Nós somos convidados a dar o passo de Pedro: A quem iremos, Senhor? Com o Senhor é difícil, mas fora, no mundo, é muito pior. Por isso prefiro ficar com o Senhor. Muitos ficam no meio do caminho; como a sua fé é fraca, seguem apenas mais ou menos. Mas Deus prefere pessoas definidas, mesmo que seja contra ele.
Se dermos o passo da fé mesmo sem entender direito, como fez S. Pedro, Deus entra na nossa vida e nos transforma, inclusive firmando a nossa fé. Por isso hoje queremos dizer a Jesus: eu estou com o Senhor, creio em tudo o que o Senhor disse e ensinou, mesmo sem entender tudo. Creio porque sei que o Senhor é o próprio Deus encarnado.
Após a consagração, na Missa, o padre fala: “Eis o mistério da fé”. A Eucaristia é o cerne da fé. Nela, acreditamos na Palavra de Jesus, sem ver nem entender. “No Calvário se escondia tua divindade, mas aqui também se esconde tua humanidade; creio em ambas e peço, como o bom ladrão, no teu Reino, eternamente, tua salvação” (Canto: Deus de amor).
Não vamos cair na tentação de dizer que na Eucaristia o pão “simboliza” o corpo de Cristo e vinho “simboliza” o seu sangue. Não simboliza apenas, mas é realmente. Jesus está ali, vivo, em seu corpo, sangue, alma e divindade. E está todinho, tanto na hóstia como no vinho consagrados. Por isso que após a Consagração nós não chamamos pão e vinho, mas Corpo e Sangue de Cristo. Se fosse símbolo só, Jesus teria chamado de volta a multidão que se retirava, e explicado melhor. Teria dito, por exemplo: “Não, gente, não é que vou lhes dar a minha carne para vocês comerem! É um símbolo!...” Mas ele não fez isso. Pelo contrário, disse para os Apóstolos: “Vocês também não querem ir embora?” Isso significa que a sua presença na Eucaristia é real e total, e que esta é uma verdade fundamental da nossa fé.
Havia certa vez um rapaz que estava desempregado. Ele procurava emprego em toda parte e não encontrava. Um dia, foi a um zoológico e perguntou se havia uma vaga. O chefe lhe disse: “Nós não temos vagas. O nosso quadro de funcionários está completo. Mas o nosso gorila morreu, e ele era a grande diversão da criançada. Se você quiser imitar um gorila, podemos lhe arrumar as roupas próprias”. O rapaz topou. Afinal, estava desempregado e precisa ganhar um dinheirinho.
Vestiu a roupa apropriada, colocou a máscara... ficou igualzinho a um gorila. Depois entrou na jaula e começou a andar, pular e fazer micagens, como um gorila. As crianças se divertiam.
Uma hora, ele olhou para cima e viu uma gangorra e um trapézio. Pensou: Ah! O gorila usava isto. Vou usar também. Subiu e começou a gangorrar pra lá e pra cá. Mas uma hora ele exagerou na gangorra, desequilibrou-se e foi cair dentro da jaula do leão. Pensou: Agora estou frito! O leão vai me devorar. Começou a tremer e a chorar.
O leão veio na direção dele, chegou perto do seu ouvido e disse baixinho: “Fique calado, senão nós dois perdemos o emprego!”
“A quem iremos, Senhor?” Este mundo é cercado de mentiras e falsidades; preferimos ficar com Jesus, o nosso caminho, verdade e vida. Alimentados por ele, seremos agentes de transformação.
Que Maria Santíssima, o primeiro sacrário do Corpo de Cristo, nos ajude a não só acreditar na Eucaristia, mas a transformar a Eucaristia em vida e a nossa vida em Eucaristia.
A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.
Padre Queiroz

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Evangelhos Dominicais Comentados

26/agosto/2012   -  21o Domingo do Tempo Comum

Evangelho: (Jo 6, 60-69)


Mais uma vez estamos juntos para meditar a Palavra de Deus. O tema do evangelho de hoje é a Eucaristia. Jesus vai direto ao assunto e, sem rodeios, manda comer da sua Carne e beber do seu Sangue.

Não era fácil de entender e, muito menos de aceitar, as coisas que Jesus dizia. As multidões acham muito duras suas palavras e por isso, afastam-se dele. Alguns dos seus discípulos, mesmo aqueles próximos que caminhavam com Jesus, também o abandonaram por causa da dureza de suas palavras.

Mesmo com o afastamento dessas pessoas, Jesus não voltou atrás, nem amenizou suas palavras. Era preciso fazê-los entender essa nova linguagem. Era fundamental fazer o cristão entender que, Vida Plena e abundante são sinônimos de carne e sangue.

Coloque-se no lugar dos discípulos ou daquela multidão que ouviu tudo isso de alguém que recentemente haviam conhecido. Mal conheciam Jesus. Como não duvidar se, ainda hoje, com dois mil anos de convivência com Jesus, pouco nos preocupamos em segui-lo e não levamos a sério seus ensinamentos.

Em nosso dia-a-dia, também nos afastamos de Jesus, por causa da dureza de suas palavras. Ele fala firme e manda fazer coisas que parecem impossíveis. Não é fácil aceitar que palavras possam ser espírito e vida. Não é fácil conviver com alguém que manda amar os inimigos.

Ficamos confusos porque tentamos entender os mandamentos e o comportamento de Jesus, através do cérebro. Nossa cabeça é muito pequenininha, não cabe lá dentro algo tão grande. Só o coração pode entender e aceitar as imposições para seguir Jesus.

O seguimento de Jesus impõe condições rigorosas. Impõe solidariedade e serviço aos pobres e marginalizados. Impõe dedicação e aproximação junto aos sofredores e excluídos da sociedade. Não existe uma forma de aceitar Jesus, sem colocar em prática seus ensinamentos.

A todo instante somos questionados por Jesus, através desta mesma pergunta: "Vocês também querem ir embora?" O que vamos responder? Se procurarmos a definição através do cérebro; se deixarmos a resposta por conta da cabeça, certamente nos afastaremos do Mestre. 

Só o coração é capaz de nos aproximar do Mestre. O coração nos leva até Jesus através do pai de família desempregado, dos menores sujos, dependentes e famintos que perambulam pelas ruas das nossas imensas e ricas metrópoles. Só o coração tem sensibilidade para entender que somos capazes de construir um mundo melhor, mais justo e fraterno.

Pedro, homem rude e, até mesmo covarde em determinados momentos, abriu o peito e deixou seu coração falar: "A quem iremos, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus".

E nós? Será que temos coragem para fazer essa afirmação? Vamos então abrir o coração e pedir ao Pai a graça e a força para darmos a Jesus esta resposta: Creio Senhor no seu Corpo, verdadeira comida e no seu Sangue, verdadeira bebida.

 (1079) 

Jorge.lorente@miliciadaimaculada.org.br    -  26 /agosto/2012




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26 de Agosto - 21º Domingo

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM
1ª Leitura  Josué 24, 1-2ª. 15-17.18b
Salmo  33 (34) 9ª “Provai e Vede como o Senhor é bom”
2ª Leitura Efésios 5, 21-32
Evangelho João 6, 60-69
"A QUEM IREMOS?" – Diac. José da Cruz
No colégio onde estudei, nas aulas de Educação Física, vem em quando o Professor nos exercitava com a prática de futebol, inclusive ele próprio atuava em uma das equipes. Não era um “racha” qualquer daqueles que jogávamos nos finais de semana, mas o professor, ao escolher a sua equipe, não considerava muito a habilidade do atleta, mas sim a sua disposição física, o seu esforço pela equipe, ele era rígido na disciplina, exigia o máximo de cada um, nas disputas de bola, na marcação, na estratégia do ataque, no seu time ninguém “empurrava com a barriga” ou fazia corpo mole, nesses coletivos, a equipe disciplinada do “Sêo Armandão”, via de regra superava o time adversário, onde as vezes atuava os “craques” da escola, pois apregoava sempre, que um time vencedor deve saber aliar habilidade, disciplina e uma boa técnica, capaz de mudar a estratégia quando necessário. Os alunos do colégio o chamavam de “Marechal”, ele era por aquele tempo um Felipe Scolari, e em competições escolares abertas, sua equipe conquistou muitos troféus. Interessante que os que se achavam “craques”, não gostavam muito dessa “linha dura” do Professor.
Lembrei-me do “Sêo Armandão”, quando refleti esse evangelho onde alguns discípulos de Jesus começaram a “afrouxar” diante das suas exigências, querendo fazer “corpo mole” e “empurrar com a barriga” os seus ensinamentos e a Verdade por ele pregada. Também hoje, nós cristãos, muitas vezes queremos viver um cristianismo arraigado na carne, sem encarar o desafio de vivê-lo em Espírito, e foi exatamente para isso que o Verbo Divino se encarnou em nosso meio, para que fosse possível ao homem carnal, viver no Espírito, sem ser um alienado. Praticar um cristianismo a partir apenas da carne, isso é, das realidades meramente humanas, é a grande tentação dos discípulos de hoje, onde muitos vivem uma religião de normas e preceitos, achando que basta cumprir tudo o que a Santa Igreja ensina, e se algo der errado, a culpa é da Igreja, poderíamos chamar a isso de tradicionalismo, pois na verdade era esta a posição dos fariseus e Doutores da Lei, que não aceitavam o advento da Salvação, presente na pessoa de Jesus de Nazaré.
A verdadeira prática do Cristianismo nos traz sempre o desafio da ascese, que significa fazer uma experiência profunda com Jesus na nossa vida, sem tirar os pés do chão da nossa história, e essa experiência querigmática só é possível quando nos abrimos ao Espírito do Senhor, presente em nossa fraqueza, e, portanto, o que está no centro do ensinamento de João às suas comunidades, é que nenhum recurso humano, científico, social, político ou até religioso, pode nos levar a essa ascese, só se aproxima dessa Verdade absoluta chamada Jesus, aqueles que o Pai atrair.
Em João 6, 51 encontramos a afirmação que deu margem a discussão de Jesus com os Judeus “Eu sou o pão vivo descido do céu,. Quem comer desse pão viverá eternamente.E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.
No evangelho desse domingo, a discussão acontece no próprio grupo de seguidores, se entre os judeus, haviam aqueles que não acreditavam, era até compreensível, entretanto a situação torna-se mais grave quando entre os próprios seguidores, há discípulos que não têm fé, pois acham que ninguém consegue escutar a palavra, que é dura demais.
Dentro da Igreja há muitas maneiras, e todas elas válidas, de se fazer essa experiência com Jesus, entretanto, é preciso muito cautela para não se criar um cristianismo mais light, menos intransigente e radical, onde a gente possa fazer parte da Igreja, mas sem ter que vestir e suar a camisa, o engajamento pastoral ou a adesão a um Movimento ou Associação, pode sim gerar em nós a ilusão de que aquela prática é suficiente, e dependendo do modelo eclesiológico, ficaremos ancorados apenas na carne, nos recusando a “levantar vôo na ascese do Espírito” ou então tiramos os pés do chão, ignorando a carne que sustenta o Espírito, mergulhando na perigosa fé da magia. E quando se trata de coerência naquilo que se crê, Jesus não é de ficar alisando o “ego” dos seus seguidores, mas concede a liberdade da escolha “Vocês também querem ir embora?”. Pedro, falando em nome da comunidade, reconhece aquilo que os judeus rejeitam, nenhuma proposta ou ideologia humana, pode conduzir o homem a plena realização de si mesmo, só Jesus nos faz enxergar além dos horizontes humanos, comer a sua carne significa a aceitação radical da comunhão com sua pessoa, seu ensinamento e seu projeto de vida.
O apóstolo Pedro aceita viver nessa ascese do homem espiritual, mesmo ainda estando na realidade da carne, em outras palavras, aceita Jesus como Deus, Senhor e Salvador, de maneira incondicional “A quem iremos Senhor?” Tu tens palavras de Vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”. Enfim, o cristianismo será sempre uma proposta que nos obriga a fazer uma escolha e tomar uma decisão, a favor ou contra Jesus. Na vida de Fé não dá para “empurrar com a barriga” e fazer “corpo mole”, pois corre-se o risco de perder o “jogo”, que Cristo já venceu, com a encarnação, paixão, morte e ressurreição....(21º. Domingo do


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“As palavras de vida eterna” -  Claudinei M. Oliveira.

Domingo, 26  de Agosto  de 2012.
Evangelho: Jo  6, 60-69

            Como é bom ter um Deus libertador para assegurar  no caminho reto, como é bom louvar e agradecer sempre as dádivas recebidas do Pai que libertou o povo escravizado no Egito, como é prazeroso conceber nas ações do cotidiano o Cristo Ressuscitado que é a cabeça da nação para pensar e agir de modo admirável na paz e na fraternidade, enfim, como é bom ter um Homem poderoso nas palavras enfurecidas  que embrenham no ser do homem bons mandamentos para seguir a vivacidade até à eternidade.
A reflexão deste domingo alerta ao homem quanto à necessidade de absorver no Espírito Santo todas as maravilhas dos céus. Não é possível viver sem a presença fortificadora do Deus que almeja a unidade entre todos os homens. Haja vista que somente a fé pode levar o cristão para o campo do amor, da partilha e da libertação. Sem a fé, sem o despertar para as coisas do alto, nada poderá acontecer do bom agradado a Deus.
Na primeira leitura do livro de Josué encontra-se o povo que venera, cultua e segue o Senhor que libertou as gerações do passado das garras dos faraós do Egito. Eles têm um apreço invejável para com seu Senhor. Souberam valorizar  com gratidão todas as bênçãos recebidas e não abandonaram o Senhor por acreditar nas intervenções certas. Como adorar um deus de barro que permanece inerte o tempo todo? Como expressar a fé numa  figura colocado pelo homem sem o movimento criador?   Como servir o deus estranho que nada fez para fomentar a glória no momento em que mais precisava? O povo logo respondeu a Josué:“longe de nós abandonarmos o Senhor para servir a deuses estranhos”. (v. 16)
O povo diante de Josué não temeu em agraciar o Deus da vida. Tinha sentido sua crença, pois seu passado foi assegurado pela insistência em perseguir o caminho do bem. Todo o tempo que o povo libertado do Egito  permaneceu no deserto foi para purificar  no Deus que salvou. Assim, serviram  sempre, pois ama o Deus da vida.
Esta leitura de Josué é fantástica. Ela incentiva cada vez mais seguir os preceitos do Senhor não por obrigação, mas por acreditar no passado glorioso. O Senhor vendo o sofrimento dos seus filhos colocou a disposição para amenizar. Bem que o Senhor poderia até praguejar: bem feito, quem mandou sair da Palestina  e procurar um lugar melhor, viu o que aconteceu, agora dê seu jeito e encontre um caminho para livrar desse imbróglio. Mas o Senhor não fez isto, libertou o seu povo. O Senhor não fez por capricho ou por obrigação, mas fez a libertação por sentir o momento certo e exemplificar de sua bondade.
O cristão de hoje deve ser grato pelo Senhor também. Tantas maravilhas que concede ao mesmo: a vida, a liberdade, o amor, as vitórias, a família.
Veja que a família pode expressar a unidade entre um casal para amadurecer no Deus. Quando se forma uma família, forma-se o corpo de Deus. Logo a harmonia família deve-se propagar por toda a vida. O casal se formou pelo chamado de Deus e, portanto, deve unir-se fraternalmente em todos os momentos da vida.
Como Cristo  amou a igreja e entregou por ela, o casal deve amar um ao outro eternamente. Deus colocou alguém junto ao outro para viver na plenitude amorosa. Desse amor nascerá rebentos como fruto do amor. Logo a desunião entre os casais não são cabíveis para Deus.  O casal deve ao outro a fidelidade e a confiança para sempre.  Veja como Cristo, sendo esposo da  igreja, amou até o fim e por ela se entregou numa cruz de braços abertos, assim o casal deve unir cada vez mais para ser o sinal fraterno interminável.
Diante de tantas desavenças familiar  pode-se até pensar que Deus esqueceu do povo. Mas não é verdade. Deus nunca se esquece dos seus filhos. Ele chora, sofre, lamenta e intervém. Mas o homem cheio de orgulho, de futilidade, avareza, ganância, deixou de acreditar no Deus da vida, no Cristo esposo fiel à sua igreja, no Senhor libertador. O homem criou novos deuses para seguir, porque não tem aptidão para cobrar resultado. Ou seja, o homem criou deus morto e sem vida.
Assim, o homem deve ter uma relação de cumplicidade, relação de reciprocidade na comunidade e na família. A coletividade deve ser o espelho para o bem da comunidade e também da família. Quando um se preocupa com o outro há um equilíbrio nas relações, assim todos participam do mesmo espaço voltado para uma crença singular no Cristo Verdadeiro.
Neste contexto pode-se até perguntar: você acredita no seu Deus ou tem dúvidas? Você tem razões para seguir o seu Deus pela sua bondade, misericórdia e justiça ou você segue o seu  Deus por obrigação? Foi mais ou menos com estas palavras que Jesus voltou para seus discípulos e disse: “Vós também vos quereis ir embora?” (v. 68). Claro que Simão Pedro não aprovou a idéia de Jesus. Simão Pedro disse: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o santo de Deus” (v. 69)
Simão Pedro tinha compreendido que Jesus falava bravamente para fazer o povo compreender o sentido da vida. Entretanto, a visão de Jesus diferenciava do pensar mundano. O homem egoísta pensava individualmente, não tinha objetivo da coletividade. Jesus pensava a libertação, pensava o Todo, pensava à harmonia. Porém, seguir o plano de Jesus era dar o rosto a tapas ao opositor,  era colocar em xeque a vida boa de explorador. Fazer o que Jesus pedia era renunciar as coisas do mundo e enfrentar o império organizado.
Por isso muitos seguidores de Jesus abandonaram o barco. Deixou Jesus com os dozes. Fizeram isto por não ter a coragem e nem a fé no Salvador em enfrentar o mundo das cobras. Fracassaram diante da missão.
Jesus falava com veemência, mas falava certeiramente. Sabia onde atacar e dava exemplo de vida e de persuasão. Não hesitou em fraquejar diante das dificuldades, até diante das tentações sobressaiu maravilhosamente. Soube trabalhar a missão de salvar o homem do pecado.
Hoje, sem sombra de dúvidas, os corajosos são os catequistas. Eles são os missionários, profetas, animadores que alimentam nas crianças o desejo de conhecer a doutrina da igreja e ensina a amar cada vez mais o Deus. Os catequistas buscam força nos discípulos que seguiam o Mestre  por amor. Fazia tudo que Mestre mandava.
Neste domingo dedicado ao catequista  deve ser louvado pela sua vocação. Eles deixam seus afazeres para dedicar uma parte do tempo a ensinar  o verdadeiro ensinamento de Cristo. São exemplos a serem cultivados. 
Quantos de nós não nos lembramos dos catequistas. Muitos têm apreço por ter colocado no seio de cada um o despertar para o amor a igreja, o amor a Deus, o amor à partilha, o amor a vontade de ajudar o outro. Não tem como se esquecer das primeiras orações que nos ensinaram. São orações que andam juntas  para sempre em nossa vida.
Jamais se pode esquecer-se dos primeiros catequistas que foram os pais. Eles são os verdadeiros amores de  vida que animaram os primeiros passos à igreja. Deu tudo de bom e colocou a disposição para ajudar nos momentos mais difíceis. Somos gratos a eles eternamente.
Portanto, caro leitor, lembre-se que as palavras de vida são eternas, como o Senhor bondosamente interferiu no sofrimento do povo do Egito o salvou, deve-se cada um buscar o Deus perfeito a  todo instante e jamais duvidar da sua existência. Bom domingo e fique na paz de Cristo, Amém!
Claudinei M. Oliveira
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PALAVRA DE VIDA ETERNA
Dom Henrique
Nenhum cristão jamais poderá dizer que foi enganado pelo Senhor! Deus nunca se mascarou para nós, nunca nos falou palavras agradáveis para nos seduzir, nunca agiu como os nossos políticos; Deus não usa botox! Ele é um Deus verdadeiro, leal, honesto! Não esconde suas exigências, não omite suas condições para quem deseja segui-lo e servi-lo...
Escutamos na primeira leitura de hoje Josué mandando o povo escolher: seguir os ídolos, que são de fácil manejo, que não exigem nada ou, ao invés, seguir o Senhor, que é exigente, que é Santo e corrige os que nele esperam? O próprio Josué dirá: “Não podeis servir ao Senhor, pois ele é um Deus santo, um Deus ciumento, que não tolerará as vossas transgressões, nem os vossos pecados!” (Js. 24,19) Vede, meus caros, que o nosso Deus não se preocupa com popularidade, não faz conta do número de fiéis, não abranda suas exigências para ser aceito, mas sim, faz conta da fidelidade ao seu amor e ao seu chamado!
O que aparece na primeira leitura torna-se ainda mais claro e dramático no evangelho. Após dizer claramente que sua carne é verdadeira comida e seu sangue é verdadeira bebida, muitos discípulos se escandalizaram com Jesus (os protestantes ainda hoje se escandalizam e não crêem na palavra do Salvador...). E Jesus, o que faz? Muda sua palavra? Volta atrás no ensinamento para ser popular, para ser compreendido e aceito, para encher as igrejas? Não! Popularidade, aceitação, bom-mocismo nunca foram seus critérios! Ainda que sua palavra escandalize, ele nunca volta atrás. O Senhor nunca se converte a nós; nós é que devemos nos converter a ele! Pode-se manipular os ídolos; nunca o Deus verdadeiro!
É importante prestar atenção! Diante dos discípulos escandalizados e murmuradores, que faz Jesus? Apresenta o critério decisivo: a cruz. Escutai, irmãos, o que diz o Senhor: “Isto vos escandaliza? E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes?” Lembremo-nos que, para o Evangelho de São João, a subida de Jesus para o Pai começa na cruz: ali ele será levantado! Vede bem, meus irmãos, que não poderá seguir o Senhor, não poderá suportar as palavras do Senhor, aquele que não estiver disposta a contemplá-lo na cruz! E Jesus previne: “O Espírito é que dá vida; a carne não adianta nada! As palavras que vos falei são Espírito e vida!” Compreendei: somente se nos deixarmos educar pelo Santo Espírito, somente se deixarmos os pensamentos e a lógica à medida da carne, isto é, à medida da mera razão humana, é que poderemos compreender as coisas de Deus, coisas que passam pela cruz de Cristo! Quando se trata do escândalo do Evangelho, “a carne não adianta nada”! Não nos iludamos: entregues à nossa própria razão, pensaremos como o mundo e jamais acolheremos Jesus e suas exigências! E, no entanto, o Senhor continua: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim a não ser que lhe seja concedido por meu Pai!” Vede bem, meus caros: acolher Jesus, compreender suas palavras e acolhê-las, por quanto sejam difíceis e duras, é graça de Deus e somente abertos para a graça poderemos realizá-lo! Como acolher a linguagem da cruz, sem mudar de vida? Como acolher as exigências do Senhor, sem a conversão do coração, sem nos deixarmos guiar pela imprevisível liberdade do Santo Espírito? Quando isso acontece, experimentamos como o Senhor é bom, o quanto é suave, o quando é doce segui-lo!
Um belíssimo exemplo disso, a Palavra de Deus nos dá hoje recordando a vida da família cristã. São Paulo pensa o lar cristão como uma pequena comunidade de discípulos de Cristo, uma pequena Igreja e dá conselhos estupendos! O sentimento que deve nortear o comportamento familiar é o amor. Que amor? O das músicas e das novelas? Não! Aquele amor manifestado na cruz, aquele entre Cristo e a Igreja! Que beleza, que desafio, que sonho: marido e mulher se amando como Cristo e a Igreja se amam, marido e mulher sendo felizes na felicidade um do outro: “Sede solícitos uns para com os outros!” 
Para o cristianismo, meus caros, a família cristã não é primeiramente uma instituição humana, mas uma instituição divina, um sacramento da Igreja. Mais ainda: a família é a primeira Igreja, a primeira comunidade de irmãos em Cristo. Ali, é Jesus quem deve reinar, ali é o santo e doce temor de Deus quem deve regular a convivência. Que desgraça hoje em dia a paganização, a secularização, a banalização da família cristã. Atentos, cristãos: a família é santa, a família é sagrada, a família não pode ser profanada pelo desamor, pela indiferença, pela imoralidade, pela violência, pelo consumismo, pela opressão, pela divisão, pela vulgarização! Que beleza, meus caros, um homem e uma mulher unidos no amor com a bênção do Senhor gerando filhos, gerando amor feito carne, feito gente, para o mundo, para a Igreja, para a vida! Este é o sonho do Senhor para a família! Este e só este! Aos olhos de Deus, não há outra forma legítima e aceitável de união familiar! Um homem, uma mulher; um esposo, uma esposa e os filhos – eis o sonho, eis a bênção, eis a felicidade quando se vive isso de acordo com o amor de Deus em Cristo! Que bênção a convivência familiar! Que doçura poder partilhar as alegrias e tristezas, as lutas e dificuldades num lar cristão, onde juntos se rezam, juntos partilham, juntos vencem-se as dificuldades! São Paulo, encantado com essa realidade, exclama: “É grande este mistério!” Que mistério? O mistério do amor entre marido e mulher, da sua união que gera vida, que é doçura e complementaridade. E o Apóstolo continua: “E eu o interpreto em relação a Cristo e à Igreja!” Atenção! São Paulo está dizendo que a comunhão familiar é imagem da comunhão entre Cristo e a Igreja!
É fácil, caríssimos, viver a família assim? Não! Como não é fácil levar a sério a Palavra do Senhor! E Jesus, mais uma vez, nos pergunta: “Isto vos escandaliza?” Escandaliza-vos o matrimônio ser indissolúvel? Escandaliza-vos a fidelidade conjugal? Assusta-vos o dever de gerar filhos com generosidade e educá-los com amor e firmeza? “Quereis também ir embora?”
Que nossa resposta seja a de Pedro, dada em nome dos Doze e de todos os discípulos: “A quem iremos, Senhor? Caminhar contigo não é fácil; acolher tuas exigências nos custa; compreender teus motivos às vezes é-nos pesado... Mas, a quem iremos? Só tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus!”. Que as palavras de Pedro sejam as nossas e, como Josué, possamos dizer: “Eu e minha família serviremos o Senhor!”
Escolher a Deus – um Deus difícil! Os ídolos são fáceis e muitos!
O Senhor é exigente; e não volta atrás na sua palavra, mesmo quando essa escandaliza. O critério é a cruz (o Filho do homem subindo e julgando). Somente pode compreendê-lo no Espírito, a carne não serve aqui! – Ser cristão não é questão de propaganda ou munganga: é graça; é o Pai quem atrai!
Muitos já não andavam mais com ele... Quereis ir embora?
Senhor, só tu tens palavras de vida eterna: és o Santo de Deus!
Provai e vede quão suave é o Senhor!
Uma família que serve o Senhor: a lei que regula é o amor, o mesmo que se contempla na entrega de Cristo, selando a aliança com a Igreja.
dom Henrique Soares da Costa

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Senhor, a quem iremos?

Os textos da liturgia de hoje sugerem que, se não servimos a Deus de livre vontade, o serviço pode resultar em hipocrisia. Deus deseja que o sirvamos de todo o coração, mas isso só será possível se fizermos opção consciente por ele. A opção por Deus traz como consequência novas formas de relacionamento com o próximo, a começar em casa. Isso significa que o cristianismo não se separa das relações que constituem a vida humana.
Evangelho (Jo 6,60-69): Vós também quereis ir embora?
Depois de todos terem visto o sinal do pão e ouvirem o discurso, chegou a hora da decisão da fé: aderir ou rejeitar Jesus como enviado de Deus. A decisão não é apenas da multidão, mas dos discípulos também. É decisão definitiva, porque, a partir daí, os que estão com Jesus também devem participar de seu destino.
A palavra de Jesus é muito dura. Somente a fé naquele que pode dar a vida eterna capacita para enfrentar a dureza dessa palavra.
Não se trata apenas de ouvir, mas de escutar prontamente para realizar na vida aquilo que se escuta de Deus. No caso, o que eles escutaram diz respeito à adesão incondicional dos discípulos à vida de Jesus. E se isso os escandaliza, o que dirão quando acontecer seu retorno ao Pai? É assim que Jesus concebe sua morte na cruz: como retorno para o lugar de onde veio, para o seio do Pai.
O contraste entre carne e espírito refere-se a duas formas de viver. A carne diz respeito ao ser humano entregue a si mesmo e aos limites de suas possibilidades. Por si mesmo é incapaz de perceber o sentido profundo das palavras e dos sinais de Jesus ou de crer. Por isso, é o espírito a força que ilumina o ser humano, lhe abre os olhos e lhe permite discernir a Palavra que se diz em Jesus. Não são duas dimensões do ser humano, mas duas maneiras de viver sua existência. Nem todos os discípulos estão se deixando conduzir pelo espírito, por isso não conseguem dar o próximo passo: a fé.
A verdadeira fé significa adesão sem reserva àquele cujas palavras prometem e comunicam a vida eterna: ele é efetivamente o enviado que Deus consagrou.
Simão Pedro, representante da comunidade, confessa sua fé em Jesus, dizendo que só ele tem palavras de vida eterna. A quem iremos? Quem poderia nos oferecer uma vida plena, reconciliada com Deus, cuja existência humana é sustentada com seu amor? Só Jesus.
1ª leitura (Js. 24,1-2a.15-17.18b): Escolhei
hoje a que deus quereis servir Siquém ocupa lugar de destaque na história
dos patriarcas, pois foi por ali que Abraão entrou na terra prometida (Gn. 12,6), rompendo com o passado e recomeçando uma vida nova que se caracterizava pela adoração ao Deus vivo e verdadeiro e pela renúncia ao politeísmo. Nada melhor que fazer a renovação da aliança naquele lugar; com esse objetivo, Josué reuniu ali os representantes das tribos. Antes de tudo, era necessário fazer uma escolha: a quem desejam adorar?
Ao Deus que os tirou do Egito ou aos deuses estrangeiros aos quais Abraão, Isaac e Jacó haviam renunciado?
Os hebreus responderam à pergunta de Josué de modo enfático, mostrando a opção
deles por servir o Senhor em vez dos ídolos. A expressão “Deus nos livre” ressalta o horror à idolatria; adorar os ídolos em vez do Senhor é algo absurdo e não deve ser cogitado em hipótese alguma.
A razão dada para a escolha é que eles provaram do cuidado e atenção que Deus teve para com eles, tirando-os da escravidão e guardando-os durante todo o caminho até ali.
2ª leitura (Ef. 5,21-32): Cristo amou a Igreja e se entregou por ela
Escrita no século I d.C. sob o império romano, uma sociedade dividida em castas, com senhores e escravos, e em que a posição da mulher dependia da decisão do marido, a carta aos Efésios mostra-se rica em sabedoria, porque se aproveita de elementos desse contexto histórico e cultural para ensinar sobre o relacionamento entre Cristo e a Igreja, ao mesmo tempo que instrui sobre como deve ser a nova forma de os cristãos construírem seus relacionamentos naquela sociedade.
Primeiramente deve haver subordinação de uns para com os outros. Assim ninguém tomará o lugar de Deus, pois o motivo dessa subordinação é a reverência ao Senhor. O termo grego correspondente a “subordinai--vos” não é pejorativo; ao contrário, é termo militar que significa estar sob as ordens (ou sob a orientação) de um oficial imediato. Esse termo iguala a todos, pois cada um está sob as ordens de outro, e ao mesmo tempo sugere que há funções diferentes. A expressão “reverência ao Senhor” significa que Deus está acima de qualquer autoridade e que somente a ele e não a outro se deve adorar.
No texto de hoje temos uma das mais belas (e menos compreendidas!) analogias paulinas, comparando a relação entre esposo e esposa ao relacionamento entre Cristo e a Igreja. Há alguns elementos sobre os quais a analogia está estruturada que nos ajudam a melhor entendê-la: (1) a esposa deve estar subordinada ao esposo; (2) destaca-se que o motivo dessa subordinação é Cristo e não o marido, ao contrário do que se pensava naquela época; (3) a esposa representa a Igreja e o esposo representa Cristo, o que significa que a subordinação da esposa é imagem da subordinação da Igreja a Cristo; (3) o esposo deve amar a esposa como Cristo amou a Igreja, isto é, o esposo deve dar a vida pela esposa até a cruz. Como naquela sociedade a responsabilidade maior era a do marido, assim também a maior exigência é feita a ele e não à esposa.
Enfim, todos somos membros do mesmo corpo, um não é maior que o outro, embora
haja diversas funções. Além disso, esposo e esposa constituem uma única carne, da mesma forma que a Igreja é corpo de Cristo.
O mistério da união entre Cristo e a Igreja é muito grande e não há palavras para defini-lo.
A analogia com o matrimônio é apenas uma tentativa de compreendê-lo melhor (v. 32) para melhor servir no reino de Deus.
Pistas para reflexão
– Encerramos o mês vocacional com textos que enfatizam o valor da opção consciente e instruída. No mundo de hoje, o cristianismo deve ser fruto de uma escolha muito mais que antigamente, pois, no tempo da comunidade primitiva, muitas vezes a família determinava as decisões dos filhos. Hoje, isso já não é possível.
A Igreja deve ter a coragem de perguntar a seus membros se têm certeza de que realmente querem continuar a ser cristãos católicos.
Além de mostrar que a vivência cristã é fruto de uma escolha, de uma decisão pessoal, a Igreja deve oferecer formação às pessoas para que conheçam e entendam mais profundamente o cristianismo católico e assim possam dar uma resposta mais consciente e segura.
– No domingo que vem começará o mês dedicado à Bíblia. Trata-se de ótima oportunidade para que a Igreja tenha membros mais conscientes, mais bem formados na palavra de Deus e mais seguros da decisão de serem cristãos católicos.

Aonde vou, meu Jesus?
Dona Judite queria abandonar de vez a Igreja. Ela era uma mulher de Igreja. Fazia de tudo: coordenava as celebrações, era do Apostolado da Oração, tinha sido ministra da eucaristia nos dois últimos anos. Um dia teve uma discussão com seu Antônio, o presidente da comunidade, por causa de uma coisa à toa. Foi porque seu Antônio não deixara a filha de dona Judite cantar o salmo na missa do padroeiro.
Ali só havia missa de vez em quando, uma vez por mês, e ainda havia mês em que o padre não aparecia, por ter de participar de alguma reunião. Assim, aquela missa do padroeiro seria especial. Além do padre, estaria lá o bispo, que vinha de longe. Judite achava que era um dia bonito para sua filha Bernadete cantar o salmo. Mas não, ela não fora escolhida. O presidente da comunidade tinha pedido que outra pessoa lesse! Por isso, dona Judite saiu da reunião pensando em deixar a Igreja de vez. Iria procurar outra religião, ou ficar sem religião. Ficou pensando que aquilo que seu Antônio fizera não era certo. Bernadete ficaria muito chateada quando soubesse, porque, na opinião da mãe, a filha era a melhor cantora das redondezas.
Dona Judite estava quase indo dormir quando olhou para a parede da sala e viu lá o quadro do Coração de Jesus. Era um quadro antigo. Tinha sido de sua avó. Quantos terços e ladainhas tinha rezado ali, em frente daquele quadro! Quantas vezes tinha chorado olhando para o Coração de Jesus, pedindo graças, implorando paciência com situações difíceis… Sentiu vontade de cantar aquela música, que aprendeu pequenininha: “Coração santo, tu reinarás, tu nosso encanto sempre serás…”. Cantou com vontade. Lembrou-se de tanta coisa bonita que tinha vivido na comunidade, da visita que fazia aos doentes, das novenas, da alegria de rezar o terço nas casas, do estudo bíblico, da pastoral da criança. Olhou para o quadro e pensou: “Não quero ficar longe de Jesus! Não vou abandonar a fé que recebi de minha família por causa de uma coisa tão pequena!” Então rezou: “Senhor, liberte meu coração de toda mágoa! Ajude-me a entender que a verdadeira palavra eu só encontro perto de você, que está tão vivo em minha comunidade, apesar de nossos pecados.”
padre Claudiano Avelino dos Santos, ssp



A quem iremos?

Jesus acabara de deixar claro aos discípulos que só é seu seguidor de verdade quem consegue se alimentar dele, o Pão da Vida, assimilando e assumindo seu modo de viver. Uma exigência nada fácil, que convocava a um compromisso de fé para toda a vida.
Os discípulos reclamam das “palavras duras” de Jesus. Mas ele não muda o discurso. Se o Espírito é que dá a vida, mudar o discurso e suavizar sua exigência seria trair a missão que o Pai lhe havia confiado. Seguir Jesus é, no fundo, um ato de fé no Deus que se doa e quer ser alimento para todos. Sem a fé, as exigências de Jesus não serão mais que “palavras duras”, impossíveis de seguir.
Os discípulos que abandonam Jesus nos levam a pensar nas opções fundamentais que fazemos na vida. Encontramo-nos com Jesus na oração, alimentamo-nos dele na eucaristia, ouvimos sua palavra… Mas e nosso compromisso com ele? Estamos realmente reconhecendo o Mestre nos acontecimentos, deixando que sua palavra se faça viva em nós?
Jesus não fez pesquisa de mercado para saber o que deveria anunciar a fim de conseguir o maior número de seguidores. Não pregou a prosperidade material e individual, mas o árduo compromisso para que, construindo comunidades, seus seguidores continuassem a trazer vida para o mundo.
Uma religião suave, de descompromisso com a vida de quem sofre, não é a religião de Jesus. Podemos até torcer suas palavras e suavizar seu discurso, em busca de uma paz interior, de uma consciência tranquilizada. Mas as palavras de Jesus, autenticamente, continuarão a ser como espada afiada, a exigir de nós um “sim” fundamental de vida, e não um “talvez” ou “quem sabe” de uma religião de comodismo.
A afirmação de Pedro é o reconhecimento fundamental de que em Jesus se encontra a vida sem fim e de que segui-lo com fé é permitir que seu Espírito continue gerando vida para o mundo. Num mundo faminto de pão e carente de vida, queremos professar que ninguém, além de nosso Mestre, pode saciar nossa fome mais profunda. Afinal, a quem poderíamos ir, senão à Fonte da Vida?
padre Paulo Bazaglia, ssp

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“A quem iremos Senhor?”
Estamos terminando a leitura do Sermão do Pão da vida do evangelho de João. Conhecemos quase de cor tudo aquilo que foi sendo lido ao longo dos domingos de agosto. Jesus se apresenta como alimento da vida dos seus. Não somente no pão da eucaristia, mas com toda sua vida e sua fala, seu testemunho e o testemunho que dele dá o Pai. Os ouvintes  experimentaram dúvidas a respeito da fala de Jesus. Não entendiam essa questão de dar a carne pelos seus, dar a vida pelos seus. “A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele”. Jesus exige uma postura corajosa dos apóstolos.  Coloca a questão:  “Vós também quereis ir embora?”
Muitos de nós conhecemos Cristo em nossas famílias e no tempo da preparação para  Primeira Eucaristia. Pode ter acontecido que, por felicidade, tenhamos tido a oportunidade de aprofundar nosso conhecimento do Senhor e tenhamos mesmo chegada a uma vida de seguimento do Senhor… A fidelidade exige coragem, requer firmeza no tempo que passa e  audácia para superar as provações. Nesses momentos pode ser que a figura de Jesus, que o horizonte da fé nos pareçam fluidos e  venhamos a ter a tentação de deixar de ouvir o Senhor.  A fidelidade é sempre uma virtude difícil de ser profundamente vivida.
A primeira leitura do deste domingo é tirada do Livro de Josué.  O líder do povo tem a impressão que muitos querem abandonar o Senhor.  Se seus ouvintes não estão dispostos a seguir o Senhor, que tomem outro caminho: “Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses aos quais vossos pais serviram na Mesopotâmia ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais..  Quanto a mim e à minha família serviremos ao Senhor”. Josué declara solenemente  que não abandonará a fé.  Belíssima a resposta do povo: “Longe de nós abandonarmos o Senhor para servir a deuses estranhos…ele nos tirou da terra do Egito… nos guardou por todos os caminhos por onde peregrinamos e no meio de todos os povos pelos quais passamos. Portanto, nós também serviremos ao Senhor, porque ele é o nosso Deus”. O povo confirma seu desejo de ser um povo do Senhor.
Encontramos a mesma postura na figura de Pedro no final do evangelho do Pão da Vida. Quando Jesus  deixa liberdade para que os apóstolos se afastem como muitos discípulos tinham feito, ouvimos a palavra forte e luminosa de Pedro: “A quem iremos, Senhor?   Só tu tens palavras de vida eterna.  Nós cremos  firmemente e reconhecemos que tu és o santo de Deus”.
Cabe a cada um de nós, diante da fragilidade de cada um e das exigências da fé responder à pergunta de Jesus: “Quereis ir… quereis  fazer vossa vida de outro modo?”
frei Almir Ribeiro Guimarães
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A quem iríamos, senão a Jesus?

“Comer e beber minha carne e meu sangue” (evangelho) são “palavras duras”, não só por sua significação teológica, mas também por suas conseqüências: implicam em aceitar Jesus sacrificado como alimento, recurso fundamental, de nossa vida. Isso era duro para os que puseram sua esperança num messias político-nacional. Exatamente porque pensavam em categorias “carnais”, não podiam aceitar um messias que viesse numa “carne” humilde e aniquilada, um messias alheio aos sonhos teocráticos deles. Menos ainda poderiam aceitar que esta “carne” fosse a manifestação da “glória” (6,62). Se esta é a glória de Deus… não precisam dela. Contudo: “A Palavra tomou-se carne e nós contemplamos sua glória” (1,14). A glória do Cristo é a cruz: nela, ele atrai a si todos os que se deixam atrair pelo Pai (cf. 12,32; 6,44).
Mas, também para nós, as palavras do Cristo são difíceis de aceitar. Sua “carne” é bastante incompatível com nossa sede de sucesso. Sua “glória”, por outro lado, a con­fundimos com a visibilidade efêmera do espetáculo religioso. Somos incapazes de imaginar a “subida” ao Pai daquele que viveu a condição de nossa carne até seus mais profundos abismos. Será que já imaginamos alguma vez um destes homens sofridos, quebrados, anti-higiênicos, porém radicalmente autênticos e bons que vivem em nosso redor como sendo o nosso “senhor”? Talvez consigamos ter pena de tais homens, mas admirá-los e tomá-los como guia de nossa vida … A glória é ainda mais escandalosa do que a carne.
Não adianta. Com categorias “carnais”, humanas, não chegamos a essa outra vi­são sobre a “carne” da Palavra. A “carne” não resolve. Precisamos de um impulso que venha de fora de nós. O “espírito”, a força operante, a inteligência atuante de Deus, nos levará a acolher o mistério do escravo glorificado. Jesus mesmo nos transmite esse es­pírito (10 3,34), e sua “exaltação” é a fonte desse dom (7,39). Suas palavras são “espíri­to e vida” – espírito da vida (6,68; cf. 6,63). Só entregando-nos à sua palavra (isto é, aplicando-a em nossa vida), poderemos experimentar que ele é fidedigno. Ou seja, o “espírito” que há de superar o que nossas categorias demasiadamente humanas recu­sam vem do próprio “objeto” de nosso escândalo. Não é como conclusão de um teore­ma que seu espírito penetra em nós, mas como conseqüência de uma arriscada decisão e opção. É essa opção que Pedro pronuncia, vendo a insuficiência de qualquer outra so­lução: “A quem iríamos … “.
A 1ª leitura ilustra o caráter de tal opção pelo exemplo de Josué: a escolha que Jo­sué apresenta aos israelitas do séc. XII a.C. (entre Javé, que os libertou do Egito, e os deuses da Mesopotâmia, supostos fornecedores de fecundidade etc.), escolha que os autores bíblicos apresentam a seus contemporâneos, no tempo da ameaça assíria e da deturpação da fé pelos cultos dos baalim (10).  A escolha entre um Deus que provou seu amor e fidelidade e deuses que devem sua “existência” aos mitos que os homens criam em redor deles. Essa opção se apresenta a nós também: optaremos por aquele que “deu a vida”, em todos os sentidos, ou pelos ídolos pelos quais tão facilmente damos nossa vida, sem deles recebermos a gratificação que prometem: sucesso, riqueza, poder.
A 2ª leitura de hoje é muito rica, mas não combina com as duas outras. Porém, por ser sua mensagem tão importante, sobretudo num tempo em que o caráter santificante do amor conjugal e familiar é praticamente desconsiderado, seria bom reservar na li­turgia um momento à parte para proporcionar também esta mensagem aos fiéis, talvez no envio final, como uma das maneiras para encarnar a opção por aquele que tem as pa­lavras da vida eterna …
(10). Para bem entendermos o trecho, ajuda o conhecimento de sua origem literária. Faz parte da “historiografia deuteronomista”, ou seja, da história de Israel escrita em função do movimento profético dos séculos VII e VI a.C. (que promoveu também o livro do Dt). Este movimento de­nunciava com força o perigo do comprometimento de Israel com os deuses e os príncipes das an­tigas populações cananéias e estrangeiras.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Senhor, a quem iremos nós?
Neste Evangelho, João analisa as atitudes dos próprios seguidores de Jesus diante do longo discurso sobre o Pão da Vida, que lhes impõe fazer a adesão, ou não, a Cristo.
Os judeus e muitos discípulos que O ouviram estavam incomodados com as últimas palavras pronunciadas e, naquele momento, crescia a crise de fé entre eles que reclamavam, como entender a dureza das palavras de Jesus? Muitos não tiveram forças para aceitá-Lo e foram embora. Outros exclamavam.
O questionamento surge da dificuldade em aceitar Jesus como alimento, Pão da Vida, somando-se o escândalo das palavras de Jesus quando diz da subida do Filho do Homem ‘para onde estava antes’. A primeira subida será a elevação de Jesus em uma cruz no topo de uma colina, no Gólgota. E a outra, definitiva, por ocasião de sua ascensão aos céus depois de quarenta dias da sua ressurreição. Porém, eles não tinham sabedoria e se sentiam fracassados, por isso se dispersaram.
O discurso duro de Jesus quer mostrar que a conversão é uma atitude de dureza, uma opção de renúncia de si mesmo que causa dor e sofrimento também. Ele sabia que seus seguidores estavam reclamando e, mesmo assim, não amenizava as suas expressões, ao contrário, pedia a fé. Muitos não acreditavam Nele, e Ele já conhecia os que iriam abandoná-Lo e, até mesmo, traí-Lo.
O Mistério de Cristo é único e indivisível: ou O aceitamos integralmente, ou rejeitando-Lhe uma parte, O negamos por completo. Não existe outro termo e este é o momento de tomar decisão!
Pedro é um modelo de discípulo que segue Jesus e acredita Nele. Judas é o outro modelo de discípulo que permanece no grupo, porém, dividido entre o bem e o mal e, em breve, decidirá sua posição.
O verdadeiro discípulo é caracterizado como aquele que precisa estar decidido a aderir a Cristo, o qual Deus dá a fé e o Espírito Santo, e se torna capaz de afirmar que Jesus é o Filho de Deus, julgando segundo o Espírito e não segundo a carne. Mas estes são poucos!
A Eucaristia e a cruz são pedras de tropeço, o mesmo mistério que gera divisões. E Jesus não vai atrás dos que partiram, e questiona os Doze que ainda lhe são fiéis: _ Vocês também querem ir embora? E Pedro, que responde em nome dos Doze e dos fiéis de todos os tempos que crêem, afirma que não há outro modo de encontrar o sentido da vida a não ser seguindo o próprio Jesus, o Santo de Deus – Aquele que Deus ungiu com o Espírito Santo e poder para ser manifestado a Israel como o Messias, e que por suas Obras e Palavras será conhecido como o “Santo de Deus”.
Crer é pôr-se a caminho atuando a prática de Jesus.

Após um debate com os judeus que se escandalizavam com as palavras de Jesus sobre o "pão descido do céu", são os próprios discípulos que murmuram por causa destas palavras. No prólogo do Evangelho, temos o anúncio de que "o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14). Agora Jesus associa a "carne" às suas palavras, que são Espírito e vida. A encarnação é grandiosa na revelação da carne unida perfeitamente ao Espírito de Deus, em Jesus. E é o Espírito que dá a vida que vem do Pai e leva ao Pai.
O tema da incompreensão de Jesus por parte dos discípulos é uma constante nos Evangelhos. Agora, alguns abandonam Jesus. São os que esperam dele sinais de poder e mostram-se insensíveis aos seus sinais de amor e compaixão. Escandalizam-se com as palavras de Jesus ao se apresentar como enviado pelo Pai do céu para comunicar a vida eterna. Porém Pedro, em nome dos demais, confirma sua fé e perseverança: "Tu tens palavras de vida eterna". Ir a Jesus é viver o amor e a unidade em todas as situações de nossa vida, em comunhão com todos, principalmente com os mais fracos e excluídos, conscientes de que somos todos membros do corpo de Cristo (cf. segunda leitura). Na primeira leitura, temos a proclamação da fidelidade das tribos de Israel em servir o Senhor, sob o comando de Josué.
padre Jaldemir Vitório

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O Espírito é que dá a vida
No dia seguinte à partilha dos pães com a multidão na montanha, dirigindo-se àqueles que vinham a ele, Jesus propõe, a partir da imagem do maná do deserto, que trabalhem, "não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece para a vida eterna" (Jo 6,27). É a rejeição do empenho em acumular bens e riquezas neste mundo, mas trabalhar nas obras do Pai, que são a promoção da vida. A seguir, Jesus se proclama como o pão descido do céu, dado como alimento para a vida do mundo, completando com a declaração: "Quem come deste pão viverá eternamente". Tal proclamação, que revela a origem divina de Jesus, provoca incompreensão e murmurações entre os judeus (Jo 6,41.52).
Agora, são os próprios discípulos que, também, murmuram por causa destas palavras. Estes são os que esperam de Jesus sinais de poder e são insensíveis aos seus sinais de amor e compaixão. Nos quatro evangelhos é frequente a referência à incompreensão dos discípulos em relação à missão de Jesus.
João, no seu evangelho, narra, então, o diálogo de Jesus com os discípulos e com Pedro, concluindo o longo discurso que tem como tema o pão da vida eterna. Jesus lhes afirma: "O Espírito é que dá a vida. A carne para nada serve. As palavras que vos falei são espírito e vida".
No prólogo do evangelho de João, temos o anúncio de que "o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14). A encarnação é grandiosa na revelação da carne unida perfeitamente ao Espírito de Deus, em Jesus. E é o Espírito que dá a vida que vem do Pai e leva ao Pai. A comunhão com a vida neste mundo é a comunhão com o Espírito, na vida eterna de Deus. As palavras de Jesus "são Espírito e são vida". Ir a Jesus, por dom do Pai, é viver o amor e a unidade em todas as situações de nossa vida, em comunhão com todos, principalmente com os mais fracos e excluídos, conscientes de que somos todos membros do corpo de Cristo (cf. segunda leitura).
Contrastando com aqueles que abandonaram Jesus, temos a expressiva confissão de fé de Pedro, que se torna uma oração para nós: "A quem iremos, Senhor: Tu tens palavras de vida eterna...".
Na primeira leitura temos a proclamação da fidelidade das tribos de Israel, sob o comando de Josué, em servir o Senhor. Contudo, na ideologia do Primeiro Testamento, a proteção divina se manifesta em expulsar os povos que ocupavam a "terra prometida", para que esta seja ocupada pelo "povo eleito".
José Raimundo Oliva
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A liturgia do 21º domingo do tempo comum fala-nos de opções. Recorda-nos que a nossa existência pode ser gasta a perseguir valores efêmeros e estéreis, ou a apostar nesses valores eternos que nos conduzem à vida definitiva, à realização plena. Cada homem e cada mulher têm, dia a dia, de fazer a sua escolha.
Na primeira leitura, Josué convida as tribos de Israel reunidas em Siquém a escolherem entre “servir o Senhor” e servir outros deuses. O Povo escolhe claramente “servir o Senhor”, pois viu, na história recente da libertação do Egito e da caminhada pelo deserto, como só Jahwéh pode proporcionar ao seu Povo a vida, a liberdade, o bem estar e a paz.
O Evangelho coloca diante dos nossos olhos dois grupos de discípulos, com opções diversas diante da proposta de Jesus. Um dos grupos, prisioneiro da lógica do mundo, tem como prioridade os bens materiais, o poder, a ambição e a glória; por isso, recusa a proposta de Jesus. Outro grupo, aberto à ação de Deus e do Espírito, está disponível para seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida; os membros deste grupo sabem que só Jesus tem palavras de vida eterna. É este último grupo que é proposto como modelo aos crentes de todos os tempos.
Na segunda leitura, Paulo diz aos cristãos de Éfeso que a opção por Cristo tem consequências também ao nível da relação familiar. Para o seguidor de Jesus, o espaço da relação familiar tem de ser o lugar onde se manifestam os valores de Jesus, os valores do Reino. Com a sua partilha de amor, com a sua união, com a sua comunhão de vida, o casal cristão é chamado a ser sinal e reflexo da união de Cristo com a sua Igreja.
1ª leitura - Josué 24,1-2a.15-17.18b - AMBIENTE
O livro de Josué (de onde é tirada a nossa primeira leitura) abarca uma parte do séc. XII a.C., desde a época da entrada na Terra Prometida das tribos do Povo de Deus libertadas do Egito, até à morte de Josué. O livro oferece-nos uma visão muito simplificada da ocupação de Canaan: as doze tribos, unidas sob a liderança de Josué, realizaram várias expedições militares fulgurantes e apoderaram-se, quase sem oposição, de todo o território anteriormente nas mãos dos cananeus… Historicamente, contudo, as coisas não se passaram nem de forma tão fácil, nem de forma tão linear: é mais verosímil a versão apresentada no Livro dos Juízes e que fala de uma conquista lenta e difícil (cf. Jz 1), incompleta (cf. Jz 13,1-6; 17,12-16), que não foi obra de um povo unido à volta de um chefe único, mas de tribos que fizeram a guerra isoladamente.
O Livro de Josué, antes de ser um livro de história, é um livro de catequese. O objetivo dos autores deuteronomistas que o escreveram era destacar o poder imenso de Jahwéh, posto ao serviço do seu Povo: foi Deus (e não a capacidade militar das tribos) que, com os seus prodígios, ofereceu a Israel a Terra Prometida; ao Povo resta-lhe aceitar os dons de Deus e responder-Lhe com a fidelidade à Aliança e aos mandamentos.
O texto que nos é hoje proposto situa-nos na fase final da vida de Josué. Sentindo aproximar-se a morte, Josué teria reunido em Siquém (no centro do país) os líderes das diversas tribos do Povo de Deus e ter-lhes-ia proposto uma renovação do seu compromisso com Jahwéh. De acordo com Jos 24,15, Josué teria colocado as coisas da seguinte forma: “escolhei hoje a quem quereis servir… porque eu e a minha casa serviremos o Senhor”.
Na versão do autor deuteronomista a quem devemos esta notícia, Josué parece dirigir-se a um grupo de tribos que partilha uma fé comum em Jahwéh. Estaremos diante de uma assembléia que reúne essas “doze tribos” que, mais tarde (na época de David) vão constituir uma unidade nacional? Alguns biblistas pensam que não. Entre as tribos presentes não estaria certamente a tribo de Judá, já que os contactos entre Judá e a “casa de José” só se estabeleceram na época do rei David. A “casa” de Josué a que o texto se refere é certamente constituída pelas tribos do centro do país – Efraim, Benjamim e Manassés – que há muito tempo tinham aderido a Jahwéh e à Aliança. E as outras tribos, convidadas a comprometer-se com Jahwéh? Provavelmente, o convite a escolher entre “o Senhor” e os outros deuses (cf. Jos 24,14) dirige-se às tribos do norte do país que, sem dúvida, não abandonaram a Palestina desde a época dos patriarcas (e que, portanto, não viveram a experiência do Egito, nem fizeram a experiência de encontro com Jahwéh, o Deus libertador).
Talvez a “assembléia de Siquém” referida em Jos 24 seja a primeira tentativa histórica de estabelecer laços entre as tribos do centro da Palestina (Efraim, Benjamim e Manassés – as tribos que viveram a experiência do Egito, a libertação, a caminhada pelo deserto e a Aliança com Jahwéh) e as tribos do norte (Issacar, Zabulón, Neftali, Asher e Dan – tribos que nem sequer estiveram no Egito). A ligação far-se-ia à volta de uma fé comum num mesmo Deus. A união das diversas tribos do norte e do centro não se deu, contudo, de uma vez; mas foi uma caminhada lenta e progressiva, que só se completou muito tempo depois de Josué.
O ponto de partida para o texto que nos é proposto é o fato histórico em si (provavelmente, uma assembléia em Siquém, onde Josué propôs às tribos do norte que aceitassem Jahwéh como seu Deus). No entanto, o autor deuteronomista responsável por este texto pegou na notícia histórica e transformou-a numa catequese sobre o compromisso que Israel assumiu para com Jahwéh. O seu objetivo é convidar os israelitas da sua época (séc. VII a.C.) a não se deixarem seduzir por outros deuses e a manterem-se fiéis à Aliança.
MENSAGEM
Estamos, portanto, em Siquém, com “todas as tribos de Israel” (v. 1) reunidas à volta de Josué. Na interpelação que dirige às tribos, Josué começa por elencar alguns momentos capitais da história da salvação, mostrando ao Povo como Jahwéh é um Deus em quem se pode confiar; as suas ações salvadoras e libertadoras em favor de Israel são uma prova mais do que suficiente do seu poder e da sua fidelidade (cf. Jos 24,2-13).
Depois dessa introdução, Josué convida os representantes das tribos presentes a tirarem as devidas consequências e a fazerem a sua opção. É necessário escolher entre servir esse Senhor que libertou Israel da opressão, que o conduziu pelo deserto e que o introduziu na Terra Prometida, ou servir os deuses dos mesopotâmios e os deuses dos amorreus. Josué e a sua família já optaram: eles escolheram servir Jahwéh (v. 15).
A resposta do Povo é a esperada. Todos manifestam a sua intenção de servir o Senhor, em resposta à sua acção libertadora e à sua proteção ao longo da caminhada pelo deserto (vs. 16-18). Israel compromete-se a renunciar a outros deuses e a fazer de Jahwéh o seu Deus.
A aceitação de Jahwéh como Deus de Israel é apresentada, não como uma obrigação imposta a um grupo de escravos, mas como uma opção livre, feita por pessoas que fizeram uma experiência de encontro com Deus e que sabem que é aí que está a sua realização e a sua felicidade. Depois de percorrer com Jahwéh os caminhos da história, Israel constatou, sem margem para dúvidas, que só em Deus pode encontrar a liberdade e a vida em plenitude.
ATUALIZAÇÃO
¨ O problema fundamental posto pelo autor do nosso texto é o das opções: “escolhei hoje a quem quereis servir” – diz Josué ao Povo reunido. É uma questão que nunca deixará de nos ser posta… Ao longo da nossa caminhada pela vida, vamos fazendo a experiência do encontro com esse Deus libertador e salvador que Israel descobriu na sua marcha pela história; mas encontramo-nos também, muito frequentemente, com outros deuses e outras propostas que parecem garantir-nos a vida, o êxito, a realização, a felicidade e que, quase sempre, nos conduzem por caminhos de escravidão, de dependência, de desilusão, de infelicidade. A expressão “escolhei hoje a quem quereis servir” interpela-nos acerca da nossa servidão ao dinheiro, ao êxito, à fama, ao poder, à moda, às exigências dos valores que a opinião pública consagrou, ao reconhecimento público… Naturalmente, nem todos os valores do mundo são geradores de escravidão ou incompatíveis com a nossa opção por Deus… Temos, no entanto, que repensar continuamente a nossa vida e as nossas opções, a fim de não corrermos atrás de falsos deuses e de não nos deixarmos seduzir por propostas falsas de realização e de felicidade. O verdadeiro crente sabe que não pode prescindir de Deus e das suas propostas; e sabe que é nesse Deus que nunca desilude aqueles que n’Ele confiam que pode encontrar a sua realização plena.
¨ Israel aceitou “servir o Senhor” e comprometer-se com Ele, não por obrigação, mas pela convicção de que era esse o caminho para a sua felicidade. Por vezes, Deus é visto como um concorrente do homem e os seus mandamentos como uma proposta que limita a liberdade e a independência do homem… Na verdade, o compromisso com Deus e a aceitação das suas propostas não é um caminho de servidão, mas um caminho que conduz o homem à verdadeira liberdade e à sua realização plena. O caminho que Deus nos propõe – caminho que somos livres de aceitar ou não – é um caminho que nos liberta do egoísmo, do orgulho, da auto-suficiência, da escravidão dos bens materiais e que nos projeta para o amor, para a partilha, para o serviço, para o dom da vida, para a verdadeira felicidade.
¨ Josué, o líder da comunidade do Povo de Deus, tem um papel fundamental no sentido de interpelar o Povo e de testemunhar a sua opção por Deus. Não é um líder que diz belas palavras e apresenta belas propostas, mas que desmente com a vida aquilo que diz… É um líder plenamente comprometido com Deus e que testemunha, com a própria vida, essa opção. Josué poderia ser um exemplo para todos aqueles que têm responsabilidades na condução da comunidade do Povo de Deus em marcha pela história. O seu exemplo convida aqueles que presidem à comunidade do Povo de Deus a serem uma voz de Deus que interpela e que questiona aqueles que caminham ao seu lado; e convida também os responsáveis pelas comunidades cristãs a testemunharem com a própria vida aquilo que ensinam ao Povo.
2ª leitura – Ef. 5,21-32 - AMBIENTE
Continuamos a ler a parte moral e parenética da Carta aos Efésios (cf. Ef. 4,1-6,20). Nessa parte, Paulo lembra aos crentes a opção que fizeram no dia do seu batismo e que os obriga a viver como Homens Novos, à imagem de Jesus.
A vida desse Homem Novo que deixou as trevas e escolheu a luz deve traduzir-se em atitudes concretas. Por isso, Paulo enumera, a dado passo da sua reflexão, um conjunto de normas de conduta, através das quais se deve manifestar a opção que o crente assumiu no dia do seu batismo.
Na secção de Ef. 5,21-6,9 (a que o texto que hoje nos é proposto pertence), Paulo apresenta as normas que devem reger as relações familiares. De forma especial, Paulo refere-se aos deveres dos esposos, seguramente porque vê na sua união uma figura da união de Cristo com a sua Igreja. Trata-se de um dos temas mais importantes da teologia desenvolvida na Carta aos Efésios.
MENSAGEM
O nosso texto começa com um princípio geral que deve regular as relações entre os diversos membros da família cristã: “sede submissos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef. 5,21). O “ser submisso” expressa aqui a condição daquele que está permanentemente numa atitude de serviço simples e humilde, sem deixar que a sua relação com o irmão seja dominada pelo orgulho ou marcada por atitudes de prepotência. A expressão “no temor de Cristo” recorda aos crentes que o Cristo do amor, do serviço, da partilha é o exemplo e o modelo que eles devem ter sempre diante dos olhos.
Depois, Paulo dirige-se aos vários membros da família e propõe-lhes normas concretas de conduta. O texto que nos é proposto, contudo, apenas conservou a parte que se refere à relação dos esposos um com o outro (na continuação, Paulo falará também da conduta dos filhos para com os pais, dos pais para com os filhos, dos senhores para com os escravos e dos escravos para com os senhores – cf. Ef. 6,1-9).
Às mulheres, Paulo pede a submissão aos maridos, porque “o marido é a cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da Igreja, seu corpo” (v. 23). Esta afirmação – que, à luz da nossa sensibilidade e dos nossos esquemas mentais modernos parece discriminatória – deve ser entendida no contexto sócio-cultural da época, onde o homem aparece como a referência suprema da organização do núcleo familiar. De qualquer forma, a “submissão” de que Paulo fala deve ser sempre entendida no sentido do amor e do serviço e não no sentido da escravidão.
Aos maridos, Paulo recomenda que amem as suas esposas, “como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela” (vers. 25). Não se trata de um amor qualquer, mas de um amor igual ao de Cristo pela sua comunidade – isto é, de um amor generoso e total, que é capaz de ir até ao dom da própria vida. Para Paulo, portanto, o amor dos maridos pelas esposas deve ser um amor completamente despido de qualquer sinal de egoísmo e de prepotência; e deve ser um amor cheio de solicitude, que se manifesta em atitudes de generosidade, de bondade e de serviço, que se faz dom total à pessoa a quem se ama.
Neste contexto, Paulo desenvolve a sua teologia da relação entre Cristo e a Igreja, para depois tirar daí as devidas consequências para a união dos esposos cristãos… Cristo santificou a Igreja, purificando-a “no batismo da água pela palavra da vida” (v. 26). Há aqui, certamente, uma alusão ao batismo cristão (inspirada, provavelmente, nas cerimônias preparatórias do matrimônio, que contemplavam o “banho” da noiva antes de se apresentar diante do noivo), pelo qual Cristo edifica a sua comunidade e a purifica do pecado. O batismo é o momento em que Cristo oferece a vida plena à sua Igreja e em que a Igreja se compromete com Cristo numa comunidade de amor. A partir desse momento, Cristo e a Igreja formam um só corpo… Como Cristo e a Igreja formam um só corpo, do mesmo modo marido e esposa, comprometidos numa comunidade de amor, formam um só corpo: “por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua mulher e serão dois numa só carne” (v. 31). A expressão “uma só carne” aqui usada por Paulo não alude só à união carnal dos esposos, mas a toda a sua vida conjugal, feita de um empenho quotidiano na vivência do amor, da fidelidade e da partilha de toda a existência.
Este paralelismo estabelecido por Paulo entre a união de Cristo e da Igreja e o amor que une os esposos dá um significado especial ao casamento cristão: a vocação dos esposos é anunciar e testemunhar, com o seu amor e a sua união, o amor de Cristo pela sua Igreja. Dito de outra forma: a união dos esposos cristãos deve ser, aos olhos do mundo, um sinal e um reflexo do “mistério” de amor que une Cristo e a Igreja.
ATUALIZAÇÃO
¨ O compromisso com Jesus e com a proposta de vida nova que Ele veio apresentar mexe com a totalidade da vida do homem e tem consequências em todos os níveis da existência, nomeadamente ao nível da relação familiar. Para o seguidor de Jesus, o espaço da relação familiar tem de ser também o lugar onde se manifestam os valores de Jesus, os valores do Reino. Com a sua partilha de amor, com a sua união, com a sua comunhão de vida, o casal cristão é chamado a ser sinal e reflexo da união de Cristo com a sua Igreja. “Os esposos, feitos à imagem de Deus e estabelecidos numa ordem verdadeiramente pessoal, estejam unidos em comunhão de afeto e de pensamento e com mútua santidade de modo que, seguindo a Cristo, princípio da vida, se tornem, pela fidelidade do seu amor, através das alegrias e sacrifícios da sua vocação, testemunhas daquele mistério de amor que Deus revelou ao mundo com a sua morte e ressurreição” (Gaudium et Spes, 52).
¨ Para Paulo, o amor que une o marido e a esposa deve ser um amor como o de Cristo pela sua Igreja. Desse amor devem, portanto, estar ausentes quaisquer sinais de egoísmo, de prepotência, de exploração, de injustiça… Deve ser um amor que se faz doação total ao outro, que é paciente, que não é arrogante nem orgulhoso, que compreende os erros e as falhas dos outro, que tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (cf. 1Cor. 13,4-7).
¨ Para Paulo, o amor que une a esposa e o marido deve ser um amor que se faz serviço simples e humilde. Não se trata de exigir submissão de um a outro, mas trata-se de pedir que os crentes manifestem total disponibilidade para servir e para dar a vida, sem esperar nada em troca. Trata-se de seguir o exemplo de Cristo que não veio para afirmar a sua superioridade e para ser servido, mas para servir e dar vida. O matrimônio cristão não pode tornar-se uma competição para ver quem tem mais direitos ou mais obrigações, mas uma comunhão de vida de pessoas que, a exemplo de Cristo, fazem da sua existência uma partilha e um serviço a todos os irmãos que caminham ao seu lado.
¨ Paulo utiliza, neste texto, a propósito das mulheres, uma palavra que não devemos absolutizar: “submissão”. Esta palavra deve ser entendida no contexto sócio-cultural da época, em que o marido era considerado a referência fundamental da ordem familiar. É claro que, nos dias de hoje, Paulo não teria usado este termo para falar da relação da esposa com o marido. A afirmação de Paulo não pode servir para fundamentar qualquer tipo de discriminação contra as mulheres… Aliás, Paulo dirá, noutras circunstâncias, que “não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem e mulher, porque todos sois um só em Cristo Jesus” (Gl. 3,28).
Evangelho – Jo 6,60-69 - AMBIENTE
Estamos no final do episódio que começou com a multiplicação dos pães e dos peixes (cf. Jo 6,1-15) e que continuou com o “discurso do pão da vida” (cf. Jo 6,22-59). Trata-se de um episódio atravessado por diversos equívocos e onde se manifesta a perplexidade e a confusão daqueles que escutam as palavras de Jesus… A multidão esperava um messias rei que lhe oferecesse uma vida confortável e pão em abundância e Jesus mostrou que não veio “dar coisas”, mas oferecer-Se a Ele próprio para que a humanidade tivesse vida; a multidão esperava de Jesus uma proposta humana de triunfo e de glória e Jesus convidou-a a identificar-se com Ele e a segui-l’O no caminho do amor e do dom da vida até à morte… Os interlocutores de Jesus perceberam claramente que Jesus os tinha colocado diante de uma opção fundamental: ou continuar a viver numa lógica humana, virada para os bens materiais e para as satisfações mais imediatas, ou o assumir a lógica de Deus, seguindo o exemplo de Jesus e fazendo da vida um dom de amor para ser partilhado. Instalados nos seus esquemas e preconceitos, presos a aspirações e sonhos demasiado materiais, desiludidos com um programa que lhes parecia condenado ao fracasso, os interlocutores de Jesus recusaram-se a identificar-se com Ele e com o seu programa.
O nosso texto mostra-nos a reação negativa de “muitos discípulos” às propostas que Jesus faz. Nem todos os discípulos estão dispostos a identificar-se com Jesus (“comer a sua carne e beber o seu sangue”) e a oferecer a sua vida como dom de amor que deve ser partilhado com toda a humanidade. Temos de situar esta “catequese” no contexto em que vivia a comunidade joânica, nos finais do séc. I… A comunidade cristã era discriminada e perseguida; muitos discípulos afastavam-se e trilhavam outros caminhos, recusando-se a seguir Jesus no caminho do dom da vida. Muitos cristãos, confusos e perplexos, perguntavam: para ser cristão é preciso percorrer um caminho tão radical e de tanta exigência? A proposta de Jesus será, efetivamente, um caminho de vida plena, ou um caminho de fracasso e de morte? É a estas questões que o “catequista” João vai tentar responder.
MENSAGEM
A perícope divide-se em duas partes. A primeira (vs. 60-66) descreve o protesto de um grupo de discípulos face às exigências de Jesus; a segunda (vs. 67-69) apresenta a resposta dos Doze à proposta que Jesus faz. Estes dois grupos (os “muitos discípulos” da primeira parte e os “Doze” da segunda parte) representam duas atitudes distintas face a Jesus e às suas propostas.
Para os “discípulos” de que se fala na primeira parte do nosso texto, a proposta de Jesus é inadmissível, excessiva para a força humana (v. 60). Eles não estão dispostos a renunciar aos seus próprios projetos de ambição e de realização humana, a embarcar com Jesus no caminho do amor e da entrega, a fazer da própria vida um serviço e uma partilha com os irmãos. Esse caminho parece-lhes, além de demasiado exigente, um caminho ilógico. Confrontados com a radicalidade do caminho do Reino, eles não estão dispostos a arriscar.
Na resposta à objeção desses “discípulos”, Jesus assegura-lhes que o caminho que propõe não é um caminho de fracasso e de morte, mas é um caminho destinado à glória e à vida eterna. A “subida” do Filho do Homem, após a morte na cruz, para reentrar no mundo de Deus, será a “prova provada” de que a vida oferecida por amor conduz à vida em plenitude (vs. 61-62). Esses “discípulos” não estão dispostos a acolher a proposta de Jesus porque raciocinam de acordo com uma lógica humana, a lógica da “carne”; só o dom do Espírito possibilitará aos crentes perceber a lógica de Jesus, aderir à sua proposta e seguir Jesus nesse caminho do amor e da doação que conduz à vida (v. 63).
Na realidade, esses discípulos que raciocinam segundo a lógica da “carne” seguem Jesus pelas razões erradas (a glória, o poder, a fácil satisfação das necessidades materiais mais básicas). A sua adesão a Jesus é apenas exterior e superficial. Jesus tem consciência clara dessa realidade. Ele sabe até que um dos “discípulos” O vai trair e entregar nas mãos dos líderes judaicos (v. 64). De qualquer forma, Jesus encara a decisão dos discípulos com tranquilidade e serenidade. Ele não força ninguém; apenas apresenta a sua proposta – proposta radical e exigente – e espera que o “discípulo” faça a sua opção, com toda a liberdade.
Em última análise, a vida nova que Jesus propõe é um dom de Deus, oferecido a todos os homens (v. 65). O termo deste movimento que o Pai convida o “discípulo” a fazer é o encontro com Jesus e a adesão ao seu projeto. Se o homem não está aberto à ação do Pai e recusa os dons de Deus, não pode integrar a comunidade dos discípulos e seguir Jesus.
A primeira parte da cena termina com a retirada de “muitos discípulos” (v. 66). O programa exposto por Jesus, que exige a renúncia às lógicas humanas de ambição e de realização pessoal, é recusado… Esses “discípulos” mostram-se absolutamente indisponíveis para percorrer o caminho de Jesus.
Confirmada a deserção desses “discípulos”, Jesus pede ao grupo mais restrito dos “Doze” que façam a sua escolha: “também vós quereis ir embora?” (v. 67). Repare-se que Jesus não suaviza as suas exigências, nem atenua a dureza das suas palavras… Ele está disposto a correr o risco de ficar sem discípulos, mas não está disposto a prescindir da radicalidade do seu projeto. Não é uma questão de teimosia ou de não querer dar o braço a torcer; mas Jesus está seguro que o caminho que Ele propõe – o caminho do amor, do serviço, da partilha, da entrega – é o único caminho por onde é possível chegar à vida plena… Por isso, Ele não pode mudar uma vírgula ao seu discurso e à sua proposta. O caminho para a vida em plenitude já foi claramente exposto por Jesus; resta agora aos “discípulos” aceitá-lo ou rejeitá-lo.
Confrontados com esta opção fundamental, os “Doze” definem claramente o caminho que querem percorrer: eles aceitam a proposta de Jesus, aceitam segui-l’O no caminho do amor e da entrega. Quem responde em nome do grupo (uso do plural) é Simão Pedro: “Para quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna” (v. 68). A comunidade reconhece, pela voz de Pedro, que só no caminho proposto por Jesus encontra vida definitiva. Os outros caminhos só geram vida efêmera e parcial e, com frequência, conduzem à escravidão e à morte; só no caminho que Jesus acabou de propor (e que “muitos” recusaram) se encontra a felicidade duradoura e a realização plena do homem (v. 68).
É porque reconhece em Jesus o único caminho válido para chegar à vida eterna que a comunidade dos “Doze” adere ao que Ele propõe (“cremos” – v. 69a). A “fé” (adesão a Jesus) traduz-se no seguimento de Jesus, na identificação com Ele, no compromisso com a proposta que Ele faz (“comer a carne e beber o sangue” que Jesus oferece e que dão a vida eterna).
A resposta posta na boca de Pedro é precisamente a resposta que a comunidade joânica (a tal comunidade que vive a sua fé e o seu compromisso cristão em condições difíceis e que, por vezes, tem dificuldade em renunciar à lógica do mundo e apostar na radicalidade do Evangelho de Jesus) é convidada a dar: “Senhor, as tuas propostas nem sempre fazem sentido à luz dos valores que governam o nosso mundo; mas nós estamos seguros de que o caminho que Tu nos indicas é um caminho que leva à vida eterna. Queremos escutar as tuas palavras, identificar-nos contigo, viver de acordo com os valores que nos propões, percorrer contigo esse caminho do amor e da doação que conduz à vida eterna.
ATUALIZAÇÃO
¨ O Evangelho deste domingo põe claramente a questão das opções que nós, discípulos de Jesus, somos convidados a fazer… Todos os dias somos desafiados pela lógica do mundo, no sentido de alicerçarmos a nossa vida nos valores do poder, do êxito, da ambição, dos bens materiais, da moda, do “politicamente correto”; e todos os dias somos convidados por Jesus a construir a nossa existência sobre os valores do amor, do serviço simples e humilde, da partilha com os irmãos, da simplicidade, da coerência com os valores do Evangelho… É inútil esconder a cabeça na areia: estes dois modelos de existência nem sempre podem coexistir e, frequentemente, excluem-se um ao outro. Temos de fazer a nossa escolha, sabendo que ela terá consequências no nosso estilo de vida, na forma como nos relacionamos com os irmãos, na forma como o mundo nos vê e, naturalmente, na satisfação da nossa fome de felicidade e de vida plena. Não podemos tentar agradar a Deus e ao diabo e viver uma vida “morna” e sem exigências, procurando conciliar o inconciliável. A questão é esta: estamos ou não dispostos a aderir a Jesus e a segui-l’O no caminho do amor e do dom da vida?
¨ Os “muitos discípulos” de que fala o texto que nos é proposto não tiveram a coragem para aceitar a proposta de Jesus. Amarrados aos seus sonhos de riqueza fácil, de ambição, de poder e de glória, não estavam dispostos a trilhar um caminho de doação total de si mesmos em benefício dos irmãos. Este grupo representa esses “discípulos” de Jesus demasiado comprometidos com os valores do mundo, que até podem frequentar a comunidade cristã, mas que no dia a dia vivem obcecados com a ampliação da sua conta bancária, com o êxito profissional a todo o custo, com a pertença à elite que frequenta as festas sociais, com o aplauso da opinião pública… Para estes, as palavras de Jesus “são palavras duras” e a sua proposta de radicalidade é uma proposta inadmissível. Esta categoria de “discípulos” não é tão rara como parece… Em diversos graus, todos nós sentimos, por vezes, a tentação de atenuar a radicalidade da proposta de Jesus e de construir a nossa vida com valores mais condizentes com uma visão “light” da existência. É preciso estarmos continuamente numa atitude de vigilância sobre os valores que nos norteiam, para não corrermos o risco de “virar as costas” à proposta de Jesus.
¨ Os “doze” ficaram com Jesus, pois estavam convictos de que só Ele tem “palavras que comunicam a vida definitiva”. Eles representam aqueles que não se conformam com a banalidade de uma vida construída sobre valores efêmeros e que querem ir mais além; representam aqueles que não estão dispostos a gastar a sua vida em caminhos que só conduzem à insatisfação e à frustração; representam aqueles que não estão dispostos a conduzir a sua vida ao sabor da preguiça, do comodismo, da instalação; representam aqueles que aderem sinceramente a Jesus, se comprometem com o seu projeto, acolhem no coração a vida que Jesus lhes oferece e se esforçam por viver em coerência com a opção por Jesus que fizeram no dia do seu batismo. Atenção: esta opção pelo seguimento de Jesus precisa de ser constantemente renovada e constantemente vigiada, a fim de que o nível da coerência e da exigência se mantenha.
¨ Na cena que o Evangelho de hoje nos traz, Jesus não parece estar tão preocupado com o número de discípulos que continuarão a segui-l’O, quanto com o manter a verdade e a coerência do seu projeto. Ele não faz cedências fáceis para ter êxito e para captar a benevolência e os aplausos das multidões, pois o Reino de Deus não é um concurso de popularidade… Não adianta escamotear a verdade: o Evangelho que Jesus veio propor conduz à vida plena, mas por um caminho que é de radicalidade e de exigência. Muitas vezes tentamos “suavizar” as exigências do Evangelho, a fim de que ele seja mais facilmente aceite pelos homens do nosso tempo… Temos de ter cuidado para não desvirtuarmos a proposta de Jesus e para não despojarmos o Evangelho daquilo que ele tem de verdadeiramente transformador. O que deve preocupar-nos não é tanto o número de pessoas que vão à Igreja; mas é, sobretudo, o grau de radicalidade com que vivemos e testemunhamos no mundo a proposta de Jesus.
¨ Um dos elementos que aparece nitidamente no nosso texto é a serenidade com que Jesus encara o “não” de alguns discípulos ao projeto que Ele veio propor. Diante desse “não”, Jesus não força as coisas, não protesta, não ameaça, mas respeita absolutamente a liberdade de escolha dos seus discípulos. Jesus mostra, neste episódio, o respeito de Deus pelas decisões (mesmo erradas) do homem, pelas dificuldades que o homem sente em comprometer-se, pelos caminhos diferentes que o homem escolhe seguir. O nosso Deus é um Deus que respeita o homem, que o trata como adulto, que aceita que ele exerça o seu direito à liberdade. Por outro lado, um Deus tão compreensivo e tolerante convida-nos a dar mostras de misericórdia, de respeito e de compreensão para com os irmãos que seguem caminhos diferentes, que fazem opções diferentes, que conduzem a sua vida de acordo com valores e critérios diferentes dos nossos. Essa “divergência” de perspectivas e de caminhos não pode, em nenhuma circunstância, afastar-nos do irmão ou servir de pretexto para o marginalizarmos e para o excluirmos do nosso convívio.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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“Só vós Senhor, tendes palavras de vida eterna!”

No domingo passado refletimos sobre a Assunção de Nossa Senhora. É dogma revelado por Deus que a Imaculada Mãe de Deus e Mãe de todos os crentes, terminado o curso de sua vida terrena foi elevada em corpo e alma a gloria celestial. O cântico de Maria descreve desde o começo o Plano de Deus que prosseguiu em Maria e que se cumpre na Igreja de Jesus Cristo. Ela foi a primeira e mais importante discípula de Jesus. Ela é consolo e esperança do povo peregrino. Servindo de modelo para os discípulos (as) de todos os tempos nos ensina um tríplice segredo: O segredo da fé – eis aqui a serva do Senhor. O segredo da esperança – nada é impossível para Deus. O segredo da caridade – se pôs a caminho para cuidar de Isabel.
A narrativa do Evangelho de hoje (João 6,60-69), se refere à última parte do discurso de Jesus sobre o pão da vida (Eucaristia). Os versículos deste discurso eucarístico causam divisões até mesmo entre os discípulos deixando claro que nem todos conseguem fazer a opção concreta por Jesus. A Palavra de Deus aponta o caminho, porém exige uma decisão pessoal. Em qualquer situação temos sempre a liberdade de escolha. Sabemos que no tempo de Jesus muitos conservavam a idéia de um político (rei) poderoso para libertar o povo oprimido pelo poder político e religioso. Em nossa reflexão do dia 05 de agosto sobre o sinal da multiplicação dos pães o povo queria fazê-lo rei. Passados dois mil anos e relendo o texto do Evangelho entendemos a pregação e o sinal de Jesus – falava da doação de sua vida na cruz e de seu corpo transformado em alimento no Mistério da Eucaristia. “Quem comer deste pão viverá eternamente”.
Crer na eucaristia se torna garantia de eternidade”. Relata o texto de hoje que enquanto Jesus pregava os discípulos murmuravam: “São palavras duras!”Percebendo que os discípulos estavam se retirando, chamou os doze apóstolos e disse: “Vós também quereis ir embora?”Simão Pedro tomou a palavra em nome dos doze dizendo: “A quem iremos Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna. “Nós cremos que tu és o Santo de Deus.” Vejamos: Quem aceita a divindade de Jesus acolhendo-o como enviado de Deus, não tem motivo para escandalizar-se e a exemplo de Pedro tem convicção que Ele é o Santo de Deus. O 4º domingo do mês vocacional é dedicado à vocação leiga. Queremos rezar pelos catequistas e por todos que estão a serviço da Igreja de Jesus. O campo específico da atividade evangelizadora do leigo é o vasto e complexo mundo da política, da educação e da economia, da realidade social, da justiça e cidadania. Sua missão – ser fermento na massa e transformar tudo isso conforme a vontade do projeto de Jesus. Alem desta sua presença ativa no mundo, o Espírito Santo distribui entre os leigos, dons e carismas para servirem à comunidade.
O que estamos fazendo com os dons recebidos? Pense nisto e tenha uma semana abençoada.
Pedro Scherer

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