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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Comentários Prof.Fernando


Comentários Prof.Fernando (*) 30 de setembro2012in:http://homiliadominical.blogspot.com.br
26ºd.t.Comum (18pósPent.) a liberdade do Espírito–

RESUMOS ● um pouco do espírito que Moisés possuía deu aos setenta anciãos – o espírito repousou igualmente sobre os dois que não tinham ido à Tenda. Nm 11,25-29
● Vossa riqueza está apodrecendo - o clamor dos trabalhadores chegou aos ouvidos do Senhor todo-poderoso Tg 5,1-6  ●  1)Quem não é contra nós é a nosso favor  2)Quem vos der um copo de água porque sois de Cristo não ficará sem a sua recompensa 3) não escandalizar os pequenos 4) Se teu pé te leva a pecar corta-o! melhor entrar na Vida sem um pé do que com os dois ser jogado no inferno - onde o fogo não se apaga Mc 9,38-48

O Bem pode acontecer em qualquer lugar
·         O tema de hoje refere-se à comunicação do Bem (Deus age com liberdade, o Espírito sopra onde quer) independentemente das funções e das instituições, nesta ou naquela comunidade histórica. O contexto do cap.11 de Números é da travessia do deserto: o povo reclama comida; Moisés reclama com seu Deus que o ajude na condução de tanta gente. O texto mostra o discernimento e bom senso de Moisés. Ele está menos preocupado em coibir a manifestação do Espírito fora do grupo “oficial”. Parece que Josué – ao pedir proibição e que Moisés imponha silêncio aos dois “fora do grupo” investidos da função de auxiliares, estaria mais preocupado com organização da liderança mosaica do que com a difusão da Palavra (profecia). Moisés, inspirado por Deus, sabe que o Bem não está amarrado a estruturas, embora elas sejam importantes, mas até desejaria que em todos fosse derramado o Espírito. Ficaria feliz se estivesse vivo no dia de Pentecostes!!! Instituições são necessárias e a própria Fé se transmite dentro de contextos e grupos. Só que Deus não é prisioneiro das estruturas não está amarrado nem a essa ou aquela religião. Essa era a falta de um espírito “aberto” que Jesus criticava duramente em repetidas discussões com fariseus e chefes.
·         A sequência da carta de Tiago continua exigindo coerência: não basta dizer que se tem fé, mas é preciso atender efetivamente à justiça. Ele é duro na crítica aos que só pensam em acumular riqueza e nem pagam seus trabalhadores com justiça.

O texto de hoje é compilação de 3 ou 4 ensinamentos do Mestre
·         1) Ao apóstolo João Jesus indica (fazendo eco ao que Moisés respondeu a um Josué formal e “institucional”): o Bem é sempre o Bem, mesmo feito por outros fora do nosso grupo, cultura, denominação ou confissão religiosa, nossa ideologia, etnia, etc. O contexto aqui é diferente de Lc 11,23 ou Mt 12,30. Lá se tratava de optar entre Cristo ou mudar de lado, ficando com o “inimigo” do Reino anunciado por Jesus.
·         2) Até um copo d’água (dado ao menor discípulos) não ficará sem recompensa.
·         3) A última parte é um trecho tirado de outro momento. Trata da gravidade que existe no “escandalizar” outros “pequenos” (agora não fala mais do “menor” dos discípulos mas de crianças). Ao que se torna “pedra de tropeço” (essa a tradução direta do termo “escândalo”) e faz tropeçar (derruba no chão da vida) a crianças frágeis e indefesas, o Mestre dirige uma palavra das mais duras do evangelho (seria  melhor que ele fosse afogado!!!). A gravidade está exatamente na condição de vulnerabilidade das crianças. Nosso tipo de sociedade despreza – talvez mais do que aquela cultura preconceituosa onde Jesus vivia – as crianças. Basta pensar nos abortados como se fossem um “pedaço de carne” indesejada; nos recém-nascidos abandonados em lixeiras; nas vítimas de abusos sexuais e do bullying; nos espancados por adultos “nervosos” diante “pivetes” no contexto da violência urbana ou diante de sua condição de drogados, pelo crack ou pela fome... Pensemos ainda na multidão de desaparecidos (seqüestrados para ser vendidos a organização de prostituição ou para ter seus órgãos comercializados para transplante).
·         4) um quarto ensinamento do Mestre fala em “cortar fora” (= ficar longe de toda ocasião de cair sob o domínio do mal). “Cortar” (mutilar o corpo) tem aqui obviamente sentido figurado. Mas tem força de expressão dizendo que existem escolhas: seria melhor viver mutilado do que acabar na “Geena”.
Esse termo vem do hebraico Geh Hinnóm que signfica ao pé da letra “o vale do Hinóm”, é usado 12 vezes no novo Testamento, em geral traduzido por “inferno” como lugar de tormentos. Originalmente foi um lugar onde o rei Acaz adorou o ídolo Moloque (cf. 2Crônicas1) com sacrifício de crianças. Depois virou depósito para queimar o lixo de Jerusalém. Conhecida novela faz do Lixão a origem de maldades, ódios, vinganças, assassinatos, traições. No Hinóm jogavam-se cadáveres de animais e os criminosos executados que não mereciam sepultura. Ali havia sempre um fogo ou então os vermes consumiram a carne podre. Jesus usa a imagem do conhecido lugar para falar do castigo, reforçando a doutrina antiga da punição eterna dos maus (ver parábola de Lázaro e do ricaço). Esse “Lixão” do tempo de Jesus não pretende discutir ou ensinar “como” seria o castigo, mas que é ruim como o local.
·         Na verdade é o próprio ser humano que, na sua liberdade, escolhe o final da história. Vai para o “lixo” se desprezou o convite para chegar ao Reino. O lixão do “inferno” se contrapõe à expressão “Vida eterna”. Esta é “ver Deus face a face” – mistério da criatura convivendo com o Criador debaixo do mesmo teto! Inferno significa não aceitar o convite do Rei. Mas ele chama todos para o banquete de casamento de seu filho. Ao contrário do fogo sob o lixo (putrefação, sujeira e mau cheiro), no palácio do Rei conhecerão o que é a boa comida e a melhor bebida; a festa não acaba nunca – sonho de toda criança.
·         Só não entende as comparações quem não gosta de poesia. Ou quem nunca ofereceu a lua para a namorada ou queria dar uma estrela para o namorado.

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(*) Prof. (USU-Rio) mestre (educação/ teologia/ t.moral). consultoria: fesomor2@gmail.com

Um comentário:

  1. Prof.Salvino.
    Saudações. Gosto muito das suas reflexões,são muito lúcidas,reais e sempre me ajudam em minhas homilias. Por isso mesmo não podia deixar de postar um comentário. Ogrigado, continuei potando... Fausto

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