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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

domingo, 9 de setembro de 2012

XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM



XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM
Dia 09 de Setembro

Comentários Prof.Fernando


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Jesus curou o surdo-mudo

Ficamos mudos sem falar de Deus, porque estamos surdos diante da sua palavra.

Mc 7,31-37

Introdução
         O mundo de hoje vive uma guerra! Uma verdadeira guerra entre a vida e a morte. Assassinatos, pessoas que morrem sem atendimento médico, ou que tiveram o atendimento errado,  crianças que têm a sua vida tirada antes mesmo de tê-la iniciado, pessoas que morrem nos assaltos sem mesmo terem reagido, menores que se aproveitam da impunidade apoiada pelo Estatuto do Menor e do Adolescente para matar quantos quiserem,  a lei fraca que acaba soltando o criminoso antes de cumprir a sua pena, acaba estimulando-o a cometer novos crimes bárbaros.
         Assistindo o noticiário, ficamos apavorados, e com medo não só de andar na rua, como de ficar em nossas próprias casas, pois a violência tomou conta da sociedade.
         Outro dia um incrédulo disse: Onde está Deus? Ele não faz nada?  Ele está assistindo tudo isso e nem tem pena dos inocentes que sofrem por causa de tanta injustiça?
         Examinando as escrituras e principalmente o Evangelho de Jesus Cristo, vemos que  Deus está sereno por dois motivos:
1-Ele respeita a nossa liberdade de seguir o caminho que quisermos. O caminho do bem ou o caminho do mal. Portanto, Deus não tem culpa do uso que fazemos da nossa liberdade. É muito fácil botar a culpa em Deus, quando as nossas decisões dão tudo errado.
2-Deus deixou para o mundo seus anunciadores, seus escolhidos que anunciam a sua palavra, advertindo os demais sobre os perigos de uma vida sem limites.
Porém, acontece que uma grande maioria da humanidade ficou surda diante da palavra de Deus. Preferem ouvir outros sons.
         Paulo em sua carta nos trás um exemplo bem claro sobre o que consiste a  discriminação.  Um exemplo de como nos tornamos juízes dos nossos irmãos usando critérios injustos.
         Infelizmente, a discriminação está nos lugares onde jamais imaginaríamos.  Ela está também entre as pessoas que se julgam santas, fraternas e educadas. É a discriminação velada, disfarçada de outra coisa como por exemplo, disfarçada da própria correção fraterna. Assim, com a desculpa de corrigir o nosso irmão que não é do nosso nível, nós o ignoramos, não brincamos com ele, não lhe damos a mão,  não o acolhemos, não o convidamos para fazer parte do nosso convívio, não pedimos a sua opinião, em fim, o evitamos pois não é nada agradável a sua companhia.
- "Efatá!" (Isto quer dizer: "Abra-se!") 
E naquele momento os ouvidos do homem se abriram, a sua língua se soltou, e ele começou a falar sem dificuldade.
         O homem mudo não fala por que não ouve. Nós falamos porque  ouvimos. Se não ouvirmos nenhuma palavra, não pronunciaremos palavra alguma.  Seres humanos criados na selva não falavam língua nenhuma, porém imitavam o som dos animais que desde pequeno estavam em seu redor.
         Da mesma forma, se não escuto falar de Deus, se não leio nem vejo nada referente a Deus, o que vai acontecer?  Eu serei incapaz de falar de Deus ao meu irmão, e este, por sua vez, não poderá se converter. Ele estará como um surdo para Deus, e isso vai gerar o que está aí  na nossa sociedade. Infelizmente, o  mundo de hoje não está mais ouvindo quase nada sobre Deus. Mais está ouvindo e vendo coisas outras, que leva a muitos a seguir o caminho errado com a maior facilidade, com a maior naturalidade. E as conseqüências disso  estamos vendo e sentindo na própria pele, ou melhor, estão na nossa vida diária.
         Jesus torna nossos olhos e ouvidos atentos a realidade desse mundo, com seus perigos e aberrações causadas pela nossa surdez diante da sua palavra.
Por outro lado, Ele dá força para quem quiser, para quem aceita o seu convite, para que possa denunciar as injustiças, e proclamar as maravilhas do Reino de Deus
Irmãos. Abramos os nossos ouvidos para ouvir a palavra de Deus, que está no sermão da missa, na Internet, nos Evangelhos, nas cartas,  e na boca daqueles que ouvindo chamado de Deus, saíram por aí anunciando a palavra de Deus a quantos querem ouvir.
         Caríssimos: Vamos escutar praticar e ensinar a palavra de Deus, antes que esse mundo se torne inabitável de vez!

José Salviano.
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A COLABORAÇÃO DO PADRE FERNANDO

Lectio Divina para o XXIII Domingo do Tempo Comum Ano B
Leitura Orante do Salmo 59  - Pe. Fernando Gross - -  Diocese de Santos

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DOMINGO, 09 DE SETEMBRO
Mc 7,31-37

Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar.
Este Evangelho trás para nós a belíssima cena de Jesus curando o homem surdo e que falava com dificuldade.
O texto começa dizendo: “Jesus saiu de novo...” Jesus caminhava, ia atrás do povo, não ficava parado. Ele não ficava esperando que as pessoas fossem até ele. O amor nos dá esse dinamismo. Como é importante nós também aproveitarmos a nossa saúde e tempo disponível para nos movimentarmos, indo até as pessoas que precisam da Água Viva, da Boa Nova de Cristo!
Quando Jesus atravessava uma região, trouxeram-lhe “um homem surdo, que falava com dificuldade”. Geralmente os surdos têm deficiência na conversa, porque a nossa fala depende da audição.
Na área espiritual é a mesma coisa: as pessoas que não ouvem a Palavra de Deus, acabam não ouvindo também os apelos da realidade que as cerca, e conseqüentemente tornam-se mudas, não falando a palavra certa na hora certa. Não ficam indignadas com nada; passam pela vida sem influenciar, indo na onda da sociedade de consumo.
Uma Comunidade que não ouve corretamente a Palavra de Deus, confrontando com a realidade do seu meio, também se torna muda, não fala nem faz nada de transformador, em direção ao Reino Deus.
Jesus, no seu primeiro discurso na sinagoga de Nazaré, disse que veio para abrir os olhos dos cegos, dar audição aos surdos e libertar os oprimidos, anunciando o ano da graça do Senhor (Cf Lc 4,18-19).
Muitas pessoas são como aquelas que Jesus citou na parábola do samaritano: passam ao lado do irmão ferido e fecham os olhos para não ver. Ou então, como o rico da parábola: vivem uma vida inteira ao lado do Lázaro e não se tocam. Não existe nada mais forte para tapar os ouvidos, os olhos e a boca das pessoas, do que o apego às riquezas.
Jesus “olhando para o céu, suspirou e disse: ‘Efatá’, que quer dizer: Abre-te!” Recordando esta cena, no nosso batismo o padre fez um gesto parecido: colocou a mão nos nossos ouvidos e na nossa boca, e disse: “Efatá!”
Quando o povo hebreu era escravo no Egito, Deus apareceu para Moisés e disse: “Eu vi a opressão de meu povo no Egito, ouvi os gritos de aflição diante dos opressores e tomei conhecimento de seus sofrimentos, e desci para libertá-los” (Ex 3,7-8). Deus tem os olhos e os ouvidos abertos. Assim como chamou Moisés, ele chama os seus filhos e filhas, em todos os tempos e lugares, a fim de libertarem o seu povo. Deus ama o seu povo, e não quer vê-los como ovelhas sem pastor.
“Jesus afastou-se com o homem para fora da multidão”. É interessante que a primeira coisa que Jesus fez com o homem foi afastá-lo para longe da multidão. O primeiro objetivo foi ter um contato mais pessoal com ele. Nós não podemos ficar só “na multidão”, mesmo que essa multidão seja de cristãos.
O segundo objetivo de Jesus é para que o homem, depois de curado, pudesse voltar para o meio do povo, ouvindo e falando sem dificuldade, inclusive para ajudar os outros.
Os nossos bispos, reunidos em Aparecida, disseram: “Vivemos uma mudança de época, e seu nível mais profundo é o cultural. Dissolve-se a concepção integral do ser humano, sua relação com o mundo e com Deus” (DA 44). Portanto, a nossa missão é grande, como “discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que o povo tenha mais vida nele”.
Havia, certa vez, uma menina que morava na roças. E um pássaro muito bonito começou a entrar no quarto dela. Ela comprou ração apropriada e espalhou em cima do guarda-roupa, e também uma tacinha de água, já preparada para não transmitir dengue.
Assim, o belo passarinho fez amizade com ela. Parecia que os dois eram velhos amigos. Todos os dias ele aparecia. Suas penas eram brilhantes e seus olhinhos encantadores.
Com medo de perder o amiguinho, a garota o prendeu numa gaiola. Poucos dias depois, suas penas perderam o brilho e ele passou a contar diferente, um canto parecido com choro. Passava o dia todo olhando para a janela.
Quando percebeu o erro que havia cometido, mais que depressa a menina abriu a gaiola e a ave foi-se embora, para nunca mais voltar.
Que Cristo abra os nossos ouvidos e olhos para contemplarmos a natureza, mas sem prejudicá-la!
O exemplo de Maria Santíssima é maravilhoso. Ela não foi surda nem muda, mas ouviu o apelo de Deus, entendeu-o direitinho e o cumpriu com generosidade. No magnificat, ela mostrou que ouvia também os anseios do povo, e falava com coragem. Que ela nos ajude a nos aproximarmos de seu Filho, a fim de que ele, dizendo “Efatá!”, nos cure da surdez e da conseqüente dificuldade em falar.
Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar. 
Padre Queiroz

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VIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO DO TC 09/09/2012
1ª Leitura Isaias 35, 4-7
Salmo 145 (146) , 1.2 a  “Louva, a minha alma ao Senhor! Louvarei o Senhor por toda a vida! – Diac. José da Cruz

2ª Leitura Tiago 2, 1-5
Evangelho Marcos 7.31- 37
Essa surdez e mudez que hoje refletimos neste evangelho, têm um significado bem mais profundo do que a cura física. Não se trata simplesmente do ouvir com os ouvidos e falar com a boca, a surdez e a mudez abordada pelo evangelista Marcos, localiza-se no coração do ser humano.
Há pessoas muito faladeiras, que contam mil e uma vantagens, ou então que perdem um tempo precioso falando mal da vida do próximo, ou conversas fúteis da qual nada se aproveita, assim como o saber ouvir é uma arte. Aqui a questão do ouvir não se trata apenas de escutar vozes das pessoas falando, ou ruídos. A deficiência auditiva desse homem da comunidade Marcos vai além disso....seu coração está fechado para Deus e as pessoas e por isso tem o coração assim tão vazio de Deus, não tendo portanto nada a anunciar, sua vida fechada e isolada em si mesmo é uma fonte de amargura e azedume.
No antigo testamento a principal queixa de Deus durante a travessia do povo pelo deserto, é de que: o povo tinha fechado o coração e não mais o ouvia, escutavam mas não o ouviam. Na comunidade de Marcos e também nas nossas há pessoas assim... Essa surdez e mudez é causada pela arrogância e prepotência dos que não crêem em Deus e preferem dar ouvidos somente as vozes da razão.
Conviver e relacionar-se com alguém assim, é difícil e complicadíssimo, a comunidade não sabe mais o que fazer e rogam a Jesus para que imponha as mãos sobre aquele homem. A experiência que fazemos de Jesus é algo muito pessoal, por isso ele toma o homem surdo-mudo e o leva á um lugar á parte. O mundo da pós-modernidade está repleto de rituais e de vozes que só alienam e escravizam o homem. No dia do Senhor que é o domingo, a comunidade dos que crêem, se afastam do burburinho do quotidiano, e na comunidade se reúnem a outros que querem e precisam ficar a sós com o Senhor.
As palavras de Jesus e seus gestos no ritual da cura do surdo mudo, lembram o rito batismal quando a graça de Deus abre o nosso coração para que Deus possa entrar e fazer morada. Nas celebrações eucarísticas ou mesmo da Santa Palavra, presidida por um Ministro Leigo ou um Diácono, esse ritual se repete, somos tocados pela Palavra, a força do Espírito Santo a leva para dentro de nós, no mais íntimo do nosso ser, transformando aos poucos a nossa vida, a cura da surdez e mudez não é imediata, mas ocorre em um processo que é dinâmico, vamos ouvindo, nos libertando e anunciando, sempre que experimentamos o Senhor.
Comunidade é portanto o lugar onde todos se preocupam para que cada um se abra cada vez mais á essa Palavra, as nossas orações e cantos nada mais são do que uma súplica para que o Senhor estenda sobre nós suas mãos, abrindo cada vez mais o nosso coração para a a sua graça que nos santifica, nos renova e nos liberta. Agora já dá para sabermos quem é esse surdo-mudo que saiu da celebração anunciando com alegria as maravilhas de Deus!

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Domingo 09.09.12

Marcos 7,31-37
:Um coração surdo, é um coração que não sabe se expressar, não sabe contagiar, não sabe atrair as pessoas –Maria Regina
Jesus quer fazer também em nós esse grande milagre: abrir os nossos ouvidos para que possamos falar com facilidade as coisas lindas que o Espírito nos revelar. Assim como levou o homem para fora da multidão, colocou os dedos nos seus ouvidos e tocou a sua língua, Ele quer fazer conosco: tirar-nos do mundo, da multidão e nos levar para um lugar onde nós possamos escutá-lo, onde Ele possa nos tocar.
Ele quer abrir os nossos ouvidos e a nossa boca porque nós só conseguiremos deixar de ser mudos quando deixarmos de ser surdos à Sua Palavra que são ensinamentos preciosos para nós. Como pode falar de Deus aquele que não escuta a Deus? Um coração surdo, é um coração que não sabe se expressar, não sabe contagiar, não sabe atrair as pessoas. Primeiramente Jesus quer nos afastar do meio da multidão para poder tocar com os dedos nos nossos ouvidos. Depois disso tornar-se-á mais fácil para nós soltar a nossa língua a fim de divulgar as coisas que o Senhor tem feito bem na nossa vida. “Efatá”, (Abre-te), é a palavra chave que Jesus ordena aos nossos ouvidos e boca espirituais. Reflita – Jesus já tocou os seus ouvidos ou você continua no meio da multidão daqueles que não “ouvem”, por isso, não entendem a Palavra de Deus? – Você acha que não fala em nome de Deus porque você é tímido (a) ou porque você não tem parado para escutar o que Ele tem a lhe dizer?
Amém
Abraço carinhoso de
–Maria Regina

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“ELE TEM FEITO BEM TODAS AS COISAS” - Olívia Coutinho

XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 09 de Setembro de 2012

Evangelho de Mc 7, 31-37


Neste Mês da Bíblia, somos convidados a cada dia, a abrir as páginas deste livro sagrado, a dar uma atenção especial à palavra de Deus, palavra que  liberta, que  orienta, que  nos ensina o caminho da vida!
O amor de Deus pela humanidade, manifestado  nas ações misericordiosas de Jesus, nos dá a certeza de que nunca estamos sós!
Em todos os seus ensinamentos, Jesus sempre deixou claro, que só o amor constrói, só o amor gera vida.  Na sua trajetória terrena, Ele fazia longas caminhadas ao encontro dos sofredores, testemunho que deve chegar até a nós, como um convite a fazer o mesmo. Todas as nossas atitudes devem convergir para um bem maior: o amor! O amor cria e recria vida, abre caminhos, impulsiona, desinstale,  leva-nos  ao encontro dos que se encontram  aprisionados pelas correntes da exclusão.
Quem carrega no peito, os mesmos anseios de Jesus, sente necessidade de partilhar a vida, de ir ao encontro do outro, de se tornar caminho de libertação para o excluído.
O evangelho que a liturgia deste domingo  nos apresenta, vem nos  falar de um Deus  comprometido com a vida, com a felicidade humana. Um Deus, que aposta continuamente na  renovação e na transformação do homem. Um Deus que não desiste de nós, mesmo quando na nossa ingratidão, O rejeitamos.
Quantos de nós, permanecemos  fechados no nosso egoísmo, na nossa auto-suficiência, sem abrir o coração para acolher a verdade  que liberta, preferindo  viver de  acordo com a nossa “verdade”.
A ação libertadora de Jesus, nos corações daqueles que se abrem  a  sua verdade, é transformadora,  capaz de nos libertar da  pior de todas as surdez : a surdez de quem não quer ouvir, para não ter que mudar.
O amor de Deus não tem fronteira, foi este amor que levou Jesus ao território pagão, quebrando as muralhas do preconceito, reafirmando  que Jesus  não veio somente para um povo, e   sim; para todos!
Antes de abrir os ouvidos daquele surdo e soltar a sua língua, Jesus se abre aos excluídos!
Com este gesto concreto de amor, Jesus nos mostra o quanto é importante, estarmos  sempre  abertos a  sua ação libertadora. Ele  abre os ouvidos daquele surdo, porque ele  se mostra aberto à sua ação libertadora!
          O homem vibra de alegria diante das maravilhas que Jesus realizou a seu favor. E mesmo tendo sido recomendado por Jesus, para não contar o ocorrido a ninguém, ele saiu espalhando aquele  grande feito! 
Completamente libertado da surdez,  que o impedia de  viver socialmente, aquele homem, agradecido, retoma  a vida, se abrindo ao novo!
Hoje, vivemos numa cultura geradora de surdos e mudos, pessoas  impedidas de ouvir e de falar. 
Em sua missão, Jesus iniciou uma nova criação e hoje, Ele coloca  em nossas mãos, a responsabilidade de dar continuidade a essa  missão libertadora, devolvendo a vida e libertando os oprimidos e mutilados por esta sociedade que tenta a todo custo abafar o seu grito.
Não podemos esquecer nunca, de que, em cada um dos excluídos, está a presença viva do próprio Cristo, que clama por uma vida digna.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

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A cura do  surdo-gago

dom Henrique Soares da Costa


O Evangelho deste domingo apresenta-nos um homem surdo e gago que é colocado diante de Jesus para que ele o cure.
Quem é o surdo-gago? É a humanidade, enquanto fechada para o dom de Deus que Jesus nos traz. Surda, porque incapaz de ouvir a Palavra, ouvi-la compreendendo-a, acolhendo-a no coração: “tem ouvido para ouvir, mas não ouve” (Jr. 5,21; cf. Mt. 13,14-15).
Esta é a tendência do coração humano, que a Escritura sempre denunciou: o fechamento para não acolher a proposta que Deus nos faz, de um caminho com ele, a tendência de nos fechar em nós e viver a vida como se fosse nossa de modo absoluto: “Escutai, prestai  ouvidos, não sejais  orgulhosos, porque o Senhor falou!” (Jr. 13,15); “Ah! Se meu povo me escutasse, se Israel andasse em meus caminhos... Mas meu povo não ouviu a minha voz, Israel não quis saber de obedecer-me; então os entreguei ao seu coração endurecido: que sigam seus próprios caminhos!” (Sl. 81/80,14.13). Assim, no fundo, é o fechamento para Deus, para um Deus verdadeiro, a resistência em realmente levar a sério o primeiro mandamento: “Ouve, ó Israel!” (Dt. 6,4).
Nossa civilização ocidental tem sido particularmente fechada à Palavra do Senhor: construímos a sociedade e construímos nossa vida privada, nossos valores morais, nossas escolhas, do nosso modo, sem realmente ouvir a proposta e o caminho que o Senhor nos indica. Reunimos e escutamos os especialistas: economistas, antropólogos, sociólogos, sexólogos, psicólogos... mas, para nós, o Senhor não tem mais nada a dizer! Os gurus são os economistas e psicólogos, é o Paulo Coelho, são os livros de auto-ajuda... Somos uma geração de surdos!
Ora, se somos surdos, também não podemos falar com clareza: nossas idéias são embotadas, nossos debates, nossas palavras, não chegam ao essencial da vida, do sentido da existência, não podemos proclamar de verdade a alegria da salvação, da plenitude de quem sabe de onde vem e para onde vai. A comunicação se torna oca, alienada e alienante. Basta observar o que os meios de comunicação veiculam! Por isso, Jesus cura primeiro a surdez e, depois, a gagueira do homem. Quando ele puder ouvir o Senhor, tornando-se discípulo pela fé, também poderá falar, proclamar a ação de Deus em Jesus: do Deus que salva e nos mostra o sentido da vida, abrindo-nos a esperança eterna!
Sigamos os detalhes da narração de Marcos: (1) Trouxeram o homem surdo-gago para que Jesus o curasse. “Jesus afastou-se com o homem para fora da multidão” – bem ao contrário dos curadores pentecostais de televisão, que exploram seus “milagres” e “curas” como shows, Jesus procura evitar todo sensacionalismo: ele quer encontrar-se realmente com aquele homem, pessoa a pessoa, quer que aquele homem o descubra como sua salvação; (2) “Em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele” – o homem, sendo surdo, somente poderia compreender a linguagem dos símbolos, dos sinais; é a que Jesus empregou: toca os dedos que, para os antigos, transmitiam poder (cf. Ex. 8,15) e, depois, toca sua língua com a saliva, significando o dom do Espírito que cura e liberta. Para os antigos, a saliva era o Espírito em estado líquido (a idéia é estranha, mas é preciso que nos transportemos para o modo de pensar semítico)! (3) “Olhando para o céu, suspirou e disse: ‘Ephatà’”. Assim, Jesus indica que a salvação que ele traz procede do Pai, que o enviou. Mais ainda: ao suspirar, ao gemer, ele exprime sua compaixão, sua dor pela situação humana; (4) “Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade”. Somente Jesus, com o poder do seu Espírito, pode curar o homem de seu fechamento para escutar e para proclamar. Sim, porque também nossa geração cristã é, muitíssimas vezes, covarde para proclamar, para professar sem medo e respeito humano nossa fé. O cristão ou é testemunha ou não é cristão: “Não podemos, nós, deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos. Nós somos testemunhas destas coisas, nós e o Espírito Santo” (At. 4,20; 5,32).
Este caminho do surdo-gago é urgente para o cristão: reaprender a escutar de verdade Jesus (= crer nele de verdade) e falar dele ao mundo no testemunho corajoso, pois, somente assim, a humanidade atual encontrará a paz que tanto almeja. Somente em Cristo aquilo que a primeira leitura vislumbra e anuncia de modo tão belo, pode realizar-se: “Dizei às pessoas deprimidas: ‘Criai ânimo, não tenhais medo! Vede! É o nosso Deus que vem; é ele que vem para salvar!’ Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos, assim como brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo. A terá árida se transformará em lago, e a região sedenta, em fontes d’água” – Que imagens impressionantes, belas, evocativas! Quando Deus vem, quando ele está presente, tudo é vida, tudo é plenitude, tudo canta de alegria! Não é disso que nosso mundo atual tanto precisa? Mas, o homem fechado na sua soberba – nós, fechados na nossa auto-suficiência e no nosso comodismo! – jamais vai experimentar isso!
Para acolher na alegria e simplicidade, é necessário reconhecer-se necessitado, como o surdo-gago, que procurou Jesus, para que lhe impusesse as mãos: somente quem é pobre diante de Deus, quem se reconhece pequeno diante do Altíssimo, pode abrir-se para a salvação e recebê-la do Senhor! Daí a lembrete de são Tiago: “Não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?” São palavras que nos incomodam e até escandalizam: Deus prefere os pobres... porque os pobres são abertos para Deus. Eles conseguem experimentar dolorosamente na carne aquilo que nós tentamos esquecer ou temos dificuldades para compreender: que somos todos pobres, necessitados, pequenos diante de Deus! Com nossas posses e nossas seguranças, apoiamo-nos em nós mesmos, tornando-nos surdos e mudos para o Senhor! O pobre é profético sempre, porque recorda o que nós somos e, quando descobrimos isso, podemos ser curados de nossa auto-suficiência surda e libertados de nossa preguiça muda. O salmo da Missa de hoje canta exatamente esta experiência: Deus salva o pobre, o pequeno, o desvalido!
Se o pobre é sempre profeta, sempre uma palavra de Deus ao nosso lado e, mais ainda, é presença do próprio Cristo, que sendo rico se fez pobre (cf. 2Cor. 8,9) - “O que fizestes ao menor dos meus irmãos, a mim o fizestes” (Mt. 25,40) -, então, o nosso modo de tratar o pobre, de ver o pobre, de nos aproximar do pobre – seja pessoal, seja comunitariamente – diz muito daquilo que nós e nossa Comunidade somos em relação a Deus; diz muito dos nossos critérios: se são segundo Deus ou segundo nosso coração mundano!
Que o Senhor nos cure da surdez e da gagueira; faça-nos atentos à sua Palavra e ao seu testemunho; dê-nos olhos para reconhecê-lo nos irmãos, sobretudo nos pobres, seja de que pobreza for... sobretudo os pobres, social e economicamente falando!

http://www.padrefelix.com.br/imagens/bt_hom_segunda.jpg

Hoje a santa Palavra do Senhor nos fala de um Deus que vem. E ele vem sempre, amados! Vem porque está entre nós na potência do seu Santo Espírito, que age constantemente nos sacramentos da Igreja, que proclamam a Palavra da Salvação e tornam realidade essa Palavra salvífica! Eis, portanto, nosso Deus vem, vem sempre no seu Filho Jesus pleno do Santo Espírito. E quando ele vem, a nossa sorte muda: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus: é ele que vem para vos salvar! Abrir-se-ão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos... brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo. A terra árida se transformará em lago, e a região sedenta, em fontes d’água”. Ó caros! Não é coxo o mundo atual, não é cego, não é seco? Vede ao redor em que tem se tornado a nossa existência! Tanto mais o homem se feche para Deus, tanto menos vive, tanto menos se realiza, tanto menos é feliz... E, no entanto, se nos abrirmos, se nos deixarmos curar, o Senhor transformará a nossa pobre vida: nossa surdez será curada e escutaremos a doce voz do Senhor que nos guia, nossa mudez transformar-se-á em canto de exultação e da sequidão do nosso coração sem vida, a água fresca e vivificante brotará em abundância! Humanidade dura e teimosa, a nossa, que procura vida sem Deus e não encontra a não ser desilusão! Pois bem, caríssimos, é de paz, é de vida, é de felicidade que o Senhor nos fala hoje, nos fala sempre nos anúncios dos profetas! E o que eles anunciaram para os tempos do Messias, tempos de salvação, o Senhor Jesus realiza em plenitude: hoje, no Evangelho que ouvimos, ele coloca os dedos nos ouvidos dum surdo-mudo e, com a saliva, toca-lhe a língua. Que significa esse gesto? A saliva, para os judeus, era o ar feito líquido. Assim, Jesus dá seu Sopro, seu Espírito ao homem. Agora aquele zé-ninguém, aquele surdo-mudo de vida semi-humana é homem novo: pode ouvir o Senhor, pode proclamar suas maravilhas! Mas, não é isso que somos? Não é isso que devemos testemunhar com a nossa vida?
Recordam, irmãos amados, do rito batismal, quando o sacerdotes traçou o sinal da cruz nos nossos ouvidos e nos nossos lábios, repetindo o gesto de Jesus? Recordam quando ele exclamou: “Efatá!”, como o próprio Jesus, naquele tempo? Recordam? Surdos curados por Jesus, é o que somos; mudos libertados pelo Senhor, é a nossa realidade! Agora curados, aprendamos a escutar realmente a palavra e os apelos daquele que nos curou; agora libertos, proclamemos ante o mundo incréu as maravilhas daquele que nos livrou e nos chamou das trevas para a sua luz admirável! Somos novos em Cristo, somos novas criaturas! Externemos essa realidade com nossa vida pessoal e comunitária! Ó cristão, quantas vezes será necessário exortar-te a viver de acordo com aquilo que tu és? Por que és frouxo, por que covarde, por que sem entusiasmo, por que omisso, por que és duro e surdo para a voz do teu Senhor? Por que, caríssimos meus, o nosso modo de viver não impressiona? Por que nosso testemunho do Senhor não contagia os outros? Por que nossas ações não iluminam o mundo em trevas? Porque fugimos do Senhor, porque não deixamos que ele nos toque, nos cure, nos liberte! Sufocamos a graça recebida no batismo! E como  a sufocamos? Pela vida frouxa, pela existência displicente, que não leva a sério realmente a ação libertadora do Senhor em nós!
Somos novos de uma nova vida! Novos, cada um de nós; novos, nós todos como Igreja! Somos a comunidade dos que experimentam essa vida nova, dos que vivem já neste mundo o sonho de um novo modo de existir. Não se trata, meus caros, de um ideal sociológico ou simplesmente humanístico: o motivo da vida nova é o Cristo de Deus que, nos dando o seu Santo Espírito, faz-nos criaturas novas, capazes de viver no seu amor e do seu amor. A Igreja é isso: uma comunhão brotada do amor do Cristo – e este amor é o Santo Espírito. Uma comunidade que vive neste Espírito, que não é o do mundo, que não é o da esquerda festiva ou da direita egoísta, do centro omisso ou dos extremos exaltados... Nossa vida, nossa inspiração, nossa força é o Espírito no qual o Pai e o Filho se amam e se dão! Pois bem! Uma comunidade que vive nesse Espírito não admite discriminações injustas, não admite o desprezo de uns pelos outros, sobretudo dos seus membros mais frágeis e pobres. Uma comunidade “espiritual” julga segundo os critérios do Evangelho e descobre que aquilo que para o mundo é frágil, é perdido, é sem valor, na verdade é o que há de mais precioso aos olhos de Deus: “Meus queridos irmãos, escutai: não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?” Aqui não se trata de bom-mocismo, de uma filantropia meramente humana; trata-se, antes, de uma consciência que brota da contemplação do próprio modo de agir de Deus: ele ama o miserável porque é misericordioso, ele se volta para o pobre, de qualquer pobreza que seja, porque nos ama gratuitamente, e lhe apraz retirar o pobrezinho do monturo e elevá-lo com os nobres do seu povo! Neste sentido, São Tiago nos chama atenção para uma realidade bem concreta, palpável em cada geração: são os pobres, os débeis, os fracos que mais têm fé, que mais se abandonam no Senhor. Quem enche nossas igrejas? Quem é mais generoso para com Deus? Quem mais se esforça para levar a sério os preceitos do Senhor? Quem mais teme a Deus? Em geral, os pobres, os sofredores, os desvalidos! E por quê? Porque ali, na humana miséria, podemos ver sem máscaras aquilo que somos o tempo todo: pobres! Ainda que não queiramos admitir, somos todos pobres, todos necessitados, todos dependentes diante de Deus. Precisamente aqui está a grande bem-aventurança: ser pobre diante de Deus. E são os pobres do mundo e os pobres de nossas comunidades quem melhor nos lembram isso! Olhemos os pobres e vejamos o que somos; sirvamos e honremos os pobres, e serviremos e honraremos aquele por quem e para quem somos!
Neste sentido, a segunda leitura deste hoje é um sério convite a que nos perguntemos sobre como nossa comunidade e nossa casa se comportam em relação aos pobres e carentes do mundo. Damos-lhe atenção? Preocupamo-nos com eles? Uma comunidade cristã – a de casa, da paróquia ou do grupo e movimento de Igreja – que não abra o coração para os pobres, não é comunidade cristã! É incômodo isso que eu digo; mas, é a verdade da Palavra de Deus, que não pode ser maquiada nem domesticada! Nosso comportamento em relação aos pobres definirá nossa situação para sempre diante de Cristo no Último Dia! Disso não tenhamos a mínima dúvida! Portanto, ouçamos e tremamos!
Calem no coração as palavras que o Senhor hoje nos dirigiu. E que esta Eucaristia cure nossa surdez, desate nossa língua e converta o nosso coração.
dom Henrique Soares da Costa
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Domingo, 9 de setembro de 2012
23º Domingo do Tempo Comum
– Missionários Claretianos



Santos do dia: São Pedro Claver (Memória facultativa), Abraão (Patriarca do Antigo Testamento), Andrônico e Atanásia sua esposa (monges do Egito), Bernardo de Rodez (abade de Montsalvy), Dionísio Areopagita (bispo), João de Lobedeau (franciscano), João Leonardi (presbítero), Luís Bertran (dominicano), Públia de Antioquia (abadessa), Sara (personagem do Antigo Testamento, esposa de Abraão).
Primeira leitura: Isaías 35, 4-7
O Senhor é a salvação. 
Salmo responsorial: 145, 7-10
Bendize minh’alma ao Senhor.

Segunda leitura: Tiago 2, 1-5
Caridade igual para todos. 
Evangelho: Marcos 7, 31-37
Cura de um surdo-mudo em terras pagãs
O profeta Isaias é o profeta da consolação. O povo, em meio à dor gerada no desterro, necessita de uma voz de alento e de esperança, por isso o profeta convida a “não ter medo”. É necessário confiar em Deus, pois ele vai salvar seu povo da escravidão. O profeta evoca com suas palavras a lembrança da terra da Palestina com suas riquezas naturais, torrentes e mananciais, uma terra fértil e espaçosa, um paraíso ou uma terra prometida. Uma terra que espera o povo depois do exílio, à qual regressa como em um novo êxodo.
Nessa terra voltam a se instalar para reconstruir o Templo, a cidade e a historia. E as pessoas viverão vida plena, cheias de vida e saúde, com seus órgãos de sentidos completos, capazes de perceber o que está passando ao seu redor. Nas palavras do próprio profeta, pode-se descobrir a força de Deus que busca reanimar os abatidos e transformar a terra devastada. O profeta anuncia tantos bens que parece ter chegado o tempo messiânico.
A carta de Tiago é um clamor forte à fraternidade. O que faz distinção de pessoas na assembléia, isto é, na celebração litúrgica, não pode ser cristão. Tiago, em sua carta, fala de diferenças e desigualdades no interior da comunidade, paradoxalmente onde se deveria construir outro modelo de relação dos seres humanos com vida social autêntica. Em uma palavra: a fraternidade, como fruto do mandamento do amor, começa na própria celebração litúrgica e deve se tornar realidade nas relações sociais e nos membros da comunidade.
Cada vez que o cristão celebra a eucaristia deve assumir o compromisso do amor real, um amor que se torne efetivo nas obras que enriquecem a vida e a plenifiquem de conteúdos de humanização. Esta é uma tarefa a assumir: fazer da celebração cristã um espaço de vida abundante e de experiência profunda de amor.
O evangelho de hoje afirma: os pagãos também são destinatários do anuncio do Reino de Deus por parte de Jesus. Saindo Jesus da região de Tiro, dirigiu-se, através de Sidon, para o mar da Galileia, pelos limites da Decápole, tudo em território pagão. Aí trouxeram-lhe um surdo-mudo; pediram que lhe impusesse as mãos. É uma das pouquíssimas vezes que vemos Jesus fora de seu país; se cremos no evangelho, Jesus, praticamente não viajou ao estrangeiro.
É importante assinalar que naquele tempo ir ao “estrangeiro” era ir ao “mundo dos pagãos”... expressão que não corresponde à realidade dos nossos dias. Neste fragmento do evangelho de Marcos, observamos Jesus no meio do povo de outra religião... Pode ser muito significativo o seu comportamento para com essas pessoas que não acreditam no Deus de Abraão no qual Jesus crê...
Efetivamente, vemos em primeiro lugar como Jesus não está entre os gentios ou pagãos como uma atitude “apostólica”; não o vemos preocupado em catequizar as pessoas. Tampouco parece preocupado em fazer entre eles proselitismo religioso: não pretende converter ninguém à sua religião, à fé israelita, ao Deus de Abraão. E tampouco vemos que Jesus aproveite sua passagem para “infundir sua doutrina”, “ensinar e divulgar as santas máximas de sua religião”.
Mais ainda: observamos que nem sequer prega, não faz discursos religiosos. Simplesmente cura. Isto é: não teoriza, mas pratica. Fatos, não ditos. Não podemos dizer que Jesus passe pelo território pagão com indiferença, ou com os olhos fechados, como se não tivesse nada que fazer aí ... Jesus está “focado” na ação e por isso não tem muito a dizer. Não o vemos discursando, nem proferindo seu “serviço da palavra”, mas o vemos curando e purificando as pessoas.
Não fala do Reino (o que é sua profissão e até sua obsessão dentro dos limites de Israel); fora de seu território religioso, cala sobre o Reino, mas “realiza o Reino”. Ou, como diz o povo ao vê-lo: “ele faz o bem”, não fala sobre o bem. (E já sabemos que “ubi bonum, ibi Regnum”, “onde se faz o bem, aí está o reinado de Deus”, uma fórmula que nos faz cair na conta de uma certa tautologia que se dá entre o “bem” e o “reino”; já o dizia a antífona do salmo 71: “Teu Reino é Vida, teu Reino é Verdade, teu Reino é Justiça, teu Reino é Paz, teu Reino é Graça, teu Reino é Amor...”).
Ainda que Jesus não pregue nessa região pagã, ele evangeliza, no sentido mais exato da palavra: da “boa notícia” (“eu-angelion”). Não “informa sobre ela”, não procura transmitir “conhecimentos salvíficos”, nem “anunciar-dizer”, mas “torna presente”, “coloca aí”, constrói “fatos e práticas”, sem teorias, nem palavras. (Não estamos desprezando a teoria, a doutrina, a teologia, a palavra... nem cremos que para Jesus não tenha tido importância... O que estamos querendo dizer, fixando-nos nele, é que também para nós, como para ele, o lugar dessas dimensões “teóricas” é um lugar secundário; o primeiro lugar é para a Vida, a ação, a prática do bem que identifica o Reino, não para a palavra que o anuncia. O
fim último que definitivamente perseguimos é a prática, os fatos, a realidade. A teoria, a palavra, a concientização... também faz parte da realidade, porém não como objetivos, mas como “instrumentos” para sua consecução plena.
Excelente lição para nossos tempos de pluralismo religioso e de diálogo interreligioso. Talvez nosso histórico zelo apostólico e missionário pela “conversão dos infiéis”, pela “chamada dos gentios à fé cristã”, pela “cristianização das nações de outra religião”, ou pela “expansão da Igreja” ou por sua “implantação em outras áreas geográficas”... deveriam olhar para Jesus e tomar nota de sua peculiar conduta missionária.
Talvez hoje necessitemos, como Jesus, calar mais e simplesmente agir. Isto é, dialogar interreligiosamente, começando, como se diz tecnicamente, com o “diálogo da vida”: junto com “outros” e conjugar nossos esforços na construção da vida e do bem (“Ibi Regnum”, aí está o reino).
Porque se conseguimos viver a unidade na construção do “reinado de Deus” (não importa o nome com que se designe a religião), estaremos de fato unidos na adoração (prática) do Deus do Reino. A doutrina, o dogma, a teologia... virão depois. E cairão por seu próprio peso, como fruta madura, quando o diálogo já seja uma realidade palpável na prática da vida diária.
“Ele fez tudo bem feito, fez os surdos ouvir e os mudos falar”; este versículo 37 talvez seja uma má tradução, ou uma derivação da exclamação que, mais provavelmente, brotou dos observadores da conduta de Jesus: “Fez tudo bem feito (o que pode), fez o surdo ouvir e os mudos falar”, ou seja, Jesus pregou aos gentios, porém com “a linguagem dos fatos” e não pedindo uma conversão “mental” à sua religião ou a uma nova Igreja que ele não estava pensando fundar, mas partilhando com eles sua “conversão ao Reino.
Jesus não pretendia converter a ninguém a uma nova religião, mas buscava a conversão de todos ao Reino, deixando a cada um a religião a que pertencia. O que importa é a conversão e não uma outra religião; isto é, importa o Reino, seja a que pertença. A missão do missionário cristão é inspirada em Jesus. O missionário,  que nos representa a todos, não deve buscar a conversão dos “gentios” à Igreja, como seu objetivo primordial, mas sua conversão ao Reino, seja qual for o nome que ele denomina o “outro”, lembrando sempre que denomínibus non est quaestio (“de nomes não se deve discutir”). E essa conversão, claro, não é de diálogo teórico, nem de pregação doutrinal somente... mas de “diálogo de vida” e de construção do Reino.
Oração: Ó Deus de todos os nomes e de todos os povos. Em nosso irmão Jesus vemos um símbolo claro do que queres de nós a respeito das demais religiões: uma atitude de respeito para com os valores e expressões e uma partilha com elas na busca do Reino de Deus e sua justiça. Tudo o mais esperamos por acréscimo. Nós expressamos nosso desejo de fazer nossas as atitudes de Jesus. Tu que vives e fazes viver, pelos séculos dos séculos. Amém.

– Missionários Claretianos

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