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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Comentários Prof.Fernando


Comentários Prof.Fernando (*)21 de out. de 2012 (http://homiliadominical2.blogspot.com.br )
29ºd.t.Comum(21pósPent) – o lado que escolhemos

● Meu Servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas Is 53,10-11
● Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória! Podeis beber o cálice que eu vou beber e ter o batismo com que vou ser batizado?  os chefes das nações as oprimem, os grandes as tiranizam- entre vós não deve ser assim. Quem quiser ser grande seja vosso servo : o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate para muitos Mc 10,35-45

A direita e à esquerda
Depois da revolução francesa a distribuição dos representantes na Assembléia, à direita ou à esquerda, fixou o apelido: os que queriam reformar mais e mais o país sentavam-se à esquerda, de outro lado, os mais conservadores. Ainda hoje, diz o filósofo Bobbio, a Esquerda enfatiza a Igualdade, a Direita, a Liberdade. Igualdade e Liberdade são duas de 3 palavras que passaram a simbolizar a passagem da monarquia para a república moderna. Entre Direita e Esquerda talvez ficou esquecida a Fraternidade...
Na Bíblia, comenta o teólogo Domergue, a expressão “direita e esquerda” podia indicar 4 coisas: 1) a polarização Bem X Mal (como usa Mateus); 2) qualquer lado – quando desorientam (ex.: não olhar para a direita nem para a esquerda); 3) lugares de honra num banquete, e, sobretudo, num tribunal, estão ao lado da pessoa mais importante, como o Juiz no julgamento; 4) em  Marcos (15,27) essa mesma expressão (também em Mateus) serve para indicar a posição de 2 bandidos crucificados com Jesus.
O lugar destinado a quem julga
Assim como “beber do cálice” e “receber o mesmo batismo”, continua Domergue, é referência à Paixão, assim “àqueles a quem foi destinado estar à direita e à esquerda” designa os dois que no Calvário se tornam “assistentes” do Filho do Homem na sua função de Juiz. Mas não foi ele que os destinou para essa função: fomo nós que os colocamos lá. Os dois malfeitores junto ao “trono da glória” (a cruz) são “assistentes” do Juiz para mostrar que todas as nossas condenações são perversas: nós os colocamos lá, nas cruzes. Somos todos culpados, pois condenamos os outros, ao passo que ele disse: Não julgueis e não sereis julgados, não condeneis e não sereis condenados, perdoai, e sereis perdoados (Lc6,37). Nossas vítimas se tornarão nossos juízes, como foi dito ao assassino (Gn4,10): “a voz do sangue do teu irmão clama por mim desde a terra”,
O Filho do Homem veio para dar a vida
Referida à Paixão e Morte do Mestre, elimina-se qualquer pretensão de inocência e também toda pretensão de dominação de uns sobre os outros. O Filho do Homem veio para servir e até foi morto porque pregava um Reino de paz. A nossa justiça condena os malfeitores e nos colocamos (“homens de bem”) do lado dos julgadores. A condenação do Inocente é também juízo do mundo contra si mesmo. Na discussão com os fariseus (cf. episódio do cego de nascença) Jesus ironizou: Vim a este mundo para fazer um julgamento: para que vejam os que não veem e [os que se acham únicos a ver] os que veem se tornem cegos (João 9,39). No mistério da Cruz se expõe o que fazemos ao justo inocente: por nós igualado a malfeitores (Lc22,37citando  Is53,12).
Deveríamos ser ao menos como o “bom ladrão”: ele reconhece a justiça e distingue o Inocente dos culpados. Ainda aguardamos uma justiça plena, um “juízo último”, final, quando toda a verdade for revelada. Como Tiago e João temos a pretensão de estar entre os juízes. Afinal somos bons, cumpridores da lei, “freqüentamos” a igreja, e somos “superiores” – como o fariseu da parábola que assim orava: Graças te dou ó Deus porque não sou como os demais homens-Lc18,11. Os “demais” são os outros que não toleramos. São estrangeiros, fracos, diferentes; são de outras raças ou classes inferiores; nunca estarão à nossa altura, seja por cultura, seja pelo dinheiro.
 Um dia todos vão reconhecer: só o Mestre de Nazaré é o único inocente nessa história.

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(*) Professor (USU-Rio) com mestrado (educação, teologia e teologia moral)

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