.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

1º DOMINGO do ADVENTO



1º DOMINGO do  ADVENTO

2 de Dezembro de 2012

Comentário Prof.Fernando


Evangelho - Lc 21, 25-28.34-36
Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a angústia tomará conta das nações, perturbadas pelo estrondo do mar e das ondas. As pessoas desmaiarão de medo e ansiedade pelo que virá sobre toda a terra, pois os poderes do céu serão abalados. Aí verão o Filho do homem vir numa nuvem com grande poder e glória. Quando começarem a acontecer estas coisas, tomai ânimo e levantai a cabeça porque vossa libertação se aproxima”. Estai atentos, para que o vosso coração não fique insensível por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e aquele dia não vos pegue de surpresa. Pois ele cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. Vigiai sempre e orai para escapardes a tudo que há de vir e ficardes de pé diante do Filho do homem”.
--
Introdução

         Este é o último dia do ano litúrgico, o qual não confere com o ano civil, que termina em 31 de dezembro. Hoje iniciamos a nossa caminhada rumo ao Natal.
         A liturgia nos convida a meditar sobre dois temas: A primeira e a segunda  vinda de Jesus.
         Começamos o Advento. Já  estamos sentindo o cheiro do  Natal, e as leituras nos conduz a uma reflexão sobre o INÍCIO E O FIM.

         Irmãos. Mais uma vez estamos festejando o início de uma nova caminhada. Celebramos hoje o primeiro domingo do Advento, e com ele iniciamos também um novo ano litúrgico, o ano "C" com o Evangelho de Lucas.
         Advento é tempo de meditação e oração. É um clima diferente, pois nos aproximamos da festa da encarnação de Deus na pessoa de Jesus, e nesta festa ocorre um clima de aproximação com Deus e com o nosso irmão. Mesmo que por ocasião das festas do Natal as atividades sejam puramente comerciais e interesseiras, resta sempre uma magia no ar, uma atitude de pensamento em Deus, acompanhada de e uma boa pitada de fraternidade. Portanto, nem tudo está perdido, e é a hora de agirmos com força, e aproveitar esse momento propício, para levar a palavra  de Deus ao nosso irmão desgarrado com mais força e otimismo.

         Advento é o espaço de tempo de espera pelo Natal. Não é, necessariamente,  uma espera pelo nascimento de Jesus, porque Ele já nasceu. Mas sim, uma espera pela festa universal do seu aniversário. Cristo virá, sim, mais de uma outra forma. Ele poderá vir habitar em nós, para isso basta que estejamos disponíveis, a receber a sua vinda.
         Advento é o tempo de espera pela chegada do Senhor, para ficar conosco.
         E quando se espera uma pessoa querida, a alegria se espalha por toda a casa, por todos os que moram nela, e os preparativos parecem nunca terminar.
         Não fica bem receber a pessoa amada com a casa suja, e tudo bagunçado. Por isso, devemos providenciar uma boa limpeza em nossa casa, um boa limpeza em nossa alma para que ela seja digna da presença de Jesus. Uma confissão bem preparada, bem feita, com o devido arrependimento, e o sólido propósito de evitar o pecado futuramente.   
         Advento é como uma mulher esperando o filho que vai nascer. Preparativos, ansiedade, preocupação, apreensão, felicidade, alegria, tudo isso se mistura num clima mágico de espera por uma nova vida que virá. Sim, meus irmãos, UMA NOVA VIDA DEVEMOS TER, após a vinda de Jesus para ficar conosco e em cada um de nós. Uma nova vida de estado de graça, de luta contra o pecado, de muita oração, uma nova vida de conversão diária. 
         Não vemos a hora de festejar o aniversário daquele que transformou o mundo e que quer vir transformar a vida de cada um de nós. Mas é preciso que estejamos preparados,  prontos, puros e dispostos a aceitá-lo como a luz que ilumina os nossos passos até o último momento de nossa caminhada.
         E por falar nisso, o Evangelho de hoje nos adverte muito bem sobre o nosso último instante, para o qual devemos estar preparados, devemos estar de pé, para nos apresentar a Jesus.
        
         A liturgia de hoje nos convida à oração e à vigilância, tendo como base principal o amor a Deus e ao próximo. O Evangelho de hoje está nos lembrando sobre o fim do mundo, e a necessidade de estarmos de prontidão. Jesus diz que as forças celestes serão abaladas, e quando estas coisas começarem a acontecer, nós devemos ter muita fé e coragem, levantando-nos e   erguendo a cabeça, esperançosos pois é a chegada da nossa libertação que se  próxima. Jesus recomenda para tomarmos cuidado para que não fiquemos   insensíveis ou indiferentes  aos sinais dos tempos, nos entregando a gula, a embriaguez e para que não nos distraiamos com as preocupações dessa vida, para que não nos aconteça que a chegada do Filho de Deus, em sua segunda vinda, não caia de repente sobre nós como uma armadilha, como acontecerá com os demais habitantes da Terra. Devemos portanto, ficar vigilantes, atentos através da oração constante,  para que tenhamos forças para vencer o pecado,  e permanecermos puros e dignos da presença de Jesus.  Meus irmãos. É a oração  que nos dá força para combater o pecado. Experimente. http://oracaodoscatolicos.blogspot.com.br/
         Para muita gente, é estranho a liturgia  começar logo falando do fim do mundo, antes do nascimento de Jesus. Mas é preciso entender que Jesus que veio no Natal, virá de novo  no fim dos tempos.
         São Paulo nos ensina o que fazer: Que o Senhor nos conceda um amor fraterno que seja transbordante e que tenhamos uma santidade sem defeitos aos olhos de Deus,e para estarmos preparados para a o dia da vinda de nosso Senhor Jesus.
         Prezados irmãos. Para nós que cremos em Deus por Jesus, o fim dos tempos não é uma ameaça aterrorizante, mas sim, é a confiança que deve ter todo cristão fiel a Cristo,  a esperança de que todo aquele que crer e tiver praticado a palavra, será salvo. O fim não será o FIM. Mais sim, o início de uma nova faze, de uma nova vida. A vida eterna.
         Advento, portanto, é isso. É tempo de termos uma vida  correta e justa que agrade a Deus . E se já estamos vivendo na presença de Deus, devemos progredir na santidade cada dia mais, para que possamos naquele dia estar firmes, e de pé diante do Senhor.
Bom domingo, e um Feliz e atuante novo Ano litúrgico a todos.

José Salviano.
============================
“LEVANTEM-SE ERGAM A CABEÇA, A LIBERTAÇÃO ESTÁ PRÓXIMA.”- Olívia Coutinho

1º DOMINGO DO  ADVENTO

Dia 02 de dezembro de 2012

Evangelho de Lc 21,25-28. 34-36

Iniciamos hoje o tempo do advento! Um tempo que deve ser marcado pelo desejo de conversão de vida, algo fundamental para quem deseja fazer do seu coração uma manjedoura para acolher Jesus! Sem um retorno de todo o nosso ser, à Jesus, não tem como viver a alegria da expectativa de  Sua vinda.
O tempo do advento não se limita na preparação para o Santo Natal, mas também nos insere em toda história da salvação, levando-nos a  reviver a mesma esperança  da vinda do Messias,  vivida pelo povo de Deus, no início de toda história.  Porém, este tempo vem nos lembrar  que o Messias tão esperado já veio, já está no meio de nós!
O advento é um tempo de nascimento e renascimento que nos traz a confiança de que  novos horizontes são possíveis de  serem atingidos, quando  caminhamos na certeza de que Jesus  nasce e renasce  em nossos corações, a cada vez que O enxergamos na pessoa do irmão! É  um tempo de profunda espiritualidade, tempo por excelência para  contemplarmos este precioso presente de Deus para a humanidade: Jesus!
Neste tempo de espera, o nosso coração se rejubila torna maleável aberto para acolher a Luz Maior, que vem reacender em nossos corações, a chama da esperança! Esperança que transcende as nossas necessidades materiais, que inclui uma visão de mundo, onde ainda é possível haver justiça, paz e amor, valores que mantém o equilíbrio da vida, sustentado pela relação entre o humano e o Divino!
 Deixemo-nos tocar e nos envolver pelo advento do senhor, redescobrindo a alegria, o sentido da fé e do viver segundo a vontade de Deus! 
Que neste tempo de preparação para o Natal,  o nosso coração seja inundado por um amor que liberta, que nos torna flexíveis, dóceis a ponto de nos transformar em sinal vivo de Jesus no mundo!
O evangelho que a liturgia deste  domingo nos apresenta, nos parece confuso, de difícil entendimento,  mas ao mesmo tempo  alimenta a nossa esperança, aumenta a nossa confiança no poder de Deus e  nos motiva a um engajamento maior na construção do Seu Reino.
O texto chega até a nós numa  linguagem apocalíptica, isto é, um vocabulário  simbólico, exagerado nas imagens, destacando os fenômenos da natureza para dizer que o mundo velho, corrompido pelo pecado está prestes a desaparecer e no seu lugar  surgirá  um mundo novo,  de modo que os "eleitos" de Deus, não terão mais  o que temer.
O gênero literário apocalíptico é uma forma misteriosa de falar sobre as realidades difíceis do tempo presente e não do que está por vir. É uma linguagem simbólica que tem como propósito, animar as comunidades cristãs para a denúncia profética e a resistência a tudo aquilo que se  opõe ao projeto de Deus.
É a força do testemunho das comunidades cristãs, que faz cair por terra as máscaras dos inimigos do projeto de Deus!
O evangelista Lucas, não pretende nos alarmar sobre o final do mundo, e sim, nos   convidar a levantar a cabeça e a  ficar de pé, mesmo em meio as tribulações de uma sociedade conflituosa em que vivemos, pois a nossa libertação está próxima, ou melhor, está em curso, pois Jesus, ao vencer a morte, nos resgatou do cativeiro, renovando assim, a aliança de amor quebrada pelo pecado.
Se aprofundarmos um pouco mais  no texto, vamos perceber que  a sua mensagem principal  é de esperança. A nossa esperança deve  nascer do fato de que a vitória  do projeto de Deus está garantida, foi  concretizada através  de Jesus.  Porém, a certeza desta vitória, não pode  dispensar a nossa atitude de vigilância, que deve ser constante, pois não podemos correr o risco de sermos pegos de surpresa em atitudes contrárias a vontade de Deus.
 O desafio de quem busca a eternidade, é não desanimar e nem se isolar. É  vivendo em comunidade, partilhando a vida, buscando a conversão, que  encontraremos força e motivação  para enfrentar e superar  as adversidades da vida.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

============================
Domingo 02.12.12

: “quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima!”- Maria  Regina.
                               Será que nós teremos que esperar um momento certo para ver essas coisas acontecerem? Jesus nos dá indícios claros que preanunciam a sua vinda: fenômenos na natureza, sinais no sol, na lua e nas estrelas, angústia, aflição, pavor. Sabemos que na nossa incapacidade humana nunca poderemos vencer os desafios, mas a expectativa da chegada de Jesus que vem nos libertar de todas as misérias é quem nos faz ter esperança, porque Ele mesmo nos afirma: “quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima!” Reflita – Você percebe algum indício de que estas coisas já estão acontecendo? – Você tem medo ou esperança? – Você tem se envolvido muito com o mundo?
Amém
Abraço carinhoso
Maria  Regina.
============================

"Erguei a vossa cabeça” – Diac. José da Cruz


02 de dezembro – Domingo

1º Domingo do Advento Ano “C” 02/12/2012
1ª Leitura Jeremias 33, 14-16
Salmo 24 (25) 1  “Para Vós, Senhor, elevo a minha alma”
2ª Leitura  1Tessalonicenses 3, 12-4,2
Evangelho Lucas 21, 25-28. 34-36
"Erguei a vossa cabeça” – Diac. José da Cruz
O gesto de ficar de cabeça baixa tem muitos significados, quando se perde a honra e a dignidade, quando pesa sobre nós alguma acusação grave, quando sentimos o peso de nossas misérias, ou quando há em nós alguma culpa ou remorso, por algo de mal que cometemos. Antigamente, os filhos ou filhas, ouviam a correção paterna de cabeça baixa, sinal de vergonha, humilhação e arrependimento. Em um tribunal, o réu permanece de cabeça baixa diante do magistrado. Pode ser um gesto imposto, mas também pode ser um ato voluntário. Quem tem coração marcado por alguma culpa, não consegue olhar nos olhos de alguém que lhe é superior nas virtudes. Na minha infância, quando os valores familiares e comunitários eram um patrimônio sagrado, havia certos olhares que evitávamos, quando havíamos cometido algum deslize, o olhar do pai e da mãe, o olhar dos nossos mestres na escola, o olhar do sacerdote na igreja, ou mesmo o olhar da nossa catequista, ou daquelas pessoas que considerávamos muito bondosas. Sempre que algo pesava em nossa consciência era muito difícil erguermos a cabeça e olharmos de frente para essas pessoas. Talvez seja por isso, que nesses tempos da pós modernidade, algumas pessoas mais antigas, vira e mexe, comenta “Que o mundo véio virou de ponta cabeça”, referindo-se a essa inversão de valores no campo da ética e da moral.
Parece que hoje em dia há um sentimento de culpa, no coração de quem quer se comprometer com o Bem , que é o próprio Deus revelado em Jesus Cristo, pois a perversidade, a maldade, a mentira e o cinismo, estão presentes em todas as classes ou categorias de pessoas, fazendo com que instituições, antes intocáveis, agora sejam vistas com certa desconfiança.. E assim, muitas pessoas acabam desistindo de ser boas, honestas, íntegras em seu ambiente, por terem vergonha de ser uma exceção. Tive uma amiga que saiu de uma empresa, porque na sua área de trabalho, embora jovem, e sendo casada, era a única que não tinha ainda saído com o chefe e dizia-me que sentia-se muito mal em meio as outras meninas.
É o relativismo nefasto e cruel, que vai sufocando os valores da dignidade humana e que invadiu todos os ambientes, até mesmo nossas comunidades cristãs, corrompendo o coração de muitos crentes testemunhas de Jesus. Quando o homem passa a ser referência de si mesmo, sem a índole do cristianismo, o mundo verdadeiramente acaba “virando de cabeça para baixo”.
Sol, lua e estrelas simbolizam algo que toda a humanidade pode ver. De fato, em toda a terra tem-se a impressão de que o Mal se tornou soberano e nos filmes catastróficos, algo apavorante é o barulho do mar e as ondas gigantescas que engolem em poucos minutos, toda uma civilização. Para o povo antigo, o mar era o domínio das forças do mal, eis aqui a causa da angústia humana: medo de que o Bem Supremo não exista, de que tudo o que ouvimos falar de Deus seja uma mentira e que a Obra da Criação e a Salvação que Jesus nos trouxe, não passe de uma bela história, inventada por grupos religiosos. O ser humano tem medo da sua própria verdade, e mais ainda, da Verdade Divina.
O Evangelho desse primeiro domingo do advento, quando no calendário litúrgico inicia-se um novo ano, desfaz essa grande mentira do Mal “Vencedor”. “Então eles verão o Filho do Homem, vindo sobre as nuvens, com grande Poder e Glória!”. Haverá um epílogo na História da Humanidade, tudo irá convergir para Deus. Naquele momento irá se revelar quem é o ser humano, criado por Deus e chamado para viver a vocação do amor em sua plenitude, todos os homens se encontrarão com Cristo, Senhor do céu e da terra, o primogênito de vivos e mortos, o homem verdadeiro nascido do desejo de Deus, feito á sua imagem e semelhança.
“Quando todas essas coisas começarem a acontecer..” Isso é, quando tudo parecer estar perdido, quando o homem perder toda sua dignidade e rastejar-se diante das forças do mal, enfim, quando a derrota do Bem parecer iminente, o cristão altivo, que professa sua fé em Jesus Cristo, único Deus e Senhor de toda a História, deverá levantar-se e erguer a cabeça, porque a redenção está próxima. O seu testemunho firme e resoluto irá desmascarar o mal, onde ele estiver, e como a neve tênue, o Mal não conseguirá resistir ao raio de sol do Bem Supremo que é Jesus Cristo.
Quanto aos que acreditaram nas potestades do mal e em seu livre arbítrio trilharam os caminhos da escuridão, naquele momento irão abaixar a cabeça envergonhados, porque não conseguirão contemplar o Cristo Glorioso sobre as nuvens estes tomarão consciência da vitória definitiva do Bem e depois, assistirão estupefatos a instauração definitiva do Reino, e depois, cabisbaixos seguirão adiante, mergulhando na angústia eterna, tendo a sã consciência de que tiveram mil oportunidades na vida, para conhecerem o Senhor, mas que desgraçadamente fizeram a Opção errada!

============================
DOMINGO 02 de Dezembro
Evangelho - Lc 21, 25-28.34-36

A vossa libertação está próxima.

Neste Evangelho, do primeiro domingo do advento, Jesus nos fala mais uma vez do final dos tempos, e usa uma linguagem própria do estilo bíblico que se denomina “apocalíptica”. Nesse gênero literário não se dá valor a cada pormenor, mas à mensagem global. E a mensagem do Evangelho de hoje é de que este mundo não é eterno, ele terá um fim, tal como a humanidade, a quem Deus oferece a salvação por meio de Cristo.
O Evangelho contém uma secção descritiva e outra exortativa. A descritiva tem como centro a frase de Jesus: “A vossa libertação está próxima”. A exortativa chama a nossa atenção para a necessidade da vigilância: “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós”.
O homem é um ser que espera. Não podemos viver sem esperança. A humanidade avança graças à esperança. É a esperança que dá força a todos nós nos momentos difíceis.
Muitas pessoas, especialmente políticos, criam falsas esperanças no povo. Mas nenhum sistema político-econômico consegue dar uma explicação satisfatória às grandes inquietações do ser humano, que são a vida, a morte, o sofrimento...
Para nós cristãos, todas as nossas esperanças se convergem na nossa maior esperança que é Jesus Cristo, o qual nos leva para o Reino de Deus, que é uma realidade ao mesmo tempo atual e futura. Cristo é a pedra angular sobre a qual se constrói o edifício da libertação humana. Por isso, “levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”. O advento de Jesus e da salvação por ele trazida não são somente para o além, mas para este momento que nos calhou viver. Cabe a nós fazer o mesmo que fez o cego de Jericó que, ao ouvir que Jesus estava passando, jogou o manto e foi ao encontro dele. Esta resposta pronta e decidida se concretiza em deixarmos o homem velho e nos revestirmos do novo, que tem Cristo como modelo.
Da esperança nasce o amor, o qual se transforma em justiça, em fraternidade, em perdão, em paz... Aí está presente o Reino de Deus. Mas para isso precisamos estar atentos às três ameaças à esperança, citadas por Jesus: a embriaguês, o dinheiro e o prazer. São apenas três manifestações do extenso campo do mal alojado em nós.
Por outro lado, a esperança é fruto da oração, pela qual abrimos a porta do nosso coração para Deus entrar e agir.
A vigilância do advento é para nós uma fonte de enriquecimento das virtudes, que nos preparam para o Natal.
“Senhor, concedei-nos o ardente desejo de possuir o reino celeste” (Oração da Missa de hoje).
No advento nós celebramos a primeira vinda de Jesus, mas ao mesmo tempo nos lembramos de que ele virá uma segunda vez, não mais na aparente fraqueza, mas como nosso rei e juiz. Que estejamos preparados!
Certa vez, um homem riquíssimo estava morrendo. Seu filho estava ao lado dele, junto à cama. O homem, em seus últimos momentos, falou: “Filho, segure minha mão”. Ele a pegou, enquanto seu pai continuava: “Filho, você está segurando a mão do homem que se tornou o maior dos fracassos dentre todos os homens deste mundo.” Seu filho retrucou: “Pai, por que o senhor fala assim? O senhor é o presidente de uma das maiores empresas, além de dezenas de outras propriedades. O senhor tem milhares de amigos.”
Então ele respondeu: “Eu vivi por um tempo e não para a eternidade. Eu não me preparei para o momento vindouro. Tudo o que eu tenho, eu vou deixar aqui. Tudo é muito escuro e frio.”
Logo depois ele morreu, com um semblante triste. Ele era, de fato, um homem fracassado.
Nós costumamos medir o sucesso de uma pessoa pelos bens que ela possui. Se os tem em abundância, julgamos ser uma pessoa bem sucedida. Se não apresenta nenhum patrimônio. Logo a taxamos de fracassada. Mas o sucesso ou fracasso não está na quantidade de bens que possuímos, mas na nossa preparação para a vida eterna. “O ser humano é como um sopro; seus dias, uma sombra que passa” (Sl 144,4).
Maria santíssima ocupa um lugar de destaque no advento. Ninguém viveu melhor do que ela a espera do redentor, inclusive fisicamente, pois ela o trazia em seu ventre. Sua figura ilumina o advento, transbordando ao mesmo tempo alegria, esperança e vigilância. Que seu exemplo nos ajude neste novo tempo litúrgico.
A vossa libertação está próxima.

Padre Queiroz

============================
Evangelhos Dominicais Comentados
02/dezembro/2012 – 1o Domingo do Advento
Mais uma vez nos encontramos para festejar o início de uma nova caminhada. Vivemos hoje o primeiro domingo do Advento, e com ele iniciamos também um novo ano, o ano C do calendário litúrgico. Por isso, para você, um feliz ano novo!
Advento é tempo de espera. Tempo de reflexão e oração. No Advento encontramos o clima perfeito para nos aproximarmos de Deus e do próximo. Advento, tempo de fortalecer a fé, a esperança e a caridade em preparação para o nascimento de Jesus.
Ano novo, vida nova! Muito antigo esse chavão, porém, mais antigos ainda são as promessas e o desejo de mudar. Não podemos ficar somente na promessa e no desejo. Quem não mudou, precisa mudar urgentemente, pois o recado do Evangelho é bem claro. Precisamos estar preparados para receber Jesus no Natal, no entanto, a vinda do Salvador pode acontecer antes do dia 25 de dezembro. Pode ser amanhã mesmo.
As expressões deste evangelho chegam a assustar. Se levadas ao pé da letra, são terríveis. Não é preciso desesperar-se, mas é bom ficar atento, pois não sabemos o dia nem a hora. Quem não estiver sóbrio, poderá cair na armadilha e não encontrar forças, nem mesmo, para ficar de pé.
Jesus usa uma linguagem simbólica para mostrar a insensatez do mundo, um mundo muito parecido com este em que vivemos; onde não existe organização nem leis e, se existem, não são levadas a sério pela sociedade. Um mundo de cabeça para baixo, angustiado, inseguro e medroso.

As pessoas também seguem os mesmos passos do mundo. Vivem angustiadas, medrosas e sem saber a quem recorrer. Ainda não descobriram Deus, rejeitam sua mão amiga e não confiam em seu poder. A concorrência desleal e a guerra do poder tornaram os corações insensíveis. 

Qualquer semelhança entre os sinais apontados por Jesus e os sinais que encontramos no nosso dia-a-dia, não é mera coincidência. Jesus insiste na oração, pois só mesmo com muita oração poderemos escapar da grande tribulação. A oração nos mantém acordados, vigilantes e nos dará a força necessária para permanecer de pé diante do Senhor.

Jesus nos fala de sinais assustadores que aparecerão. Mas, veja se não é mesmo para ficar assustado: no mundo em que vivemos, impera a lei do mais forte. Os valores são cada vez menos valorizados. A família está em segundo plano, marido não respeita esposa, mulher não respeita o marido e filhos não respeitam os pais. Falta Deus nos lares, ninguém respeita ninguém.

O egoísmo afasta os irmãos, gera ódio, injustiça e vingança. As condições desumanas em que milhares se encontram passam despercebidas por uma minoria, dona do poder. Os sem teto, os sem terra, sem emprego, os aposentados, os famintos e desabrigados, todos eles parecem invisíveis, no entanto estão aí, aos milhares, perambulando diante dos nossos olhos. Quer sinais mais terríveis do que estes?

Nem tudo são más notícias. Existem as profecias pessimistas e as otimistas. As profecias otimistas anunciam a misericórdia e a presença de Deus junto daqueles que lutam por mudanças e se preocupam com o próximo.

Essas profecias anunciam que o Deus Amor virá para resgatar todo aquele que nele confia. Quem vive o amor não se desespera porque sabe que são verdadeiras estas palavras: "Quando essas coisas começarem a acontecer, levantem suas cabeças, porque a libertação de vocês está próxima".                                 

(1188)

============================
“A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado!”

 Com a Eucaristia deste hoje estamos iniciando um novo Ano Litúrgico e também o Tempo do Advento, que nos prepara para o Natal do Senhor. Durante este novo ano, aos domingos, escutaremos sempre trechos do Evangelho segundo Lucas. E nesta primeira Missa deste novo tempo, a Igreja, no missal, coloca as palavras do salmo 24, que foram lidas há pouco: “A vós, meu Deus, elevo a minha alma”... A Igreja ergue os olhos, o coração, a alma para o Senhor, reconhecendo-se pobre, pequena e necessitada. “Confio em vós, que eu não seja envergonhado!” Estas palavras, exprimem qual deva ser nossa atitude neste santo Advento: atitude de quem se reconhece necessitado de um Salvador; de quem se sabe pequeno e incapaz de caminhar sozinho! A humanidade, sozinha, não chega à plenitude, não encontra a felicidade: precisamos que Deus venha e nos estenda a mão, que ele nos eleve e nos salve!
O Advento nos prepara para o Natal e nos faz pensar que um dia o Senhor virá em sua glória para levar à plenitude sua obra de salvação. É um tempo de vigilância, de súplica, de alegre esperança no Senhor que vem: veio em Belém, vem no mistério celebrado no Natal, virá no final dos tempos e vem a cada dia, nos grandes e pequenos momentos, nos sorrisos e nas lágrimas. A liturgia nos ajuda a viver bem este tempo com símbolos próprios desta época: a cor roxa, que significa sobriedade e vigilância; o “Glória”, que não será rezado na Missa, para recordar que estamos nos preparando para cantá-lo a plenos pulmões no Natal; a ornamentação sóbria da igreja; a coroa do Advento, que abençoamos no início desta celebração; as leituras e cânticos tão comoventes, sempre pedindo a graça da Vinda do Senhor; a memória dos personagens que nos ensinam a esperar o Messias: Isaías, João Batista, Isabel e Zacarias, José e, sobretudo, a Virgem Maria.
Neste tempo, cuidemos de meditar mais na Palavra de Deus, tanto nas leituras da Missa diária quanto no livro do Profeta Isaías. Procuremos também o sacramento da confissão. Abramos nosso coração Àquele que vem!
No Evangelho deste domingo, o Senhor nos recorda a necessidade da vigilância: “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse Dia não caia de repente sobre vós; pois esse Dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes da terra. Portanto, ficai atentos!” Aquele cuja vinda celebraremos no Natal, cuja vinda esperamos no final dos tempos, vem a nós constantemente! Somente numa atitude de oração e vigilância, de sobriedade e de expectativa amorosa, é que poderemos reconhecê-lo e acolhê-lo. É nossa atitude agora que determinará nossa sorte quando ele vier no final dos tempos. Com uma linguagem impressionante e simbólica, Jesus quer nos dizer hoje que sua manifestação final vai co-envolver todas as coisas: a criação toda, a história humana toda e cada um de nós. Nada nem ninguém escapará do Dia do Cristo; tudo será passado a limpo pelo Filho do Homem glorioso: “Verão o Filho do Homem vindo numa nuvem com grande poder e glória”. Esta vinda será discriminatória, pois discriminará bons e maus: será manifestação da salvação para quem o acolheu... e será perdição para quem o rejeitou! Daí, a advertência séria, o apelo quase que dramático que Jesus nos faz: “Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai a cabeça, porque a vossa libertação se aproxima”; ficai atentos para terdes força de escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes dep é diante do Filho do Homem!” Os sinais que o Senhor nos dá, acontecem sempre, em cada geração, como um convite insistente à vigilância.
É preciso que compreendamos que este Dia final que o Senhor nos prepara – Dia da sua Vinda, da sua Manifestação, da sua Aparição – será Dia de salvação: “Eis que virão dias em que farei cumprir as promessas de bens futuros... Naqueles dias, farei brotar de Davi a semente de justiça... e Judá será salvo e Jerusalém terá uma população confiante”. Deus nunca pensou o mal para nós! Mas é necessário que nos abramos para o Bem que o Senhor nos prepara; este Bem é Aquele que veio em Belém, que nos vem em cada Eucaristia e que nos virá no final de tudo: “este é o nome com que será chamado: Senhor-nossa-justiça”. Este Bem é Jesus-Salvador! Por isso mesmo, na segunda leitura desta Missa, o Apóstolo nos convida a buscar a santidade aos olhos de Deus, nosso Pai, preparando-nos para “o Dia da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, com todos os seus santos” e nos pede insistentemente que façamos “progressos ainda maiores”.
Tomemos consciência de que nosso caminho neste mundo passa, é apenas um caminho! Por que temos tanto medo de recordar que aqui estamos de passagem e que somente lá permaneceremos para sempre? Pois bem: vivamos bem nosso Advento, vivamos bem os dias de nossa vida, à luz do Dia do Cristo que vem! Que caminhemos com os pés bem firmes neste mundo e os olhos voltados para o alto. Que nossos sentimentos sejam os do salmo da Missa de hoje: “Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação!” Que nós, “acorrendo com nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos” no Dia da sua Vinda! Vem, Senhor Jesus! Amém!
Caríssimos irmãos no Senhor, estamos começando hoje um novo Ano Litúrgico; é o princípio de mais um ciclo de tempo sagrado para celebrar na liturgia o santo mistério do Deus que nos salvou em Cristo Jesus. Celebramos o mistério de Cristo na sagrada Liturgia e, com ela, enchemos nossa vida do bom odor de Cristo e do gosto das coisas do céu! Pois bem, irmãos no Senhor, cuidemos de viver piedosamente este novo ano que ora começa!
E o primeiro mistério que se celebra no arco do ano da Igreja é, precisamente, o santo Tempo do Advento, que faz memória da longa espera do povo de Israel e de toda a humanidade. Espera? Que espera? Pensemos, caros no Senhor, pensemos no coração humano, recordemos a história humana e veremos que toda a nossa existência é uma saudade, uma espera, uma ânsia. O homem é cativo da esperança! Espera a paz, espera a felicidade, espera a plenitude, espera a vida, espera vencer a morte! Os pagãos, sem saber bem o que esperavam, ainda assim, esperavam... Esperavam e esperam! Por sua vez, os judeus, o povo da antiga aliança, esperava sabendo o que esperava... Sabia porque Deus prometera um Messias, um Salvador. Com esse bendito Enviado de Deus, toda graça e toda bênção seriam dadas a Israel e a toda a humanidade. Nos dias do Messias, o Senhor iria derramar seu Espírito sobre toda carne e Israel seria salvo e a humanidade descansaria em paz... Pois bem, o Tempo do Advento celebra essa espera e coloca diante dos nossos olhos as promessas que Deus fez ao seu povo e a toda a humanidade. Exatamente porque é tempo de espera, a cor deste período é o roxo, de quem vigia e aguarda; por isso também a ornamentação simples da Igreja... É tempo de esperar, como o vigia espera pela aurora, como a amada espera pelo amado, como a flor espera pelo orvalho...
Mas, essa celebração da espera, própria do Advento não é um faz-de-conta! Nada disso! Esta espera nos faz recordar que Aquele que veio para nós em Belém, nascido de Maria a Virgem, virá como Juiz e Senhor nos final dos tempos. Diz o Catecismo da Igreja: “Jesus Cristo é o Senhor: possui todo poder no céu e na terra. Esta acima de toda autoridade, poder, potentado e soberania, pois o Pai tudo submeteu a seus pés. Cristo é o Senhor do cosmo e da história. Nele, a história do homem e mesmo toda criação encontram sua recapitulação, sua consumação transcendente” (n. 668). Portanto, caríssimos, é preciso que nos preparemos para ele por uma vida de vigilância e santidade! Por isso mesmo, as duas primeiras semanas do Advento nos fazem pensar na segunda vinda do Cristo, quando ele aparecerá em glória, cumprido tudo quanto Deus nos prometera e levando à consumação a sua obra. Disso nos falam as leituras deste Domingo.
Pela boca do profeta Jeremias, Deus prometia à Casa de Israel – e tal promessa é válida para nós, novo Israel: “Eis que virão dias em que farei cumprir a promessa de bens futuros para a casa de Israel! Naqueles dias, naquele tempo, farei brotar de Davi a semente da justiça; Judá será salvo e Jerusalém terá uma população confiante. Este é o nome que servirá para designá-la: ‘O Senhor é a nossa justiça’!” Esta promessas, irmãos, não diz respeito somente ao passado, à primeira vinda do Cristo, descendente de Davi; diz respeito ao nosso futuro, àquilo que Deus nos prepara. E o que nos prepara? A manifestação gloriosa e salvífica do seu Filho Jesus Cristo! Aquele que veio na humildade de nossa carne em Belém, manifestar-se-á na plenitude da glória, no tempo que somente o Pai conhece, e tudo e todos serão nele examinados, nele tudo será julgado e nele encontrará o destino definitivo, de salvação ou perdição eterna: “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas... Os homens vão desmaiar de tanto medo, só de pensar no que vai acontecer ao mundo. Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória”. O que nossa fé nos ensina, caríssimos, é que tudo caminha para o Cristo: a criação, a história, a nossa vida... Daí a nossa responsabilidade em viver com sabedoria os dias de nossa peregrinação neste mundo: “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós!” A tentação é grande, irmãos! Mais que nunca somos solicitados pelo mundo a viver no consumismo, no excesso de distrações, de futilidades, de uma vida dispersa e superficial. Querem nos fazer esquecer que aqui estamos de passagem, que nossa plenitude se encontra somente em Cristo nosso Deus e que haveremos, um dia de comparecer ante o tribunal do Senhor Jesus! Vigiemos, pois! Cuidemos de estar atentos ao Senhor, “pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes da terra!” A grande questão que a palavra do Senhor hoje nos coloca é se queremos viver na futilidade de uma vida que parece não ter rumo nem plenitude final ou se, ao invés, compreendemos a nossa existência como um caminho que tem uma meta, um sentido, uma plenitude, que se encontra em Cristo nosso Senhor! Ora, se, de fato, levarmos a sério que um dia daremos contas ao Senhor da nossa vida, se levarmos a sério de verdade que Cristo é o sentido último de nossa existência, então, é preciso não brincar com o conselho do Apóstolo na segunda leitura desta Liturgia: “Que o Senhor confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de Nosso Senhor Jesus com todos os seus santos. Aprendestes de nós como deveis viver. Fazei progressos ainda maiores!!”  É assim, caríssimos, que poderemos, no dia final, levantar-nos e erguer a cabeça para a salvação que se aproxima. É assim, na oração, na vigilância, na prática da virtude, numa vida levada a sério, que poderemos compreender a exortação de Jesus: “Ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem”.
Caríssimos, quando o Senhor nos fala dessas coisas não é para amedrontar ou nos fazer terrorismo! Nada disso! O objetivo do nosso Deus é nos recordar com toda a seriedade a respeito da responsabilidade que temos em viver com sabedoria a única existência que nos foi dada; assim estaremos prontos para o encontro com o Senhor quando ele vier! Vigiemos, oremos, sejamos amigos de Cristo, sejamos fiéis filhos de nossa santa mãe católica, vivamos em paz, valorizando os dias de nossa vida, e a Vinda do Senhor será para nós salvação e alegria. Com estes santos pensamentos, vivamos este belíssimo tempo do Advento que hoje começa, na doce esperança do Cristo nosso Deus. A ele a glória pelos séculos, Amém.
dom Henrique Soares da Costa

============================
A alegre expectativa da vinda do senhor

O primeiro domingo do Advento abre a perspectiva da segunda vinda do Senhor. Ela acontecerá com toda a certeza e marcará a libertação total daqueles que aceitaram a Palavra de Jesus e viveram na vigilância, na oração (Evangelho), dando frutos do amor plantado em seus corações pelo próprio Deus (segunda leitura). Assim se cumpre, de modo inusitado, a palavra de Jeremias (primeira leitura), que anuncia a vinda de um rei justo, que conduzirá o povo eleito à sua plena realização.
1ª leitura (Jr. 33,14-16)
O texto de Jeremias apresenta um oráculo de salvação que será a realização plena da promessa de Deus. Esse oráculo tem dois componentes:
a) Deus suscitará um rei da dinastia davídica.
Numa época em que já não há mais a monarquia em Jerusalém, espera-se, com base na promessa feita a Davi (cf. 2Sm. 7,12-16), a restauração da realeza em Jerusalém. Mas, diferentemente de tantos monarcas que haviam reinado na cidade santa, particularmente nos últimos tempos antes da invasão babilônica, esse novo rei realizará a vontade de Deus, estabelecendo o direito e a justiça, ou seja, a vida conforme os mandamentos.
b) O país entrará numa nova situação. Judá e sua capital, Jerusalém, estarão livres de qualquer ameaça estrangeira, não mais sujeitas à destruição. Assim todo o povo reconhecerá que Deus age em seu favor. Ele é sua justiça, Ele é quem realiza a reta ordem na história universal
e no interior do povo eleito, garantindo a observância de sua vontade, expressa na Lei.
No Novo Testamento, o rei suscitado por Deus e que restabelece a justiça é Jesus. Não mais numa monarquia terrestre, em Jerusalém, mas num domínio que a ultrapassa e se estende a todos os povos. Ele o faz já inicialmente em sua vida terrena; realiza-o na sua cruz e ressurreição;
e o consuma na sua segunda vida, quando virá com “poder e grande glória” (Lc. 21,27). O novo povo de Deus recebe, através dele, a garantia de participar da nova época salvífica (cf. Lc. 21,28).
Evangelho (Lc. 21,25-28.34-36)
Após anunciar a queda de Jerusalém (Lc. 21,8-24), o discurso escatológico de Jesus abre-se para a consumação final, que virá não só para Jerusalém, mas para todo o orbe (v. 26.35). A consumação final é determinada pela vinda do Filho do Homem (v. 27.36) e é precedida por sinais cósmicos (no céu e na terra: v. 25), que revertem a ordem da criação, levam-na ao caos, criando uma situação de grande temor e angústia. Trata-se de um modo de falar que tematiza o futuro desconhecido a partir do imaginário conhecido. São imagens utilizadas na apocalíptica e no discurso profético e têm por finalidade mostrar que este mundo, esta história, não tem consistência em si e por si. É a vinda do Filho do Homem que coloca em xeque toda segurança humana e decide o futuro da humanidade. Retoma-se aqui a visão de Daniel (7,13-14), aplicando-a ao Cristo morto e ressuscitado que virá consumar sua obra e receberá do Pai o domínio universal e o poder de julgar as nações (v. 36).
Opõem-se, no texto, o medo e a angústia das populações em geral e a confiante expectativa dos discípulos (“vós”: v. 28). A vinda do Senhor não será, para estes, motivo de inquietação, mas de alegria. A obra redentora de Jesus já os atinge no hoje histórico, mas sua volta marcará o momento em que não se estará mais sujeito aos percalços da vida, permeada de perseguições (v. 12-16). Os discípulos não precisarão mais fugir para escapar de tribulações (v. 21). O desejo, presente em todo ser humano, de ter sua vida histórica totalmente integrada na salvação (cf. Rm. 8,23) se realizará.
A redenção será então levada à sua plena manifestação. Subentende-se que começará então uma época absolutamente nova.
A vinda do Senhor ocorrerá no “dia” (v. 34). Esse “dia” foi anunciado pelos profetas com variada gama de significados: desde o de juízo para o povo eleito até o de sua restauração definitiva e do aniquilamento dos pagãos.
Agora, o “dia” é marcado pela ação do Filho do Homem, que virá para julgar. Sua realização é absolutamente certa, mas sua expectativa não pode ser determinada a partir de um calendário que se espera cumprir-se. Ela deve ser caracterizada pela atitude de prontidão em relação àquela Vinda.
Em Lc. 17,22-31, compara-se a atitude errônea diante do dia do Filho do Homem com a dos contemporâneos de Noé e Lot, que, apesar das admoestações, continuaram sua vida sem atentar para a ameaça que estava por se realizar (o dilúvio e a destruição de Sodoma e Gomorra): “Comiam, bebiam...”
(v. 27.28). Contra isso, Lc. 21,34.36 exorta os fiéis a não se deixarem tomar pelos afanos do dia a dia, esquecendo-se do anúncio de Jesus.
“Não dormir, não embriagar-se...” (cf. 1Ts. 5,6-7). É preciso manter-se atento, vigilante, plenamente consciente.
Na perspectiva de Lucas, porém, isso não basta. A vigilância deve ser cumprida na oração constante. Vigiando e orando (cf. Lc. 22,46, no Getsêmani), o discípulo terá a força para superar as tribulações (v. 25-26), alegrar-se-á pela proximidade da vinda (v. 28) e terá confiança de ser acolhido pelo Filho do Homem (v. 36).
O texto mostra, assim, o dia da vinda do Senhor como o dia da grande libertação. Nessa perspectiva, o cristão pode viver com imensa esperança. O futuro trará a plenitude dos dons de Deus e a consumação de toda a sua obra.
Essa esperança se expressa então na atitude de permanente atenção e na oração constante.
Longe de alienar o discípulo de suas responsabilidades, tal esperança lhe dará a motivação mais profunda e o dinamismo mais produtivo para que ele colabore na construção do Reino, já presente em semente.
2ª leitura (1Ts. 3,12 – 4,2)
O texto litúrgico se inicia com uma oração do Apóstolo (3,12-13). Ela expressa suas expectativas, que simultaneamente são orientações de vida para os cristãos. Dois elementos são mencionados: o amor e a santidade.
O Apóstolo ora, em primeiro lugar, para que o Senhor faça crescer o amor, primeiramente entre os irmãos, mas também para com os que não pertencem à comunidade cristã.
Trata-se de uma atitude que os cristãos devem desenvolver; sua fonte, porém, é o próprio Deus: é Ele quem o faz crescer. O amor deve ser realizado concretamente no trato cotidiano, mas isso só ocorrerá se cada um estiver aberto a recebê-lo de Deus. Então, sim, poderá transbordá-lo para os outros. É o que diz em outras passagens São Paulo: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações...” (Rm. 5,5); e “Aprendestes pessoalmente de Deus a amar-vos mutuamente” (1Ts. 4,9).
O segundo elemento, a santidade, não é um algo a mais ao lado do amor, mas designa a mesma realidade, embora de modo mais abrangente. A santidade não consiste simplesmente em comportamentos segundo a moral, mas na vivência do amor. Tendo o cristão crescido no amor, Jesus confirma seu coração (a sede de sua vida, de sua intelectualidade, moralidade e espiritualidade) na participação da santidade do Deus que é amor. Tal confirmação ocorrerá por ocasião da parúsia do Senhor. Será confirmada uma vida já vivida na santidade. O cristão não espera a parúsia de modo descompromissado, mas na tensão de uma vida que vive plenamente o presente a partir da luz que lhe confere o futuro.
Em sua vinda, Jesus não estará sozinho. Ele virá acompanhado de seus santos, que podem ser aqui os anjos e/ou os fiéis já falecidos. Ele inaugurará uma nova época da qual todos os que viveram no amor participarão.
O texto litúrgico continua com a exortação do Apóstolo, em tom afetuoso, a que os cristãos não se acomodem, mas vivam sob o olhar de Deus, realizando sua vontade e progredindo nesse caminho. A fonte do amor é Deus (cf. 3,12), mas isso não dispensa o empenho pessoal.
Dicas para reflexão
– A santidade é vocação universal (LG cap. 5). Levo a sério essa vocação? Como vivo o amor (aos irmãos e aos que não pertencem à comunidade) em meio às tensões do cotidiano?
– As preocupações do dia a dia, a busca de bem-estar, de “qualidade de vida”, de sucesso... ocupam minha atenção, de modo a obscurecer a orientação de minha vida para o Senhor?
– Como viver o compromisso cristão neste mundo em atitude de vigilância e oração?
Maria de Lourdes Corrêa Lima

============================
Advento é tempo de grande compromisso com o projeto de Deus. Olhando a realidade do povo em nosso país, constatamos que há um abismo entre o que o Senhor quer e a situação em que se encontra a maioria da nossa gente. Contudo, os anseios do povo coincidem profundamente com o plano divino: a paz que é fruto da justiça. O povo quer dirigentes e governantes legítimos, dos quais possa cobrar seus direitos e justiça (1º leitura).
A celebração eucarística é lugar onde o povo oprimido pode ficar de pé e levantar a cabeça, porque a libertação está próxima (evangelho). A morte e ressurreição de Jesus, celebradas na eucaristia, são a presença do Deus que age na história, julgando e libertando.
Celebrar é atualizar o amor de Cristo por nós, traduzindo-o em fraternidade e solidariedade, de modo que o mundo inteiro conheça o projeto de Deus e dele participe, pois o amor prepara a vinda de Jesus (2º leitura).
1ª leitura (Jr. 33,14-16): A paz é fruto da justiça
O capítulo 33 de Jeremias é uma promessa de restauração feita à cidade de Jerusalém e à dinastia davídica. O oráculo – que, segundo os estudiosos, não é de Jeremias, mas de um discípulo seu – situa-se em torno do ano 587 a.C., depois que Nabucodonosor sitiou Jerusalém durante um ano. É, portanto, uma mensagem de esperança para uma comunidade cercada de desespero, pavor e morte.
Os versículos escolhidos como primeira leitura deste domingo têm como tema a restauração da dinastia davídica (33,14-18). O profeta anuncia o cumprimento das promessas que Deus fez a seu povo: repatriar os exilados e constituir um rei que governe segundo o direito e a justiça (os versículos deste domingo contemplam só a segunda promessa).
Davi – símbolo do rei justo – havia deixado como testamento a seguinte afirmação: “Quem governa os homens com justiça, e quem governa segundo o temor de Deus, é como a luz da manhã ao nascer do sol, manhã sem nuvens depois da chuva, que faz brilhar a grama da terra” (2Sm. 23,3b-4). A história dos reis de Judá não registra com tanta frequência os atos de justiça das autoridades máximas do país. Mais ainda: o último rei durante a atividade de Jeremias é um tal de Sedecias (nome que significa Javé-minha-justiça), rei fantoche cujo poder foi legitimado por Nabucodonosor, do qual Judá conhece a crueldade, ambição e violência. Foi Nabucodonosor quem deu esse nome a Sedecias. Ora, para os antigos, dar ou mudar o nome de alguém significava, respectivamente, dar-lhe nova identidade ou manipular essa pessoa. Foi o que aconteceu com Sedecias. E a “justiça” que Sedecias tentou instaurar foi a do invasor e opressor do povo.
Não é por aí que se realizam as promessas de Javé. A nova autoridade, surgida da descendência de Davi, será um fruto santo (literalmente: um rebento santo, v. 15a). A imagem vegetal do broto novo mostra que Deus toma a iniciativa, suscitando, gratuita e generosamente, nova autoridade para o povo. A função dessa nova autoridade é fazer valer o direito e a justiça no país (v. 15b). Em outras palavras, a legitimidade do governo consiste na administração da justiça. E quem legitima essa autoridade é o próprio Deus. A carteira de identidade do governo que Javé vai suscitar para o povo será o cumprimento da justiça que Deus deseja. O nome (= a identidade) do rei é Javé-nossa-justiça (v. 16b).
Quais as consequências de um governo que se preocupa fundamentalmente com o direito e a justiça? O texto de hoje aponta uma delas: “Jerusalém habitará em segurança” (v. 16a). Resultado de administração justa é uma sociedade que vive em paz e segurança. Para os antigos, a cidade é o lugar privilegiado da convivência social. Mas é também lugar onde podem ser notadas, em grau elevado, as consequências da exploração, quando as autoridades deseducam o povo em relação ao direito e à justiça, apesar de estarem cheias de “boas intenções” e programas. A cidade pode se tornar lugar de comunhão ou lugar onde as pessoas se devoram mutuamente. De acordo com a promessa de Jeremias, a cidade se tornará lugar de comunhão, paz e segurança quando o rei cumprir e fizer cumprir a justiça de Deus: Javé-nossa-justiça. E o que isso significa? Em outras palavras, a autoridade só é legítima quando traduzir a segurança e a paz social em termos de vitória sobre a corrupção, interna ou externa, que lesa, oprime e mata o povo; quando atender às reivindicações dos empobrecidos. Quando isso acontecer, o povo dará ao governo um nome significativo: “Ele é a própria justiça de Deus” (Javé-nossa-justiça). Parece não ser isso o que está acontecendo hoje no meio de nós. De fato, quais são os “nomes” que o povo dá, hoje, aos que nos governam?
Evangelho (Lc. 21,25-28.34-36)
Fiquem de pé e levantem a cabeça, porque a libertação está próxima!
O capítulo 21 de Lucas é um apocalipse. É uma forma de escrever estranha para nós. Ao ler um texto apocalíptico, muita gente pensa que o autor esteja falando de coisas do futuro, do fim do mundo etc. O que dizer disso?
O gênero literário apocalíptico não quer falar de coisas que vão acontecer num futuro remoto ou próximo. É um modo misterioso de falar sobre as coisas do tempo presente. É uma linguagem para tempos difíceis cuja finalidade é animar as comunidades para a denúncia profética e para a resistência diante de tudo o que se opõe ao projeto de Deus.
O apocalipse de Lucas (cap. 21) fala da história passada e presente e, se quisermos, fala também das propostas de caminhada para os cristãos que vivem em meio a uma sociedade conflituosa. Quando Lucas escreveu o evangelho, a cidade de Jerusalém já tinha sido destruída (ano 70 d.C.). Ora, parte do cap. 21 trata desse tema (vv. 5-24). Ao lermos o texto, temos a impressão de que as coisas estão ainda por acontecer. Por que, então, o evangelista descreve a destruição de Jerusalém? A primeira lição que a comunidade cristã tira desse acontecimento é a seguinte: o fim da cidade que matou Jesus não é o fim do projeto de Deus. O cristianismo tem um caminho aberto pela frente. Em outras palavras, a escatologia de Lucas não pretende instruir sobre o fim dos tempos: ela já se iniciou com a encarnação, morte e ressurreição de Jesus. É aqui, em nossa história cheia de conflitos, que somos chamados a levantar a cabeça e ficar de pé, pois nossa libertação está próxima, ou seja, está em curso, uma vez que o Cristo, tendo vencido as forças da morte, está vivo e virá para nos salvar definitivamente.
a. Jesus está presente em nossa história como aquele que julga (vv. 25-28)
É próprio da apocalíptica traduzir, por meio de sinais grandiosos, a presença do Filho do homem na história. Os vv. 25-28 não fogem à regra e mostram alguns desses sinais no sol, na lua e nas estrelas (v. 25a). No Antigo Testamento, essas catástrofes cósmicas são sinônimo da presença do Deus que age na história em favor de seus aliados. O livro do Apocalipse nos ajuda a entender melhor esse sinal. Lá, os abalos cósmicos são prenúncio da novidade que Deus vai criar. Há, no mundo, uma expectativa de novidade, marcada por esses fenômenos. Algo de completamente novo está para acontecer. Isso se torna mais claro no final do Apocalipse, quando são criados novos céus e nova terra. Na nova Jerusalém já não existirão sol, lua, estrelas. Tudo é novo. E essa novidade é resultado da própria ação de Deus, que tem poder sobre os elementos cósmicos. Portanto, longe de assustar, esse tipo de linguagem quer animar, dar esperança e fortalecer na resistência. Isso vale também para Lucas.
A vinda do Filho do homem é descrita no v. 27 como o próprio poder de Deus que age na história. A nuvem, sobre a qual ele está, é símbolo do poder e da glória divina que o Filho possui. Sua vinda é marcada pelo julgamento dos que se opõem ao projeto de Deus. Isso é demonstrado nos vv. 25b-26: “Na terra as nações cairão em angústia, assustadas com o barulho do mar e das ondas; os homens vão desmaiar de medo só em pensar no que ameaça o mundo, porque até as forças do céu serão abaladas”. E é demonstrado também no v. 27: “Então eles verão o Filho do homem vindo numa nuvem com grande poder e glória”. Quem são os que verão o Filho do homem? Os que se opuseram a ele e aos discípulos, aos quais foi confiado o projeto de Deus. Esse versículo se inspirou em Dn. 7,13 - 14, que possui forte conotação de julgamento. A vinda do Filho do homem, portanto, é marcada em primeiro lugar pelo julgamento dos que rejeitaram as propostas do Reino.
Com essas imagens estranhas, baseadas em catástrofes cósmicas, o evangelista pretende afirmar que os inimigos do projeto de Deus (as nações) vão perdendo, por força do testemunho das comunidades cristãs, as máscaras que ocultavam a injustiça e a perversidade da sociedade estabelecida. A vinda do Filho do homem, portanto, não é algo que se deva esperar passivamente. Ao contrário, é já uma presença, cuja manifestação depende do testemunho dos cristãos.
Em segundo lugar, a vinda do Filho do homem é salvação dos que permanecem fiéis: “Quando estas coisas começarem a acontecer, fiquem de pé e levantem a cabeça, porque a libertação está próxima” (v. 28). A palavra libertação, certamente inspirada no pensamento de Paulo, é o resgate que Cristo pagou com seu sangue. O termo lembra a compra dos escravos: alguém nos resgatou, a preço de sangue, para que vivamos desde já como pessoas livres (cf. 1Cor. 6,20; Gl. 5,1). Contudo, o processo de libertação continua mediante a prática da justiça e o esforço para recriar a humanidade de acordo com o projeto de Deus. Isso é tarefa dos discípulos de Jesus. Ao dar continuidade ao processo de libertação, os cristãos enfrentam os conflitos e perseguições dos que não desejam que as coisas mudem. Nesse combate, o Filho do homem é nosso aliado e juiz. Ele declara inocentes (faz ficar de pé) os que lhe forem fiéis e lhes dá vitória (levanta a cabeça).
b. Como ficar de pé e levantar a cabeça (vv. 34 - 36)
Os vv. 34-36 são um apelo à vigilância; não no sentido de expectativa de algo que está para acontecer, mas vigilância como discernimento do que leva ou não ao projeto de Deus: “Cuidado para que a consciência de vocês não fique entorpecida com festanças, bebedeiras e preocupações da vida, para que aquele Dia não os apanhe de surpresa” (v. 34). Os primeiros cristãos pensavam que a segunda vinda de Cristo aconteceria em breve. Diante disso, muitos deles deixaram de ter aquela garra que caracterizava os inícios das comunidades cristãs, passando a levar vida mansa, sem trabalhar, vivendo à custa dos outros (cf. 1 Ts. 5,14; 2 Ts. 3,6 - 12). Para Lucas, não é assim que se espera a vinda do Filho do homem. Ao contrário, mediante a lucidez, o senso crítico em relação à sociedade e aos acontecimentos da história, é que as pessoas vão descobrindo a presença do Deus que age conosco e em nosso favor. Quem vive de consciência entorpecida pela ideologia é como se estivesse em permanente ressaca: não é capaz de discernir o momento e a urgência da prática cristã. E o julgamento de Deus (aquele Dia) cai sobre essas pessoas como rede (v. 35).
A norma que o evangelho dá, a fim de que as pessoas possam ficar de pé diante do Filho do homem, é esta: “Fiquem sempre acordados e rezem para ter força” (v. 36a). Trata-se de vigilância ativa, acompanhada pela oração-discernimento: a vinda do Filho do homem não é expectativa passiva de acontecimentos futuros. É prática cristã que não se acomoda (fiquem acordados), mas procura adequar-se, mediante a oração, à vontade de Deus.
2ª leitura (1Ts. 3,12–4,2): O amor prepara a vinda de Jesus
Tessalônica, com seus inúmeros contrastes sociais, era uma das grandes metrópoles do primeiro século da era cristã. Obrigado a fugir de Filipos, onde fora torturado e quase morto, Paulo se refugiou nessa cidade, onde fundou uma comunidade, organizando-a. Perseguido, teve de abandonar Tessalônica às pressas, sem poder acabar a catequese sobre o ser cristão. Estando em Atenas, mandou para lá Timóteo, a fim de sentir de perto como andava aquela comunidade. Voltando, Timóteo encontrou Paulo em Corinto e lhe contou os progressos feitos pela comunidade e sua resistência diante das perseguições sofridas. De Corinto, Paulo escreve aos tessalonicenses, a fim de manifestar seu contentamento e ação de graças pela perseverança (caps. 1-3). E aproveita a oportunidade para acrescentar algumas instruções (caps. 4-5). Nasce, assim, o primeiro escrito do Novo Testamento.
A comunidade de Tessalônica aderiu ao evangelho com grande alegria. Seus membros passaram a viver o ideal de comunhão e solidariedade fraternas próprias de quem abraça a novidade do projeto de Deus, afastando-se do modo de viver da sociedade daquele tempo, que discriminava e marginalizava pessoas. Nessa comunidade, o amor e a solidariedade eram as normas que regiam o relacionamento entre as pessoas.
Paulo elogia, na primeira parte da carta, o comportamento dessa comunidade. Contudo, crê serem necessários ainda alguns progressos. Com isso, mostra que o projeto de Deus é dinâmico: “O Senhor lhes conceda crescer e prosperar no amor de uns para com os outros e para com todos, a exemplo do amor que temos por vocês” (3,12). A comunidade cristã não vive o amor em circuito fechado. É próprio do amor expandir-se dentro e também fora da comunidade. Nessa dinâmica, atinge-se a santidade que agrada a Deus e prepara-se a vinda de Jesus, nosso Senhor (v. 13). A prática de Jesus, traduzida na prática do agente de pastoral, vai contagiando e fermentando a sociedade toda.
A seguir, Paulo inicia a parte exortativa (caps. 4 - 5), na qual apresenta o que ainda falta à comunidade, a fim de que esta manifeste plenamente a novidade do reino de Deus. O apóstolo tem consciência de que sua conduta é ponto de referência para a plena manifestação do projeto de Deus: “Enfim, meus irmãos, vocês aprenderam de nós como devem viver para agradar a Deus e já estão vivendo assim. Porém lhes pedimos com insistência, no Senhor Jesus, que façam maiores progressos ainda” (4,1). A insistência é feita “no Senhor Jesus”. Ele se tornou, para a comunidade cristã, o centro de suas vidas. Interessante notar que, ao fundar a comunidade, Paulo não possui o evangelho escrito para apresentá-lo à comunidade. O evangelho é a pessoa de Jesus, cuja prática o agente de pastoral procura viver (4,1) e transmitir plenamente (v. 2).
============================
Tudo começa de novo
Ó Deus todo poderoso, concedei a vossos fieis o ardente desejo de possuir o reino celeste, para que, acorrendo com nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos (Coleta  do  I domingo do advento).
Anuncia-se, no mistério da sagrada liturgia, a próxima chegada do desejado das colinas eternas, desse que é primogênito de todas as criaturas que vem inaugurar  um tempo novo,  tempo de concórdia e de paz, tempo em que os animais domésticos conviverão com as feras das  selvas, tempo em que a criança de peito colocará  a  mão  a toca da cobra e não sofrerá nada.  Estamos começando a viver o tempo do advento  que nos leva ao  mistério do presépio do Menino das Palhas e nos faz refletir sobre as constantes visitas que Deus  faz à terra e àquela que fará no final da história de cada um de nós.  Revestimo-nos do roxo da penitência e  queremos ser companheiros de todos os pobres da terra e dos  magos do Oriente que vão buscar a casa do Menino.
A oração de abertura do primeiro domingo do advento coloca diante de nossos olhos o espírito desse tempo: aguçar  nosso desejo de possuir o reino celeste, a terra de Deus.  Celebram bem o tempo do advento aqueles que cultivam a dimensão do desejo, não de um desejo qualquer, mas de um  ardente desejo que nada tem a ver com a repetição de ritos.  Só podem encontrar efetivamente aqueles que  querem  ser possuídos pelo Senhor. Os que se revestem do desejo  do Senhor acorrem ao Senhor com boas obras: justiça, coração contrito, generosidade, atenção aos mais abandonados.
Estrada, caminho para o presépio, caminho para a manifestação de Deus.  “Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação” (Salmo 24).
Ouvimos o discurso escatológico de Lucas.  Haverá  abalos na terra e no coração dos homens. No fim de tudo?   Na segunda vinda do Senhor? Ou  em nosso interior, nós que aguardamos a vinda espiritual do Senhor em nossos corações?   “Quando essas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça,  porque a vossa libertação está próxima”. A chegada de Deus na terra  nos traz libertação de nós mesmos, de nossos medos, de nossas dúvidas.  Vale a pena viver. Os sobressaltos  passam porque com a vinda do Senhor chega nossa libertação.  Será preciso prestar atenção, estar em estado de controle, de sensibilidade:  “Tomai cuidado para que os vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez  e das preocupações da vida e esse dia não caia de repente sobre vós (…) para ficardes de pé diante do Filho do Homem”.
Sim,  com o tempo do advento tudo começa de novo.
frei Almir Ribeiro Guimarães
============================
Caminhar ao Encontro do Senhor que vem
Quando se aproxima uma visita esperada, a maioria das pessoas não dorme muito bem. Quando a visita é temida, as pessoas ficam inquietas. Quando é desejada, ficam agitadas … Porém, há uma diferença: a tensão do medo paralisa, a tensão do desejo desperta a criatividade. O evangelho de hoje alude às duas atitudes. Anuncia cataclismos cósmicos, que encherão os homens de medo (Lc. 21,26). Mas para os cristãos tudo isso significa: “Coragem: vossa salvação chegou!” (21,28). Por isso, o cristão vive à espera “daquele dia” num espírito de “sóbria ebriedade”, fazendo coisas que ninguém faria, mas sabendo muito bem por quê.
Ora, nós esperamos uma visita querida e ficaríamos muito penados se o visitante não nos encontrasse despertos para sua vontade, mas apenas ocupados com nossas próprias veleidades. Como a moça que espera seu namorado chegar não mais pensa em suas próprias coisas, mas está toda em função dele, assim nós já não vivemos para nós, mas para ele que por nós morreu e ressuscitou (para vir novamente até nós).
Paulo descreve maravilhosamente essa realidade na sua carta escatológica por excelência, a 1 Ts. (2a leitura). Na ânsia pela vinda do Senhor, sempre podemos crescer mais, e é ele que nos deixa crescer, para que sua chegada seja preparada do modo mais perfeito possível.
A idéia do crescimento é muito valiosa em nossa vida cristã. É o remédio contra o desespero e contra a acomodação: contra o desespero de quem acha que sempre será inaceitável para Deus; e contra a acomodação dos que dizem: “Ninguém é perfeito: portanto …” Não somos perfeitos, mas nem por isso a perfeição deixa de ser nossa vocação. O caminho do cristão não consiste em uma perfeição alcançada e acabada, mas numa contínua conversão para a santidade de Deus, que é sempre maior do que nós. O importante é nunca ficarmos satisfeitos com o que fizemos e somos, mas cada dia de novo procurar voltar daquilo que foi errado e progredir naquilo que foi bom.
Assim, a idéia do dia definitivo não paralisa o cristão, mas o torna inventivo. Desinstala. Quem acha que já não precisa mudar mais nada em sua vida, não é bem cristão. Alguém pode achar que está praticando razoavelmente bem os deveres para com sua família, em termos de educação; para com seus empregados, em termos de salário; para com sua esposa, em termos de carinho e fidelidade; e até para com a Igreja, em termos de contribuição para suas necessidades financeiras; estando entretanto cego por aquilo que lhe é exigido para estruturar melhor a sociedade, para que a justiça seja promovida e não contrariada. Tal pessoa deve ainda crescer muito. E ai se não quiser! Um jovem, por outro lado, pode perguntar-se, com o salmista: “Como pode um jovem conservar puro seu caminho?” Cresça, que aprenderá sempre melhor em que consiste a verdadeira pureza. Só nunca se contente com um “padrão aceitável” para a “sociedade”.
Portanto, a liturgia de hoje nos ensina o dinamismo do crescimento cristão, com vistas ao reencontro definitivo com nosso Senhor. Desde o primeiro domingo, marca a existência cristã com este sentido.
O homem e a sociedade sempre podem ser renovados. A 1a leitura nos lembra essa verdade fundamental. Jerusalém, no tempo pós-exílico, era não tanto o monte de Javé quanto um montão de problemas. Mas mesmo assim lhe é prometido um novo nome, sinal de uma realidade nova: “Deus nossa justiça” (Jr. 33, 16). Este texto confere, portanto, à expectativa cristã um toque comunitário. Assim podemos interpretar também a expressão da oração do dia, que pede para que alcancemos o reino celestial. Num reino, ninguém está só. Daí ser legítima a tradução do missal brasileiro: “a comunidade dos justos”. Um novo nome para Jerusalém, uma utopia válida para todos nós, eis o que nos impele ao encontro do Senhor que vem.
Johan Konings "Liturgia dominical"
============================
Inicia-se hoje mais um ano litúrgico com o tempo do Advento, que é a preparação para a vinda de Jesus.
No Evangelho, Jesus fala de sua volta no final dos tempos e chama a atenção para essa preparação. Ele deseja que toda a humanidade entenda que a esperança futura está na vida celeste e não na terrestre. Explica também que o abalo das forças cósmicas anunciará a chegada do fim e que, nesta ocasião, Ele (Jesus ressuscitado) virá para julgar com autoridade, e a verdade aparecerá mostrando que a sociedade prega a justiça, mas é injusta porque pratica vícios, persegue e mata os justos e inocentes. E o mundo, perturbado pelas guerras e desordens, deve ficar alerta para entender estes sinais como um aviso que, quando o homem se afasta de Deus ele se perde.
Os primeiros cristãos pensavam que a segunda vinda de Cristo iria acontecer em breve e, por isso, muitos deixavam de ter a determinação que caracterizava o início das comunidades cristãs, e passavam a levar uma vida mansa sem trabalhar, esperando o reencontro definitivo com Jesus. Porém, a idéia do encontro definitivo, não pode paralisar o cristão que precisa cumprir seus deveres com a família, com o trabalho, com a igreja e com a sociedade, tornando-a mais justa e fraterna.
Para Lucas, o senso crítico em relação à sociedade e os acontecimentos da história são as pessoas que vão descobrindo a presença de Deus que age na vida em favor de seus filhos.
A volta de Jesus, desperta o sentimento de espera ansiosa por uma visita. Se esta visita é temida, surge a inquietude e o medo que pode paralisar; porém, se for desejada, aflora uma agitação inquieta, que desperta o desejo de estar preparado para recebê-la.
Quando Jesus convoca para vigília e a oração, e Ele repete isso aos discípulos no dia de sua agonia no Jardim das Oliveiras, é para que ninguém sofra, mas que estejam alertas e unidos ao Pai na oração para crescerem no Amor de Deus e do próximo.
Jesus quer mostrar que deve estar presente no coração do cristão, a justiça e a santidade que Ele próprio veio ensinar, pois a força da comunidade só existe quando está atenta, vigilante e pratica a oração. E assegura que só ‘ficará de pé’ aquele que for considerado justo no dia do julgamento.
============================

Sejam vigilantes!
A exortação de Jesus à vigilância visava criar, no coração de seus discípulos, a atitude correta de quem deseja acolher o Senhor que vem. A incerteza da hora poderia ter como efeito desviá-los do caminho certo, levando-os a se afastarem, perigosamente, do Reino.
Vigiar significa por em prática as palavras de Jesus, especialmente o mandamento do amor. Significa enfrentar a tentação do egoísmo, que leva o discípulo a convencer-se da inutilidade de fazer o bem. Significa acreditar que vale a pena lutar para construir o Reino, a exemplo de Jesus, num mundo onde a injustiça e a maldade parecem falar mais alto. Significa estar sempre disposto a perdoar e a se reconciliar, revertendo a espiral da violência que assume proporções sempre maiores.
A vigilância cristã é perseverante e se alimenta da esperança. A pessoa vigilante não se abate, ainda que a realidade seja desesperadora. O discípulo do Reino sabe olhar para além da História e contemplá-la na perspectiva de Deus, segundo o ensinamento de Jesus. A vigilância, portanto, faz com que ele não seja esmagado pelo peso da história humana. Pelo contrário, o permite descobrir nela uma lógica inacessível para quem não tem fé.
O discípulo esforça-se para não se deixar vencer pelo sono da infidelidade ao Senhor e ao Reino. Ser encontrado, assim, seria a sua ruína.
Oração
Senhor Jesus, que eu esteja vigilante à tua espera, para ser encontrado perseverante no amor e cheio de esperança de ser acolhido por ti.
padre Jaldemir Vitório
============================
Estar vigilante
Hoje, com o primeiro domingo do Advento, inicia-se o novo ano litúrgico, antecipando-se ao início do ano civil. O Advento é um tempo de aprofundamento do grande acontecimento da encarnação do Filho de Deus, já em processo desde a concepção de Jesus no ventre de Maria, comemorada em 25 de março, na festa da Anunciação, e manifestada no seu nascimento, comemorado no Natal, em 25 de dezembro.
A tradição litúrgica abre o tempo do Advento com a leitura de um trecho do discurso escatológico dos evangelhos, com a advertência aos discípulos para permanecerem vigilantes. Dessa maneira, para a Igreja, o nascimento de Jesus é compreendido como a chegada de um novo tempo, o qual deve ser acolhido com uma fé atenta e vigilante.
Quando Jesus falara sobre a destruição do Templo de Jerusalém, os discípulos perguntaram sobre quando isto ocorreria e qual seria o sinal. Estes discípulos tinham ainda a expectativa da restauração política da Judeia, tendo Jerusalém como o centro de poder mundial, com seus critérios próprios de justiça e direito para o julgamento dos demais povos (primeira leitura). Jesus apresentara, na terra, os sinais das guerras, dos terremotos, pestes e fomes. Menciona, agora, alguns sinais cósmicos, com caráter simbólico, próprio da literatura apocalíptica. Estes sinais indicam o desmoronamento da ordem social injusta, seja no mundo religioso judaico, seja no mundo gentílico, a qual cede lugar a um mundo novo possível. "As potências celestes serão abaladas", indica o fim dos poderes que usam a religião e o nome de Deus como instrumento de opressão e lucro. "E então verão o Filho do Homem vindo numa nuvem com grande poder e glória." É o poder do amor e da vida (cf. segunda leitura) que frustra os objetivos dos poderes da morte.
Pode-se ver no título de "Filho do Homem", atribuído a Jesus, a expressão da humanidade, em toda sua simplicidade, humildade e fragilidade, assumida em Jesus, pela encarnação. Envolvida pelo amor de Deus Pai e Mãe, esta humanidade é filialmente revestida de divindade e eternidade. A comunhão com Jesus se dá na libertação das preocupações da vida submissa aos interesses dos ricos poderosos, e na vigilância e na oração contínua, na atenção e no serviço aos mais carentes de vida e amor neste mundo.
Vivemos o dia da presença do Reino de Deus no mundo, que vem como uma armadilha para aqueles que estão seduzidos pelo poder deste mundo. Os poderosos do mundo procuram apanhar a todos com outras armadilhas, que não vêm de Deus. Eles têm como meta suprema a acumulação de riqueza, que é feita a partir da exploração dos empobrecidos. Sua principal armadilha é a ideologia que infundem, incutindo nos empobrecidos a esperança de que um dia alguns deles poderão tornar-se ricos também. Os iludidos, mesmo vivendo em condições de carência e exclusão, são tomados pela ansiedade do enriquecimento, tornando-se indiferentes à solidariedade fraterna que leva à comunhão de vida. A atenção à palavra de Deus e a oração libertam os discípulos destas armadilhas.
Lucas associa a oração contínua à vigilância escatológica. A oração contínua é a oração do coração e do compromisso, na presença de Deus, que completa a vida em comunhão fraterna.
Hoje é o tempo de amar, é o dia de comunicar a liberdade e a vida, semeando a Paz, na alegria da fraternidade dos filhos de Deus.
José Raimundo Oliva
============================
Neste 1º Domingo do Tempo do Advento, a Palavra de Deus apresenta-nos uma primeira abordagem à “vinda” do Senhor.
Na primeira leitura, pela boca do profeta Jeremias, o Deus da aliança anuncia que é fiel às suas promessas e vai enviar ao seu Povo um “rebento” da família de David. A sua missão será concretizar esse mundo sonhado de justiça e de paz: fecundidade, bem-estar, vida em abundância, serão os frutos da ação do Messias.
O Evangelho apresenta-nos Jesus, o Messias filho de David, a anunciar a todos os que se sentem prisioneiros: “alegrai-vos, a vossa libertação está próxima. O mundo velho a que estais presos vai cair e, em seu lugar, vai nascer um mundo novo, onde conhecereis a liberdade e a vida em plenitude. Estai atentos, a fim de acolherdes o Filho do Homem que vos traz o projeto desse mundo novo”. É preciso, no entanto, reconhece-l’O, saber identificar os seus apelos e ter a coragem de construir, com Ele, a justiça e a paz.
A segunda leitura convida-nos a não nos instalarmos na mediocridade e no comodismo, mas a esperar numa atitude ativa a vinda do Senhor. É fundamental, nessa atitude, a vivência do amor: é ele o centro do nosso testemunho pessoal, comunitário, eclesial.
Leitura I – Jer. 33,14-16
Leitura do Livro de Jeremias
Eis o que diz o Senhor:
«Dias virão, em que cumprirei a promessa
que fiz à casa de Israel e à casa de Judá:
Naqueles dias, naquele tempo,
farei germinar para David um rebento de justiça
que exercerá o direito e a justiça na terra.
Naqueles dias, o reino de Judá será salvo
e Jerusalém viverá em segurança.
Este é o nome que chamarão à cidade:
‘O Senhor é a nossa justiça’».
Ambiente
Estamos no ano décimo do reinado de Sedecias (587 a.C.). O exército babilônio de Nabucodonosor cerca Jerusalém e Jeremias está detido no cárcere do palácio real, acusado de derrotismo e de traição (cf. Jer. 32,1). Parece o princípio do fim, a derrocada de todas as esperanças e seguranças do Povo. É neste contexto que o profeta, em nome de Jahwéh, vai proclamar a chegada de um tempo novo, no qual Deus vai “pensar as feridas” do seu povo e curá-las, proporcionar a Judá “abundância de paz e segurança” (Jer. 33,6). A mensagem é tanto mais surpreendente quanto o futuro imediato parece sem saída e o próprio Jeremias é acusado de profetizar a inutilidade de resistir aos exércitos caldeus, a destruição de Jerusalém e o exílio de Sedecias (cf. Jer. 32,3-5).
Mensagem
Nesse momento limite em que tudo parece comprometido, Jeremias anuncia a fidelidade de Jahwéh às promessas feitas a David (cf. 2 Sm. 7): no futuro, Deus irá fazer surgir um descendente de David (“zemah zaddîq” – “rebento justo”), que assegurará a paz e a salvação a todo o povo. A palavra “zemah” (“rebento”) evoca a fecundidade e a vida em abundância (cf. Is 4,2; Ez 16,7). É o nome com que o profeta Zacarias designa o “Messias” (cf. Zac. 3,8; 6,12).
As palavras ligadas à área da “justiça” desempenham um papel fundamental neste anúncio de Jeremias. Diz-se que o descendente de David será “justo” e que a sua tarefa consistirá em assegurar a “justiça” e o “direito” (“mishpat” e “zedaqa”). A dupla “justiça/direito”, característica da linguagem profética, refere-se ao funcionamento reto da instituição responsável pela administração da justiça (tribunal) que possibilitará, por sua vez, uma correta ordem social (“zedaqa”), fundamento da paz e da prosperidade. Sedecias nem garantiu a “justiça”, nem assegurou a paz; por isso, a catástrofe está iminente… Mas o rei futuro anunciado pelo profeta, da descendência de David, será o “ungido” de Deus. Terá por missão restaurar a “justiça” e transmitir a abundância de vida e de salvação ao Povo de Deus. Por isso, chamar-se-á “o Senhor é a nossa justiça” (“Jahwéh zidqenû”): por ele, Deus garante ao seu Povo um futuro fecundo, de justiça, de bem-estar, de salvação.
Recordando as promessas de Deus, o profeta elimina a nostalgia de um passado mais ou menos distante, elimina o medo do presente e instaura o regime da esperança.
A atualização desta mensagem profética pode fazer-se de acordo com as seguintes coordenadas:
O ambiente em que estamos mergulhados potencia, tantas vezes, o medo, a frustração, o negativismo, a insegurança, o pessimismo… É possível acreditar no Deus da “justiça”, fiel à “aliança”, comprometido com os homens e continuar a olhar para o mundo nessa perspectiva negativa, como se Deus – o Deus da justiça e do amor – tivesse abandonado os homens e já não presidisse à nossa história?
De acordo com o Novo Testamento, esta “justiça” é comunicada pelo “Messias” a todos os membros do povo eleito (cf. Rom. 1,17; 1 Cor. 1,30; 2 Cor. 5,21; Flp. 3,9). Sentimo-nos, verdadeiramente, membros do povo messiânico, construtores desse mundo de justiça, de paz, de felicidade para todos? Qual é a atitude que define o nosso empenho: o compromisso sério com a justiça e a paz, ou o comodismo de quem prefere demitir-se das suas responsabilidades e passar ao lado da vida?
Salmo responsorial – Salmo 24 (25)
Refrão: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma.
Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,
porque Vós sois Deus, meu Salvador.
O Senhor é bom e reto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.
Os caminhos do Senhor são misericórdia e fidelidade
para os que guardam a sua aliança e os seus preceitos.
O Senhor trata com familiaridade os que O temem
e dá-lhes a conhecer a sua aliança.
Leitura II – 1 Tes. 3,12–4,2
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Tessalonicenses
Irmãos:
O Senhor vos faça crescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos, tal como nós a temos tido para convosco.
O Senhor confirme os vossos corações numa santidade irrepreensível, diante de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de Jesus, nosso Senhor, com todos os santos.
Finalmente, irmãos, eis o que vos pedimos e recomendamos no Senhor Jesus:
recebestes de nós instruções sobre o modo como deveis proceder para agradar a Deus, e assim estais procedendo; mas deveis progredir ainda mais.
Conheceis bem as normas que vos demos da parte do Senhor Jesus.
Ambiente
A comunidade cristã de Tessalônica foi fundada por Paulo, Silvano e Timóteo durante a segunda viagem missionária de Paulo, aí pelo ano 50 (cf. Act. 17,1ss). Durante o pouco tempo que lá passou, Paulo desenvolveu uma intensa atividade missionária, de que resultou uma comunidade numerosa e entusiasta, constituída na sua maioria por pagãos convertidos (cf. 1 Tess. 1,9-10). No entanto, a obra de Paulo foi brutalmente interrompida pela reação da colônia judaica… Paulo teve de fugir, deixando atrás de si uma comunidade em perigo, insuficientemente catequizada e quase desarmada num contexto de perseguição e provação. Preocupado, Paulo envia Timóteo a Tessalônica para saber notícias e encorajar na fé os tessalonicenses. Quando Timóteo regressa, encontra Paulo em Corinto e comunica-lhe notícias animadoras: a fé, a esperança e o amor dos tessalonicenses continuam bem vivos e até se aprofundaram com as provações (cf. 1 Tes. 1,3; 3,6-8). Os tessalonicenses podem ser apontados como modelos aos cristãos das regiões vizinhas (cf. 1 Tes. 1,7-8).
Mensagem
Apesar de tudo o que Deus já edificou no coração dos crentes de Tessalônica, a caminhada cristã destes não está concluída. Há que “progredir sempre” (1 Tes. 4,1), sobretudo no amor para com todos (1 Tes. 3,12). Só nesta atitude de não conformação será possível esperar a “vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tes. 3,13).
Atualização
A confrontação deste texto com a vida pode ter em conta os seguintes elementos:
A caminhada cristã nunca é um processo acabado, mas uma construção permanente, que recomeça em cada novo instante da vida. O cristão não é aquele que é perfeito; mas é aquele que, em cada dia, sente que há um caminho novo a fazer e não se conforma com o que já fez, nem se instala na mediocridade. É nesta atitude que somos chamados a viver este tempo de espera do Messias.
Uma dimensão fundamental da nossa experiência cristã é a caridade: só aprofundando-a cada vez mais podemos sentir-nos identificados com Aquele que partilhou a vida com todos nós, até à morte na cruz; só praticando-a, podemos fazer uma verdadeira experiência de Igreja e construir uma comunidade de irmãos; só vivendo-a, podemos ser, para os homens que partilham conosco esta vasta casa que é o mundo, o rosto do Deus que ama.
Aleluia – Salmo 84,8
Aleluia. Aleluia.
Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia e dai-nos a vossa salvação.
Evangelho – Lc. 21,25-28.34-36
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
«Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, erradas com o rugido e a agitação do mar.
Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas.
Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória.
Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.
Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriagues e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele atingirá todos os que habitam a face da terra.
Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem».
Ambiente
Estamos já nos últimos dias da vida terrena de Jesus, após a sua entrada triunfal em Jerusalém. Jesus está a completar a catequese dos discípulos e, nesse contexto, anuncia-lhes tempos difíceis de perseguição e de martírio. Avisa-os, também, de que a própria cidade de Jerusalém será, proximamente, sitiada e destruída (cf. Lc. 21,20-24). Ora, é neste contexto e nesta sequência que aparece o texto do Evangelho de hoje.
Mensagem
O vetor fundamental à volta do qual se estrutura o Evangelho de hoje está na referência à vinda do Filho do Homem “com grande poder e glória” (Lc 21,27) e no convite a cobrar ânimo e a levantar a cabeça porque “a libertação está próxima” (Lc. 21,28). A palavra “libertação” (“apolytrôsis” – “resgate de um cativo”) é uma palavra característica da teologia paulina (1 Cor. 1,30; cf. Rom. 3,24; 8,23; Col. 1,14…), onde é usada para definir o resultado da ação redentora de Jesus em favor dos homens. O projeto de salvação/libertação da humanidade, concretizado nas palavras e nos gestos de Jesus, é apresentado como o “resgate” de uma humanidade prisioneira do egoísmo, do pecado, da morte. Trata-se, portanto, da libertação de tudo o que escraviza os homens e os impede de viver na dignidade de filhos de Deus.
A mensagem proposta aos discípulos é clara: espera-vos um caminho marcado pelo sofrimento, pela perseguição (cf. Lc. 21,12-19); no entanto, não vos deixeis afundar no desespero porque Jesus vem. Com a sua vinda gloriosa (de ontem, de hoje, de amanhã), cessará a escravidão insuportável que vos impede de conhecer a vida em plenitude e nascerá um mundo novo, de alegria e de felicidade plenas.
Os “sinais” catastróficos apresentados não são um quadro do “fim do mundo”; são imagens utilizadas pelos profetas para falar do “dia do Senhor”, isto é, o dia em que Jahwéh vai intervir na história para libertar definitivamente o seu Povo da escravidão, inaugurando uma era de vida, de fecundidade e de paz sem fim (cf. Is. 13,10; 34,4). O quadro destina-se, portanto, não a amedrontar, mas a abrir os corações à esperança: quando Jesus vier com a sua autoridade soberana, o mundo velho do egoísmo e da escravidão cairá e surgirá o dia novo da salvação/libertação sem fim.
Há, ainda, um convite à vigilância (cf. Lc. 21,34-36): é necessário manter uma atenção constante, a fim de que as preocupações terrenas e as cadeias escravizantes não impeçam os discípulos de reconhecer e de acolher o Senhor que vem.
Atualização
A reflexão acerca do Evangelho de hoje pode tocar, entre outros, os seguintes pontos:
A realidade da história humana está marcada pelas nossas limitações, pelo nosso egoísmo, pelo destruição do planeta, pela escravidão, pela guerra e pelo ódio, pela prepotência dos senhores do mundo… Quantos milhões de homens conhecem, dia a dia, um quadro de miséria e de sofrimento que os torna escravos, roubando-lhes a vida e a dignidade… A Palavra de Deus que hoje nos é servida abre a porta à esperança e grita a todos os que vivem na escravidão: “alegrai-vos, pois a vossa libertação está próxima. Com a vinda próxima de Jesus, o projeto de salvação/libertação de Deus vai tornar-se uma realidade viva; o mundo velho vai converter-se numa nova realidade, de vida e de felicidade para todos”.
No entanto, a salvação/libertação que há-de transformar as nossas existências não é uma realidade que deva ser esperada de braços cruzados. É preciso “estar atento” a essa salvação que nos é oferecida como dom, e aceitá-la. Jesus vem; mas é necessário reconhece-LO nos sinais da história, no rosto dos irmãos, nos apelos dos que sofrem e que buscam a libertação. É preciso, também, ter a vontade e a liberdade de acolher o dom de Jesus, deixar que Ele nos transforme o coração e Se faça vida nos nossos gestos e palavras.
É preciso, ainda, ter presente, que este mundo novo – que está permanentemente a fazer-se e depende do nosso testemunho – nunca será um realidade plena nesta terra, mas sim uma realidade escatológica, cuja plenitude só acontecerá depois de Cristo, o Senhor, haver destruído definitivamente o mal que nos torna escravos.
Algumas sugestões práticas para o 1º domingo do advento
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)
1. A palavra meditada ao longo da semana.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 1º Domingo do Advento, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.
2. Gesto para o início do advento.
Com o 1º Domingo do Advento, começa o ano litúrgico. Para os cristãos, é esta a altura propícia para se desejar um bom ano. O 1º Domingo do Advento é o momento oportuno para apresentar o desenrolar de um ciclo litúrgico no seu conjunto. Descobrir este caminho de oração, comum aos católicos do mundo inteiro, permite falar também da importância da prática regular. É tempo para tomar boas resoluções para o novo ano, o ano litúrgico. Pode-se marcar o início do Advento com uma procissão de entrada mais solenizada, escolhendo um cântico bem adaptado, ou com um ato penitencial mais desenvolvido. Isto para além dos símbolos tradicionais do Advento que podem ser valorizados…
3. Coroa do advento.
Entre os símbolos tradicionais, temos a “coroa do Advento”, com as quatro velas. Colocadas numa coroa ou de outra maneira, elas significam a progressão para o Natal. Muitas vezes, acende-se a vela ao longo da celebração. Este gesto ganha importância se for bem realizado. Pode ser durante o cântico inicial, no final da procissão, por uma criança ou um jovem, por um padre ou qualquer outro “ator” da liturgia. Pode também ser efetuado pelo próprio presidente da celebração, depois da saudação litúrgica. Tomar-se-á sempre o tempo de um belo gesto, que pode ser acompanhado por um breve refrão a apelar à vinda do Senhor… É importante cuidar da beleza dos objetos (velas, suporte, coroa), de tamanho adaptado ao edifício e dispostos de maneira coerente no espaço próprio.
4. Oração na lectio divina.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.
No final da primeira leitura:
“Ó Deus fiel, bendito és Tu pelo olhar que podemos ter sobre a obra que realizaste ao longo dos séculos, sobre as promessas dos profetas e sobre a sua realização pelo descendente de David, o teu Filho Jesus.
Nós Te confiamos os povos e os países vítimas da insegurança, mas também os bairros das nossas cidades e os habitantes que vivem no temor”.
No final da segunda leitura:
“Pai, nós Te damos graças pelas instruções recebidas dos Apóstolos da parte do Senhor Jesus e pelos progressos que nos deixas realizar.
Ó Deus nosso Pai, nós Te pedimos: dá-nos, entre nós e em relação a todos os homens, um amor cada vez mais intenso, coloca-nos no caminho de uma santidade irrepreensível, até ao dia em que Nosso Senhor Jesus Cristo vier com todos os santos”.
No final do Evangelho:
“Ó Deus fiel, bendito és Tu pelas palavras de esperança que nos deste em Jesus, porque elas permitem-nos erguer a cabeça, mesmo nos momentos menos felizes.
Nós Te pedimos: que o vosso Espírito nos mantenha vigilantes, numa oração perseverante, para que possamos estar firmes na presença de Jesus, teu Filho, e ressuscitar com Ele, quando vier com grande poder e glória”.
5. Bilhete de evangelho.
O sofrimento, as preocupações, o medo do futuro por vezes esmagam-nos e acabamos por baixar os braços.
“Erguei-vos!”, diz-nos Jesus. Só podem esperar os que se mantêm de pé, prontos a pôr-se a caminho para construir com Deus um futuro melhor. O medo faz baixar a cabeça; vive-se então no momento presente, com medo dos golpes que será necessário ainda suportar.
“Levantai a cabeça!”, diz-nos Jesus. Só podem esperar aqueles que olham no horizonte Aquele que vem para nos salvar. A fadiga acaba por adormecer, sem dúvida porque não se espera mais nada e não se quer mais lutar.
“Tende cuidado convosco e vigiai!”, diz-nos Jesus. Só podem esperar aqueles que permanecem atentos aos sinais que Deus não cessa de manifestar. A falta de confiança destrói a relação, sem se saber do que falar.
“Orai em todo o tempo”, diz-nos Jesus. Só podem esperar aqueles que entram em diálogo com Deus. A esperança nunca é passiva. Para esperar é preciso erguer-se, levantar a cabeça, estar atento e vigiar, orar: tais são os verbos ativos que manifestam o que faz a grandeza do homem.
6. À escuta da palavra.
Leitura do Livro de Jeremias: “Dias virão, em que cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá”. Palavra do Senhor!
Leitura do Evangelho: “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo”. Palavra do Senhor!
Na mesma celebração, proclama-se como Palavra do Senhor duas afirmações tão afastadas uma da outra! Como resolver esta contradição? Primeiro, sendo realistas. O universo conhece transformações constantes, tremores de terra, erupções vulcânicas, tsunamis, meteoritos… A sol e as estrelas, um dia, apagar-se-ão. No fundo, Jesus, com os conhecimentos e a mentalidade da sua época, chama a nossa atenção para essa realidade: o nosso mundo, um dia, acabará. Não somente o “nosso” mundo, mas primeiro o “meu” próprio mundo, no dia da minha morte. Jesus convida-nos a não esquecer o fim de todas as coisas. Diz-nos: “Vigiai”. Vigiai para que não vos instaleis neste tempo como se ele fosse durar sempre! Mas aí, no coração da nossa condição mortal, Deus diz-nos uma palavra que não passará. Esta Palavra é o próprio Jesus.
Começamos hoje um novo ciclo litúrgico. Mas não é um ciclo fechado sobre si mesmo. Cada ano que passa aproxima-nos do nosso fim terrestre, mas é-nos dado também como o tempo durante o qual Jesus vem visitar-nos, dar-nos a sua presença de Ressuscitado. Segundo a bela palavra de Jeremias, oferece-nos a nós como “um rebento de justiça”, como a “promessa de felicidade” que se realizará em plenitude no fim dos tempos. Desde agora, está em ação no segredo dos corações, como o poder da vida que, secretamente, constrói um novo ser no seio materno. “Vigiai e orai em todo o tempo”, a fim de estardes de pé no Dia da sua Vinda na plenitude da Luz.
7. Oração eucarística.
Pode-se escolher a Oração Eucarística IV. É a mais adaptada para o início do Advento, porque recapitula a história da salvação e a obra de Cristo: a história dos homens é uma “história santa”.
8. Palavras para o caminho…
Na segunda leitura, Paulo lança-nos um forte apelo: “Irmãos, o Senhor vos faça crescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos”. Ao longo da próxima semana, procuremos ir ao encontro de alguém que já não tem força para esperar: esperar um trabalho, esperar uma saúde melhor, esperar uma reconciliação… Que lhe vamos dizer? O Advento é o tempo propício para ajudar a erguer-se de novo, o tempo de voltar a dar gosto à vida que germina…
Uma palavra de amor para cada dia… Porque Jesus nos pede para “orar em todo o tempo”, porque não experimentar agradar a Deus, nosso Pai, dizendo-lhe mais especialmente o nosso amor filial em cada dia deste tempo do Advento? Bastam alguns minutos, mas pode-se também de modo mais prolongado cuidar deste tempo privilegiado.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
============================
“Vigiai e ficai atentos, orai a fim de que vos torneis dignos "
No domingo passado ao celebrar “Cristo, Rei do Universo”, vimos que Jesus durante toda a sua vida pública, teve muito cuidado para não dar uma interpretação política à sua missão. Próximo de sua Paixão, abandonado pelos amigos, no tribunal diante de Pilatos confirma a sua Realeza e define o sentido do seu Reinado: Reino da verdade e da vida, da Santidade e da Graça; Reino da justiça, do amor e da paz (João 18). O 1º Domingo do Advento marca o ponto de chegada e de partida do calendário do Ano Litúrgico. O ano civil começa dia 1º de janeiro, mas a Liturgia segue outro calendário e estabelece seu início com o 1º Domingo do Advento. O Ano Litúrgico é como uma roda de festividades que apresenta todos os aspectos da pessoa e vida de Jesus. Portanto, para melhor conhecer Jesus a Igreja recomenda ler e refletir a obra dos quatro evangelistas (Mateus, Marcos, Lucas e João). Neste ano iremos ler e refletir sobre o Evangelho de Lucas que corresponde ao Ano Litúrgico C. O texto do Evangelho de hoje termina com um conselho de Jesus para seus discípulos perfeitamente válido também para os discípulos do mundo moderno: “Fiquem atentos, vigiai e orai a fim de que vos torneis dignos.” Advento, palavra de origem latina “ad vénire” que significa o que há de vir, chegada. É um tempo de preparação para as Solenidades do Natal em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens. Ao longo das quatro semanas de preparação a Igreja entoa um canto de esperança àquele que está por chegar: O Emanoel Deus-Conosco. Na primeira semana a tônica da reflexão é vigilância e conversão. Estar vigilante e muito atento para reconhecer o Verbo Encarnado do Filho de Deus entre nós. João Batista preparou a vinda do Senhor pregando um batismo de conversão. “Preparai o caminho do Senhor e endireitai as suas veredas.” Conversão significa mudança de direção. É preciso voltar-se para Deus. Conversão é mudança de atitudes, de comportamento, permitindo que os sentimentos do Menino Jesus sejam também nossos sentimentos. Em nosso exame de consciência queremos descobrir quais as veredas presentes em nossa sociedade e em nosso coração que precisam ser aplainadas. O tempo é propício para que examinemos a nossa vida pessoal e comunitária. Vigilantes e atentos queremos acolher as manifestações da presença de Jesus no meio de nós. Através da oração nos aproximamos de Deus e dos irmãos e nos preparamos para com dignidade abrir nosso coração e receber Jesus Menino que deseja encontrar morada.
Pedro Scherer
============================
Podemos dizer que Advento é um tempo de esperar Deus que VEM
“ O Senhor é nossa justiça”.
Estamos iniciando neste final de semana o Tempo do Advento –Tempo de preparação para  o Natal - o Tempo do Advento se compõe  de  4 domingos .Todo o mês  de dezembro nos envolve em um clima Natalino.
Podemos dizer que Advento é um  tempo  de esperar Deus que VEM. Preparamos o Natal do Senhor e aguardamos  o final dos tempos ,que não sabemos  quando acontecerá .
A palavra de Deus pede –nos progressos na prática do  Amor ,perseverança na aliança e na intimidade com o SENHOR . Procuremos  sempre praticar a justiça.
Resumamos  nossa vida no amor a Deus e ao próximo.Tempo do Advento deve ser um tempo dedicado à reflexão e preparação  para a chegada do Senhor.
Pensemos numa coisa : Jesus nos pede  vigilância acompanhada pela oração. 
padre João Francisco Ribeiro

============================

============================

Um comentário:

  1. Muito bacana poder ler estas reflexões!Como leigos que somos, mas cheios do desejo de celebrar vivamente uma santa Eucaristia, podemos encontrar aqui, um preambulo daquilo que vamos viver na Santa missa! Obrigado a todos que partilham suas reflexões no blog! Deus abençoe!

    ResponderExcluir