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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

32º DOMINGO TEMPO COMUM - A VIÚVA FEZ A MELHOR OFERTA


32º DOMINGO TEMPO COMUM


11 de Novembro de 2012


Comentário Prof.Fernando


Evangelho - Mc 12,38-44

   Jesus ensinava, dizendo: “Tomai cuidado com os escribas. Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser saudados nas praças públicas, de ocupar as primeiras cadeiras nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Eles terão sentença mais severa”. Jesus estava sentado diante do cofre de esmolas e observava como o povo depositava as moedas. Muitos ricos depositavam muitas moedas. Veio, então, uma pobre viúva e pôs no cofre apenas duas moedinhas no valor de alguns centavos. Jesus chamou os discípulos e lhes disse: “Eu vos asseguro: esta pobre viúva deu mais do que todos os que depositaram no cofre. Pois todos eles deram do que lhes sobrava; ela, porém, na sua indigência, deu tudo que tinha, todo o seu sustento”.


Esta viúva pobre deu mais do que todos os outros.

Introdução

       Jesus estava diante de uma grande multidão e sem nenhum medo Ele denunciava os defeitos dos doutores da Lei, aqueles que diante dos homens se apresentavam como puros e santos, porém nas horas vagas faziam coisas contrárias a tudo que ensinavam e se mostravam ser. Gostavam de aparecer, e se aproveitavam das viúvas, e por isso Jesus prometeu a eles a pior condenação.
Depois, Jesus estava sentado no Templo com os discípulos, e viram que muitos ricos depositavam grandes quantias como esmolas. Então chegou uma pobre viúva
que deu apenas duas pequenas moedas. E  Jesus disse aos discípulos:
“Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.
        Jesus havia ordenado aos  seus discípulos que O preferissem acima de  tudo e lhes propôs que renunciassem a todos os bens por  causa dele e do Evangelho. Para fortalecer esta proposta de entrega total a Deus, Jesus mostrou como exemplo de doação, aquela pobre viúva de Jerusalém que, de sua indigência, deu tudo o que possuía para viver, sem se preocupar com o dia de amanhã, pois depositava toda sua confiança e esperança na proteção de Deus.
       Prezados irmãos. Se não optarmos pelo desprendimento das riquezas não conseguiremos entrar no Reino dos céus. Pois se somos fiéis ao seguimento de Cristo devemos dirigir retamente nossas preferências vitais de forma que, por causa do uso das coisas mundanas, dos bens materiais, do deleito ao conforto,  por causa do apego às riquezas contra o espírito da pobreza evangélica, não sejamos impedidos de tender à perfeição da caridade, e de um dia merecer a eterna glória.

       Jesus destacou o comportamento daquela pobre viúva, elogiando-a pelo seu gesto de total entrega, mostrando aos discípulos e a nós hoje, que a verdadeira felicidade não reside na riqueza, mais sim na pobreza de espírito.
Bem-aventurados os pobres em espírito" (Mt 5,3). As bem-aventuranças revelam uma ordem de felicidade, de gra­ça, de beleza e de paz. Jesus celebra a alegria dos pobres, a quem já pertence o Reino. É o antegozo das alegrias celestiais, por causa da sua decisão de preferir as riquezas espirituais, em vez das riquezas materiais.
       Os ricos deram o dinheiro que eles tinham de sobra. Enquanto aquela pobre viúva deu tudo o que possuía, e por isso fez o melhor investimento. Os ricos que encontram sua alegria nos seus bens procuram o poder terreno, ao passo que o pobre de espírito busca em primeiro lugar, o reino do céu, como fez aquela viúva, investindo na vida eterna. Ela abandonou-se nas mãos de Deus, sem nenhuma reserva. Confiou plenamente na providência do Pai, depositando tudo o que tinham, sem nenhuma preocupação se iria ficar  sem nada no dia de amanhã. Isso é confiança total em Deus a qual nos predispõe para a bem-aventurança por sermos pobres. Por isso veremos a Deus.
       A viúva, ao contrário dos ricos, era, portanto, pobre em espírito, pois a "pobreza em espírito" é uma  humildade voluntária de uma pessoa que se entrega a Deus em atitude de  renúncia plena, como deveria ser a renúncia dos discípulos, dos sacerdotes, e de cada um de nós que realmente atendemos ao chamado de Deus para libertar o mundo da escravidão do pecado, através da catequese. Agindo assim, estaremos imitando a  Cristo, O Filho de Deus que se despojou de seu poder, de sua riqueza, se fazendo pobre como nós, para nos enriquecer em graças e santidade.

       O mundo de hoje através da mídia nos apresenta uma felicidade falsa, mediante o consumo desenfreado de celulares, computadores, câmeras, jogos, e outros produtos de curta duração, para acelerar a economia, e o pleno emprego. Porém, somente o  desejo da felicidade verdadeira liberta o homem do apego imoderado aos bens deste mundo. Felicidade que se realizará na visão e na bem-aventurança de Deus. "A promessa de ver a Deus ultra­passa todas as bem-aventuranças. Na Escritura, ver é possuir. Aquele que Vê a Deus obteve todos os bens que podemos imaginar.
        Para nós, os escolhidos, resta-nos lutar, com a graça do Alto, para alcançar os bens que Deus promete. Para contemplar a Deus, os fiéis de Cristo mortificam sua concupiscência e supe­ram, com a graça de Deus, as seduções da riqueza, do conforto e do poder.
       Não se trata de abandonar tudo e ir morar em uma caverna. Porque precisamos e merecemos uma vida digna, com alimentação e moradia decentes; porém, o que o Evangelho nos fala hoje, é para não nos apegar exageradamente à riqueza e ao conforto nos esquecendo que tudo isso é passageiro como o faz os ricos.
       Podemos até ser ricos. Porém sem nunca nos esquecer que: 1- O desapego das riquezas é necessário para entrar no Reino dos Céus. Pois Bem-aventurados são os pobres de espírito.
       2- Os necessitados existem para que tenhamos a oportunidade de praticar a caridade que é indispensável para a nossa salvação.

José Salviano.
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Um bom salmo e um bom Evangelho, uma boa semana e um mês abençoado, abc amigo!


e


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Domingo 11/11/2012
Mc 12,38-44

Esta viúva pobre deu mais do que todos os outros.
O Evangelho de hoje tem duas partes. Na primeira, Jesus nos alerta sobre o perigo da hipocrisia, que consiste em darmos uma aparência de bons e santos, sendo que na verdade não somos. Esse pecado está em quase todos nós. Escondemos os nossos defeitos e publicamos as nossas virtudes.
É conhecida a expressão “santo de pau oco”. Eram imagens ocas que os portugueses enchiam de ouro do Brasil para levar clandestinamente para Portugal. Imagine as cenas no navio: a pessoa com muita “devoção” ao santo, mas na verdade o culto era ao ouro que estava lá dentro.
Hoje em dia, se visitarmos as cidades históricas de Minas Gerais, vamos ver muitos santos e santas nas igrejas. Mas são imagens que enganam, porque o escultor só faz a cabeça e os braços do santo. O resto, que fica escondido debaixo da roupa, não existe. Se levantamos a roupa do santo, vemos apenas uma haste de madeira, sustentando a cabeça e os braços. Todos nós somos um pouco “santos de pau oco”. Mas de Deus ninguém esconde nada!
Na segunda parte do Evangelho, vemos a cena da viúva colocando no cofre do Templo duas moedinhas que não valiam quase nada e Jesus elogiando o gesto dela.
Jesus fala: “Esta viúva pobre deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.
Aquela viúva mostrou uma fé que não é qualquer um que tem: Dar para Deus ou para o próximo aquilo que necessita para viver. Só faz isso quem tem muita fé e confiança em Deus.
Ela nos lembra o gesto de Jesus, que não tinha onde reclinar a cabeça, no entanto, passou a vida fazendo o bem e servindo a todos e todas. Até que, no fim, deu-se a si mesmo. Quando celebramos a Eucaristia, comemos a carne e bebemos o sangue de Jesus. Que este alimento, que comemos todos os domingos, nos ajude a ser como a viúva, como Jesus, cada um de nós traduzindo o gesto para o nosso jeito original.
Quem ama a Deus, confia nele, e não mede os sacrifícios que faz por ele. Aliás, nem vê seus gestos como sacrifício. A viúva amava muito a Deus, por isso confiava nele e sabia que não ia passar fome sem aquelas moedas.
As outras pessoas “deram do que tinham de sobra”. Sinal que colocavam a própria segurança, não em Deus, mas no dinheiro. Por isso que os ricos são ricos, e por isso que existe fome no mundo. As pessoas buscam avidamente acumular bens. É uma avidez que só aumenta. Quanto mais tem mais quer.
Vemos que a mensagem que Jesus nos dá neste Evangelho vai muito além de oferta em dinheiro. Isto foi apenas uma ocasião. Podemos nos perguntar: a viúva foi imprudente? É certo alguém fazer isso que ela fez, dar a Deus tudo o que possui para viver? É certo ajudarmos um necessitado, usando para isso um tempo não livre, ou um bem do qual vamos precisar? A cena da viúva de Sarepta (1ª Leitura) é uma resposta de Deus a essas perguntas.
Também parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37) vai na mesma linha. O samaritano não calculou nada, quando desceu do cavalo e socorreu o ferido que viu na beira da estrada.
Todo gesto de amor verdadeiro inclui a doação da nossa vida; do contrário é egoísmo disfarçado em amor. Até um simples dar uma moeda ao mendigo que nos pede, só será amor verdadeiro se estiver embutida no gesto uma entrega total nossa a Deus, presente naquele mendigo.
“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por quem ama” (Jo 15,13). E Jesus, que falou essa frase, nos deixou o exemplo com a sua própria vida.
“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus, e tudo o mais vos será dado por acréscimo.” Aí está o caminho da felicidade, da realização pessoal e do sentido da vida que todos nós buscamos.
Aquela viúva certamente tinha alegria e descontração, ao passo que aqueles outros estavam tensos e preocupados. É o que acontece quando seguimos e quando não seguimos o plano de Deus.
Havia, certa vez, um camelô que armava sua barraca na velha praça, e vendia bugigangas. Ele não fazia propaganda de seu negócio e até parecia que não “regulava bem”. Algumas pessoas o pagavam com moedas falsas e outras, simplesmente, não pagavam, garantindo que já o tinham feito. Ele aceitava suas palavras. A todos acolhia com a mesma bondade e o mesmo sorriso.
Ao aproximar-se a hora da morte, ele pediu a Deus: “Ao longo da vida aceitei muitas moedas falsas das pessoas, mas nem uma só eu as julguei em meu coração. Simplesmente supus que não sabiam o que faziam. Por favor, ó Deus, agora é a minha vez de ser julgado. Também sou moeda falsa e espero ser julgado com misericórdia...”
No acerto final, ele ouviu do Juiz: “Como é possível julgar alguém que nunca julgou os outros?” E no dia seguinte, ele brilhava como um diamante em meio aos bem-aventurados. Agora é moeda verdadeira, cunhada pelo próprio Deus.
Pobreza e misericórdia precisam, necessariamente, andar juntas. Todos somos pecadores e, por isso, logicamente, precisamos da misericórdia do Pai. Ele é infinitamente misericordioso. Mais ainda, ele possibilita que nós mesmos escolhamos a maneira de julgamento: “Com a mesma medida que julgardes, sereis julgados”. Não é suficiente julgar com misericórdia, Jesus vai além: “Não julgueis”.
Que não sejamos hipócritas, isto é, moedas falsas, apresentando-nos como verdadeiras..
Maria Santíssima, quando foi ajudar a prima Isabel, que estava grávida, ficou lá três meses. Se ela fosse calculista, certamente teria voltado antes para casa, ou nem teria ido, já que ela também estava grávida, e do próprio Messias. Se ela fosse calculista, também não estaria ao pé da cruz, junto do Filho, devido ao perigo que isso representava para ela. Mãe do belo amor, rogai por nós. Que dirijamos os nossos atos pelo amor, que nos leva, às vezes, ao heroísmo.
Esta viúva pobre deu mais do que todos os outros.

Padre Queiroz
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O OLHAR DE JESUS ULTRAPASSA AS APARÊNCIAS! – Olívia Coutinho

XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 11 de Novembro de 2012

Evangelho Mc 12, 38-44

Vivemos numa cultura onde tudo gira em torno das coisas materiais, com isso vamos perdendo o senso  do amor, do valor da fé, da solidariedade. Ainda não aprendemos a acolher e  a valorizar os gestos simples, o “pouco”, vindo  dos “pequenos”. Tendemos a valorizar mais o que vem dos “grandes”, o externo, deixando de lado o mais importante: o interior humano, de onde vem as mais belas atitudes  de amor, do amor que deve  nos unir  como irmãos, filhos do mesmo Pai!
Aos olhos de Deus, a prática exterior, só encontra seu verdadeiro sentido, quando é uma expressão do que realmente se crê e se vive, do contrário, são práticas vazias que nada significam, pois mostram  o que na verdade não se é, e não se vive.
O que verdadeiramente agrada a Deus é o que vem do um coração puro, livre das maldades, as práticas superficiais, são apenas estampas, embalagens bonitas, mas que não passam pelo coração!  
De nada adianta os nossos atos externos se eles não retratam o nosso interior!
No evangelho de hoje, Jesus mais vez, critica as atitudes dos doutores da lei, que faziam questão de serem elogiados  pelo povo,  mostrando- se generosos,  quando na prática,  agiam de forma contrária. Atrás de uma falsa pureza, eles escondiam a dureza dos seus corações, explorando os pobres e as viúvas.
 Como podemos observar no texto, o olhar de Jesus ultrapassa as aparências,  vai além do visual. Como grande observador, Ele vê  o que os olhos humanos não alcançam e transforma pequenos gestos em grandes ensinamentos!
Só Jesus, percebe o gesto acanhado da pobre viúva, que segundo o relato, depositou  no cofre das ofertas do templo, tudo que possuía, apenas duas moeda. Com este seu gesto abnegado, sem perceber, ela deixa transparecer a grandeza do seu coração, nos dando um grande exemplo de desapego, partilha  e total confiança na providencia divina.
Ao doar tudo que tinha, para o seu sustento, aquela mulher, certamente  recebeu  um tesouro no  céu.
O exemplo vivo de quem se abre  à partilha, em contraposição com o mal exemplo dos doutores da lei, caiu como uma luva para que Jesus pudesse alertar os discípulos sobre o perigo de se deixarem iludir pelas aparências, e cair nas ciladas dos enganadores que tentam tirar as pessoas  do caminho de Deus.
 A falsidade dos doutores da lei e o gesto nobre daquela  viúva, duas  situação completamente diferentes, mostram-nos com clareza, que  a Deus ninguém engana, pois Ele conhece o coração de cada  um.
De nada adiantou a viúva, na sua humildade, fazer tudo para não ser notada, e os doutores da lei, na sua falsidade, fazer tudo para se mostrar-se  generosos, pois  Jesus, que tudo vê, leu o coração de cada um, a Ele nada fica oculta, nem as boas, e nem as más intenções.
É importante estarmos atentos  sobre o perigo de não nos deixar levar por uma religiosidade externa que não nos leva ao um comprometimento com Deus  por não estar vinculada ao coração, fonte de onde brotam as nossas boas ações.
O que vale para Deus não é o tamanho daquilo que se faz, ou se dá, o que vale são   as gotinhas de amor escondida atrás de um pequeno gesto!
O  texto  de hoje,  nos leva a um questionamento a respeito da nossa vivencia religiosa:
Existe coerência entre o que falamos e o que vivemos?
Estamos dispostos à partilhar o que somos e o que temos?   

FIQUE NA PAZ DE JESUS - Olívia 

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– Diácono José da Cruz

11 de novembro - 32º Domingo

XXXII DOMINGO DO TC 11/11/2012
1ª Leitura  1Reis 17, 10-16
Salmo 145 (146) Louva, ó minha alma ao Senhor”
2ª Leitura Hebreus 9, 24-28
Evangelho Marcos 12, 38 - 44

                                   "QUEM NADA TINHA, DEU TUDO..."

Li umas várias vezes o evangelho desse domingo, e em pensamento queixei-me com o seu autor, o Evangelista São Marcos, pois á primeira impressão que se tem, é que Jesus estava falando de um assunto, no caso, da ostentação dos escribas, e de repente mudou, como se diz “de saco prá mala”, abordando a oferta da viúva pobre. Parece que encerrou uma conversa e iniciou outra, assim, a abordagem fica meio complicada.
Achei melhor pedir socorro á primeira leitura, que compõe a liturgia e que não está ali só de enfeite: Na casa de uma viúva pobre, o profeta Elias, primeiro pede-lhe água para beber, depois, o profeta meio folgado pediu também um pedaço de pão, o que colocou a pobre mulher em pânico, pois o restinho de farinha que possuía, só dava para fazer um pãozinho que seria a última refeição para ela e o filho.
Aqui dá para perceber algo em comum entre essas duas viúvas, as duas moedinhas de cinco centavos, e o punhadinho de farinha, que sobrou no fundo da despensa, era tudo o que as duas tinham. Como dar para alguém algo que é essencial para nós? Tirar da própria boca para sustentar o outro, não é arriscar passar fome por causa daquilo que se deu? Há uma perda material, isso é indiscutível, entretanto o Profeta garante que aquela pobre viúva não ficará desassistida, não lhe faltará aquilo que é essencial para a sobrevivência, a farinha e o óleo, até o dia em que Deus mandar a chuva, que fertilizará a terra, acabando com a miséria daquela região. O amor ágape é sempre um mistério, quanto mais se ama e se doa, mais se tem! Aqui começa a ganhar corpo uma idéia bonita, a do amor que se doa por inteiro, que não dá ao outro as migalhas, ou o que está sobrando e não vai lhe fazer falta.
O amor verdadeiro nos faz perder algo, pelo menos na lógica humana, isso é mesmo uma grande verdade, quem se dedica a um enfermo dia e noite, cuidando dele com paciência e carinho, quem se dedica aos filhos, ou ao esposo ou a esposa, com igual dedicação, Quem se dedica aos trabalhos da igreja, ou a família, se o fizer de forma autêntica, estará perdendo algo precioso: o seu tempo, por exemplo, que poderia ser melhor aproveitado, quem sabe, dedicando-se ao lazer, a algum negócio rendoso, esse tempo que foi dedicado a alguém em especial, ou á comunidade, não voltará jamais, ficou perdido. Parece que amar é perder sempre algo que nos é essencial.
Deus não nos deu o que lhe sobrava, e que não ia lhe fazer falta, mas o que tinha de mais precioso e valioso, seu amado Filho Jesus, que por sua vez, vivendo a fidelidade da missão, chegou à encruzilhada Getesâmani, “Beber o cálice de amargura, que significaria abrir mão de sua vida, pela salvação de todos, ou encontrar outra forma de amar, que não significasse uma perda total”. Afastar-se do cálice ou aceitá-lo? Sendo Deus, só podia mesmo nos amar com o amor de Deus, que olha a miséria humana com misericórdia e compaixão, e entrega a sua vida, na juventude dos 33 anos, com um amor sem limites. Aceita o sacrifício vicário, morrer em lugar de todos, para que todos pudessem se salvar. Ele não poderia morrer somente para os bons, os que fossem corresponder ao seu grande amor, ontem, hoje e no futuro, mas sua morte resgatou, e continuará a resgatar muitos ímpios.
E com a ajuda preciosa das duas primeiras leituras, agora sim, dá para entender o porquê do seu elogio aquela pobre viúva, ele não olhou para o valor que estava sendo ofertado, mas sim para a disposição interior daquela mulher que com certeza pensava “Ao meu Deus, que me deu tudo, também ofereço este pouco, que é meu tudo”. Pelo que diz o santo evangelho, os escribas gostavam de ser notados, por tudo o que faziam, impondo admiração e respeito, conquistando assim os lugares de maior importância. Aparentemente estavam se doando a Deus e aos irmãos, mas na verdade, cobravam, pela sua doação, um alto preço, o prestígio, a fama, o poder e o domínio sobre os demais. Mas havia também nas comunidades de Marcos, como há nas nossas, uma gente que se doa totalmente, e nem aparece, são discretos no servir, dão o melhor de si, talvez não exerçam um trabalho importante, mas tem no coração o carisma do amor sem medidas e sem reservas, que se doa com humildade e alegria. Uma gente que espalha alegria e o doce perfume de Cristo por onde anda.
Não nos deixemos enganar pelo falso brilho dos escribas, o poder e o brilho que ostentam, é efêmero! Busquemos no anonimato da assembléia, aqueles e aquelas que refletem no rosto o Cristo Servidor, são esses que fazem a nossa Igreja caminhar, e que a sustenta com uma oração sincera e um coração repleto de amor a Cristo e aos irmãos. ...(32º. Domingo do Tempo Comum – Mc 12, 38-44)
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Domingo12.11.12

Marcos 12,38-44
:O muito ou pouco que colocarmos aos pés do altar do Senhor precisa ecoar de dentro do nosso coração, sinceramente. – Maria Regina.
Por mais que tentemos, muitas vezes, aparentar uma falsa humildade, Deus conhece o nosso coração e pode perceber que sentimentos se escondem debaixo das nossas ações. Neste Evangelho nós vimos Jesus abrir os olhos dos Seus discípulos para que se prevenissem contra “os doutores da lei” por causa da sua soberba e pretensão, assim como também da sua falsidade e hipocrisia no trato das coisas de Deus. Assim, Ele dizia: “Tomai cuidado” “eles receberão a pior condenação”. Do mesmo modo Ele os instruía a que, além de tomar cuidado com eles, também não os imitassem e não seguissem a mesma cartilha por onde eles se guiavam. Infelizmente ao longo de todos os anos essa cartilha permanece servindo de lição para muitos “doutores da lei” dos tempos modernos que usam das mesmas práticas a fim de chamar atenção para sua “espiritualidade” e “devoção” de fachada.
Por isso, ao mesmo tempo Jesus também fazia alusão àqueles que depositavam grandes quantias no cofre das esmolas e à viúva que “na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”. São duas situações claras em que percebemos que as nossas atitudes exteriores muitas vezes não revelam o que se passa no nosso interior. Jesus pôde avaliá-los, pois observava tudo com os olhos do Espírito e podia sondar os corações das pessoas. A observação de Jesus não nos dá o direito de fazer julgamentos precipitados sobre as ações das pessoas, mas nos serve de lição para que mergulhemos dentro de nós mesmos e avaliemos as nossas reais intenções quando agimos sabendo que estamos em evidência e que outras pessoas nos vêem no trabalho do reino e nas ofertas que fazemos. Precisamos ter muita consciência quando formos fazer as nossas ofertas.
O muito ou pouco que colocarmos aos pés do altar do Senhor precisa ecoar de dentro do nosso coração, sinceramente. Não conseguimos enganar a Deus, por isso poderíamos ser mais sinceros confessando a nossa covardia, dizendo: “Senhor, eu sei que poderia dar mais, no entanto, sou apegado, tenho medo de que me faça falta, finalmente, Senhor, eu não estou confiando em Ti, perdoa-me”! Se agíssemos assim, com sinceridade, talvez um dia nós nos envergonhássemos das desculpas esfarrapadas e, como a viúva, oferecêssemos a Deus tudo o que possuíssemos, fosse, muito ou pouco. Não importa a quantia que depositamos, mas a generosidade com que fazemos as nossas ofertas. Jesus não delimita as nossas esmolas, apenas nos propõe a experiência de sermos livres dos nossos apegos para que “não recebamos a pior condenação!” Que aprendamos com os conselhos do Mestre. Reflita – Com que intuito você faz as suas orações na assembléia diante de todos? – Você gosta dos primeiros lugares? – O que você pode dizer a Jesus, agora, em relação às suas esmolas ao tesouro do templo? – Qual é o entendimento que você tem sobre generosidade? – Como você pode dar tudo o que possui: você entende isto?
Amém
Abraço carinhoso da professora
 Maria Regina
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Evangelhos Dominicais Comentados

11/novembro/2012 – 32o Domingo do Tempo Comum

Mais uma vez nos encontramos para meditarmos a Palavra de vida e salvação de Deus. Hoje nos encontramos com Jesus denunciando a hipocrisia dos fariseus e elogiando o gesto generoso de uma viúva pobre.  

As aparências enganam, diz Jesus. Não se deixem iludir por aquilo que seus olhos vêm. Esses doutores da lei que deveriam dar o exemplo, justamente eles que deveriam ter uma conduta exemplar, são na verdade enganadores e exploradores. Fazem uso dos altos cargos que ocupam em benefício próprio.

Aqueles que deveriam ser guias e protetores do povo eram sim exploradores. Exploravam as viúvas e roubavam suas casas. Eram lobos disfarçados de cordeiros. A aparente mansidão servia para encobrir a falsidade.

A Palavra de Deus é sempre atual, nunca envelhece. Há dois mil anos Jesus denunciava os abusos cometidos pelos donos do poder e, no entanto, parece que foi ontem que tudo isso aconteceu. De lá para cá, quase nada mudou, continua igual a forma de agir e de pensar das pessoas.

Jesus chama nossa atenção para o comportamento hipócrita de certos líderes religiosos que fazem da religião o seu meio de vida. Em nome de Deus, constroem impérios à custa do suor dos seus fiéis seguidores, as "viúvas" da atualidade.

Disfarçam-se de cordeiros, conhecem profundamente a lei, são capazes de interpretá-la ao pé da letra, sabem de cor os capítulos e os versículos, falam muito bonito, mas não vivem o que dizem.

Esse evangelho é muito mais amplo e atual do que parece. Os doutores da lei e os escribas mencionados, não são somente dirigentes religiosos. Suas funções são as mais diversas. São também homens públicos, são dirigentes de grandes autarquias e políticos que se autodenominam cristãos, mas se comportam como verdadeiros pagãos.

Não exercem com sinceridade e humildade o cargo de responsabilidade que ocupam e fazem do templo um palanque político. Fazem questão de serem notados. Onde houver um banquete, lá estão eles perfumados, elegantes e muito bem vestidos. Com suas roupas luxuosas e com suas esposas muito bem trajadas, são os primeiros a chegar na igreja, e sempre ocupam os primeiros bancos.

De forma bem aberta e clara, Jesus reprova o comportamento dessas pessoas. Diz que são arrogantes, vaidosas e que se escondem atrás das aparências. São capazes até de ofertarem grandes somas para mostrar generosidade. Na verdade, estas grandes somas são migalhas, são pequenas sobras dos rios de dinheiro que desviam e que recebem injustamente.

A verdadeira piedade consiste numa total entrega a Deus, colocando-se a seu serviço. O que a pobre viúva fez parece pouco, mas significa muito mais do que as gordas esmolas dos ricos. Sua consciência a fez enxergar como o seu pouco poderia tornar-se muito. Ela não ofertou restos, tirou de si própria e dividiu.

A boa notícia de hoje chama-se amor, e nos vem através do desapego desta viúva. Ela ensina que, no gesto concreto o cristão vive a caridade e a partilha, porque ser cristão é servir... e servir é amar. 

(1235)


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Viu também uma pobre viúva que depositou duas pequenas moedas - Padre Queiroz

Este Evangelho narra a cena da viúva oferecendo a Deus duas moedinhas de pouquíssimo valor, ao lado de pessoas ricas que ofereciam grandes quantias. Jesus explica que ela ofereceu mais do que todos, porque ela deu tudo quanto tinha para viver, enquanto os ricos ofereciam o que lhes sobrava.
Atrás do mesmo gesto, nós temos dois procedimentos bem diferentes:
- A viúva ofereceu tudo quanto tinha para viver, mas nem pensou nisso. Quem se dirigia pelo amor a Deus, não se preocupa muito consigo mesmo, porque sabe que Deus é Pai e cuida dos seus filhos e filhas. E a segurança oferecida pelo amor a Deus é muito maior do que a oferecida pelo dinheiro.
- As pessoas ricas ofereciam aquilo que lhes sobrava. Isso significa que elas colocavam a sua segurança no dinheiro, e calcularam antes, a fim de só oferecer a Deus o que não lhes ia fazer falta. Em outras palavras, elas davam a Deus o supérfluo. Por isso que os ricos são ricos.
E o resultado estamos vendo no dia-a-dia: pessoas morrendo de fome ao lado de supermercados abarrotados de alimentos; pessoas sem atendimento médico ao lado de hospitais de luxo cheios de leitos vazios, e de médicos e enfermeiras sem fazer nada...
Por outro lado, vemos esta mesma sociedade tentando resolver o problema da violência e não conseguindo, tentando resolver o problema das drogas e não conseguindo...
Podemos nos perguntar: A viúva foi imprudente? É certo alguém fazer isso que ela fez, dar tudo o que possui para viver? É certo ajudarmos um necessitado, usando para isso um tempo não livre, ou um bem do qual vamos precisar?
Aquela outra viúva, a de Sarepta (1Rs 17,8-17), deixou para nós um exemplo parecido: deu tudo o que tinha para matar a fome de um peregrino, e depois e nada lhe faltou.
A parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37) também vai na mesma linha. O samaritano não calculou nada, quando desceu do seu cavalo e socorreu o ferido que viu na beira da estrada.
Todo gesto de amor verdadeiro inclui a doação da nossa vida. Do contrário, é egoísmo disfarçado em amor. Até um simples dar uma moeda ao mendigo que nos pede na rua, só será amor verdadeiro se estiver embutido no gesto uma entrega total de nós mesmos ao serviço daquele mendigo, se isto for necessário para fazê-lo feliz.
Na quinta-feira santa, Jesus apresentou esse novo jeito de amar, como o seu mandamento. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seu amigo”. Ele deu o exemplo, morrendo por nós.
Aquela viúva certamente tinha alegria, ao passo que os outros estavam tensos e tristes. É o que acontece quando seguimos e quando não seguimos o plano de Deus.
Havia, certa vez, um homem que era inseguro e vivia com medo de tudo e de todos. Não conseguia mais nem sair na rua. Então contratou seguranças particulares. No começo apenas um por período, depois dois, três... chegou a formar um exército de seguranças, mas o seu medo continuava. Ainda mais que algumas pessoas riam dele quando passava na rua, cercado de tantos seguranças.
Mas agora, o que fazer? Mandar esses seguranças embora? Se com eles o problema não se resolveu, imagine sem eles! E o homem continuou inseguro, cercado de guardas por todos os lados.
A segurança que o dinheiro e a riqueza nos oferecem, é frágil, tem os pés de barro e pode cair e se quebrar a qualquer hora. Já a segurança baseada na confiança em Deus, aquela que tinha a viúva, é sólida e nos faz andar pela vida, até enfrentando perigos, de cabeça erguida e felizes.
Também Maria Santíssima, quando foi ajudar Santa Isabel, não calculou muito. Se tivesse calculado, certamente não teria ficado três meses na casa da prima, já que ela também estava grávida, e do próprio Messias. Também na cruz, Maria não calculou muito, pois correu risco, ficando ali de pé, junto do Filho, de ser também condenada por ser mãe do “criminoso” e o apoiar. Que Nossa Senhora nos ajude a imitarmos a viúva que Jesus nos apresentou como modelo.
Viu também uma pobre viúva que depositou duas pequenas moedas.
Padre Queiroz
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Domingo, 11 de novembro de 2012
São Martinho, Bispo (Memória).
Outros Santos do Dia: Atenodoro da Mesopotâmia (mártir), Bartolomeu de Grottaferrata (abade), Bertuíno de Malonne (monge, bispo), Menas de Alexandria (mártir), Menas de Santomena (eremita), Teodoro, o Estudita (abade), Valentim, Feliciano e Vitorino (mártires de Ravena), Verano de Lião (bispo).
Primeira leitura:1 Reis 17,10-16
A viúva, do seu punhado de farinha, fez um pãozinho e o levou a Elias.
Salmo responsorial: 145(146),7./-9a.9bc-10 (R./1)
Bendize, minha’alma, bendize ao Senhor!
Segunda leitura: Hebreus 9,24-28
Cristo foi oferecido uma vez, para tirar os pecados da multidão.
Evangelho: Marcos 12,38-44 ou Marcos 12,41-44 (mais breve)
Esta viúva pobre deu mais do que todos os outros.
A primeira leitura, tomada de 1Reis, apresenta o caso de uma viúva que partilha o pouco e único que tem com o profeta Elias. A passagem está ambientada no contexto de uma seca em Israel, que o mesmo profeta havia predito. Ante uma situação tão extrema, todo mundo evita gastar o pouco que tem como forma de manter-se aferrado à vida. Isso é o que fez a viúva. Contudo, se vê “obrigada” pelo profeta a partilhar com ele aquilo que lhe proporcionará somente umas horas a mais de vida.
Este gesto da viúva tem um final feliz: não faltou farinha na tigela nem azeite na jarra. Significa isto que quando se partilha com generosidade o pouco que se tem, parece que se multiplica, e essa é uma das características principais do pobre. Onde mais disponibilidade existe para a partilha, onde é maior o desprendimento senão entre os pobres? Com toda razão se pode dizer que os pobres nos evangelizam.
Com razão estão eles em primeiro lugar no coração de Deus, não somente porque ele é o único que lhes resta, mas porque entre eles os sinais da presença de Deus são mais visíveis; são eles por meio dos quais Deus se faz ver com maior claridade no mundo; eles são o sacramento de Deus no mundo e o testemunho permanente de quão distante estamos do projeto de solidariedade e da igualdade querida por Deus.
Estamos no reino do Norte, o país está passando por uma das etapas mais difíceis de sua historia: a dinastia de Omtí deixou o país na miséria; o último dos monarcas dessa monarquia, Ahab, governa vinte e dois anos (nunca um governo longo é benéfico para nenhuma instituição, pois termina por arruiná-la); ele também contribuiu para o desastre nacional: casou-se com uma estrangeira: Jesabel, filha de Et-Baal (1Rs 16, 29-31).
É difícil então imaginar o ambiente do reino em todos os seus âmbitos: político, econômico. Social e religioso. O autor bíblico adota como símbolo uma grande seca que o profeta previu que iria recair sobre Israel. Nessa situação de extrema urgência, o profeta fará ver que somente Javé é a salvação para o povo e que essa salvação da qual está urgido o povo de Deus a realizará com e desde os deserdados, os pobres. No Segundo Testamento, vamos encontrar esta mesma realidade: Deus age por meio dos pobres e com os pobres, chama à construção de uma nova ordem na qual os pobres são os verdadeiros protagonistas.
O evangelho de hoje apresenta duas perícopes: a primeira, ainda em conexão com a do domingo anterior sobre a declaração do mandamento mais importante ou, os dois mandamentos mais importantes. Jesus previne seus discípulos para que não repitam o modo de ser dos escribas que se gabam quando em seu interior não existe nem amor a Deus nem ao próximo, somente amor a si mesmos.
A segundo perícope está mais em consonância com a leitura do livro de Reis. O dar implica renúncia, desprendimento, não daquilo que se tem em abundancia e sobra, mas da própria escassez.
Jesus observa como os fieis vão passando e depositam sua oferenda para o tesouro do templo; não se impressiona como o comum dos observadores, com a quantidade que cada rico depositou no cofre das oferendas; seus critérios e parâmetros de juízo são completamente diferentes dos critérios mercantilistas e economicistas que se baseiam na quantidade, no binômio investimento x ganho (custo beneficio, diríamos hoje).
A partir dessa imagem, Jesus passa instrução aos seus discípulos e ensina hoje também a sua igreja. A viúva, que a duras penas sobrevive, objeto da caridade e do receber, se põe apesar de tudo, na fila para dar, não a partir do que sobra, e sem intenção alguma de aparentar, mas antes o contrario: fez sua oferta com discrição para que ninguém visse a “quantidade” depositada.
Ainda se pensássemos que ela também deposita do que tem com a finalidade de ser retribuída, e o mais certo é que assim fosse, porque já a falsa religião havia alienado sua consciência, ainda admitindo isso, não deixa de ser um caso exemplar que Jesus não deixa passar despercebido.
Enquanto os demais, tendo já o suficiente para viver, desejam ter muito mais e para isso  realizam um investimento, a mulher doa o que tem e o que conquistou com amor, com toda segurança não se atreve a pedir a Deus que multiplique essa quantidade mínima, talvez seu único “interesse” é que Deus não lhe falte com aquilo que é a sua sobrevivência.
A partir da ótica de Jesus, esta pobre viúva, representação do mais pobre entre os pobres, saiu do templo justificada: a graça divina, mas desde a ótica de um doador rico, esta mulher tinha muito pouco, quase nenhuma recompensa.
O reino que Jesus proclama não pode reger-se pelos mesmo critérios de pessoas como os dirigentes de Israel; o reino é construído a partir de critérios da qualidade e disponibilidade para acrescentar a partir de uma genuína generosidade, a partir das próprias carências e não a partir do supérfluo.
Precisamos discernir continuamente nosso comportamento e atitudes com aquelas pessoas que dão generosas oferendas e nossos centros religiosos comparando com aqueles que oferecem pouco ou definitivamente não tem nada a oferecer, quem são os de maior objeto de nossa “consideração” e apreço? Sejamos sinceros nisto e reconheçamos com humildade que o mais das vezes nos sentimos muito a gosto com aqueles que dão mais, que tem mais e melhores meios; e o evangelho onde fica?
A viúva do evangelho simboliza aquela porção de Israel empobrecido, que entrou na dinâmica de Jesus, que está disposto a dar, a dar-se, a entregar-se com o que tem para contribuir com a causa do Reino do Pai. Esses que dedicam tempo desinteressadamente em nossas obras nos evangelizam com sua generosidade e especialmente elas que não poupam nada de si para que a obra do reino continue seu caminhar; captam essas pessoas nossa atenção como aquela viúva cativou a Jesus e nos deixamos interpelar por elas?
Oração
Ó Deus, Pai e Mãe, que nos mostras o gosto pela autenticidade, pela entrega generosa e pela coerência entre a fé e a vida: robustece nossa fé, fortalece nossa sinceridade, e ajuda-nos a estar, como Jesus, sempre atentos ao amor aos pequenos. Nós te pedimos por Jesus, nosso Irmão maior, transparência tua. Amém!

A oferta da viúva-Missionários Claretianos

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34ª Semana do Tempo Comum
Santa Cecília, Virgem e Mártir (Memória)
Outros Santos do Dia: Marcos e Estêvão (mártires de Antioquia da Pisídia), Filêmon e Apia (a Filêmon São Paulo escreveu a mais breve de suas cartas; mártires), Leonardo Kimura e Companheiros (mártires do Japão), Mauro de Roma (mártir), Pragmácio de Autun (bispo), Saviniano de Ménat (abade), Tigrídia de Oña (abadessa).
Primeira leitura: Apocalipse 14, 1-3.4b-5.
Tinham a fronte marcada com o nome de Cristo e o do seu Pai. 
Salmo responsorial: 23, 1-6.
É assim a geração dos que buscam vossa face, ó Senhor, Deus de Israel. 
Evangelho: Lucas 21, 1-4 .
Viu também uma pobre viúva que depositou duas pequenas moedas.
Jesus contempla a ação realizada pela viúva no tesouro do Templo, e utiliza sua atitude como ensinamento para seus discípulos e também para nós: ante os olhos de Deus tem muito mais valor a pouca oferenda depositada pela viúva que as grandes quantidades depositadas pelos ricos. Porque a viúva coloca no cofre tudo que tem para sobreviver, põe nas mãos de Deus tudo o que tem, põe sua vida, expressando assim que sua única esperança é a misericórdia de Deus.

A oferenda do rico não é válida ante os olhos de Deus porque é interesseira; talvez o rico busque com ela acalmar sua consciência, remediar sua injustiça, talvez exibir-se como generoso e devoto, ou talvez, ao depositá-la, projete aumentar suas riquezas sem pensar nas necessidades de seus conterrâneos, nem na exigência própria da lei de compartilhar os bens com os mais pobres.

O texto de hoje nos mostra que é a partir da generosidade, do desprendimento que vamos construindo uma nova sociedade e uma nova Igreja, na qual o compartilhar fraterno e generoso é fundamento para um viver mais coerente a nossa fé em Deus.
Missionários Claretianos
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A pobre viúva e sua oferta - Pe. Paulo
22 de Novembro – A pobre viúva e sua oferta.
Evangelho - Lc 21,1-4
Viu também uma pobre viúva que depositou duas pequenas moedas.
Quando o menos vale mais
Jesus alertou os discípulos para tomarem cuidado com os doutores da lei,que gostavam de aparecer e ocupar os melhores lugares, explorando as viúvas e disfarçando tal injustiça com longas orações.
Trata-se de alerta atual para não se deixar enganar ou explorar por pessoas que, em nome da religião, cometem os maiores desatinos a fim de satisfazer ao próprio desejo de poder, prestígio e riqueza.
As injustiças disfarçadas de religião, de fato, estão entre as coisas mais abomináveis que podem existir, pois transformam Deus em instrumento de exploração e privam o ser humano de sua dignidade.
E não é à toa que Jesus chama atenção para as viúvas, que representavam naquele tempo as pessoas mais indefesas da sociedade.
Em atitude oposta à dos que exploravam os outros em nome da religião e ofertavam o supérfluo, a viúva explorada, ao depositar duas moedinhas, entregou no templo tudo o que tinha para viver.
Essa atitude da viúva, de total confiança em Deus, é a única coisa boa que Jesus encontra em Jerusalém.
Mas, ao elogiá-la, Jesus como que lança para nós uma pergunta: a religião tem o direito de tirar de uma pobre viúva o pouco que lhe resta?
Deus não precisa do nosso dinheiro. As ofertas que fazemos, em forma de dízimo ou outras doações, consideradas ofertas "para Deus",concretamente se destinam tanto a manter o bom funcionamento da comunidade ou paróquia como a ajudar os mais necessitados com projetos sociais específicos. É algo que fazemos com fé, e só Deus pode medir o espírito de participação e compromisso com que ofertamos.
Sempre encontraremos alguém mais pobre (e Jesus diria: mais generoso) que nós, a mostrar algo mais que podemos ser e fazer pelos outros e a despertar em nossa consciência uma atitude religiosa que verdadeiramente agrade a Deus. A
atitude de quem oferece o essencial da preocupação e do compromisso
com o projeto de Deus, que é o bem de todo o seu povo. Quanto nos doamos com o que doamos?
Pe. Paulo Bazaglia, ssp
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Para Deus não importa o muito ou o pouco que nós ofertamos, mas, que o façamos verdadeiramente de todo nosso coração – Maria Regina.

. Para Deus não importa o muito ou o pouco que nós ofertamos, mas, a condição e o modo como nós o fazemos. A lei natural do mundo nos instrui que devemos fazer oferta de acordo com o que nós possuímos. Se tivermos muito, temos condições de também oferecer muito, se tivermos pouco, escassa também será a nossa doação. Isso faz parte da vida! Porém, o que mais impressionou a Jesus no caso da viúva do Evangelho, foi que ela depositou no altar do Senhor as duas únicas moedas que possuía, portanto, ela deu tudo o que tinha.
Podemos agora, colocar essa idéia na nossa vida e refletir sobre o que nós estamos depositando diante de Deus como oferta. Deus, Criador de todas as coisas do universo é dono de tudo, mas, ainda não tem a posse do nosso coração, mesmo sendo Ele o Autor da nossa alma e do nosso ser. A Ele, nós temos oferecido apenas migalhas, sovinamos o que de mais precioso nós possuímos que é o dom da nossa liberdade. Somos escravos de nós mesmos e teimamos em querer nos apossar das coisas que são inerentes ao nosso ser, mas que se constituem um entrave para que Deus seja realmente o dono das nossas duas moedas ou do nosso tesouro.
Colocamos nas mãos do Senhor somente aquilo que nos sobra, ou melhor, as áreas da nossa vida das quais nós já conseguimos nos desprender. Entretanto, há outras, que estão tão ligadas ao nosso comodismo e à nossa vontade próprias, que nós nem pensamos, quanto mais, admitimos, colocá-las diante do Senhor para que Ele as governe. A viúva que não tinha nada entregou a Deus, tudo. Será que nós, que tudo possuímos, não estamos dando a Deus, quase nada, apenas o que nos sobra? Isso é algo sobre o qual nós precisamos
Desta lição concluímos lição que, a doação tem que representar, verdadeiramente, a vontade do nosso coração. Que triste alguém que vem à casa do Senhor e tem a sua oferta rejeitada, porque com Deus não se pode barganhar, ou se oferece a oferta a adoração de coração, com a vida ligada a Ele ou então melhor que nem ofereça, o que essas pessoas não entendem, é que Deus nunca precisou e nem precisa de recursos puramente humanos para levar a sua palavra, para levar a sua igreja por esta terra por nossa era, mas o que ele sempre procurou e procura ainda hoje, são os verdadeiros adoradores que o adorem em espírito e em verdade, ele sempre procurou corações abertos que não se rendam as coisas desse mundo, mais que se dediquem a Ele em todos os momentos de sua vida, o Senhor nunca se preocupou com a quantidade da oferta, mas sim com a qualidade dessa, era só aquilo que a viúva tinha, e foi para essa oferta que Deus atentou. O que é que nós temos para oferecer ao Senhor? Ofereçamos de todo o coração, para que possa chegar a nossa oferta em cheiro suave diante do nosso Deus!
Amém
Abraço carinhoso da profª:
Maria Regina
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A oferta da viúva foi a maior.


dom Henrique Soares da Costa

Duas cenas comoventes, de gente pobre, sem valor nem importância, histórias de gentinha sem nome, ocupam hoje nossa atenção. Ah, meus irmãos, que Deus gosta de se ocupar com quem não vale nada!
Primeiro, a Viúva de Sarepta. Qual o nome dela? Qual o enredo da sua vida? Qual o nome do seu filho? Que idade tinha? Nada! Silêncio! A Escritura se cala. Vai direto ao ponto: no tempo do profeta Elias uma seca mortal varreu a Terra Santa e sua vizinhança. O Livro dos Reis explica que isso se deveu à idolatria de Israel e à impiedade de Acab, seu rei. Até o profeta Elias, que anunciou o castigo, teve que sofrer as conseqüências: primeiro ficou sendo alimentado por um corvo na torrente de Carit; mas, depois, a torrente secou. Também os profetas de Deus sofrem, também eles participam da sorte do seu povo... Deus não super-protege seus amigos numa redoma... Também os amigos do Senhor devem combater os combates da vida... Mas, secada a torrente de Carit, Elias deixou a Terra Santa como flagelado de seca... Conhecemos essa história de tantos nordestinos que fogem da sequidão, deixando para trás sua terra e indo para o Sudeste do País. Pois bem: Elias, um dos maiores amigos de Deus, foi retirante, como um coitado flagelado nordestino! E chega no estrangeiro, na fronteira de Israel com o Líbano. Vê uma viúva cananéia, pagã, portanto, apanhando uns gravetos para fazer fogo. Pois bem, o homem pede-lhe um pouco d’água e também um pedacinho de pão. Devia estar morto de fome, o Elias retirante, flagelado, como os “severinos” da vida... E, ante o pedido do Homem de Deus, a resposta da viúva pobre e sem nome, uma maria-ninguém, é de fazer chorar de dor: “Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha e um pouco de azeite. Eu estava apanhado dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte”. É um fim da pouca comida na casa daquela coitada, daquela pobre. E observem que ele não amaldiçoa Deus; pelo contrário: “Pela vida do Senhor, teu Deus!” – ela diz, com respeito por Deus e por seu profeta, apesar de ser uma pagã! E Elias manda que ela prepare o pão primeiro para ele; e garante: “Assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até ao dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra’”. A viúva fez assim, e aconteceu como o profeta de Deus dissera...
Uma segunda cena. A de uma viúva também sem nome, sem importância, outra maria-ninguém; Maria Nadinha de Nada – poderia ser esse o seu nome... Chega junto ao cofre do tesouro do Templo. Ali joga duas moedinhas. Dinheiro de nada. Não dá para comprar nem o azeite de um dia para manter o candelabro do Senhor aceso! Mas, era “tudo aquilo que possuía para viver!” E o Senhor viu, e comoveu-se com sua generosidade, pois conhecia seu coração e sabia da sua penúria miserável! – Esta segunda história nós conhecemos bem das nossas igrejas; a mão aberta, generosa, dos pobres para com a Casa de Deus e a parcimônia mesquinha e desdenhosa dos que muito possuem... Pois bem: esta viúva, indigente, quase esmoler, dá tudo ao Senhor, não reserva nada para si! Talvez nós pensemos, do alto da nossa prudência: “Mulher imprudente, mulher tola, mulher irresponsável...” Mas, o Senhor Jesus, que desmascara nossos pensamentos miseráveis e mundanos, tem opinião diferente: Ama aquela viúva, elogia aquela mulher, comove-se com ela.
Caríssimos, agora procuremos responder: Como essas duas mulheres tiveram coragem de agir assim? Como foram capazes de tal desapego? Eis a resposta: As duas acreditavam de verdade no Deus de Israel. Para elas, Deus não era uma teoria, uma hipótese, uma idéia vaga, fria e distante! Para elas, Deus era concreto, presente, atuante. Ainda hoje é assim para os pobres. Vão, meus caro! Vão às nossas comunidades de periferia e vocês ficarão impressionados com a generosidade e a fé da gente pobre! Para essas duas mulheres e para os pobres de Deus, as palavras do salmo da Missa de hoje não são uma brincadeira, não são palavras vazias: O Senhor é fiel para sempre,/ faz justiça aos que são oprimidos;/ ele dá alimento aos famintos./ É o Senhor quem protege o estrangeiro,/ quem ampara a viúva e o órfão./ O Senhor reinará para sempre!” Só quem crê de verdade, de verdade se abandona, de verdade doa, de verdade não procura segurança fora de Deus! Só quem crê de verdade faz como essas viúvas sem juízo: dão tudo, porque dão para o Senhor! Caríssimos, aquelas mulheres pobres acreditavam nisso, aquelas duas coitadas sabiam abandonar-se nas mãos benditas do Deus de Israel: uma dá tudo quanto tinha para comer a uma estranho simplesmente porque ele era um homem de Deus; a outra, não hesita em jogar tudo no tesouro da Casa do Senhor... Elas são como o Cristo Jesus, “que sendo rico se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza” (2Cor. 8,9). Elas são tão diferentes de nós, apegados, desconfiados, iludidos com o pensamento que podemos garantir nossa vida com nosso egoísmo e que somos senhores dos nossos dias. – Senhor, dá-nos um coração de pobre! Senhor, fonte de riqueza, dá-nos um coração confiante!
E agora, para terminar, agora olhemos Jesus. A segunda leitura de hoje no-lo apresenta no céu, diante do Pai, em nosso favor. O Autor sagrado explica que ele se fez homem uma só vez, entregando-se todo, a vida toda, por nós, até morrer para apagar os pecados da multidão! Ele fez como aquelas viúvas: Ele não se poupou, não poupou nada; tudo entregou ao Pai por nós. E agora, ele estará para sempre diante do Pai, com o seu sacrifício, como Cordeiro glorioso e imolado (cf. Ap. 5,6), até que apareça nos final dos tempos “para salvar aqueles que o esperam”. Eis caríssimos, o mistério: sem saberem, aquelas duas mulheres participavam da entrega de Cristo, da generosidade de Cristo, dos sentimentos de Cristo! Sem nem imaginarem, aquelas mulheres colocaram a esperança em Cristo!
Por favor, voltemos agora o olhar do coração para o Céu, para junto do Pai! Lá está o nosso Salvador, eternamente vitorioso e eternamente imolado de amor! Lá está Jesus, com seu sacrifício eterno, único, perfeito irrepetível, totalmente suficiente e eficaz! Ele nos deu tudo! Mais ainda: ele se deu todo... Todo a nós, todo por nós! Agora, olhemos para este Altar, em torno do qual nos reunimos. Daqui a pouco, esse sacrifício único e santíssimo, essa sacrifício que está para sempre diante de Deus, estará aqui, sobre este Altar sagrado, para ser nossa oferta e para que nós dele participemos! Daqui a pouco, a Hóstia santa – isto é, a Vítima do Sacrifício – estará aqui, do céu para nós, do céu entre nós, para ser nossa oferta e nosso alimento! É muito dom, é muito mistério, é muito piedade, é muita misericórdia de Deus para conosco!
Caríssimos, não sejamos mesquinhos, não sejamos incrédulos, não sejamos duros de coração: aprendamos a ver Deus agindo na nossa vida, aprendamos a confiar, e coloquemos nossa vida e nossa pobreza nas mãos de Deus! Amém.
dom Henrique Soares da Costa



A oferta da vida
Jesus está no templo de Jerusalém, o centro do poder político e religioso de seu tempo. Aí se torna ainda mais evidente o contraste entre as lideranças do povo (os doutores da Lei) e as viúvas, que representavam as pessoas mais pobres e desprotegidas da sociedade.
Jesus vê o coração das pessoas, indo além das aparências. Ele vê o que está no mais profundo das decisões que tomamos e das ações que praticamos. Vê a vaidade, o vazio de quem faz as coisas apenas para aparecer. Vê a maldade de quem, usando a religião, explora a fé do povo, tal como os doutores da Lei. Estes, de fato, deviam proteger as viúvas, mas acabavam cobrando pelo serviço uma quantia tal, que as viúvas muitas vezes tinham de lhes entregar até a própria casa.
Jesus vê o coração dos ricos e sua esmola, e vê o coração da pobre viúva e sua fé. Pois o que para os ricos era esmola, algo de supérfluo, para a viúva era tudo o que possuía para viver, uma aposta de vida e um abandono total nas mãos de Deus. Depositando aquelas duas moedinhas, a viúva na verdade estava depositando em Deus toda a sua vida e demonstrando, enfim, o que é a fé. A autêntica atitude religiosa é, de fato, entregar-se totalmente a Deus, em vez de simplesmente confiar no próprio poder e riqueza.
Somos hoje questionados sobre as intenções que trazemos no coração. Se podemos enganar os outros e a nós mesmos, com Deus nosso encontro só pode ser franco e sincero, sem máscaras e tapeações. Senão nunca será um encontro.
Somos igualmente questionados sobre a crueldade de práticas que, revestidas de religiosidade, não fazem mais que explorar a fé das pessoas simples e sinceras. É fundamental que cada cristão colabore na manutenção de sua comunidade de fé e sobretudo na promoção de seus membros mais necessitados. Mas o elogio de Jesus ao gesto da viúva nos leva a perguntar: é justo uma religião tirar de uma pessoa pobre tudo o que ela tem para sobreviver?
Não bastam boas intenções. Mas as boas intenções são a primeira condição para viver autenticamente a religião.
padre Paulo Bazaglia, ssp

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A gratuidade
O que vale de verdade na vida é a simplicidade. Não são as pompas, os luxos, os eventos espetaculosos. Geralmente as pompas e circunstâncias estão carregadas de vaidades e pretensões egoístas. Elas podem até impressionar, mas são levadas pelo vento como palha seca.
A simplicidade é a beleza no seu estado mais puro, qual uma criança que aprende a juntar as primeiras palavras e pronuncia “mama”, “papa”. Por trás dessa beleza simples há uma sofisticação profunda. Para uma criança que está aprendendo a falar, o ato de juntar letras e dizer palavras exige um esforço mental sem medida. Aprender é devagar, porque o conhecimento deve ser profundo. O que é superficial dura pouco.
A criança pequena não joga palavras ao vento. Ela oferece tudo de si nas poucas palavras que sabe. Nem tem a pretensão de discursos pomposos. A inocência nunca se ostenta. Com o tempo, porém, expandimos a linguagem e criamos verdadeiro arsenal linguístico. Isso é bom! O problema é que também aprendemos a guerrear com as palavras e tendemos a complicar tudo. E mais: passamos a querer ser vistos pelo que temos, fazemos ou pelo que apenas parecemos ser.
Jesus, no evangelho de hoje (Mc. 12,38-44), repudia veementemente os comportamentos fingidos. Ele contrasta a hipocrisia dos ricos poderosos com a transparência e simplicidade da viúva pobre. Os ricos fingidos ofertam altas quantias no cofre do Templo, achando que estão fazendo grandes coisas. Ocorre que o que mais desejam é serem vistos e aplaudidos. No entanto, para Jesus, o que conta é a gratuidade.
A viúva é pura gratuidade, faz a oferta de tudo que tem. Ela não dá do que sobra. Ela dá do que é seu. Não roubou de ninguém. É uma oferta generosa e gratuita, totalmente desinteressada. Não é uma oferta de troca, ela não espera retribuição. Sabe que sua esperança está em Deus, que é amor e se nos revela como amor incondicional.
A liturgia de hoje convida-nos a ser comunidade fiel ao Senhor, na fraternidade. Ao nosso Deus não interessam grandes manifestações religiosas ou ritos externos pomposos. A ele interessa atitude permanente de entrega, disponibilidade para os seus projetos, acolhimento generoso dos desafios da vida e prontidão constante para doar a vida em benefício dos irmãos e irmãs. O amor sem reserva é a religião querida por Jesus, nosso mestre.
padre Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp

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Dar não só o supérfluo, mas mesmo do necessário
O tema predominante na liturgia deste domingo é dado pela correspondência entre o episódio da viúva pobre no templo (Evangelho) e o da viúva de Sarepta (1ª leitura). A partir daí, pode-se compreender a crítica que Jesus faz aos escribas e a dimensão do sacrifício de Cristo tematizado na carta aos Hebreus.
1ª leitura (1Rs. 17,10-16)
O texto de 1Rs. 17,10-16 faz parte do início das narrativas acerca do profeta Elias (cf. 1Rs. 17-19; 21; 2Rs. 1-2). O contexto da cena é a grande seca enviada pelo Senhor (v. 1). O rei Acab promovia o culto ao deus cananeu Baal, ao qual era atribuída a chuva e a fertilidade dos campos. Com a seca, o Senhor mostrava a inoperância do deus cananeu e a potência de sua palavra, que fechava os céus. Elias recebe a ordem de habitar em território fenício, na região de Sarepta (v. 9), a cerca de 15 km ao sul da cidade de Sidônia. Tratava-se de um território pertencente ao sogro do rei. Apesar de não ser do domínio de Israel, as realizações de Elias naquela região demonstravam o grande poder do Senhor, que ultrapassava as fronteiras israelitas.
Elias é um profeta chamado individualmente por Deus, não ligado à corte ou a um grupo de profetas e, por isso, quando não se encontra em sua própria morada, depende da hospitalidade e da caridade de outrem. Deus o adverte de que uma viúva lhe virá em auxílio (v. 9). É exatamente alguém naturalmente desprotegido na sociedade israelita e, nas circunstâncias da grande seca, particularmente em situação de necessidade, o instrumento de Deus para vir em socorro de seu profeta.
Deus se serve dos frágeis, mas generosos, para melhor manifestar a sua força. É a viúva quem dará sustento ao grande Elias. Ela possui, em sua indigência, muito pouco. Mas esse pouco será o princípio a partir do qual ela tirará sustento para si, para seu filho e para o profeta, e por um longo tempo (v. 15).
Julgando segundo razões bem plausíveis, a mulher expõe sua quase impossibilidade de atender ao pedido do profeta por um pouco de pão. Elias, porém, mantém-se firme em sua solicitação e dela exige o pouco que ainda lhe resta. Mas apóia essa exigência na confiança de que o Senhor cuidará da situação (“Não temas, não te preocupes!”, v. 13) e garantirá a sobrevivência dos três durante o tempo da seca (v. 14). Crendo na Palavra de Deus, transmitida pelo profeta, a viúva obedece e vê sua generosidade recompensada pela manutenção dos víveres mais necessários à vida e que, no momento de seu encontro com Elias, estavam prestes a acabar (v. 15). Deus garante o alimento; Ele é quem dá o sustento necessário à vida. E o dá para ser partilhado.
Evangelho (Mc. 12,38-44)
O texto do Evangelho são as últimas palavras de Jesus antes do discurso escatológico, último de sua vida pública (cf. Mc. 13), e antes da paixão. É como uma última indicação das disposições que deve ter seu discípulo. O texto da liturgia possui duas partes: nos v. 38-40, Jesus admoesta os discípulos quanto ao comportamento dos escribas; os v. 41-44 trazem a cena da viúva pobre que deposita seu donativo no templo. Aproximando os dois temas, o evangelista quis colocar em contraste os escribas e a pobre viúva, colocando essa última como modelo. Na primeira parte (v. 38-40), Jesus começa com uma advertência: “Guardai-vos dos escribas... cuidado com os escribas” – chamando a atenção para a necessidade de se estar atento e não se deixar influenciar pelo comportamento dos mesmos. Em seguida, aponta duas atitudes dignas de crítica. Primeiramente, a procura de reconhecimento e elogios, através do uso de túnicas usadas para sair, vistosas e eventualmente ricas (o termo grego stolé indica por vezes a veste do rei ou do sacerdote: cf. 2Cr. 18,9; Est. 6,8; Ex. 28,2); do gosto de serem saudados por primeiro, o que demonstrava sua importância; da satisfação em ocupar os primeiros postos na sinagoga, reservados a personalidades importantes (ou ao menos seus próprios lugares, já que os escribas não se sentavam junto com o povo, nas sinagogas, mas em lugares especialmente reservados), e os lugares ao lado de quem oferecia um banquete (cf. Lc. 14,18ss). Em segundo lugar, o desejo de possuir bens, mesmo daqueles que eram objeto de proteção especial de Deus (viúvas e órfãos: cf. Ex. 22,21-22). “Devorar as casas” significa
apropriar-se ilicitamente, talvez através dos altos preços exigidos por consultas jurídicas.
Tal atitude é agravada por ser levada a efeito por pessoas que “ostentam longas orações”.
Jesus critica, assim, os escribas por sua pretensão de ter, na comunidade, uma posição de destaque em virtude do conhecimento da Lei. O que deveria ser um serviço à comunidade torna-se motivo de autopromoção e de dominação. Sua crítica termina com uma condenação, que equivale a um juízo divino escatológico (assim o expressa o termo grego kríma, sentença, julgamento). Os escribas receberão um julgamento mais severo, porque eram conhecedores da vontade de Deus e porque serviam-se de pessoas frágeis para seus propósitos escusos.
A segunda parte do Evangelho de hoje (v. 41-44) se passa na sala do tesouro do templo, no átrio das mulheres, onde havia três cofres destinados a receber as ofertas dos fiéis. Os doadores diziam em voz alta o valor que depositavam e o entregavam a um sacerdote.
Desse modo, Jesus podia conhecer o que era oferecido. O evangelista apresenta duas contraposições: muitos ricos – uma só viúva; ofereciam muito – ofereceu duas moedinhas.
Essa contraposição faz ressaltar a pobreza da viúva e a sua posição desfavorável. Ela oferece duas “lepta” ou um “quadrante”, respectivamente, as menores dentre as moedas gregas e romanas.
O ensinamento de Jesus aos seus discípulos é solene: “Em verdade vos digo” – ele dará uma sentença verídica sobre o fato. A oferta da pobre viúva supera a dos ricos, porque é seu tudo. Os ricos nada têm de prejuízo com o que dão, pois dão do seu supérfluo. A viúva dá tudo o que tem. Ela poderia ter dado só uma moeda, mas deu as duas que tinha e, por isso, seu sacrifício é maior e mais autêntico, mais generoso.
Quem dá o que lhe sobra não vê tocada sua própria existência, que continua segura.
Doando tudo o que tinha para viver, a viúva professou concretamente seu amor e total adoração a Deus, a entrega a Ele de sua vida e, simultaneamente, a confiança na sua providência.
Não basta dar a Deus o supérfluo; Deus não quer de nós alguma coisa, mas, sim, Ele nos quer. Jesus não fez à pobre viúva do templo uma promessa de sustento, como o fez o profeta Elias em Sarepta. A viúva do templo tem sua recompensa a partir de seu próprio ato. Se ela assim se dá a Deus... Que não dará Deus a ela?
De outro lado, se ela assim se doa a Deus, este deve ser também o modelo de sua doação aos outros. Nossa solidariedade com todos não se pode expressar só em dar o nosso supérfluo, mas também o que nos é necessário, não só materialmente, mas também nosso tempo, nossa atenção, nossa compreensão, nossa paciência... Enfim, nós mesmos. A viúva é, assim, colocada como exemplo, embora na sociedade de então não ocupasse nenhum destaque (por ser mulher, e sem marido, sem proteção; e por ser pobre). Ela é exemplo que resume em si, de certa forma, a atitude do ser humano diante de Deus.
2ª leitura (Hb. 9,24-28)
O texto da carta aos Hebreus de hoje faz parte do trecho 8,1–9,28, que traça a contraposição entre o modo de garantir o acesso a Deus nos sacerdotes do Antigo Testamento e em Jesus. Jesus realiza um novo sacrifício, que supera infinitamente os do Antigo Testamento.
Porque não foi feito num templo humano, em Jerusalém, mas chegou ao céu e abriu a face de Deus em nosso favor (v. 24). E porque não precisa ser realizado muitas vezes, mas uma só (v. 25-26). Por que não precisa ser repetido?
Primeiramente, porque cumpriu em si todas as exigências da oferta, da adoração a Deus. Não pode haver nada de maior. Seu mistério pascal supõe o mistério da encarnação da Segunda Pessoa Divina; por ser o sacrifício de Deus encarnado, esse sacrifício é absolutamente único. Em segundo lugar, porque tal doação a Deus é capaz de realizar plena e  incomparavelmente a comunhão do ser humano com Deus. Ele realizou a salvação de modo pleno, cabal (v. 28).
Aqui se abre a dimensão cristológica do discipulado exposto no Evangelho. Se a viúva é modelo do discípulo por dar-se totalmente a Deus (e, daí derivando, também seu amor ao próximo), a carta aos Hebreus, lida nesse contexto, mostra que Jesus é o modelo do discípulo, também porque ofereceu a Deus todo o seu ser, sem nada reter, incluindo sua vida e sua morte. Ele deu realmente tudo o que tinha (cf. Mc. 12,44).
Dicas para reflexão
– Estou atento ao fato de que Deus pode manifestar-se não só no que é mais vistoso, mas também nos mais frágeis, nos indigentes, nos sem-nome?
– Como é meu serviço na comunidade eclesial?
É realmente um serviço a Deus e a meus irmãos, ou a mim mesmo?
– Sei estar diante de Deus em atitude de adoração, para oferecer-lhe toda a minha vida,
todo o meu ser? Sei que essa oferta tem como modelo último o próprio Senhor, que deu a sua vida por nós?
Maria de Lourdes Corrêa Lima

A transparência dos simples
Duas mulheres viúvas transparentes e simples são colocadas diante de nossos olhos neste domingo: uma que apanhava lenha para acender o fogo e a outra que depositava tudo o que tinha no cofre do templo.
Elias entra em Sarepta. Tem sede. Pede a uma viúva que lhe dê de beber. Pede ainda para que lhe traga um pedaço de pão. E a mulher: “Sou uma pobre viúva, profeta. Estou na iminência de morrer. Não tenho mais nada.  Estava apanhando uns galhos secos para preparar um pouco de pão para mim e meu filho. Depois, bem depois… vamos morrer. Teria muita vontade de socorrê-lo mas estou em situação extremamente delicada”. Elias se dá conta da sinceridade da mulher e lhe faz a promessa de que atendendo ao seu pedido não lhe faltará mais o pão “A farinha da vasilha não acabou nem diminuiu o óleo da jarra, conforme o que o Senhor tinha dito por intermédio de Elias”.
Novamente atitude de transparência e humildade aparece no episódio do evangelho. Jesus adverte seus ouvintes a respeito da postura de alguns nem sempre tão sincera e coerente. “Há gente importante, doutores da lei, que gostam de chamar atenção por meio de seus trajes, apreciam serem saudados como se fossem excelências ambulantes. Sentam-se solenemente nas primeiras cadeiras nas casas de culto. Chegam mesmo a devorar, pasmem, as casas das viúvas… fingindo fazer longas orações. Essa religião não tem futuro. Faltam-lhe as condições básicas de sinceridade, transparência e humildade”. Assim Jesus condena uma classe de religiosos sem sinceridade.
Ele está ali, perto do cofre das esmolas. Via ricos depositando grandes quantias. De repente, sua atenção foi atraída por uma mulher simples, uma viúva que depositou duas moedinhas de nada… mas era tudo o que tinha. Os outros haviam dado do que lhes sobrava. Esta deu o que lhe faria falta… Jesus chama os seus discípulos e faz com que eles compreendam a necessidade da generosidade e transparências nas coisas de Deus.
“A viúva deu do que lhe era necessário, ao contrário dos ricos que dão de sua abundância, de seus privilégios com ostentação e busca de glória. O gesto furtivo com que a viúva lança em silêncio, suas duas moedinhas é um gesto de oração, de fé e de amor. A esmola é insignificante, mas o dom é total; tanto maior quanto menos se ostenta, e ainda procura ocultar-se. Jesus, que admirou o gesto e o louvou, não mede os atos humanos com nossa medida que se baseia nas aparências. Ele não mede com algarismos o que nós damos; mede com o amor, avalia com os valores interiores da pessoa, vai até o coração” (Missal Dominical da Paulus, p. 1068).
As pessoas puras, simples, generosas e transparentes inventam a terra e constituem a glória da Igreja.
frei Almir Ribeiro Guimarães

Jesus ensina a autêntica generosidade
Os simples “se salvam pela ignorância”. Para os escribas vale o contrário: já que sabem, porém escondem sua cobiça de honra, banquetes e dinheiro atrás de longas orações, “esses receberão sentença mais severa”. Os escribas não são os fariseus. Estes eram judeus fervorosos, dados à observância da Lei até os mínimos detalhes. Para isso precisavam de assistência teológica, que lhes era fornecida pelos teólogos, os escribas. Os escribas geralmente aderiam à tendência farisaica, que lhes garantia freguesia e fama de santidade, mas nem por isso eram tão santos assim. Aconselhando “boas obras” às viúvas, proviam-se dos pobres recursos delas. Gostavam de todo tipo de precedência, até na boa comida. Nem todos, é claro (cf. ev. Dom. pass), mas muitos. Também hoje conhecemos os que explicam a Lei e os que a aplicam. O evangelho de hoje faz uma oposição entre a falsa piedade dos escribas (a hipocrisia) e a verdadeira piedade de suas vítimas, as viúvas, sinônimo de pessoas desprotegidas. Cita o exemplo de uma viúva que, depositando algumas moedinhas no templo, coloca “todo o seu viver”(literalmente cf. o texto grego) nas mãos de Deus, enquanto as pessoas abastadas, embora com muita ostentação, só dão de seu supérfluo.
A índole da viúva é confiar em Deus, já que vive à mercê das pessoas. A 1ª leitura nos narra um episódio para ilustrar isso. Elias está fugindo do ódio mortal que lhe dedica a rainha Jezabel, filha do rei da Fenícia. A fuga o leva à pátria dessa rainha. A fome o obriga a recorrer à casa de uma pobre viúva, antípoda da rainha. Ela está no fim de seus viveres. Vai cozinhar sua última farinha para si e seu filho, prevendo para depois a morte pela fome. Mas mesmo assim, dá preferência ao “homem de Deus” e lhe entrega seu último “viver”. E Deus recompensa sua entrega total: sua despensa nunca mais ficará vazia.
A mensagem global destes textos é que certos “homens da religião” estão muito longe do mistério da generosidade que se realizou no encontro do “homem de Deus” (Elias) e a viúva de Sarepta – uma pagã. Muitos homens da religião correm às casas das viúvas para se enriquecer, não para encher as despensas delas. Entretanto fazem ostentação de uma piedade que é a negação mesma da piedade da pobre viúva. Será que isso só existia em Israel, no tempo de Jesus?
“Esses terão uma sentença mais severa” fica soando em nossos ouvidos. A liturgia aponta para o tempo final. Está na hora de um exame de consciência. Onde estamos: na singela generosidade das viúvas, ou na “hipocrisia” dos teólogos? Para ser como as viúvas, é preciso ter a verdadeira fé, a certeza de estar na mão de Deus. A oração do dia nos incentiva para recorrermos a Deus em todos os perigos e lhe ficarmos completamente disponíveis. Pelo outro lado, a religião dos teólogos e legistas é apenas letra no papel (além de exploração dos simples e desprotegidos), não é entrega da vida. Os cantos (salmo responsorial, aclamação ao evangelho) vêm ajudar-nos para escolher o lado certo.
Um aparte para a 2ª leitura. É o texto fundamental de toda a teologia sacramental, especialmente a que se refere ao sacrifício eucarístico. Cristo significa o fim de todos os sacrifícios. Não estou falando das mortificações pedagógicas nem das dificuldades reais que as pessoas devem enfrentar em sua vida, para serem fiéis à sua vocação. Mas sacrifício mesmo, no sentido de destruição de um objeto ou uma vida, para apaziguar Deus – isso já não tem vez, depois de Cristo. Cristo é o sacerdote que entrou no Santuário santificado por seu próprio sangue, no qual todos são santificados. Sendo homem verdadeiro (Hb. 4,15!), vivendo a fidelidade à sua missão até o fim, mostrando que Deus é fidelidade e amor, Jesus aboliu todas as maneiras de aplacar Deus por sacrifícios violentos e sangrentos. Deus “se realiza” num escravo do amor até o fim, e desde que ele resumiu o culto a Deus nesta atitude, esta se toma para seus seguidores o único caminho de restauração e paz. Por isso, a cruz não pode mais ser repetida uma segunda vez. Nem se pode inventar outros meios para aplacar Deus, como, por exemplo, as obras da Lei: se estas salvassem, Cristo teria morrido em vão (Gl. 2,21). O sacrifício de Cristo não se repete; só pode ser comemorado, atualizado sempre de novo em cada existência cristã, em cada celebração de sua eterna atualidade. Também a vida cristã, consagrada ao testemunho do amor e da doação, não é uma repetição da morte de Cristo, mas a participação na sua presença. E surge aqui a perspectiva da consumação final: Jesus voltará para completar a salvação dos que depositaram nele sua esperança.
Johan Konings "Liturgia dominical"


Jesus, ao observar o comportamento dos doutores da Lei, ensina aos seus discípulos que servir a Deus significa ser verdadeiro, ser autêntico.
Naquele tempo o povo era marginalizado política, econômica, religiosa e socialmente. Os sacerdotes pregavam a eles, com exemplos de oração, que faziam em voz alta para que todos os escutassem e os considerassem ‘santos’. Orações que embora vazias para Deus, serviam como formas de dominação e exploração do povo.
Jesus condena os doutores da Lei por serem arrogantes, ricos, dominadores e exploradores; além de fazerem questão de manter as aparências, a fim de ostentar o poder e o prestígio. Andam bem vestidos, reivindicam os primeiro lugares, exploram os mais fracos e humildes, não partilham e excluem.
Sentado diante do tesouro do Templo, em Jerusalém, Jesus observa a atitude das pessoas que ali iam depositar as suas ofertas. Ele percebe que os ricos oferecem o que lhes sobra, e a viúva, sinônimo de pessoa desprotegida, pobre, partilha o pouco que tem, e ninguém nota esse seu gesto, somente Jesus vê e elogia o comportamento da mulher. O gesto da viúva é a única coisa boa que Jesus vê em Jerusalém.
Na sua pobreza, esfarrapada e maltrapilha, ela demonstra a sua total dependência a Deus e O serve de todo coração, fazendo a oferta de tudo o que possui. Age com retidão, segundo a sua consciência e sem interesse em se engrandecer diante dos outros. É verdadeira e autêntica.
Jesus ensina que o tamanho da oferta não representa efetivamente a intenção escondida. O que importa é o significado do gesto, o coração e a situação de quem dá. Isto, sim, é de grande importância aos olhos de Deus.
A expressão que Jesus usa, ‘deu tudo o que tinha para viver’ significa, no texto original em grego: ‘colocou toda a sua vida nas mãos de Deus’. A viúva dá tudo sem pedir nada de volta. Esse é o verdadeiro amor sem restrição, sem medidas, respondendo ao Amor de Deus para com seus filhos. Doação de si, total e gratuitamente é imitação de Deus!



O pouco que é muito
As aparências não influenciavam o juízo que Jesus fazia das pessoas, porque seu olhar penetrava no íntimo delas. Por esse motivo, não lhe era difícil perceber a motivação profunda de suas ações.
Os mestres da Lei, por exemplo, não o enganavam. Prevalecendo-se da estima que gozavam do povo, tornavam-se vaidosos e inescrupulosos. Sentiam prazer em ser reconhecidos como pessoas altamente consideradas. Sendo assim, abusavam da boa fé e da hospitalidade das pobres viúvas, passando longas horas de oração na casa delas, só para comer do bom e do melhor. Portanto, tornavam-se operadores de injustiça e dignos da mais severa condenação.
A generosidade dos ricos também não enganava Jesus. Com prazer jogavam consideráveis esmolas no tesouro do templo, para serem vistos e louvados pelos presentes. Tal esmola, porém, embora valiosa em termos monetários, não tinha valor para Deus.
Bem outra era a situação da pobre viúva que, tendo oferecido apenas algumas moedinhas, fez um gesto altamente agradável a Deus, porque marcado pela simplicidade e pela discrição. Talvez, só Jesus a tenha observado. A viúva não ofereceu do seu supérfluo. Antes, abriu mão do que lhe era necessário, para fazer um gesto agradável a Deus. Por isso, seu pouco tornou-se muito aos olhos de Jesus.
padre Jaldemir Vitório


A oferta dos pobres
Nos evangelhos a crítica à classe dirigente das sinagogas, do Templo e da Judeia, os escribas, os fariseus, os sacerdotes e os latifundiários, é muito contundente. Essa crítica atinge tanto a sua doutrina como a sua prática. A sua doutrina tem um sólido caráter ideológico em vista de consolidar seu prestígio e poder, religioso e político. A sua prática prioriza a acumulação de riqueza. Lucas caracteriza os fariseus como amigos do dinheiro (Lc. 16,14).
Nesta narrativa de Marcos, estando em Jerusalém e tendo expulsado os comerciantes do Templo, Jesus, ao ensinar aí, faz uma contundente advertência contra a prática dos escribas e o sistema deste Templo. Os evangelhos de Mateus (cap. 23) e Lucas (11,37-12,1) apresentam, cada um, um bloco com várias destas agressivas advertências, com vários "ais". Marcos restringe-se apenas a esta.
Os escribas, enquanto, de maneira hipócrita, fazem questão de ostentar piedade e prestígio, devoram as casas das viúvas. Em continuidade a esta denúncia, segue a narrativa da oferta da pobre viúva. O Templo de Jerusalém, como os templos dos impérios do Oriente, tinha um anexo, o Tesouro ou Gazofilácio (do grego gazophilakion), onde eram guardadas as riquezas acumuladas, que cresciam com os depósitos das ofertas feitos através de algumas pequenas aberturas externas, os "cofres".
Jesus, ostensivamente, senta-se diante do Tesouro e se põe a observar. A pobre viúva, como as multidões de empobrecidos que faziam sua peregrinação religiosa a Jerusalém e depositavam suas ofertas, sacrificava-se dando do necessário para viver, sendo assim explorada por aqueles que usufruíam das riquezas acumuladas no Tesouro do Templo. Esta multidão de excluídos (ochlós) lançava pequenas moedas, que somadas davam grande valor. Alguns ricos depositavam muito, o que não lhes pesava, pois eles próprios se beneficiavam do sistema do Templo.
Jesus chama a atenção sobre a viúva pobre que deu duas moedinhas, que era tudo o que tinha para viver. Com isso Jesus denuncia o próprio sistema do Templo. Com as exigências das estritas observâncias de suas leis, de seus dízimos e ofertas, os chefes do Templo exploram os pobres.
Na segunda leitura, a exaltação da autoimolação de Cristo, como sacerdote e vítima, é característica da controversa epístola aos Hebreus. Este enfoque, típico da doutrina sacrifical do Antigo Testamento, inspirou a espiritualidade do autossacrifício como agradável a Deus. De certo modo ela está presente no episódio da viúva de Sarepta (primeira leitura), que se sacrifica para alimentar o profeta, sendo recompensada por Deus. Tal espiritualidade, que favorece a opressão sobre o povo explorado e sofrido, não corresponde ao Deus de Jesus, Deus do amor e da libertação, que, de maneira paterna e materna, com carinho quer a vida plena de seus filhos.
José Raimundo Oliva

A liturgia do 32º Domingo do Tempo Comum fala-nos do verdadeiro culto, do culto que devemos prestar a Deus. A Deus não interessam grandes manifestações religiosas ou ritos externos mais ou menos sumtuosos, mas uma atitude permanente de entrega nas suas mãos, de disponibilidade para os seus projetos, de acolhimento generoso dos seus desafios, de generosidade para doarmos a nossa vida em benefício dos nossos irmãos.
A primeira leitura apresenta-nos o exemplo de uma mulher pobre de Sarepta, que, apesar da sua pobreza e necessidade, está disponível para acolher os apelos, os desafios e os dons de Deus. A história dessa viúva que reparte com o profeta os poucos alimentos que tem, garante-nos que a generosidade, a partilha e a solidariedade não empobrecem, mas são geradoras de vida e de vida em abundância.
O Evangelho diz, através do exemplo de outra mulher pobre, de outra viúva, qual é o verdadeiro culto que Deus quer dos seus filhos: que eles sejam capazes de Lhe oferecer tudo, numa completa doação, numa pobreza humilde e generosa (que é sempre fecunda), num despojamento de si que brota de um amor sem limites e sem condições. Só os pobres, isto é, aqueles que não têm o coração cheio de si próprios, são capazes de oferecer a Deus o culto verdadeiro que Ele espera.
A segunda leitura oferece-nos o exemplo de Cristo, o sumo-sacerdote que entregou a sua vida em favor dos homens. Ele mostrou-nos, com o seu sacrifício, qual é o dom perfeito que Deus quer e que espera de cada um dos seus filhos. Mais do que dinheiro ou outros bens materiais, Deus espera de nós o dom da nossa vida, ao serviço desse projeto de salvação que Ele tem para os homens e para o mundo.
LEITURA I – 1 Re. 17,10-16
AMBIENTE
Encontramos no Livro dos Reis um conjunto de tradições ligadas à vida e à ação de uma figura central do profetismo bíblico: o profeta Elias. Essas tradições aparecem, de forma intermitente, entre 1 Re. 17,1 e 2 Re. 2,12.
Elias (cujo nome significa “o meu Deus é o Senhor” – o que, por si só, constitui logo um programa de vida) atua no Reino do Norte (Israel) durante o século IX a.C., num tempo em que a fé jahwista é posta em causa pela preponderância que os deuses estrangeiros (especialmente Baal) assumem na cultura religiosa de Israel. Provavelmente, estamos diante de uma tentativa de abrir Israel a outras culturas, a fim de facilitar o intercâmbio cultural e comercial… Mas essas razões políticas não são entendidas nem aceites pelos círculos religiosos de Israel. O ministério profético de Elias desenvolve-se sobretudo durante o reinado de Acab (873-853 a.C.), embora a sua voz também se tenha feito ouvir no reinado de Ocozias (853-852 a.C.).
Elias é o grande defensor da fidelidade a Jahwéh. Ele aparece como o representante dos israelitas fiéis que recusavam a coexistência de Jahwéh e de Baal no horizonte da fé de Israel. Num episódio dramático, o próprio profeta chegou a desafiar os profetas de Baal para um duelo religioso que terminou com um massacre de quatrocentos profetas de Baal no monte Carmelo (cf. 1 Re. 18). Esse episódio é, certamente, uma apresentação teológica dessa luta sem tréguas que se trava entre os fiéis a Jahwéh e os que abrem o coração às influências culturais e religiosas de outros povos.
Para além da questão do culto, Elias defende a Lei em todas as suas vertentes (veja-se, por exemplo, a sua defesa intransigente das leis da propriedade em 1 Re. 21, no célebre episódio da usurpação das vinhas de Nabot): ele representa os pobres de Israel, na sua luta sem tréguas contra uma aristocracia e uns comerciantes todo-poderosos que subvertiam a seu bel-prazer as leis e os mandamentos de Jahwéh.
O ciclo de Elias começa com o anúncio, diante do rei Acab, de uma seca que irá atingir Israel (cf. 1 Re. 17,1). Essa seca é apresentada, não tanto como um castigo pelos pecados do rei, mas sobretudo como uma forma de mostrar que é Jahwéh (e não Baal, o deus cananeu das colheitas e da fertilidade, cujo culto era favorecido por Jezabel, a esposa fenícia de Acab) o verdadeiro senhor da vida que brota, cada ano, nos campos e nos rebanhos. A implacável seca leva, contudo, Elias para a cidade de Sarepta (hoje Sarafand), uma pequena cidade da costa fenícia, a cerca de 15 quilómetros a sul de Sídon. É aí que o nosso texto nos situa.
MENSAGEM
Elias chega a Sarepta e, correspondendo à indicação de Jahwéh, dirige-se a uma viúva da cidade. Pede-lhe água para beber e um pedaço de pão para comer. Nesse tempo dramático de fome e de seca, a mulher apenas tem um punhado de farinha e um pouco de azeite, que se prepara para comer com o filho, antes de se deitar à espera da morte; mas prepara o pão para Elias… E, por ação de Deus, durante todo o tempo que Elias aí permaneceu, nem a farinha se acabou na panela, nem o azeite faltou na almotolia.
Trata-se de uma história de cariz popular que, contudo, apresenta interessantes ensinamentos…
1. Com ela, o autor deuteronomista sugere que nessa luta entre Jahwéh e Baal pela supremacia, o Deus de Israel é o vencedor, pois é Ele que dá o trigo e o azeite de que o Povo se alimenta; mais, Jahwéh atua até em casa do seu “adversário” e entre os seus súbditos (Baal era o deus mais popular na Fenícia).
2. O fato de os beneficiários da ação de Jahwéh serem uma viúva e um órfão (os exemplos clássicos, na Bíblia, dos pobres, dos débeis, dos desfavorecidos, dos marginalizados) sugere que Jahwéh tem uma especial predileção pelos fracos, pelos pobres, por aqueles que nada têm, por aqueles que necessitam especialmente da proteção, da bondade e da misericórdia de Deus.
3. O pão e o azeite que a mulher reparte com o profeta multiplicam-se milagrosamente. O fato mostra que, quando alguém é capaz de sair do seu egoísmo e tem disponibilidade para partilhar os dons recebidos de Deus, esses dons chegam para todos e ainda sobram. A generosidade, a partilha e a solidariedade não empobrecem, mas são geradoras de vida e de vida em abundância.
4. A história sugere, ainda, que a graça de Deus é universal e se destina a todos os povos, sem distinção de raças, de fronteiras ou de crenças religiosas.
ATUALIZAÇÃO
A nossa história – como tantas outras histórias bíblicas – fala-nos da predilecção de Deus pelos desfavorecidos, pelos débeis, pelos pobres, pelos explorados, por aqueles que são colocados à margem da vida. Porquê? Porque Deus vê a história humana na perspectiva da luta de classes e escolhe um lado em detrimento do outro? Obviamente, não. No entanto, Deus opta preferencialmente pelos pobres porque, em primeiro lugar, eles vivem numa situação dramática de necessidade e precisam especialmente da bondade, da misericórdia e da ajuda de Deus; e, em segundo lugar, porque os pobres – sem bens materiais que os distraiam do essencial – estão sempre mais atentos e disponíveis para acolher os apelos, os desafios e os dons de Deus. Os “ricos”, ao contrário, estão sempre preocupados com os seus bens, com os seus interesses egoístas, com os seus projectos e preconceitos e não têm espaço para acolher as propostas que Deus lhes faz. Isto deve lembrar-nos, permanentemente, a necessidade de sermos “pobres”, de nos despirmos de tudo aquilo que pode atravancar o nosso coração e que pode impedir-nos de acolher os desafios e as propostas de Deus.
A mulher de Sarepta tinha, apenas, uma quantidade mínima de alimento, que queria guardar para si e para o seu filho; mas, desafiada a partilhar, viu esse escasso alimento ser multiplicado uma infinidade de vezes… A história convida-nos a não nos fecharmos em esquemas egoístas de acumulação e de lucro, esquecendo os apelos de Deus à partilha e à solidariedade com os nossos irmãos necessitados. Quando repartimos, com generosidade e amor, aquilo que Deus colocou à nossa disposição, não ficamos mais pobres; os bens repartidos tornam-se fonte de vida e de bênção para nós e para todos aqueles que deles beneficiam.
•A nossa história prova que só Jahwéh dá ao homem vida em abundância. É um aviso que não podemos ignorar… Todos os dias somos confrontados com propostas de felicidade e de vida plena que, quase sempre, nos conduzem por caminhos de escravidão, de dependência, de desilusão. Não é à volta do dinheiro, do carro, da casa, do cargo que temos na empresa, dos títulos académicos que ostentamos, das honras que nos são atribuídas que devemos construir a nossa existência. Só Deus nos dá a vida plena e verdadeira; todos os outros “deuses” são elementos acessórios, que não devem afastar-nos do essencial.
LEITURA II – Heb. 9,24-28
AMBIENTE
No passado domingo, o autor da Carta aos Hebreus apresentava Cristo como o sumo-sacerdote por excelência, não na linha do sacerdócio levítico, mas na linha do sacerdócio de Melquisedec… Hoje, passamos a outra secção (cf. Heb. 8,1-9,28), na qual o autor apresenta Cristo como o sacerdote perfeito e explica em que consiste essa perfeição e quais as suas consequências para a vida dos fiéis.
Depois de refletir sobre a imperfeição do culto antigo (cf. Heb. 8,1-6), a imperfeição da antiga Aliança (cf. Heb. 8,7-13) e a ineficácia dos sacrifícios oferecidos no Templo de Jerusalém (cf. Heb 9,1-10), o autor passa a explicar aos cristãos a quem a Carta se destina porque é que o sacrifício oferecido por Cristo é perfeito (cf. Heb. 9,11-14) e como é que, por esse sacrifício, Cristo se torna o mediador da Nova Aliança (cf. Heb. 9,15-22). No último parágrafo desta secção (cf. Heb. 9,23-28), o autor tira, para a vida dos fiéis, as consequências de tudo o que disse atrás, a propósito do sacerdócio perfeito de Cristo.
Dirigindo-se a cristãos em dificuldade, que já perderam o entusiasmo inicial e que, diante das dificuldades, correm o risco de renunciar ao compromisso assumido no dia do Batismo, o autor da Carta procura animá-los e revitalizar a sua experiência de fé.
MENSAGEM
No final da sua caminhada terrena com os homens, Cristo, o sacerdote perfeito, entrou no verdadeiro santuário que é o céu – a própria realidade de Deus, a comunhão com Deus. Vivendo em comunhão com o Pai, Ele continua a interceder pelos homens e a dispor o coração do Pai em favor dos homens (vers. 24).
Mais: enquanto que o sumo-sacerdote da antiga Aliança tinha que entrar no santuário todos os anos (o autor refere-se ao Dia da Expiação – o “Yom Kippur” – o único dia do ano em que o sumo-sacerdote entrava no “Santo dos Santos” do Templo de Jerusalém, a fim de aspergir o “propiciatório” com o sangue de um animal imolado e obter, assim, o perdão de Deus para os pecados do Povo), Cristo entrou uma só vez no santuário perfeito, levando o seu próprio sangue, e obteve a redenção de toda a humanidade – desde a fundação do mundo, até ao final dos tempos. A entrega de Cristo, o seu sacrifício consumado no dom da vida, teve uma eficácia total e universal; com ela, Cristo conseguiu a destruição da condição pecadora do homem. A humanidade fica, a partir desse instante, definitivamente salva.
Quando Cristo voltar a manifestar-Se, no final dos tempos (parusia), não será nem para oferecer um novo sacrifício, nem para condenar o homem; mas será para oferecer a salvação definitiva àqueles que Ele, com o seu sacrifício, libertou do pecado.
ATUALIZAÇÃO
A ideia de que Cristo nos libertou do pecado com o seu sacrifício domina este texto. O que é que o autor da Carta aos Hebreus quer dizer com isto? Cristo veio a este mundo para libertar o homem das cadeias de egoísmo e de pecado que o prendiam. Nesse sentido, Cristo pediu uma “metanoia” (transformação radical) do coração, da mente, dos valores, das atitudes do homem e propôs, com a sua palavra, com o seu exemplo, com a sua vida, que o homem passasse a percorrer o caminho do amor, da partilha, do serviço, do perdão, do dom da vida. A sua entrega na cruz é a lição suprema que Ele quis deixar-nos – a lição do amor que renuncia ao egoísmo e que se faz dom total aos irmãos, até às últimas consequências. Mais, a sua luta contra o pecado levou-O a confrontar-Se com as estruturas políticas, sociais ou religiosas geradoras de injustiça e de opressão; a sua morte, arquitectada pelos detentores do poder (as autoridades políticas e religiosas do país), foi, também, a consequência da sua luta contra as estruturas que oprimiam o homem e que geravam egoísmo e morte. Ele ofereceu, de facto, a sua vida em sacrifício para nos libertar do pecado. A sua ressurreição revelou que Deus aceitou o seu sacrifício e que não deixará mais que o pecado roube ao homem a vida. Aderir a Jesus, ser cristão, é procurar viver, dia a dia, no seguimento de Jesus e fazer da própria vida um dom de amor aos irmãos; é, também, lutar contra todas as estruturas que geram injustiça e pecado. Gastar a vida dessa forma é participar da missão de Jesus, é colaborar com Ele para eliminar o pecado.
As outras leituras deste domingo falam-nos de desapego, de partilha, de capacidade para “dar tudo”. Cristo, com a entrega total da sua vida a Deus e aos homens, realizou plenamente esta dimensão. Ele mostrou-nos, com o seu sacrifício, qual é o dom perfeito que Deus quer e que espera de cada um dos seus filhos. Mais do que dinheiro ou outros bens materiais, Deus espera de nós o dom da nossa vida, ao serviço desse projecto de salvação que Ele tem para os homens e para o mundo.
A certeza de que Jesus Cristo, o sacerdote perfeito, venceu o pecado e está agora junto de Deus, intercedendo por nós e esperando o momento de nos oferecer a vida eterna, deve dar-nos confiança e esperança, ao longo da nossa caminhada diária pela vida. A Palavra de Deus que hoje nos é oferecida garante-nos que as nossas fragilidades e debilidades não podem afastar-nos da comunhão com Deus, da vida eterna; e, no final do nosso caminho, Jesus, o nosso libertador, lá estará à nossa espera para nos oferecer a vida definitiva.
EVANGELHO – Mc. 12,38-44
AMBIENTE
O nosso texto situa-nos em Jerusalém, nos dias que antecedem a prisão, julgamento e morte de Jesus. Por esta altura, adensam-se as polémicas de Jesus com os representantes do Judaísmo oficial. A cada passo fica mais claro que o projecto do Reino (proposto por Jesus) é incompatível com a visão religiosa dos líderes judaicos. Num ambiente carregado de dramatismo, adivinha-se o inevitável choque decisivo entre Jesus e a instituição judaica e prepara-se o cenário da Cruz.
Jesus tem consciência de que os líderes da comunidade judaica tinham transformado a religião de Moisés – com os seus ritos, exigências legais, proibições e obrigações – numa proposta vazia e estéril. Mal-servida e manipulada pelos seus líderes religiosos, a comunidade judaica tinha-se transformado numa figueira seca (cf. Mc. 11,12-14. 20-26), onde Deus não encontrava os frutos que esperava (o culto verdadeiro e sincero, o amor, a justiça, a misericórdia). O próprio Templo – o espaço onde se desenrolavam abundantes ritos cultuais e sumtuosas cerimônias litúrgicas – tinha deixado de ser o lugar do encontro de Deus com a comunidade israelita e tinha-se tornado um lugar de exploração e de injustiça, “um covil de ladrões” (cf. Mc. 11,15-19)…
Jesus tem presente tudo isto quando ensina nos átrios do Templo, rodeado pelos discípulos. À sua volta desenrola-se esse folclore religioso, feito de ritos externos, de grandes gestos teatrais, frequentemente vazios de conteúdo. Os “doutores da Lei” (geralmente, do partido dos fariseus; estudavam e memorizavam as Escrituras e ensinavam aos seus discípulos as regras – ou “halakot” – que deviam dirigir cada passo da vida dos fiéis israelitas), com as suas vestes especiais e os traços característicos de quem se julgava com direito a todas as deferências, honras e privilégios, são mais um elemento no quadro desse culto de mentira que Jesus tem diante dos olhos.
Em contraponto, Jesus repara no “átrio das mulheres”, onde uma viúva deposita, no tesouro do Templo, a sua humilde oferta (dons voluntários eram feitos com frequência, tendo por finalidade, por exemplo, cumprir votos). As viúvas, no ambiente palestino de então (sobretudo quando não tinham filhos que as protegessem e alimentassem), eram o modelo clássico do pobre, do explorado, do débil.
MENSAGEM
O nosso texto compõe-se, portanto, de duas partes. Na primeira parte (vers. 38-40), Jesus faz incidir a atenção dos seus discípulos sobre o grupo dos doutores da Lei. Aparentemente, os doutores da Lei são figuras intocáveis da comunidade, com uma atitude religiosa irrepreensível. São estimados, admirados e adulados pelo povo, que os tem em alto conceito. Contudo, o olhar avaliador de Jesus não se detém nas aparências, mas penetra na realidade das coisas… Uma análise mais cuidada mostra que esses doutores da Lei são hipócritas e incoerentes: fazem as coisas, não por convicção, mas para serem considerados e admirados pelo povo; procuram os primeiros lugares, preocupam-se em afirmar a sua superioridade diante dos outros, exibem uma devoção de fachada, fazem do cumprimento dos ritos e regras da Lei um espectáculo para os outros aplaudirem… A sua vida é, portanto, um imenso repertório de mentira, de incoerência, de hipocrisia… Como se isso não bastasse, estes doutores da Lei aproveitam-se, frequentemente, da sua posição e da confiança que inspiram – como intérpretes autorizados da Lei de Deus – para explorar os mais pobres (aqueles que são os preferidos de Deus); servem-se da religião para satisfazer a sua avareza, não têm escrúpulos em aproveitar-se boa-fé das pessoas para aumentar os seus proveitos; exploram as viúvas, que lhes confiam a administração dos próprios bens, alinham em esquemas de corrupção e de exploração…
Os doutores da Lei, com os seus comportamentos hipócritas, mostram que os ritos externos, os gestos teatrais, o cumprimento das regras religiosamente correctas não chegam para aproximar os homens de Deus e da santidade de Deus. Ao olhar para a atitude dos doutores da Lei, os discípulos de Jesus têm de estar conscientes de que este não é o comportamento que Deus pede àqueles que querem fazer parte da sua família.
Na segunda parte (vers. 41-44), Jesus convida os discípulos a perceber a essência do verdadeiro culto, da verdadeira atitude religiosa. Em profundo contraste com o quadro dos doutores da Lei, Jesus aponta aos discípulos a figura de uma pobre viúva, que se aproxima de um dos treze recipientes situados no átrio do Templo, onde se depositavam as ofertas para o tesouro do Templo. A mulher deposita aí duas simples moedas (dois “leptá”, diz o texto grego. O “leptá” era uma moeda de cobre, a mais pequena e insignificante das moedas judaicas); contudo, aquela quantia insignificante era tudo o que a mulher possuía. Ninguém, exceto Jesus, repara nela ou manifesta admiração pelo seu gesto. Apenas Jesus – que lê os factos com os olhos de Deus e sabe ver para além das aparências – percebe naquelas duas insignificantes moedas oferecidas a marca de um dom total, de um completo despojamento, de uma entrega radical e sem medida. O encontro com Deus, o culto que Deus quer passa por gestos simples e humildes, que podem passar completamente despercebidos, mas que são sinceros, verdadeiros, e expressam a entrega generosa e o compromisso total. O verdadeiro crente não é o que cultiva gestos teatrais e espampanantes, que impressionam as multidões e que são aplaudidos pelos homens; mas é o que aceita despojar-se de tudo, prescindir dos seus interesses e projetos pessoais, para se entregar completa e gratuitamente nas mãos de Deus, com humildade, generosidade, total confiança, amor verdadeiro. É este o exemplo que os discípulos de Jesus devem imitar; é esse o culto verdadeiro que eles devem prestar a Deus.
ATUALIZAÇÃO
Qual é o verdadeiro culto que Deus espera de nós? Qual deve ser a nossa resposta à sua oferta de salvação? A forma como Jesus aprecia o gesto daquela pobre viúva não deixa lugar a qualquer dúvida: Deus não valoriza os gestos espectaculares, cuidadosamente encenados e preparados, mas que não saem do coração; Deus não se deixa impressionar por grandes manifestações cultuais, por grandes e impressionantes manifestações religiosas, cuidadosamente preparadas, mas hipócritas, vazias e estéreis… O que Deus pede é que sejamos capazes de Lhe oferecer tudo, que aceitemos despojar-nos das nossas certezas, das nossas manifestações de orgulho e de vaidade, dos nossos projetos pessoais e preconceitos, a fim de nos entregarmos confiadamente nas suas mãos, com total confiança, numa completa doação, numa pobreza humilde e fecunda, num amor sem limites e sem condições. Esse é o verdadeiro culto, que nos aproxima de Deus e que nos torna membros da família de Deus. O verdadeiro crente é aquele que não guarda nada para si, mas que, dia a dia, no silêncio e na simplicidade dos gestos mais banais, aceita sair do seu egoísmo e da sua auto-suficiência e colocar a totalidade da sua existência nas mãos de Deus.
Como na primeira leitura, também no Evangelho temos um exemplo de uma mulher pobre (ainda mais, uma viúva, que pertence à classe dos abandonados, dos débeis, dos mais pobres de entre os pobres), que é capaz de partilhar o pouco que tem. Na reflexão bíblica, os pobres, pela sua situação de carência, debilidade e necessidade, são considerados os preferidos de Deus, aqueles que são objeto de uma especial proteção e ternura por parte de Deus. Por isso, eles são olhados com simpatia e até, numa visão simplista e idealizada, são retratados como pessoas pacíficas, humildes, simples, piedosas, cheias de “temor de Deus” (isto é, que se colocam diante de Deus com serena confiança, em total obediência e entrega). Este retrato, naturalmente um pouco estereotipado, não deixa de ter um sólido fundo de verdade: só quem não vive para as riquezas, só quem não tem o coração obcecado com a posse dos bens (falamos, naturalmente, do dinheiro, da conta bancária; mas falamos, igualmente, do orgulho, da auto-suficiência, da vontade de triunfar a todo o custo, do desejo de poder e de autoridade, do desejo de ser aplaudido e admirado) é capaz de estar disponível para acolher os desafios de Deus e para aceitar, com humildade e simplicidade, os valores do Reino. Esses são os preferidos de Deus. O exemplo desta mulher garante-nos que só quem é “pobre” – isto é, quem não tem o coração demasiado cheio de si próprio – é capaz de viver para Deus e de acolher os desafios e os valores do Reino.
A figura dos doutores da Lei está em total contraste com a figura desta mulher pobre. Eles têm o coração completamente cheio de si; estão dominados por sentimentos de egoísmo, de ambição e de vaidade, apostam tudo nos bens materiais, mesmo que isso implique explorar e roubar as viúvas e os pobres… Na verdade, no seu coração não há lugar para Deus e para os outros irmãos; só há lá lugar para os seus interesses mesquinhos e egoístas. Eles são a antítese daquilo que os discípulos de Jesus devem ser; não apreciam os valores do Reino e, dessa forma, não podem integrar a comunidade do Reino. Podem ter atitudes que, na aparência, são religiosamente corretas, ou podem mesmo ser vistos como autênticos pilares da comunidade do Povo de Deus; mas, na verdade, eles não fazem parte da família de Deus. Nunca é demais refletirmos sobre este ponto: quem vive para si e é incapaz de viver para Deus e para os irmãos, com verdade e generosidade, não pode integrar a família de Jesus, a comunidade do Reino.
•Jesus ensina-nos, neste episódio, a não julgarmos as pessoas pelas aparências. Muitas vezes é precisamente aquilo que consideramos insignificante, desprezível, pouco edificante, que é verdadeiramente importante e significativo. Muitas vezes Deus chega até nós na humildade, na simplicidade, na debilidade, nos gestos silenciosos e simples de alguém em quem nem reparamos. Temos de aprender a ir ao fundo das coisas e a olhar para o mundo, para as situações, para a história e, sobretudo, para os homens e mulheres que caminham ao nosso lado, com o olhar de Deus. É precisamente isso que Jesus faz.
Uma das críticas que Jesus faz aos doutores da Lei é que eles se servem da religião, da sua posição de intérpretes oficiais e autorizados da Lei, para obter honras e privilégios. Trata-se de uma tentação sempre presente, ontem como hoje… Em nenhum caso a nossa fé, o nosso lugar na comunidade, a consideração que as pessoas possam ter por nós ou pelas funções que desempenhamos podem ser utilizadas, de forma abusiva, para “levar a água ao nosso moinho” e para conseguir privilégios particulares ou honras que não nos são devidas. Utilizar a religião para fins egoístas é um comércio ilícito e abominável, e constitui um enorme contra-testemunho para os irmãos que nos rodeiam.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho



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2 comentários:

  1. me prove NA BÍBLIA, que Yeshua se "agradou" ou elogiou a viuva pobre....ENSINE A VERDADE! QUE AO LERMOS O CAPITULO TODO, VEMOS QUE YESHUA E SEUS DISCIPULOS OBSERVAVAM ATÉ OS ADORNOS, PEDRAS DO TEMPLO E, NESSA ÉPOCA, O ETERNO NEM ESTAVA ACEITANDO DÍZIMOS! LEIA MALAQUIAS 3 TODO!

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  2. VIUVA POBRE????????
    O que YESHUA está denunciando ali era o seguinte: primeiro que havia viúvas pobres – as quais deviam ser beneficiadas pelas ofertas – “dando” ofertas. Ainda que aquela estivesse dando por vontade própria, como é que o templo aceitava e lhe deixava continuar sem nada? E segundo que, ainda que o que davam fosse irrisório para os outros (apenas duas moedas, o mínimo que se podia ofertar), para ela era tudo, ou seja, nesse sistema injusto, os mais pobres estavam dando muito mais do que os que mais podiam.

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