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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Comentário Prof.Fernando


Comentário Prof.Fernando (*) 33ºdom.Comum 18novembro de 2012
– o foco não está nos cenários –
(Dn 12,1-3 ---  Sl 16  ---  Hb 10,11-14.18  ---  Mc 13,24-32)
● Muitos dos que dormem na terra despertarão; uns para a vida eterna outros para o opróbrio eterno.  ● não me deixareis entregue à morte nem vosso amigo conhecer a corrupção.  Vós me ensinais vosso caminho para a vida.  ●  onde existe o perdão, já não se faz oferenda pelo pecado.
vereis o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glóriaquando ramos ficam verdes e folhas começam a brotar sabeis que está perto o verão: quando virdes acontecer essas coisas, sabei que o Filho do Homem está próximo, às portas. Céu e terra passarão mas não as minhas palavras.

Apocalipse é des-velar, des-cobrir
·         Um gênero usado em livros antigos e também na Bíblia chama-se “apocalíptico”. Apocalipse em grego quer dizer revelar o que estava sob a casca, parecido com Eucalipto, árvore de sementes bem escondidas ou cobertas (em grego “eu”=bem e “calypso”= ocultar), porque o fruto do eucalipto esconde muitíssimas sementes dentro de cápsulas lenhosas ou caixinhas de madeira. Esse gênero literário servia para reanimar os leitores e ouvintes em tempos de turbulência e perseguição, geralmente sob a ditadura de um rei ou imperador. A linguagem em “código” usava símbolos fantásticos de modo que quem “estava por dentro” entendia a mensagem. Mais ou menos como hoje uma charge política e até piadas de um programa humorístico só podem ser compreendidas pelos que estão a par de uma determinada cultura e assim identificam os personagens e as insinuações.
·         O livro de Daniel na Bíblia (bem como o livro do Apocalipse e trechos dos profetas ou dos evangelhos cristãos) usa a linguagem “apocalíptica”. Não são para se ler ao pé da letra, em suas figuras de dragões e outros animais em cataclismos cósmicos. Parecem nossos filmes de ficção científica com meteoros e guerras nucleares que destroem o planeta ou trazem uma nova era do gelo. Eles inventam cenas futuras para indicar problemas bem atuais de nossa sociedade.
·         A finalidade dos apocalipses era, portanto, sustentar a “resistência” dos perseguidos políticos. O importante não é o cenário mais a consolação que se quer levar aos ouvintes e leitores. No trecho que hoje se lê, o livro de Daniel traz excepcional referência do Antigo Testamento a uma ressurreição após a morte (dos que dormem no pó da terra – ver citação, acima, do verso 2). Daí a escolha do Salmo que também refere: não me deixareis na morte nem que vosso amigo conheça a corrupção.

É o fim do mundo.
·         O discurso apocalíptico é usado para falar do fim do mundo. Os evangelistas relatam o discurso de Jesus que é de alerta de vigilância e não pretende diretamente prever catástrofes. Sempre houve e haverá desastres naturais. Esse discurso “escatológico” (“éscaton” – grego – “o último” o que acontece no final) trata sem dúvida da conclusão da humana aventura. Mas esta é a mensagem central: podem cair céus e terra, pois o “Filho do Homem” (citação de expressão em Daniel – Dn 7,13) virá com grande poder e glória. Portanto, os seus discípulos não temem e serão por ele resgatados do caos.
·         Quando as coisas estão difíceis dizemos : “é o fim do mundo”, achando que não há mais saída (é “o fim da picada”...) No início do cap.13, o trecho “escatológico”, ou seja, sobre as “últimas coisas”, indica expressamente aos discípulos que haverá uma destruição do Templo e de toda Jerusalém. No ano 70 d.C. de fato os romanos arrasaram a cidade e o Templo. Deste não ficou “pedra sobre pedra”; só o “Muro das lamentações” (hoje lugar sagrado de oração) que era parte da muralha de separação entre a cidade e o grande Templo.
·         Há meses acompanhamos as angústias do Japão sob terremotos e tsunamis e, há poucas semanas, o sofrimento dos pobres no Haiti e de ricos e pobres nos Estados Unidos, durante a “super-tempestade” Sandy. Além de furacões e terremotos, o mundo é atualmente agitado por outras turbulências. É a fome em países africanos e a recessão e grande desemprego na Europa.  As convulsões culturais desde o período pós-guerra continuam nesses últimos 60 anos, comparáveis aos “tremores secundários” após um terremoto. Disseminação de drogas. Crescimento de violência. Tráfico de pessoas (e de órgãos humanos) e de armas. Guerras planejadas. Terroristas e refugiados espalhados pelo mundo. Paralisia moral e desorientação na busca de valores.

·         Conclusão
·         Jesus de Nazaré citou catástrofes naturais, situações que todos os povos  conhecem. Não são castigos de Deus, como às vezes se pensa. E o fim do mundo não depende de nenhum calendário maia, como às vezes se divulga. O mais difícil para o ser humano é enfrentar o desprezo dos seus semelhantes o que na sociedade fere a liberdade e destrói a igualdade. Nesse ponto o Mestre aponta para comparação da folhas que brotam na primavera anunciando o verão.
·         O evangelho constata que o mal existe e que há dores provocadas tanto pela natureza como pela maldade humana. O Evangelho, porém, é anúncio da boa notícia, mensagem de Esperança. A felicidade final será maior, sem comparação: Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos ultrajarem, e rejeitarem o vosso nome como infame por causa do Filho do Homem! (Lc6,22). A ressurreição não deixa com a morte a última palavra. Ele virá em poder e glória.
·         Vendo tais coisas, sabei que o Filho do homem está próximo, às portas. Mais cedo ou mais tarde ele virá libertar todas as pessoas de boa vontade. Quando vier o julgamento, de que lado estaremos? Dos bem-aventurados e do Filho do homem ou do lado dos que odeiam e rejeitam?

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http://homiliadominical2.blogspot.com.br  (*) Prof.(Usu-Rio) c/mestrado: educação, teologia e teologia moral

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