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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Comentário Prof.Fernando


Comentário Prof.Fernando (*)25nov2012           (Dn 7,13-14 --- Sl 93 --- Ap 1,5-8 - Jo 18,33-37)
● entre as nuvens do céu, vinha um como filho de homem; foram-lhe dados poder, glória e realeza sobre todos os povos, nações e línguas - seu poder é eterno e seu reino não se dissolverá.
● Jesus Cristo o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o soberano dos reis da terra vem: todos os olhos o verão, também aqueles que o traspassaram. Eu sou o Alfa e o Ômega, aquele que é, que era e que vem, o que tem poder sobre tudo.
● Pilatos perguntou: Tu és o rei dos judeus? Jesus: Dizes isto por ti mesmo ou outros te disseram de mim? Mas o meu reino não é daqui. Então tu és rei? Respondeu: Eu sou rei, nasci, vim ao mundo para dar testemunho da verdade e todo aquele que é da verdade escuta a minha voz.

CRISTO, REI do UNIVERSO
Adotado pela maioria das igrejas cristãs, protestantes ou católicas (romana e orientais) o calendário litúrgico termina celebrando “Cristo como Rei”. (O Advento prepara o Natal e dá início a um novo ano litúrgico – em 2012 será no dia 2 dezembro).

1.Um filho de homem
·         Na Palavra em Daniel, um poder eterno é dado a um “filho de homem”. Não se trata de um reino entre vários, mas especial e único, tão “natural” como o próprio universo que o poeta salmista identifica com toda a criação. Não é um “reino” no sentido político, como o que todas as nações e povos conhecem, mesmo com diferentes regimes ou tipos de organização social. É o próprio reino da vida que inclui todas as coisas criadas. Ele nunca se dissolverá (Dn7) e serve a todos os homens.
·         Sabemos que o ser humano não soube e não sabe exercer esse “domínio” do universo sem causar-lhe também prejuízos, para outros, para si e para o mundo material que constitui sem ambiente vital. No simbolismo de Adão e Eva já está indicado esse “abandono” do paraíso da paz e um tipo de vida “fora” dos limites daquele projeto sonhado pelo Criador. Ainda no livro do Gênesis aparece o homem como autor (Caim) da morte do irmão (Abel). O discurso (uma parte comentada domingo passado) do cap.13 de Marcos mostra a história humana feita de guerras (levantam-se nação contra nação e reino contra reino - verso 8) e ódio também entre as pessoas (verso 12: o irmão entregará à morte o irmão, e o pai, o filho, e os filhos se insurgem contra os pais dando-lhes a morte. De fato, isso é notícia todos os dias na Mídia. O vocabulário religioso cristalizou todas essas  loucuras no termo “pecado”.

2.O Filho do homem
·         Será um outro homem, perfeito na plenitude do “fazer a vontade” do Pai, aquele que vai renovar a criação. Com todos os seres humanos também nasceu num ponto da história. Ele, “nos dias de sua vida na Carne [humana] (...) como Filho que era, aprendeu pelo que sofreu a obediência [=escutar a voz de Deus e fazer sua vontade é, como o texto depois anuncia: salvar os que escutam o Filho]. Ele, uma vez perfeito [=completo, que atingiu a meta proposta], tornou-se para todos os que o obedecem o princípio da eterna salvação (Heb5,7-9) [retoma o sentido da “Obediência”].
·         O homem perfeito não é, no contexto bíblico, um escravo de Deus. É filho. E “fazer sua vontade” significa realizar a proposta divina para o homem que se traduz em paz, saúde-salvação, vida em plenitude ou felicidade na realização do amor. Cristo (ver o texto do Apocalipse) foi o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, tornando-se o soberano dos reis. A ele, que voltará em triunfo, todos os olhos verão (mesmo os que o perseguiram: também aqueles que o transpassaram. Esse homem completo é o verdadeiro Rei do universo. Ele é princípio (simbolizado na primeira letra do alfabeto grego= Alfa). Ele é também o acabamento (a última letra) de tudo o que existe. Ele tem presença  constante abarcando passado, presente e futuro: Eu sou o Alfa e o Ômega, aquele que é, que era e que vem, o que tem poder total (“panto-krátor” em grego). As célebres pinturas cristãs antigas trazem Jesus Cristo Pantocrátor como uma das principais representações que constituem “Ícones” dos cristãos ortodoxos).

3.Visão de fora, visão de dentro
·         Pilatos traduz a posição típica do mundo que olha “de fora” para o “Reino” anunciado pelo Mestre de Nazaré. O diálogo em João 18 mostra duas linguagens. A romana só entende “poder” como domínio político, pois ele representava o invasor estrangeiro. Pilatos vive no confronto com os judeus subjugados. Por isso mandou escrever na cruz a frase que humilhava aquele povo “Jesus, nazareno, rei dos judeus”. Com certeza ele bem conhecia o desprezo dos judeus pelos galileus. .
·         Jesus responde ao “És tu o rei dos judeus?” usando a lógica romana, o que soava mais ou menos assim: Você não acha que se fosse questão de política e poder, meus soldados viriam em meu socorro? E a nova pergunta de quem o vê “de fora” explica que seu “reino” não é deste mundo mais de outra “ordem” e que essa nova visão das coisas é um reino da Verdade e pessoas “da verdade” escutam sua voz. Aqui se volta ao tema bíblico da “obediência”, que é “escutar” a voz de Deus na vida. Pilatos tenta nova especulação sobre a “verdade” mais não vê mais um palmo à frente do nariz porque acaba na incoerência, ao declarar publicamente que o réu é inocente ao mesmo tempo que o entrega à morte injusta. Cedeu à chantagem dos hipócritas que ameaçaram: “Se o soltares não representar a César. Nosso rei é César, e ninguém mais” (Jo 19,12e15).

4.Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz
·         Em muitas ocasiões da história, os seguidores de Jesus estiveram (estivemos?) mais interessados em poder e honras do que no “Reino”. Dirigentes e comunidades por mais de uma vez se preocuparam (nos preocupamos?) com uma igreja triunfalista dominando as massas e também as estruturas políticas, mais do que com o anúncio do evangelho. O reino de Cristo não é feito de guerras e conquistas. Está a serviço, sobretudo dos mais fracos e desprezados neste mundo. O Reino de Cristo é sempre maior que as fronteiras da Igreja e a expansão das igrejas necessariamente não significa crescimento do Reino. Europeus muitas vezes, sobretudo durante a colonização (do séc.16 ao séc.20), desprezaram e destruíram (nós desprezamos?) inúmeras civilizações e culturas. Fizeram-no em nome da expansão da fé cristã.
·         Como escreveu um teólogo mártir do nazismo em 9/4/1945: é grande o perigo de nos deixar levar ao desprezo dos outros; temos de aprender a olhar para eles não pelo que fazem ou deixam de fazer, mas pelo que sofrem. O próprio Deus não desprezou o homem. Por causa dos seres humanos se tornou um deles. (D.Bonhoeffer, R.S.).

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http://homiliadominical2.blogspot.com.br  (*) Prof.Usu-Rio, mestre em educação, teologia e teol.moral

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