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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Comentário Prof.Fernando


Comentário Prof.Fernando (*) 1ºdom.ADVENTO 02dezembro2012
Portanto, ficai atentos e orai a todo momento (do evangelho do dia: Lc 21,36)

·         Dietrich Bonhoeffer (4/2/1906 – 9/4/1945) não foi um dos mártires do cristianismo sob o império romano, mas sob o nazismo em pleno século XX (*). Escritor, professor, músico, teólogo e Pastor, ele pressentiu - desde a ascensão de Hitler ao poder em 1933 – as tragédias que estavam para acontecer. Decidiu que para ser cristão naquele contexto devia participar da resistência alemã antinazista. Defendendo e ajudando os judeus e pregando contra o poder totalitário foi preso em 1943. Foi enforcado num campo de concentração por ordem do próprio Hitler, que 3 semanas depois também morria... por suicídio. Amigos publicaram suas cartas escritas na prisão com o título de Resistência e Submissão. Essa e outras obras foram traduzidas no Brasil (5 ao menos pela editora luterana Sinodal, mas temos também suas meditações sobre os Salmos (Ed.Encontro), reflexões bíblicas pela editora católica Loyola. Há livros sobre sua vida, seja na Sinodal seja nas Paulinas e em outras editoras no Brasil e em outros países.

·         Muito divulgados, são seus famosos sermões, especialmente os de Advento. Também trechos da carta em que se refere ao primeiro Natal que passou na prisão, quando escreveu: Do ponto de vista cristão, um Natal passado numa cela de uma prisão não levanta nenhum problema em especial. Nesta casa haverá possivelmente muitos que celebram o Natal de um modo mais razoável e pleno de sentido do que noutros lugares onde ainda se conserva o nome da festa. É que a miséria, o sofrimento, a pobreza, a solidão, o desamparo e a culpa têm um significado muito diferente diante dos olhos de Deus do que diante do juízo dos homens; é que o próprio Deus dirige-se precisamente para o lugar onde se costuma afastar o homem; é que o próprio Cristo nasceu num estábulo, porque não houve lugar para ele na hospedaria. Tudo isto um preso compreende muito melhor que qualquer outra pessoa e significa para ele uma autêntica Boa-Notícia. (extrato do livro Resistência e Submissão).

·         Diante da ambigüidade de nossa sociedade, onde há muita riqueza ao lado de muita injustiça, muitas luzes de natal junto à violência urbana, é bom ler alguns trechos de uma pregação (Londres, 17/12/1933) em que Bonhoeffer comentava Lucas 1,46-55 (o canto de Maria – o Magníficat: a minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque viu a humildade de sua serva ... Os trechos a seguir resumem, em tradução livre, diferentes versões (com acréscimo de subtítulos).

Engrandece minha alma ao Senhor – espectadores ou atores?
Quando Deus escolhe Maria como instrumento, quando Deus decide vir ele mesmo a este mundo, numa manjedoura em Belém, não estamos diante de uma lírica cena de família, ao contrário, é o início de uma completa reviravolta, uma nova ordem das coisas nesta terra. Se quisermos participar do Advento e do Natal, não podemos ser apenas espectadores num teatro olhando aquelas imagens encantadoras. Porque nós mesmos estamos dentro dessa trama de mistério e somos arrastados nessa reviravolta de tudo. Não podemos fugir do fato: cada espectador tem um papel nesse palco e nessa peça. Qual será, então, nosso papel? Pastores adorando ? Reis trazendo presentes? Que sentido tem a cena: Maria torna-se mãe de Deus e Deus vem ao mundo numa simples manjedoura?
E o Verbo se fez Carne : Juízo e Redenção
O julgamento e a redenção do mundo – é isso que está acontecendo. Porque é o próprio Cristo-criança, na manjedoura, trazendo julgamento e redenção. É ele que expulsa o grande e o poderoso deste mundo, derruba o trono dos autoritários; humilha os que estão nas alturas, pois seu braço tem poder contra todos que estão “bem” colocados e são fortes, e é sua misericórdia que eleva o que está embaixo, tornando-o grande e glorioso. Sendo assim, nós não podemos nos aproximar da manjedoura como de um berço qualquer. Alguma coisa vai acontecer a cada um de nós se decidirmos nos aproximar da manjedoura de Cristo. Ou é para ser julgado ou é para ser resgatado. Ou saímos arrasados, ou saímos dali sabendo que a misericórdia de Deus chegou.
Lendas de natal ou Deus-conosco?
Mas tudo não será apenas uma figura de linguagem, um exagero de pregação de Pastores, uma bonita e piedosa lenda? Afinal, o que significa tudo que estamos dizendo sobre Cristo-criança? Se você pretende ver tudo isso como um modo de falar, então, vá em frente, celebre o Advento e o Natal do mesmo jeito pagão de sempre, como um espectador. Para nós não é uma figura de linguagem. É o próprio Deus, o Senhor e Criador que aqui se torna tão pequeno e que é acolhido num cantinho do mundo, escondido e longe das vistas de todos. No desamparo e fragilidade da criança ele quer se encontrar conosco e ficar entre nós.
Onde está Deus? (enquanto os anjos cantam: Glória a Deus nas alturas!)
Não se trata de uma brincadeira charmosa, uma cena tocante; mas ela serve para nos  mostrar onde Deus está realmente. A partir dessa perspectiva, é para julgar todo desejo humano de grandeza, tirando seu valor, derrubando-o de seu trono.(...) Para os grandes e poderosos deste mundo, há dois lugares onde some sua coragem, e ficam aterrorizados no mais fundo de suas almas, e que eles procuram evitar a todo custo: a manjedoura e a cruz de Jesus Cristo. Ninguém dentre os poderosos, ousa se aproximar da manjedoura.
(...) O Natal chegará em poucos dias. Mas antes, é preciso deixar bem claro açgp muito importante em nossas vidas. Precisamos deixar claro para nós mesmos – diante da manjedoura – como vamos pensar daqui para a frente a respeito do que é estar no “alto” e do que é estar “em condição humilde”... Não é que sejamos pessoas poderosas (talvez quiséssemos ser e nem gostamos que digam isso de nós). De fato nunca há mais do que um punhado de pessoas muito poderosas. Mas sejamos como muita gente, com pequenas doses de poder, poderes pequeninos, mas exercidos a toda hora. Gente cujo pensamento é um só: sempre mais acima, continue subindo até chegar ao topo!
Deus pensa de forma diferente. Ele, ao contrário, continua descendo sempre para “baixo”, para estar junto dos destituídos e escondidos, no esquecimento de si e não querendo ser admirado, ou bem visto, ou estando “por cima” dos outros. Se nós seguirmos o mesmo caminho, aí, então, nós vamos encontrar Deus.
Reviravolta de valores – a alegria do Natal
 (...) Possa este Natal ajudar a aprender, para vermos essa questão de um modo radicalmente diferente; para repensá-la totalmente; para entender que – se nós queremos encontrar o caminho para Deus – temos de andar em direção não das “alturas” do Poder, mas da “condição baixeza”, até as profundezas onde fiquemos entre os últimos. (...) Quem de nós vai celebrar corretamente o Natal? Quem vai deixar finalmente junto à manjedoura todo poder e honra, todo olhar soberbo, toda vaidade, arrogância e egoísmo? Quem vai ocupar um lugar entre os mais simples e deixar só Deus só nas alturas? Quem vai contemplar a glória de Deus na fragilidade da criança na manjedoura? Quem dirá com Maria: o Senhor olhou com benevolência para minha baixeza (**)? – Minha alma engrandece ao Senhor, e meu espírito se alegrou em Deus meu Salvador. Amém.

(*) Sobre essa questão escreveu um livro o teólogo Craig Slane: Bonhoeffer, o mártir – responsabilidade social e compromisso cristão moderno, S.Paulo, Ed.Vida, 2007.
 (**) o sentido do texto original é= condição baixa ou humilde (nela, Maria se vê diante do Altíssimo). Parece a expressão que usamos: fulano “subiu na vida”, veio “de baixo”...
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http://homiliadominical2.blogspot.com.br  (*) Prof.(Usu-Rio) c/mestrado: educação, teologia e teol.moralComentário Prof.Fernando (*) 1ºdom.ADVENTO 02dezembro2012
Portanto, ficai atentos e orai a todo momento (do evangelho do dia: Lc 21,36)

·         Dietrich Bonhoeffer (4/2/1906 – 9/4/1945) não foi um dos mártires do cristianismo sob o império romano, mas sob o nazismo em pleno século XX (*). Escritor, professor, músico, teólogo e Pastor, ele pressentiu - desde a ascensão de Hitler ao poder em 1933 – as tragédias que estavam para acontecer. Decidiu que para ser cristão naquele contexto devia participar da resistência alemã antinazista. Defendendo e ajudando os judeus e pregando contra o poder totalitário foi preso em 1943. Foi enforcado num campo de concentração por ordem do próprio Hitler, que 3 semanas depois também morria... por suicídio. Amigos publicaram suas cartas escritas na prisão com o título de Resistência e Submissão. Essa e outras obras foram traduzidas no Brasil (5 ao menos pela editora luterana Sinodal, mas temos também suas meditações sobre os Salmos (Ed.Encontro), reflexões bíblicas pela editora católica Loyola. Há livros sobre sua vida, seja na Sinodal seja nas Paulinas e em outras editoras no Brasil e em outros países.

·         Muito divulgados, são seus famosos sermões, especialmente os de Advento. Também trechos da carta em que se refere ao primeiro Natal que passou na prisão, quando escreveu: Do ponto de vista cristão, um Natal passado numa cela de uma prisão não levanta nenhum problema em especial. Nesta casa haverá possivelmente muitos que celebram o Natal de um modo mais razoável e pleno de sentido do que noutros lugares onde ainda se conserva o nome da festa. É que a miséria, o sofrimento, a pobreza, a solidão, o desamparo e a culpa têm um significado muito diferente diante dos olhos de Deus do que diante do juízo dos homens; é que o próprio Deus dirige-se precisamente para o lugar onde se costuma afastar o homem; é que o próprio Cristo nasceu num estábulo, porque não houve lugar para ele na hospedaria. Tudo isto um preso compreende muito melhor que qualquer outra pessoa e significa para ele uma autêntica Boa-Notícia. (extrato do livro Resistência e Submissão).

·         Diante da ambigüidade de nossa sociedade, onde há muita riqueza ao lado de muita injustiça, muitas luzes de natal junto à violência urbana, é bom ler alguns trechos de uma pregação (Londres, 17/12/1933) em que Bonhoeffer comentava Lucas 1,46-55 (o canto de Maria – o Magníficat: a minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque viu a humildade de sua serva ... Os trechos a seguir resumem, em tradução livre, diferentes versões (com acréscimo de subtítulos).

Engrandece minha alma ao Senhor – espectadores ou atores?
Quando Deus escolhe Maria como instrumento, quando Deus decide vir ele mesmo a este mundo, numa manjedoura em Belém, não estamos diante de uma lírica cena de família, ao contrário, é o início de uma completa reviravolta, uma nova ordem das coisas nesta terra. Se quisermos participar do Advento e do Natal, não podemos ser apenas espectadores num teatro olhando aquelas imagens encantadoras. Porque nós mesmos estamos dentro dessa trama de mistério e somos arrastados nessa reviravolta de tudo. Não podemos fugir do fato: cada espectador tem um papel nesse palco e nessa peça. Qual será, então, nosso papel? Pastores adorando ? Reis trazendo presentes? Que sentido tem a cena: Maria torna-se mãe de Deus e Deus vem ao mundo numa simples manjedoura?
E o Verbo se fez Carne : Juízo e Redenção
O julgamento e a redenção do mundo – é isso que está acontecendo. Porque é o próprio Cristo-criança, na manjedoura, trazendo julgamento e redenção. É ele que expulsa o grande e o poderoso deste mundo, derruba o trono dos autoritários; humilha os que estão nas alturas, pois seu braço tem poder contra todos que estão “bem” colocados e são fortes, e é sua misericórdia que eleva o que está embaixo, tornando-o grande e glorioso. Sendo assim, nós não podemos nos aproximar da manjedoura como de um berço qualquer. Alguma coisa vai acontecer a cada um de nós se decidirmos nos aproximar da manjedoura de Cristo. Ou é para ser julgado ou é para ser resgatado. Ou saímos arrasados, ou saímos dali sabendo que a misericórdia de Deus chegou.
Lendas de natal ou Deus-conosco?
Mas tudo não será apenas uma figura de linguagem, um exagero de pregação de Pastores, uma bonita e piedosa lenda? Afinal, o que significa tudo que estamos dizendo sobre Cristo-criança? Se você pretende ver tudo isso como um modo de falar, então, vá em frente, celebre o Advento e o Natal do mesmo jeito pagão de sempre, como um espectador. Para nós não é uma figura de linguagem. É o próprio Deus, o Senhor e Criador que aqui se torna tão pequeno e que é acolhido num cantinho do mundo, escondido e longe das vistas de todos. No desamparo e fragilidade da criança ele quer se encontrar conosco e ficar entre nós.
Onde está Deus? (enquanto os anjos cantam: Glória a Deus nas alturas!)
Não se trata de uma brincadeira charmosa, uma cena tocante; mas ela serve para nos  mostrar onde Deus está realmente. A partir dessa perspectiva, é para julgar todo desejo humano de grandeza, tirando seu valor, derrubando-o de seu trono.(...) Para os grandes e poderosos deste mundo, há dois lugares onde some sua coragem, e ficam aterrorizados no mais fundo de suas almas, e que eles procuram evitar a todo custo: a manjedoura e a cruz de Jesus Cristo. Ninguém dentre os poderosos, ousa se aproximar da manjedoura.
(...) O Natal chegará em poucos dias. Mas antes, é preciso deixar bem claro açgp muito importante em nossas vidas. Precisamos deixar claro para nós mesmos – diante da manjedoura – como vamos pensar daqui para a frente a respeito do que é estar no “alto” e do que é estar “em condição humilde”... Não é que sejamos pessoas poderosas (talvez quiséssemos ser e nem gostamos que digam isso de nós). De fato nunca há mais do que um punhado de pessoas muito poderosas. Mas sejamos como muita gente, com pequenas doses de poder, poderes pequeninos, mas exercidos a toda hora. Gente cujo pensamento é um só: sempre mais acima, continue subindo até chegar ao topo!
Deus pensa de forma diferente. Ele, ao contrário, continua descendo sempre para “baixo”, para estar junto dos destituídos e escondidos, no esquecimento de si e não querendo ser admirado, ou bem visto, ou estando “por cima” dos outros. Se nós seguirmos o mesmo caminho, aí, então, nós vamos encontrar Deus.
Reviravolta de valores – a alegria do Natal
 (...) Possa este Natal ajudar a aprender, para vermos essa questão de um modo radicalmente diferente; para repensá-la totalmente; para entender que – se nós queremos encontrar o caminho para Deus – temos de andar em direção não das “alturas” do Poder, mas da “condição baixeza”, até as profundezas onde fiquemos entre os últimos. (...) Quem de nós vai celebrar corretamente o Natal? Quem vai deixar finalmente junto à manjedoura todo poder e honra, todo olhar soberbo, toda vaidade, arrogância e egoísmo? Quem vai ocupar um lugar entre os mais simples e deixar só Deus só nas alturas? Quem vai contemplar a glória de Deus na fragilidade da criança na manjedoura? Quem dirá com Maria: o Senhor olhou com benevolência para minha baixeza (**)? – Minha alma engrandece ao Senhor, e meu espírito se alegrou em Deus meu Salvador. Amém.

(*) Sobre essa questão escreveu um livro o teólogo Craig Slane: Bonhoeffer, o mártir – responsabilidade social e compromisso cristão moderno, S.Paulo, Ed.Vida, 2007.
 (**) o sentido do texto original é= condição baixa ou humilde (nela, Maria se vê diante do Altíssimo). Parece a expressão que usamos: fulano “subiu na vida”, veio “de baixo”...
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http://homiliadominical2.blogspot.com.br  (*) Prof.(Usu-Rio) c/mestrado: educação, teologia e teol.moral

2 comentários:

  1. Obrigada por estas homilia, me ajuda muito para eu preparar cultos,e tambem aprender mais, sobre a palavra de DEus. DEus os abençoe poderosamente, e que o E.S de Deus continue a iluminar e conduzir vossas vidas. Um grande abraço e fiquem na paz de Nosso Senhor Jesus Cristo e no amor de Maria.

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  2. Eu me chamo Sandra Mara, moro em Terra rica-PR.coloquei anonima, pois naõ preenchi o URL.Abraços

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