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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM


XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM
18  DE NOVEMBRO

Comentário Prof.Fernando


As forças do céu serão abaladas...
Introdução
       Prezados irmãos. Hoje, a liturgia nos convida a termos os nossos órgãos dos sentidos bem atentos e sintonizados aos sinais dos céus, atentos aos sinais do mundo. Porque a nossa fé não pode ser uma fé alienada, ou seja, alheia ao que está acontecendo em nossa volta. O catequista precisa estar informado, precisa assistir diariamente aos noticiários, pois estamos vivendo com o mundo e não jogados no mundo. A nossa fala, a nossa palestra, nossa homilia, nosso sermão, nossa catequese tem de ser incorporada, inserida no contexto do que está acontecendo no meio de nós, no nosso dia a dia. Caso contrário, poderemos ser surpreendidos pelos acontecimentos e estaremos pregando uma palavra desatualizada ou fora da realidade, e não foi isso que Jesus fez. Jesus  inculturou-se, ou seja, Ele introduziu-se na cultura dos homens daquele lugar  tão plenamente de forma que Ele falava a linguagem dos seus ouvintes. Os exemplos dados em suas estórias denominadas de parábolas, é um espelho do que acabamos de citar.
       Jesus vestiu a camisa dos homens daqueles tempos, para poder revelar a eles a sua mensagem atual e atuante.
       Hoje como antes, precisamos estar atentos aos sinais dos tempos, sinais estes que nos mostram a presença e a ação do Filho de Deus no meio de nós, e isso acontece principalmente pela Igreja inserida no mundo.
       As estrelas cairão do Céu, e as forças celestes serão abaladas.  Isto já está acontecendo hoje. A força e o poder de Deus está sendo ignorado pelo homem, o qual está depositando sua esperança no poder das armas e no poder do dinheiro. Muitos jovens estão se tornando marginais. São os sinais dos tempos, anunciados por Nosso Senhor Jesus Cristo. Em outra ocasião, Jesus disse que quem se preservar firme até o fim, será salvo. Você está firme na fé, está preparado?
       Porém  se nós negligenciarmos na meditação da palavra e na oração, seremos como os sacerdotes que se apresentavam diariamente para celebrar o culto, oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, incapazes de apagar os pecados. (2ª leitura) Ao contrário, o Filho de Deus nos mostrou com a palavra e com o exemplo, oferecendo-se em um sacrifício único pelos nossos pecados, morreu,  porém ressuscitou ao terceiro dia, e hoje está sentado à direta do Pai, e aguarda até o dia de colocar definitivamente todos os seus inimigos debaixo de seus pés. Que nós não estejamos incluídos entre esses inimigos!
      O maior pecado é a falta de fé, ou seja, a recusa da deliberada da ação salvadora de Deus. E Cristo vai cobrar de cada um de nós, pela recusa ao seu chamado  à conversão. E no fim dos tempos. Ele irá julgar os vivos e os mortos, Ele,  Cristo glorioso retribuirá a cada um segundo suas obras e segundo cada um tiver acolhido ou rejeitado sua graça.
       Assim será no fim dos tempos. O Reino de Deus irá chegar à sua plenitude. Depois do Juízo Universal, os maus, aqueles que ignoraram a presença de Deus no mundo, e insistiram  em trilhar os caminhos perversos, e a usar de suas liberdades como bem o entenderam,  serão condenados. Os justos reinarão para sempre com Cristo, glorificados em corpo e alma, e o próprio universo será renovado. Pedimos a Deus Pai em nome de Jesus, que nos dê a grande graça de estarmos incluídos neste grupo. O grupo dos que verão a Deus, de preferência.  Estejamos todos preparados para esse grande dia! Amém.

José Salviano
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Você acredita em adivinhações?
Dia 18 de Novembro  

Somente Deus prevê o futuro!

XXXIII Domingo do Tempo comum

Marcos (13,24-32)

Neste Evangelho Jesus adivinhou, ou previu tudo o que iria acontecer no final dos tempos, isso porque Jesus  é o próprio Deus e para Ele nada é impossível.
Nos dias atuais ainda nós encontramos  pessoas que se apresentam na internet como sendo portadoras de dons especiais capazes de prever o futuro. E prometem amor, dinheiro, sucesso e muitas outras cositas mas.
Você acredita mesmo nisso?  Então raciocina comigo. Se uma pessoa mortal fosse mesmo capaz de adivinhar o futuro,  qual a primeira coisa que ela iria adivinhar? Acertou. O número do próximo sorteio da Mega Sena. E, assim, a tal pessoa estaria neste momento muito rica, pois sendo capaz de prever os números da loteria, ela já teria acertado ou ganhado várias vezes, de forma que nem teria mais onde botar tanto dinheiro. No mínimo estaria morando agora em uma mansão em uma das ilhas do Caribe, ou viajando pelo mundo passando um mês em cada país, ou coisa desse tipo. Com certeza não estaria oferecendo seus serviços de vidência na internet, para ganhar uns trocados. Você concorda, ou sem corda? kkkkk!
Então, não se deixe enganar por falsos profetas. Somente Deus é capaz de prever o futuro. Jesus disse: "Todos os fios de cabelo de vossa cabeça estão contados."
Porém, o destino é uma realidade móvel. Não é que ele não exista. Porém, o nosso destino é maleável, flexível.
Assim: Deus nos escolhe, planeja para nós de forma rascunhada uma trajetória de vida. Porém, como Deus respeita a nossa liberdade, o nosso livre arbítrio de aceitar ou não o seu chamado, o nosso futuro poderá ser de acordo com o que Deus traçou, ou não.
Exemplo. Deus lhe deu a vocação para ser padre. Fez-lhe um chamado. E você disse sim, entrou para o seminário, tempos depois algum acontecimento, alguma pessoa, o fez mudar de idéia, o tirou da rota, daquele caminho, e hoje você faz outra coisa completamente diferente na sua  vida. Percebeu? Deus o convidou para servi-lo como sacerdote. Porém respeitou o seu direto de aceitar ou recusar o seu convite.
Conclusão. É impossível para um mortal prever o futuro. Pois ele é o resultado do chamado de Deus, menos o nosso livre arbítrio.
Desculpe se estraguei o seu negócio, mais a verdade tem de ser dita.
Sal.  
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Bom salmo 70 e bom ano litúrgico começando no próximo 25 de novembro ANO C - São Lucas
Abração e um bom feriado!
P.Fernando Gross
e
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18 de Novembro - XXXIII Domingo do TC

XXXIII DOMINGO DO TC 18/11/2012
 Diácono José da Cruz
1ª Leitura Daniel 12, 1-3
Salmo 15 (16, 1 a “Guardai-me, oh Deus, porque é em Vós que eu procuro refugio”
2ª Leitura Hebreus 10, 11-14.18
Evangelho Marcos 13, 24 - 32
Novamente recorro á imaginação para fazer algumas perguntas ao texto, como ensinou um dos meus professores de Teologia, só que de maneira mais ousada, abordei o próprio autor do evangelho, que é o nosso conhecidíssimo São Marcos. Disse a ele que, alguém menos desavisado, ou que fizer uma leitura fundamentalista, por certo vai entrar em pânico com as palavras que Jesus diz logo no início do evangelho deste Domingo, “depois de uma tribulação o sol vai escurecer, a lua não dará o seu resplendor ( acho que naquele tempo ainda não sabiam que a lua é um satélite, sem luz própria), os astros que estão no céu despencarão cá prá baixo e as potestades serão abaladas ”Convenhamos que é um cenário terrível, uma catástrofe igual aquele filme do Armagedon. Com uma narrativa dessas, os cardíacos e os que têm problemas emocionais, , vão morrer na véspera, de susto!
Ainda no meu imaginário, Marcos esboça um sorriso e balança a cabeça explicando-me que esse é um modo de dizer as coisas, e que os estudiosos chamam de linguagem literária, e nesse caso é denominado de “Apocalíptica” e interpretá-la literalmente seria grande idiotice, porque então, o nosso Deus Criador, rico de amor e misericórdia por todos os séculos, em um determinado momento da história, vai estar mal humorado, e como um garotinho temperamental, destruirá a Obra da criação, que ele fez com tanto gosto e amor?Para quem conhece bem o nosso Deus, revelado em Jesus Cristo, basta fazer essa pergunta, cuja resposta desfaz qualquer mal entendido. Mas então, o ser humano nunca será cobrado pelos seus atos de maldade, vai ficar assim, elas por elas? Claro que não!
Todo homem, após a morte, terá um juízo particular diante de Deus, na linguagem futebolística, vai ficar no “mano a mano” com o Onipotente, Poderoso, Onipresente e Onisciente e depois de conhecer a sua sorte, irá aguardar pelo último dia, como ensina a Doutrina da Santa Igreja. Para dizer isso, e chamar a atenção dos seus ouvintes, os Mestres no tempo de Jesus, costumavam usar um estilo de comunicação, que causava impacto, obrigando seus ouvintes a refletirem e voltarem-se para Deus. É um alerta, um aviso, de que a Vida que Deus nos deu, não é só o que vemos, apontando-nos assim para uma realidade escatológica ( final dos tempos) . Infelizmente nos dias de hoje, certos pregadores de “araque” usam essa literatura apocalíptica, também presente n o A.T, para fazerem o chamado “terrorismo religioso”.
Prestemos atenção no versículo que se segue a catástrofe anunciada “Então verão o Filho do Homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória... A chegada de alguém poderoso e importante é sempre anunciada de maneira solene e ruidosa, batidas da lança no chão, toque de trombeta, rufar de tambores, aliás, dia desses ouvi um anúncio em um carro de som, sobre um evento, e o sujeito dizia que “O chão vai tremer”, e nem por isso alguém entrou em pânico por causa disso, mas quando de trata da palavra de Deus revelada, esquecemos o gênero literário e interpretamos literalmente, essa literatura tem este modo próprio de dizer que no final da História da Humanidade, algo de grandioso irá ocorrer, e para os que crêem, é exatamente o que esperam, afinal há em todos nós uma interrogativa sempre presente: Até quando o mal vai imperar?
Para o nosso Deus presente em Jesus, com todo o seu resplendor e glória, Senhor absoluto de todas as coisas e todas as criaturas, a gente não ia querer que no dia da sua volta, ele caísse de pára-quedas na humanidade e dissesse, “Olha aí meu povo, eu voltei viu, vim para confirmar tudo o que ensinei lá no início, aos meus discípulos que depois formaram a minha igreja. O Evangelho não fala de um momento qualquer na história da humanidade, mas tenta narrar como será este segundo julgamento, quando o Reino de Deus, desacreditado por muitos, se tornará visível e real, para sempre e toda a humanidade, do passado, desde os primórdios da história, estará diante de Jesus, para o capítulo final.
Para quem apostou suas fichas nas forças do mal, contrárias a Jesus e seu Reino, claro que esse dia será terrível, mas não é esta a mensagem principal do nosso evangelho, Marcos não quer que a comunidade entre em pânico, ao contrário, diante de discípulos abatidos e desanimados, é como se Jesus estivesse falando “Olha meus irmãos, no final tudo vai dar certo, e a glória do Pai envolverá a todos os homens, no início de um tempo novo, de uma nova realidade de alegria e felicidade plena na comunhão com o Pai”.
Claro que nem toda humanidade irá desfrutar desse tempo novo, os anjos irão pelos quatro cantos da terra para reunir os escolhidos. Que critério Deus usa para essa escolha? O amor, que respeita o Livre Arbítrio de cada homem, criado á sua imagem e semelhança, que toma decisões e faz escolhas todo dia, na liberdade que Jesus concedeu. Essas decisões e escolhas que se faz a todo dia e a cada momento, não deverá prescindir dos sinais do reino, presente em nosso meio, são sinais que pertencem a uma ordem - sobrenatural e que, portanto supõe um testemunho de Fé, pois todos eles convergem para Jesus e a sua igreja, esse Jesus que nos visitou com o mistério da encarnação, mostrou-nos o caminho, a verdade e a vida, que é ele próprio.
Ele é nosso Deus e Único Senhor, edificou o seu Reino em nosso meio e no momento oportuno, que só o Pai sabe, voltará para a grande festa e nesse dia, o mal enraizado no coração do homem, será arrancado com raiz e tudo, e o Bem Supremo reinará para sempre, soberano e majestoso em Jesus Cristo, e todos os que fizeram a opção por ele, nesta vida terrena, diante de quem tudo é transitório e passageiro, até o céu e a terra...


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Domingo 18.11
Marcos 13,24-32
: As palavras de Jesus não passarão, portanto fiquemos de prontidão, entretanto com o coração sereno e confiante– Maria Regina.
                          Há coisas visíveis no nosso tempo que definem as coisas invisíveis do tempo de Deus. São sinais manifestos por meio do sol, da lua, das estrelas que vemos no céu. Os acontecimentos, os fatos, as situações da nossa vida nos alertam para o que Deus quer realizar através de nós no Seu plano de salvação.
                        Final de ano é tempo de reflexão, tempo de assumir compromisso, tempo para novos propósitos. Jesus nos fala de coisas que acontecerão na natureza e que precederão a Sua vinda gloriosa. Não podemos estar determinando em que tempo isto poderá acontecer. Podemos apenas estar vigilantes quanto à nossa vida, nossas ações e se estamos de fato preparados  para esses acontecimentos. Quem tem fé, quem se entrega e abandona-se nas mãos do Senhor não temerá passar por grandes tribulações, porque sabe que tudo é coisa passageira e o que é admirável virá depois de tudo. As palavras de Jesus não passarão, portanto fiquemos de prontidão, entretanto com o coração sereno e confiante porque viveremos em novos céus e nova terra. Reflita – Você tem medo de enfrentar as rebeliões da natureza? – O que elas sugerem a você? – Quando você ouve falar em catástrofes, você teme ou sente-se seguro  nas mãos do Senhor? – Você reza com os anjos?
Amém
Abraço carinhoso
– Maria Regina
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A VINDA GLORIOSA DE JESUS É A LUZ DE UM NOVO DIA! – Olívia Coutinho

XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

18 de Novembro de 2012

Evangelho de Mc 13,24-32

O mês de Novembro, que podemos chamar de mês da esperança, quando voltamos o nosso olhar para a igreja celeste, nos convida a refletir quanto à consciência que devemos ter do nosso tempo de vida terrena e a conscientizarmos de que o nosso tempo presente deve ser um tempo útil à nossa caminhada rumo à eternidade. É importante aproveitamos bem este tempo, pois ele  é o único tempo que possuímos como espaço sagrado, que Deus  nos concede, para iniciarmos a construção do seu Reino  no aqui e no agora.
A liturgia deste tempo, vem nos acordar para uma realidade que ninguém pode fugir: a certeza da morte, lembrada no dia de finados e  ao mesmo tempo, nos trazer uma grande consolação, lembrando-nos no dia de todos os santos, que o fim do homem, não se resume na sua morte física.
Olhando estas duas realidades: vida e morte, relembradas no início deste mês, podemos dizer que é lembrando a Igreja celeste, que vivemos com intensidade a Igreja terrestre!
Sabemos que tudo na vida tem o seu tempo, que tudo que começa, um dia terá  o seu fim, mas mesmo assim, não tem como sentir  confortável quando  pensamos sobre o fim da nossa passagem pela terra.
O evangelho que nos é apresentado neste domingo, chega até a nós, de forma simbólica, tendo como mensagem principal, lembrar-nos  a transitoriedade da   vida terrena, a vida que passa. O assunto colocado em pauta enfatiza: "Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, somente o Pai”.  Trata-se de algo surpreendente  o que a primeira vista, pode nos amedrontar. No entanto, não é intenção do escritor sagrado, causar-nos  medo, pois ele não se refere ao fim do mundo e sim, a segunda vinda de Jesus, que acontecerá na ocasião da  nossa morte.
O fim de  um tempo, acontece para cada um, na hora da sua morte, para quem morre, o sol escurece, mas  a vinda gloriosa de  Jesus se torna  a luz de um novo dia.
 No centro do relato, transita uma palavra que expressa algo confortante, que não nos deixa esmorecer diante a qualquer circunstância: a esperança.
Se aprofundarmos bem no texto, vamos  perceber que ele nos fala de uma renovação, de um tempo novo, quando  Deus nos oferece a possibilidade de uma  felicidade plena, provando-nos mais uma vez,  que Ele não desiste do humano. Esta renovação, nos é passada através do exemplo da natureza, representado pela figueira.  
Se observarmos bem as arvores, vamos perceber que elas nos passam uma grande lição de resistência, durante o inverno, elas são duramente castigadas, ficando  totalmente desnudadas, mas basta surgir as primeiras chuvas, que elas se revestem do verde mais verde! Assim também acontece conosco, nós também atravessamos as durezas dos Invernos da vida, mas florescermos como os encantos da primavera.
Quem não tem um olhar de contemplação, é incapaz de perceber os sinais de Deus presente na natureza, natureza, criada unicamente  para nos trazer vida! Não observar estes sinais, é estar longe de entender a mensagem de vida plena, que Jesus está sempre  a nos passar, fazendo comparações do seu reino, com coisas simples, presente na natureza e que nós quase sempre ignoramos! 
Todas as descrições presente no texto, que aos olhos humanos parecem negativas, tem a finalidade  de nos dizer que um mundo velho, corrompido pelo pecado,  está prestes a desaparecer,  para dar lugar a um mundo novo, onde os “escolhidos” de Deus, não terão o que temer. Com o desabar do mundo velho, que existia dentro de nós, ressurge  uma vida nova, um novo horizonte que se desponta para cada um de nós!
 O desafio de quem busca a eternidade, é não desanimar e nem se isolar. É  partilhando a vida, buscando sempre a conversão, que  encontraremos forças para enfrentar e superar todas as adversidades da vida e  em vez do medo, haveremos de cultivar e plantar nos corações sombrios a semente da  esperança.

FIQUE NA PAZ DE JESUS!- Olívia

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Evangelhos Dominicais Comentados

18/novembro/2012 – 33o Domingo Comum

Evangelho: (Mc 13, 24-32)


Mas naqueles dias, depois dessa aflição, o sol escurecerá e a lua não dará sua claridade, as estrelas cairão do firmamento e os poderes do céu serão abalados. Então verão o Filho do homem vir sobre as nuvens com grande poder e glória. Ele enviará os anjos e reunirá os eleitos dos quatro ventos, desde o extremo da terra até o extremo do céu. Aprendei a parábola da figueira: Quando os ramos estão tenros e as folhas brotam, sabeis que o verão está próximo. Assim também quando virdes acontecer estas coisas, ficai sabendo que o Filho do homem está próximo, às portas. Eu vos asseguro: Não passará esta geração antes que tudo isso aconteça. Passará o céu e a terra, minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai.

COMENTÁRIO

Mais uma vez nos encontramos neste domingo, dia do Senhor. O evangelho de hoje é preocupante. Na verdade, todas as passagens bíblicas deveriam ser preocupantes e alentadoras. A Palavra de Deus é um alerta permanente.

É preciso estar atento para não ser pego de surpresa no dia em que o Filho do Homem vier para reunir seus filhos eleitos. Todos nós somos eleitos. Nosso lugar está reservado ao lado do Pai, na Glória Celeste. Jesus nos diz que somos filhos criados na liberdade e para a liberdade.

Quem ouve os conselhos e põe em prática as Palavras de Jesus, tem plena garantia de viver a verdadeira liberdade. Em cada linha, em cada ponto e em cada vírgula do evangelho, está presente a mensagem de amor de um Pai muito preocupado com o destino dos seus filhos.

Jesus descreve de forma figurada o fim do mundo. Com seus exemplos Ele quer mostrar a grandeza e o poder de Deus em mudar ou transformar todas as coisas. O Construtor do Universo, o único capaz de equilibrar as forças, pode também, de um minuto para o outro, mudar tudo.  

As palavras de Jesus deixam bem claro que o homem, apesar de seus progressos e invenções, por mais avançados que pareçam, é um ser pequeno e fraco diante das maravilhas criadas por Deus. Só Deus tem poderes ilimitados para construir, equilibrar ou desequilibrar a natureza.

Apesar de falar em parábolas, poucas vezes Jesus falou de forma tão clara como neste evangelho. Ele previne que um dia estará, frente a frente, com todos os homens bons e maus. "Estejam preparados" - disse - "Vocês irão me ver vindo das nuvens, revestido de grande poder, majestade e glória".

Jesus nos fala da figueira que aos poucos vai brotando. Com esse exemplo Ele quer nos mostrar o poder da paciência e da perseverança. Tudo tem seu dia e sua hora. A figueira com suas folhinhas tenras e sensíveis pode representar toda nossa vida, nossa fragilidade, nosso lento crescimento, cada passo da nossa caminhada, nossas lutas, tropeços e vitórias.

Só vence e sobrevive quem se sobrepõe aos obstáculos. O sol escaldante e o vento frio do dia-a-dia tentam de todas as formas matar os brotos das virtudes e das boas ações. São brotos frágeis, ainda sem coloração que, se não forem bem cuidados e alimentados pela oração, podem morrer. Dependem de proteção constante contra a ação predadora dos inimigos do bem.

Essa proteção chama-se persistência e sua sobrevivência depende das nossas ações e orações. É preciso estar preparado para não ser pego de surpresa. Quem quiser estar entre os bons tem que desabrochar para o amor e viver a virtude da paciência. O coração alegre e bondoso é fruto da perseverança e da fé.

"O céu e a terra passarão, mas as minhas Palavras não passarão". Apesar de pesadas, exigentes e nem sempre fáceis de entender, estas são Palavras de Salvação. E como já dissemos, são preocupantes e alentadoras. Quanto ao julgamento, nem mesmo o Filho sabe o dia ou a hora, só o Pai.

A melhor garantia é fazer de conta que esse dia será amanhã. Porque arriscar? Só pode ter certeza que nunca será pego de surpresa o eleito que viver o evangelho, hoje! Para o eleito do Pai pouco importa o dia, onde ou como. Seu coração e sua alma estão preparados para superar a grande tribulação. Seus olhos vão brilhar e irradiar alegria ao verem o Filho do Homem.

 (1697)



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O fim dos tempos

Estamos no penúltimo domingo do ano litúrgico, ano da Igreja. Depois de termos celebrado o Advento, o Natal, a Quaresma e a Páscoa do Senhor, depois de mais de trinta domingos do chamado tempo comum, estaremos encerrando domingo próximo, com a Solenidade de Cristo Rei, o ano litúrgico. Dentro de quinze dias, entraremos num novo ano, com o primeiro domingo do Advento, preparando o santo Natal. O tempo passa, a vida passa... tudo passa!
Pois bem, é próprio da Liturgia, nos últimos domingos do ano litúrgico, fazer-nos pensar sobre o fim de todas as coisas; “fim” no sentido de final; mas também fim no sentido de finalidade e, portanto, de plenitude. E nossa fé nos diz que a plenitude, o "fim" de tudo é o Cristo Jesus: ele é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, “através dele e para ele tudo foi criado no céu e na terra” (cf. Cl. 1,15 ss.), é ele quem, no final dos tempos, virá como “Filho do homem, nas nuvens com grande poder e glória” (evangelho). Ou seja, Cristo morto e ressuscitado é a consumação e a finalidade, a plenitude e o sentido de tudo quanto existe! Para ele tudo corre, como o rio corre para o mar; e, no fim, ele entregará tudo a Deus, seu Pai, na potência do Espírito Santo (cf. 1Cor. 15,28)! Vejamos.
1) Com a vinda do Cristo, com seu aparecimento glorioso, toda a criação será transfigurada. É isto que o evangelho deste domingo afirma numa linguagem simbólica, impressionante, chamada apocalíptica: “O sol vai escurecer, e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas”. Em outras palavras: este mundo como nós conhecemos será transfigurado, será purificado de toda fragilidade, de toda maldade, de toda tirania: “Vi então um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (Ap. 21,1). A imagem é belíssima: passou o mundo antigo; o mar, símbolo do caos, foi destruído. Aquilo que já começou com a ressurreição de Cristo, aquilo que começou em nós com o Batismo acontecerá a toda a criação: “Se alguém está em Cristo, é criatura nova. O que era antigo passou, agora tudo é novo” (2Cor. 5,17). Que consolo, que beleza: o mundo não caminha para o nada, para o vazio, para a destruição: por ocasião do aparecimento glorioso do Senhor Jesus Cristo, tudo será purificado com o fogo do Espírito Santo, será transfigurado, mais que nos dias de Noé, com a purificação pela água: “O Dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os céus acabarão com um estrondo espantoso; os elementos, devorados pelas chamas, se dissolverão, e a terra será consumida com todas as obras que nela se encontrarem. O que esperamos são novos céus e nova terra” (2Pd. 3,10.13). Mais uma vez, é preciso compreender: a linguagem é apocalíptica! No fogo do Espírito Santo, no qual o mundo será julgado (cf. Jo. 16,8-11), tudo que não foi amor, que não foi segundo Cristo, será dissolvido; e o que foi amor, será transfigurado, e teremos novos céus e nova terra, livres de todo o pecado e de toda a maldade! Como não nos alegrar com tal esperança? Como não repetir, agradecidos, as palavras do Livro da Sabedoria? “Teu grande poder está sempre a teu serviço, e quem pode resistir à força do teu braço? O mundo inteiro está diante de ti como um nada na balança, como a gota de orvalho que de manhã cai sobre a terra. Mas te compadeces de todos, pois tudo podes, fechas os olhos diante dos pecados dos homens, para que se arrependam. Sim tu amas tudo o que criaste, não te aborreces com nada do que fizeste; se alguma coisa tivesses odiado, não a terias feito. E como poderia subsistir alguma coisa, se não a tivesses querido? Como conservaria sua existência se não a tivesses chamado? Mas a todos poupas, porque são teus: ó Senhor, amigo da vida!” (Sb. 11,21-26).
2) Mas, não é só! A manifestação gloriosa do Senhor será também o dia bendito da nossa ressurreição. É verdade que, logo após a morte, na nossa dimensão espiritual, a que chamamos “alma”, seremos glorificados da glória de Cristo. Por isso mesmo são Paulo afirma: “Estamos cheios de confiança e preferimos deixar a moradia do nosso corpo, para ir morar junto do Senhor. Por isso, também, nos empenhamos em ser agradáveis a ele, quer estejamos no corpo, quer já tenhamos deixado esta morada (2Cor. 5,9). Aos filipenses, o Santo Apóstolo confessava: “O meu desejo é partir para estar com Cristo” (Fl. 1,23). Que ninguém duvide: nem a morte nos separa do amor de Cristo (cf. Rm. 9,38): imediatamente após deixarmos este mundo, estaremos com o Senhor na nossa alma. Mas, nosso corpo, somente será glorificado no Dia final, no Dia da Ressurreição, quando toda a matéria for glorificada! É a este dia final que chamamos Dia da Ressurreição: “Muitos dos que dormem no pó da terra, despertarão, uns para a vida eterna, outros para o opróbrio eterno. Mas os que tiverem sido sábios, brilharão como o firmamento; e os que tiverem ensinado a muitos os caminhos da justiça, brilharão como as estrelas, por toda a eternidade” (1ª leitura). Que imagem impressionante! No Dia de Cristo, todos estaremos vivos no corpo e na alma. Mas, há uma discriminação, uma diferença de destino, uma separação, um julgamento: os que tiverem sido abertos para Cristo, com seu corpo e sua alma, com todo o seu ser, estarão na glória de Cristo; os que se fecharam para ele, já logo após a morte, estarão longe dele e, no fim dos tempos, tal danação será também a do corpo! Que destino miserável, que sorte horrenda! Seria melhor nem existir mais! Isto nos recorda a necessidade da vigilância, a necessidade de nos abrirmos para o Cristo nos dias de nossa vida! Por isso mesmo Jesus previne cada geração: “Aprendei, pois da figueira! Quando virdes acontecer estas coisas, ficai sabendo que o Filho do Homem está próximo, às portas! Esta geração não passará até que tudo isso aconteça. Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai!” (evangelho). Jesus nos previne: cada geração deve estar atenta ao sinais de Deus; cada geração deverá compreender que chegou o tempo, o momento de decidir-se por Cristo ou contra Cristo, pela vida ou contra a vida! Vigiai! Estai preparados! Cristo “sentou-se para sempre á direita de Deus” (2ª leitura); ele se ofereceu por nós. Não recebamos em vão a sua graça, o convite que ele nos faz! 
3) Finalmente, a vinda do Senhor será a glorificação de toda a Igreja, Comunidade dos eleitos de Cristo: O Filho do Homem “enviará os anjos aos quatro cantos da terra e reunirá os eleitos de Deus, de uma extremidade à outra da terra” (evangelho). Então, a Igreja estará plena, totalmente completa, totalmente glorificada: “Vi também a Cidade Santa, a nova Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, vestida como noiva enfeitada para o seu Esposo. Então, ouvi uma voz forte que saia do trono e dizia: ‘Esta é a morada de Deus com os homens. Ele vai morar junto deles. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus-com-eles será o seu Deus. Ele enxugará toda lágrima de seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas antigas passaram’. Aquele que está sentado no trono disse: ‘Eis que faço novas todas as coisas!” (Ap. 21,2-5) Que beleza: a Igreja será plenamente Corpo de Cristo, será plenamente santa no Espírito de Cristo, será plenamente católica, pois abarcará toda a humanidade salva, será totalmente una, pois toda a divisão trazida pelo pecado será superada, será totalmente apostólica, pois construída sobre os doze alicerces, que são os apóstolos do Cordeiro!
Eis a nossa esperança! Eis a nossa certeza! Eis para onde caminhamos! Num mundo que dorme, vigiemos: “ficai sabendo que o Filho do Homem está próximo, às portas!” (evangelho). Não durmamos, como os pagãos! Não somos da noite; somos filhos deste dia bendito: dia de Cristo, dia da Ressurreição, dia da Salvação: "Vós, meus irmãos, não andais em trevas, de modo que esse Dia vos surpreenda como um ladrão; pois que todos vós sois filhos da Luz, filhos do Dia. Não somos da noite nem das trevas. Portanto, não durmamos como os outros; mas vigiemos e sejamos sóbrios! Deus não nos destinou para a ira, mas sim para alcançarmos a salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, a fim de que nós, na vigília ou no sono, vivamos em união com ele” (1Ts. 5,4-6.9-10). Não esqueçamos: a Luz é Cristo, o Dia é Cristo. Vivemos na luminosidade dessa Luz, na perspectiva desse Dia!
Que a certeza da nossa esperança em Cristo preencha os pobres dias de nossa vida, para que vivendo bem neste mundo, plantemos a nossa eternidade. A Cristo, Senhor dos tempos, a glória para sempre.
       Estamos no penúltimo domingo do ano litúrgico. No domingo próximo, a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo encerrará este ano da Igreja. Pois bem, hoje a Palavra de Deus, nos recorda que, como o ano, também a nossa vida passa, e passa veloz... Assim, o Senhor nos convida à vigilância e nos exorta a que não percamos de vista o nosso caminho neste mundo e o destino que nos espera. Nossa vida tem um rumo, caríssimos; o mundo e a história humana têm uma direção!
A nossa fé nos ensina, amados no Senhor, que toda a criação e toda a história humana caminham para um ponto final. Este fim não será simplesmente o término do caminho, mas a sua plenitude, a sua finalidade, sua bendita consumação. O universo vai evoluindo, a história vai caminhando... Onde o caminho vai dar? Com palavras e idéias figuradas, a Escritura Sagrada nos ensina que tudo terminará em Jesus, o Cristo glorioso que, por sua morte e ressurreição, tornou-se Senhor e Juiz de todas as coisas. Vede bem: a criação não vai para o nada; a história humana não caminha para o absurdo! Eis aqui o essencial, que o evangelho de hoje nos coloca com palavras impressionantes: “Então verão o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória!” Ou seja: tudo quanto existe caminha para Cristo, aquele que vem sobre as nuvens como Deus, aquele que é nosso Juiz porque, como Filho do Homem, experimentou nossa fraqueza e se ofereceu uma vez por todas em sacrifício por nós! Vede, irmãos: o nosso Salvador será também o nosso Juiz! Aquele que está à Direita do Pai e de lá virá em glória para levar à consumação todas as coisas é o mesmo que se ofereceu todo ao Pai por nós para nos santificar e nos levar à perfeição! Repito: nosso Juiz é o nosso Salvador! Quanta esperança isso nos causa, mas também quanta responsabilidade! Que faremos diante do seu amor? Que diremos àquele que por nós deu tudo, até entregar a própria vida para nossa salvação? Que amor apresentaremos a quem tanto e tanto nos amou? Pensai bem!
Hoje, a Palavra de Deus adverte: tudo estará debaixo do senhorio de Cristo! Por isso, numa linguagem de cores fortes e figuras impressionantes, Jesus diz que a criação será abalada pela sua Vinda: “O sol vai escurecer e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas”. Que significa isso? Que toda a criação será palco dessa Revelação da glória do Senhor, toda a criação será transfigurada e alcançará a plenitude no parto de um novo céu e uma nova terra onde a glória de Deus brilhará para sempre! O Senhor afirma ainda que também a história chegará ao fim e será passada a limpo. Cristo fala disso usando a imagem da grande tribulação, isto é, as dores e contradições do tempo presente, que vão, em certo sentido se intensificando neste mundo. Por isso mesmo, a primeira leitura, do Profeta Daniel, fala em combate e em tempo de angústia... É o nosso tempo, este tempo presente, que se chama “hoje”.
Amados em Cristo, estas leituras são muito atuais e consoladoras, sobretudo nos dias atuais, quando vemos o Cristo enxovalhado, o cristianismo perseguido e desprezado, a santa Igreja católica caluniada... Pensem no Código da Vinci, pensem nas obras de arte blasfemas e sacrílegas frequentemente expostas sem nome de uma pérfida liberdade, pensem nas freiras das porcas novelas da Globo, pensem no ridículo a que os cristãos são expostos aqui e ali, com cínicas desculpas e camufladas intenções, pensem nos valores cristãos que vão sendo destruídos, nas famílias destruídas pelo divórcio, pela infidelidade, pela imoralidade, pensem nos jovens desorientados pela falta de Deus, pela negação de todas as certezas e o desprezo de todos os valores, pensem, por fim, na vida humana desrespeitada pelo aborto, pela manipulação genética, pelas imorais e inaceitáveis experiências com células-tronco embrionárias com pretextos e desculpas absolutamente imorais... Não é de hoje, caríssimos, que a Igreja sofre e que os cristãos são perseguidos, ora aberta, ora veladamente... Já no longínquo século V, santo Agostinho afirmava que a Igreja peregrina neste tempo, avançando entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus... O perigo é a gente perder de vista o caminho, perder o sentido do nosso destino, esfriar na vigilância, perder a esperança, abandonar a fé...
Caminhamos para o Senhor, caríssimos – tende certeza disto! O mudo vai terminar no Cristo, como um rio termina no mar; a história vai encontrar o Cristo, tão certo quanto a noite encontra o dia; nossa vida estará diante do Senhor, tão garantido quanto o vigia cada manhã está diante da aurora! Por isso mesmo, é indispensável vigiar e trazer sempre no coração a bendita memória do Salvador, a firme esperança nas suas promessas, a segura certeza da sua salvação! Vede bem: na Manifestação do nosso Senhor, ele nos julgará! Na sua luz, tudo será posto às claras: se é verdade que sua Vinda é para a salvação, também é verdade que todos quantos se fecharam para ele, perderão essa salvação. Caríssimos, nosso destino é o céu, mas estejamos atentos: o inferno, a condenação eterna, a danação sem fim, o fogo que devora para sempre, são uma real possibilidade para todos nós! Haverá um Juízo de Deus em Jesus Cristo, meus amados no Senhor: “Muitos dos que dormem no pó a terra despertarão, uns para a vida eterna, outros para o opróbrio eterno. Nesse tempo, teu povo será salvo, todos os que se acharem escritos no Livro”. Não brinquemos de viver, não vivamos em vão, não sejamos fúteis e levianos, não corramos a toa a corrida da vida! É o nosso modo de viver agora que decidirá nosso destino para sempre! Por isso mesmo, Jesus nos previne: “Em verdade vos digo: esta geração não passará até que tudo isto aconteça!” Em outras palavras: não importa quando ele virá – ele mesmo diz: “Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai”; importa, sim, que estejamos atentos, importa que vivamos de tal modo que, quando ele vier no momento de nossa morte, estejamos prontos para comparecer diante dele e diante dele estar no último Dia, quando tudo for julgado! O juízo que nos espera é um processo: começa logo após a nossa morte, quando, em nossa alma, estaremos diante do Cristo e receberemos nossa recompensa: o céu ou o inferno! E no final dos tempos, quando Cristo se manifestar em sua glória, nosso destino também será manifestado com toda a criação e o nosso corpo, ressuscitado no fim de tudo, receberá também a mesma recompensa de nossa alma: o céu ou o inferno, de acordo com o nosso procedimento nesta vida!
Meus caros, quando a Escritura Sagrada nos fala do fim dos tempos não é para descrever como as coisas acontecerão. Isso seria impossível, pois aqui se tratam de realidades que nos ultrapassam e que já não pertencem a este nosso mundo. Portanto, palavras deste mundo não podem descrever o que pertence ao mundo que há de vir... O que a Escritura deseja é nos alertar a que vivamos na verdade, vivamos na fé, vivamos na fidelidade ao Senhor... vivamos de tal modo esta nossa vida, que possamos, de fé em fé, de esperança em esperança, alcançar a vida eterna que o Senhor nos prepara, vida que já experimentamos hoje, agora, nesta santíssima Eucaristia, sacrifício único e santo do nosso Salvador que, à Direita do Pai nos espera como Juiz e santificador. A ele a glória pelos séculos dos séculos.
dom Henrique Soares da Costa

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A cada momento tocamos o final dos tempos
O tema central do domingo de hoje é a consumação da história, com a parúsia do Senhor. Essa consumação é preanunciada no livro de Daniel, ao descrever o fim dos tempos e a ressurreição que então terá lugar. O Senhor que virá cheio de glória é aquele que, na cruz, ofereceu-se como vítima e sacrifício uma vez para sempre.
1ª leitura (Dn. 12,1-3)
O texto de Dn. 12,1-3 dá continuidade ao capítulo 11 e particularmente aos v. 40-45, que descrevem o “tempo do fim” (11,40), onde se entrevê a morte do rei Antíoco IV, que procurou impor a cultura e a religião pagãs ao povo judeu. É a esse tempo que se refere o início do nosso texto de hoje: “Naquele tempo...” (12,1).
Será um tempo de angústia máxima, onde só se pode esperar uma saída por uma intervenção decisiva de Deus. Miguel aparece com a função de protetor, ou de advogado do povo de Deus, ou ainda de juiz que, como
instrumento de Deus, impõe a justiça. A intervenção de Deus livra o povo da angústia, que, sendo em primeiro lugar a aniquilação do rei estrangeiro, se alarga numa dimensão mais ampla, pois se trata de uma intervenção que diz respeito também àqueles que já morreram.
O agir de Deus alcança mesmo os que já não são parte ativa dessa história.
Os que serão libertados da angústia são aqueles que estão inscritos no “livro”. A ideia de um livro onde estão escritos os atos dos seres humanos ocorre em outros lugares na Bíblia (cf. Ex. 32,32-33; Ml. 3,16; Sl. 68/69,29).
Os que estão inscritos serão liberados da angústia: são os membros da comunidade da aliança, que permaneceram fiéis a Deus apesar das tribulações e perseguições; são os justos que ainda não morreram, mas que, com os justos que ressuscitarão (v. 2), também receberão a vida eterna.
A esse tempo final pertence também a ressurreição.
Não se trata aqui da ressurreição universal (o texto diz literalmente “muitos dentre os que”), mas da ressurreição dos sábios e dos ímpios. Eles receberão destinos diferentes: a vida eterna, a ignomínia eterna.
Os “sábios” (maśkîlîm) são os prudentes, os que julgam retamente. Esse termo adquiriu também a conotação de “aquele que tem êxito, que prospera”. Eles são aqueles que conduzem muitos para a justiça (literalmente: tornam [outros] justos), que caem pela espada e pelo fogo e são purificados (cf. 11,33-35). Esse fato e ainda a presença de três termos (v. 2) – “sábio” ou “o que tem êxito”; “muitos”; “tornar justo” – fazem uma ponte de nosso texto com o quarto cântico do Servo Sofredor (Is 52,13- 53,12), que morre, mas que “terá êxito” (Is. 52,13) e tornará justos muitos (53,11). Assim sendo, os sábios de Dn 12 têm uma função para com o povo que é de certa forma paralela à do Servo sofredor de Isaías. Mas, em Isaías, o servo torna justos muitos em virtude de seu sacrifício expiatório (cf. Is. 53,5-6.10-11); em Daniel, os sábios tornam justos muitos em virtude de seu ensinamento.
Muitas vezes, os sábios são identificados com os “piedosos” (hassidîm). Estes, porém, chegaram a formar, na época do livro de Daniel, um grupo militante armado (cf. 1Mc. 2,14), liderado por Judas Macabeu (cf. 2Mc. 14,6). Os sábios de nosso texto, todavia, são aqueles que renunciaram a meios violentos para fazer prevalecer o direito de Deus. Sua exaltação vem do fato de eles instruírem a muitos nos caminhos da justiça.
O julgamento de Deus sobre a história pode tardar, mas não falhará. Por fim prevalecerá a justiça divina, que recompensará os fiéis e dará àqueles que de modo particular foram seu instrumento glória e beleza divinas. Com isso, a comunidade de fé é fortificada para enfrentar perseguições na confiança da intervenção final do Senhor.
Evangelho (Mc. 13,24-32)
O tema do capítulo 13 de Marcos é a escatologia.
Isto é, diz respeito à conclusão e à meta da história, que se realizará com a parúsia, a segunda vinda do Senhor. Esse discurso usa numerosas imagens tiradas de textos proféticos do Antigo Testamento e da apocalíptica judaica.
A apocalíptica é um conjunto de idéias que responde a uma situação de grave crise a partir de uma revelação de Deus. Essa revelação mostra o sentido das tribulações presentes e, baseando-se no fato de que é Deus quem dirige em última instância a história, inculca a ideia de seu triunfo final sobre todo o mal. Fornece à comunidade, assim, meios para enfrentar a realidade negativa que experimenta.
Dessa forma, o discurso de Jesus em Mc. 13 não procura primeiramente descrever os acontecimentos do fim da história. Não se preocupa em anunciar uma catástrofe ou fazer uma ameaça, mas indicar que o mundo tem uma meta, para a qual inexoravelmente caminha:
a vinda do Filho do Homem em poder e glória. Acontecerá então a consumação do plano de Deus. Com isso, visa inculcar uma atitude nos cristãos: eles devem estar sempre vigilantes, pois o Senhor, embora possa tardar, com toda a certeza virá. Seus discípulos vivem já a partir da certeza dessa vinda, atentos a ela, fixando seu olhar naquele que retornará.
Após a introdução (v. 1-4), o discurso de Jesus descreve os sinais precursores do fim e ensina a atitude do discípulo em tal situação (v. 5-23). O texto do Evangelho de hoje toca o ponto central do discurso (v. 24-27) e é complementado pela primeira das duas parábolas que se seguem (v. 28-29) e por exortações à vigilância (v. 30-32). Com a indicação da segunda vinda de Jesus, de fato, o discurso chega ao seu ponto alto. Essa vinda (parúsia, cf. 1Ts. 4,17: retorno glorioso de um rei ou general após uma guerra. Ou visita do imperador a uma cidade) terá lugar “depois daquela tribulação”.
Os sofrimentos que marcarão o tempo final não são a conclusão de tudo; haverá uma grande mudança, determinada pelo retorno do Filho do Homem.
A vinda do Filho do Homem é descrita com imagens cósmicas. Trata-se de um modo de falar com o objetivo de enfatizar que se trata de uma teofania, uma manifestação de Deus cheia de glória e poder.
A expressão “Filho do Homem” evoca o texto de Dn. 7,13-14. As nuvens indicam sua origem celeste. O tempo da consumação não será mais marcado pelo levantar-se de Miguel, mas pelo retorno do próprio Jesus. Sua vinda será não mais na fraqueza de sua humanidade terrestre, mas na glória de sua ressurreição e no seu poder para julgar o mundo e a história (cf. Mt. 25,31). Ele vem para todos. Não se diz para que ele vem; apenas se acena à reunião de todos os justos de todas as partes.
A imagem dos anjos que reúnem os eleitos ocorre já no Antigo Testamento (cf. Zc. 2,10;
Dt. 30,4): o povo eleito se encontra disperso por toda a terra, e Deus o reunirá no fim dos tempos. Em Marcos, trata-se da comunidade cristã, que participará da salvação. A reunião dos discípulos em torno de Jesus constitui, em Marcos, a comunidade da Igreja. Com efeito, em Marcos, a primeira ação de Jesus é chamar e reunir a si os discípulos; eles estarão com Ele todo o tempo de sua vida pública (cf. Mc. 1,16-20). Na parúsia, a Igreja será levada à sua plenitude, quando os justos (cf. Dn. 12,2) estarão definitivamente com o Senhor (cf. 1Ts. 4,17).
A parábola que segue (v. 28-29) mostra a necessidade de saber discernir os sinais precursores do fim (v. 5-23). O discípulo deve ser sábio: deve ser capaz de observar e interpretar.
Como os sinais estão presentes em vários momentos da história, o cristão é chamado, a cada instante, à consciência de que “está próximo, às portas” (cf. 1Ts 5,1-3). A parúsia do Senhor não é só um acontecimento futuro, mas um acontecimento futuro que lança luz ao meu presente, à medida que influencia meu pensar, meu julgar, meu agir.
O v. 30 refere-se, ao contrário, a todos os acontecimentos indicados no discurso (“até que tudo isso aconteça”). “Esta geração não passará”: a geração à qual são dirigidas as palavras do Evangelho. Mais do que uma idéia precisa acerca do tempo, o que se quer transmitir é a certeza de que tal Palavra se cumprirá: tal certeza deve ser um chamado constante à conversão e à necessidade de estar vigilante.
A chave de interpretação dos sinais é a Palavra de Jesus (v. 31). A parúsia mostrará que tudo é transitório, com exceção da Sua Palavra. A consumação da história já começa em nossas decisões e na Palavra de Jesus que já hoje opera.
O texto conclui enfatizando que determinar o momento da parúsia está reservado ao Pai (v. 32). Há uma linha ascendente: anjos – Filho – Pai. Isso sublinha a absoluta liberdade de Deus, a gratuidade de seu agir, e em nada diminui o poder de Jesus. Mostra, porém, que Jesus quis, como homem, submeter-se totalmente ao Pai, dele recebendo tudo. Para a
comunidade de Marcos, isto é o decisivo: saber que o dia virá com certeza e que o momento de sua vinda está nas mãos de Deus.
2ª leitura (Hb. 10,11-14.18)
O texto da segunda leitura pertence à mesma seção do trecho do domingo passado, onde se apresenta a diferença entre como os sacerdotes do Antigo Testamento garantiam o acesso a Deus e como Jesus o fez. O ponto central aqui é que Jesus realizou um sacrifício único pelos pecados, pois por ele realizou plenamente a salvação do gênero humano. O perdão já foi concedido (v. 18), Deus já se tornou propício aos homens e não voltará atrás.
Por esse sacrifício irrepetível Jesus alcançou a glória (v. 12). A ressurreição de Jesus o constitui como Senhor da história. O tempo atual aguarda o momento em que seus inimigos serão colocados como apoio para seus pés (v. 13): quando o Senhor consumará sua obra. Ele é o glorioso, o Filho do Homem que julgará o mundo por sua Palavra e tudo levará à plenitude.
Dicas para reflexão
– Sou eu alguém que procura contribuir para que muitos cheguem mais facilmente a Deus (Dn. 12,3)? Ou, por meu agir, contribuo para que reine no mundo a injustiça, a maldade, o erro?
– Como a parúsia do Senhor influencia minha vida e a de minha comunidade já agora?
– Sei/sabemos ler os sinais da minha/nossa história à luz da Palavra de Deus, à luz de sua morte, caminho para a glória?

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Os que tiverem sido sábios brilharão…
Estamos nos aproximando do final do ano litúrgico da vida da Igreja. Sempre no termo de toda a trama da vida litúrgica da Igreja há esse tema do fim dos tempos e do fim de cada um de nós, o tema das últimas coisas…
Somos muito gratos ao Senhor de nos ter mostrado, desde muito cedo, o esplendor da vida nova em Cristo, dessa vida de fé em Cristo Jesus que nasceu, viveu e morreu por nós. O Senhor foi nos dando a graça de compreendermos que era necessária a fidelidade. A santidade é obra do Senhor e ele também nos dá perseverar, ou seja, a graça da fidelidade. Ao longo do tempo foi sendo necessária uma fidelidade nova, criativa, adaptada aos tempos novos e ao novo que foi aparecendo em cada um. Sempre em primeiro lugar a força do Senhor, sua graça e seu olhar. Junto com esta força a perseverança nos propósitos, o cumprimento dos preceitos e sugestões do sermão da montanha, os momentos de contrição perfeita pelo mal feito e pelo bem não feito. E todos os dias esse propósito de estar à disposição do Senhor, ininterruptamente, com velas acesas esperando a volta do noivo, vendo os sinais de possíveis voltas do Senhor, com os rins cingidos. Muitas e muitas vezes tomando o pão e o vinho, celebrando a morte e ressurreição do Senhor aguardando sua vinda… Por tanto uma vida de fé.  Não pertencemos a um Igreja de táticas e de estratégias. Vivemos vida e morte, juventude e velhice, trabalho e lazer, doença e saúde à luz da fé.
“Muitos dos que dormem no pó da terra despertarão para a vida eterna e outros para o opróbrio eterno”. Estas palavras do Livro de Daniel soam pesadas aos nossos ouvidos. Na realidade no fim há o julgamento. “Mas os que tiverem sido sábios brilharão como o firmamento; e os que tiverem ensinado a muitos homens os caminhos da virtude brilharão como as estrelas, por toda a eternidade”.
No final de tudo, de todos os caminhos e de todas as estradas, está o Cristo. “Quando virdes acontecer  essas coisas, ficai sabendo que o Filho do homem está às portas”: momento de fechar as contas, de olhar serenamente nos olhos daquele que nos acompanhou ao longo da estrada da vida, na luz da fé e que não nos abandonou um instante sequer.
“Cristo é aquele que congrega, trabalhando no íntimo das pessoas e das coisas para tudo santificar, tudo unir, tudo consagrar para a glória de Deus. O cristão se engaja voluntariamente neste gigantesco empreendimento, no lugar, no seu tempo, com seus recursos. Não trabalha sozinho, colabora… Trabalha com coragem porque a luta é dura; com fé, porque a tarefa é misteriosa sem proporção com as forças humanas; trabalha para fazer crescer o universo e despontar a nova criação através da luta caótica e dolorosa, cheia de esperança e de preocupações, lutar porém que não é de uma agonia e sim de um parto” (J. Mouroux).
“O Filho do homem está próximo, às portas…”.
frei Almir Ribeiro Guimarães
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“O Céu e a terra passarão, minhas palavras não passarão”
Jesus vivia num ambiente marcado pela efervescência apocalíptica. Esperava-se o Messias, a intervenção de Deus na História, o fim do mundo, a era definitiva, a paz para Israel e o mundo inteiro. E quem está esperando o ônibus crê reconhecer em cada veículo que aparece na curva o “seu ônibus”. Assim também os contemporâneos e os discípulos de Jesus.
Repartindo em tudo a condição humana, menos o pecado, Jesus entra também no gênero literário das especulações apocalípticas (evangelho). Utiliza as imagens corriqueiras, fala dos cataclismos que anunciam “aqueles dias” como o brotar da figueira anuncia o verão. Jesus assume por sua conta a advertência de que a gente se deve preparar para o dia do Filho do Homem, que virá reunir os eleitos. Diz que tudo isso deve acontecer dentro em breve, ainda nesta geração (13,30). Mas isso é apenas o quadro literário daquilo que ele quer dizer mesmo. O fim dos tempos fica um mistério. Ninguém conhece o dia, nem a hora. Nem mesmo o próprio Jesus (13,32). Mas é certo que tudo o que existe é provisório e relativo, o céu e a terra, tudo (13,31). Uma coisa porém não é provisória e relativa, mas definitiva e decisiva: a palavra de Jesus.
Esta é a mensagem da liturgia de hoje. Muitas pessoas se iludem com especulações sobre uma terceira guerra mundial, uma revolução mundial ou seja lá o que for. Nosso tempo é tão apocalíptico quanto o de Jesus. Mas todas estas especulações passam ao lado do essencial: a palavra de Jesus no aqui-e-agora. Sua mensagem de conversão e de dedicação ao amor radical por nossos irmãos é o verdadeiro centro de nossa vida, o ponto de referência firme e inabalável. Dados à sua práxis, não precisamos temer os acontecimentos apocalípticos, pois não acrescentarão nada de novo. Ou seja, não é nos cataclismos cósmicos que está o acontecimento decisivo, mas na palavra do Cristo e sua realização em nós. Se acatamos essa Palavra e a pomos em prática, nossa vida já está nas mãos de Deus. Só precisamos então fazer com que isso se comunique a todos.
A 1a leitura nos conta como os apocalípticos antes de Jesus imaginavam os últimos dias (o livro de Dn. é do séc. II a.c.). Os justos ressuscitarão para a vida eterna, os ímpios para a vergonha sem fim. A realidade decisiva não é aquela que se mostra aos nossos olhos. Dn foi escrito no tempo dos Macabeus, tempo da prepotência do ímpio rei sírio Antíoco Epífanes e dos colaboracionistas judaicos, traidores de seu povo e da Lei. Ensina que Deus sempre tem a última palavra sobre a História e a vida humana. Esta fé deve também ser nossa, para ficarmos fiéis à Palavra do Cristo, que é a de Deus, num mundo em que o abuso do poder e a sedução dos falsos valores são o pão de cada dia.
Poucos anos atrás, os teólogos progressistas preferiam não mais falar do fim dos tempos. Hoje vemos que o fim dos tempos ou, pelo menos, de nossa civilização é uma possibilidade real. Basta uma guerra nuclear. E a amontoação de agressividade no mundo parece preparar isso mesmo. Ao mesmo tempo, acreditamos menos nas belas utopias. Ficamos céticos diante da evolução do mundo e da sociedade. Porém, para o cristão, isso não pode ser uma razão de cruzar os braços. Ele tem uma razão de existir e de agir: a palavra de Cristo, que é uma utopia aqui e agora: a doação que nunca se dá por satisfeita. Fim de civilização ou não – isso não importa tanto para nós. Temos um programa que é sempre válido. E pode desabar o mundo, o que tivermos feito em obediência à palavra de Cristo é bem feito para sempre. Este é o mistério da alegria inesgotável do cristão.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “Naqueles dias, depois da grande tribulação, o sol vai se escurecer, e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas. Então verão o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória. Ele enviará os anjos aos quatro cantos da terra e reunirá os eleitos de Deus, de uma extremidade à outra da terra.
Aprendei, pois, da figueira esta parábola: quando seus ramos ficam verdes e as folhas começam a brotar, sabeis que o verão está perto. Assim também, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Filho do Homem está próximo, às portas. Em verdade vos digo, esta geração não passará até que tudo isto aconteça. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai”.
Comentário do Evangelho
Deus fala ao homem através da criação. A lua e a noite, o vento e o fogo, a água e a terra, a árvore e os frutos falam de Deus, simbolizam ao mesmo tempo a grandeza e a proximidade Dele. E o escuro do céu, a falta de brilho da lua e a queda das estrelas significam os sofrimentos e as tribulações da vida.
O povo do Antigo Testamento acreditava que as manifestações da natureza eram sinais de que Deus estava agindo em favor de seus amigos, e que o próprio Deus está acima de qualquer dificuldade.
No Evangelho, Jesus aproveita esta crença para anunciar que algo importante e novo estava acontecendo: a chegada do Reino de Deus anunciado por Ele que mostra um novo jeito de viver, uma nova direção.
“Filho do Homem” é um título que Jesus atribui a si mesmo, levando a sério a sua encarnação que gera a esperança da vitória e da salvação, que é a presença Dele no meio dos homens.
Ainda usando símbolos, Jesus ensina que como a figueira floresce para indicar a chegada do verão, a esperança encherá o coração dos que estão preparados para a salvação que Ele veio trazer.
E quanto à hora que isso vai acontecer, Jesus não esclarece, pois ninguém pode deixar para o dia de amanhã o que precisa fazer no dia presente. Ele, porém, oferece algo que é estável, certo e definitivo: a Sua Palavra que ficará para sempre! É amor sem fim! Missão dos discípulos de Jesus que continuarão anunciando o Cristo e pregando o Seu Evangelho, Sua Palavra!
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Minhas palavras não passarão
O modo como Jesus descreveu o fim dos tempos se encaixava no horizonte teológico da época. De fato, esperavam-se abalos sísmicos e outros fenômenos terríveis, quando Deus interviesse, definitivamente, na História.
A intenção de Jesus, porém, não era a de incutir terror no coração dos discípulos e, assim, convertê-los em fanáticos anunciadores do fim do mundo. Seu único desejo era o de levá-los a permanecer vigilantes, de maneira a estarem sempre preparados para o encontro com o Senhor.
A parábola da figueira aponta nesta direção. O agricultor atento sabe quando a árvore está para frutificar. Igualmente, o discípulo, quando discerne, sabe reconhecer quando se aproxima a vinda do Senhor, e tem consciência de estar preparado para recebê-lo.
A exortação de Jesus não tem um tempo limitado de validade. Seu valor é eterno, como eternas são todas as palavras de Jesus. Elas não passarão, embora tudo o mais perca seu valor. Assim, é absolutamente certa a vinda do Filho do Homem e a necessidade de manter-se vigilante e preparado para acolhê-lo. É, também, firme a palavra do Senhor que apresenta o amor como critério do juízo final, a recompensa para quem se mantiver fiel e a comunhão definitiva com o Pai, como destino último do cristão. Por conseguinte, o discípulo sensato deixa-se guiar pelas palavras de Jesus, de forma a evitar contratempos.
padre Jaldemir Vitório
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Os inscritos no livro da Vida
O livro da profecia de Daniel nos diz que haverá um dia em que o arcanjo São Miguel se levantará anunciando o fim dos tempos e o julgamento final. Os mortos vão despertar, uns para a salvação, outros para a perdição.Serão salvos todos aqueles que tiverem seus nomes inscritos no livro da Vida.São aqueles que foram sábios nesta terra. Eles vão brilhar como o céu. E são também aqueles que ensinaram aos outros o caminho da virtude. Estes vão brilhar como estrelas por toda a eternidade. Aquele que vem é o Filho do Homem, Jesus Cristo, diz o Evangelho. Virá com poder e glória e com os seus anjos, que reunirão os eleitos de Deus de uma extremidade a outra da terra. Será o dia do juízo final.
Não sabemos quando isso vai acontecer. Parece ser um segredo de Deus Pai, pois assim diz Jesus: “Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai”. Estamos tranquilos porque Aquele que está sentado à direita de Deus já ofereceu o seu sacrifício para o perdão dos pecados e levou à perfeição definitiva aqueles que Ele santifica.
O livro da Vida será aberto e será salvo quem tiver o seu nome inscrito nele. Nós nos lembramos de que no dia do nosso batismo recebemos um nome. Antigamente se falava em “nome de pia”, isto é, nome que recebemos na pia batismal. Ao ser proclamado, esse nome foi levado ao céu pelos anjos e inscrito no livro da Vida. O livro é antigo, o nome pode estar desbotado, mas está lá, a não ser que nós mesmos o tenhamos apagado.
Os sábios, que vão brilhar como o firmamento, são aqueles que sempre tomaram decisões certas porque se deixaram mover pelo Espírito Santo. O Espírito Santo é o Amor de Deus que está em nós e foi derramado em nossos corações.Ele se manifesta nos atos concretos de amor que fazemos.É sábio aquele que não se condena nas decisões que toma, porque as toma depois de ter feito um discernimento.  Não seremos salvos no dia do julgamento por termos sido observantes de leis. Seremos salvos porque soubemos discernir o que convém daquilo que não convém.Assim nos ensina o apóstolo são Paulo.
Brilharão como estrelas por toda a eternidade aqueles que ensinaram aos outros o caminho da virtude. Estes realmente têm que brilhar pela importância de seu trabalho. Olhe o que acontece ao nosso redor. Já sabemos que ninguém se sente seguro, que a impunidade se torna mãe da disseminação do crime organizado. Ficando, porém, no nosso nível, nas relações menores do dia a dia: Quem é honesto entre nós? Não se tem a impressão de que todo mundo é ladrão? Que o importante é não ser pego? Não se tem o mínimo respeito pelo que é do outro, nem dentro da Igreja, nem durante a missa. Você deixa sua bolsa no banco e vai comungar? Aquele que ensina aos outros o caminho da virtude, esse vai brilhar como estrelas na eternidade. Todos são chamados a ser educadores, a batalhar para que a educação seja prioritária no País, mas não só: trabalhar pessoalmente para mostrar aos outros o caminho da virtude em todos os sentidos.
Não queremos ser pessoas “chatas”, que estão corrigindo os outros o tempo todo. Queremos ser educadores positivos, que sabem mostrar o caminho, que criam espaços e ambientes para a experiência do Reino da justiça, da verdade e da paz.
cônego Celso Pedro da Silva
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Necessidade de vigiar
Este texto, que faz parte do discurso escatológico atribuído a Jesus, tem sua origem na tradição apocalíptica do Primeiro Testamento, tendo surgido dentro das comunidades cristãs primitivas formadas por convertidos do judaísmo, os quais, até os primeiros anos da década de 80, eram frequentadores das sinagogas.
Na primeira leitura de hoje, do Livro de Daniel, temos um texto de caráter apocalíptico, caracterizado por sinais de destruição violenta e angústia, que precedem um juízo final discriminatório e excludente, característico de autores que se consideram justos e santos, privilegiados pela "eleição divina".
A expressão "filho do homem" (no grego: hyos anthrôpou; no hebraico: ben-'adam) aparece muitas vezes no Antigo Testamento, indicando a condição humana de maneira genérica. No profeta Ezequiel a expressão é aplicada de modo personalizado (93 vezes) ao próprio profeta na sua fragilidade, comum dos mortais. Uma única vez a expressão aparece no livro de Daniel, vindo nas nuvens com poder e glória (Dn. 7,13). Jesus, inúmera vezes, aplica a si mesmo este título de "filho do homem" para indicar sua simples condição humana, contrapondo-se à figura messiânica davídica gloriosa esperada pelo povo judeu. Na referência ao filho do homem vindo sobre as nuvens, pode-se ver a alusão à dignificação do humano, assumido na condição divina e na vida eterna pela encarnação de Jesus.
Depois da descrição dos abalos cósmicos, que simbolizam a violência característica dos poderes deste mundo, é confirmada a presença do Reino de Deus entre nós, como escatologia já realizada com a chegada do Filho do Homem, Jesus.
Em conclusão ao discurso escatológico, temos a parábola da figueira, que é apresentada nos três evangelhos sinóticos, seguindo-se as advertências sobre a necessidade de vigiar e orar. A parábola é articulada a partir de sinais da natureza, nas árvores que começam a brotar, depois de secas no inverno, indicando a proximidade do verão. Assim como pela natureza pode-se perceber as mudanças de estações do tempo, pela observação dos fatos da vida e da história, pode-se perceber também que o dia e a hora da revelação do Filho do Homem, que é a chegada do Reino de Deus, estão próximos.
O Reino está perto assim como o meu próximo está perto de mim. A comunhão e a solidariedade com meu próximo são a entrada no Reino. Tudo acontece a partir do ouvir e praticar as palavras de Jesus que nos revelam a vontade do Pai. O Reino de Deus já está entre nós nos movimentos de solidariedade entre as comunidades e os povos, particularmente com os mais empobrecidos, e é expresso no clamor mundial contra as guerras e pela paz. É o processo histórico da crescente conscientização e a valorização da dignidade humana, em um nível global, com o empenho na defesa da vida e da natureza. Assim são rejeitados e repudiados os poderes deste mundo que, seduzidos pela ambição das riquezas, promovem a morte.
Na segunda leitura, extraída da carta aos Hebreus, é atribuído a Jesus, com o título de "cristo", o caráter sacerdotal, caracterizado pela oferta de sacrifícios sangrentos para a reconciliação com Deus. Contudo, em Jesus a reconciliação é fruto do amor que remove toda condenação e exclusão, e a todos une na fraternidade, na justiça, e na paz, em comunhão como o Pai.
José Raimundo Oliva
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A liturgia do 33º domingo do tempo comum apresenta-nos, fundamentalmente, um convite à esperança. Convida-nos a confiar nesse Deus libertador, Senhor da história, que tem um projeto de vida definitiva para os homens. Ele vai – dizem os nossos textos – mudar a noite do mundo numa aurora de vida sem fim.
A primeira leitura anuncia aos crentes perseguidos e desanimados a chegada iminente do tempo da intervenção libertadora de Deus para salvar o Povo fiel. É esta a esperança que deve sustentar os justos, chamados a permanecerem fiéis a Deus, apesar da perseguição e da prova. A sua constância e fidelidade serão recompensadas com a vida eterna.
No Evangelho, Jesus garante-nos que, num futuro sem data marcada, o mundo velho do egoísmo e do pecado vai cair e que, em seu lugar, Deus vai fazer aparecer um mundo novo, de vida e de felicidade sem fim. Aos seus discípulos, Jesus pede que estejam atentos aos sinais que anunciam essa nova realidade e disponíveis para acolher os projetos, os apelos e os desafios de Deus.
A segunda leitura lembra que Jesus veio ao mundo para concretizar o projecto de Deus no sentido de libertar o homem do pecado e de o inserir numa dinâmica de vida eterna. Com a sua vida e com o seu testemunho, Ele ensinou-nos a vencer o egoísmo e o pecado e a fazer da vida um dom de amor a Deus e aos irmãos. É esse o caminho do mundo novo e da vida definitiva.
1ª leitura: Dan. 12,1-3 - AMBIENTE
Em 333 a.C., Alexandre da Macedônia derrotou Dario III, rei dos Persas, na batalha de Issos (Síria). A Palestina, até aí sob o domínio dos Persas, ficou integrada no império de Alexandre. Alexandre procurou impor a ideia da “oikouméne”, quer dizer, a ideia de um mundo em que todos os homens eram uma só família, unidos sob uma só lei divina, em que todos os cidadãos do império eram cidadãos de uma mesma cidade e comungavam dos mesmos valores e da mesma cultura.
Quando Alexandre morreu, em 323 a.C., o império foi disputado pelos seus generais. A Palestina foi, então, objeto de disputa entre os ptolomeus, que ocupavam o Egito, e os selêucidas, que dominavam a Síria e a Mesopotâmia. Num primeiro momento, os ptolomeus asseguraram o domínio da Palestina e da Síria; mas o selêucida Antíoco III, aliado com Filipe V da Macedônia, acabou por vencer os ptolomeus (batalha das fontes do Jordão, ano 200 a.C.) e por conquistar o domínio da Palestina.
Se o período ptolomaico tinha sido uma época de relativa benevolência para com a cultura judaica, a situação mudou radicalmente durante o reinado do selêucida Antíoco IV Epífanes (174-164 a.C.). Este rei, interessado em impor a cultura helénica em todo o seu império, praticou uma política de intolerância para com a cultura e a religião judaicas. A perseguição foi dura e as marcas da intolerância selêucida provocaram feridas muito graves no universo social e religioso judaico. Se muitos judeus renegaram a sua fé e assumiram os valores helénicos, muitos outros resistiram, defenderam a sua identidade cultural e religiosa. Uns optaram abertamente pela insurreição armada (como foi o caso de Judas Macabeu e dos seus heróicos seguidores); outros, contudo, optaram por fazer frente à prepotência dos reis helênicos com a sua palavra e os seus escritos.
O livro de Daniel surge neste contexto. O seu autor é um judeu fiel à cultura e aos valores religiosos dos seus antepassados, interessado em defender a sua cultura e a sua religião, apostado em mostrar aos seus concidadãos que a fidelidade aos valores tradicionais seria recompensada por Jahwéh com a vitória sobre os inimigos. Contando a história de um tal Daniel, um judeu exilado na Babilônia, que soube manter a sua fé num ambiente adverso de perseguição, o autor do Livro de Daniel pede aos seus concidadãos que não se deixem vencer pela perseguição de Antíoco IV Epífanes e que se mantenham fiéis à religião e aos valores dos seus pais. Neste livro, o autor garante-lhes que Deus está do lado do seu Povo e que recompensará a sua fidelidade à Lei e aos mandamentos. Estamos na segunda metade do séc. II a.C., pouco antes do desaparecimento de cena de Antíoco (que aconteceu em 164 a.C.).
Com o livro de Daniel, inaugura-se a literatura apocalíptica. Num tempo de perseguição, o autor pretende – servindo-se de um gênero literário que recorre, frequentemente, a símbolos e a uma linguagem cifrada – restaurar a esperança e assegurar ao seu Povo a vitória de Deus e dos seus fiéis sobre os opressores.
MENSAGEM
Aos crentes perseguidos, o autor do livro anuncia a chegada iminente do tempo da intervenção salvadora de Deus para salvar o Povo fiel. Nesse sentido, ele refere-se à intervenção de “Miguel”, o chefe do exército celestial, que Deus enviará para castigar os perseguidores e para proteger os santos. No imaginário religioso judaico, “Miguel” é concebido como um espírito celeste (uma espécie de anjo protetor) que vela pelo Povo de Deus e que, por mandato divino, opera a libertação dos justos perseguidos, cujo nome está inscrito “no livro da vida” (v. 1).
Essa intervenção iminente de Deus não atingirá, na perspectiva do nosso autor, somente aqueles que ainda caminham na história; mas Deus irá, também, ressuscitar os que já morreram, a fim de lhes dar o prêmio pela sua vida de fidelidade ou o castigo pelas maldades que praticaram (v. 2). Em concreto, o autor estará a falar daquilo que costumamos chamar “o fim do mundo”? O que ele está a falar é de uma intervenção de Deus que porá fim ao mundo da injustiça, da opressão, da prepotência, de morte e que iniciará um mundo novo, de justiça, de felicidade, de paz, de vida verdadeira.
Aqueles que, apesar da perseguição e do sofrimento, se mantiveram fiéis a Deus e aos seus valores, esses estão destinados à “vida eterna”. O autor deste texto não explica diretamente em que consistirá essa “vida eterna”; mas os símbolos utilizados (“resplandecerão como a luminosidade do firmamento”; “brilharão como as estrelas com um esplendor eterno” v. 3) evocam a transfiguração dos ressuscitados. Essa vida nova que os espera não será uma vida semelhante à do mundo presente, mas será uma vida transfigurada.
É esta a esperança que deve sustentar os justos, chamados a permanecerem fiéis a Deus, apesar da perseguição e da prova. A sua vida não é – garante-nos o nosso autor – sem sentido e não está condenada ao fracasso; mas a sua constância e fidelidade serão recompensadas com a vida eterna. Embora sem dados muito concretos e sem definições muito claras, começa aqui a esboçar-se a teologia da ressurreição.
ATUALIZAÇÃO
A mensagem de esperança que o nosso texto nos deixa destinava-se a animar os crentes que sofriam a perseguição numa época e num contexto particulares. No entanto, é uma mensagem válida para os crentes de todas as épocas e lugares. A “perseguição” por causa da fidelidade aos valores em que acreditamos é uma realidade que todos conhecemos e que faz parte da nossa existência comprometida. Hoje, essa “perseguição” nem sempre é sangrenta; manifesta-se, muitas vezes, em atitudes de marginalização ou de rejeição, em ditos humilhantes, em atitudes provocatórias, na colagem de “rótulos” (“conservadores”, “atrasados”, “fora de moda”), em julgamentos apressados e injustos, em preconceitos e oposições… Contudo, é sempre uma realidade que faz sofrer o Povo de Deus. Este texto garante-nos que Deus nunca abandona o seu Povo em marcha pela história e que a vitória final será daqueles que se mantiverem fiéis às propostas e aos caminhos de Deus. Esta certeza constitui um “capital de esperança” que deve animar a nossa caminhada diária pelo mundo.
O livro de Daniel põe, também, a questão da fidelidade aos valores verdadeiramente importantes, que estão para além das conveniências políticas e sociais, ou das imposições e perspectivas de quem dita a moda… Daniel, o personagem central do livro, é uma figura interpelante, que nos convida a não transigirmos com os valores efêmeros, sobretudo quando eles põem em causa os valores essenciais. O cristão não é uma “cana agitada pelo vento” que, por interesse ou por cálculo, esquece os valores e as exigências fundamentais da sua fé; mas é “profeta” que, em permanente diálogo com o mundo e sem se alhear do mundo, procura dar testemunho dos valores perenes, dos valores de Deus.
•A certeza da presença de Deus a acompanhar a caminhada dos crentes e a convicção de que a vitória final será de Deus e dos seus fiéis, permite-nos olhar a história da humanidade com confiança e esperança. O cristão não pode ser, portanto, um “profeta da desgraça”, que tem permanentemente uma perspectiva negra da história e que olha o mundo com azedume e pessimismo; mas tem de ser uma pessoa alegre e confiante, que olha para o futuro com serenidade e esperança, pois sabe que, presidindo à história dos homens, está esse Deus que protege, que cuida e que ama cada um dos seus filhos.
•O nosso texto garante a vida eterna àqueles que procuraram viver na fidelidade aos valores de Deus. A certeza de que a vida não acaba na morte liberta-nos do medo e dá-nos a coragem do compromisso. Podemos, serenamente, enfrentar neste mundo as forças da opressão e da morte, porque sabemos que elas não conseguirão derrotar-nos: no final da nossa caminhada por este mundo, está sempre a vida eterna e verdadeira, que Deus reserva para os que estão “inscritos no livro da vida”.
2ª leitura: Hb. 10,11-14.18 - AMBIENTE
Pela última vez, neste ano litúrgico, é-nos apresentado um texto da carta aos Hebreus. Esta “carta” (que, mais do que uma “carta”, é uma “homilia”) destina-se a comunidades cristãs que vivem dias complicados… À falta de entusiasmo de muitos dos seus membros na vivência do compromisso cristão, junta-se a hostilidade dos inimigos e as confusões causadas à fé comunitária por certos pregadores pouco ortodoxos que ensinam doutrinas estranhas e pouco cristãs. São, portanto, comunidades fragilizadas, cansadas e desalentadas, que necessitam de redescobrir o seu entusiasmo inicial, de revitalizar o seu compromisso com Cristo e de apostar numa fé mais coerente e mais empenhada.
Nesse sentido, o autor da “carta” apresenta-lhes o mistério de Cristo, o sacerdote por excelência, cuja missão é pôr os crentes em relação com o Pai e inseri-los nesse Povo sacerdotal que é a comunidade cristã. Uma vez comprometidos com Cristo, os crentes são chamados a fazer da sua vida um contínuo sacrifício de louvor, de entrega e de amor. Desta forma, o autor oferece aos cristãos um aprofundamento e uma ampliação da fé primitiva, capaz de revitalizar uma experiência de fé enfraquecida pela hostilidade do ambiente, pela acomodação, pela monotonia e pelo arrefecimento do entusiasmo inicial.
O texto que nos é proposto é parte da conclusão da reflexão sobre o sacerdócio de Cristo (cf. Hb. 10,1-18). Aí, o autor repete temas desenvolvidos nos capítulos precedentes, procurando, uma vez mais, pôr em relevo a dimensão salvadora da missão sacerdotal de Jesus. O objetivo é despertar no coração dos crentes uma resposta adequada ao amor de Deus, manifestado na ação de Jesus.
MENSAGEM
Os “sacrifícios pelo pecado” constituíam um dos pilares do culto israelita. Introduzidos no sistema cultual de Israel em época relativamente tardia (alguns autores duvidam mesmo da sua existência antes do exílio na Babilônia), tinham a função de expiar os pecados do Povo e de refazer a comunhão entre os crentes e Deus. Ao oferecer, sobre o altar do Templo, a vida de um animal, o crente pedia a Jahwéh perdão pelo pecado, manifestava a sua intenção de continuar a pertencer à comunidade de Deus e mostrava a sua vontade de reatar essa relação com Deus que o pecado tinha interrompido. O autor da Carta aos Hebreus está convencido, no entanto, que os sacrifícios oferecidos pelo pecado não eram eficazes e não conseguiam, de forma duradoura, restabelecer essa corrente de vida e de comunhão entre o Povo e Deus. Tratava-se de ritos externos e superficiais, que nunca lograram transformar os corações duros e egoístas dos homens em corações capazes de viverem no amor a Deus e aos irmãos.
Jesus, no entanto, com a entrega da sua vida, conseguiu concretizar esse objetivo de aproximar os homens de Deus. Ele obedeceu a Deus em tudo e ofereceu a sua vida em dom de amor aos homens. Com o seu exemplo e testemunho, Ele propôs aos homens um caminho novo, mudou os seus corações e ensinou-os a viverem numa total disponibilidade para com os projetos de Deus, na entrega total aos irmãos. Dessa forma, Jesus venceu a lógica do egoísmo e do pecado e colocou os homens no caminho certo para integrarem a família de Deus. O sacrifício de Jesus, oferecido de uma só vez, libertou, efetivamente, os homens de uma dinâmica de egoísmo e de pecado e permitiu-lhes aproximarem-se de Deus com um coração renovado. Assim, Ele “tornou perfeitos para sempre os que são santificados” (v. 14).
Cumprida a sua missão na terra, Jesus “sentou-Se para sempre à direita de Deus” (v. 12). Esta imagem de triunfo e de glória mostra, não apenas como o caminho percorrido por Cristo é um caminho que tem a aprovação de Deus mas, sobretudo, qual é a “meta” final da caminhada do homem: a divinização, a comunhão com Deus, a pertença à família de Deus. Se o caminho da fidelidade aos projetos de Deus e da entrega por amor aos irmãos levou Jesus a sentar-Se à direita do Pai, também aqueles que seguem Jesus chegarão à mesma meta e sentar-se-ão, por sua vez, à direita de Deus.
Desta forma, o autor da carta aos Hebreus exorta os cristãos a viverem na fidelidade aos compromissos que assumiram com Cristo no dia do seu batismo. Quem, apesar das dificuldades, percorre o mesmo caminho de Cristo, está destinado a sentar-se “à direita de Deus” e a viver, para sempre, em comunhão com Deus.
ATUALIZAÇÃO
O pecado, consequência da nossa finitude, é sempre uma realidade que impede a comunhão plena com Deus e o acesso à vida verdadeira. É, portanto, algo que constitui um obstáculo à nossa realização plena, ao aparecimento do Homem Novo. Estaremos, em consequência, fatalmente condenados a não realizar a nossa vocação de comunhão com Deus e a não concretizar o nosso desejo de vida em plenitude? A segunda leitura deste domingo garante-nos que Deus não abandona o homem que faz, mesmo conscientemente, opções erradas. O nosso egoísmo, o nosso orgulho, a nossa auto-suficiência, o nosso comodismo, o nosso pecado não têm a última palavra e não nos afastam decisivamente da comunhão com Deus e da vida eterna; a última palavra é sempre do amor de Deus e da sua vontade de salvar o homem.
Jesus, o Filho amado de Deus, veio ao mundo para concretizar o projeto de Deus no sentido de nos libertar do pecado e de nos inserir numa dinâmica de vida eterna. Com a sua vida e com o seu testemunho, Ele ensinou-nos a vencer o egoísmo e o pecado e a fazer da vida um dom de amor a Deus e aos irmãos. No dia do nosso Batismo, aderimos ao projeto de vida que Jesus nos apresentou e passamos a integrar a comunidade dos filhos de Deus. Resta-nos, agora, seguir os passos de Jesus e percorrer, dia a dia, esse caminho de amor e de serviço que Ele nos deixou em herança. É um compromisso sério e exigente, que necessita de ser continuamente renovado. O nosso compromisso com Jesus e com a sua proposta de vida exige que, como Ele, vivamos no amor, na partilha, no serviço, se necessário até ao dom total da vida; exige que lutemos, sem desanimar, contra tudo aquilo que rouba a vida do homem e o impede de chegar à vida plena; exige que sejamos, no meio do mundo, testemunhas de uma dinâmica nova – a dinâmica do amor. A nossa vida tem sido coerente com esse compromisso?
Cristo gastou toda a sua existência na luta contra tudo aquilo que escraviza o homem e lhe rouba o acesso à vida verdadeira. A sua morte na cruz foi uma consequência de ter enfrentado as forças do egoísmo e do pecado que oprimiam os homens. Contudo, a morte não O venceu e Ele “sentou-Se para sempre à direita de Deus”. O seu triunfo garante-nos que uma vida feita dom de amor não é uma vida perdida e fracassada, mas é uma vida destinada à eternidade. Quem, como Ele, luta para vencer o pecado que escraviza os homens, há-de chegar à comunhão plena com Deus, à vida eterna. Esta certeza deve animar a nossa caminhada e dar-nos a coragem do compromisso. Ainda que as forças da morte nos ameacem, o exemplo de Cristo deve animar-nos a prosseguir o nosso combate contra o egoísmo, a injustiça, a opressão, o pecado.
Evangelho: Mc. 13,24-32 - AMBIENTE
O texto que nos é hoje proposto como Evangelho situa-nos em Jerusalém, pouco antes da paixão e morte de Jesus. É o terceiro dia da estadia de Jesus em Jerusalém, o dia dos “ensinamentos” e das polêmicas mais radicais com os líderes judaicos (cf. Mc. 11,20-13,1-2). No final desse dia, já no “Jardim das Oliveiras”, Jesus oferece a um grupo de discípulos (Pedro, Tiago, João e André – cf. Mc. 13,3) um amplo e enigmático ensinamento, que ficou conhecido como o “discurso escatológico” (cf. Mt. 13,3-37).
A maior parte dos estudiosos do Evangelho segundo Marcos consideram que este discurso, apresentado com uma linguagem profético-apocalíptica, descreve a missão da comunidade cristã no período que vai desde a morte de Jesus até ao final da história humana. É um texto difícil, que emprega imagens e linguagens marcadas pelas alusões enigmáticas, bem ao jeito do gênero literário “apocalipse”. Não seria tanto uma reportagem jornalística de acontecimentos concretos, mas antes uma leitura profética da história humana. O seu objetivo seria dar aos discípulos indicações acerca da atitude a tomar frente às vicissitudes que marcarão a caminhada histórica da comunidade, até ao momento em que Jesus vier para instaurar, em definitivo, o novo céu e a nova terra.
Os quatro discípulos referenciados no início do “discurso escatológico” representam a comunidade cristã de todos os tempos… Os quatro são, precisamente, os primeiros discípulos chamados por Jesus (cf. Mc. 1,16-20) e, como tal, convertem-se em representantes de todos os futuros discípulos. O discurso escatológico de Jesus não seria, assim, uma mensagem privada destinada a um grupo especial, mas uma mensagem destinada a toda a comunidade crente, chamada a caminhar na história com os olhos postos no encontro final com Jesus e com o Pai.
A missão que Jesus (que está consciente de ter chegado a sua hora de partir ao encontro do Pai) confia à sua comunidade não é uma missão fácil… Jesus está consciente de que os seus discípulos terão que enfrentar as dificuldades, as perseguições, as tentações que “o mundo” vai colocar no seu caminho. Essa comunidade em marcha pela história necessitará, portanto, de estímulo e de alento. É por isso que surge este apelo à fidelidade, à coragem, à vigilância… No horizonte último da caminhada da comunidade, Jesus coloca o final da história humana e o reencontro definitivo dos discípulos com Jesus.
O “discurso escatológico” divide-se em três partes, antecedidas de uma introdução (cf. Mc. 13,1-4). Na primeira parte (cf. Mc. 13,5-23), o discurso anuncia uma série de vicissitudes que vão marcar a história e que requerem dos discípulos a atitude adequada: vigilância e lucidez. Na segunda parte, o discurso anuncia a vinda definitiva do Filho do Homem e o nascimento de um mundo novo a partir das ruínas do mundo velho (cf. Mc. 13,24-27). Na terceira parte, o discurso anuncia a incerteza quanto ao “tempo” histórico dos eventos anunciados e insiste com os discípulos para que estejam sempre vigilantes e preparados para acolher o Senhor que vem (cf. Mc. 13,28-37). O nosso texto apresenta-nos, precisamente, a segunda parte e alguns versículos da terceira parte do “discurso escatológico”.
MENSAGEM
Os dois primeiros versículos do nosso texto referem-se – com imagens tiradas da tradição profética e apocalíptica – à queda desse mundo velho que se opõe a Deus e que persegue os crentes (v. 24-25). Em Is 13,10, o obscurecimento do sol, da lua e das estrelas anuncia o dia da intervenção justiceira de Jahwéh para destruir o império babilônico e para libertar o Povo de Deus exilado numa terra estrangeira (cf. Is. 34,4); em Jl. 2,10, as mesmas imagens são usadas para descrever os acontecimentos do “dia do Senhor”, o dia em que Jahwéh vai intervir na história para castigar os opressores e para salvar os seus eleitos. Ora, é esta linguagem que Marcos vai utilizar para descrever a falência dos impérios que lutam contra Deus e contra os seus santos. Trata-se de uma linguagem tradicional que, no entanto, é perfeitamente perceptível para leitores de Marcos. No mundo grego, por exemplo, o sol e a lua (“Élios”, e “Selénê”) eram adorados como deuses; e, no mundo romano, o imperador identificava-se como “o sol” (o imperador Nero, o primeiro perseguidor dos cristãos de Roma, fez erigir no palácio imperial uma estátua de bronze com trinta metros de altura que o representava como o deus “sol”). A mensagem é evidente: está para acontecer uma viragem decisiva na história; a velha ordem religiosa e política, os poderes que se opõem a Deus e que perseguem os santos, irão ser derrubados, a fim de darem lugar a um mundo novo, construído de acordo com os critérios e os valores de Deus. Marcos não se refere, aqui, àquilo que nós costumamos chamar “o fim do mundo”; mas refere-se, genericamente, à vitória de Deus sobre o mal que oprime e escraviza aqueles que optaram por Deus e pelas suas propostas.
A queda desse mundo velho aparece associada à vinda do Filho do Homem (v. 26). A imagem leva-nos a Dn. 7,13-14, onde se anuncia a vinda de um “Filho do Homem” “sobre as nuvens do céu” para afirmar a sua soberania sobre “todos os povos, todas as nações e todas as línguas”. O “Filho do Homem, cheio de poder e de glória, que virá “reunir os seus eleitos” (v. 27), não pode ser outro senão Jesus. Com esta imagem, Marcos assegura aos crentes o triunfo definitivo de Cristo sobre os poderes opressores e a libertação daqueles que, apesar das perseguições, continuaram a percorrer com fidelidade os caminhos de Deus.
A mensagem proposta por Marcos aos seus leitores é clara: espera-vos um caminho marcado pelo sofrimento e pela perseguição; no entanto, não vos deixeis afundar no desespero porque Jesus vem. Com a sua vinda gloriosa (de ontem, de hoje, de amanhã), cessará a escravidão insuportável que vos impede de conhecer a vida em plenitude e nascerá um mundo novo, de alegria e de felicidade plenas. O quadro destina-se, portanto, não a amedrontar, mas a abrir os corações à esperança: quando Jesus vier com a sua autoridade soberana, o mundo velho do egoísmo e da escravidão cairá e surgirá o dia novo da salvação/libertação sem fim.
Na segunda parte do nosso texto (vs. 28-32), Jesus responde à questão posta pelos discípulos em Mc. 13,4: “Diz-nos quando tudo isto acontecerá e qual o sinal de que tudo está para acabar”.
Para Jesus, mais importante do que definir o tempo exato da queda do mundo velho é ter confiança na chegada do mundo novo e estar atento aos sinais que o anunciam. O aparecimento nas figueiras de novos ramos e de novas folhas acontece, sem falhas, cada ano e anuncia ao agricultor a chegada do Verão e do tempo das colheitas (v. 28-29); da mesma forma, os crentes são convidados a esperar, com confiança, a chegada do mundo novo e a perceber, nos sinais de desagregação do mundo velho, o anúncio de que o tempo da sua libertação está a chegar. Certos da vinda do Senhor, atentos aos sinais que O anunciam, os crentes podem preparar o seu coração para O acolher, para aceitar os desafios que Ele traz, para agarrar as oportunidades que Ele oferece.
Não há uma data marcada para o advento dessa nova realidade (v. 32). De uma coisa, no entanto, os crentes podem estar certos: as palavras de Jesus não são uma bela teoria ou um piedoso desejo; mas são a garantia de que esse mundo novo, de vida plena e de felicidade sem fim, irá surgir (v. 31).
ATUALIZAÇÃO
•Ver os telejornais ou escutar os noticiários é, com frequência, uma experiência que nos intranquiliza e que nos deprime. Os dramas dessa aldeia global que é o mundo entram em nossa casa, sentam-se à nossa mesa, apossam-se da nossa existência, perturbam a nossa tranquilidade, escurecem o nosso coração. A guerra, a opressão, a injustiça, a miséria, a escravidão, o egoísmo, a exploração, o desprezo pela dignidade do homem atingem-nos, mesmo quando acontecem a milhares de quilômetros do pequeno mundo onde nos movemos todos os dias. As sombras que marcam a história atual da humanidade tornam-se realidades próximas, tangíveis, que nos inquietam e nos desesperam. Feridos e humilhados, duvidamos de Deus, da sua bondade, do seu amor, da sua vontade de salvar o homem, das suas promessas de vida em plenitude. A Palavra de Deus que hoje nos é servida abre, contudo, a porta à esperança. Reafirma, uma vez mais, que Deus não abandona a humanidade e está determinado a transformar o mundo velho do egoísmo e do pecado num mundo novo de vida e de felicidade para todos os homens. A humanidade não caminha para o holocausto, para a destruição, para o sem sentido, para o nada; mas caminha ao encontro da vida plena, ao encontro desse mundo novo em que o homem, com a ajuda de Deus, alcançará a plenitude das suas possibilidades.
•Os cristãos, convictos de que Deus tem um projeto de vida para o mundo, têm de ser testemunhas da esperança. Eles não lêem a história atual da humanidade como um conjunto de dramas que apontam para um futuro sem saída; mas vêem os momentos de tensão e de luta que hoje marcam a vida dos homens e das sociedades como sinais de que o mundo velho irá ser transformado e renovado, até surgir um mundo novo e melhor. Para o cristão, não faz qualquer sentido deixar-se dominar pelo medo, pelo pessimismo, pelo desespero, por discursos negativos, por angústias a propósito do fim do mundo… Os nossos contemporâneos têm de ver em nós, não gente deprimida e assustada, mas gente a quem a fé dá uma visão otimista da vida e da história e que caminha, alegre e confiante, ao encontro desse mundo novo que Deus nos prometeu.
•É Deus, o Senhor da história, que irá fazer nascer um mundo novo; contudo, Ele conta com a nossa colaboração na concretização desse projeto. A religião não é ópio que adormece os homens e os impede de se comprometerem com a história… Os cristãos não podem ficar de braços cruzados à espera que o mundo novo caia do céu; mas são chamados a anunciar e a construir, com a sua vida, com as suas palavras, com os seus gestos, esse mundo que está nos projetos de Deus. Isso implica, antes de mais, um processo de conversão que nos leve a suprimir aquilo que, em nós e nos outros, é egoísmo, orgulho, prepotência, exploração, injustiça (mundo velho); isso implica, também, testemunhar em gestos concretos, os valores do mundo novo – a partilha, o serviço, o perdão, o amor, a fraternidade, a solidariedade, a paz.
•Esse Deus que não abandona os homens na sua caminhada histórica vem continuamente ao nosso encontro para nos apresentar os seus desafios, para nos fazer entender os seus projetos, para nos indicar os caminhos que Ele nos chama a percorrer. Da nossa parte, precisamos de estar atentos à sua proximidade e reconhecê-l’O nos sinais da história, no rosto dos irmãos, nos apelos dos que sofrem e que buscam a libertação. O cristão não pode fechar-se no seu canto e ignorar Deus, os seus apelos e os seus projetos; mas tem de estar atento e de notar os sinais através dos quais Deus Se dirige aos homens e lhes aponta o caminho do mundo novo.
•É preciso, ainda, ter presente que este mundo novo – que está permanentemente a fazer-se e depende do nosso testemunho – nunca será uma realidade plena nesta terra (a nossa caminhada neste mundo será sempre marcada pela nossa finitude, pelos nossos limites, pela nossa imperfeição). O mundo novo sonhado por Deus é uma realidade escatológica, cuja plenitude só acontecerá depois de Cristo, o Senhor, ter destruído definitivamente o mal que nos torna escravos.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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O fim do mundo – entre o temor e a esperança
No domingo passado (11) refletimos sobre a oferta feita com generosidade e aprendemos que quando esta brota do coração tem valor incalculável aos olhos de Deus que nunca abandona quem oferta com alegria. Estamos no penúltimo domingo do ano litúrgico. A liturgia de hoje fala do fim do mundo que para muitos é motivo de medo e para outros é motivo de esperança. Relata o Evangelho: “Naqueles dias, o sol vai escurecer e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do alto serão abaladas" (Mc. 13,24-32). Vejamos.
No período em que Marcos escreveu este Evangelho as primeiras comunidades cristãs estavam agitadas e assustadas por causa de calamidades, guerras e a destruição do Templo no ano 70 d.C. Então, é recomendável que o Evangelho seja lido com outras leituras que a Igreja oferece para nossas reflexões dominicais incluindo passagens do Antigo Testamento. Na primeira leitura (Daniel 12) o profeta anuncia tempos difíceis e ao mesmo tempo diz serem tempos de salvação para o povo.
A segunda leitura (Hebreus 10) afirma que Jesus Cristo ao selar a Nova Aliança com seu próprio sangue abriu as portas do céu oferecendo a salvação para todos os povos. O Deus vingador do Antigo Testamento nos mostra agora a sua face amorosa de um Pai que perdoa, acolhe e salva. Se de um lado a linguagem apocalíptica do Evangelho anunciando sinais grandiosos é motivo de medo para alguns, tem seu lado positivo para outros. É a esperança e a certeza da salvação. Concluída a missão neste mundo, poder estar na presença gloriosa de Jesus que está sentado à direita de Deus Pai não é maravilhoso? Em várias passagens Jesus afirma que todo aquele que crer e que cumpre a Palavra de Deus será salvo. O relato da parábola da figueira (Evangelho) ensina que é preciso perceber a ação de Deus na história. Ainda que o mundo consumista nos ofereça muitas propostas de vida, não nos esqueçamos das palavras de Jesus: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão (Mc. 13,24-32).” Quando há esse dia e hora do fim do mundo, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho do Homem, mas somente Deus Pai (Mc. 13,32). Sabemos que o fim do mundo (o fim de nossa vida na terra) um dia vai chegar e nada podemos fazer para mudar isto.
O mais importante é saber que acolhidos pelo perdão de Deus que nos é oferecido em Cristo Jesus, podemos ter acesso à vida nova, a salvação. Essa é a nossa fé, essa é a nossa esperança. Cristo Jesus realizou a obra da salvação com sua morte dolorosa na cruz e sua ressurreição na manhã pascal. Na casa de meu Pai há muitas moradas, vou preparar um lugar para vocês disse Jesus. Acredite nas palavras de Jesus, passe pela vida fazendo o bem e em cada novo dia renove a esperança.
Pedro Scherer
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