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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 8 de dezembro de 2012

2º DOMINGO do ADVENTO


2º DOMINGO do ADVENTO

9 de Dezembro de 2012 

Comentário Prof.Fernando


Evangelho - Lc 3,1-6

Fazia quinze anos que Tibério era o Imperador romano. Nesse tempo Pôncio Pilatos era o governador da Judéia, Herodes governava a Galiléia, o seu irmão Filipe governava a região da Ituréia e Traconites, e Lisânias era o governador de Abilene. E Anás e Caifás eram os Grandes Sacerdotes. Foi nesse tempo que a mensagem de Deus foi dada, no deserto, a João, filho de Zacarias. E João atravessou toda a região do rio Jordão, anunciando esta mensagem: - Arrependam-se dos seus pecados e sejam batizados, que Deus perdoará vocês. Isso aconteceu como o profeta Isaías tinha escrito no seu livro: Alguém está gritando no deserto: Preparem o caminho para o Senhor passar! Abram estradas retas para ele! Todos os vales serão aterrados, e todos os morros e montes serão aplanados. Os caminhos tortos serão endireitados, e as estradas esburacadas serão consertadas. E todos verão a salvação que Deus dá."
Introdução

Preparai o caminho do Senhor.

       A exemplo de João Batista, Deus nos chama a preparar os nossos caminhos, a endireitar a nossa vida pela conversão, a fim de nos tornar menos indignos de receber Jesus em Espírito e verdade, através de uma reconciliação sincera e duradoura.
       Na celebração eucarística deste domingo, vamos acender a segunda vela do  Advento, a vela branca, a vela símbolo da PAZ.  Pois só Deus pode nos dar a paz.  A paz que deve começar  dentro de cada um de nós: A paz conosco e a paz com Deus. Pois só assim, teremos a paz nos demais setores da vida: A paz na família, a paz na sociedade, a paz no mundo.
       Peçamos a Deus que enviou o Seu Filho ao Mundo para nos salvar, que não permita que nenhum tipo de violência nos impeça de nos aproximar do vosso Filho, mas sim, pelo contrário, que sejamos sempre instruídos pela vossa sabedoria a participar da plenitude de sua vida. Que nada neste mundo nos afaste do caminho  da verdade e da vida. Pois pelo rumo que as coisas estão se encaminhando, há o perigo de que um dia sejamos impedidos de adorar  o nosso Deus, pela prática da nossa Religião.
       Só Deus por meio de seu Filho Jesus pode nos livrar de tudo isso que está aí, e que afeta com mais força a nossa juventude. Portanto, precisamos endireitar os nossos caminhos, eliminando tudo o há de errado em nossa vida, a fim de merecermos a graça indispensável de Deus para combater o mal do mundo.
       O Advento que é tempo de espera e portanto de expectativa, é como os dias que antecedem uma festa. E o melhor da festa é o esperar por ela.  A atmosfera, o clima de espera pelo Natal, coincide com a espera pelas férias escolares, a qual envolve a todos os cidadãos viventes. Porque mesmo que você não seja professor ou professora e nem trabalhe direta ou indiretamente na Educação, você estará envolvido nas férias escolares. Digamos que você é avô ou avó. Poderá ter de cuidar dos netos para seus filhos trabalhar, e ou ainda ter de levar e buscar as crianças para a escola.
       Desse modo, A espera pelo Natal e espera pelas férias escolares, deixam no ar um clima de ansiedade pelo  MELHOR DA FESTA.
       Como sabemos, existem dois natais: o Natal cristão, ou religioso, e o natal comercial.
O Natal cristão:  é o Natal das pessoas conscientes, e que  acreditam estar vivendo o aniversário do Filho de Deus,  que é hora de conversão e mudança de vida, etc.
O natal comercial: é aquele que envolve todos ligados ao comércio e que direta ou indiretamente, lucram com as festas do final do ano. Aliás, repare que eles não dizem Feliz Natal como os cristãos, mais sim, apenas Boas Festas.
       Advento é o período de espera da vinda do Reino de Deus através da pessoa do Menino Jesus, e para isso precisamos estar preparados.
       João Batista foi o último dos profetas aquele que veio preparar os caminhos de Jesus, ou seja, preparar o povo para receber o Filho de Deus, aplainando os caminhos, deixando-os sem colinhas e sem buracos; Isso significa preparar a nossa vida, tornando-a uma vida reta, justa, santa para podermos esperar a vinda de Jesus.
"Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas;
as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados."
       Endireitar os caminhos: As montanhas, morros  ou colinas, representam os nossos exageros, os nossos pecados, que precisam ser cortados, destruídos. Os buracos, ou depressões, representam a nossa falta de coragem para dar testemunho, para anunciar a palavra de Deus ao mundo, etc.  E as curvas dos caminhos, representam os nossos desvios de conduta, as nossa  fugas pela esquerda, pelo caminho errada da estrada da vida. São as vezes em que nos desviamos do caminho verdadeiro e nos embrenhamos pelo meio do mato, pelo caminho errado, preparado por satanás, para nos afastar de Deus. É o que vem acontecendo com a nossa juventude hoje. Nossos jovens estão sendo arrastados para o caminho do mal, o caminho da perdição, da violência, da falsa felicidade, o caminho da morte do corpo e da alma.  A pergunta, é: o que podemos e devemos fazer?
       Para falar da missão de Jesus, o evangelista começa falando da missão de João Batista, o precursor. Este é como uma ponte que une o Antigo e o Novo Testamento. Jesus vem dar vida, e não tirá-la. Por isso Ele não está feliz com o rumo que está tomando os caminhos tortuosos da nossa juventude.  Não está e nem poderia estar feliz com o que está acontecendo no mundo de hoje.  Muitos caminhos tortuosos que precisam ser corrigidos, a começar por mim e por você. Pois se cada um dos escolhidos endireitar diariamente os seus caminhos, assim poderá  pensar em endireitar os caminhos do mundo, com a graça de Deus.
       Prezados irmãos. Nós precisamos ter o Evangelho em mente, e vivê-lo tanto na teoria como na prática. Se todas as nossas ações têm início na nossa mente, se estivermos com a mente embebida dos ensinamentos de Jesus Cristo, com certeza, teremos de agir de acordo com as verdades que estão dentro de nós, em nossa mente. Portanto, teoria e prática devem caminhar juntas na construção do Reino de Deus que vamos festejar sua chegada daqui há três semanas.
Feliz Natal. Seja feliz e faça o mundo feliz, nos tempos do Natal e também fora dele.
Amém.
J. Salviano
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“ESTA É A VOZ DAQUELE QUE GRITA NO DESERTO”...- Olívia Coutinho

II DOMINGO DO ADVENTO

Dia 09 de Dezembro de 2012

Evangelho Lc 3,1-6

Neste segundo domingo do Advento, somos chamados a intensificar o espírito da alegria de quem espera pela vinda  do Senhor!
Neste tempo de expectativa,  o nosso coração se enche de alegria, para acolher Jesus, que já está no meio de nós, mas que muitas vezes, devido ao nosso corre, corre do dia a dia, não percebemos  a sua presença.
O advento é um tempo reflexivo quando somos convidados a desacelerarmos um pouco, a nos dar um tempo para vivenciarmos as alegrias da proximidade de Deus!
 Precisamos  tomar consciência da importância de estarmos, sempre vigilantes,  num processo contínuo de conversão. Sem um retorno de todo o nosso ser,  a Jesus, não tem como viver a alegria da expectativa de sua vinda.
Na nossa vivencia de comunidade, devemos  levar aos desesperançosos, uma mensagem de esperança, afinal, o Senhor vem para inaugurar um  novo tempo...
Deus não desiste do humano e é através do humano, que ele age em favor do próprio humano. Podemos perceber isso claramente, no evangelho de hoje, quando Deus, insere João Batista na história da humanidade, o grande profeta, que  veio realimentar a  esperança dos  “pequenos”, daqueles que perderam a esperança no humano.
A liturgia deste tempo,  está sempre nos apresentando a forte figura de João Batista, que continua nos falando! Ele é, depois de Maria Santíssima, a figura de maior relevo no tempo do advento. João  Batista,  surge como protagonista da história, pois  é a partir dele, que Jesus se manifesta.   
Assim como  ele  apontou Jesus aos seus discípulos,  um dia, também alguém  nos apontou Jesus, mas nós, só O reconhecemos de fato, quando  fazemos uma experiência pessoal  com Ele, como fizeram os  discípulos de João.
Imitemos o grande profeta João Batista, sendo a voz que grita no deserto contra tudo que insiste em manter os caminhos tortuosos como expressão de valores.
O nosso caminho, é um caminho traçado por Deus, um caminho de fé, de esperança, de alegria e de justiça, é trilhando por este caminho, que encontraremos a felicidade plena!
Que a alegria da espera, possa nos dar a força, a união que nos levará a vencer todas  as intemperanças  da vida, para que assim,  possamos esperar  confiantes a vinda do Emanuel: O Deus conosco”.
João Batista, foi um grande exemplo de quem viveu exclusivamente a vontade de Deus, não se acomodando nas tradições do seu povo, nem de sua  Família, pelo contrário, ele buscou algo novo, fazendo-se  anunciador de um tempo novo, um tempo  que traria para humanidade um sentido novo.
Assim como João Batista, preparemos  os caminhos do Senhor,  nos abrindo  a tudo que é bom e que  nos aproxima de Deus! Viemos ao mundo com uma missão: continuar apontando Jesus ao outro, realizando a vontade de Deus, na vivencia do amor! Para isso, é importante cultivarmos em nossos corações uma constante disposição de nos renovarmos a cada dia mediante a Palavra de Deus.

 Colocar Jesus, como o centro da nossa vida, é pensar, é viver, é falar é mover-se em função do amor!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia
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Abraço  amigo e boa reflexão da Palavra de Deus
Boa semana
Com amizade.
P.Fernando

e


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09 de dezembro- 2º Domingo do Advento



2º Domingo do Advento 09/12/2012
1ª Leitura Baruc 5, 1-9 -
Salmo 125 (126), 3 “Sim, o Senhor fez por nós grandes coisas; ficamos exultantes de alegria”
2ª Leitura Filipenses 1, 4-6. 8-11
Evangelho Lucas 3, 1-6
       "A VIDA NOVA QUE VEM DO DESERTO"– Diac. José da Cruz


Somos um povo acostumado a “mudanças” que só vem de cima para baixo, governantes e legisladores é que deve preocupar-se com o que precisa ser mudado “Eles ganham uma fortuna, fora o que roubam, justamente para pensar em mudanças que melhorem a nossa vida” – comentou uma vizinha, bastante exaltada, sobre esse tema. Este pensamento não é de todo errado, as pessoas não têm tempo para nada, trabalho e estudo, correria do dia a dia, como é que vai ter tempo para parar e refletir sobre a realidade política e econômica? “Essa cambada de inúteis tem que fazer pelo menos isso, por isso que a gente os coloca lá” – completou a vizinha.
Entretanto é um pensamento perigoso, porque eles se tornam a nata pensante, e resto da população tem mais é que produzir. Quando não temos tempo para pensar, ou achamos uma perda de tempo preocupar-se com a política, economia e outras questões sociais, a classe política fica super feliz, porque pensam,decidem e fazem mudanças, com a nossa total aprovação. E assim somos constantemente manipulados na área econômica, nas decisões políticas, e a maioria acha que está “tudo lindo e maravilhoso”.
Acontece que quando Deus interfere na história, não segue essa lógica humana, pois Deus não concorda com essa história, de que a possibilidade de mudar alguma coisa está unicamente nas mãos dos que nos governam e legislam.
Deus não precisa pedir o aval das instituições, mesmo as religiosas, para agir na história. Ele não desvia a sua atenção da vida do povo um só momento, pois é no coração desse povo que ele faz nascer a esperança e o desejo de mudança, por isso, governante e legislador que é sábio, está sempre atento ao clamor que vem do coração do povo.
João Batista poderia ser um sacerdote, como seu pai Zacarias, e viver tranqüilo, na instituição do templo, poderia acomodar-se e até ser um bom sacerdote. Mas, tocado pelo Espírito de Deus, começou a perceber que havia algo de errado na estrutura política, econômica, social e religiosa daquele tempo, por isso foi viver no deserto, não para tornar-se um alienado e empreender uma espécie de fuga, mas para fazer uma releitura da história de Israel, resgatando valores morais que já se tinham perdido, na relação entre as pessoas. Deus lhe dirige a sua palavra e João começa a falar de mudanças, que não deverão vir de cima para baixo, mas sim de dentro para fora, do fundo do coração, tocado pelo arrependimento sincero, pois ele sabe que o coração do homem é o caminho mais fácil para Deus intervir na história.
Deserto é lugar de reflexão, de encontro e experiência com Deus, foi na caminhada do deserto, que se formou o povo de Deus, e o rio Jordão foi o último desafio a ser superado para entrarem na terra das Promessas, onde corria leite e mel. Este caminho tortuoso que tem que ser endireitado, este vale e montanha, qual barreira intransponível, está no coração do homem, é aí que deve começar a mudança, e este desafio de mudar, vem do agir de Deus, através do Espírito Santo, mas também supõe o esforço do homem, e quando Deus e o homem se unem em um projeto, o milagre acontece.
Enquanto cristãos membros da Igreja, podemos imitar o precursor João Batista, e ter dentro de nós esse deserto onde nos encontramos com Deus, onde a sua Palavra nos é dirigida, mas isso é possível se aceitarmos o desafio de derrubar toda e qualquer barreira existente em nosso coração. Parece ser exatamente esse o grande convite da Liturgia nesse segundo domingo do nosso advento.
Certamente que a organização de um povo, em torno de um ideal humano que busque a justiça, a igualdade e a fraternidade, na relação com o outro, e mesmo entre as nações, é válido e deve merecer o apoio e o incentivo de todos os cristãos e homens de bem, entretanto, o cristão deve ter bem claro que o Reino que Jesus plantou em meio a humanidade, tem os seus próprios valores e princípios, e não precisa jamais de qualquer ideologia humana, para realizá-lo.
Portanto, conversão é algo pessoal, eu permito que a força da graça de Deus, aplaine o meu coração, endireite os caminhos tortuosos, preencha o vazio de tanto egoísmo, que me impede de olhar para o outro, que derrube por terra a montanha da indiferença, que me separa das pessoas. E acima de tudo, ter sempre a consciência de essa mudança é dom de Deus, e obra iniciada pela Salvação que Cristo nos trouxe, e que um dia, ele próprio a conduzirá á perfeição. Não esperemos muito das nossas instituições, elas só serão transformadas, quando as pessoas mudarem, e isso só ocorrerá quando eu me converter. Caso contrário, o cristianismo continuará a ser para muitos uma grande ilusão...
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“João pregava a conversão” -  Claudinei M. Oliveira.

Domingo, 09  Dezembro  de 2012.
Evangelho: Lc 3,1-6


            Caminhamos para o encontro do nascimento de Jesus em breve. Do mesmo modo esperamos que Ele nasce em nossos corações  e enche-nos de sua  glória e alegria. Mas para que o Cristo Ressuscitado apresente na vida de cada pessoa será necessário converter para sua misericórdia e Seu chamado.
            João Batista, filho de Zacarias percorreu “o mundo” pregando a vindo do Messias. Pedia para que os corações estivessem puros para receber o “menino Deus” com alegria e fraternidade. Para tanto era preciso que se convertesse para Deus e abraçasse o jeito novo de viver. Este jeito novo deveria contemplar a justiça ideal.
            Mas o que seria a justiça ideal que aplainaria todos os caminhos acidentados, rebaixaria as montanhas e colinas e todos os vales seriam aterrados? Na verdade era a justiça do amor e da solidariedade para com os outros, principalmente com os mais pobres.
            Ao rebaixar os montes e colinas todos os poderosos de Jerusalém deveriam rever seu poder em suas mãos, olharem para si e perceberem as injustiças cometidas contra milhares de irmãos sob suas ordens; momento novo de viver para estarem preparados para a glória de Deus. Segundo João Batista, não seria possível o homem acompanhar o Filho do Deus Vivo com o coração manchado pelo pecado e pela dor. O coração do homem deveria estar aberto e limpo, sem mancha, imaculado, para deixar a Nova Justiça construir sua casa no aconchego do coração.
            Como ficou escrito em Isaías, segundo o Evangelho de Lucas,  o profeta anunciava que  uma voz gritaria pelo deserto incitando a preparação para  o caminho do Senhor e endireitando as suas veredas.  Essa voz era o escolhido João Batista. Não tinha tempo a perder e toda voracidade em levar o anúncio da vinda do Libertador fez percorrer toda a região do Jordão pregando o batismo de conversão para o perdão dos pecados.
            João Batista tinha uma missão linda. Era uma missão de alguém comprometido com a salvação de todos os homens. Cumpriu sua parte e seu feito de modo exemplar. Não desperdiçou momentos alguns. Por onde passava convencia seus irmãos para receber o batismo da água para lavar e purificar todo o mal. O encardido estava solto  no mundo. O encardido do demônios não dava trégua para os filhos de Deus. Entrava no caminho e construía sua morada de forma convincente. Somente o batismo e o seguimento reto da Santa Palavra eterna poderiam lavar todo o mal de sua frente.
            A conversão que  João Batista pregava dava conta da necessidade de mudar de roupagem, ou seja, tirar todas as  máscaras do mal, das injustiças, das cobiças e das indelicadezas com os irmãos. O homem terreno não cresce para Deus com vícios do mal. Porém, o homem deve buscar no Senhor a sua compaixão para mudar de idéias e fazer prevalecer às coisas boas que brotam no coração para que aja  o crescimento no Deus no amor.
            Hoje caros irmãos em Cristo, somos convidados para anunciar a vinda do Senhor para os céus. Entretanto, para estarmos seguro da sua graça muitas coisas deveriam mudar na vida do povo. Não é possível querer o amor, a paz, a justiça com o fazer de contas. Não é possível reconhecer  Deus em nosso meio pregando a violência e a maldade. Não é possível estar perto de Deus quando ignoramos os irmãos pobres, os desvalidos e os excluídos de usufruírem as dádivas de cristãos.
            Para que sejamos um missionário de verdade o batismo que recebemos outrora deve estar com a “lâmpada” bem acesa. Caso a vela acesa no dia do sacramento esteja apagada por negligencia ou por falta de amor não tem como anunciar o reino da justiça e da liberdade.
O Menino Deus está para nascer, porém deveria nascer todos os dias em nossas vidas. Não esperar ansiosamente o dia de Natal para festejar o nascimento, mas festejar todos os dias o nascimento de Cristo em nossas vidas. Assim, nossos passos diários serão firmes, pois Deus estará presente em todos os atos que fazermos.  
            Somos convidados pelo Senhor a cada celebração a seguir seus passos para fazer parte de sua família. Também somos chamados por este Deus maravilhoso a contemplar a sua salvação, mas para tanto, deveremos encher-se das suas doutrinas. Já conhecemos seus trunfos da libertação, sabemos que Deus quer vida plena para todos seus filhos e não esquecemos que Ele nos ama infinitamente, basta cada um de nós voltarmos para Ele e acreditarmos nas suas palavras com muita fé. Fazer esta fé emudecer os nossos corações para segui-Lo com ternura e carinho.
            Como o profeta Baruc afirmava que Jerusalém deveria despir-se de suas vestes de luto e de aflição e revestir-se de adornos da glória vinda de Deus para sempre, cabe a cada um cristão temente a Deus a refazer sua vida para o bem. Muitas coisas que estão levando o  homem para o mal deveriam ser retirados para aprovar somente aquilo que Deus quer para ele. Deus deseja somente coisas boas como o bem e nada além do comprometimento com o projeto de salvação, assim, Deus nos espera contentemente para o último dia  fazermos  parte lá no céu. Para tanto, é preciso levantarmo-nos, erguermo-nos a cabeça, olharmo-nos para meta que é Jesus e caminharmos atentamente na ajuda mútua.
            Portanto, caros irmãos, é preciso buscamos a conversão sempre em nossas vidas porque  o nosso Deus está a nossa espera para vivermos na felicidade eterna. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!  Para sempre seja louvado. Amém!
            Claudinei M. Oliveira.
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DOMINGO


Lucas  3,1-6
 Não serão as  belas palavras que tocarão os corações, mas a nossa postura coerente com o que Jesus nos ensina no Evangelho.
Maria Regina

                                               Assim como João Batista foi enviado para preparar o caminho do Senhor, nós também hoje, somos convocados, para também anunciar a todos, a Salvação de Jesus Cristo. Mesmo que às vezes tenhamos de “gritar no deserto” para quem não deseja escutar nós poderemos aplainar os caminhos do Senhor na nossa casa, no trabalho, no mundo, na sociedade para que “vejam a salvação de Deus!” E isto nós podemos fazer dando testemunho de que Jesus nos transformou, por isso, não somos mais aquelas pessoas que tinham medo de tudo, que aprendemos a perdoar, a partilhar, a consolar o irmão que sofre e muitas outras coisas.
                                               Não serão as nossas belas palavras que tocarão os corações, mas a nossa postura coerente com o que Jesus nos ensina no Evangelho. João Batista pregava o que vivia, por isso, Ele arrastou multidões para que fossem batizados e se convertessem. Nós somos o João Batista dos dias atuais. Reflita – O que você tem feito para preparar o caminho da Salvação de Jesus para os da sua casa? – Em que consiste a Salvação de Jesus para você?
Amém
Abraço carinhoso
Maria Regina
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Evangelhos Dominicais Comentados

09/dezembro/2012 – 2o Domingo do Advento

Evangelho: (Lc 3,1-6)


Que a paz esteja com você e com toda sua família, nesta nova semana que iniciamos. Já estamos no segundo Domingo do Advento e o evangelho de hoje nos fala do precursor que veio para anunciar a conversão dos povos.

O precursor veio para pregar caminhos iguais, aterrar os vales, rebaixar as montanhas e endireitar as passagens tortuosas. Precursor é aquele que vai adiante, que anuncia um acontecimento ou a chegada de alguém. Mas quem é esse precursor que percorreu todo vale do Rio Jordão?

João Batista é o precursor, é aquele que veio como um profeta, para anunciar a chegada do Messias Salvador. João prega e batiza, convidando o povo à conversão. Assim o Batista prepara o povo para a vinda de Jesus. Ele veio para "preparar os caminhos do Senhor".

Logo mais João dirá: "Eu batizei vocês com água, mas Ele vos batizará com o Espírito Santo". Esse batismo na água prepara o Batismo Sacramental e exige arrependimento, mudança, exige conversão porque o Salvador vem vindo e está muito próximo.

João Batista prega o batismo como elemento indispensável para o perdão dos pecados. A proposta de João é clara; manda viver a retidão, a conversão e a justiça. João falava de forma enérgica e suas palavras convertiam milhares de pessoas.  

Os caminhos precisam ser bem preparados, dizia ele. Na época de João, essas palavras tinham um grande significado. Quando um rei ia visitar seu reino ou uma cidade, os que iam recebê-lo limpavam e enfeitavam o caminho.

Para isso veio João. Preparar os caminhos significa preparar os corações para a chegada do Messias. A penitência que João pregava, tinha o poder de limpar os corações da maldade e do egoísmo, para abrigar o Cristo que viria.

As montanhas e as colinas precisam ser rebaixadas. O vale tem que ser aterrado, dizia ele. Com essas palavras, João estava pregando a igualdade. Para que os caminhos sejam bons, é preciso que vales e montanhas se igualem. É impossível caminhar e sobreviver diante dos desníveis sociais que encontramos.

Os caminhos precisam ser aplainados. Uma minoria, somente alguns, andam lá em cima, no topo, nas coberturas. Milhares estão lá em baixo pisados, marginalizados e esquecidos. Passam fome, não têm teto, terra, dignidade e nem cidadania. Mais do que nunca precisamos buscar a conversão.

Convertidos nós encontraremos o Messias nas pequenas coisas do dia-a-dia. Veremos sua presença no lixão da periferia, nas filas dos postos de saúde, nos corredores dos hospitais, na alegria e nas dores daqueles que nos rodeiam. Jesus está presente no próximo, no morador de rua, no pai desempregado e naquela mãe com suas panelas vazias.

Jesus nos aparece a cada instante, mas nunca poderemos vê-lo, nem reconhecê-lo sem conversão. A conversão é o "colírio" que abre os olhos e nos faz viver a Palavra. Converter-se significa mudar a direção, mudar o sentido, nivelar-se, descer do trono e abandonar tudo aquilo que nos afasta de Jesus.

A conversão exige que eliminemos as vielas tortuosas e acidentadas que milhares de irmãos trilham diariamente. A conversão aspira as impurezas e limpa o caminho para o Cristo que virá.

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DOMINGO Dia 09 de Dezembro
Lc 3,1-6

Por Padre Queiroz

Todas as pessoas verão a salvação de Deus.

Este Evangelho, do segundo domingo do advento, tem duas partes. Na primeira, o evangelista situa bem, na história nacional e internacional, a preparação do povo feita por João Batista, para que as pessoas possam receber a Boa Nova trazida por Jesus. A preparação consistia na prática da penitência, no arrependimento dos pecados e na conversão. Na segunda parte, o evangelista apresenta um resumo da pregação de João Batista.
Ele repete as profecias de Isaías, que chamam abertamente para uma mudança de vida, e o faz através de comparações: endireitar as veredas, aterrar os vales, rebaixar as montanhas e colinas, tornar retos os caminhos curvos, aplainar os caminhos acidentados... Tudo isso, a fim “preparar o caminho do Senhor”. Assim, “todas as pessoas verão a salvação de Deus”.
Precisamos aplainar as desigualdades injustas, tapar os buracos da fome, da ignorância e da pobreza, arrasar o orgulho, construir pontes de reconciliação. Reconhecendo que somos pecadores, podemos levantar para a esperança os ânimos nossos e das pessoas decaídas.
Tudo parte da conversão pessoal que, segundo João Batista, deve ser concreta e atingir a nossa vida individual, o nosso ambiente e a sociedade, construindo uma nova estrutura.
A graça quer agir em nós no advento como uma pedra lançada em um lago: as ondas vão se alargando e atingindo a nossa família, o nosso ambiente de trabalho, de estudo... até chegar à mudança de estruturas sociais. O amor a Deus e ao próximo é o motor de tudo isso.
O mais importante e a fonte de tudo é a conversão pessoal, a mudança de coração, de mentalidade e de comportamento. A vida humana não se transforma através de mudanças estruturais, mas através do testemunho de pessoas transformadas. O futuro melhor forja-se no coração de cada um.
Foi a gente simples do povo que melhor respondeu ao imperativo da conversão que o profeta anunciava. Os pobres são vazios de si mesmos e respondem mais generosamente ao chamado do alto.
Hoje, preparar o caminho do Senhor está cada vez mais difícil, porque, no nosso meio, a indiferença religiosa e a multiplicação de seitas diluem a força que vem do alto. Contudo, muitos profetas atuais têm operado maravilhas, apressando a vinda do Senhor.
Somos peregrinos da esperança, atravessando o deserto da vida, rumo à casa do Pai e nossa casa definitiva. Nós olhamos sempre para frente, procurando descobrir novos passos a dar.
Numa época de mudanças sociais profundas como a nossa, temos de examinar seriamente a nossa sensibilidade ao Evangelho. Que bom seria se João Batista aparecesse hoje, fazendo-nos apelos concretos e nos convidando à conversão!
E João Batista, como todos os profetas, nos ensina não só com as palavras, mas com a sua vida. Ele morava no deserto, que é um dos piores lugares para se viver, devido ao calor, à falta de vegetais e qualquer tipo de distração. Assim, o deserto faz com que a pessoa automaticamente olhe para o céu e se lembre de Deus.
Também a roupa de João, feita de pelos de camelo, não era nada confortável. Tudo o forçava à penitência.
Outro exemplo admirável de João é a sua coragem de falar a palavra certa, na hora certa, para a pessoa certa e sem rodeios nem medo.
Se agora no advento, fugirmos um pouco da nossa vida confortável e barulhenta, buscando a oração e a contemplação, certamente Deus nos ajudará a nos preparar bem para o Natal, o qual será iluminado pela mesma estrela que iluminou a gruta de Belém.
Outro exemplo de João é que ele comia gafanhotos. Gafanhoto é bom para a saúde, mas não é nada agradável de se comer. O cristão penitente come o que e quanto precisa para ter uma boa saúde.
Certa vez, faleceu o guardião de um grande mosteiro. Guardião é o monge responsável por toda a administração material do mosteiro, cargo que fica logo abaixo do superior. Aquele monge havia exercido essa função durante longos anos, acumulando larga experiência. Não era fácil, agora, encontrar o seu substituto.
Por isso o superior convocou uma reunião com todos os monges e, num ambiente de grande expectativa e responsabilidade, introduziu o assunto: “Precisamos escolher o novo guardião do mosteiro. Tendo em vista a exigência dessa função, precisamos ser criteriosos na escolha. Por isso, resolvi fazer o seguinte: vou colocar um problema. Aquele que conseguir resolver o problema mais rapidamente, será o novo guardião”.
O superior ausentou-se da sala e, pouco tempo depois, voltou. Trazia um jarro grande, muito antigo e de rara beleza. Trazia também uma rosa amarela, muito bonita. Colocou o jarro e a rosa em cima da mesa, no centro da sala, e disse: “Eis o problema!”
“Mas como, o problema?” – pensava intrigado cada monge consigo mesmo. Um pesado silêncio caiu na sala. Ninguém ousava se mexer. Alguns até duvidaram da sanidade mental do superior.
De repente, um dos monges levantou, aproximou-se do jarro e da rosa amarela e, com um golpe, quebrou o jarro precioso e machucou a flor!
Os outros monges prenderam a respiração e soltaram um “ai” incontrolável. O superior do mosteiro, serenamente, falou: “Você será o novo guardião do mosteiro!”
Um problema, mesmo que seja um problema bonito, é problema e precisa ser resolvido. Nós criamos determinados hábitos que se tornam problemas. Advento é tempo de enfrentar com decisão e firmeza os nossos problemas, a fim de superá-los.
Na gruta de Belém, Deus derrotou definitivamente o mal. E lá os visitantes encontravam o Menino Jesus nos braços de sua Mãe. Que nos prepare bem para o Natal.
Todas as pessoas verão a salvação de Deus.

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TEMPO DE ESPERA

Estamos no domingo II do Advento. Este é um tempo de espera. Um tempo a nos recordar que a humanidade toda espera, mesmo sem saber: neste mudo cansado e ferido, o coração humano espera um sentido pra vida, espera a paz, espera o amor, espera a plenitude... Para usar a linguagem da Bíblia: espera a salvação! A humanidade esperou e espera... Também o povo de Israel esperou. Nos momentos de escuridão da sua história, Israel levantou-se e continuou o caminho, porque alicerçado na promessa do seu Deus. A primeira leitura da missa de hoje apresenta-nos esta realidade de modo comovente: quando o povo estava na maior escuridão do exílio de Babilônia, Deus lhe falou de esperança. Estas palavras ainda hoje nos tocam e comovem, ainda hoje são para nós: “Depõe a veste de luto, e reveste, para sempre, os adornos da glória vinda de Deus! Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e põe na cabeça o diadema da glória do Eterno!” Deus promete ao seu povo a felicidade, a bênção, a glória – não quaisquer umas, mas aquelas que vêm de Deus! Nosso Deus foi e sempre será o Deus da promessa, o Deus que nos aponta para um futuro de bênção, que nos enche de esperança, que faz nosso coração palpitar, sonhando com a paz que ele dará!
Ora, esta esperança, esta bênção, esta paz, esta plenitude, este futuro, têm um nome: Jesus Cristo! Tudo se cumpre nele, tudo se resume nele; nele, tudo é pleno e duradouro: ele é o Sim de Deus para Israel e para toda a humanidade!
A salvação que a humanidade esperou e os profetas prometeram a Israel, no Evangelho deste Domingo aparece tão próxima: ela entra na história humana; não fica lá em cima, no céu; entra nas coordenadas dos nossos pobres dias: “No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes administrava a Galiléia, seu irmão Filipe, as regiões da Ituréia e Traconítide, e Lisânias a Abilene; quando Anás e Caifás eram sumos sacerdotes...” Nossa fé não é um mito, nossa esperança não é uma quimera: ela veio, entrou no nosso mundo, no nosso tempo, no nosso espaço, na nossa pobre vida, nos nossos dias tão pequenos: “... foi então que a Palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto”. Como é belo o Advento! João anuncia que chegou o tempo, que com Aquele que vem, o próprio Deus, em pessoa, faz-se presente: tempo de salvação, tempo de decisão, tempo de acolher o convite para o Reino! Deus cumpriu sua promessa, ao enviar Jesus; Deus satisfez o sonho que ele mesmo colocara no coração humano, no nosso coração, ao nos dar Jesus. Deus é fiel!
Mas, este Jesus que veio – e estamos nos preparando para celebrar o seu santo Natal - é o mesmo que ainda esperamos para consumar a sua obra no Dia final. Na Epístola aos Filipenses, segunda leitura da Missa de hoje, São Paulo nos fala do Dia de Cristo – aquele dia que começou em Belém, brilhou na Ressurreição e será pleno na Vinda do Senhor. Deus nos prometeu este Dia bendito, no qual todas as esperanças humanas serão realizadas! O cristão vive os dias deste mundo na esperança deste bendito e eterno Dia. Por isso, o Apóstolo deseja que permaneçamos puros e sem defeito “para o Dia de Cristo, cheios do fruto da justiça que nos vem por Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus”. Ele confia que, no que depender do Pai do céu, nós cresceremos na obra de Deus até “à perfeição até ao Dia do Cristo Jesus”. O Advento, portanto, é tempo de esperança, de espera, de sonho... mas é também tempo de compromisso em nos preparar para o Senhor que vem e vem vindo sempre. É tempo de preparar os caminhos do Senhor, endireitar suas veredas! Que todo vale de nossos pecados e baixezas seja aterrado; que as colinas do nosso orgulho, da nossa auto-suficiência e prepotência sejam aplainadas. Que, numa vida de conversão, vejamos a salvação de Deus... E os outros, os de fora, vejam em nós a obra desta salvação! 
Não percamos tempo! A oração da Missa pediu a Deus que nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro do Filho que vem. Por favor, em nome de Cristo: levantemos os olhos de nossa mediocridade, de nossas preocupações pequenas e mesquinhas! Levantai a cabeça: a vossa Salvação se aproxima! Não sejamos desatentos, a ponto de não perceber e não acolher Aquele que veio, vem vindo e virá na Glória!
Terminemos esta meditação com as palavras de um poeta pagão, mas que exprimem bem o que a Palavra de Deus, que ouvimos hoje, nos quer dizer. É um poema de Tagore:
Não ouvistes os passos silenciosos?
Ele vem vindo, vem vindo, vem vindo sempre!
A cada momento e a cada estação,
a cada dia e a cada noite,
ele vem vindo, vem vindo, vem vindo sempre! 
Várias cantigas cantei,
em vários disposições de espírito,
mas as suas notas sempre proclamaram:
ele vem vindo, vem vindo, vem vindo sempre!
Nos dias perfumados de abril luminoso,
pelo caminho do bosque
ele vem vindo, vem vindo, vem vindo sempre!
Na sombra chuvosa das noites de junho,
na carruagem trovejante das nuvens,
ele vem vindo, vem vindo, vem vindo sempre! 
De tristeza em tristeza,
são os seus passos que pisam o meu coração!
E é o contato de ouro de seus pés
que faz brilhar minha alegria! 
Pois bem!
Vem, Senhor Jesus, vem sempre! Vem nas alegrias, mas vem também nas tristezas da vida! Que saibamos discernir as tuas vindas e os rastros de ouro que teus pés benditos deixam na nossa vida!
Vem, Senhor, porque somos frágeis! Vem, Senhor, porque somos pobres! Vem, Senhor, porque muitas vezes o peso da vida é grande demais! Vem, Senhor, porque temos medo da noite! Vem, Senhor Jesus!

Na segunda leitura da liturgia da Palavra deste 2º domingo do Advento, por duas vezes são Paulo refere-se ao dia de Cristo: “Aquele que começou em vós uma boa obra, há de levá-la à perfeição até ao Dia de Cristo”; “que o vosso amor cresça sempre mais, em todo o conhecimento e experiência, para discernirdes o que é melhor. Assim ficareis puros e sem defeito para o Dia de Cristo”. Para este Dia de Cristo, meus caros, estamos nos preparando no santo Tempo do Advento. Dia de Cristo é o Natal; Dia de Cristo é o “todo-dia”, quando sabemos reconhecer suas visitas; Dia de Cristo será a sua Vinda gloriosa no final dos tempos. Quem celebra piedosamente o  Dia de Cristo no Natal e é atento pela vigilância ao Dia de Cristo de “todo-dia”, estará pronto na perfeição do amor, estará puro e sem defeito para o Dia de Cristo no final dos tempos!
É certo que não poderemos fugir do Cristo Jesus: diante dele todos nós estaremos um dia porque através dele e para ele fomos criados e somente nele nossa existência chegará à sua plenitude. A primeira leitura de hoje ilustra de modo comovente a situação da humanidade e também a situação da Igreja, pequeno resto peregrino e acabrunhado sobre esta terra: trata-se de uma humanidade sofrida, de uma Igreja em exílio, mas que será consolada pelo Senhor. Recordemos a palavra de Baruc profeta “Despe, ó Jerusalém, a veste de luto e de aflição, e reveste, para sempre, os adornos da glória vinda de Deus!” Que belo convite, que sonho, que felicidade, meus caros! Pensemos na nossa vida, pensemos nas ânsias da Mãe Igreja, e alegremo-nos com o consolo que Deus nos promete! “Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e põe na cabeça o diadema da glória do Eterno. Deus mostrará teu esplendor, ó Jerusalém, a todos os que estão debaixo do céu!” Vede, caríssimos, o nosso Deus como é: um Deus que promete, um Deus que abre a estrada da esperança, um Deus que consola, um Deus que nos prepara um futuro de bênção, de paz e de vida! Mas, quando será esta paz, de onde virá? Escutai, caríssimos: “Levanta-te, Jerusalém – levanta-te, irmão; levanta-te, irmã! Levanta-te, Mãe católica! – põe-te no alto e olha para o Oriente!” O Oriente, meus caros é o lugar da luz, o lado no qual o sol nasce e o dia começa; o Oriente é o próprio Cristo Jesus! Olhar para o Oriente é esperar o Dia de Cristo, o Dia sem fim, a Luz que não tem ocaso! Quem caminha sem olhar o Oriente, caminha sem saber para onde vai; quem avança noutra direção, não caminha para a luz, mas vai ao encontro das trevas: "desorienta-se"! “Levanta-te, põe-te no alto e olha para o Oriente!” Olha para o Cristo, vai ao seu encontro! Então, tu verás a salvação de Deus; tu experimentarás que o Senhor não é Deus de longe, mas de perto; tu experimentarás o quanto o Senhor é capaz de consolar o que chorava, de acalmar o que estava aflito, de reconduzir o transviado: “Vê teus filhos reunidos pela voz do Santo, desde o poente até o levante, jubilosos por Deus ter-se lembrado deles. Deus ordenou que se abaixassem todos os altos montes e as colinas eternas, e se enchessem os vales, para aplainar a terra, a fim de que Israel sua Igreja santa, seu povo eleito, caminhe com segurança sob a glória de Deus!”
Vede, caríssimos, que é de paz que o Senhor nos fala, é a salvação que nos promete! Se agora lançarmos as sementes da vida entre lágrimas, haveremos de colher com alegria; se agora muitas vezes na tristeza formos espalhando as sementes, um dia, no Dia de Cristo, nosso Oriente bendito, com alegria voltaremos carregados com os frutos em feixes! As promessas do Senhor, meus caros, fazem-nos compreender que nossa vida tem sentido, que tudo quanto nos acontece pode e deve ser vivido à luz de Deus! Uma das grandes misérias do nosso tempo é a solidão humana. Não se trata de uma solidão qualquer, mas de uma sensação mortal de viver a vida diante de ninguém, de caminhar a lugar nenhum, de gastar energia e sonho para produzir vazio... Mas, quando voltamos o rosto para o Oriente, quando nos deixamos banhar por sua luz que, como uma aurora bendita já começa a difundir seus raios, então tudo se enche de paz e de alegria, porque tudo ganha um novo sentido!
Caríssimos no Senhor, pensai na vossa vida concreta, nas vossas semanas e dias feitos de experiências bem reais e miúdas... Pois bem, Deus, em Cristo, visita a nossa vida! No Evangelho de hoje, quando são Lucas narra o aparecimento de João Batista, o precursor do Messias, ele começa mostrando como a palavra do Senhor, como a sua salvação nos atinge e nos encontra bem no concreto de nossa vida, no nosso aqui e no nosso agora. A salvação não é um mito, a vinda do Senhor até nós não é uma estória de trancoso... Escutai como é concreta a sua vinda, como tem uma história e uma geografia: “No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes administrava a Galiléia, seu irmão Filipe, as regiões da Ituréia e Traconítide, e Lisânias, a Abilene; quando Anás e Caifás eram sumo sacerdotes, foi então que a palavra de Deus foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto.” Vede, irmãos, e compreendei: a Palavra de Deus vem nós num “quando” e num “onde”. O “quando” é hoje, agora, neste período da nossa vida; o “onde” é aí onde você vive: na sua casa, no seu trabalho, nas suas relações, nos seus conflitos! É neste agora e neste aqui, neste “quando” e neste “onde” que Deus vem ao nosso encontro em Cristo Jesus! E o que devemos fazer para acolhê-lo? Como devemos proceder para que não venha na os em vão? Como agir para que a sua luz nos possa iluminar? Escutai ainda o Evangelho: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. E toda carne verá a salvação de Deus”. Vê, meu irmão; presta atenção, minha irmã! É de ti que o Senhor fala; é à tua vida que ele se refere: queres ver a luz do Oriente? Queres dirigir-te para o Dia eterno? Queres realmente estar pronto para o Dia de Cristo no Natal, no “todo-dia” e no Último Dia? Então, endireita agora teus caminhos, abaixa as montanhas da soberba e do orgulho, aterá os vales do medo, da covardia e do vão temor, e endireita as tortuosas estradas de teus vícios e de teus pecados! Aí sim, tu e toda carne verão a salvação de Deus: na celebração do Natal vamos vê-la reclinada num pobre presépio, no “todo-dia” vamos experimentá-la de tantos modos e em tantos momentos e, no Último Dia, Dia de Cristo, iremos vê-la face a face como eterna delícia, alegria sem fim e vida imperecível! Vamos, irmãos, caminhemos com fé ao encontro do Senhor! E para que o nosso caminho não seja sem rumo e em vão, endireitemos desde agora as estradas de nossa vida! Levantemo-nos, ponhamo-nos no alto da virtude e vejamos: vem a nós a alegria do nosso Deus! A ele a glória pelos séculos dos séculos.
dom Henrique Soares da Costa
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Preparar-se para a vinda do Senhor

Preparar o caminho do Senhor é o centro do anúncio de João Batista. A conversão exige empenho pessoal, mas ela é impulsionada por Deus, que é capaz de realizar em nós a mais profunda transformação. Essa transformação tem como ponto central a vivência sempre crescente do amor.
Evangelho (Lc. 3,1-6)
O texto do Evangelho tematiza a missão do Batista. A referência à história profana, com a qual a narrativa se inicia (v. 1-2a), não é sem significado. A história não é estranha ao agir de Deus. Deus age nela e através dela. Considerando-a atentamente, portanto, pode-se destrinchar, de modo mais ou menos evidente, sua providência e seu domínio absoluto. A história humana, porém, por si mesma é ambígua e só pode ser avaliada na profundidade a partir de Deus. Por isso, Deus envia sua Palavra (v. 2b). João Batista é apresentado como um profeta, a quem foi dirigida a Palavra de Deus (cf. Os 1,1). É essa – e só essa Palavra – que ele transmitirá.
O conteúdo dessa Palavra é o “batismo de conversão para a remissão dos pecados” (v. 3).
Trata-se de uma imersão ritual para significar a prontidão para a conversão (cf. v. 8.10-14), para a reestruturação da vida conforme as exigências de Deus. Converter-se não é somente mudar de rumo, mas andar em sentido contrário ao encetado até então, retornando ao Senhor do qual se estava afastado. Como fruto da conversão, está a remissão dos pecados.
A “conversão para a remissão dos pecados” é uma frase muito utilizada por Lucas para falar da obra salvífica de Jesus; é um modo sintético de apresentá-la (cf. Lc. 24,47; At. 2,38; 10,43; 26,17-18). O ministério de João Batista prepara a obra de Jesus, predispondo seus ouvintes a acolhê-la.
A missão de preparar o caminho do Senhor (v. 4; cf. 1,16-17.76-77) é apresentada pela citação de Isaías. Em Is. 40,3-5, o Senhor virá para fazer retornar os judeus de Babilônia à sua terra. Ele mesmo os conduzirá e sua vinda coincide com a salvação esperada. Para isso, é necessário abrir os acessos, retirar os obstáculos (v. 4b-5). O caminho a ser preparado é o próprio coração, a própria consciência, a própria vida. Isso anuncia João Batista, a partir do que Deus lhe falou. Onde alguém ouve a Palavra de Deus e se deixa interpelar por ela, ali começa para ele uma missão salvífica para este mundo. Através dele, Deus opera. A Palavra de Deus é proclamada no deserto (v. 4a). O deserto é lugar de solidão, de instabilidade, de falta de segurança. É onde, vazia de tudo, a pessoa só pode contar com o auxílio de Deus. Ao mesmo tempo (e por esse fato), é lugar do encontro “face a face” com Deus, sem subterfúgios. É o lugar onde Deus fala e, no silêncio, pode-se fazer ouvir. A partir desse encontro pessoal, é lugar do início de uma nova relação de comunhão (cf. Os. 2,16).
A mensagem de João Batista é, na perspectiva de Lucas, endereçada não somente aos judeus, mas também aos pagãos (v. 6). “Ver a salvação” é experimentá-la realmente; isso ocorre se o caminho foi preparado. A conversão e a consequente salvação são, assim, respectivamente, chamado e oferta de Deus a todo homem. Não há mais nenhum privilégio religioso: judeus e pagãos estão na mesma condição de destinatários da salvação.
Advento é ir ao encontro do Senhor que vem como salvador, que pede e deseja nosso retorno a Ele. Para o encontrarmos no deserto da vida e, face a face, sempre de novo entrarmos em comunhão com Ele. É tempo de preparação do caminho de nossas consciências para o Senhor que veio, vem a cada momento e virá.
1ª leitura (Br. 5,1-9)
O texto de Br. 5,1-9 pertence à quarta parte do livro de Baruc (4,5-5,9), que contém súplicas de Jerusalém a Deus, pelo perdão e pela libertação dos exilados na Babilônia (4,5-29), às quais se seguem duas palavras proféticas que prometem a restauração da cidade santa (4,30-37; 5,1-9). O texto da liturgia de hoje corresponde à segunda palavra profética. São palavras de consolo, que descrevem a glória da Jerusalém restaurada e a volta jubilosa dos exilados.
A primeira parte do texto (v. 1-4) apresenta a mudança da sorte de Jerusalém (do exílio babilônico para a volta à terra). A transformação aparece primeiramente em duas imagens: tirar os sinais de luto e vestir os sinais da glória.
Glória é uma realidade própria de Deus que transparece no mundo criado e na história: é a santidade de Deus tornada visível (cf. Sl. 18/19,2: “os céus narram a glória de Deus”).
Que Jerusalém se revestirá de glória significa, assim, que a santidade de Deus se manifestará tão plenamente na cidade eleita que, através dela, será contemplado algo da santidade de Deus. Deus faz Jerusalém participar de sua própria santidade. Essa realidade é retomada na imagem do “manto de justiça”. Justiça, no Antigo Testamento, é, em última instância, a correspondência entre uma realidade e sua medida. Vestir o manto de justiça indica então que Israel corresponderá totalmente à medida que Deus tem para ele o seu desígnio, seu plano de salvação. Isso se concretizará na vivência dos mandamentos. Glória e justiça não serão fruto do empenho dos fiéis, mas exclusivamente dom de Deus (v. 1.2.4: “vem de Deus”).
Completa essa descrição a mudança de nome. O novo nome mostra em que se tornará a Jerusalém renovada: paz da justiça (que relembra o nome Jerusalém, que, em hebraico, contém em si a palavra shalôm, “paz”: yerushalaim) e glória da piedade (que demonstra a profunda veneração diante da majestade de Deus).
A segunda parte do texto descreve o retorno dos exilados (v. 5-7). Jerusalém é chamada a olhar para o oriente e ver sua população retornando. O retorno é marcado pela alegria (v. 5) e pela glória (v. 6). É Deus mesmo que prepara o caminho para que Israel possa voltar “com segurança e na glória de Deus” (v. 7).
Deus é guia dos que retornam, como a nuvem luminosa o foi para o povo do êxodo (cf. Is. 40,3-4; Ex. 13,21-22).
A terceira parte (v. 8-9) indica que o caminho do retorno contará com a proteção de Deus, que aparece na imagem da sombra (cf. Sl. 90,91,1) de árvores que, obedecendo ao Senhor, evitarão que os exilados sejam
molestados pelo sol (v. 8). Isso se explica (v. 9) porque Deus conduzirá Israel. Quatro qualificativos marcam seu agir: de um lado, a alegria e a luz da glória (que retomam o início do texto) e, de outro, a misericórdia e a justiça que ele outorga.
O texto, anunciando assim a restauração do povo eleito, mostra que o grande protagonista é Deus. É Ele quem realiza a salvação, e o faz de modo glorioso. Todo passado foi superado (v. 1.6); haverá somente júbilo. Os próprios atributos divinos (glória e justiça) serão dados a Jerusalém. Deus prepara o caminho, cria as condições e restaura Israel.
Tudo se concentra na ação de Deus. Sempre a obra de Deus em nossa vida é absoluta iniciativa e gratuidade de Deus. No Evangelho de hoje, contudo, é colocado em maior evidência que essa obra gratuita de Deus
usa e exige a generosa cooperação da criatura agraciada. Embora tudo tenha iniciativa na ação de Deus, que, enviando sua Palavra a João, cria as condições para que a conversão se realize, o Batista deve, por sua pregação e pelo batismo, preparar os corações. Exige-se o empenho humano. O povo deve se converter, e o pode fazer porque Deus está aberto a recebê-lo de novo.
2ª leitura (Fl. 1,4-6.8-11)
No início da carta aos Filipenses, São Paulo reza pela comunidade. O motivo de sua oração é a alegre constatação de que os filipenses têm colaborado fielmente na difusão do Evangelho, desde que o acolheram (v. 5), seja por sua atividade missionária, seja pela ajuda material que deram a Paulo (cf. 4,15-16). Tal fato leva o Apóstolo à convicção de que o Senhor, que é fiel, não deixará cair no vazio o empenho até agora feito. Ele dará ainda a graça de perseverar até o fim, quando o Cristo consumar sua obra (o “dia de Cristo Jesus”), num crescendo que a levará à perfeição (v. 6).
Paulo invoca então o testemunho de Deus, para afirmar sua estima pelos filipenses. Para com aqueles que se dedicam ao mesmo ideal da evangelização, Paulo nutre uma religiosa e profunda estima, que tem sua origem, seu modelo e seu motor no próprio coração de Jesus Cristo (v. 8). Sua prece (v. 4) concretiza-se, então, na súplica para que o amor que move a comunidade cresça sempre mais. Conhecimento e sensibilidade (v. 9) são duas características do amor que excluem que ele seja uma simples afeição passageira e superficial. O amor deve ser iluminado pelo conhecimento e por um delicado sentimento, que o façam a um tempo reflexivo e cheio de ternura espiritual. Esse amor conduz ao discernimento, torna mais sutil a capacidade de avaliar e distinguir entre o bem e o mal (v. 10). Crescendo nesse amor cristão, os filipenses chegarão ao dia do Senhor “puros e irrepreensíveis”, ricos de frutos de santidade, de boas obras. Desse modo, chega à perfeição a obra que Deus iniciou (v. 6) e que é realizada por Cristo Jesus (v. 11).
A oração do Apóstolo desemboca, então, numa doxologia: tudo isso é para a glória e o louvor de Deus. A salvação final e a glorificação de Deus são a meta para a qual tendem os fiéis e são realizadas por meio de Jesus Cristo. Colocado no segundo domingo do Advento, esse trecho da carta aos Filipenses indica como, vivendo em atitude de constante conversão, podemos preparar o caminho para o Senhor que vem (cf. o Evangelho).
Dicas para reflexão
– Como minha comunidade e cada um em particular estão contribuindo para a evangelização?
Sei/sabemos considerar os desafios da história e iluminá-la com a Palavra do Senhor?
– Como crescer no amor, preparando assim nossa consciência para o Senhor, que deseja vir sempre mais plenamente em nossa vida? Estou consciente de que tudo é obra de Deus e, ao mesmo tempo, empenho sério de conversão?
– Procuro estar “face a face” com Deus, esvaziando-me de mim mesmo, para acolher a Deus que deseja renovar sua glória e sua justiça também na minha vida?

Advento é tomada de consciência: Deus é Pai e libertador. Ele convida seus filhos, as comunidades cristãs, a se levantar e perceber que a libertação está próxima (1º leitura). O nascimento de Cristo e sua missão marcam o acontecimento central da história da salvação. O caminho de Jesus é proposta aberta a todos. Mas não nos iludamos: o caminho de Jesus não é o dos poderosos, e a história da salvação não passa pela “história oficial” dos que dominam e oprimem (evangelho).
Celebrar a eucaristia é reviver a presença do Deus que é Pai libertador, que salva em Cristo Jesus. A comunidade cristã que celebra o memorial da morte e ressurreição de Cristo é convidada ao discernimento: só o amor dinâmico que conduz à prática da solidariedade e da justiça é capaz de atualizar a vinda de Jesus (II leitura).
1º leitura (Br. 5,1-9)
Deus é fiel. Por isso vai salvar os que sofrem
Os versículos desta leitura – atribuídos a Baruc – são uma mensagem de esperança endereçada a Jerusalém, despojada de seus filhos. O texto recorda uma fase trágica na história do povo de Deus: o tempo em que os habitantes de Judá e da capital foram levados para o cativeiro na Babilônia. Diante da maior catástrofe nacional, perguntava-se: teria Deus abandonado definitivamente seu povo? Teria repudiado sua esposa, Jerusalém e seus filhos? Será que Javé, o Deus libertador, deixaria seu povo para sempre nas mãos dos opressores?
O oráculo de salvação e consolo que lemos na liturgia de hoje procura responder a essas inquietações. O autor personifica Jerusalém: ela é uma esposa abandonada por Javé, seu marido, que deportou para longe seus filhos. Agora, porém, é convidada a trocar as roupas de luto e revestir-se para sempre com a glória esplendorosa que vem de Deus (5,1). Mudar de roupa é o início da libertação. A cidade é chamada a vestir o manto da justiça que Deus lhe oferece (v. 2a). Justiça, aqui, é a reabilitação do povo exilado, convocado a viver a nova justiça: a que vem não do poder das armas, mas da misericórdia do Deus, que se põe ao lado dos oprimidos. É a típica justiça bíblica, a que restabelece o equilíbrio desfeito pela injustiça. É reabilitando-os e ensinando-os a praticar a justiça que ele “há de mostrar o teu esplendor a toda criatura debaixo do céu” (v. 3).
Deus dá ao povo e à cidade um nome novo, uma nova identidade: “Paz-da-justiça e Glória-da-religião” (v. 4). Qual é o alcance desse nome? Ele revela que, na nova comunidade, as relações humanas serão fundadas na justiça e voltadas para a paz. Dessa forma as pessoas poderão se relacionar de modo perfeito com Deus (religião), e o próprio Deus habitará no meio deles (glória).
seguir, Jerusalém recebe a ordem de se levantar do pó onde está sentada cheia de dor, subir a um lugar elevado e contemplar o alegre retorno de seus filhos, pois Deus se lembrou deles (v. 5). O contraste entre a partida e o retorno é evidente: saíram de Jerusalém a pé, como escravos; agora retornam, conduzidos por Deus, transportados em tronos (v. 6). O cortejo é magnífico e supera de modo extraordinário a saída dos hebreus da escravidão egípcia: lá, tiveram de enfrentar o deserto sem estradas e o calor; agora, o próprio Deus manda rebaixar as altas montanhas e as colinas que se perdem de vista; manda encher os buracos, a fim de que o caminho seja plano (v. 7). Por ordem divina, as florestas e árvores perfumosas vão oferecer abrigo ao povo que retorna (v. 8), pois quem o reconduz é o próprio Deus (v. 9).
Esse texto serviu para animar o povo de Deus em tempos de crise. A lição que aprendemos é esta: a misericórdia de Deus é maior que todas as crises e tragédias humanas. Por ser Pai e esposo, ele não abandona seus filhos, mas os reconduz para as fontes de vida, a fim de que saibam viver a justiça e a paz, criando assim uma sociedade em que já não se repitam os erros que levaram o povo de Deus à ruína quase total.
Evangelho (Lc. 3,1-6)
A salvação é para todos
Os versículos escolhidos para a liturgia deste domingo pertencem a uma unidade maior dentro do Evangelho de Lucas (1,1-4,13). O tema dessa unidade é a pessoa de Jesus (a narrativa da infância) e sua missão.
Para falar da missão de Jesus, o evangelista começa falando da missão de João Batista, o precursor. Este é como uma ponte que une o Antigo e o Novo Testamento.
a. A história da salvação não passa pela “história oficial” (vv. 1-2)
Lucas quis apresentar a nova história que nasce de Jesus e dos seus discípulos. Por isso elaborou sua obra em dois momentos: no evangelho, mostrou o caminho de Jesus e, nos Atos, o caminho da comunidade cristã, impulsionada pelo Espírito de Jesus. O caminho de Jesus termina em Jerusalém, onde ele dá o testemunho definitivo, entregando sua vida. A partir de Jerusalém, a comunidade cristã percorrerá todos os lugares, levando até os confins do mundo a mensagem de salvação. As duas obras – evangelho e Atos – formam a nova história da humanidade, uma história de liberdade e vida.
O texto de hoje mostra como se inicia o caminho de Jesus e como se inicia a nova história por ele trazida. Lucas apresenta a atividade libertadora de Jesus como caminho alternativo que não passa pela “história oficial”, pois esta é marcada pela ambição e exploração que geram a morte. O caminho de Jesus é diferente: em vez de tirar a vida das pessoas, entrega a própria, a fim de que todos possam viver.
O evangelista mostra como era a sociedade daquele tempo. Há um imperador – Tibério – que domina o mundo inteiro (14-37 d.C.). Há um procurador – Pôncio Pilatos (25-35 d.C.) – que governa a Judeia. Pilatos é romano e está a serviço do poder central. Herodes Antipas administra a Galileia (4 a.C. - 39 d.C.), lugar da pregação de Jesus. É filho de Herodes o Grande, que, sentindo-se ameaçado de perder o poder, mandou matar as crianças de Belém (cf. Mt. 2,13-18). Filipe, irmão de Herodes Antipas, administra a Itureia e a Traconítide. Lisânias administra Abilene. Essa é a “história oficial”, feita de opressões, abuso do poder e morte.
A seguir, Lucas apresenta as lideranças religiosas judaicas: Anás e Caifás eram sumos sacerdotes. Anás foi sumo sacerdote de 6 a 15, e Caifás de 17 a 37 da nossa era. Segundo o historiador Flávio Josefo, depois de perder o sumo sacerdócio, Anás continuou a ser, por muitos anos, o homem forte da aristocracia sacerdotal e do Sinédrio.
Direta ou indiretamente, Jesus vai se confrontar com essas personagens nos dias da paixão. Ele se defronta com o sumo sacerdote (22,54), com o Sinédrio (22,66ss), com Pilatos (23,2ss.13ss) e com Herodes (23,8ss). Daí tiramos a seguinte conclusão: o caminho de Jesus não passa pela “história oficial”, pois esta é marcada pela ambição, por jogo de interesses e pela morte. O caminho de Jesus não é como o caminho dos grandes. Sua missão também não.
b. O caminho de Jesus (vv. 3 - 4)
O caminho de Jesus é diferente. Inicia-se com João, filho de Zacarias, no deserto. A menção do deserto é importante para entendermos o caminho de Jesus. O deserto evoca o êxodo, a saída do Egito rumo à nova terra, à forma diferente de viver. A “história oficial” repete a opressão do faraó. E Jesus é o novo e definitivo líder que conduz, por caminho diferente, à posse da vida.
João prega um batismo de conversão para o perdão dos pecados. Convida a iniciar nova história. O batismo era o sinal que marcava o novo início. Faz-se necessário voltar atrás, aceitar a novidade que está para chegar, a fim de ter vida e liberdade.
c. “Preparem o caminho do Senhor” (v. 5)
Lucas quis apresentar João Batista na qualidade de profeta que prepara o caminho de Jesus. Isso se torna claro se levarmos em conta o modo pelo qual eram apresentados os profetas do Antigo Testamento (cf. Jr. 1,1ss; Os. 1,1; Jl. 1,1): situados no tempo, mostrando quem governava o país quando foram chamados por Deus. A missão de João é situada no tempo e no espaço, e sua pregação se assenta sobre a do Segundo Isaías (Is. 40-55), do qual ele cita as palavras: “Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão aplainadas; as passagens tortuosas ficarão retas, e os caminhos esburacados serão nivelados” (vv. 4b-5). Esse trecho, síntese da pregação do Precursor, retoma a pregação do Segundo Isaías (Is. 40,3 - 5), profeta que anunciava o fim do exílio e o início de vida nova para o povo sofrido. Assim entendemos a finalidade da missão de João: proclamar o fim da “história oficial” e o início da história que Jesus vai construir com os pobres e a partir deles.
d. A salvação é oferta gratuita para todos (v. 6)
Diferentemente dos demais evangelistas, Lucas prolonga a citação de Isaías, acrescentando, como parte da pregação de João, esta frase: “E todo homem verá a salvação de Deus” (v. 6; cf. Is 40,5). Com isso quis mostrar que o caminho de Jesus é proposta aberta a todos, também aos que pertencem à “história oficial”, desde que se convertam e endireitem o próprio caminho para serem salvos.
2º leitura (Fl. 1,4-6.8-11)
Amor e discernimento preparam a vinda de Cristo
Os Atos dos Apóstolos (16,11-40) mostram como foi a fundação da comunidade de Filipos. Ela nasceu na casa de uma senhora de nome Lídia e em torno da família do carcereiro do qual Paulo salvou a vida. Filipos foi a primeira cidade da Europa a receber o anúncio do evangelho. A comunidade cristã nascida nessa cidade se caracterizou por estabelecer relacionamento estreito e solidário com a missão de Paulo, que tinha como norma não receber bens em troca de pregação. Mas com os filipenses foi diferente.
A comunidade ficou sabendo da prisão de Paulo (provavelmente em Éfeso, entre os anos 56 e 57) e lhe mandou uma ajuda, manifestando assim a solidariedade com o apóstolo e, sobretudo, com a causa do evangelho.
A carta aos Filipenses é uma coleção de três bilhetes que Paulo escreveu a essa comunidade em breve espaço de tempo. Cada um desses bilhetes tem preocupação própria. O texto de hoje pertence à segunda comunicação escrita entre Paulo e a comunidade. Nele, o apóstolo reza e faz um pedido.
A oração de Paulo é marcada pela alegria proveniente da participação da comunidade na difusão do evangelho desde o primeiro dia até o presente momento, quando ele está na cadeia (vv. 4-5) O apóstolo não reza por si nem põe suas preocupações em primeiro lugar. Sua oração é ação de graças a Deus pela perseverança da comunidade e pela solidariedade que a caracteriza. Ele tem uma convicção: quem está agindo nas pessoas é o próprio Deus, capaz de levar sua obra à perfeição até o Dia de Cristo Jesus (v. 6). Paulo crê que o evangelho é uma força extraordinária capaz de criar o mundo novo, levando a comunidade a se comprometer em profundidade com o projeto de Deus. Sua oração é movida pelo amor que sente pela comunidade como um todo: amor que traduz a ternura do próprio Cristo (v. 8).
A seguir, vem o pedido: “O que eu peço a Deus é isto: que o amor de vocês cresça sempre mais em todo conhecimento e clareza” (v. 9). Para crescer o amor requer discernimento. O caminho da comunidade de Filipos já está em sintonia com o evangelho (note-se que Paulo não possui um evangelho escrito para mostrá-lo à comunidade; o evangelho se manifesta numa vivência concreta, traduzida no amor e na solidariedade dentro e fora da comunidade); contudo, o projeto de Deus é algo que está à frente, como ideal e desafio. Como, pois, atingir esse ideal? Mediante o discernimento que leva a escolher, no amor, o que é melhor para todos (v. 10).
O amor gera a santidade. Esta, por sua vez, traduz-se na prática daquela justiça que caracterizou a vida de Cristo. Assim Deus habitará na comunidade: “Assim vocês estarão cheios da justiça que nos vem de Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus” (v. 11)
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Preparando os caminhos do Senhor
A estrada do Advento que nos leva ao Natal vai sendo rasgada pelos corações dos pobres, dos que constituem o resto fiel de Javé.
Baruc fala de uma grande alegria.  O profeta não encontra palavras adequadas para descrever o que está para acontecer depois da catástrofe. Jerusalém é convidada a deixar a veste luto, veste de saco, veste esfarrapada.  O povo que passou pela purificação deverá agora revestir-se de trajes de glória e colocar na cabeça um diadema de ouro.  Quanta diferença! O povo havia saído escorraçado.  O profeta pede que Jerusalém levante a cabeça e aprecie o espetáculo que faz a mão do Senhor:  “Saíram de ti, caminhando a pé,  levados pelos inimigos. Deus os devolve a ti, conduzidos com honras, como príncipes reais. Deis ordenou que se abaixassem todos os altos montes e as colinas externas e se enchessem  os vales para aplainar a terra para que  Israel  caminhe com segurança  sob a glória de Deus”.  Que vereda santa é esta?  A trilha da conversão e da bondade.
Volta, volta jubilosa dos cativos a Israel!
“Quando o Senhor reconduziu  nossos cativos, parecíamos sonhar, encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios de canções” (Salmo 135).
O trecho de Paulo aos Filipenses proclamado na liturgia deste domingo é cheio de ternura e de alegria.  Desde os primeiros dias os cristãos de Filipos estiveram unidos a  Paulo na pregação do Evangelho.  Paulo tem a todos em suas orações.  Ele faz uma declaração consoladora: “Aquele que começou uma obra  boa em vós há de leva-la até à perfeição até o dia de Cristo Jesus”.  Advento, tempo de reflexão, para contemplarmos a ação de Deus em nós e na Igreja, levando-nos à perfeição.
Tempo de advento, tempo de espera do Senhor, tempo em que deixamos nosso coração se voltar para o primeiro amor, em que temos saudade do tempo em que tínhamos grande e forte desejo de santidade e andávamos empenhamos  nesse sentido.  O dia de Cristo Jesus, no quadro da liturgia, é o de sua vinda entre nós no mistério do Natal.
Paulo escolhe as mais belas expressões para falar de seu amor pelos filipenses: “Deus é testemunha de que tenho saudade de todos vós, com a ternura de Cristo Jesus”.
Lucas se compraz em descrever o dia em que todos verão a salvação de Deus.  Era o décimo quinto ano do império de Tibério  César, Pilatos era governador  na Judéia,  Herodes administrava a Galileia.. nesse tempo a palavra foi dirigida a João que morava no deserto, o esguio filho de Zacarias… Ele fora convocado a percorrer os caminhos dos homens pedindo-lhes conversão e assim  enchia os vales e abaixava as colinas para que houvesse uma estrada santa para Deus ser recebido no coração dos homens.
frei Almir Ribeiro Guimarães
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Preparação para a vinda do Senhor
Somos chamados a crescer até estarmos na altura de receber Deus; mas, nesse crescimento, a força que nos anima é o próprio fato de Deus se voltar para nós. O que faz um aluno crescer é a atenção que o professor lhe dedica. O que faz uma criança andar é a mão estendida de sua mãe. Por isso, nosso crescimento para a perfeição se alimenta da contemplação do Deus que vem até nós. Na liturgia de hoje, esta perspectiva é considerada, por assim dizer, a médio prazo (no próximo domingo será a curto prazo). Lc. situa no decurso da história humana o despontar do Reino de Deus, na atividade do Precursor, João Batista (evangelho). Ainda não se enxerga o “Sol da Justiça”, mas seus raios já abrasam o horizonte. A perspectiva é ainda distante, mas segura: “Toda a humanidade enxergará a salvação que vem de Deus” (Lc. 3,6; cf. 1ª leitura). Para isso, João Batista prega um batismo que significa conversão, lembrando a renovação pelas águas do dilúvio, do Mar Vermelho, do Jordão atravessado por Josué.
João Batista usa a imagem do aplanar o terreno, abrir uma estrada para que o Reino de Deus possa chegar sem obstáculos. É a imagem com a qual o Segundo Isaías anunciou a volta dos exilados, liderados por Deus mesmo (Is. 40,3-4; 42,16-17 etc.) e que, mais tarde, o livro de Baruc utilizou para incentivar a “conversão permanente” do povo à confiança em Deus (Br. 5,7; 1ª leitura). Deus realiza sua obra, convoca seus filhos de todos os lados (Br. 3,4), deixa sua luz brilhar sobre o mundo inteiro (3,3). A volta do Exílio foi prova disso (cf. salmo responsorial). Mas agora, anuncia João, vem a plenitude. Agora é preciso “aplanar” radicalmente o caminho no coração da gente.
A oração do dia fala no mesmo sentido: tirar de nosso coração todas as preocupações que possam impedir Deus de chegar até nós. Alguém pode entender isso num sentido individual. Mas não só isso. Vale também para a sociedade. Devemos tirar os obstáculos do homem e das estruturas que o condicionam. Renovação interior de cada um e renovação de nossa sociedade são as condições que a chegada do Reino, a médio prazo, nos impõe.
Portanto, o Reino não age sem nós. Não somos nós que o fazemos, mas oferecemo-lhe condições de se implantar, como um governo oferece condições a indústrias de fora para se implantar. Só que, no caso do Reino, podemos contar com os lucros do investimento … Estes lucros são “o fruto da justiça” de que Paulo fala (Fl. 1,11; 2ª leitura). O Reino de Deus não vem somente pedir contas de nós; leva-nos a produzir, para nosso bem, o que Deus ama (pois ele nos ama).
O Reino já começou sua produção entre nós, desde a primeira vinda de Jesus. Porém, fica ainda para se completar. O que João pregou naquela oportunidade continua válido enquanto a obra não for completada. Somente, estamos numa situação melhor do que os ouvintes de João. Nós já podemos contemplar os frutos da justiça brotados de um verdadeiro cristianismo. Seja isso mais uma razão para dar ouvido à sua mensagem. Na medida em que transformarmos nossa existência histórica em fruto do Reino, entenderemos melhor a perspectiva que transcende nossa história, a plenitude cuja esperança celebramos em cada Advento (oração final).
Johan Konings "Liturgia dominical"
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O Precursor
O Evangelho nos mostra o contexto da época em que Jesus viveu entre nós, dominada pelo império romano, e cuja vida religiosa era dominada pelo sumo sacerdote Caifás; e a preparação para o ministério de João.
João tem a vocação de profeta desde o seu nascimento, e é o último deles, servindo-se de ponte para a vinda do Messias. Com João Batista, Deus vai visitar seu povo.
Ele prepara o caminho para a Verdade, vive e age no deserto, o que lembra o primeiro êxodo e como foi preparado o caminho para o povo de Israel na sua saída do Egito; ele é o precursor, aquele que prepara o povo e o caminho para a vinda de Jesus. O caminho não é material, mas convoca à preparação do coração para acolher o Messias que vai chegar e iniciar a Sua obra. Essa preparação é percebida pela natureza da salvação oferecida pelo Messias que é a reconciliação com Deus em Jesus Cristo, e que exige conversão.
João pregava, com voz severa, a conversão que quer dizer purificação do pecado, e também o batismo que era um ritual que demonstrava a disponibilidade para uma nova vida.
Ele realizou em si as palavras do profeta Isaías: ‘alguém está gritando no deserto pedindo para endireitar os caminhos tortos do coração e da mente, amansar o capricho e fugir do orgulho, vencer as barreiras do egoísmo e destruir as dificuldades nos relacionamentos, enfim, buscar um caminho reto para chegar a Deus.’
O homem que quiser seguir a Jesus é chamado a esvaziar-se de si mesmo, e esse chamado é para todas as pessoas, pois todas são consideradas pecadoras, e Jesus declara que veio para os pecadores. Todos são chamados a crescer até estar ‘à altura’ de receber Deus, alimentados pela contemplação do próprio Deus que vem como homem para estar com a humanidade.
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O meu mensageiro

A vinda de Jesus foi devidamente preparada pela pregação e pelo testemunho de João Batista. O batismo de conversão para o perdão dos pecados, anunciado pelo Precursor, predispunha o coração das pessoas para a proposta do Reino que Jesus iria anunciar. A figura os costumes austeros do Batista constituíam um questionamento contínuo para quem buscava algo melhor e se dispunha a acolher o Messias que estava para vir.
O Precursor tinha consciência de ser um simples mensageiro de quem era mais forte do que ele e cuja grandeza tornava-o indigno até mesmo de desatar-lhe as sandálias. Tinha consciência da provisoriedade de sua missão. O batismo com água, que ele ministrava, seria substituído pelo batismo com o Espírito Santo, que seria conferido pelo Messias vindouro. Sua pessoa, pois, estava fadada a cair no esquecimento.
Contudo, o Batista não se sentia diminuído no exercício da missão que lhe fora confiada. Preparar os caminhos do Senhor era sua tarefa. Aplicava-se a ele, perfeitamente, o texto em que o profeta se referira ao mensageiro enviado por Deus para preparar o caminho do povo, de volta do exílio babilônico. Tratava-se, agora, de preparar o povo para entrar no Reino que seria instaurado por Jesus. O desempenho do Batista foi exemplar. Jesus podia caminhar seguro, nos caminhos preparados por ele.
Oração
Senhor Jesus, a exemplo de João Batista, faze-me teu mensageiro, que prepare tua chegada no coração de quem precisa de ti.
padre Jaldemir Vitório
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Início do ministério de João

Seguindo um estilo literário usual da cultura grega, em seu tempo, Lucas, no prólogo de seu evangelho, afirma sua intenção de escrever "de modo ordenado" a sucessão dos fatos relativos a Jesus de Nazaré. Com isto ele pretende realçar o caráter histórico do acontecimento de Jesus. Contudo, na realidade, em seus textos, o caráter teológico lucano prevalece sobre o caráter histórico, deixando transparecer a sua interpretação pessoal.
pós as narrativas de infância de João Batista e de Jesus, Lucas procura situar, no tempo, o início do ministério de João, referindo-se a algumas datas dos governantes contemporâneos, tanto no poder civil como no poder religioso. Embora haja certa ambiguidade nestas datas, a intenção de Lucas, com estes marcos cronológicos, é inserir na própria história os acontecimentos envolvendo Jesus e, em Atos dos Apóstolos, as primeiras comunidades.
João prega no deserto, além-Jordão, isto é, fora da Judeia. Conforme a tradição criada pelo Primeiro Testamento, o "povo eleito" libertara-se da escravidão no Egito, dirigindo-se ao deserto em busca da terra prometida. Agora, João lidera a libertação em relação ao poder religioso do Templo e do sacerdócio de Jerusalém voltando ao deserto, invertendo e preparando "o caminho do Senhor" para uma nova terra, o Reino de Deus. Aquela que era considerada a terra prometida (primeira leitura), Israel, com sua teocracia, na realidade tornou-se uma terra de opressão e exploração da parte dos chefes de Israel sobre o povo.
Lucas não dá grande realce ao batismo de Jesus por João, inserindo-o no conjunto de "todo o povo" que havia sido batizado, destacando, apenas o momento de oração de Jesus, quando o Espírito Santo desce sobre ele sob a forma de pomba, seguindo-se a proclamação: "Tu és meu filho; eu, hoje, te gerei", inspirada no Salmo 2,7. Assim, percebe-se que Lucas realça mais o caráter profético de João, com o anúncio da conversão (metanóia). É pela conversão à prática da justiça, na partilha e na solidariedade, na rejeição da corrupção e da violência, que o pecado é removido do mundo.
João Batista está inserido no projeto "daquele que começou uma boa obra" (segunda leitura) a ser plenificada em Jesus de Nazaré. A nova terra, o mundo novo possível, é marcada pela ternura de Jesus, pelos laços do amor. Com lucidez busca-se discernir e libertar-se das falsas ideologias emanadas do poder econômico. Com esperança busca-se um mundo melhor, tecendo-se a rede de relações sociais comunitárias em vista de implantar a justiça e estabelecer a Paz.
José Raimundo Oliva
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Podemos situar o tema deste domingo à volta da missão profética. Ela é um apelo à conversão, à renovação, no sentido de eliminar todos os obstáculos que impedem a chegada do Senhor ao nosso mundo e ao coração dos homens. Esta missão é uma exigência que é feita a todos os batizados, chamados – neste tempo em especial – a dar testemunho da salvação/libertação que Jesus Cristo veio trazer.
O Evangelho apresenta-nos o profeta João Batista, que convida os homens a uma transformação total quanto à forma de pensar e de agir, quanto aos valores e às prioridades da vida. Para que Jesus possa caminhar ao encontro de cada homem e apresentar-lhe uma proposta de salvação, é necessário que os corações estejam livres e disponíveis para acolher a Boa Nova do Reino. É esta missão profética que Deus continua, hoje, a confiar-nos.
A primeira leitura sugere que este “caminho” de conversão é um verdadeiro êxodo da terra da escravidão para a terra da felicidade e da liberdade. Durante o percurso, somos convidados a despir-nos de todas as cadeias que nos impedem de acolher a proposta libertadora que Deus nos faz. A leitura convida-nos, ainda, a viver este tempo numa serena alegria, confiantes no Deus que não desiste de nos apresentar uma proposta de salvação, apesar dos nossos erros e dificuldades.
A segunda leitura chama a atenção para o fato de a comunidade se dever preocupar com o anúncio profético e dever manifestar, em concreto, a sua solidariedade para com todos aqueles que fazem sua a causa do Evangelho. Sugere, também, que a comunidade deve dar um verdadeiro testemunho de caridade, banindo as divisões e os conflitos: só assim ela dará testemunho do Senhor que vem.
1ª leitura: Bar. 5,1-9 - Ambiente
O “livro de Baruc” é um texto de autor desconhecido, embora se apresente como tendo sido redigido por Baruc, “secretário” de Jeremias, durante o exílio na Babilônia (cf. Bar. 1,1-2). No entanto, a crítica interna revela (pelos dados pessoais que não quadram com aquilo que conhecemos de Jeremias, bem como pelo desenvolvimento de ideias e de perspectivas que são claramente posteriores à época do exílio) que é impossível atribuir esta obra ao “secretário” de Jeremias. O mais provável é que seja um texto escrito durante o séc. II a.C. na diáspora judaica. O autor convida os habitantes de Jerusalém a celebrar uma liturgia penitencial e exorta-os à reconciliação com Jahwéh.
O texto que nos é proposto está inserido na 4ª parte do livro, integrado numa exortação e consolação a Jerusalém - muito ao estilo do Deutero-Isaías. Depois de convidar à confissão dos pecados (cf. Bar. 1,15-3,8), o autor manifesta a certeza de que Israel, iluminado pela luz da sabedoria, voltará ao “temor de Deus” (cf. Bar. 3,9-4,4). Seguir-se-á o perdão; por isso, o profeta convida Jerusalém a ter coragem (cf. Bar. 4,5-37) e a alegrar-se com a atitude misericordiosa de Jahwéh, em favor do seu Povo pecador (cf. Bar. 5,1-9).
Mensagem
O profeta começa por comparar Jerusalém infiel a uma mulher de luto, desanimada e aflita, sem razões para ter esperança. No entanto, a mensagem fundamental deste texto é: “esse tempo de luto terminou; Deus perdoou-te todas as tuas faltas e quer devolver-te a vida e a esperança”. Para dar corpo a essa promessa de um futuro novo, o autor fala do regresso dos “filhos” exilados, utilizando a linguagem do Deutero-Isaías e apresentando esse regresso como um novo êxodo da terra da escravidão (do pecado?) para a Jerusalém nova da justiça e da piedade. Tal ação resulta - apenas - do amor de Deus, sempre disposto a perdoar o afastamento dos filhos rebeldes e a reatar com eles uma história de libertação e de salvação.
Atualização
O Advento é um tempo favorável para o êxodo da terra da escravidão para a terra da liberdade. Neste tempo somos especialmente confrontados com as cadeias que ainda nos prendem e convidados a percorrer esse caminho de regresso que a bondade e a ternura de Deus vão aplanar, a fim de que possamos regressar à cidade nova da alegria e da liberdade. Em termos pessoais, quais são as escravidões que ainda nos prendem e nos impedem de acolher o Senhor que vem?
As nossas comunidades são, verdadeiramente, oásis de justiça, de fraternidade, de comunhão, de partilha e de serviço? Que falta fazer, a nível comunitário, para acolher o dom de Deus e tornar realidade essa cidade da justiça e da piedade?
“Vê os teus filhos… estão cheios de alegria porque Deus se lembrou deles” (Bar 5,5). É nesta atmosfera de alegria e de confiança serena na ação salvadora do nosso Deus que somos convidados a viver este tempo de mudança e a preparar a vinda do Senhor às nossas vidas.
2ª leitura: Fl. 1,4-6.8-11 - Ambiente
A carta aos Filipenses é, talvez, a mais afetuosa das cartas de Paulo. É dirigida a uma comunidade a que Paulo se afeiçoou, que ama Paulo, que o ajuda e que se preocupa com ele.
No momento em que escreve, Paulo está na prisão (em Éfeso?). Dos Filipenses, recebeu dinheiro e o envio de Epafrodito, um membro da comunidade, encarregado de ajudar Paulo em tudo o que fosse necessário. Enviando de volta Epafrodito, Paulo agradece, dá notícias, informa a comunidade sobre a sua própria sorte e exorta os Filipenses à fidelidade ao Evangelho.
O texto da segunda leitura faz parte da “ação de graças” com que Paulo inicia a carta: ele agradece a Deus a fidelidade dos Filipenses e o seu empenho na difusão do Evangelho.
Mensagem
Paulo começa por manifestar a sua comoção pelo empenho dos Filipenses na difusão do Evangelho e na ajuda àqueles que se empenham no anúncio da Boa Nova (e de forma especial ao próprio Paulo, prisioneiro por causa do seu testemunho). Paulo sente uma grande ternura por esta comunidade atenta às necessidades dos evangelizadores, solidária com todos os que dão a sua vida à causa do Evangelho.
Depois, Paulo pede a Deus que aumente a caridade dos Filipenses (apesar de ser uma comunidade modelo, nem tudo era perfeito a este nível: Paulo tem que pedir a duas senhoras para fazerem as pazes e não dividirem a comunidade - cf. Flp. 4,2-3). A vivência da caridade é fundamental para que os Filipenses possam aguardar, puros e irrepreensíveis, o dia da vinda de Cristo.
Atualização
A essência da Igreja de Jesus é ser missionária. “Ide e anunciai” - diz Jesus. Para que Jesus venha, para que a sua proposta de salvação chegue a todos os povos da terra, é necessário este compromisso contínuo com a evangelização. As nossas comunidades sentem este imperativo missionário? Sentem a necessidade de fazer Jesus nascer para todos os povos? Estão atentas às necessidades e são solidárias com aqueles que dão a sua vida à causa do anúncio de Jesus? É com ternura e carinho que acolhemos os catequistas das crianças, dos jovens, dos adultos da nossa comunidade?
Só é possível acolher, com um coração puro e irrepreensível, o Senhor que vem se a caridade for, entre nós, uma realidade viva. Mas, frequentemente, a vida das nossas comunidades cristãs é marcada pelas divisões, pelas murmurações, pelas lutas pelo poder, pelas tentativas de manipular, pelos interesses mesquinhos e egoístas, pelas guerras de sacristia… Será possível “esperar com coração puro e irrepreensível o Senhor que vem” num contexto de divisão? Será possível à comunidade ser o espaço onde Jesus nasce, se não se aceitam todas as pessoas e em especial os pequenos e os pobres?
É possível que a nossa comunidade não seja, ainda, um modelo de perfeição: somos um grupo de irmãos com os nossos limites e defeitos… Sem desânimo, devemos ter presente que somos uma comunidade “a caminho”, em processo de construção. O que é importante é que saibamos acolher o Senhor que vem e deixar que Ele nos conduza à plenitude da vida e do amor.
Evangelho: Lc. 3,1-6 - Ambiente
O texto de hoje segue-se imediatamente ao “evangelho da infância”, na versão lucana. Aqui começa, oficialmente, o Evangelho – isto é, o anúncio da Boa Nova de Jesus. Antes de começar a descrever a ação libertadora e salvadora de Jesus no meio dos homens, Lucas vai apresentar João Batista, o profeta que veio preparar a chegada do Messias de Deus.
Mensagem
Lucas, como compete a alguém que “tudo investigou cuidadosamente desde a origem” (Lc. 1,3), começa por situar o quadro de João Baptista num determinado enquadramento histórico. Nomeia 7 personagens (desde o imperador Tibério César, até ao sumo sacerdote Caifás), num esforço de situar no tempo os acontecimentos da salvação (estaremos aí pelos anos 27/28). Ele sugere, assim, que esta aventura do Deus que vem ao encontro dos homens para lhes apresentar um projeto de salvação e de felicidade não é uma lenda, perdida nas brumas do tempo e da memória dos homens… Mas é uma história concreta, com acontecimentos concretos, que podem ser ligados a um determinado momento histórico e a uma terra concreta.
Num segundo momento, Lucas apresenta a figura de João Baptista. Ele é “uma voz que grita no deserto” e que convida a preparar os caminhos do coração para que Jesus, o Messias de Deus, possa ir ao encontro de cada homem. Lucas começa por sugerir que a missão profética de João lhe é confiada por Deus: o chamamento de João é apresentado com as mesmas palavras do chamamento de Jeremias (cf. Jr. 1,1, no texto grego), para marcar o caráter profético do seu anúncio. Depois, Lucas situa num espaço geográfico a atividade profética de João: ele prega em “toda a zona do rio Jordão” (Mateus e Marcos, situam-no no deserto)… Trata-se de uma região bastante povoada, sobretudo depois das construções de Herodes e de Arquelau: o anúncio profético de João destina-se aos homens, que são convidados a acolher o Messias que está para fazer a sua aparição no mundo. Finalmente, concretiza-se o âmbito da missão: João “proclama um batismo de conversão (“baptisma metanoias”), para a remissão dos pecados”… A palavra “metanoias” sugere uma revolução total da mentalidade que leva a uma transformação total da forma de pensar e de agir… Para acolher o Messias que está para chegar, é necessário um processo de conversão que leve a um re-equacionar a vida, as prioridades, os valores; só nos corações verdadeiramente transformados, o Messias encontrará lugar.
O Evangelho de hoje conclui-se com uma citação tomada do Deutero-Isaías (cf. Is. 40,3-5), onde serve para anunciar aos exilados na Babilônia a libertação e o regresso a casa, num novo e triunfal êxodo. Lucas sugere, desta forma, que está para chegar a libertação: é necessário, no entanto, que os destinatários do projeto libertador de Deus aceitem percorrer esse caminho, se deixem transformar e acolham “a salvação de Deus”.
Atualização
João é o profeta, cujo anúncio prepara o coração dos homens para acolher o Messias. A dimensão profética está sempre presente na comunidade dos batizados. A todos nós, constituídos profetas pelo batismo, Deus chama a dar testemunho de que o Senhor vem e a preparar os caminhos por meio dos quais Jesus há-de chegar ao coração do mundo e dos homens.
Preparar o caminho do Senhor é convidar a uma conversão urgente, que elimine o egoísmo, que destrua os esquemas de injustiça e de opressão, que derrote as cadeias que mantêm os homens prisioneiros do pecado… Preparar o caminho do Senhor é um re-orientar a vida para Deus, de forma a que Deus e os seus valores passem a ocupar o primeiro lugar no nosso coração e nas nossas prioridades de vida.
Esse processo de conversão é um verdadeiro êxodo, que nos transportará da terra da opressão para a terra nova da liberdade, da graça e da paz. Só quem aceita percorrer esse “caminho” experimentará a “salvação de Deus”.
A preocupação de Lucas em situar concretamente, no espaço e no tempo, os acontecimentos da salvação chama a atenção aos profetas que anunciam a “vinda do Senhor”, no sentido de encarnar o seu anúncio no contexto cultural e político onde estão inseridos, a ir ao encontro do homem concreto, com a sua linguagem, os seus problemas concretos, as suas ânsias, os seus dramas, sonhos e esperanças. A linguagem com que o profeta anuncia a salvação não pode ser uma linguagem desencarnada, mas tem se ser uma linguagem viva, questionante, interpelativa.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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"Preparai os caminhos do Senhor"

Voz daquele que grita
O Advento deste ano toma como ponto de partida a reflexão sobre o maior profeta, João Batista. O texto evangélico é solene, mostrando as autoridades do tempo para dizer que João não é acaso na história - um louco a mais, se diria - mas vive em nosso tempo e inaugura o tempo de Deus. Deus entra na história da humanidade e faz dela história da salvação. João se faz profeta como Isaias (45,3-5) e Baruc (5,7) que preparam os caminhos para a vinda gloriosa do Senhor. Sua profecia alude às grandes vindas de Deus ao povo quando são preparados os caminhos. O caminho a ser preparado, agora, é o do coração, por isso prega a conversão. João prega no deserto. O povo de Deus se constituíra no deserto. Como Jesus, ele inicia com a pregação da conversão para preparar os caminhos do Senhor. Esta é a verdadeira preparação. Deus não vem mais para um povo privilegiado, mas a salvação é para todos, pois "todas as pessoas verão a salvação" (Lc. 3,6). Devemos perguntar se estamos preparando caminhos para a permanente vinda do Senhor para salvar o seu povo ou sendo empecilhos. "Nenhuma atividade terrena impeça de ir ao encontro do vosso Filho" (oração). Quem sabe precisamos ouvir os profetas que falam do deserto, fora dos caminhos batidos onde se vive o jogo dos interesses pessoais. Não são condenados os valores humanos. Basta que sejam julgados com sabedoria (pós-comunhão). A sabedoria existe somente nos corações convertidos.
Maravilhas fez conosco o Senhor
O profeta Baruc faz uma profecia de consolo para um povo que fora levado para o exílio, abandonado por culpa de seus desvios. Jerusalém é o símbolo do sofrimento do povo. Ela, como esposa abandonada, recebe de volta toda sua glória. O profeta descreve a grande transformação: "Saíram, caminhando a pé, levados pelo inimigo. Deus os devolve com honras, como príncipes reais" (Bc. 5,1,6): O Salmo expressa bem esse sentimento de libertação: "Quando o Senhor reconduziu os nossos cativos, parecíamos sonhar. Encheu-se de sorriso nossa boca. Nossos lábios de canções. Entre os gentios se dizia: "Maravilhas fez com eles o Senhor!" (Sl. 125,2). A história do povo de Israel está pontilhada das maravilhas de Deus. O povo peca, Deus castiga e depois recupera o antigo esplendor. Nossa história de povo redimido em Cristo, tem também maravilhas feitas pelo Senhor. Infelizmente não reconhecemos essas maravilhas. João Batista veio como profeta para abrir esse caminho de maravilhas para a vinda do Cristo que traz uma salvação completa.
Que vosso amor cresça sempre
A carta de Paulo aos filipenses é como um exemplo do resultado dos caminhos abertos para nossa salvação. Paulo se alegra pela vivência que a comunidade tem do Evangelho. Deus agiu pelo apóstolo Paulo, grande profeta, que lhes anunciou a salvação. A comunidade correspondeu. Paulo insiste que ela não pode parar, mas deve crescer no amor e no discernimento do que é melhor. A mensagem de João Batista para nossa vida neste Advento é reconhecer as maravilhas que Deus operou em nós. O reconhecimento leva-nos a aperfeiçoar nossa conversão contínua. Por outro lado temos que continuar a profecia de João, abrindo os caminhos do Senhor para que a salvação chegue a todos.
1.O Advento reflete a figura de João. Ele nasce em um tempo definido, não é somente uma figura. Deus entra na história da humanidade e faz dela história da Salvação. João prepara o caminho convidando à conversão. Esses são os montes a abaixar e os caminhos a abrir. Devemos ouvir os profetas do deserto.
2.O profeta Baruc (palavra que significa abençoado - bento) anuncia o consolo que Deus dá a seu povo depois de todos os sofrimentos que passou por causa de seus pecados. Reconhece que Deus fez por eles maravilhas. João veio preparar o caminho para a salvação completa realizada por Cristo.
3.A carta de Paulo aos Filipenses é como um exemplo do resultado dos caminhos abertos à salvação. Ele anunciara o evangelho e eles corresponderam. Não pode parar. Devem crescer no amor e no discernimento. Deus nos convoca hoje para reconhecer as maravilhas que Deus operou em nós. Reconhecer é converter-se mais para nos tornarmos profetas que abrem caminhos para o Senhor.
Trator de Deus
O profeta Baruc narra a recuperação do povo. Não tem quem agüente tanto sofrimento! A cidade, símbolo do povo, se recupera! É Deus que age. Pega seu trator, faz uma estrada maravilhosa no deserto. Eles foram levados para o exílio como escravos e voltam como reis vencedores.
Deus falou e fez. Não perde a obra de suas mãos.
No Novo Testamento aparece um homem como aquele trator que Deus usou para fazer uma estrada no deserto. É João. Ele entra de sola para abrir um caminho para Deus passar. Não é uma história. É um fato que acontece no tempo, não na esperança. Hoje a gente precisa de um trator bom para que Deus faça sua entrada nesse Natal.
A salvação é para todos. Sejamos um trator que prepara o caminho de Deus.
padre Luiz Carlos de Oliveira
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