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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 15 de dezembro de 2012

3º DOMINGO do ADVENTO


3º DOMINGO do ADVENTO

DOMINGO 16 de dezembro
  

Comentário Prof.Fernando


Evangelho - Lc 3,10-18

As multidões perguntavam a João: “Então, o que devemos fazer?” Ele respondia: “Quem tiver duas túnicas dê uma a quem não tem nenhuma; e o mesmo faça quem tiver alimentos”. Vieram batizar-se também cobradores de impostos e lhe diziam: “Mestre, o que devemos fazer?” Ele respondeu: “Não cobreis mais do que a taxa fixada”. Perguntavam-lhe também os soldados: “E nós, o que devemos fazer?” E ele respondeu: “Não pratiqueis torturas nem chantagens contra ninguém e contentai-vos com vosso soldo”. Havia uma expectativa entre o povo, e todos se perguntavam se não era ele o Cristo. João disse a todos: “Eu vos batizo com água, mas vem outro mais forte do que eu, de quem não sou digno de desatar a correia das sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. Já está com a peneira na mão para limpar o seu terreiro: ele recolherá o trigo ao celeiro, mas queimará a palha num fogo que não se apaga”. Fazendo muitas outras exortações, João anunciava a boa nova ao povo.

Que devemos fazer? 


Introdução

       As multidões perguntavam a João: Que devemos fazer? Dois representantes da sociedade daquele tempo, dispostos a iniciar sua conversão após ouvir os clamores de João Batista no deserto, o perguntaram. Mestre, que devemos fazer? Estes representantes daquela sociedade foram: Cobradores de impostos e soldados. 
       E as respostas de João eram sempre baseadas na Justiça e na caridade. Repartir com quem necessita, não ser corrupto, nem julgar o irmão, etc.

       Pois é. E hoje?  O QUE DEVEMOS FAZER?  Policiais estão sendo exterminados, crianças são encontradas em pleno lixo, crianças desaparecem, os hospitais estão matando os pacientes, café com leite sendo injetado nos idosos, sopa em vez de soro é injetado na veia, jovens são m
ortos... A saúde pública está um verdadeiro caos! Só consegue um tratamento digno quem pode ter um plano de saúde! e a pergunta é: O que devemos fazer? Ou, porque não estamos fazendo nada? Porque nos planos de governo dos candidatos não há nada de eficaz para resolver o problema da segurança?
       Nossos jovens precisam de ensino técnico, que lhes garanta emprego com salário justo que lhes darão uma vida decente.  Nossos jovens precisam de emprego para não precisar assaltar, e nem recorrer à venda de drogas para sobreviver. Nossos jovens precisam de laser sadio baseado nas atividades físicas e mentais, nossos policiais precisam de salários que lhes garantam a sobrevivência de sua família, nossos representantes não precisam ser corruptos pois seus salários são altos...  ...e  a pergunta é: O QUE DEVEMOS FAZER?
       O Brasil precisa investir na educação. Por que toda mudança na sociedade deve começar pela educação. A Coréia era um país pobre, hoje não é mais.(Ano de 2012). Por que? Porque a Coréia investiu na educação. Educar é investir no homem, é investir no futuro do país. Mas tem de ser uma educação que não se resulta apenas em conhecimentos e tecnologia, mais sim, também em valores, de preferência, valores cristãos. Valores que resgatem a dignidade da pessoa humana, valores que mostram que amar a Deus e ao irmão não é apenas uma imposição de Deus, mais, uma necessidade fundamental e indispensável  à sobrevivência humana. Pois a nossa felicidade está diretamente relacionada com a nossa convivência com Deus e com o Próximo.     
       A alegria da chegada do Natal não pode ser ofuscada pelos acontecimentos que diariamente deixam muitos e muitas com lágrimas nos olhos, ao ver o filho ou a filha sendo enterrados. João Batista tem para cada um de nós uma mensagem de esperança e de otimismo, um compromisso de mudança de vida, uma proposta de conversão sincera.
       Não obstante os horrores mostrados nos noticiários, o cristão deve continuar firme na fé, e se alegrar no Senhor.  Apesar dos pesares que nos rodeiam, a comunidade cristã deve seguir alegre, orante e meditando a palavra de Deus, pois a palavra é sinal da presença viva de Deus entre nós.
       O povo perguntava a João Batista: O que devemos fazer? E João dava respostas baseadas em uma proposta de vida nova. 
       O que devemos fazer é a pergunta que cada um de nós deve fazer a si mesmo: O que eu devo fazer?
       O que o pai deve fazer quando descobre que o seu filho está envolvido com o mundo do crime? O que fazer quando se descobre que a filha está grávida?  Que fazer? Que fazer!
       Na verdade, esta pergunta deve ser transportada para algum tempo lá atrás. Pois toda  desventura e sofrimento dos nossos dias começaram em dias idos, ou passados, quando muitos abandonaram os caminhos do Senhor, para seguir outros caminhos. Quando muitos  resolveram ignorar a presença de Deus no meio de nós, e seguir a sua vidinha resolvendo os seus problemas com seus próprios recursos: Com a sua raiva, sua força física, suas ofensas, sua injustiça, sua arma de fogo...
       Caríssimos. Mas nem tudo está perdido. É tempo de espera pelo Natal, é tempo de conversão. É tempo de rever a nossa vida e começar tudo de novo, tornando-nos um homem novo, uma mulher nova, deixando que Deus administre a nossa caminhada.
Tenhamos coragem! A coragem de mudar. Coragem de mudar de vida!

 Bom domingo.  Salviano.
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A COLABORAÇÃO DO PE. FERNANDO GROSS


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16 de dezembro - 3º Domingo advento
III DOMINGO DO ADVENTO 16/12/2012
Evangelho Lucas 3, 10-18
"O SENHOR ESTÁ PRÓXIMO, ALEGRAI-VOS!" – Diác. José da Cruz

Alegria parece ser a palavra de ordem na liturgia desse terceiro domingo do advento, sentimento que o profeta Sofonias passa a seus conterrâneos, em um tempo em que não havia motivos para o povo se alegrar, porque a devassidão moral andava a solta. A Boa Nova do Profeta não é dirigida aos poderosos, mas ao povo simples da terra, um pequeno resto que irá sobrar, após tantas tragédias que estavam por vir sobre a nação.
A gente olha para a realidade que nos cerca e percebe que, de fato não há muito com o que se alegrar, pois a violência de todo tipo continua a avançar, dando-se a impressão de que nunca se acabará, entre os nossos governantes e legisladores a ética vai cada vez mais perdendo o seu espaço, corrupção e mentiras, falcatruas e impunidades, desigualdade social, carência na Educação, Saúde, agressão ao meio ambiente, em meio a tanto caos, o convite de São Paulo aos Filipenses “Alegrai-vos sempre no Senhor,eu repito, alegrai-vos!”... Parece não fazer sentido, alegrar-se com um Senhor, que não se importa com tantos males presentes na humanidade?
Pensar em um cristianismo mágico, que nos anestesia contra todos os males do mundo, fazendo-nos viver alienados das realidades humanas, a espera do tal “Dia do Senhor” anunciado pelo Profeta, parece que esse modo de pensar, ganha cada vez mais simpatizantes. Não importa essa vida, o que vale é a outra que ainda virá. Quem pensa assim, com certeza não vive, mas vegeta, uma vez que não encontra nenhum sentido naquilo que pensa ou faz, até a própria existência nada significa.
Somos hoje aquele povo de ontem, sonhando com melhorias na qualidade de vida, lutando para não perder o ânimo e a esperança, apesar de tudo... Acreditando que algo precisa ser mudado urgentemente, mas sempre se sentindo impotente diante desse grande desafio de mudar para melhor. João Batista anuncia algo novo que está para acontecer que irá estabelecer uma nova ordem política, social, econômica e até religiosa: está no meio do povo certo alguém, que fará a diferença, todos os que sonham com dias melhores, e que desejam mudar e reverter esse quadro, deverão unir-se a Ele, o grande esperado, o Messias verdadeiramente.
Ora, um anúncio impactante como esse, provoca nas pessoas uma grande expectativa: o que devemos fazer? Será que está ao nosso alcance tomar uma atitude que signifique uma mudança? “Coitadinho de mim, como é que posso fazer algo que mude a política ou a economia, que possa melhorar á vida das pessoas, o que me compete fazer para mudar as coisas, inclusive na comunidade, pastoral ou movimento?”
Por aquele tempo pensava-se que somente o tal do Messias, que estava para chegar, é que tinha poderes para operar as mudanças necessárias e desejadas pelo povo, em nossos tempos poderá também haver cristãos desinformados, que pensam dessa maneira. Entretanto o evangelho de hoje, eu até diria, de modo espetacular, anuncia que Deus vai intervir na história da humanidade, o Messias não vai vir para resolver todos os problemas do povo de Israel, melhor do que isso , ele virá para permanecer e caminhar com o seu povo, animando,encorajando, alimentando, essa Jerusalém desprezível aos olhos do mundo, formada por todos os homens de boa vontade, que percorrem sem medo o caminho do discipulado, é fraca apenas na aparência, porque no meio do seu povo, o Senhor caminha, abrindo caminho em meio a esse quadro caótico, anunciando a presença do seu Reino entre os homens.
Em alguma empreitada humana, de difícil realização, se temos ao nosso lado alguém forte, readquirimos a esperança perdida, redobramos o nosso ânimo abatido, é isso exatamente que acontece na vida do cristão. Mas qual seria o sinal de que o Senhor está conosco, e de que chegaremos vitoriosos ao final da nossa jornada? Exatamente a mudança nas relações, pautando-as pela justiça, lealdade, autenticidade, fraternidade e paz, isso não compete aos poderosos do mundo, mas a cada cristão em particular... Agindo assim, estaremos sinalizando a presença do Senhor entre nós, e ao mesmo tempo contribuindo para que, aos poucos, o reino de Deus, a quem servimos, torne-se visível e presente cada vez mais em nosso meio. Mas se a nossa atitude ainda não é essa, na relação principalmente na comunidade, então, em nossas celebrações falamos uma grande mentira quando respondemos ao Presidente da celebração, que “o Senhor está no meio de nós....”porque nossas comunidades devem ser, por excelência o lugar da alegria, que vem do amor e da comunhão vivida entre os irmãos e irmãs; (III Domingo do Advento Lucas 3,10 – 18 )
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Domingo 16.12
Lucas 3,10-18
 “Advertências de João Batista.” – Maria Regina
                                     João Batista anunciava ao povo a chegada do Messias e as pessoas queriam saber o que lhes aconteceria quando Ele chegasse e o que elas deveriam fazer. Ele pregava a conversão dos corações para que recebessem Jesus. “Quem tiver duas túnicas dê uma a quem não tem e quem tiver comida faça o mesmo!” “Não cobreis mais do que foi estabelecido!” “Não tomeis a força dinheiro de ninguém nem façais falsas acusações; ficai satisfeitos com o vosso salário!” São essas as atitudes que aprontam o nosso coração para acolher o menino Jesus no Natal e são elas as ações que identificam em nós o processo de conversão. Nós já recebemos o Batismo da água, do fogo e do Espírito, portanto já temos em nós a capacidade transformadora que nos vem com Jesus.
                                 Se, continuamos ainda a não repartir o que temos, a cobrar do outro mais do que nós precisamos e a tomar a força o dinheiro que não nos convém, é sinal de que estamos longe de alcançar o que o Senhor quer para nós. Jesus já veio como menino para nos ensinar a humildade, e virá outra vez como Rei para recolher o trigo do nosso celeiro. Portanto, abracemos a Salvação de Jesus e pratiquemos ações de conversão. Reflita – O que você diz das três advertências de João Batista? – Você tem praticado o que ele recomenda? – Quais outras atitudes que comprovam o seu processo de conversão?
Amém
Abraço carinhoso
– Maria Regina
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DOMINGO - 16 DE NOVEMBRO
Lc 3,10-18

Que devemos fazer?
Neste Evangelho, o povo, tocado pelas pregações de João Batista, o profeta preparador da vinda de Jesus, pergunta a ele: “Que devemos fazer?” João responde de forma clara, dando exemplos concretos, de acordo com a profissão da pessoa que perguntava. Nós também perguntamos a João hoje: “Que devemos fazer?” Como João não está aqui para nos responder, o Espírito Santo responderá no nosso coração. É assim que nos preparar para celebrar o Natal. Portanto, a nossa preparação deve ser prática, ligada à nossa profissão e ao nosso estado de vida.
“Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo!” Esta é a Lei maior do Evangelho, a caridade concretizada na partilha dos nossos bens com os necessitados. Esse apelo de João Batista derruba qualquer desculpa para não partilharmos com quem precisa, porque ela manda não apenas dar o que nos sobra, mas dividir o que temos com quem não tem. Ela pega o ponto central da caridade, que é socorrer o próximo nas suas necessidades. “Irmãos, carregai os fardos uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo”
(Gl 6,2).
Que bom se, agora no advento, nós arrancássemos o nosso coração de pedra e colocássemos no lugar um coração de carne, aberto à Palavra de Deus! Assim, o Natal não será apenas celebrado, mas realizado em nós e em nosso meio.
Diz um dos prefácios do advento: “Na verdade, ó Pai, Jesus vem ao nosso encontro presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos na caridade. E assim nos preparamos para celebrar o seu Natal”. Onde existe caridade, ali Jesus nasceu. Acontece, portanto, o Natal. Este é o Natal que Deus quer.
Existem necessidades físicas, psicológicas, afetivas, morais etc. Que Deus nos dê olhos para discernir as necessidades do nosso próximo, e nos dê um coração bom para socorrê-los.
Em seguida, João fala para os cobradores de impostos: “Não cobreis mais do que foi estabelecido”. É a corrupção que deve ser abolida, a fim de que Jesus possa nascer em nosso meio. A corrupção e as suas parentes: a mentira, a falcatrua, a safadeza...
Enquanto não abraçarmos, de corpo e alma, a prática da verdade, o Natal não virá. Jesus permanecerá lá na gruta fria de Belém, sem vir até nós.
Precisamos levar o Natal para a nossa família, para o nosso local de emprego, para a nossa escola etc.
Por que celebramos todos os anos o Natal? Porque durante o ano vai entrando muita areia na engrenagem, e precisamos limpá-la e lubrificá-la para receber Jesus. Imagine se João Batista viesse hoje, e fizesse um discurso para a nossa Comunidade ou para a nossa família, o que ele diria? Ele que era franco e dava nomes aos bois? Podemos até adivinhar o que ele diria.
Por tudo isso, vemos que advento é tempo de oração. Deus caminha ao nosso lado, querendo nos ajudar a celebrar bem o nascimento do seu Filho. “Rorate coeni de super, et nubes pluant justum!” = Abri, ó céus, e as nuvens façam chover o justo!
Faltam apenas dez dias para o Natal! Mas ainda há tempo de fazermos muitas coisas. Vamos pegar uma lanterna e clarear os cantos escuros do nosso coração, a fim de que ali também Jesus possa nascer.
Certa vez, numa classe de catecismo, uma criança pediu licença à catequista para celebrar o aniversário de sua mãe na sala da catequese. A professora consentiu e ela convidou seus coleguinhas da classe. Cada um devia trazer uma coisa: refrigerante, doces etc.
No dia marcado, a catequista foi lá, para cumprimentar a mãe da sua aluna. Mas, para sua surpresa, ao entrar na sala, viu que as crianças estavam felizes, na maior festa, com música e tudo, comendo e bebendo, mas a mãe não estava! Então a catequista perguntou para a menina: “E sua mãe, não veio?” Ela respondeu simplesmente: “Não veio!”
Mas as crianças não estavam nem aí com a ausência da aniversariante; o que elas queriam mesmo era a festa.
Isso que aconteceu nesta classe de catecismo, por estranho que pareça, acontece em milhares de famílias na noite do Natal: festejam e se divertem, mas sem nem se lembrarem do aniversariante! É para que isso não aconteça que existe o tempo do advento.
Maria se preparou durante nove meses para o nascimento de Jesus. Que ela nos ajude, agora, a nos preparar também, a fim de celebrar o seu aniversário.
Que devemos fazer?

Padre Queiroz
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Domingo, 16  Dezembro  de 2012.
Evangelho: Lc 3,10-18

            Neste terceiro domingo do Advento procuraremos invocar a Santíssima Trindade para nos proteger do mal e de todas as coisas que podem afastar-nos do Pai Celestial. Somente a Fé e a crença no Cristo Ressuscitado nos motiva para continuar na luta pela igualdade de todos os homens.
            Alegremo-nos na certeza de que Jesus está em nosso meio  e quer nosso bem. Esta alegria espiritual faz-nos co-participe da mensagem de mudança de vida pregado por João Batista. Assim, devemos assumir o batismo que recebemos, colocando a serviço do Reino.
            João Batista batiza as pessoas para a conversão dos pecados. Era um batismo comprometido com a mudança radical de vida. Tanto que muitos que chegavam para receber das mãos de João o batismo, pedia um conselho, ou seja, perguntavam o que deveria fazer.
            João respondia com toda certeza para que a mudança de vida acontecesse: se vós tiverdes duas túnicas, dê uma a seu irmão necessitado; se vós tiverdes comida sobrando, dê a quem tem fome; se recebe um salário pelo serviço, nada de cobrar acréscimo para ficar com uma parte. Veja que são medidas importantíssimas para seu tempo. As pessoas têm que aprender a dividir com o outro o excedente. Assim, o acúmulo de bens materiais não torna o cristão convicto para receber o Messias.
            Estamos perto do Natal do Senhor. Devemos celebrar honramente este dia. Jesus está nascendo mais uma vez para o homem. A nossa esperança e nossa alegria que Jesus nasce nas casas de todos, mas especialmente nas casas daqueles que não acreditam no seu milagre e no seu amor. Ao nascer nas casas daqueles que ainda não encontraram o Menino Deus encha com sua ternura e alegria eternamente.  
            Muitos homens acreditam no poder econômico e no luxo desvairados; eles colocam o bem-estar individual na frente como capricho da vida. Neste caso, acabam endurecendo o coração e se fechando para o outro. Não partilham os bens e nem as alegrias. E para mostrarem seu engodo aprisionam-se em ilhas fantasiadas pela imaginação de que não precisam de ninguém.
            Por que não partilhar? Por que não ir ao encontro do outro necessitado? Por que não acolher os irmãos que tanto precisam de ajuda? Por que não ser solidário com o outro? Por que não fazer a alegria daqueles que vivem tristes? São muitas indagações, porém quase nenhuma resposta.
            Somos assim porque fomos educados pelo sistema econômico e político a ser individualista, pela pedagogia do poder e pela astúcia da convicção de que não precisamos do outro, ou seja, cada um cuide de sua vida que da minha vida cuido eu.  Infelizmente ainda hoje não compreendemos a essência da palavra reta. Até que lemos passagens bíblicas de ações singulares e de  profetas que doaram suas vidas em favor do bem e dos pequenos, mas não faz sentido para nossa vida. Somos céticos, somos cegos e mudos; não queremos entender a realidade bonita e bela  por nosso egoísmo, somente para não nos comprometermos.
            Quando os cobradores de impostos perguntaram para João Batista o que deveria fazer, ele respondeu: “não cobreis mais do que foi estabelecido”. Nesta pequena frase pondera-se a justiça, ou seja, nada de cobrar além do necessário. O cobrador deve ser justo com sua tarefa de fazer somente aquilo que deve ser feito. Agora, hoje parece não cumpri aquilo que foi determinado. O homem tem uma voracidade insaciável pelo dinheiro  que encontra meios de ludibriar as pessoas e cobra-se mais do necessário. De certo modo não importa se a pessoa tem condições ou não de arcar com as despesas,  os olho enxergam  somente aquilo que lhe interessa. No final de tudo, os pequenos são lesados pela ganância de uns poucos por privilegiar de status e poder.
            Contudo, caros irmãos, a mensagem de João Batista transcende o estado físico das coisas e penetra no estado do coração e da compaixão. O homem feito imagem e semelhança do Criador têm a obrigação de cumprir seus deveres justos, olhar para a realidade a sua volta e ser caridoso e comprometido com a situação de bem de todos.  Tanto que muitos pensavam que João Batista era o Messias, isto se deve pelas suas ações de misericórdia e pelo seu comprometimento.
            João Batista pregava a vinda do Messias. Para que não tivesse surpresa convidava as pessoas para a mudança de vida através do batismo. Porém, ele mesmo dizia que chegaria um dia, alguém muito especial batizaria, não tão somente com a água, mas também com o fogo do espírito Santo. Este seria o verdadeiro Messias que não seria digno de desamarrar a correia de suas sandálias. João Batista reconhecia que Jesus era o líder certo para encaminhar retamente todos os homens da face da terra.
            De uma coisa devemos estar certo de que Jesus nos ama e está em nosso meio. Somente a fé pode comprovar esse feitio de sua Graça. João Batista acreditou e proclamou sua vinda gloriosa na certeza de que um novo mundo seria construído para todos. Tanto que na profecia de Sofonias pede a exaltação do Senhor com muita alegria: “Cantai de alegria, cidade de Sião; rejubile povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, cidade de Jerusalém (...). O rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti, nunca mais temerás o mal”.
            O Senhor faz bem para todos os homens que crêem. Ele dá sua proteção gratuita somente para ver o povo feliz. Foi bem isto que João Batista pregou e desejou para seus amigos, desejava a felicidade, a alegria e a paz. Por isso devemos cantar sempre a presença do Senhor para encher de sua notoriedade fraternal.
            Enfim, a mensagem de João Batista nos motiva para buscar a alegria e esta alegria está no Menino Deus que irá nascer em nossos corações. Porém, não devemos fechar as portas para que Ele penetre com audácia. Ele deve estar presente sempre em nossas vidas para podermos alcançar o desejo de Nosso Pai que consiste em vida abundante e na salvação.
            Desejo a todos um bom domingo cheio de alegria e festas e muita paz. Amém!
            Claudinei M. Oliveira

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Evangelhos Dominicais Comentados

16/dezembro/2012 – 3o Domingo do Advento

Evangelho: (Lc 3,10-18)



Celebramos hoje o terceiro Domingo do Advento, e este dia também é reservado para a Coleta para a Evangelização. É dia de dar "um pouco do que temos para que o evangelho chegue a todos". É o nosso pouco se transformando em muito.

Quem conhece Jesus e vive suas Palavras, tem que viver intensamente este dia. A coleta para a evangelização é a grande oportunidade que Deus nos apresenta para assumirmos a evangelização. Nós podemos e devemos colaborar para que a Palavra de Deus chegue a todos nossos irmãos e irmãs, para que a festa da vida nunca termine. 

A Palavra de Deus é Vida. A vida é uma festa e o amor é o ritmo que cadencia e embala o viver. Amar é partilhar, dividir, distribuir... é exatamente sobre essas coisas que o evangelho de hoje, nos fala. A Palavra de Deus, mesmo quando parece dura e exigente, está sempre voltada para a alegria.

João fala firme, suas palavras são dirigidas para todas as pessoas que o procuravam. Não lhe importa a classe social ou a função, fala da mesma forma para alguém do povo, para o soldado ou para o cobrador de impostos. A lei é uma só e é válida também, para o imperador

Neste episódio, João nem falou em jejum. Ressaltou a partilha, a justiça e a caridade, como elementos fundamentais para a salvação. Aos representantes da lei, aos soldados civis e militares, ele pede que não usem de violência, que tratem os presos com naturalidade, sem maus tratos e sem torturas.

O recado de João é direto. Podemos vê-lo dizendo: "Vocês ganham para manter a lei e a segurança de todo cidadão, independente da cor do seu colarinho. Contentem-se, portanto com seus salários, vivam de forma honesta sem cobrar pela liberdade e sem extorquir o ex-prisioneiro, o perueiro ou o camelô".

Aos cobradores de impostos, João adverte que não roubem o povo, que não cobrem nada além da taxa estabelecida. João não condena a profissão, o que João condena é o abuso de poder, o descaramento de homens públicos, de auditores e fiscais que cobram propinas para cumprir suas obrigações. Agem pensando em si próprios, como se já não bastassem os pesadíssimos impostos governamentais que recaem sobre o povo.  

Ao povo e para cada um de nós, a mensagem de João pode ser traduzida assim: Lembre-se do próximo. Por que manter aquele mundo de agasalhos no guarda roupas e nas gavetas, embolorando, cheirando "naftalina" e correndo o risco de serem corroídos pelas traças? Provavelmente nunca serão utilizados, enquanto milhares morrem de frio.

João diria ainda: Com a comida faça o mesmo! Distribua, divida, lembre-se daqueles que passam fome. Ouça o clamor dos indigentes e abandonados. Lembre-se que famílias inteiras tentam tirar do lixão o seu sustento.

Diante da pergunta: o que devemos fazer? João nos deixa esta resposta: Aquele que lutar por mudanças, viver a justiça e a caridade, já tem seu lugar reservado como o trigo no celeiro. Em compensação, quem fechar seus olhos para essas coisas, vai arder como palha no fogo que não se apaga.                               

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“Gaudete in Domino semper: iterum dico vobis, gaudete. Dominus enim prope est” O tom da liturgia deste terceiro domingo do Advento é a alegria. A cor rosácea, usada como opção ao roxo, sinaliza para esta exultação que perpassa toda a liturgia hodierna. “Alegrai-vos!” – diz são Paulo na segunda leitura;“Canta de alegria, rejubila, alegra-te e exulta de todo o coração” - convida o profeta Sofonias na primeira; “Exultai cantando alegres” – exorta o Salmo de meditação.
Mas, qual o motivo de tamanha alegria? Para um cristão, para alguém responsável, e realmente consciente, é possível alegrar-se, quando há tanta dor no mundo, tanto fracasso, tristeza, solidão e morte? Alegrar-se num mundo assim, não seria uma insuportável falta de solidariedade, uma falta de compaixão para com quem sofre e geme? E, no entanto, a Palavra santa insiste: Alegrai-vos! Mas, “alegrai-vos sempre no Senhor!” Eis o modo de alegrar-se, no Senhor, porque ele pode sustentar nossa existência, ele pode dar  sentido às nossas dores e nos consolar depois da pena! E a Palavra santa prossegue: “Alegrai-vos: o Senhor está perto”. O motivo da nossa alegria é a certeza que Deus não nos abandonou, a convicção que ele é um Deus presente e que no seu Filho Jesus, ele veio pessoalmente ao nosso encontro. Então, irmãos, alegrai-vos, pois ainda que haja tantas realidades dolorosas e sombrias, o Senhor está perto com seu amor, sua misericórdia, sua salvação. E o nome dessa salvação é Jesus! 
Já no Antigo Testamento, Deus consolava o seu povo, sustentava-lhe a esperança, prometia-lhe uma bênção no futuro. Ele mesmo haveria de ser essa bênção, um Deus no meio de sua gente, um Deus próximo: “O rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti, nunca mais temerás o mal. O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva!” Israel nunca poderia imaginar que essas palavras haveriam de cumprir-se ao pé da letra. Como Deus poderia vir habitar pessoalmente no meio do seu povo, se ele é o Infinito, Santo e abarca tudo quanto existe no céu e na terra? Para nós, cristãos, no entanto, de modo maravilhoso, esta promessa cumpriu-se em Jesus: ele é o Deus-conosco, Deus entre nós, Deus para nós, Deus como nós: com nosso semblante e com nossos gestos! Ninguém poderia imaginar algo assim! A surpresa foi tanta, é tanta, que Santo Irineu exclamava, a respeito de Cristo: “Ele trouxe toda a novidade quando se trouxe a si mesmo!” Por isso são Paulo nos convida a que nos alegremos no Senhor; não em qualquer alegria! Somente no Senhor que se dá a nós, a nossa alegria pode ser autêntica, porque brota da certeza que não estamos sós, que o pecado e a morte foram vencidos!  
Alegrai-vos, pois, mas na alegria de saber que, mesmo com tanta dor e sofrimento no mundo, o amor e a graça de Deus triunfam em Jesus Cristo. Alegremo-nos porque o Senhor está próximo: ele está próximo o seu Natal, ele está próximo no nosso cotidiano, ele está próximo na sua Vinda final... próximo, porque é urgente que nos decidamos por ele, que o acolhamos, que lhe abramos as portas do coração!
Por isso, ao lado da alegria, o evangelho de hoje, ao apresentar-nos o ministério de João Batista, coloca-nos uma questão fundamental: “Que devemos fazer?” – é a questão de levar a sério o Cristo que vem; a questão de abrir espaço para ele na nossa vida, a questão de decidir-se realmente por ele! Como devemos viver para acolher sua vinda no dia-a-dia, para bem celebrar o seu Natal, para estar diante dele quando vier na sua glória? Que devemos fazer? A resposta somente pode ser uma: convertei-vos, abri vosso coração para que o Rei da glória possa entrar! Entrar no vosso modo de viver, entrar nas vossas opções, entrar no vosso coração, entrar em todas as dimensões da vossa existência! Não recebais em vão a graça de Deus, o dom do Cristo que nos vem sempre! Não torneis inútil a salvação que Cristo vos concedeu. 
É importante observar o apelo de João, o Batista, precursor do Messias. A cada grupo de pessoas que perguntavam o que fazer, o Batista responde de modo muito concreto, indicando uma direção a partir do modo de vida e da atividade de quem perguntava... e sempre relacionando com o respeito e o amor aos outros: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; quem tiver comida, faça o mesmo; não cobreis mais que o estabelecido; não tomeis à força dinheiro de ninguém; não façais falsa acusação”.
Ainda hoje este é o critério para acolher Jesus: um coração em disposto à conversão... e uma conversão que passe pelo relacionamento com os irmãos, sobretudo os mais necessitados.
Pois bem: “alegrai-vos no Senhor!” Que vossa alegria no Senhor que vem, vos faça bondosos para com todos, sem excluir ninguém, pois o Senhor a todos nos acolheu! Que vossa alegria no Senhor vos faça serenos ante os problemas e desafios do mundo e da vida! Que vossa alegria no Senhor guarde vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus!
É isto que nos é pedido neste santo Advento! É esta a condição para um Natal verdadeiramente cristão, verdadeiramente no Senhor!
Ó santo Emanuel, tu que assumiste nossa humana condição, tu que não te envergonhaste de ser um de nós, um como nós, um conosco, acolhe nossa súplica, alegra o nosso coração com a alegria da tua chegada... a mesma que alegrou a Virgem, a José, a João no ventre materno... a mesma que fez Isabel exultar e Zacarias cantar... a mesma que alegrou os pastores e o magos...
Santo Emanuel, que nossa alegria esteja numa vida vivida na tua presença, fazendo a tua vontade, cumprindo o teu mandamento!
Vem, Senhor Jesus, que precisamos de ti! Vem e renova o nosso coração e o coração do mundo... até a tua Vinda na glória.

Este terceiro domingo do Advento é conhecido na liturgia como domingoGaudete – “Domingo alegrai-vos!” Com efeito, a alegria é a nota, o clima de toda a Eucaristia da hoje. E por quê? Basta escutar o Apóstolo, na segunda leitura: “Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos! O Senhor está próximo!” Vede, caríssimos, que o nosso desejo de Advento está para ser realizado: o Senhor vem, vem para salvar-nos, e nós veremos seu rosto, nele haveremos de encontrar a alegria, nele teremos a graça da salvação. Mas, a que vinda a liturgia de hoje se refere? De qual chegada a Igreja fala? Das três, caríssimos; daquelas três vindas de que nos falava são Bernardo de Claraval nos seus sermões. Escutemos o que ele nos ensina: “Conhecemos uma tríplice vinda do Senhor. Entre a primeira e a última há uma terceira vinda. Aquelas são visíveis, mas esta não. Na primeira vinda o Senhor apareceu na terra e conviveu com os homens. Foi então, como ele próprio declara, que o viram e o odiaram. Na última, todos os homens verão a salvação de nosso Deus e verão aquele que traspassaram. A vida intermediária é oculta. Nela somente os eleitos o vêem em si mesmos e recebem a salvação. Na primeira o Senhor veio na fraqueza da carne. Nesta ele vem na força do Espírito e na última virá no esplendor de sua glória. Esta vinda intermediária é como um caminho que conduz da primeira à última. Na primeira Cristo foi nossa redenção; na segunda aparecerá como nossa vida; nesta é nosso repouso e consolo”. Então, amados em Cristo, três vindas de uma só vez nós preparamos neste santo Advento; para três chegadas procuramos estar vigilantes: a do Natal, princípio da nossa salvação; a de cada dia, que marca e torna efetivo nosso acolhimento ou nossa rejeição da salvação trazida pelo santo Messias de Deus; e, finalmente, a vinda do final dos tempos, quando, na sua glória, tudo será manifestado e aparecerá claramente nossa salvação ou nossa danação, de acordo com nosso comportamento hoje em relação ao Senhor!
Portanto, alegremo-nos porque o Senhor vem e sua vinda traz a salvação! Celebrando sua vinda no Natal, experimentaremos o quanto Deus é fiel às suas promessas e encher-nos-emos de alegria e ânimo para reconhecer suas vindas a cada dia, preparando-nos para o encontro com ele no Final dos tempos, quando toda dor, todo pranto, toda morte serão vencidos! Cuidado, irmãos, com o desânimo; cuidado com a tibieza, cuidado com a frieza de coração! Cuidado também com o espírito do mundo, com o paganismo em nossos pensamentos e ações! Cuidado para não descuidarmos das coisas de Deus, para não desacreditarmos de suas palavras e não fechar para ele o nosso coração! Ele vem, e vem porque nos ama, e vem para salvar! Assim sendo, acolhamos as consoladoras palavras de Sofonias: “Canta de alegria, Sião; rejubila, Israel! Alegra-te exulta de todo coração! O Senhor está no meio de ti, nunca mais temerás o mal! Não temas, Sião; não te deixes levar pelo desânimo! O Senhor exultará de alegria por ti, movido por amor, como nos dias de festa”! Meus caros, que tristeza a vida se tivéssemos de vivê-la sozinhos, se não houvesse um Destino bendito! Que tédio a nossa existência, se não houvesse um Deus-Salvador que visse nosso caminhar, que recolhesse nossas lágrimas, que fosse nosso companheiro na solidão e na dor, no medo e na angústia de cada dia! A vida não pode ser somente viver e morrer; nosso caminho sobre a terra não pode ser uma passageira ilusão, uma distração maluca e alucinada para não nos lembrar que aqui estamos de passagem e que um dia morreremos... Caminhamos para o Senhor que vem, meus irmãos! E ele vem mesmo, porque é fidelíssimo! Pois, alegremo-nos: o nosso Deus é um Deus próximo; Deus de perto e não de longe! Saibamos reconhecê-lo. Saibamos acolhê-lo! “Não vos inquieteis com coisa alguma! A paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento, guardará os vossos corações e pensamento em Cristo Jesus!”
E, no entanto, amados em Cristo, a certeza da Vinda do Cristo deve fazer que procuremos sinceramente acolhê-lo pela estrada da conversão sincera! Por isso mesmo, no meio da alegria deste Domingo cor-de-rosa, surge a figura dura e austera de João Batista, o profeta vindo do deserto, vestido de pele de camelo atada por um cinto de couro. Sua figura rústica e sua palavra dura não são para nos amedrontar, não têm como objetivo apagar a alegria, mas são uma séria advertência! Eis a questão: o mundo procura a alegria. Agora mesmo, final de ano, o champagne correrá solto, os sorrisos e votos de felicidade e paz serão abundantes, a alegria encherá tantos corações e estará estampada em tantos lábios. Mas, é uma alegria duradoura? É uma alegria verdadeira? Temos, realmente motivo para tanto? Não qualquer alegria, caríssimos, é autêntica alegria! No mundo há dor, solidão, pobreza, doença, morte; no mundo há treva, há nossas lutas interiores, há as quebraduras do nosso coração, nossas frustrações e fracassos, há nossas ansiedades, apreensões e feridas mal curadas... Como, então, alegrar-nos de verdade? Como fazer que nossa alegria não seja uma alienação, uma fuga vazia, uma mentira deslavada? “Alegrai-vos sempre no Senhor”, diz-nos o Apóstolo. E João Batista nos recorda e adverte que tal alegria somente pode ser fruto da sincera conversão que nos une a Deus! Hoje lhe perguntam no evangelho:“Que devemos fazer?” Também nós devemos repetir esta pergunta: Que devemos fazer para bem prepararmos o santo Natal? Que devemos fazer para acolher o Senhor no dia-a-dia? Que devemos fazer para estar de pé diante dele quando ele se manifestar em sua glória? ... E a resposta de João é bem concreta: sede fraternos, sede solidários, sede caridosos, não sejais violentos nem gananciosos! Em outras palavras: Convertei-vos, abri vosso coração! Abrir o coração para os irmãos é abri-lo para acolher o Deus que vem em Jesus! Ora, meus caros, é dessa nossa atitude que dependerá o destino de nossa vida! O santo Messias que esperamos e que sabemos que virá para salvar é aquele que, no fogo do seu Santo Espírito, “virá com a pá na mão: vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga!” Quão triste a nossa situação diante de Cristo se nossa vida não for mais que palha! Serviríamos apenas para sermos queimados no fogo eterno!
Sendo assim, alegremo-nos! Mas, alegremo-nos de verdade! Alegra-se de verdade quem se alegra no Senhor e por causa do Senhor. Alegra-se no Senhor quem o procura com sinceridade no caminho da conversão, amando-o e amando o próximo por amor dele! Façamos sincera revisão de nossa vida, procuremos o sacramento da confissão, mudemos o que em nós precisa ser mudado! É este o caminho para o encontro com Aquele que vem! E que pelas preces de são João Batista, a santa Eucaristia que agora celebramos realize em nós a obra da salvação de Cristo, nos purifique dos pecados e nos prepare para as festas que se aproximam.
dom Henrique Soares da Costa

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“O que devemos fazer?” Essa pergunta aparece três vezes no evangelho deste domingo. Sua resposta traça um programa de vida para os cristãos em suas comunidades. O Natal que está para chegar marca a presença de Deus em nosso meio, “pequeno resto” que procura manter-se fiel ao Senhor. Conosco Deus quer construir nova história e nova sociedade (1º leitura).
A celebração eucarística é o momento em que damos graças ao Pai, por meio de Jesus, no Espírito. Nossa oração, feita de agradecimento e súplica, é momento de discernimento e de compromisso com Jesus e seu projeto (2º leitura), pois ele vai pôr às claras quem somos e o que fazemos para construir sociedade e história novas. A partilha do Pão da vida nos ensina a partilhar os bens da criação, na justiça e no serviço aos marginalizados (evangelho).
1º leitura (Sf. 3,14 - 18a): A história se reinicia com os pobres
Sofonias exerceu sua atividade profética em Jerusalém no tempo do rei Josias (640 - 609 a.C.). Foi, ao que tudo indica, uma das forças que levaram o rei a empreender a reforma político-religiosa após a descoberta, no Templo, do núcleo central do Deuteronômio (caps. 12 - 26).
De acordo com os estudiosos, a parte final de Sofonias (3,9 - 20), à qual pertencem os versículos da leitura deste domingo, não é do profeta, mas de um discípulo seu. Essa parte é um oráculo de restauração, acrescentado depois que os exilados voltaram da Babilônia. O objetivo desse acréscimo é mostrar as mudanças radicais promovidas em Judá. É uma mensagem de esperança dirigida à minoria que sobreviveu à catástrofe nacional (um pequeno resto, v. 13). A história do povo de Deus se reinicia com esse pequeno resto, composto de pobres. Com eles Javé vai construir a nova sociedade.
Os versículos escolhidos para a liturgia deste domingo estão repletos de otimismo, alegria e esperança (v. 14). São um convite à festa, à dança, pois chegou o dia do casamento entre Deus e seu povo (vv. 17 - 18a). O motivo de tanta alegria é este: O Senhor é rei de Israel! (v. 15b; essa expressão é o centro do texto). As mediações políticas (reis), com sua tirania, haviam levado o país à ruína (exílio). Agora, porém, surge nova liderança no meio do povo: é o próprio Deus que se torna rei de Israel, liderando e organizando o pequeno resto, iniciando com os pobres a nova sociedade e a nova história.
Olhando mais de perto o texto, pode-se perceber por que o Senhor é rei de Israel:
1. Ele é o juiz que anula a sentença de morte que pesava sobre o povo (exílio);
2. Ele forçou os inimigos a se retirar, deixando o povo voltar à própria terra;
3. Ele, vencendo os opressores, torna-se o rei de Israel e está no meio do povo como guerreiro e herói que salva;
4. Ele está no meio do povo como companheiro e esposo, com amor renovado.
A função primordial da autoridade política em Israel era defender o povo das ameaças externas, exercendo a justiça dentro do próprio país. Mas os reis de Judá, e sobretudo os de Israel, mostraram-se incompetentes, gananciosos, corruptos e opressores do povo. Quem pagou todos esses desmandos? A vítima foi o povo: os que foram levados para o exílio, mas sobretudo os que ficaram na terra, desorganizados e explorados, tendo de trabalhar para pagar a “dívida externa” do país.
Javé reabilita o povo. Liberta os cativos (as pessoas bem situadas na Babilônia não quiseram retornar) e organiza os que ficaram no país, dando-lhes nova identidade e sendo ele próprio seu líder, defensor e esposo. Com eles celebra novamente a aliança, recomeçando a história com os pobres e marginalizados.
Evangelho (Lc. 3,10 - 18): Como construir a nova história
O texto de hoje mostra alguns dos modos pelos quais João prepara o povo para a vinda do Senhor. Lucas não está preocupado em detalhar toda a atividade de João Batista (cf. v. 18), pois a missão deste visa somente preparar o povo para a novidade trazida por Jesus. De fato, Lucas começa a falar da missão de Jesus apresentando os requisitos básicos contidos na pregação do Precursor. A nova história e a nova sociedade nascem da pregação de João e recebem pleno acabamento na prática de Jesus.
João está no deserto, onde batiza com batismo de conversão os que vão a ele. Sua pregação não leva as pessoas a se fechar em si mesmas ou em grupos. Nesse sentido, ele supera as expectativas dos zelotes, que aguardavam um messias guerreiro, capaz de resolver sozinho todas as graves questões sociais que afetavam o país; sua pregação supera o ritualismo dos fariseus, que pregavam um tipo de conversão voltada para dentro das pessoas, agarrados à observância da lei nos seus detalhes; supera a segregação grupal, como no caso dos essênios de Qumrã, para os quais se fazia necessário “fugir do mundo” para pertencer ao messias que estava para chegar.
O batismo de João quer situar as pessoas diante do julgamento de Deus, e esse julgamento exige renovação total. Nesse sentido, converter-se para acolher o Messias é mudar as relações entre as pessoas, pois os parâmetros da “história oficial” não servem para que as pessoas possam aderir à novidade que está para chegar.
O evangelho de hoje mostra alguns requisitos básicos para construir a nova história. São uma espécie de “programa de vida”:
a. Partilha (v. 11)
Por três vezes encontramos, no trecho deste domingo, a pergunta: “O que devemos fazer?” (vv. 10.12.14). Era a pergunta básica feita, nas comunidades primitivas, por aqueles que se apresentavam ao batismo (cf. At. 2,37). João responde, em primeiro lugar, ao povo. Para construir a nova história, é necessário partilhar: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida faça o mesmo!” (v. 11). A partilha é o primeiro requisito para a construção da nova história e da nova sociedade: partilhar os bens da criação. Note-se que não se trata de esmola: quem tem duas túnicas reparte pela metade o que possui, dando uma a quem não tem. João mostra assim como surge a nova sociedade e a nova história, completamente diferente da “história oficial”, baseada na ganância e no acúmulo de bens em detrimento dos desfavorecidos. Naquele tempo, a maioria das pessoas tinha somente uma muda de roupa. Os ricos tinham duas ou mais. E havia os miseráveis, que andavam literalmente nus. Uma túnica, para a pessoa que tem duas, representa 50% daquilo que possui (veja 19,1ss, Zaqueu).
b. Justiça (vv. 12 - 13)
Os cobradores de impostos também se apresentam a João com a mesma pergunta: “Que devemos fazer?” O povo odiava os cobradores de impostos, pois eram colaboracionistas dos romanos e, por meio da pressão verbal ou da força militar (os soldados que os acompanhavam), exploravam o povo, enriquecendo fácil e ilicitamente. A resposta de João mostra qual é o segundo requisito fundamental para entrar na nova sociedade: “Vocês não devem cobrar mais do que a taxa estabelecida”. A missão de João, porém, é somente preparatória. Para os cobradores de impostos, converter-se significa entrar na justiça do Reino, não se limitando à justiça da “história oficial”. Isso se torna claro se olharmos a conversão de Zaqueu (cf. Lc 19,1 - 10): ele devolve, aos que explorou, mais do que a “justiça dos homens” estipulava.
c. Acabar com os abusos do poder (v. 14)
O terceiro grupo de pessoas que se apresentam a João são os soldados de Herodes Antipas, que acompanhavam os cobradores de impostos. Quando estes não conseguiam roubar o povo mediante pressões verbais, utilizavam-se da força militar da polícia. Esta intimidava, batia, levantava falsas acusações… Assim, cobradores de impostos e polícia viviam à sombra da impunidade e da tutela dos poderosos. Estavam entre os maiores violadores dos direitos humanos. Aos “homens da lei” João dá esta ordem: “Não tomem pela força o dinheiro de ninguém nem façam acusações falsas: fiquem contentes com o seu soldo!” Os abusos de poder não levam a construir sociedade e história novas.
d. Jesus vai eliminar o mal (vv. 15 - 18)
O programa de vida apresentado na pregação de João suscitou expectativas messiânicas no povo, que se pergunta se o Batista não seria o Messias (v. 15). A resposta de João o identifica como precursor da grande novidade. Ele é o que prepara a comunidade para o encontro com o esposo, o qual vai “batizar com o fogo do Espírito Santo” (v. 16). O Messias é Jesus. É ele quem vai realizar, com o povo que o segue, a nova história e a nova sociedade. Ele possui um “Espírito” que é novo, portador da própria santidade divina. O programa de vida de João é simples preparação para a acolhida do Messias.
O Messias vai trazer o julgamento à terra. O julgamento é descrito sob a metáfora do agricultor que, na eira, separa os grãos da palha: ele recolhe os grãos no celeiro e queima a palha (v. 17). A missão de Jesus vai mostrar “quem é quem” na sociedade e na história. Vai desmascarar a “história oficial”, cujo projeto é de morte. Urge, portanto, optar pela nova sociedade, associando-se aos que praticam a justiça que manifesta a presença do reino da vida.
2º leitura (Fl. 4,4 - 7): Alegrem-se sempre no Senhor
Os Atos dos Apóstolos (16,11-40) mostram como foi a fundação da comunidade de Filipos. Ela surgiu na casa de uma senhora de nome Lídia e em torno da família do carcereiro do qual Paulo salvou a vida. Filipos foi a primeira cidade da Europa a receber o anúncio do evangelho. A comunidade cristã nascida nessa cidade se caracterizou por estabelecer relacionamento estreito e solidário com a missão de Paulo, que tinha como norma não receber bens em troca de pregação. Mas com os filipenses foi diferente.
A comunidade ficou sabendo da prisão de Paulo (provavelmente em Éfeso, entre os anos 56 e 57) e lhe mandou uma ajuda, manifestando assim a solidariedade com o apóstolo e, sobretudo, com a causa do evangelho.
A carta aos Filipenses é uma coleção de três bilhetes que Paulo escreveu a essa comunidade em breve espaço de tempo. Cada um desses bilhetes tem preocupação própria. O texto de hoje contém algumas recomendações feitas em nome do Senhor. O apóstolo ficou sabendo que havia desentendimento entre duas mulheres líderes da comunidade. Isso causou divisões e descontentamento. Depois de fazer um apelo ao diálogo e à união das lideranças, Paulo convoca todos à alegria, um dos temas fortes da carta.
Ser cristão é motivo de alegria; é também apelo ao equilíbrio: “Como cristãos, alegrem-se sempre! Repito: Alegrem-se! Que todo o mundo note que vocês são compreensivos (= equilibrados). O Senhor está próximo” (4,4 - 5). A união da comunidade em torno de um objetivo comum – o projeto de Deus – é propaganda para os que estão fora da comunidade: vendo a união e a harmonia dos membros, os de fora percebem que o Senhor está próximo, morando no meio das pessoas (cf. 1 leitura).
O equilíbrio é remédio para os momentos de tensão. Paulo não ignora as dificuldades internas e externas enfrentadas pela comunidade. Por isso pede que tudo seja resolvido em clima de diálogo com as pessoas e com Deus, na oração: “Não se angustiem com nada, mas sempre, em orações e súplicas e com ação de graças, apresentem suas necessidades a Deus” (v. 6). Nem sempre o discernimento é suficiente para chegar à paz de Deus. Mas esta, uma vez buscada com vontade e coragem, será capaz de orientar, modificar ou aperfeiçoar as opções que a comunidade fez: a paz de Deus, que vai além de todo entendimento humano, guardará seus corações (a sede das opções profundas) e pensamentos em sintonia com o projeto de Cristo Jesus (cf. v. 7).

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Alegria e conversão
Estamos no terceiro domingo do tempo do advento. É o domingo “Gaudete”, da alegria.  Usa-se a cor rosa para a celebração da missa.  Respira-se não de uma alegria eufórica, mas suave e terna.
Sofonias:  “Não temas,  Sião, não se te deixes levar pelo desânimo!  O Senhor teu Deus está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva; ele exultará de alegria  por ti, movido por amor; exultará por ti entre louvores como nos dias de festa”.
Alegria, festa, exultação… Vejamos o que nos ensina o comentário do Missal Dominical da Paulus:  “O fato de ter nos céus um Pai comum que nos ama e com quem podemos nos encontrar, não pode deixar de ser uma fonte de alegria para os cristãos, alegria que deve ser comunicada, dada aos irmãos.  Muitos deram do cristianismo  uma idéia falsa. Outros não fazem senão bocejar durante a assembléia eucarística.  Nossa época, excessivamente problemática, perdeu o gosto pelo festivo e pela fantasia. Ainda celebramos  festas, mas faltam geralmente, vida e emoção autênticas. Até as festas mais tradicionais  têm algo de vazio e frenético.  Simulamos ansiosamente, até obstinadamente, que nos divertimos, mas no fundo percebemos a falta de algo autêntico. A nossa fantasia  também se tornou anêmica: o cinema e a televisão substituíram desastradamente os nossos sonhos.  O homem é, por natureza, uma criatura que não só trabalha e pensa, mas canta, dança, reza, dialoga, celebra.  Festividade e fantasia, juntamente,  permitem ao homem experimentar o presente de modo mais rico, alegre e criativo.  Estamos talvez assistindo hoje a um renascimento   dessas faculdades  que a era da industrialização havia abolido;  também na igreja, o canto, a cor, o momento e novas formas de música assinalam a redescoberta da celebração” (p. 66).
João, por sua vez,  nos convida à conversão. Os que experimentam a alegria da proximidade do Senhor ou os que desejam dele se acercar  haverão de ser pessoas livres do egoísmo e de seus interesses pequenos. Os que tiverem duas túnicas darão uma ao que não tem. Os que têm comida partilharão com que não tem.  Não se haverá de explorar ninguém.  Cobra-se o que foi combinado e não mais.  Os que exercem cargos de segurança publica  ajam com honestidade e não entrem em esquemas de suborno e de corrupção… Quanta atualidade!
Domingo da alegria e domingo em que  João,  o Batista, nos convida novamente a uma transformação do coração: generosidade, decentrar-se de si mesmo, ser para…
frei Almir Ribeiro Guimarães
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Alegria por causa da proximidade de Deus
Quando a esperada vinda está finalmente para se realizar e todos os sinais a confirmam, a esperança e a preparação se transformam em alegria e júbilo. A curto prazo, a perspectiva da vinda transforma-se em antecipação da presença. Tal é o espírito do terceiro domingo do Advento. Neste ano C, é lido o texto que deu seu nome ao presente domingo: Gaudete, “Alegrai-vos” (FI. 4, 4-7; 2ª leitura)O sentimento de viver na presença do Senhor deve produzir no cristão não apenas uma profunda alegria, mas também um novo tipo de relacionamento com seus irmãos humanos: O epieikes, o bom grado – o cristão não apenas tem alegria, mas é uma alegria para quem o encontra. Será verdade?
No evangelho, os que acolhem a pregação do Batista lhe pedem normas de comportamento em vista da vinda do Messias. Essas normas se resumem em uma só palavra: ser gente. Estamos acostumados demais a estes textos para lhes descobrir novidade. O normal que se esperaria do profeta e asceta seria: exercícios de penitência, jejum e cilício. Nada disso. Repartir aquilo que temos. Para os fiscais de imposto: serem honestos. Para os soldados: não molestar as pessoas e contentar-se com seu soldo. Ser gente, esta é a exigência quando o Reino de Deus acontece no meio de nós.
João sanciona essas orientações proclamando o significado decisivo do que está acontecendo e explica o sentido verdadeiro de seu sinal (seu “sacramento”), o batismo. É um sinal do verdadeiro batismo, que um mais forte do que ele vem administrar: o banho no Espírito e no fogo: no Espírito, para os justos, que serão impelidos pelo espírito de Deus, transformados em profetas (cf. Jl. 3) e santos; no fogo, para os ímpios, que queimarão como o refugo na hora da ceifa. Pois o “mais forte” já está com a pá na mão para limpar o grão no terreiro.
Sofonias, numa linguagem que se aproxima do Segundo Isaías, proclama promessas de salvação. Javé revogou a sentença contra seu povo. Os povos felicitarão a “Filha (de) Sião”, Jerusalém, ou seja, o povo de Israel, porque Javé se revela no meio dela como um herói vencedor (1ª leitura).
Os textos de hoje mostram bem o duplo sentido que a presença de Deus toma em nossa vida, em nosso mundo. A proximidade do Santo não é necessariamente terrível e mortal, como sugerem muitos textos do A.T., para o homem impuro. Para quem se converteu a Deus, sua proximidade é confirmação, força, razão de alegria. Quem dá a impressão de viver na presença de um Deus que o deprime, mostra uma falha em si mesmo. Quem, porém, se entregou a Deus e se sente bem com ele, é uma alegria para seus irmãos.
Isso vale também para a Igreja. Não podemos duvidar de que Deus está com ela. Mas será que ela está com Deus? Quando ela é um peso para os homens (não por sua exigência de fidelidade e virtuosa caridade, mas por seu egoísmo grupal, mesquinhez ou sei lá quê), ela mostra que a vinda de Deus não a transformou …
A alegria de Deus só se torna palpável em nós, quando realmente o desejamos em nosso meio. Não será grande parte da “tristeza” do cristianismo a conseqüência de os cristãos não desejarem Deus como centro de sua vida, de sua comunidade, de sua “cidade”? Reis cristãos exerceram atroz opressão em nome de Cristo, porque seu interesse não era a vinda de Cristo, com sua boa-nova libertadora para os pobres (aclamação ao evangelho), mas a implantação do próprio poder. Era uma cristandade ambígua, sem desejo de Deus e, portanto, sem alegria em lhe servir. Ouvimos hoje um apelo para nos libertar de nossos egoísmos pessoais e grupais (Fl. 4,6). Então, Deus será reconhecível como aquele que é forte em nós e em nosso meio, e nossa própria existência e comunidade será o Evangelho por excelência.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Hoje, no Evangelho, João é procurado por uma multidão de pessoas e também por dois grupos distintos. Um deles são os coletores de impostos que adquiriam muitos lucros porque cobravam os impostos excessivamente, e o outro eram os soldados judeus. Todos estavam ansiosos pelo anúncio da vinda do Messias prometido por Deus e perguntavam a João como deveriam se comportar para recebê-lo.
João impõe um comportamento de conversão, uma nova relação com Deus e com o próximo. Ele não pede que abandonem suas funções, mas que a pratiquem com justiça e honestidade, e ensina que é preciso repartir o que têm e não explorar, e ter atitudes de compaixão, não oprimindo o próximo. Ele explica, também, que o Messias esperado tem poder sobre tudo porque é o enviado de Deus para transformar e salvar aqueles que querem se comprometer com uma conversão interior verdadeira.
A expectativa da vinda do Messias era grande e João Batista foi um dos enviados por Deus para prepará-la. Ele é o último dos profetas e fez muitos discípulos seus, que depois seguiram a Jesus.
O anúncio de João é convincente e provoca discussão sobre qual dos dois seria o Messias, o mais importante: João ou Jesus?
João declara que não é o Messias, é o precursor da grande novidade e sua missão é apontar Jesus e anunciar a Sua presença e ação no mundo, preparando a comunidade para o encontro com o Jesus, que irá “batizar com o fogo do Espírito Santo”. O Messias é Jesus, Aquele que vai realizar com o povo que o segue a nova história e a nova sociedade. Ele possui um Espírito que é portador da própria Santidade Divina. João afirma que nem sequer é digno de ser seu escravo, na expressão ‘não sou digno de desamarrar a correia das sandálias’. Para mostrar sua inferioridade ele compara o seu batismo com o de Jesus, pois o que faz é apenas um sinal ritual que mostra exteriormente o que a pessoa deve ser interiormente, e o batismo de Jesus é um ato de Deus que traz Salvação – o Espírito Santo, e julgamento – o fogo.
O julgamento é descrito sob a metáfora do agricultor que separa os grãos da palha, a pá (peneira) que ele fala é usada para fazer essa separação e serve para levantar o fruto que, sendo mais pesado cai mais rapidamente, enquanto a palha é soprada e separada para ser queimada mais tarde.
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Testemunho da luz
A pessoa e a missão de Jesus é que definiram a identidade de João Batista. Este fora enviado por Deus para ser testemunho da luz. Mediante sua pregação, muitas pessoas teriam a chance de chegar à fé e serem iluminadas pela luz, que é Jesus. A atividade de João preparava a chegada de Jesus, predispondo as pessoas para recebê-lo.
O pressuposto de seu ministério era que a humanidade estava mergulhada nas trevas e, por isso, vagava errante pelo caminho do pecado e da injustiça. Se não lhes fosse oferecida uma luz, não teriam condições de superar esta situação. Entretanto, o Pai decidira resgatar o ser humano para a vida. E o fez, por meio de seu Filho Jesus, cujo ministério consistiria em ser luz para o ser humano, mostrando-lhe o caminho para o Pai.
João Batista compreendeu este projeto de Deus e se colocou a serviço dele. Sua condição de servidor do Messias estava arraigada em sua consciência. Não cedeu à tentação de pensar de si mesmo, além do que correspondia ao plano de Deus. Não lhe cabia nenhuma das identificações do Messias, em voga na teologia popular. Ele não era nem o Messias, nem Elias, nem algum dos profetas. Era, simplesmente, um servo de Deus e do seu Messias. Este título era suficiente para defini-lo. Tudo o mais não passava de especulação.
padre Jaldemir Vitório
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“Alegrai-vos sempre no Senhor, eu repito alegrai-vos”. Estamos no domingo da alegria. Alegria porque o Senhor vem, alegria porque somos seguidores do Deus da paz e do amor. É a alegria que os anjos anunciam aos pastores: “Eis que vos anuncio uma grande alegria...”. Deste modo, precisamos entender que a alegria não é resultado das coisas que acontecem ao nosso redor, ela não pode ser achada fora de nós. A alegria é consequência da presença salvadora de Cristo. É surpreendente a Epístola aos Filipenses ser chamada carta da alegria, quando sabemos que ela foi escrita quando São Paulo estava na prisão. Como este homem pode falar com tanto ânimo em uma situação tão triste? Eis a lição para cada um de nós. Não importa o que nos oprime, o que nos deprime; muitas podem ser as nossas prisões, até o pecado. Poderíamos ser fatalistas, achando que não há solução. Mas São Paulo dá uma receita melhor: apresentar nossas necessidades em súplicas e orações. O cristão é aquele que ora com confiança a Deus, colocando a sua vida nas mãos do Pai. Segue em frente, porque tem a certeza de que Deus dá a fortaleza. Por fim, o apóstolo recomenda a ação de graças: agradecer por tudo o que recebemos, mesmo pelas coisas não tão boas. Filipenses nos faz um convite para parar de reclamar da vida, assumindo-a com a alegria de quem tem a certeza da vitória de Deus.
O Evangelho traz o conteúdo da pregação de João Batista. Sugere três aspectos de conversão.
a) “repartir as túnicas...”. É preciso sair do nosso egoísmo e aprender a partilhar. É tão bonito ver distribuição de alimentos, brinquedos, doces e roupas no fim de ano. Mas que não seja um desencargo de consciência. Que acima de tudo seja um gesto de partilha, de amor por aqueles que são pequenos, que sofrem as dores do próprio Cristo. Se solidário é ter um coração que se importa com o sofrimento alheio, seja qual for.
b) “Não cobreis mais do que foi estabelecido”. É preciso quebrar os esquemas de exploração e proceder com justiça. Vencer o lema de Gerson que clama ao desejo de levar vantagem em tudo. A honestidade começa nas pequenas coisas.
c) “Não tomeis a força o dinheiro de ninguém...”. É preciso renunciar à violência e à prepotência e respeitar os irmãos. Não adianta se emocionar com os sensacionalismos dos programas de auditório, e depois ser violento com as pessoas que residem conosco, intransigentes no trânsito, na fila do comércio... Não podemos nos utilizar de nenhum privilégio ou cargo para oprimir ou tratar mal alguém. É preciso que transpareçamos a ternura do Evangelho.
Vivamos a alegria e a conversão, preparando-nos para o Jesus que vem. “Procuremos acender uma vela em vez de amaldiçoar a escuridão” (provérbio Chinês).
padre Roberto Nentwig
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Anúncio libertador e coerente
João Batista faz seu anúncio profético nas regiões vizinhas da Judeia ("além do Jordão", conforme o evangelho de João - 1,28; 3,26; 10,40), inaugurando um forte movimento renovador, a partir da ruptura com a doutrina e o culto do Templo de Jerusalém e com a sua linhagem sacerdotal. Com seu anúncio libertador e coerente, atrai as multidões e reúne discípulos em torno de si. O próprio Jesus vem de sua cidade, Nazaré da Galileia, para ser batizado por João.
João, com o rito simbólico de seu batismo, conclamava o povo à conversão (metanóia). Conversão significa mudança de vida, mudança de comportamento e de valores. Em relação a algumas outras práticas religiosas de abluções (purificação com água) existentes, o batismo de João era uma inovação. Ele significava um compromisso com a prática da justiça, através da qual o pecado é removido. Assim, fica descartada a tradição segundo a qual se devia buscar a purificação dos pecados através de ofertas e sacrifícios de animais a serem praticados pelos sacerdotes do Templo de Jerusalém.
Àqueles que a ele vinham, julgando-se justificados e salvos por serem "filhos de Abraão", João incitava à conversão com uma nova prática de vida, dizendo-lhes: "Produzi fruto digno de arrependimento e não penseis que basta dizer: 'Temos por pai a Abraão'. Pois eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão".
Em resposta às multidões que o procuravam, João apresenta o essencial da nova prática a ser assumida a partir do compromisso do batismo. Com as recomendações de partilhar as túnicas e a comida, não cobrar nada além do estabelecido (aos publicanos), de não maltratar a ninguém, não fazer falsas denúncias e não extorquir dinheiro (aos soldados), fica caracterizada a efetiva conversão pelo amor e pela prática da justiça, na solidariedade com os mais fracos e empobrecidos.
Jesus se fez discípulo de João, contudo, amplia seu movimento com um novo caráter. O seu anúncio inicial é o mesmo de João: a conversão ao Reino de Deus que está próximo. Entretanto, a sua novidade é o dom do Espírito e da vida eterna àqueles que aderirem ao Reino, que é a vida plena para todos. A prática da justiça, decorrente da conversão e do compromisso do batismo anunciado por João, alcança, assim, uma dimensão de participação na vida divina e de eternidade, no Espírito.
Depois da morte de João Batista, seus discípulos continuarão com um movimento em paralelo ao movimento que também foi iniciado por Jesus, conforme se pode perceber em várias passagens do Segundo Testamento. Ao escreverem as memórias de João Batista, os evangelistas, a fim de atrair para o movimento de Jesus aqueles que permaneciam fiéis como discípulos de João, procuram caracterizá-lo como alguém que conscientemente se coloca em posição subalterna a Jesus.
Em clima de expectativa do Advento, ao renovarmos a consciência da presença de Jesus encarnado entre nós, Filho de Deus e eterno, enchemo-nos de alegria. "O Senhor está a teu lado... apaixonado de amor por ti" (primeira leitura). "Alegrai-vos sempre no Senhor"!
José Raimundo Oliva
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O tema deste 3º Domingo pode girar à volta da pergunta: “e nós, que devemos fazer?” Preparar o “caminho” por onde o Senhor vem significa questionar os nossos limites, o nosso egoísmo e comodismo e operar uma verdadeira transformação da nossa vida no sentido de Deus.
O Evangelho sugere três aspectos onde essa transformação é necessária: é preciso sair do nosso egoísmo e aprender a partilhar; é preciso quebrar os esquemas de exploração e de imoralidade e proceder com justiça; é preciso renunciar à violência e à prepotência e respeitar absolutamente a dignidade dos nossos irmãos. O Evangelho avisa-nos, ainda, que o cristão é “baptizado no Espírito”, recebe de Deus vida nova e tem de viver de acordo com essa dinâmica.
A primeira leitura sugere que, no início, no meio e no fim desse “caminho de conversão”, espera-nos o Deus que nos ama. O seu amor não só perdoa as nossas faltas, mas provoca a conversão, transforma-nos e renova-nos. Daí o convite à alegria: Deus está no meio de nós, ama-nos e, apesar de tudo, insiste em fazer caminho connosco.
A segunda leitura insiste nas atitudes corretas que devem marcar a vida de todos os que querem acolher o Senhor: alegria, bondade, oração.
LEITURA I – Sof. 3,14-18a
Leitura da Profecia de Sofonias
Clama jubilosamente, filha de Sião;
solta brados de alegria, Israel.
Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém.
O Senhor revogou a sentença que te condenava,
afastou os teus inimigos.
O Senhor, Rei de Israel, está no meio de ti
e já não temerás nenhum mal.
Naquele dia, dir-se-á a Jerusalém:
«Não temas, Sião,
não desfaleçam as tuas mãos.
O Senhor teu Deus está no meio de ti,
como poderoso salvador.
Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo,
renova-te com o seu amor,
exulta de alegria por tua causa,
como nos dias de festa».
AMBIENTE
O profeta Sofonias prega em Jerusalém, durante a primeira fase do reinado de Josias (séc. VII a.C.). Nas décadas anteriores, o rei ímpio Manassés abriu o país aos costumes dos povos vizinhos, erigiu altares aos deuses estrangeiros (chegando a colocar no templo de Jerusalém a imagem da deusa Astarte), dedicou-se à adivinhação e à magia e multiplicou as injustiças, sobretudo contra os mais pobres e mais débeis. Entretanto, subiu ao trono o rei Josias, que procurou alterar este estado de coisas e promover uma verdadeira reforma religiosa; mas, na época em que Sofonias exerce o seu ministério profético, os erros de Manassés ainda se fazem sentir.
Neste contexto, Sofonias ataca a idolatria cultual, as injustiças, o materialismo, a despreocupação religiosa, os abusos da autoridade: todo este quadro configura uma situação de grave infidelidade à “aliança”; Deus não irá, diz o profeta, pactuar com esta situação.
No entanto, a intenção de Sofonias não é somente anunciar o castigo… A sua mensagem é, antes de mais, um apelo à conversão, primeiro passo para a salvação. O que o profeta pede ao seu Povo é que se volte de novo para Jahwéh, assuma as suas responsabilidades para com Deus e viva de acordo com os compromissos assumidos no âmbito da “aliança”. O texto que vamos ver, no entanto, está incluído nas “promessas de salvação”: aí, o profeta traça o quadro desse tempo novo de alegria e de felicidade, que há-de suceder-se à conversão de Judá.
MENSAGEM
O texto que hoje nos é proposto é um convite à alegria, porque foi revogada a sentença que condenava Judá. O amor de Deus pelo seu Povo venceu. A partir de agora, Deus residirá no meio do seu Povo; e essa nova comunhão entre Jahwéh e Judá é uma garantia de segurança, de felicidade e de vida em plenitude. Mais: o amor de Deus – esse amor que nada consegue desmentir nem apagar – vai renovar o coração do Povo e fazer com que Judá volte para os caminhos da “aliança”; e o próprio Deus Se alegrará com essa transformação.
ATUALIZAÇÃO
A reflexão e atualização da Palavra podem fazer-se à volta dos seguintes pontos:
• Nunca é demais sublinhar a essência de Deus: o amor. Neste texto, o amor de Deus não só introduz na relação com o Povo um dinamismo de perdão; mas esse amor faz ainda mais: provoca a própria conversão do Povo. Esta consciência de que Deus nos ama, muito para além das nossas falhas e fraquezas, e que o seu amor nos transforma, nos torna menos egoístas e mais humanos, é uma das mais belas constatações que os crentes podem fazer.
• O que renova o mundo e o transforma não é o medo, mas o amor. O medo provoca insegurança, pessimismo, angústia, sofrimento, bloqueamento; o amor é que faz crescer, é que cria dinamismos de superação, é que nos torna mais humanos, é que nos faz confiar, é que potencia o encontro e a comunhão… Devemos ter isto bem presente quando formos chamados a anunciar o Evangelho e a proclamar a proposta de salvação que o nosso Deus faz aos homens.
• Também é necessário sublinhar a constatação de que Deus não desiste de vir ao nosso encontro e de residir no meio de nós. Ele tem uma proposta de salvação que quer, a todo o custo, apresentar-nos. Não é uma constatação consoladora, frente às dificuldades, às angústias, às inseguranças que dia a dia preenchem a nossa existência?
• Finalmente, convém notar o apelo à alegria… A constatação de que Deus nos ama e que reside no meio de nós com uma proposta de salvação e de felicidade para todos os que O acolhem não pode provocar senão uma imensa alegria no coração dos crentes. Damos sempre testemunho dessa alegria? Será que as nossas comunidades são espaços onde se nota a alegria pelo amor e pela presença de Deus?
SALMO RESPONSORIAL – Is. 12,2-3.4bcd.5-6
Refrão 1: Exultai de alegria,porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.
Refrão 2: Povo do Senhor, exulta e canta de alegria.
Deus é o meu Salvador,
tenho confiança e nada temo.
O Senhor é a minha força e o meu louvor.
Ele é a minha salvação.
Tirareis água com alegria das fontes da salvação.
Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome;
anunciai aos povos a grandeza das suas obras,
proclamai a todos que o seu nome é santo.
Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,
anunciai-as em toda a terra.
Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião,
porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.
LEITURA II – Filip. 4,4-7
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
Irmãos:
Alegrai-vos sempre no Senhor.
Novamente vos digo: alegrai-vos.
Seja de todos conhecida a vossa bondade.
O Senhor está próximo.
Não vos inquieteis com coisa alguma;
mas em todas as circunstâncias,
apresentai os vossos pedidos diante de Deus,
com orações, súplicas e ações de graças.
E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência,
guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.
AMBIENTE
Paulo, na prisão, recebeu a ajuda fraterna dos Filipenses. Retribui com uma carta em que manifesta o seu afeto pela comunidade cristã de Filipos. Depois de agradecer a Deus pela sensibilidade dos Filipenses ao anúncio do Evangelho (cf. Flp. 1,11), de informar a comunidade sobre a sua situação pessoal (cf. Flp. 1,12-26), de dirigir exortações várias à comunidade (cf. Flp. 1,27-2,18), de dar notícias sobre Timóteo e Epafrodito (cf. Flp. 2,19-30) e de denunciar as acusações que lhe fazem os seus adversários (cf. Flp. 3,1-21), Paulo – consciente de que ainda nem tudo é perfeito nesta comunidade exemplar – apresenta um conjunto de recomendações diversas de caráter prático. Este texto contém algumas dessas recomendações.
MENSAGEM
A primeira e mais importante recomendação de Paulo é um convite à alegria. Trata-se de algo tão fundamental, que Paulo repete duas vezes no espaço de um versículo: “alegrai-vos”. A palavra aqui utilizada (o verbo “khairô”) leva-nos a essa “alegria” (“khara”) que os anjos anunciam aos pastores, a propósito do nascimento de Jesus em Belém. É, portanto, uma alegria que resulta da presença salvadora do Senhor Jesus no meio dos homens. Depois, Paulo acrescenta outras recomendações: a bondade, a confiança, a oração (de súplica e de ação de graças). São estas algumas das atitudes que devem acompanhar o cristão que espera a vinda próxima do Senhor: alegria, porque a sua libertação plena está a chegar; tolerância e mansidão para com os irmãos; serena confiança em Deus; diálogo com Deus, agradecendo-Lhe os dons e apresentando-Lhe as suas dores e dificuldades.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão deste texto pode tocar os seguintes aspectos:
• A alegria, constitutiva da experiência cristã, deve estar especialmente presente neste tempo de espera do Senhor. Não é uma alegria que resulta dos êxitos desportivos da nossa equipa, nem do nosso êxito profissional, nem do aumento da nossa conta bancária, mas é uma alegria pela presença iminente do Senhor nas nossas vidas, como proposta libertadora. É a certeza da presença libertadora do Senhor que a nossa alegria deve anunciar aos homens nossos irmãos.
• A bondade e a indulgência com que acolhemos os que nos rodeiam têm de ser, também, distintivos de quem espera o Senhor. Será possível que Deus nasça quando o caminho do nosso coração está fechado com cadeias de intolerância, de prepotência, de incompreensão?
• A espera do Senhor faz-se, também, num diálogo contínuo com Ele. Não é possível estar disponível para O acolher, quando estamos indiferentes e não partilhamos com Ele, a cada instante, as nossas alegrias e as nossas dificuldades, os nossos sonhos e as nossas esperanças. Não é possível acolher alguém com quem não comunicamos e de quem não nos sentimos próximos.
ALELUIA – Is 61,1
Aleluia. Aleluia.
O Espírito do Senhor está sobre mim:
enviou-me a anunciar a Boa Nova aos pobres.
EVANGELHO – Lc 3,10-18
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo,
as multidões perguntavam a João Baptista:
«Que devemos fazer?»
Ele respondia-lhes:
«Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma;
e quem tiver mantimentos faça o mesmo».
Vieram também alguns publicanos para serem batizados
e disseram:
«Mestre, que devemos fazer?»
João respondeu-lhes:
«Não exijais nada além do que vos foi prescrito».
Perguntavam-lhe também os soldados:
«E nós, que devemos fazer?»
Ele respondeu-lhes:
«Não pratiqueis violência com ninguém
nem denuncieis injustamente;
e contentai-vos com o vosso soldo».
Como o povo estava na expectativa
e todos pensavam em seus corações
se João não seria o Messias,
ele tomou a palavra e disse a todos:
«Eu batizo-vos com água,
mas está a chegar quem é mais forte do que eu,
e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias.
Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo.
Tem na mão a pá para limpar a sua eira
e recolherá o trigo no seu celeiro;
a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga».
Assim, com estas e muitas outras exortações,
João anunciava ao povo a Boa Nova».
AMBIENTE
O Evangelho de hoje vem na sequência daquele que refletimos no passado domingo: o profeta João Baptista indica, com pormenores concretos e a grupos concretos, como proceder para percorrer esse caminho de “metanoia” e preparar a “vinda do Senhor”.
MENSAGEM
A primeira parte do Evangelho de hoje (vers. 10-14) é uma secção própria de Lucas. Pôr as pessoas as perguntar “o que devemos fazer” é habitual em Lucas (cf. Act. 2,37; 16,30; 22,10): sugere uma abertura à proposta de salvação que vem de Deus. João Baptista propõe, então, três atitudes concretas para quem quer fazer a experiência de conversão e de encontro com o Senhor que vem: ao povo em geral, João Baptista recomenda a sensibilidade às necessidades de quem nada tem e a partilha dos bens; aos publicanos, pede que não explorem, que não se deixem convencer por esquemas de enriquecimento ilícito, que não despojem ilegalmente os mais pobres; aos soldados, pede que não usem de violência, que não abusem do seu poder contra fracos e indefesos… Repare-se como João Baptista põe em relevo os “crimes contra o irmão”: tudo aquilo que atenta contra a vida de um só homem é um crime contra Deus; quem o comete, está a fechar o seu coração e a sua vida à proposta libertadora que Cristo veio trazer.
Na segunda parte do Evangelho (vers. 15-18), João Baptista anuncia a chegada do batismo no Espírito Santo, contraposto ao batismo “na água” de João. O batismo de João é, apenas, uma proposta de conversão; mas o batismo de Jesus consiste em receber essa vida de Deus que atua no coração do homem, transforma o homem velho em homem novo, faz do homem egoísta e fechado em si um homem novo, capaz de partilhar a vida e amar como Jesus. Faz-se, aqui, referência a essa transformação que Cristo operará no coração de todos os que estão dispostos a acolher a sua proposta de libertação: começará, para eles, uma nova vida, uma vida purificada (fogo), uma vida de onde o pecado e o egoísmo foram eliminados, uma vida segundo Deus. Para Lucas, este anúncio do profeta João concretizar-se-á plenamente no dia de Pentecostes.
ATUALIZAÇÃO
Elementos para a reflexão e atualização da Palavra:
• “E nós, que devemos fazer?” A expressão revela a atitude correta de quem está aberto à interpelação do Evangelho. Sugere-se aqui a disponibilidade para questionar a própria vida, primeiro passo para uma efetiva tomada de consciência do que é necessário transformar.
• Os bens que temos à nossa disposição são sempre um dom de Deus e, portanto, pertencem a todos: ninguém tem o direito de se apropriar deles em seu benefício exclusivo. As desigualdades chocantes, a indiferença que nos leva a fechar o coração aos gritos de quem vive abaixo do limiar da dignidade humana, o egoísmo que nos impede de partilhar com quem nada tem, são obstáculos intransponíveis que impedem o Senhor de nascer no meio de nós. As nossas comunidades e nós próprios damos testemunho desta partilha que é sinal do Reino proposto por Jesus?
• Os publicanos eram aqueles que extorquiam dinheiro de modo duvidoso, despojando os mais pobres e enriquecendo de forma ilícita. Que dizer dos modernos esquemas imorais (às vezes lícitos, mas imorais) de enriquecimento rápido? Que dizer da corrupção, do branqueamento de dinheiro sujo, da fuga aos impostos, das taxas exageradas cobradas por certos serviços, das falcatruas? Será possível prejudicar conscientemente um irmão ou a comunidade inteira e acolher “o Senhor que vem”?
• “Não exerçais violência sobre ninguém”… E os atos de violência, que tantas vezes atingem inocentes e derramam sangue ou, ao menos, provocam sofrimento e injustiça? E os atos gratuitos de terrorismo, ainda que sejam mascarados de luta pela libertação? E a exploração de quem trabalha, a recusa de um salário justo, ou a exploração de imigrantes estrangeiros? E as prepotências que se cometem nos tribunais, nas repartições públicas, na própria casa e, tantas vezes, nas recepções das nossas igrejas? Neste quadro, é possível acolher Jesus?
• Ser cristão é ser batizado no Espírito, quer dizer, é ser portador dessa vida de Deus que nos permite testemunhar Jesus e a sua proposta. O que é que conduz a nossa caminhada e motiva as nossas opções – o Espírito, ou o nosso egoísmo e comodismo?
ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 3º DOMINGO DO ADVENTO
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)
1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 3º Domingo do Advento, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.
2. GESTO PARA O INÍCIO DA CELEBRAÇÃO.
Convidar a assembléia à alegria… Sem ler o texto, mas fazendo-lhe referência, o presidente poderá alimentar a sua palavra de abertura com o apelo que Paulo lança aos Filipenses na segunda leitura: “Irmãos: alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos. O Senhor está próximo”.
3. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.
No final da primeira leitura:
“A nossa felicidade está em Ti, Senhor nosso Deus. Nós Te dirigimos as nossas orações e os nossos gritos de alegria, porque vieste habitar no meio de nós por Jesus teu Filho, o Ressuscitado.
Nós Te pedimos por todos os homens nossos irmãos que a obscuridade do mal e do ódio mergulhou na tristeza: que a salvação venha até eles”.
No final da segunda leitura:
“Pai, nós Te damos graças pela alegria que nos dás e que vem de Jesus, porque está completamente próximo de nós, como Luz nas trevas e Paz nas inquietudes da existência.
Nós Te pedimos: que a paz do teu Espírito guarde os nossos corações e as nossas inteligências em Cristo Jesus”.
No final do Evangelho:
“Deus fiel, bendito és Tu pela Boa Nova anunciada por João Baptista e pelo caminho de conversão que ele abria aos teus fiéis. Bendito és Tu pelo batismo no Espírito Santo que Jesus nos deu.
Doravante, é a Jesus que nós pedimos: «Que devemos fazer?» Nós Te pedimos: que o teu Espírito nos faça conhecer a tua vontade”.
4. BILHETE DE EVANGELHO.
Deus não pede a mesma coisa aos cobradores de impostos e aos soldados, mas pede a todos para fazerem algo que manifeste mais justiça, mais generosidade, mais paz… É no momento em que os homens se deixam batizar na água do Jordão que perguntam o que devem fazer. Se vêm encontrar João Baptista, é porque procuram converter-se, procuram tornar-se homens novos. Aceitam viver outra coisa a fim de se tornarem outros. Mas vem o dia, anuncia o Percursor, em que a conversão não é apenas obra do homem, mas ação comum de Deus e dos homens: vem Aquele que batizará no Espírito Santo e no fogo para fazer surgir um mundo novo e varrer o velho mundo. A Boa Nova que João Baptista anuncia ao povo é precisamente a intervenção de Deus em pessoa pela vinda do Messias que vai comprometer a humanidade nesta renovação radical, fruto da Aliança Nova selada entre Deus e a humanidade, Aliança com os dois parceiros da salvação: Deus e o homem.
5. À ESCUTA DA PALAVRA.
“Que devemos fazer?” Esta questão é posta três vezes a João Baptista, pelas multidões, pelos publicanos, pelos soldados. João não parece ser muito exigente nas respostas. Nada de extraordinário. Não pede para saírem do real das suas vidas. Por exemplo, exorta as multidões à partilha com os mais pobres. Hoje, dir-nos-ia para transformarmos a festa comercial de Natal numa ocasião de partilha mais generosa. A atenção ao quotidiano sugerir-nos-á como partilhar! Não são necessárias coisas extraordinárias. Basta deixar iluminar pela Boa Nova de Jesus a nossa vida de todos os dias…
6. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Neste domingo que convida à alegria, pode-se escolher a Oração Eucarística II da Missa com Crianças: “Sim, bendito seja o teu enviado, o amigo dos pobres e dos pequenos… Ele veio arrancar do coração do homem o mal que impede a amizade, o ódio que impede de ser feliz…”
7. PALAVRAS PARA O CAMINHO…
• No dia 8 de Dezembro, a Igreja festejou a Imaculada Conceição da Virgem Maria. O que Paulo recomenda na segunda leitura, Maria viveu-o desde a primeira hora. Viveu sempre na alegria do Senhor: “A minha alma glorifica o Senhor, o meu espírito exulta em Deus, meu Salvador”. A sua serenidade era conhecida por todos, não andava inquieta com nada: “Fazei o que Ele vos disser”. E a paz de Deus guardou o seu coração e a sua inteligência no seu Filho Jesus: “A sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração”. Ao longo da próxima semana, na espera do 4º domingo do Advento e da narração da visita de Maria a Isabel, conservemos no nosso coração a alegria e a paz recebidas nesta Eucaristia e, por intercessão de Maria, “em qualquer circunstância”, rezemos para fazer chegar a Deus os nossos pedidos.
• Uma partilha concreta. Embora menos habitual que durante a Quaresma, pode ser proposto um “gesto de partilha” para esta semana, na linha das palavras de João Baptista. Na paróquia, ou pessoalmente, prever a natureza desta partilha (dinheiro, tempo, acolhimento no momento das festas) e os seus beneficiários.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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O domingo da alegria
A alegria de que trata a liturgia do Advento liga-se à proximidade da festa da Natividade do Senhor Jesus. Afinal, já percorremos mais da metade do caminho rumo à grande Noite Santa do Natal. Hoje ao acender a 3ª vela da coroa do Advento (vela rosa) que simboliza alegria, observamos que a luz está cada vez mais forte. Reconhecemos que o Senhor está próximo e sua luz espanta as trevas do pecado; conduz-nos a uma sincera conversão. Ao iniciar a 3ª semana de preparação é hora de preparar o presépio sem se descuidar de preparar igualmente o coração. Neste domingo da alegria existe no ar uma alegre expectativa do encontro pessoal com o próprio Deus que se faz homem e vem habitar entre nós. As leituras do 3º domingo falam de uma atitude fundamental para o Tempo do Advento e para a própria vida do cristão: A alegria. “Solta gritos de alegria, filha de Sião” (Sofanias 3,14-18).
Paulo na 2ª leitura pede aos Filipenses e a cada um de nós que estejamos alegres no Senhor. “Alegrai-vos sempre no Senhor...“ (Fl. 4,4).
No Evangelho segundo Lucas 3,10-18 a alegria se expressa no anúncio da “Boa Nova” da salvação por João Batista o precursor. “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu... Ele vos batizará no Espírito Santo”. Batista não é apenas aquela figura forte no início da vida pública de Jesus, mas uma pessoa inseparável da missão de Jesus. No texto do Evangelho aparece três vezes a pergunta: “O que devemos fazer?” O relato traz à tona um dos temas principais do evangelista Lucas – o uso dos bens materiais. João Batista não só aponta o “Cordeiro de Deus”, mas também indica qual a atitude para ir ao encontro de Jesus Cristo. “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem...”
Nossa esperança e alegria não acontecerão se não houver uma sincera conversão. Portanto, é necessário continuar a preparar os caminhos para a vinda do Senhor; preparar nosso coração para nascimento do Salvador. Queremos nos preparar com alegria e com muita dignidade participar da grande Noite Santa. Sabemos que a alegria traz saúde corporal e espiritual ao passo que o mau humor e a tristeza provocam enfermidades. O nascimento de Jesus bem como sua ressurreição é um convite à alegria. Mais de dois mil anos se passaram e o mundo ainda vive carente de alegria. A depressão tornou-se a doença do século. A pessoa na ânsia de ter alegria agarra-se a coisas e pessoas que só lhe conseguem proporcionar poucos momentos de prazer. É na “Boa Nova” trazida na Noite Santa que encontraremos a verdadeira alegria. Pense nisto e tenha uma semana abençoada.
Pedro Scherer
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"Esperar é alegrar-se na conversão"
Teu Deus está o meio de ti! (Sf. 4,15)
A liturgia de deste 3º domingo do Advento inicia-se com o texto da carta de Paulo aos Filipenses: "Alegrai-vos sempre no Senhor, novamente vos digo: Alegrai-vos! ... O Senhor está próximo!" (Fl. 4,4). A temática da alegria toma conta da liturgia deste domingo. Como no 4º domingo da quaresma, somos convidados e levantar os olhos e contemplar os primeiros raios da festa da salvação que se aproxima. Celebramos a salvação que se aproxima no Natal, como rezamos na oração após a comunhão: “O alimento da Eucaristia nos purifique de todos os males e nos prepare para as festas que se aproximam”. A presença de Cristo no Natal é causa de profunda alegria. Ele é o sacramento do Pai que vem nos confirmar a certeza do que sempre rezarmos na missa: “O Senhor esteja convosco!” – “Ele está no meio de nós!”. O profeta Sofonias, no meio da crise do povo que se deixara levar pela idolatria, inicia uma reforma. O povo humilde que ficara fiel, não tem o que temer, pois, Deus é fiel e é força para seu povo. Paulo convida os cristãos a não se inquietarem com nada. Temos a presença de Cristo a quem recorremos através da oração. A paz de Cristo guardará nossos corações. Cultivamos Todos estes sentimentos porque o Natal nos traz uma Criança que nos oferece todos esses dons. Lucas acentua que a vinda de Cristo é coberta pelo Espírito do Senhor que O envia para anunciar o evangelho da alegria aos pobres (Lc. 4,18). Ele veio para anunciar a paz, pois Ele é nossa paz. Cada Natal é um novo grito de paz. Hoje somos a Jerusalém em crise, conturbada. Mas não podemos nos esquecer que temos o Senhor no meio de nós. Ele é a solução para todos os males.
Alegria na solidariedade
A salvação se torna alegria quando somos capazes em ser solidários. O povo sonhava com uma Jerusalém restaurada de suas misérias. Ele vai a João Batista que anuncia o tempo de Deus. As multidões perguntam: "Que devemos fazer". São três tipos de pessoas: o povo, os homens do dinheiro e os donos do poder, simbolizados nos soldados. A resposta de João é clara:
“Quem tiver tuas túnicas, dê uma a quem não tem”: a partilha dos bens que evita o acúmulo; “Não cobreis mais do que foi estabelecido”: a honestidade que combate a exploração das pessoas e a corrupção;
“Não tomeis à força dinheiro de ninguém. Nem façais acusações falsas”: a não-violência promove o respeito às pessoas.
É uma síntese de todas as soluções para implantar o Reino de Deus. São as questões que Jesus enfrenta no deserto. João profetiza assim o futuro Reino que se estabelecerá com a presença de Jesus, Deus conosco, Emanuel. Estas são questões que enfrentamos hoje. Jesus é a solução. Alegrai-vos: o Senhor está para chegar!
Celebrar com intenso júbilo
A oração desta celebração, no Advento, coloca-nos no espírito festivo do Natal: "Dai chegarmos às alegrias da salvação e celebrá-las com intenso júbilo na solene liturgia" (oração). A celebração litúrgica é o momento no qual, sacramentalmente, vivemos o mistério do qual fazemos memória. Não se trata só de uma lembrança, mas de participação pessoal e comunitária ao que Deus nos ofereceu Jesus. A grande alegria é a realização da palavra proclamada. O respeito à pessoa e a promoção de seus direitos compõem a alegria que os pobres de Deus necessitam para celebrar dignamente o Natal.

1. A temática deste domingo é a alegria, como recomenda Paulo: "Alegrai-vos sempre no Senhor!"Alegria por vermos os primeiros raios da festa do Natal. Somos convidados a nos preparar. O profeta Sofonias, em meio à crise do povo, inicia uma reforma. Paulo convida a não nos inquietarmos, pois o Senhor está no meio de nós. Cada Natal é um grito de paz. Ele está no meio de nós e tem solução para todos os males.
2. A salvação está na solidariedade, como João orienta o povo que lhe pedi orientação: ao povo recomenda a partilha; aos poderosos recomenda o respeito à pessoa não explorando-a; aos militares recomenda a não violência. São nossos problemas básicos também. São as questões que Jesus enfrenta no deserto.
3. A oração da celebração coloca-nos no espírito festivo do Natal: "Dai chegarmos às alegrias da salvação e celebrá-las com intenso júbilo na solene liturgia". Ela é o momento no qual vivemos o mistério do qual fazemos memória. O respeito á pessoa e a promoção de seus direitos, compõem a alegria que os pobres de Deus necessitam para celebrar dignamente o Natal.
Festa boa dura muito
Ao aproximar-se o Natal, aumenta o clima de abertura do coração. O profeta mostra a alegria da salvação. Deus não nos condena.
Paulo manda alegrar-nos porque o Senhor está próximo. Aliás, este domingo é chamado domingo da alegria que vem da salvação.
João Batista abre caminho para todos poderem viver a salvação. Ensina a partilha, o respeito para com o povo, não usando violência nem exploração.
João mesmo reconhece que sua missão não é para si, mas para abrir caminhos para a vinda do Senhor.
Para nós, o Natal não é uma festa que dura até depois do almoço no dia 25, mas faz de nós mensageiros da alegria a todos que encontrarmos.
padre Luiz Carlos de Oliveira



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