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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

4º DOMINGO do ADVENTO


4º DOMINGO  do ADVENTO

Domingo dia 23 de Dezembro

Comentário Prof. Fernando


Maria visita Izabel

Evangelho - Lc 1,39-45

Como posso merecer que a mãe do
meu Senhor me venha visitar?

       Estamos no último domingo do Advento e a liturgia nos aponta para a pessoa de Maria, porque ela é a figura central do Natal, pois graças a sua resposta positiva,  graças ao seu SIM, hoje estamos reunidos para celebrar a Eucaristia. Sejamos seus imitadores, dizendo sempre sim ao chamado diário de Deus para a nossa conversão.
       O Natal está próximo, e estamos prestes a comemorar o mistério da encarnação do Filho de Deus, mistério esse que foi o primeiro passo do Plano de Deus pela salvação da humanidade. Humanidade essa que hoje está se desviando cada vez mais do caminho da casa do Pai. A paixão e morte de Jesus forma o segundo passo deste plano de Deus. E a ressurreição é o terceiro passo que nos traz  a certeza da nossa ressurreição.
       É  Natal, é hora de reconciliação com Deus e com o irmão, é hora de alegria! Mais qual é mesmo o motivo da nossa alegria? Bem. Para começar, hoje acendemos a vela vermelha, a quarta vela da coroa do advento, a vela que representa amor, por isso e a "vela do amor", o amor de Deus por nós. Esse Deus que entregou o seu Filho amado, o Cristo, sol de nossa vida a quem esperamos com toda ternura e alegria.
No domingo passado, Paulo nos convidou a estarmos alegres na segunda leitura.
 "Alegrai-vos sempre no Senhor, repito, alegrai-vos!” , Disse Paulo. E por que insistir tanto na alegria? Ora, o motivo dessa alegria não deve ser apenas pelo sucesso na sua vida, o emprego,  a saúde, as compras, os presentes a abundância de bens materiais, a falta de preocupações, as bebidas que acompanham a farta comida no almoço de Natal, mais sim, o motivo maior da nossa alegria é a certeza de que “o Senhor está próximo”.  Ele está sempre próximo de nós, para nos dar a mão para nos levantar das freqüentes quedas, e nos dar uma vida digna de merecermos um dia a vida eterna.
       Alegria. Pois é. Como já dissemos, Paulo  nos convidou a nos alegrar, a estarmos sempre alegres no Senhor.
       É preciso pois, aqui fazer uma reflexão mais demorada sobre a alegria. Pois assim como existem evangelizadores que obrigam os demais a serem alegres, também existem fiéis ou beatos que pensam que quem não sorri, não é uma pessoa alegre. Pois se é cristão, logo quem não sorri não está alegre no Senhor, como disse Paulo.
       Convém, pois,  questionar o seguinte: Será que todo aquele que vive sorrindo é de fato alegre? E será que o que não sorri é triste mesmo? Do mesmo modo, é verdade que todo aquele que nos recebe sempre com um sorriso franco, é de verdade o mais caridoso? E o de cara fechada? É um grande sovina que não abre a mão para dar nada a ninguém?
       A psicologia no informa que existem vários tipos de pessoas, ou de personalidades, a saber: O líder, o fleumático, o apático, o social e o ativo. Podemos acrescentar aqui, o incrédulo e o religioso, aquele que realmente tem fé. E desses dois últimos, poderemos subdividir, em: Mais ou menos religioso e meio incrédulo.
       Bem. Dessa forma, poderemos classificar também vários tipos de alegria, ou de sorrisos: O sorriso falso, o sorriso interesseiro, o sorriso comercial, o sorriso forçado, o sorriso malandro, ou simplesmente o sorriso daquele ou daquela que é do tipo social.
       Assim, nem sempre o sorriso é uma demonstração do verdadeiro estado do interior da pessoa. Nem sempre o seu verdadeiro estado emocional, pode ser captado pelo seu sorriso. Exemplo: Uma pessoa pode ter uma crise de sorriso, quando se encontra em estado de pressão, ou de medo. Acontece muito com o sexo feminino. Um garota, ou mulher, quando muito nervosa pelo fato de ter de fazer uma exposição em público, começa a sorrir de forma incontrolável. A cantora  momentos antes de entrar ou subir no palco, tem um sorriso diferente, expressado pelo medo da platéia.
       O sorriso interno ou interior:
       Aquele de cara fechada, um sujeito muito sério, costuma sorri por dentro. E podemos captar o seu sorriso nos seus olhos e pelas suas expressões faciais. Geralmente é o tipo de sorriso mais sincero. Sabe por que? Porque por de trás de uma feição dura, está um coração mole, atrás de uma cara fechada, está um coração aberto, um coração mole de uma pessoa caridosa. A cara fechada   é uma defesa natural, pois se essa pessoa se abrir totalmente, todos vão saber que ela tem pena dos que sofrem, e todos ao mesmo tempo correrão atrás dela para pedir, isso e aquilo, e assim ela não poderá atender a todos. Esse é aquele do tipo fleumático. É uma pessoa que absorve os problemas dos outros e sabe ter compaixão.
       Ao contrário, o do tipo social, engana todo mundo. Vive sorrindo, e pensamos que na hora do aperto, poderemos contar com ele. Negativo! Na hora do sufoco, por incrível que pareça, o de cara fechada é que vai lhe dar uma grande força. Ele é o mais caridoso. Só que se esconde atrás da cara feia para se proteger. O sorriso do tipo social, não é necessariamente falso, pois isso é uma predisposição natural do seu modo de ser.
       Já o tipo líder, nem sempre tem um sorriso sincero. Pois como ele consegue arrebanhar a todos geralmente com um largo e franco sorriso, e um forte aperto de mão, por de trás  daquela disponibilidade, está sempre o seu objetivo pessoal a ser alcançado: Melhores, vendas do grupo, melhor colaboração dos empregados, maior lucro da empresa, ganhar a eleição, assim por diante.
       Será que podemos obrigar a todos os cristãos a serem de fato alegres, principalmente alegres por fora, ou para que todos vejam?  Pense: Será que um pai desempregado pode realmente se sentir alegre? Mesmo que tenha muita fé? Será que um indivíduo que teve uma experiência terrível em sua infância, como por exemplo, viu o assassinato do pai ou da mãe, consegue estar mesmo alegre? Sempre sorrindo?
       Muitas pessoas, apesar de confiar em Deus, e de mesmo estar alegres por dentro com  sua vivência espiritual, não conseguem viver sorrindo, externando sua alegria ou mesmo viver plenamente alegres, tendo em vista seus traumas de infância ou decepções da vida presente. Aquela catequista que vivia sempre alegre, de repente todos percebem que o seu semblante mudou de uma hora para outra. E por que? Ela só contou ao padre em confissão. Ela foi traída pelo marido.
       A demonstração mesmo eufórica do estado de alegria, nem sempre é uma coisa viável, e para usar uma palavra em moda no momento, não é uma alegria SUSTENTÁVEL, tendo em vista que a alegria do cristão não deve ser uma alegria interesseira ou falsa, mais sim, uma alegria verdadeira de quem está feliz por dentro, por viver na companhia de Jesus, por sentir a presença do Pai em sua vida, por ouvir Jesus constantemente a lhe falar, a lhe dizer aos ouvidos: "A alegria do cristão não deve ser uma alegria falsa, interesseira, e hipócrita... Esteja sempre alegre, pois UM CRISTÃO TRISTE É UM TRISTE CRISTÃO, que apesar de ter fé, não deve praticar muito bem a caridade, e não tem esperança. Esperança na providência e  proteção de Deus em sua vida! Isso é muito lamentável”.
ADVENTO É ISSO
É Jesus que vem vindo para nos salvar.  Vem Jesus porque a vida está cada vez mais perigosa. Vem Jesus porque sem Deus não somos nada, não conseguimos suportar o peso das adversidades que são tantas. Vem senhor, porque mesmo que tenhamos bens materiais, na verdade somos muito pobres, vem Senhor, porque somos indefesos e frágeis! Vem Menino Jesus porque temos medo até de sair de casa, e mesmo em nossa própria casa corremos perigo! Vem Jesus todo poderoso, vem nos encorajar para que não nos acovardamos e deixamos de fazer a nossa parte para melhorar este mundo que está ficando imundo. Amém.

Feliz Natal!   
J. Salviano
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23 de dezembro - IV Domingo do advento

IV Domingo do Advento 23/12/2012
1ª Leitura Miquéias 5, 1-4
Salmo  79(80), 4 “Restaurai-nos, ó Senhor; mostrai-nos serena a vossa face e seremos salvos”
2ª Leitura Hebreus 10, 5-10
Evangelho Lucas 1, 39-45

                “Na Esperança dos Pobres, Deus mesmo está presente”  – Diac. José da Cruz

Há algo que passa quase despercebido nessa liturgia, a primeira leitura faz uma referência á pequenina Belém, de onde surgirá o Messias, na profecia de Miquéias. O texto não exalta o grande Rei Davi com sua força e seu grande poder durante o seu reinado, mas foca em primeiro lugar aquilo que ele era em Belém, antes de ser ungido: um simples Pastor, o versículo 3 confirma isso quando afirma que “Ele não recuará, apascentará com a Força do Senhor...em um segundo momento diz também...com a majestade de do nome do Senhor.Mas a ação primeira mencionada pelo Profeta é o verbo apascentar...
Era essa a verdadeira função de um Rei, apascentar seu povo, conduzi-lo, dar-lhe toda segurança, guiá-lo por caminhos e situações seguras, e defendê-lo diante dos perigos. No último parágrafo da primeira leitura, o profeta fala que ele, o Messias, estenderá o seu poder até os confins da terra, e ele mesmo será a Paz.Aqui a palavra Poder, não é aquele que manda e domina ( desses o nosso povo já está por aqui), mas sim a possibilidade de fazer o bem ao seu povo.
É nessa mesma linha de Davi que virá o Messias, o Rei Davi andou exagerando ao ocupar o trono, andou metendo  os pés pelas mãos, esquecendo-se da função primeira de um Rei, que era a de proteger e defender o seu povo, igual nossos governantes de hoje....
Isabel olha para Maria, e iluminada pelo Espírito Santo percebe nela a presença desse Rei Messias, que como Davi tinha origem humilde em Belém, alguém de origem Divina, que iria atender todos os anseios de Vida e Liberdade do seu povo.Está agora explicado por que João Batista deu uma pirueta no ventre de Isabel, ali estava o Resgatador, o Redentor, o Libertador, o Deus dos pobres e pequenos, presente na Esperança e na Fé de Maria Santíssima. A Saudação inicial de Maria é uma bela oração e se resume no desejo a Isabel do “Shalon da Paz”.
Na celebração, quando saudamos os irmãos e irmãs, não se trata de um mero cumprimento aos mais amigos e conhecidos, mas de uma invocação, para que o Cristo da Paz esteja habitando o mais profundo do outro, e quando isso de fato ocorre, a saudação nos alegra e ajuda a aumentar o sonho e a esperança do Reino que Jesus semeou....Lembrando sempre que o lugar preferido de Deus, manifestado em Jesus, é no coração e na vida dos mais simples e pobres, como Davi, Pastor de Belém, e como Maria, aquela que se fez Serva de Deus e do seu povo....
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“BENDITA ÉS TU ENTRE AS MULHERES E BENDITO É O FRUTO DO TEU VENTRE!” -  Olívia Coutinho

IV DOMINGO DO ADVENTO

Dia 23 de Dezembro de 2012

Evangelho de Lc 1,39-45

Já  estamos vivendo o espírito Natal! E neste espírito de fé, podemos perceber o quanto foi frutuosa a nossa preparação para a celebração deste grande acontecimento que marcou a história da humanidade dividindo-a em antes e depois!
Aprendemos muito ao longo desta nossa caminhada de fé, mas ainda há muito que aprender, afinal, a caminhada do cristão  é um processo lento, que vai tomando uma dimensão maior, à medida que intensificamos os  nossos encontros com Jesus!
É importante  entrarmos no mistério da encarnação de  Jesus, conscientizarmos de que o Natal não se resume num só dia, o Natal  deve acontecer em todos os dias de nossa vida!
Mais do que uma festa, quando se partilha presentes, o Natal é a presença viva de Jesus em nós, é  vivendo esta presença viva de Jesus, que  o Natal acontece sempre em nossa vida.
O Natal é um  o momento  propício de nos apresentarmos  a Deus, com o firme propósito de dar a Ele o nosso  "Sim" de fidelidade a sua proposta de vida e de santidade, como fez Maria, logo após o anuncio do Anjo, de que dela nasceria o salvador!
O evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, vem mais uma vez nos falar da doce figura de Maria, da sua entrega à vontade de Deus.
Com a revelação  do Anjo, sobre a sua gravidez  e a gravidez de sua prima  Isabel, Maria não pensou mais em si mesma, renunciou a todos os seus  projetos pessoais para se colocar inteiramente   à serviço  de Deus na pessoa do outro! Podemos perceber isto claramente, quando ela, impulsionada  pelo amor, dirigi-se  apressadamente até  a casa de Isabel, uma mulher de idade avançada, que  morava num lugarejo bem distante e que certamente necessitaria de maiores cuidados durante a gravidez.  Com este gesto abnegado de amor, Maria nos dá um grande exemplo de solidariedade, nos ensinando que o amor é mais do que sentimento, mais do que palavras bonitas: o amor é gesto concreto, é decisão de ir ao encontro do outro, de inteirar-se de suas necessidades.
Subindo montanhas, levando Jesus em seu ventre, Maria se torna a  primeira discípula de Jesus!
O texto nos fala de dois encontros que ficaram marcados em toda história: o encontro de duas grandes mulheres, que transmitem vida a outra vida, contribuindo assim, para que o encontro entre  Divino e  humano se realizasse, uma mulher  se alegra com a alegria  da outra, e juntas  Maria e Isabel agradecem a Deus  o dom da fecundidade. O relato nos fala também de um dos mais belos encontros de amor: um encontro invisível aos olhos humanos de duas crianças que estavam sendo gestadas no ventre destas duas mulheres distintas: no ventre da jovenzinha de Nazaré, crescia Jesus,O Salvador do mundo, Àquele que mais tarde daria a sua vida para nos resgatar. E no ventre, antes estéril de Isabel, crescia o menino que pulou de alegria ao sentir a presença de Jesus: João Batista, aquele que  seria  o grande profeta, o precursor que iria preparar o caminho para a entrada de Jesus na historia da salvação.
Ao se entregar totalmente à vontade de Deus, Maria participou da historia da libertação da humanidade, enfrentando todos os desafios, desde a concepção de Jesus, até a sua morte de cruz! E mesmo com o coração transpassado de dor, ela  se manteve de pé aos pés da cruz. O papel  desempenhado por Maria na encarnação e  na morte de Jesus, nos deixa um grande exemplo de mulher forte, que ama, que não se deixa abater pelo sofrimento, porque confia no poder grandioso de Pai!
Maria é a voz que grita na defesa dos pobres,  de todos aqueles que buscam nela a confiança, a força para lutar e vencer os poderosos!
“Deus cativou Maria e ela se deixou cativar!”  
Com o  testemunho de Maria  aprendemos a dar passos até Jesus, saindo  de nós mesmos para ir ao encontro do outro.

DESEJO A TODOS UM FELIZ E SANTO NATAL!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

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Evangelhos Dominicais Comentados

23/dezembro/2012 – 4o Domingo do Advento

Evangelho: (Lc 1,39-45)

Naqueles dias, Maria se pôs a caminho e foi apressadamente às montanhas para uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Aconteceu que, mal Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança saltou em seu ventre; e Isabel, cheia do Espírito Santo, exclamou em voz alta: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!  Donde me vem a honra que a mãe do meu Senhor venha a mim? Pois quando soou em meus ouvidos a voz de tua saudação, a criança saltou de alegria em meu ventre. Feliz é aquela que teve fé no cumprimento do que lhe foi dito da parte do Senhor”.

COMENTÁRIO


Hoje é o quarto e último domingo do Advento. Estamos na antevéspera da grande Festa de Natal. Deus se faz criança e vem morar entre nós.

Deus está conosco, se fez homem e nasceu de uma mulher. É esta mulher que hoje encontramos na liturgia. Uma mulher forte, corajosa e que não mede esforços para estar presente onde dela necessitem. Muito preocupada, com sua prima, Maria enfrentou caminhos difíceis, mas chegou lá.

Naquele tempo não havia ônibus, trem e nem carro. Se não viajou a pé, na melhor das hipóteses, Maria viajou no lombo de um burrinho. Chegou certamente cansada, com fome e com sede, mas nada disso impediu a comemoração na sua chegada. Foi recebida com honras e muita alegria por Isabel e por João Batista.

Este relato parece uma simples visita, mas estamos diante de dois grandes gestos de humildade. Primeiro observamos a Mãe de Deus colocando-se a disposição para ajudar. E, se olharmos atentamente veremos que Jesus, ainda no ventre de sua Mãe, humildemente, também se apresenta a João Batista.

Jesus foi ao encontro de seu discípulo. Pela reação de João, parece-nos que Jesus já estava dando as primeiras instruções ao seu precursor. E João não perdeu tempo, aprendeu a lição e, ainda no ventre de sua mãe, arrumou um jeito de ressaltar a presença do Filho de Deus. Antes de nascer, João já estava evangelizando.

É essa disponibilidade que Jesus espera encontrar em cada um dos seus discípulos. Aquele, de quem não somos dignos de desatar a sandália, espera muito de cada um de nós. Jesus quer que façamos exatamente como fez a sua Mãe. Por piores que sejam os caminhos, custe o que custar, Jesus quer ver-nos visitando os irmãos.

Maria, humildemente se diz a serva do Senhor. A serva de Deus, também é a serva dos homens. Sua visita a Isabel, simboliza sua total entrega aos necessitados. A presença de Maria leva alegria, júbilo e paz na casa de Isabel. Assim é a Nossa Mãe, onde Ela está presente, lá estão a alegria e a paz.

"Bem Aventurada aquela que acreditou! Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!" Isabel, iluminada pelo Espírito Santo, soube enxergar a presença divina naquela visita.

Isabel disse que não era merecedora de tão grande alegria. De fato, nenhum de nós, é merecedor de tamanha alegria. É um presente do Pai nós podermos ter, permanentemente, em nosso lar a Mãe do Salvador e nossa mãe.

Esse privilégio não se dá por nossos méritos, mas sim pela bondade infinita de Deus que nos ama e que nos deu sua própria Mãe como companheira e protetora. No entanto, carregar o Salvador dentro de si não deve ser exclusividade só de Maria.

Todos nós devemos ser portadores de Cristo e, como Maria, devemos levar Vida ao mundo. Levar Vida é apresentar Jesus Cristo, é construir a paz e a justiça através da doação do seu próprio ser.

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Evangelhos Dominicais Comentados

30/dezembro/2012– Sagrada Família: Jesus, Maria e José

Evangelho: (Lc 2,41-52)

Todos os anos, na festa da Páscoa, os pais de Jesus iam a Jerusalém. Quando ele completou doze anos, subiram a Jerusalém segundo o costume da festa. Acabados os dias de festa, quando voltaram, o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que os pais o percebessem. Pensando que estivesse na caravana, andaram o caminho de um dia e o procuraram entre os parentes e conhecidos. Não o achando, voltaram a Jerusalém à procura dele. Três dias depois o encontraram no Templo sentado no meio dos doutores, ouvindo e fazendo perguntas. Todos que o escutavam maravilhavam-se de sua inteligência e de suas respostas. Quando o viram, ficaram admirados e sua mãe lhe disse: “Filho, por que agiste assim conosco? Olha, teu pai e eu, aflitos, te procurávamos”. Ele respondeu-lhes: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devia estar na casa do meu Pai?” Eles não entenderam o que lhes dizia. Depois desceu com eles e foi para Nazaré, e lhes era submisso. Sua mãe conservava a lembrança de tudo isso no coração. Jesus crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e das pessoas.

COMENTÁRIO

Este Evangelho deve fazer-nos parar e pensar. Como pôde acontecer uma coisa dessas com essa família? Se fosse na minha ou na sua família, tudo bem, seria até compreensível, mas numa família santa como essa, é difícil de acreditar.

Jesus se perde de seus pais e fica por três dias desaparecido. Como o evangelista diz, seus pais ficam aflitos e saem à sua procura. Ao encontrá-lo, Maria demonstra toda sua angústia ao dizer: “Por que você fez isso conosco?”

Jesus responde com duas perguntas “Por que me procuravam? Vocês não sabiam que eu devia estar na casa de meu Pai?” Jesus deixa claro que ficou no templo, pois precisava estar à disposição de seu Pai.

Jovem ainda, com apenas doze anos, Jesus declara publicamente, que tem uma missão a cumprir e que está disposto a obedecer. Custe o que custar vai fazer o que o Pai espera que ele faça, pois os interesses de seu Pai devem estar acima de tudo.   

Sua missão exige coragem. Vai exigir, até mesmo, seu afastamento familiar. A partir desse dia, Jesus não deve ter sido mais aquele mesmo menino pacato e caseiro. É natural que um jovem comprometido com a propagação do Reino saia a procura de novos horizontes e se distancie do âmbito familiar.

No entanto, nem sempre é assim. Quantas e quantas vezes a vontade de Deus parece totalmente contrária à nossa. Deus pede uma coisa e nós queremos fazer outra. Nessas horas, a atitude de Jesus deve orientar nosso modo de agir. Acima do nosso querer deve estar a pré-disposição de servir ao Pai.

É importante notar que o evangelista diz que Jesus crescia em sabedoria e graça. Através da obediência aos seus pais, da disponibilidade e generosidade para com os necessitados, Jesus dá exemplos concretos de como viver a santidade.

Resumindo, o Evangelho de hoje nos ensina como podemos crescer na amizade com Deus. Ensina também que ninguém está isento da responsabilidade de levar aos povos a boa nova.

Assim como o filho que abraça a vocação religiosa ou aquele que se casa e constitui uma nova família, deixa seu pai e sua mãe, chega o dia em que devemos deixar o confinamento do lar para propagar a fé.

Dois momentos importantes nós devemos gravar do Evangelho de hoje: primeiro é a angústia de José e Maria ao perceberem que Jesus não estava com eles. Segundo é a alegria do reencontro. Quem ama Jesus não consegue ficar longe Dele.

Se, de verdade nós amamos Jesus, mesmo que seja preciso caminhar três dias, vamos voltar atrás e procurá-lo. Se três dias não bastarem, se não forem suficientes para reencontrar Jesus, vamos caminhar o tempo necessário, pois a recompensa será maravilhosa. Vamos gritar de alegria!

É angustiante viver longe de Jesus e não sentir sua presença. A exemplo de José e Maria, certamente, vai ser enorme a alegria ao reencontrá-lo na Casa do Pai, na figura do irmão maltrapilho, no marginalizado, no injustiçado...

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“Maria  ofertou à humanidade seu Filho” -  Claudinei M. Oliveira.

Domingo, 23  Dezembro  de 2012.
Evangelho: Lc 1, 39-45

            Celebramos a Eucaristia neste domingo sagrado em preparação para acolhermos o Menino Deus em breve. Nosso ardor missionário nos envolve de alegria e felicidade, pois Jesus vem nascer no meio do povo para dar vivacidade e glória. Ele com sua ternura e solidariedade enche nossos corações de emoções para nos comprometermos com seu projeto de vida e santidade. Portanto, Maria acolheu o Filho do Altíssimo em seu seio, cuidou carinhosamente e entregou para a humanidade na intenção de cumprir a promessa feita ao povo do passado pelo Senhor.
Maria foi uma grande mãe para com seu filho Jesus. Ao receber o chamado para ser a serva do Senhor não intimidou e nem colocou obstáculo. Aceitou prontamente sua missão. Maria não sabia que já havia a profecia de que um dia nasceria entre os homens um menino que libertaria a humanidade do pecado.  Esse menino, santificado pelo espírito santo de Deus, tinha uma linda tarefa a cumprir na terra. Sua tarefa dividiria o mundo entre aqueles que seguiriam o caminho do bem e aqueles que  voltariam para o mal, ou seja, não aceitariam caminhar na estrada rumo aos céus.
O filho que nasceria de uma mulher, como afirmou na profecia de Miquéias, não recuaria, mas apascentaria com a força do Senhor e com a majestade do nome do Senhor todos aqueles que ainda não conheceram a palavra santa da libertação. Este menino ousaria em seu tempo até contrariar os mestres e doutores da Lei ao expor suas ideias inquestionáveis, sabendo que o homem deveria acolher o outro na gratidão e no bem necessário.
Este legado ou este ensinamento perdura tempo. Ainda hoje somos convidados  para sermos este menino ousado, corajoso; mas com proposta para serem seguidas. Tantas coisas boas deveriam ser feitas para o bem da humanidade já elencadas pelo Menino Deus que ainda não foram colocadas em práticas, como a conversão para o bem; a reconstrução de novo homem e nova mulher; salientar ações concretas de ajuda aos pobres e oprimidos; ser caridoso com os excluídos; amar incondicionalmente os pequeninos, ou seja, ser um cristão autêntico e trabalhador pelo reino.
Mas a humanidade cega e interesseira procurou outros caminhos. Deixou o legado do bem, ensinado pelo Menino Deus e propuseram outros meios para satisfazer o ego e/ou prazer. Colocou a cobiça, a inveja, a traição, a maldade como instrumentos para dar-se bem na vida. Esqueceu de Deus, esqueceu da história de Maria que mesmo prometida a casamento a José aceitou a gerar em seu ventre o Messias e depois viajou para prestar auxílio a sua prima Isabel. Maria mostrou para a humanidade que não bastaria ser mãe, mas colocar a serviço de quem precisa.
Este menino que Maria carregou por cerca de 160 quilômetros entre vales e colinas faria em breve os homens viverem em paz, pois ele estenderá o poder até os confins da terra  e Ele mesmo será a paz, como escreveu Miquéias.  Jesus carregava em seu Ser toda a mística sagrada do Pai Celestial para dar sentido à vida de muitos que relutavam a não crer no poder do Senhor.
Do mesmo modo da profecia de Miquéias o salmista canta em seu refrão as glórias de um Homem que teria toda feição para dar graças em plenitude, assim diz: “iluminai a vossa face sobre nós, convertei-nos para que sejamos salvos”. A humanidade que ganhou de presente o Messias de Maria precisaria ser salva, ou seja, a humanidade não encontraria o caminho reto de Deus se não fosse iluminada  pela face do Senhor, mas a conversão  aconteceria se caso o homem aceitasse o convite do Senhor em fazer parte de seu rebanho.  
Assim, vinde  logo Senhor, trazei a salvação para nosso povo que tanto precisa de sua ajuda. Para tanto, basta olhar para nossa realidade ou nossa volta que notaremos a urgência da presença de Deus. Tantas coisas ruins acontecendo como a tragédia das crianças e professores mortos numa cidade dos Estados Unidos  por um franco atirador. Muitas  crianças abandonas, muitas delas envolvidas em situações constrangedoras. Veja o aumento de divórcio nos últimos meses no Brasil, assim, famílias e mais famílias sendo desestruturadas da noite para o dia. Sentimos a falta da presença de Deus e, pediremos com fervor e alto grito: Senhor vem salvar teu povo das  trevas e da escravidão!  
Na carta aos Hebreus já notamos a cobrança e a efetivação da vinda do Senhor Menino quando afirmou que eu vim para fazer  a tua vontade” (...) , mas  é graça a essa vontade que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas. Jesus realizou as promessas do Pai na terra e santificou toda a humanidade através de seu gesto concreto da entrega na cruz.
Portanto, tudo isso aconteceu porque Maria colocou-se a serviço do Reino quando se tornou a serva do Senhor e a cumpriu a tua palavra de salvação. E a vontade do Senhor favorece a solidariedade, a alegria e a esperança entre os povos. Maria sorridente e alegre levou o projeto do Pai até a humanidade de coração limpo e feliz. Agora, basta  alegrarmo-nos  para que o projeto de Jesus penetre em nosso ser e nos transforme instrumentos féis do Senhor. Amém!
Claudinei M. Oliveira

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Estamos no último domingo do Advento e a Palavra de Deus, na ânsia de bem nos preparar para o santo Natal, apresenta-nos o Mistério de modo estupendo. E quando o Mistério é grande, antes, infinito, como é difícil falar dele!
Comecemos nossa meditação com a Epístola aos Hebreus, que de modo impressionante nos desvela os sentimentos do Filho eterno do Pai no momento da sua Encarnação: Pai, “Tu não quiseste vítima nem oferenda”, aquelas do Templo, aquelas vítimas simplesmente rituais, “mas formaste-me um corpo”, tu me fizeste humano, deste-me uma natureza humana! Não foram do teu agrado os sacrifícios de animais irracionais, os ritos meramente formais, “por isso eu disse: ‘Eis que eu venho! Eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade’”. Eis o primeiro aspecto que nos é dado hoje meditar! O Filho eterno, igual ao Pai, Deus igual a Deus, luz gerada pela luz, por puro amor, por pura obediência ao Pai que tanto nos amou, dignou-se fazer-se homem! Sem deixar de ser Deus verdadeiro, ele realmente se tornou homem verdadeiro, em tudo igual a nós, menos no pecado. Mas, como pode? Como é possível? Aquele que é a luz, assumiu a escuridão humilde do seio materno; Aquele que abarca o universo, foi abarcado pelo útero de uma Virgem; Aquele que é a Palavra eterna do Pai, passou nove meses no silêncio da gestação! Como pode ser? Num mundo que se contenta com mentirinhas, com fábulas, mitos e lendas, eis uma realidade que nos deixa maravilhados! E tudo isso por nós, para nossa salvação, para nos elevar! Ele veio viver em tudo nossa aventura humana, em tudo, nossas angústias, em tudo, nossas procuras, em tudo, nosso sonho de ser felizes! “É graças a esta vontade que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas!”. O Filho eterno, fazendo-se um de nós, assumindo nosso corpo, isto é, nossa humanidade, nossa história, nossas limitações, foi homem perfeito, perfeitamente dedicado ao Pai, perfeitamente obediente, perfeitamente abandonado nas mãos do Pai, e, assim, nos salvou, mereceu-nos o perdão para a humanidade que Adão havia estragado!
Ó Cristo Deus, ó Cristo homem! Bendito sejas, porque te fizeste um de nós! Bendito sejas, porque em tudo viveste como nós, para encher de novo sentido a nossa pobre vida, para iluminar nossas trevas, para nos mostrar o caminho, para em nosso nome seres totalmente obediente ao Pai e, assim, nos fazer também a nós, obedientes como tu! Bendito sejas, hoje e sempre, pelo teu Advento, pelo mistério da tua Encarnação! Tu és a razão da nossa esperança, tu és o fundamento do nosso sorriso, tu és o nosso consolo, tu és a nossa paz! Em ti, Santo Emanuel, cumpriu-se a profecia de Miquéias: “Tu, Belém de Éfrata, pequenina entre os mil povoados de Judá, de tu sairá aquele que dominará em Israel; sua origem vem de tempos remotos, desde os dias da eternidade. Ele não recuará,  apascentará com a força do Senhor e com a majestade do nome do Senhor seu Deus... ele estenderá o poder até aos confins da terra, e ele mesmo será a Paz!” Ó Santo Messias, nossa paz, rei eterno! Bendito sejas para sempre porque vieste! 
Mas, há mais, no Mistério deste IV Domingo! Além do “sim” eterno e divino do Filho que disse “ó Pai, eis que eu venho para fazer tua vontade”, nas montanhas da Galiléia, em Nazaré, um outro “sim” ecoou: o sim de uma criaturazinha frágil, o sim apaixonado e total à proposta inaudita de Deus: “Gabriel, vai dizer Àquele que te enviou que eu sou a Serva, que se faça conforme a tua palavra!” Que mistério tão impenetrável, que inteligência alguma humana poderá compreender plenamente! O sim do Filho eterno somente realizou-se no nosso mundo graças ao sim de uma pobre Virgem de Nazaré! Como pode o Criador depender da criatura? Que mistério tão grande o plano eterno de Deus depender de nós! A Virgem disse sim: sim total, sim sem condições, sim absoluto, sim sem reservas, sim de corpo e alma! E, depois do sim, ela corre para a região montanhosa de Judá, para ver o sinal que o anjo havia dado: a parenta idosa e estéril havia concebido! Como a arca da aliança, contendo as tábuas da Lei, foi transportada para a região montanhosa de Judá (cf. 2 Sm. 6,1-8), também Maria, contendo em si Aquele que é a nova Lei, vai para a região de Judá, como Davi admira-se e exclama: “Donde me vem que a arca do meu Senhor fique em minha casa?” (2 Sm. 6,9) Isabel também derrama-se em júbilo admirado: “Donde me vem que a Mãe do meu Senhor venha visitar-me?” Como a arca ficou três meses na casa de Obed-Edom (cf. 2 Sm. 6,11), a Virgem ficou três meses na casa de Isabel! Que projeto admirável de Deus, que sim tão bonito da Virgem! Quanta generosidade, quanta fé, quanta entrega, quanto abandono!
Ó Virgem toda santa e toda pura! Obrigado pelo teu sim, obrigado pelo sim que é eco no tempo do sim que o Filho pronunciou na eternidade! Como poderíamos te saudar, ó Toda Santa? Saudamos-te como a Escritura nos ensina: saudamos-te Cheia de Graça, saudamos-te Bendita entre as mulheres, saudamos-te Arca da Aliança, saudamos-te Mãe do Senhor, saudamos-te portadora do Salvador, saudamos-te Causa da nossa alegria, saudamos-te Esposa do Espírito, saudamos-te Bendita por ter acreditado! Saudamos-te assim, Mãe de Jesus, e toda a saudação do mundo ainda seria pouca para exprimir a grandeza do teu sim e nossa gratidão pela tua disponibilidade! Ensina-nos, Virgem Maria, a dizer o sim como tu disseste; ensina-nos a tornar nossa vida disponível ao plano do Senhor; ensina-nos a viver em nós a obediência do Filho, como tu viveste! 
Mas, há ainda um terceiro aspecto do Mistério que é necessário ponderar. É da Belém pequenina entre os mil povoados de Judá que sairá o Dominador de Israel; é de uma Virgem pobre, frágil e humilde que virá o Salvador, aquele que “estenderá o poder até aos confins da terra”. Deus é assim: onde não há vida, onde não há esperança, onde não há grandeza aos olhos do mundo, ele faz a vida brotar, a esperança surgir, a grandeza aparecer! Não é esta uma das maiores lições do Natal? Um Deus que escolhe o caminho da fraqueza, da pobreza, da humildade, da debilidade? Convertamo-nos ao modo de agir de Deus, tão distante dos nossos modos magalomaníacos, dos nossos projetos grandiloqüentes! Para nossa vergonha e confusão, para nossa conversão, é preciso dizer sem medo: Deus não está primeiro no que é forte, mas no que é fraco; Deus não está antes no que é potente, mas no que não pode nada; Deus não está na riqueza, mas na pobreza; Deus não está em cima, mas embaixo; Deus não está com os vencedores, mas com os vencidos; Deus não está com os que riem pelas glórias do mundo, mas com os que choram porque se sentem sós, pisados, humilhados e triturados pela vida!
Ó Santo Messias, converte-nos pela graça do teu bendito Advento! Converte-nos com as lições do teu Natal! Ajuda-nos a cantar, com a tua Mãe Santíssima, que enches os pobres de bens, que dispersas sem nada os ricos, que exaltas os humilhados e humilhas os soberbos! Ó Santo Messias, pelas preces da Toda Santa e de São José, seu castíssimo esposo, pelas preces de todos os santos pobres e humildes do mundo, dá-nos a graça do teu Natal, a  certeza da tua presença e a vida eterna. Amém.
dom Henrique Soares da Costa
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Maria, a mãe do príncipe da paz
Maria é a Mãe bendita do Senhor. Por sua fé, vivida em profundidade, ela é realmente modelo dos cristãos. Pela missão que recebeu de ser Mãe da humanidade, ela intercede para que o plano de Deus se realize em nossa vida.
Esse é um plano de amor que, através do Filho encarnado que assumiu a história com todas as suas contradições, traz a todos o perdão, a comunhão com Deus. Cumpre-se, assim, a profecia de Miqueias acerca de um chefe que instaurará a paz.
1ª leitura (Mq. 5,1-4a)
O texto apresenta, no v. 1, uma promessa. Surgirá de Belém, de Éfrata, um novo chefe.
Éfrata é um clã da tribo de Judá que habitou na região de Belém (cf. Gn. 35,19; 48,7; Js. 15,59); por vezes, substituiu o nome da aldeia de Belém. Enfatiza-se a pequenez desse lugar, que contrasta com a grandeza da cidade de Jerusalém (cf. Mq. 4,2) e com a dimensão da
promessa que lhe é feita. Como Belém é a cidade de origem de Davi (cf. 1Sm. 16,1-23; 17,12-31), o novo dirigente é descendente desse grande rei. Sua origem antiga é uma referência ao início da dinastia davídica, pertencente já a um passado longínquo.
Nos versículos que seguem, o profeta comenta esse anúncio de Deus. O novo chefe não
é chamado de “rei”, mas de “dominador”.
Com isso, embora filho de Davi, distancia-se dos reis daquela dinastia, tantas vezes infiéis ao Senhor. A relação desse chefe com Deus aparece na expressão “para mim”, que muitas vezes indica submissão. Ele obedecerá ao Senhor, realizará seu desígnio. O novo chefe governará em nome de Deus, com seu poder; será seu representante. Seu poder será universal, de acordo com as expectativas para o reinado do filho de Davi (cf. Sl. 2,8; 71/72,8). Através dele, o povo se estabelecerá estavelmente no país, vivendo em segurança e bem-estar. Ele é o instrumento de Deus para trazer a paz, a plena realização, ao povo eleito (cf. Is. 9,6; Zc 9,10) (v. 3).
A restauração pertence a um futuro indeterminado, advirá após um tempo de provação, quando o povo eleito ficará entregue às suas próprias forças e decisões (v. 2). A mudança de situação ocorrerá quando uma parturiente der à luz (v. 2). Mq 4,10-11 chama Jerusalém de “parturiente”, que sofre dores de parto ao ir cativa para Babilônia; depois ela retornará.
Se a parturiente de 5,2 é a cidade de Jerusalém, então primeiro os judeus serão de lá libertados, para depois terem lugar a promessa do novo chefe davídico e a reunião dos exilados com os judeus que ficaram na terra (ou a reunião do antigo reino do Norte com o reino de Judá).
Outra interpretação entende que a parturiente é a mãe do chefe prometido, descendente de Davi. O texto estaria relendo a profecia do Emanuel (cf. Is. 7,14) e aplicando-a a um tempo posterior. A tradição cristã viu nas características desse chefe prometido e na missão que lhe é outorgada a figura de Jesus (cf. Mt. 2,6; Jo. 7,42). Identificou, assim, a parturiente com sua Mãe. É nesse sentido cristológico que o texto tem lugar na liturgia de hoje. Ele fala do “Senhor”, do qual Maria é mãe (cf. Lc. 1,43).
2. Evangelho (Lc. 1,39-45) Os protagonistas da cena são as duas mulheres.
Seus filhos, porém, estão presentes e exercem também papel importante. João salta (de alegria, v. 44), e isso tem um efeito em sua mãe, que fica repleta do Espírito (v. 41). Jesus é aquele que indica quem é Maria: ela é a mãe do Senhor (v. 43); ela é “bendita” porque seu filho é “bendito” (v. 42).
Das duas mulheres, Maria é posta em evidência, e isso sob vários títulos:
Maria é “bendita entre todas as mulheres” (v. 42), uma expressão semita que expressa que ela é abençoadíssima.
Sendo “mãe do Senhor”, ela é implicitamente apresentada como mãe de Deus, já que o nome “Senhor” substituiu, na tradição judaica, o nome santo de Deus revelado a Moisés (cf. Ex. 3,14).
Sua palavra a Isabel comunica algo mais que uma simples saudação. Tem como efeito primeiro que João salta de alegria no ventre da mãe. Não se trata de um movimento natural, mas da manifestação daquela alegria que, no evangelho de Lucas, indica a chegada da salvação (cf. Lc. 2,10). Por isso, entende-se que Isabel tenha sido tocada pelo Espírito (v. 42).
Não se diz qual foi a saudação de Maria. Importa tão somente que sua palavra comunica uma realidade salvífica. É sua presença, sua voz (v. 44), e não o conteúdo de suas palavras que produzem esses efeitos em João e Isabel.
Pois é a saudação da “cheia de graça”, que traz consigo o Senhor (cf. 1,28).
Ela é aquela que acreditou. Isso a define em relação a Deus. O anjo comunicou a mensagem divina, e ela creu (v. 38), aceitou a palavra, mesmo de algo impossível humanamente. A fé é entrega à Palavra de Deus com a certeza de que ela não falhará, pois Deus é veraz e fiel. Ela se inicia no presente, mas olha para o futuro (“porque... será cumprido”, v. 45). Por isso, a fé compromete a pessoa inteira. Toda a vida de Maria recebe agora novo rumo. Tudo estará concentrado nesse Filho que ela concebeu, dará à luz, seguirá até a cruz. E, após a ressurreição, ela acompanhará os discípulos de seu Filho, a Igreja nascente (cf. At. 1,14).
No quarto domingo do Advento, às portas da celebração do Natal, a Igreja nos faz voltar os olhos para contemplar a Mãe de Deus, em sua grandeza e simplicidade, como aquela que colaborou com todo o seu ser no plano de Deus para a humanidade inteira. Ela se torna, assim, ícone, modelo para aqueles que celebram a vinda do Senhor. Rememorando o nascimento de Jesus na história humana, eles vivenciam sua vinda na sua própria consciência e no coração deste mundo, na expectativa da consumação final do Reino.
Maria, porém, não é somente modelo exterior para o cristão. Como nossa mãe na fé (cf. Jo. 19,27), ela colabora para que sejamos moldados à imagem de seu Filho (cf. Rm. 8,29), sendo ela mesma a primeira imagem dele.
Segunda leitura (Hb 10,5-10)
Confrontando os sacrifícios da Lei com o sacrifício de Cristo, a carta aos Hebreus mostra nessa passagem a superioridade desse último. Os sacrifícios da antiga Lei não eram capazes de eliminar realmente o pecado. Pois, por as vítimas serem animais (ou outros bens criados), não comprometiam em seu íntimo o ser humano. Além disso, entre o animal imolado e Deus não se podia verdadeiramente estabelecer uma comunhão. Os sacrifícios eram representações da entrega que o ser humano queria fazer de si mesmo a Deus.
O sacrifício de Cristo, ao contrário, realiza o perdão e a comunhão de modo definitivo.
Porque:
É um sacrifício que engajou a consciência, o coração do Verbo encarnado. É expressão de sua obediência absoluta ao Pai: “vim, ó Deus, fazer a tua vontade” (v. 7.9; cf. Jo. 6,38; Lc. 22,42). Por isso é aceito, pois realiza o plano de Deus, a sua vontade, que é o determinante no ato cultual e o que garante que o sacrifício atinja sua finalidade (v. 10).
Ele inclui todo o ser: surge do amor do Verbo e abarca a humanidade de Cristo, incluindo a realidade de seu corpo (seu ser histórico todo): “não quero sacrifício e oferenda... mas me formaste um corpo” (v. 5).
Graças à humanidade assumida pelo Filho de Deus, graças à encarnação, pôde ser oferecido ao Pai o sacrifício que redime a relação entre o homem e Deus. Sendo então uma oferta perfeita, que cumpre totalmente a vontade, o desígnio, do Pai, realiza a santificação do gênero humano – e isso uma vez para sempre, sem precisar ser repetido (v. 10).
Às portas do Natal, Hb. 10,5-10 nos relembra que aquele Senhor que celebramos em seu nascimento é o Filho que se fez homem para, tornando-se um de nós, oferecer ao Pai o culto de verdadeira adoração, de louvor e expiação. Sua vinda na carne é obediência ao plano de amor do Pai (cf. Jo. 3,16). E, entrando num mundo marcado substancialmente pelo pecado, Ele se oferece como sacrifício de perdão. Restabelece, assim, a comunhão quebrada e a paz.
Dicas para reflexão
– Como posso/podemos colaborar para que a obra do Messias, de estabelecer um reinado de paz na terra, chegue até os confins deste mundo, ao âmago de nossa sociedade e das consciências de nossos irmãos?
– Que importância tem Maria na minha vida pessoal e de minha comunidade? Que relação tenho com a Mãe do Senhor? Como ela pode ser para mim espelho?
– Sei interpretar a vinda do Filho de Deus a esta história dentro do plano do Pai que tanto amou o mundo?
Maria de Lourdes Corrêa Lima

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Celebrar a eucaristia é sentir que a salvação nasce dos pobres. É nos pequenos das roças e periferias que hoje Jesus se encarna, devolvendo-lhes a esperança e a paz (1º leitura e evangelho)
As comunidades cristãs, pequeno resto, reúnem-se para celebrar este evento libertador: o nascimento, morte e ressurreição de Jesus, que, em seu corpo, nos santificou e libertou, perdoando nossos pecados. A melhor resposta que podemos dar-lhe, neste tempo de Advento, é esta: “Estamos aqui para fazer a tua vontade” (2º leitura).
A comunidade reunida, o pão partilhado, são sinais visíveis de que o mundo novo está começando com os que se comprometem com o reino de Deus. Na celebração sentimos que a realeza de Cristo se traduz na partilha do seu ser com os empobrecidos, criando a paz. Como Isabel, nós também perguntamos: “Como posso merecer que… o meu Senhor me venha visitar?” A proximidade do Deus que se faz pão e palavra de vida nos leva a exultar como João Batista no seio de sua mãe. Deus veio morar entre os empobrecidos. Encarnou-se neles para salvá-los!
1º leitura (Mq. 5,1 - 4a): Surgimento do poder popular
Miquéias exerceu sua atividade profética contemporaneamente a Isaías, em Judá. O seu foi um tempo difícil, caracterizado pela corrupção do poder e das lideranças, pela idolatria, que tem nos “porta-vozes palacianos” (profetas a serviço do poder político e econômico) seu ponto de sustentação, e pelo empobrecimento crescente do povo. Nesse tempo, Jerusalém, capital e sede do poder, está para ser tomada pelos inimigos.
O capítulo 5 de Miquéias é um clássico da teologia messiânica. Os estudiosos discutem se esse capítulo é da autoria do profeta ou se foi acrescido posteriormente. É mais provável que seja um oráculo – surgido dos meios populares rurais – acrescentado mais tarde. De fato, o trecho fala de um soberano que reina a partir dos pobres, rompendo com a ideologia palaciana central.
Esse oráculo messiânico serviu de inspiração para as camadas empobrecidas da sociedade. Embora não saibamos exatamente quando surgiu, é possível perceber nele um texto que critica e anula o tipo de poder que se instalou em Jerusalém, poder que traiu os objetivos da realeza davídica. O oráculo de hoje, portanto, poderia ter surgido das camadas populares às vésperas do exílio, ou do povo pobre que ficou no território durante o exílio, ou, ainda, entre os que, a duras penas, tiveram de reconstruir o país após o exílio. Isso é confirmado pelo fato de o texto hebraico ter sofrido muitos acertos e correções, o que torna impossível, hoje, uma tradução única.
O oráculo se inicia privilegiando Belém, uma aldeia do interior, desprezível aos olhos da corte instalada em Jerusalém. Essa localidade, pequena entre as vilas de Judá, será pátria daquele que vai governar Israel (v. 1). A salvação, portanto, não vem da capital e do poder aí instalado; vem da roça, exatamente como no início da monarquia em Israel, quando Deus escolheu Davi, um jovem pastor, para organizar e salvar seu povo. De fato, Belém era a cidade natal de Davi. Deus, portanto, mantém-se fiel à promessa davídica, conservando-lhe um descendente no trono (cf. 2 Sm. 7), mas muda completamente o modo de exercer o poder: será um poder popular, à semelhança do de Davi, em torno do qual se uniram os descontentes e explorados pelo poder absolutizado.
O v. 2 fala da restauração do povo. O profeta não acena para a época em que isso vai acontecer. Mostra, simplesmente, dois sinais: o da mulher que dá à luz e a volta dos exilados. Os dois sinais falam de vida nova e de nova sociedade: a mulher que dá à luz (que pode ser entendida em sentido coletivo; seria, então, símbolo de nova sociedade) e o retorno dos exilados vão marcar tempos novos para o povo de Deus. Isso vai ocorrer graças ao soberano que reina a partir dos pobres, instaurando novo modo de exercer o poder.
Evocando a memória de Davi, o rei-pastor, o v. 3 descreve as qualidades do poder popular. É poder a serviço do bem e da segurança do povo. Recupera-se, dessa forma, o ideal da realeza em Israel: defesa dos interesses populares mediante a conservação das fronteiras do país e mediante o exercício da justiça em favor dos pobres e oprimidos.
Os reis tiranos de Judá (e de Israel) mantinham-se no poder graças à ideologia palaciana de apoio (falsos profetas) e por meio da violência. O novo soberano terá outro tipo de sustentação: a força de Javé e o nome glorioso do Senhor Deus. O Deus libertador (Javé) vai conservar no trono o poder que defende os interesses e reivindicações das massas empobrecidas. O domínio desse rei será total (até os confins da terra) e o povo viverá em segurança. O poder popular vai trazer a plenitude dos bens (paz = shalom) para todo o povo (v. 4a).
Evangelho (Lc. 1,39 - 45): A salvação nasce dos pobres
Lc. 1,39 - 45 é a seção que costumamos chamar “a visita de Maria a Isabel”. Pertence aos relatos do nascimento e infância de Jesus. A preocupação central de Lucas não é demonstrar como as coisas aconteceram. Ele pretende fazer uma releitura dos fatos à luz do evento da morte-ressurreição de Jesus, a fim de iluminar a caminhada das primeiras comunidades cristãs. Não se trata, pois, de curiosidade histórica, mas de leitura teológica. Com isso, os primeiros cristãos vibravam intensamente com o fato de a salvação nascer dos pobres.
A Trindade se revela nos pobres
Na anunciação, o anjo informara Maria a respeito da gravidez de Isabel, com a garantia de que nada é impossível para Deus (1,37). Ao declarar-se serva do Senhor (v. 38), Maria concebe Jesus e, como sinal do seu serviço, dirige-se apressadamente à casa de Zacarias, ao encontro de Isabel (vv. 39 - 40).
A cena mostra o encontro de duas mães agraciadas com o dom da fecundidade e da vida (Isabel, além de idosa, era estéril; Maria não teve relações com nenhum homem). O trecho mostra também o encontro de duas crianças, o Precursor e o Salvador, sob o dinamismo do Espírito Santo. Jesus fora concebido por obra do Espírito; João Batista exulta no seio de Isabel, que, cheia do Espírito Santo, proclama Maria bendita e bem-aventurada. Bendita porque missionária; bem-aventurada porque crê na palavra do Senhor. Simplesmente discípula, serva do Senhor e servidora do povo.
A cena mostra, sobretudo, que a Trindade se revela nos pobres e faz deles sua morada permanente. O Pai havia revelado a Maria o dom feito a Isabel, a marginalizada porque estéril, a que já não tinha esperanças de vida porque idosa e incapaz de conceber; o Espírito revela a Isabel que Maria, a serva do Pai, se tornou “mãe do Senhor” (v. 43). Assim a Trindade entra na casa dos pobres humilhados que esperam a libertação. Nesse sentido, é interessante esclarecer o significado dos nomes das personagens envolvidas na cena: Jesus (= Deus salva); João (= Deus é misericórdia); Zacarias (= Deus se lembrou); Isabel (= Deus é plenitude); Maria (= a amada). Em síntese, os pobres proclamam a misericórdia do Deus que se lembra dos pobres e vem morar com eles porque os ama, trazendo-lhes a plenitude da salvação.
b. Deus fecunda a fé
As palavras de Isabel a Maria (vv. 42b - 45) se inspiram nos elogios das mulheres libertadoras do Antigo Testamento: Jael (“Que Jael seja bendita entre as mulheres”, Jz. 5,24) e Judite (“Ó filha, bendita sejas para Deus altíssimo, mais que todas as mulheres da terra”, Jt 13,18). Abraão, pai dos que creem, também é bendito (cf. Gn. 12,2 - 3). O v. 42b se inspira, ainda, nas promessas de vida a Israel (“Será bendito o fruto do teu ventre” - Dt. 28,4).
Isabel proclama Maria bendita, ou seja, abençoada. Na Bíblia, as pessoas abençoam (benzem ou bendizem) quando descobrem a presença do Deus que salva. Maria é motivo de bênção porque se tornou o lugar privilegiado em que se experimenta Deus. O Antigo Testamento (Isabel e João) abençoa o Novo (Maria e Jesus). O Antigo Testamento reconhece a nova humanidade que está se formando no seio de Maria, o lugar privilegiado em que se experimenta Deus.
A expressão de alegria de Isabel ao acolher Maria (“Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?”) recorda o espanto de Davi ao acolher a Arca: “Como virá a Arca de Javé para ficar na minha casa?” (2 Sm. 6,9). Com base nesse paralelismo, a mariologia tradicional vê em Maria a arca da nova aliança, por ser ela a mãe do menino chamado Santo, Filho de Deus (Lc. 1,35). A exultação de João no seio de Isabel (v. 44) é a alegria do povo de Deus pela vinda do Messias. Com esse fato, Lucas quis registrar a realização das expectativas messiânicas: a misericórdia de Deus se revela agora em Jesus, que vem para salvar (cf. 1º leitura).
O elogio de Isabel a Maria vai além da maternidade física. A bem-aventurança de Maria (v. 45) é ter acreditado que as coisas ditas pelo Senhor iriam se cumprir. Isso está em perfeita sintonia com o Evangelho de Lucas, em que ela aparece como modelo do discípulo. O próprio Jesus afirma haver uma bem-aventurança que supera a da maternidade física: “Felizes, antes, os que ouvem a palavra de Deus e a observam” (cf. 11,27 - 28). Maria, a escrava do Senhor (1,28), merece a bem-aventurança dos ouvintes cristãos aos quais Lucas, em At. 2,18, chama de servos e servas do Senhor.
2º leitura (Hb. 10,5 - 10): Jesus, a oferta que agrada ao Pai e santifica as pessoas
O texto de Hebreus foi escrito para “um grupo de cristãos que se acham em grande perigo de rejeitar a fé em Jesus como revelador e portador da salvação. Eles sentem dificuldade em aceitar tanto a forma humilhante e dolorosa da aparição terrestre de Jesus (Hb. 2) como os próprios sofrimentos que estão tendo de suportar por serem cristãos (10,32ss; 12,3ss) e ainda a desilusão de não verem realizada a salvação final (10,36s; 3,14; 6,12). Por outro lado, parece que a religião do Antigo Testamento exerce forte influência nesse grupo. Pode-se supor que sejam judeus convertidos da comunidade cristã de Roma. O escrito é de grande importância no quadro geral do Novo Testamento, pelo fato de apresentar Jesus como aquele que supera a instituição cultual do Antigo Testamento… O único fato salvador a obter uma vez por todas o perdão é o sacrifício de Jesus, que derramou seu sangue e entregou sua vida por nós. Jesus é, portanto, o único mediador entre Deus e os homens. Doravante, ele é o único santuário e sacerdote, e o sacrifício por ele realizado é, daqui por diante, o único agradável a Deus (9,11 - 14)”
Os versículos deste domingo pertencem à parte central do texto (5,11 - 10,39), cujo tema é o valor sem igual do sacrifício de Cristo. O autor apresenta a tríplice incapacidade da Lei:
1. Ela possui apenas a sombra dos bens futuros (10,1);
2. O sangue dos sacrifícios que ela prescreve – imolação de touros e bodes – é incapaz de eliminar os pecados do povo;
3. Os sacerdotes que presidem esses sacrifícios são incapazes de eliminar os pecados. Isso deveria ser motivo de consternação e desânimo para a comunidade cristã se Deus não tivesse, em Jesus, apresentado a definitiva novidade libertadora.
O texto deste domingo quer mostrar a novidade do único sacrifício de Jesus. O autor se esmera em trazer provas indiscutíveis: o testemunho do Antigo Testamento. Diante da incapacidade dos sacrifícios e oferendas antigos de libertar as pessoas de seus pecados, Deus dá um corpo a Jesus. E é em seu corpo, entregue à morte, que ele realiza a vontade do Pai. A prova escriturária do Antigo Testamento que o autor apresenta é o Salmo 40,6 - 8 (cf. Hb. 10,5 - 8). Esse salmo é uma ação de graças em que o fiel agradece a Deus a libertação obtida gratuitamente. Como, pois, agradecer a Deus? Mediante sacrifícios no Templo? Não. O salmista aponta a novidade da ação de graças: reconhece a salvação gratuita de Deus e, como resposta, entrega-se pessoalmente, disposto a cumprir a vontade divina.
O autor aplica esse salmo à missão de Jesus: “Tu não quiseste e não te agradaram sacrifícios, oferendas, holocaustos e sacrifícios pelo pecado. Trata-se de oferendas prescritas pela Lei!” (Hb. 10,8). Jesus, em seu corpo, supera o complexo sistema sacrifical do Antigo Testamento, inaugurando a novidade e a unicidade do seu sacrifício – ele se entrega pessoalmente para remir o povo: “Aqui estou eu para fazer a tua vontade” (v. 9). Pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez para sempre, os cristãos são santificados e recebem o perdão de seus pecados (v. 10).
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Maria do Natal
Nas vésperas do Natal mais um encontro com Maria, com a cidade de Belém e com esse Jesus que, ao entrar no mundo afirma, segundo a Carta aos Hebreus,  que veio fazer a vontade do Pai.
Vamos transcrever algumas passagens dos Padres da Igreja a respeito da glória e da beleza da Mãe  de Jesus, de Maria do Natal.
“Esteja em cada um de vós a alma de Maria para engrandecer o  Senhor: em cada um esteja o espírito de Maria para exultar em Deus. Embora segundo a natureza haja uma só Mãe do Cristo, segundo a fé o Cristo é fruto de todos; pois toda alma recebe o Verbo de Deus desde que sem mancha e libertada do pecado, guarda a castidade com inteira pureza”  (Santo Ambrósio de Milão).
“Abre, ó Virgem Santa,  teu coração à fé, teus lábios ao consentimento,  teu seio ao Criador.  Eis que o desejado de todas as nações bate à tua porta. Ah!  Se tardas e ele passa, começarás novamente a procurar com lágrimas aquele que teu coração ama!  Levanta-te, corre, abre. Levanta-se pela fé, corre pela entrega a Deus, abre pelo consentimento. Eis aqui, diz a Virgem,  a serva do Senhor;  faça-se em mim segundo a tua palavra”  (São  Bernardo de Claraval).
“Amamenta, ó Mãe, o nosso alimento; amamenta o pão vindo do céu e posto no presépio para ser a comida  dos santos que tomam o lugar dos animais. É ali que o boi reconhece o seu dono e o jumento a manjedoura de seu Senhor;  trata-se dos circuncisos  e incircuncisos, unidos na pedra angular, cujas primícias foram os pastores e os magos.  Amamenta  quem te fez tal que pudesse ele mesmo se fazer em ti, que ao ser concebido te trouxe o dom da  fecundidade e que, uma vez nascido, não te privou da honra da virgindade;  que antes de nascer escolheu para si tanto o seio do qual nasceria, como o dia em que nasceria. E ele mesmo realizou o que escolheu, para ser como esposo  que sai da câmara nupcial, visível aos olhos dos homens, e testemunhar que ele é a luz espiritual, juntamente no dia do ano em que a luz começa a aumentar”  (Santo Agostinho).
“Maria, imensamente digna de ser Mãe do  Filho de Deus, depois do colóquio com o anjo, devia também subir a montanha e permanecer nas alturas.  Por isso  está escrito: Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa (Lc  1,39).   Porque era solícita e diligente, devia igualmente apressar-se com zelo e, cheia do Espírito Santo, ser conduzida às alturas, protegida pelo poder de Deus, cuja sombra já a envolvera” (Orígenes).
frei Almir Ribeiro Guimarães
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A irrupção do Mistério de Deus em nossa vida
Se, no domingo anterior, se podia dizer que os raios do Sol Iustitiae já abrasavam o horizonte, na liturgia de hoje, rodeada pelas antífonas “Ó” (2), se abrem as nuvens da madrugada. Irrompe em nossa humanidade, de modo indescritível e fascinante, a atuação definitiva do amor de Deus.
A oração do dia evoca todo o Mistério da Salvação, desde a anunciação do anjo a Maria até a Ressurreição do Cristo. O que celebramos no Natal não é apenas o nascimento de um menino, mas a irrupção da obra de Deus como realização definitiva da história humana.
A 1ª leitura tem o efeito de um aperitivo. Evoca o paradoxo da minúscula cidade de Belém, que, porém, é grande por causa de Javé, que cumprirá sua promessa de chamar novamente um “pastor” da casa de Jessé (pai de Davi). A pequena cidade toma-se sinal do plano inicial de Deus (“suas origens remontam a tempos antigos”; Mq. 5,1). Não é a grandeza segundo critérios humanos, que é decisiva para Deus. Isso se mostra plenamente no mistério que se manifesta em Maria.
O evangelho de hoje abraça dois extremos: a humildade de uma serva, que vai ajudar sua prima no fim da gravidez, reforçada nesta disponibilidade por estar ela mesma grávida; e a grandeza de seu Senhor, que ela exalta no júbilo do Magnificat. Esta complectio oppositorum revela o mistério de Deus nela. Sua prima, Isabel, ou melhor, o filho desta, João, ainda no útero, toma-se porta-voz deste Mistério. Pois ele é profeta, ”chamado desde o útero de sua mãe”. Saltando no seio de sua mãe, aponta o Salvador escondido sob o coração de Maria. E Isabel traduz: “Tu és a mulher mais bendita do mundo e bendito é também o fruto de teu seio … Feliz és tu, que acreditaste”. Isabel sabe que o mistério de Deus só acontece onde é acolhido na fé, na confiança posta nele. Esta fé não é um frio e intelectual “Amém” a obscuridades lógicas, mas engajamento pessoal numa obra de dimensões insondáveis. Um risco: uma mocinha do povo carrega em si o restaurador da humanidade. Mas Maria conhece o modo de agir de Deus. O Magnificat o demonstra (vale ler mais do que somente as palavras iniciais). Deus opera suas grandes obras naqueles que são pequenos, porque não são cheios de si mesmos e lhe deixam espaço. O espaço de um útero virginal. O espaço de uma disponibilidade despojada de si.
O próprio enviado de Deus confirma esta maneira. “Eis-me que venho para fazer tua vontade”. Esta frase de Sl. 40[39] realiza-se em plenitude no Servo por excelência, Jesus, que vem ao mundo para tomar supérfluos todos os sacrifícios e holocaustos, já que ele mesmo imola de modo insuperável sua existência, em prol dos seus irmãos (2ª leitura).
Serviço e grandeza, duas faces inseparáveis do Mistério de Deus cuja manifestação celebraremos dentro de poucos dias. Mistério do amor. Claro, amor é uma palavra humana. Deus é sempre mais do que conseguimos dizer. Dizem que o amor movimenta o mundo, mas é preciso ver de que amor se trata. O amor autêntico recebe sua força da doação. Num sentido infinitamente superior, se pode dizer isso de Deus também. O que aconteceu em Jesus no-lo revela. Este amor de Deus para os homens ultrapassa o que entendemos pelo termo amor, mas é um amor verdadeiro, comparável quase com o amor dos esposos, quando autêntico: os céus que fecundam a terra, Deus que cobre uma humilde criatura com sua sombra. A liturgia não tem medo destas imagens. Fecundada pelo orvalho do Céu, a terra se abre para que brote o Salvador.
(2) Sugerimos que se procure reaproveitar as tradicionais “antífonas Ó” (17 a 23 de dez.), por causa de sua densidade simbólica e valor musical.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Maria, depois de ter recebido do anjo a missão tão importante de ser a mãe do Filho de Deus, o Salvador do mundo, colocou-se a serviço na casa de Isabel que precisava de ajuda. Ela foi para Ain Karim que ficava mais ou menos160 Kmde distância de Nazaré, onde morava. Ali chegando, santifica a casa de Isabel com a presença do Senhor. Maria é motivo de benção porque tornou-se o lugar privilegiado onde se experimenta Deus.
As duas mães então se encontram. São duas mulheres que mudam o rumo da história, simplesmente pelo fato de aceitarem a graça de serem mães. Isabel traz em seu ventre João Batista, o Precursor, e Maria traz o Salvador, Jesus.
João Batista supera todos os profetas. Ele vem antes para preparar o caminho e, ainda no ventre, se alegra ao sentir a presença do próprio Jesus, no seio de Sua Mãe, e então inicia ali mesmo, a sua missão de anunciar o Senhor.
A visitação de Maria a Isabel é a ‘visita de Deus ao seu povo’. Ela iniciou sua missão levando-O até Isabel como compromisso de levar Seu Fiho à humanidade, e é aclamada, desde antes do nascimento de seu Filho, como a ‘Mãe do meu Senhor’.
A cena do encontro mostra que a Trindade se revela nos pobres e faz neles a sua morada permanente. Deus Pai revela à Maria o milagre realizado em Isabel, aquela que era marginalizada por ser estéril, e que não tinha mais esperança de vida porque, idosa, era incapaz de conceber. E o Deus Espírito revela a Isabel que Maria, a serva do Pai, se tornou mãe do Senhor, o Deus Filho.
A pergunta de Isabel: ‘Quem sou eu para que a mãe do meu Senhor venha me visitar?!’ Lembra as palavras do Rei Davi quando a Arca da Aliança estava sendo trazida de volta para Jerusalém depois de ter sido tomada pelos filisteus: Como poderia vir à minha casa a arca do Senhor? A arca simbolizava a presença do Senhor, o Deus de Israel, e Maria no evangelho é a própria arca, o abrigo vivo de Deus no meio dos homens.
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Eis a serva do senhor
Maria ocupou um lugar de destaque no advento da salvação, aceitando acolher a proposta de Deus de assumir a maternidade do Messias Jesus. A escolha de Maria não se explica, no plano humano. Era uma jovem, já prometida em casamento a um descendente da casa de Davi. Não pertencia a nenhuma família nobre e rica, e habitava numa cidade escondida e mal-afamada. Não passava por sua mente ligar-se, de algum modo, ao Messias. Humanamente falando, ela não possuía os requisitos necessários para ser mãe do Salvador.
O diálogo de Maria com o anjo revelou a imagem que ela fazia de si mesma, bem como o que Deus pensava a respeito dela. Da parte de Deus, era considerada repleta de graça, amada por ele, bendita entre todas as mulheres. Em outras palavras, possuidora dos requisitos necessários para ser colaboradora de seu plano de salvação. Este requeria alguém totalmente disponível para Deus, despojado de si mesmo e dos próprios interesses, e disposto a assumir uma missão superior a tudo que se possa imaginar. Maria, por sua vez, tinha consciência de suas limitações. Não podia imaginar que Deus a tivesse em tão alta conta. Não conseguia conciliar a concepção do Messias com o fato de não ter conhecido homem algum. Estava longe de compreender o que significa conceber por obra do Espírito Santo. Contudo, como se sabia serva, não receou aceitar cegamente o projeto de Deus.
Oração
Senhor Jesus, que eu me deixe modelar pelo exemplo de Maria, a serva humilde que se fez capaz de assumir, com total disponibilidade, o projeto de Deus.
padre Jaldemir Vitório
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Nestes últimos dias antes do Natal, a mensagem fundamental da Palavra de Deus gira à volta da definição da missão de Jesus: propor um projeto de salvação e de libertação que leve os homens à descoberta da verdadeira felicidade.
O Evangelho sugere que esse projeto de Deus tem um rosto: Jesus de Nazaré veio ao encontro dos homens para apresentar aos prisioneiros e aos que jazem na escravidão uma proposta de vida e de liberdade. Ele propõe um mundo novo, onde os marginalizados e oprimidos têm lugar e onde os que sofrem encontram a dignidade e a felicidade. Este é um anúncio de alegria e de salvação, que faz rejubilar todos os que reconhecem em Jesus a proposta libertadora que Deus lhes faz. Essa proposta chega, tantas vezes, através dos limites e da fragilidade dos “instrumentos” humanos de Deus; mas é sempre uma proposta que tem o selo e a força de Deus.
A primeira leitura sugere que este mundo novo que Jesus, o descendente de David, veio propor é um dom do amor de Deus. O nome de Jesus é “a Paz”: Ele veio apresentar uma proposta de um “reino” de paz e de amor, não construído com a força das armas, mas construído e acolhido nos corações dos homens.
A segunda leitura sugere que a missão libertadora de Jesus visa o estabelecimento de uma relação de comunhão e de proximidade entre Deus e os homens. É necessário que os homens acolham esta proposta com disponibilidade e obediência – à imagem de Jesus Cristo – num “sim” total ao projeto de Deus.
1ª leitura: Mq. 5,1-4a - AMBIENTE
O profeta Miqueias viveu e exerceu o seu ministério em Judá, nos sécs. VIII/VII a.C.. É originário de um meio campesino e conhece bem os problemas dos pequenos agricultores, vítimas de latifundiários sem escrúpulos. Por outro lado, a sua terra natal (Moreset Gat) está rodeada de fortalezas militares; e a presença nessas fortalezas de militares e de funcionários reais faz com que os habitantes dessa região conheçam um quadro de violência, de roubos, de impostos excessivos, de trabalhos forçados… O mais grave é que os opressores consideram que Deus está do seu lado e invocam as grandes tradições religiosas de Israel para justificar a opressão.
O livro de Miqueias começa por descrever (cap. 1-3) os graves pecados de Israel e de Judá sublinhando, sobretudo, os pecados sociais, apresentando-os como infidelidade grave aos compromissos assumidos no âmbito da “aliança” e denunciando esta “teologia da opressão”. No entanto, o texto que nos é hoje proposto está integrado na segunda parte do livro (que a maior parte dos comentadores admite não vir de Miqueias, mas sim de um profeta anônimo da época do exílio na Babilônia), onde se apresenta um conjunto de oráculos de salvação, destinados a animar a esperança do Povo (cap. 4-5).
MENSAGEM
O texto que nos é proposto retoma as promessas messiânicas. Num quadro de injustiça e de sofrimento – e, portanto, de frustração e de desânimo – o profeta anuncia a chegada de um personagem, no futuro, que reinará sobre o Povo de Deus. Esse personagem, enviado por Deus, será da descendência davídica, supondo-se, portanto, que poderá restaurar esse tempo de paz, de justiça e de abundância que o Povo de Deus conheceu na época ideal do rei David. A última frase desta leitura (“Ele será a Paz”) define o conteúdo concreto desta esperança: a palavra “shalom” aqui utilizada significa tranquilidade, ausência de violência e de conflito, mas também bem-estar, abundância de vida, numa palavra, felicidade plena.
ATUALIZAÇÃO
• A releitura cristã vê nesta promessa de Deus veiculada por Miqueias uma referência a Jesus, o descendente de David, nascido em Belém. A missão de Jesus não passa, no entanto, pela instauração do trono político de David (um reino que se impõe pela força, pela riqueza, pelas jogadas políticas e diplomáticas), mas sim pela proposta de um reino de paz e de amor no coração dos homens.
• Os cristãos, seguidores de Jesus, são a comunidade que aceitou o convite para integrar esse “reino” de paz e de amor que Jesus veio propor. É esse o “reino” que nos esforçamos por construir? Somos, verdadeiramente, comprometidos com a causa da paz, preocupamo-nos em eliminar tudo aquilo que destrói a vida ou a dignidade de qualquer homem ou qualquer mulher? Como reagimos diante das injustiças, das arbitrariedades, do sofrimento, da miséria: com conformismo e medo, ou com o espírito profético de membros da comunidade do “reino” de Jesus?
• A mensagem deste texto faz-nos constatar, também, a presença contínua de Deus na história humana. Apesar do egoísmo e do pecado dos homens, Deus continua a preocupar-Se connosco, a querer indicar-nos que caminhos percorrer para encontrar a felicidade. A vinda de Cristo, Aquele que é “a Paz”, insere-se nesta dinâmica.
2ª leitura: Hb. 10,5-10 - AMBIENTE
A “carta aos Hebreus” é um texto anônimo, escrito, provavelmente, pouco antes do ano 70 e destinado a uma comunidade cristã constituída maioritariamente por cristãos vindos do judaísmo. É uma comunidade que já não é de fundação recente e onde o entusiasmo inicial parece ter dado lugar a uma fé “morninha” e pouco comprometida; a perspectiva de novas dificuldades provoca o desânimo; e começa a haver um real perigo de desvios doutrinais.
A “carta” é uma apresentação do mistério de Cristo, sublinhando especialmente a dimensão sacerdotal da sua missão. Recorrendo à linguagem litúrgica judaica, o autor apresenta Jesus como o “sumo sacerdote” da nova “aliança”, que faz a mediação entre Deus e os homens. Na sequência, o autor aproveita para refletir sobre a condição cristã que deriva da missão sacerdotal de Cristo: os crentes, postos em relação com o Pai por Cristo sacerdote, são inseridos nesse Povo sacerdotal que é a comunidade cristã e devem fazer da sua vida um contínuo sacrifício de louvor, de ação de graças e de amor.
O texto que nos é proposto pertence à terceira parte da carta (Heb. 5,11-10,39). Aí, o autor reflete sobre os traços primordiais do sacerdócio de Cristo.
MENSAGEM
No mundo vétero-testamentário, quem queria celebrar a sua comunhão com Deus, ou manifestar a sua entrega absoluta a Deus, ou obter o perdão dos seus pecados, oferecia em sacrifício um animal, que o sacerdote entregava nas mãos de Jahwéh… No entanto, a inutilidade e a ineficácia destes sacrifícios tinha sido já afirmada pelos profetas (cf. Is. 1,11-13; Jr. 6,20; 7,22; Os. 6,6; Am. 5,21-25; Mq. 6,6-8), porque se tratava de ritos externos, que nem sempre correspondiam a uma atitude sincera do coração do oferente.
Pondo na boca de Jesus as palavras de um salmista (cf. Sl. 40,7-9), o autor da “Carta aos Hebreus” afirma que, no mundo da nova “aliança”, não é já o sacrifício de animais que realiza a comunhão com Deus, a entrega absoluta do crente a Deus, o perdão dos pecados; é a encarnação de Jesus, a entrega total da vida do próprio Cristo, o seu respeito absoluto pelo projeto e pela vontade do Pai que permitem a aproximação e a relação do homem com Deus. Quem quiser descobrir o Pai e aproximar-se d’Ele, olhe para Jesus; porque Jesus ensinou-nos, com a sua obediência ao projeto do Pai, como deve ser essa relação de filiação com Deus.
ATUALIZAÇÃO
• A encarnação de Jesus e o seu “eis-Me aqui, Pai” correspondem ao projeto de Deus de aproximar os homens de Si, de estabelecer com eles uma relação de filiação e de amor. Nestes dias em que preparamos o Natal, somos convidados a contemplar a ação de um Deus que ama de tal forma os homens que envia ao nosso encontro o Filho, a fim de nos conduzir à comunhão com Ele.
• O encontro com Deus não é feito a partir de rituais externos (as prendas, a comida, os cânticos, as procissões, as orações, as liturgias solenes, o incenso, os paramentos sumtuosos), mas é feito a partir de Cristo, o Filho que entrega a vida, a fim de que o projeto do Pai se torne presente na vida dos homens e de que os homens, aprendendo o amor e a entrega total, aceitem tornar-se “filhos de Deus”.
• O encontro com Cristo significa aprender com Ele a obediência e a disponibilidade ao projeto de Deus. Como nos situamos, diante desta proposta: contam mais os nossos interesses pessoais (ainda que legítimos), ou o projeto de Deus?
Evangelho: Lc. 1,39-47 - AMBIENTE
O texto que nos é proposto faz parte do chamado “Evangelho da Infância”. Os estudos atuais falam do “Evangelho da Infância” como um gênero literário especial, que se pode chamar “homologese”: é um gênero que não pretende ser um relato fidedigno sobre acontecimentos, mas antes uma catequese destinada a proclamar as realidades salvíficas que a fé prega sobre Jesus (que Ele é o Messias, o Filho de Deus, o Deus connosco). Desenvolve-se em forma de narração e recorre às técnicas do midrash haggádico (uma técnica de leitura e de interpretação do Antigo Testamento usada pelos rabbis judeus na época em que foi escrito o Novo Testamento). A “homologese” utiliza, de preferência, tipologias: fatos e pessoas do Antigo Testamento encontram a sua correspondência em fatos e pessoas do Novo Testamento. Pelo meio, misturam-se elementos apocalípticos (aparições, anjos, sonhos), destinados a fazer avançar a narração e a explicitar as idéias teológicas e a catequese sobre Jesus. É esta mistura de elementos que podemos encontrar no Evangelho de hoje: mais do que uma informação “jornalística” sobre fatos concretos, trata-se de uma catequese sobre Jesus, feita a partir de um conjunto de referências tiradas da mensagem e das promessas do Antigo Testamento.
MENSAGEM
A primeira referência vai para a indicação de que, à saudação de Maria, o menino (João Baptista) saltou de alegria no seio da mãe. Trata-se, evidentemente, de uma indicação teológica: para Lucas, Jesus é o Deus que vem ao encontro dos homens, e que tem uma mensagem de salvação/libertação que concretiza as promessas feitas por Deus aos antepassados; logo, a presença de Jesus provoca a alegria, o estremecimento gozoso de todos aqueles que esperam a concretização das promessas de Deus e que vêem na chegada de Jesus a realização das promessas de um mundo de justiça, de amor, de paz e de felicidade para todos os homens. Através de Jesus, Deus vai oferecer a salvação a todos; e isso provoca um estremecimento incontrolável de alegria, por parte de todos os que anseiam pela concretização das promessas de Deus.
Temos, depois, a resposta de Isabel à saudação de Maria: “Bendita és tu entre as mulheres”. Trata-se de palavras que aparecem no “cântico de Débora” (cf. Jz 5,24) para celebrar Jael, a mulher que, apesar da sua fragilidade, foi o instrumento de Deus para libertar o Povo das mãos de Sísera, o opressor. Maria é, assim, apresentada – apesar da sua fragilidade – como o instrumento de Deus para concretizar a salvação/libertação dos homens.
Finalmente, temos a resposta de Maria: “a minha alma enaltece o Senhor…”. A resposta de Maria retoma um salmo de acção de graças (cf. Sl 34,4), destinado a dar graças a Jahwéh porque protege os humildes e os salva, apesar da prepotência dos opressores. É um salmo de esperança e de confiança, que exalta a preocupação de Deus para com os pobres que são vítimas da injustiça e da opressão. Sugere-se, claramente, que a presença de Jesus, através dessa mulher simples e frágil que é Maria, é um sinal do amor de Deus, preocupado em trazer a libertação a todos os que são vítimas da prepotência e da injustiça dos homens. Com Jesus, chegou esse tempo novo de libertação, de paz e de felicidade anunciado pelos profetas.
ATUALIZAÇÃO
• A presença de Jesus neste mundo é, claramente, a concretização das promessas de salvação e de libertação feitas por Deus ao seu Povo. Com Jesus, anuncia-se a eliminação da opressão, da injustiça, de tudo aquilo que rouba e que limita a vida e a felicidade dos homens. Jesus, ao “nascer” entre nós, tem por missão propor um mundo onde a justiça, os direitos humanos, a dignidade, a vida e a felicidade das pessoas são absolutamente respeitados. Dizer que Jesus, hoje, nasce no nosso mundo significa propor esta mensagem libertadora e salvadora.
• Nós, que somos no mundo o rosto vivo de Jesus, propomos esta boa notícia? Os pobres, os que sofrem, todos os que são vítimas de opressão e suspiram ansiosamente por um mundo novo encontram no nosso anúncio esta proposta? Esta mensagem libertadora é a nossa proposta fundamental, ou dispersamo-nos em propostas laterais (o dinheiro que a comunidade tem em caixa para construir novas igrejas, a apresentação dos novos paramentos, as “bocas” que atiramos aos nossos opositores na comunidade, as questões de organização), que dizem muito pouco acerca do essencial?
• O “estremecimento” de alegria de João Baptista no seio de Isabel é o sinal de que o mundo espera com ânsia uma proposta verdadeiramente libertadora. Nós, os cristãos, somos verdadeiramente o veículo desta mensagem?
• A proposta libertadora de Deus para os homens alcança o mundo através da fragilidade de uma mulher (recordar o contexto social de uma sociedade patriarcal, onde a mulher pertence à classe dos que não gozam de todos os direitos civis e religiosos) que aceita dizer “sim” a Deus. É necessário ter consciência de que é através dos nossos limites e da nossa fragilidade que Deus alcança os homens e propõe o seu projeto ao mundo.
• Maria, após ter conhecimento de que vai acolher Jesus no seu seio, parte ao encontro de Isabel e fica com ela, solidária com ela, até ao nascimento de João. Temos consciência de que acolher Jesus é estar atento às necessidades dos irmãos, partir ao seu encontro, partilhar com eles a nossa amizade e ser solidário com as suas necessidades?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!”
O Tempo do Advento está terminando. Estamos iniciando a quarta e última semana de preparação para a Festa do Natal. Hoje ao acendermos a 4ª vela da Coroa do Advento observamos uma claridade bem maior que representa a chegada plena da Luz no seio bendito de Maria – cheia de graça. Maria torna-se habitação viva de Deus entre nós. Como portadora da Salvação põe-se a caminho e no encontro serviçal com sua prima Isabel experimenta a alegria da realização das promessas de Deus. Assim que entrou na casa saudou Isabel que iluminada pelo Espírito Santo compreendeu os acontecimentos e exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” (Lc. 1,43-44). Que encontro maravilhoso entre estas duas mulheres (Maria e Isabel) e das duas crianças (João Batista e Jesus), primeira e segunda aliança que se entrelaçam. O Evangelho deste 4º Domingo do Advento abraça dois extremos: a humildade de uma serva que vai ajudar sua prima no fim da gravidez reforçada nesta disponibilidade por estar ela mesma grávida e a grandeza de seu Senhor que ela exalta no júbilo do Magnificat. Serviço e grandeza, duas faces inseparáveis do Mistério de Deus. Que encontro maravilhoso de duas mulheres agraciadas com o dom da fecundidade e da vida. O evangelista relata em uma única cena dois momentos extraordinários: duas gestantes, uma cheia do Espírito Santo e outra bendita entre as mulheres trazendo em seu ventre o fruto bendito: o Salvador. O texto afirma que Isabel é cheia do espírito Santo, pois além de idosa e estéril está gestante. O Salvador presente no seio de Maria vai ao encontro de Isabel que simboliza a humanidade inteira. O Natal está próximo e todos os olhares se voltam para Belém. Na primeira leitura o profeta Miquéias 5,1-4, afirma que Belém é pequenina entre os mil povoados de Judá. Mas é justamente ali em um lugar escondido e simples numa manjedoura perdida que Deus escolheu para se fazer presente entre nós. No próximo dia 25 a cristandade celebra a data magna de sua fé. Sabemos que o verdadeiro sentido do Natal está longe dos brilhos do consumismo desenfreado que prioriza o velho Noel. A Liturgia do Advento aponta para a necessidade de ver e acolher aquele Menino cheio de vida, a verdadeira Luz que é Jesus. Quem segue esta estrela de Belém não andará nas trevas. Mais de dois mil anos se passaram e ainda encontramos corações que se parecem com a hospedaria de Belém: sem lugar. Novamente é Natal e novamente Jesus quer renascer no presépio de seu coração. É chegada à hora de tirar a tramela, abrir a porta e deixar entrar o Rei da Gloria. Nesta transição de 2012 para 2013 desejo a todos um abençoado Natal, para que o Menino Jesus encontre no seu coração uma manjedoura bem aconchegante.
Pedro Scherer
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"Bem-aventurada aquela que acreditou"
Venho fazer tua vontade
A liturgia clama pela vinda do Salvador: "Derramai, ó céus, lá do alto, o vosso orvalho... Abra-se a terra e produza a salvação" (Is. 44,8). Deus nos deu um Salvador, Jesus. Na oração da missa de hoje pedimos: "Derramai, ó Deus, a vossa graça em nossos corações, para que, conhecendo pela mensagem do Anjo a Encarnação do vosso Filho, cheguemos, por sua Paixão e Cruz, à glória da Ressurreição". Celebramos o único mistério de Cristo que celebra sua Manifestação. O mistério pascal de Cristo acontece em sua amorosa "obediência" à vontade do Pai, como proclama a carta aos Hebreus: "Ao entrar no mundo ele afirmou: Eis-me aqui! Eu vim ó Deus para fazer tua vontade. Graças a esta vontade é que somos santificados" (Hb. 10,5 - 10). Maria participa deste mistério de obediência ao dizer: "Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc. 1,38). Torna-se cheia do Espírito Santo. A Palavra viva no seio de Maria comunica a Isabel o Espírito que faz exultar o menino João. Ela é a arca da aliança que tem a presença de Deus. Isabel, cheia do Espírito, proclama a bem-aventurança da fé que acontece em Maria: "Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu". Em Maria, é toda a humanidade que acolhe o Salvador. Em Isabel, toda humanidade proclama a fé de Maria. A redenção chega a todo o universo por Jesus que nos vem pela Mãe do Senhor. O Espírito que fecundou o seio de Maria e encheu de júbilo Isabel e o menino que estava em seu seio, fecunda sua Igreja na celebração do Natal para que ela, fiel como Maria, possa acolhê-lo e manifestá-lo.
Comunidade de amor
Não podemos contemplar a cena da visita de Maria a Isabel como uma cena de comadres que se ajudam na gravidez de um menino temporão. A primeira caridade é levar a graça da salvação. A visita é a celebração da efusão do Espírito e da bem-aventurança da fé de Maria, a Filha de Sião, ícone de toda humanidade grávida do Filho de Deus. Em Maria se realiza a profecia de Isaias: "Ele será chamado Emanuel, que quer dizer, Deus conosco" (Is. 7,14 e Mt. 1,23). O gesto amoroso de Maria para com sua prima é uma irrupção do Espírito. Todo gesto de amor que a comunidade dos fieis realiza, será sempre uma presença do Espírito que continua dando a certeza que Deus não nos abandona, como ouvimos em Miquéias (Mq. 5,2). Somos convidados a deixar que o Espírito irrompa em nossa vida, e que nos tornemos dóceis à Palavra divina que traz o Salvador. Como Maria a Igreja diz: "eis a serva do Senhor!" (Lc. 1,38). Neste momento o Espírito Santo gera nela o Filho de Deus.
Natal, um mistério de obediência
A obediência recebeu uma marca negativa no correr da história. A obediência de Jesus que contemplamos na segunda leitura é a abertura à vontade de Deus. Procurar a vontade de Deus é ser obediente. A vontade de Deus não escraviza ou coíbe os projetos humanos. Ela promove o ser humano, como conduziu Jesus à plena realização do projeto de Deus e se tornou para nós redenção e santificação. Celebrar o Natal é abrir-se e acolher a manifestação da eficaz misericórdia de Deus, como escreve Paulo a Tito (Tt. 2,11). Ela nos ensina a assumir um modo de vida correspondente ao que Cristo ensinou em seu Natal. Pela obediência de Cristo somos santificados; por nossa abertura a Deus vivemos este mistério.
1. A liturgia clama pela vinda do Salvador. O mistério do Natal é o único mistério Pascal de Cristo em sua dimensão de Manifestação que acontece em sua amorosa obediência à vontade do Pai. Maria participa deste mistério com sua obediência: "Faça-se em mim". É repleta do Espírito Santo. A Palavra comunica o Espírito a João. Ela proclama a fé de Maria. A redenção chega ao universo por Jesus que nos vem pela Mãe do Senhor. O mesmo Espírito fecunda a Igreja na celebração do Natal para acolhê-lo e manifestá-lo.
2. A visita de Maria a Isabel não é uma cena de comadres que se ajudam. A primeira caridade é levar a graça da Salvação. A visita é a celebração da efusão do Espírito e da bem-aventurança da fé de Maria, ícone da humanidade grávida do Filho de Deus. Todo gesto de amor é uma irrupção do Espírito que dá a certeza de que Deus não nos abandona.
3. A obediência de Cristo é abertura à vontade de Deus. Procurar a vontade de deus é ser obediente. A obediência não escraviza. Ela liberta e conduz à plena realização do projeto de Deus e se torna santificação. Celebrar o Natal é abrir-se e acolher a manifestação da misericórdia de Deus. Pela obediência de Cristo somos santificados; por nossa abertura a Deus vivemos este mistério.
Conversa de mulheres
E que conversa boa!
Estamos na preparação próxima do Natal. A liturgia faz-nos conhecer melhor aquele que há de vir. Lemos hoje, no evangelho, a visita de Maria a Isabel. Esta visita não se trata só de um gesto natural de alguém que faz a grande caridade de ajudar uma senhora que dá à luz. Maria leva no seio o Salvador que dá o Espírito a João, seu primo.
Isabel, cheia do Espírito Santo, proclama a presença de Deus em Maria. Chama-a de Mãe de Deus. O Menino que está no seio de Maria cumpre a vontade do Pai, cumpre a profecia: Ele nascerá em Belém e estabelecerá a paz!
As leituras são um grito de júbilo da Igreja que reconhece o Salvador presente em seu seio e no coração de seus filhos.
padre Luiz Carlos de Oliveira

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