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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Comentário Prof.Fernando

Comentário Prof.Fernando (*) 2ºdom Advento 09dez2012
– abrir um caminho para Ele chegar –
RESUMO de Lucas3.1-6
No império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador e Herodes, Galiléia (Filipe, a Ituréia e a Traconítida; Lisânias, a Abilênia) e quando Anás e Caifás eram sumos sacerdotes; então  foi a palavra de Deus dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto. "Esta é a voz daquele que grita: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Vales serão aterrados, montanhas rebaixadas; passagens e os caminhos acidentados, aplainados. E todas as pessoas verão a salvação de Deus".

·         “voz do que grita no deserto: “arrumai o caminho do [por onde passará o] Senhor, abri, no deserto, a estrada para nosso Deus”. As coisas ditas na profecia – a vinda da glória do Senhor e a manifestação a toda a humanidade da salvação de Deus, aconteceriam, não em Jerusalém, mas no deserto e realizaram-se histórica e literalmente, quando João Batista pregou a vinda da salvação de Deus no deserto do Jordão, onde se manifestou a salvação de Deus (cf. Eusébio, bispo em Cesaréia que morreu no ano 339 comentando Isaías 40,3 - PG24). E continua: Deus sempre se aproximou daquele deserto – até então, impermeável e inacessível – que era a própria humanidade, incapaz de reconhecer Deus e fechado a todo justo ou profeta. A Voz que clamou no deserto, porém, insistia para se abrir uma estrada em direção ao Verbo [Palavra] de Deus e mandava consertar o caminho, esburacado e pedregoso, por onde viria o Senhor. E Eusébio faz uma reflexão: Esse anúncio não se fez em Roma, capital do maior Império da época, nem Jerusalém (cidade sagrada da nação, da religião e do povo de Jesus de Nazaré).
·         Lucas faz questão de situar o clamor de João numa determinada época histórica. Uma forma de marcar datas históricas na antiguidade, era referir os nomes dos governantes. E Lucas dá uma lista completa, desde o imperador romano até os sumos sacerdotes judeus do período. É na história real que vem o Filho de Deus. Não se trata de um mito sem data. Por isso, presépio, músicas e festas natalinas não são feitos para narrar contos de fadas. De fato aconteceu a vinda de Jesus, num certo momento da história, num determinado ponto do planeta. João reconhece o Messias num Jesus adulto (com cerca de 30 anos, diz o Evangelho) ao passo que Lucas e nossos Natais, procuram compor uma imagem do Cristo-criança.
·         Queremos preparar o Natal não como quem conta uma lenda. Lendas diluem-se em tradições que se perdem na noite dos tempos. Lendas servem, por exemplo, para comentar símbolos como o da árvore de natal, os do presépio com seus pastores, com o boi e o burro, etc. A primeira vinda do Filho de Deus foi um acontecimento histórico ocorrido cerca de 30 anos antes daquela apresentação pública feita pelo Batista e registrada por Lucas. O mundo (ocidental, ao menos) vai colocar o nascimento de Jesus Cristo como um divisor de águas na História: antes e depois de Cristo. Não é só com enfeites, luzinhas e guirlandas que preparamos o Natal. Nem só com ceias e almoços em família, trocando presentes. No Natal, vamos encontrar o sentido profundo desse Presente (Dom, Graça) de Deus para a humanidade, se estivermos atentos aos sinais do mistério chamado “Encarnação” =  o Verbo (a Palavra) se fez Carne (humano como nós) para poder viver no meio de nós.
·         Seremos capazes de distinguir a voz de João que nos adverte para arrumar os caminhos da vinda de Deus? Distinguimos o canto de anjos anunciando que a paz é possível, de outros  barulhos e mesmo de outras músicas agradáveis mas voltadas somente para a propaganda de milhares de produtos? Certamente o comércio é uma das atividades humanas que movem a economia e o dinheiro e, assim, faz parte da vida em sociedade, onde buscamos o sustento e o alimento para nós. É nesse mundo concreto que é “arrumar” e construir vias de acesso para Deus chegar.
·         Nos dias que estamos vivendo, bem perto da Belém atual, mísseis têm feito grandes buracos nas ruas, destruindo casas e arrancando vidas: é uma experiência praticamente diária na Síria, Palestina, Israel, Iraque... e em tantos lugares. Há minas explosivas dilacerando pés e pernas em muitas estradas em países da África. Há também balas perdidas e incêndios em favelas, trazendo dor e morte para famílias ou bairros inteiros em S.Paulo e em outras cidades perto de nós, aqui mesmo no Brasil. É preciso reconstruir casas e refazer acessos bloqueados ou destruídos.
·         Nossa esperança já foi anunciada: todas as pessoas verão a salvação de Deus. O que nos cabe fazer é remover um pouco do entulho que atrasa a chegada do socorro divino. Ele vem. Para nós e para todos que precisam de saúde e de vida. Saúde, no evangelho é integral: do corpo e da alma e é também indicada por termos como Salvação, Redenção e outros.
·         Ele vem dar sentido à vida humana, pois é Deus na nossa Carne. Ele dá sentido à vida dentro da história comum e quotidiana; na diária em ônibus, trens, metrô, carro; na ida e volta para o emprego e para casa; à mesa de cada dia, seja em família seja quando se estamos sozinhos numa lanchonete. Cercados pelos ruídos da cidade ou no silêncio da oração, sempre somos um deserto. Ele é a única fonte da Vida. Ele que veio que vem e que virá. Não podemos impedi-lo em sua decisão de bondade e carinho. Mas podemos aplainar a estrada para ele passar.
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http://homiliadominical2.blogspot.com.br  (*) Prof.(Usu-Rio) c/mestrado: educação, teologia e teol.moral

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