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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ


DOMINGO DIA 30 DE DEZEMBRO

SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ

Comentário Prof.Fernando



Clica aqui para ver  a  Introdução

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30 e dezembro – Domingo
SAGRADA FAMÍLIA  DOMINGO
Diac. José da Cruz
30/12/2012
1ª Leitura Eclesiástico 3, 3-7. 14-17 a
Salmo 127 (128) “Felizes os que temem o Senhor, os que andam em seus caminhos” – Diac. José da Cruz
2ª Leitura Colossenses 3, 12 – 21
Evangelho Lucas 2, 41-52

                               FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA”
Hoje é o penúltimo dia do ano civil, tempo de olharmos para trás e darmos glória a Deus pelo ano que se encerra, tempo também de refletirmos sobre o que fizemos no ano que passou, para edificarmos o reino de Deus entre nós.
O lugar privilegiado para darmos o nosso testemunho nesse sentido é na vida familiar que in felizmente apresenta hoje um quadro muito caótico porque a família é agredida todos os dias de muitas formas, esvaziando-a de seus valores sagrados, de suas virtudes que lhe dão a dignidade a cada membro, moldando um caráter cristão despertando-lhes a consciência de que são filhos e filhas queridas de Deus.
Por isso o casal cristão recebe o Sacramento do matrimônio ao se unirem um dia, sacramento quer dizer sinal do amor de Deus, porque a missão do casal é despertar nos filhos o amor para o qual foram criados porque Deus nos fez para o amor e somente na família é que podemos ter esse conhecimento.
A Sagrada Família vivia esse propósito, Maria e José educaram Jesus desta maneira e ele aprendeu muito com seus pais, a revelação de que era Filho de Deus foi acontecendo aos poucos, graças ao testemunho de seus pais. De maneira muito equivocada pensamos que Jesus já sabia tudo e que seus pais eram figuras meramente decorativas em sua vida. Isso não é verdade! Além do sustento material do menino, Maria e José, como qualquer pai e mãe, tiveram de assumir a formação religiosa de Jesus e o fizeram dentro do Judaísmo, que era a religião que freqüentavam, com todas as dificuldades próprias daquele tempo.
Talvez hoje, muitos pais achem praticamente impossível educar um filho ou uma filha na fé, se a história da Salvação acontecesse hoje, José e Maria, vivendo em nosso tempo, saberiam cumprir a missão de educar o filho dentro dos princípios cristãos, para que ele descobrisse a sua identidade de Filho de Deus.
Mas não foi assim tão simples, muita coisa Maria e José não entenderam, como esse susto que Jesus deu neles, aos 12 anos, por ocasião da festa da páscoa, ao retornarem em comitiva como era comum naquele tempo, o grupo dos homens e das mulheres em separado pelo caminho, José pensou que o menino estivesse com a mãe, e esta pensou o mesmo.
Somente depois de três dias é que deram pela sua ausência e voltaram desesperados a Jerusalém, encontrando-o no templo entre os Doutores da Lei, discutindo com eles, ensinando mas também apreendendo porque como qualquer criança, Jesus passou pela catequese.
Ocupar-se das coisas de Deus – foi a resposta até um pouco “atravessada” que Jesus deu aos pais. Após os sacramentos da iniciação cristã, se o testemunho dos pais for autêntico, a criança já terá descoberto em si mesmo essa vocação para viver o amor na comunidade no serviço aos irmãos e irmãs. Aproveitemos esses momentos derradeiros de 2012 para verificarmos com sinceridade se foi isso que fizemos no decorrer de todo este ano, será que o nosso modo de viver em família, despertou em nossos filhos a vocação para o amor? Será que valorizamos a comunidade como espaço onde manifestamos essa vocação?
Se nossas famílias viverem sempre nessa graça,comunicando uns aos outros a santidade, iremos ter em breve uma nova sociedade bem diferente da que temos pela frente. Isso é missão de todos os cristãos!

 

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30/12/2012
Lc 2,41-52


Jesus foi encontrado por seus pais no meio dos doutores.
Padre Queiroz
Com alegria celebramos hoje a festa da Sagrada Família: Jesus, Maria e José. Esta família foi o modelo que Deus nos deixou para a nossa vida em família. O Evangelho narra a perda e o encontro de Jesus no Templo, entre os doutores, que é o quinto mistério gozoso do terço.
Nós admiramos vários pontos nessa maravilhosa cena:
- O cuidado dos dois pelo filho: procuraram-no durante três dias sem parar. Anos antes eles haviam até se mudado para outro país, o Egito, para proteger o filho. Temos no Brasil três milhões de crianças de rua. E os pais?
- A união dos pais para resolver os problemas do filho. Havia acontecido na apresentação no Templo, na fuga para o Egito e agora se repete.
- A maneira de Maria educar. Apesar de estar aflita, primeiro pergunta ao filho por que ele fez isso. Geralmente, num caso desses, a mãe já chegaria dando bronca e nem dá chance para o filho falar e se explicar.
- Da parte de Jesus, admiramos a obediência: “Jesus desceu com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente”.
“Jesus desceu com eles para Nazaré e era-lhes obediente”. Sinal que os pais tinham autoridade sobre ele, mandavam, davam ordens e Jesus obedecia. Como é importante a autoridade em casa! Os pais devem não apenas aconselhar, orientar, mas exigir. “O pai que poupa a vara odeia seu filho” (Pr 13,24).
“Insista, aconselhe, oportuna ou inoportunamente, advertindo, reprovando, com toda a paciência e bondade. Pois vai chegar o tempo em que não suportarão mais a sã doutrina. Pelo contrário: desviarão os seus ouvidos da verdade e os abrirão para ilusões, ao seu bel prazer” (2Tm 4,2-4).
A criança é como um bloco de mármore, no qual o escultor vai lapidar, com o cinzel, fabricando uma estátua. A criança não nasce pronta, nem cresce boa por si. Pelo contrário, a sua natureza é ferida pelo pecado. Se os pais não educam em casa, as crianças vão aprender, na rua, os caminhos errados.
“E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens”. Com esse tipo de pais, só podia dar isso. “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal pelo bem” (Rm 12,21).
“Sua mãe conservava no coração todas estas coisas.” Maria não só ouvia, mas guardava no cor os fatos, para tirar as lições para a vida. Os pais sempre aprendem. Deus lhes fala de muitos modos, até através dos filhos.
Na família de Nazaré, todos os membros colaboravam, cada um do seu modo. Assim, só podia dar no que deu: uma família que formou três santos.
O casamento é uma vocação bem definida dentro da Igreja. Os esposos são chamados a viver uma espiritualidade característica. Instituído pelo próprio Cristo, o matrimonia é uma íntima comunidade de vida e de amor.
O amor conjugal é um caminho para Deus e ajuda os esposos na sublime missão da maternidade e paternidade.
O sentido do matrimônio é viver a caridade cristã na sua forma conjugal e viver a responsabilidade humana e cristã de transmitir a vida e educar os filhos. Além disso, os esposos ajudam-se mutuamente, sendo um para o outro e para os filhos, testemunhas da fé e do amor de Cristo.
A família cristã é uma Igreja em miniatura. Ela está a serviço da evangelização dos homens, e é sensível às necessidades do próximo.
A família é tão importante para Deus que, dos trinta e três anos que seu Filho passou na terra, trinta anos viveu dentro da família. A família de Nazaré é portanto um modelo completo de como viver em família.
Um dos grandes meios de manter a família unida é a oração em comum.
Havia certa vez um casal que estava brigando muito. Já haviam tentado de tudo e nada dava certo. Foram, então, pedir ajuda a um sábio. Após serem bem recebidos pelo sábio, expuseram o problema. O sábio os ouviu até o fim, sem dizer nada.
Depois pediu licença, entrou para dentro de sua casa, foi até o quintal, pegou um pequeno vaso, encheu-o de terra, arrancou uma muda de flor, enterrou-a no vaso e voltou à sala. Entregou o vaso a eles e disse: “Levem este vaso para casa. Se esta planta vingar e ficar viçosa, é sinal que a convivência de vocês vai melhorar. Se ela morrer, é sinal que o casamento de vocês acabou mesmo”.
Os dois agradeceram e foram embora. Chegando em casa, a mulher regou o vaso e colocou-o num lugar bem apropriado. No outro dia, ela foi logo cedo regar o vaso. Mas teve uma surpresa: o marido já estava lá, regando-o. Os dois sorriram um para o outro, e dali em diante as brigas foram diminuindo, até acabarem de vez.
Aquele sábio colocou em prova a esperança do casal. Porque, se não tivessem esperança, ou não quisessem recuperar a convivência, nem iam regar o vaso. Bastava um deles querer, que a plantinha não morreria, isto é, que o amor deles não acabaria.
Jesus nos confiou a plantinha da redenção. Nossa Senhora a rega todos os dias. E nós? Esta planta precisa cobrir a face da terra!
Jesus foi encontrado por seus pais no meio dos doutores.
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Domingo 30.12.12

Lucas 2,41-52
: O plano de Deus para a nossa vida está delineado no mais profundo de nós. – Maria Regina
                              Jesus aos doze anos faz ao mundo a primeira revelação da Sua verdadeira missão: “ocupar-se com as coisas do Pai”. No coração de Maria, sua Mãe, deve ter havido muita inquietação e preocupação, no entanto, por ser ela uma “mulher de Deus”, obediente e atenta aos sinais do céu, conseguiu guardar “todas estas coisas” confiando em que a vontade do Senhor teria que acontecer. Jesus mostrou a cada um de nós, que antes de sermos cidadãos (ãs) da terra, nós o somos do céu e, por isso mesmo, temos uma missão que começou desde o momento em que nós nascemos.
                           O plano de Deus para a nossa vida está delineado no mais profundo de nós e, se soubermos “guardar no coração” os sinais que o Espírito Santo nos dá, nós poderemos também, como Jesus, dizer com autoridade para aquelas pessoas que se admiram com o nosso proceder e nos questionam: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai? A casa do Pai significa a vivência dos Seus mandamentos, a submissão à Sua Palavra, a obediência à Igreja. Reflita – Você já consegue perceber os sinais da sua missão aqui na terra? – Dentro do seu coração existe algum anseio, algum desejo que você ainda não conseguiu distinguir? – Você tem cuidado das coisas do Pai? – Você é obediente?
Amém
Abraço carinhoso
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“Festa da Sagrada Família” -  Claudinei M. Oliveira.

Domingo, 30  Dezembro  de 2012.
Evangelho: Lc, 2,41-52

Chegamos ao último domingo do Senhor de 2012, com muita alegria celebramos a festa da Sagrada Família, que ao seu exemplo seguimos sua doutrina e seus ensinamentos de cristãos autênticos, comprometidos na evangelização e no discernimento do Reino de Deus.
Reunidos em famílias, formamos uma comunidade cheia de amor e de paz para com a gratuidade do Senhor. Assim, celebramos a memória da morte e ressurreição do nosso irmão Jesus para revitalizarmos nossa caminhada rumo à felicidade nos céus. Agora que estamos reunidos na comunidade de Cristo graças a família de Nazaré, somos ensejados à buscar a fraternidade também em nossas famílias.
A reflexão do Santo Evangelho nos chama para a conclusão do “evangelho da infância” de Jesus, escrito por Lucas, quando Jesus  foi apresentado ao Templo em Jerusalém para comemorar a festa da páscoa. Neste evangelho  Lucas mostra a ousadia de Jesus ao permanecer no Templo nos meios dos homens sábios e discutindo de igual para igual, temas complexos, porém Jesus refletia a respeito de uma prática justa, na qual todos os homens deveriam usufruir com dignidade.
Sem recuar nas falas, Jesus menino provoca os “doutores” das leis  com destreza. Eles  ficaram assustados com a eloqüência do menino, pois como pode um criança argumentar sabidamente? Ainda não tinham presenciado tal feito, pois, quem dominava a arte da  retórica e da leitura eram pessoas  de “bem” que tinham como estudar. Agora, diante de um menino pobre, nascido num lugarejo paupérrimo, com grau de instrução relevante, amedrontavam com sua maestria no falar com segurança.
Neste caso temos a iniciação de Jesus na vida pública. O cumprimento da missão de Jesus na vida terrena começou de forma surpreendente: deixar seus pais irem embora com a comitiva para a cidade natal e permanecer sozinho na cidade grande disseminando  idéias de libertação e desalienação do homem pelo homem. Isto é, cada homem deveria seguir seus princípios a partir da si para consigo mesmo, sem a interferência das idéias de outrem com intuito de manipulá-lo. A pureza do coração e da alma deve prevalecer para que o homem possa encontrar a salvação e o respeito para com o outro irmão deve ser meta a ser seguida para todos. O momento era oportuno para Jesus  fazer valer os ensinamentos do Pai. Estava no meio dos homens entendidos da arte de manipulação das idéias do povo sem conhecimento e pobres materialmente. Assim, o re-pensar dos doutores podem redirecionar novas práticas e atitudes de justiça e fraternidade entre os filhos de Deus. 
Para tanto, Maria e José depois de andarem um dia inteiro  deu falta de seu filho. Ao procurá-lo não encontrou na caravana e resolveu voltar para a cidade de Jerusalém para encontrá-lo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. O que nota no Evangelho foi a tranqüilidade dos pais ao encontrar o menino discutindo com os mestres das leis. Não brigaram e nem provocaram um escândalo. E o mais interessante foi que os pais procuraram Jesus no Templo e não em outros lugares possíveis de estar Jesus como nos “hospitais”, nas delegacias ou nos LML da vida. 
            Nota-se que os pais souberam educar seus filhos na fé. Ao levar o menino para a igreja estava ensinando  a catequese e os princípios a ser seguido para a formação de um excelente cristão. Nada melhor do que iniciar de pequeno a vida cristã com entusiasmo e determinação. Assim que os pais de Jesus saíram a procurar o menino já  sabiam onde encontrá-lo: na igreja. Não tinha outro lugar para procurar, pois foi ensinado para ele o lugar correto de preencher o coração com as coisas de Deus.
Hoje, ao contrário, os pais quando o filho desaparece procuram em lugares diferentes da igreja. Isto acontece porque não ensinou o lugar verdadeiro para a criança. Não levaram os jovenzinhos para a catequese e nem deram ensinamento correto para os filhos. Preferem levá-los para os bares da vida, para as casas de shows, para discotecas e até para festinhas nas casas de amigos que não conhecem. Ainda por cima, levam e  buscam os filhos nestes lugares. Entretanto, para a igreja, dificilmente não os levam. Como buscar os filhos quando desaparecem na igreja se nunca ensinou  o caminho  da vida sagrada na igreja!  Até batizam as crianças, mas a vela acesa durante o sacramento apaga-se no decorrer dos anos. Podem até receber o segundo sacramento da Primeira Eucaristia, mas não passa disso. Tudo se torna esquecido e a decepção de pais aparece logo na entrada da adolescência e na juventude.
            Maria e José estavam corretos quanto ao ensinamento de seu filho Jesus. Ademais, nem precisava, pois Jesus sabia do que estava acontecendo com ele. Bastava seguir a vontade do Pai do Céu. "Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos angustiados, à tua procura".  Com estas palavras Jesus se conteve e voltou para casa na companhia dos seus amados. Tudo estava escrito para acontecer com o Filho do Homem na terra, pois foi no terceiro dia que os pais o encontraram no templo, e foi no terceiro dia que Jesus ressuscitou depois de morto pelos soldados romanos.
            Portanto, a obediência de Jesus com seus pais deve alargar-se para os cristãos de hoje: ser obediente com a Palavra revelada na Sagrada Escritura. Pois nela é que asseguramos  a fortaleza para superar os dores e as dificuldades da vida. Que assim seja. Amém.
            Claudinei M. Oliveira

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No oriente, era costume, no dia seguinte ao parto, cumprimentar uma mulher que houvesse dado à luz. Por isso, nossos irmãos orientais, desde o século IV, no dia seguinte ao Natal, celebram a festa da congratulação da Mãe de Deus – uma homenagem, um parabéns Àquela que deu à luz o Salvador.
No ocidente, a congratulação da Virgem é hoje, oito dias após o santo Natal. A Igreja, com os pastores, vai ao encontro do Menino e o encontra com sua Mãe; e proclama que este Menino é o Deus verdadeiro. Ele não é somente a criancinha frágil; mas o Deus forte, feito pequeno por nós! Por isso, o povo de Deus saúda, hoje, a Virgem, com o título antiqüíssimo de Mãe de Deus, isto é, Mãe de Deus Filho! “Bendita sejais, Virgem Maria! Trouxestes no ventre quem fez o universo! Vós destes à luz a quem vos criou e permaneceis Virgem para sempre!” Este Menino, o Deus verdadeiro, fez-se realmente um de nós, nascido realmente de uma Virgem. Ele não é a mãe de Deus Pai - isto seria uma blasfêmia! Também não é mãe do Espírito Santo - isto seria loucura! Não se pode tampouco dizer que ela é mãe da natureza divina - isto seria heresia! O que a Igreja crê, professa, testemunha e ensina com todo acerto e toda piedade é que a sempre Virgem Maria é Mãe santíssima do Deus Filho feito homem! Tudo quanto o Filho é na sua humanidade, ele o recebeu de Maria! O Filho não somente nasceu através de Maria, mas de Maria!
Mais ainda: os orientais gostam de invocar Jesus exclamando: Deus nascido da Virgem, salvai-nos! Estejamos atentos! Não somente Deus concebido de Maria, a Virgem, mas também Deus nascido de modo inefável, miraculoso, misterioso, da Virgem: Deus nascido da Virgem! Admirada com um nascimento assim, tão divino, tão único, a Igreja exclama: “Como a sarça, que Moisés viu arder sem se consumir, assim intacta é a vossa admirável virgindade. Virgem Maria, Mãe de Deus, por nós intercedei”. Deste modo, a Solenidade de hoje nos recorda não somente que a Virgem é verdadeiramente Mãe de Deus, mas que ela é sempre virgem: antes, durante e depois do parto! O Cristo nosso Deus não somente foi concebido da Virgem Maria, mas o Credo diz que ele nasceu da Virgem Maria! Nasceu sem destruir a virgindade da Mãe! Para o nosso mundo atual, que supervaloriza o sexo e faz com que os jovens tenham até mesmo vergonha de admitir que são virgens, proclamar a virgindade perpétua de Maria, recorda-nos que a castidade é uma preciosa e cara virtude cristã e a virgindade deve ser vista por nós como um valor e um ideal a ser buscado! Em Maria, a Virgem, o permanecer na virgindade exprime que ela sempre foi toda de Deus, absolutamente de Deus, em corpo e alma, em todo o seu ser, de modo constante e absoluto!
Não é por acaso que, segundo o Evangelho de São Mateus, os magos encontraram o Menino com Maria, sua Mãe (cf. 2,11). É assim que Aquele que nos nasceu é sempre encontrado, pois o Deus que de nada necessita, contou com o “sim” da Virgem e dela, como de uma terra nova e virgem, gerou segundo a natureza humana o seu Filho para nossa salvação. É este mistério que a Igreja hoje celebra: este Menino é o Deus verdadeiro e sua Mãe faz parte do plano da salvação, pois “quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma Mulher... a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei”. Na nossa salvação, esteve, está e estará sempre presente a Mulher, a Virgem Maria. Alegremo-nos, portanto, com a Virgem Maria e, com toda Igreja, digamos: “Virgem Santa e Imaculada, eu não sei com que louvores poderei engrandecer-vos! Pois Aquele a quem os céus não puderam abranger, repousou em vosso seio. Sois bendita entre as mulheres e bendito é o fruto que nasceu do vosso ventre!”
Há um segundo aspecto deste hoje. O primeiro do ano e dia da confraternização universal, início do ano civil. A pedido do papa Paulo VI, a ONU transformou esta data em dia festivo para todas as nações. É dia da paz, dia da confraternização entre os povos, nações, culturas... Ora, nós cristãos sabemos que a paz não é uma idéia, um sonho, um desejo; a paz é uma pessoa. São Leão Magno dizia, no século V: “O Natal do Senhor é o Natal da Paz. Cristo é a nossa paz!” Não foi a respeito dele que o profeta afirmou: “Ele será chamado Admirável, Deus, Príncipe da Paz, Pai do mundo novo”? (Is. 9,2-6) Não foi ele mesmo quem disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos sou; não vo-la dou como o mundo a dá?” (Jo 14,27). Que tenhamos cada vez mais sólida esta convicção: a paz que almejamos, a paz tão sonhada, a paz para o mundo e para a nossa vida, somente no Cristo poderá ser encontrada de modo definitivo e pleno! Nele, nem as tristezas, nem as desilusões, nem as angústias, nem as provações, poderão nos fazer perder a paz! Cristo, nossa Paz! 
Finalmente, hoje, também, é dia da circuncisão do Menino. Como descendente de Abraão, ele foi circuncidado, passando a fazer parte do Povo da antiga Aliança, e recebeu o nome de Jesus, isto é, Deus salva! Que nome belo, que nome eloqüente, que nome bendito a nos encher de certa esperança para o novo ano que vai chegar! Jesus, nome acima de todo nome, único nome no qual podemos encontrar salvação no céu e na terra. Jesus, doce lembrança do nosso coração, doce alívio nas dores, forte certeza nos momentos difíceis. Jesus, amigo certo de todas as horas, única certeza e apoio de nossa existência! Por isso mesmo, a primeira leitura da Missa de hoje, faz-nos ouvir a bênção de Aarão, que, por três vezes, invoca o nome do Senhor sobre o povo! Para os cristãos, o Senhor é Jesus, e não há outro! Pois é neste nome bendito que todos e cada um queremos iniciar o novo ano civil: “O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu olhar e te dê a paz!” Que o Cristo Jesus, Príncipe da Paz, esteja  conosco no novo ano e sempre.

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Hoje é a oitava do Natal. É um antiqüíssimo costume da Igreja de Roma, voltar seu coração e sua mente, neste dia, para Aquela de quem nasceu o Salvador do mundo. O Evangelho de são Mateus afirma que os magos, ao entrarem onde estava a Sagrada Família, “viram o Menino com Maria, sua Mãe e, prostrando-se, o homenagearam” (2,11). Trata-se da homenagem solene e ritual prestada aos reis orientais. E, no Oriente, a Mãe do rei, chamada gebirah, exercia um papel importantíssimo. Pois, eis aqui, na cena do Evangelho, o Rei dos judeus, o Rei-Messias, o Rei que é Deus, e sua Rainha-Mãe, sua gebirah, a Virgem Maria! Agradecida pelo seu “sim” ao plano de Deus, a Igreja chama-a, desde os primórdios da fé cristã, de “Mãe de Deus”, isto é, “Mãe de Deus-Filho feito homem”! Com isto, nós confessamos que o Menino nascido da Virgem é Deus verdadeiro e perfeito, uma Pessoa divina com a natureza divina completa e uma verdadeira natureza humana. Ele, Filho do eterno Pai, fez-se realmente, como homem, filho de Maria Virgem, sem deixar de ser Deus! Na Virgem Santíssima, que trouxe em seu seio a segunda Pessoa da Trindade Santa, o divino e o humano se encontraram para sempre, os céus e a terra se abraçaram para nunca mais se deixarem!
Ao recordar a Maternidade Divina de Nossa Senhora, a Igreja recorda também as condições maravilhosas dessa maternidade: ela aconteceu de modo virginal! Com efeito, a Mãe do Senhor concebeu virginalmente, virginalmente deu à luz e virgem permaneceu para sempre! A Virgem não somente concebeu, mas também virginalmente deu à luz um filho – eis a profecia de Isaías (cf. 7,14). A Igreja canta esse mistério com palavras admiráveis: “Na sarça que Moisés via arder sem se consumir, admiramos o sinal da vossa incomparável virgindade, ó Mãe de Deus!” e ainda, pensando na porta selada, pela qual somente o Senhor passaria, como profetizou Ezequiel (cf. 44,2), a Igreja exclama: “A porta eterna do Templo eternamente fechado feliz e pronta se abre somente ao Rei esperado!”. Aqui silencia a imaginação humana, pois que pertence ao segredo de Deus o modo como, Virgem, Nossa Senhora concebeu e ainda como, virginalmente, deu à luz! Uma coisa é certa: sua virgindade perpétua quer nos mostrar o quanto esse Menino todo vindo de Deus é um novo começo, um novo início para toda a criação e toda a humanidade! Além do mais, revela o quanto Maria Virgem foi integralmente de Deus, de corpo e alma. Num mundo que endeusa o sexo e exalta de modo abusivo a sensualidade, a Santíssima Virgem nos aponta outros valores e revela a beleza da virgindade e da castidade como expressão do ser humano vivendo livre, debaixo do senhorio de Cristo, no seu corpo, no seu afeto e na sua alma! Quanto mais alguém vive totalmente para o Senhor, mais fecundo se torna em sua vida e mais traz Jesus ao mundo, como testemunha do Reino dos céus. Por isso a saudação que a Igreja hoje dirige à Virgem Maria: “Salve, ó santa Mãe de Deus, vós destes à luz o Rei que governa o céu e a terra pelos séculos eternos!”
Hoje também, oitavo dia do nascimento do fruto do ventre da Virgem, a Igreja recorda a circuncisão do Menino. Ele, circuncidado, passou a fazer parte do Povo de Israel. Assim, cumpriu-se a promessa que Deus fizera a Abraão, nosso Pai. Da sua descendência o Senhor fizera surgir um Salvador para todas as nações: “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu filho, nascido de uma Mulher, nascido sob a Lei!”. Circuncidado, o Menino recebeu o nome de Jesus, que significa “o Senhor salva”. Seu nome revela sua identidade, sua missão e a causa da nossa alegria! Ele é a salvação que Deus nos concede, ele é a nossa Paz, pois nos reconcilia com Deus e nos abre as portas dos céus. Por isso mesmo, os cristãos hoje, juntamente com toda a humanidade, celebram o Dia da Paz. Para nós, essa Paz tem um nome, tem um rosto, tem um sorriso. Podemos encontrar tudo isso naquele que veio de Maria, a Virgem! Somente abrindo-se para ele, o mundo encontrará a verdadeira paz!
Confiemos, pois, os dias do novo Ano civil que está começando, a este Menino, o Príncipe da Paz. Que o seu nome repouse sobre nós, como uma bênção! Certamente, neste ano choraremos e sorriremos, venceremos e fracassaremos, cairemos e nos ergueremos... Não importa! Importa, sim, que estejamos com o Senhor, ele, que estará sempre conosco. Ele foi apelidado – não esqueçamos – de Emanuel, Deus-conosco! Que este ano seja, como se colocavam nos antigos documentos, “Ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo!”
Estamos iniciando o Ano Novo profundamente feridos e perplexos com a tragédia da Ásia. Escapa-nos o porquê de tanta dor, sofrimento e morte. Mas, teimamos em acreditar que há um Deus no céu, que, em Cristo, esse Deus fez-se presente como amor, como companhia, como ternura e consolo para toda a humanidade. Cremos que, neste Menino que nasceu e cresceu e chorou e sofreu e morreu, Deus faz-se, para sempre, solidário conosco. Queremos recordar cada morto e cada sobrevivente dessa tragédia; queremos recordar aqueles montes de cadáveres em decomposição, sem tempo para uma sepultura digna; queremos dizer que tudo isso é muito triste, é absurdamente incompreensível! Mas, queremos também colocar tudo isso nas mãos desse Menininho; também ele pobre, também ele perseguido, também ele sem abrigo, também ele sofredor até a morte de cruz, até o silêncio da sepultura, para dar sentido às nossas dores e vencer a nossa morte. Nesse Menino crucificado, a dor humana não se explica, mas encontra consolo; nesse Emanuel, nós sabemos que Deus está conosco, mesmo quando parece se calar ante uma tragédia como a que estamos assistindo!
Coloquemos, pois, os dias de nossa vida nas mãos do Salvador. E, como penhor de que nossas preces serão ouvidas, supliquemos à Mãe de Deus toda santa: “À vossa proteção recorremos, ó Santa Mãe de Deus! Protegei os pobres, ajudai os fracos, consolai os tristes, rogai pela Igreja, protegei o clero, ajudai-nos todos, sede nossa salvação! Santa Maria, sois a Mãe dos homens, sois a Mãe do Cristo que nos fez irmãos! Rogai pela Igreja, pela humanidade e fazei que, enfim, tenhamos paz e salvação!”

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Certamente o pensamento mais presente neste hoje é o do início do novo ano da graça que vamos iniciar. Precisamente por este motivo, a primeira leitura da Missa invocou a bênção e a paz sobre nós: “O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!” Três vezes foi pronunciado o nome do Senhor! Começamos bem o novo ano! Mas, nunca esqueçamos quem é este Senhor: é o Menino que nos nasceu, o Filho que nos foi dado e que, precisamente, hoje, oito dias após o seu admirável nascimento, recebeu o nome de Jesus, que significa Deus salva! Eis: em Jesus, Deus nos salva com a verdadeira paz, paz que brota da comunhão com o Senhor! Que ele inunde com sua doce paz os dias do novo ano, criança como o Menino de Belém!
Mas, hoje, é também a Oitava do Santo Natal, dia no qual a Igreja volta-se para a Virgem que gerou em seu seio e deu à luz o verdadeiro Deus feito homem. Chegou a plenitude dos tempos e “Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher”, aquela mesma que os pastores encontraram velando o “recém-nascido deitado na manjedoura”. Somos gratos à Virgem Santa e, contemplando o seu filhinho, reconhecemos nele o Deus perfeito e a proclamamos verdadeiramente Mãe de Deus: “Salve, ó Santa Mãe de Deus! Vós destes à luz o rei que governa o céu e a terra pelos séculos eternos!’ – assim canta a Igreja hoje, saudando a Toda Santa Virgem Maria. Nossos irmãos orientais, de rito bizantino, no Natal, cantam assim: “Ó Cristo, que podemos oferecer-vos como dom por vos terdes manifestado sobre a terra na nossa humanidade? Com efeito, cada uma das vossas criaturas exprime a sua ação de graças, e a vós traz: os anjos, o seu cântico; o céu, uma estrela; os magos, os seus dons; os pastores, a admiração; a terra, uma gruta; o deserto, uma manjedoura; e nós, uma Virgem Mãe!” Eis, pois, caríssimos irmãos, nossa presente ao Salvador: a mais bela flor de nossa raça, o mais belo membro da Igreja, a Virgem Maria!
Comprometamo-nos, então, a viver os dias do Novo Ano com as mesmas atitudes de Nossa Senhora! Primeiro, uma atitude de fé: ela escutou a Palavra, ela creu de todo o coração. Foi mulher totalmente aberta ao seu Senhor. Que neste ano, saibamos, também nós, viver de fé; mesmo quando tudo parecer escuro, mesmo nos dias difíceis, mesmos nos momentos de pranto e nossa inteligência não conseguir compreender nem nossa vista conseguir enxergar os passos do Senhor. Em segundo lugar, uma atitude de disponibilidade à missão. Nossa Senhor não se furtou ao convite do Senhor, não se acomodou numa vida centrada nos seus próprios interesses: fez-se serva, fez-se disponível, fez-se ministra do plano salvífico do Senhor em nosso favor. Do mesmo modo, saibamos nós discernir o que o Senhor nos vai pedir e, sem medo, sem mesquinho fechamento, digamos-lhe “sim”, mesmo quando tal resposta for difícil e sofrida! Mas, tudo isso será impossível sem uma terceira atitude que devemos aprender da Mãe de Deus: aquela de escuta silenciosa e contemplativa. O Evangelho nos dá conta que Maria “guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração!” Eis! A Virgem rezava, a Virgem pensava nos acontecimentos à luz de Deus, na presença silenciosa do Senhor, procurando entender o sentido profundo das coisas. Somente quem faz assim pode ver sempre Deus em todas as coisas e em todas as circunstâncias...
Certamente, haveremos de sorrir e chorar nestes dias do novo ano. Que lágrimas e sorrisos, vitórias e derrotas, abraços e separações, sejam vividos na luz do Senhor, do Menino que brilhou como luz nas nossas trevas e que, nele, encontremos sempre a paz.
dom Henrique Soares da Costa
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Que as famílias sejam sólidas
A Igreja tem a família em alta conta.  Nos últimos quarenta anos foi se desenvolvendo entre nós uma pastoral familiar que se preocupa em  solidificar a família e buscar novos caminhos para sua realização: construção do casamento, educação dos filhos e ação da família cristã para fora.
Estamos convencidos de que uma família solidamente construída é fundamental para o bem dos esposos, dos filhos e da sociedade.  Criança alguma deveria nascer fora  do espaço do amor verdadeiro e comprometido de um homem e de uma mulher.
Tudo começa, efetivamente, pelo encontro de um  homem e de uma mulher.  Tudo é inaugurado por uma promessa de um bem querer  sólido.  Por isso, necessário o tempo do conhecimento e o discernimento da escolha.  Há uma palavra dada que unifica a vida desse homem e dessa mulher. Esse amor conjugal será caracterizado pelo desejo profundo do para sempre, da fidelidade à palavra dada e da fecundidade.
Os que se casam sabem que precisam construir o casamento.  Não basta uma convivência  morna.  Os esposos se casam a cada dia: revisão da qualidade do amor, da união dos corpos, do relacionamento carinhoso e  criativo.  Os cristãos se unem no Senhor e, marido e mulher, constroem uma vida a dois diante do Senhor.  Somos reconhecidos a todos os casais cristãos que ajudam outros casais a construírem seu casamento conforme os desígnios do Senhor.
Os que se casam são abertos ao mistério da vida.  Marido e mulher se tornam pai e mãe.  Os filhos são a concretização do laço de amor que existe e subsiste entre marido e mulher.  Ninguém é obrigado a ter todos os filhos que possa ter. Mas será preciso generosidade. Nossos tempos, sobretudo em determinados ambientes, se tornaram avarentos em filhos.
Os filhos são um delicado empréstimo de Deus.   São filhos deste  homem e desta mulher, mas filhos do mistério da vida. Caberá aos pais amá-los de verdade, sem espírito e posse e torná-los fortes para voar com as próprias asas.  Tarefa delicada é a da educação dos filhos. No tecido do cotidiano os pais haverão de mostrar os grandes valores da vida: generosidade e gratuidade,  coragem e solidariedade,  lealdade e lisura de caráter. O mundo não dispensa essa função educadora de nossas famílias.  A corrupção asquerosa que reina em toda parte é realizada por homens e mulheres que, provavelmente, não tiveram uma sólida formação do caráter em suas casas.
Somos famílias cristãs.  Assim, cabe aos pais despertar nos filhos o desejo do seguimento do Evangelho. Não impõem, mas propõem.  Pela testemunho de vida e por palavras simples e verdadeiras  mostram o caminho da vida aos seus filhos. Os pais são os primeiros e fundamentais evangelizadores de seus filhos.
Uma família cristã se faz presente no mundo, na vizinhança.  Pela alegria do casal, unido, fiel, pela alegria de viver com os  filhos  a família humana e cristãmente madura vive aberta ao mundo, aos seus problemas e às suas transformações.
frei Almir Ribeiro Guimarães
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Jesus cresceu em sabedoria e graça
Lucas coloca a visita de Jesus ao Templo sob o signo da sabedoria – como também a subseqüente notícia sobre a vida escondida em Nazaré. Jesus cresce e revela seu crescimento em sabedoria e idade e graça diante de Deus e dos homens. Ao mesmo tempo que exprime a verdadeira humanidade de Cristo, esta notícia traz também um programa para a educação cristã.
No que concerne à cristologia, o crescimento de Jesus contradiz o docetismo (doutrina da humanidade aparente). Sobretudo seu crescimento em sabedoria causa admiração, pois costumamos achar que Jesus devia saber tudo. Resposta:
1) o conhecimento divino de Jesus não é um conhecimento enciclopédico universal; basta que Jesus tenha conhecido sem sombra de dúvida a vontade de Deus em sua vida;
2) o conhecimento divino de Jesus é encarnado em uma psicologia humana autêntica, progressiva e alimentada pelo contato com a realidade vivida. O processo humano do saber realiza-se, em Jesus, num modo divinamente perfeito, dentro de seu gênero, com as características do saber humano. Isso não exige um QI excepcional, mas uma autenticidade humana total em relação ao saber. Jesus não era uma enciclopédia ou computador ambulante, mas uma pessoa humana historicamente situada e limitada, que “aprendeu” (cf. Hb. 5,8!), desde a infância, a colocar seu crescente saber humano totalmente a serviço da vontade divina, manifestada nele pela infusão do Espírito de Deus.
O breve relato de Lc aponta também qual deve ser o “interesse” da educação cristã: o crescimento em graça e sabedoria diante de Deus e diante dos homens. O mais importante não é o desenvolvimento da inteligência, mas da graça, ou seja, da bondade e lealdade que une Deus e homem na Aliança (a hésed). A faísca do Criador na criatura, que faz com que o contato com uma pessoa “cheia de graça” se transforme numa manifestação do próprio Deus. Esta qualidade se desenvolvia em Jesus em compasso com o desenvolvimento de sua personalidade. Acrescenta Lucas: “Diante de Deus e dos homens”. Isso significa: na oração, presença diante do Pai, procurando conhecer-lhe a vontade e responder-lhe com leal carinho; e na vida, no meio dos homens, partilhando com eles o saber e transformando-o em manifestação do carinho de Deus. É esse o programa da educação cristã.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Jesus ocupa-se das coisas do Pai
No prólogo de seu evangelho, Lucas se propõe a "escrever de modo ordenado" os fatos sobre Jesus. Esta "ordem" de Lucas não segue um critério histórico, mas teológico, procurando interpretar Jesus em sua filiação divina e o seu sentido para o Primeiro Testamento.
Nesta cena do menino Jesus entre os doutores no Templo são apresentados temas que serão aprofundados ao longo do evangelho. Nela é posta em evidência a autonomia de Jesus em relação à família, que no judaísmo é o vínculo essencial para o privilégio da eleição divina, e a autonomia em relação ao sistema opressor e elitista do Templo. Ao afirmar "eu devo estar na casa de meu pai", Jesus revela-se como Filho de Deus. Jesus ocupa-se com o que é de seu Pai, comunicar a vida plena a todos, homens e mulheres, criaturas de Deus, libertos de toda opressão. Iniciando seu ensinamento no Templo, Jesus volta depois para denunciá-lo por ter-se transformado em covil de ladrões (Lc. 19,45-46). Priorizando o que é de seu Pai, mesmo estando obediente a seus pais, Jesus revela que a família dos filhos de Deus (segunda leitura) é formada por aqueles que cumprem o mandamento de amor, permanecendo em Deus e Deus neles, em comunhão de vida eterna.
Uma das características de Lucas é apresentar Jerusalém como centro de irradiação do cristianismo. Assim, em seu evangelho, desde o início as narrativas de infância convergem para Jerusalém (Zacarias no Templo, apresentação no Templo, Jesus entre os doutores), e, no final, após a ressurreição, encerra-se com o mandato de permanência dos discípulos em Jerusalém (Lc. 24,52), complementado, em Atos dos Apóstolos, com o dom do Espírito na festa judaica de Pentecostes. Sua intenção teológica é apresentar o cristianismo como um novo Israel, que se irradia a partir da velha Jerusalém. Os demais evangelistas apresentam a Galileia, e não Jerusalém, como centro de retomada da missão, depois da ressurreição (Mc. 16,7; Mt. 28,7.10.16; Jo 21,1).
Jesus se diferencia de Samuel (primeira leitura), pois ele não é consagrado para um serviço no Templo, mas consagra sua vida no convívio comum com sua família e as multidões, libertando e comunicando vida a todos, conforme o direito à vida dos filhos de Deus.
A Sagrada Família questiona e convida à conversão aquelas famílias estabelecidas sob a continuidade do vínculo sanguíneo de raça eleita, bem como as famílias tradicionais, conservadoras em torno de suas propriedades e riquezas.
José Raimundo Oliva

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As leituras deste domingo complementam-se ao apresentar as duas coordenadas fundamentais a partir das quais se deve construir a família cristã: o amor a Deus e o amor aos outros, sobretudo a esses que estão mais perto de nós – os pais e demais familiares.
O Evangelho sublinha, sobretudo, a dimensão do amor a Deus: o projeto de Deus tem de ser a prioridade de qualquer cristão, a exigência fundamental, a que todas as outras se devem submeter. A família cristã constrói-se no respeito absoluto pelo projeto que Deus tem para cada pessoa.
A segunda leitura sublinha a dimensão do amor que deve brotar dos gestos de todos os que vivem “em Cristo” e aceitaram ser Homem Novo. Esse amor deve atingir, de forma mais especial, todos os que conosco partilham o espaço familiar e deve traduzir-se em determinadas atitudes de compreensão, de bondade, de respeito, de partilha, de serviço.
A primeira leitura apresenta, de forma muito prática, algumas atitudes que os filhos devem ter para com os pais. É uma forma de concretizar esse amor de que fala a segunda leitura.
1ª leitura: Sir 3,3-7.14-17ª - AMBIENTE
O livro de Ben-Sira (também chamado “Eclesiástico”), de onde foi extraída a primeira leitura deste domingo, é um livro sapiencial e que, como todos os livros sapienciais, pretende apresentar uma reflexão de caráter prático sobre a arte de bem viver e de ser feliz. Estamos no início do séc. II a.C., numa época em que o helenismo tinha começado o seu trabalho pernicioso, no sentido de minar a cultura e os valores tradicionais de Israel. Jesus Ben-Sira, o autor deste livro, avisa os israelitas para não deixarem perder a identidade cultural e religiosa do seu Povo. Procura, então, apresentar uma síntese da religião tradicional e da sabedoria de Israel, sublinhando a grandeza dos valores judaicos e demonstrando que a cultura judaica não fica a dever nada à brilhante cultura grega.
MENSAGEM
O texto apresenta uma série de indicações práticas que os filhos devem ter em conta nas relações com os pais.
Uma palavra sobressai: o verbo “honrar”. Ele leva-nos ao decálogo do Sinai (cf. Ex. 20,12), onde aparece no sentido de “dar glória”. “Dar glória” a uma pessoa é dar-lhe toda a sua importância; “dar glória aos pais” é, assim, reconhecer a sua importância como instrumentos de Deus, fonte de vida.
Ora, reconhecer que os pais são a fonte, através da qual Deus nos dá a vida, deve conduzir à gratidão; e essa gratidão tem consequências a nível prático. Implica ampará-los na sua velhice e não os desprezar nem abandonar; implica assisti-los materialmente – sem inventar qualquer desculpa – quando já não podem trabalhar (cf. Mc. 7,10-11); implica não fazer nada que os desgoste; implica escutá-los, ter em conta as suas orientações e conselhos; implica ser indulgente para com as limitações que a idade traz.
Dado o contexto da época em que Ben-Sira escreve, é natural que, por detrás destas indicações aos filhos, esteja também a preocupação com o manter bem vivos os valores tradicionais, esses valores que os mais antigos preservam e que passam aos jovens.
Como recompensa desta atitude de “honrar” os pais, Jesus Ben-Sira promete o perdão dos pecados, a alegria, a vida longa e a atenção de Deus.
ATUALIZAÇÃO
¨ Sentimo-nos gratos aos nossos pais porque eles aceitaram ser, em nosso favor, instrumentos de Deus criador? Lembramo-nos de lhes demonstrar essa gratidão?
¨ Apesar da preocupação moderna com os direitos humanos e o respeito pela dignidade das pessoas, a nossa civilização cria, com frequência, situações de abandono e de marginalização, cujas vítimas são, muitas vezes, aqueles que já não têm uma vida considerada produtiva, ou aqueles a quem a idade ou a doença trouxeram limitações. Que motivos justificam o desprezo e abandono daqueles a quem devemos “honrar”?
¨ É verdade que a vida de hoje é muito exigente a nível profissional e que nem sempre é possível a um filho estar presente ao lado de um pai que precisa de cuidados ou de acompanhamento especializado. No entanto, a situação é muito menos compreensível se o afastamento de um pai do convívio familiar resulta do egoísmo do filho, que não está para “aturar o velho”…
¨ O capital de maturidade e de sabedoria de vida que os mais idosos possuem é considerado por nós uma riqueza ou um estorvo à nossa modernidade?
¨ Face à invasão contínua de valores estranhos que, tantas vezes, põem em causa a nossa identidade cultural e religiosa, o que significam os valores que recebemos dos nossos “pais”? Avaliamos com maturidade a perenidade desses valores?
2ª leitura: Cl. 3,12-21 - AMBIENTE
Paulo estava na prisão (possivelmente em Roma, anos 61/63) quando escreveu aos colossenses. Algum tempo antes, Paulo havia recebido notícias pouco animadoras sobre a comunidade de Colossos. Essas notícias falavam da perigosa tendência de alguns doutores locais, que ensinavam doutrinas errôneas e afastavam os colossenses da verdade do Evangelho. Essas doutrinas misturavam práticas legalistas, práticas ascéticas, especulações sobre os anjos e achavam que toda esta mistura confusa de elementos devia completar a fé em Cristo e comunicar aos crentes um conhecimento superior dos mistérios cristãos e uma vida religiosa mais autêntica.
Sem refutar essas doutrinas de modo direto, Paulo afirma a absoluta suficiência de Cristo e assinala o seu lugar proeminente na criação e na redenção dos homens.
O texto da segunda leitura pertence à segunda parte da carta. Depois de constatar a supremacia de Cristo na criação e na redenção (primeira parte), Paulo avisa os colossenses de que a união com Cristo traz consequências a nível de vivência prática (segunda parte): implica a renúncia ao “homem velho” do egoísmo e do pecado, e o “revestir-se do homem novo”.
MENSAGEM
Em termos mais concretos, viver como “homem novo” implica cultivar um conjunto de virtudes que resultam da união do cristão com Cristo: misericórdia, bondade, humildade, paciência, mansidão. Lugar especial ocupa o perdão das ofensas do próximo, a exemplo do que Cristo sempre fez. Estas virtudes são exigências e manifestações da caridade, que é o mais fundamental dos mandamentos cristãos.
Catálogos de virtudes como este apareciam também na ética dos gregos; o que é novo aqui é a fundamentação: tais exigências resultam da íntima relação do cristão com Cristo; viver “em Cristo” implica viver, como Ele, no amor total, no serviço, na disponibilidade e no dom da vida.
Uma vez apresentado o ideal da vida cristã nas suas linhas gerais, Paulo aplica o que acabou de dizer à vida familiar. Às mulheres, recomenda o respeito para com os maridos; aos maridos, convida a amar as esposas, evitando o domínio tirânico sobre elas; aos filhos, recomenda a obediência aos pais; aos pais, com intuição pedagógica, pede que não sejam excessivamente severos para com os filhos, pois isso pode impedir o desenvolvimento normal das suas capacidades.
É desta forma que, no espaço familiar, se manifesta o Homem Novo, o homem que vive segundo Cristo.
ATUALIZAÇÃO
¨ Viver “em Cristo” implica fazer do amor a nossa referência fundamental e deixar que ele se manifeste em gestos concretos de bondade, de perdão, de compreensão, de respeito pelo outro, de partilha, de serviço… É este o quadro em que se desenvolvem as nossas relações com aqueles que nos rodeiam?
¨ A nossa primeira responsabilidade vai para com aqueles que conosco partilham, de forma mais chegada, a vida do dia a dia (a nossa família). Esse amor, que deve revestir-nos sempre, traduz-se numa atenção contínua àquele que está ao nosso lado, às suas necessidades e preocupações, às suas alegrias e tristezas? Traduz-se em gestos sentidos e partilhados de carinho e de ternura? Traduz-se num respeito absoluto pela liberdade e pelo espaço do outro, por um deixar o outro crescer sem o sufocar? Traduz-se na vontade de servir o outro, sem nos servirmos do outro?
¨ As mulheres não gostam de ouvir Paulo pedir-lhes a “submissão” aos maridos… No entanto, não devem ser demasiado severas com Paulo: ele é um homem do seu tempo, e não podemos exigir dele a mesma linguagem com que, nos nossos dias, falamos destas coisas. Apesar de tudo, convém lembrar que Paulo não se esquece de pedir aos maridos que amem as mulheres e não as tratem com aspereza: sugere, desta forma, que a mulher tem, em relação ao marido, igual dignidade.
Evangelho: Lc. 2,41-52 - AMBIENTE
O Evangelho que nos é proposto é o final do “Evangelho da infância” de Lucas. Ora, já sabemos que a finalidade do “Evangelho da infância” não é fazer uma reportagem sobre os primeiros anos da vida de Jesus, mas sim fazer catequese sobre Jesus; nessa catequese, diz-se quem é Jesus e apresentam-se algumas coordenadas teológicas que vão, depois, ser desenvolvidas no resto do Evangelho.
A “catequese” de hoje situa-nos em Jerusalém. A Lei judaica pedia que os homens de Israel fossem três vezes por ano a Jerusalém, por alturas das três grandes festas de peregrinação (Páscoa, Pentecostes e Festa das Cabanas – cf. Ex. 23,17-17). Ainda que os rabinos não considerassem obrigatória esta lei até aos treze, muitos pais levavam os filhos antes dessa idade. Jesus tem doze anos e, de acordo com o texto de Lucas, foi com Maria e José a Jerusalém celebrar a Páscoa.
É neste ambiente de Jerusalém e do Templo que Lucas situa as primeiras palavras pronunciadas por Jesus no Evangelho. Elas são, sem dúvida, o centro do nosso relato.
MENSAGEM
A chave deste episódio está, portanto, nas palavras pronunciadas por Jesus quando, finalmente, se encontra com Maria e José: “porque me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?”
O significado (a catequese) da resposta à pergunta de Maria é que Deus é o verdadeiro Pai de Jesus. Daqui deduz-se que as exigências de Deus são, para Jesus, a prioridade fundamental, que ultrapassa qualquer outra exigência. A sua missão – a missão que o Pai Lhe confia – vai obrigá-l’O a romper os laços com a própria família (cf. Mc. 3,31-35).
É possível que haja ainda, aqui, uma referência à paixão/morte/ressurreição de Jesus: tanto o episódio de hoje, como os fatos relativos à morte/ressurreição, são situados num contexto pascal; em ambas as situações Jesus é abandonado – aqui por Maria e José e, mais tarde, pelos discípulos – por pessoas que não compreendem que a sua prioridade é o projeto do Pai; em ambas as situações, Jesus é procurado (cf. Lc. 24,5) e tem de explicar que a finalidade da sua vida é cumprir aquilo que o Pai tinha definido (cf. Lc. 24,7.25-27.45-46). Lucas apresenta aqui a chave para entender toda a vida de Jesus: Ele veio ao mundo por mandato de Deus Pai e com um projeto de salvação/libertação. Àqueles que se perguntam porque deve o Messias percorrer determinado caminho, Lucas responde: porque é a vontade do Pai. Foi para cumprir a vontade do Pai que Jesus veio ao nosso encontro e entrou na nossa história.
Atente-se, ainda, em duas questões um tanto marginais, mas que podem servir também para a nossa reflexão e edificação: em primeiro lugar, reparemos no entusiasmo que Jesus tem pela Palavra de Deus e pelas questões que ela levanta; em segundo lugar, a “declaração de independência” de Jesus pode ajudar-nos a compreender que a família não é o lugar fechado, onde cada pessoa cresce em horizontes limitados e fechados, mas é o lugar onde nos abrimos ao mundo e aos outros, onde nos armamos para partir à conquista do mundo que nos rodeia.
ATUALIZAÇÃO
¨ Para Jesus, a prioridade fundamental a que tudo se subjuga (até a família) é o projeto de Deus, o plano que Deus tem para cada pessoa. Se os planos dos pais e os planos de Deus entram em choque, quais devem prevalecer?
¨ Anima-nos o mesmo entusiasmo de Jesus pela Palavra de Deus? Somos capazes de esquecer outros interesses legítimos para nos dedicarmos à escuta, à reflexão e à discussão da Palavra? Vemos nela um meio privilegiado de conhecer o projeto que Deus tem para nós?
¨ Maria e José não fizeram cenas diante da resposta “irreverente” de Jesus. Aceitaram que o jovem Jesus não lhes pertencia exclusivamente: Ele tinha a sua identidade e a sua missão próprias. É assim que nos situamos face àqueles com quem partilhamos a experiência familiar?
¨ A nossa família potencia o nosso crescimento, abrindo-nos horizontes e levando-nos ao encontro do mundo, ou fecha-nos num espaço cômodo mas limitado, onde nos mantemos eternamente dependentes?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho





1a leitura - Eclo 3,3 - 7.14 - 17a
a) Promessas de Deus para quem honra seus pais
O texto em foco é um breve comentário do 4o mandamento sintetizado pela Igreja nestas poucas palavras: “Honrar pai e mãe”. Ele vem de Ex. 20,12: “Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará”. Neste texto percebemos um fruto prometido, uma promessa feita para os filhos que honram seus pais; e a promessa é: “o prolongamento dos dias sobre a terra”. (cf. Eclo 3,7)
No texto do Eclesiástico vemos mais duas promessas básicas: o perdão das culpas (vv. 4.17) e o atendimento das orações (v. 4). Além disso podemos acrescentar o significado e os benefícios espirituais do amor aos pais: “quem respeita sua mãe é como alguém que ajunta tesouros.” (v. 5) “Quem honra seu pai terá alegria em seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido.” (v. 6).
“Com obras e palavras honra teu pai, para que dele venha sobre ti a bênção.” (vv.9 - 10)
b) O jeito concreto de honrar os pais
Este 4o mandamento é detalhado nos vv. 12 e 13:
* Amparo do pai sobretudo na velhice (cf. v.14a)
* Não lhe causes desgosto enquanto vive (v. 14 - 6)
* Mesmo que esteja perdendo a lucidez, sê tolerante com ele (v. 15a)
* E não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida (v. 15b)
c) Conclusão: Deus não esquece os gestos de amor
O v. 15 além do que já foi dito arremata com esta frase confortadora, cheia de recompensa: “A ajuda prestada a teu pai não será esquecida” .
O que dizer daquelas pessoas que por egoísmo ou comodismo abandonam os pais num asilo?
Você se preocupa com a alimentação, a higiene, os remédios dos seus pais idosos, da sua avó, do seu avô?
2a leitura - Cl 3,12 - 21
A razão de tudo o que o autor vai dizer nestes versículos se encontra no batismo cristão que provoca no ser humano uma transformação radical: através do batismo a pessoa se torna “homem novo”, homem recriado por Cristo. O v. 12 retoma este fundamento da vida nova.
“Portanto, como escolhidos de Deus, santos e amados”. É bom refletir um pouquinho o que Deus faz por nós: Ele nos escolhe, nos santifica e nos ama. Isto é algo de estupendo, principalmente se lembrarmos que tudo isso acontece sem merecimento algum de nossa parte. É desse gesto de Deus que decorrem gestos novos da nossa parte em relação à família e à comunidade. É aqui que se colocam as exortações do nosso texto: ele nos convida a nos vestirmos de sentimentos de compaixão, ou seja, bondade, humildade, mansidão e paciência.
* Perdão a toda a hora do mesmo modo que o Senhor nos perdoou. Não é supérfluo lembrar que o Senhor nos perdoou, redobrando o amor para conosco através do serviço total que terminou na entrega total, na cruz.
* Por isso o autor vai dizer que a veste do cristão deve ser o amor, pois o amor total é o laço da perfeição. Amar até quem não nos ama, pois foi assim que fez o Senhor.
* O que deve reinar no coração do cristão?
Ressentimento, mágoa, rancor, ódio? Não, de jeito nenhum! Só a paz e a harmonia devem reinar como os membros do mesmo corpo, mais ainda membro do corpo cuja cabeça é o Cristo (cf. 1,18)
* Os vv. 15 - 18 recordam a Eucaristia: agradecimento, a riqueza da Palavra de Cristo, instruções, conselhos, salmos, hinos e cânticos espirituais. Tudo inspirado pela graça que brota do coração de Cristo. É assim que deve viver o cristão.
* Palavras e ações do cristão devem acontecer em nome do Senhor Jesus no louvor e no agradecimento por meio dele.
Os vv. 18 - 21 detalham as obrigações na família:
* Para as mulheres submissão e docilidade.
* Para os maridos o amor total às esposas e nada de grosserias.
* Para os filhos a obediência, pois é isso que agrada ao Senhor.
* Para os pais o esforço de não irritar os filhos para não levá-los ao desânimo.
Agora uma pergunta desagradável: É assim que você vive? É assim que vive sua família? Por este texto percebemos que a caminhada é muito longa até chegarmos lá. Temos um ideal; não podemos abandoná-lo.
Evangelho – Lc. 2,41 - 52
Esta perícope pertence ao “Evangelho da Infância”, onde a preocupação principal do evangelista não é a história propriamente dita, mas a teologia, ou seja, o significado profundo dos acontecimentos. O texto de hoje quer responder à pergunta: “Quem é Jesus, qual é a sua missão?” A ida anual para a celebração da Páscoa em Jerusalém mostra da parte dos pais de Jesus fidelidade à Lei conforme Dt. 16,16 - 17: “Três vezes ao ano, todos os teus homens deverão apresentar-se ao Senhor teu Deus, no lugar que ele tiver escolhido: na festa dos Pães sem fermento, na festa das Semanas e na Festa das Tendas. Ninguém aparecerá perante o Senhor de mãos vazias; cada um fará suas ofertas conforme as bênçãos que o Senhor teu Deus lhe houver concedido”. A lei diz que não se deve comparecer de mãos vazias. Cada um deve levar um dom. Se Lucas não menciona o dom da família de Jesus é porque ele quer lembrar que Jesus é o próprio dom entregue ao Pai.
O israelita, aos 12 anos, já começa a fazer parte do mundo dos adultos, assume sua maturidade religiosa (diante de Deus) e sua maturidade civil (diante dos homens). Assim Jesus está comparecendo ao Templo como obrigação do homem adulto: (... “todos os teus homens deverão apresentar-se ao Senhor teu Deus”).
Esta história da perda e encontro do “menino” no Templo vai revelando aspectos da fé do evangelista ou da comunidade cristã pós-pascal na pessoa do Senhor Jesus.
Jesus só é encontrado três dias depois no Templo (v. 46). É uma referência aos três dias no sepulcro depois do qual ele vai para a Casa do Pai.
Jesus está sentado no meio dos mestres com a admiração de todos. Estes vv. 46 - 47 revelam Jesus na sua dimensão de mestre, ungido pelo Espírito Santo e cheio de sabedoria (cf. 4,18 - 19)
A resposta de Jesus a seus pais são suas primeiras palavras no Evangelho de Lucas: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devo estar naquilo que é de meu Pai?” Sintetiza toda atividade de Jesus que viveu em função do Pai e após sua morte (três dias) voltou para a casa do Pai. Mostra sua condição de ressuscitado e glorificado. Mostra sua missão como fruto da sua relação filial com o Pai do céu. Ela brota do coração de Deus e da realização de sua vontade, mas se realiza através do mistério da encarnação, onde Jesus se identifica conosco e vai crescendo na obediência filial “em sabedoria, tamanho e graça diante de Deus e dos homens”. A relação de Jesus com seus pais era uma linda relação de amor e obediência, mas o mistério que envolvia Jesus revela o coração de Maria como coração modelo de todos os discípulos, pois apesar de não entender o alcance dos segredos de Deus ela conservava todas essas coisas no coração (cf. 2,19.51b); ia assimilando assim o projeto de Deus sem oferecer resistência.
dom Emanuel Messias de Oliveira
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O mundo é a família de Deus, pois Jesus se encarnou em nossa realidade, experimentando o drama de todas as famílias humanas, conduzindo seu povo para a vida em plenitude. Toda celebração eucarística é catequese permanente da ação de Deus em nossa vida. Por isso, com a festa da Sagrada Família, celebramos não só o sofrimento das famílias brasileiras, mas sobretudo a certeza de que estamos sendo guiados por Deus no caminho que conduz à vida e liberdade para todos.
Encerramos mais um ano de caminhada. Agradecemos a Deus a alegria das esperanças realizadas. E celebramos desde já as expectativas, pois a maioria das comunidades e famílias ainda não viu brilhar no horizonte a consolação e a libertação iniciadas em Jesus.
1º leitura (Eclo 3,2 - 6.12 - 14; grego: 3,3-7.14-17a):
experimentar Deus em família
O livro do Eclesiástico é a tradução em grego de um original hebraico, escrito por Jesus Ben Sirac. Seu neto empreendeu a obra de tradução com o objetivo de mostrar aos judeus que moravam fora do país (em Alexandria, no Egito) a riqueza da tradição do seu povo. É, portanto, um livro que ajuda a recuperar as raízes e identidade de um povo ameaçado de perder o sentido da vida. Vivendo em terra estranha, facilmente os judeus assimilavam a cultura e a ideologia do país em que estavam, perdendo de vista a herança cultural e espiritual dos antepassados, baseada na experiência de Deus em família. De fato, o Deus de Israel foi se revelando na vida das pessoas, e essa revelação passou de boca em boca, de pai para filho, desde os tempos mais remotos.
Os versículos que compõem a leitura de hoje são uma explicação de Ex 20,12: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que Javé teu Deus te dá”. O mandamento está ligado à promessa de vida longa. O Eclesiástico vai mais longe, acrescentando à vida longa (v. 6) mais duas promessas: a de ver atendidas as orações (v. 5) e o perdão dos pecados (vv. 3.14).
Para quem vivia longe do Templo, lugar onde eram feitos os sacrifícios pelas culpas cometidas, há agora um horizonte novo: o perdão dos pecados ocorre não por meio de um rito externo, mas de uma atitude traduzida em amor pelos pais, sobretudo quando estes se encontram em estado de carência, como a perda do uso da razão (v. 13). Poderíamos dizer que a casa voltou a ser o Templo, como na época das tribos, quando a liturgia era celebrada nas casas ou santuários locais. O texto se aproxima bastante da novidade trazida por Jesus de Nazaré, que disse: “O que eu quero é a misericórdia, e não o sacrifício” (cf. Mt. 9,13) e afirmou que o Pai rejeita as ofertas sagradas que deveriam ser empregadas na conservação da vida dos pais (cf. Mc. 7,8 - 13).
Amar, obedecer e respeitar a fonte da vida que são os pais é amar, respeitar e obedecer a Deus, origem de toda vida. Os pais reproduzem, em parte, o ser de Deus, que é doação. Eles não produziram para si, mas para os outros. Os filhos, por sua vez, chegados à fase adulta da vida, são convocados a não produzir para si, mas para outros, perpetuando a vida e amparando a dos pais na velhice (v. 12). Essa proposta quebra o sistema de sociedade do consumo e do descartável, que só valoriza as pessoas enquanto capazes de produzir.
Evangelho (Lc.2,41 - 52): A maturidade de Jesus
À primeira vista, o evangelho de hoje – exclusivo de Lucas – parece um episódio corriqueiro: um casal que vai em peregrinação a Jerusalém e perde uma criança no meio da multidão que foi à festa. Acontece, porém, que Lucas escreveu seu evangelho mais de 40 anos após a ressurreição de Jesus. Ele não está preocupado em mostrar fatos brutos. Pelo contrário, em seus textos escondeu uma teologia ou, se quisermos, uma catequese sobre a pessoa e a missão de Jesus. Erroneamente se diz que Jesus “se perdeu”. De fato, ele “se encontrou”. Perdidos (= confusos) podiam estar seus pais, não ele.
O evangelho começa afirmando que os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa (v. 41). Cumprem assim o que estava previsto na Lei (cf. Dt. 16,16 - 17). É assim que os romeiros deviam se apresentar para a festa da Páscoa: “Cada um traga o seu dom, conforme a bênção que Javé lhe tiver proporcionado” (Dt. 16,17).
Acontece que Jesus já tem 12 anos (v. 42). É a época de se realizar a cerimônia do bar mitzvah. Nessa idade, e com esse rito, o menino entra no mundo dos adultos: passa a ser plenamente responsável diante de Deus e das pessoas. Chegou sua maturidade religiosa e civil.
Escrevendo muito tempo depois da ressurreição de Jesus, Lucas pintou o quadro com algumas cores pascais. De fato, a menção aos três dias de busca (v. 46) recorda os dias em que Jesus ficou sepultado. Também a resposta que ele dá aos pais: “Não sabiam que eu devo estar na casa do meu Pai?” (v. 49b) revela sua condição de ressuscitado e glorificado. Portanto, à luz da morte, ressurreição e glorificação de Jesus é que esse texto adquire pleno sentido.
Nesse episódio, Lucas apresenta as primeiras palavras de Jesus no seu evangelho. Os evangelistas deram a essas primeiras palavras grande importância, de modo que sintetizam toda a atividade de Jesus. Para Lucas, Jesus é “aquele que deve estar na casa do Pai”. Aos poucos, o evangelho vai desenvolvendo esse tema, que culmina em 24,51: “Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu”.
Jesus está no Templo, justamente na festa da Páscoa (vv. 41 - 42). Lucas nada fala do dom que, segundo Dt 16,17, a família de Jesus deveria apresentar. Mas, para quem lê o texto com os olhos da fé no Ressuscitado, fica claro que ele próprio se apresenta como dom para seu Pai, pois deve estar na casa dele (cf. v. 49b).
Lucas afirma que, “três dias depois, encontraram o menino no Templo. Estava sentado no meio dos doutores, escutando e fazendo perguntas” (v. 46). Esse era o modo pelo qual, naquele tempo, se ensinava. Jesus, portanto, está no Templo ensinando os doutores. A função dos doutores daquela época englobava, ao mesmo tempo, a religião e a sociedade. Jesus está tendo seu primeiro teste com aqueles que, mais tarde, serão seus adversários e responsáveis por sua morte. O ensinamento de Jesus também englobará, como realidade inseparável, a religião e a vida do povo. E seu grande ensinamento, segundo o discurso-programa, é este: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a boa notícia aos pobres; enviou-me… para proclamar um ano de graça do Senhor” (cf. 4,18 - 19). Ele, e somente ele, poderá ser chamado de Mestre, porque mostra que a verdadeira religião está comprometida com a libertação dos pobres.
Lucas nos diz que os pais de Jesus “não compreenderam o que o menino acabava de lhes dizer” (v. 50). Apesar de o anjo ter revelado a Maria que o Santo que iria nascer dela seria chamado Filho de Deus (cf. 1,35), e apesar de Jesus afirmar que deve estar na casa do seu Pai (v. 49b), ele se torna incompreensível para seus pais. E hoje, será que Jesus é compreensível para nós?
Lucas, pela segunda vez, afirma que Maria conservava no coração todas essas coisas (v. 51b; cf. também 2,19). Para esse evangelista, a mãe de Jesus é tipo do verdadeiro discípulo: apesar de não entender plenamente, vai assimilando o projeto de Deus sem pôr obstáculos. Torna-se também um ponto de referência para os pais de todos os tempos: ter um filho não é possuí-lo ou aprisioná-lo na dependência, mas permitir que chegue à maturidade, desenvolvendo-se como ser humano maduro e responsável.
O texto de hoje termina afirmando que “Jesus desceu com seus pais para Nazaré e permaneceu obediente a eles… E crescia em sabedoria, em estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (vv. 51a.52). Com isso aprendemos que Jesus continua sendo um ser humano como qualquer um de nós, respeitando as fontes da vida. O v. 52, que fala do crescimento de Jesus, recorda o modo como Samuel cresceu e se desenvolveu (cf. 1Sm 2,26). Samuel trouxe novos rumos para a história do povo de Deus. Jesus, com sua prática, vai inaugurar história e sociedade novas.
2 leitura (Cl 3,12 - 21): Se somos bons,
nossas comunidades e famílias serão ótimas
Os versículos propostos como segunda leitura deste domingo são parte das conclusões que Paulo tira do fato de, pelo batismo, nos tornarmos pessoas novas. Em outras palavras, o que hoje se lê é a tentativa de traduzir na prática o que significa ressuscitar com Cristo (cf. Cl 3,1). Paulo não separa o convívio familiar da vida em comunidade. Para ele, são dois momentos de uma mesma realidade. E por isso trata das relações dentro da família e da comunidade ao mesmo tempo.
O texto de hoje se inicia mostrando a identidade cristã: “Vocês são o povo santo de Deus, escolhido e amado” (v. 12a). A seguir, especifica o que isso significa em termos de relações sociais: “Por isso, procurem revestir-se de misericórdia” (v. 12b). As virtudes que seguem esclarecem o sentido da misericórdia: ela se traduz em bondade, humildade, mansidão, tolerância, paciência e perdão (vv. 12c - 13a). Paulo emprega a imagem da veste (“procurem revestir-se”) para caracterizar as novas relações e valores que ajudam a construir sociedade nova. O ponto de referência para acabar com as discriminações é a prática de Jesus, sua morte e ressurreição: “Como o Senhor lhes perdoou, façam vocês o mesmo” (v. 13b). E conclui: “Acima de tudo tenham amor, que faz a união perfeita” (v. 14). O que torna uma comunidade perfeita não é a ausência de falhas e limites em seus membros, e sim a capacidade de amar sem medidas, apesar dos limites e falhas de cada pessoa (cf. 1Pd 4,8: “O amor cobre uma multidão de pecados”). O amor gera a paz e torna as pessoas membros do mesmo corpo (v. 15a).
A seguir, Paulo mostra algumas ferramentas para que a comunidade atinja esse objetivo. A mais importante delas é a celebração da eucaristia. De fato, a expressão “sejam agradecidos” (v. 15b) recorda a celebração eucarística conforme era celebrada pelos primeiros cristãos: a escuta da palavra de Cristo, a partilha da palavra e o louvor, feito de salmos, hinos e cânticos inspirados (v. 16).
Paulo, porém, procura alargar os espaços, fazendo a celebração eucarística incidir em qualquer atividade, palavra ou ação, para que tudo seja feito em nome do Senhor Jesus, de modo que a vida inteira se transforme em ação de graças a Deus Pai (v. 17).
Em seguida, vêm as instruções para as famílias, com instruções para as esposas, a fim de que sejam dóceis a seus maridos (v. 18); aos maridos, para que amem suas esposas e não sejam grosseiros com elas (v. 20); aos filhos, para que obedeçam aos pais (v. 20); e aos pais, para que usem uma pedagogia capaz de encorajar, e não desanimar os filhos (v. 22). Numa sociedade que privilegiava o pai de família como único responsável pelo bom andamento das coisas, Paulo apresenta, para todos, deveres recíprocos fundados no amor, o laço da perfeição. De fato, essas instruções não privilegiam uns em prejuízo dos outros. O ponto de confronto, para todos, é o modo como o Senhor Jesus agiu em relação ao Pai e às pessoas (cf. vv. 18.20).
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1º leitura: Eclesiástico 3,3-7.14 - 17
VIRTUDES FAMILIARES
Este livro é deuterocanônico, isto é, não se encontra no cânon hebraico, mas somente na Bíblia grega. Foi escrito em hebraico e traduzido para o grego.
Nosso texto é entendido como uma catequese bíblica sobre a família. Apresenta uma lista de preceitos a serem observados pela família.
Foi escrito por Ben Sirac e traduzido por seu neto com o objetivo de mostrar aos judeus que viviam fora do país a riqueza da tradição do seu povo. É um livro que visa recuperar as raízes, as tradições e a identidade do povo, ameaçado de perder o sentido da vida. Vivendo em terra estrangeira, os judeus assimilavam facilmente a cultura e a ideologia do país opressor, perdendo de vista a herança cultural e espiritual de seus antepassados, baseada na experiência de Deus em família. Realmente, Deus se revelou e esta revelação passou de boca em boca de pai para filho em tempos mais antigos.
A leitura apresenta um código de comportamento dos filhos em relação aos pais. Não pode haver uma boa família quando os filhos não amam os pais. O texto faz um apelo à piedade comum, ou seja, os filhos devem sentir um amor espontâneo pelos pais, com base também no mandamento de Deus de honrar os pais.
Nossos versículos explicam Êxodo 20,12, onde se diz que honrar pai e mãe dá uma vida longa e as orações dos filhos são atendidas e seus pecados serão perdoados, ou seja, explicitam o benefício da prosperidade que daí advém, pois honrar os pais vale mais que oferecer sacrifícios no Templo. Para quem vivia longe do Templo, lugar do sacrifício pelas culpas cometidas, o perdão acontecia com essa atitude, sobretudo com o amor aos pais mais carentes (v.13). Amar, obedecer e respeitar os pais é amar a Deus, origem de toda vida. Os pais reproduzem em parte o ser de Deus, que é doação.
2º leitura: Colossenses 3,12 - 21
A VIDA DA FAMÍLIA CRISTÃ
Paulo afirma que pelo Batismo nos tornamos criaturas novas e não separa o convívio familiar da vida da comunidade, pois são dois momentos da mesma realidade. Por isso, trata as relações da família e da comunidade do mesmo modo. Para o apóstolo, os cristãos são povo santo de Deus (v.12a). Isto implica relações sociais e ao mesmo tempo é preciso “revestir-se de misericórdia”, o que significa viver a bondade, a humanidade, a mansidão, a tolerância, a paciência e o perdão. Faz com que uma comunidade seja perfeita não pela ausência de falhas, mas pela capacidade de amar. Paulo usa o verbo “vestir-se” para caracterizar as novas relações que ajudam a construir a sociedade e o exemplo para isso é Cristo.
Para atingir este objetivo na comunidade, o apóstolo explicita que o mais importante é celebrar a Eucaristia. Usa a expressão “sejam agradecidos”, a fim de lembrar a Eucaristia que os cristãos celebravam, escutando a palavra com louvores, hinos e cânticos. Mas também lembra que a Eucaristia deve continuar na vida, vivendo, sobretudo um bom relacionamento familiar como esposa, esposo, filhos e pais. A submissão das mulheres aos maridos de que Paulo fala pertence ao modelo literário chamado “Código familiar”, que não implica inferioridade, submissão e escravidão. Os maridos devem amar suas esposas (agapàn= amor). Esta palavra indica um amor gratuito, terno, desinteressado.
Evangelho: Lucas 2,41 - 52
JESUS ENTRE OS DOUTORES
Este é o único episódio sobre a adolescência de Jesus. Ele ia todos os anos com os pais a Jerusalém pela Páscoa (conforme Deuteronômio 16,16-17). Aos 12 anos, Jesus entrou no mundo dos adultos, passou a ter maturidade religiosa e social. Neste contexto, Lucas apresenta Jesus "didáskalos" (= mestre), sentado no meio dos doutores de Israel. Seguramente, suas palavras eram ensinamentos religiosos e comentários sobre a situação do povo.
REFLEXÃO
O primeiro domingo depois do Natal é dedicado à Sagrada Família. Ela foi conduzida momento a momento pela Palavra de Deus.
A família sempre esteve na mente de Deus desde a criação (“Sejam fecundos e se multipliquem...” “Os dois serão uma só carne...”). Ela é a continuação da criação e é chamada a viver um amor plenamente humano, onde entram em jogo todas as dimensões humanas do homem e da mulher (físicas, psicológicas, espirituais). Um amor total que partilha tudo. Amor fiel, exclusivo e fecundo.
Para viver todas essas dimensões, é necessário que a família tenha uma vida religiosa e espiritual com orações, sacramentos, escuta da palavra, concórdia e entendimento. Ela deve ser para os filhos, sobretudo testemunha dos valores. Exige-se a prática dos deveres de piedade filial pelos filhos (1ª leitura), que se traduz para eles em amor, respeito, honra e ajuda. Pois os pais, como transmissores da vida, são imagem do amor criador de Deus.
A família é o lugar natural e o espaço vital onde a criança se abre pela primeira vez para a socialização da pessoa humana, pois é a primeira sociedade (pais, irmãos, parentes) que ela experimenta. Da imagem e impressão que este primeiro contato oferece à criança dependerá seu futuro equilíbrio pessoal e a qualidade de sua inserção na grande sociedade aonde vai se integrando.
Educar é hoje uma tarefa complexa e, por isso, muitos pais se demitem dessa responsabilidade porque se acham incapazes de educar, porque não estão preparados ou porque querem deixar esta responsabilidade para a escola, a Igreja etc., numa atitude permissiva e num conformismo pragmático. Outros pais querem que seus filhos sejam e vivam a sua imagem em tudo e procedem com autoritarismo, freando toda iniciativa e anulando o livre desenvolvimento da personalidade dos filhos, tendo como conseqüência a rebeldia... Estas duas atitudes não são corretas. A atitude certa é potencializar o desenvolvimento pessoal dos filhos, incentivando suas qualidades e progressos, despertando sua capacidade crítica diante de uma sociedade despersonalizante, e preparando-os para assumir seu próprio destino e vocação na vida. Para isso, é necessária uma visão integral da educação em todos os setores: personalidade, religião, cultura e sociedade, sem esquecer que o grande segredo em pedagogia e o melhor método em educação é amar, o que não é a mesma coisa que mimar.
Junto com o amor, os pais devem apresentar a verdade da vida mediante o exemplo, pois é este que mais influi nos filhos. Os pais devem ser conseqüentes em seu modo de agir, em sua maneira de pensar, nas palavras educativas, nos pedidos, nas correções e nos conselhos. Os pais são os educadores, os outros (professores, sacerdotes, catequistas) são seus colaboradores.
Educar para os valores básicos e permanentes é acentuar atitudes éticas, religiosas e civis, entre as quais se devem acentuar a solidariedade humana, a fraternidade, a justiça, a verdade, o trabalho, o amor e o altruísmo, a capacidade de partilhar, a autodisciplina e a responsabilidade, o respeito às pessoas, o diálogo, o civismo, a oração, a prática religiosa, o compromisso cristão...
Os pais devem ser os primeiros educadores da fé dos filhos, mediante a palavra e o exemplo. Isto ocorreu de maneira singular na família de Nazaré. Jesus aprendeu com seus pais o significado das coisas que o rodeavam. Um dos valores fundamentais na Sagrada Família eram as orações diárias. Ao meditar sobre esta cena, os pais devem considerar as palavras de Paulo VI: “Vocês ensinam a seus filhos as orações do cristão? Preparam seus filhos, em comum acordo com os sacerdotes, para os sacramentos da primeira idade: confissão, comunhão, confirmação? Acostumam-nos, quando estão doentes, a pensar em Cristo que sofre, a invocar a ajuda de Nossa Senhora e dos santos? Recitam o terço em família? Sabem rezar com seus filhos, com toda a comunidade doméstica, pelo menos de vez em quando? O exemplo que derem com sua retidão de pensamentos e de ação, apoiado na oração em comum, valerá por uma lição de vida, valerá por um ato de culto de mérito singular. Deste modo vocês levam a paz ao interior dos muros domésticos”.
Os lares cristãos que imitarem a família de Nazaré serão “lares luminosos e alegres”, porque cada membro da família procurará primeiro aperfeiçoar seu relacionamento pessoal com o Senhor e com espírito de sacrifício procurará ao mesmo tempo chegar a uma convivência cada dia mais amável com todos os de casa.
Nazaré é a escola onde se começa a entender a vida de Jesus: a escola do Evangelho. Ali se aprende a olhar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado tão profundo e tão misterioso desta simples, humilde e bela manifestação do Filho de Deus entre os homens.
A família é a “escola de todas as virtudes sociais”. É a sementeira da vida social, pois é na família que se pratica a obediência, a preocupação com os outros, o senso de responsabilidade, a compreensão e a ajuda mútua, a coordenação amorosa entre os diversos modos de ser. A saúde de uma sociedade se mede pela saúde das famílias.
padre José Antonio Bertolin, OSJ
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Neste domingo, celebramos a beleza desta única e irrepetível família humana, da qual fazem parte Jesus, o Filho de Deus, mas também a Virgem Maria e o pai adotivo de Jesus, São José. Estas três grandes figuras nos convidam a refletir o sentido mais verdadeiro da família cristã e o modo no qual devemos viver dentro dela, embora cada um tenha uma missão particular recebida de Deus para cumprir.
O texto do Evangelho de Lucas nos leva ao momento do desaparecimento e ao momento em que Jesus é encontrado, assim se faz conexão espiritual e não histórica ou temporal entre o nascimento de Jesus, celebrada na Solenidade do Natal e a Epifania, que encerra o tempo natalino.Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. Geralmente, as pessoas organizavam grandes caravanas para ir e voltar de Jerusalém. É justamente por isso que não devemos estranhar que os pais de Jesus não se preocupem nem tenham percebido logo o desaparecimento do seu Filho. Entretanto, quando se dão conta, voltam a Jerusalém e o encontram no Templo entre os Mestres da Lei, escutando e fazendo perguntas. Todos os que o ouviam estavam maravilhados com a sua inteligência e suas respostas.
Mas seus pais reagem com preocupação e ficam desconcertados quando o menino lhes comunica a sua missão: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?”
Apesar de José e Maria terem alguma intuição sobre o sentido das palavras de Jesus, até aquele momento era difícil para eles entender e voltam para Nazaré trazendo Jesus que era-lhes obediente em tudo.
Enfim, o Evangelho nos diz que Jesus continuava crescendo e que Maria guardava todas estas coisas em seu coração. É interessante notar que nesta família não há pecado, mas há desencontros como este apenas narrado. E esta família tem muito a nos ensinar em nossos próprios desencontros familiares.
Não obstante as dificuldades, esta família singular é unida e cada um se sente responsável pelo outro. A dificuldade e a incompreensão são superadas por uma visão de amor e, sobretudo, na contínua disponibilidade de buscar e de atuar a vontade de Deus seja por parte de Jesus seja por parte de Maria e José.
E sobre esse amor é o que fala o texto da segunda leitura de hoje que é tirada da carta de São Paulo aos Colossenses. Nesta leitura, somos educados ao amor, também no mais estreito sentido que Paulo nos apresenta aqui para as nossas famílias. Se as nossas famílias devem ser escolas de autêntico amor entre todos os seus membros, a educação ao amor se tornará suave se realizarmos tudo na ótica do amor para com Deus e o próximo.
O filho não é um direito nem uma pretensão da mulher nem do homem ou do casal, mas é um dom de Deus que deve ser acolhido com amor e responsabilidade, sem forçar a vontade de Deus e a técnica para obter egoisticamente aquilo que a natureza por misteriosos fatos não concede às vezes aos esposos, ou mesmo, a alegria de um filho.
Diante da cultura de morte que se difunde sempre mais na história hoje, este texto nos leva a contemplar a beleza do dom da vida, da maternidade e da paternidade. Bem que queríamos que o clima natalino que respiramos nestes dias fosse, sobretudo um clima de defesa da vida e especialmente da vida mais indefesa. E entre estes fracos estão as crianças concebidas e que devem ser acolhidas e acudidas com singular amor pela mãe enquanto se desenvolvem no ventre, como também as tantas crianças desaparecidas, esquecidas e abandonadas neste mundo que têm tanta necessidade de dignidade, de uma família normal onde elas possam crescer com o amor e a atenção de ambos os pais. Esta seja a nossa oração não só de hoje, mas de sempre por nós e as famílias de todo o mundo.
Enfim, pense por um momento sobre o quanto é importante o seu filho para você que é pai ou mãe. Você reza regularmente por ele? Rezar pelas crianças é o melhor presente que você pode dar a elas. Reze para que seu filho ou sua filha cresça em sabedoria, idade e graça como Jesus cresceu diante de Deus e seja uma bênção para a humanidade.
padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento
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“Vieram apressados os pastores, e encontraram Maria com José,
e o Menino deitado no presépio”. (cf. Lc 2,16)
Depois de contemplarmos o presépio vivendo ainda a oitava do Santo Natal a Igreja, peregrina e santa, nos convida a refletir sobre a realidade da família de Deus, que é a realidade de nossas famílias da terra. A Sagrada Família passou por alegrias, dificuldades e também por grandes sofrimentos. Após o episódio do Templo, em que aparece no meio dos doutores da lei, os pais de Jesus reconheceram a sua missão específica. Eles não põem nenhuma objeção à vontade do Pai. Nesta família reinou a caridade e a ajuda entre todos, a chamada ajuda mútua, os elementos fundamentais da vivência familiar.
Porque celebrar a família de Deus? Tudo isso para sublinhar que Jesus teve um ambiente histórico e social. Ele teve necessidade de afeto e de cuidados como qualquer outra criança. Isso tudo ilumina nosso itinerário cristão para que os cristãos mirem na Sagrada Família para que, seguindo seus exemplos, possamos crer no Filho de Deus, o Cristo Redentor da Humanidade.
A Sagrada Família foi uma família do cotidiano. Foi uma família de pessoas normais. Jesus assume a profissão de seu pai votivo, São José, e faz desta profissão o sustento de sua família. Uma profissão é, verdade, que fica bem em Jesus, porque ela lembra construção, e Cristo será o construtor do Reino de Deus entre os homens, neste vale de lágrimas. Construtor de nossas caminhadas re-criando e aperfeiçoando as coisas, o mundo e, particularmente, as pessoas.
Como era a família de Jesus? Certamente como toda família de hebreus, alicerçada sob a fé, profunda fé, observando as leis da antiga aliança, pautando a sua vida pelos valores propostos pelos profetas, pelos livros sapienciais e pelas Leis de Moisés. Os pais de Jesus, Maria e José, eram homens profundamente tementes a Deus, abertos completamente a misericórdia de Deus Pai, tendo educado seus filhos na Lei e na constância do Senhor da Vida.  Uma família simples, pobre, que viveu a normalidade do tempo de antanho. Contingenciados pela ocupação romana, sendo obrigados a recolherem impostos elevadíssimos viviam uma vida difícil como todos os seus contemporâneos.
E como era a vida do jovem Jesus? Jesus foi levado ao templo no seu 12o. ano. Isso significa que foi antecipado em um ano a sua peregrinação. Mas a simbologia é rica: Jesus vai aos 12 anos ao Templo para demonstrar que vai passar a sua vida voltada para as coisas de Deus. Jesus vai viver uma missão que lhe foi confiada pelo Pai. Não vai viver em benefício do Templo Edifício, mas vai reerguer o próprio Templo, no terceiro dia, com a sua Ressurreição Gloriosa.
Jesus está diante dos doutores para ser submetido a um exame de seus conhecimentos da Lei de Deus. Exame que poderia ser feita na sinagoga de sua cidade ou no Templo de Jerusalém. O Evangelista faz com que Jesus vá espontaneamente ao exame no Templo. Porque espontaneamente? Para demonstrar que ele assume a nossa humanidade e morre na Cruz pela nossa salvação com grande gratuidade e imensa generosidade, profunda espontaneidade.
O Evangelista faz com que os doutores admirem a sabedoria de Jesus. Mas não poderia ser diferente, afinal Jesus é a promessa, é o santo dos santos, é a cepa de Jessé.
Maria e José procuravam com sofreguidão por Jesus: aqui está a humanidade da sagrada família que sofre e quer proteger o seu Filho. Este gesto demonstra bem o fio condutor do novo Testamento: a criatura humana é um ser à procura de Deus, que parece estar despreocupado conosco. Todos temos essa experiência. Se Maria e José, que conviviam fisicamente com ele, devem sair à sua procura, quanto mais os que como nós só podem viver com ele pela fé.
Mas, depois do desencontro, Jesus volta com seus pais para a sua casa. A obediência de Jesus é maior do que a obediência ao pai e a mãe terrenos; ela se prende à vontade do Pai do Céu.
Em momento nenhum o Evangelista fala em menino prodígio para Jesus, mas um menino comum, como seus colegas no seu tempo. Apesar da sabedoria demonstrada por Jesus no templo São Lucas exorta: “Jesus crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e diante dos homens”.(cf. Lc 2,52).
São Lucas proclama que Deus é Pai. Jesus, na sua vida pública, demonstra outro rosto de Deus: Deus que é o pai de toda a humanidade, sem acepção de pessoas, um pai compassivo, misericordioso, bondoso, que perdoa e que ama. Todas as virtudes do Pai Eterno que os cristãos são convidados, com insistência, a viver na sua vida diária, nos seus relacionamentos, na sua vida de comunidade, na sua vida de paróquia, na sua vida de Igreja Particular e Diocesana, na sua vida de Igreja como “Ecclesia”.
Existe hoje uma campanha diária e sorrateira para destruir a Família. A própria Conferência dos Bispos nos perguntou recentemente na campanha da Fraternidade: “E a família como vai?” A família vai mal porque Jesus não ocupa mais nas famílias o centro do lar cristão, mirado na Sagrada Família de Nazaré. O futuro da Igreja e da humanidade passa pela família. Por isso a festa de hoje nos vem lembrar que Jesus, podendo ter escolhido outros caminhos para a sua encarnação, escolheu a via natural da família como ponto de partida para criar a nova Família de Deus entre os homens e a mulher neste vale de peregrinação.
A Primeira Leitura desta festa(cf. Eclo 3,3 - 7.14 - 17) apresenta regras para a vida familiar. Regras de sabedoria judaica para a vida em família. Prevalecem o respeito dos pais, o bom comportamento e o bom senso.
A Segunda Leitura(cf. Cl. 3,12 - 21) nos fala do amor de Cristo, fundamento das regras da vida familiar. Paulo cita brevemente as regras da boa família henelística. A norma, porém, de tais regras não é o mero “bom comportamento”, mas Cristo mesmo. Ele dá aos homens viverem juntos na paz e no amor. Isso vale para a família e para a comunidade. Onde vive a paz, a Palavra de Cristo encontra acolhida; aí também descobre-se a alegria na oração e no trabalho em comum, cada dia.
Devemos, em sintonia com a V Conferência de Aparecida, valorizar a formação permanente da catequese de nossas famílias, ressaltando a necessidade da oração em família, do compromisso familiar e da inserção de nossas famílias nas iniciativas pastorais, da qual ela é indiscutivelmente o centro.
Rezemos, pois, para que nossas família se tornem Templo de Deus, Casa da Vida, quando todos os seus membros procurarem traduzir em suas vidas o que São Paulo escreve aos colossenses sobre a família: “Revesti-vos de sentimentos de compaixão, longaminidade, suportando-vos uns aos outros com amor, e perdoando-vos mutuamente, se alguém tem motivo de queixa contra o outro(cf. Cl. 3,12 - 21). Aqui está a lição de casa para cada família que hoje celebra conosco a Sagrada Família. Todos somos convidados a transformar nossas famílias numa verdadeira ação de graças. Nas nossas famílias Cristo está se manifestando.
Por isso cantemos com o padre Zezinho: “Abençoa Senhor a família Amém! Abençoa Senhor a minha também!”.
padre Wagner Augusto Portugal
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A Família como vai, meu irmão venha responda, quem pergunta é o Pai, a verdade não esconda. (bis)
Para entendermos melhor a primeira leitura, é importante saber algumas coisas sobre o livro do Eclesiástico. Este livro foi escrito para ajudar a recuperar as raízes e a identidade de um povo ameaçado de perder o sentido da vida. Vivendo em terra estranha, o povo judeu facilmente aprendia os costumes e a cultura do país em que estava, esquecendo a herança cultural e espiritual de seus antepassados, baseada na experiência de Deus em família. De fato, o Deus de Israel foi se revelando na vida das pessoas, e essa revelação passou de boca em boca, de pai para filho, desde muito tempo. A leitura de hoje, na verdade, é uma boa explicação do mandamento escrito no livro do Êxodo: “honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias...”. O mandamento está ligado à promessa de vida longa. O Eclesiástico vai mais longe, acrescentando à vida longa mais duas promessas: a de ter as orações atendidas e o perdão dos pecados. A leitura aponta um novo horizonte: o perdão dos pecados acontece não através de um rito externo, como era costume dos judeus, mas de uma atitude traduzida em amor pelos pais, sobretudo quando eles se encontram na idade avançada ou com alguma doença. Esta proposta
quebra o sistema de sociedade do consumo e do descartável, que só valoriza as pessoas enquanto são capazes de produzir e gerar lucro. Amar, obedecer e respeitar a fonte de vida que são os pais é amar, respeitar e obedecer ao próprio Deus, que é origem de toda vida.
Na segunda leitura, Paulo emprega a imagem da veste (“procurem revestir-se”) para caracterizar um novo jeito de nos relacionarmos, começando dentro de nossas famílias, depois em nossa comunidade e assim construirmos juntos um mundo novo. E este novo jeito consiste em viver as virtudes da bondade, humildade, mansidão, tolerância, paciência e perdão, tendo como modelo o próprio Jesus Cristo que assim se relacionou com todos. A seguir, Paulo nos mostra alguns
instrumentos para que a comunidade viva o projeto de Jesus. O mais importante deles é a celebração da Eucaristia. A expressão “sejam agradecidos” recorda a celebração eucarística do modo como era celebrada pelos primeiros cristãos: a escuta da Palavra, a partilha e o louvor, feito de salmos, hinos e cânticos espirituais. Em seguida, Paulo nos fala dos relacionamentos dentro da família, baseados no perdão, no carinho, no afeto, no respeito e, acima de tudo, no amor, que é o laço da perfeição.
No Evangelho, Lucas começa afirmando que os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Cumprem assim o que estava previsto na lei. É assim que os romeiros deviam se apresentar para a festa da Páscoa: “cada um traga o seu dom, conforme a bênção que Javé lhe tiver proporcionado”. Mas Jesus já tinha doze
anos. É a época de se realizar a cerimônia, na qual, para os judeus, o menino entra no mundo dos adultos: passa a ser plenamente responsável diante de Deus e das pessoas.
Chegou sua maturidade religiosa e civil. No entanto, Lucas escreve este texto muito tempo depois da ressurreição de Jesus, por isso, ele traz alguns elementos pascais. Os três dias de busca recordam os três dias em que Jesus ficou sepultado. Também a resposta que ele dá aos pais: “não sabiam que eu devo estar na casa de meu Pai?” revela sua condição de ressuscitado e glorificado. Jesus está no Templo, justamente na festa da Páscoa.
Lucas não diz nada sobre o dom que a família de Jesus deveria apresentar. Para
quem lê o texto à luz da fé no Cristo ressuscitado, fica claro que é Jesus mesmo que se dá como DOM ao Pai e a nós. O texto termina dizendo que Jesus voltou para casa com seus pais e permaneceu obediente a eles.
Mais uma vez é na pessoa de Jesus que devemos manter os nossos olhos fixos e com ele aprendermos a bonita arte de amar e nos relacionar.
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