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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Comentário Prof.Fernando


RESUMOS       Ne 8,2-10      Sl 19   1Cor 12,12-30         Lc 1,1-4.4,14,21
E leram o livro da Lei de Deus e explicaram seu sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura. O mandamento do Senhor é uma luz para os olhos.
todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo -- Vós, todos juntos, sois o corpo de Cristo
Abrindo o livro, Jesus leu: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois me consagrou com a unção para anunciar a Boa-nova aos pobres, proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e proclamar um ano da graça do Senhor”. E disse: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabais de ouvir”.

Comentário Prof.Fernando(*)3ºd.Comum(apósEpifania): 27janeiro2013
 – escutar, ler e escrever –
1) Deus falou ou escreveu suas palavras?
·                    “Ninguém jamais viu a Deus” reconhece o autor da 1ªcarta de João (4,12). Se Deus nos “fala” (ou, como costumamos dizer, “se revela”) é por mediações. Alguns podem perceber essa revelação por meio da natureza e seus fenômenos – não, é claro, como objetos de análise científica, que os trata sob outro aspecto. Para outros Deus se revela no contato com os outros e na história. E, assim por diante, há mil formas de revelação na história pessoal de cada um. Do ponto de vista da fé cristã, a revelação definitiva se dá em Jesus de Nazaré, que é, como se diz na Escritura, a imagem (visível) do Deus invisível
- cf.Col1,15: o qual é a imagem do Deus invisível, o primogênito de todas as criaturas.De fato, qualquer ser humano já é imagem de Deus (em Gen1,27 afirma-se que homem e mulher foram criados imagem dele ou, como hoje talvez disséssemos, como a “projeção” do Deus em sua eternidade na “tela” do Tempo do mundo e não apenas uma representação mas alguma forma de igualdade (tsélem em hebraico e éikon em grego). E Jesus é primogênito, isto é o primeiro de todos, entre todas as criaturas.
- Col 3,19: [revestidos do homem novo] que se vai restaurando constantemente conforme a imagem daquele que o criou, até atingir o perfeito conhecimento.
·                    A Bíblia é literatura de um povo. Nos seus livros estão reunidas as aventuras, esperanças, sofrimentos, alegrias, hinos, orações e canções populares, reflexões de sábios e mestres, registros (alguns mais, outros menos precisos) de história, definições sobre a vida e outros fenômenos naturais aceitos em cada uma de suas camadas ao longo de milhares de anos, numa coleção extraordinária de tradições orais e escritas. Tudo isso em diferentes linguagens e gêneros literários, copiados, glosados, refeitos até o momento em que a comunidade judaica fixou como “canônicos” uma seleção dos livros, tidos como “inspirados” ou “Palavra de Deus”.

2) Escribas e escritores humanos
·                    Como fizeram os hebreus, e depois, os judeus, sob a liderança dos chefes ou pela voz de profetas ou até de pessoas simples do povo, essa “revelação sobre a humanidade” é também “revelação divina”. Ouvindo leis e histórias dos antigos, eles encontravam luz para seu presente e projetos de futuro (assim Neemias 8).
·                    O teólogo Dietrich Bonhoeffer (1906-45: martirizado sob o nazismo por causa da sua fé cristã) escreve sobre o livro dos Salmos e explica a tensão entre escritos humanos e Palavra de Deus. É surpreendente haver um livro de orações na Bíblia. A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus para nós, mas orações são palavras de homens. (...) Como orações a Deus são sua própria palavra? Difícil de entender. (...) podemos aprender a verdadeira oração só de Jesus Cristo. Da palavra do Filho de Deus até Deus. Do que vive conosco, homens, ao Pai que vive na eternidade. J.Cristo leva a Deus cada necessidade, cada alegria, cada agradecimento, cada esperança dos homens. Em sua boca a palavra do homem torna-se a Palavra de Deus. E, se nós oramos a sua oração com ele a Palavra de Deus volta a ser a palavra do homem. Todas as orações da Bíblia: fazendo-as com J.Cristo, nelas ele nos acompanha, por elas ele nos leva à presença de Deus.

3) Uma Palavra Atual: Hoje se cumpre essa promessa
·                    O objetivo do cristianismo (ou o conjunto dos “discípulos”, isto é, os que realizam na vida prática o projeto de Jesus de Nazaré, resumido nos evangelhos) não é proclamar uma ideologia abstrata. Nem mesmo um programa concreto como partidos políticos ou governos no mundo. A pregação, a catequese, a liturgia, os movimentos pastorais, tudo, enfim, que aos olhos dos não crentes (e também dos crentes) parece reunido sob o nome de “religião” (no caso, a cristã) não faz absolutamente sentido algum se não servir à libertação do ser humano, tal como proposta pela “Palavra-que-se-fez-gente”, Jesus Cristo.
·                    No vocabulário cristão, “evangelizar” é hoje um termo contaminado pelos “produtos de evangelização”. Estes são, em geral, destinados ao proselitismo (propaganda) para inscrever novos membros na igreja, no seu sentido místico ou mesmo no sentido humano de uma (várias) organização histórica de cristianismo. A isso não se pode reduzir o Evangelizar, ainda que difusão (e marketing e venda de “produtos”) sirva de “instrumento” de pregação (como CDs, adesivos, símbolos, campanhas, inclusive para construir templos ou casas de finalidade pastoral). O erro não é estruturar e organizar comunidades nem está em preocupar-se com doações, recursos e dinheiro. Triste seria dizer que tais atividades são “evangelizar”.
·                    O texto em Lucas 4 é claro: em Jesus de Nazaré “se cumpre”, se concretiza, a palavra escrita por Isaías. Conforme o costume na sinagoga judaica, o trecho foi a leitura (comentada) feita pelo próprio Jesus naquele dia. “Depois de Cristo” não é só uma expressão de calendário. Depois de Cristo significa que o Espírito, que estava com ele há 2 mil anos atrás, foi derramado também sobre todos que estão na mesma dinâmica, isto é, voltados para os mesmos objetivos:
- anunciar aos pobres a grande e boa notícia da salvação;
- aos cativos, a libertação de todos os tipos de prisão;
- a restauração da vista aos cegos (todo os carentes de luz para a vida).
- notícia do alívio e conforto devido à remoção de pesos sobre os que estão oprimidos ou deprimidos pelas limitações próprias ou pela imposição exterma ou de ceiros. Tal é a carga suportada por motivos de doença ou deficiência física ou mental, por dominação sócio-econômica, por violência da guerra ou da criminalidade ou perseguição política. Tal é também o peso da humilhação derivada de preconceitos e da discriminação (raça, nacionalidade, condição de refugiado ou imigrante, cor da pele, vínculo religioso ou origem cultural). Oprimidos também estão os carentes de alimentos ou de cultura e os dependentes, seja os sem autonomia por estarem privados de cultura, escola, crédito e dignidade própria, seja os atrelados a pendências financeiras, dependências químicas ou transtornos psicológicos.
- proclamação de um ano da anistia e perdão de dívidas, um ano de Graça.
·         O autor (Is 61) falava aos retornados do exílio (pelo ano 530 a.C.). Jesus atualiza o mesmo anúncio aos seus (pelo ano 30 d.C.). Para nós há duas conclusões:
1-    A Confiança (Fé) na bondade divina: ele não se afastou, mas continua misteriosa e silenciosamente ao nosso lado mesmo sem vermos.
2-    Nossas habilidades profissionais e dons pessoais precisam ser orientados não só à família e aos que necessitam de nós, mas precisamos em algum nível estar comprometidos com justiça entre nós e paz internacional.

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