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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Epifania


EPIFANIA DO SENHOR

Domingo 06 de Janeiro 2013

 

Comentário Prof.Fernando


Evangelho de Mateus  (2,1-12)


O significado do termo Epifania.

       O sentido da palavra Epifania está no calendário litúrgico da Igreja Católica. E significa uma manifestação divina, principalmente quando houve a apresentação do Menino Jesus ao mundo... Continua
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      Contribuição do Pe. Fernando
https://www.youtube.com/watch?v=g6JhnymwLd4&feature=em-share_video_user    
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Epifania do Senhor
Maria Regina
Mateus 2,1-12
“Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: ‘Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo’. Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado assim como toda a cidade de Jerusalém. Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: ‘Em Belém, na Judéia, pois assim foi escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo’. Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido.  Depois os enviou a Belém, dizendo: ‘Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo’.
Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.”
Reflexão: . Encontrar Jesus é encontrar a felicidade verdadeira, a maior de todas as riquezas.
                    Somos, hoje, os ” magos” que buscamos encontrar a Deus para adorá-Lo e servi-Lo, porém, no nosso caminho nos deparamos com os “reis Herodes” que tentam com todo o tipo de artimanhas nos impedir. Eles são representados pelas pessoas que seguem a mentalidade mundana de que somos nós, os próprios deuses a quem todos devem servir e que cada um é dono da sua história. O mundo tenta nos aliciar com as suas idéias falsas de felicidade e, se não estivermos vigilantes, nós cairemos nas suas armadilhas. Os magos seguiram a estrela que indicava a direção certa para que eles encontrassem o Menino Jesus e não se deixaram influenciar pelas palavras de Herodes. Encontrar Jesus é encontrar a felicidade verdadeira, a maior de todas as riquezas. Para isso, precisamos, assim como os magos, seguir a estrela sem olhar para o que é atrativo ao nosso redor. A estrela que nos guia é o Espírito Santo que nos revela o caminho certo. Depois que encontramos Jesus e oferecemos a Ele o nosso coração, o nosso sofrimento, as nossas ações e O adoramos em espírito e em verdade, nunca mais seremos os mesmos. Encontramos um Novo Caminho!
Amém
Abraço carinhoso
Maria Regina
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Padre Queiroz
DOMINGO, 09 DE SETEMBRO
Mc 7,31-37

Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar.

Este Evangelho trás para nós a belíssima cena de Jesus curando o homem surdo e que falava com dificuldade.
O texto começa dizendo: “Jesus saiu de novo...” Jesus caminhava, ia atrás do povo, não ficava parado. Ele não ficava esperando que as pessoas fossem até ele. O amor nos dá esse dinamismo. Como é importante nós também aproveitarmos a nossa saúde e tempo disponível para nos movimentarmos, indo até as pessoas que precisam da Água Viva, da Boa Nova de Cristo!
Quando Jesus atravessava uma região, trouxeram-lhe “um homem surdo, que falava com dificuldade”. Geralmente os surdos têm deficiência na conversa, porque a nossa fala depende da audição.
Na área espiritual é a mesma coisa: as pessoas que não ouvem a Palavra de Deus, acabam não ouvindo também os apelos da realidade que as cerca, e conseqüentemente tornam-se mudas, não falando a palavra certa na hora certa. Não ficam indignadas com nada; passam pela vida sem influenciar, indo na onda da sociedade de consumo.
Uma Comunidade que não ouve corretamente a Palavra de Deus, confrontando com a realidade do seu meio, também se torna muda, não fala nem faz nada de transformador, em direção ao Reino Deus.
Jesus, no seu primeiro discurso na sinagoga de Nazaré, disse que veio para abrir os olhos dos cegos, dar audição aos surdos e libertar os oprimidos, anunciando o ano da graça do Senhor (Cf Lc 4,18-19).
Muitas pessoas são como aquelas que Jesus citou na parábola do samaritano: passam ao lado do irmão ferido e fecham os olhos para não ver. Ou então, como o rico da parábola: vivem uma vida inteira ao lado do Lázaro e não se tocam. Não existe nada mais forte para tapar os ouvidos, os olhos e a boca das pessoas, do que o apego às riquezas.
Jesus “olhando para o céu, suspirou e disse: ‘Efatá’, que quer dizer: Abre-te!” Recordando esta cena, no nosso batismo o padre fez um gesto parecido: colocou a mão nos nossos ouvidos e na nossa boca, e disse: “Efatá!”
Quando o povo hebreu era escravo no Egito, Deus apareceu para Moisés e disse: “Eu vi a opressão de meu povo no Egito, ouvi os gritos de aflição diante dos opressores e tomei conhecimento de seus sofrimentos, e desci para libertá-los” (Ex 3,7-8). Deus tem os olhos e os ouvidos abertos. Assim como chamou Moisés, ele chama os seus filhos e filhas, em todos os tempos e lugares, a fim de libertarem o seu povo. Deus ama o seu povo, e não quer vê-los como ovelhas sem pastor.
“Jesus afastou-se com o homem para fora da multidão”. É interessante que a primeira coisa que Jesus fez com o homem foi afastá-lo para longe da multidão. O primeiro objetivo foi ter um contato mais pessoal com ele. Nós não podemos ficar só “na multidão”, mesmo que essa multidão seja de cristãos.
O segundo objetivo de Jesus é para que o homem, depois de curado, pudesse voltar para o meio do povo, ouvindo e falando sem dificuldade, inclusive para ajudar os outros.
Os nossos bispos, reunidos em Aparecida, disseram: “Vivemos uma mudança de época, e seu nível mais profundo é o cultural. Dissolve-se a concepção integral do ser humano, sua relação com o mundo e com Deus” (DA 44). Portanto, a nossa missão é grande, como “discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que o povo tenha mais vida nele”.
Havia, certa vez, uma menina que morava na roças. E um pássaro muito bonito começou a entrar no quarto dela. Ela comprou ração apropriada e espalhou em cima do guarda-roupa, e também uma tacinha de água, já preparada para não transmitir dengue.
Assim, o belo passarinho fez amizade com ela. Parecia que os dois eram velhos amigos. Todos os dias ele aparecia. Suas penas eram brilhantes e seus olhinhos encantadores.
Com medo de perder o amiguinho, a garota o prendeu numa gaiola. Poucos dias depois, suas penas perderam o brilho e ele passou a contar diferente, um canto parecido com choro. Passava o dia todo olhando para a janela.
Quando percebeu o erro que havia cometido, mais que depressa a menina abriu a gaiola e a ave foi-se embora, para nunca mais voltar.
Que Cristo abra os nossos ouvidos e olhos para contemplarmos a natureza, mas sem prejudicá-la!
O exemplo de Maria Santíssima é maravilhoso. Ela não foi surda nem muda, mas ouviu o apelo de Deus, entendeu-o direitinho e o cumpriu com generosidade. No magnificat, ela mostrou que ouvia também os anseios do povo, e falava com coragem. Que ela nos ajude a nos aproximarmos de seu Filho, a fim de que ele, dizendo “Efatá!”, nos cure da surdez e da conseqüente dificuldade em falar.
Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar. 
Padre Queiroz


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06 de Janeiro - Epifania
DOMINGO DA EPIFANIA 06/01/2013
1ª Leitura Isaias 60, 1-6
Salmo 71 “As Nações de toda terra hão de adorar-vos, ó Senhor”
2ª Leitura Efésios  3,2-3 a.5-6
Evangelho Mateus 2, 1-12

                              “VIMOS A SUA ESTRELA...” - Diac. José da Cruz
Na Liturgia da igreja, ainda dentro das festividades do natal celebra-se nesse domingo a Festa da Epifania que significa Manifestação de Deus. Há quem pense de maneira bem equivocada, que o cristianismo é um grupo fechado para o qual Jesus se manifestou e se revelou com exclusividade e por conta desse pensamento muitos há que se apossam da salvação como se esta também fosse particular. Há outros ainda mais ousados que tendo séria dificuldade para ser seguidor fiel de Cristo e do seu santo evangelho, procuram adaptá-lo de acordo com suas conveniências ou interesses.
No passado realmente Deus escolheu o povo de Israel em particular para revelar-se porém, chegando a plenitude dos tempos, enviou–nos seu Filho Jesus Cristo que veio trazer a Salvação a toda humanidade e não mais a uma pessoa ou a um grupo em particular.
No evangelho desse domingo, uns magos do oriente, sobre os quais há muitas histórias, viram no céu um sinal e seguindo a estrela chegaram até Jesus na manjedoura. Não conheciam as profecias, eram de outra cultura religiosa, mas assim que viram a estrela no céu, puseram-se a caminho.
Não é de hoje que a humanidade sonha com uma Paz que reúna os homens do mundo inteiro, em uma unidade que não exclua a diversidade, afinal a humanidade tem algo em comum, somos todos filhos e filhas de Deus, irmanados em Jesus, de diferente nacionalidade, cultura, contexto histórico, social e político, mas somos iguais porque Jesus veio para todos.
Ser igual não significa necessariamente um mesmo jeito de rezar, de se relacionar com Deus, um mesmo rito e uma mesma maneira de manifestar a fé, se fosse assim, os magos do oriente não teriam jamais visto o sinal no céu. Quando pensamos na unidade de todos os povos e nações diante de Deus, estaríamos sendo ingênuos se desejássemos uma uniformidade, Deus não nos criou em série, mas temos cada um a nossa identidade própria, em uma diversidade, que longe de ser obstáculo para a unidade, é fator que enriquece e que solidifica a unidade.
O que faz a diferença é a fé, através da qual nos abrimos para Deus na medida em que o buscamos. Deus se manifesta a todos mas a reação de cada homem é diferente. Os poderosos e prepotentes como o Rei Herodes, embora tenham o conhecimento sobre a manifestação de Deus, em vez de se alegrarem, se sentem perturbados com esta manifestação divina, que os levará a rever seus princípios e ideologias. Mas em todos os tempos da nossa história sempre houve pessoas como os magos, que ao menor sinal de Deus, se põe a caminho e ao encontrá-lo na simplicidade da vida, não hesitam em adorá-lo e reconhecê-lo como único Deus e Senhor.
Abrir os cofres significa abrir o coração e a mente para uma compreensão clara de quem é Jesus, pois ouro, incenso e mirra significam a divindade, a realeza e a humanidade de Jesus. Deus é muito simples e está sempre ao alcance de todos, nós é que às vezes complicamos demais, quando queremos inventar fórmulas mirabolantes para se experimentar Jesus em nossa vida.
Os Magos na viagem de volta mudaram o percurso, iluminados pela luz da fé, todo aquele que conhece Jesus e o aceita como Salvador e Senhor, começa a percorrer um outro caminho, que não passa pela ambição dos poderosos e auto suficientes, mas sim pelo sonho dos que acreditam e lutam por um mundo novo, onde embora diferentes, todos os homens se reconheçam como irmãos e irmãs em Jesus, Filhos e Filhas de um mesmo Pai, que os criou para viverem na plenitude do amor.
A Jerusalém envolta em luz e que atrai a si todos os homens de todas as nações, não significa apenas um templo, mas sim uma grande assembléia na qual se insere todos os homens e mulheres de boa vontade, inclusive os pagãos, que como nos ensina o apóstolo Paulo, na graça santificante reconheceram a presença de Deus em Jesus Cristo.

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Evangelhos Dominicais Comentados

06/janeiro/2013 – Epifania do Senhor

Evangelho: (Mt 2, 1-12)

Já estamos no primeiro domingo de um novo ano. Estamos ainda em clima de festa, respirando confraternização e esperando que os votos de paz se tornem reais. Um novo ano e novamente aquele desejo de mudar.

O que mais almejamos são as mudanças, porém as propostas não podem ficar somente no desejo, é preciso fazer acontecer. Para o mundo mudar, precisamos mudar com ele. A paz, a partilha e a solidariedade, não dependem de dinheiro nem de classe social; dependem somente de cada um de nós.

Foi para isso que Jesus veio. Veio para promover o amor e a união, e quis nascer pobre para mostrar que fraternidade, igualdade e felicidade não são privilégios reservados aos abastados. Uma Grande Estrela mostrava ao mundo a felicidade daquela família, ao lado da manjedoura e abrigada num humilde curral.

Celebramos hoje a Epifania, que quer dizer Manifestação do Senhor. Com o nascimento de Jesus, Deus manifesta o seu desejo a todos os homens. Vontade de ter novamente os seus filhos ao seu lado, vontade de por em prática o seu Plano de Amor e de Salvação.

Vemos que os Magos vêm de longe, guiados por um sinal luminoso. Antigamente eram chamados magos os sábios, os conhecedores de medicina, astrologia e outras ciências. Os magos representam os povos de todas as nações, raças e línguas, que se deixam guiar pela mensagem de paz e amor de Jesus.

Não eram reis, mas provavelmente eram chefes de tribos. Devido seus conhecimentos científicos, os magos, tornavam-se conselheiros de reis e exerciam muita influência em seus países. O evangelho não menciona quantos eram os magos, nem seus nomes, mas a tradição popular supõe que eram três e lhes atribuiu os nomes de Gaspar, Melquior e Baltazar.

Os nomes atribuídos à eles são bastante significativos: Gaspar quer dizer aquele que vai inspecionar ou seja, aquele que vai verificar e confirmar a vinda do Messias. Melquior quer dizer Meu Rei é Luz, é a grande confirmação da Realeza de Jesus, a Luz do Mundo. E, Baltazar quer dizer; Deus manifesta o Rei.

Os magos ofereceram a Jesus presentes típicos de suas regiões; ouro, incenso e mirra. Também os presentes têm seu significado. Com o ouro reconheciam a realeza do Menino, o ouro quer dizer que Jesus é Rei.

O incenso é algo que se oferece a Deus nos altares. Com o incenso a humanidade reconhece a divindade de Jesus, significa que Jesus não é somente Rei, mas também Divino.

Conforme costume oriental, misturada com outros perfumes, a mirra era usada para perfumar corpos, vestes e casas. A mirra representa o lado humano e o sofrimento do Messias. Significa que o Menino Deus e homem será levado ao martírio e à morte.

O evangelho diz que os magos mudaram o rumo e voltaram para suas terras por outro caminho. Mudar o caminho significa converter-se. Conversão é o apelo forte da celebração da Epifania. Esta é a boa notícia de hoje; a Paz está ao nosso alcance, vai encontrá-la quem mudar seus caminhos e seguir a Verdadeira Luz.

(1181)     

jorge.lorente@miliciadaimaculada.org.br- 06/janeiro/2013         



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Celebramos hoje a solene manifestação, a sagrada Epifania do Senhor. Como dizia santo Agostinho, “celebramos, recentemente, o dia em que o Senhor nasceu entre os judeus; celebramos hoje o dia em que foi adorado pelos pagãos. Naquele dia, os pastores o adoraram; hoje, é a vez dos magos”. A festa deste dia é nossa, daqueles que não são da raça de Israel segundo a carne, daqueles que, antes, estavam sem Deus e sem esperança no mundo! Hoje, Cristo nosso Deus, apareceu não somente como glória de Israel, mas também como “luz para iluminar as nações” (Lc. 2,32). Hoje, começou a cumprir-se a promessa feita a nosso pai Abraão: “Por ti serão benditos todos os clãs da terra” (Gn. 12,3).
Na segunda leitura desta Missa, São Paulo nos falou de um Mistério escondido e que agora foi revelado: “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho”. Eis: com a visita dos magos, pagãos vindos de longe, é prefigurado o anúncio do Evangelho aos não-judeus, aos pagãos, aos que desconheciam o Deus de Israel. Ainda Santo Agostinho, explicando o mistério da festa hodierna, explicava muito bem: “Ele é a nossa paz, ele, que de dois povos fez um só (cf. Ef 2,14). Já se revela qual pedra angular, este Recém-nascido que é anunciado e como tal aparece nos primórdios do nascimento. Começa a unir em si dois muros de pontos diversos, ao conduzir os pastores da Judéia e os Magos do Oriente, a fim de formar em si mesmo, dos dois, um só homem novo, estabelecendo a paz. Paz para os que estão longe e paz para os que estão perto”. É este o sentido da solenidade da santa Epifania do Senhor!
Hoje, cumpre-se o que o profeta Isaías falara na primeira leitura: “Levanta-te, Jerusalém, acende as luzes, porque chegou tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor! Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti! Levanta os olhos ao redor e vê: será uma inundação de camelos de Madiã e Efa; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor!” Mas, estejamos atentos, porque a festa de hoje esconde um drama: a Jerusalém segundo a carne não reconheceu o Salvador: “O rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém”. Ela conhecia a profecia, mas de nada lhe adiantou, pela dureza de coração. É na nova Jerusalém, na Igreja, que somos nós, na nossa Mãe católica, que esta profecia de Isaías se cumpre. É a Igreja que acolherá todos os povos, unidos não pelos laços da carne, mas pela mesma fé em Cristo e o mesmo batismo no seu Espírito.
Que contraste, no Evangelho de hoje! Jerusalém, que conhecia a Palavra, não crê e, descrendo, não vê a Estrela, não vê a luz do Menino. Os magos, pagãos, porque têm boa vontade e são humildes, vêem a Estrela do Rei, deixam tudo, partem sem saber para onde iam, deixando-se guiar pela luz do Menino... e, assim, atingem o Inatingível e, vendo o Menino, reconhecem nele o Deus perfeito: “ajoelharam-se diante dele e o adoraram”. Com humildade, oferecem-lhe o que têm: “Abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra”: ouro para o Rei, incenso para o Deus, mirra para o que, feito homem, morrerá e será sepultado! Os magos crêem e encontram o Menino e “sentiram uma alegria muito grande”. Herodes, o tolo, ao invés, pensa somente em si, no seu título, no seu reino, no seu poder... e tem medo do Menino! Escravo de si e prisioneiro de suas paixões, quer matar o Recém-nascido! A Igreja, na sua liturgia, zomba de Herodes e dos herodes, e canta assim: “Por que, Herodes, temes chegar o Rei que é Deus? Não rouba aos reis da terra, quem reinos dá nos céus!”. Que bela lição, que mensagem impressionante para nós: quem se deixa guiar pela luz do Menino, o encontra e é inundado de grande alegria, e volta por outro caminho. Mas, quem se fecha para esta luz, fica no escuro de suas paixões, na incerteza confusa de suas próprias certezas, tão ilusórias e precárias... e termina matando e se matando!
Que nós tenhamos discernimento: não procuremos esta Estrela do Menino nos astros, nos céus! Não perguntemos sobre ela aos astrônomos, aos cientistas, aos historiadores. Sobre essa luz, sobre essa Estrela bendita, eles nada sabem, nada têm a dizer! Procuremo-la dentro de nós: o Menino é a Luz que ilumina todo ser humano que vem a este mundo! No século I, santo Inácio de Antioquia já ensinava: “Uma estrela brilhou no céu mais do que qualquer outra estrela, e todas as outras estrelas, junto com o sol e a luz, formaram um coro, ao redor da estrela de Cristo, que superava a todas em esplendor”. É esta luz que devemos buscar, esta luz que devemos seguir, por esta luz devemos nos deixar iluminar! São Leão Magno, no século V, já pedia aos cristãos: “Deixa que a luz do astro celeste aja sobre os sentidos do teu corpo, mas com todo o amor do coração recebe dentro de ti a luz que ilumina todo homem vindo a este mundo!”. E, também no mesmo século V, São Pedro Crisólogo, bispo de Ravena, falava sobre o mistério deste dia: “Hoje, os magos que procuravam o Rei resplandecente nas estrelas, o encontram num berço. Hoje os magos vêem claramente, envolvido em panos, aquele que há muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros. Hoje, contemplam, maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o, proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-lhe místicos presentes. Assim, o povo pagão, que era o último, tornou-se o primeiro, porque a fé dos magos deu início à fé de todos os pagãos!”
Quanta luz, na festa de hoje! E, no entanto, é preciso que compreendamos sem pessimismo, mas também sem ilusões diabólicas, que este mundo vive em trevas: “Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos...” Que tristeza tão grande, constatar que as palavras do Profeta ainda hoje são tão verdadeiras... “Mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti”. Não são trevas as tantas trevas da realidade que nos cerca? Não são trevas a violência, a devassidão, a permissividade, as drogas, a exacerbação da sensualidade? Não são trevas a injustiça, a corrupção e a impiedade? Não é treva densa o comércio de religiões, o coquetel de seitas, a perseguição à Igreja, o uso leviano e interesseiro do Evangelho e do nome santo de Jesus? Não é treva medonha a dissolução da família, a relativização e esquecimento dos valores mais sagrados e da verdade da fé?
Deixemo-nos guiar pela Estrela do Menino, deixemo-nos iluminar pela sua luz! Com os magos, ajoelhemo-nos diante daquele que nasceu para nós e está nos braços da sempre Virgem Maria Mãe de Deus: ofereçamos-lhe nossos dons: não mais mirra, incenso e ouro, mas a nossa liberdade, a nossa consciência e a nossa decisão de segui-lo até o fim. Assim, alegrar-nos-emos com grande alegria e voltaremos ao mundo por outro caminho, “não em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes. Mas vesti-vos do Senhor Jesus e não procureis satisfazer os desejos da carne. Deixemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz” (Rm. 13,13.12).
Terminemos com o pedido que a Igreja fará na oração após a comunhão: “Ó Deus, guiai-nos sempre e por toda parte com a vossa luz celeste, para que possamos acolher com fé e viver com amor o mistério de que nos destes participar!” Amém.

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Este hoje é dia solene, de festa grande! No santo tempo do Natal a comemoração que agora celebramos somente perde em importância para aquela da Natividade, no 25 de dezembro. É que hoje, exultantes e gratos a Deus, celebramos a sagrada Epifania do Senhor! Epifania, Manifestação do Cristo Jesus! Nas palavras de Santo Agostinho: “Este dia salienta a sua grandeza e sua humilhação: Aquele que na imensidade do céu se revelava pelo sinal de um astro era encontrado quando o procuravam na estreiteza da gruta. Frágil em seus membros de criança, envolto em faixas, é adorado pelos Magos e temido pelos maus!”
Eis: no dia do Natal, ele atraiu a si, pela palavra dos anjos, aqueles que estavam perto: os pastores de Belém, membros do povo judeu, já tão conhecedor dos caminhos de Deus. Mas, agora, pela luz da estrela, ele se digna, com infinita misericórdia, a nos atrair a nós: os que não somos judeus, os pagãos, que estávamos longe, entregues ao culto dos ídolos – como aquele padre de Salvador, que a televisão mostrou adorando os orixás numa missa profana! Pagãos nós éramos; pagão é aquele padre! Idólatras eram nossos antepassados; idólatras continuam os que manipulam as coisas santas indevidamente! Hoje, o Senhor atrai os pagãos do mundo todo à sua salvação, hoje realiza-se o que o nosso Deus predissera por Isaías profeta: “Fui perguntado por quem não se interessava por mim, fui achado por quem não me procurava. E eu disse: ‘Eis-me aqui, eis-me aqui’ a pessoas que não invocavam o meu nome” (Is. 65,1).
Obrigado, Senhor Jesus, porque vieste também para nós! Obrigado porque nos arrancaste do poder das trevas, porque nos fizeste passar dos falsos deuses, dos ídolos falsos e mortos ao Deus vivo e verdadeiro! Hoje, portanto, meus caros em Cristo, a festa é nossa! Somos nós que vemos a luz, somos nós, convidados a seguir a estrela do Menino; nós, convidados a adorá-lo, presenteando-o com nossos melhores dons: o ouro das nossas boas obras, a mirra do nosso coração, o incenso do nosso amor!
Somos hoje convidados a admirar o exemplo desses sábios do Oriente, que vendo no céu o sinal do Rei nascido, não temeram deixar tudo e, humildemente, seguir a luz! Como foram sábios verdadeiramente, esses que, humildes, não temeram em se deixar guiar pela luz de Deus! Como Abraão, o pai de todos os judeus, deixara sua terra e partira à ordem de Deus, sem saber aonde ia, assim também, esses que hoje são as nossas primícias para Cristo, partem, obedecendo ao apelo do Senhor, sem saber para onde vão! Caríssimos, partamos também nós! Partamos de nossa vida cômoda, partamos de nossa fé tíbia, partamos de nosso cristianismo burguês, que deseja ser compreendido, aceito, e aplaudido pelo mundo! , ou não veremos a luz do Menino! “Deus é luz e nele não há trevas. Se andarmos na luz, como ele está na luz, então estamos em comunhão uns com os outros e o sangue de seu Filho Jesus nos purifica de todo o pecado” (1Jo 1,5b-7). Partamos, pois, caríssimos, e encontraremos aquele que é a Luz do mundo!
Porque os Magos tiveram a coragem de partir, conseguiram atingir o Deus inatingível e o adoraram! Diz o Evangelho que eles, “ao verem de novo a estrela, sentiram uma alegria muito grande!” Nós também, se encontrarmos de verdade o Senhor! Mas, atentos! O que eles encontram? Pasmem! Encontram um menininho pobre, com uma pobre jovem do povo, Maria, sua Mãe... Não o encontram num palácio, não o encontram numa corte! E, no entanto, com os olhos da fé, reconheceram o Rei verdadeiro, prostraram-se e o adoraram! Vede, caríssimos meus, somente quando nos deixamos guiar, podemos encontrar o Senhor; somente quando saímos dos nossos esquemas, dos nossos modos de pensar, de achar e de sentir, podemos de verdade ver naquilo que é pobre e pequeno, ver naquilo que não estava nos nossos planos e expectativas, a presença de Deus. Depois, diz o Evangelho que eles voltaram por outro caminho... Sim, porque quem encontrou esse Menino, quem se alegrou com ele, quem viu a sua luz, muda de caminho, caminha na Vida!
Mas, nesta festa de tanto alegria, doçura e luz, há uma nota de treva: “Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda Jerusalém...” Jerusalém, que representa o povo judeu... Jerusalém, que deveria alegrar-se, perturba-se, hesita, não é capaz de reconhecer o tempo da visita de Deus! E nós, caríssimos? Nós, membros do Povo de Deus, não corremos o risco de nos acostumar de tal modo com o Senhor, a ponto de não mais reconhecer suas visitas, sua presença luminosa e humilde, sua graça em nossa vida? Não corremos o risco gravíssimo de não mais nos deixarmos interpelar pela sua palavra? A festa de hoje, certamente mostra-nos a benignidade de Deus que a todos quer iluminar e salvar, mas também revela a concreta e tremenda possibilidade do homem de ser generoso e responder “sim” ou ser fechado e responder “não”! Os judeus, o povo amado, começa a se fechar para o seu Senhor. É o início de um drama que culminará na cruz... De modo grave, Santo Agostinho afirma: “Ao nascer fez aparecer uma nova estrela, Aquele mesmo que, ao morrer, obscureceu o sol antigo! A luz da estrela começou a fé dos pagãos; pelas trevas da cruz foi acusada a perfídia dos judeus!” É impossível, meus caros, ficar-se indiferente ante este Menino, este pequeno Rei: ou nos abrimos para ele e nele encontramos a luz e a vida, ou para ele nos fechamos e não veremos a luz! Acorda, cristão! Sai do marasmo, sai da tibieza, sai da preguiça, sai do pensamento vão, sai do vício, sai dos acordos mornos com o mundo! Acorda! Sai de ti e deixa-te iluminar pelo Salvador por ti nascido!
Finalmente, um último mistério. Se Jerusalém fechou-se para o Rei nascido, como pôde o profeta cantar a luz da Cidade santa na primeira leitura desta Missa? “Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor! Eis que está a terra envolvida em trevas, mas sobre ti apareceu o Senhor!” Esta Jerusalém santa, envolvida pela glória do Senhor, esta Cidade fiel à qual se dirigem os povos, é a Igreja, o Novo Israel, a Esposa de Cristo. É ela a Casa na qual, segundo o Evangelho de hoje, os Magos entraram e encontraram o Menino com sua Mãe. É na Igreja, na Mãe católica, una, única e santa, que os homens de todos os povos e de todas as raças podem encontrar o Salvador! Esta é a grande missão da Igreja: dar Jesus ao mundo, iluminar o mundo com a luz do Senhor, ser casa espaçosa e aconchegante na qual toda a humanidade possa ver a salvação do nosso Deus!
Alegremo-nos! Daqui a pouco, o Menino por nós nascido, por nós oferecido na cruz em sacrifício e em nosso favor, ressuscitado dos mortos, mais uma vez nos será dado em comunhão. Como os Magos, nos levantaremos, como os Magos, acorreremos a ele, como os Magos, reverentes adorá-lo-emos! Que também, como os Magos, voltemos para nossas casas alegres de grande alegria, tomando outro caminho na vida! Que no-lo conceda o Deus nascido da Virgem que hoje se manifestou ao mundo.
dom Henrique Soares da Costa
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Onde a estrela parou

Epifania, em grego, significa manifestação: celebramos a manifestação de Deus ao mundo, representado pelos reis magos que vêm adorar o menino Jesus em Belém. Ele é a luz que brilha não só para o povo oprimido de Israel (como anuncia a 1ª leitura na noite de Natal), mas também para todos os povos, segundo a visão do profeta universalista que escreveu o fim do livro de Isaías. Essa visão recebe um sentido pleno quando os magos vindos do Oriente procuram, nos arredores de Jerusalém, o Messias que devia nascer da estirpe de Davi (Evangelho). A 2ª leitura comenta, mediante o texto de Ef. 3,2-6, esse fato como revelação do mistério de Deus para Israel e para os pagãos.
Assim, a liturgia de hoje realça o sentido universal da obra de Cristo. Mas não se trata do universalismo abstrato, global e midiático de nosso mundo contemporâneo. A inserção de Jesus na humanidade, que contemplamos no domingo passado (na festa da Mãe de Deus), acontece num ponto bem concreto e modesto: um povoado que nem está no mapa dos magos! O ponto por onde passa a salvação não precisa ser grandioso. O humilde povoado visitado pelos magos representa a comunidade-testemunha, o contrário do reino do poderoso Herodes. Belém é centro do mundo, porém não para si mesma, e sim para quem procura a manifestação de Deus. A estrela parou não sobre Roma nem sobre a Jerusalém de Herodes, mas sim sobre a Belém do presépio. Essa estrela não se importa com o poder humano. Deus manifesta-se no meio dos pobres, no Jesus pobre.
1ª leitura (Is 60,1-6)
Como foi recordado na 1ª leitura da noite de Natal, o profeta Isaías (9,1) anunciou nova luz para a Galileia, região despovoada pelas deportações praticadas pelos assírios em 732 a.C. Duzentos anos depois, o “Terceiro Isaías” retoma a imagem da luz. Aplica-a à Sião (Jerusalém) e ao povo de Judá, que acaba de voltar do exílio babilônico e está iniciando a reconstrução da cidade e do Templo (Is. 60,1). Jerusalém, restaurada depois do exílio babilônico, é vista como o centro para o qual convergem as caravanas do mundo inteiro. O profeta anuncia a adoração universal em Jerusalém. Enquanto as nações estão cobertas de nuvens escuras, a luz do Senhor brilha sobre Jerusalém. Esqueçam-se a fadiga e o desânimo, pois Deus está perto. As nações devolvem a Jerusalém seus filhos e filhas que ainda vivem no estrangeiro, e estes oferecem suas riquezas ao Deus que realmente salva seu povo.
Quinhentos anos depois, os magos (sábios, astrólogos) vindos do Oriente darão um sentido pleno e definitivo ao texto de Isaías: a eles o Cristo aparece como “luz” cheia do mistério de Deus.
2ª leitura (Ef. 3,2-3a.5-6)
As promessas do Antigo Testamento dirigem-se ao povo de Israel. Deus, porém, vê as promessas feitas a Israel num horizonte bem mais amplo. Seu plano é universal e inclui todos os povos, judeus e gentios. Os antigos profetas já tinham certa visão disso, mas os judeus do ambiente de Paulo apóstolo não pareciam percebê-lo. Paulo mesmo havia aprendido com surpresa a revelação do grande mistério, de que também os gentios são chamados à paz messiânica. Essa revelação, ele a assume como sua missão pessoal, a fim de levar a boa-nova aos gentios. 
Evangelho (Mt. 2,1-12)
O evangelho narra a chegada dos magos do Oriente que querem adorar o Messias recém- -nascido, cujo astro eles viram brilhar sobre Jerusalém (cf. 1ª leitura). A chegada dos magos e sua volta constituem a moldura (inclusão) dessa narrativa, cujo centro é a estupefação de Herodes e de toda a cidade por causa da notícia que os magos trazem. O ponto alto é a busca, pelos escribas, de um texto que aponte para esse fato. O texto em questão é Miqueias 5,1: “E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”. Informado pelos escribas, Herodes encaminha os magos para adorarem o recém-nascido em Belém e informá-lo para que ele também vá (Belém fica a oito quilômetros de Jerusalém). O narrador, entretanto, deixa prever a má-fé de Herodes, que planeja matar os meninos recém-nascidos da região, tema que será desenvolvido no próximo episódio de Mateus, igualmente construído em torno de uma citação do Antigo Testamento.
No novo povo de Deus, não importa ser judeu ou gentio, importa a fé. O Evangelho de Mateus termina na missão de evangelizar “todas as nações” (28,18-20), e desde o início os “magos” prefiguram essa missão universal. Os doutores de Jerusalém, ao contrário, sabiam, pelas Escrituras, onde devia nascer o Messias – em Belém, a poucos quilômetros de Jerusalém –, mas não tinham a estrela da fé para os conduzir.
Dicas para reflexão
A visão do Terceiro Isaías sobre a restauração do povo na luz de Deus que brilha sobre a Cidade Santa realiza-se no povo fundado por Jesus Cristo. Este é o “mistério”, o projeto escondido de Deus, o evangelho que Paulo levou a judeus e gentios.
Mateus, no evangelho, traduz a fé segundo a qual Jesus é o Messias universal, numa narração que descreve a realização da profecia: astrólogos do Oriente veem brilhar sobre Belém, a cidade de Davi, a estrela do recém-nascido Messias, “rei dos judeus”. Querem adorá-lo e oferecer-lhe seus ricos presentes. Herodes, entretanto, com os doutores e os sacerdotes, não enxerga a estrela que brilha tão perto; é obcecado por seu próprio brilho e sede de poder. Os reis das nações pagãs chegam de longe para adorar o Menino, mas os chefes de Jerusalém tramam sua morte. As pessoas de boa vontade, aqueles que realmente buscam o Salvador, encontram-no em Jesus, mas os que só gostam de seu próprio poder têm medo de encontrá-lo.
Significativamente, o medo de Herodes, o Grande, o levará a matar todos os meninos de Belém de dois anos para baixo. A estrela conduziu os magos a uma criança pobre, que não tinha nada de sensacional. Mas o rei Herodes, cioso de seu poder, pensa que Jesus será poderoso e, portanto, perigoso. Para eliminar esse “perigo”, o rei, que tinha matado seus próprios filhos e sua mulher Mariame, manda agora matar todos os meninos de Belém.
Por que se matam ou se deixam morrer crianças também hoje? Porque os poderosos absolutizam seu poder e não querem dar chances aos pequenos, nem sequer de viver. Preferem sangrar o povo pela indústria do armamento, dos supérfluos, da fome... 
Pobre e indefeso, Jesus é o “não poder”. Ele não se defende, não tem medo. Em redor dele se unem os que vêm de longe, simbolizados pelos magos. E estes, avisados em sonho, “voltam por outro caminho”. O caminho, na Bíblia, é o símbolo da opção de vida da pessoa (Sl. 1). Os reis magos optaram por obedecer à advertência de Deus; optaram pelo menino salvador, contra Herodes e contra todos os que rejeitam o “menino”, matando vidas inocentes.
O nome oficial da festa dos Reis Magos, “Epifania”, significa manifestação ou revelação. Contemplamos o paradoxo da grandeza divina e da fragilidade da criança no menino Jesus. Pensamos nos milhões de crianças abandonadas nas ruas de nossas cidades, destinadas à droga, à prostituição. Outros milhões mortas pela fome, pela doença, pela guerra, pelo aborto. Órgãos extraídos, fetos usados para produzir células que devem rejuvenescer velhos ricaços… Qual é o valor de uma criança?
Deus se manifesta ao mundo numa criança, e nós somos capazes de matá-la, em vez de reconhecer nela a luz de Deus. Por que Deus se manifestou numa criança? Por esquisitice, para nos enganar? Nada disso. Salvação significa sermos libertados dos poderes tirânicos que nos escravizam para realizarmos a liberdade que nos permite amar. Pois para amar é preciso ser livre, agir de graça, não por obrigação nem por cálculo. Por isso, a salvação que vem de Deus não se apresenta como poder opressor, a exemplo do de Herodes. Apresenta-se como antipoder, como uma criança, que na época não tinha valor. 
O pequenino de Belém é venerado como rei, mas, no fim do Evangelho, esse “Rei” (Mt. 25,34) julgará o universo, identificando-se com os mais pequeninos: “O que fizestes a um desses mais pequenos, que são meus irmãos, a mim o fizestes” (25,40). Quanta lógica em tudo isso! 
Deus não precisa nos esmagar com seu poder para se manifestar. Para ser universal, prefere o pequeno, pois só quem vai até os pequenos e os últimos é realmente universal. Falta-nos a capacidade de reconhecer no frágil, naquele que o mundo procura excluir, o absoluto de nossa vida – Deus. Eis a lição que os reis magos nos ensinam.
O menino nascido em Belém atraiu os que viviam longe de Israel geograficamente. Mas a atração exercida por Jesus envolve também os social e religiosamente afastados, os pobres, os leprosos, os pecadores e pecadoras. Todos aqueles que, de alguma maneira, estão longe da religião estabelecida e acomodada recebem, em Jesus, um convite de Deus para se aproximarem dele.
Quem seriam esses “longínquos” hoje? O povinho que fica no fundo da igreja ou que não vai à igreja porque não tem roupa decente. Graças a Deus estão surgindo capelas nos barracos das favelas, bem semelhantes ao lugar onde Jesus nasceu e onde a roupa não causa problema. Há também os que se afastaram porque seu casamento despencou (muitas vezes se pode até questionar se ele foi realmente válido). Jesus se aproximou da samaritana, da pecadora, da adúltera... Será que para estas pessoas não brilha alguma estrela em Belém? 
Será que, numa Igreja renovada, o menino Jesus poderá de novo brilhar para todos os que vêm de longe, os afastados, como sinal de salvação e libertação?
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Eles vieram de muito longe
Ele vieram de longe, de muito longe, Traziam interrogações na garganta, perguntas no coração e buscavam a casa do rei dos judeus.  Esses misteriosos magos são também convidados a ver o que Deus havia feito. Antes haviam chegado os pastores convidados pelos mensageiros e agora são esses homens portadores de questões e interrogações.
São pessoas que se informam. Perguntam às autoridades. Ficam sabem que, pelas Escrituras, esse príncipe deveria nascer em Belém… Guiados pela luz de Deus, pela fé, pela estrela chegam até seu destino. A estrela que havia desaparecido, torna a brilhar… Ao verem a estrela, ao encontrarem a luz da fé, os magos “sentiram uma alegria muito grande”. Viram a cena: o menino com Maria, sua mãe. Delicadamente dobram os joelhos e adoram o Senhor.  Abrem seus presentes: ouro, incenso e mirra.
Ao longo de todos os séculos e de todos os tempos homens e mulheres cheios de interrogações começaram a buscar o Deus belo e grande. Muitos e muitos o encontraram na figura adorável de Cristo Jesus.  Uns encontraram esse Jesus em suas casas, no seio de suas famílias.  Esses talvez se tenham acostumado com  Jesus.  Ele precisaram ou precisarão  aprender a formular as questões mais angustiantes e buscar a Deus.   Outros que nunca tiveram inquietações religiosas  num momento de uma doença ou de  muita alegria  não se sentindo contentes com seus arranjo existencial têm vontade de buscar a Deus. Quem dera que nossas comunidades cristãs possam ser espaços de busca do Altíssimo.  Estamos ainda no tempo das manifestações.
“Hoje os magos que o procuravam resplandecente  nas estrelas, o encontram num berço. Hoje os magos vêem claramente, envolvido em panos, aquele que há muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros.  Hoje os Magos contemplam maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-lhe místicos  presentes:  incenso a Deus, ouro ao rei e mirra ao que haveria de morrer” (São Pedro Crisólogo, Lecionário Monástico  I, p.457).
Realizam-se as profecias do Testamento anterior:  “Eis que a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifestas sobre ti apareceu  o Senhor e sua glória já se manifesta sobre ti (…) será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro, incenso e mirra, proclamando a gloria do Senhor”.
frei Almir Ribeiro Guimarães
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A liturgia de hoje celebra a Epifania, palavra que vem do Grego e significa manifestação de Deus ao mundo.
Jesus nasceu em Belém e, já havia sido anunciado aos pastores que representavam o povo judeu. Agora chegou a hora de Ele se apresentar a todo o mundo, aqui representado pelos três reis magos: , Baltazar, Gaspar e Belquior.
Os magos eram homens pagãos, muito estudiosos, que vieram de muito longe para ver e adorar o pequeno Messias. Eles haviam visto uma estrela que brilhava diferentemente no céu e entenderam que aquela era a mensagem que havia se espalhado sobre o Messias que o povo judeu esperava. Só não sabiam que o Menino deveria nascer em Belém, conforme estava escrito nas Escrituras.
Ao seguirem a estrela, os magos passaram por Jerusalém, ali pararam e procuraram o Rei Herodes para saberem onde estava o rei dos judeus que havia nascido.
Herodes juntamente com os sacerdotes e doutores da Lei, conheciam as escrituras, e sabiam que o Messias deveria nascer em Belém, porém esse fato não o ajudou a encontrá-lo, pois não basta apenas conhecer a Palavra de Deus, mas sim estar aberto para ouvi-la, segui-la e adorá-la.
Neste Evangelho, dois anúncios foram feitos. O primeiro anúncio é a luz que os homens pagãos vêem, e o outro anúncio é feito pelos homens pagãos ao Rei Herodes. Os dois casos são exemplos de vocação de fé. Uns acreditaram na luz e o outro nas palavras de homens pagãos, vindo do oriente. Porém a reação de ambos foi muito diferente!
A fé dos magos contrasta com a falsa esperteza de Herodes. Ele, que conhecia bem as Escrituras, sabia que o Messias nasceria em Belém, porém, não estava disposto a adorar o rei recém-nascido que julgava ser uma ameaça ao seu poder. Isso mostra como os pagãos tinham facilidade em aceitar as Escrituras, contra a má vontade dos judeus em aceitá-las.
Os Magos, guiados pela estrela, chegam à Belém e encontram o Menino. Nesse Menino da periferia, reconhecem o Rei que faz justiça, e se prostram diante d’Ele. O gesto de reconhecimento é acompanhado da oferta do que há de melhor em seus países: o ouro, o incenso e a mirra que representavam respectivamente: a realeza de Jesus, a Sua divindade e o Seu sofrimento.
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Uma procura sincera
A simplicidade dos magos na sua busca do Messias é desconcertante. Bastou uma estrela, identificada como sendo dele, para que se pusessem a caminho. As dificuldades e os empecilhos foram todos relativizados. A falta de pistas consistentes não os amedrontou, nem o fato de terem de se dirigir a um país estrangeiro.
No entanto, revelaram-se tão sinceros quanto ingênuos, pois, dirigiram-se, precisamente, ao terrível rei Herodes, para informar-se sobre o rei dos judeus que acabara de nascer. Este, intuindo tratar-se de um concorrente, poupou a vida dos magos, para garantir uma pista que o levasse ao rei recém-nascido, seu adversário.
Mas os magos, absorvidos no seu projeto de encontrar o rei dos judeus, não perceberem a trama de Herodes. Por isso, seguiram fielmente as informações recebidas. Não importava.
A chegada ao lugar onde estava o Menino Jesus foi o resultado de uma busca sincera. A alegria, que lhes encheu o coração, brotava da consciência de terem seguido a voz interior.  Depois de longa caminhada, encontraram, finalmente, o rei dos judeus, pobrezinho e desprovido de sinais exteriores de dignidade. Mesmo assim, prostraram-se para adorá-lo.
padre Jaldemir Vitório
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Epifania do Senhor: Natal é um tempo de luz.
Natal é um tempo de luz. O mundo todo é iluminado pelo Salvador que nasceu. O profeta vê o mundo envolto em trevas e coberto de nuvens escuras, mas Jerusalém se ilumina, porque sobre ela apareceu a glória do Senhor. Quem anda segue iluminado pela luz que sai da Cidade Santa.
O povo de Israel, disperso pelo mundo, volta feliz; mas não apenas ele. Todos os povos são iluminados. Na visão profética, há camelos e dromedários de Madiã, Efa e Sabá, carregados de ouro e de incenso. O Salmista vê reis de Tarsis e das ilhas, de Seba e Sabá, que chegam com presentes. Vêm trazer presentes e oferendas a um rei, distinto dos outros, porque tem pena do pobre e do infeliz e salva a vida dos humildes. Tal Rei, dirá São Mateus, é o Menino que acaba de nascer em Belém da Judeia.
São Mateus relata a visita de Magos do Oriente, que, seguindo uma estrela, chegaram a Jerusalém e foram encaminhados para Belém, segundo a profecia de Miquéias. Encontram o Menino com Maria, sua Mãe, e lhe oferecem ouro, incenso e mirra. Este Menino, frágil recém-nascido, dá a todas as nações a possibilidade de se tornarem herdeiras com o Povo de Israel. Na Carta aos Efésios, São Paulo escreve que “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho”.
A luz se expande sobre o universo inteiro. Isaías a viu saindo de Jerusalém, os Magos a procuraram também em Jerusalém porque lá era a sede do rei. O Menino, porém, estava um pouco mais adiante, na periferia de Jerusalém, na pequena Belém da Judeia, mostrando a liberdade de Deus, que se revela onde quer e a quem quer. Ele se abre aos adoradores em espírito e verdade, que o procuram e se alegram quando o encontram, como os Magos do Oriente.
O Reino de Deus, que é primeiramente o próprio Jesus, está entre nós. Ele foge de todos os grandes esquemas, dos projetos elaborados, dos planejamentos bem pensados, para estar simplesmente entre nós. Ele não podia ter ilusões a respeito da criação e das suas criaturas. Na complexidade, nas contradições e nas contrariedades do nosso mundo, Ele decidiu se fazer presente. Nesse sentido, Deus é Mãe, e o Menino é inseparável de sua Mãe. “Viram o Menino com Maria, sua Mãe.” A mãe está sempre presente, sempre atenta, mesmo quando não desejada, mesmo quando não atendida. Não consegue fazer com que todos os seus filhos sejam retos, mas olha para os incorretos com maior atenção. Assim Deus está entre nós. Muito mais do que um mundo sem problemas e dificuldades, um mundo onde tudo é perfeito e certo, é desejável a presença de Deus neste mundo. “Ele está no meio de nós” – é o que nossa fé nos leva a crer em primeiro lugar, e a anunciar.
Num mundo no qual um Menino se revela a grandes Magos do Oriente, que se ajoelham diante d’Ele num ambiente despretensioso de pobreza real, os pequenos atos de cada dia adquirem valor. A criança se agarra à saia da mãe para se proteger e proteger do frio quando caminham cansados, ela ao trabalho já de madrugada, ele à creche ou à casa de alguém. A saia da mãe tem aqui um valor indescritível. “Vai em paz, teus pecados estão perdoados” – são palavras de ressurreição ouvidas pelo penitente bem acolhido e amado, na crua realidade de seu pecado. A luz está brilhando como centenas de vagalumes a ornamentar o universo.
cônego Celso Pedro da Silva
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Mateus apresenta Jesus como a luz e a glória de Deus
Com a festa da Epifania a Igreja celebra a manifestação de Jesus ao mundo. Epifania, palavra de origem grega, significa manifestação externa, aparecimento. No mundo helenista, a palavra era usada para exprimir a chegada de um imperador em visita aos territórios de seu domínio. O uso tradicional desta palavra para indicar esta narrativa do nascimento de Jesus, em Mateus, induz a uma interpretação gloriosa deste nascimento. No evangelho de Lucas (2,8-20), quem vem contemplar o recém-nascido são os humildes pastores. A narrativa de Mateus, com a adoração dos magos, é feita no estilo do "midraxe" judaico. É uma reconstrução literária de episódios bíblicos antigos, apresentados como que se realizando no tempo do narrador. Mateus narra a visita dos magos no sentido de associar o nascimento de Jesus a uma profecia de Isaías (primeira leitura), segundo a qual as várias nações pagãs trarão tesouros, ouro e incenso ao Templo de Jerusalém. Este texto de Isaías (Terceiro Isaías), marcado por um acentuado reducionismo nacionalista religioso, prenuncia um tempo de glória e domínio mundial para Israel, quando todos os povos estarão a serviço do Templo, onde as riquezas serão acumuladas; as nações que não o servirem serão reduzidas à ruína (Is. 60,11-12).
Com seu midraxe, Mateus apresenta Jesus como a luz e a glória de Deus para o povo de Israel, sendo a ele que os povos vêm em adoração, em uma perspectiva universalista, a qual está presente também na teologia paulina (segunda leitura). A menção da estrela que guia os magos é uma alusão à estrela de Jacó (Nm 24,17) que, depois, se transformou na estrela de Davi, com seis pontas e doze lados, associando Jesus ao messianismo davídico. Assim também se dá com o nascimento em Belém, que era tida como a terra de origem de Davi. Todos estes acentos messiânicos Mateus os fazia para convencer sua comunidade de cristãos originários do judaísmo que em Jesus se realizavam as suas expectativas messiânicas, conforme a tradição do Antigo Testamento.
Além do mais, a narrativa abre espaço para acentuar a crueldade do rei Herodes, o Grande, com o episódio seguinte da matança das crianças de Belém. Do ponto de vista histórico, a manifestação de Jesus ao mundo acontece a partir do início de seu ministério, o que se dá com o seu batismo por João Batista. Com o anúncio da chegada do Reino dos Céus, Jesus revela Deus como Deus do amor para todos os povos, sem exclusões. O encontro com Deus se dá no desapego da riqueza e do poder, e em toda ação a favor da vida e da paz.
José Raimundo Oliva
A solenidade da manifestação do Senhor ou Epifania conclui o tempo de Natal. É uma festa onde o mundo nas pessoas dos pastores e dos reis magos acolhem o Menino Deus. Para percebermos todo o significado desta festa convém fazer um paralelo entre o ciclo de Natal e o ciclo da Páscoa. Em ambos os ciclos está em jogo a vida. No ciclo de Páscoa vemos a vida que renasce na ressurreição do Senhor. Esta vida, por sua vez fecundada pelo Espírito de Pentecostes, desenvolve-se e produz frutos através dos domingos do tempo comum. No ciclo de Natal temos algo de semelhante. Natal é a festa da vida, pois é o Menino que nasce para que todos tenham vida. Mas não basta que nasça a vida. É preciso que ela se manifeste. É o que vivenciamos na celebração da festa da Epifania, a manifestação do Senhor. Não basta que o Senhor nasça. É preciso que ele se manifeste. Temos assim as festas da manifestação do Senhor. Manifestação aos gentios, representados pelos magos, manifestação no Batismo como Filho de Deus. Manifestação pelo primeiro milagre nas bodas de Caná. E impelido pelo Espírito, o Senhor inicia sua missão messiânica. O que importa é que Cristo não nasça apenas em cada solenidade do Natal. É preciso que ele se manifeste através do testemunho dos cristãos. Esta manifestação é expressa através do símbolo da estrela. Seguindo a estrela, os magos encontram o lugar onde se encontrava o Salvador com Maria e José. E voltaram às suas regiões por outro caminho. Quem encontra Jesus Cristo muda de caminho. A Palavra de Deus, os sacramentos, o magistério da Igreja, uma boa palavra do sacerdote ou de pessoas amigas, os acontecimentos da vida, manifestam a presença de Deus, como a estrela. Devemos estar atentos para receber a presença da estrela. E mais. Somos chamados a sermos estrelas, que vão indicando o caminho ao próximo para que ele encontre o Messias Salvador. Há muitas maneiras de sermos estas estrelas, dando testemunho de Jesus Cristo. Isso na família, na Igreja e na sociedade. Que na festa da Epifania nos deixemos guiar pela estrela, iluminar por ela, e poderemos ser luz para os outros.


A liturgia deste domingo celebra a manifestação de Jesus a todos os homens… Ele é uma “luz” que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra. Cumprindo o projeto libertador que o Pai nos queria oferecer, essa “luz” incarnou na nossa história, iluminou os caminhos dos homens, conduziu-os ao encontro da salvação, da vida definitiva.
A primeira leitura anuncia a chegada da luz salvadora de Jahwéh, que transfigurará Jerusalém e que atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo.
No Evangelho, vemos a concretização dessa promessa: ao encontro de Jesus vêm os “magos” do oriente, representantes de todos os povos da terra… Atentos aos sinais da chegada do Messias, procuram-n’O com esperança até O encontrar, reconhecem n’Ele a “salvação de Deus” e aceitam-n’O como “o Senhor”. A salvação rejeitada pelos habitantes de Jerusalém torna-se agora um dom que Deus oferece a todos os homens, sem exceção.
A segunda leitura apresenta o projeto salvador de Deus como uma realidade que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos numa mesma comunidade de irmãos – a comunidade de Jesus.
1ª LEITURA: Is. 60,1-6 - AMBIENTE
Aos capítulos 56-66 do Livro de Isaías, convencionou-se chamar “Trito-Isaías”. Trata-se de um conjunto de textos cuja proveniência não é totalmente consensual… Para alguns, são textos de um profeta anônimo, pós-exílico, que exerceu o seu ministério em Jerusalém após o regresso dos exilados da Babilônia, nos anos 537/520 a.C.; para a maioria, trata-se de textos que provêm de diversos autores pós-exílicos e que foram redigidos ao longo de um arco de tempo relativamente longo (provavelmente, entre os sécs. VI e V a.C.). De qualquer forma, estamos na época a seguir ao Exílio e numa Jerusalém em reconstrução… As marcas do passado ainda se notam nas pedras calcinadas da cidade; os judeus que se estabeleceram na cidade são ainda poucos; a pobreza dos exilados faz com que a reconstrução seja lenta e muito modesta; os inimigos estão à espreita e a população está desanimada… Sonha-se, no entanto, com esse dia futuro em que vai chegar Deus para trazer a salvação definitiva ao seu Povo. Então, Jerusalém voltará a ser uma cidade bela e harmoniosa, o Templo será reconstruído e Deus habitará para sempre no meio do seu Povo.
O texto que nos é proposto é uma glorificação de Jerusalém, a cidade da luz, a “cidade dos dois sóis” (o sol nascente e o sol poente: pela sua situação geográfica, a cidade é iluminada desde o nascer do dia, até ao pôr do sol).
MENSAGEM
Inspirado, sem dúvida, pelo sol nascente que ilumina as belas pedras brancas das construções de Jerusalém e faz a cidade transfigurar-se pela manhã (e brilhar no meio das montanhas que a rodeiam), o profeta sonha com uma Jerusalém muito diferente daquela que os retornados do Exílio conhecem; essa nova Jerusalém levantar-se-á quando chegar a luz salvadora de Deus, que dará à cidade um novo rosto. Nesse dia, Jerusalém vai atrair os olhares de todos os que esperam a salvação. Como consequência, a cidade será abundantemente repovoada (com o regresso de muitos “filhos” e “filhas” que, até agora, assustados pelas condições de pobreza e de instabilidade ainda não se decidiram a regressar); além disso, povos de toda a terra – atraídos pela promessa do encontro com a salvação de Deus – convergirão para Jerusalém, inundando-a de riquezas (nomeadamente incenso, para o serviço do Templo) e cantando os louvores de Deus.
ATUALIZAÇÃO
Como pano de fundo deste texto (e da liturgia deste dia) está a afirmação da eterna preocupação de Deus com a vida e a felicidade desses homens e mulheres a quem Ele criou. Sejam quais forem as voltas que a história dá, Deus está lá, vivo e presente, acompanhando a caminhada do seu Povo e oferecendo-lhe a vida definitiva. Esta “fidelidade” de Deus aquece-nos o coração e renova-nos a esperança… Caminhamos pela vida de cabeça levantada, confiando no amor infinito de Deus e na sua vontade de salvar e libertar o homem.
É preciso, sem dúvida, ligar a chegada da “luz” salvadora de Deus a Jerusalém (anunciada pelo profeta) com o nascimento de Jesus. O projeto de libertação que Jesus veio apresentar aos homens será a luz que vence as trevas do pecado e da opressão e que dá ao mundo um rosto mais brilhante de vida e de esperança. Reconhecemos em Jesus a “luz” libertadora de Deus? Estamos dispostos a aceitar que essa “luz” nos liberte das trevas do egoísmo, do orgulho e do pecado? Será que, através de nós, essa “luz” atinge o mundo e o coração dos nossos irmãos e transforma tudo numa nova realidade?
Na catequese cristã dos primeiros tempos, esta Jerusalém nova, que já “não necessita de sol nem de lua para a iluminar, porque é iluminada pela glória de Deus”, é a Igreja – a comunidade dos que aderiram a Jesus e acolheram a luz salvadora que Ele veio trazer (cf. Ap. 21,10-14.23-25). Será que nas nossas comunidades cristãs e religiosas brilha a luz libertadora de Jesus? Elas são, pelo seu brilho, uma luz que atrai os homens? As nossas desavenças e conflitos, a nossa falta de amor e de partilha, os nossos ciúmes e rivalidades, não contribuirão para embaciar o brilho dessa luz de Deus que devíamos refletir?
Será que na nossa Igreja há espaço para todos os que buscam a luz libertadora de Deus? Os irmãos que têm a vida destroçada ou que não se comportam de acordo com as regras da Igreja, são acolhidos, respeitados e amados? As diferenças próprias da diversidade de culturas são vistas como uma riqueza que importa preservar, ou são rejeitadas porque ameaçam a uniformidade?
2ª LEITURA: Ef. 3,2-3a.5-6 - AMBIENTE
A carta aos Efésios (cuja autoria paulina alguns discutem por questões de linguagem, de estilo e de teologia) apresenta-se como uma “carta de cativeiro”, escrita por Paulo da prisão (os que aceitam a autoria paulina desta carta discutem qual o lugar onde Paulo está preso, nesta altura, embora a maioria ligue a carta ao cativeiro de Paulo em Roma entre 61/63).
É, de qualquer forma, uma apresentação sólida de uma catequese bem elaborada e amadurecida. A carta (talvez uma “carta circular”, enviada a várias comunidades cristãs da parte ocidental da Ásia Menor) parece apresentar uma espécie de síntese do pensamento paulino.
O tema mais importante da Carta aos Efésios é aquilo que o autor chama “o mistério”: trata-se do projeto salvador de Deus, definido e elaborado desde sempre, escondido durante séculos, revelado e concretizado plenamente em Jesus, comunicado aos apóstolos e, nos “últimos tempos”, tornado presente no mundo pela Igreja.
Na parte dogmática da carta (cf. Ef. 1,3-3,19), Paulo apresenta a sua catequese sobre “o mistério”: depois de um hino que põe em relevo a ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo na obra da salvação (cf. Ef. 1,3-14), o autor fala da soberania de Cristo sobre os poderes angélicos e do seu papel de cabeça da Igreja (cf. Ef. 1,15-23); depois, reflete sobre a situação universal do homem, mergulhado no pecado, e afirma a iniciativa salvadora e gratuita de Deus em favor do homem (cf. Ef. 2,1-10); expõe, ainda, como é que Cristo – realizando “o mistério” – levou a cabo a reconciliação de judeus e pagãos num só corpo, que é a Igreja (cf. 2,11-22). O texto que nos é proposto vem nesta sequência: nele, Paulo apresenta-se como testemunha do “mistério” diante dos judeus e diante dos pagãos (cf. Ef. 3,1-13).
MENSAGEM
A Paulo, apóstolo como os Doze, também foi revelado “o mistério”. É esse “mistério” que Paulo aqui desvela aos crentes da Ásia Menor… Paulo insiste que, em Cristo, chegou a salvação definitiva para os homens; e essa salvação não se destina exclusivamente aos judeus, mas destina-se a todos os povos da terra, sem exceção. Paulo é, por chamamento divino, o arauto desta novidade… Percebemos, assim, porque é que Paulo se fez o grande arauto da “boa nova” de Jesus entre os pagãos…
Agora, judeus e gentios são membros de um mesmo e único “corpo” (o “corpo de Cristo” ou Igreja), partilham o mesmo projeto salvador que os faz, em igualdade de circunstâncias com os judeus, “filhos de Deus” e todos participam da promessa feita por Deus a Abraão (cf. Gn. 12,3) – promessa cuja realização Cristo levou a cabo.
ATUALIZAÇÃO
A perspectiva de que Deus tem um projeto de salvação para oferecer ao seu Povo – já enunciada na primeira leitura – tem aqui novos desenvolvimentos. A primeira novidade é que Cristo é a revelação e a realização plena desse projeto. A segunda novidade é que esse projeto não se destina apenas “a Jerusalém” (ao mundo judaico), mas é para ser oferecido a todos os povos, sem exceção.
A Igreja, “corpo de Cristo”, é a comunidade daqueles que acolheram “o mistério”. Nela, brancos e negros, pobres e ricos, ucranianos ou moldavos – beneficiários todos da ação salvadora e libertadora de Deus – têm lugar em igualdade de circunstâncias. Temos, verdadeiramente, consciência de que é nesta comunidade de crentes que se revela hoje no mundo o projeto salvador que Deus tem para oferecer a todos os homens? Na vida das nossas comunidades transparece, realmente, o amor de Deus? As nossas comunidades são verdadeiras comunidades fraternas, onde todos se amam sem distinção de raça, de cor ou de estatuto social?
Destinatários, todos, do mistério, somos “filhos de Deus” e irmãos uns dos outros. Essa fraternidade implica o amor sem limites, a partilha, a solidariedade… Sentimo-nos solidários com todos os irmãos que partilham conosco esta vasta casa que é o mundo? Sentimo-nos responsáveis pela sorte de todos os nossos irmãos, mesmo aqueles que estão separados de nós pela geografia, pela diversidade de culturas e de raças?
Evangelho: Mt. 2,1-12 - AMBIENTE
O episódio da visita dos magos ao menino de Belém é um episódio simpático e terno que, ao longo dos séculos, tem provocado um impacto considerável nos sonhos e nas fantasias dos cristãos… No entanto, convém recordar que estamos ainda no âmbito do “Evangelho da Infância”; e que os fatos narrados nesta secção não são a descrição exata de acontecimentos históricos, mas uma catequese sobre Jesus e a sua missão… Por outras palavras: Mateus não está aqui interessado em apresentar uma reportagem jornalística que conte a visita oficial de três chefes de estado estrangeiros à gruta de Belém; mas está interessado em (recorrendo a símbolos e imagens bem expressivos para os primeiros cristãos) apresentar Jesus como o enviado de Deus Pai, que vem oferecer a salvação de Deus aos homens de toda a terra.
MENSAGEM
A análise dos vários detalhes do relato confirma que a preocupação do autor (Mateus) não é de tipo histórico, mas catequético.
Notemos, em primeiro lugar, a insistência de Mateus no fato de Jesus ter nascido em Belém de Judá (cf. vs. 1.5.6.7). Para entender esta insistência, temos de recordar que Belém era a terra natal do rei David e que era a Belém que estava ligada a família de David. Afirmar que Jesus nasceu em Belém é ligá-l’O a esses anúncios proféticos que falavam do Messias como o descendente de David que havia de nascer em Belém (cf. Mi 5,1.3; 2 Sm 5,2) e restaurar o reino ideal de seu pai. Com esta nota, Mateus quer aquietar aqueles que pensavam que Jesus tinha nascido em Nazaré e que viam nisso um obstáculo para o reconhecerem como o Messias libertador.
Notemos, em segundo lugar, a referência a uma estrela “especial” que apareceu no céu por esta altura e que conduziu os “magos” para Belém. A interpretação desta referência como histórica levou alguém a cálculos astronômicos complicados para concluir que, no ano 6 a.C., uma conjunção de planetas explicaria o fenômeno luminoso da estrela refulgente mencionada por Mateus; outros andaram à procura de um cometa que, por esta época, devia ter sulcado os céus do antigo Médio Oriente… Na realidade, é inútil procurar nos céus a estrela ou cometa em causa, pois Mateus não está a narrar fatos históricos. Segundo a crença popular da época, o nascimento de uma personagem importante era acompanhado da aparição de uma nova estrela. Também a tradição judaica anunciava o Messias como a estrela que surge de Jacob (cf. Nm. 24,17). Ora, é com estes elementos que a imaginação de Mateus, posta ao serviço da catequese, vai inventar a “estrela”. Mateus está, sobretudo, interessado em fornecer aos cristãos da sua comunidade argumentos seguros para rebater aqueles que negavam que Jesus era esse Messias esperado.
Temos ainda as figuras dos “magos”. A palavra grega “mágos”, usada por Mateus, abarca um vasto leque de significados e é aplicada a personagens muito diversas: mágicos, feiticeiros, charlatães, sacerdotes persas, propagandistas religiosos… Aqui, poderia designar astrólogos mesopotâmios, em contacto com o messianismo judaico. Seja como for, esses “magos” representam, na catequese de Mateus, esses povos estrangeiros de que falava a primeira leitura (cf. Is. 60,1-6), que se põem a caminho de Jerusalém com as suas riquezas (ouro e incenso) para encontrar a luz salvadora de Deus que brilha sobre a cidade santa. Jesus é, na opinião de Mateus e da catequese da Igreja primitiva, essa “luz”.
Além de uma catequese sobre Jesus, este relato recolhe, de forma paradigmática, duas atitudes que se vão repetir ao longo de todo o Evangelho: o Povo de Israel rejeita Jesus, enquanto que os “magos” do oriente (que são pagãos) O adoram; Herodes e Jerusalém “ficam perturbados” diante da notícia do nascimento do menino e planeiam a sua morte, enquanto que os pagãos sentem uma grande alegria e reconhecem em Jesus o seu salvador.
Mateus anuncia, desta forma, que Jesus vai ser rejeitado pelo seu Povo; mas vai ser acolhido pelos pagãos, que entrarão a fazer parte do novo Povo de Deus. O itinerário seguido pelos “magos” reflete a caminhada que os pagãos percorreram para encontrar Jesus: estão atentos aos sinais (estrela), percebem que Jesus é a luz que traz a salvação, põem-se decididamente a caminho para O encontrar, perguntam aos judeus – que conhecem as Escrituras – o que fazer, encontram Jesus e adoram-n’O como “o Senhor”. É muito possível que um grande número de pagano-cristãos da comunidade de Mateus descobrisse neste relato as etapas do seu próprio caminho em direção a Jesus.
ATUALIZAÇÃO
Em primeiro lugar, meditemos nas atitudes das várias personagens que Mateus nos apresenta em confronto com Jesus: os “magos”, Herodes, os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo… Diante de Jesus, o libertador enviado por Deus, estes distintos personagens assumem atitudes diversas, que vão desde a adoração (os “magos”), até à rejeição total (Herodes), passando pela indiferença (os sacerdotes e os escribas: nenhum deles se preocupou em ir ao encontro desse Messias que eles conheciam bem dos textos sagrados). Identificamo-nos com algum destes grupos? Não é fácil “conhecer as Escrituras”, como profissionais da religião e, depois, deixar que as propostas e os valores de Jesus nos passem ao lado?
Os “magos” são apresentados como os “homens dos sinais”, que sabem ver na “estrela” o sinal da chegada da libertação… Somos pessoas atentas aos “sinais” – isto é, somos capazes de ler os acontecimentos da nossa história e da nossa vida à luz de Deus? Procuramos perceber nos “sinais” que aparecem no nosso caminho a vontade de Deus?
Impressiona também, no relato de Mateus, a “desinstalação” dos “magos”: viram a “estrela”, deixaram tudo, arriscaram tudo e vieram procurar Jesus. Somos capazes da mesma atitude de desinstalação, ou estamos demasiado agarrados ao nosso sofá, ao nosso colchão especial, à nossa televisão, à nossa aparelhagem, ao nosso computador? Somos capazes de deixar tudo para responder aos apelos que Jesus nos faz através dos irmãos?
Os “magos” representam os homens de todo o mundo que vão ao encontro de Cristo, que acolhem a proposta libertadora que Ele traz e que se prostram diante d’Ele. É a imagem da Igreja – essa família de irmãos, constituída por gente de muitas cores e raças, que aderem a Jesus e que O reconhecem como o seu Senhor.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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"Eis que veio o Senhor dos senhores, em suas mãos o poder
e a realeza". (Ml. 3,1; 1Cr. 19,12)
Celebramos neste domingo a festa da Epifania. O que é a Epifania?
É a manifestação do Salvador a todos os povos e Nações. A manifestação de Deus na pessoa frágil do menino Jesus.
Todos nós somos convidados a nos sentirmos como os Reis Magos, peregrinos na fé, junto com toda a humanidade que enfrenta o cansaço da viagem longa, na busca contínua de um sentido para a vida e para as contradições e percalços da caminhada. A fragilidade de Jesus nos recorda os milhares de crianças frágeis e abandonadas pela crueldade desta sociedade hedonista em que vivemos.
Celebramos a utopia do autor bíblico que nos ajuda a atingir o objetivo da esperança cristã, construindo uma parceria com Deus Nosso Senhor.
As Sagradas Escrituras nos ensinam a caminhar, a plantar as sementes de nossa fé, vingando águas mais profundas, construindo uma parceria com o Senhor da Vida e a Humanidade.
E essa parceria entre o Senhor e a Humanidade é a festa da manifestação deste Deus que nos convida a viver a vocação “universalista” cantada pelo livro de Isaías na primeira leitura: Jerusalém é agora o centro para o qual convergem as caravanas do mundo inteiro. Esta visão profética, concebida para a restauração da cidade santa depois do Exílio, verifica-se plenamente quando os magos do Oriente, conduzidos por um astro desconhecido, se apresentam na cidade santa, procurando o Messias nascido na cidade de Davi, trazendo-lhe as riquezas das quais falava a visão de Isaías: ouro, incenso e mirra.
Já a segunda leitura (cf. Ef. 3,2-3a.5-6), acentuando a universalidade da encarnação para crentes e incruéis, fala de um tema que permeia toda a Carta aos Efésios: a participação de judeus e pagãos na revelação de Deus em Jesus Cristo. É assim, pois, a manifestação de Deus para todos, não apenas para o povo hebreu. Ele veio para nos salvar, é a “Luz para iluminar as nações” e a “glória de Israel seu povo”; ou seja, pelo reconhecimento que o povo hebreu deveria ter testemunhado e proclamado, o Messias seria reconhecido por todo o mundo.
O escritor sagrado usa de sinais: a estrela (cf. Mt. 2,1-12). Herodes teve a palavra dos magos: os judeus tiveram as Escrituras. Deus nos fala de muitas maneiras. O importante é pôr-se em busca e essa procura pode durar toda uma vida.
Nesse contexto, a humanidade está representada pelos magos do Evangelho, todos os povos da terra que caminham ao encontro do grande desejo de seu coração: o próprio Deus. Ele vem até nós em Jesus, mas temos de dar também nossa ajuda, o nosso passo.
Essa busca é, muitas vezes, difícil, cheia de armadilhas, de incertezas, até de desvios. Há momentos também em que não vemos mais a “estrela”, não vemos os sinais de Deus e ficamos perdidos. Não podemos, contudo, desistir da grande aventura da vida. É preciso seguir em frente, acreditando que “depois da tempestade vem a bonança”, como reza o sábio dito popular.
A Epifania é a festa em que Deus nos mostra a sua face. Deus nos surpreende mostrando-nos a sua própria face. Em Jesus, é Deus que está presente entre nós para nos guiar na travessia da vida, para reacender em nós o desejo do céu, das coisas do alto.
Jesus pode nos falar das coisas do alto porque Ele veio do sonho do Pai Eterno. Aqui na terra, Jesus vai nos mostrar a sua face, vai nos mostrar como é o Céu. Nesta solenidade de hoje, Jesus se revela, mostra a sua face a todos os povos, na figura dos Reis que vão adorá-lo, para que todos andem no clarão dessa luz. Assim se realizarão os maiores e mais lídimos ideais da vida: a paz, a comunhão, a alegria.
Todos nós somos convidados a sermos uma comunidade-testemunha. Israel se tornou, de fato, o centro do mundo, porém não para si mesmo, mas para que nele brilhasse a luz para todos. Aos poucos, ficará claro quais os filhos que assumem verdadeiramente esta função, unindo-se ao Menino do presépio. O mesmo vale ainda hoje. O universalismo de Cristo não resplandece nas organizações internacionais, mas no testemunho do Espírito de Cristo, nas concretas comunidades de amor fraterno.
Jesus de Nazaré, nascido em Belém, é a manifestação de Deus a todos e a cada pessoa humana em todos os lugares e em todos os tempos. Nenhum povo da terra está desprovido do sentimento religioso. Todos querem ver, apalpar, escutar os seus deuses. E, sobretudo, sentir-se protegidos por eles.
Hoje temos a revelação do Deus único e verdadeiro. Em forma conhecida de todos: a forma de um homem, homem e Deus ao mesmo tempo. Realmente, Jesus é o Emanuel, (Is. 8,8.10; Mt 1,23), isto é, o Deus conosco. Todos os milagres, e não só o nascimento, realizados por Jesus foram manifestações, particularmente a sua transfiguração (Mt. 17,1-8). E o que fazemos hoje é manifestar a todo o mundo o nascimento do Senhor.
Os Magos estão repletos de simbolismos e o primeiro é o da universalidade da salvação. O segundo simbolismo é a missionariedade do Evangelho pregado. A universalidade da salvação veio para todos e, em vista disso, todo cristão deve ser um missionário.
No início da Igreja, a idéia dominante era que Cristo viera para poucos, para os chamados “santos”. Ao contrário, Jesus veio para todos, prosélitos, judeus, pagãos, indistintamente. Por isso, São Paulo, na segunda leitura de hoje, nos ensina que “os pagãos são co-herdeiros e membros de um mesmo corpo, co-participantes das promessas em Cristo Jesus, mediante o Evangelho” (Ef 3,6).
Em contraponto, os batizados devem assumir a grave obrigação de levar a todos a mensagem cristã. A missionariedade da Igreja faz parte da própria natureza da Igreja. Ver os povos prostrados diante do Presépio é contemplar os cristãos saindo do Presépio em direção aos quatros cantos do mundo.
Jesus é apresentado como “a luz dos povos” (Lc. 2,32), é luz para todos.
Jesus não excluiu ninguém. Os Magos não foram a Belém apenas para “ver” um menino. Eles foram para adorar, conforme disseram a Herodes (Mt. 2,22). E não só adoraram, caíram por terra, reconheceram que o Menino era divino, que o Menino era o Filho de Deus que se manifestou, assim, a eles, da mesma forma como se manifestará a quantos o procurarem e souberem encontrá-Lo na simplicidade e na pobreza. Os Magos nos ensinaram que Jesus não mora nos palácios de Herodes, mas na imagem de cada irmão oprimido, sofredor, descriminado pelos preconceitos fundados na soberba, na ambição, no egoísmo. Jesus é a revelação da inocência, da pureza, da caridade.
A Epifania, pela presença da estrela, é a festa da luz. Luz que é salvação no Cristo presente-presença. Com o nascimento de Jesus, a cidade terrena encheu-se de salvação, como uma sala se ilumina ao acender da lâmpada.
A salvação trazida por Jesus é um longo caminho a ser percorrido. Andaram os Magos, andou a estrela. A luz da estrela pousou sobre a casa de Jesus. Toda a salvação se encontra na pessoa de Jesus: “Em nenhum outro há salvação” (At. 4,12). Por isso, ela deve ser procurada.
Somos convocados a uma comunhão universal com todos os povos, com os diferentes feitos de adorar a Deus e buscar a libertação. A estrela indica um caminho alternativo, um caminho que não passa pelo conhecimento dos grandes, mas pelo discernimento dos pequenos e fracos, o caminho que nos leva ao Menino de Belém.
Epifania é a festa da disponibilidade. Epifania é a festa da possibilidade de conhecer a Deus.
Os pastores – gente simples do povo – reconheceram o Menino Deus e voltaram ao trabalho “glorificando e louvando a Deus” (Lc. 2,20). Os Magos – gente sábia – “encheram de grande alegria e, caindo por terra, o adoraram” (Mt. 2,10-11).
Epifania, festa de luz, festa da salvação universal. Assim é preciso pôr-se em contínua caminhada na busca do verdadeiro encontro com Jesus. Precisamos descobrir a estrela que nos guie de forma segura ao longo do ano na busca do rosto sereno e radioso do Senhor.
padre Wagner Augusto Portugal
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A adoração dos magos
I. Eis que veio o Senhor dos senhores; em suas mãos estão o reino, o poder e a glória (1).
A Igreja celebra hoje a manifestação de Jesus ao mundo inteiro. Epifania significa “manifestação”; e os Magos representam os povos de todas as línguas e nações que se põem a caminho, chamados por Deus, para adorar Jesus. Os reis de Társis e das ilhas trar-lhe-ão presentes. Os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão os seus dons. Todos os reis o hão de adorar, hão de servi-lo todas as nações (2).
Ao saírem os Magos de Jerusalém, a estrela que tinham visto no Oriente precedia-os, até que se deteve em cima do lugar onde estava o menino. Ao verem a estrela, eles sentiram uma imensa alegria (3).
Não se admiram de terem sido conduzidos a uma aldeia, nem de a estrela se ter detido diante de uma casinha simples. Vêm de tão longe para ver um rei, e são conduzidos a uma casa pequena de uma aldeia! Quantos ensinamentos para nós!
Corremos talvez o perigo de não perceber completamente até que ponto o Senhor está perto das nossas vidas, “porque Deus se apresenta a nós sob a insignificante aparência de um pedaço de pão, porque não se revela na sua glória, porque não se impõe irresistivelmente, porque, enfim, desliza sobre a nossa vida como uma sombra, ao invés de fazer retumbar o seu poder sobre as coisas... Quantas almas oprimidas pela dúvida, porque Deus não se mostra como elas esperam!...” (4)
Muitos dos habitantes de Belém viram em Jesus uma criança semelhante às outras. Os Magos souberam ver nela o Menino-Deus, a quem, desde então, todos os séculos adoram. E a sua fé valeu-lhes um privilégio singular: serem os primeiros entre os gentios a adorá-lo, quando o mundo ainda o desconhecia. Como deve ter sido grande a alegria destes homens, vindos de tão longe, por terem podido contemplar o Messias pouco tempo depois de ter chegado ao mundo! Devemos estar atentos, porque o Senhor também se nos manifesta nas coisas habituais de cada dia. Saibamos recuperar essa luz interior que permite quebrar a monotonia dos dias iguais e encontrar Jesus na nossa vida normal.
E, entrando na casa, viram o Menino com Maria, sua mãe, e prostrando-se o adoraram (5). “Nós também nos ajoelhamos diante de Jesus, do Deus escondido na humanidade: repetimos-lhe que não queremos dar as costas à sua chamada divina, que não nos afastaremos dEle; que tiraremos do nosso caminho tudo o que for obstáculo à fidelidade; que desejamos sinceramente ser dóceis às suas inspirações” (6).
Adoraram-no. Sabem que é o Messias, Deus feito homem. O Concílio de Trento cita expressamente esta passagem da adoração dos Magos ao tratar do culto que se deve a Cristo na Eucaristia. Jesus presente no Sacrário é o mesmo que estes homens sábios encontraram nos braços de Maria. Talvez devamos ver como o adoramos quando está exposto no ostensório ou escondido no Sacrário, com que devoção nos ajoelhamos durante a Santa Missa nos momentos indicados, ou sempre que passamos por lugares onde está reservado o Santíssimo Sacramento.
II. Os Magos, abrindo os seus tesouros, ofereceram-lhe presentes de ouro, incenso e mirra (7): os dons mais preciosos do Oriente; o melhor para Deus.
Oferecem-lhe ouro, símbolo da realeza. Nós, como cristãos, queremos também oferecer-lhe, em sinal de submissão, “o ouro fino do espírito de desprendimento do dinheiro e dos meios materiais. Não esqueçamos que são coisas boas, que procedem de Deus. Mas o Senhor dispôs que as utilizássemos sem nelas deixar o coração, fazendo-as render em proveito da humanidade” (8).
Com os Magos, oferecemos-lhe incenso, o perfume que era queimado todas as tardes no altar como símbolo da esperança posta no Messias. São incenso “os desejos – que sobem até o Senhor – de levar uma vida nobre, da qual se desprenda o bônus odor Christi (2Cor. 2,15), o perfume de Cristo [...]. O bom perfume do incenso é o resultado de uma brasa que queima sem espetáculo uma grande quantidade de grãos. O bônus odor Christi faz-se sentir entre os homens, não pelas labaredas de um fogo de palha, mas pela eficácia de um rescaldo de virtudes: a justiça, a lealdade, a fidelidade, a compreensão, a generosidade, a alegria” (9).
E, com os Reis Magos, oferecemos também mirra, porque Deus encarnado tomará sobre si as nossas enfermidades e carregará as nossas dores. A mirra é “o sacrifício que não deve faltar na vida cristã. A mirra traz-nos à lembrança a paixão do Senhor: na Cruz, dão-lhe a beber mirra misturada com vinho (cfr. Mc. 15,23), e com mirra ungiram o seu corpo para a sepultura (cfr. Jo. 19,39). Mas não pensemos que a reflexão sobre a necessidade do sacrifício e da mortificação significa introduzir uma nota de tristeza na festa alegre que hoje celebramos. Mortificação não é pessimismo nem espírito acre”10; muito pelo contrário, está intimamente relacionada com a alegria, com a caridade, com a preocupação de tornar agradável a vida aos outros.
Via de regra, “não consistirá em grandes renúncias, que aliás não são freqüentes. Há de compor-se de pequenas vitórias: sorrir para quem nos aborrece, negar ao corpo o capricho de uns bens supérfluos, acostumar-se a escutar os outros, fazer render o tempo que Deus põe à nossa disposição... E tantos outros detalhes, aparentemente insignificantes – contrariedades, dificuldades, dissabores – que surgem ao longo do dia sem que os procuremos” (11).
Podemos fazer diariamente a nossa oferenda ao Senhor, porque diariamente podemos ter um encontro com Ele na Santa Missa e na Comunhão: podemos colocar na patena do sacerdote a nossa oblação, feita de coisas pequenas que Jesus aceitará. Se o fizermos com reta intenção, essas pequenas coisas que oferecermos ganharão muito mais valor que o ouro, o incenso e a mirra, porque se unirão ao sacrifício de Cristo, Filho de Deus, que se oferece a si próprio12.
III. Com a festa de hoje, a Igreja proclama a manifestação de Jesus a todos os homens, de todos os tempos, sem distinção de raça ou nação. Ele “instituiu a nova aliança no seu sangue, convocando entre os judeus e os gentios um povo que se congregará na unidade... e constituirá o novo Povo de Deus”13. Nos Reis Magos, vemos milhares de almas de toda a terra que se põem a caminho para adorar o Senhor. Passaram vinte séculos desde aquela primeira adoração, e esse longo desfile do mundo gentio continua chegando a Cristo.
A festa da Epifania incita todos os fiéis a partilharem dos anseios e fadigas da Igreja, que “ora e trabalha ao mesmo tempo, para que a totalidade do mundo se incorpore ao Povo de Deus, Corpo do Senhor e templo do Espírito Santo” (14). Nós podemos ser daqueles que, estando no mundo, imersos nas realidades temporais, viram a estrela de uma chamada de Deus e são portadores dessa luz interior que se acende em conseqüência do trato diário com Jesus. Sentimos, pois, a necessidade de fazer com que muitos indecisos ou ignorantes se aproximem do Senhor e purifiquem a sua vida.
A Epifania é a festa da fé e do apostolado da fé. “Participam desta festa tanto os que já chegaram à fé como os que se põem a caminho para alcançá-la [...]. Participa desta festa a Igreja, que cada ano se torna mais consciente da amplitude da sua missão. A quantos homens é necessário levar ainda a fé! Quantos homens é preciso reconquistar para a fé que perderam, numa tarefa que é às vezes mais difícil do que a primeira conversão! No entanto, a Igreja, consciente desse grande dom, o dom da Encarnação de Deus, não pode deter-se, não pode parar nunca. Deve procurar continuamente o acesso a Belém para todos os homens e para todas as épocas. A Epifania é a festa do desafio de Deus” (15).
A Epifania recorda-nos que devemos esforçar-nos por todos os meios ao nosso alcance para que os nossos amigos, familiares e colegas se aproximem de Jesus: para uns, será fazer com que leiam um livro de boa doutrina; para outros, dizer-lhes ao ouvido umas palavras vibrantes a fim de que se decidam a pôr-se a caminho; para outros, enfim, falar-lhes da necessidade de uma formação espiritual.
Ao terminarmos hoje a nossa oração, não pedimos a estes santos Reis que nos dêem ouro, incenso e mirra; parece mais lógico que lhes peçamos que nos ensinem o caminho que leva a Cristo, a fim de que cada dia lhe levemos o nosso ouro, incenso e mirra. Peçamos também “à Mãe de Deus, que é nossa Mãe, que nos prepare o caminho que conduz à plenitude do amor: Cor Mariae dulcissimum, iter para tutum! Seu doce coração conhece o caminho mais seguro para encontrarmos o Senhor. Os Reis Magos tiveram uma estrela; nós temos Maria, Stella maris, Stella Orientis” (16).
Francisco Fernández-Carvajal
(1) Antífona de entrada da Missa do dia 6 de janeiro;
(2) Sl 71; Salmo responsorial da Missa do dia 6 de janeiro;
(3) Mt 2, 10;
(4) Jacques Leclercq, Seguindo o ano litúrgico, pág. 100;
(5) Mt 2, 11;
(6) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 35;
(7) Mt 2, 11;
(8) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 35;
(9)ibid., n. 36;
(10) ibid., n. 37;
(11) ibid.;
(12) cfr. Oração sobre as oferendas da Missa do dia 6 de janeiro;
(13) Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 9;
(14) ibid., 17;
(15) João Paulo II, Homilia, 6-I-1979;
(16) Bem-aventurado Josemaría Escrivá,É Cristo que passa, n. 38.
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Epifania: Deus que se manifesta e nos ensina a viver em sociedade organizada
A Festa da Epifania encerra as celebrações litúrgicas do Tempo no Natal, enfatiza esta grande realização de Deus à humanidade que é a sua máxima manifestação na pessoa do Filho, eternamente presente na história, desde então velada na cortina do mistério que envolvia a Santíssima Trindade. É celebrada pela Igreja desde o século IV e sua razão é tornar a manifestação de Deus na terra conhecida, e convidar aos povos pagãos a render louvores àquele que é o único e verdadeiro rei de todos os povos; tornado rei, não conforme a concepção humana de poder, que visa o reconhecimento e reivindica para si ser servido, ao contrário, Jesus é rei por meio de sua entrega ao serviço, o qual culmina na salvação de toda a humanidade. Não reivindica para si a centralidade do poder que se encontra constituído em Jerusalém, como se vê no Evangelho escolhido para esta festa; Jesus irá nascer na manjedoura, longe do reconhecimento e do luxo que envolvia a casta dominante da época, todavia irá resgatar na história, ou seja, no tempo e no espaço: “Na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes” (Mt. 2,1), que o poder de fato, não estava na vontade humana, mas na vontade de Deus que havia prometido ao rei Davi, por meio das profecias, um eterno reinado por meio de sua descendência; sabemos, por meio das escrituras, que é José quem confere a Jesus a descendência davídica, e este, por uma providência nascera em Belém, a Capital de direito, ainda que não de fato.
Assim, a Festa de Epifania, tal como o Natal, possui uma ligação intrincada com a Páscoa do Senhor; é por conta da Páscoa que celebramos as demais festas litúrgicas; toda a nossa liturgia gira em torno à Páscoa. Mas a Epifania tem um sentido, um caráter mais político; para os cristãos da origem, seguindo a cultura semita, a política não está dissociada da religiosidade, aliás, a política não está dissociada de forma alguma das nossas vidas, faz parte do nosso dia a dia; a decisão de levantar da cama de manhã, já é uma decisão política que tem suas consequências no transcorrer do dia. Dependendo da hora em que me levanto, posso chegar atrasado ao trabalho, ou não render bem como deveria, e assim por diante.
Vemos na leitura do Evangelho de hoje que a simples ideia da instituição de um novo poder, ainda que pareça inofensivo, uma vez que o rei que os magos anunciam a Herodes seja um neonatal, frágil, pobre, sem fortaleza e sem exército, ou seja, sem a estrutura em que normalmente se alicerçam os grandes impérios, inclusive hoje ainda, esta ideia abala profundamente o poder dominante, centrado em Herodes, e funda um sentimento de insegurança a todos que se beneficiam desta estrutura desgastada e corrupta (cf. Mt. 2,3). Esta insegurança força uma reordenação política, uma reação do antigo poder: “reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer” (Mt. 2,4); a manutenção do poder requer informações, e quanto mais as tem tanto mais organizada será a reação, desde que tais informações sejam convertidas em conhecimento; observando o texto vemos que o poder detinha as informações, mas o conhecimento acerca da manifestação divina, esta estava com o magos, os estudiosos, que por serem pagãos, ou seja, estrangeiros, encontram-se desorientados e precisam obter as informações detalhadas das profecias, que a princípio, não tinham necessidade de obtê-las, somente após se aproximarem da região fica latente esta necessidade, pois precisam apreenderem a cultura local, afim de compreender totalmente o mistério. A partir daí, não serão mais os mesmos, retornarão por outro caminho, transformados pela graça de poder testemunhar o que é realmente ser um rei, um líder.
Jesuel Arruda
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