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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 19 de janeiro de 2013

O MILAGRE DE CANÁ


II DOMINGO DO TEMPO COMUM

Comentários Prof.Fernando


DIA 20 DE JANEIRO - ANO C

JESUS OPERA SEU PRIMEIRO MILAGRE EM CANÁ

Itrodução

 

 

       O Evangelho deste domingo nos convida a refletir sobre duas realidades de nossa existência: A embriaguês, e o casamento...  Continua.
        
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Contribuição do padre Fernando Gross
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“FAZEI TUDO QUE ELE VOS DISSER”!- Olívia Coutinho

II DOMINGO COMUM

Dia 20 de Janeiro de 2013

Evangelho Jo 2,1-11

Quase sempre, não temos paciência de esperar pelo tempo de Deus!
E na busca incessante  do imediato, acabamos nos  embriagando com um vinho ruim que nos traz uma falsa alegria, com isso, vamos perdendo a oportunidade de beber, de  saborear o vinho novo da alegria,  da aliança,  do amor e da união entre todos.
É Jesus  que nos  vem trazer o vinho novo, o vinho da esperança que é oferecido a todos que querem  seguir os seus passos!
No evangelho deste domingo, vemos um dos primeiros sinais de alegria realizado por Jesus, sinal que teve a significante participação da primeira pessoa a beber deste vinho novo: Maria!
Tudo acontece numa festa de casamento em Caná da Galileia, festa em que, Jesus, sua Mãe e seus discípulos estavam  presentes. 
A narrativa nos mostra um exemplo claro da solicitude maternal  de Maria, que se mostra sensível à dificuldade  do próximo.
 Certamente Jesus e sua mãe, eram amigos íntimos da família, tão íntimos que Maria, sempre atenta aos detalhes,  percebe de imediato  a falta do vinho, o que indica que os anfitriões desta festa, eram pobres, do contrário não faltaria  vinho.
Ao invés de levar  o fato ao conhecimento do mestre - sala, Maria não hesita, vai direto a Jesus, pois ela sabia que Dele viria a solução.
Com esta atitude de Mãe que quer  proteger seus filhos,  Maria evita  que os donos da festa passem por um vexame,  já que naquela época, o vinho  era considerado o símbolo da alegria, a bebida que não podia faltar numa festa!
O interessante, é que Maria não pede nada a Jesus, simplesmente apresenta a Ele o fato: “Eles não tem mais vinho”! Com esta atitude, ela entrega o problema para Jesus, segura de que, de alguma forma, Ele agiria em favor dos donos da festa.
Foi uma plena afirmação da sua fé no poder do seu filho Jesus!  A confiança que Maria tinha no filho  era tão grande, que mesmo  antes de um parecer Dele, ela dirige aos serventes e diz: “Fazei tudo que Ele vos disser”. E o  milagre acontece: Jesus transforma a água em vinho!
O texto  é rico em detalhes, sugestivo à reflexão, porque envolve a missão de Jesus, e a importante força de  interseção de Maria, que antecipa a hora de Jesus.
Maria não é simplesmente uma figura histórica, e sim, um exemplo de Mulher atenta, atuante, solidária diante às necessidades dos seus filhos!  Como Mãe, ela é nossa  intercessora,  levando  a Jesus todas as nossas súplicas!
O homem foi criado para relacionar-se com Deus e esta relação amorosa  começou a partir do ventre sagrado de Maria, o ventre  que nos trouxe Jesus, o único mediador entre o homem e Deus!
Somos eternos aprendizes de Maria, com ela  aprendemos a ser mais solidários,  a ter um olhar de misericórdia e a  dar passos ao encontro do outro! Sigamos o seu exemplo, estando sempre atentos  às necessidades dos nossos irmãos!

FIQUE NA PAZ DE JESUS!- Olívia
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20 de janeiro - II Domingo

II Domingo do TC 20/01/2013
1ª Leitura Isaias 62, 1-5
Salmo 95 “Cantai ao Senhor Deus um canto novo, manifestai os seus prodígios entre os povos”- Diac. José da Cruz

2ª Leitura 1Cor 12, 4-11
Evangelho João 2, 1-11

Não sei dizer a razão pela qual faltou o vinho nas Bodas de Cana, talvez a família não tivesse muitos recursos e fez uma festa bem modesta, só para os mais íntimos. Também pode ser que o Encarregado da cozinha, tenha errado no cálculo, ou então, porque havia um número excessivo de “penetras”. Só sei que os convidados das bodas de Canaã ficaram admirados com a qualidade e o sabor inigualável daquele vinho que serviram na última hora, quando muitos já estavam até embriagados. Os discípulos e os que serviam estavam de boca aberta, pois só eles sabiam que todo aquele vinho delicioso fora tirado de seis talhas de barro, cheias de água. Um prodígio promissor para Jesus iniciar seu ministério!
Em Israel muita gente andava descontente com a religião, porque transformaram o Deus da Aliança, tão rico em bondade e misericórdia, em um legislador implacável, alguém frio que passava os dias observando atentamente quem ousava desrespeitar a lei de Moisés. As pessoas iam ao templo ou nas sinagogas com o coração pesado, por medo do que pudesse acontecer, se deixassem de observar alguma das mais de seiscentas leis e prescrições da religião. Existiam para os faltosos a possibilidade de se livrarem da culpa, cumprindo os rituais de purificação feitos com água, mas que também era complicado pois naquele tempo não se tinha a facilidade da água encanada como hoje.
Às vezes a prática da religião se torna um peso quase insuportável, as vezes ao receber um sacramento, ou ao término de alguma celebração, há quem dê um suspiro de alívio “Arre ! já cumpri minha obrigação e estou livre!” para curtir o domingão. Certa ocasião depois da celebração de crisma, um adolescente em frente a igreja dava pulos e esmurrava o ar festejando quando alguém perguntou; “ feliz com a crisma recebida?” . ---Muito feliz --- desabafou o jovem – pois agora não preciso mais vir à igreja e estou livre!
Para ir a uma festa, um dia antes já estamos na expectativa, já para ir à igreja, chegamos na última hora e ás vezes, se a celebração se alongar um pouco, saímos antes da bênção final pois só temos paciência para agüentar a missa por uma hora. Precisamos rever o que está errado, nossas liturgias não podem resumir-se ao “oba-oba” mas temos que lhe dar vivacidade para que as pessoas saiam convencidas da graça de Deus e cheias de coragem para dar testemunho.
Não vale a pena praticar esse tipo de religião meramente cultual ! Nas bodas de canã Jesus, ao transformar a água da purificação em vinho da melhor qualidade, acabou com essa “chatice religiosa” mas muitos ainda hoje insistem em beber desse vinho azedo de uma religião angustiante, que bota freios no ser humano e coloca em seus olhos uma “viseira” para somente enxergar na direção que aponta os dirigentes “iluminados” sendo terminantemente proibido olhar em outra direção.
A verdadeira religião supõe liberdade e uma alegria incontida pelo fato de se tomar conhecimento de que Deus, apaixonado pelo homem, manifestou o seu amor no seu filho Jesus, que ao chegar a sua hora, a hora de mostrar a que veio, em um gesto de loucura aos olhos de muitos, derramou até a última gota do seu sangue na cruz do calvário, para que nós pudéssemos ser felizes e ter uma vida nova como homens livres.
É este o pensamento que deve nortear a nossa relação com Deus no âmbito da Igreja, uma alegria de saber que ele nos ama tanto, que ele só quer o nosso bem em seu sentido mais pleno, um amor que nos ama sem exigir nada, sem cara feia, sem mau humor, sem palavras amargas e sem nenhuma censura – Deus é amor infinito, bondade eterna e misericórdia para sempre! É essa, portanto, a novidade que Jesus traz ao mundo nas bodas de Caná, ele é na verdade o noivo apaixonado pela noiva que é a Igreja, assembléia de todos os que crêem. Uma noiva não muito bela e nem sempre fiel, que às vezes se deixa seduzir por outros “amantes”.
Entendida e aceita essa verdade, a Palavra de Deus celebrada e proclamada em nossas comunidades, é uma carta de amor que ouvimos com o coração aos pinotes, e a eucaristia se transforma em um jantar a luz de velas com Cristo Jesus, o amado de nossa vida , ao sabor do vinho novo da graça santificante que nos salva e liberta. Irradiar este amor a todos com o testemunho de vida, é a única forma de transformar a sociedade e não adianta se buscar outras alternativas, pois somente assim a glória de Cristo será manifestada semeando a fé no coração dos descrentes! (2º. Domingo do Tempo Comum João 2, 1-11)
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Fazei o que ele vos disser - Missionários Claretianos

Domingo, 20 de janeiro de 2013
2º Domingo do Tempo Comum
São Fabiano, Papa, Mártir (Memória facultativa) - São Sebastião, Mártir (Memória facultativa).
Outros Santos do Dia:Eustóquio de Messina (franciscano), Eutímio, o Grego (abade), Mauro de Cesena (monge, bispo), Neófito de Nicéia (mártir).
Primeira leitura: Isaias 62,1-5
As nações verão então tua vitória, e todos os reis teu triunfo
Salmo responsorial: 95(96), 1-2a.2b-3.7-8a.9-10a.c (R.1a.3b)
Cantai ao Senhor um cântico novo, a todos os povos as suas maravilhas
Segunda leitura: 1 Corintios 12,4-11
Há diversidade de dons, mas um só Espírito
Evangelho: João 2,1-11
Fazei o que ele vos disser

A vida de Jesus se desenvolveu dentro da normalidade própria do ambiente cultural e da religiosidade de um judeu do primeiro século de nossa era. Os discípulos descobrem Jesus como um homem normal, em um ambiente normal e sem nenhum tipo de manifestação espetacular ou extraordinária. Esta realidade de uma vida normal em Jesus, faz com que entre os discípulos e ele não haja nenhum tipo de distanciamento, antes ao contrario, haja uma vida verdadeiramente humana como a de Jesus, faz com que a sua experiência do Deus tenha credibilidade e muito mais acessível à consciência e à vida dos que escutam e o seguem. A atitude de Jesus, sem nenhum tipo de pretensão, vai revelando uma nova imagem e um novo conceito de Deus. Deus deixou de ser esse ser estranho e distante, que atemoriza o ser humano e toma a característica do Deus original de Israel, o Deus que caminha com seu povo.
Para a lógica do Evangelho de João, o Banquete é um tema fundamental na teologia do seu evangelho. A teologia do banquete se abre com a missão de Jesus em Caná da Galiléia e é concluído com a última Ceia, fundamento da Eucaristia. O Banquete é, portanto, um sinal messiânico, onde se anuncia a chegada do Reino e se apresenta Jesus, soberano do Reino. É um símbolo fundamental que explica no cotidiano a presença do Reino em meio à historia.
As bodas de Caná estão no imaginário dos primeiros cristãos e de toda a Igreja ao longo da historia, por esse fato inesquecível: no melhor da boda, o vinha acaba. Como é possível que não se tenha previsto esta parta na festa? A atitude de Jesus de Nazaré frente à carência de vinho, fará com que este relato das bodas de Caná fique imortalizado na simbologia cristã.
O milagre das bodas de Caná da Galileia não é simplesmente ausência de vinho. O assunto é outro: o relato tem que ser entendido na perspectiva do Reino, na dinâmica do tempo messiânico. O texto indica que havia aí em um lugar da casa seis jarros de pedra vazios. O texto enfatiza que estavam fazias. São vasos destinados a conter a água da purificação, ritual dos crentes judeus. Porém estão vazias, secas. Este símbolo indica que o modelo religioso judeu está seco, ressecado.
Na visão dos primeiros cristãos que acabavam de se separar do judaísmo, a lei judaica, antes de ajudar, acabou dificultando a relação de Deus com seu povo. Por isso para eles era uma lei vazia, sem sentido, que somente gerava carga e não possibilidade de liberdade e de alegria. As jarras, destinadas à purificação, eram um símbolo que dominava a lei antiga. Esse modelo de lei criava com Deus uma reação difícil e frágil, mediada por ritos frios e carentes de sentido.
Não se diz, contudo, que as jarras estivessem com água. São enchidas quando Jesus ordena. Estando cheias, as jarras que não prestavam já nenhum serviço, antes estorvavam na vida normal das pessoas, permitem uma nova manifestação do projeto de Jesus: a água está convertida em vinho. Significado deste símbolo? A ritualidade, o legalismo, a norma fria e vazia, se transforma em vinho, símbolo da alegria, do gozo messiânico, da festa da chegada do tempo novo do Reino de Deus.
Temos que acabar em nossa vida e na vida comunitária, com os sistemas religiosos desumanizantes, para conseguir entrar na dinâmica libertadora, inclusiva e festiva que Jesus inaugurou. Complicada a interpretação? Efetivamente pode parecer complicada com a complicação que brota de um texto sofisticado, muito elaborado, com todo um conjunto de alusões veladas e mensagens a ser decifradas. Ler, proclamar, comentar o evangelho de João como se se tratasse de uma simples historieta de bodas, na qual Jesus funda o sacramento do matrimonio, sem mais complicações...  teríamos uma leitura fácil e cômoda, porém seria profundamente carente de veracidade. Ainda que seja mais laborioso e menos grato, é melhor tratar nossos ouvintes e leitores como adultos e não economizar a complexidade de textos que interpretados diretamente ao pé da letra nos levariam somente por caminhos de fundamentalismo.
Oração: Ó Deus de todos os povos, que de muitas maneiras te comunicaste desde sempre com a humanidade. Jesus foi para nós o grande sinal que nos permitiu o a cesso a ti. Nós te pedimos que abras nossos olhos, ilumines nossa mente e inflames nosso coração para que também nós sejamos para os demais, sinal de amor e de alegria, de esperança e de agradecimento, até que um dia nos reunamos todos os povos em tua presença, nosso lugar definitivo, contigo, que vives e fazes viver pelos séculos dos séculos. Amém.



14 de janeiro - Segunda Feira
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Evangelhos Dominicais Comentados

20/janeiro/2013 – 2o Domingo do Tempo Comum

Evangelho: (Jo 2, 1-11)

No terceiro dia houve um casamento em Caná da Galiléia, e a mãe de Jesus estava presente. Jesus e os discípulos também foram convidados para esse casamento. Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. Jesus respondeu: “Mulher, o que temos nós a ver com isso? Ainda não chegou a minha hora”. Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei tudo o que ele vos disser”. Havia ali seis talhas de pedra para as purificações dos judeus. Em cada uma cabiam duas ou três medidas. Jesus disse: “Enchei de água as talhas”. Eles encheram-nas até a borda. Então Jesus disse: “Tirai agora um pouco e levai ao organizador da festa”. Eles levaram. Logo que o organizador da festa provou da água transformada em vinho – ele não sabia de onde vinha, embora o soubessem os serventes que tinham tirado a água – chamou o noivo e lhe disse: “Todos servem primeiro o vinho bom e quando já estão embriagados servem o de qualidade inferior. Tu guardaste o vinho bom até agora”. Este foi o início dos sinais de Jesus, em Caná da Galiléia. Ele manifestou a sua glória, e os discípulos creram nele.

COMENTÁRIO

Hoje é domingo, dia de festa, dia do Senhor. Nossa vida poderia realmente ser uma contínua festa, só alegrias, só boas notícias, só melodia e dança. O segredo para que assim seja, Maria já nos revelou naquela festa.

Na verdade não se trata de um segredo. Há dois mil anos, em meio aos discípulos de seu Filho e entre muitos convidados, a Virgem Maria deu este conselho para toda a humanidade: "Façam tudo que meu Filho mandar!" Simples, não é mesmo? É o suficiente para transformar a vida e transformar o mundo.

Ao dizer eles não têm vinho, Nossa Senhora não se referia apenas à falta material da bebida. Naquele momento, Maria estava intercedendo por todos seus filhos, Ela se referia a todo povo de Deus, oprimido e desesperançado, que vivia a expectativa de receber o vinho da Vida e da Salvação.

"Mulher, o que temos a ver com isso? Ainda não chegou a minha hora". Com essas palavras, tenho a impressão que Jesus queria testar sua Mãe. Parece que queria confirmar se Maria estava realmente entendendo o Plano de Salvação que seu Pai havia traçado.


A reação de Maria foi aquela que Jesus já esperava. Ela não se abalou, não discutiu, não impôs sua vontade e nem usou sua autoridade materna. Calmamente, porém de forma firme, disse aos criados: "façam tudo o que Ele mandar!"

Essas palavras de Maria tinham dois endereços: seu Filho e cada um de nós. Para Jesus, suas palavras devem ser interpretadas como uma sugestão. Foi como se Maria tivesse dito: "Filho, você não acha que esta seria uma ótima oportunidade para você iniciar a Grande Obra de Redenção da humanidade?

Para nós o recado foi dado de forma direta. Aqueles criados representavam toda a humanidade e, através deles, Ela recomenda que sejamos obedientes. Ao dizer - "façam tudo o que meu Filho mandar" - Maria não nos deixa outra alternativa. Obediência é a única saída para quem espera a salvação.

Jesus iniciou sua vida pública num ambiente festivo. Operou seu primeiro milagre numa festa de casamento. Nesse mesmo ambiente, Maria nos aponta o caminho a seguir, o Verdadeiro Caminho que é Jesus.

Por tudo isso, o cristão tem que ser alegre, tem que irradiar felicidade. O verdadeiro cristão sabe que, estão reservadas maravilhas que os olhos humanos jamais viram para aquele que fizer o que Jesus manda.

Jesus veio para efetuar mudanças radicais. A primeira coisa que fez foi acabar com aquele conceito de religião antiga, opressora, cheia de normas, cheia de regras e triste; uma religião fabricada para beneficiar meia dúzia de fariseus e alguns doutores da lei.

Jesus veio trazer a salvação para todos. Na Nova Lei, classe social, raça e poder aquisitivo de nada valem. A partir de Jesus, amor, misericórdia e perdão, são requisitos básicos para se ganhar a vida eterna. Jesus veio para transformar. Sofre uma transformação radical a vida de quem segue Jesus. Quem deixar-se mudar vai perceber que, a mudança é como da água para o vinho.                                  

(1072)

jorge.lorente@miliciadaimaculada.org.br- 20/janeiro/2013         

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Domingo 20.01.1

João 2,1-11
: Nossa Senhora é  a intermediadora. Quem nos dá as ordens é Jesus,façamos tudo quanto Ele nos mandar - Maria Regina.
                                O primeiro milagre de Jesus foi realizado em Caná da Galiléia, numa festa de casamento, por intercessão de Sua Mãe. Jesus manifestou o Seu poder transformando a água no vinho que havia faltado naquela festa. Ninguém sabia como, mas percebiam que o vinho melhor estava sendo servido por último. Se fizermos uma reflexão e procurarmos uma mensagem para a nossa vida iremos reconhecer que só conseguimos provar do vinho melhor quando a festa já vai adiantada e passamos pelos constrangimentos naturais da nossa incapacidade. Muitas vezes, nós também, vivemos envolvidos com as nossas preocupações terrenas, bebendo o “vinho” que nós próprios providenciamos e nos esquecemos de que tem alguém que está atenta aos nossos sofrimentos, às nossas carências e dificuldades.
                           Aquele casal das Bodas de Caná nos dá um exemplo muito bom para ser seguido por todos nós. Não podemos deixar de convidar para as nossas “festas”, Jesus e Maria, a intercessora. A certeza de que Jesus é o convidado principal da nossa existência e que com Ele Maria se faz presente na “festa da nossa vida” é a razão da nossa esperança diante das nossas carências. Jesus também pode fazer na nossa vida o que fez em Caná da Galiléia: transformar o pouco que temos em algo muito abundante e melhor que fará toda a diferença. Há dias em que para nós falta também o vinho da alegria, da paz, da saúde da sobrevivência financeira e a festa começa a ficar desanimada parecendo até que está chegando ao fim. Porém, Nossa Senhora, atenta às nossas carências, escuta o nosso coração e vê a nossa angústia. Como Mãe ela está sempre perto do Seu Filho Jesus, por isso a sua intercessão é poderosa. Ela é também nossa mãe, conhece a vontade do Seu filho para nós como também sabe das nossas necessidades.
                       Precisamos, porém, colocar as nossas talhas à disposição do Mestre e como ela determinou, fazer tudo o que Ele nos disser. Nossa Senhora é apenas a intermediadora. Quem nos dá as ordens é Jesus e, se fizermos tudo quanto Ele nos disser com certeza, também a água que nós O oferecermos será transformada no vinho melhor que irá alegrar a nossa vida, mesmo que já estejamos quase chegando ao fim. Reflita – Qual é hoje o vinho que está faltando para a sua festa ser alegre? – O que está faltando na sua vida? – Peça a Maria com confiança e ela intercederá diante do Seu Filho. A sua festa não irá terminar.- Você tem feito tudo o que Jesus lhe diz?
Amém
Abraço carinhoso

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Bodas de Caná

Em certo sentido, a liturgia da Palavra deste segundo domingo comum, ainda está ligada ao Natal, tempo da manifestação do Senhor. Na liturgia da Igreja antiga, a festa da Epifania, da manifestação, celebrava, de uma só vez e num só dia, a visita dos magos, o batismo de Jesus e as bodas da Caná. São três momentos da manifestação do Senhor: aos magos, ele se manifestou como Rei dos Judeus pelo brilho da Estrela; no batismo, o Pai o manifestou como Messias de Israel, ungindo-o com o Espírito Santo para a missão e, em Caná, Jesus manifestou a sua glória ao transformar a água em vinho, e os seus discípulos creram nele. Portanto, estamos ainda em clima de Manifestação, de Epifania daquele que veio do Pai para nossa salvação; e é neste contexto que as leituras da missa de hoje devem ser interpretadas.
Comecemos por observar que o evangelho narra uma festa de casamento e não informa nada sobre o nome dos noivos... É de caso pensado! O evangelista tomou um fato histórico e deu-lhe um sentido espiritual e teológico: o verdadeiro noivo é o Cristo, Deus em pessoa que vêm desposar sua esposa, o povo de Israel e, mais precisamente, o novo Israel, a Igreja, representada pela Mulher – a Virgem Maria! Tudo, na perícope do evangelho, fala disso: porque o Messias-Esposo chegou, a água da antiga Aliança (água da purificação segundo os ritos judaicos da lei de Moisés) é transformada no vinho da Nova Aliança (o vinho, símbolo da alegria e da exultação do Espírito Santo, que é fruto da morte e ressurreição do Senhor). É esta a glória que Jesus manifestou, é este o sinal! “Sinal” não é um simples milagre; “sinal” é um gesto do Senhor Jesus, carregado de sentido profundo, que revela sua pessoa, sua missão e sua obra de salvação. “Este foi o princípio dos sinais de Jesus... e seus discípulos creram nele”. Na verdade, o sinal da Caná, é uma preparação uma antecipação da Páscoa, quando o Cristo, Esposo ressuscitado, desposará para sempre a Igreja, dando-lhe como dote eterno, o dom do Espírito: “Alegremo-nos e exultemos, demos glória a Deus, porque estão para realizar-se as núpcias do Cordeiro, e sua Esposa já está pronta: concederam-lhe vestir-se com linho puro, resplandecente” (Ap. 19,7s). Por isso, a exultação da primeira leitura de hoje. Saudando o povo de Deus, o novo Israel, a Igreja-Esposa, o profeta afirma: “As nações verão a tua justiça; serás chamada por um nome novo, que a boca do Senhor há de designar. E serás uma coroa de glória na mão do Senhor, um diadema real na mão de teu Deus. Não mais te chamarão abandonada, e tua terra não mais será chamada Deserta; teu nome será Minha Predileta e tua terra será Bem-Casada, pois o Senhor agradou-se de ti e tua terra será desposada. Assim como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te desposam; e como a noiva é a alegria do noivo, assim também tu és a alegria do teu Deus”. Maria, a Virgem-Mulher do evangelho de hoje é, pois, imagem viva da Igreja-Esposa, desposada na Nova e Eterna Aliança!
Esta Aliança não é mais aquela de Moisés. A antiga Lei passou; passaram os antigos preceitos, as antigas observâncias, as coisas antigas! Não esqueçamos o prólogo de João, tantas vezes ouvido no Natal: “A Lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade nos vieram por Jesus Cristo” (Jo. 1,17) Esta Nova Aliança não se funda em uma lei de preceitos escritos, mas na Nova Lei, que é o Espírito de amor, derramado nos nossos corações. O Espírito que o Cristo derramou sobre nós com a sua morte e ressurreição é a alma, a lei, a vida da Igreja-Esposa, novo Israel, novo povo de Deus. Por isso, a segunda leitura da Missa de hoje nos apresenta toda a vida da Igreja, tão rica e dinâmica, como sendo fruto da ação animadora e sustentadora do Espírito Santo: “A cada um de nós é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum”, isto é, em vista da edificação da Igreja, Corpo e Esposa de Cristo!
O que nos fica da liturgia da Palavra de hoje? A gratidão ao Cristo por ter vindo, por ter manifestado sua glória em nosso mundo tão pobre e na nossa vida tão ameaçada pelas trevas. Fica também essa consciência que somos o povo de Deus da Nova Aliança, povo nascido da encarnação, da morte e da ressurreição de Cristo; povo nascido na força do Espírito Santo que ele nos concedeu. Fica ainda a certeza que ele permanece conosco, alimentando e construindo sua Igreja-Esposa na força do Espírito Santo. Esta Igreja é a una e santa nossa mãe católica. Ela foi eternamente desejada, escolhida, amada pelo Esposo Jesus; ela foi desposada quando ele se fez homem e por ela morreu e ressuscitou! Lembremo-nos das palavras do Apóstolo: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la, com o banho da água e santificá-la pela Palavra, para apresentar a si mesmo a Igreja, gloriosa, sem mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef. 5,25 - 27). Por isso a Igreja será sempre Esposa, será sempre bela, sem mancha nem ruga, será sempre santa, apesar dos pecados de seus membros! Ela é a Amada, a Escolhida... a ornada com o a jóia do Espírito Santo! Se formos fiéis a esse Espírito, vinho novo do Reino de Deus, seremos pessoas novas na nossa vida: novos sentimentos, novo modo de ver e de agir, de sentir e de enfrentar as situações da vida. Nem os fracassos, nem as tristezas, nem as lágrimas, nem mesmo a morte poderão nos tirar a alegria e a certeza de viver! Fica também a certeza certíssima, de que como Igreja, como Comunidade dos discípulos de Cristo, o Espírito nos vivifica, nos guia, nos une e nos conduz sempre. Não temamos, não sejamos frios, não sejamos frouxos! O Cristo que habitou entre nós, conosco continua na potência do seu Espírito Santo. Se formos fiéis à sua ação, nossa Comunidade será viva, os carismas e ministérios serão abundantes, a alegria de ser e viver como Comunidade não faltará, o nosso testemunho de Jesus Cristo será entusiasmado e convincente e a nossa esperança será inabalável, mesmo diante das dificuldades do mundo e da vida... mesmo diante da morte!
O Senhor manifestou a sua glória e seus discípulos creram nele! O Senhor se manifesta agora, pela sua Palavra e pela sua Eucaristia, e nos reúne na força amorosa do Espírito Santo! Creiamos! E que nossa eucaristia seja toda ungida, toda doçura, toda renovação da nossa vida em Cristo: “Felizes aqueles que foram convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro” (Ap. 19,9). Felizes somos nós, que vivemos em Cristo, ele que é bendito pelos séculos dos séculos.
dom Henrique Soares da Costa
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A partir de Oseias, as relações entre Deus e seu povo passaram a ser vistas no Primeiro Testamento como um casamento em que Deus é o esposo e o povo a esposa. As infidelidades da esposa não conseguem terminar com o amor do esposo.
A aliança do Sinai, constitutiva do povo do Primeiro Testamento, ganha, então, o caráter de um matrimônio. O período do deserto é o namoro e o noivado e, “no terceiro dia” (Ex. 19,15-16), se realiza o casamento, a aliança.
A 1ª leitura, retomando a metáfora do casamento, sugere como devemos entender o significado do evangelho hoje. Foi na “sua hora”, hora da morte, que Jesus realizou o novo casamento, a nova aliança não de mandamentos escritos na pedra, mas da lei do amor instaurada dentro de cada um (Jr. 31,33).
A nova lei não é feita de leis pétreas que devem ser observadas cegamente e podem virar rotina ou ritualismo vazio. A nova lei é uma força interior, como um vinho que embriaga e leva à ousadia do amor. A nova lei não é manter-se dentro dos trilhos dos mandamentos e rituais, mas deixar-se guiar pelo mandamento único, o amor celebrado na eucaristia.
1º leitura (Is. 62,1-15)
A terceira parte do livro de Isaías ou Terceiro Isaías (capítulos 56-66) é do período da volta do cativeiro da Babilônia. A época foi de grandes desencontros, de grandes decepções e também de grandes esperanças. No capítulo que hoje lemos, o autor dá vazão a toda sua veia poética para falar da esperança.
A cidade, Jerusalém ou Sião, significa o povo, a nação, menos que o lugar. A volta do cativeiro é a justiça que Deus lhe faz, a vitória, o triunfo. Agora ela terá um novo nome pronunciado por Javé e, quando o Senhor o pronuncia, faz-se nova realidade, o povo sofrido torna-se uma joia nas mãos de Deus.
Jerusalém ainda estava em ruínas e sem moradores; agora, porém, é como a mulher abandonada que se casa novamente. Javé é apaixonado por ela, que já não é uma mulher sem nome, mas uma senhora. E o poema segue falando da esperança de restauração com a metáfora do casamento: Javé, o Senhor, é o esposo apaixonado e a nação, a cidade, é a esposa.
A consequência é que a nação já não vai plantar trigo para alimentar os inimigos nem cultivar uvas para estranhos tomarem o vinho. Está chegando o momento, é preciso organizar o povo e abrir os caminhos.
E, apontando para o significado do evangelho de hoje, o poema termina retomando a metáfora do casamento: “Serás chamada "querida", "Cidade não abandonada".
2º leitura (1Cor. 12,4-11)
As segundas leituras nos domingos do tempo comum não foram escolhidas, como as primeiras, em função dos evangelhos, mas propõem uma leitura contínua de textos de Paulo ou de outros escritos do Novo Testamento.
O capítulo 12 da primeira carta aos Coríntios, que continuará no domingo próximo, aborda a questão do movimento carismático na comunidade de Corinto. No trecho de hoje, destaca principalmente a unidade na diversidade, para o bem comum.
Corrigindo prováveis desvios dentro do movimento, Paulo lembra inicialmente o envolvimento da Santíssima Trindade na dinâmica dos dons. Quem distribui os dons é o Espírito Santo; quem organiza a comunidade, atribuindo as tarefas ou ministérios, é Jesus, o Senhor; quem faz tudo funcionar, dando forças para a ação, é o Pai.
Depois insiste em que tudo deve convergir para o bem da comunidade e não servir para o espírito de competição e para a exaltação ou vaidade pessoal de uns ou de outros. E, para o bem da comunidade, tudo deve ser feito em ordem: se a um é dada a profecia, a outro deve ser dado o discernimento dos espíritos; se há o falar em línguas, haja o dom de interpretá-las, e assim por diante.
Evangelho (Jo 2,1-11)
A 1ª leitura apontou o significado maior do que vamos ouvir no evangelho. Como a água que se muda em vinho, a primeira aliança, representada pela mãe de Jesus, transforma-se em nova aliança, a dos discípulos de Jesus.
Os detalhes difíceis de explicar como históricos são indícios de que o relato tem sentido figurado. “No terceiro dia”: dois dias antes, Jesus estava onde João batizava, a mais de 150 quilômetros da Galileia. “A mãe de Jesus estava lá; Jesus, com os discípulos, é convidado”: além de chamar sua mãe de mulher, como se fosse a esposa, Jesus quer distância dela e alude à sua hora, a hora da cruz. E mais: a mãe de Jesus dá ordem aos que servem! Talhas de pedra, destinadas às abluções rituais, em número de seis, depositadas vazias numa casa particular! Os convidados (quantos?), já meio embriagados, terão mais seiscentos litros de vinho! O responsável pelo serviço da mesa chama o noivo para cobrar dele por que deixou o vinho melhor para o fim! É o princípio (não o primeiro) dos sinais (não milagres) de Jesus.
Tentar justificar historicamente cada detalhe desses seria o mesmo que se empolgar com o pacote, sem se importar com o conteúdo. Ou, ao ver uma placa na estrada, examinar o modelo das letras ou se a placa é de latão, de madeira, de alumínio... O que interessa é o conteúdo, é ver os rumos que a placa indica. O Evangelho segundo João só fala em sinais de Jesus, nunca em milagres. E nele Jesus diz: “Vocês me procuram não porque viram sinais, mas porque puderam comer e matar a fome!”
É preciso ver os sinais, o significado das figuras, o espírito. “A carne para nada serve” (Jo. 6,63)É o que vamos procurar ver agora.
“Terceiro dia” lembra o dia da aliança do Sinai (Ex. 19,16). A palavra Caná, nas duas formas com que se pode escrevê-la em hebraico, significa conquistar, adquirir (frequentemente, “adquirir esposa”, casar) ou ciúme. Cananeus são os homens do comércio, e Deus é chamado também de “El Caná”, Deus ciumento.
O evangelista não fala em Maria. “Mãe de Jesus” aí não é apenas ela, mas toda a parte fiel da primeira aliança, de onde veio Jesus. Ela estava lá porque representa a esposa fiel desse primeiro casamento entre Deus e o povo. Os discípulos de Jesus nem todos são filhos desse primeiro casamento, há alguns que não são judeus; por isso, com Jesus, são convidados.
A esposa fiel da primeira aliança, a “mãe de Jesus”, será também esposa da nova aliança. Jesus é o esposo e por isso a chama de “mulher” aqui, como vai chamá-la de mulher na sua hora, na cruz. Jesus está apenas começando; é preciso manter certa distância da religião antiga, para que o caminho fique aberto para todos. Só na “hora”, na cruz, ele vai pedir que a mãe e o discípulo, os da primeira e os da segunda aliança, se acolham uns ao outros.
“Os que estão servindo” são fiéis, a mãe de Jesus pode lhes dar ordens. As seis talhas: sete é o número da plenitude; “seis” indica que está faltando alguma coisa. As talhas são de pedra, como os mandamentos da primeira aliança foram escritos na pedra. No tempo de Jesus, porém, foram transformados em ritualismo vazio, em rituais de purificação que nada purificam.
Enchendo as talhas até em cima (como encontrar 600 litros de água numa região tão ou mais seca do que o semi-árido nordestino não interessa), aquela água se transforma em vinho. A primeira aliança, levada à plenitude, passa a ser nova. A água se transforma em vinho que aquece e embriaga, dá força interior e ousadia para viver a nova lei, o amor.
Os chefes atuais da religião antiga, reduzida à observância de cerimônias sem valor, não entendem, não sabem como isso pode ter acontecido; “os que servem”, os que obedecem à “mãe de Jesus”, estes, sim, sabem de onde veio aquele vinho tão bom.
Quando o chefe do serviço convoca o noivo para chamar-lhe a atenção sobre a distribuição do vinho, o evangelista só falta dizer que o noivo é Jesus e que os chefes do judaísmo de então não o entenderam, não viram que Jesus trazia o vinho melhor, a lei interior, a capacidade de amar como ele amou, único mandamento da nova aliança.
Coisas de casamento
“Jerusalém, assim como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te  desposam;  e como a noiva é a alegria do noivo, assim também  tu és a alegria de teu Deus” (Is. 65,5).
O Deus de Isaías é impaciente, amorosamente impaciente, impacientemente amoroso.   Jerusalém é a amada do Senhor. “Não posso calar-me, não quero me resignar.  Jerusalém está longe de mim.  Está envolvida nas trevas do pecado.  Só ficarei contente quando se acender nela a tocha da salvação.  Tenho certeza que chegarão os dias em que  não mais tu, Jerusalém, serás chamada de Abandonada, de Deserta.   Todos conhecerão   teus novos nomes:  Minha Predileta, a Bem Casada.  Eu serei teu esposo, minha amada cidade.  Assim como o jovem desposa a donzela,  assim os teus filhos te desposam; como a noiva é a alegria do noivo, assim também tu és a alegria de teu Deus”.  Um Deus amorosamente impaciente.
Lá estava ele, Jesus, esposo esperado, o esposo da nova humanidade.  Um dia ele haveria de estar vestido da transparência de seu corpo nu, como esposo, no alto da cruz,  purificando a amada, a  Igreja.  Por enquanto ele anda percorrendo  os caminhos do mundo.  João afirma que ele sua mãe  tinham sido convidados para um casamento em Caná da Galileia.  De repente, no meio da festa  os noivos correram o  risco da vergonha de não terem mais vinho.
Na verdade  Jesus é o esposo verdadeiro…Faltava a alegria da festa verdadeira na terra dos homens. O casamento do mundo com  Deus carecia  de alegria.  Jesus é o esposo da humanidade.  Quando,  no alto da montanha, é elevado,  vestido de toda transparência,  ele terá seu peito aberto e traspassado… e sairá daquela cavidade  o vinho novo da festa,  vinho de seu  irrestrito amado dado quando todos já tinham bebido do vinho de qualidade inferior,  com seus projetos de felicidade menores.
Que todos os buscadores de Deus encontre nele  não um Senhor formal, frio, mas o esposo que manifesta todo carinho. A vida de oração e de intimidade dos fieis com o Senhor será  marcada pelo caráter esponsal.
Os esposos cristãos haverão de aprender que seu envolvimento amoroso é um sacramento, um sinal sensível  do amor de Cristo pela Igreja.   Marido e mulher se amarão no amor do Esposo pela Esposa, de Cristo pela Igreja.
frei Almir Ribeiro Guimarães
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As núpcias messiânicas
No Brasil, o Batismo de Jesus é celebrado no domingo depois de 8 de janeiro, que seria o 1º domingo do tempo comum. Deste modo, o 2º domingo comum, celebrado hoje, faz seqüência direta à festa do Batismo do Senhor. Nos três anos do ciclo litúrgico, é lido um episódio dos primórdios da obra de Jesus segundo João (10 1,19-2,11), neste ano C, o último episódio, as bodas de Caná (evangelho). O conjunto Jo 1,19-2,11 é construído em forma de uma semana. Os dias são numerados: em 1,29, o 2º dia; em 1,35, o 3°; em 1,43, o 4º; e “três dias depois”, portanto, no fim da semana, estamos em Caná da Galiléia, para ver Jesus operar seu primeiro sinal, numa festa de casamento. Os simbolismos se amontoam. Parece uma repetição da semana inicial da criação. Abundância de vinho é um sinal dos tempos messiânicos (Am 9,13-15; Jl 4,18-21). Este vinho novo é o último e o melhor: o escatológico (cf. Mc 2,22). Vem da transformação da água das abluçães judaicas (10 2,6): o Novo Testamento substitui o Antigo. Quem oferece o vinho, é o esposo; o mestre-sala dirige-se ao “esposo” para observar que ele guardou o vinho bom até o fim em vez de o servir primeiro. É que ele não sabe que o verdadeiro Esposo só agora começou a servir seu vinho …
Apenas começou: “Este fez Jesus como início dos sinais … e manifestou sua glória e seus discípulos creram nele” (2, 11). Ainda não é a plenitude de sua obra. Ele faz questão de o observar, antes de realizar o sinal: “Mulher, que é isso para mim e para ti? Ainda não chegou minha hora” (2,4). Sua hora será quando, novamente, dirigirá a palavra a sua mãe, dizendo: “Mulher, eis seu filho … “, confiando-lhe o fruto de sua obra (19,25-27). Por enquanto, só um primeiro sinal, mas suficiente para que os que a ele se entregaram – seus discípulos – possam começar a acreditar que nele a presença de Deus se deixa entrever (2, 11). Jesus não veio exatamente para transformar água em vinho. Veio para dar sua vida, naquela “hora”. Mas o vinho vermelho de sangue nos fala desta hora e sua abundância messiânica nos faz acreditar: Deus está aí, como o verdadeiro esposo, que, no fim dos tempos, acolhe seu povo como esposa amada. A 1ª leitura é um dos muitos textos do A.T. que falam neste sentido, e um dos mais poéticos. Numa linguagem certamente não estranha para o nosso povo, nos faz sentir que o amor de Deus é verdadeira ternura, cordial afeição. Deus quer que tudo o que é seu seja de nós.
Estamos ainda no espírito da Epifania, da manifestação de Deus em Jesus Cristo. Na liturgia antiga, as festas dos “Reis magos” e do Batismo de Jesus formavam, com as Bodas de Caná, a tríade da “Epifania”. Para apreender o mistério do Cristo, para “atender” a Deus na obra do Cristo, convém, desde o início, vê-la como manifestação do Pai, não como mera façanha. Todo o evangelho de João repete que em Jesus enxergamos o rosto do Pai (1,14.18; 12,45; 14,9), especialmente, na “hora” de sua “glória”, que é a hora da “elevação” na cruz e na glória. A hora que em Caná ainda não tinha chegado, mas para a qual esta narrativa nos orienta, mostrará a face de Deus em extremado amor para conosco.
Também a 2ª leitura merece atenção. É o início da 3ª seqüência de leituras da 1Cor (as duas anteriores são lidas no começo do tempo comum nos anos A e B). Este tema continua nos próximos domingos, para ser completado pelo famoso capítulo 1 Cor. 13, o hino da caridade.

Nosso casamento com Deus
Entre Deus e o povo do Antigo Testamento, Israel, existia um pacto, uma aliança, como se fosse um casamento. Mas Israel foi infiel: por causa de presumidas vantagens materiais, correu atrás dos deuses dos povos pagãos. Isso se chama prostituição. O resultado foi que Israel caiu nas mãos desses estrangeiros. Foi levado ao cativeiro, na Babilônia: era o seu castigo. Mas agora, o profeta anuncia, em nome de Deus, a salvação. Deus vai acolher de novo sua esposa infiel, proclama a 1ª leitura.
No evangelho, Jesus, introduzido por sua mãe, torna-se presente numa festa de casamento. Na Palestina, quem oferecia a festa de casamento era o próprio noivo; mandava e desmandava. Mas, no fim da festa, sem que os convidados e nem mesmo o noivo se deem conta, Jesus toma o comando e faz servir, milagrosamente, o “vinho melhor”. É ele o verdadeiro esposo do fim dos tempos, oferecendo a abundância do vinho da alegria a quantos comparecem à sua festa (cf. Jl. 14,18; Am. 9,13).
Nós sentimos dificuldade em conceber a vida cristã como um casamento. Talvez porque hoje é difícil conceber um casamento de verdade … Casamento é questão de fé e de compromisso. A alegria da união amorosa para sempre não é fruto apenas de sentimentos espontâneos. Devemos crer que nossa fidelidade a Deus e Jesus Cristo é duradoura aliança de amor, que nos proporciona felicidade mais profunda do que o mais perfeito matrimônio. E para isso precisamos nos deixar amar, gostar de que Deus goste de nós. Então faremos tudo para sermos amáveis para Deus e para os seus filhos. E isso não só individualmente, mas antes de tudo como povo, como comunidade.
Será que fazemos o necessário para que a comunidade dos fiéis seja uma noiva radiante para Cristo? Quando vivermos realmente o que Cristo nos ensina, não há dúvida que a fé e comunidade cristã serão uma alegria, um preparar-se para corresponder sempre melhor a amor que Cristo nos testemunhou. Na dedicação aos nossos irmãos encarnamos o nosso amor e afeição a Cristo, que é fiel para sempre.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Bodas em Caná
Caná, situada ao norte da Galiléia, cujo nome significa ‘adquirir’, era uma pequena cidade a pouca distância de Nazaré, onde vivia a Mãe de Jesus. Ali se realizava uma festa de casamento. Maria a Mãe de Jesus encontra-se presente, como também Jesus, que havia sido convidado para participar da festa com os seus primeiros discípulos.
Nessas ocasiões de festa era costume que as mulheres, amigas da família, se encarregassem de preparar tudo. Maria, que presta a sua ajuda, percebe o que se passa. Começou a festa e, por falta de previsão ou por um excesso de convidados, o vinho acabou. Ela sabe que Jesus é o Messias e acontece, então, um diálogo cheio de simplicidade entre a Mãe e o Filho, que o Evangelho relata. Ela não se dirige ao dono da festa, mas ao Seu Filho dizendo: “Eles não têm mais vinho”.
Mas quem são ‘eles’? Aqueles que transformaram a relação com Deus em um monte de regras, tornando-a fria e sem amor. Faltar vinho na festa significa que faltou amor no relacionamento deles com Deus, pois vinho simboliza o amor que havia sido substituído pela lei.
A expressão de Jesus ‘ainda não chegou minha hora’, quer dizer o momento da doação de Si mesmo na cruz, momento do seu Amor sem limites.
Mas, ela não se importa com a resposta e intercede pedindo aos funcionários que façam o que Ele ordenar, ou seja, a tarefa da nova humanidade é obedecer a Jesus e servir ao próximo. E o milagre acontece, a pedido de sua Mãe!
Os seis potes de pedra estavam vazios. Era a simbologia da falta de Amor na relação com Deus. Eles estão vazios e não têm mais nada para oferecer. O número seis representa os seis dias de trabalho da semana, em que povo está a serviço, além de representar também as festas judaicas do Evangelho de João que não são mais festas de vida para o povo e sim ocasião de privilégio para os governantes e dirigentes religiosos. Jesus pede que encham de água os potes, ou seja, encham de amor os dias de serviço. Encher os potes demanda esforço, pois eram muito grandes, e a água, que representa a frieza e o egoísmo humano, não se transforma dentro dos potes em vinho, símbolo da fortaleza e a caridade, mas sim, no momento em que é servido aos convidados. Não saber de onde vem o vinho é desconhecer a fonte do Amor.
A glória de Jesus é manifestada na abundância de vinho, revelando o grande Amor de Deus na Sua vida e na Sua ação. Ele não veio para dar um jeitinho e consertar a aliança dos homens com Deus, mas fazer uma nova aliança de Amor com o povo.
Esta passagem do Evangelho marca o início dos sete milagres de Jesus, pois, se revelando aos poucos como o Messias esperado, Ele apresenta seu Reino de Amor e conduz a humanidade ao encontro do Pai.
A glória de Jesus
Com o milagre em Caná da Galiléia, Jesus começou a manifestar sua glória e a despertar a fé em seus discípulos.
Para evitarmos conclusões apressadas, é mister entender bem a relação entre milagre e glória. Esta, resultante do milagre, manifestou-se no serviço prestado, de forma escondida e gratuita, a um casal em dificuldades, em plena festa de casamento. Pela bondade de Jesus, os noivos livraram-se de uma humilhação pública. Assim acontecia com aqueles, em cujas bodas, vinha a faltar vinho.
No entanto, tudo aconteceu de maneira discreta. A mãe de Jesus deu-se conta da situação. Fez chegar ao conhecimento do Filho o constrangimento por que os noivos estariam prestes a passar. Após um diálogo misterioso com sua mãe, Jesus entra em ação, dando ordem aos empregados. Só estes ficarão sabendo da origem daquele vinho delicioso, servido, por último, aos convidados.
Não consta que alguém mais ficou sabendo ter sido Jesus o autor do milagre e o tenham prestado honra por uma tal façanha.
Não foi esta a glória resultante do milagre, que o Mestre esperava. Sua glória consistiu em mostrar-se sensível e serviçal em relação ao casal em apuros.
Oração
Espírito de solidariedade e de serviço, diante das necessidades de tantos irmãos e irmãs, move-me a servi-los com generosidade, sem buscar aplausos.
padre Jaldemir Vitório
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O princípio dos "sinais" de Jesus
O capítulo 62 do profeta Isaías faz parte do que se convencionou chamar, na exegese, trito-Isaías. Escrito no período pós-exílico, o texto apresenta a cidade como esposa, depositária de uma promessa de salvação.
O evangelho de João deste domingo está situado na parte do quarto evangelho denominada "livro dos sinais". O nosso relato é, no dizer do narrador, o "princípio" dos sinais (v. 11), o que nos leva a compreender que o sinal de Caná é um evento fundador. Trata-se de uma narração simbólica: ela torna presente algo diferente do que é imediatamente dito e que lhe serve de expressão. Aqui, o símbolo é mais importante que a materialidade dos fatos. O tema geral é o cumprimento por Jesus da promessa do Antigo Testamento de abundância de vinho nos tempos messiânicos (Gn. 49,10-11; Am. 9,13-14). Jesus e seus discípulos são convidados para uma festa de casamento. A mãe de Jesus também estava lá. Falar de festa de bodas é evocar não só a Aliança passada (Noé, Abraão, Moisés), mas a nova, em Jesus, de cuja plenitude todos receberam graça no lugar de graça (cf. Jo. 1,16). A festa humana das bodas serve na tradição bíblica de metáfora para a Aliança de Deus com o seu povo (Os. 2,18-21; Ez. 16,8; Is. 62,3-5). O vinho é dom de Deus para a alegria das pessoas, e sinal de prosperidade (Sl. 104[103],15; cf. Jz. 9,13; Eclo. 31,27-28; Zc. 10,7). É por essa razão que ele será abundante nas "bodas escatológicas" (Am. 9,13; Is. 25,6). Em Caná, o vinho oferecido por Jesus é superior ao vinho servido primeiro. Graças à ação de Jesus, a Aliança atinge a perfeição. Por trás das palavras da mãe de Jesus está Israel, que confia na intervenção divina, espera e vê a promessa de salvação realizada. O termo "mulher" evoca Sião, representada na Bíblia com traços de uma mulher, de uma mãe (Is. 49,20-22; 54,1; 66,7-11; Jo. 16,21). Como em nosso relato a noiva não aparece, é a mãe de Jesus que representa Sião, cujo esposo é Deus. Em razão de sua cor, o vinho era tido como o sangue da vinha. Daí ele ter se tornado, como o sangue, símbolo da vida. "Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância", diz o Senhor (Jo. 10,10). A nós, a tarefa de distribuir este vinho da alegria e de oferecer esta vida que é dom.
Carlos Alberto Contieri, sj
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A liturgia de hoje apresenta a imagem do casamento como imagem que exprime de forma privilegiada a relação de amor que Deus (o marido) estabeleceu com o seu Povo (a esposa). A questão fundamental é, portanto, a revelação do amor de Deus.
A primeira leitura define o amor de Deus como um amor inquebrável e eterno, que continuamente renova a relação e transforma a esposa, sejam quais forem as suas falhas passadas. Nesse amor nunca desmentido, reside a alegria de Deus.
O Evangelho apresenta, no contexto de um casamento (cenário da “aliança”), um “sinal” que aponta para o essencial do “programa” de Jesus: apresentar aos homens o Pai que os ama, e que com o seu amor os convoca para a alegria e a felicidade plenas.
A segunda leitura fala dos “carismas” – dons, através dos quais continua a manifestar-se o amor de Deus. Como sinais do amor de Deus, eles destinam-se ao bem de todos; não podem servir para uso exclusivo de alguns, mas têm de ser postos ao serviço de todos com simplicidade. É essencial que na comunidade cristã se manifeste, apesar da diversidade de membros e de carismas, o amor que une o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
1ª leitura: Is. 62,1-5 - AMBIENTE
Este texto pertence a esse bloco (cap. 56-66 do Livro de Isaías) que se convencionou chamar Trito-Isaías: uma coleção de textos anônimos, redigidos em Jerusalém ao longo dos séc. VI e V a.C. (embora alguns considerem que este texto pode ser do Deutero-Isaías, pelos pontos de contacto que o poema apresenta com os capítulos 49, 51, 52 e 54 do Livro de Isaías).
Estamos em Jerusalém, na época pós-exílica. Ainda se notam em todos os cantos da cidade as marcas da destruição. Os poucos habitantes da cidade vivem em condições de extrema pobreza; perseguidos pelo fantasma da humilhação passada, acossados pelos inimigos, esperam a restauração do Templo e sonham com uma Jerusalém nova, outra vez bela e cheia de “filhos”, que viva, finalmente, em paz.
MENSAGEM
Retoma-se a conhecida apresentação da cidade como esposa de Jahwéh. A imagem do amor do marido pela esposa é uma imagem que define de forma muito feliz o imenso amor, o amor nunca desmentido de Deus pelo seu Povo.
É verdade que Jerusalém, a esposa, abandonou Jahwéh e correu atrás de outros deuses; aqui, no entanto, não se sublinha a reconciliação da esposa e do marido desavindos (como acontece noutros textos proféticos), mas as novas núpcias, o começo de algo novo. A situação antiga de Jerusalém é evocada discretamente (“abandonada”, “devastada”); mas a preocupação essencial do profeta/poeta é sublinhar o rejuvenescimento operado por Deus na esposa, a novidade inesgotável do amor de Deus que, sem se mostrar marcado pelo passado, “desposa” a cidade/noiva e passa a chamar-lhe “minha preferida”. A nota mais marcante vai para a apresentação de um Deus que não esquece o seu amor e que, apesar das falhas da esposa no passado, continua a amar… É esse amor nunca quebrado que vai rejuvenescer a relação, que vai possibilitar um novo casamento e que vai transformar a “esposa” infiel numa “coroa esplendorosa”, num “diadema real” que brilha nas mãos do rei/Deus.
Também é de sublinhar a “alegria” de Deus pelo refazer da relação: o Deus da “aliança” quer, com toda a força do seu amor, fazer caminho ao lado do seu Povo; e só está feliz quando o homem aceita esse amor que Deus quer partilhar e que enche o coração do homem de paz, de vida e de felicidade.
ATUALIZAÇÃO
• O amor de Deus pelo seu Povo é um amor que nada consegue quebrar: nem o nosso afastamento, nem o nosso egoísmo, nem as nossas recusas. Ele está sempre lá, à espera, de forma gratuita, convidando ao reencontro, ao refazer da relação; e esse amor gera vida nova, alegria, festa, felicidade em todos aqueles que são atingidos por ele. Como lidamos com um Deus cuja “alegria” é amar e cujo amor, quando é acolhido, nos renova continuamente?
• Viver em relação com o Deus-amor implica também dar testemunho, ser “profeta do amor”. Somos sinais vivos de Deus, com o amor que transparece nos nossos gestos? As nossas famílias são um reflexo do amor de Deus? As nossas comunidades anunciam ao mundo, de forma concreta, o amor que Deus tem pelos homens?
2ª leitura: 1Cor. 12,4-11 - AMBIENTE
Os capítulos 12-14 da primeira Carta de Paulo aos Coríntios constituem uma secção consagrada ao bom uso dos “carismas”. “Carisma” é uma palavra tipicamente paulina (aparece 14 vezes nas cartas de Paulo e só uma vez no resto do Novo Testamento) que, num sentido amplo, designa qualquer graça (“kharis”) ou dom concedido por Deus, independentemente do posto que a pessoa ocupa dentro da hierarquia eclesial. Num sentido mais restrito e mais técnico, passou a significar certos “dons especiais” concedidos pelo Espírito a determinadas pessoas ou grupos, em benefício da comunidade. O testemunho dos escritos neo-testamentários é que as primeiras comunidades cristãs conheciam de forma especial estes dons do Espírito. Isso também acontecia, segundo parece, em Corinto.
Apesar de se destinarem ao bem da comunidade, os “carismas” podiam ser mal usados. Por um lado, podiam conduzir a uma espécie de divinização do indivíduo que os possuía colocando-o, com frequência, em confronto com a comunidade; por outro lado, nem todos possuíam carismas extraordinários e era fácil, neste contexto, serem considerados “cristãos de segunda”. Depreende-se ainda deste texto que haveria alguma discussão acerca da importância de cada “carisma” e, portanto, da posição que cada um destes “carismáticos” devia ocupar na hierarquia comunitária.
Ora, a comunidade de Corinto estava preocupada com esta questão. Estamos diante de uma comunidade com graves problemas de conflitos e de desarmonias onde, facilmente, as experiências “carismáticas” eram sobrevalorizadas em benefício próprio. Criavam, pois, com frequência, individualismo e divisão no seio da comunidade.
É a este problema que Paulo procura responder.
MENSAGEM
Neste texto, Paulo enumera diferentes tipos de “carismas”; no entanto, deixa bem claro que, apesar da diversidade, todos eles se reportam ao mesmo Deus, ao mesmo Senhor e ao mesmo Espírito.
Mais: cada um dos crentes possui o Espírito e, portanto, de diverso modo e medida, recebe “carismas”. O que é fundamental é que esses “carismas” não sejam usados de forma egoísta, mas estejam sempre ao serviço do bem comum.
Não faz qualquer sentido, pois, discutir qual é o “carisma” mais importante. Também não faz sentido que os possuidores de “carismas” se considerem “iluminados” e se confrontem com o resto da comunidade. Faz ainda menos sentido considerar que há cristãos de primeira e cristãos de segunda… É o mesmo Deus uno e trino que a todos une; a comunidade tem de ser o espelho dessa comunidade divina, da comunidade trinitária.
ATUALIZAÇÃO
• A comunidade cristã tem de ser o reflexo da comunidade trinitária, dessa comunidade de amor que une o Pai, o Filho e o Espírito. As nossas comunidades paroquiais, as nossas comunidades religiosas são espaços de comunhão e de fraternidade, onde o amor e a solidariedade dos diversos membros refletem o amor que une o Pai, o Filho e o Espírito?
• Como cristãos, somos todos membros de um único corpo, com diversidade de funções e de ministérios. A diversidade de “dons” não pode ser um fator de divisão ou de conflito, mas de riqueza para todos. Os “dons” que Deus nos concede são sempre postos ao serviço do bem comum, ou servem para nos auto-promover, para ganharmos prestígio aos olhos dos outros?
• Como consideramos “os outros” – aqueles que têm “dons” diferentes ou, até, aqueles que se apresentam de forma discreta, sem se imporem, sem “darem nas vistas”? Eles são vistos como membros legítimos do mesmo corpo que é a comunidade, ou como cristãos de segunda, massa amorfa a que não damos muita importância?
• A consciência de que determinado dom que possuímos é fundamental na estruturação da vida comunitária pode degenerar em arrogância e em abuso de poder. É necessário ter bem presente que os “carismas” são sempre um dom gratuito de Deus, que não depende dos nossos méritos pessoais. É necessário, também, ter consciência de que o mais importante, aquilo a que devem subjugar-se os interesses pessoais é sempre o bem da comunidade.
Evangelho: Jo. 2,1-11 - AMBIENTE
Este texto pertence à “secção introdutória” do Quarto Evangelho (que vai de 1,19 a 3,36). Nessa secção, o autor apresenta um conjunto de cenas (com contínuas entradas e saídas de personagens, como se estivéssemos no palco de um teatro), destinadas a apresentar Jesus e o seu programa.
O autor declara explicitamente (cf. Jo. 2,11) que o episódio pertence à categoria dos “signos” (“semeiôn”): trata-se de ações simbólicas, de sinais indicadores, que nos convidam a procurar, para além do episódio concreto, uma realidade mais profunda para a qual aponta o fato narrado. O importante, aqui, não é que Jesus tenha transformado a água em vinho; mas é apresentar o programa de Jesus: trazer à relação entre Deus e o homem o vinho da alegria, do amor e da festa.
MENSAGEM
O episódio narrado é, pois, uma ação simbólica que aponta para algo mais importante do que o próprio fenômeno concreto descrito. Que realidade é essa?
O cenário de fundo é o de um casamento. Ora, o cenário das bodas ou do noivado é (como vimos na primeira leitura) um quadro onde se reflecte a relação de amor entre Jahwéh e o seu Povo. Dito de outra forma, estamos no contexto da “aliança” entre Israel e o seu Deus.
A essa “aliança” vem, em certa altura, a faltar o vinho. O “vinho”, elemento indispensável na “boda”, é símbolo do amor entre o esposo e a esposa (cf. Cant. 1,2;4,10;7,10;8,2. Recordar, a propósito, como Isaías compara a “aliança” com uma vinha plantada pelo Senhor, que não produziu frutos – cf. Is. 5,1-7), bem como da alegria e da festa (cf. Sir. 40,20; Qoh 10,19). Constata-se, portanto, a realidade da antiga “aliança”: tornou-se uma relação seca, sem alegria, sem amor e sem festa, que já não potencia o encontro amoroso entre Israel e o seu Deus. Esta realidade de uma “aliança” estéril e falida é representada pelas “seis talhas de pedra destinadas à purificação dos judeus”. O número seis evoca a imperfeição, o incompleto; a “pedra” evoca as tábuas de pedra da Lei do Sinai e os corações de pedra de que falava o profeta Ezequiel (cf. Ez 36,26); a referência à “purificação” evoca os ritos e exigências da antiga Lei que revelavam um Deus susceptível, zeloso, impositivo, que guarda distâncias: ora, um Deus assim pode-se temer, mas não amar… As talhas estão “vazias”, porque todo este aparato era inútil e ineficaz: não servia para aproximar o homem de Deus, mas sim para o afastar desse Deus difícil e distante.
Detenhamo-nos, agora, nas personagens apresentadas. Temos, em primeiro lugar, a “mãe”: ela “estava lá”, como se pertencesse à boda; por outro lado, é ela que se apercebe do intolerável da situação (“não têm vinho”): representa o Israel fiel, que já se tinha apercebido da realidade e que esperava que o Messias pusesse cobro à situação.
Temos, depois, o “chefe de mesa”: representa os dirigentes judeus, instalados comodamente, que não se apercebem – ou não estão interessados em entender – que a antiga “aliança” caducou.
Os “serventes” são os que colaboram com o Messias, que estão dispostos a fazer tudo “o que Ele disser” (cf. Ex. 19,8) para que a “aliança” seja revitalizada.
Temos, finalmente, Jesus: é a Ele que o Israel fiel (a “mulher”/mãe) se dirige no sentido de dar nova vida a essa “aliança” caduca; mas o Messias anuncia que é preciso deixar cair essa “aliança” onde falta o vinho do amor (“que temos nós com isso?”). A obra de Jesus não será preservar as instituições antigas, mas apresentar uma radical novidade… Isso acontecerá quando chegar a “Hora” (a “Hora” é, em João, o momento da morte na cruz, quando Jesus derramar sobre a humanidade essa lição do amor total de Deus).
O episódio das “bodas de Caná” anuncia, portanto, o programa de Jesus: trazer à relação entre Deus e os homens o vinho da alegria, do amor e da festa. Este programa – que Jesus vai cumprir paulatinamente ao longo de toda a sua vida – realizar-se-á em plenitude no momento da “Hora” – da doação total por amor.
ATUALIZAÇÃO
• Quando a relação com Deus assenta num jogo intrincado de ritos externos, de regras e de obrigações que é preciso cumprir, a religião torna-se um pesadelo insuportável que tiraniza e oprime. Ora, Jesus veio revelar-nos Deus como um Pai bondoso e terno, que fica feliz quando pode amar os seus filhos. É esse o “vinho” que Jesus veio trazer para alegrar a “aliança”: o “vinho” do amor de Deus, que produz alegria e que nos leva à festa do encontro com o Pai e com os irmãos. A nossa “religião” é isto mesmo – o encontro com o Jesus que nos dá o vinho do amor?
• O que é que os nossos olhos e os nossos lábios revelam aos outros: a alegria que brota de um coração cheio de amor, ou o medo e a tristeza que brotam de uma religião de pesadelo, de leis e de medo?
• Com qual das personagens que participam da “boda” nos identificamos: com o chefe de mesa, comodamente instalado numa religião estéril, vazia e hipócrita, com a “mulher”/mãe que pede a Jesus que resolva a situação, ou com os “serventes” que vão fazer “tudo o que Ele disser” e colaborar com Jesus no estabelecimento da nova realidade?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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Se o Evangelho de Lucas no domingo passado nos falava do Batismo de Jesus, a partir do qual o Senhor inicia a sua vida pública, neste segundo domingo do tempo comum, o Evangelho de são João apresenta-nos outro episódio que marca também o início do seu ministério. Trata-se da narração das bodas de Caná, onde resplandece, por assim dizer, o aspecto mariano deste início. Deus Pai, Deus Espírito Santo, são João Baptista tiveram um papel importante. Maria teria ficado na sombra, se o evangelista são João não nos tivesse narrado o que sucedeu nestas bodas. Não foi pouca coisa. Nelas, Cristo “deu início aos seus milagres, manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele”.
Tudo isso foi possível através de uma intervenção de Nossa Senhora. Às vezes, podemos pensar que ela teria sentido a tentação de se lamentar um pouco com a saída do Filho, mas que por virtude teria oferecido isso a Deus com paz. Mas João mostra-nos outra coisa. Ela mesma fomenta a manifestação do Filho único ao mundo. Mas não terá sido duro para ver-se privada de repente da companhia do Senhor? No entanto é precisamente aceitando com amor a ausência do Filho que ele pode tornar-se mais presente, ou melhor, presente a um nível mais profundo e decisivo.
Mas voltemos à frase já mencionada de são João, que nos mostra o que se conseguiu através da intervenção de Maria em Caná: “Jesus deu início aos seus milagres, manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele”. Pessoalmente acho que, aqui, nesta última frase tão inspirada, está explicado, de forma condensada, como Maria ajuda o Senhor a estar presente na vida de cada um de nós. “Se quiserdes ver milagres”, dizia dom Bosco, rezai a Maria. Sim, por ela, a potência transformadora de Deus irrompe nas nossas vidas com força. Quem contempla a vida do Senhor, através do rosário, por exemplo, conhecerá a glória de Cristo e as tentações “baratas” do mundo perderão poder sobre ele. E por fim, Maria leva-nos à fé, porque ela mesma a praticou, de forma extraordinária, acompanhando o filho.
Maria, de fato, se repararmos bem, está presente nos momentos mais marcantes da salvação realizada por Jesus. Por isso, talvez ela torna a salvação mais acessível para todos nós. Obviamente não pôde não estar presente no momento da Encarnação, que se realizou no seu seio, e no do nascimento do Salvador. Mas também está ao seu lado no início da vida pública em Caná, está ao pé da cruz e finalmente em Pentecostes, onde se derrama sobre a Igreja o Espírito Santo, que torna o Senhor mais plenamente presente nos corações dos apóstolos. Vemos, assim, quão ligada está Ela ao Mistério do seu Filho.
Voltemos às bodas de Caná, para descobrirmos um pouco mais o que nos pode ensinar São João sobre Jesus e Maria. A um determinado momento, falta o vinho. Poucos ou ninguém, talvez, reparou. Mas Maria está atenta e atua com discrição. Penso que isso terá sido uma constante na vida de Nossa Senhora. Amou e resolveu muitas coisas nas vidas dos homens, mas atuando na sombra.
Então, ela avisa o Filho: “não têm vinho”. Como se ela esperasse que Ele resolvesse milagrosamente a situação. Mas como podia ela esperar tal coisa, se Jesus ainda não começou os milagres? Há aqui um mistério de penetração do coração do seu Filho que não podemos compreender bem, algo que talvez só uma mãe pode entender adequadamente. O fato é que ela recebe do Filho uma aparente negativa: “Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora”. Mas, outra vez, apesar das aparências, Maria acerta. No seu lugar, muitos teriam desistido. No entanto, ela sabe que, as vezes, um “não” de Deus, pode ser, no fundo, um “sim”. Com efeito, Deus pode pôr obstáculos, para que a fé do fiel se manifeste mais plenamente. E através da fé, o seu amor. Porque, na fé, há já muito amor. Com efeito, ter fé é crer no amor de Deus, acolhendo-o no coração. Quando a vida fica escura e Deus parece estar longe, a fé tem de ultrapassar-se a si mesma, tem de crer apesar de tudo e de todos que Deus é amor. É assim que, pouco a pouco, de prova em prova, a fé se vai tornando o centro da vida e, com ela, o amor.
Cristo faz o milagre, não sem ajuda dos criados, e a festa das bodas pode continuar. Mas agora podemos perguntar-nos: “Porque quis o Evangelista relatar-nos o modo como Jesus ajudou as pessoas a beberem até à saciedade numa festa? Não haveria milagres mais significativos que esse? Além disso, é este o primeiro milagre de Jesus, não deveria de algum modo resumir tudo o que Cristo vai obrar? Não esperávamos algo mais significativo? Parece-me que não. Penso até que esse primeiro milagre resume precisamente, de forma simbólica e magistral, tudo aquilo que Cristo fez e faz por nós. E também aqui aparece a colossal importância de Maria e de sua intercessão na obra da salvação.
Estas bodas não são outra coisa que o símbolo do “matrimônio” entre Deus e a humanidade. Sim, o plano de Deus é “casar-se” com a sua criatura, unir-se intimamente a ela. Não porque Ele a necessite, mas porque Ele ama dar e por isso dá-se sem contar. Mas este plano não tem futuro, porque falta o “vinho”, ou seja, a festa deverá terminar antes do previsto, pois o homem atraiçoou o amor de Deus com o pecado.
No entanto, as coisas não ficam por aqui. O Filho eterno encarna-se para dar o “vinho” que falta, mas não dará este “vinho” a um preço barato, porque o pecado não foi uma brincadeira. Uma vez, num parque, em França, vi uma criança mal-educada lançar uma bola suja no rosto da própria mãe, visivelmente com má intenção. Aquilo, logicamente, causou-me tristeza. Há coisas sagradas. Uma delas é o amor das mães. Mas, ainda mais sagrado, é o coração de Deus infinitamente mais maternal que o de qualquer criatura. A esta luz, podemos entender um pouco melhor quanto o pecado fere Deus. Por isso, como dizíamos, o Filho não o pode reparar a qualquer preço. O preço foi a cruz, ou seja, foi tomar sobre Si mesmo todo este pecado, sofrê-lo, para que conheçamos visivelmente quanto o nosso pecado faz sofrer Deus e que os atos da nossa liberdade têm as suas consequências. O preço foi o Seu Sangue derramado por amor, que o “vinho” simboliza.
Mas também Maria sofre incrivelmente com o pecado do homem. Por isso, a sua intervenção será importantíssima, como sugere a narração das bodas de Caná. Aquela que levou Cristo aos homens, deve sofrer juntamente com Ele pelos homens. “Uma espada atravessará o teu coração”, profetiza a Maria o ancião Simeão de que nos fala o Evangelho de Lucas. Quando a beata Teresa de Calcutá ainda duvidava se devia ou não começar a cuidar os mais pobres dos pobres, Cristo lhe disse num colóquio místico: “claro ainda não dás valor às almas porque não tiveste que te afogar em dor por elas, como a minha Mãe e Eu”. É assim: se para nós, um dia, será possível aceder à festa sem fim do Céu é porque Jesus, sobretudo, mas também Maria, sofreram por nós com uma intensidade que não podemos imaginar.
Beata Teresa não recusou o convite do Senhor. Não se pode dizer não a quem tanto nos amou ao ponto de dar a vida por nós. Que este seja um doce e eficaz pensamento que acompanhe a nossa vida, um pensamento que amadureça, cresça, tome possessão do nosso coração, através da oração e dos sacramentos, ao ponto de determinar as nossas existências a atuar com generosidade. Não porque simplesmente é o nosso dever ser generoso, mas porque o amor chama-nos suavemente e insistentemente, como o fazia com a Beata Teresa. E recordemos um aspecto do episódio das bodas: explicitamente São João menciona os serventes que encheram as “talhas” com a água que depois se transformaria em vinho. E isso porque seguiram o conselho de Maria, que lhes pedia fazer tudo o que Cristo lhes havia de dizer. Todos nós somos estes serventes, chamados a ser servidores uns dos outros, com tarefas que podem talvez parecer insignificantes, mas que, ao fim ao cabo, são decisivas.
padre Antoine Coelho, LC
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