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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Comentário Prof.Fernando


Comentário Prof.Fernando(*)       2º Quaresma                                   24fevereiro2013

2ª de 4 semanas de prep.para a Páscoa                       – transfigurados em glória –

2ºDOMINGO de QUARESMA Gn 15,5-12.17-18   Sl 27   Fl 3,17-4,1   Lc 9,28b-36

o Senhor fez aliança com Abrão: Aos teus descendentes darei esta terra
Espera no Senhor e tem coragem
Ele transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso
Enquanto estava em oração, seu rosto mudou de aparência e sua roupa, brilhante. E conversava com dois homens que apareceram revestidos de glória: Moisés e Elias, sobre a morte, que Jesus iria sofrer.

O pacto da aliança de Abraão e a nova aliança
·                     Abraão e seu Deus fazem um pacto de Aliança, nos moldes da cultura da época: o soberano protege, cabendo aos súditos a fidelidade. A esperança era a realização do que mais desejavam os nômades: numerosa descendência e terras onde viver, trabalhar e obter alimento. Mais de 15 séculos depois, Paulo reafirma aos cristãos da cidade de Filipos: a Fé é confiança capaz de vencer os obstáculos na vida. Quem recebeu a a Fé, tem também a Esperança: a convicção de chegar à plenitude da vida. Já não é só expectativa de comida e moradia como nos tempos abraâmicos, mas superação de toda humilhação. A nova Aliança não se restringe a descendência e terras no Tempo do mundo. A grande promessa é um corpo ressuscitado. O que parece impossível. Ou sonho utópico. Mas essa “u-topia” (=não [existe esse] lugar) encontrará sua realização (seu “tópos”= seu lugar) em Deus. Ele, criador, pode nos dar mais do que a criação atual, nosso atual espaço-tempo.

3 amigos escolhidos para ter um flash (visão antecipada) da Glória

·                     Como acontece com todo mundo também o Mestre de Nazaré tinha vários círculos de relacionamento pois diferentes são as histórias e graus de amizade vividos. Os mais próximos eram 3 dos apóstolos – Pedro, Tiago e João foram chamados para ver o que chamamos de “Transfiguração”. Foi uma experiência mística única: ver e sentir como seria o “lugar” da glória, paz e plenitude conhecendo o próprio rosto de Deus. Percepção única, comparável ao que mestres espirituais e místicos chamam de “consolação” (recebida na oração traz uma espécie de iluminação interior, uma paz e alegria diferentes.

·                     .Ainda que inefável (vivência que não se pode ser comunicada em palavras), a Transfiguração foi relatada por 3 evangelistas. Significa que os discípulos ouviram o testemunho de Pedro, Tiago e João e a descrição do evento deve trazer as comparações trazidas pelas testemunhas. Nos relatos ela é comparada ao brilho intenso da luz. Lucas a relaciona com a paixão e morte de Jesus, repetindo em várias expressões da língua grega a “luminosidade” capaz de transformar (trans-figurar): a “forma visível” do “rosto” dele (tornou-se) “outra”, i. é., qualitativamente diferente; sua roupa – de um “branco luminoso (ou cintilante)” “brilhava como a luz”. Também os dois homens, Moisés e Elias, “apareceram em glória/esplendor”.

Na luz e na nuvem
·                     O brilho intenso da luz é usado para dar ideia da “Glória” onde Deus habita e que foi vista pelos três discípulos. Lembra-nos o recurso usado no cinema em que há muitas luzes nas cenas com seres “extraterrestres”. Os personagens “celestes” na montanha da Transfiguração estão envolvidos por uma nuvem. É o símbolo bíblico (como no êxodo e em outras passagens) da presença protetora de Deus. Pedro, Tiago e João saíram dali fortificados na Fé e na Esperança, pois não seria fácil um dia aceitar a passagem do seu mestre pela morte que era, aliás, o assunto da conversa com Moisés e Elias. Sua experiência lhes deu uma pequena “amostra” (pre-gustação, no original) do que só viria depois da paixão e morte de seu Mestre. Era como o “eterno peso de glória”, conforme as palavras de Paulo (cf. 2Cor4,17), diferenciando ”as coisas visíveis e as invisíveis”, o tempo e a eternidade. Na vida humana não é só em êxtases místicos que se experimenta profunda alegria e felicidade..Mas a Transfiguração foi para aqueles três apóstolos um momento especial: “pré-gustação” ou “amostra” do que viria depois da ressurreição de Cristo.


A propósito da renúncia do papa

·                     Quem vive pela Fé, conhece uma certa alternância entre clarões e a escuridão, entre experiências de Transfiguração e passagem por sofrimentos. Diante da histórica renúncia de Bento XVI no dia 11 de fevereiro vale a pena recordar algumas de suas reflexões que dizem respeito exatamente a essa “alternância entre luz e escuridão”. Ao difundir-se a notícia da renúncia do papa parece que todos os jornais e redes de TV do mundo combinaram apresentar as mesmas e repetitivas impressões. Ainda vemos comentários (inclusive de vozes católicas) e reações do tipo “estamos chocados” (para não dizer “escandalizados”). Poucos na mídia mundial perceberam a importância desse gesto e sua repercussão no futuro da igreja católica. Gesto feito em plena liberdade (...)  estando o papa bem ciente da gravidade de tal ato (cf. audiência geral, 13;02).

·                     Algumas frases do papa foram citadas pelo jornalista M.Coelho (Folha de SP, Ousadias de um papa,13/02), mas fora de contexto, permitindo conclusões apressadas. Se lemos os discursos completos verificamos que o contexto não é de dúvidas de fé mas de meditação sobre a fé (cf. Discurso durante Visita ao campo de concentração Auschwitz, 28/05/2006. E:  Discurso no Teatro "Scala" de Milão, 01/06/2012) :

1)            Em Auschwitz: Quantas perguntas surgem neste lugar! Sobressai sempre de novo a pergunta: Onde estava Deus naqueles dias? Por que Ele silenciou? Como pôde tolerar este excesso de destruição, este triunfo do mal? Vêm à nossa mente as palavras do Salmo 44, a lamentação de Israel que sofre (...) Nós não podemos perscrutar o segredo de Deus vemos apenas fragmentos e enganamo-nos se pretendemos eleger-nos a juízes de Deus e da história.

2)            Num concerto em Milão (01/06/2012 – relacionando palavras de Beethoven com as de Schiller e lembrando o então recente terremoto na Itália): As palavras retomadas pelo Hino à alegria, de Schiller, ressoam vazias para nós, (...). Até a hipótese de que por cima do céu estrelado deve habitar um Pai bom nos parece discutível. O Pai bom está sozinho acima do céu estrelado? A sua bondade não chega até nós aqui em baixo? Procuramos um Deus que não domina à distância, mas que entre na nossa vida e no nosso sofrimento. (...) Estamos à procura do Deus próximo. Buscamos uma fraternidade que, no meio dos sofrimentos, ampara o outro e assim o ajude a ir em frente. (...) ao Deus que se inseriu nos nossos sofrimentos e continua a fazê-lo. Ao Deus que sofre conosco e por nós, e assim tornou os homens e as mulheres capazes de compartilhar o sofrimento do próximo e de o transformar em amor.

·                     Não podemos viver permanentemente na experiência da Transfiguração. Fortificados nos momentos de luz (com ou sem os flashs místicos que, afinal, são dons que nem todos recebem) estamos certos da presença divina mesmo na travessia de trechos mais perigosos da estrada. Por isso, oração – e meditação (ou reflexão) – são indispensáveis. Isso é crer. Isso é procurar a luz mesmo se há dias e noites.

·                     Quaresma – 40 dias em preparação para a Páscoa é tempo de reflexão e mudança.

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http://homiliadominical2.blogspot.com.br  (*) Prof.(Usu-Rio) Educação, teologia e ética.

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