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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Vamos lançar as redes em águas mais profundas.


V DOMINGO DO TEMPO COMUM
Ano   C

Comentário Prof.Fernando


A CONTRIBUIÇÃO DO PADRE FERNANDO GROSS

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DOMINGO dia 10 de fevereiro
Vamos lançar as redes em águas mais profundas.
         Prezados irmãos. A liturgia deste domingo nos convida a refletir sobra a ressurreição de Cristo e a perder o medo de evangelizar em lugares distantes. Continua...
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COMO PESCADORES, SOMOS TAMBÉM OS PEIXES LANÇADOS POR DEUS NO MAR HUMANO! - Olívia Coutinho

V DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 10 de Fevereiro de 2013

Evangelho de Lc 5,1-11

O episódio da pesca milagrosa, narrado no evangelho de hoje, marcou o início da  relação entre Jesus e os seus primeiros colaboradores. Tudo começa após uma fracassada pesca, quando Jesus, depara com Pedro e seus companheiros, lavando as redes na praia, dando como encerrada as frustradas tentativas de pesca. A iniciativa deste encontro entre  homem e divino, partiu de Jesus, ao fazer da barca de Pedro, um local para sua pregação.
Ao terminar a sua pregação, Jesus disse a Pedro: “Avança para águas mais profundas e lançai vossas redes para a pesca”. Mesmo tomado pelo desanimo, Pedro, em obediência a Jesus, faz o que Ele manda, e o milagre da pesca acontece! O milagre que abriu os olhos de Pedro para uma realidade que ele mesmo não se dava conta: a sua pobreza interior! E numa confissão, ele declara não ser digno de estar com Jesus: “Afasta-te de mim Senhor, porque sou um pecador!” Esta consciência que Pedro tem, de ser um pecador, não afastou Jesus, pelo contrário, o tornou ainda mais próximo dele.
Pedro, um homem de temperamento forte, que acreditava entender tudo de pesca, até então, não havia experimentado as profundezas do mar humano! Experiência que ele fez, ao ser convocado para ser pescador de homens.  
Diante a esta convocação, Pedro se entrega a fé  e não hesitou em deixar a sua barca na praia, para buscar outro mar! É na barca de Jesus, que Pedro, avança mar adentro, levando consigo, os seus companheiros, sem medo de naufragar!
A cumplicidade dos primeiros seguidores de Jesus, no anuncio do Reino, deu início neste episódio, quando Pedro juntamente  com os demais, evidencia a divindade de Jesus!
Assim como Jesus convidou os discípulos a serem pescadores de homens, hoje, Ele nos convida a deixar as margens e a lançar as nossas redes em águas mais profundas, sem esquecermos, de que  além de  pescadores, somos também os "peixes" trazidos pela rede que Deus lançou no mar humano!
A salvação é graça de Deus, oferecida a todos!  Diante desta oferta de amor, cada um de nós, tem que tomar uma decisão que requer uma resposta de coragem, de compromisso e de fé.
A exemplo de Pedro tenhamos também a confiança na palavra de Jesus, é ela que nos indica o caminho!
Ficar as margens, pode nos parecer cômodo, afinal, não coremos risco algum, mas deixamos de experimentar a alegria de navegar na barca de Jesus! Como seus seguidores, tomemos também o remo, para ir mais além, mesmo quando não conhecemos a rota, o importante é a nossa obediência a Jesus, Ele sabe para onde nos conduzir!  
Lançar as redes em águas mais profundas do mar humano, significa abordar o outro,  querer conquistá-lo para Deus! É buscar o novo, inovar, conquistar, trazer de volta algo que se perdeu!
 A fé nos estimula  a descobrir novos horizontes, novos meios para anunciar a mensagem de Jesus, atraindo outras  pessoas para o convívio do Pai!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia
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10 de fevereiro - 5º Domingo do TC

5º DOMINGO DO TEMPO COMUM 10/02/2013
1ª Leitura Isaias 6, 1-2 a. 3-8
Salmo 137 (138) , 1 c “Na presença dos Anjos eu vos cantarei”
2ª Leitura 1 Cor 15, 1-11
Evangelho Lucas 5, 1-11
                                     “CHAMADOS PARA O DESAFIO” - Diac. José da Cruz
Não sei se os quatro primeiros discípulos, André, Pedro, Tiago e João, estavam de bom humor ao serem chamados por Jesus á margem do Lago de Genesaré, quando trabalhavam duramente limpando suas redes dos “enroscos” que havia nelas, após uma noite de pescaria fracassada. É bom lembrar que tratava-se de um trabalho profissional e não de uma pescaria de lazer, como é uma prática mais perto da nossa realidade.
A proposta de Jesus ao grupo de pescadores parecera descabida, ele pedia-lhes para que insistissem em uma tarefa, que não dera certo ao longo de uma jornada inteira de trabalho noturno, de um jeito diferente, jogando as redes onde ele fosse indicar.
Ora, que profissional aceitaria orientação de um estranho em seu trabalho? O horário era desfavorável, quem conhece o litoral sabe que os barcos pesqueiros trabalham à noite, e que de manhã é hora de contabilizar os ganhos com a descarga dos peixes na praia. A proposta vinha como um desafio e implicava em aceitar ou não a palavra de Jesus. Após terem aceitado, fizeram conforme o Senhor lhes ordenara e o resultado fora surpreendente: as redes não resistiram a quantidade de peixes apanhados, sendo necessário partilhar a tarefa com companheiros da outra barca.
Nas barcas de nossas comunidades o resultado do nosso trabalho nem sempre é o que esperamos, pois é preciso estar sempre preparados para o fracasso das “noites” em que as redes voltam vazias, com “coisas indesejadas” que somos obrigados a ‘limpar”, buscamos a santidade de uma vida em comunhão, na justiça, partilha, fraternidade, mas muitas vêzes acabamos encontrando fofocas, intrigas, divisões, coisas que estão em nossa rede embora não façam parte da vida da comunidade, não as queremos, ninguém as deseja, mas elas estão lá, exigindo um trabalho de superação que requer muita paciência e compreensão. Quem já tirou enrosco de uma linha de pesca ou de uma rede, sabe que não é tarefa das mais fáceis.
E de repente, em meio a essa tarefa somos chamados como os primeiros discípulos à “irmos mais fundo”, avançando para águas mais profundas. Será que o nosso papel na comunidade é só ficar consertando as coisas que não deram certo? Claro que não!
A missão primária da igreja não é a excessiva preocupação com si mesma, sua estrutura e seu funcionamento, mas sim em anunciar aos de fora o evangelho de Cristo. Por experiência própria e muitas vezes por puro comodismo, achamos que o trabalho proposto por Jesus não dará nenhum resultado e na maioria das vezes em que o nosso coração nos pede mais ousadia na missão, acabamos preferindo as águas sempre rasas da nossa comunidade, grupo, pastoral, movimento ou associação onde é sempre muito fácil falar de Jesus e do seu evangelho, pois todos gostam, aceitam e até aplaudem!
As pessoas vêm até nós e assim passamos o nosso tempo “pescando” no aquário, onde até causamos espanto e admiração, não pelo resultado do trabalho, mas apenas pela nossa performance e desempenho.
Não foi para isso que Jesus chamou os discípulos e nem é para isso que o Senhor nos chamou. Ser missionário é sair do nosso “mundinho” conhecido e entrar na realidade desconhecida das pessoas, lá onde elas estão e vivem, feiras livres, shopings, grandes avenidas, condomínios residenciais de alto luxo, favelas e áreas verdes, onde o medo do narcotráfico mata qualquer esperança.Em nossos hospitais, presídios, asilos etc. E se acharmos que a tarefa é muito grande para as nossas modestas possibilidades, então podemos começar pelas nossas famílias e ambiente de trabalho.
O verdadeiro missionário vai sempre além de suas expectativas, do seu conhecimento, da sua bagagem e experiência, ele sabe que sempre há o risco de um fracasso, mas arrisca-se de maneira corajosa porque é o Senhor quem determina. “...em atenção á sua palavra, vou lançar as redes”.
Quando assim  fazemos, acabamos nos surpreendendo com o resultado e rapidamente, como Pedro, descobriremos que não foram nossas aptidões, mas sim a graça de Deus que realizou a missão, dando os frutos em quantidade muito maior do que esperávamos.
E ao tomarmos conhecimento de que a graça de Deus, derramada por Jesus Cristo, move-se e age mesmo em cima de nossas fraquezas e erros, somos tomados pelo medo de nos entregarmos totalmente a Deus.
Então aí só nos resta um caminho: confiar em Jesus e vivermos somente á luz da fé, na certeza de que doravante faremos não do nosso modo, mas do modo dele, mesmo que isso signifique ir contra a nossa lógica e razão.
Essa atitude requer uma ruptura até mesmo com aquilo que nos pareça ser essencial, os primeiros discípulos abandonaram na praia as redes e o barco e seguiram a Jesus, pois é impossível edificarmos o reino de Deus do nosso modo.
Pensemos em nossa vocação e nos perguntemos em que águas andamos “pescando”. A resposta irá exigir de nós uma atitude, a partir do evangelho.
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DOMINGO Dia: 10/02/2013
Lc 5,1-11

Eles deixaram tudo e seguiram a Jesus.

Este Evangelho nos traz a cena da pesca milagrosa. O pedido de Jesus a Pedro – “Avança para águas mais profundas” – é dirigida a todos nós. Ela foi assumida pela Igreja como o nosso lema no terceiro milênio.
Pedro e os Apóstolos estavam desanimados, porque haviam trabalhado a noite inteira, e nada pescaram. Mas, obedecendo à ordem do Mestre, avançaram para o mar profundo, lançaram as redes e a pesca foi abundante. Trazendo para o nosso trabalho missionário, avançar para águas mais profundas é renovar e atualizar os nossos métodos de evangelização, pois os antigos já não estão produzindo o efeito desejado. Precisamos ter audácia. O mundo mudou e nós também precisamos mudar. Nada melhor que confiar na Palavra de Jesus e avançar para novos métodos e novos campos de atividade.
Os Apóstolos obedeceram a Jesus fazendo uma coisa quase irracional, pois qualquer pescador da região sabia que hora de pescar era à noite. No entanto, o Mestre mandou, vamos obedecer. E o resultado foi surpreendente. Também conosco pode acontecer a mesma coisa. Com a graça de Deus, mesmo cristãos sem muito preparo ou qualidades humanas, podem operar maravilhas.
Temos na História, tanto Bíblica como da Igreja, muitos exemplos nesse sentido:
Abraão obedeceu a Deus e foi na direção que Deus lhe indicara, mesmo sem saber para onde ia, e deu tudo certo, dando origem ao povo de Deus (Cf Gn 12).
São Geraldo era doente, tão doente que ninguém dava nada por ele. No entanto, fez um fantástico trabalho missionário como Irmão Redentorista.
Ser um cristão ou cristã comprometida com a transformação da sociedade exige fé e confiança. O mundo está precisando de gente assim. As pastorais das nossas paróquias e Comunidades estão precisando de gente assim. Não só, mas o magistério e a vida política está precisando urgentemente de pessoas assim.
Benditos aqueles e aquelas que, apoiados na graça divina, se lançam para o mar profundo, buscando construir, na sociedade moderna, o Reino de Deus. Todos os serviços a Deus e à pessoa humana, assumidos por amor, são vocações divinas. Destaca-se o matrimônio, que é um ideal de vida e de comunhão a dois, construindo a família.
Mas o processo de avançar para águas mais profundas precisa ser renovado cada dia. Pois o rebanho de Cristo está sendo invadido por lobos vorazes. A própria consciência dessa realidade já é um chamado de Deus. O mesmo Deus que dá o ver, dá também o julgar e o agir. Não só dá mas abençoa e acompanha.
Precisamos ir aonde o povo está, nas águas mais profundas, e não ficarmos esperando na praia, ou na margem rasa do lago.
O Documento de Aparecida, após apresentar vários desafios do nosso Continente, nos convoca a sermos “discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nossos povos tenham mais vida nele”.

Certa vez, um pai estava caminhando em uma estrada, com o seu filhinho de sete anos. E começaram a subir uma montanha. O menino se cansou de subir e começou a chorar. O pai não podia carregá-lo porque estava com as mãos cheias.
Ele teve uma idéia: Cortou uma vara tipo cabo de vassoura, limpou-a bem e entregou ao filho dizendo: “Olhe aqui um cavalinho para você montar! O garotinho aceitou o brinquedo, montou no “cavalinho” e, alegre, foi embora, subindo a montanha, até na frente do pai..
Precisamos descobrir estratégias para que o nosso trabalho missionário seja alegre e divertido. Precisamos conhecer os segredos do nosso corpo, e usá-los para o bem.
Maria Santíssima respondeu “sim” a todos os apelos que Deus lhe fez. Que ela nos ajude a fazer o mesmo.
Eles deixaram tudo e seguiram a Jesus.

Padre Queiroz
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Domingo 10.02.2013
Lucas 5,1-11
:Quanto mais mergulharmos no Evangelho, nas Escrituras, mais iremos encontrar respostas para os nossos questionamentos, para as nossas angústias - Maria Regina.
                                 A mensagem deste Evangelho nos motiva a nunca desistir e sempre tentar novamente. “Avança para águas mais profundas, e lançai as vossas redes para a pesca.” Foi ancorado nesta Palavra de Jesus que Pedro e os outros discípulos, depois de uma noite toda de pesca infrutífera, tiveram a coragem para voltar a pescar naquele dia. A Palavra se cumpriu e eles reconheceram o poder do ressuscitado. Esta mesma Palavra nos anima hoje a avançar na nossa pescaria que é a nossa luta em busca de paz, de felicidade, de vida plena. Saber que Jesus está perto e que na pesca da nossa vida Ele nos orienta, nos ilumina com o Seu Espírito é a garantia que temos para nunca perder a esperança e continuar lançando a rede do amor de Deus.
                               Mesmo que também, já tenhamos trabalhado a noite inteira e nada tenhamos conseguido pescar ou que já se tenha exaurido a nossa capacidade de pedir, de suplicar, de esperar por alguma coisa de que necessitamos, “em atenção à palavra de Jesus”, devemos prosseguir lançando as redes. Jesus nos orienta e providencia o peixe para nós, todavia, Ele necessita das nossas redes na vivência do Seu amor a fim de tomar para Ele as almas necessitadas de salvação. O homem é um ser criado por Deus com o objetivo de viver a harmonia com Ele e com o próximo e isso realmente só acontecerá quando ele se jogar nos braços do amor misericordioso de Deus.
                              Jesus também nos chama para ser pescadores de homens! As águas mais profundas são hoje, para nós, mais conhecimento, de Deus, da Sua Lei, dos Seus ensinamentos, dos Seus decretos. Quanto mais mergulharmos no Evangelho, nas Escrituras, mais nós iremos encontrar respostas para os nossos questionamentos, para as nossas angústias.
                           Que a nossa pesca seja profícua e não se restrinja tão somente ao nosso circulo de amizade. Jesus quer que sejamos pescadores no Seu reino e a rede que Ele nos dá é o Seu amor misericordioso que nos perdoa e nos motiva a também perdoar. Reflita – Com que objetivo você trabalha e luta na vida? – No final, de quem será todo o resultado do seu trabalho? Para que servirá? – Você tem usado o Amor de Deus como rede para atrair as pessoas para Ele? Conte para todos o que mudou na sua vida, qual a sua esperança e o que você tem descoberto com a Palavra de Deus.
Amém
Abraço carinhoso
- Maria Regina.
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Evangelhos Dominicais Comentados

10/fevereiro/2013 – 5o Domingo do tempo Comum

Evangelho: (Lc 5, 1-11)

O evangelho de hoje está repleto das mais diversas mensagens. Fala de obediência, de humildade e fé. Fala até de vocação religiosa e profissional.

Pedro e seus companheiros tinham trabalhado a noite inteira e não haviam pescado um peixe sequer. Se durante toda a noite, quando é mais fácil pescar, não haviam conseguido nada, já pensou, lançar as redes durante o dia? Nesse horário a possibilidade de encontrar peixes era ainda muito menor.

Imagine a cena: Jesus mandando lançar as redes e, Pedro, André, Tiago e João, entreolhando-se sem saber o que responder. Pedro tentou explicar que durante toda noite lançara a rede centenas de vezes, sem sucesso, mas que faria novamente em atenção ao pedido de Jesus.

Parece que com este evangelho, Lucas tem a pretensão de apresentar Pedro como o sucessor de Jesus. Inicia dizendo que a barca era de Pedro e que Jesus subiu nessa barca (de Pedro) para, através dela, ensinar a multidão que o procurava.

A barca de Pedro é a própria Igreja e é Pedro quem conduz a Barca. Jesus quer fazer uso dessa Igreja, para ensinar a Boa Nova para todos os povos. Ao convidar Pedro para ser pescador de homens, Jesus estava convidando a cada um de nós. Eu, você, todos que formam sua Igreja.

A pesca milagrosa de Jesus é uma demonstração do seu poder. Jesus poderia arrastar multidões para si, poderia operar milagres e mais milagres sem pedir ajuda para ninguém, poderia fazer tudo sozinho, mas não era esse o Plano de Deus.

No Plano de salvação do Pai todos nós somos chamados para executar essa tarefa. Somos chamados a evangelizar. Apresentar Jesus Cristo e o Grande Projeto de Amor é o preço para quem quer uma eternidade feliz. Que ninguém duvide disso.

Pedro não duvidou, ou melhor, duvidou, mas não desobedeceu. Apesar de sua experiência como pescador, apesar de saber que a pesca naquele local e naquela hora era algo quase que impossível, atendeu ao pedido do Mestre e jogou a rede.

O resultado foi impressionante. A pesca foi abundante e com tamanha quantidade de peixes, a ponto de romper as redes. Isso prova que a eficácia das nossas ações como apóstolos, e como pescadores de homens, não depende só do trabalho, mas sim de obediência e confiança. 

Enquanto não confiarmos plenamente na Palavra do Mestre, não vamos conseguir pescar nada. Não basta ter nível superior, não bastam anos de experiência, nem modernas tecnologias. Sozinho é impossível puxar a rede, juntos nós formamos a Barca.  O êxito da tarefa evangelizadora depende, acima de tudo, de união, de amor e de fé.

Não adianta só jogar a rede. Isso não traz nenhum resultado, além de canseira. O Mestre é quem diz, onde e quando. Nenhum radar é capaz de detectar mais "peixes" do que Jesus. Basta ficar atento, Ele sabe onde estão concentrados os grandes cardumes e sempre estará ao nosso lado, indicando o local certo. Uma pescaria abundante está reservada ao discípulo atento e obediente. 

(1013)




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É comovente: Jesus apertado pela multidão sedenta da palavra de Deus. Ao terminar sua pregação, sentado à barca de Pedro, que é imagem da Igreja, ordena a Simão Pedro e à Igreja de todos os tempos: “Avança para as águas mais profundas!” É a missão que o Senhor nos confia. Confia aos ministros sagrados e confia a todo o povo de Deus, a toda a Igreja, barca de Pedro: “Avança para as águas do mar da vida; ide pelo mundo, em cada época, em cada tempo; pregai o Evangelho!” Atualmente, frente à drescristianização do nosso mundo, esta ordem do Senhor é um desafio acima de nossas forças; e um desafio que chega a amedrontar. A resposta de Pedro deve ser também a nossa: “Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes!” Bendito Pedro, que, na palavra do Senhor, lançou as redes! Bendita a Igreja se fizer o mesmo em cada época da história humana! Benditos nós se, no meio em que vivemos, tivermos a coragem de lançar as redes da pregação do Evangelho! Observemos que aqui são de pouca valia a inteligência e astúcia nossa: “Na tua palavra lançarei as redes!” Só na tua palavra, Senhor, a pregação pode ser realmente eficaz! O Evangelho será sempre pregado na fraqueza, na pobreza, na loucura. E, no entanto, ele será sempre força, riqueza e sabedoria de Deus!
É comovente também a atitude de Simão após a pesca: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou pecador!” O Senhor é tão grande (não é Aquele que enchia a terra com a sua glória, na primeira leitura? Aquele que está envolto numa nuvem de fumaça? Aquele que faz o templo tremer?), seus desígnios nos são tão incompreensíveis... somos tão pequenos, tão estultos e frágeis diante dele: “Senhor, afasta-te de mim! Chama alguém melhor!” E, no entanto, este Senhor tão grande quer precisar exatamente de nós, pequenos, pobres, estultos, frágeis. Este Senhor tão imenso, pergunta na primeira leitura: ‘Quem enviarei? Quem irá por nós?” Que mistério tão grande! Como pode Deus querer realmente contar conosco? Como pode o Evangelho depender de verdade da nossa pregação, do nosso testemunho? E, no entanto, é assim! É realmente assim! “Não tenhas medo! De hoje em diante, tu serás pescador de homens!” Eis aqui um mistério que não compreenderemos nunca nessa vida! Creiamos, adoremos, e digamos “sim” ao Senhor que nos chama e nos envia! Envia-nos a todos nós batizados e crismados! Lavou-nos no Batismo, como purificou os lábios de Isaías, e ungiu-nos com o Espírito de força e testemunho na Crisma, para que sejamos mensageiros do seu Evangelho!
Vejamos, finalmente, a atitude de Pedro e de Tiago e João, diante do chamado do Senhor: “Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram Jesus”... Nunca mais barcas, nunca mais pescarias, nunca mais a vida de antes... “Deixaram tudo e seguiram Jesus...” É isso que é ser cristão: deixar-se a si, deixar uma vida voltada para si e dobrada sobre si mesmo, para seguir aquele que nos chamou e consagrou para a missão! Então, somos todos chamados e enviados como testemunhas do Senhor!
Mas, há ainda dois outros aspectos importantes na palavra que Deus nos dirigiu hoje. O primeiro: em que consiste o anúncio que devemos fazer ao mundo? São Paulo no-lo diz de modo maravilhoso na segunda leitura: “Transmiti-vos em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras; que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras...” Vejamos bem que o anúncio do Evangelho não é simplesmente um anúncio sentimental e vazio sobre Jesus. Não é pregar curas, não é comentar a Bíblia, não é pregar preceitos morais! Isso não seria evangelização, mas charlatanismo, embromação! A pregação do Evangelho tem um conteúdo preciso, recebido da Tradição dos Apóstolos. Estejamos atentos como São Paulo diz: “Transmiti-vos aquilo que eu mesmo tinha recebido...” Paulo não inventa; não prega a si mesmo nem por si mesmo; prega o que recebera na Igreja, prega a fé da Igreja em Jesus. Por isso mesmo, mais tarde, ele vai a Jerusalém para ver Pedro. Vai conferir sua pregação com a de Pedro (Cefas), para ver se não havia corrido em vão! (cf. Gl. 2,1-2) E pensemos que Paulo fora chamado diretamente pelo Senhor, de um modo absolutamente original e único! (cf. Gl. 1,15-23). Então, para não corrermos em vão, o Evangelho vivido e pregado por nós não pode ser outro que Jesus morto e ressuscitado por nós, nosso único Salvador e Senhor. Mas, Jesus Cristo como é crido, vivido, celebrado e testemunhado pela Igreja. E quando dizemos “Igreja”, não tenham dúvida alguma: estamos nos referindo à Igreja católica, em comunhão com o Sucessor de Pedro e com os Bispos a ele unidos!
Mas, há ainda um segundo aspecto importante: este Jesus que pregamos não é um mito, uma lenda, um sonho! Ele é a mais profunda e verdadeira realidade: o que diz São Paulo sobre o Cristo ressuscitado? “Apareceu a Cefas e, depois aos Doze. Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma só vez. Destes, a maioria ainda vive... Depois apareceu a Tiago e, depois, apareceu a mim, como a um abortivo”. É comovente o testemunho pessoal do Apóstolo! Ele viu o Senhor ressuscitado, ele é testemunha em primeira pessoa, juntamente com Pedro, em primeiro lugar, juntamente com os Doze e com toda a Igreja (os quinhentos irmãos)! O Evangelho que testemunhamos e anunciamos é uma realidade, é firme como uma rocha!
Que fiquem hoje no nosso coração estes santos e piedosos pensamentos: o Senhor nos chama e envia para a missão; nós realmente somos importantes para a pregação do Evangelho! Este Evangelho é uma Pessoa concreta: é Jesus morto e ressuscitado, nosso Deus e Salvador, tal como é crido e anunciado pela Igreja católica, dentro da legítima e contínua Tradição dos Apóstolos. Que nos resta dizer? Sejamos fiéis a tão grande e tão urgente missão que o Senhor nos confia nos tempos de hoje: “Avança para as águas mais profundas, e lançai as redes para a pesca!” Vem conosco, Senhor Jesus, porque o teu mar é tão vasto e nosso barco, tua Igreja, é tão pequena! Vem conosco e temos certeza que nossas redes não se romperão nem ficarão vazias! Na tua palavra, ensina-nos a lançar as redes!

***
Jesus aparece à margem do mar da Galileia – ou mar de Tiberíades, ou Lago de Genesaré. Trata-se daquele lago formado pelas águas do Jordão. Aí Jesus pregou e viveu a maior parte do seu ministério, aí fez seus milagres, aí contou aquelas parábolas tão bonitas, que encantam ainda hoje o nosso coração peregrino.
O Senhor está às margens desse lago e a multidão se apinha na praia para escutá-lo. Diz o Evangelho deste hoje que todos queriam “ouvir a Palavra de Deus”. É o que tanto atrai em Jesus: ele fala do Infinito, ele traz o Céu, traz Deus para este mundo cansado, para o coração humano tão sedento, tão vazio, tão ferido... Mais ainda: o nosso bendito e santo Salvador não somente traz a Palavra, mas ele próprio é essa Palavra: “No princípio era a Palavra, o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória!” (Jo 1,1.14). Pensai bem meus caros, porque ainda hoje é assim: a humanidade tem sede dessa Palavra e a Igreja somente atrairá o mundo quando anuncia esta Palavra bendita, que é Jesus. Não se trata de inventar tantos programas de pastoral, de aparecer com tantas novidades e muito menos d e se adequar aos modos e modas do mundo, mas de ser transparência viva de Jesus, de sua encantadora Pessoa e da Palavra que ele anuncia!
E o Senhor entra na barca de Pedro – recordai que no Evangelho, a barca é imagem da Igreja. É na Igreja de Pedro, na Igreja de Bento XVI que Jesus se encontra e aí, pela voz da Igreja, da Mãe católica, ele ainda hoje nos faz ouvir a sua voz, que é luz, que é doçura que inebria o nosso coração! Que cena tão comovente: a barca a uns poucos metros da praia, Jesus nela sentado ensinando, o povo sentado à margem do lago, e o vento, trazendo aos ouvidos da multidão as palavras de vida eterna, a bendita mensagem que vem do infinito para o nosso mundo sofrido e cansado...
E ao terminar, Jesus diz a Pedro – e diz a nós, a cada um e à sua inteira Igreja: “Avança para as águas mais profundas, conduz o barco para o mar alto, e lançai vossas redes para a pesca!” O mar do mundo, o mar da vida, o mar do dia-a-dia, o mar das mil dificuldades e desafios do mundo atual – eia onde o Senhor nos envia! E Pedro, cansado e desiludido, pois que passara a noite num mar que não estava para peixe, diz a Jesus o que nós deveremos sempre dizer: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Estamos cansados e desiludidos, sentimo-nos sem forças, sem motivação... Mas, porque tu mandas, na tua palavra, lançarei as redes!” Ah, queridos irmãos meus, companheiros de caminho neste mundo, companheiros na barca de Pedro, que é a Igreja, por que temos medo? Jesus é quem está na barca, Jesus é quem comanda a pesca! Não somos nós, não são as nossas f orças, não é a esperteza dos nossos planos de pastoral: é ele quem nos sustenta, é ele quem nos inspira o que dizer, é ele quem pode tocar os corações! Vamos, pois, ao alto mar desse mundo, e lancemos as redes do Evangelho! E o milagre acontece, e os peixes são tantos, que se faz necessária a ajuda dos companheiros de Pedro!
E Simão,diante da manifestação da santidade de Jesus – não é ele o Deus Santo que Isaías viu no Templo, na primeira leitura de hoje? Não é ele, Jesus, aquele a quem proclamamos a cada Domingo: “Só vós sois o Santo, só vós o Senhor, só vos o Altíssimo”? Não é ele, a quem os anjos aclamam no céu dizendo: “Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos exércitos”? Pedro prostra-se ante Jesus e confessa humildemente ser apenas um pecador, como Isaías na primeira leitura: Ai de mim! Afasta-te de mim, Senhor: sou apenas um homem impuro que vive no meio de um povo impuro! Sou apenas um pobre pecador: não sirvo para o teu santo serviço!” - eis o que deveríamos pensar, eis o que deveríamos dizer! E o mesmo Deus que tocou os lábios de Isaías e o purificou, toca o coração de Pedro – toca o meu e o teu coração – e afirma, misericordioso: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu deras pescador de homens!” Pescador não por nossos méritos, mas pela misericórdia do Senhor, como São Paulo, que hoje humildemente reconhece: “ Eu sou o menor dos apóstolos, eu nem mereço o nome de apóstolo! É pela graça de Deus que sou o que sou. Sua graça para comigo não foi estéril!” Também nós não somos nem dignos de ser cristãos; nem merecemos testemunhar e anunciar Jesus! E, no entanto, ele nos escolheu, nos chamou, ele nos enviou, a cada um de nós, seus discípulos – apesar de nossa fraqueza e de nossas mil infidelidades! Cristão, tu não és melhor que ninguém, não és pior que ninguém; mas és diferente: és de Cristo, és por ele escolhido, consagrado e enviado ao alto mar do mundo para aí testemunhares o seu santo nome!
E este testemunho, caríssimos, não pode ser outro que aquele de Paulo, da Igreja dos Apóstolos e de todos os tempos: o anúncio de Jesus tal qual é conservado e proclamado de modo íntegro pela nossa Mãe católica: “Cristo, o único Salvador, morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras” – Buda não salva, Maomé não salva, os orixás não salvam e sequer existem! Somente Cristo morto por nós é o Salvador! Ele “foi sepultado e ao terceiro dia ressuscitou, segundo as Escrituras”. Nele, caríssimos, a morte foi vencida! Ele está vivo e apareceu primeiro a Simão-Cefas, aquele mesmo que foi feito pescador de homens, aquele de quem Bento XVI é legítimo Sucessor; e apareceu aos Doze, aqueles mesmos que têm como sucessores os Bispos católicos. Apareceu a Tiago e também a mais de quinhentos irmãos, a maioria dos quais ainda vivia na época de Paulo Apóstolo. Por último apareceu a Paulo – e o próprio Apóstolo hoje dá testemunho de que viu o Senhor vivo, ressuscitado, vitorioso!
Se o Senhor está vivo, se o Senhor é aquele proclamado no Evangelho tal como conservado pela santa Igreja católica, por que ter medo?
Por que a falta de convicção?
Por que a covardia em dizer aos quatro ventos dos quatro mares que Jesus é o Senhor, único Salvador?
dom Henrique Soares da Costa
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Depois de manifestar seu programa – anunciar o ano do verdadeiro jubileu – e ser, então, rejeitado pelos seus conterrâneos, Jesus segue o seu caminho. Agora ensina da barca de Simão e o chama para ser pescador de gente.
Pescar gente não é simplesmente trazer as pessoas para o seu barco, o seu grupo, a sua instituição; é tirar as pessoas do poder da morte. As águas volumosas como o lago, o mar, eram relacionadas ao poder da morte e das forças do mal. O capítulo 21 do livro do Apocalipse, ao falar dos novos céus e nova terra, onde já não existe nem morte, nem luto, nem dor, diz: “o mar já não existe”.
1º leitura (Is. 6,1-2a.3-8)
Isaías nos conta como se sentiu chamado para ser profeta, um mensageiro de Deus. Homem do templo e homem de oração, foi certamente no templo que ele sentiu o apelo de Deus.
Se isso sucedeu, como muitos pensam, no dia da expiação, no momento em que o sumo sacerdote, levando sangue de carneiros e bodes, afastou a cortina para entrar no santuário, certamente Isaías viu a arca da aliança e os querubins que a ladeavam. Com a mente sempre voltada para Deus, foi então que seus pensamentos o conduziram a essa experiência mística.
Javé sentado entre os querubins, lá no alto, nas alturas, sublime. Bastava a orla do seu manto para encher todo o templo, como a nuvem de fumaça, outro sinal da presença de Deus, também enchia o templo. O cântico dos serafins diz que a terra toda – não só o templo – está cheia da glória de Deus. O santuário, o templo e a terra inteira estão repletos da sua glória. Javé é o Deus santo, presente em toda parte, ocupando todos os espaços.
Ver Deus e sua glória é correr grande risco, pois quem vê Deus não pode continuar vivo, como afirmam vários textos do Primeiro Testamento. Isaías acrescenta mais uma razão: tem lábios impuros e vive no meio de gente de lábios impuros. Mas um serafim, anjo do fogo, vem purificar-lhe os lábios com uma brasa tirada do altar, de onde a fumaça dos sacrifícios sobe até Deus.
Vem, em seguida, a vocação. Javé não diz que o escolheu e quer enviá-lo, apenas pergunta a quem há de enviar, quem irá por ele; Isaías, por seu turno, não manifesta qualquer resistência, acode prontamente: “Aqui estou! Envia-me!”.
2ª leitura (1Cor. 15,1-11)
Para responder a questões que preocupavam as comunidades de Corinto, Paulo explica por que saiu pregando que um crucificado é o Messias, a esperança da humanidade.
Em Corinto, um grupo de intimistas espiritualistas mais exaltados negava a ressurreição ou não dava importância a ela. Não se sabe se era por influência da filosofia grega – especialmente do platonismo, que não valorizava o corpo, considerando-o prisão da alma – ou se porque, em sua alta espiritualidade, já se achavam ressuscitados e em plena comunhão com Deus. Para uns, bastava a imortalidade da alma, o corpo era desprezível; para outros, a morte nada de novo iria trazer, pois já estavam plenamente realizados, em plena comunhão com Deus.
Seja como for, Paulo lembra a mensagem básica do cristianismo: o Messias Jesus morreu por causa dos nossos pecados, foi sepultado e ressuscitado segundo as Escrituras. Fala de fatos: morte, sepultura, ressurreição. O objetivo foi livrar a humanidade do pecado, e tudo aconteceu em conformidade com as Escrituras.
A sepultura, sem dúvida, confirma a realidade da morte, e a ressurreição significa a intervenção de Deus, que aprova e confirma Jesus como Messias e Senhor. Paulo não fala da ressurreição como um espetáculo nem como o simples devolver a vida a um cadáver. Fala da ressurreição, uma vida nova, como objeto fundamental da pregação e da fé cristã.
As aparições do Ressuscitado que Paulo enumera não são as mesmas que se encontram nos evangelhos, mas, como aquelas, servem para comprovar o fato de que, depois da morte real e verdadeira, Jesus passou a outra esfera de existência. A aparição ao próprio Paulo – terá sido por ocasião de sua conversão ou em outro momento de sua vida? – alinha-se com as outras, embora o apóstolo se considere um feto abortivo.
E é o testemunho de sua dedicação ao trabalho em favor do evangelho que vem atestar o valor de suas experiências do Ressuscitado. Seu encontro pessoal com Jesus ressuscitado trouxe-lhe a força, a graça de Deus, que o fez trabalhar muito mais do que os outros.
Evangelho (Lc 5,1-11)
Jesus começa a chamar os apóstolos. Os primeiros são pescadores. Como se trata de pescadores, Jesus os chama em meio a uma pesca.
Nos Evangelhos de Marcos e de Mateus, Jesus, passando pela beira do lago, chama os pescadores Simão e seu irmão André e também os irmãos Tiago e João, convidando-os a se tornar pescadores de gente. Esses vão começar a formar a comunidade de irmãos, a comunidade dos discípulos de Jesus.
Lucas faz diferente. Toma a tradição, também presente em Jo 21, de uma pesca miraculosa e aí mostra Jesus chamando Pedro para ser pescador de gente. Lucas constrói bem a sua história, sem deixar de lado os simbolismos. Porque a multidão o aperta de todos os lados, Jesus sobe à barca de Simão e daí instrui o povo.
Da barca de Simão Pedro, Jesus instrui as multidões. É da barca de Pedro, a Igreja, as comunidades cristãs, que a mensagem de Jesus deve chegar à humanidade toda. Poderíamos nos perguntar: para quê? Após terminar seu ensino, Jesus manda que Simão leve o barco para águas mais profundas.
Na concepção da época, as águas profundas comunicavam-se com a mansão dos mortos, debaixo da terra. Os monstros que habitariam as grandes águas e o perigo dos ventos e das tempestades reforçavam a ideia de o mar ser o mundo da morte e do mal. Pescar significava, então, tirar do poder da morte.
Aos que estavam com Pedro Jesus manda: “Lançai vossas redes para a pesca!”. Todos devem pescar. Todos devem contribuir para salvar a humanidade. Simão deixa de lado sua experiência de pescador e confia na palavra de Jesus. O resultado é a pesca farta. Não é preciso mostrar o significado de tudo isso.
Muito próprio de Lucas é o destaque dado a Pedro. É sua a barca de onde Jesus ensina, é a ele que Jesus manda levar o barco ao mais profundo, é ele quem confia na palavra de Jesus, é ele quem se prostra diante de Jesus, reconhecendo-se pecador (como Isaías na 1ª leitura), é a ele que Jesus faz pescador de gente. De André, seu irmão, nenhuma palavra. Só há pequena alusão aos outros dois irmãos, Tiago e João.
O resultado é que todos deixam os barcos – por hipótese, cheios de peixe (poderiam fazer bons negócios) – e tudo o mais para seguir Jesus. Todos serão pescadores, todos terão a missão de tirar a humanidade do reino da morte. Para isso deixam tudo, não só os peixes, que eram a sua vida até então.
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Experimentar Deus
Deus purifica e depois envia
Deus grande e belo mora numa luz inacessível. Não conseguimos chegar perto dele. Impossível vê-lo sem morrer. Entretanto, ao longo do tempo da vida, vamos tentando, no lusco-fusco da fé, fazer experiência de sua presença real, embora invisível.  Sabemos que os viram Jesus, viram o Pai, fizeram experiência de Deus. “Quem me vê, vê o Pai!” Nós vivemos no tempo pascal e contamos com a presença do Ressuscitado nos sinais da Igreja, na comunidade dos irmãos e  nos rostos dos mais abandonados da terra.
A leitura de Isaías descreve experiência da santidade de Deus. A reação de Pedro, no evangelho no Evangelho deste domingo, vai na mesma linha. Pecadores fazem  experiência do Deus bom e misericordioso.
Isaías teve sua visão no templo.  O Senhor estava sentado no trono de elevada altura.  O profeta insere este pormenor:  “ trono de elevada altura”. Há imensa distância entre o Senhor e o ser humano.  O Senhor se vê cercado de serafins, de espíritos ardentes e ardorosos. Ele é aquele que  “queima”. Os serafins exclamavam uns para os outros:  “Santo, santo, santo…”. Essa santidade maravilhosa é terrível. “Ao clamor dessas vozes, começaram a tremer as portas em seus gonzos e o templo encheu-se de fumaça”.
O profeta sente-se pequeno. Está diante de Deus e não tem santidade para tanto, não tem títulos para se apresentar ao Senhor. Lembra o filho pródigo: “Não sou digno de ser chamado teu filho” Isaías talvez até tivesse querido fugir. Sente-se perdido.  “Sou apenas um homem de lábios impuros. Mas eu vi com meus olhos o rei, o Senhor dos exércitos”.
Vem então o momento da purificação do profeta.  Um dos serafins toma uma brasa ardente e purifica os lábios do profeta. Feliz o homem de coração contrito, aquele que tem consciência dos desvios de seu coração, aquele que não se apresenta diante de Deus com títulos, como um contador de vantagens. E os pecados e delitos de Isaías foram perdoados. Agora ele podia ser enviado.
Pedro não queria lançar as redes. Tinha pescado a noite toda sem sucesso. Jesus pede que Pedro lance as redes em águas mais profundas, que confie em sua palavra, que “faça a missão” sabendo que pode contar com a força do Senhor. E os apóstolos pescam muito. Pedro toma consciência do pecado de falta de confiança no Mestre e pede perdão. “Senhor, afasta-te de mim porque sou pecador”. Recebe o perdão e o pescador pecador perdoado passará a ser pescador de homens.
Marcos assim conclui o evangelho hoje proclamado: os apóstolos “levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram Jesus”.
frei Almir Ribeiro Guimarães
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Vocação: pescadores de homens
Uma história de pesca e pregação, eis o evangelho de hoje. Fala primeiro de pregação, depois de pesca, e finalmente une os dois numa síntese um tanto inesperada. Jesus adapta-se ao cenário local. No meio dos pescadores, seu púlpito deve ser um barco de pesca, provavelmente do mais dinâmico entre os pescadores de Cafarnaum, um certo Simão. Ao terminar, Jesus lhe devolve o barco: ”Agora podes pescar” (Lc. 5,4). Pedro deve ter pensado que de pesca Jesus pouco entendia – não era tempo bom: passaram a noite sem nada apanhar. Mas a autoridade de Jesus se impõe. ”Porque tu o dizes, lançarei mais uma vez as redes”. Surpreendentemente, a pescaria deu um resultado digno de qualquer reunião de pescadores. As redes começando a rachar, tiveram de chamar outro barco para recolher a quantidade de peixes que apanharam.
A partir daí, muda o tom da narração. Simão reconhece uma presença misteriosa, luminosa. Como Isaías, ao sentir quase palpavelmente a presença de Deus no santuário (Is. 6; 1ª leitura), assim também Simão se sente invadido por um sentimento de pequenez, impureza e indignidade diante do Mistério que ele vislumbra. “Afasta-te de mim, Senhor, eu sou um homem impuro”. Não mais impuro do que qualquer outro, mas diante de Deus todo ser humano é impuro. A reação de Jesus é diferente da de Deus em Is. 6. Não manda um anjo com uma brasa para purificar Simão, mas diz, com toda a simplicidade: “Não temas”. Ora, como em Isaías, aqui também a presença de Deus se faz sentir com determinada intenção, a vocação: “A partir de agora serás pescador de homens”. E, assim como Isaías respondeu: “Eis-me aqui, envia-me”, Simão se dispõe a assumir sua vocação, abandonando seu barco e seguindo Jesus, com João e Tiago, os filhos de Zebedeu.
Podemos ver, nesta narrativa, como são entrelaçados a vocação divina e os fundamentos humanos da mesma. Isaías é homem do templo: é lá que Deus o agarra. Simão é homem da pesca; é lá que Jesus o apanha. A vocação encarna-se na situação vital de cada um, porém, o arrasta daí para o caminho que Deus projetou. Dialética dos pressupostos humanos e da irrupção divina. Utiliza primeiro a situação da gente, o barco, depois, urge abandonar esse barco para engajar-se num caminho do qual não se conhecem as surpresas. Mas, no entremeio, há um sinal: a pesca. Ao entrar no mar para lançar mais uma vez as redes, Simão não sabia o que aconteceria. A confiança em Jesus nas coisas do dia-a-dia nos prepara para assumir a vocação do desconhecido.
Também Paulo viveu uma irrupção de Deus em sua história: o Cristo glorioso, que lhe apareceu no caminho de Damasco, revolucionou sua vida. Esta é a resposta que Paulo dá aos coríntios que questionam a ressurreição de Cristo e dos mortos em geral, pois toda a sua vida está baseada na experiência de que Cristo ressuscitou (2ª leitura). Porém, não é apenas sua experiência pessoal; é a fé comum dos Apóstolos, a “tradição” que também ele recebeu: que Jesus foi morto por nossos pecados, cumprindo a Escritura (cf. Is. 52,13-53,12 etc.), e foi sepultado; que ele foi ressuscitado no terceiro dia, cumprindo as Escrituras (cf. Sl. 16[15]; Os. 6,2 etc.), e manifestado aos discípulos 15,3-5). Só depois dessa referência à fé da comunidade, Paulo invoca o testemunho de sua própria experiência, equivalente à dos outros, embora ele fosse um perseguidor da Igreja. Experiência cujo efeito está presente aos olhos dos coríntios na própria figura do apóstolo. No texto que se segue ao de hoje, Paulo afirma que toda a sua e também a nossa vida seria um lamentável absurdo, se não existisse a ressurreição – de Cristo e de todos nós. Este tema é, evidentemente, um tema à parte, mas tem em comum com o do evangelho a transformação que a vocação, ou melhor, o encontro com Cristo opera na vida de cada um. Vocação transformadora, não só da gente, mas também do mundo em que a gente vive.
A oração do dia e o salmo responsorial emolduram estes temas num clima de confiança e gratidão. A vocação não é um peso deprimente. Quem se mostra constantemente deprimido por sua vocação, mostra que ele não assumiu o que é essencial em cada vocação: a união com Deus e Jesus Cristo, na confiança filial e na alegria de lhes servir.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Pescadores de homens
A pesca milagrosa tornou-se uma espécie de parábola da missão dos discípulos. Doravante, eles seriam pescadores de seres humanos. Qual o significado desta metáfora?
Eles passariam a servir a um novo "patrão": Jesus. Ele é quem sabe onde e quando a rede deve ser lançada, e quem necessita de ser atraído para o Reino.
Apesar de sua habilidade e conhecimento do mar, esses pescadores haviam trabalhado a noite inteira, sem resultado. Só lançaram a rede, fiados na palavra de Jesus. O resultado foi espetacular! O mesmo aconteceria daí para frente.
O mar da Galiléia seria trocado pelo mar do mundo, onde se encontra a humanidade a ser "apanhada" pela rede do Reino. Esta troca comportaria uma verdadeira revolução na vida dos discípulos. Deveriam deixar a tranqüilidade da vida às margens do mar da Galiléia para enfrentar o mar encapelado do mundo, com suas tempestades e possibilidade de pesca infrutífera. Além disso, os laços afetivos de família, a profissão, os projetos pessoais e tudo o mais seriam deixados para trás. Os estreitos horizontes de sua terra natal alargar-se-iam até abarcar o mundo inteiro.
A decisão dos primeiros discípulos foi um salto no escuro. Só mesmo uma profunda confiança na pessoa de Jesus permitiu-lhes lançarem-se na aventura do serviço ao Reino.
padre Jaldemir Vitório
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Ação missionária da Igreja
O relato da pesca está construído sobre o de Mc 1,16-20, o chamado dos quatro primeiros discípulos: Simão e André, Tiago e João, filhos de Zebedeu. O relato tem por finalidade fundar a ação missionária da Igreja. A missão da Igreja está fundada numa promessa - envio do Senhor: "De agora em diante serás pescador de homens" (Lc. 5,10). Os episódios precedentes ao relato criam um ambiente adequado ao chamado de Pedro, o que implica que o chamado e a resposta não pareçam tão surpreendentes (veja, por exemplo, Lc. 4,38-39). Segundo Marcos, Jesus se dirige separadamente, e em terra, a cada uma das duplas de irmãos; para Lucas 5,10, todos foram chamados juntos, sobre o Lago, e mediante um apelo dirigido exclusivamente a Pedro. Mas Simão não está só, ainda que seja o primeiro a receber o chamado de Jesus; também outros deixam tudo para segui-lo (v. 11). Pedro somente é destinatário da promessa de ser "pescador de homens", o que prefigura o seu papel de "chefe" e responsável do grupo. Ainda que controvertida, a expressão "pescador de homens" aponta para a participação do discípulo na missão de Jesus. Pode ainda significar o engajamento do discípulo no que se refere à unidade da Igreja: reunir da dispersão o povo de Deus (peixes), ou, então, o ato de tirar o peixe da água pode simbolizar a participação dos que são chamados à tarefa de libertar as pessoas do poder do mal. O mar é, para o mundo bíblico, símbolo da morte e do mal.
Carlos Alberto Contieri,sj
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A liturgia deste domingo leva-nos a refletir sobre a nossa vocação: somos todos chamados por Deus e d’Ele recebemos uma missão para o mundo.
Na primeira leitura, encontramos a descrição plástica do chamamento de um profeta – Isaías. De uma forma simples e questionadora, apresenta-se o modelo de um homem que é sensível aos apelos de Deus e que tem a coragem de aceitar ser enviado.
No Evangelho, Lucas apresenta um grupo de discípulos que partilharam a barca com Jesus, que acolheram as propostas de Jesus, que souberam reconhecê-l’O como seu “Senhor”, que aceitaram o convite para ser “pescadores de homens” e que deixaram tudo para seguir Jesus… Neste quadro, reconhecemos o caminho que os cristãos são chamados a percorrer.
A segunda leitura propõe-nos refletir sobre a ressurreição: trata-se de uma realidade que deve dar forma à vida do discípulo e levá-lo a enfrentar sem medo as forças da injustiça e da morte. Com a sua ação libertadora – que continua a ação de Jesus e que renova os homens e o mundo – o discípulo sabe que está a dar testemunho da ressurreição de Cristo.
1ª leitura – Is. 6,1-2a.3-8 - AMBIENTE
Estamos em Jerusalém, por volta de 740/739 a.C.. Isaías tem, então, à volta de vinte anos. Enquanto está no Templo em oração, descobre que Deus o chama a ser profeta. O texto de hoje relata-nos essa descoberta e a resposta de Isaías. No entanto, este relato não deve ser visto como uma reportagem jornalística de acontecimentos, mas sim como uma apresentação teológica de uma experiência interior de vocação.
Os pormenores folclóricos – o trono alto e sublime em que o Senhor Se senta, o seu manto que enche o Templo, os “serafins” com seis asas que voam sem cessar à volta e que cobrem a face e os pés, o oscilar das portas nos seus gonzos, o fumo – são elementos simbólicos com que o profeta desenha a grandeza, a onipotência e a magnificência de Deus. É essa a perspectiva que o profeta tem do Deus que o chamou.
MENSAGEM
Nesta catequese sobre a experiência de vocação, encontramos vários passos. Vamos resumi-los brevemente.
Em primeiro lugar (vs. 1-5), Isaías deixa claro que a sua vocação é obra de Jahwéh, o Deus majestoso e santo, infinitamente acima do mundo e distante da realidade pecadora em que os homens vivem mergulhados. Os elementos literários típicos das teofanias (o temor, a voz forte, o fumo) definem o quadro típico das manifestações de Deus no Antigo Testamento: foi esse Deus que se manifestou a Isaías e que o convocou para o seu serviço.
Em segundo lugar (vs. 6-7), temos a objeção e a purificação. A objeção do profeta é um elemento típico dos relatos de vocação (cf. Ex. 3,11, no chamamento de Moisés). Manifesta o sentimento de um homem que, chamado por Deus a uma missão, tem consciência dos seus limites e da sua indignidade, ou prefere continuar no seu cantinho cómodo, sem se comprometer. A “purificação” sugere que a indignidade e a limitação não são impeditivos para a missão: a eleição divina dá ao profeta autoridade, apesar dos seus limites bem humanos.
Em terceiro lugar, temos a aceitação da missão pelo profeta. Convém, a propósito, notar o seguinte: Isaías oferece-se sem saber ainda qual a missão que lhe vai ser confiada; manifesta, dessa forma, a sua disponibilidade absoluta para o serviço de Deus.
Temos, aqui, descrito o caminho da verdadeira vocação.
ATUALIZAÇÃO
• Cada um de nós tem a sua história de vocação: de muitas formas Deus entra na nossa vida, desafia-nos para a missão, pede uma resposta positiva à sua proposta. Temos consciência de que Deus nos chama – às vezes de formas bem banais? Estamos atentos aos sinais que Ele semeia na nossa vida e através dos quais Ele nos diz, dia a dia, o que quer de nós?
• A missão que Deus propõe está, frequentemente, associada a dificuldades, a sofrimentos, a conflitos, a confrontos… Por isso, é um caminho de cruz que, às vezes, procuramos evitar. Será que eu consigo vencer o comodismo e a preguiça que me impedem de concretizar a missão?
• É preciso ter consciência, também, que as minhas limitações e indignidades muito humanas não podem servir de desculpa para realizar a missão que Deus quer confiar-me: se Ele me pede um serviço, dar-me-á a força para superar os meus limites e para cumprir o que Ele me pede.
• Isaías aceita o envio, ainda antes de saber, em concreto, qual é a missão. É o exemplo de quem arrisca tudo e se dispõe, de forma absoluta, para o serviço de Deus. No entanto, é difícil arriscar tudo, sem cálculos nem garantias: é o pôr em causa os nossos projetos e esquemas para confiar apenas em Deus, de forma que Ele possa fazer de nós o que quiser. Qual a minha atitude em relação a isto?
2ª leitura: 1Cor. 15,1-11 - AMBIENTE
A chegada do cristianismo ao mundo grego provocou um choque de mentalidades e de perspectivas culturais. Isso ficou bem evidente na dificuldade dos coríntios em aceitar a ressurreição dos mortos.
A ressurreição dos mortos era relativamente bem aceite no judaísmo, habituado a ver o homem na sua unidade; mas constituía um problema sério para a mentalidade grega. Porquê? Porque a cultura grega, fortemente influenciada por filosofias dualistas (como a filosofia de Platão, por esta altura na moda) que viam no corpo uma realidade negativa e na alma uma realidade ideal e nobre, recusava-se a aceitar a ressurreição do homem integral. Como poderia o corpo – essa realidade material, carnal, sensual, que aprisionava a alma e a impedia de subir ao mundo ideal, na opinião dos filósofos gregos – seguir a alma?
É a esta questão posta pelos Coríntios que Paulo vai responder neste texto.
MENSAGEM
A argumentação de Paulo é simples e contundente: nós, cristãos, ressuscitaremos um dia, porque Cristo já ressuscitou.
O texto começa com a evocação de uma fórmula da catequese primitiva sobre esta questão. Paulo não está a inventar: está a transmitir com absoluta fidelidade a catequese que recebeu.
A fórmula paulina, que é ao mesmo tempo reflexo e modelo da primitiva pregação cristã acerca da ressurreição, estrutura-se em três tempos: afirmação do fato (morte/ressurreição), testemunho da Sagrada Escritura, comprovação experimental do mesmo (sepultura/aparições). A comprovação do fato resulta dos outros dois elementos.
No que diz respeito ao testemunho das escrituras, Paulo não cita diretamente nenhum texto da Sagrada Escritura em favor da sua tese; mas podemos pensar que Paulo está a referir-se a Is. 53,8-12 (o quarto poema do Servo de Jahwéh) e a Os 6,2. No que diz respeito às testemunhas da ressurreição de Jesus, Paulo cita seis manifestações de Jesus ressuscitado: a Pedro, aos Doze, a mais de quinhentos irmãos, a Tiago, aos outros apóstolos e, finalmente, ao próprio Paulo.
Notemos que os apóstolos (Paulo incluído) não testemunharam o momento da ressurreição, mas a experiência de um Jesus que continuou vivo depois da morte. O ressuscitado fez-se presente na vida destes homens e, como tal, converteu-se em objeto de pregação e de fé. Portanto, ao falar da ressurreição de Jesus, não estamos a falar de um “fato histórico”, entendendo por “fato histórico” aquele de que qualquer pessoa pode relatar os pormenores. A ressurreição de Cristo é um fato real, mas ao mesmo tempo sobrenatural e meta-histórico, algo que ultrapassa completamente as categorias humanas de espaço e de tempo, a fim de entrar na órbita da fé. É algo que a ciência histórica não pode demonstrar, porque corresponde a uma experiência de fé. O que, historicamente, podemos comprovar, é a incrível transformação dos discípulos que, de homens cheios de medo, de frustração e de cobardia, se converteram em arautos destemidos de Jesus, vivo e ressuscitado.
Além do mais, a ressurreição é um facto que ocorreu, mas que continua a ocorrer; continua a ter a eficácia primitiva, continua a ser capaz de converter em homens novos, a quantos aceitam Jesus pela fé. A comunidade cristã é convidada a fazer esta descoberta, a partir das Escrituras, do Espírito e da própria vida nova que continuamente vai nascendo nos cristãos.
ATUALIZAÇÃO
• Será um dado adquirido, para qualquer cristão, a ressurreição de Jesus. No entanto, essa ressurreição é, para nós, uma verdade abstrata que afirmamos no credo, ou algo vivo e dinâmico, que todos os dias continua a acontecer na nossa vida e na nossa história, gerando vida nova, libertação, amor, numa contínua manifestação de Primavera para nós e para o mundo?
• A ressurreição de Cristo garante-nos que não há morte para quem aceita fazer da sua vida uma luta pela justiça, pela verdade, pelo projecto de Deus. Temos consciência disso? A certeza da ressurreição encoraja-nos a lutar, sem a paralisia que vem do medo, por um mundo mais justo, mais fraterno, mais humano?
Evangelho: Lc. 5,1-11 – AMBIENTE
Estamos na Galileia, no início do ministério de Jesus. Há algum tempo, Ele apresentou o seu programa na sinagoga de Nazaré como anúncio da Boa Nova aos pobres e proposição da libertação para os prisioneiros… Agora, começam a notar-se os primeiros resultados da actividade de Jesus: à sua volta começa a formar-se o grupo dos que foram sensíveis a essa proposta de salvação e seguiram Jesus.
MENSAGEM
O texto que nos é proposto como Evangelho é uma catequese que procura apresentar as coordenadas fundamentais da identidade cristã: o que é ser cristão? Como se segue Jesus? O que é que implica seguir Jesus?
Ser cristão é, em primeiro lugar, estar com Jesus “no mesmo barco” (v. 3). É desse barco (a comunidade cristã), que a Palavra de Jesus se dirige ao mundo, propondo a todos a libertação (“pôs-Se a ensinar, da barca, a multidão”).
Ser cristão é, em segundo lugar, escutar a proposta de Jesus, fazer o que Ele diz, cumprir as suas indicações, lançar as redes ao mar (vs. 4-5). Às vezes, as propostas de Jesus podem parecer ilógicas, incoerentes, ridículas (e quantas vezes o parecem, face aos esquemas e valores do mundo…); mas é preciso confiar incondicionalmente, entregar-se nas mãos d’Ele e cumprir à risca as suas indicações (“porque Tu o dizes, lançarei as redes” – v. 5).
Ser cristão é, em terceiro lugar, reconhecer Jesus como “o Senhor” (v. 8): é o que faz Pedro, ao perceber como a proposta de Jesus gera vida e fecundidade para todos. O título “Senhor” (em grego, “kyrios”) é o título que a comunidade cristã primitiva dá a Jesus ressuscitado, reconhecendo n’Ele o “Senhor” que preside ao mundo e à história.
Ser cristão é, em quarto lugar, aceitar a missão que Jesus propõe: ser pescador de homens (vers. 10). Para entendermos o verdadeiro significado da expressão, temos de recordar o que significava o “mar” no ideário judaico: era o lugar dos monstros, onde residiam os espíritos e as forças demoníacas que procuravam roubar a vida e a felicidade do homem. Dizer que os seus discípulos vão ser “pescadores de homens” significa que a missão do cristão é continuar a obra libertadora de Jesus em favor do homem, procurando libertar o homem de tudo aquilo que lhe rouba a vida e a felicidade. Trata-se de salvar o homem de morrer afogado no mar da opressão, do egoísmo, do sofrimento, do medo – as forças demoníacas que impedem a felicidade do homem.
Ser cristão é, finalmente, deixar tudo e seguir Jesus (v. 11). Esta alusão ao desprendimento do discípulo é típica de Lucas (cf. Lc. 5,28;12,33;18,22): Lucas expressa, desta forma, que a generosidade e o dom total devem ser sinais distintivos das comunidades e dos crentes que seguem Jesus.
Uma palavra, ainda, para o papel proeminente que Pedro aqui desempenha: a comunidade lucana é uma comunidade estruturada, que reconhece em Pedro o “porta-voz” de todos e o principal animador dessa comunidade de Jesus que navega nos mares da história.
ATUALIZAÇÃO
• A reflexão deste texto deve pôr em paralelo o “caminho cristão”, tal como Lucas o descreve aqui, com esse caminho – às vezes não tão cristão como isso – que vamos percorrendo todos os dias. Considerar as seguintes questões:
• O nosso caminho é feito no barco de Jesus, ou, às vezes, embarcamos noutros projetos onde Jesus não está e fazemos deles o objetivo da nossa vida? Por outro lado, deixamos que Jesus viaje conosco ou, às vezes, obrigamo-l’O a desembarcar e continuamos viagem sem Ele?
• Ao longo da viagem, somos sensíveis às palavras e propostas de Jesus? As suas indicações são para nós sinais obrigatórios a seguir, ou fazem mais sentido para nós os valores e a lógica do mundo?
• Reconhecemos, de fato, que Jesus é o “Senhor” que preside à nossa história e à nossa vida? Ele é o centro à volta do qual constituímos a nossa existência, ou deixamos que outros “senhores” nos manipulem e dominem?
• Chamados a ser “pescadores de homens”, temos por missão combater o mal, a injustiça, o egoísmo, a miséria, tudo o que impede os homens nossos irmãos de viver com dignidade e de ser felizes. É essa a nossa luta? Sentimos que continuamos, dessa forma, o projeto libertador de Jesus?
• A nossa entrega é total, ou parcial e calculada? Deixamos tudo na praia para seguir Jesus, porque o seu projeto se tornou a prioridade da nossa vida?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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A pesca milagrosa e o chamado dos primeiros discípulos
“Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc. 5,1-11).
Em nossa última reflexão (03) a catequese de Jesus teve como cenário a Sinagoga (igreja) de Nazaré onde Ele passou pela experiência de ser rejeitado (discriminado) pela sua própria comunidade (Lc. 4,21-30). O texto do Evangelho de hoje (Lc 5,1-11) relata que Jesus se encontra na margem do lago de Genesaré e uma grande multidão se aproxima para ouvir a sua pregação. Simão Pedro e seus companheiros (sócios) haviam trabalhado a noite toda e nada tinham pescado. Terminada a pregação Jesus disse a Pedro: “Avancem para águas mais profundas e lançai vossas redes”. Simão Pedro que era pescador de profissão sabia que ali não tinha peixe, más em nome de Jesus voltou a lançar as redes e o milagre aconteceu. Longe de ser aquele líder impulsivo Pedro põe fé na palavra de Jesus que dá ordens de avançar para águas mais profundas. Vejamos: Trazendo esta passagem bíblica para a realidade de nossa comunidade, como é tentador para nós ficarmos seguros nas águas rasas que não apresentam perigo. Na condição de evangelizadores, lideranças de pastorais e movimentos, precisamos enfrentar as águas mais profundas da vida com incertezas e inseguranças que isso acarreta. Se acomodar nas calmarias é trair a nossa vocação. A missão exige que nos lancemos para águas mais profundas para colher frutos em abundancia. No texto de hoje o evangelista para valorizar a metáfora “pescadores de homens” situa o chamado dos primeiros discípulos após uma pescaria milagrosa para ensinar que o seguimento de Jesus no apostolado pressupõe uma conversão. Pedro atirou-se aos pés de Jesus e disse: “Senhor afasta-te de mim, sou um homem pecador”! A catequese de Jesus cria um ambiente favorável e Ele dirige o convite a Pedro: “Venha, não tenhas medo, de hoje em diante tú serás pescador de homens”. É interessante observar a forma com que Jesus começa a constituir o grupo. É diferente daquela utilizada pelas lideranças judaicas. Aqui não são os discípulos que pedem para fazer parte do grupo, é Jesus que vai convidando e o seu chamado é irresistível. Pedro e seu irmão André largaram tudo e o seguiram; Tiago e João deixaram a barca e o pai Zebedeu e também se mandaram atrás de Jesus. Outro detalhe é que Jesus não chama nem sábios e nem ricos, e sim humildes pescadores. Sabemos que Deus capacita os escolhidos. Hoje Jesus chama a cada um de nós para sermos discípulos-missionários. Queremos rezar hoje pelas lideranças que responderam ao chamado de forma positiva sendo luz e esperança para a comunidade. Lembre-se: Você é um presente de Deus para a comunidade.
Pedro Scherer
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Um comentário:

  1. Maravilhoso estudo sobre missões e evangelismo, parabéns ""

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