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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 13 de março de 2013

Comentário Prof.Fernando


Comentário Prof.Fernando(*) 5ºDom.prep.p/PÁSCOA                     17março2013
 – julgar e punir –

Is 43,16-21    Sl 126    Fl 3,8-14    Jo 8,1-11.
Não relembreis coisas passadas não olheis os fatos antigos. Farei coisas novas: já estão surgindo, não as conheceis? Abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca.
semearam entre lágrimas - voltarão cantando de alegria a pós ceifar o que plantaram
Por causa dele perdi tudo, considerei lixo em comparação com a justiça pela fé (=conhecer a Cristo, experimentar a força de sua ressurreição). Corro para alcançar o prêmio e esqueço o que fica para trás, lançado para o que está adiante.
trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. “Moisés na Lei mandou apedrejar...” De vós quem não tiver pecado seja o primeiro a jogar a pedra. Foram saindo um a um. “Mulher, ninguém te condenou? Eu também não. Vai e, daqui para a frente, não peques mais.

Escolher é saber olhar
*                  Ainda que preocupada com o bom comportamento moral, muita religiosidade, (individual, institucional ou coletiva) reproduz o mal. Se fosse possível uma “definição” de Deus talvez chegaríamos perto ao dizer “Deus é bom” (cf Lc 18,19: só Deus é bom). Nos domingos da Quaresma há sempre um contraste entre dois “tempos”: um, diz respeito à experiência do Bem, outro pertence ao mundo das ilusões, da maldade, ou da morte.
*                  Nas Tentações (1domingo) o Mestre de Nazaré resiste à ilusão do poder messiânico em favor do Bem (ou do Bom, que é Deus). No 2º.dom. Transfiguração marca o terreno da experiência da oração, diversa de um quotidiano onde Deus está oculto. No 3º.domingo lemos a parábola da paciência. A figueira recebe o cuidado do agriculto: ele sabe o que é bom para “cultivar” o ser humano. No 4º.dom. contemplamos o abraço do pai no “filho pródigo” que “estava morto e voltou à vida”.
*                  As palavras de Isaías, do salmista, de Paulo e do próprio Jesus, pedem um olhar diferente. Isaías, anunciando aos exilados a libertação pede para esquecer as coisas passadas. O salmo é um hino à alegria da colheita – já passou o tempo das lágrimas. Aos filipenses Paulo declara preferir o “prêmio” a todo o resto – que ele chama de “lixo”.
*                      Hoje, 5ª semana antes da Páscoa, as leituras mostram outra oposição: entre um modo de julgar e condenar e o perdão ou amor (cf. Jo12,47: porque não vim para condenar o mundo, mas para salvá-lo). Os donos da Lei invocam a letra da Lei, mas o Espírito (a fonte última de inspiração é também do “espírito” da Lei – oposto à “letra” da Lei). Com eles não está a bondade do Espírito. O livro do Deuteronômio (base para a armadilha na qual pretendem que Jesus caia) tem uma longa e complicada história até sua composição final. Também no tempo de Jesus era visto como o livro das palavras de Moisés destinadas a uma espécie de “regulamentação” da Lei. É com base nessa lei que os inimigos do Mestre querem a morte da adúltera,

A lei e a Justiça
*                  Em sua malícia, escribas e fariseus não trouxeram para a morte o parceiro da adúltera. Pela letra da lei (Dt22,22 e Lv20,10) ambos deveriam ser executados e não apenas a mulher. O julgamento dos homens (no sentido de “humanos’ e no sentido de gênero masculino...) serve à violência – sempre usada contra os mais frágeis. Naquele tempo também a Mulher era inferiorizada (mais do que nas sociedades modernas, que ainda precisam de lutar contra as discriminações praticadas – por leis religiosas ou civis).
*                  Um olhar diferente diante da Adúltera não foi apenas de Jesus, que não veio “abolir mas aperfeiçoar a Lei”. Tiago, no tempo da consolidação do cristianismo (cf.carta de Tiago 2,11) escreve: Aquele que disse “não cometerás adultério” também disse “não matarás”. Ora, se não cometeres adultério, mas se matares, tu te tornas transgressor da lei. Também antes de Cristo os profetas (particularmente Oséias, que tinha uma esposa infiel) falam do amor conjugal como metáfora para expressar a relação do Deus Jahwé com o povo de Israel. Oséias (cf.cap4) chega a considerar o adultério um crime menor diante da infidelidade da fé (=deixar o único Deus para adorar ídolos) e diante do fato de terem sido os homens que obrigaram as mulheres à traição: não castigarei vossas filhas quando se prostituem, nem vossas noras quando adulteram: foram os próprios homens etc. – Os4,14).

A lei pode ser um freio mas tudo vem do Coração
*                  A violência contra a mulher continua hoje em muitos lugares, neste país e no mundo. Todos temos contribuído para o ódio, se em nossos corações houver raízes para o mal. Com facilidade somos juízes e decidimos quem é mocinho quem é bandido: em nossas famílias, ventre vizinhos e colegas de trabalho, diante de personalidades públicas, etc. Nas cidades e no planeta todo, é claro que ninguém pode ser ingênuo, nem pode desconhecer os males que nos envolvem. Devemos estar vigilantes. Temos obrigação de avaliar o mundo em que vivemos e usar de bom discernimento. No entanto,  isso não é o mesmo que ser como “escribas e fariseus”. Eles se julgavam melhores do que os outros.
*                  A adúltera do cap.8 de João não é o “elogio do adultério”. O Mestre de Nazaré impediu com sua autoridade moral o crime que ia ser cometido em nome da “moral e dos costumes”, ou melhor, em nome da religião. O episódio nos serve de sinal de alerta: não basta apenas a existência da lei; não adianta usar o rigor da lei. Como ele repetia: do interior do coração dos homens procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos (Mc 7,21), de onde também nasce o adultério. Alguém adulterou em seu coração, disse ele, quando dominado em seu interior por intenção desumana (cf. Mt 5,28)

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http://homiliadominical2.blogspot.com.br     (*) Prof.(Usu-Rio) Educação, teologia e ética. fesomor2@gmail.com

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