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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 20 de março de 2013

Comentário Prof.Fernando


Comentário Prof.Fernando(*) Domingo de RAMOS e PAIXÃOdoSENHOR        24março2013
– o Inocente condenado –

RESUMOS ● Is 50,4-7 ● Ofereci as costas para baterem, não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7Mas o Senhor é meu Auxiliador: meu ânimo não se abateu, não sairei humilhado.
● Sl 22 Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
● Fl 2,6-11 esvaziou-se a si mesmo - na condição escravo tornou-se igual aos homens; humilhou-se a si mesmo, obediente até a morte (e na cruz!). Por isso, Deus o exaltou acima de tudo.
● Lc 22,14-23,56 Não encontro neste homem nenhum crime
- Vós me trouxestes este homem como se fosse um agitador. Não encontrei nele nenhum crime
- Pilatos falou pela 3ª.vez:Que mal fez este homem? Não encontrei nele nenhum crime que mereça a morte. 

A entrada triunfal : um trono diferente para um Rei diferente
O relato dos 3 evangelhos chamados Sinóticos (João tem um roteiro diferente) seguem o esquema geral de uma grande viagem de Jesus, da Galiléia para Jerusalém. Nessa “subida” até a capital, vai crescendo a expectativa dos discípulos e das multidões que acompanham os milagres e a libertação de muitas opressões e demônios. Esperam que, ao final dessa “campanha” Jesus livre Israel do demônio maior que é o império romano dominador. Há séculos o contexto histórico e religioso fomentava naquele povo o messianismo do retorno de um reino de Davi. Afinal esse pequeno reino conheceu alguma estabilidade sob Salomão para, depois, viver sempre sob dominação estrangeira, esperando o novo Ungido (=messias), aquele que iria restaurar a independência. Dá-nos idéia dessa expectativa o chamado “sebastianismo” em Portugal entre 1578 a 1640: o reino perde sua autonomia depois da morte de D.Sebastião, mas espera-se o seu retorno. No tempo de Cristo temos um bom exemplo dessa expectativa na conversa dos Discípulos de Emaús (Lc 24,21).
·                     A chegada de Jesus à capital – tema litúrgico do último domingo da quaresma, ou domingo de ramos e início da Semana Santa – é acompanhada por uma certa multidão que o seguia. Ela distingue-se de muitos outros grupos de peregrinos que vieram a Jerusalém para a festa anual da Páscoa. O grupo de Jesus de Nazaré faz uma “entrada triunfal” como era costume no mundo antigo ao se ovacionar o vencedor da guerra ou ao conduzir ao trono um novo rei. Discípulos e multidão que ali está o Messias esperado. Usam aclamações rituais do salmo 118. “Hosana” (verso 25 é “dá salvação, salve”, os nossos: “vivas” ou “longa vida ao rei”). O verso 26 canta “Bendito o que vem”. Levam ramos, folhas de palmeira (v.27).
·                     Entretanto, o trono desse rei diferente será a cruz, instrumento romano de tortura e abominação. Logo não será mais aclamado, mas processado por um tribunal nacional (Sinédrio) e pelo estrangeiro (Pilatos). Em vez de odiados, os romanos viram “aliados”...

A entrega do Inocente
·                     Isaías tem 4 cânticos ao “servidor de Jahwé”, o perseguido que tudo suporta, confiando que Deus mais tarde o livrará da humilhação. O N.Testamento, após a experiência da ressurreição, interpreta “o Servo” de Isaías como referência a Jesus, espancado e torturado, finalmente libertado por Deus da humilhação, pois foi “exaltado” (Filipenses). Esse é o imenso mistério que celebramos na Semana Santa, hoje iniciada. É o Mistério da Páscoa. A festa judaica da libertação do Egito em cuja Ceia ritual Jesus se reúne com seus amigos foi o cenário de seu Testamento. Ali ele se entregou como alimento no pão e no vinho, gesto que antecipa a entrega de sua vida antes que a venham tirar, por inveja, os chefes do povo.
·                     A Páscoa judaica comemorava a passagem de Deus prometida a Moisés na sarça ardente. Ele vem libertar seu povo e o resgata do castigo trazido pelo seu Anjo (mensageiro) que traz morte aos opressores e poupa as casas marcadas pelo sangue do cordeiro. O cordeiro era preparado numa ceia ritual antes do êxodo.
·                     A Páscoa do Filho de Deus tem início na Encarnação quando ele passou da condição divina (o ser igual a Deus: v.Filipenses, leitura do dia) até chegar ao mais fundo e angustiado do ser humano. Como um homem qualquer, e apesar de ser o único totalmente inocente na história humana, será igualado a criminosos, assassinado por inveja, transfixado numa cruz que era então o instrumento de tortura mais terrível de seu tempo.
·                     Paulo indicou essa passagem (que aqui estamos chamando de primeira) com a expressão: “Esvaziou-se, i.é., tornou-se oco e desvalorizado”. Resultado desse “auto-exílio” divino: passou pelas mesmas situações, tentações e limitações humanas, culminando na passagem pela morte. Mas sua páscoa foi também retomar sua vida – um acontecimento mais extraordinário do que todas as maravilhas da Criação e da Vida em suas múltiplas formas.
·                     Esse “retomar vida” é por nós celebrado em solenidades separadas, com os nomes de Ressurreição e de Ascensão, como confessamos no Credo. Foi “crucificado, morto e sepultado: desceu às regiões mais profundas e ao terceiro dia levantou-se (=subiu, elevou-se, ressuscitou) e “subiu aos céus”. Esse verdadeiro Homem, o Homem completo e perfeito, um novo Adão inaugurando nova história e nova criação é o que venceu a morte (“ressuscitou” e “subiu”) tomando seu lugar “à direita do Pai” numa “Plenitude” que abrange o divino, o humano e toda a matéria (Col1,19 diz: nele fez habitar toda a Plenitude, ou o “Pleroma”; em 2,9: nele habita corporalmente toda o Pleroma da divindade). Em Ef 1,4-5: fomos escolhidos para sermos santos em sua presença no amor, isto é, numa filiação divina porque “filhos adotivos em Jesus Cristo”. Comparemos ainda outros textos, tais como Colossenses3,1; 2,9; 3,4; 1aCoriíntios15,20; Romanos 8,17 e 19-22; Colossenses1,20; 2aPedro,3,13).

O inocente se entrega (a paixão segundo Lucas)
·                     No relato da Paixão segundo Lucas encontramos aspectos próprios deste evangelista. 1) “fazei isto em memória de mim” (ceia 22,19), indicando não só que os discípulos renovem o rito mas a “entrega”, ou doação da vida por amor. 2) a discussão sobre quem é o maior no contexto da ceia leva ao exemplo daquele “que serve” (22,24-27). 3) no horto a angústia de Jesus o leva a “suar sangue” e Deus não o abandona enviando o anjo para confortar Jesus nesse momento de sua fragilidade (22, 42-44). 4) como aparece sempre em Lucas, a bondade de Deus continua transparecendo nos gestos de Jesus: ao ser preso é Pedro quem fere mas é Jesus que cura o guarda ferido (22,51). Na cruz dirá: Pai perdoai-lhes porque não sabem o que fazem.cura 23,34). E ao criminoso, companheiro de cruz: Hoje mesmo estarás comigo no paraíso (23,43). 5) sobre o Cireneu o evangelista dá um sinal do que significa ser discípulo: aquele que leva a cruz atrás de Jesus (23,26); tema do “seguimento”: 9,23 e 14,27.

A “entrega”
·                     Judas entrega Jesus com um beijo. Pilatos, depois de insistir 3 vezes que não encontrou no réu nenhum crime, entrega Jesus à morte desejada pelos chefes do povo.
·                     Mas a verdadeira entrega foi feita livremente por Jesus ainda na Ceia às vésperas da prisão: este meu corpo é entregue por vós. Em João10,17-18 Jesus dizia explicitamente: o  Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a retomar. Tal é a ordem que recebi de meu Pai.

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http://homiliadominical2.blogspot.com.br                     (*) Prof.(Usu-Rio) Educação, teologia e ética. fesomor2@gmail.com

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