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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 2 de março de 2013

CONVERTEI-VOS!-III DOMINGO DA QUARESMA


III DOMINGO DA QUARESMA

DOMINGO DIA 03 DE MARÇO

Comentário Prof.Fernando


CONVERTEI-VOS!


            Prezados irmãos. Jesus hoje nos chama a conversão. "Se não vos converterdes, irão morrer."  Todos vamos morrer um dia. Mais Jesus está se referindo à morte espiritual a morte da alma. A morte que nos impede de vivermos eternamente na glória eterna.  Tomemos pois muito cuidado...  ...Continua

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Na Via-sacra da vida, Deus espera que produzamos bons frutos!
Reflexão para o III Dom. da Quaresma. Ano C

A Quaresma é tempo Via-sacra, e, na Via-sacra de Cristo descobrimos a Via-sacra nossa de cada dia. Toda a nossa vida é uma intensa Via-sacra, pois é um constante peregrinar nas estradas deste mundo rumo a Cristo. Neste caminhar descobrimos que assim como Cristo, temos também a nossa cruz, por vezes até pesada demais para carregar!
A Quaresma é um grande retiro popular marcado por práticas penitenciais que têm por objetivo não simplesmente mortificar o corpo, mas nos aproximar dos irmãos através da caridade e de Deus, por isso a oração. É tempo de voltar os corações para Deus. Tempo de conversão.
Todos os exercícios de piedade e de oração deste tempo têm como objetivo livrar-nos do pecado. A quaresma é então, um tempo favorável para deixar o pecado e voltar para Deus. Nada é mais prejudicial ao homem que o pecado. O pecado escraviza, humilha, destrói e mata.
A PARÁBOLA DA FIGUEIRA (LC. 13,6-9) é um apelo à conversão. O grande pecado desta árvore não foi o de ter feito algo de ruim, mas o de não ter feito nada de bom. Alguns podem dizer: eu sou uma pessoa boa, não prejudico ninguém, de vez em quando até vou a uma celebração, uma missa, rezo em casa, etc. Deus espera mais de nós!
A figueira do evangelho levava esta vida, era até uma arvore bonita, mas não produzia figos-frutos. Era estéril. Muitas vezes nos tornamos estéreis dentro da própria comunidade. Deus procura em nós os frutos de nossa fé e não os encontra!
Somos todos figueiras na Vinha do Senhor, e assim como aquele que planta espera que sua plantação frutifique, Deus espera de nós frutos de bondade, de mansidão, de compromisso, de amor! Não estamos no mundo por acaso, todos temos uma missão.  Mas será que estamos cumprindo nossa missão neste mundo? Estamos produzindo os frutos que Deus espera que produzamos?
Como pai de família, dona de casa, jovem, padre, estou cumprindo minha missão? A parábola nos apresenta a conversão em uma perspectiva pouco conhecida. Converter-se não é simplesmente focar o pecado, converter-se é focar o bem que devemos realizar.
A Primeira Leitura (Ex 3,1-8.13-15) apresenta a cena de Moisés diante da Sarça Ardente. É uma imagem bonita para falar da vocação de Moisés no mundo. Ardia o coração de Deus diante do sofrimento do povo. Deus não fica de braços cruzados olhando o sofrimento de seus filhos, Ele se interessa por cada ser humano. Se interessa por ti, por teus filhos, por teus amigos, por tua família e vem libertar, mas para que isso aconteça, Ele precisa de pessoas de carne e osso para auxiliá-lo no projeto de libertação do ser humano.
Junto com o coração de Deus, ardia o coração de Moisés diante da escravidão a que estava submetido o povo hebreu. Esta narração mostra-nos o interior do coração de Moisés, Moisés possuía grande sensibilidade e senso de justiça. Ele se revoltou com a injustiça praticada pelo Faraó em relação ao povo judeu e deixou vir à tona uma grande compaixão em favor do oprimido.
É de homens como Moisés que Deus precisa para agir no mundo. Deus deu uma missão especial a Moisés e a tantos outros homens e mulheres ao longo da história. Olhemos nossos santos: São Francisco, João Batista, Irmã Dulce, Antonio Conselheiro, e tantos outros.
Em suas orações Moisés percebeu que Deus precisava dele. Deixou-se tocar pelo Senhor e descobriu que deveria deixar sua vidinha acomodada de pastorear rebanhos, de estar com a família e com os amigos, para se colocar a serviço de Deus e a serviço do povo. Sabia que Deus estaria sempre com ele e jamais o abandonaria nesta empreitada.
Deus contou com Moisés e CONTA CONOSCO! O mundo precisa de pessoas que lutem pelos mais fracos, que denunciem as injustiças, que sejam profetas, que dêem bons frutos.
A Parábola nos lembra que Deus é paciente para com aqueles que ainda não produzem. Antes de arrancar a figueira, ele cava, aduba, rega! Mas não podemos contar sempre com a paciência de Deus, um dia ele vai nos pedir contas não somente do mal que fizemos, mas também do bem que deixamos de fazer.
O grande apelo de conversão que Deus nos faz hoje é para sairmos do comodismo e a irmos em defesa dos milhões de crucificados do nosso tempo. Não sejamos estéreis, produzamos muitos e bons frutos. Deus está dando-nos um tempo, aproveitemos então esta quaresma para colocar a mão na massa!

Padre Erivaldo Gomes de Almeida!

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03 de março - 3º Domingo da quaresma

III DOMINGO DA QUARESMA 03/03/2013
1ª Leitura Êxodo 3, 1-8.13-15
Salmo 102 (103), 8 a “O Senhor é Bom e Misericordioso”
2ª Leitura 1Cor 10, 1-6.10-12
Evangelho Lucas 13, 1-9
                                             “O JULGAMENTO É CERTO!” - Diac.  José da Cruz
Nesta vida tudo é discutível e negociável à exceção da morte, que irá nos acontecer mais cedo ou mais tarde, sendo que a morte nos trará o juízo de Deus. É uma verdade que não gostamos nem de pensar e que na quaresma somos convidados pela palavra de Deus a pensarmos naquele primeiro momento, em que estaremos diante de Deus, após a morte.
Sabemos que haverá um julgamento e isso significa que Deus espera algo de cada um de nós e poderíamos até afirmar que temos uma meta a ser alcançada, uma missão a ser cumprida e nesse caso, a primeira coisa a ser feita é estarmos disponíveis para Deus, mesmo que não nos julguemos capazes para tanto, como aconteceu com Moisés, conforme a primeira leitura desse domingo.
Mas essa disponibilidade deve sempre vir acompanhada de uma total confiança em Deus, alimentando em nós a esperança e a certeza de que ele caminha conosco, mesmo que às vezes a estrada seja íngreme como um deserto, e a esse respeito, o apóstolo Paulo lembra-nos, que quando falta esta confiança inabalável no Senhor que nos conduz, poderemos estar caminhando para a morte e não para a vida.
A nossa Fé deverá ser inabalável, mesmo que algo dê errado, pois como simples mortais, estamos sujeitos as imprevisibilidades desta vida que são aqueles acontecimentos que não esperamos, e que podem nos atingir ou a alguém do nosso relacionamento, como aqueles galileus, que se envolveram em um conflito com os soldados de Pilatos no templo de Jerusalém e foram brutalmente assassinados, ou como aquele grupo de trabalhadores que morreram tragicamente na queda de uma torre que estava sendo construída.
Não é Deus que provoca esses acontecimentos, para punir e castigar os pecadores, como podem pensar algumas correntes religiosas, o massacre dos galileus foi um ato de violência contra a vida, a mando de Pilatos, e a queda da torre, pelo menos naquele tempo, não foi nenhum atentado terrorista, mas um acidente de trabalho, aliás, que também merece uma reflexão, pois os acidentes de trabalho acontecem por causa de alguma falha humana ou alguma condição insegura. Porém, Deus consente estes fatos porque respeita a liberdade humana, mas a partir da tragédia, nos ensina alguma verdade que serve para a nossa edificação.
Sobre tudo o que ocorre no mundo de hoje, guerras, conflitos, chacinas, execuções, crimes hediondos até contra crianças, falamos e ouvimos muitos discursos inflamados, desde o simples cidadão até as altas celebridades que nos grandes meios de comunicação promovem debates acirrados, ao lado de uma imprensa sensacionalista onde indignados jornalistas gritam palavras de ordem, dando-se a impressão de que, por conta disso, grandes mudanças irão ocorrer. Mas ao final, tudo continua como antes até que aconteça a próxima tragédia, para sacudir a opinião pública.
Jesus não entra nessa onda, não declarou guerra contra Pilatos, que era o que muitas lideranças queriam, e nem arquitetou alguma severa punição para aplicar aos responsáveis pela queda da torre. De investigação e denúncias, o povo já está saturado, porque no final da história, os culpados sempre ficam impunes.
Jesus aproveita o fato para nos alertar sobre a urgência da nossa conversão, que se inicia quando mudamos a nossa mentalidade em relação a Deus, ele não é aquele que abençoa dando saúde e bens materiais a quem lhe obedece, e que faz cair a desgraça na cabeça de quem não o aceita, pois se fosse assim, não ocorreriam tragédias na vida de um cristão.
Ele quer que concentremos nossa atenção no presente, percebendo a cada minuto á sua vontade a nosso respeito, fazendo o reino acontecer a partir de pequenos gestos de amor e de solidariedade em nosso quotidiano, porque se deixarmos esta vida passar em branco, sem nos darmos conta de que temos uma missão a cumprir, frutificando segundo a palavra e a graça de Deus, iremos nos surpreender ao final, porque seremos semelhantes a uma árvore seca e improdutiva justo na hora da colheita.
Nesta vida Deus nos fertiliza todos os dias com a sua graça e a sua santa palavra dando-nos todas as condições para produzirmos bons frutos. Só depende de nós! E não precisa dizer o que vai acontecer com a árvore seca, que não dá nenhum fruto....
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Domingo.03.03.2012
Lucas13,1-9
: O dono da vinha é Deus Pai, o vinhateiro é Jesus- Maria Regina.
                                      Nós cultivamos, erroneamente, a ideia que nos leva a acreditar serem todas as coisas ruins que nos acontecem, um castigo de Deus. Jesus, porém, nos ensina que “as desgraças nem sempre são castigos”, mas servem para nos despertar sobre a brevidade da nossa vida aqui na terra e, assim, nos impulsionar a uma mudança de mentalidade. Às vezes, somos como essa figueira, árvore que dá figo e que foi plantada no meio de uma vinha, que produz uva. Tomamos espaço no terreno, bebemos da mesma seiva, somos cultivados pelo mesmo agricultor, no entanto, nós mesmos , não melhoramos em nada e a nossa produção é inútil.
                                      Continuamos com a mentalidade do homem velho, levando uma vida medíocre, trabalhando para nos satisfazer e não damos os frutos desejados. Continuamos com as práticas dos que estão fora do terreno que é adubado pelo Senhor, e as nossas ações, na realidade são um contra testemunho. Temos boa aparência, física, intelectual, sucesso, mas ficamos por aí. No entanto, o Senhor deseja encontrar em nós não apenas folhagem, isto é, aparência, mas testemunho de conversão, de busca de santidade e de vivência do amor. O vinhateiro, no caso, apelou para a misericórdia do dono da vinha e pediu mais uma oportunidade para a figueira.
                                O dono da vinha é Deus Pai, o vinhateiro é Jesus, e a vinha são todos os que Lhe são entregues para serem apresentados ao Pai. Diante do Pai, Jesus advoga por nós e pede misericórdia. No entanto, aqui na terra, nós também podemos ser como Jesus, esse vinhateiro que é colocado  em alguma função de trabalhador da messe. Assim como o pai ou uma mãe de família, um coordenador ou coordenadora de uma comunidade, grupo de oração, ministério, em fim, aquele ou aquela que está cuidando do povo de Deus, fazendo-o em nome de Jesus. A esses ou a essas, o Senhor dá a incumbência de “cavar em volta da figueira, colocar adubo” para que esta possa crescer e dar frutos que alimentam. A nossa conversão é uma coisa urgente na nossa caminhada, mas também, é um processo que se arrasta até o final da nossa vida, quando o dono da vinha vier nos encontrar.
                            Mas, como não sabemos quanto tempo Ele demorará, tenhamos pressa, tanto em adubar as figueiras que nos forem entregues, como também nos deixarmos “adubar” pelo nosso vinhateiro que é Jesus Cristo. Não teremos receio das “desgraças” se nos conservarmos dentro das graças do Pai, sendo cuidados pelo Seu Filho Jesus e conduzidos pelo Seu Espírito Santo. Reflita – Você também considera que as coisas ruins que lhe acontecem são castigo de Deus? – Ou você entende que possam ser um recado de Deus para que você se converta? – Você faz parte da vinha ou é como essa figueira que ocupa espaço e não dá fruto?- Mesmo sendo diferente dos outros, você acha que tem condições de melhorar?- Quem você considera como seu  vinhateiro  aqui na terra?
Amém
Abraço carinhoso
- Maria Regina
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DEIXEMO-NOS SER CUIDADOS PELO AGRICULTOR MAIOR! – Olívia Coutinho

III DOMINGO DA QUARESMA

Dia 03 de Março de 2013

Evangelho de Lc 13,1-9

Estamos no terceiro domingo da Quaresma!  Neste tempo litúrgico, somos convidados a olhar para Jesus e a permanecer à seus pés, na escuta atenta de suas palavras, como fez Maria de Betânia, irmã de Lázaro!
Em todos os ensinamentos de Jesus, há sempre um apelo de conversão e no tempo da Quaresma, estes apelos se intensificam ainda mais, é o amor de Jesus, querendo falar mais forte ao nosso coração, assegurando-nos que o Pai não desiste de nós!
Jesus não quer que nenhum de nós se perca, por isto, a todo instante, Ele nos chama a conversão, trata-se de uma conversão sincera, que nos leve ao arrependimento e ao perdão, uma conversão diária, afinal, são muitos inimigos do projeto de Deus, tentando nos tirar do caminho.
A conversão, ou seja, uma mudança de vida, exige de nós, um exercício constante, pois recomeçar uma vida nova, requer um contante voltar atrás, um reencontro com os valores que desprezamos, uma reparação dos erros que cometemos, do mal que causamos a tantas pessoas, que ficaram machucadas, feridas pelas nossas atitudes não cristãs.
Estamos nos preparando para vivermos de maneira intensa o momento mais importante do ano litúrgico: !A PÁSCOA DO SENHOR JESUS! É imprescindível  que tenhamos uma boa preparação, para  chegarmos a este grande momento  com o Espírito renovado! Portanto, não percamos  tempo, o momento nos convida a viver melhor, a sermos  mais santos, mais atentos aos clamores dos irmãos e mais abertos a graça de Deus!
O Evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, chega até a nós, como um convite a uma transformação radical de vida, a uma mudança de mentalidade, que deve nos levar a colocar os valores do evangelho como ponto central do nosso existir.
O texto é composto por duas partes, na primeira parte, vemos Jesus recebendo a notícia da morte trágica de alguns galileus, mortos a mando de Pilatos. As pessoas que lhe deram esta notícia, esperavam que Jesus  tivesse algo a dizer sobre tal atrocidade, mas Jesus, não se ocupa com aqueles que haviam partido deste mundo e sim com aqueles que estavam ali presentes, afinal, esses,  tinha a oportunidade de terem uma sorte melhor do que a má sorte dos galileus mortos, ou seja: a chance de conversão, de não terem a vida eterna ceifada pelo pecado, bastava-lhes uma conversão de vida.  
Para facilitar ainda mais a compreensão do que Ele  queria  transmitir, Jesus acrescenta outro fato que aconteceu com dezoito homens que  foram mortos em Jerusalém, na queda da torre de Siloé. Tanto no primeiro  fato, como no segundo,  Jesus  adverte a  todos, sobre a necessidade da  conversão. É também seu desejo, tirar de nós, a ideia  de que as  tragédias, sejam castigo de  Deus. Jesus quer  abolir essa idéia erronia, herdada  do antigo testamento, mostrando ao povo de ontem e de hoje,  que  Deus só sabe  amar, que Ele ama  bons e maus, com a mesma intensidade! Deus não escolhe quem deve sofrer ou não, as tragédias, são de responsabilidades humanas e não castigo de Deus.
Na segunda parte do evangelho, Jesus conta a parábola da figueira, que nos fala da paciência de Deus para com cada um de nós, como podemos perceber,  é mais um apelo de   conversão!
 Todos nós precisamos de conversão. À figueira, foi dada uma nova chance e a nós, inúmeras chances,  portanto, não temos tempo a perder, a nossa chance  é agora, agarremo-la, pode ser, que não haja mais tempo para uma outra chance!
Deixemo-nos ser cuidados   pelo agricultor maior, sem medo do sofrimento  das podas, afinal, Deus nos plantou aqui na terra, para produzir frutos  e não  para ficarmos inúteis.
O caminho de Jesus é o caminho do amor, para Ele não há justificativa para o mal se fomos criados por amor e para o amor.

FIQUE NA PAZ DE JESUS - Olívia

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Evangelhos Dominicais Comentados

03/março/2013 – 3o Domingo da Quaresma

Evangelho: (Lc 13, 1-9)


Naquele momento apareceram alguns que contaram a Jesus sobre os galileus que Pilatos matou, misturando o seu sangue com o dos sacrifícios que ofereciam. Jesus lhes disse: “Pensais que estes galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa? Digo-vos que não. E se não vos converterdes, todos morrereis do mesmo modo. Ou aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, pensais que eram mais culpados do que todos os outros que moram em Jerusalém? Digo-vos que não. E se não vos converterdes, todos vós morrereis do mesmo modo”. Contou-lhes ainda esta parábola: “Um homem tinha uma figueira plantada em seu sítio. Veio procurar figos dessa figueira, e não achou. Disse então ao agricultor: ‘Já faz três anos que venho procurando figos desta figueira, e não acho; corta-a! Para que ocupa ainda inutilmente a terra?’ Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa-a ainda por este ano, para que eu cave ao redor e ponha adubo. Talvez ela dê fruto; se não der, mandarás cortá-la depois’”.

COMENTÁRIO

Mais uma vez nos encontramos para meditarmos juntos a Boa Nova da Salvação. Estamos no Terceiro Domingo da Quaresma e, espero que você não esteja triste. É comum sentirmos tristeza e melancolia nesta época. Parece que a quaresma foi inventada para trazer à tona tristes recordações.

Na verdade, a quaresma é o contrário do que imaginamos. O período de quaresma é extremamente forte e marcante na vida do cristão. A quaresma não tem a menor pretensão de fazer-nos baixar a cabeça e chorar pelos cantos, a morte de Jesus.

Assim como os momentos alegres, as coisas tristes também acontecem. De forma alternada vivemos momentos bons e ruins em nossas vidas. Não existe um período pré-determinado para tristeza e outro para alegria.

No entanto, se tivéssemos que definir qual desses sentimentos deve predominar na quaresma, poderíamos dizer que é a alegria. O coração tem que estar feliz. Ninguém prepara uma grande festa com o coração fechado e triste. Os preparativos para uma festa nos fazem transpirar alegria.

A quaresma deve fazer-nos crescer. É também tempo de penitência, porém a penitência que Jesus se refere não pode ser triste e vazia. Os gestos concretos são os requisitos necessários para preparar dignamente a maior festa do cristianismo: a paixão, morte e, acima de tudo a Ressurreição de Jesus.

Esse é o grande motivo da nossa alegria, Cristo ressuscitou! É nessa verdade que se baseia a nossa fé. Jesus está vivo e nos deixou a certeza da vida eterna. Com Ele e como Ele, também nós poderemos reviver. A Glória Eterna está reservada para quem produzir frutos.

"Se vocês não mudarem de vida e de atitudes, serão tratados do mesmo modo. Se não fizerem penitência, morrerão de modo semelhante". Sem rodeios, sem meias palavras, Jesus deixou bem claro que o futuro depende do modo como vivemos o presente.

Essas Palavras de Jesus são um convite à conversão. Jesus fala da figueira que não produzia frutos e que, durante três anos, nada fez para justificar sua importância. Aparentemente era desnecessária e só servia para ocupar espaço. Um fim muito triste estava a sua espera.

O dono do pomar mandou cortá-la. Seria derrubada e, provavelmente, lançada ao fogo, não fosse a intercessão do agricultor. Importante notar que o agricultor não se limitou a pedir clemência, ele apontou a solução e fez o que era preciso para torná-la produtiva. Cavou e adubou, na esperança de mantê-la viva. Esse agricultor mostrou como deve ser o verdadeiro evangelizador. O seu empenho trouxe salvação para a figueira.

Quantas figueiras nós encontramos em nosso dia-a-dia, improdutivas e predestinadas ao corte. Bastaria cavar ao seu redor e adubar, bastaria regar com a Água Viva para que tudo mudasse. Quaresma é tempo de arar e preparar o terreno. Tempo de cuidar dessa planta que também somos nós e os irmãos!

Quaresma é um período de graça e renovação, é a nova oportunidade para mudarmos os hábitos, mudarmos de vida, crescermos e produzirmos os frutos que o Pai espera poder colher.
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DOMINGO 03/03
Lc 13,1-9

Vou colocar adubo na figueira. Pode ser que ela dê fruto.
Este Evangelho narra que contaram a Jesus um fato trágico: Houve dentro do Templo um motim de judeus vindos da Galiléia. A guarda romana entrou na área reservada somente aos judeus, e matou violentamente a todos.
Os que deram a notícia a Jesus esperavam dele uma solidariedade aos judeus mortos, e um repúdio à profanação do lugar sagrado.
Mas Jesus chama a atenção para algo mais importante: Esse judeus eram violentos, iguais aos soldados que os mataram. Neste momento de comoção nacional, Deus chama todos à conversão, pois é dessa que depende a vida mais importante, a eterna.
O povo judeu era pequeno e fraco; não havia nenhuma saída diante do poder opressor, a não ser a fé, que depende do perdão sem limites.
Muita gente interpreta as catástrofes – enchente, incêndio, acidente... – como castigos de Deus. E se é a própria pessoa que é vítima, ela se pergunta: Que pecado eu fiz para merecer isso?
Essa mentalidade descarta a vida futura, e pensa que Deus deve castigar os maus e premiar os justos aqui na terra. E nem nos lembramos que Jesus era justo e sofreu a vida inteira. Maria Santíssima e os demais santos também.
Deus Pai não é como nós; ele “faz brilhar o sol sobre maus e bons, e cair a chuva sobre justos e injustos” (Mt 5,45). Deus nos adverte através de sinais; mas nem sempre converte os pecadores, enviando-lhes desgraças.
Às vezes um favor de Deus é para nós motivo de conversão: como Deus é bom para mim, apesar de eu ser tão ingrato a ele! Foi isso que aconteceu com Zaqueu (Lc 19,1). Na verdade, só há um castigo de Deus: perdê-lo para sempre.
É comum encontrarmos no Antigo Testamento Deus castigando o povo com desgraças. Isso porque eles não tinham clareza sobre a vida futura, sua fé ainda era imperfeita. Temos, entretanto, o exemplo de Jô, um servo de Deus que sofreu a vida inteira.
“Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros? Eu vos digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo.” As catástrofes são sinais de Deus a nós, não para julgarmos as vítimas, mas para “por a nossa barba de molho”. Através delas Deus nos convida à conversão.
E Jesus cita outra catástrofe, que também era comentada pelo povo: O prédio (torre) que caiu em Jerusalém, matando dezoito pessoas. E repete o alerta: “Se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”.
Vamos aproveitar as notícias de catástrofes para a nossa conversão, pois nós também podemos ser vítimas e, de uma hora para outra, morrermos.
Na parábola da figueira, Jesus deixa claro que a nossa conversão se mostra pelos frutos, isto é, pelas nossas boas obras. Não adianta ser uma figueira bonita, se não dá fruto. O mundo está cheio de pessoas de ótima aparência, mas pouco fruto.
Boas obras, nós sabemos: é não falar mal dos outros, falar só a verdade, ser justo, perdoar, amar o próximo, ajudar os necessitados...
“O machado já está posto à raiz das árvores. Toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada ao fogo” (Mt 3,10).
“Vou colocar adubo na figueira. Pode ser que ela dê fruto.” Foi o pedido do vinhateiro, quando o dono queria cortar a figueira. Que bom se nós fôssemos como este vinhateiro, fazendo alguma coisa pelas pessoas que estão no caminho errado, ou perdem tempo sem fazer boas obras! “Os que tiverem ensinado a muitos o caminho da virtude, brilharão como as estrelas, por toda a eternidade” (Dn 12,3).

Certa vez, um homem resolveu separar-se da esposa e disse a ela: “Vou separar-me de você. Você pode separar tudo o que é importante para você nesta casa, que eu fico com o resto”.
Ela respondeu: “Sim, mas antes vamos fazer uma festinha. Assim as crianças se divertem, dormem e depois nós faremos a divisão”.
Então prepararam um churrasco, e convidaram os amigos. Como ele estava tenso, acabou bebendo um pouco exagerado e, quando as visitas foram embora, ele dormiu.
Enquanto ele dormia profundamente, a esposa, com a ajuda dos amigos, tirou todas as coisas do quarto do casal, menos a cama dos dois, em que ele estava dormindo, colocou no quarto as crianças, e dormiu ao lado dele.
Quando, no outro dia cedo, ele acordou, perguntou assustado o que havia acontecido. Ela disse: “Você não me pediu para separar o que é mais importante para mim? Já separei. Para mim, o mais importante é o que está aqui: você e os nossos filhos”.
Como o vinhateiro da parábola, essa senhora ainda acreditava na sobrevivência da família; por isso quis ainda “colocar um pouco de adubo” na tentativa de salvá-la.
Maria Santíssima era uma boa árvore, que produziu para nós o melhor fruto do mundo: Jesus, nosso Salvador. Santa Mãe de Deus, rogai por nós!
Vou colocar adubo na figueira. Pode ser que ela dê fruto.

Padre Queiroz
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O tempo da Quaresma recorda muitas vezes o tempo da travessia do deserto por parte de Israel: tempo de peregrinação, de provação e de purificação. O livro do Deuteronômio recorda isto com palavras muito fortes: “Lembra-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te fez percorrer durante quarenta anos no deserto, a fim de humilhar-te, tentar-te e conhecer o que tinhas no coração. Portanto, reconhece hoje no teu coração que o Senhor teu Deus te educava, como um homem educa seu filho” (Dt. 8,2.5). No deserto, portanto, Deus usou as provas pelas quais Israel passou, para revelar ao seu povo aquilo que estava escondido no seu próprio coração, isto é, seu pecado, sua fraqueza, sua infidelidade. Mas, também no deserto, Deus cercou seu povo de carinho e proteção, alimentou-o com o maná e saciou-o com a água do rochedo, guiou-o pela nuvem luminosa de noite e protetora contra o sol de dia... Tempo de noivado e de amor entre Deus e o seu povo, foi o tempo do deserto! Por isso, pensar nessa travessia pelo deserto serve tanto para a nossa preparação para a Páscoa.
Mas, vejamos. Como começou o caminho de Israel deserto a dentro? Começou com a “descida” de Deus para juntinho do seu povo que gemia debaixo de humilhante escravidão: “Eu vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor por causa da dureza de seus opressores. Sim, conheço os seus sofrimentos. Desci para libertá-lo e fazê-los sair...” Que coisa impressionante: um Deus tão grande, tão santo, o Deus de Israel e, no entanto, é capaz de ver a aflição, ouvir o clamor, conhecer o sofrimento do seu povo, que era ninguém, que não passava de um punhado de escravos! “Eu desci para libertá-lo!” Nosso Deus é um Deus que desce, que vem para junto do pobre que se encontra no monturo! Nosso Deus é um Deus que liberta e salva! E quando Moisés pergunta pelo seu nome, Deus revela-o de dois modos: primeiro apresenta-se como o “o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó” – isto é, o Deus fiel, o Deus que não esqueceu seus amigos do passado, Abraão, Isaac e Jacó e agora vem em socorro de seus descendentes. Depois, Deus revela o seu nome: “Eu sou aquele que será”. Segundo bons exegetas, assim deve-se traduzir o nome de Deus. Isto é, Deus não revela o seu nome a Moisés! Seu “nome”, na verdade, é um desafio, um convite; quer dizer: “Eu sou o que tu verás quando eu agir! Tu verás quem eu sou à medida que caminhares comigo! Eu sou o que estará sempre contigo!” – O Deus que foi fiel a Abraão, a Isaac e a Jacó é confiável, pode-se apostar a vida nele: Moisés e o povo de Israel haverão de ver! E viram, em tantos momentos da travessia do deserto. Na segunda leitura, São Paulo recorda vários destes acontecimentos: a nuvem e o mar (imagens do Espírito e da água do Batismo), o maná (imagem da Eucaristia), a água que brotou da rocha (imagem do Cristo, de cujo lado traspassado brotou o Espírito). Deus fora todo carinho, todo proteção, todo compaixão e paciência... E, no entanto, Israel tantas vezes duvidou, revoltou-se, murmurou, foi de cerviz dura e infiel!
São Paulo nos previne: “Esses fatos aconteceram para servir de exemplo para nós, a fim de que não desejemos coisas más, como fizeram aqueles no deserto. Não murmureis, como alguns deles murmuraram... Portanto, quem está de pé tome cuidado para não cair”. Nós somos o povo de Deus da Nova Aliança. Como Israel, atravessamos um longo deserto rumo à Terra Prometida, que é a Pátria celeste; e também nós somos sujeitos a tantas tentações, como Israel. O grande pecado do povo de Deus da Antiga Aliança era descrer e murmurar contra Deus. De cabeça dura, Israel teimava em caminhar do seu modo, em fazer do seu jeito, em contar com suas forças e sua lógica. Quantas vezes o povo fez isso! Quantas vezes nós fazemos isso!
Neste santo tempo quaresmal, somos chamados a uma sincera conversão, a mudar nossa lógica, confiando realmente no Senhor e trilhando sinceramente seus caminhos! Estejamos atentos à seríssima advertência que o Senhor Jesus nos faz no Evangelho. Primeiro ele usa dois acontecimentos daqueles dias em Jerusalém para ilustrar a necessidade de conversão urgente: os galileus que Pilatos perversamente mandara matar e misturar seu sangue com o dos animais sacrificados no Templo – um ato de profanação! – e as dezoito pessoas que morreram por conta do desabamento de uma torre em Jerusalém. Jesus pergunta: “Pensais que essas pessoas eram mais pecadoras que as outras?” Não! Os sofrimentos da vida não são castigo pelos pecados! Mas, devem servir de reflexão e de alerta para todos! Há uma desgraça muito pior que qualquer acidente: morrer para Deus, ressecar o coração para o Senhor: “Se não vos converterdes, ireis morrer do mesmo modo!” Depois Jesus ilustra o que ele quer dizer com a parábola da figueira estéril: “Há três anos venho procurando figos nesta figueira e nada encontro!” A figueira da parábola é o povo de Israel que, durante três anos, ouviu a pregação do Senhor e não o acolheu. Mas, e nós, há quantos anos escutamos o Senhor? Que frutos estamos dando? Nesta Quaresma de 2004, como vai o nosso combate espiritual, o nosso caminho de conversão?
Não abusemos da paciência de Deus, não tomemos como desculpa a sua misericórdia para retardar nossa conversão! O Eclesiástico previne severamente: “Não digas: ‘Pequei: o que me aconteceu?’ porque o Senhor é paciente. Não sejas tão seguro do perdão para acumular pecado sobre pecado. Não digas: ‘Sua misericórdia é grande para perdoar meus inúmeros pecados’, porque há nele misericórdia e cólera e sua ira pousará sobre os pecadores. Não demores em voltar para o Senhor e não adies de um dia para o outro, porque, de repente, a cólera do Senhor virá e no dia do castigo perecerás” (Eclo 5,4-7)
Caríssimos, eis o tempo de conversão, eis o dia da salvação! Deixemo-nos reconciliar com Deus em Cristo! Convertamo-nos!
dom Henrique Soares da Costa

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Deus se faz presente na história por meio de quem aceita o encargo de falar à humanidade em nome dele. O criador do mundo guiou os patriarcas, chamou Moisés para libertar os escravos do Egito e, depois de ter enviado os profetas, revelou-se como Pai de Jesus Cristo, o emissário por excelência, ressuscitado e presente nas comunidades cristãs. A constante presença divina na história nos questiona sobre a acolhida que o ser humano ofereceu a Deus através dos tempos. Crises financeiras, desastres e catástrofes da natureza não são as piores coisas que podem atingir a humanidade. O maior desastre que pode sobrevir à criação inteira é a falta de acolhida a Deus por parte da única criatura capaz de reconhecê-lo e amá-lo. Porque a criatura não tem a existência em si mesma, mas a recebe do único Eu Sou. Ao ser humano cabe responder em nome da criação inteira: aqui estou.
Evangelho (Lc. 13,1-9)
O Enviado de Deus convida à conversão
Esse texto insere-se numa série de discursos sobre a necessidade de reconhecer os sinais dos tempos. Os sinais são um convite à conversão, pois a missão histórica de Jesus marca o fim da espera e inaugura o tempo da decisão a favor ou contra o enviado de Deus. Duas desgraças públicas daquela época são citadas por Jesus com o intuito de corrigir ideias erradas sobre a ação de Deus.
Jesus mostra a necessidade de uma transformação interior e real dos ouvintes, fazendo-lhes o apelo para não se sentirem justos diante de Deus nem considerarem as vítimas de desastres como pecadores castigados. A admoestação de Jesus visa modificar a mentalidade da época, assegurando que todos são pecadores e, portanto, todos são convidados à conversão. Converter-se significa acolher a presença salvadora de Deus oferecida em Jesus. Rejeitá-la seria algo pior que um desastre.
Hoje, muitos cristãos ainda pensam que o Pai exigiu a morte do Filho como pagamento pelos pecados da humanidade. Contudo, na ressurreição de Jesus, o Pai mostra que está do lado das vítimas e que o fato de sofrer violência ou desastres não significa ser castigado pelos pecados.
O texto prossegue com a parábola da figueira, que vem confirmar esse chamamento à conversão. A imagem da figueira estéril era muito comum na época para indicar o comportamento infiel do povo (cf. Jr. 8,13; Mq. 7,1). Apesar da não produtividade da figueira, ainda há uma última tentativa: esperar mais um ano. Lembremos que a atuação de Jesus inaugura o ano jubilar (Lc. 4,18). Isso significa que, na ação e na palavra de Jesus, nos é oferecida a última oportunidade de conversão, de decisão, pois o julgamento está próximo (Lc. 13,9).
1ª leitura (Ex. 3,1-8a.13-15)
“EU SOU” me envia a vós para vos tirar da escravidão
Esse texto sobre a vocação de Moisés está dividido em três partes: Deus exigiu que Moisés demonstrasse humildade (3,1 - 6), informou-lhe sobre o propósito divino (3,7 - 10) e assegurou-lhe que a presença divina o acompanharia (vv. 13 - 15).
a) Tira as sandálias (3,1 - 7). Moisés está acomodado, apascentando os rebanhos do sogro, e chega até a Montanha de Deus. O texto mostra que Deus chama o ser humano na vida cotidiana, desde que este se disponha a ir um pouco além da rotina diária. Para tanto, o texto bíblico se utiliza de vários elementos simbólicos. A sarça ardente é representada na liturgia judaica como o candelabro de sete lâmpadas sempre aceso no tabernáculo (hoje nas sinagogas), simbolizando a presença de Deus na criação e na história. Caberia ao judeu nunca deixar faltar o óleo (a fé) para que o ser humano fosse tocado pela presença de Deus.
Moisés viu que a sarça ardia e não se consumia porque não é intenção de Deus destruir as coisas para se fazer notado. O termo hebraico para sarça (seneh) soa parecido com Sinai e quer mostrar como o temível Deus do Sinai, a quem Moisés evita olhar, é alguém que se faz humilde num arbusto do deserto e na vida de qualquer pessoa, por mais insignificante que pense ser.
Deus conhece Moisés, chama-o pelo nome e quer também se dar a conhecer, revelando seu grandioso nome. Ao chamado Moisés respondeu hinneni, que se traduz por “aqui eu estou” ou “aqui eu sou”. Porque somente estando diante de Deus o ser humano encontra a própria identidade. Tira tuas sandálias, ordena o Senhor, despoja-te de tua presunção, porque eu sou um Deus que, sendo grande, se faz pequeno. Deixa teus pés tocarem o pó de onde vieste, para que saibas que tua grandeza vem de Deus e não de ti mesmo.
Deus não se apresentou a Moisés como novo deus, mas como aquele que caminhou com os antepassados ao longo da história. Tratava-se do Deus do pacto, um Deus de amor, porque quem ama se compromete com o ser amado. Israel havia se esquecido de seu Deus – afirma a hermenêutica dos mestres judeus sobre esse texto –, mas Deus não esqueceu seu povo, não rompeu com a aliança feita com os patriarcas e não deixou de acompanhar aqueles a quem amava.
b) O propósito divino (3,7-10). O Senhor chama Moisés a uma missão. Dois são os elementos principais desse diálogo:
1) a decisão irrevogável de libertar o povo (v. 8);
2) a escolha de Moisés para ser o instrumento dessa libertação (v. 10).
Os verbos empregados indicam a presença constante de Deus junto ao povo: eu vi, eu ouvi, eu conheço as angústias dele, eu desci, eu te envio. Pela primeira vez Israel é chamado de terra onde corre leite e mel. Essa expressão simboliza tudo que pode estar em contraposição à realidade de escravidão. Mas, se a terra prometida tem donos, isso significa que o dom é também uma conquista. Deus não faz 100%, porque, se assim fosse, ele não teria feito um pacto. O Deus da aliança envolve o ser humano em sua ação salvífica.
c) Um Deus companheiro (3,13 - 15). Depois de saber do propósito de Deus, Moisés tem uma pergunta, que não deriva de abstrações filosóficas, mas tem cunho prático e pastoral: se o povo me perguntar qual é seu nome, o que direi? (v. 13). Nas antigas civilizações, o nome significava a própria pessoa, seu caráter, seus atributos, seu ser. A preocupação de Moisés é como é Deus, qual a atividade dele, qual é sua ação.
Deus responde a Moisés com o verbo hebraico “ser/estar”. Como se encontra em uma ação incompleta, devemos traduzi-lo por “era”, “sou”, “serei”, “estava”, “estou”, “estarei”. O Deus sempre presente e acolhedor do ser humano envia mensageiros para que sua presença possa ser efetiva nos que estão em situação de escravidão, para os que têm a dignidade negada. Deus é o existente e a fonte da existência de todos os seres. Seu nome significa que ele é um mistério e só pode ser visto por meio do ser humano, sua imagem. Por isso qualquer tipo de escravidão é uma ofensa a Deus, pois a imagem de Deus é roubada do ser humano quando a dignidade deste é negada.
O “nome” também significa que Deus será conhecido por meio daquilo que faz, ou seja, de sua ação na criação e na história. Ele já agiu em favor dos patriarcas, e seu nome enfatiza a presença ativa do Senhor no passado, no presente e no futuro. O versículo 12, que não foi lido nesta liturgia, afirma: eu estarei sempre contigo. Ele estará presente e agindo até o fim dos tempos.
II leitura (1Cor. 10,1 - 6.10.12): A rocha que os acompanhava era Cristo
A maior parte da Igreja de Corinto era formada por não judeus. Por isso Paulo se preocupa com a qualidade da vida cristã nessa grande cidade, profundamente marcada pela libertinagem e pelas demais situações de pecado decorrentes da falta de compromisso com o seguimento de Jesus.
O texto proclamado na liturgia de hoje divide-se em duas partes:
a) resumo da narrativa bíblica sobre o período em que o povo viveu no deserto (10,1 - 6);
b) uma advertência contra a falsa segurança religiosa (10,10 - 12).
À maneira dos mestres judeus, Paulo resume e interpreta os acontecimentos da saída do Egito e da peregrinação no deserto. Os principais elementos literários e teológicos são: a nuvem, o mar, o maná e a rocha da qual saiu água (Ex. 13 - 17; Nm. 20,7 - 13). Há um vínculo entre a experiência de Deus que os cristãos têm no presente e a experiência de fé vivida pelos hebreus no passado. Os eventos do passado eram prefigurações do que viria em plenitude com Jesus Cristo. O êxodo do Egito foi o ato salvífico do Antigo Testamento, e a morte e ressurreição de Jesus são o evento salvífico por excelência. Esses acontecimentos não estão desvinculados. A obra redentora de Jesus Cristo é a obra do Pai.
Antes de entrar na terra prometida, Israel enfrentou vários desafios no deserto que mostraram a fragilidade de sua fé, e agora a Igreja deve mostrar a consistência de sua fé. Portanto, a Igreja tem muito que aprender com a história de Israel.
Usando um antigo método judaico de interpretação, Paulo afirma a respeito dos hebreus que saíram do Egito: “todos foram batizados”, “todos comeram”, “todos beberam”. “Todos foram batizados”: ou seja, por meio de Moisés, o libertador enviado por Deus, os hebreus receberam vida nova, deixaram de ser escravos e fizeram uma aliança com Deus. Alguns textos bíblicos aludem ao maná como “o pão do céu” (Sl 105,40). De igual forma, a água que brotou da rocha era um dom de Deus. O maná e a água são descritos como alimentos espirituais porque não eram produtos de Moisés, mas, sim, de Deus.
E, como a água brotada da rocha é mencionada no início (Ex. 17,1-7) e no fim (Nm. 20,2-13) da peregrinação no deserto, os mestres judeus forjaram a interpretação de uma rocha ambulante que acompanhou o povo por 40 anos. Isso não é um absurdo, mas um simbolismo profundamente teológico, visto que em várias passagens Deus é chamado de “rocha” (Dt. 32,4ss). Paulo utiliza a teologia dos mestres judeus para afirmar que a rocha era Cristo.
Os hebreus receberam os benefícios da presença divina, mas nem todos assumiram a responsabilidade com o compromisso da aliança. Seu pecado foi duplo (Nm. 13-14): 1) duvidar da presença salvadora, murmurando contra Moisés; 2) confiar nas próprias forças. Paulo usa a narrativa sobre o deserto como uma advertência aos coríntios: o mesmo pode acontecer com eles.
O fato de terem participado do “batismo” em Moisés e provado da comida e bebida espirituais no deserto não garantiu aos hebreus a entrada na terra prometida. Tampouco uma participação mecânica na Igreja, sem um seguimento genuíno de Cristo, será garantia de bem-estar nesta vida e de salvação eterna.
A presunção dos coríntios lhes fez crer que a participação regular nos sacramentos lhes era garantia de ser verdadeiros cristãos. Mas, com uma leitura acurada dos eventos do passado, Paulo procura conscientizá-los desse engano. Os sacramentos revelam a presença de Deus entre nós e nos questionam sobre o tipo de vida cristã que estamos assumindo. Eles não nos foram dados para o conformismo e para a presunção, mas como fonte, cume e critério da práxis cristã.
Reflexão
É oportuno perguntar pelo verdadeiro engajamento na Igreja, sobre a qualidade da vida cristã e sobre o significado mais profundo do seguimento de Jesus e suas implicações na vida cotidiana. Também se deve fazer um convite à acolhida da presença de Deus no outro e à conversão diária. É bom perguntar pelos sinais que mostram a veracidade de nossa fé/fidelidade ou a insensatez de nossa presunção.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj
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A paradoxal força dos profetas
Jeremias é chamado a ser profeta das nações. Jesus se apresenta  como profeta que Deus quer, a  Igreja é um povo de profetas.
O Missal Dominical da Paulus, assim descreve o profeta, esses seres que têm imensa força embora perseguidos e sofredores.
“O profeta  é a consciência crítica  do povo, uma consciência crítica não tanto em nome da  razão, quanto em nome da Palavra de Deus. Por isso, o profeta é um “ser contra”; desmascara  as astuciosas cumplicidades com o mal, onde quer que se encontrem;   denuncia com firmeza os vícios do povo, a falsidade do culto, os abusos do poder, qualquer forma de idolatria e injustiça, qualquer tentativa de “aprisionar” a Deus.  A denúncia profética é “juízo de Deus”  sobre a malícia humana e ao mesmo tempo  comunicação de sua santa vontade. É sempre um convite  à conversão do coração, pessoal e coletiva.
A denúncia profética é obra do amor, um amor apaixonado por Deus e pelos homens.
O profeta  é o defensor  dos oprimidos, dos fracos, dos marginalizados; está sempre do seu lado; é a sua voz; a voz de quem não tem voz nem vez;  é chamado a ser responsável por Deus diante dos homens e responsável pelos homens diante de Deus.
O profeta é o homem da esperança. A denúncia do mal  não o torna amargo; ele olha  para frente com confiança. Nos momentos mais duros  do povo eleito  (deportações, exílio, sofrimentos) as palavras do profeta são palavras de consolação e confiança. Denunciadas a infidelidade  do povo, o profeta anuncia a fidelidade de Deus, na qual se baseia firmemente a esperança.
O profeta é o  homem da “aliança”. É o homem que viu a Deus;  não, certamente,  Deus em si mesmo. Deus nos ultrapassa sempre, é sempre o  Deus “escondido”. O profeta vê o que Deus faz, vê o seu plano de amor, faz uma leitura divina  dos acontecimentos humanos”  (p. 1102).
Lucas, no evangelho hoje proclamado,  fala desse Jesus, profeta de Nazaré, que é rejeitado.  Nenhuma profeta, afirma Jesus, é bem recebido em sua pátria.  E Lucas conclui: “Quando ouviram essas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram da cidade.  Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade estava  construída com a intenção de  lança-lo no precipício.  Jesus, porém, passando entre eles, continuou o seu caminho”.
A Igreja é povo de profetas. Quando ela perde os profetas, perde o rumo.
frei Almir Ribeiro Guimarães
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Deus é fogo, mas tem paciência
Depois dos episódios da tentação e da transfiguração nos dois primeiros domingos da Quaresma, a liturgia nos propõe o tema da conversão. Nos anos A e B, os enfoques de domingo foram, respectivamente, a catequese batismal e o cristocentrismo. No ano C, o evangelho realça especificamente a graça. Lc é o evangelho da graça, dos pobres e dos pecadores. Para receber a graça que nos renova devemos estar conscientes de sermos pecadores (cf. os próximos domingos). Porém, ao mesmo tempo que nos conscientizamos de nosso pecado, devemos ter diante dos olhos a perspectiva da graça e do perdão de Deus, nosso Pai.
A 1ª leitura nos coloca em espírito de “temor do Senhor”. Assistimos à grandiosa revelação de Deus a Moisés, na sarça ardente. Deus está em fogo inacessível. Deus devora quem dele se aproxima. “Tira tuas sandálias: o chão em que estás é santo!” (Ex. 3,5). Deus está em ardor, porque viu a miséria de seu povo e ouviu seu clamor. Moisés será seu enviado para revelar a Israel sua libertação e ao Faraó a cólera do Senhor. E em nome de quem deverá falar? No nome de “Eu estou aí” (= “Pode contar comigo!”) (3,15).
Deus está aí, com seu poder e sua fidelidade, mas também com sua justiça: na 2ª leitura, Paulo nos ensina a “lição da história” de Israel. Eles tinham a promessa, os privilégios, a proteção de Deus. Todos os israelitas experimentaram, no deserto, a mão de Deus que os conduzia. Todos foram saciados com o alimento celestial e aliviaram-se na água do rochedo (que significa o Messias). Contudo, a maioria deles, por causa de sua dureza de coração, foram rejeitados por Deus (cf. Nm 17,14). Com vistas ao fim dos tempos e ao Juízo, Paulo avisa seus leitores para que aprendam a lição (1Cor. 10,1-6).
Lc. 13,1-5 é, se possível, mais explícito ainda. Dentro da concepção mágica de que as catástrofes são castigos de Deus, os judeus perguntaram a Jesus que mal fizeram os galileus cujo sangue Pilatos misturou com o de suas vítimas, quando foram apresentar sua oferta no templo de Jerusalém; ou as dezoito pessoas que morreram porque caiu sobre elas a torre de Siloé. Jesus responde: “A questão não é saber que mal fizeram eles; a questão é que vocês mesmos não se devem considerar isentos de castigo, por serem bons judeus; digo-lhes: se vocês não se converterem, conhecerão a mesma sorte!”
As catástrofes não são castigos, mas lembretes! E não adianta pertencer ao grupo dos “eleitos” – os judeus no deserto, os fariseus do tempo de Jesus, ou os “bons cristãos” hoje. O negócio é converter-se! Pois cada um descobre algo a endireitar, quando se coloca diante da face de Deus. Ou melhor, em tudo o que fazemos e somos, mesmo em nossas ações e atitudes mais dignas de louvor, descobrimos os traços de nosso egoísmo e falta de amor, quando nos expomos à luz da “sarça ardente”. Só Deus é santo.
Por isso, todos nós devemos converter-nos, sempre.
Se, até agora, a liturgia nos inspirou o temor do Senhor, o último trecho do evangelho nos traz a mensagem, tão característica de Lucac, da misericórdia de Deus (cf. salmo responsorial), que se mostra em forma de paciência (nos próximos domingos, em forma de perdão). A árvore infrutífera pode ficar mais um ano, pois talvez ela se converta ainda! Mas, algum ano será o último …
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Penitência (Lc. 13,1-9)
Naquele tempo, vieram algumas pessoas trazendo notícias a Jesus a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando seu sangue com o dos sacrifícios que ofereciam. Jesus lhes respondeu: “Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa? Eu vos digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo. E aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”.
E Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. Então disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?’ Ele, porém, respondeu:’ Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás’ “.
Comentário do Evangelho
Pilatos era conhecido por ser um homem insensível à religiosidade dos judeus e manter seu governo por demais severo.
As pessoas procuram Jesus para denunciar a injustiça ocorrida durante o sacrifício que os judeus faziam nos cultos da Páscoa, no Templo de Jerusalém, quando foram mortos, mas que pode, também, se tratar de uma rebelião dos judeus, reprimida por Pilatos.
Jesus não toca no nome de Pilatos, mas pede a conversão daqueles que acreditam no castigo ou nos desastres associados ao pecado, pois os acidentes não são castigos divinos, mas um apelo à conversão dos que sobrevivem.
A morte dos homens em Siloé foi causada por um acidente de fato, mas as pessoas achavam que era devido aos pecados cometidos pelos que morreram e, na mentalidade deles, as catástrofes eram castigos enviados por Deus aos culpados, baseada na doutrina da retribuição (olho por olho, dente por dente).
Jesus explica que os acidentes não indicam a espiritualidade das pessoas, mas que todos serão julgados no juizo final, e pede que se dediquem a uma vida honesta e sem julgamentos, de pessoas convertidas na fé. Ele mostra que não é verdadeira a idéia de que Deus quer castigar, ou seja, um deus vingador, mas que é o Deus da graça e da misericórdia.
A figueira simboliza a humanidade que é pecadora, uma das árvores mais comuns e generosas da Palestina, normalmente plantada no meio da vinha. Quem plantou a figueira e vai procurar os frutos é Deus e o agricultor é Jesus. Os três anos podem ser o período de pregação de Jesus, depois do qual se esperava “frutos abundantes”. O agricultor (Jesus) se propõe a adubar a figueira e aguardar mais um ano para que dê frutos, porém o povo daquela época sabia que figueiras não precisavam ser adubadas, e isso mostra a infinita dedicação de Jesus à conversão da humanidade.

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Pilatos era conhecido por todos, por ser um homem insensível à religiosidade dos judeus e manter seu governo por demais severo. A tragédia relatada no Evangelho por Lucas, talvez se refira ao fato de Pilatos utilizar os tesouros do Templo para construir um aqueduto (canal ou galeria, subterrâneo ou à superfície, construído com a finalidade de conduzir água). Incidente que pode também se tratar de uma rebelião dos judeus que Pilatos reprimiu.
As pessoas procuram Jesus para denunciar a injustiça ocorrida durante o sacrifício que os judeus faziam nos cultos durante a Páscoa, no Templo de Jerusalém, quando foram mortos. Ele não toca no nome de Pilatos, mas pede a conversão daqueles que acreditam no castigo ou nos desastres associados ao pecado, pois os acidentes não são castigos divinos, mas um apelo à conversão dos que sobrevivem.
A morte dos homens em Siloé foi causada por um acidente de fato, mas as pessoas achavam que era devido aos pecados cometidos pelos que morreram, e na mentalidade deles as catástrofes eram castigos enviados por Deus aos culpados, baseada na teologia da retribuição (olho por olho, dente por dente).
Jesus explica que os acidentes não indicam a espiritualidade das pessoas, mas que todos serão julgados no juízo final. E pede que se dediquem a uma vida honesta e sem julgamentos, de convertidos na fé. Ele acaba com a idéia de que Deus quer castigar e mostra que Ele não é um Deus vingador, mas o Deus da oferta graciosa.
A figueira simboliza a humanidade que é pecadora, uma das árvores mais comuns e generosas da Palestina, normalmente plantada no meio da vinha. Quem plantou a figueira e vai procurar os frutos é Deus, o agricultor é Jesus. Os três anos podem ser o período de pregação de Jesus, depois do qual se esperava "frutos abundantes". O agricultor (Jesus) se propõe a adubar a figueira e aguardar mais um ano para que dê frutos, porém o povo daquela época sabia que figueiras não precisavam ser adubadas, e isso mostra a infinita dedicação de Jesus à conversão da humanidade.
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Um pensamento ilusório
Certos cristãos iludem-se, quando pensam que a conversão é necessária para os outros, ao passo que eles mesmos se julgam dispensados dela. Um forma de miopia espiritual está na raiz desta maneira de pensar. Com muita facilidade, estas pessoas comparam-se com as outras, descobrindo nelas defeitos e pecados. Por isso, há quem viva como se carregasse, gravados na fronte, os estigmas das próprias faltas. Sempre que se fala em urgência de conversão, já se sabe em quem pensar. É como se, ao apontar a necessidade da conversão alheia, nós mesmos estivéssemos dispensados de nos converter.
Jesus combateu tal mentalidade. É arriscado pensar que os outros são mais pecadores do que nós mesmos e, assim, acomodar-nos em nossas limitações. Esta acomodação pode ser fatal. A pessoa não cairá na conta de que deve produzir os frutos esperados pelo Senhor, tornando sua vida totalmente estéril. Quando o Senhor vier, o que acontecerá? A sorte desta pessoa será como a de uma figueira infrutífera: apesar dos esforços do chacareiro, deverá ser abatida.
A prudência recomenda-nos a deixar de lado os pensamentos ilusórios a respeito da conversão, e a decidir-nos, resolutamente, a voltar, cada dia, para Deus. Não aconteça que, iludindo-nos, venhamos a ser punidos por nossos pecados.
padre Jaldemir Vitório
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A bondade de Deus
Jesus sobe para Jerusalém. Essa subida é ocasião de ensinamento, por isso ela é constituída de lições que Jesus dá aos seus discípulos. O texto do evangelho deste domingo não encontra paralelo nos outros dois sinóticos. Do ponto de vista histórico, nós não temos nenhuma informação, nem mesmo na literatura extrabíblica, dos fatos mencionados nos versículos 1 a 4. No entanto, o importante, aqui, é o valor de interpelação dos fatos, repetido duas vezes: "... se vós não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo" (vv. 3.5). A teoria da retribuição é ultrapassada: "Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que qualquer outro galileu...? Digo-vos que não. Mas se vós não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo? . Pensais que eram mais culpados do que qualquer outro morador de Jerusalém? Eu vos digo que não" (vv. 2-5). A morte de uns e não de outros é sinal do julgamento definitivo, sinal que precisa ser discernido: ". sabeis discernir os aspectos da terra e do céu, e por que não discernis o tempo presente?" (Lc. 12,56). São Paulo o exprime muito bem: "Esses acontecimentos se tornaram símbolos para nós, a fim de não desejarmos coisas más." (1Cor. 10,6). A morte dos galileus e dos moradores de Jerusalém são um convite à conversão e ao reconhecimento, no tempo presente, da "visita salvífica" de Deus (cf. Lc. 1,68).
Os versículos 6 a 9 ilustram os versículos precedentes. A figueira é, na tradição rabínica, símbolo da Torá. Ela está plantada na vinha (cf. v. 6). O povo de Deus tem a Lei cujo fruto deveria ser a conversão. Mas ela não produziu o fruto. Será cortada? Será arrancada do meio da vinha? A parábola acentua a bondade de Deus: a maldade humana não impede Deus de ser bom.
Carlos Alberto Contieri,sj
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Esta terceira etapa da caminhada para a Páscoa somos chamados, mais uma vez, a repensar a nossa existência. O tema fundamental da liturgia de hoje é a “conversão”.
Com este tema enlaça-se o da “libertação”: o Deus libertador propõe-nos a transformação em homens novos, livres da escravidão do egoísmo e do pecado, para que em nós se manifeste a vida em plenitude, a vida de Deus.
O Evangelho contém um convite a uma transformação radical da existência, a uma mudança de mentalidade, a um recentrar a vida de forma que Deus e os seus valores passem a ser a nossa prioridade fundamental. Se isso não acontecer, diz Jesus, a nossa vida será cada vez mais controlada pelo egoísmo que leva à morte.
A segunda leitura avisa-nos que o cumprimento de ritos externos e vazios não é importante; o que é importante é a adesão verdadeira a Deus, a vontade de aceitar a sua proposta de salvação e de viver com Ele numa comunhão íntima.
A primeira leitura fala-nos do Deus que não suporta as injustiças e as arbitrariedades e que está sempre presente naqueles que lutam pela libertação. É esse Deus libertador que exige de nós uma luta permanente contra tudo aquilo que nos escraviza e que impede a manifestação da vida plena.
1º leitura: Ex. 3,1-8a.13-15 - AMBIENTE
A primeira parte do livro do Êxodo (Ex. 1-18) apresenta-nos um conjunto de “tradições” sobre a libertação do Egito: narra-se a iniciativa de Jahwéh, que escutou os gemidos dos escravos hebreus e teve compaixão deles (cf. Ex. 2,23-24)
O texto que nos é proposto como primeira leitura apresenta-nos o chamamento de Moisés, convidado a ser o rosto visível da libertação que Jahwéh vai levar a cabo.
Algum tempo antes, Moisés deixara o Egito e encontrara abrigo no deserto do Sinai, depois de ter morto um egípcio que maltratava um hebreu (o caminho do deserto era o caminho normal dos opositores à política do faraó, como o demonstram outras histórias da época que chegaram até nós); acolhido por uma tribo de beduínos, Moisés casou e refez a sua vida, numa experiência de calma e de tranquilidade bem merecidas, após o incidente que lhe arruinara os sonhos de uma carreira no aparelho administrativo egípcio (cf. Ex. 2,11-22). Ora, é precisamente nesse oásis de paz que Jahwéh Se revela, desinquieta Moisés e envia-o em missão ao Egito.
MENSAGEM
A afirmação “Jahwéh tirou Israel do Egito” será a primitiva profissão de fé de Israel. É o fato fundamental da fé israelita. Ora, é essa descoberta que está no centro desta leitura.
O texto que nos é proposto divide-se em duas partes. Na primeira (vs. 1 - 8), temos o relato da vocação de Moisés. O contexto é o das teofanias (manifestações de Deus): o “anjo do Senhor”, o fogo (vs. 2 - 3), a onipotência, a santidade e a majestade de Deus (vs. 4 - 5), a apresentação de Deus, o sentimento de “temor” que o homem experimenta diante do divino (vs. 6); e Deus manifesta-Se para “comprometer” Moisés, enviando-o em missão (vs. 7-8) e fazendo dele o instrumento da libertação.
Fica claro que o chamamento de Moisés é uma iniciativa do Deus libertador, apostado em salvar o seu Povo. Deus age na história humana através de homens de coração generoso e disponível, que aceitam os seus desafios.
Na segunda parte (vs. 13-15), apresenta-se a revelação do nome de Deus (uma espécie de “sinal” que confirma que Moisés foi chamado por Deus e enviado por Ele em missão): “Eu sou (ou serei) ‘aquele que sou’ (ou que serei)”. Este nome acentua a presença contínua de Deus na vida do seu Povo, uma presença viva, ativa e dinâmica, no presente e no futuro, como libertação e salvação.
Os israelitas descobriram, desta forma, que Jahwéh esteve no meio daquela tentativa humana de libertação e conduziu o processo, de forma a que um povo vítima da opressão passasse a ser livre e feliz. Para a fé de Israel, Jahwéh não ficou de braços cruzados diante da opressão; mas iniciou um longo processo de intervenção na história que se traduziu em libertação e vida para um povo antes condenado à morte.
Para Israel, o Êxodo tornar-se-á, assim, o modelo e paradigma de todas as libertações. A partir desta experiência, Israel descobriu a pedagogia do Deus libertador e soube que Jahwéh está vivo e atuante na história humana, agindo no coração e na vida de todos os que lutam para tornar este mundo melhor. Israel descobriu – e procurou dizer-nos isso também a nós – que, no plano de Deus, aquilo que oprime e destrói os homens não tem lugar; e que sempre que alguém luta para ser livre e feliz, Deus está com essa pessoa e age nela. Na libertação do Egito, os israelitas – e, através deles, toda a humanidade – descobriram a realidade do Deus salvador e libertador.
ATUALIZAÇÃO
·  A humanidade geme, hoje, num violento esforço de libertação política, cultural e econômica: os povos lutam para se libertarem do colonialismo, do imperialismo, das ditaduras; os pobres lutam para se libertarem da miséria, da ignorância, da doença, das estruturas injustas; os marginalizados lutam pelo direito à integração plena na sociedade; os operários lutam pela defesa dos seus direitos e do seu trabalho; as mulheres lutam pela defesa da sua dignidade; os estudantes lutam por um sistema de ensino que os prepare para desempenhar um papel válido na sociedade… Convém termos consciência que, lá onde alguém está a lutar por um mundo mais justo e mais fraterno, aí está Deus – esse Deus que vive com paixão o sofrimento dos explorados e que não fica de braços cruzados diante das injustiças.
· Deus age na nossa vida e na nossa história através de homens de boa vontade, que se deixam desafiar por Deus e que aceitam ser seus instrumentos na libertação do mundo. Diante dos sofrimentos dos irmãos e dos desafios de Deus, como respondo: com o comodismo de quem não está para se chatear com os problemas dos outros? Com o egoísmo de quem acha que não é nada consigo? Com a passividade de quem acha que já fez alguma coisa e que agora é a vez dos outros? Ou com uma atitude de profeta, que se deixa interpelar por Deus e aceita colaborar com Ele na construção de um mundo mais justo e mais fraterno?
2º leitura: 1Cor. 10,1-6.10-12 - AMBIENTE
No mundo grego, os templos eram os principais matadouros de gado. Os animais eram oferecidos aos deuses e imolados nos templos. Uma parte do animal era queimada e outra parte pertencia aos sacerdotes. No entanto, havia sempre sobras, que o pessoal do templo comercializava. Essas sobras encontravam-se à venda nas bancas dos mercados, eram compradas pela população e entravam na cadeia alimentar. No entanto, tal situação não deixava de suscitar algumas questões aos cristãos: comprar essas carnes e comê-las – como toda a gente fazia – era, de alguma forma, comprometer-se com os cultos idolátricos. Isso era lícito? É essa questão que inquieta os cristãos de Corinto.
A esta questão, Paulo responde em 1Cor. 8-10. Concretamente, a resposta aparece em vinte versículos (cf. 1Cor. 8,1-13 e 10,22-29): dado que os ídolos não são nada, comer dessa carne é indiferente. Contudo, deve-se evitar escandalizar os mais débeis: se houver esse perigo, evite-se comer dessa carne.
Paulo aproveita este ponto de partida para um desenvolvimento que vai muito além da questão inicial: comer ou não comer carne imolada aos ídolos não é importante; o importante é não voltar a cair na idolatria e nos vícios anteriores; o importante é esforçar-se seriamente por viver em comunhão com Deus.
MENSAGEM
A título de exemplo, Paulo apresenta a história do Povo de Deus do Antigo Testamento. Os israelitas foram todos conduzidos por Deus (a nuvem), passaram todos pela água libertadora do Mar Vermelho, alimentaram-se todos do mesmo maná e da mesma água do rochedo “que era Cristo” (Paulo inspira-se numa antiga tradição rabínica segundo a qual o rochedo de Nm. 20,8 seguia Israel na sua caminhada pelo deserto; e, para Paulo, este rochedo é o símbolo de Cristo, pré-existente, já presente na caminhada para a liberdade dos hebreus do Antigo Testamento); mas isso não evitou que a maior parte deles ficasse prostrada no deserto, pois o seu coração não estava verdadeiramente com Deus e cederam à tentação dos ídolos.
Assim também os coríntios, embora tenham recebido o batismo e participado da eucaristia, não têm a salvação garantida: não bastam os ritos, não basta a letra.
Apesar do cumprimento das regras, os sacramentos não são mágicos: não significam nada e não realizam nada se não houver uma adesão verdadeira à vontade de Deus.
Aos “fortes” e “auto-suficientes” de Corinto, Paulo recorda: o fundamental, na vivência da fé, não é comer ou não carne imolada aos ídolos; mas é levar uma vida coerente com as exigências de Deus e viver em verdadeira comunhão com Deus.
ATUALIZAÇÃO
· O que é essencial na nossa vivência cristã? O cumprimento de ritos externos que nos marcam como cristãos aos olhos do mundo (ou dos nossos superiores)? Ou é uma vida de comunhão com Deus, vivida com coerência e verdade, que depois se transforma em gestos de amor e de partilha com os nossos irmãos? O que é que condiciona as minhas atitudes: o “parecer bem” ou o “ser” de verdade?
· Os sacramentos não são ritos mágicos que transformam o homem em pessoa nova, quer ele queira quer não. Eles são a manifestação dessa vida de Deus que nos é gratuitamente oferecida, que nós acolhemos como um dom, que nos transforma e que nos torna “filhos de Deus”. É nessa perspectiva que encaramos os momentos sacramentais em que participamos? É isto que procuramos transmitir quando orientamos encontros de preparação para os sacramentos?
Evangelho: Lc. 13,1-9 - AMBIENTE
O Evangelho de hoje situa-nos, já, no contexto da “viagem” de Jesus para Jerusalém (cf. Lc. 9,51 - 19,28). Mais do que um caminho geográfico, é um caminho espiritual, que Jesus percorre rodeado pelos discípulos. Durante esse percurso, Jesus prepara-os para que entendam e assumam os valores do Reino (mesmo quando as palavras de Jesus se dirigem às multidões, como é o caso do episódio de hoje, são os discípulos que rodeiam Jesus os primeiros destinatários da mensagem). Pretende-se que, terminada esta caminhada, os discípulos estejam preparados para continuar a obra de Jesus e para levar a sua proposta libertadora a toda a terra.
O texto que hoje nos é proposto apresenta um convite veemente à conversão ao Reino. Destina-se à multidão, em geral, e aos discípulos que rodeiam Jesus, em particular.
MENSAGEM
O texto apresenta duas partes distintas, embora unidas pelo tema da conversão. Na primeira parte (cf. Lc. 13,1-5), Jesus cita dois exemplos históricos que, no entanto, não conhecemos com exatidão (assassínio de alguns patriotas judeus por Pilatos e a queda de uma torre perto da piscina de Siloé). Flávio Josefo, o grande historiador judeu do séc. I, narra como Pilatos matou alguns judeus que se haviam revoltado em Jerusalém. Trata-se do exemplo citado por Jesus? Não sabemos. Também não sabemos nada sobre a queda da torre de Siloé que, segundo Jesus, matou dezoito pessoas… Apesar disso, a conclusão que Jesus tira destes dois casos é bastante clara: aqueles que morreram nestes desastres não eram piores do que os que sobreviveram. Refuta, desta forma, a doutrina judaica da retribuição segundo a qual o que era atingido por alguma desgraça era culpado por algum grave pecado. No caso presente, esta doutrina levava à seguinte conclusão: “nós somos justos, porque nos livramos da morte nas circunstâncias nomeadas”. Em contrapartida, Jesus pensa que, diante de Deus, todos os homens precisam de se converter. A última frase do vs. 5 (“se não vos arrependerdes perecereis todos do mesmo modo”) deve ser entendida como um convite à mudança de vida; se ela não ocorrer, quem vencerá é o egoísmo que conduz à morte.
Na segunda parte (cf. Lc. 13,6-9), temos a parábola da figueira. Serve para ilustrar as oportunidades que Deus concede para a conversão. O Antigo Testamento tinha utilizado a figueira como símbolo de Israel (cf. Os. 9,10), inclusive como símbolo da sua falta de resposta à aliança (cf. Jr. 8,13) (uma ideia semelhante aparece na alegoria da vinha de Is. 5,1 - 7). Deus espera, portanto, que Israel (a figueira) dê frutos, isto é, aceite converter-se à proposta de salvação que lhe é feita em Jesus; dá-lhe, até, algum tempo (e outra oportunidade), para que essa transformação ocorra. Deus revela, portanto, a sua bondade e a sua paciência; no entanto, não está disposto a esperar indefinidamente, pactuando com a recusa do seu Povo em acolher a salvação. Apesar do tom ameaçador, há no cenário de fundo desta parábola uma nota de esperança:
Jesus confia em que a resposta final de Israel à sua missão seja positiva.
ATUALIZAÇÃO
· A proposta principal que Jesus apresenta neste episódio chama-se “conversão” (“metanoia”). Não se trata de penitência externa, ou de um simples arrependimento dos pecados; trata-se de um convite à mudança radical, à reformulação total da vida, da mentalidade, das atitudes, de forma que Deus e os seus valores passem a estar em primeiro lugar. É este caminho a que somos chamados a percorrer neste tempo, a fim de renascermos, com Jesus, para a vida nova do Homem Novo. Concretamente, em que é que a minha mentalidade deve mudar? Quais são os valores a que eu dou prioridade e que me afastam de Deus e das suas propostas?
· Essa transformação da nossa existência não pode ser adiada indefinidamente. Temos à nossa disposição um tempo relativamente curto: é necessário aproveitá-lo e deixar que em nós cresça, o mais cedo possível, o Homem Novo. Está em jogo a nossa felicidade, a vida em plenitude… Porquê adiar a sua concretização?
· Uma outra proposta convida-nos a cortar definitivamente da nossa mentalidade a ligação direta entre pecado e castigo. Dizer que as coisas boas que nos acontecem são a recompensa de Deus para o nosso bom comportamento e que as coisas más são o castigo para o nosso pecado, equivale a acreditarmos num deus mercantilista e chantagista que, evidentemente, não tem nada a ver com o nosso Deus.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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A parábola da figueira estéril
A liturgia do 3º Domingo da Quaresma insiste sobre a necessidade de conversão. A figueira mencionada no texto do Evangelho é na tradição dos rabinos símbolo da Torá. Ela está plantada na vinha. O povo de Deus tem a Lei cujo fruto deveria ser a conversão. Acontece que a Lei não produziu o fruto esperado. Será cortada? Será arrancada do meio da vinha? Vamos ler novamente o texto de Lucas 13,1-9. Esta parábola acentua a bondade de Deus. Se nosso Deus em sua infinita bondade nos concedeu mais um dia de vida é porque espera a nossa conversão. O tempo apropriado para nossa conversão pessoal e comunitária é agora. Na primeira leitura de hoje (Êxodo 3,1-8) Deus se solidariza com o sofrimento do povo que vivia como escravo no Egito. Moisés se torna instrumento útil na mão de Deus e aceita a missão de libertar o povo e conduzir à terra prometida. Na segunda leitura (1 Cor. 10,6) Paulo diz: “Esses acontecimentos se tornaram símbolos para nós a fim de não desejarmos coisas más...” Voltando à parábola da figueira, o texto nos ensina que Deus é paciente e solidário, sabe de nossas fraquezas e tem muita paciência com cada um de seus filhos e filhas. Vejamos: Quem plantou a figueira e vai procurar frutos é Deus. O agricultor é Jesus. O período de três anos representa o tempo de pregação de Jesus antes de sua Paixão, Morte e Ressurreição que produziu numerosos frutos. Precisamos aprender com a pedagogia de Deus que é paciente, acreditar no ser humano e na sua capacidade de produzir bons frutos. Deus investe em nós apesar de nossa lentidão em produzir frutos de justiça, amor e paz. Muitas vezes encontramos lideranças que se parecem com a figueira estéril que não produzem os frutos esperados. A parábola da figueira salienta que em Jesus Deus sempre oferece uma última chance. Quaresma é tempo de fortalecer nossa fé, é tempo de colocar uma doze de adubo (espiritualidade) em nossa vida. Hoje Deus nos mostra que apesar de pecadores somos chamados à conversão, mesmo estéreis em nossas boas obras Deus nos dá sempre uma nova oportunidade. Pense nisto e tenha uma semana abençoada.
Pedro Scherer
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Produzir frutos
Na sarça ardente, Moisés fez a experiência que marcou toda a sua vida e missão. Ardia o coração de Deus ao ver o clamor e o sofrimento do seu povo; o mesmo Deus chamou Moisés para falar em seu nome e libertar o Povo. O Deus que se revelou a Moisés era ainda um Deus que não se podia tocar, que exigia reverência, mas já se revelou como Aquele que caminha com seu povo, aquele que se interessa pela história dos seus: “Eu sou o Deus de teus pais...” Precisamos perceber que Deus se interessa por nós e quer a nossa libertação, que Ele convida a cada um de nós para seguir os seus passos. Deus não fica assistindo o sofrimento, Ele se interessa por seus filhos e vem em seu auxílio para libertá-los. Mas ele precisa de pessoas de carne e osso que aceitem o convite dele para cooperar nesta libertação. Precisamos ser impregnados pelo mesmo fogo que abrasou o coração de Moisés, fazendo-o entusiasmado pela causa de Javé.
No Evangelho, vemos que os judeus consideravam as catástrofes como castigos de Deus e a proteção um mérito por serem fiéis observantes da lei. Jesus mostra que não basta ser judeu, que ninguém tem nada garantido: todos precisam de conversão. Do mesmo modo, nós poderíamos nos considerar católicos fiéis, observantes da lei, o grupinho dos escolhidos. Como o Povo eleito, corremos o risco da infidelidade. Como aqueles que escutaram a palavra de Jesus, precisamos de conversão, para não perecermos todos do mesmo modo. Além disso, devemos cortar definitivamente da nossa mentalidade a ligação entre pecado e castigo: os males não são castigos, e todos nós somos passíveis do sofrimento. Aliás, muitos dos males são frutos de nossas próprias escolhas. Somos também responsáveis pelo bem e pelo mal que rodeia a nossa vida, provavelmente os primeiros responsáveis.
Na segunda parte do Evangelho temos a parábola da figueira que não produz frutos. Aqui é interessante observar que o pecado da figueira não foi ter feito algo de ruim, mas de não ter feito nada de bom. A figueira foi infrutífera, tornou-se passível, imóvel. Corremos o risco de querer uma garantia, uma tranquilidade de consciência que me faz dizer a mim mesmo: “eu estou bem com Deus, não prejudico a ninguém, cumpro as minhas obrigações”. Mas Deus espera mais de nós. Não basta sermos cristãos aparentemente certinhos, cristãos de preceito, de um ritualismo vazio; precisamos produzir frutos. Conversão não significa focar o pecado, mas o bem que devemos realizar. Cada um de nós é convidado a produzir frutos - isso significa conversão! O que podemos produzir nesta quaresma?
Estamos no tempo da Quaresma, tempo de cultivar o dom da conversão. Trata-se de um processo que percorre toda a nossa vida. Seguimos a existência procurando nos configurar cada vez mais a Cristo, para sermos como Ele, tendo os seus sentimentos e atitudes, até que tenhamos a estatura do homem perfeito, como nos diz São Paulo em sua carta aos Efésios.
Deus na sua bondade é paciente em aguardar a nossa conversão. Poderia nos arrancar e queimar, mas não é o deus da punição, e sim o Deus amor. Mesmo que mereçamos tal sorte, Ele nos diz; “Vou dar mais uma oportunidade; virei em outra ocasião para colher os frutos”. Temos neste tempo mais uma oportunidade. Que frutos o Senhor encontrará?
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Eu vi a aflição do povo… ouvi o clamor… conheço seus sofrimentos…
e desci para libertá-los!
1. O texto – exclusivo de Lucas – se insere na viagem de Jesus a Jerusalém (que se inicia em 9,51). Lucas faz dessa caminhada um verdadeiro itinerário teológico de libertação, ao longo do qual se torna evidente quem se solidariza com o projeto de Deus e quem lhe oferece obstáculos.
2. De Jerusalém a Palavra se estenderá a todos. Jerusalém é o final de um processo sistemático, durante o qual Jesus foi rejeitado pelos seus e aceito pelos que no tempo eram os excluídos. É de Jerusalém (cidade onde o Filho de Deus foi assassinado) que, – sob o impulso do Espírito, – a Palavra se estenderá a todos, manifestando a absoluta solidariedade de Deus para com todos, e não mais para com Israel somente. Nesse sentido, a viagem de Jesus para Jerusalém é o julgamento de Deus.
3. Nosso trecho, dentro dessa perspectiva, é composto de três elementos: a. apresentação de uma tragédia humana (13,1); b. resposta de Jesus sobre o fato, em forma de pergunta e resposta (vs. 2-3); Jesus vislumbra outra tragédia e responde dentro do mesmo esquema (vs.4-5); c. parábola (vs.6-9).
4. Veremos:
a. as tragédias humanas não são castigo de Deus – vs. 1-2
b. resposta de Jesus: Deus é o Deus-oferta graciosa – vs. 2-5
c. Deus é radicalmente bom, generoso e paciente – vs. 6-9
a. as tragédias humanas não são castigo de Deus – vs. 1-2
5. Deus castiga! Na mentalidade da época, (baseada na doutrina da retribuição), supunha-se que as catástrofes fossem castigos que Deus envia aos culpados: pecou, pagou!
5.1. a tragédia do v. 1 talvez se refira ao seguinte fato: Pilatos, querendo construir um aqueduto, decidira utilizar o tesouro do Templo como verba para a construção.
5.2. Isso provocou a resistência de um grupo de galileus, assassinados, enquanto ofereciam sacrifícios no Templo.
5.3. A outra tragédia (v. 4), (de difícil identificação histórica), relata a queda da torre de Siloé, matando dezoito pessoas. E então: castigo de Deus?
b. resposta de Jesus: Deus é o Deus-oferta graciosa – vs. 2-5
6. Deus-vingador x Deus-graça . Jesus acaba com a idéia de que Deus esteja aí para castigar. Ele não é o deus-vingador, mas o Deus-oferta graciosa: “se vocês não se converterem, vão morrer todos do mesmo jeito” (vs. 3.5). O que, pois, são as tragédias humanas? São um convite à aceitação do projeto libertador que Jesus instaura, por meio do qual todos irão ter liberdade e vida. Quando não aceitam esse projeto, as pessoas se destroem entre si e geram um número crescente de excluídos.
7. Em Jesus é oferecida a mais ambiciosa e realizadora promessa: a de fazer a experiência do Deus solidário em tudo até o fim. Essa oferta, contudo, requer mudança de mentalidade (metánoia).
7.1. Se as pessoas aceitarem essa oferta, convertendo-se ao projeto de Deus, terão vida. 7.2. Se não, serão cúmplices de mortes constantes, cúmplices da própria morte de Jesus e construtores da própria desgraça. Para ter vida torna-se necessário aceitar a oferta e aderir a Jesus.
c. Deus é radicalmente bom, generoso e paciente – vs. 6-9
8. Deus é radicalmente solidário e paciente. A parábola da figueira é uma amostra de como Deus é radicalmente solidário e paciente. A figueira é uma das árvores mais comuns e generosas da Palestina. Geralmente plantada em meio a vinhas -que são o símbolo eloquente de Israel- chega a produzir frutos por dez meses, ininterruptamente. Por essas razões, também a figueira representa o povo eleito.
9. Figueira = quem ouve a Palavra. É evidente que, na parábola, a figueira é o povo ao qual Jesus pertence e, por extensão, todos os que ouviram sua Palavra e passam a fazer parte da vinha, o povo de Deus. Quem plantou a figueira e vai procurar frutos é Deus. O agricultor é Jesus. Os três anos podem ser o período de pregação de Jesus, depois do qual esperar-se-iam frutos abundantes.
10. Rejeição do Evangelho. A sentença do patrão, – ao não encontrar frutos, – é severa: visto que Israel é uma figueira ociosa, não tem sentido que continue a viver. Talvez Lucas esteja retratando a rejeição sistemática que o evangelho encontrou por parte das lideranças político-religiosas daquele tempo.
11. O agricultor intervém. A grande novidade vem através da intervenção do agricultor: ele vai adubar a figueira, ou seja, a solidariedade de Deus atinge as raias do absurdo.
11.1. Plantada entre vinhas -certamente produtivas – a figueira é objeto de cuidado especial. Os camponeses daquele tempo sabiam muito bem que não era necessário adubar figueira. Pois bem Jesus ultrapassa as expectativas. Aposta nas pessoas além daquilo que possa parecer absurdo. A solidariedade de Deus é assim!
11.2. Fica no ar, contudo, uma grande questão: será que essa solidariedade vai encontrar ressonância? Não terá o agricultor trabalhado inutilmente?
11.3. Assim é a solidariedade de Deus… mas poderá ser estéril sem o compromisso das pessoas.
1ª Leitura: Ex 3,1-8a.13-15
12. Vocação de Moisés. O texto de Ex. 3,1 – 4,17 relata a vocação de Moisés, chamado à liderança profética. Nesse relato podemos encontrar o esquema clássico de vocação, semelhante ao de Gedeão (Jz. 6,1-24), de Jeremias (1,4-10) e de Isaías (6,1-13). O esquema é o seguinte:
I. apresentação de Deus (Ex. 3,2.6.14);
II. chamado (vv. 7-19);
III. objeção de quem foi chamado (v. 13; cf. 4,1.10.13);
IV. reconfirmação do chamado (v. 16); V. sinais confirmadores (4,2-8).
13. Javé vê, ouve, conhece. Javé se apresenta como aquele que é perenemente fiel: é o Deus dos antepassados Abraão, Isaac e Jacó, o Deus da aliança com os patriarcas (v. 6). E porque é o Deus dos oprimidos, é profundamente sensível aos so - frimentos do povo. Essa sensibilidade é expressa pelos verbos ver, ouvir, conhecer (v. 7). – Ele viu a aflição (= exploração), - ouviu o clamor (em hebraico sa’aq que, na Bíblia, denota sempre um desesperado grito por justiça) – e conhece a servidão (trabalho escravo que tolhe a liberdade).
14. Um Deus presente e atuante: desci para libertar. Isso tudo leva Javé a agir: ”Por isso desci para libertá-lo das mãos dos egípcios” (v. 8a). O seu projeto se identifica com as promessas feitas aos patriarcas: conceder ao povo terra boa e espaçosa, uma terra onde corre leite e mel (v. 8b). Nesse sentido se entende a autodefinição de Deus: “Eu Sou aquele que Sou” (v. 14a), ou seja, o perenemente fiel, o libertador.
15. De condutor de ovelhas a condutor de um povo. Mas a terra prometida em herança está ocupada por outros povos (cf. v. 8). Para ser solidário com o povo oprimido e fazê-lo herdar a promessa, Deus necessita de Moisés. Este deverá se solidarizar com o povo, conduzindo-o à aliança do Sinai (Horeb). Deixando de conduzir ovelhas através do deserto (v. 1), ele deverá levar o povo, através do deserto, à aliança do Sinai e à liberdade na terra prometida.
16. Solidariedade de deus + solidariedade das pessoas. O ser de Deus, portanto, é ser plenamente solidário com o povo oprimido. Para ser efetiva, essa solidariedade pressupõe outra: a solidariedade das pessoas entre si. - Foi Moisés solidário com seu povo? Indo um pouco além, encontramo-lo suplicando: “agora, se perdoasses o pecado deste povo… se não, risca-me, te peço, do livro que escreveste” (32,32). Mais além ele contempla a terra que o povo irá possuir, sem que ele próprio possa nela entrar (cf.Dt. 34,1-4).
2ª leitura: 1Cor. 10,1-6.10-12
17. Carnes sacrificadas aos ídolos. Paulo, nos capítulos 8 a 10 da primeira carta aos Coríntios, vai responder sobre o problema das carnes sacrificadas aos ídolos e vendidas nos mercados da cidade.
17.1. Comer ou não comer? É idolatria ou não?
17.2. A comunidade estava dividida. Os mais esclarecidos (fortes) afirmavam: os ídolos não existem. Portanto, pode-se comer. Os menos esclarecidos (fracos) tinham suas dúvidas.
17.3. A opinião de Paulo é clara: não há problema nenhum em comer dessas carnes, mas a solidariedade deve prevalecer. Portanto, em vez de perder o irmão fraco, por causa do qual Cristo morreu, é melhor abster-se. O amor é o termômetro da solidariedade.
18. O passado deve ser lição para o futuro. O nosso texto vem após a argumentação de Paulo (cap. 8) e estabelece normas concretas de ação, levando os coríntios a discernir o passado para ver onde e por quê o povo de Israel não usufruiu a solidariedade de Deus. Note-se que a comunidade de Corinto era composta por maioria pagãos convertidos. Portanto, o novo povo de Deus, para ser tal, para construir uma sociedade nova, não deve repetir o passado desastroso de Israel.
19. O raciocínio de Paulo, em 10,1-13, pode ser dividido da seguinte forma:
19.1. Deus protege mas o povo não reconhece. Israel, ao ser libertado do Egito, fez a experiência da solidariedade de Deus, que o protegeu com a nuvem, o fez atravessar o mar Vermelho, o alimentou e lhe saciou a sede. Contudo, não foi fiel (vv. 1-5). Na travessia do mar Vermelho, no maná e na água jorrada da rocha, Paulo vê prefigurações do Batismo e da Eucaristia. Como devem agir agora os cristãos que vivem hoje a plenitude daquelas realidades prefiguradas?
19.2. O cristão deve aprender com o passado. A comunidade cristã, – o novo Israel, – deve estar atenta para não incorrer nas mesmas falhas: cobiça, idolatria, fornicação, desconfiança, murmuração. A expressão “como alguns deles” serve de ponto de referências: Paulo compara as duas comunidades, a do êxodo e a cristã, e mostra claramente que o ser cristão supera todas as falhas cometidas pelo Israel do deserto (vv. 6-10). Fazer como fizeram no passado é criar uma sociedade que tem como parâmetro as opressões do Faraó.
19.3. Busca do ideal de comunhão e solidariedade. A comunidade, – lendo a história e discernindo os acontecimentos passados, – percebe-se envolvida pela pedagogia de Deus. O ser cristão, – movido pelo amor, – aponta para o ideal da comunhão e solidariedade das pessoas entre si e com Deus. Deus é fiel (v. 13). Cabe aos cristãos conservar e promover esse clima: aquele que julga estar de pé, tome cuidado para não cair (v. 12).
R e f l e t i n d o...
1. Graça e conversão. Depois dos episódios da tentação e da transfiguração, a liturgia nos propõe o tema da conversão. Neste ano C, o evangelho vai realçar especificamente a graça (nos anos A e B o enfoque recai na catequese batismal e no cristocentrismo).
2. Lucas é o evangelho da graça, dos pobres e dos pecadores. Para receber a graça que nos renova devemos estar conscientes de sermos pecadores. Porém, ao mesmo tempo, que nos conscientizamos do nosso pecado, devemos ter diante dos olhos a perspectiva da graça e do perdão de Deus, nosso Pai.
3. “Tira as sandálias: o chão em que estás é santo!”
A 1ª leitura nos coloca em espírito de “temor do Senhor”. Assistimos a grandiosa revelação de Deus a Moisés, na sarça ardente. Deus está em fogo inacessível. Deus devora quem dele se aproxima. “Tira as sandálias: o chão em que estás é santo!” Deus está em ardor, porque viu a miséria de seu povo e ouviu seu clamor. Moisés será seu enviado para revelar a Israel sua libertação e ao Faraó a cólera do Senhor. E em nome de quem deverá falar? No nome de “Eu estou aí” (= pode contar comigo!).
4. Deus está aí, com seu poder e fidelidade, mas também com sua justiça (Paulo, na 2ª leitura ensina a lição da história de Israel). Eles tinham a promessa, os privilégios, a proteção de Deus. Todos os israelitas experimentaram, – no deserto,- a mão de Deus que os conduzia. Todos foram saciados com o alimento celestial e aliviaram-se na água do rochedo. Contudo, a maioria deles, por causa de sua dureza de coração, – foram rejeitados por Deus (cf. Nm. 17,14). Com vistas ao fim dos tempos e ao juízo, Paulo avisa seus leitores para que aprendam a lição.
5. Eles perguntam e jesus responde.
Lucas 13,1-5 é, se possível, mais explícito ainda. Dentro da concepção mágica de que as catástrofes são castigos de Deus, os judeus perguntavam a Jesus que mal fizeram os galileus cujo sangue Pilatos misturou com o de suas vítimas, quando foram apresentar sua oferta no templo de Jerusalém; ou as dezoito pessoas que morreram porque caiu sobre elas a torre de Siloé. Jesus responde: “a questão não é saber que mal fizeram eles; a questão é que vocês mesmos não se devem considerar isentos de castigo, por serem bons judeus, digo-lhes: se vocês não se converterem, conhecerão a mesma sorte!”.
6. Só Deus é santo. todos nós temos que converter-nos.
As catástrofes não são castigos, mas lembretes! E não adianta pertencer ao grupo dos “eleitos” – os judeus no deserto, os fariseus no tempo de Jesus ou os “bons cristãos” de hoje. O negócio é converter-se! Pois cada um descobre algo a endireitar, quando se coloca diante da face de Deus. Ou melhor, em tudo o que fazemos e somos, (mesmo em nossas ações e atitudes mais dignas de louvor), descobrimos os traços de nosso egoísmo, falta de amor, quando nos expomos à luz da “sarça ardente”. Só Deus é santo. Por isso, todos nós devemos converter-nos sempre.
7. Um Deus misericordioso sempre!
Se, até agora, a liturgia nos inspirou o temor do Senhor, o último trecho do evangelho nos traz a mensagem, – tão característica de Lucas, – da misericórdia de Deus que se mostra em forma de paciência (nos próximos domingos em forma de perdão).… A árvore infrutífera pode ficar por mais um ano, pois talvez ela se converta ainda! Mas… algum ano será o último!
8. Paradigmas da fé. Na Quaresma, – subida para a Páscoa e caminho de renovação de nossa fé, – são apresentados os grandes paradigmas da fé no tempo do Antigo Testamento:
– no 1º domingo: foi o “credo do israelita”;
– no 2º domingo: foi a promessa de Deus que Abraão recebe na fé;
– hoje, 3º domingo: o encontro de Moisés com Deus, manifestando-se na sarça ardente.
9. Encontrar-se com deus = o grande segredo da vida!
Este paradigma pode ser contemplado como a grande manifestação do Deus que liberta os hebreus do Egito, terra da escravidão. Deus, – na sarça ardente, – aparece a Moisés, para lhe dizer que ele escutou o clamor do povo. Ele manda Moisés empreender a luta da libertação do povo e revela-lhe o seu nome: Javé, “Eu sou, Eu estou aí!”
10. Deus está com o seu povo.
Deus está com o seu povo na luta. Paulo nos lembra que isso não impediu que Javé retirasse sua proteção quando o povo pecou pela cobiça e o descontentamento. Jesus, no evangelho, ensina aos judeus que eles não devem pensar que “pecadores” são os que morreram vítimas de repressão policial ou catástrofe natural: os mesmos que se consideram justos é que devem se converter, e Deus há de exigir deles os frutos da justiça.
11. Voltar para deus o coração!
Escutamos, hoje, na Igreja, um clamor pela libertação dos oprimidos, dos discriminados, dos excluídos, dos iludidos…
11.1. Esse clamor é um eco da missão que Deus confiou a Moisés. Mas, ao mesmo tempo, vemos que muitos cristãos ficam insensíveis ao apelo da conversão, não voltam seu coração para Deus.
11.2. E mesmo os que lutam pela libertação se deixam envolver pelo ativismo e pelo materialismo, a ponto de acabarem lutando apenas por mais bem-estar, esquecendo que o mais importante é o coração reto e fraterno, raiz profunda e garantia indispensável da justiça.
11.3. Aliás, a Campanha da Fraternidade nos faz perceber a profunda interação de fatores pessoais e socioestruturais. Por isso é tão importante que nosso coração se deixe tocar no nível mais profundo, para ser sensível ao nível mais profundo do apelo de nossos irmãos.
12. Deus se revela e eu me encontro com ele.
Deus se revela a Moisés num fogo que não se consome – imagem de sua santidade, que nos atrai, mas também exige de nós pureza de coração e eliminação do orgulho, ambição, inveja, exploração, intenções ambíguas, traição e todas estas coisas que mancham o que somos e o que fazemos. Sem corações convertidos, o Reino, o “regime de Deus”, não pode vingar. Se o Deus libertador nos convoca para a luta da libertação, ele não nos dispensa de sempre voltarmos a purificar o nosso coração de tudo o que não condiz com sua santidade e seu amor infinito.
13. Nossa acolhida à constante presença de Deus.
Deus se faz presente na sua e na minha história – hoje. Somos prontos a criticar a acolhida que o ser humano ofereceu a Deus através dos tempos. Mas… e a nossa acolhida à constante presença de Deus na sua e na minha vida, como foi? É mais fácil criticar os erros dos outros…
13.1. Crises financeiras e desastres naturais não são as piores coisas da vida. A pior mesmo é desconhecer a presença de Deus todos os dias na nossa vida. Os mais diversos . sinais que acontecem devem questionar-nos (a nós e não aos outros!), devem convocar-nos para uma conversão cada vez mais profunda do nosso ser em direção ao Criador-Redentor-Santificador. São um convite a uma transformação interior e real daquele que vê o fato e ouve a Palavra do Enviado do Pai.
13.2. Talvez fosse interessante que tomássemos para nós a admoestação grave feita por Jesus: todos somos pecadores e convidados à conversão. Converter-se, voltar para Deus (somos rápidos em voltar para muitas coisas, mas não para Deus!) precisa acontecer este ano, nesta quaresma de 2013… em nós!
prof. Ângelo Vitório Zambon
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