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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Comentário Prof.Fernando


Comentário Prof.Fernando(*)                          Páscoa – 2ºDomingo, 7 abril 2013

 – a Paz esteja convosco
● Crescia sempre mais o número dos que aderiam ao Senhor pela fé – vinham das cidades vizinhas doentes e pessoas atormentadas por maus espíritos. E todos eram curados.
No dia do Senhor... voltei-me e vi alguém semelhante a um "filho de homem" – ele pôs sobre mim sua mão:"Não tenhas medo. Estive morto, mas agora estou vivo para sempre
A paz esteja convosco - Novamente Jesus disse: "A paz esteja convosco. – Tomé: se eu não vir/ não puser o dedo/ não puser a mão... não acreditarei - fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio e disse: "A paz esteja convosco"
·                  Este o resumo das leituras do dia, que, conforme o Lecionário comum (às igrejas cristãs) são: At5,27-32/ Sl 118,14-29/ Ap1,4-8/ Jo20,19-31. Na Liturgia católica hoje também é o “domingo da Misericórdia” . Nas leituras pequenas alterações em relação ao Lecionário Comum: At 5,12-16/ Sl 118,2-4.22-24.25-27/ Ap 1,9-13.17-19/ Jo 20,19-31.
No cristianismo ocidental denomina-se também Domingo da oitava da Páscoa ou “in albis” (porque nos primórdios batizava-se novos cristãos na vigília da Páscoa e suas vestes brancas  (ou alvas – do latim in albis) eram devolvidas na Oitava. Seguindo outra tradição, nos Patriarcados do cristianismo ortodoxo e igrejas orientais hoje é domingo de Páscoa.

atividades dos apóstolos
·                  As atividades dos apóstolos, encarregados de transmitir o testemunho sobre seu Mestre e sua vida, morte e ressurreição, motivavam muitos para aderir à mesma Fé. Mas havia também um círculo mais amplo dos que buscavam cura para suas doenças e seus sofrimentos interiores. Sempre encontramos, sobretudo na Antiguidade, muita carência e miséria no mundo humano. As pessoas também sofriam certamente de doenças, aí incluídos os tormentos psicológicos que, em geral eram atribuídos a “espíritos impuros”. Não é este lugar e momento para analisar a fundo possessões e exorcismos citados nos evangelhos e no cristianismo. De qualquer modo é certo que a bíblia quando se refere a espíritos impuros, visa denunciar em primeiro lugar, tudo o que se opõe à “santidade” de Deus. E quando Jesus libertava e a pessoa “possuída” ela reconquistava seu centro e autonomia, não mais subserviente a medos, dores ou paixões descontroladas. O Mestre chegava a tocar em quem – pelas normas vigentes – era “impuro”. Mais de 600 leis e regras à época, descreviam contaminações e impurezas a evitar. E assim eram afastados os leprosos e outras pessoas em várias situações. Com as curas, Jesus também resgatava sua auto-estima, ficando conhecido como amigo de pobres, publicanos, mulheres, etc.
·                  Os relatos evangélicos ou os Atos dos apóstolos e suas cartas, não destacam nenhum caráter espetacular de milagres e curas de Jesus. Os textos sublinham mais os sinais do novo tempo do Reino de Deus, sobretudo as pessoas libertadas do mal. O que impressionava em Jesus de Nazaré eram os gestos acompanhados de palavras que manifestavam uma autoridade própria (cf. Mc1,22). Quem dele se aproximava: seguidores, como  os discípulos ou os necessitados, recebiam novo ânimo. Muitos se encontravam em paralisia não só por cegueira e outras limitações corporais, mas também por discriminação social. Aos paralíticos, aleijados, cegos e surdos somavam-se os dominados seja por distúrbios mentais seja por vícios ou manias. Os “possuídos” (de fato seria melhor dizer “despossuídos”, pois não tinham o controle de si mesmos) viviam acabrunhados por angústias. Em presença de Jesus de Nazaré nenhum desses demônios prevalecia, pois misericórdia, carinho e compaixão devolviam às pessoas aflitas sua dignidade de filhos de Deus. Faziam “experiência”, por assim dizer de ter sido criados à imagem do Pai.

o Apocalipse anuncia a Pacificação
·                  O início do Apocalipse apresenta o chamado de João para profetizar, isto é, falar em nome de Deus. Esse João vai escrever cartas de consolação para reanimar as comunidades cristãs que à época sofriam violenta perseguição no império romano. O gênero literário chamado apocalíptico (com imagens fantásticas, determinados símbolos e códigos especiais) podia ser entendido pelos destinatários (tinham o “decodificador” dessa linguagem). O livro do Apocalipse usa muitas figuras do livro de Daniel, também escrito no mesmo estilo.
·                  A expressão “dia do Senhor” mostra como – já no tempo dos apóstolos – o primeiro dia da semana substituiu o sábado judaico. A origem do termo Domingo vem de “(dia) do Senhor (diem) dominicum. Os cristãos reuniam-se, conforme as palavras da Última Ceia: “fazei isto em  minha memória”, compartilhando a vida (e até houve tentativas de pôr em comum seus bens e propriedades), ao “partir o pão” pelas casas (1Cor16,2; At20,7 ou 2,42).
·                  Era um “dia do Senhor” quando João teve a inspiração de escrever cartas de consolação às comunidades cristãs perseguidas. Ele mesmo foi reanimado ao sentir-se tocado pela mão do Ressuscitado: “que estava morto mas agora está vivo para sempre”, experimentando a superação de todo medo recebendo a Paz de Cristo.

a Paz traz Vida nova (em grande parte, ainda oculta)
·                  Essa Paz resume a Páscoa. No encontro com seu Mestre – agora glorioso e não mais submetido à fragilidade da vida comum – os apóstolos fazem o aprendizado dessa nova etapa. Afinal foram escolhidos como testemunhas das conversas com o Ressuscitado e para anunciar a maior novidade da história humana: a promessa da vitória sobre todas as mortes, a de cada dia e o desaparecimento definitivo no tempo. Tomé é o protótipo de um processo gradual em que a Fé supera a incredulidade. Ele, como todos nós, está condicionado a ver e tocar, porque vive sem esperança, sem saber em que amigos confiar. Na cena em que Tomé – depois de rejeitar o testemunho dos companheiros – encontra-se pessoalmente com o Mestre, aparece de novo o jeito carinhoso desse Deus paciente, cujo nome é Misericórdia, Solidariedade, Compaixão, Amor, Perdão, Compreensão.
·                  Crer é saber que no Cristo temos as “primícias” (=primeiros sinais, primeiros frutos) da renovação de toda a criação. Crer é aceitar que Jesus de Nazaré inaugurou um mundo novo e um tempo novo, ainda que não sejam visíveis ou percebidos facilmente. Esse ocultamento pode ser comparado com a aceitação da presença e movimento dos corpos celestes não registrados em imagens, mas deduzidos de cálculos da astrofísica. De forma semelhante para crer – já não mais no campo das ciências, mas a partir da vida de pessoas – aceitamos seu testemunho. Luther King, Gandhi, Madre Tereza, entre outros são nomes que deram testemunho de valores que ultrapassam os cálculos. Talvez em pessoas próximas, vizinhos, amigos, também conheçamos quem indique, em suas vidas, o Mistério maior. Em todas as religiões e em todas as pessoas podemos encontrar vestígios da presença do Espírito, garantia da plenitude – lembra Agostinho na Oitava de Páscoa (ver texto ao final).
·                  A paz, que a Páscoa de Cristo oferece a todos os seres humanos de todas as nações não é o simples equilíbrio de forças na política internacional e regional. Essa paz não pode consolidar-se sem a do interior das pessoas, que vem amor e misericórdia do Pai. Ela não pode ser imposta como a “pax romana”, própria dos impérios nascidos do poder das armas ou riquezas, injustos e provisórios. Desejamos a Paz conquistada por Cristo a preço de seu sangue, i.é. numa vida (do nascimento à morte) entregue livremente, como quem aceita ser feito prisioneiro em trocado da libertação de uma criança seqüestrada. Ajuda-nos na Fé e reforça nosso desejo de Paz estas palavras de Francisco, atual bispo católico de Roma (30.3.13-vigília de Páscoa):
Jesus é o «hoje» eterno de Deus. (...) vitória sobre o pecado, sobre o mal, sobre a morte, sobre tudo o que oprime a vida e lhe dá um rosto menos humano. (...) “Porque buscais entre os mortos quem está Vivo? [Lc24,5] Os problemas, as preocupações de todos os dias tendem a fechar-nos em nós mesmos, na tristeza, na amargura… e aí está a morte. Não procuremos aí quem está Vivo! (...) Ele está perto de ti, está contigo e dar-te-á a paz.
Podemos concluir com as palavras de Agostinho (sermão da Oitava de Páscoa, dirigindo-se ao batizados no sábado da Páscoa - PL 46,841): Hoje é o oitavo dia de vosso nascimento, (...) sinal que para os patriarcas antigos era a circuncisão, oito dias após o nascimento no mundo. Também o Senhor imprimiu o seu selo no seu dia (...). Hoje, porém, no ciclo semanal, é o oitavo depois do sétimo, ou seja, do sábado, e é o primeiro da semana. Cristo, ao fazer passar o próprio corpo da mortalidade para a imortalidade, marcou o seu dia com o distintivo da ressurreição. Vós participais do mesmo mistério, ainda não em realidade plena, mas na esperança segura, porque tendes um penhor seguro: o Espírito Santo. “Se, pois, ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde o Cristo está sentado à direita de Deus; pensai nas coisas do alto, não nas da terra. Vós estais de fato mortos e vossa vida agora está escondida com Cristo em Deus! Quando Cristo, vossa vida, se tornar visível, então vós também ides aparecer na glória com ele” (Col3,1-4)

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http://homiliadominical2.blogspot.com.br/ (*) Prof.(Usu-Rio) Educação, teologia e ética fesomor2@gmail.com

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