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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Comentário Prof.Fernando


Comentário Prof.Fernando(*)                          Páscoa 3ºDomingo, 14 abril 2013

– o peixe e o pão –

·                 Não pescaram nada naquela noite. Ao amanhecer Jesus na margem do lago. Mas os discípulos não sabiam que era ele. Então disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer? E, ao saber que nada pescaram: lançai a rede à direita da barca e achareis. Em terra firme, eles viram brasas acesas com peixe em cima.  E pão: Vinde comer. Jesus tomou o pão e distribuiu-o. E fez a mesma coisa com o peixe. Apascenta os meus cordeiros...as minhas ovelhas,,, e uma terceira vez: Apascenta as minhas ovelhas. Quando eras jovem ias para onde querias, quando fores velho outro te levará para onde não queres ir... (cf.Jo21,1-19)

·                  Tema constante em João, a noite sinaliza incerteza e medo, um Deus distante, a solidão humana, agonia no horto, abandono na cruz. Amanhece e é luz que vem, vencendo a escuridão, sinalizando confiança e certeza pela presença silenciosa do Criador da vida, capaz de vencer a morte e promover reconciliação entre os humanos. A conhecida “pesca milagrosa” é a Síntese desse quarto relatório da “Notícia Boa” (=eu-ang[u]élion), o Evangelho segundo o redator João. A frase final desse último capítulo frisa que a testemunha só resumiu um pouquinho de tudo o que aconteceu, pois o Mestre fez ainda muitas outras coisas que, se fossem todas escritas, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever (verso 25)

falta comida e sobra desânimo

·                  Os discípulos estão dispersos. O Mestre não está mais todo dia junto deles. Uma parte dos 12, desanimados, voltam às antigas atividades da profissão de pescadores. Mas até sua tarefa profissional e comercial é um fracasso. Já se encontraram algumas vezes com Jesus na nova condição de Vivente (cf.Apocalipse), mas o dia a dia, sem sua presença visível não é a mesma coisa. Esse texto de João foi escrito cerca de 50 anos depois da passagem de Jesus pela Palestina numa época de perseguição. Confiança e coragem dos cristãos ESTÃO abaladas sob a pressão, de um lado desprezo no ambiente de sua religião e, de outro, pelo ódio do império romano. No texto retoma-se um tema central da bíblia: o alimento e a fome. Ei, rapazes, vocês têm algo para comer? (E responderão: Não ! ).

o pão nosso de cada dia

·                  O Gênesis começa com a abundância de alimentos num Paraíso. A libertação, no Êxodo, é marcada pela Ceia de páscoa. A travessia do deserto é conflito constante entre a Confiança (cresce quando há o Maná ou água brotando  do rochedo) e a lamúria (pela saudade ds cebolas e da comida servida até aos escravos). Resta a esperança de chegar à terra onde corre leite e mel. Profetas, assim como Jesus nas parábolas, falam de vinhas e banquetes – figuras recorrentes do Novo Reino que está para acontecer. No mundo atual sabemos que, sem a Paz trazida pelo Filho de Deus (que é também “o Filho do Homem”) não acaba a fome de milhões. Não são suficientes a ONU, as tecnologias e muito dinheiro porque há outros “reinos” com sua política e mecanismos mantendo o “equilíbrio” pela fome.

·                  Comida e fome, além de problema real em qualquer economia em qualquer época da história, é a base da vida, da saúde (salvação) do ser humano. O Mestre chega com o Amanhecer. Traz a luz para superar toda tristeza. E prepara o peixe na brasa. E oferece pão. Ele vem repartir com os amigos, primeiro o peixe (conservação da vida), depois o pão (que também é a memória da entrega de sua vida – eucaristia – e sinal da fraternidade universal. O místico H.Nouwen escreveu certa vez que, em meio ao fracasso e à fragilidade, somos invadidos pela tristeza e parece que nunca mais conheceremos a alegria. É quando mais precisamos amigos para nos lembrar que “de uvas esmagadas se faz o vinho”. Então podemos reencontrar a alegria perdida. Venham comer, disse Jesus logo após o “sinal” dado ainda da praia (lançai as redes). E ficaram abarrotadas pelo milagre.

– preparando o peixe sobre as brasas –

·                  Antes ele convocava os seus para ser “pescadores de homens”, principalmente Pedro, a quem confiou a liderança do grupo. A Pedro agora ele repete (tantas vezes quantas antes o apóstolo fugira, esquecendo que era discípulo e amigo: apascenta minhas ovelhas; apascenta;  apascenta! È um chamado não só para a sobrevivência (pescador) nem mesmo apenas para a fraternidade (“pescador de seres humanos”). Pescar pode ser uma ação pontual, diz um teólogo (Domergue, 2007), mas ser pastor supõe cuidados permanentes com as ovelhas, pois o verdadeiro pastor dá sua vida por suas ovelhas (Jo10,11) – precisamente o que Pedro recusara antes (Mt16,22) deste novo chamado (o “Segue-me” no versículo 19).

·                  Em geral nós também não reconhecemos a presença daquele que venceu a morte, apesar de estar tão perto: ei, rapazes, vocês têm algo para comer? Só pouco a pouco os apóstolos perceberam que ele não só estava entre eles, de novo, mas era um novo Jesus, ele mesmo, vivo para sempre. Precisamos desse olhar novo sobre o Novo, para um relacionamento novo, diferente do tempo e das estradas antes percorridas. Porque nos custa aceitar a novidade do eterno (sempre presente) de Deus. Nele mergulhamos pela Fé, como a a criança se joga na confiança de ser amparado pelos braços do pai ou da mãe. Às vezes sentimos que é aparentemente mais firme o terreno das ciências e mesmo o das práticas religiosas. E não prestamos atenção ao Mistério de quem nos prepara um peixe sobre as brasas. E nos dá o pão. Sobretudo o pão da amizade.

·                  Nós, com freqüência, não oferecemos o peixe da sobrevivência aos outros, nem exercemos o “Cuidado” ou o carinho da amizade que precisam. Tive fome e sede e não me deste de comer e nem um copo d’água; estive doente ou preso e não me visitaste (cf. Mt25). Uma palavra, uma visita, um incentivo, uma presença. Sobretudo nos momentos de fracasso eventual ou da fragilidade comum da vida. Quando fores velho outros te levarão aonde não queres também significa (para Pedro e para nós): quando tiveres no papel de “pastor” (pai ou mãe, responsável, amigo ou amiga) irás até onde nem pensavas em chegar. Serás pastor. Tem cuidado e prepara o peixe sobre a brasa para quem precisa de ti.

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http://homiliadominical2.blogspot.com.br/        (*) Prof.(Usu-Rio) Educ. teol. e ética fesomor2@gmail.com

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