.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 16 de abril de 2013

Comentário Prof.Fernando


Comentário Prof.Fernando(*)                Páscoa – 4ºDomingo, 21 abril 2013

– de ovelhas e pastores –
·                 Entrando na sinagoga em dia de sábado, sentaram-se; muitos judeus e pessoas convertidas ao judaísmo seguiram Paulo e Barnabé – outros, cheios de inveja e, com blasfêmias, opunham-se ao que Paulo dizia – sabei que vamos falar aos pagãosprovocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos- da cidade (At13). Ele é Deus, ele mesmo nos fez, nós somos seu povo e seu rebanho (Sl 100). Nunca mais terão fome nem sede, nem os molestará o sol nem calor ardente. O Cordeiro será o seu pastor conduzindo-os às fontes da água da vida: Deus enxugará as lágrimas de seus olhos (Ap 7). As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão (Jo10)
– uma mensagem para todas as nações e todas as culturas –
·                  A difusão da mensagem (hoje chamamos “cristã”) começou com os apóstolos, grupo de 12 escolhidos pelo próprio Mestre, líderes do grupo mais amplo de discípulos. Quando Paulo se fez cristão, formavam-se as primeiras comunidades em Jerusalém e cidades vizinhas. Com aprovação dos demais, assume também ele as funções de Apóstolo e são formando comunidades pelo império romano. Com “dupla cidadania” (era judeu, do partido dos fariseus e cidadão romano, direito herdado do pai – At22,28). Será o grande responsável pela difusão da fé em inúmeras cidades, conseguindo a adesão de judeus e pagãos. No começo os apóstolos achavam que professar o judaísmo seria uma condição para ser cristão (até o líder do grupo, Pedro, pensou assim). Mas não demorou muito para que eles batizassem quem aderisse à Fé no Ressuscitado. Segundo a narrativa de Lucas (Atos 13) Paulo e Barnabé tomavam assento nas sinagogas. Mas também houve inveja de outros membros de sua religião e cultura (judeus, por etnia ou por conversão). Foram perseguidos porque pregavam aos judeus e aos pagãos.
– a consolação, cordeiros, pastores e ovelhas –
·                  A leitura do Apocalipse continua nesse tempo de Páscoa com um de seus temas típicos: a consolação escrita para encorajar os perseguidos sob o imperador Domiciano (assassinado no ano 96 d.C.). O gênero literário apocalíptico, bem como os textos proféticos e as parábolas de Jesus, usam muito as figuras do cordeiro e da ovelha, do pastor e do rebanho. As figuras usadas no mundo antigo eram de fácil compreensão no seu contexto e seu tempo cultural. No mundo contemporâneo, poucos vilarejos rurais em poucos países estão fora da nossa “aldeia global”, urbana e tecnológica. E ainda menor é o número dos que conhecem a profissão dos pastores e a criação de ovelhas. Além disso, prezamos muito, na modernidade, o Indivíduo e sua Autonomia, valorização que nos coloca ainda mais distantes da imagem de “rebanho”. Esse lembra multidão anônima ou a impessoalidade das massas, pouco independentes e até dominadas por fanatismos.
·                  Para compreender a mensagem de textos antigos, cheios de imagens e figuras de outros contextos diferentes, precisamos “traduzi-las” para nosso universo simbólico. Contudo, alguma informação sobre a outra cultura pode aproximar-nos de seus significados. Seja como for, mesmo no cenário antigo de ovelhas e pastores, a bíblia nos surpreende. A Palavra nos desconcerta, e traz um novo sentido dentro de outro, em comparações quase absurdas.
– os contrários (não são contradições) em Deus –
·                 O pastor entra pela porta, mas no verso 7 torna-se ele mesmo a porta!! No Apocalipse o cordeiro torna-se pastor. E como é possível que os salvos possam “embranquecer” suas roupas “no sangue”? Parece até que na Bíblia as comparações transformam tudo no seu contrário. Jesus ensinou: só se torna senhor quem for servidor. E é acolhendo a morte que se entra na vida ou – dá no mesmo – a morte foi condenada a produzir seu contrário, a vida. É que nós devemos “morrer para nós mesmos” superando, por ex., nosso olhar muito imediato para deixar espaço ao outro (qualquer casal numa vida em comum conhece esse caminho).
·                  Certamente o que faz o cordeiro virar seu contrário (o pastor) é o Amor, esse outro nome do Deus que reconcilia os contrários. Porque ele é o Uno e o Múltiplo. Ver o final do trecho do evangelho (verso 30): “o Pai e eu (são dois!) somos Um (o Único)”. Afinal esperamos a plenitude de vida, isto é, participar da unidade ou união com o divino. Isso implica – durante a caminhada – que não nos fixemos em certezas imutáveis, mas sejamos abertos ao que vem até nós. É no serviço que alguém pode tornar-se senhor, porque é assim que Deus age em nós, e assim caminhemos na mesma estrada que ele percorreu: no dom de si que, afinal, conduz-nos às “fontes da água da vida” (Ap.verso17). Antigos místicos usaram muito a expressão “abandonar-se à Providência”. Isso é: viver em liberdade, na certeza de que nada, nem ninguém, poderão arrancar-nos da mão dele (versos 28 e 29). Porque ele “conhece” pessoalmente cada uma de suas “ovelhas” e não deixará “nenhuma desaparecer.
(“os contrários” resume Domergue em croire.com)
oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
http://homiliadominical2.blogspot.com.br/        (*) Prof.(Usu-Rio) Educ. teol. ética fesomor2@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário