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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 23 de abril de 2013

Comentário Prof.Fernando


Comentário Prof.Fernando(*)                              Páscoa – 5ºDomingo, 28 abril 2013


 – Ele é bom para com todos , sua ternura abraça toda criatura (sl 145) –
·                    Contaram-lhe que Deus havia aberto a porta da fé para os pagãos (At 14). Vi um novo céu e uma nova terra: Deus enxugará toda lágrima, a morte não existirá mais, nem luto nem choro nem dor: passou o que havia antes - Eis que faço novas todas as coisas (Ap 21). Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros" (Jo 13,31-35). [ Diferenças no Lecionário “LCR”: At 11.1-18 : a visão de Pedro: para além de modelos exteriores sobre profano e sagrado; o Espírito é dado também aos não batizados. Salmo 148: as criaturas louvam e toda a criação revela o Criador.
·                    O relatório de Lucas sobre o início do Cristianismo (o livro de Atos) mostra que a grande novidade é a presença do Espírito na liberdade que vem de Deus. É ele que impulsiona as comunidades cristãs ao anúncio da Boa Notícia (Evangelho). É ele que inventa essa “porta aberta” a todas as pessoas de todas as culturas e nações. E o anúncio é a declaração da Esperança (cf. Apocalipse): “faço novas todas as coisas”. O que se anuncia é que o ser humano não está destinado ao fracasso, mas a uma nova criação, à realização do que seria impossível ou da Utopia: novos céus e terra, sem lágrimas nem dor. E, finalmente, há uma terceira e definitiva dimensão dada à vida humana: o serviço, esse “lavar os pés” uns aos outros ou Amor. Completa-se, dessa forma a doação do que chamamos “dons teologais”, isto é, as virtudes ou forças dadas pelo próprio Espírito e colocadas no interior do coração humano (cf. 1Co13,13): os dons em nós são estes 3: fé, esperança e amor. Mas o maior deles é o amor. Esse o testamento com a herança deixada aos amigos do Mestre.

– amor, palavra de muitos sentidos –
·                    Amor e amar tornaram-se termos muito repetidos e desgastados, em tantas leituras e pregações religiosas bem como nos inúmeros recantos da cultura humana (ver o uso freqüente de termos como cartas e filmes de amor ou na expressão “fazer amor”, etc.). Pode até acabar em significados demasiado prosaicos ou reduzido a certo romantismo até “meloso” ou ainda ficar a serviço de promoção pessoal ou política revestindo até campanhas em favor de pobres... Menos mal, quando serve de ajuda a quem dela precisa... O amor tem, assim, muitas faces, várias formas ou... até se deforma. A qual “amor” se referia Jesus de Nazaré? No fim da vida, ele conhecia a próxima traição de Judas, cuja saída antes do fim da Ceia (verso 31), provoca em Cristo aquela declaração sobre ter chegado a hora de ser glorificado o Filho e, nele, o Pai também será glorificado. Não nos é fácil compreender o que quer dizer tal “glorificação”. Poderíamos traduzir: vamos “fazer justiça” a Deus. Mas, como se pode “fazer justiça” ao onipotente? Só no reconhecimento de quem ele é. E, como no Credo, ele reconhecemos que – antes de “todo-poderoso” – ele é “Pai”, não no sentido comum de qualquer pai ou mãe, mas como A origem ou raiz, O criador“: tirou-nos do Nada para a Vida.

– o que significa “a glorificação”? –
·                    No entanto, continua difícil compreender essa “glorificação” porque essa é a hora em que o Cristo vê que chegou a um ponto sem retorno. Era previsível (depois de ter ele escapado tantas vezes da morte) que, finalmente, a inveja e o ódio dos inimigos o levariam à prisão e condenação. Por isso sofreu a “agonia” a ponto de suar sangue na derradeira aflição solitária do Jardim das Oliveiras Pai, se for possível, afasta de mim esse cálice... Dor maior terá sido perceber o abandono dos amigos (não pudestes ficar nem uma hora em vigília comigo?). Nossa fé é frágil diante do paradoxo da cruz – em qualquer vida humana – caminho para a Vida. Mas Jesus faz a conexão da “glorificação” com (logoa a seguir) o “sinal” do amor.

– entre o amor erótico e o de amigo, o amor de “ágape” –
·                    O diferencial do “novo mandamento” não é propriamente o amor. Afinal ele é uma experiência humana universal, mesmo com falhas ou excessos. Todas as religiões (na Lei mosaica o “amai-vos” já constava em Levítico 19,18) propõem-se à difusão do amor. O “novo mandamento” é o seu modo de praticar: “assim como eu vos amei”. Isso é original e realmente “novo”, a ponto de se tornar o “sinal”, ou a “marca”, para distinguir os discípulos. Embora o verbo “agapáo” (em grego = amar com afeição) seja usado nos textos clássicos o termo ”agápe” (amor) só é encontrado em textos do Novo Testamento, indicando esse modo único de colocar-se a serviço dos outros que pode chegar à doação da própria vida. O Agápe originário é a opção do Criador pela humanidade, doação feita na pessoa do Filho, o Verbo – a Palavra ou a Comunicação de Deus – que deixou visível, aos olhos humanos, o rosto divino.Um dos “pais da igreja”, Irineu de Lyon, escrevendo [cf. Adversus haereses, 4,20,7] em fins do 2º século, assim fala sobre Cristo, que, por sua Encarnação é a visibilidade do Pai invisível: mostrando Deus aos homens e apresentando o homem a Deus, preservando a invisibilidade do Pai (...) e tornando-o visível aos homens (...). Pois a glória de Deus é o homem vivente, e a vida do homem consiste na visão de Deus. E conclui: Se a revelação de Deus por meio da criação já é portadora de vida para todos os seres vivos, quanto mais essa manifestação do Pai por meio da Palavra não dará vida aos que já veem Deus!! (no Verbo, na Palavra, em Jesus de Nazaré como disse a Filipe na Ceia: quem me vê, vê o Pai (Jo14,9).
·                    O amor-Agápe do Filho em certo sentido não pode ser repetido pelos seus seguidores (salvos por esse amor), que podem, em outro sentido, seguir seu exemplo, como no gesto simbólico do lava-pés, ou seja, no serviço de uns pelos outros, e até a morte, se necessário. O ponto de referência no amor é o próprio Jesus de Nazaré: como eu vos tenho amado..“Amar” consiste em acolher, pôr-se ao serviço dos outros, dar-lhes dignidade e liberdade, sem limites nem discriminação alguma, respeitando absolutamente a liberdade do outro (episódio de Judas).  Jesus é a norma, não com palavras, mas com atos. O “discurso da Ceia” traduz em palavras os seus atos (cf.capuchinhosprsc.org.br/pdfs/homilias_ano_c).

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http://homiliadominical2.blogspot.com.br/    (*) Prof.(Usu-Rio) educ.teol. e ética fesomor2@gmail.com

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