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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 30 de abril de 2013

Comentário Prof.Fernando


Comentário Prof.Fernando(*) Páscoa: 6 ºDomingo,05 maio 2013 –o dom da Paz

– SUA FACE RESPLANDEÇA SOBRE NÓS (SALMO 66) –
·                 decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo, além de algumas coisas indispensáveis (At 15). Se alguém me ama, guardará a minha palavra e faremos nele a nossa morada. O Defensor (o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome) vos ensinará. Deixo-vos a paz, a minha paz; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração (Jo14,23-29).

– ENCONTROS E DESENCONTROS –
·                 O livro dos Atos, nas leituras de Páscoa, mostra como o cristianismo nascente se distingue progressivamente de um “partido” ou tendência dentro do judaísmo. No tempo de Jesus os grupos político-religiosos (como: saduceus, doutores da Lei ou escribas, fariseus, essênios, herodianos, zelotas) dividiam-se entre posições fundamentalistas ou rigoristas, uns mais religiosos, outros mais políticos, alguns mais nacionalistas, outros mais conciliadores em relação aos romanos. Cada qual elaborava sua interpretação da Lei e das outras Escrituras sagradas e, sobretudo, sobre o Messias (um novo Davi) que deveria vir.
·                 Conflitos também havia entre os primeiros cristãos, tendências e grupos. O encontro dos representantes da comunidade de Antioquia, liderados por Paulo e Barnabé, com as lideranças (Thiago e Pedro) e membros da comunidade de Jerusalém ficou conhecido mais tarde como o “1º concílio”. Já havia consenso anterior quanto à distribuição de ministérios entre Paulo e Pedro: “evangelização dos incircuncisos” e “dos circuncidados” – cf.Gál2,7). Isso não excluía ocupar-se também dos que tinham origem judaica, tanto Paulo na diáspora como Pedro e seu grupo atendendo aos judeus na Palestina (cf.Gál2,9). Se Paulo e companheiros davam prioridade aos pagãos, Pedro e seu grupo atendiam à maioria formada por seus irmãos de religião e de etnia. Mas todos, inclusive Jerusalém como a igreja-mãe dos cristãos, aceitara que o Espírito fosse também dado aos gentios (cf. At 11). Alguns, porém, queriam ainda ver os gentios submetidos aos ritos do judaísmo e não apenas cristãos. Pedro e Paulo já havia discutido a questão, mas só o “1ºConcílio” trará o consenso e a paz. A fé em Jesus Cristo não impõe fardos (cf.Atos), mas propõe o grande desafio, “guardar a Palavra” do Mestre: o “amai-vos” que é seu testamento.
·                  Por que a paz é difícil e por que somos facilmente levados pela agressividade e pela mútua agressão? Por que com facilidade vivemos de intolerância com imposição de fardos uns aos outros em vez da ternura de Deus (salmo 145)? Uma cultura de paz só pode desenvolver-se pela irradiação de pessoas em cujo coração habita o próprio Deus. Na verdade é pequena a nossa fé para levar a sério as duas promessas finais do Mestre habitar no homem e dar-lhe seu Espírito e Paz. A fé nas promessas de convívio com o Mistério e sua compreensão pelo ensino próprio do Espírito é possível, pois ele é o autor da Paz – que não é dada como a paz que nasce do próprio mundo. A sua Paz traz a força para superar toda turbulência de coração e todo medo. A sua Paz não é calmaria mas coragem.

– DE ONDE SURGE O “DIABÓLICO” DOS CONFLITOS –
·                 De onde nascem as ameaças à paz? Elas germinam no coração humano, brotando da semente do medo e da insegurança. A isso foi dado o nome de “pecado original”: há uma tendência em cada um de nós de julgar tudo e todos à volta como ameaça ao nosso eu. O Eu se torna então “diabólico” ao se afastar com ares de superioridade, embora sua intenção seja a de se preservar, porque tem medo de ser engolido pelo mar da existência. O sentimento mais espontâneo não é o da criança que confia – nelas Jesus reconheceu a presença do seu Reino: Mc 10,14 – surgindo o medo e a insegurança. Que nos tornam “demônios”, isto é escravos do “diabo”. Quem desconhece as dores da separação, da divisão e das agressões entre pessoas e grupos que supostamente deveriam estar unidos? Mais do que a violência urbana ou o crime, todos temos experiência do conflito, seja entre membros da mesma família ou parentes; seja entre amigos e vizinhos. O mesmo acontece entre membros da mesma igreja como entre igrejas irmãs ou próximas. A guerra é gerada entre fronteiras ou nas ameaças de nações e etnias, bem como entre ricos e pobres, sem esquecer que existe também dentro de cada um desses grupos. Todo mundo já sentiu o medo, ou o preconceito, que brota dentro da alma, diante do diferente, do doente, do deficiente, do estrangeiro, da pessoa necessitada em geral? Cresce o Medo entre a Ignorância (diante do não conhecido) e a Insegurança. E viramos “demônios”...
·                 Qual a marca ou característica da figura demoníaca, do diabo e de seus demônios? Não é este o lugar para discutir qual é sua natureza (se é “anjo decaído” ou se é metáfora ou personificação do mal, além de muitas outras questões conexas). Sejam quais forem as teorias e as respostas encontrada, o que importa é a certeza que o Cristo venceu (também para nós) todo mal. Sois fortes, pois a Palavra de Deus está em vós e vencestes o Maligno; foi para destruir as obras do diabo que o Filho de Deus se manifestou (1Jo2,14; 3,8). Jesus subjugou, sob a cruz e ressurreição, todos os poderes – angelicais ou dominadores – conforme a linguagem da tradição judaica em que foram formados Paulo e Pedro. Esta linguagem se reflete em suas cartas: despojou Principados e Potestades – após submeter os Anjos, Dominações e Poderes (cf. Col 1,15 – 1Pe 4,22). Paulo em 1Cor os chama “príncipes deste mundo”. Em Efésios retoma o mesmo tema da supremacia do Kýrios (do Senhor) sobre todas as potências terrestres ou celestes. Em geral Paulo usa os nomes tradicionais em que a tradição judaica descreve as hierarquias angélicas: Principado, Poder, Virtude, Senhorio (cf Ef 1,20). Em Ef 6,10-12 reduz a “manobras do Diabo” tudo aquilo que exige nossa luta espiritual contra os s Principados, Potências e os Regentes de mundo de trevas, contra os Espíritos do Mal que habitam os espaços celestes. Com efeito, usando a linguagem de seu tempo, Paulo também se refere às forças que povoavam o espaço (entre Deus e o ser humano) que, segundo os pagãos antigos era governado pelos astros e, segundo as tradições judaicas pelas hierarquias de anjos. Colossenses e Efésios combatem a influência de doutrinas pagãs sobre as potências “do ar” expondo a doutrina paulina que pretende demonstrar o senhorio exclusivo do ressuscitado sobre tudo.

– O CALUNIADOR E O ACUSADOR CONTRA A PAZ E A UNIÃO –
·                 Sobre o comportamento “diabólico” a Bíblia indica muitos nomes, variando segundo os tempos (quando os livros da Escritura foram copiados e compilados) e em vários estilos literários. Os mais usados são: demônios, diabo, satanaz, o príncipe deste mundo, o maligno, o inimigo. “Diabo” foi identificado no N.Testamento ao Satan (nome já existente no A. T. – ver adiante). O “dáimon” da antiguidade não era necessariamente figura de maldade. Etimologia: diábolus (latim), de diábolos (grego) Vem de diá+bolos que significa em geral o caluniador. Ao pé da letra = o que é jogado “entre” duas partes. Por isso ele “divide”, enquanto “dia-logo” é : “a palavra colocada entre”. A Diá-bolos podemos opor o Sym-bolos (=senha, garantia; etimologia=  syn + bolos , isto é, “colocado junto”. Era costume partir um dois uma peça ou uma moeda para servir de senha ou sinal que identificava o portador. Semelhante é hoje o coraçãozinho partido em dois dado como presente entre namorados. Cada um carrega metade do “símbolo” como lembrança do outro. O “sým-bolos” é a união ou a unidade. O inverso é o dia-bolos.
·                 No medo de perder espaço e autonomia podemos acabar como acusadores. Quase um instinto de sobrevivência: cada qual se acha estar do lado da verdade e da razão. Ao nos comportar como acusadores, somos demônios, pois o “acusador” é outro apelido do Diabo. Lemos em Ap 12,9: o Dragão, a antiga Serpente, o Diabo ou o Satanás, como é chamado e em 20,2: o Dragão, a antiga Serpente – o Diabo, Satanás. “Satan”, ou Satanás é usado na versão grega da Bíblia é termo hebraico que significa, em geral, o “adversário” e, em particular, aquele que desempenha no tribunal o papel de “Acusador” (ministério público). Outros nomes, como Dragão e Serpente simbolizam na tradição judaica, o poder do mal que é contra Deus e seu povo e que será destruído no fim dos tempos.
·                 Segundo Domergue, nosso amor pelo Cristo se “materializa”, se assim podemos dizer, em nosso amor ao “próximo”. Lucas10 explica que nós fazemos de alguém nosso Próximo quando dele nos aproximamos. Fazer do outro o Próximo é o próprio gesto do Verbo ao fazer-se Carne. Assim toda a humanidade é presença do Cristo. Somos com Deus e os outros, um corpo único, pois Deus, que é Um, gera unidade. Ou, nas palavras de Inácio de Antioquia: ele une porque é – nele mesmo – a União. Quanto a nós: só escolhendo na liberdade, para acontecer a união.
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(*).Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) fesomor2@gmail.com

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