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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 12 de abril de 2013

JESUS APARECEU AOS PESCADORES


III DOMINGO DA PÁSCOA

Comentário Prof.Fernando


DOMINGO DIA 14 DE ABRIL

JESUS APARECEU AOS PESCADORES

Introdução


        E Jesus apareceu de novo aos discípulos. Nenhum deles se atrevia a perguntar quem era Ele, pois sabiam que era Jesus. E João disse a Pedro: "É o Senhor"...  Esta foi a terceira vez que Jesus ressuscitado apareceu aos discípulos. Continua


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“... TU  ME AMAS? APASCENTA AS MINHAS OVELHAS.” - Olívia Coutinho

III DOMINGO DA PÁSCOA

Dia 14 de Abril de 2013

Evangelho de Jo 21,1-19

Ainda estamos vivendo as alegrias do acontecimento que marcou a história da humanidade, o ápice do ano litúrgico, a feliz conclusão do drama da Paixão de Jesus, que deu lugar a uma imensa  alegria depois da dor!
A liturgia deste tempo forte, nos insere no mistério do amor de Deus, nos impulsiona a alargar os nossos  passos nesta nossa caminhada de fé.
Não basta crermos  na ressurreição de Jesus, é preciso  vivê-la no nosso dia a dia,  aceitando a nossa condição humana, nossas fragilidades, imperfeições, sempre na certeza de que, configurados  ao  Cristo Ressuscitado, tornamos fortes!
Viver a ressurreição, é descobrir o segredo da verdadeira felicidade, é  ter o olhar transfigurado pelo Espírito Santo que nos faz enxergar com clareza o que está oculto aos  olhos do mundo.
A ressurreição de Jesus, marca o início da  Sua presença definitiva no meio de nós!  Quando  sentimos fugir de nós o horizonte, quando nos entregamos ao desanimo,   é sinal de que não estamos reconhecendo  esta  presença viva de Jesus em nossa vida!  Jesus é o horizonte novo que se abre para nós! É a  fé no Cristo ressuscitado, que  nos devolve a alegria de viver, que reacende em nossos corações a luz da esperança,  devolvendo  o brilho ao nosso olhar!
A todo instante, Jesus se faz conhecer, através de  “pequenos” sinais, mas muitas vezes não captamos estes sinais por estarmos voltados somente para os nossos interesses pessoais.  E assim, vamos deixando Jesus de lado, quando o que Ele mais quer, é estar dentro de nós, direcionando a nossa vida. 
   Todos  nós, somos chamados a dar testemunho da ressurreição de Jesus, não com provas históricas e sim, com o  nosso  testemunho de fé.
A  primeira parte do evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, nos coloca diante o mar de Tiberíades, onde se deu a terceira aparição de Jesus, segundo o evangelista João.
Deste texto cheio de significados, podemos tirar seguidas mensagens que com certeza, irão nos ajudar muito  na nossa caminhada de fé.
O mar de Tiberíades significa o mundo, ou seja, o campo de trabalho onde o discípulo de Jesus deve atuar. O numero grande de peixes (153) significa a grande quantidade de pessoas a serem “pescadas”,  ou seja, a serem atraídas para o Reino de Deus! O insucesso da pesca,  vem nos alertar sobre o perigo da nossa auto-suficiência, do nosso não estar unido a Jesus, no exercício da nossa missão. A pesca abundante, fala-nos  da importância da  nossa obediência a Deus, do êxito da nossa  missão, quando nos abrimos a ação de Deus!  
A narrativa nos leva a crer, que mesmo alegres com a ressurreição de Jesus, os discípulos ainda não conseguiam dar passos na evangelização. Sem a presença física de Jesus,  sem  um líder que os guiassem, o grupo parecia um pouco que perdido, sem saber por onde começar a missão que a eles fora designada por Jesus.
Talvez, um vacilo na fé, os fizera retroceder, voltar a profissão de antes. Por um momento, o grupo, seguindo a iniciativa de Pedro (" Eu vou Pescar") abandonam o barco de Jesus, e de pescadores de homens, voltam a  pescadores de peixes.
Mas Jesus não os abandona, entende a fragilidade humana e nesta terceira aparição, coloca o grupo à caminho, sobre a liderança de Pedro. De Pedro, Jesus  exige um único requisito: amar, amar, amar! Com esta convocação, Jesus faz um passeio amoroso no coração de Pedro, um coração  duramente castigado pelo remorso de tê-Lo  negado três vês vezes no momento derradeiro a sua morte.
Entregando a Pedro a responsabilidade de conduzir o seu rebanho, Jesus dava-lhe a entender que já o havia perdoado e  que Ele conhecia a grandiosidade do seu  coração, razão pela qual,  Ele o escolheu como o Pastor das ovelhas do Pai!
A partir do mar de Tiberíades, a Igreja missionária, fundamentada no amor, conduzida pelo Espírito Santo, sobre a liderança de Pedro, dá o seu primeiro passo rumo a uma nova Jerusalém.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

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14 de abril – domingo

III DOMINGO DA PÁSCOA 14/04/2013
1ª Leitura Atos 5,27b-32.40b-41
Salmo 29(30),2 a “Eu vos exaltarei, ó Senhor, porque me livrastes”
2ª Leitura Apocalípse 5,11-14
Evangelho João 231, 1-19
O Homem da Praia...” – Diac. José da Cruz


Um grande amigo que acompanha atentamente as reflexões, me alertou sobre o evangelho desse terceiro Domingo da Páscoa: “Olha Diácono, é aquele evangelho onde o “Pedrão”, joga a toalha e vai pescar..” “Pedrão” é o jeito carinhoso que ele chama São Pedro, eu não o censuro porque, de fato, a primeira impressão que se tem é essa: Que o apóstolo Pedro desistiu de tudo e voltou á vidinha antiga, indo pescar. O mais interessante, é que a sua reestréia na profissão de pescador, foi uma lástima: lidou a noite inteira com a sua equipe de trabalho, e não pescaram nada, pelo que diz o texto. Depois, um fato mais estranho aconteceu: Jesus, que era carpinteiro e não pescador, aparece na praia, pede alimento e depois dá palpite na atividade pesqueira de Pedro e dos outros pescadores experientes, mandando jogar a rede do lado direito. Dá para imaginar a cara de “poucos amigos” que Pedro fez, com aquele palpite de um estranho.Por que, vamos e convenhamos, que diferença faz, jogar a rede do lado esquerdo ou direito da barca? Aquele estranho não entende nada de pesca. Entretanto, seguindo exatamente a sua palavra orientadora, aconteceu uma pesca milagrosa, e as duas barcas ficaram tão cheias de peixes graúdos, que por pouco não afundaram. Antes que alguém diga que isso mais parece lorota de pescador, deixa-me informar que essa história é absolutamente verdadeira, mas... É claro que não se trata de peixes....
Quando Jesus chamou Pedro, Thiago e João, um belo dia á beira mar, prometeu que daquele dia em diante, iria fazer deles, pescadores de homens. Não se pode também, imaginar que Pedro decidiu sair pelos lugarejos, fazendo uma pregação meio louca, da sua própria cabeça, e que daí as coisas não deram certo. Mas o evangelista se reporta aos primeiros tempos da comunidade primitiva. Que dureza tentar cumprir a missão, sem Jesus por perto! A primeira sensação é realmente de um grande fracasso, em nossas comunidades a gente experimenta muito isso, a própria vida da comunidade, ás vezes se acha comprometida e parece que todo trabalho não vai dar em nada.
Os apóstolos sabiam muito bem qual era a missão que o Senhor lhes havia confiado, nós também nos dias de hoje, já estamos até carecas de saber qual é a missão primária da igreja, e o que compete a cada batizado fazer, para que o anúncio do evangelho aconteça, mas o problema são os métodos que nós utilizamos, será que estão corretos, será que são os mais adequados, será que não estamos querendo fazer as coisas do nosso jeito?
Há os que confundem o evangelho com ideologias políticas, ou com uma Filosofia de vida, há os que pensam que o evangelho não tem nada a ver com a nossa vida e a nossa história, com a realidade onde estamos inseridos, e pensando desta forma, lá se vão noites e noites de uma pescaria infrutífera, trabalhos pastorais, reuniões cansativas e desgastantes, projetos que não saem das gavetas, catequese “arroz com Feijão”, normas e regras na Vida dos Sacramentos, que não agregam nada. As pessoas chegam, procurando alimento, e vão embora esfomeadas, esta é uma grande verdade.
Tudo isso porque falta ás vezes o essencial, o reconhecimento de Jesus presente em nossa lida comunitária, aqui um detalhe extremamente importante: para reconhecê-lo, só a fé não basta, é preciso uma relação amorosa com Deus presente em Jesus, por isso João, o discípulo que Jesus amava, exclama feliz, ao constatar o resultado surpreendente da “pescaria” “É o Senhor!”. Jesus jamais será percebido na comunidade se faltar aquilo que é essencial: a relação de amor para com ele. Há os que o buscam somente na razão, outros o buscam e pensam tê-lo encontrado na emoção, qualquer um desses caminhos não será válido, se faltar essa relação amorosa.
Mas o coitado do Pedro quase morreu de vergonha quando escutou falar que aquele homem na praia era Jesus, e correu vestir-se porque estava nu. Sem a consciência de que Jesus caminha conosco na igreja, a gente não se reveste da graça santificadora, quando estamos nus, expomos a nossa vergonha, pois não temos como ocultá-las, mas revestidos da roupa nova que Jesus nos oferece com a Salvação, tornamo-nos homens novos, e a Luz da Graça Divina nos dá a roupagem nova, ocultando nossas fragilidades e limites, somos enfim, recriados, essa seria a palavra certa para o processo de salvação.
Comunidade é lugar de acolhimento, portanto de calor humano, que aquece com brasas fumegantes alimentando todos os que a buscam, Na brasa daquele homem misterioso á beira da praia, e que eles não sabiam ainda bem, quem era, já tinha um peixe e pão, mas ele pede alguns dos peixes que eles haviam pescado. Comunidade é lugar de alimentar e ser alimentado, de receber e de dar. Feito isso, juntando o peixe de Jesus e o seu pão, e os peixes graúdos, que são os frutos do trabalho em comunidade, seja ele qual for, o alimento está assegurado a todos. Jesus indicou o lugar, isso é, o como fazer, e eles acreditaram... Eis aí o eco das palavras da mulher das Bodas de Cana “Fazei o que ele vos disser...”
Na comunidade, Deus e Homem se unem, em uma parceria misteriosa chamada comunhão de vida, é isso, somente isso, que garante alimento em abundância a todos...

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DOMINGO - 14 DE ABRIL
Jo 21,1-19

O Reino de Deus é vida, vida em abundância. Por isso, nesta Páscoa estamos refletindo sobres os encontros de Jesus com seus discípulos. Nesse encontro vemos o núcleo da mensagem de Jesus acontecer, amor e vida plena. No domingo anterior refletíamos sobre o encontro de
Jesus com os discípulos repletos de medo. O medo deles só se foi depois que vivenciaram sua fé em Cristo.
No Evangelho de hoje João narra a aparição de Jesus. Neste encontro estão os sete discípulos. O número sete significa a totalidade da comunidade. Nesta terceira aparição os discípulos estão na Galiléia pescando. Todavia, não conseguem pescar peixes, seus atos estão sendo estéreis. Então eles visualizam um homem, Jesus, porém não conseguem identificar sua identidade. Jesus, então, pede que lancem novamente a rede. Em seguida eles pegam 153 grandes peixes.
Quando lançaram as redes, eles, os discípulos, acreditaram em Jesus. Sua fé brota do coração. Eles eram pescadores, pessoas simples que estavam a todo o momento querendo que seu coração fosse preenchido por essa fé.
Após a pescaria Jesus pede a Pedro que arraste os peixes para a terra firme. E com uma linda frase ele completa seu pensamento dizendo: “Vinde comer”. Ao dizer isso Jesus quer convidar a cada um a saborear consigo a totalidade do seu reino..
Em um segundo momento Jesus pergunta a Pedro: “Pedro tu me amas”. Essa pergunta é repetida três vezes. Nessas três perguntas Pedro se reabilita das suas três negações a Jesus durante a Paixão. Pedro, mesmo em sua fragilidade diz que ama Jesus. A partir destas repostas Jesus pede a ele que para apascentar suas ovelhas.
Nossa liturgia de hoje é um convite a acreditar em Jesus por meio deste acreditar fazer com que a Igreja possa apascentar todas as ovelhas. Amar é acreditar, por isso, Pedro amou Jesus até o fim, mesmo com todas as fragilidades de sua vida. Não devemos ter medo de arriscar, de lançar nossas redes. E durante todos os dias de nossa caminhada Jesus estará perguntando se nós o amamos. E com certeza nossas repostas devem ser positivas. Por isso, digamos do mais profundo de nosso coração “sim, Senhor, vos amamos.

Sim ,Senhor, eu te amo

Professor Isaías da Costa

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Evangelhos Dominicais Comentados

14/abril/2013 – 3o Domingo da Páscoa

Evangelho: (Jo 21, 1-19)

...Simão Pedro disse: “Eu vou pescar”, mas naquela noite não pescaram nada. Chegada a manhã, Jesus estava na praia, mas os discípulos não o reconheceram. Jesus perguntou: “Moços, tendes alguma coisa para comer?” Eles responderam: “Não”. Jesus lhes disse: “Lançai a rede à direita do barco e achareis”. Lançaram pois a rede, e foi tão grande a quantidade de peixes que não podiam arrastá-la. O discípulo a quem Jesus amava disse então a Pedro: “É o Senhor”. Assim que Pedro ouviu que era o Senhor, vestiu a roupa – pois estava nu – e se jogou na água(...)

COMENTÁRIO

Um velho ditado popular diz que: "Deus ajuda quem cedo madruga". Na verdade, Deus ajuda sempre, não escolhe hora, porém no evangelho de hoje, Jesus aparece aos apóstolos, antes do sol raiar. Era madrugada, estavam cansados, com fome e com sono, porém insistiam em lançar as redes. Eram pescadores experientes, devem ter lançado a rede por todos os lados do barco. Tentaram a noite toda e nada, mesmo assim não desistiram.

Estavam distraídos tentando conseguir, pelo menos o suficiente para o almoço, quando Jesus aparece na praia e lhes pergunta se têm algo para comer. Eles não reconheceram o Mestre na pessoa daquele pedinte e responderam, não temos nada! Não pescamos nenhum peixe!

Ele então ordena que lancem a rede à direita do barco, pois ali encontrarão os peixes que tanto procuram. Lançar a rede no mesmo lugar que já haviam tentado dezenas de vezes? Parecia um absurdo, mas não discutiram, obedeceram e o resultado foi surpreendente.

João começa sua narração dizendo que Pedro decidiu pescar e que, no mesmo instante, os outros discípulos disseram: "também vamos", e foram! Essa disponibilidade dos apóstolos demonstra a liderança de Pedro. Não precisou convidar ninguém. Bastou se dispor a trabalhar e foi seguido.

Parece que João quer mostrar a enorme responsabilidade do líder. O pastor tem que ser autêntico, tem que viver o que prega, tem que trilhar caminhos seguros, pois as ovelhas confiam nele, imitam seus atos e seguem seus passos. O verdadeiro líder sabe que o exemplo dispensa palavras.

Outro fato curioso é que eles não reconheceram Jesus de imediato. Não tinham a menor idéia de quem seria aquele forasteiro e, mesmo assim acataram sua sugestão, seguiram o seu conselho e jogaram a rede no local que havia indicado.

Como já dissemos, eles eram pescadores experientes, jamais lançariam a rede num lugar tão raso e tão próximo da praia. No entanto, fizeram exatamente o que Jesus mandou e, o resultado foi maravilhoso. A rede não se rompeu apesar dos cento e cinqüenta e três grandes peixes que apanharam.

Fico imaginando qual teria sido o meu ou o seu comportamento no lugar desses homens? Pare e pense. Coloque-se no lugar deles e tente imaginar sua reação: imagine que você é um profissional de informática, seu micro travou, e após algumas horas tentando recuperá-lo, sem sucesso, chega um desconhecido, aponta um local que, aparentemente, não tem nada a ver e diz: "clique ali"! Você clicaria?

Isso é válido para qualquer função. Seja mecânico, médico, cozinheira, técnico de futebol, motorista ou líder comunitário, dificilmente alguém aceitaria essa intromissão sem questionar e até mesmo sem se ofender com essa idéia, aparentemente absurda. Este episódio é uma clara demonstração de como os primeiros cristãos estavam abertos para acatar sugestões.

A boa notícia de hoje chama-se fé, a grande lição é a humildade desses homens. Não tinham nada a perder, já haviam tentado de tudo e sem o menor sucesso, por que então não experimentar a sugestão de um novato que, aparentemente, só queria ajudar? Ali estava o caminho para a grande pescaria.

Cenas iguais a esta acontecem diariamente em nossas comunidades. Quantos desconhecidos chegam para somar e são simplesmente descartados. Suas idéias inovadoras são chamadas de absurdas e não são levadas a sério pelos "profissionais" altamente qualificados em liturgia ou outras pastorais.

Está na hora de parar e pensar. Precisamos abrir o coração para ouvir o que Jesus tem a nos dizer. Ele é quem diz onde jogar a rede e, basta obedecê-lo para ter sucesso na “pescaria”. Quem quiser ter o privilégio de tomar uma refeição com o Mestre, tem que fazer o que Ele manda... tem que viver o amor.

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A liturgia, neste tempo pascal, concentra nossa atenção naquele que por nós morreu e ressuscitou; na glória que ele agora possui, como Senhor do céu e da terra: “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor. Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre!” Estejamos atentos, porém: afirmar a glória de Cristo, não é algo de folclórico ou triunfalístico, mas é uma proclamação convicta e clara do seu senhorio sobre nós, sobre nossa pobre vida, sobre a vida da Igreja, sobre o mundo e sobre toda a história. A Igreja e cada cristão vivem desta certeza: Jesus ressuscitou dos mortos, é o Vivente, é o Senhor; nós existimos nele e para ele; ele é o referencial último absoluto de nossa existência!
É este Jesus vitorioso, que vem ao encontro dos seus às margens do mar da Galiléia; é este Senhor nosso que os apóstolos experimentam no evangelho de hoje. Cada detalhe deste texto de João é cheio de significado. Vejamos: os apóstolos pescam e nada conseguem apanhar... A pescaria é imagem da ação missionária da Igreja. Sem Jesus, estamos sozinhos, sem Jesus a pescaria é estéril, as tentativas são vãs... Sem Jesus, pescamos na noite escura... Mas, pela manhã, Jesus vem ao encontro dos seus. Notemos que os discípulos não conseguem reconhecer o Senhor ressuscitado. Somente quando Cristo se dá a conhecer é que os seus conseguem compreender e experimentar sua presença viva e atuante. E Jesus dá-se a conhecer sempre na Palavra e no Pão partido, na refeição em comum, isto é, na celebração eucarística. É aqui, é agora, nesta Eucaristia sagrada, que o Senhor nos fala e parte o Pão conosco. Toda celebração eucarística é celebração pascal, é encontro com o ressuscitado! Como seria bom que, a cada domingo, revivêssemos esta experiência, esta certeza da presença do Senhor vivo entre nós!
Os discípulos ainda não haviam reconhecido Jesus. Este lhes ordenou: “Lançai a rede!” Eles lançaram-na e já “não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes”. Notem: o discípulo amado, diante do sinal, reconhece o Ressuscitado: “É o Senhor!” Mas, é Simão Pedro – sempre ele, o chefe do grupo, o chefe da comunidade dos discípulos, o que comanda a pescaria – faz-se ao mar, para encontrar Jesus. Jesus ordena que arrastem a rede para a terra. Notemos: o barco é um só, como uma só é a Igreja de Cristo; também a rede é uma só, como única é a obra da evangelização; e quem comanda a pescaria é Pedro, sob a ordem de Jesus! E a rede não se rompe, apesar de cheia de 150 peixes grandes. O número é exagerado, significando a plenitude da obra evangelizadora. E, então, Jesus repete, diante dos discípulos, os gestos da Eucaristia: “tomou o pão e distribuiu entre eles”.
Depois, três vezes, o Ressuscitado pergunta a Pedro – e pergunta aos sucessores de Pedro, os bispos de Roma, pergunta a João Paulo II: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro responde que sim, e abandona-se no Senhor: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo!”Senhor, antes coloquei minha confiança em minhas próprias forças, em meu próprio amor e terminei te traindo... Tu disseste que oravas por mim para que minha fé não desfalecesse, mas fui presunçoso, e contei mais com minhas forças que com tua oração... Mas, agora, te digo: “Tu sabes tudo; tu sabes que te amo”, apesar de minha fraqueza! É naquilo que tu sabes, que tu podes, que tu em mim realizas que te digo: te amo! - E três vezes, Jesus o incumbe, diante dos outros, de uma missão toda particular: “Apascenta as minhas ovelhas!” Que ninguém duvide – a menos que deseje fazer pouco da vontade do Senhor nosso – que Pedro é o primeiro pastor do rebanho de Cristo. O rebanho é de Cristo, o Bom Pastor, e Cristo o confiou a Pedro! Quem não está em comunhão com o sucessor de Pedro, certamente, age de modo contrário ao que Cristo desejou para a sua Igreja e para seus discípulos. Pouco adianta uma bíblia debaixo do braço, se contrariando a Palavra de Deus, se nega a presença real do Cristo na Eucaristia (cf. Jo 6,53-57), o papel materno de Maria Virgem junto a cada discípulo amado do Senhor (cf. Jo 19,25-27), a indissolubilidade do matrimônio (cf. Mc. 10,1-12) , a sucessão apostólica e o papel de Pedro e seus sucessores na Igreja de Cristo (cf. Mt 16,13-20)! Estejamos atentos: não é a Pedro super-homem que o Senhor confia a sua Igreja; mas a Pedro frágil, a Pedro que o negou, a Pedro humilhado... a Pedro que pode servir até de pedra de tropeço (cf. Mt. 16,23). Pedro é a pedra da Igreja, mas a rocha inabalável é somente Cristo! E Cristo o convida a segui-lo até o martírio, até levantar as mãos na cruz...
Assim foi com Pedro, assim com os discípulos, assim, agora, conosco... Não tenhamos medo! É possível que muitas vezes nos sintamos sozinhos, desamparados, pescando numa pescaria estéril de noite escura... Coragem: o Senhor está conosco: é ele quem nos manda à pesca, é ele quem pode encher nossas redes e dá-lhes consistência para que não se rompam, é ele quem nos revela sua presença e nos enche de coragem! Recordemos dos nossos primórdios, da coragem dos santos apóstolos que se sentiam “contentes por terem sido considerados dignos de injúrias por causa do nome de Jesus”. É que eles sabiam por experiência que o Senhor estava vivo, que o Senhor caminhava com eles. Também nós, hoje, podemos escutá-lo nas Escrituras e reconhecê-lo entre nós no pão partido da Eucaristia. É este Jesus que nos envia à pesca, é este Jesus que caminhará sempre com sua Igreja, nossa Mãe católica, até o fim dos tempos!
A ele a glória e o louvor, a adoração, a riqueza e a sabedoria, a força e a honra para sempre.
dom Henrique Soares da Costa
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O núcleo da mensagem de Jesus era o reino de Deus. Mas a pregação dos apóstolos passou a ter como centro a vida e as palavras de Jesus, pois a partir da sua morte e ressurreição tornou-se inconcebível pensar o reino de Deus sem fazer referência àquele por meio do qual Deus exerce agora seu reinado. A expansão desse reino é inevitável quando se anuncia o evangelho, embora forças contrárias à sua propagação tentem calar seus arautos. Ao final o Cordeiro será vitorioso, triunfando sobre o antirreino.
Evangelho Jo 21,1-19
Um tipo de morte que glorifica a Deus
O texto narra outra aparição de Jesus e tem como tema principal a missão da Igreja sob a guia do Ressuscitado.
O número sete significa perfeição ou totalidade. Aqui traduz a comunidade perfeita, a que se reúne em torno do banquete (vv. 9-13). Os protagonistas da cena, Pedro e o discípulo amado, são os mesmos que entraram no sepulcro vazio. Novamente, o discípulo amado reconhece o Senhor. É o amor que precede esse reconhecimento. Mas é Pedro, desta vez, que corre ao encontro do Senhor (v. 7). É também ele quem toma a iniciativa de pescar e de trazer para a praia a rede cheia de peixes (v. 11). Assim, entrelaçam-se o reconhecimento do Ressuscitado e o serviço missionário representado pela pesca. Sem esse reconhecimento, o trabalho é estéril (v. 3); somente com Cristo ele se torna fecundo (v. 7). Os 153 peixes grandes simbolizam o grandioso sucesso da missão e seu caráter universal.
A Pedro é confiada a tarefa pastoral na Igreja (vv. 15-17). As três perguntas que Jesus lhe faz sobre se ele o ama correspondem às três negações do apóstolo. Pedro não ousa afirmar que ama o Senhor mais que os outros discípulos. Sua resposta é humilde, pois sabe de sua fraqueza e tem consciência de que sua tarefa é fundada na graça. Jesus pergunta a Pedro considerando sua disponibilidade, e é a partir daí que lhe é confiada a missão.
No v. 18 Jesus apresenta a Pedro a total disponibilidade que o discípulo deve ter para o seguimento. Caminhar com Jesus é assumir também seu destino: o martírio. Dessa forma, o serviço que Pedro assume no pastoreio deve ser feito num total dom de si. Esse dom só é possível para aquele que ama, ainda que não o faça “mais que os outros”. Esse amor incondicional, que o próprio Cristo vivenciou, Pedro aprenderá em sua caminhada. Por enquanto, sua própria entrega foi o reflexo desse amor.
1º leitura At. 5,27b-32.40b-41
Dignos de sofrer pelo nome de Cristo
Os apóstolos foram conduzidos ao Sinédrio e o sumo sacerdote os acusou de desobedecerem à proibição de proclamar o nome de Jesus. Em nome da Lei divina, o Sinédrio condenou Jesus, e a divulgação da ressurreição deste representava dura acusação contra o tribunal – pois, se Deus ressuscitou o condenado, isso significava que seus juízes eram culpados e este era inocente.
Pedro respondeu que iria obedecer primeiramente a Deus e não a autoridades humanas. Mencionou ainda a assistência do Espírito Santo no encargo de testemunhar tanto a morte quanto a ressurreição de Jesus.
O Sinédrio, então, intimou os apóstolos a não falar mais no nome de Jesus. Mandou açoitá-los e soltá-los. A conduta deles após os açoites indica que ficaram felizes por terem sido achados dignos de sofrer por causa do nome de Jesus. As injúrias significavam que eles estavam, de fato, fazendo a vontade de Deus, caso contrário não teriam incomodado ninguém e suas palavras teriam sido bem-aceitas.
2º leitura Ap. 5,11-14
O Cordeiro é digno de louvor e adoração
O capítulo 5 de Apocalipse tem como tema central Jesus Cristo redentor, glorioso e vencedor, que traz em suas mãos os destinos da história. João contempla um número incontável de seres que proclamam a dignidade do Cordeiro. Os sete títulos (poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor) indicam a plenitude da dignidade e da obra redentora de Cristo e a perfeita glorificação daquele que a realizou.
Nos versículos 13 e 14, o cântico que começou no céu se estende por todos os âmbitos da criação, em exclamações de louvor unidas à liturgia celeste.
Pistas para reflexão
Destacar as inúmeras dificuldades sofridas por quem está engajado na propagação do reino de Deus na terra. Animar as pessoas – que passam por diversos tipos de sofrimentos e tribulações – a se manter firmes, alicerçadas na fé em que o Cordeiro ressuscitado, vitorioso sobre a morte e o pecado, está presente na vida das comunidades.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj
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Coisas do tempo da Páscoa
Sempre de novo estamos sendo trabalhados interiormente pelas graças do Ressuscitado, de modo especial nesse tempo da Páscoa. Sempre de novo essa verdade grandiosa: Deus não deixou Jesus nas trevas da morte, mas ele vive e está no meio de nós. A luz da Ressurreição ilumina nossos semblantes.
● A coleta desse domingo faz com que nos dirijamos ao Senhor pedindo que saibamos esperar com confiança o dia da ressurreição: “Ó Deus, que vosso povo sempre exulte pela sua renovação espiritual, para que tendo recuperado agora a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança  o dia da ressurreição!”
● Os apóstolos sofrem nas mãos das autoridades civis e religiosas de seu país. Não temem os sofrimentos. Pedro e os outros apóstolos responderam aos que os atacavam: “É preciso obedecer antes a Deus que aos homens. O Deus de nossos pais  ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz.  Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o guia supremo e salvador para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos pecados”. Ouvindo tais palavras e pensando no Ressuscitado temos a impressão de viver  já o mundo novo da vitória da vida sobre a morte.
● Os Atos falam de uma satisfação íntima e mesmo de uma heroica alegria vivida pelos apóstolos: “Os apóstolos saíram do conselho muito contentes por terem sido considerados dignos de injúrias por causa  do nome de Jesus”.
● O Salmo Responsorial ajuda-nos a alimentar a alegria pascal: “Cantai salmos ao  Senhor, povo fiel,   dai-lhe graças e invocai seu santo nome. Pois a sua ira dura apenas um momento, mas sua bondade permanece a vida inteira; se à tarde vem o pranto  visitar-nos, de manhã vem saudar-nos a alegria”.
● O Apocalipse descreve as coisas do céu e da glória. Milhares e milhões lá proclamavam  em alta voz: “O Cordeiro  imolado é digno der receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor”. E os anciãos se prostravam em adoração diante daquele que vive para sempre.
● Pequena oração com perfume de Páscoa: ”Tu que és a água viva, dessedenta nossos corações áridos e que eu permaneça em ti. Tu que es o tronco, dá-nos a Vida e que eu permaneça em ti.   Pão do céu, alimenta nossas almas e que eu permaneça em ti. Estrela brilhante da manhã, dissipa nossas trevas, Príncipe da paz, dá-nos tua paz. Tu que és Servo, ensina-nos a servir. Tu que és a Verdade, esclarece nossa inteligência. Tu que és o Justo e o Santo, livra-nos de todo o pecado. Tu que suscitas e alimentas a fé, livra-nos da dúvida. Tu, Ressurreição e Vida,  livra-nos da morte”  (santo Ambrósio de Milão).
frei Almir Ribeiro Guimarães
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O Cordeiro e o Rebanho
Aparecem, na liturgia de hoje, duas tônicas principais: o Cordeiro glorioso e Pedro, pastor e porta-voz do rebanho. A origem destes temas parece diferente, mas sendo a liturgia uma interpretação eclesial dos temas bíblicos, vale a pena interpretar um tema pelo outro. Aparece então que o Cordeiro do Ap (2ª leitura) deve ser visto como o Cordeiro que guia o rebanho (cf. 7,17; 14,4 etc.). Não é um cordeirinho, mas um carneiro. Solidário com o rebanho, o conduz à vitória. A este Cordeiro vencedor são dados os atributos de Deus (os mesmos que são dados ao “Filho do Homem” em Dn 7): honra, glória, poder e louvor.
Por que Jesus é chamado o Cordeiro? A literatura apocalíptica (Ez., Dn., os apócrifos, Ap.) gosta de indicar pessoas e potências por figuras de animais. Além disso, Jesus foi logo considerado vítima expiatória e vítima pascal, como mostram o evangelho e 1ª carta de Jo, oriundos do mesmo ambiente que o Ap. (cf. Jo 1,29.35 e a representação de Jesus morto na hora de imolar o cordeiro pascal – cf. festa do Sagrado Coração/B). Como vítima expiatória, Jesus vence os poderes do pecado, representados, no Ap, por feras (como os impérios deste mundo em Dn). Portanto, o Cordeiro é um vencedor, não pelas armas, mas pela solidariedade com o rebanho, assumindo a morte por ele.
O rebanho é o tema central do evangelho de hoje. Uma linha de interpretação importante, na tradição evangélica, vê a ressurreição de Cristo antes de tudo como a reconstituição do rebanho (disperso pelos acontecimentos da Páscoa em Jerusalém), na Galiléia, onde Cristo novamente o “precederá” (conduzirá como pastor), segundo Mc. 14,27-28; 16,7. A aparição pascal de Jesus na Galiléia, tanto em Mt. 28,16-20 como em Jo 21 é a encenação deste “preceder na Galiléia”. Certos exegetas pensam que a pesca milagrosa de Lc. 5,1-11 seria uma antecipação para dentro da vida de Jesus de uma experiência pós-pascal, mas pode ser também que um milagre da atividade galiléia de Jesus foi retomado em Jo 21 para encenar a “retomada” do rebanho depois da dispersão o “preceder” de Jesus, na Galiléia. A descrição tem nítidas reminiscências das refeições pós-pascais, narradas em Lc. 24 e Jo 20. A pesca parece que deveria servir para uma refeição de Jesus com os seus, mas, entretanto, ele mesmo já prepara a comida, que é tomada num espírito de eucaristia, e os discípulos podem acrescentar à refeição de Jesus os frutos de sua “pesca” … Simbolismo não falta.
Na segunda parte da narração – que, conforme o Lecionário, pode ser dispensada, mas em nossa interpretação é indispensável – encontramos, em situação pós-pascal, o episódio de Cesaréia de Filipe (cf. Mc. 8,27-29): a profissão de fé de Pedro. A narração em Jo 21,15-19 é influenciada pela história da Paixão de Cristo: às três negações de Pedro correspondem as três afirmações de sua amizade. O rebanho só pode ser confiado a quem ama Jesus com o maior amor possível. Isso, porém, não exclui que, ao lado do Pastor assim escolhido, exista o discípulo-amigo, o primeiro a reconhecer o Ressuscitado (21,6; cf. 20,8). Talvez ambas as figuras, Pedro e o discípulo-amigo, representem carismas ou até comunidades diferentes do cristianismo iniciante. Jo 21 parece descrever um pouco da história da primitiva Igreja, vista à luz da Páscoa.
De fato, na história da Igreja, Pedro aparece como líder e porta-voz. É ele que, diante do Sinédrio, em nome dos outros apóstolos, dirige ao sumo sacerdote a atrevida palavra, que parece ter sido um slogan dos primeiros cristãos: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens” (At. 5,29; cf. 4,19), e pronuncia mais um testemunho da ressurreição de Cristo, que os chefes judeus mataram (1ª leitura).
Como o Cordeiro, por solidariedade e amor, deu sua vida em prol do rebanho, assim também o pastor que recebe seu encargo por seu amor não deixará de dar sua vida (At. 5,40-41; Jo 21,18-19).
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Penitência
O capítulo 21 do Evangelho de João foi acrescentado um pouco mais tarde, e um dos motivos dessa adição se deve ao fato da importância de Simão Pedro para os cristãos. Nesta passagem Jesus aparece no momento em que seus discípulos estão pescando, semelhante ao momento em que convida Pedro, André, Tiago e João para serem seus discípulos “pescadores de homens” (Lc. 5,1-11).
A pesca é usada por várias vezes nos textos bíblicos, como sinônimo de missão, nesta passagem em especial no lago de Genesaré também conhecido como mar de Tiberíades, as margens da cidade de Tiberíades, uma cidade pagã erguida em homenagem ao imperador Tibério, demonstra a importância da missão evangelizadora junto aos pagãos, missão que não tem sucesso durante a noite com a ausência de Jesus, e só ao amanhece com a luz do dia e a orientação de Jesus a pescaria tem sucesso. O resultado da pescaria são exatos 153 peixes, que é o número conhecido pelos gregos de espécies de peixes da época, o que simboliza uma pescaria completa. João descreve ainda nesta passagem o uso de apenas uma barca, símbolo de uma única Igreja: um só rebanho, um só Pastor. E a iniciativa de Pedro ao arrastar para a praia a rede repleta de peixes sem romper mostra a sua responsabilidade perante este seu compromisso com Jesus e com a Igreja. 
Quando Jesus é reconhecido através de Suas Palavras por João, seu discípulo amado, Pedro veste suas roupas e mergulha na água para ir a seu encontro. Qual o significado desta atitude uma vez que o mais certo seria tirar as roupas para entrar na água? Colocar as roupas simboliza o respeito e ao mesmo tempo prontidão para estar a serviço, e a atitude de mergulhar na água representa o mergulho na missão que o Senhor vai lhe confiar.
Ao chegarem as margens Jesus já havia preparado o braseiro com peixes e pão para que se alimentasse, mas ainda assim pede a eles alguns peixes fruto de seu trabalho, e assim firma o sentido da missão, a comunhão entre os dons de Deus e o fruto do esforço humano.
A partir deste ponto a atenção de Jesus se volta para Pedro, dando-lhe a oportunidade de confessar publicamente seu amor por Ele ao interpelar-lo por três vezes, contrastando com as três negações de Pedro no momento da crucificação de Cristo. A afirmativa de Pedro faz com que Jesus entregue a ele a missão de Pastor, conduzindo suas ovelhas, pois só quem tem por Jesus um amor incondicional está pronto para essa missão.
Este capítulo foi escrito após a morte de Pedro. Ele já havia estendido as mãos para morrer e elas já haviam sido amarradas, presas à cruz.
Cuida das minhas ovelhas
A morte de cruz encerrou o ministério terreno de Jesus. Ao exclamar: "Tudo está consumado!", ele proclamou ter levado a termo a missão recebida do Pai.
Todavia, restava muito a ser feito. O Evangelho deveria ser anunciado a todos os povos, e a salvação chegar até os confins da Terra. A sementinha do Reino não podia ficar infrutífera. Era preciso fazê-la desabrochar para tornar-se uma árvore frondosa.
A missão, agora, seria tarefa dos discípulos. Com que condições? A primeira delas consistia em estar unido ao Senhor por um amor entranhado, numa proximidade tal que lhes permitisse assimilar a vida do Mestre. Esta centralidade de Jesus na vida do discípulo seria garantia de sua presença no decorrer da missão. A segunda consistia em estar consciente de ter sido encarregado de uma missão recebida do Senhor. O discípulo atuaria como servidor dessa missão, e não como dono do rebanho!
Ao ser três vezes interrogado, Pedro confessou seu amor a Jesus. Este, então, confiou-lhe o encargo de cuidar de suas ovelhas. O rebanho não é propriedade do discípulo, e a relação entre ambos deve ser permeada pelo amor do Senhor.
O ministério, portanto, teria três pólos: Jesus que confia a missão - o discípulo que a executa, por amor - e o rebanho a ser conduzido pelos caminhos do Senhor.
padre Jaldemir Vitório
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Pedro, Tomé, Natanael, Tiago e João e dois outros
Jesus ressuscitado se encontra com sete de seus discípulos nas margens do mar de Tiberíades, na Galileia. O relato nos é feito pelo quarto Evangelho. Na lista dos sete discípulos aparecem em primeiro lugar Pedro, Tomé e Natanael. Quando os evangelistas apresentam os nomes dos apóstolos, costumam colocar em primeiro lugar Pedro, Tiago e João. Aqui aparecem Pedro, Tomé e Natanael.
Quando Jesus estava sendo interrogado na casa de Anás, sogro do sumo sacerdote Caifás, Pedro, que se encontrava do lado de fora, negou Jesus Cristo. Disse duas vezes que não era seu discípulo. Uma negação muito séria porque o importante é ser discípulo de Jesus. E Pedro disse que não era. O outro apóstolo, são Tomé, não acreditou que Jesus tivesse ressuscitado dos mortos. Ele só acreditaria se pudesse tocar nas chagas de Jesus. Natanael era um bom israelita, conhecia bem a Bíblia e esperava a chegada do Messias.
Quando Filipe lhe comunicou que tinha encontrado o Messias, e que era Jesus, filho de José, de Nazaré, Natanael reagiu com força e disse que de Nazaré não podia sair coisa boa. Esses três encabeçam a lista dos que se encontraram com Jesus ressuscitado na beira do lago e comeram o peixe e o pão que Jesus tinha preparado.
A cena continua com uma conversa particular de Jesus com Pedro, uma longa conversa. Estavam andando na praia e Jesus insistiu em saber de Pedro se este o amava, e até mais do que os outros. Com a resposta positiva, dada três vezes, Jesus o confirmou como Pastor de todo o rebanho, isto é, o condutor de todos os discípulos de Jesus no mundo inteiro. Pedro recebeu a função de apascentar os cordeiros e as ovelhas de Jesus porque o amava. Jesus deixou bem claro que na sua Igreja a condição para se ter alguma função é amar. Amar Jesus Cristo é a condição para se ter qualquer cargo na Igreja. Cargos que se obtêm de outra maneira não são legítimos.
A conversa de Jesus e Pedro continua, e Pedro parece incomodado com o discípulo, aquele cujo nome não conhecemos e que é chamado de discípulo amado. Então, Jesus vai dizer a Pedro, que negou ser seu discípulo, que o importante é ser discípulo e seguir Jesus. A última palavra de Jesus a Pedro é: "Segue-me", e isso basta.
O discípulo segue Jesus Cristo. Todos os discípulos seguem Jesus Cristo. Isto é o fundamental para todos. É isto que chamamos em teologia de sacerdócio comum dos fiéis. Todos somos igualmente participantes do único sacerdócio que é o de Cristo. Depois disso vem o sacerdócio ministerial, as funções, os cargos, os títulos, e tudo o que quisermos. O Novo Testamento evita a palavra "sacerdócio". Somente a carta aos Hebreus fala de Cristo como sumo sacerdote. O Novo Testamento prefere falar de seguimento, de discipulado.
Tiago e João são os filhos de Zebedeu. Eles também estavam lá. O evangelista não menciona o nome dos dois irmãos; prefere dizer que são filhos de Zebedeu, seu pai, talvez porque o quarto Evangelho seja fruto da comunidade iniciada pelo apóstolo e evangelista são João.
E há ainda dois outros, sem nome, para que você e eu possamos colocar o nosso nome entre os sete.
cônego Celso Pedro da Silva
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Jesus se dá a conhecer pela fé
O capítulo 21 do evangelho segundo João é um acréscimo posterior. Estamos diante de mais um relato da aparição do Cristo Ressuscitado. Agora, às margens do mar de Tiberíades. Aparição, aqui, não deve nos induzir a erro, pois não é o órgão da visão que é exigido, mas a fé. Por isso, ao ouvir ou ler “aparição”, devemos compreender que “ele se dá a reconhecer”. Depois da morte e ressurreição do Senhor, a vida dos discípulos continua. É na lida do dia a dia que o Senhor se faz sentir (alguns dos discípulos saem para pescar – cf. v. 3) e oferece os sinais de sua presença. Simão Pedro, que ao longo de todo o quarto evangelho não é propriamente o homem da fé, porque depende do “discípulo que Jesus amava”, será quem alguns versículos adiante dirá: “É o Senhor!” (v. 7). O diálogo de Jesus com Simão Pedro (vv. 15-19) adquire, então, toda importância, pois se trata de fundar a missão de Pedro como “primeiro entre iguais” num mandato do Senhor: “Apascenta minhas ovelhas (cordeiros)” (vv. 15.16.17); “Segue-me” (v. 19). Porque essa missão lhe é confiada pelo Senhor, será necessário que Pedro o ame mais do que tudo. É nesse sentido que deve ser compreendida a pergunta de Jesus: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” (v. 15).
Carlos Alberto Contieri,sj
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A liturgia deste 3º domingo do tempo pascal recorda-nos que a comunidade cristã tem por missão testemunhar e concretizar o projeto libertador que Jesus iniciou; e que Jesus, vivo e ressuscitado, acompanhará sempre a sua Igreja em missão, vivificando-a com a sua presença e orientando-a com a sua Palavra.
A primeira leitura apresenta-nos o testemunho que a comunidade de Jerusalém dá de Jesus ressuscitado. Embora o mundo se oponha ao projeto libertador de Jesus testemunhado pelos discípulos, o cristão deve antes obedecer a Deus do que aos homens.
A segunda leitura apresenta Jesus, o “cordeiro” imolado que venceu a morte e que trouxe aos homens a libertação definitiva; em contexto litúrgico, o autor põe a criação inteira a manifestar diante do “cordeiro” vitorioso a sua alegria e o seu louvor.
O Evangelho apresenta os discípulos em missão, continuando o projeto libertador de Jesus; mas avisa que a ação dos discípulos só será coroada de êxito se eles souberem reconhecer o Ressuscitado junto deles e se deixarem guiar pela sua Palavra.
1ª leitura: Atos 5,27b-32.40b-41 - AMBIENTE
Entre 2,1 e 8,3, o Livro dos Atos apresenta o testemunho da Igreja de Jerusalém acerca de Jesus. Os comentadores costumam chamar aos capítulos 3-5 a “secção do nome”, pois eles incidem no anúncio do “nome” de Jesus (cf. At. 3,6.16;4,7.10.12.30;5,28.41), isto é, do próprio Jesus (o “nome” era uma apelação com que os judeus designavam o próprio Deus; designar Jesus dessa forma equivalia a dizer que Ele era “o Senhor”). Esse anúncio, feito em condições de extrema dificuldade (por causa da oposição dos líderes judeus), é, sobretudo, obra dos apóstolos.
No texto que nos é proposto, apresenta-se o testemunho de Pedro e dos outros apóstolos acerca de Jesus. Presos e miraculosamente libertados (cf. Act 5,17-19), os apóstolos voltaram ao Templo para dar testemunho de Cristo ressuscitado (cf. Act 5,20-25). De novo presos, conduzidos à presença da suprema autoridade religiosa da nação (o Sinédrio) e formalmente proibidos de dar testemunho de Jesus, os apóstolos responderam apresentando um resumo do kerigma primitivo.
MENSAGEM
A questão principal gira à volta do confronto entre o cristianismo nascente e as autoridades judaicas. A frase de Pedro “deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens” (v. 29) deve ser vista como o tema central; define a atitude que os cristãos são convidados a assumir diante da oposição do mundo.
Quanto ao resumo doutrinal dos vs. 30-32, ele não apresenta grandes novidades doutrinais em relação a outras formulações do kerigma primitivo acerca de Jesus (apresentado de forma mais desenvolvida em At. 2,17-36, 3,13-26 e 10,36-43): morte na cruz, ressurreição, exaltação à direita de Deus, a sua apresentação como salvador e o testemunho dos apóstolos por ação do Espírito. Neste contexto, apenas se acentua – mais do que noutras formulações – a responsabilidade do Sinédrio no escândalo da cruz e a contraposição entre a ação de Deus e a ação das autoridades judaicas em relação a Jesus.
De resto, a oposição humana põe em relevo a realidade sobre-humana da mensagem, a sua força que não pode ser detida e o dinamismo dessa comunidade animada pelo Espírito. Se Jesus encontrou oponentes e morreu na cruz, é natural que os apóstolos, fiéis a Jesus e ao seu projeto, se defrontem com a oposição desses mesmos que mataram Jesus. No entanto, os verdadeiros seguidores do projeto de Jesus – animados pelo Espírito – estão mais preocupados com a fidelidade ao “caminho” de Jesus do que às ordens ou interesses dos homens – mesmo que sejam os que mandam no mundo.
ATUALIZAÇÃO
Para refletir e atualizar a Palavra, considerar os seguintes dados:
• A proposta de Jesus é uma proposta libertadora, que não se compadece nem pactua com esquemas egoístas, injustos, opressores. É uma mensagem questionante, transformadora, revolucionária, que põe em causa tudo o que gera injustiça, morte, opressão; por isso, é uma proposta que é rejeitada e combatida por aqueles que dominam o mundo e que oprimem os débeis e os pobres. Isto explica bem porque é que o testemunho sobre Jesus (se é coerente e verdadeiro) não é um caminho fácil de glória, de aplausos, de honras, de popularidade, mas um caminho de cruz. Não temos, portanto, que nos admirar se a mensagem que propomos e o testemunho que damos não encontram eco entre os que dominam o mundo; temos é de nos questionar e de nos inquietar se não somos importunados por aqueles que oprimem e que escravizam os irmãos: isso quererá dizer que o nosso testemunho não é coerente com a proposta de Jesus.
• Qual a nossa atitude, em concreto, diante daqueles que “assassinam” a proposta de Jesus e que constroem um mundo de onde a lógica de Deus está ausente: é de medo, de fraqueza, de submissão, ou de denúncia firme, corajosa e desassombrada? Para nós, o que é mais importante: obedecer a Deus ou aos homens?
2ª leitura: Ap. 5,11-14 - AMBIENTE
A segunda parte do Livro do Apocalipse (cap. 4-22) apresenta-nos aquilo que poderíamos chamar “uma leitura profética da história”: o autor vai apresentar a história humana numa perspectiva de esperança, demonstrando aos cristãos perseguidos pelo império que não há nada a temer pois a vitória final será de Deus e dos que se mantiverem fiéis aos projetos de Deus.
O texto que nos é proposto faz parte da visão inicial, onde o “profeta” João nos apresenta as personagens centrais que vão intervir na história humana: Deus, transcendente e onipotente, sentado no seu trono, rodeado pelo Povo de Deus e por toda a criação (cf. Ap. 4,1-11); depois, o “livro” onde, simbolicamente, está o desígnio de Deus acerca da humanidade (cf. Ap. 5,1-4); finalmente, é-nos apresentado “o cordeiro” (Jesus), aquele que detém a totalidade do poder (“sete cornos”) e do conhecimento (“sete olhos”); só ele é digno de ler o livro (ou seja, de revelar, de proclamar, de concretizar para os homens o projeto divino de salvação).
MENSAGEM
A personagem fundamental deste pequeno extrato que nos é proposto como segunda leitura é “o cordeiro”. É um símbolo usado pelo autor do Livro do Apocalipse para falar de Jesus.
O símbolo do “cordeiro” é um símbolo com uma grande densidade teológica, que concentra e evoca três figuras: a do “servo de Jahwéh” – figura de imolação – que, qual manso cordeiro é levado ao matadouro (Is. 53,6-7; cf. Jr. 11,19; At. 8,26-38); a do “cordeiro pascal” – figura de libertação – cujo sangue foi sinal eficaz de vitória sobre a escravidão (Ex. 12,12-13.27;24,8; cf. Jo 1,29; 1Cor. 5,7; 1Pe. 1,18-19); e a do “cordeiro apocalíptico” – figura de poder real – vencedor da morte (esta imagem é característica da literatura apocalíptica, onde aparece um cordeiro vencedor, guia do rebanho, dotado de poder e de autoridade real – cf. 1º livro de Henoc, 89,41-46; 90,6-10.37; Testamento de José, 19,8; Testamento de Benjamim, 3,8; Targum de Jerusalém sobre Ex. 1,5). O autor do Apocalipse apresenta, portanto, de uma maneira original e sintética, a plenitude do mistério de imolação, de libertação e de vitória régia, que corresponde a Cristo morto, ressuscitado e glorificado.
O “cordeiro” (Cristo) é entronizado: ele assumiu a realeza e sentou-se no próprio trono de Deus. Aí, recebe todo o poder e glória divina. A entronização régia de Cristo, ponto culminante da aventura divino-humana de Jesus, desencadeia uma verdadeira torrente de louvores: dos viventes, dos anciãos (vs. 5-8) e dos anjos (vs. 11-12). E todas as criaturas (v. 13), a partir dos lugares mais esconsos da terra, juntam a sua voz ao louvor. O Templo onde ressoam estas incessantes aclamações alargou as suas fronteiras e tem, agora, as dimensões do mundo. É uma liturgia cósmica, na qual a criação inteira celebra o Cristo imolado, ressuscitado, vencedor e faz dele o centro do “cosmos”.
ATUALIZAÇÃO
• A mensagem final do Livro do Apocalipse pode resumir-se na frase: “não tenhais medo, pois a vossa libertação está a chegar”. É uma mensagem “eterna”, que revigora a nossa fé, que renova a nossa esperança e que fortalece a nossa capacidade de enfrentar a injustiça, o egoísmo, o sofrimento e o pecado. Diante deste “cordeiro” vencedor, que nos trouxe a libertação, os cristãos vêem renovada a sua confiança nesse Deus salvador e libertador em quem acreditam.
• Esta “liturgia” celebra Cristo, aquele que venceu a morte, que ressuscitou, que nos apresentou o plano libertador de Deus em nosso favor e que, hoje, continua a dar sentido aos nossos dramas e aos nossos sofrimentos, a iluminar a história humana com a luz de Deus. Ele é, de fato (como esta liturgia no-lo apresenta), o centro, a referência fundamental à volta do qual tudo se constrói? Temos consciência desta centralidade de Cristo na nossa experiência de fé? Manifestamos a nossa gratidão, unindo a nossa voz ao louvor da criação inteira?
Evangelho: Jo 21,1-19 - AMBIENTE
O último capítulo do Evangelho segundo João não faz parte da obra original (a obra original terminava com a conclusão de 20,30-31); é um texto acrescentado posteriormente, que apresenta diferenças de linguagem, de estilo e mesmo de teologia, em relação aos outros vinte capítulos. A sua origem não é clara; no entanto, a existência de alguns traços literários tipicamente joânicos poderia fazer-nos pensar num complemento redigido pelos discípulos do evangelista.
Neste capítulo, já não se referem notícias sobre a vida, a morte ou a ressurreição de Jesus. Os protagonistas são, agora, um grupo de discípulos, dedicados à atividade missionária. O autor descreve a relação que esta “comunidade em missão” tem com Jesus, reflete sobre o lugar de Jesus na atividade missionária da Igreja e assinala quais as condições para que a missão dê frutos.
MENSAGEM
O texto está claramente dividido em duas partes.
A primeira parte (vs. 1-14) é uma parábola sobre a missão da comunidade. Utiliza a linguagem simbólica e tem caráter de “signo”.
Começa por apresentar os discípulos: são sete. Representam a totalidade (“sete”) da Igreja, empenhada na missão e aberta a todas as nações e a todos os povos.
Esta comunidade é apresentada a pescar: sob a imagem da pesca, os evangelhos sinópticos representam a missão que Jesus confia aos discípulos (cf. Mc. 1,17; Mt. 4,19; Lc. 5,10): libertar todos os homens que vivem mergulhados no mar do sofrimento e da escravidão. Pedro preside à missão: é ele que toma a iniciativa; os outros seguem-no incondicionalmente. Aqui faz-se referência ao lugar proeminente que Pedro ocupava na animação da Igreja primitiva.
A pesca é feita durante a noite. A noite é o tempo das trevas, da escuridão: significa a ausência de Jesus (“enquanto é de dia, temos de trabalhar, realizando as obras daquele que Me enviou: aproxima-se a noite, quando ninguém pode trabalhar; enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo” – Jo 9,4-5). O resultado da ação dos discípulos (de noite, sem Jesus) é um fracasso rotundo (“sem Mim, nada podeis fazer” – Jo 15,5).
A chegada da manhã (da luz) coincide com a presença de Jesus (Ele é a luz do mundo). Jesus não está com eles no barco, mas sim em terra: Ele não acompanha os discípulos na pesca; a sua ação no mundo exerce-se por meio dos discípulos.
Concentrados no seu esforço inútil, os discípulos nem reconhecem Jesus quando Ele Se apresenta. O grupo está desorientado e decepcionado pelo fracasso, posto em evidência pela pergunta de Jesus (“tendes alguma coisa de comer?”). Mas Jesus dá-lhes indicações e as redes enchem-se de peixes: o fruto deve-se à docilidade com que os discípulos seguem as indicações de Jesus. Acentua-se que o êxito da missão não se deve ao esforço humano, mas sim à presença viva e à Palavra do Senhor ressuscitado.
O surpreendente resultado da pesca faz com que um discípulo o reconheça. Este discípulo – o discípulo amado – é aquele que está sempre próximo de Jesus, em sintonia com Jesus e que faz, de forma intensa, a experiência do amor de Jesus: só quem faz essa experiência é capaz de ler os sinais que identificam Jesus e perceber a sua presença por detrás da vida que brota da ação da comunidade em missão.
Os pães com que Jesus acolhe os discípulos em terra são um sinal do amor, do serviço, da solicitude de Jesus pela sua comunidade em missão no mundo: deve haver aqui uma alusão à Eucaristia, ao pão que Jesus oferece, à vida com que Ele continua a alimentar a comunidade em missão.
O número dos peixes apanhados na rede (153) é de difícil explicação. É um número triangular, que resulta da soma dos números um a dezessete. O número dezessete não é um número bíblico… Mas o dez e o sete são: ambos simbolizam a plenitude e a universalidade. Outra explicação é dada por são Jerônimo… Segundo ele, os naturalistas antigos distinguiam 153 espécies de peixes: assim, o número faria alusão à totalidade da humanidade, reunida na mesma Igreja. Em qualquer caso, significa totalidade e universalidade.
Na segunda parte do texto (vs. 15-19), Pedro confessa por três vezes o seu amor a Jesus (durante a paixão, o mesmo discípulo negou Jesus por três vezes, recusando dessa forma “embarcar” com o “mestre” na aventura do amor que se faz dom). Pedro – recordemo-lo – foi o discípulo que, na última ceia, recusou que Jesus lhe lavasse os pés porque, para ele, o Messias devia ser um rei poderoso, dominador, e não um rei de serviço e de dom da vida. Nessa altura, ao raciocinar em termos de superioridade e de autoridade, Pedro mostrou que ainda não percebera que a lei suprema da comunidade de Jesus é o amor total, o amor que se faz serviço e que vai até à entrega da vida. Jesus disse claramente a Pedro que quem tem uma mentalidade de domínio e de autoridade não tem lugar na comunidade cristã (cf. Jo 13,6-9).
A tríplice confissão de amor pedida a Pedro por Jesus corresponde, portanto, a um convite a que ele mude definitivamente a mentalidade. Pedro é convidado a perceber que, na comunidade de Jesus, o valor fundamental é o amor; não existe verdadeira adesão a Jesus, se não se estiver disposto a seguir esse caminho de amor e de entrega da vida que Jesus percorreu. Só assim Pedro poderá “seguir” Jesus (cf. Jo 21,19).
Ao mesmo tempo, Jesus confia a Pedro a missão de presidir à comunidade e de a animar; mas convida-o também a perceber onde é que reside, na comunidade cristã, a verdadeira fonte da autoridade: só quem ama muito e aceita a lógica do serviço e da doação da vida poderá presidir à comunidade de Jesus.
ATUALIZAÇÃO
• A mensagem fundamental que brota deste texto convida-nos a constatar a centralidade de Cristo, vivo e ressuscitado, na missão que nos foi confiada. Podemos esforçar-nos imenso e dedicar todas as horas do dia ao esforço de mudar o mundo; mas se Cristo não estiver presente, se não escutarmos a sua voz, se não ouvirmos as suas propostas, se não estivermos atentos à Palavra que Ele continuamente nos dirige, os nossos esforços não farão qualquer sentido e não terão qualquer êxito duradouro. É preciso ter a consciência nítida de que o êxito da missão cristã não depende do esforço humano, mas da presença viva do Senhor Jesus.
• É preciso ter, também, a consciência da solicitude e do amor do Senhor que, continuamente, acompanha os nossos esforços, os anima, os orienta e que conosco reparte o pão da vida. Quando o cansaço, o sofrimento, o desânimo tomarem posse de nós, Ele lá estará, dando-nos o alimento que nos fortalece. É necessário ter consciência da sua constante presença, amorosa e vivificadora ao nosso lado e celebrá-la na Eucaristia.
• A figura do “discípulo amado”, que reconhece o Senhor nos sinais de vitalidade que brotam da missão comunitária, convida-nos a ser sensíveis aos sinais de esperança e de vida nova que acontecem à nossa volta e a ler neles a presença salvadora e vivificadora do Ressuscitado. Ele está presente, vivo e ressuscitado, em qualquer lado onde houver amor, partilha, doação que geram vida nova.
• O diálogo final de Jesus com Pedro chama a atenção para uma dimensão essencial do discipulado: “seguir” o “mestre” é amá-l’O muito e, portanto, ser capaz de, como Ele, percorrer o caminho do amor total e da doação da vida.
• Na comunidade cristã, o essencial não é a exibição da autoridade, mas o amor que se faz serviço, ao jeito de Jesus. As vestes de púrpura, os tronos, os privilégios, as dignidades, os sinais de poder favorecem e tornam mais visível o essencial (o amor que se faz serviço), ou afastam e assustam os pobres e os débeis?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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Do encontro e da fé no ressuscitado à Missão
Respira-se ar fresco, de universalidade, e de missão no mundo. O terceiro encontro de Jesus ressuscitado com o grupo dos discípulos (Evangelho) acontece não já no Cenáculo de Jerusalém, com as portas fechadas, mas fora, nas margens do lago de Galileia, numa manhã de Primavera. O fato daquela pesca milagrosa post-pascal e a missão que Jesus confia a Pedro são narrados com a linguagem própria da experiência mística, rica de símbolos, e com notas de profunda afetividade. Deste modo, é possível colher a mensagem na sua globalidade: o regresso ferial à pesca, o número dos sete pescadores, o mar, o fato de pescar, a noite sem fruto, o amanhecer, o Senhor sobre a margem, a pesca abundante, o fogo que prepara a comida, o banquete,; e depois a missão confiada a Pedro com um exame surpreendente sobre o amor, confiar o rebanho três vezes, o compromisso de um seguimento para toda a vida até à morte...
A simbologia mística enriquece o acontecimento e oferece uma sua compreensão mais plena e universal. Por exemplo, se o mar é o símbolo das forças inimigas do homem, pescar, e tornar-se pescadores de homens (Mc. 1,17) quer dizer libertar de situações de morte, e a pesca torna-se símbolo da missão apostólica. O sucesso de tal missão, por muito arriscada que seja, já se vê nos “153 grandes peixes” (v. 11). Entre as muitas interpretações deste número, sublinhados duas: antes de mais a exatidão numérica dada por uma testemunha ocular, mas também o simbolismo do “50 x 3 + 3”, onde o 50 simboliza a totalidade to povo e o 3 indica a perfeição. Nenhum peixe se perde. O banquete, ao qual são convidados pelo próprio Jesus, recorda a conclusão da história da salvação. E na tripla investidura missionária, Pedro torna-se o pastor do rebanho inteiro.
As várias aparições do Ressuscitado podem catalogar-se em dois grupos: aparições de reconhecimento, nas quais Jesus quer em primeiro lugar ser reconhecido como ‘vivente’, e as aparições de missão, nas quais Jesus confia tarefas precisas de aplicação imediata (ide dizer a...) ou a longo prazo (ide por todo o mundo, fazei discípulos de todas as nações...). Deste modo, gradualmente, vai-se delineando para os discípulos o horizonte universal do acontecimento da ‘ressurreição’: o Ressuscitado (I leitura) é “chefe e salvador” de todos os povos (v.31) e esta Bela Notícia deve ser anunciada a todos, em toda a parte!
Obedecendo a Deus antes que aos homens! (v. 29), os discípulos começam a agir imediatamente na qualidade de testemunhas dos acontecimentos (v. 32), com coragem e alegria, apesar de serem “ultrajados por amor do nome de Jesus” (v. 41). A Ele, Cordeiro imolado (II leitura), todas as criaturas do céu e da terra são chamadas a dar louvor e honra para sempre (v. 12-13).
A experiência do Ressuscitado ultrapassa as aparições iniciais (Evangelho): prolonga-se na capacidade de saber reconhecer a presença verdadeira e eficaz do Senhor também na quotidianidade simples da vida. “Jesus dá-se a conhecer nos seus gestos, um extraordinário – a pesca milagrosa – os outro muito simples e familiares. Preparou pão e peixe, e convida-os com amor para a refeição. Toma o pão e dá-lho, e faz o mesmo com o peixe, como tinha já feito antes tantas vezes. Parece que Jesus, em vez de manifestar toda a sua glória, queria preparar os seus discípulos a reconhecer aquela sua presença misteriosa que, depois da ressurreição é a sua presença universal: Agora, Jesus está presente em toda a parte, de maneira divina, mas também com a mesma humanidade... Os cristãos são chamados a procurar uma glória divina que não é exterior; são chamados a reconhecer o Senhor Jesus nos seus irmãos... reconhecer Jesus que se torna presente nos mais pobres, nos mais humildes, nos mais necessitados: é aí que os cristãos devem reconhecer a sua glória, a glória misteriosa do seu Senhor e a potência da sua acção divina, que realiza prodígios através de meios humildes e simples” (Albert Vanhoye).
Uma vida quotidiana ‘como ressuscitados’, vivida na fé e no amor, relaciona-se em duas direções: gratidão para com Deus, e compromisso missionário para com os outros. Tal é também o ensinamento do Papa Pio XII, que, exatamente há 30 anos, publicava a encíclica missionária ‘Fidei Donum’, para chamar a atenção da Igreja e do mundo para a África numa época crucial do seu destino milenário. A encíclica abre-se com uma reflexão sobre o “dom da fé” como ponto de partida para o compromisso missionário nas várias situações, lugares e expressões.   
padre Romeo Ballan

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 “As incomparáveis riquezas que Deus coloca nas nossas almas com o dom da fé são motivo de imensa gratidão... O espírito missionário, animado pelo fogo da caridade, é de algum modo a primeira resposta da nossa gratidão para com Deus, comunicando aos nossos irmãos a fé que nós mesmos recebemos” (Pio XII - Encíclica Fidei Donum, 21.4.1957)

1º leitura: At. 5,27b.32.40b-41
a) É preciso obedecer antes a Deus que aos homens
Vimos no Domingo anterior que do lado de dentro da comunidade havia uma verdadeira fraternidade, paz e comunhão de vida, mas que do lado de fora havia os que rejeitavam a comunidade. O texto de hoje mostra a rejeição dos chefes do povo. Do mesmo jeito que mataram o autor da novidade cristã procuram matar também seus pregadores. Os discípulos são levados diante do Sinédrio (= tribunal judeu) porque não obedeceram à ordem de não ensinar em nome de Jesus. Além disso, eles revelam o projeto assassínio dos chefes dos judeus. Pedro e os outros apóstolos deixam um recado bem importante e claro: "É preciso obedecer antes a Deus que aos homens".
b) Os diversos papéis diante de Jesus
Temos aqui a contraposição da ação de Deus diante da ação dos homens. Qual é a ação dos homens: mataram Jesus com a morte de cruz. Qual é a ação de Deus: ele ressuscitou Jesus e o exaltou, tornando-o Chefe Supremo e Salvador. Qual é a finalidade dessa ação de Deus? É para dar ao povo oportunidade de se arrepender e receber o perdão dos pecados. Qual é a ação dos apóstolos e de nós hoje? Ser juntamente com o Espírito Santo testemunhas de tudo o que aconteceu com Jesus.
a) Açoites e libertação
Os vv. 40-41 mostram de novo, em primeiro lugar, o anti-projeto das instituições: "Chamaram os apóstolos, mandaram açoitá-los, proibiram que eles falassem no nome de Jesus e soltaram-nos." Querem intimidar os apóstolos, impedir o avanço da Palavra, mas isto é impossível. Em segundo lugar temos a reação dos discípulos. Reação possível apenas àqueles que estão imbuídos do projeto de Jesus, cheios do Espírito Santo e querem identificar-se com Jesus em sua vida e em seu martírio. De fato o v. 41 diz: "Os apóstolos saíram do Conselho, alegres por terem sido considerados dignos de injúrias por causa do santo Nome." Estamos arrependidos de nossos pecados e engajados no projeto de Jesus a tal ponto de suportarmos críticas, insultos e sofrimentos por causa de Jesus e seu projeto?
2º leitura: Ap. 5,11-14
a) Qual é o significado das liturgias ou cantos de louvor no Apocalipse?
Como lembramos no Domingo passado o Apocalipse quer dar força e coragem, animar na perseverança e incentivar na luta diante das perseguições e agressões do Império perseguidor. Nesse sentido o Apocalipse de são João apresenta em quase todas as suas páginas um canto de louvor, um canto de vitória de Jesus. As comunidades, mesmo em pleno sofrimento e luta e até enfrentando a morte com Jesus carregam a certeza da vitória e da glória com ele. É assim que o apocalipse reanima a esperança das comunidades perseguidas.
b) O que temos no nosso texto
No texto de hoje temos uma solene liturgia universal cantando a vitória de Jesus, sua realeza e sua divindade. Essa liturgia começa (vv. 9-12) e termina no céu (v. 14), mas o v. 13 mostra todo o universo, céus, terra e abismos cantando louvores ao Cordeiro imolado.
c) Quem canta?
O v. 11 cita uma multidão imensa de anjos, os quatro seres vivos e os vinte e quatro anciãos (cf. v. 8). E o v. 13 fala de todas as criaturas do céu, da terra, debaixo da terra e do mar, quer dizer, todos os seres vivos.
a) E o que cantavam?
Cantam um louvor ao Cordeiro imolado, ou seja, a Jesus morto e ressuscitado. Jesus se tornou o Senhor do universo inteiro. Então a ele e só a ele são feitas sete atribuições (o número sete deve lembrar a perfeição total). Quais são essas atribuições? São o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor (v. 12).
e) Quem é o Cordeiro imolado
É interessante que o v. 13 mostra que a mesma honra, glória e poder que pertencem ao Pai, pertencem também ao Cordeiro para sempre. Quer dizer, Jesus é Deus. O v. 14 ainda confirma tudo com o Amém solene dos Quatro Seres Vivos e com a adoração dos 24 anciãos.
f) Termos simbólicos
Os 4 seres vivos: simbolizam os 4 anjos que governam o mundo físico, ou a força de Deus que governa e dirige toda a história. O número 4 simboliza a totalidade do mundo criado. Os 24 anciãos simbolizam os santos, ou representantes de Deus do Primeiro Testamento e do Segundo Testamento (12 tribos de Israel + 12 apóstolos), quer dizer, o antigo e o novo povo de Deus.
Evangelho: Jo. 21,1-19
Vv. 1-14 - Só a presença de Jesus ajuda a superar a crise.
Estamos num contexto eucarístico e de missão. A menção do mar de Tiberíades lembra a atividade missionária (pesca = pescadores de homens) no meio dos pagãos (o mar representa o campo de missão entre os gentios). A menção de sete discípulos indica a totalidade a partir do significado simbólico do número sete. A decisão de pescar pode indicar que os discípulos ainda não assumiram o compromisso definitivo com Jesus, pois estão retornando às suas atividades normais. De qualquer maneira se essa decisão é um fato real, esta noite de trabalho foi estéril. Se é um fato simbólico (atividade missionária dos pescadores de homens), a comunidade missionária está em verdadeira crise, pois naquela noite não pescaram nada. Mas é bom lembrar que "à noite" tem conotação negativa e está em contraste com o dia (cf. 9,4-5). Noite simboliza ausência de Jesus ou do Espírito. Sem ele que frutos daria a ação missionária (cf. 15,5)? "Dia" ou "amanhecer" já têm conotação positiva, alude à nova realidade inaugurada pela ressurreição. Mas no princípio os discípulos não estavam tão firmes na fé ("não sabiam que era Jesus"). Mas Jesus manda que eles joguem as redes do lado direito da barca e eles jogaram e aconteceu o milagre. Pegaram uma "multidão" de peixes. Isto indica a fecundidade missionária com a obediência à Palavra de Jesus e a fé na sua presença na caminhada da comunidade. Só o discípulo que Jesus amava reconhece que é Jesus. Hoje também só reconhecemos Jesus aqui ou ali através do amor. Pedro toma duas atitudes "veste a roupa" quer dizer predispõe-se ao serviço (cf. v. 7) e "pula dentro da água", quer dizer está disposto a enfrentar o risco. Na praia os discípulos percebem sinais de amor preparados por Jesus: peixes na brasa e pão. A quantidade de peixes (153 é a totalidade de espécies de peixes para o mundo antigo) significa que a atividade missionária vai atingir a todos os povos. Depois que Jesus convida os discípulos para a "Eucaristia" ninguém mais duvida de sua presença.
Isto significa que na comunhão de vida com as pessoas reconhecemos facilmente a presença de Jesus. A pergunta: "Eras tu, Senhor?" vai desaparecendo na medida em que aprendemos a partilhar.
Vv. 15-19 - O assunto aqui é a vocação do discípulo. Aqui o centro da atenção é Pedro. Podemos sinteticamente perceber que as condições para seguir Jesus se traduzem em comunhão profunda com Deus e solidariedade com as pessoas, ou seja, em duas palavras: amor-serviço. Jesus pede de Pedro e de cada um de nós um amor incondicional capaz de dar a própria vida como Jesus o fez (= estender as mãos para ser crucificado). Jesus só chama Pedro para o seguir depois que teve a certeza do seu amor incondicional.
dom Emanuel Messias de Oliveira

1 – Com a Páscoa de Jesus, a vida nova para os discípulos. É tempo de arregaçar a mangas e colocar as mãos à obra. É tempo para lançar as redes ao mar e pescar. E são tantos os mares e tantas as pessoas e tanto o peixe para as redes de Jesus. E por mais que sejam os peixes as redes não se rompem, pois os seus fios entrelaçam o amor, a paixão e a entrega de Jesus Cristo.
Belo o texto que São João nos apresenta como Boa Notícia de salvação. O túmulo vazio já ficou para trás. Lá não há vida. O passado pode ser raiz, ponto de partida, mas não cais ou ponto de chegada. Está vazio naquela manhã de Páscoa. O sepulcro recolheu o Corpo de Jesus. As mulheres e depois os discípulos foram bem cedinho. Não queriam acreditar. Será que alguém roubou o corpo de Jesus? Têm que O procurar em outro lugar? Onde? Com o avançar da manhã Jesus está mais longe, mais próximo, mais espiritual, mais disponível, mais acessível. A vastidão de Deus irrompe com a ressurreição do Mestre. O céu não tem uma abertura, é o próprio céu que se espalha por toda a parte. O nosso céu é Jesus Crucificado e Ressuscitado.
De novo Jesus Se planta no caminho dos Apóstolos. O cenário agora é diferente. Jesus encontra-os em casa, a caminhar, junto ao túmulo. Desta feita encontra-os no próprio local de trabalho. Ele está por toda a parte. Ele vai a todo o lado. Está onde está o ser humano. Que belíssima notícia: onde eu estou, Deus está também, em Jesus Cristo pelo Espírito Santo.
2 – Os discípulos saíram de casa. O medo que antes os fez prisioneiros entre quatro paredes, com as portas e janelas fechadas, dá vez à LUZ que Jesus traz. A luz entra por todos os lados. É sobretudo LUZ interior, no coração de cada um. Sentem-se motivados. Novos. Renascidos com o Mestre. Voltam a fazer o que faziam. Estão no campo, e à beira mar.
Como quando acabamos de despertar, em que por vezes nos sentimos desorientados, a estremunhar, querendo apressar-nos mas com a paralisia da noite e das trevas, também os discípulos ainda estão ensonados, sem saber bem o que hão de fazer. Têm nas mãos a batata quente, mas que fazer com ela? Pedro, habituado ao trabalho, e mais vocacionado para isso do que para intelectualidades, ou profundas reflexões, decide sair de casa para trabalhar: «Vou pescar». Os outros acompanham-no, afinal não têm muito que fazer nem muito em que pensar, ainda estão atordoados.
“Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele”. Eram horas de terminar a pescaria e regressar à praia para arrumar as redes e limpar o barco. Então eis o inesperado, Jesus pergunta-lhes: «Rapazes, tendes alguma coisa de comer?». Mas como não tinham pescado nada respondem negativamente, desconsolados. Eis mais uma interpelação inusitada daquele Homem: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Com a manhã a surgir, as condições para a pesca são mínimas, se antes não conseguiram nada, quanto mais agora! Mas também não têm nada a perder.
Mais uma agradável surpresa: “Lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes”. Depois de tanto esforço, depois de terem desistido, uma nova tentativa e a abundância. As condições da pesca afinal não são menores na manhã quando o Senhor está com eles, quando Jesus está conosco. Todo o esforço feito sem Deus, sem Jesus, dá em nada. Tudo o que se faça com Jesus multiplica-se em abundância sem fim. A Páscoa está aí em pescas generosas, se não faltar o Espírito do Senhor.
3 – O texto de João brinda-nos com outros pormenores significativos. Os olhos dos discípulos abrem-se e vêem o Mestre. O primeiro a reconhecê-lo é o discípulo predileto, que diz a Pedro: «É o Senhor». Não se conhece o nome daquele discípulo. Pode ser cada um de nós. Pode ser a comunidade que se coloca em situação de escuta em relação a Jesus e em relação às pessoas. Somos prediletos quando O reconhecemos.
Pedro deixa-se guiar pelo discípulo predileto. Ele tinha vacilado antes. É necessário estar atento aos companheiros, entrar na lógica da comunidade crente, como Tomé que se afastara, reconhecendo Jesus apenas quando reentra na comunidade. O discípulo predileto é expressão da constância, da fé, mesmo nos momentos de dor, de morte, de desencanto. Ele esteve sempre, reclinado sobre o peito de Jesus, junto à Cruz, aos pés de Jesus, a correr para o túmulo, ao encontro do Mestre, inserido na comunidade a quando das aparições do Mestre. Ele guia Pedro e guia-nos também a nós, para sermos também discípulos diletos e prediletos.
E assim também os demais discípulos que recolhem os muitos peixes e correm ao encontro de Jesus. “Quando saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes”.
O ambiente era o da pesca, agora é o da partilha. Uma MESA improvisada. Não importa esperar pelas condições mais favoráveis, ou pelas condições ideais, é sempre hora para repartir, é sempre tempo para dar. O mundo inteiro é CASA do cristão. Tendo Jesus por perto, não faltará o alimento. Podem ser poucos os recursos, mas quando a vontade é grande, é possível fazer muito. Com Jesus é possível tudo. Ele fará em nós maravilhas, não de forma automática ou milagrosa, mas conosco e através de nós.
Ele prepara o banquete, mas conta com o nosso esforço e com o nosso amor, com os poucos peixes que possamos dar, mas sem os quais não haverá refeição com Jesus. A pesca é d'Ele, mas Ele quer que seja nossa também. Espera por nós. Está lá, e em toda a parte, aguarda que cheguemos com os nossos peixes, para que a refeição aconteça. E a salvação.
4 – Desponta a Primavera. Irrompe a luz e a Vida nova. As árvores ressequidas despertam, trazem o verde e logo o colorido. Com a Páscoa, e com as Aparições do Ressuscitado, os discípulos assumem a missão de levar Jesus a toda a parte, nas diversas e adversas situações. Movidos pelo Espírito Santo, enfrentarão muitas contrariedades, Jesus é a Boa Notícia, a melhor notícia que chega até nós. Façamo-la chegar a outros. Demos testemunho, sem cessar, sem medo nem vergonha mas com entusiasmo, como Pedro e os Apóstolos naqueles dias, quando ameaçados, proibidos de pregar ou até presos: «Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens. O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós destes a morte, suspendendo-O no madeiro. Deus exaltou-O pelo seu poder, como chefe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e o perdão dos pecados. E nós somos testemunhas destes fatos, nós e o Espírito Santo que Deus tem concedido àqueles que Lhe obedecem».
padre Manuel Gonçalves
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A Ressurreição como experiência de amor
1ª leitura: Atos (5,27-32.40-41)
Testemunhos: o Espírito e a comunidade
1. A primeira leitura apresenta-nos o discurso de defesa que Pedro proferiu perante o Sinédrio judaico, que tinha começado a perseguir os primeiros cristãos, depois que os saduceus e as classes sacerdotais (também verdadeiros responsáveis pela condenação de Jesus) se aperceberam de que o que o Nazareno trouxe ao povo eles não o conseguiam fazer desaparecer com a sua morte. Os discípulos, que começaram timidamente a anunciar o Evangelho, vão perdendo o medo e passam a estar dispostos a dar testemunho da sua fé e do seu novo modo de vida. Foram encarcerados e, misteriosamente, conseguiram a sua liberdade.
2. Para dar testemunho da sua fé, de novo recorrem ao kerygma (à pregação), anunciando corajosamente a morte e a ressurreição de Jesus, com as consequências que daí advêm para os responsáveis judeus que quiseram opor-se aos planos de Deus. A ressurreição não consiste, pois, apenas no fato de Jesus ter ressuscitado e ter sido constituído Salvador dos homens, mas "implica" também que a sua causa continue a avançar através dos seus discípulos que vão compreendendo cada vez melhor o que o Mestre lhes ensinou. Esta é uma expressão que marcou algumas das interpretações sobre o acontecimento e que não tinha sido aceite. Mas, na realidade, deve ser tida em conta.
I.3. Não podemos centrar-nos somente no "acontecimento" da ressurreição na pessoa de Jesus; devemos antes considerar que a ressurreição de Jesus muda a vida e o horizonte dos seus discípulos. E este aspecto também é muito importante, já que sem ele, embora se proclame muitas vezes que "Jesus tinha ressuscitado", não se iria muito longe. Por outras palavras, a ressurreição de Jesus também dá uma identidade definitiva à comunidade cristã. Agora a causa de Jesus apaixona-os, fascina-os e conseguem dar um sentido à sua vida que é, fundamentalmente, "anunciar o Evangelho".
2ª leitura: Apocalipse (5,11-14)
Liturgia pascal no céu
1. A segunda leitura narra-nos uma segunda visão do iluminado de Patmos, de acordo com a qual penetra no santuário celeste (uma forma de falar de uma experiência intensa do divino e da salvação) onde está Deus e onde aparece uma figura-chave do Apocalipse: o Cordeiro imolado, que é o Senhor crucificado, embora já ressuscitado. Com Ele estava toda a plenitude da vida e do poder divino, como o mostra o número sete: sete chifres e sete espíritos.
2. A visão é, portanto, cósmica (na realidade todo o livro do Apocalipse é uma liturgia) do mistério pascal, da celebração e aclamação do mistério da morte e ressurreição do Senhor. Toda a liturgia cristã celebra esse mistério pascal por meio de símbolos, mas para celebrar e viver o que fez por nós.
Evangelho: João (21,1-19)
A ressurreição, experiência de Amor
1. O Evangelho deste domingo, como todo o capítulo 21 do evangelho de João, é provavelmente, um apenso à obra quando esta já estava acabada. Mas procede da mesma comunidade joanina, pois contém o mesmo estilo, a mesma linguagem e as mesmas chaves teológicas. A deslocação de Jerusalém para o mar de Tiberíades situa-nos num clima anterior ao que os obrigou a voltar a Jerusalém depois dos acontecimentos da ressurreição. Pretende ser uma forma de ressarcir Pedro, o primeiro dos apóstolos, das suas negações no momento da Paixão. É muito importante que o "discípulo amado", protótipo do seguidor de Jesus até ao final do Evangelho detecte a presença de Jesus, o Senhor, e o diga a todos os outros. É um pormenor que não nos deve escapar, porque como muitos especialistas lêem e interpretam, não se trata de uma figura histórica nem do autor do Evangelho, mas sim de uma figura protótipo da fé e da confiança para aceitar tudo o que Jesus de São João diz neste maravilhoso escrito.
2. Pedro, ao contrário do que aconteceu na Paixão, atira-se à água, para ir "ao seu encontro" para se arrepender do que tinha ensombrado com as suas negações. É como se todo o capítulo de João 21 tivesse sido escrito para reabilitar Pedro; é o grande protagonista, a ponto de só ele tirar a rede cheia do que tinham pescado para dar a entender como agora está disposto a seguir o Senhor até ao fim. Mas não devemos esquecer que é o "discípulo amado" (v. 7) que alerta para a situação. Se antes se falou nos Zebedeus, não quer dizer que no texto "o discípulo amado" seja um deles. É o discípulo que quase sempre acerta com a palavra de fé e de confiança. É o que assinala o caminho, o que descobre que "é o Senhor". E então Pedro…atira-se.
3. A narrativa mostra-nos um determinado itinerário da ressurreição, como Lucas 24, 13-35 com os discípulos de Emaús. Agora as experiências da Ressurreição vão-nos, a pouco e pouco, tocando profundamente; por isso não lhes ocorreu perguntar quem era Jesus: reconheceram, em seguida, que era o Senhor que queria reconduzir as suas vidas. De novo teriam de abandonar as redes e os barcos para anunciar este Senhor a todos os homens. "Também há uma "comida", como no caso de Lucas 24, 13ss, que tem uma simbologia muito precisa, muito determinada: a ceia, a Eucaristia, ainda que aqui pareça que é uma comida de "verificação" de que é verdadeiramente o Senhor ressuscitado. Provavelmente o relato de Lucas 24 é mais conseguido a nível literário e teológico. Em todo o caso, os discípulos descobriram o Senhor como o ressuscitado por certos sinais que tinham partilhado com Ele.
4. Tudo o que está dito antes prepara o momento em que o Senhor pede a Pedro o  testemunho do seu amor e da sua fidelidade, porque a ele vai atribuir a responsabilidade da primeira comunidade de discípulos. Pedro apresenta-se-nos, pois, como o primeiro, mas o seu primado deve ser entendido a partir da experiência do amor que é a experiência-base da teologia do evangelho de João. As perguntas sobre o amor, com o jogo encadeado entre os verbos gregos fileô e agapaô (amar, em ambos os casos) deram muito que falar. Mas, acima de tudo, estas três interpelações a Pedro sobre o amor recordam necessariamente as três negações da Paixão (Jo 18, 17ss). Com isto a tradição joanina reabilita o pescador da Galileia. As suas negações, as suas misérias, a sua fraqueza não impedem que possa ser ele o guia da comunidade dos discípulos. Não é o discípulo perfeito (para o evangelho de João é o "discípulo amado"), mas o seu amor ao Senhor sanou o seu passado, as suas negações. Na verdade, no evangelho de João tudo se cura com o amor. E esta é, portanto, uma experiência fundamental da ressurreição, porque em Tiberíades quem se torna presente com os seus sinais, a pedir e a dar amor é o Senhor ressuscitado.
fray Miguel de Burgos Núñez
tradução: Maria Madalena Carneiro

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A fé, obra de Deus
O ato de fé, longe de se reduzir a uma atitude do pensamento, a uma certa organização dos nossos pensamentos é também, decerto com a nossa colaboração e com a nossa liberdade, obra da graça de Deus, uma obra na qual a própria realidade do que é pensado se torna qualquer coisa de nós mesmos. Sim, a fé faz o crente entrar na realidade da sua salvação: a própria salvação provém do fim dos tempos, atinge o presente, a sua história torna-se atual.
Cristo vive nele e ei-lo, desde então, tomado no movimento profundo do acontecimento ao qual adere pela fé, torna-se misteriosamente contemporâneo do Filho de Deus feito homem, morre e vive n'Ele. Pela fé e no Espírito Santo, Cristo habita no seu coração e é do modo mais real e mais verdadeiramente que este Espírito dá à sua vida uma semelhança crescente com a vida e o destino do Verbo feito carne.
A fé faz de nós, homens de Deus e filhos da vida eterna, seres em quem as energias do mundo, da eternidade já estão a atuar. A fé e o amor, na medida da sua intensidade, provocam no mais íntimo de nós mesmos a irrupção e a invasão do acontecimento que é a nossa salvação.
Karl Ranher
tradução: Marie-Dominique Moliné, O.P.
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A liturgia, neste tempo pascal, concentra nossa atenção naquele que por nós morreu e ressuscitou; na glória que ele agora possui, como Senhor do céu e da terra: “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor. Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre!” Estejamos atentos, porém: afirmar a glória de Cristo, não é algo de folclórico ou triunfalístico, mas é uma proclamação convicta e clara do seu senhorio sobre nós, sobre nossa pobre vida, sobre a vida da Igreja, sobre o mundo e sobre toda a história. A Igreja e cada cristão vivem desta certeza: Jesus ressuscitou dos mortos, é o Vivente, é o Senhor; nós existimos nele e para ele; ele é o referencial último absoluto de nossa existência!
É este Jesus vitorioso, que vem ao encontro dos seus às margens do mar da Galiléia; é este Senhor nosso que os apóstolos experimentam no evangelho de hoje. Cada detalhe deste texto de João é cheio de significado. Vejamos: os apóstolos pescam e nada conseguem apanhar... A pescaria é imagem da ação missionária da Igreja. Sem Jesus, estamos sozinhos, sem Jesus a pescaria é estéril, as tentativas são vãs... Sem Jesus, pescamos na noite escura... Mas, pela manhã, Jesus vem ao encontro dos seus. Notemos que os discípulos não conseguem reconhecer o Senhor ressuscitado. Somente quando Cristo se dá a conhecer é que os seus conseguem compreender e experimentar sua presença viva e atuante. E Jesus dá-se a conhecer sempre na Palavra e no Pão partido, na refeição em comum, isto é, na celebração eucarística. É aqui, é agora, nesta Eucaristia sagrada, que o Senhor nos fala e parte o Pão conosco. Toda celebração eucarística é celebração pascal, é encontro com o ressuscitado! Como seria bom que, a cada domingo, revivêssemos esta experiência, esta certeza da presença do Senhor vivo entre nós!
Os discípulos ainda não haviam reconhecido Jesus. Este lhes ordenou: “Lançai a rede!” Eles lançaram-na e já “não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes”. Notem: o discípulo amado, diante do sinal, reconhece o Ressuscitado: “É o Senhor!” Mas, é Simão Pedro – sempre ele, o chefe do grupo, o chefe da comunidade dos discípulos, o que comanda a pescaria – faz-se ao mar, para encontrar Jesus. Jesus ordena que arrastem a rede para a terra. Notemos: o barco é um só, como uma só é a Igreja de Cristo; também a rede é uma só, como única é a obra da evangelização; e quem comanda a pescaria é Pedro, sob a ordem de Jesus! E a rede não se rompe, apesar de cheia de 150 peixes grandes. O número é exagerado, significando a plenitude da obra evangelizadora. E, então, Jesus repete, diante dos discípulos, os gestos da Eucaristia: “tomou o pão e distribuiu entre eles”.
Depois, três vezes, o Ressuscitado pergunta a Pedro – e pergunta aos sucessores de Pedro, os bispos de Roma, pergunta a João Paulo II: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro responde que sim, e abandona-se no Senhor: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo!”Senhor, antes coloquei minha confiança em minhas próprias forças, em meu próprio amor e terminei te traindo... Tu disseste que oravas por mim para que minha fé não desfalecesse, mas fui presunçoso, e contei mais com minhas forças que com tua oração... Mas, agora, te digo: “Tu sabes tudo; tu sabes que te amo”, apesar de minha fraqueza! É naquilo que tu sabes, que tu podes, que tu em mim realizas que te digo: te amo! - E três vezes, Jesus o incumbe, diante dos outros, de uma missão toda particular: “Apascenta as minhas ovelhas!” Que ninguém duvide – a menos que deseje fazer pouco da vontade do Senhor nosso – que Pedro é o primeiro pastor do rebanho de Cristo. O rebanho é de Cristo, o Bom Pastor, e Cristo o confiou a Pedro! Quem não está em comunhão com o sucessor de Pedro, certamente, age de modo contrário ao que Cristo desejou para a sua Igreja e para seus discípulos. Pouco adianta uma bíblia debaixo do braço, se contrariando a Palavra de Deus, se nega a presença real do Cristo na Eucaristia (cf. Jo 6,53-57), o papel materno de Maria Virgem junto a cada discípulo amado do Senhor (cf. Jo 19,25-27), a indissolubilidade do matrimônio (cf. Mc. 10,1-12) , a sucessão apostólica e o papel de Pedro e seus sucessores na Igreja de Cristo (cf. Mt 16,13-20)! Estejamos atentos: não é a Pedro super-homem que o Senhor confia a sua Igreja; mas a Pedro frágil, a Pedro que o negou, a Pedro humilhado... a Pedro que pode servir até de pedra de tropeço (cf. Mt. 16,23). Pedro é a pedra da Igreja, mas a rocha inabalável é somente Cristo! E Cristo o convida a segui-lo até o martírio, até levantar as mãos na cruz...
Assim foi com Pedro, assim com os discípulos, assim, agora, conosco... Não tenhamos medo! É possível que muitas vezes nos sintamos sozinhos, desamparados, pescando numa pescaria estéril de noite escura... Coragem: o Senhor está conosco: é ele quem nos manda à pesca, é ele quem pode encher nossas redes e dá-lhes consistência para que não se rompam, é ele quem nos revela sua presença e nos enche de coragem! Recordemos dos nossos primórdios, da coragem dos santos apóstolos que se sentiam “contentes por terem sido considerados dignos de injúrias por causa do nome de Jesus”. É que eles sabiam por experiência que o Senhor estava vivo, que o Senhor caminhava com eles. Também nós, hoje, podemos escutá-lo nas Escrituras e reconhecê-lo entre nós no pão partido da Eucaristia. É este Jesus que nos envia à pesca, é este Jesus que caminhará sempre com sua Igreja, nossa Mãe católica, até o fim dos tempos!
A ele a glória e o louvor, a adoração, a riqueza e a sabedoria, a força e a honra para sempre.
dom Henrique Soares da Costa
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O núcleo da mensagem de Jesus era o reino de Deus. Mas a pregação dos apóstolos passou a ter como centro a vida e as palavras de Jesus, pois a partir da sua morte e ressurreição tornou-se inconcebível pensar o reino de Deus sem fazer referência àquele por meio do qual Deus exerce agora seu reinado. A expansão desse reino é inevitável quando se anuncia o evangelho, embora forças contrárias à sua propagação tentem calar seus arautos. Ao final o Cordeiro será vitorioso, triunfando sobre o antirreino.
Evangelho Jo 21,1-19
Um tipo de morte que glorifica a Deus
O texto narra outra aparição de Jesus e tem como tema principal a missão da Igreja sob a guia do Ressuscitado.
O número sete significa perfeição ou totalidade. Aqui traduz a comunidade perfeita, a que se reúne em torno do banquete (vv. 9-13). Os protagonistas da cena, Pedro e o discípulo amado, são os mesmos que entraram no sepulcro vazio. Novamente, o discípulo amado reconhece o Senhor. É o amor que precede esse reconhecimento. Mas é Pedro, desta vez, que corre ao encontro do Senhor (v. 7). É também ele quem toma a iniciativa de pescar e de trazer para a praia a rede cheia de peixes (v. 11). Assim, entrelaçam-se o reconhecimento do Ressuscitado e o serviço missionário representado pela pesca. Sem esse reconhecimento, o trabalho é estéril (v. 3); somente com Cristo ele se torna fecundo (v. 7). Os 153 peixes grandes simbolizam o grandioso sucesso da missão e seu caráter universal.
A Pedro é confiada a tarefa pastoral na Igreja (vv. 15-17). As três perguntas que Jesus lhe faz sobre se ele o ama correspondem às três negações do apóstolo. Pedro não ousa afirmar que ama o Senhor mais que os outros discípulos. Sua resposta é humilde, pois sabe de sua fraqueza e tem consciência de que sua tarefa é fundada na graça. Jesus pergunta a Pedro considerando sua disponibilidade, e é a partir daí que lhe é confiada a missão.
No v. 18 Jesus apresenta a Pedro a total disponibilidade que o discípulo deve ter para o seguimento. Caminhar com Jesus é assumir também seu destino: o martírio. Dessa forma, o serviço que Pedro assume no pastoreio deve ser feito num total dom de si. Esse dom só é possível para aquele que ama, ainda que não o faça “mais que os outros”. Esse amor incondicional, que o próprio Cristo vivenciou, Pedro aprenderá em sua caminhada. Por enquanto, sua própria entrega foi o reflexo desse amor.
1º leitura At. 5,27b-32.40b-41
Dignos de sofrer pelo nome de Cristo
Os apóstolos foram conduzidos ao Sinédrio e o sumo sacerdote os acusou de desobedecerem à proibição de proclamar o nome de Jesus. Em nome da Lei divina, o Sinédrio condenou Jesus, e a divulgação da ressurreição deste representava dura acusação contra o tribunal – pois, se Deus ressuscitou o condenado, isso significava que seus juízes eram culpados e este era inocente.
Pedro respondeu que iria obedecer primeiramente a Deus e não a autoridades humanas. Mencionou ainda a assistência do Espírito Santo no encargo de testemunhar tanto a morte quanto a ressurreição de Jesus.
O Sinédrio, então, intimou os apóstolos a não falar mais no nome de Jesus. Mandou açoitá-los e soltá-los. A conduta deles após os açoites indica que ficaram felizes por terem sido achados dignos de sofrer por causa do nome de Jesus. As injúrias significavam que eles estavam, de fato, fazendo a vontade de Deus, caso contrário não teriam incomodado ninguém e suas palavras teriam sido bem-aceitas.
2º leitura Ap. 5,11-14
O Cordeiro é digno de louvor e adoração
O capítulo 5 de Apocalipse tem como tema central Jesus Cristo redentor, glorioso e vencedor, que traz em suas mãos os destinos da história. João contempla um número incontável de seres que proclamam a dignidade do Cordeiro. Os sete títulos (poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor) indicam a plenitude da dignidade e da obra redentora de Cristo e a perfeita glorificação daquele que a realizou.
Nos versículos 13 e 14, o cântico que começou no céu se estende por todos os âmbitos da criação, em exclamações de louvor unidas à liturgia celeste.
Pistas para reflexão
Destacar as inúmeras dificuldades sofridas por quem está engajado na propagação do reino de Deus na terra. Animar as pessoas – que passam por diversos tipos de sofrimentos e tribulações – a se manter firmes, alicerçadas na fé em que o Cordeiro ressuscitado, vitorioso sobre a morte e o pecado, está presente na vida das comunidades.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj
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Do encontro e da fé no ressuscitado à Missão
Respira-se ar fresco, de universalidade, e de missão no mundo. O terceiro encontro de Jesus ressuscitado com o grupo dos discípulos (Evangelho) acontece não já no Cenáculo de Jerusalém, com as portas fechadas, mas fora, nas margens do lago de Galileia, numa manhã de Primavera. O fato daquela pesca milagrosa post-pascal e a missão que Jesus confia a Pedro são narrados com a linguagem própria da experiência mística, rica de símbolos, e com notas de profunda afetividade. Deste modo, é possível colher a mensagem na sua globalidade: o regresso ferial à pesca, o número dos sete pescadores, o mar, o fato de pescar, a noite sem fruto, o amanhecer, o Senhor sobre a margem, a pesca abundante, o fogo que prepara a comida, o banquete,; e depois a missão confiada a Pedro com um exame surpreendente sobre o amor, confiar o rebanho três vezes, o compromisso de um seguimento para toda a vida até à morte...
A simbologia mística enriquece o acontecimento e oferece uma sua compreensão mais plena e universal. Por exemplo, se o mar é o símbolo das forças inimigas do homem, pescar, e tornar-se pescadores de homens (Mc. 1,17) quer dizer libertar de situações de morte, e a pesca torna-se símbolo da missão apostólica. O sucesso de tal missão, por muito arriscada que seja, já se vê nos “153 grandes peixes” (v. 11). Entre as muitas interpretações deste número, sublinhados duas: antes de mais a exatidão numérica dada por uma testemunha ocular, mas também o simbolismo do “50 x 3 + 3”, onde o 50 simboliza a totalidade to povo e o 3 indica a perfeição. Nenhum peixe se perde. O banquete, ao qual são convidados pelo próprio Jesus, recorda a conclusão da história da salvação. E na tripla investidura missionária, Pedro torna-se o pastor do rebanho inteiro.
As várias aparições do Ressuscitado podem catalogar-se em dois grupos: aparições de reconhecimento, nas quais Jesus quer em primeiro lugar ser reconhecido como ‘vivente’, e as aparições de missão, nas quais Jesus confia tarefas precisas de aplicação imediata (ide dizer a...) ou a longo prazo (ide por todo o mundo, fazei discípulos de todas as nações...). Deste modo, gradualmente, vai-se delineando para os discípulos o horizonte universal do acontecimento da ‘ressurreição’: o Ressuscitado (I leitura) é “chefe e salvador” de todos os povos (v.31) e esta Bela Notícia deve ser anunciada a todos, em toda a parte!
Obedecendo a Deus antes que aos homens! (v. 29), os discípulos começam a agir imediatamente na qualidade de testemunhas dos acontecimentos (v. 32), com coragem e alegria, apesar de serem “ultrajados por amor do nome de Jesus” (v. 41). A Ele, Cordeiro imolado (II leitura), todas as criaturas do céu e da terra são chamadas a dar louvor e honra para sempre (v. 12-13).
A experiência do Ressuscitado ultrapassa as aparições iniciais (Evangelho): prolonga-se na capacidade de saber reconhecer a presença verdadeira e eficaz do Senhor também na quotidianidade simples da vida. “Jesus dá-se a conhecer nos seus gestos, um extraordinário – a pesca milagrosa – os outro muito simples e familiares. Preparou pão e peixe, e convida-os com amor para a refeição. Toma o pão e dá-lho, e faz o mesmo com o peixe, como tinha já feito antes tantas vezes. Parece que Jesus, em vez de manifestar toda a sua glória, queria preparar os seus discípulos a reconhecer aquela sua presença misteriosa que, depois da ressurreição é a sua presença universal: Agora, Jesus está presente em toda a parte, de maneira divina, mas também com a mesma humanidade... Os cristãos são chamados a procurar uma glória divina que não é exterior; são chamados a reconhecer o Senhor Jesus nos seus irmãos... reconhecer Jesus que se torna presente nos mais pobres, nos mais humildes, nos mais necessitados: é aí que os cristãos devem reconhecer a sua glória, a glória misteriosa do seu Senhor e a potência da sua acção divina, que realiza prodígios através de meios humildes e simples” (Albert Vanhoye).
Uma vida quotidiana ‘como ressuscitados’, vivida na fé e no amor, relaciona-se em duas direções: gratidão para com Deus, e compromisso missionário para com os outros. Tal é também o ensinamento do Papa Pio XII, que, exatamente há 30 anos, publicava a encíclica missionária ‘Fidei Donum’, para chamar a atenção da Igreja e do mundo para a África numa época crucial do seu destino milenário. A encíclica abre-se com uma reflexão sobre o “dom da fé” como ponto de partida para o compromisso missionário nas várias situações, lugares e expressões.   
padre Romeo Ballan

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