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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 18 de abril de 2013

NINGUÉM VAI TIRAR MINHAS OVELHAS DE MIM!


IV DOMINGO DA PÁSCOA
ANO   C
DOMINGO DIA 21 DE ABRIL

Comentário Prof.Fernando


NINGUÉM VAI TIRAR MINHAS OVELHAS DE MIM!

Introdução



Na primeira leitura dos Atos dos Apóstolos

            Os apóstolos cheios do Espírito Santo anunciavam a todo vapor, a Boa Nova, que era a palavra de Deus apreendida por eles através da pessoa de Jesus Cristo. Continua


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IV DOMINGO DA PÁSCOA 21/04/2013
1ª Leitura Atos dos Apóstolos 13.14. 43-52
Salmo 99 (100) ,3c “Somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho”
2ª Leitura Ap. 7,9.14b-16
Evangelho João 10, 27-30
“NINGUÉM VAI ARRANCÁ-LAS DE MIM...” -Diac. José da Cruz
Vivemos em um tempo em que infelizmente somos muitas vezes dominados pelo medo e a insegurança porque vemos a ação do mal por todos os cantos.
Olhamos para nós mesmos e sentimos que embora nos esforcemos por viver bem, inúmeras vezes pecamos, por falta de amor, de fidelidade, de perseverança, de confiança em Deus, na própria igreja só olhamos a instituição, a igreja humana e às vezes o desânimo é tanto que não enxergamos a igreja divina, instituída por Jesus, e da qual participamos pelo nosso Batismo, apesar de sermos indignos.Sentimo-nos ameaçados a todo o momento e o medo de sucumbir no mal, é muito grande e diante do avanço das forças do mal, sentimo-nos impotentes.
Possivelmente era também esse o estado de espírito das comunidades de João no primeiro século da era cristã, por causa das intensas perseguições do império romano e dos próprios judeus ao cristianismo. O medo e a insegurança podem fazer–nos render diante do mal.
“Elas jamais hão de perecer e ninguém as roubará de minha mão. Meu pai que mas deu, é maior que todos; e ninguém as poderá arrebatar do meu pai. Eu e o pai somos um” - é uma afirmativa de Jesus no evangelho desse domingo, que refletido em profundidade irá nos tirar a todos desse marasmo, do comodismo e conformismo diante do mal.
A primeira idéia é de proteção, estamos nas mãos do Pai e do seu Filho Jesus e nada de mal irá nos ocorrer, podemos ficar tranqüilos e basta apenas que cumpramos nossas obrigações religiosas para com Deus e a igreja de Cristo. Esse pensamento é nefasto porque nos conduz a passividade e perdemos a capacidade de nos indignar diante de fatos ocasionados pelo mal. A outra idéia errada que podemos ter, é de que o nosso Deus é possessivo quando fala que ninguém nos arrancará de suas mãos.
Mas a mensagem é bem outra e aqui podemos nos lembrar das narrativas do livro dos reis, que enfoca a bravura e a coragem de Davi quando ainda pastor, que quando via o seu rebanho atacado pelo lobo, se atirava sobre ele e o estraçalhava com a força do seu braço e dos seus dentes. Talvez nos falte hoje essa bravura e esta coragem diante das forças do mal, temos medo do que vemos e assistimos no dia a dia, não queremos nos envolver ou nos comprometer com algum posicionamento mais radical contra a maldade presente no coração de muitos que matam, roubam, enganam, manipulam.
Temos medo de testemunhar o evangelho e sermos taxados de antiquados, retrógrados, preferimos muitas vezes nos deixar levar pela onda, “é melhor não falar, é melhor não dar a minha opinião, alguém pode não gostar” .Agimos assim no trabalho, na política, no ensino, na comunidade e na família. Preferimos ficar rezando para que Deus toque no coração dos que estão dominados pelo mal, fazemos a nossa parte rezando.
O evangelho de hoje é um incentivo e um grito de esperança e de ânimo para quem quiser ir à luta, combatendo abertamente o mal, não as pessoas, presente em todos os lugares. Cristo Jesus nosso único pastor nos deu a vida eterna, nos libertou e nos redimiu com seu sangue, fomos assim resgatados das forças do mal, pertencemos a Deus e o Pai nos confiou a seu Filho Jesus, “ninguém conseguirá nos arrebatar de suas mãos poderosas” , Jesus e o Pai são um, e com ele nós somos a Igreja, com a missão de evangelizar, de anunciar a verdade, a justiça e a paz, o shalon que evoca a presença de Jesus em nosso meio. Não há o que temer ! Mas é preciso ser discípulo, seguidor de Jesus, não tremer, não vacilar e nem recuar diante do mal.
É preciso conhecer a sua voz, sua palavra de ordem do evangelho, diante de tantas falsas palavras que nos iludem, oferecendo-nos um mundo novo que não passa de uma fantasia. Só Jesus é o nosso pastor e mais ninguém.
Ele é a nossa rocha, nossa fortaleza e segurança, o mal presente em nós, o pecado dos nossos irmãos, o mal presente na sociedade de tanta morte e violência, não conseguirá nos arrancar de suas mãos. Basta crer e se comprometer com o seu reino. E assim podermos rezar na firmeza do salmo 99 “sabei que o Senhor, só ele é Deus, nós somos seu povo e seu rebanho”.
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“O PAI E EU SOMOS UM”. - Olívia Coutinho

IV DOMINGO DA PÁSCOA

21 de Abril de 2013

Evangelho J0 10, 27-30

Quando ouvimos falar da figura do Bom Pastor, nos vem logo  a imagem do  protetor, daquele que cuida de nós,  que nos carrega no colo enquanto atravessamos os desertos de nossa vida!
Quantas coisas bonitas  nos falam ao coração, aquela  tão conhecida imagem do Pastor, carregando carinhosamente uma ovelha sobre os ombros, certamente uma ovelha frágil necessitada de maiores cuidados! E quantos de nós, já  nos sentimos como àquela ovelha, frágil, carente, totalmente dependente do cuidado do Pastor!
No  evangelho de hoje, Jesus se apresenta  como o Pastor, Aquele,  que cuida de nós, que cura nossas feridas, que nos ampara quando o nosso “caminhar” parece impossível! Jesus nos convida a fazer  parte do seu rebanho, e o que é decisivo para este ingresso no coração do Bom Pastor,  é a nossa disponibilidade em escutar o que Ele  tem a nos dizer. Só assim, iremos nos inteirar de sua proposta e fazer a nossa escolha: ser ou não ser uma de suas ovelhas!
O texto que nos é apresentado,  nos desperta para a importância da “escuta”,  de uma  escuta atenta, que não corresponda apenas na nossa audição física, mas que nos leve a interiorizar o que escutamos e assim poder viver o que nos diz Jesus! É a partir da escuta da palavra, que novas possibilidades vão se abrindo para nós no campo da fé!
A todo instante, Jesus nos  convida a entrar  no coração do Pai! E  o caminho que nos faz chegar a este oásis repousante, começa pela escuta da voz suave e paciente  do Bom Pastor, que chamando-nos pelo nome, vai nos conduzindo passo a passo rumo a felicidade plena.
 O Pai, no seu infinito amor, nos entregou aos cuidados do Filho,  do Filho que nos acolheu com o mesmo amor do Pai e nos colocou acima de sua própria vida! Como resposta a este amor sem limites, nós também, devemos  nos acolher uns aos outros e se preciso for, dar a vida pelo anúncio do evangelho!
 A figura do Bom Pastor, é uma das mais belas imagens que Jesus usava em suas pregações, para nos  mostrar a extensão do coração amoroso do Pai, do Pai, que no seu amor sem medida, O envio para ser o nosso Pastor.
Jesus é um Pastor zeloso que nunca nos perde de vista! O seu amor por cada uma de suas ovelhas é um amor “ciumento” um amor tão grande que O levou a cruz!
 ”Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão”. Eis aí, a grande comunicação de amor!
Mesmo diante a tão grande prova de amor, nós, muitas vezes, ao invés de comportarmos como ovelhas dóceis, obedientes, esquivamos do Pastor, tornando-nos ovelhas rebeldes e desatentas. É a nossa ingratidão ao Bom Pastor, que tem como único desejo, nos defender dos “lobos” vorazes que estão por aí, a nos espreitar!
Jesus, é o único Pastor que nos conduz para as "pastagens verdadeiras" onde encontramos vida em plenitude!  As ovelhas fieis, pertencente ao seu rebanho, conhecem a sua  voz, não se deixam levar pelas propostas enganosas dos falsos pastores.
Quando Jesus diz que o Bom Pastor, dá a vida pelas suas ovelhas, Ele não fala no sentido figurada, pois  realmente, foi com a sua vida que Ele se tornou a prenda do nosso resgate! Foi graças a entrega de sua vida, que todos  nós fomos resgatados, tragos  de volta à vida!
A alegria da certeza de que nunca seremos arrancados das mãos do  Bom Pastor, nos motiva a celebrarmos a nossa fé e a nossa adesão à  vontade do Pai.

FIQUE NA PAZ DE JESUS - Olívia

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DOMINGO- 21 de abril
Jo 10,27-30
Não tirarão as ovelhas do meu rebanho!

O Evangelho de hoje faz uma reflexão sobre o pastor e suas ovelhas. Na época de Jesus essa temática, pastor e ovelha, era muito comum. As ovelhas tinham uma grande ligação com o seu dono. Esta sintonia era tão grande que elas entravam no curral apenas quando ouviam a voz do seu verdadeiro dono. A esse fato dá-se o nome de pastoris palestinenses.
Poderá alguém tirar as ovelhas de seus pastores? Dos pastores descuidados podem, com certeza. Mas, de Jesus, o Bom Pastor, não! Pois, as “ovelhas”, filhos de Deus, foram entregues a Jesus pelo Pai com total carinho e zelo.
Para escutar a voz de Cristo é necessário crer. Uma vez que isso se torna fato, saberemos realmente quem é nosso Pastor. Crer em Cristo é “ser do alto” (Jô 18,37). E somente aquele que procura a verdade pode ouvir a voz de Cristo.
No versículo 28 Cristo afirma que dará a vida eterna à suas ovelhas e elas não se perderão. Se continuarmos a ler o Evangelho segundo João, encontraremos no capítulo 17 a sua definição sobre a vida eterna. Para João a vida eterna consiste que acreditemos em Deus como único e verdadeiro e em Jesus Cristo como seu enviado (cf. 17,3). Assim sendo, a vida eterna vai se realizando quando conhecemos a Deus de maneira íntima e unificada por meio de Jesus Cristo.
Jesus faz duas afirmações que tocam fundo em nosso coração. Ele afirma que suas ovelhas não se perderão e em seguida, diz que ninguém as arrancará de suas mãos. Isso nos dá uma total segurança, pois sabemos o quanto este amor de Cristo é infinito.
Que nesta semana possamos analisar nossa caminhada e percebermos se somos boas ovelhas e se realmente escutamos a voz do nosso “Bom Pastor”. Por isso, deixo algumas perguntas que irão ajudar nossa reflexão:
Você procura ouvir a voz de Deus? Está sendo um bom Cristão? Como está a sua atitude diante do mundo? Será que está se perdendo no mundo?
Tenha uma boa reflexão. E não se esqueça: Deus te ama! Até a próxima.

Professor Isaías da Costa  ( isaiasdacosta@hotmail.com)
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Evangelhos Dominicais Comentados

21/abril/2013 – 4o Domingo da Páscoa

Evangelho: (Jo 10, 27-30)

Jesus disse: “Minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna e elas nunca morrerão, e ninguém as arrancará de minha mão. Meu Pai que me deu as ovelhas é maior do que todos, e ninguém poderá retirá-las da mão do meu Pai. Eu e o Pai somos um”.

COMENTÁRIO

Na liturgia de hoje, nós comemoramos o Bom Pastor, aquele que conhece, que guarda e que ama suas ovelhas.

A figura do pastor é bastante mencionada nos textos bíblicos. Sabemos que Moisés, Jacó, Davi, Amós, Abel, filho de Adão e Eva e muitos outros personagens eram pastores. O próprio Messias é profetizado como um pastor, aquele que vem para unir o rebanho, trazer a paz e a justiça para o povo.

De fato, Jesus se apresenta como o Bom Pastor e, no evangelho de hoje, com muito carinho, Jesus fala das suas ovelhas. Diz que conhece uma por uma e que elas conhecem a sua voz, por isso confiam nele e o seguem aonde quer que ele vá.

Jesus diz ainda: Eu dou a vida eterna para as minhas ovelhas, elas nunca morrerão. O mundo perverso e pecador pode perseguir e martirizar as minhas ovelhas, mas nunca conseguirá destruí-las. Elas jamais se perderão!  

As ovelhas de Jesus somos todos nós, é a própria Igreja. Essa Igreja é eterna e jamais as portas do inferno prevalecerão sobre ela. O rebanho de Jesus está seguro. Se permanecemos próximos Dele, nenhum mal poderá atingir-nos.

Eu e o Pai somos um! Esta afirmação de Jesus pode ser complementada assim: "temos a mesma natureza divina, somos um só Deus". Neste evangelho Jesus dá um claro testemunho de sua divindade.

Eu amo as minhas ovelhas e elas serão minhas para sempre. Essas palavras de Jesus são de fato, uma promessa de vida plena para quem deixar-se amar e seguir os passos do Bom Pastor, nesta caminhada terrena.

O Bom Pastor é a essência do amor. É capaz de dar a vida por suas ovelhas. No entanto, existem também os pastores profissionais, pessoas que não fazem seu trabalho por amor, mas sim por conveniência, por dinheiro, por interesses pessoais ou de grupos empresariais e políticos.

Quantos falsos pastores encontramos no nosso dia-a-dia. São mercenários disfarçados de pastores. Na verdade são os aproveitadores que fazem da religião sua fonte de renda. São lobos disfarçados de cordeiros que, em nome de Jesus vendem saúde, emprego e vida farta. Vendem uma cruz mais leve. Por preços módicos, oferecem cruzes de “isopor”.

Cuidado com esses pastores! O verdadeiro Pastor anuncia um Reino de paz, de justiça e de fraternidade. Em seus ombros Ele carrega os pobres, os pequenos e os excluídos. Seguir o Bom Pastor é uma questão de opção e renúncia. A vida eterna não depende de talão de cheque ou da conta bancária. A Glória Eterna está reservada para quem viver o amor.

A verdade é que os caminhos do Bom Pastor são difíceis, estreitos e pedregosos. Não é fácil segui-lo e chegar às verdes pastagens, porém, foi isto que Ele disse: "Quem quiser ganhar a vida eterna tome sua cruz e me siga".

O verdadeiro cristão sabe que o dinheiro é necessário para a sua subsistência e da comunidade, mas deve saber também que o dinheiro não é capaz de amenizar e, muito menos, de eliminar o peso da cruz. Por tudo isso, abra bem os olhos e tape seus ouvidos, quando quiserem vender-lhe Jesus.

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Neste quarto domingo da Páscoa a Igreja sempre nos faz escutar algum trecho do capítulo 10 do Evangelho de são João. Aí Jesus se nos apresenta como a porta do redil das ovelhas e como o bom pastor. Por isso mesmo, este domingo é chamado comumente de Domingo do Bom Pastor; é também dia de oração pelas vocações sacerdotais e religiosas. Rezemos hoje para que muitos jovens escutem o chamado do Senhor e, em meios às vicissitudes da vida, em meio aos escândalos reais ou forjados por uma imprensa porca num mundo hipócrita, saibam os que foram chamados ao sacerdócio e à vida religiosa dizerem um “sim” generoso, cheio de total confiança no Senhor e de amor à Igreja, nossa Mãe católica, santa Esposa do Cordeiro. Que nossos jovens descubram a beleza indizível de ser padre, de ser outro Cristo, de ser homem de Deus, presença de Jesus Cristo entre os irmãos: Cristo que dá vida no Batismo, que perdoa na Confissão, Cristo que santifica o amor humano no Matrimônio, que conforta na doença pela Unção dos Enfermos, Cristo que se oferece como sacrifício ao Pai e alimento aos irmãos na Eucaristia! Ser padre: ser no mundo sinal de Cristo, presença de Cristo que aconselha, que acolhe, que socorre, que exerce a misericórdia, que mostra o caminho! Que muitos jovens possam, sem medo e sem divisão de coração, consagrar toda a vida a Jesus pelo celibato fiel e generosamente vivido, sendo sinal do mundo que há devir, quando nem eles se casam nem elas se dão em casamento! Rezemos, caríssimos meus no Senhor, rezemos pelas vocações: que o Senhor nos envie os padres santos e sábios de que a Igreja tanto precisa: homens totalmente para Deus, homens totalmente para os irmãos, homens que tenham profunda consciência da santidade do sacerdócio, homens fidelíssimos a Cristo e à sua Igreja católica, homens de plena e leal comunhão e obediência em relação ao Santo Padre o Papa! Eis os padres que agradam a Deus, eis os padres de que a Igreja precisa, eis os padres que orgulham o Povo de Deus, eis os padres que serão sinais de Cristo luz do mundo!
E agora tomemos a Palavra de Deus deste domingo. Partamos da segunda leitura, da belíssima e consoladora visão que o Apocalipse nos proporciona: uma multidão imensa de todos os povos e nações vestida do branco da imortalidade, da glória, da vida divina, tendo nas mãos palmas de vitória no combate por Cristo... Que visão estupenda: são os santos no céus, aqueles dentre nossos irmãos que nesta vida combateram o combate da vida, foram fieis à graça do santo Batismo e agora, chegados do combate terminado, estão diante do trono do Pai na glória do Cordeiro imolado e ressuscitado! Eis, meus caros, a nossa vocação, eis o fim do nosso caminho, eis o destino a que somos chamados: agora o combate, depois a vitória; agora as duras lutas da vida, sustentando o santo nome de Jesus, depois, a palma da vitória, a graça de ser eternamente abrigado na tenda do coração do Pai e aí, consolados pelo santo Espírito que Jesus nos deu e que nos glorificará para sempre, nunca mais ter fome ou sede, nunca mais chorar, nunca mais sentir o calor ardente! Eis, amados no Senhor, o consolo supremo, o céu a que tanto aspiramos: ter eternamente o Cristo que por nós morreu como Pastor, ter nossas lágrimas secadas por ele que nos dará a beber do Espírito consolador, rio de água viva que jorra para a vida eterna!
Mas, tudo isto – que é a herança prometida, a recompensa oferecida –, tudo isto somente será possível se formos já agora, sinceramente, eficazmente, efetivamente, ovelhas do Bom Pastor. Será que somos? Eis os sinais de que somos verdadeiramente suas ovelhas, escutemos o que diz o Salvador: “Minhas ovelhas escutam a minha voz e eu as conheço e elas me seguem!” Escutar Jesus, de tal modo a ser íntimo dele, por ele conhecido; tendo escutado Jesus, seguir Jesus, nossos passos nos seus passos, nosso caminho no seu caminho... Estes, que são ovelhas de Jesus Bom Pastor, já agora recebem a vida do Cordeiro imolado, vida dada na água Batismo e no sangue da Eucaristia! Estes, do rebanho de Cristo não se perderão, pois uma vez amados pelo Senhor, uma vez ouvindo-o e seguindo-o, ninguém os arrancará das mãos do Pai, aquele mesmo cujo amor Jesus revelou, pois que é um só Deus com ele!
Assim, coragem, meus caros em Cristo! Os tempos não são fáceis! Estão aí as velhas lutas interiores contra nossas más tendências, contra nossos desânimos, contra nossas friezas, contra nossas covardias; estão aí as velhas perseguições, travestidas de novas formas, mas sempre com o mesmo intuito jamais conseguido, jamais alcançado: silenciar a Igreja, enfraquecê-la, destruí-la. Na primeira leitura deste hoje escutamos onde o amor de Paulo e Barnabé os levaram: ao centro da Ásia Menor, ao planalto central da Anatólia, atravessando caminhos tão inóspitos, enfrentando a ameaça de ladrões e animais selvagens, cortando as altíssimas montanhas do Tauro! O amor a Jesus, caríssimos, onde nos pode levar, quão longe nos pode conduzir! Um amor que não mova, que não desinstale, que não faça seguir, não é amor! Eis Paulo e Barnabé tão longe da pátria, por amor! Eis Paulo e Barnabé enfrentando a má vontade dos judeus e as perseguições por amor! Eis Paulo e Barnabé com os demais irmãos em Cristo cheios de alegria no Espírito Santo por conhecerem Jesus, por ouvirem-no, por segui-lo, por serem por ele conhecidos! Eis Paulo e Barnabé, eis tantos cristãos de tantas épocas diante do trono e do Cordeiro, consolados e transfigurados em glória no Reino dos céus!
Irmãos amados, agora é a nossa vez! Fixemos o olhar em Cristo ressuscitado, o Bom Pastor que deu a vida pelas ovelhas e quis morrer pelo rebanho! Nunca esqueçamos que temos a cada dia uma decisão a tomar: ouvir ou não o Senhor, seguir ou não o Senhor, acolher ou não o Salvador! Se o acolhermos de verdade experimentaremos a alegria daqueles pagãos da Anatólia e bendiremos a Deus. Se não abrirmos para Cristo o nosso coração, restar-nos-á a secura de uma vida vivida somente para nós, uma vida sem a luz e a suavidade do Senhor agora e pela eternidade! Caríssimos, não tenhamos medo de nossas fraquezas, dos momentos de dificuldades. Recordemo-nos que, na leitura do Apocalipse que escutamos, as vestes dos vitoriosos no céu não estão limpas porque eles nunca caíram, não estão limpas porque eles foram super heróis. Nada disso! Estão limpas aquelas vestes porque eles tiveram a coragem de crer no amor redentor de Cristo e, assim, lavaram e alvejaram as vestimentas batismais no sangue do Cordeiro! Sangue bendito, este, que não encarde, mas alveja! Que o precioso sangue de Cristo, Cordeiro imolado e ressuscitado, nos dê esperança, nos purifique dos pecados e nos leve à vida eterna com os eleitos dos céus.



Uma imagem muito comum neste tempo pascal é aquela do Cordeiro “de pé, como que imolado” (Ap. 5,6). Este Cordeiro, eternamente diante do trono do Pai, é o Cristo no seu estado de perpétua imolação e glória, de entrega sacrifical e ao mesmo tempo vitoriosa, por nós. Mas, misteriosamente, este Cordeiro é também Pastor: “O Cordeiro que está no meio do trono será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida”. Que imagem impressionante: um cordeiro que é pastor que dá vida às ovelhas. Pois bem, Jesus afirmou: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas” (Jo 10,11). Estejamos atentos: este dar a vida possui dois sentidos: primeiro: Cristo nos dá a vida porque morre por nós, por nós entrega sua vida humana: “Eu dou minha vida pelas minhas ovelhas” (Jo 10,15). É, portanto, um pastor que ama profundamente o seu rebanho: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem”. Num segundo sentido, Cristo dá a vida porque transmite às ovelhas a vida divina, a vida eterna, a vida glorificada que ele recebeu do Pai na ressurreição: “Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão!” Que afirmações estupendas! Nosso Pastor, que por nós se fez Cordeiro imolado, dá-nos a vida eterna e imperecível, uma vida que nos saciará eternamente! Cristão, compreende: como é grande, como é concreta, como é verdadeira a tua esperança, como é certa a tua herança!
Esta vida, que o Cordeiro-Pastor nos prepara, é para todos, é em abundância. Isto já aparece na primeira leitura: diante da recusa dos judeus como um todo em acolher o Evangelho da salvação em Jesus, o apóstolo volta-se para os pagãos: “Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós, judeus. Mas, como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos”. E estes, cheios do Espírito Santo, ficaram cheios de alegria. Eis! A salvação que Cristo nos trouxe, com sua morte e ressurreição, com seu mistério pascal, é plena, é total e é para todos!
É com estas idéias e sentimentos no coração que devemos, agora, contemplar a estupenda imagem que o Apocalipse nos apresenta na liturgia de hoje. Toda a humanidade, “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, que ninguém podia contar”... de pé, diante do trono e do Cordeiro”. Pensemos bem! É toda esta humanidade tão sofrida, de vida tão frágil, de esperança tão incerta, que é chamada a este momento tão grandioso: de pé (posição de quem venceu, de quem está vivo) diante do trono de Deus e do Cordeiro, o Cristo nosso Senhor, Aquele que venceu! Observem que nossa esperança nada tem de espírito de seita. A salvação não é para um grupinho de eleitos que excluem os demais farisaicamente! Não! Nunca! Deus quer “que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm. 2,4). Os cristãos têm o dever de olhar o mundo com amor benevolente. Nós, amados por Deus em Cristo, não podemos guardar só para nós esse amor e essa salvação: é preciso anunciá-la, comunicá-la, e com um coração bom, benévolo para com o mundo: nunca uma atitude de seita, de acusação, de fechamento! Dizer a verdade, sim; anunciar a verdade, sim; denunciar o erro e o pecado, sim; mas,com uma atitude de amor e respeito, de benignidade, como o coração do Bom Pastor, que deu a vida pelas ovelhas e quis morrer pelo rebanho!
Estes eleitos “trajavam vestes brancas” símbolos da glória, de vida, da pureza e da imortalidade; “traziam palmas na mão”, símbolo da vitória. Quem são eles? “São os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas vestes no sangue do Cordeiro”. Que imagem fantástica! É a multidão dos cristãos de todos os tempos, que perseveraram e vencerão no combate das tribulações desta vida... às vezes, até à morte! Pensemos: somos nós, se formos fiéis no combate do Cristo; somos nós, se perseverarmos e guardarmos a fé e a esperança no Senhor nas lutas e provações desta vida! Estejamos atentos: “lavaram e alvejaram as vestes no sangue do Cordeiro!” Sangue bendito e precioso, que lava, que purifica, que alveja! Nenhum de nós chegará diante do trono limpo por sua própria limpeza, mas sim pelo sangue do Cordeiro que é nosso pastor! “Nunca mais terão fome, nem sede. Nem os molestará o sol, nem algum calor ardente”. Bendito Cordeiro, bendito Pastor, bendito Cristo-Senhor, que nos dá uma vida tão plena! Ele mesmo nos tinha prometido: “Quem vem a mim nunca mais terá fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35). Bendito Jesus, que é tão fiel! “E o Cordeiro, que está no meio do trono, será seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida”. Aonde nos conduzirá o Pastor? Que lugar é este, com tanta vida e tanto frescor e consolação? Escutem a Palavra: “Aquele que está sentado no trono os abrigará na sua tenda... E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos!” Eis, irmãos, aonde o Cristo imolado e ressuscitado nos conduz: à tenda do coração do Pai, para nos aconchegar, para nos consolar, para nos enxugar as lágrimas, para nos dar a vida em abundância: “Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode  arrebatá-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos uma só coisa!” 
É por isso que a Páscoa de Cristo é também nossa: sua vitória é penhor da nossa, é certeza de nossa esperança agora e plenitude um dia. Vivamos fielmente os combates do presente, deixemo-nos guiar pelo Bom Pastor, lavemos nossas vestes no sangue do Cordeiro e sejamos herdeiros da vida que ele nos prepara. Ele, bendito pelos séculos dos séculos.
dom Henrique Soares da Costa

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As minhas ovelhas me seguem e eu lhes dou a vida eterna
O simbolismo do pastor guia do rebanho exprime ideia de autoridade e companheirismo. A autoridade fundamenta-se numa relação afetiva. Há um conhecimento mútuo. É baseando-se nesses aspectos cotidianos da vida pastoril que a Bíblia destaca, primeiramente, Deus como pastor de Israel e, depois, Jesus como pastor de todos os seres humanos.
Evangelho: Jo 10,27-30
Ninguém tira minhas ovelhas do meu rebanho
Neste 4º domingo da Páscoa vemos novamente a temática do pastor e das ovelhas. Jesus é o verdadeiro pastor. Ele conhece as suas ovelhas. Estas escutam sua voz e o seguem. O seguimento só é possível para quem reconhece a voz do Ressuscitado. Os que seguem o Ressuscitado têm a “vida em seu nome”, receberão a vida eterna. Não perecerão, conforme Jesus afirmou no discurso da despedida (Jo 13,12-15).
As ovelhas não podem ser arrebatadas da mão de Jesus porque foi o próprio Pai que lhas deu. E as obras do Filho revelam a vontade do Pai, porque eles constituem uma unidade. É tal unidade a fonte da força de Jesus. E essa força é transmitida aos que recebem a sua vida. Por isso o mundo não pode arrebatar aqueles que são de Jesus.
1º leitura: At. 13,14.43-52
Os gentios são as novas ovelhas no aprisco
Uma grande multidão se reuniu para ouvir a palavra de Deus (v. 44). O texto afirma que, vendo a multidão, os adversários de Paulo ficaram cheios de inveja e, insultando-o, se opuseram ao que ele dizia. A menção desse acontecimento tem como objetivo chegar à declaração de que o evangelho foi anunciado primeiro aos judeus; entretanto, já que eles o recusaram, a Boa Nova foi levada aos gentios.
A decisão de proclamar o evangelho entre os gentios fundamenta-se numa ordem do Senhor (At.13,47; Is. 42,6; 49,6). A resolução de voltar-se para eles propiciou-lhes grande alegria (v. 48). Contudo, os adversários de Paulo não ficaram passivos: valeram-se da simpatia de algumas mulheres de alta posição social, que induziram os magistrados da cidade a expulsar Paulo e Barnabé.
Ao saírem da cidade, os apóstolos realizaram o gesto simbólico de sacudir a poeira dos pés. Antigamente, esse gesto era realizado pelos judeus quando vinham de outras nações para Israel. Como os gentios eram considerados impuros, os judeus, ao entrarem na Terra Santa, sacudiam a poeira das terras estrangeiras que traziam nas sandálias. Ao realizar esse gesto contra os judeus que o perseguiam, Paulo mostrou o contrário, não é a nacionalidade que torna alguém puro ou impuro. Nesse caso a impureza está nos sentimentos invejosos, nas blasfêmias e atitudes dos opositores de Paulo, o que é demonstrado, com o gesto de sacudir as poeira dos pés contra eles.
2º leitura: Ap. 7,9.14b-17
Diante do Cordeiro-pastor há uma multidão vinda de todas as nações
João viu uma multidão incontável, de todas as etnias, diante do trono do Cordeiro. As palmas que traziam nas mãos evocam as que eram usadas na liturgia judaica da festa das Tendas (Lv. 23,40) para louvar o Deus de Israel.
As vestes brancas, alvejadas no sangue do Cordeiro (v. 14), significam que os mártires permaneceram puros, não se deixaram contaminar, seja pela idolatria, seja pela apostasia, e por isso sofreram a morte. Por causa de sua fidelidade, agora estão diante do trono do Cordeiro vitorioso, realizando uma liturgia celeste.
Eles nunca mais terão fome, porque lhes foi dado o fruto da árvore da vida. Não sentirão mais sede, pois o Cordeiro-pastor os conduz às fontes de água viva (Ap. 7,17; 21,6; Sl. 23,1). Nunca serão queimados pelo sol (Is. 49,10), porque o sol é o Cordeiro (Ap. 21,23; 22,5). Todas essas imagens, em seu conjunto, significam que a perseguição e os sofrimentos não têm a última palavra, não são a realidade última do ser humano.
“Deus enxugará toda lágrima” (Ap. 7,17; 21,4; Is 25,8). Essa seção do Apocalipse pode ser vista como uma resposta à oração sacerdotal de Jesus em Jo 17,21, quando orou para que seus discípulos estivessem com ele e vissem sua glória.
Pistas para reflexão
Pedir à comunidade que ore pelas pessoas que têm derramado muitas lágrimas e seja sensível a elas. Talvez haja pessoas aflitas e atribuladas na comunidade e ninguém toma conhecimento disso. Os discípulos de Jesus têm de estar atentos ao outro. Têm de ir ao “próximo” e lhe dar a garantia de que Deus é solidário com os que estão sob muitas aflições. Insistir que não há ninguém fora do amor de Deus e por isso deve ser evitado qualquer preconceito.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj
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Os Pastores do Bom Pastor
Este é o domingo do Bom Pastor e também dia das vocações sacerdotais e religiosas que estão a serviço do Reino.
Paulo e Barnabé, pastores do evangelho do Ressuscitado, partindo de Perge  chegaram a Antioquia da Pisídia. Conversando com as pessoas a sinagoga, em dia de sábado, exortaram a que continuassem  fiéis à graça de Deus. Anunciam o Evangelho à multidão. São olhados com inveja por alguns judeus. “Os pagãos ficaram muito contentes quando ouviram isso (a palavra dos apóstolos)  e glorificavam a palavra do Senhor”. Como os dois apóstolos sentiram resistência de uma parte dos antioquenos da Pisídia “sacudiram contra eles a poeira dos pés  e foram para a cidade de Icônio. Os discípulos, porém, ficaram cheios de alegria e do Espírito Santo”.
A figura do pastor aparece no texto do Apocalipse hoje proclamado: “Porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes de água viva. E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos”. As “fontes de água viva” brotam do coração do Senhor, do peito aberto no alto da cruz.
No coração da Igreja estão os pastores. Sabemos que o pastoreio do Povo de Deus foi confiado aos apóstolos e seus sucessores. De maneira muito concreta foi  confiado ao papa, bispos, sacerdotes.  Pensamos ainda nos diáconos, no laicato consciente de sua missão evangelizadora,  de modo particular no seio da família. Há toda uma mística no trabalho dos pastores.
Antes de mais nada se trata de alimentar profundamente a fé daqueles que  já deram sua adesão ao mundo do Reino de Jesus e do Pai. Há todo um empenho de aprofundamento dos temas da fé,  do cultivo de uma consciência, da necessidade de dar o testemunho cristão no meio das situações mais diferentes, de deixar uma religião de consolações e pietismo. Celebrações bem preparadas densas e profundas são indispensáveis. Os pastores reúnem o povo para dias de oração e de aprofundamento humano, evangélico e missionário. Buscam as ovelhas desgarradas lá onde estão.
Em nossos tempos  parece fundamental  buscar uma renovação da Igreja e sempre manter uma ponte com o mundo que ainda não compreendeu  as luminosas propostas do Reino:
● Não queremos uma Igreja anônima, formal, rotineira. Queremos fazer experiências cristãs em fraternidades onde se possa discutir e aprofundar a fé. Não podemos deixar que grasse um cristianismo individualista. Queremos uma Igreja viva e fraterna,  feita de pessoas com senso crítico e capazes de captar o novo.
● Os pastores precisam colocar diante dos olhos de todos o ideal da santidade de vida num mundo que se contenta com a mediocridade.
● Os pastores saberão valorizar os sacramentos. Não queremos alimentar qualquer tipo de sacramentalismo. Os santos e veneráveis sacramentos serão recebidos por pessoas que estão em franco processo de transparência e de conversão evangélicas.
● Leigos e sacerdotes haverão de trabalhar juntos. Os leigos não são funcionários de uma estrutura ou de uma organização fria, mas pessoas tocadas pelo fogo do Evangelho e junto com os sacerdotes armam estratégias para tocar o coração  das pessoas. Juntos… sem subserviência.
● Fundamental a criação e alimentação de grupos de oração, de espaços de vazio interior para que o Espírito possa trabalhar. Não se trata apenas de rezar com os lábios, mas de deixar que o Espírito cave profundidade.
● Os pastores de hoje precisam criar fóruns e espaços de troca de ideias e discussão sobre a família, a questão da moral sexual, da formação da juventude, e tantos problemas candentes. Não basta uma política de conservação, mas e renovação.
● Urgente fazer propostas de vida evangélica que convençam aos jovens de nossos tempos: descoberta do Cristo, opção por ele, viver tudo em função dele.
frei Almir Ribeiro Guimarães
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A vida do Bom Pastor
Hoje seria possível fazer uma meditação sobre a oração do dia: “Que o rebanho na sua fragilidade alcance a fonte donde provém a força de seu Pastor”. De fato, na 2ª leitura (Apocalipse), encontramos novamente a imagem do Cordeiro que conduz o rebanho (cf. domingo passado), agora, porém, com a conotação de “Pastor”. Esta combinação de idéias não causa surpresa dentro do gênero literário do Apocalipse! Vimos, domingo passado, que a imagem do Cordeiro implica em solidariedade com o rebanho, solidariedade que o leva a tornar-se vítima expiatória e/ou pascal. A mesma solidariedade aparece no texto de hoje, na visão da multidão dos eleitos, que se tornaram solidários com o Cordeiro imolado, por sua fidelidade na perseguição. A solidariedade com o Cordeiro, no sangue do martírio, lava-os, toma-os imaculados como ele. E, por seu lado, o Cordeiro, tal um pastor que apascenta suas ovelhas, as conduz à fonte das águas, a fonte de consolação: Deus, que enxugará toda lágrima de seus olhos.
O evangelho medita praticamente a mesma idéia, embora Jesus aí apareça somente como Pastor e não (também) como Cordeiro. Na primeira e na segunda parte da alegoria do Bom Pastor (cf. 4º domingo pascal A e B), aprendemos que o Bom Pastor “dá vida em abundância” (10,10) e, soberanamente, dá “sua vida” pelas ovelhas (Jo 10,11-18). Já sabemos que se trata da vida divina. Hoje aparece o mistério de onde provém este dom: a união de Cristo com o Pai. Somos conduzidos à fonte da água da vida (cf. Ap. 7,17), Deus mesmo (Jo 10,27-30). Na atual composição do 4º  evangelho, este trecho é separado dos anteriores por um novo cenário, a festa da Dedicação do Templo (Jo  10,22; a parte anterior situava-se na seqüência da festa dos Tabernáculos, iniciada em Jo 7). Este novo cenário indica um crescendo na impaciência dos judeus com relação ao messianismo de Jesus: “Se tu és o Cristo, dize-nos abertamente” (10,24). Esta provocação suscita uma afirmação mais clara da unidade de Jesus e o Pai, a ponto de provocar uma acusação da blasfêmia e uma tentativa de apedrejamento (10,31). Contudo, o ser Messias de Jesus consiste, exatamente, em conduzir-nos à contemplação do Pai dele (14,9). Ele nos dá uma vida que ninguém nos pode tirar, porque ele é um com o Pai. Se o seguirmos, estaremos na mão de Deus. Se nos solidarizarmos com ele – e esta é a “lição” de hoje – alcançaremos a fonte donde ele tira sua força, sua inabalável vida divina. Somos convidados, hoje, a seguir o Cordeiro aonde ele for, solidários com ele na morte e na vida: então participaremos da vida da qual ele mesmo vive, a vida de Deus. Devemos deixar-nos guiar por um Pastor que dá sua vida por nós, pois esta vida não é sua, mas a de Deus. Ora, em que consiste esta “condução”? “Quem quiser ser meu discípulo, assuma sua cruz e siga-me… Quem perder sua vida, há de realizá-la … Onde eu estiver, ali estará também meu servo… ” (10 12,23 ss.; Mc. 8,34 ss.). Palavras paradoxais, que significam: a fonte da vida e da força de Jesus é o Deus-amor, o Deus da doação da vida.
Quem está bem instalado na sua igrejinha não gosta de ouvir tal mensagem. Esquiva-se, chamando-a de romantismo. Ou, se a gente insiste, diz que é desordem e subversão… Assim aconteceu com Paulo e Barnabé, quando foram pregar para os judeus de Antioquia da Pisídia (na Turquia). O resultado foi muito bom para os pagãos, pois rejeitados pelos judeus, Paulo e Barnabé se dirigiram a eles (1ª leitura). Não falta atualidade a esta história. No momento em que a Igreja latino-americana toma consciência da inviabilidade de uma cristandade cúmplice de injustiça institucionalizada, os senhores dessa cristandade rejeitam e até matam agentes de pastoral, padres, bispos… mas o povo, que era considerado incapaz de um cristianismo “decente”, recebe com ânimo o convite de se constituir em comunidade de Cristo.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Jesus é o Bom Pastor
O quarto domingo da Páscoa é dedicado à figura do Bom Pastor, que é para a Igreja primitiva a expressão do amor universal pelos homens. Estes, como ovelhas, pertencem ao pastor que as guarda com cuidado.
Reconhecendo a Sua voz, os homens seguem ao Senhor com fidelidade, aceitando o Evangelho e escutando a voz da Igreja - padres, bispos, papa - e todas as vozes ouvidas e traduzidas em vida e em obra.
A passagem do Evangelho do 4º domingo da Páscoa se passa em Jerusalém, por ocasião da festa da Dedicação que recorda a consagração do templo como o lugar onde se encontra Deus. Durante esta festa, faz-se a reflexão da passagem de Ezequiel, capítulo 34, onde Deus adverte sobre os maus pastores, aqueles que não cuidam bem de suas ovelhas, e por essa razão Jesus usa, em sua pregação, a figura do pastor: “Eu sou o Bom Pastor: conheço minhas ovelhas e elas me conhecem”.
Jesus divide a opinião das autoridades. Por um lado O acham louco, mas por outro ficam intrigados com os milagres que Ele realiza, e O questionam pedindo que diga abertamente se é o Messias. Jesus, então, fala claramente de sua unidade com o Pai, e suas palavras só são compreendidas por suas ovelhas. E, sob a acusação de blasfêmia, as autoridades tentam apedrejá-Lo.
Aquele que conduz as ovelhas é chamado de pastor. Jesus é o Bom Pastor, aquele que conduz e dá a vida por suas ovelhas. Todos os que ouvirem a Sua voz e O seguirem, participarão da mesma vida que Ele vive junto ao Pai. Fazer parte do rebanho de Cristo não é um privilégio dado a alguns, mas um dom oferecido a todos os homens que O aceitam. A confiança que Jesus tem no amor que O une ao Pai, Lhe dá a certeza que suas ovelhas jamais serão tiradas de suas mãos.
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As ovelhas protegidas
O relacionamento de Jesus com seus discípulos articulava-se na base do diálogo, do conhecimento e da proteção. O imenso amor do Mestre era o pano de fundo deste relacionamento.
O ministério de Jesus consistiu em orientar seus discípulos sobre o Reino do Deus e suas exigências; falar-lhes do Pai, revelando seu perdão e sua misericórdia; ensinar-lhes o mandamento do amor mútuo.
É próprio do discípulo escutar as palavras do Mestre, ou seja, aderir a elas, transformando-as em projeto de vida.
Os evangelhos referem-se à capacidade que Jesus tinha de conhecer o íntimo das pessoas. Ele sabia o que se passava no coração de seus interlocutores, mormente, do seu grupinho de seguidores. Não lhe passava despercebido a personalidade de cada um, com suas limitações e suas possibilidades. Tinha consciência de como suas palavras eram recebidas, às vezes, de maneira deturpada. Mantinha-se, contudo, otimista quanto à possibilidade de vê-los crescer, apesar dos altos e baixos. O seguimento, portanto, acontecia, sem ilusão por parte de Jesus.
O pequeno grupo de discípulos era uma espécie de sementinha, plantada com muita esperança. Era preciso ampará-los, e não deixá-los perecer diante das investidas do adversário. Eles constituíam o presente do Pai para Jesus. Por isso, o Mestre assim os tratava, consciente de ter recebido do Pai uma tarefa que devia ser cumprida com total dedicação.
padre Jaldemir Vitório
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O pastor dá a vida por suas ovelhas
As palavras de Jesus eram, ao mesmo tempo, sedutoras e desconcertantes, e causavam divisão entre os judeus: para alguns Jesus era um endemoninhado e louco, outros tinham dúvida (cf. Jo 10,19-21). O texto do evangelho deste domingo nos oferece a possibilidade de composição de lugar: era inverno por ocasião da festa da Dedicação do Templo (1Mc. 4,52-59); Jesus está no Templo, caminhava no Pórtico de Salomão (vv. 22-23). Os judeus querem uma resposta clara, sem rodeios, à seguinte pergunta: “Até quando nos manterás em suspense? Se és o Messias, dize-o claramente!” (v. 24). No entanto, nenhuma resposta seria convincente (ver: Lc. 22,68). Lembremo-nos de que para os judeus a afirmação da messianidade deveria vir acompanhada de gestos espetaculares: “Que sinal realizas para que creiamos em ti?” (Jo 6,30). Em nenhum dos evangelhos Jesus diz claramente ser o Messias. Como sói acontecer, Jesus não irá responder com a clareza pretendida por eles. Ao invés de responder diretamente à questão, Jesus passa a falar de suas ovelhas (vv. 27-30). Lembremo-nos de que, em todo o Antigo Testamento, o povo de Israel é comparado a um rebanho, e Deus a um pastor (ver: Sl. 23[22]). As ovelhas que escutam a voz é que conhecem o Pastor. A afirmação de Jesus referida às suas ovelhas, “eu lhes dou a vida eterna” (v. 28), estarrece os judeus, pois quem pode dar a vida eterna, a não ser Deus? Mas é em Jesus que Deus nos faz viver plenamente. As ovelhas são confiadas a Jesus pelo Pai (v. 29). É nas mãos do Filho e do Pai que as ovelhas estão. Nas mãos de Deus as ovelhas estão em segurança. Nas mãos fortes do Filho as ovelhas jamais se perderão. O autor do Deuteronômio diz: “Todos os santos estão em tua mão” (Dt. 33,3). Jesus afirma uma unidade profunda entre ele e o Pai: “Eu e o Pai somos um” (v. 30). Para quem todo dia recitava o Shemá Israel, a afirmação de Jesus soava a blasfêmia e escândalo.
Carlos Alberto Contieri,sj
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Eu e o Pai somos um
Estas palavras de Jesus ocorrem em um discurso mais longo, pronunciado durante a festa da Dedicação, em Jerusalém. Na festa anterior, das Tendas, Jesus já fizera a autoproclamação figurativa: "Eu sou o Bom Pastor". A imagem é bela e permanece guardada nos corações através dos séculos. Embora seja uma imagem rural e mais específica de determinadas regiões, é facilmente compreendida por todos. O proclamar/falar e o conhecer, o ouvir e o seguir, exprimem uma relação de diálogo e acolhida existente entre Jesus e os discípulos. É a palavra e a escuta que estabelecem o diálogo. É o diálogo que leva ao conhecimento e à união de amor, o seguimento. A união de amor na comunidade, com Jesus, significa a integração na vida eterna de Deus. A dupla menção: "Ninguém vai arrancá-las da minha mão", "ninguém pode arrancá-las da mão do Pai [.], que é maior do que todos" indica o pano de fundo do conflito vivenciado pelas comunidades dos discípulos ameaçadas pela sinagoga, no tempo da redação de João. Contudo, para os que creem não há maior garantia. Estamos envolvidos pela vida divina: "Eu e o Pai somos um". Os discípulos de Jesus, desde as primeiras missões, enfrentaram dificuldades semelhantes às do mestre. Assim aconteceu com Paulo e Barnabé, em sua primeira viagem missionária (primeira leitura). Trabalharam arduamente, insistindo junto aos discípulos para que continuassem firmes na graça de Deus, apesar das provocações dos judeus cheios de inveja. Igualmente as comunidades joaninas de Éfeso, no fim do primeiro século, sofriam grandes perseguições (segunda leitura). Elas sofrem a "grande tribulação", mas estarão, dia e noite, diante do trono do Cordeiro, que é o próprio pastor que conduz às fontes de água vivificante.
José Raimundo Oliva
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O 4º domingo do tempo pascal é considerado o “Domingo do Bom Pastor”, pois todos os anos a liturgia propõe um trecho do capítulo 10 do Evangelho segundo João, no qual Jesus é apresentado como Bom Pastor. É, portanto, este o tema central que a Palavra de Deus hoje nos propõe.
O Evangelho apresenta Cristo como o Bom Pastor, cuja missão é trazer a vida plena às ovelhas do seu rebanho; as ovelhas, por sua vez, são convidadas a escutar o Pastor, a acolher a sua proposta e a segui-l’O. É dessa forma que encontrarão a vida em plenitude.
A primeira leitura propõe-nos duas atitudes diferentes diante da proposta que o Pastor (Cristo) nos apresenta. De um lado, estão essas “ovelhas” cheias de auto-suficiência, satisfeitas e comodamente instaladas nas suas certezas; de outro, estão outras ovelhas, permanentemente atentas à voz do Pastor, que estão dispostas a arriscar segui-l’O até às pastagens da vida abundante. É esta última atitude que nos é proposta.
A segunda leitura apresenta a meta final do rebanho que seguiu Jesus, o Bom Pastor: a vida total, de felicidade sem fim.
1 leitura: At. 13,14.43-52 - AMBIENTE
A partir do capítulo 13, os “Atos dos Apóstolos” apresentam o “caminho” da Igreja no mundo greco-romano. O protagonista humano desta nova etapa será Paulo (embora sempre animado e conduzido pelo Espírito do Senhor ressuscitado).
Tudo começa quando a comunidade cristã de Antioquia da Síria, ansiosa por fazer a Boa Nova de Jesus chegar a todos os povos, envia Barnabé e Paulo a evangelizar. Entre 13,1 e 15,35, o autor dos “Atos” descreve o “envio” dos missionários, a viagem, a evangelização de Chipre e da Ásia Menor (Perga, Antioquia da Pisídia, Icónio, Listra, Derbe) e os problemas colocados à jovem Igreja pela entrada maciça de gentios.
Este texto, em concreto, situa-nos na cidade de Antioquia da Pisídia, no interior da Ásia Menor. Nos versículos anteriores, o autor dos “Atos” pôs na boca de Paulo um longo discurso, que resume a catequese primitiva sobre Jesus e que enquadra no plano de Deus a proposta de salvação que Jesus veio trazer (cf. At 13,16-41). Qual será a resposta ao anúncio, quer por parte dos judeus, quer por parte dos pagãos que escutaram a mensagem?
MENSAGEM
A questão central gira, portanto, à volta da reação de judeus e pagãos ao anúncio de salvação apresentado por Paulo e Barnabé.
O texto põe em confronto duas atitudes diversas diante da proposta cristã: a daqueles que pensavam ter o monopólio de Deus e da verdade, mas que estavam instalados nas suas certezas, no seu orgulho, na sua auto-suficiência, nas suas leis definidas e comodamente arrumadas e não estavam, realmente, dispostos a “embarcar” na aventura do seguimento de Cristo (judeus); e a daqueles que, no desafio do Evangelho, descobriram a vida verdadeira, aceitaram questionar-se, quiseram arriscar e responderam com alegria e entusiasmo à proposta libertadora que Deus lhes fez por intermédio dos missionários (pagãos).
A Boa Nova de Jesus é, portanto, uma proposta que é dirigida a todos os homens, de todas as raças e nações; não se trata de uma proposta fechada, exclusivista, destinada a um grupo de eleitos, mas de uma proposta universal, que se destina a todos os homens, sem exceção. O que é decisivo não é ter nascido neste ou naquele ambiente, mas é a capacidade de se deixar desafiar pela proposta de Jesus, de acolher com simplicidade, alegria e entusiasmo essa proposta e de partir, todos os dias, para esse caminho onde o nosso Deus nos propõe encontrar a vida nova, a vida verdadeira, a vida total.
ATUALIZAÇÃO
• Os judeus de que se fala nesta leitura representam aqueles que se acomodaram a uma religião “morninha”, segura, feita de hábitos, de leis, de devoções, de ritos externos, de fórmulas fixas, mas que não põe verdadeiramente em causa o coração e a consciência, nem tem um impacto real na vida de todos os dias. É a religião dos “certinhos” e acomodados, dos que têm medo da novidade de Deus (que mexe com os esquemas feitos e, constantemente, põe tudo em causa, obriga a arriscar e a converter-se).
• Os pagãos de que se fala nesta leitura representam aqueles que, tendo tantas vezes uma história pessoal complicada e uma caminhada de fé nem sempre exemplar, estão abertos à novidade de Deus e se deixam questionar por Ele. Eles não têm medo de se desinstalar, de arriscar partir para uma vida nova e mais exigente, de procurar novos caminhos, de seguir Jesus no seu percurso de amor e de entrega – ainda que seja um caminho de cruz e de perseguição.
• Onde é que eu me situo? Na atitude de quem nasceu cristão sem ter feito muito para isso e que vive a sua religião sem riscos, sem exigências de radicalidade e de autenticidade, ou na atitude de quem se deixa continuamente desafiar, se deixa questionar por Deus, aceita viver numa dinâmica contínua de conversão e sente que a sua caminhada em direção à vida nova nunca está acabada?
2ª leitura: Ap. 7,9.14b-17 - AMBIENTE
A liturgia do passado domingo apresentava-nos “o cordeiro” (Jesus), o Senhor da história, que Se preparava para abrir e ler o livro dos sete selos – o livro onde, simbolicamente, estava escrita a história humana.
De acordo com o autor do “Apocalipse”, a abertura dos selos desse livro vai expor a realidade do mundo: na caminhada histórica dos homens, está presente Cristo vitorioso continuamente em combate contra tudo o que escraviza e destrói o homem (1º selo – o cavaleiro branco); mas está também presente a guerra e o sangue (2º selo – o cavaleiro vermelho), a fome e a miséria (3º selo – o cavaleiro negro), a morte, a doença, a decomposição (4º selo – o cavaleiro esverdeado). No fundo deste quadro, jazem os mártires que sofrem perseguições por causa da sua fé e que, dia a dia, clamam a Deus por justiça (5º selo); por isso, prepara-se o “grande dia da ira”, que anuncia a intervenção de Deus na história para destruir o mal (6º selo). A revelação final apresenta o combate definitivo, em que as forças de Deus derrotarão as forças do mal (7º selo).
O texto de hoje situa-nos no contexto do 6º selo (o anúncio do “dia do Senhor”). Aos mártires que clamam por justiça, o autor do “Apocalipse” descreve o que vai resultar da intervenção de Deus: a libertação definitiva, a vida em plenitude.
MENSAGEM
O texto que nos é proposto apresenta-nos uma multidão imensa, inumerável, universal, pois pertence a todas as nações. Os que a compõem estão de pé, em sinal de vitória, pois participam da ressurreição de Cristo; levam túnicas brancas, o que indica que pertencem à esfera de Deus (o branco é a cor de Deus); aclamam com palmas (alusão à festa das tendas, uma festa celebrada no final das colheitas, marcada pela alegria e pelo louvor. Recorda o êxodo – quando os israelitas viveram em “tendas” – e, por influência de Zc. 14,16, assume claras ressonâncias escatológicas. Na liturgia dessa festa, a multidão entrava em cortejo no recinto do Templo, agitando palmas e cantando) e louvam Deus e o “cordeiro”.
Quem são estes? São os que “vieram da grande tribulação e que branquearam as vestes no sangue do cordeiro”, isto é, que suportaram a perseguição mais feroz e alcançaram a redenção pela entrega de Jesus (v. 14).
Que fazem eles? Estão diante de Deus tributando-Lhe o culto, dia e noite. Esse culto não é o somatório de um conjunto de ritos mas, antes de mais, a permanente e gozosa presença diante de Deus e do “cordeiro”.
A “festa das Tendas” fazia alusão à marcha do Povo de Deus pelo deserto, desde a terra da escravidão até à terra da liberdade. A referência a esta festa neste contexto significa que se cumpre, agora, o novo e definitivo êxodo: depois da intervenção final de Deus na história, a multidão dos que aderiram ao “cordeiro” e acolheram a sua proposta de salvação, alcançaram a libertação definitiva, foram acolhidos na “tenda” de Deus; aí, não os alcançará mais a morte, o sofrimento, as lágrimas… Cristo ressuscitado, sentado no trono, é o pastor deste novo Povo, e que o conduz para “as fontes de águas vivas” – isto é, em direção à plenitude dos bens definitivos, onde brota a fonte da vida plena.
Em conclusão: aos “santos” que gritam por justiça, anuncia-se uma mensagem de esperança. O quadro antecipa o tempo escatológico: da ação de Deus, da sua definitiva intervenção na história, resultará a libertação definitiva do Povo de Deus; nascerá a comunidade escatológica, a comunidade dos libertados, que estarão para sempre em comunhão com Deus e que gozarão em plenitude a vida definitiva.
ATUALIZAÇÃO
• Em cada dia que passamos neste mundo, fazemos a experiência da alegria e da esperança, mas também da dor, da incompreensão, do medo, do sofrimento, do desespero… Com frequência, é o pessimismo que nos agarra, que nos limita, que nos escraviza e que nos impede de saborear o dom da vida. O autor do “Apocalipse” deixa-nos uma mensagem de esperança e diz-nos que não estamos condenados ao fracasso, mas sim à vida plena, à libertação definitiva, à felicidade total.
• O que é preciso para aí chegar? Apenas acolher o dom da salvação que nos é feito pelo nosso Deus. Se aceitarmos a proposta de Jesus e seguirmos atrás d’Ele no caminho do amor, da entrega, do dom da vida, se virmos n’Ele o pastor que nos conduz às fontes de água viva, chegaremos indubitavelmente à vida definitiva, à comunhão com Deus, à felicidade plena.
• A resposta positiva à oferta de salvação que Deus nos faz introduz em nós um novo dinamismo; esse dinamismo fortalece a nossa coragem e permite-nos continuar a lutar, desde já, pela concretização do novo céu e da nova terra.
Evangelho: Jo 10,27-30 - AMBIENTE
O capítulo 10 do 4º Evangelho é dedicado à catequese do Bom Pastor. O autor utiliza esta imagem para apresentar uma catequese sobre a missão de Jesus: a obra do “Messias” consiste em conduzir o homem às pastagens verdejantes e às fontes cristalinas de onde brota a vida em plenitude.
A imagem do Bom Pastor não foi inventada pelo autor do 4º Evangelho. Literariamente falando, este discurso simbólico está construído com materiais provenientes do Antigo Testamento. Em especial, este discurso tem presente Ez 34 onde se encontra a chave para compreender a metáfora do pastor e do rebanho. Falando aos exilados na Babilônia, Ezequiel constata que os líderes de Israel foram, ao longo da história, falsos pastores que conduziram o Povo por caminhos de morte e de desgraça; mas – diz Ezequiel – o próprio Deus vai, agora, assumir a condução do seu Povo; Ele porá à frente do seu Povo um Bom Pastor (Messias), que o livrará da escravidão e o conduzirá à vida.
A catequese que o 4º Evangelho nos oferece do Bom Pastor sugere que a promessa de Deus afirmada por Ezequiel se cumpre em Jesus.
MENSAGEM
O texto que nos é proposto acentua, sobretudo, a relação estabelecida entre o Pastor (Cristo) e as ovelhas (os seus discípulos).
A missão desse Pastor (Cristo) é dar vida às ovelhas. Ao longo do Evangelho, João descreve, precisamente, a ação de Jesus como uma recriação e revivificação do homem, no sentido de fazer nascer o Homem Novo (cf. Jo 3,3.5-6), o homem da vida em plenitude, o homem total, o homem que, seguindo Jesus, se torna “filho de Deus” (cf. Jo 1,12) e que é capaz de oferecer a vida por amor. Os que aceitam a proposta de vida que Jesus lhes faz não se perderão nunca (“nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão” – Jo 10,28), pois a qualidade de vida que Jesus lhes comunica supera a própria morte (cf. Jo 3,16;8,51). O próprio Jesus está disposto a defender os seus até dar a própria vida por eles (cf. Jo 10,11), a fim de que nada nem ninguém (os dirigentes, os que estão interessados em perpetuar mecanismos de egoísmo, de injustiça, de escravidão) possa privar os discípulos dessa vida plena.
As ovelhas (os discípulos), por sua vez, têm de escutar a voz do Pastor e segui-l’O (cf. Jo 10,27). Isto significa que fazer parte do rebanho de Jesus é aderir a Ele, escutar as suas propostas, comprometer-se com Ele e, como Ele, entregar-se sem reservas numa vida de amor e de doação ao Pai e aos homens.
O texto termina com uma referência à identificação plena entre o projeto do Pai e o projeto de Jesus: para ambos, o objetivo é fazer nascer uma nova humanidade. Em Jesus está presente e manifesta-se o plano salvador do Pai de dar vida eterna (vida plena) ao homem; através da ação de Jesus, a obra criadora de Deus atinge o seu ponto culminante.
ATUALIZAÇÃO
• Na nossa cultura urbana, a imagem do pastor é uma parábola de outras eras, que pouco diz à nossa sensibilidade; em contrapartida, conhecemos bem a figura do líder, do presidente, do chefe: não raras vezes, é alguém que se impõe, que manipula, que arrasta, que exige… Mas o Evangelho que hoje nos é proposto convida-nos a descobrir a figura bíblica do Pastor: uma figura que evoca doação, simplicidade, serviço, dedicação total, amor gratuito. É alguém que é capaz de dar a própria vida para defender das garras das feras as ovelhas que lhe foram confiadas.
• Para os cristãos, o Pastor é Cristo: só Ele nos conduz para as “pastagens verdadeiras”, onde encontramos vida em plenitude. Nas nossas comunidades cristãs, temos pessoas que presidem e que animam. Podemos aceitar, sem problemas, que eles receberam essa missão de Cristo e da Igreja, apesar dos seus limites e imperfeições; mas convém igualmente ter presente que o nosso único Pastor, aquele que somos convidados a escutar e a seguir sem condições, é Cristo.
• As “ovelhas” do rebanho de Jesus têm de “escutar a voz” do Pastor e segui-l’O… Isso significa, concretamente, percorrer o mesmo caminho de Jesus, numa entrega total aos projetos de Deus e numa doação total, de amor e de serviço aos irmãos.
• Como distinguimos a “voz” de Jesus, o nosso Pastor, de outros apelos, de propostas enganadoras, de “cantos de sereia” que não conduzem à vida plena? Através de um confronto permanente com a sua Palavra, através da participação nos sacramentos onde se nos comunica a vida que o Pastor nos oferece e num permanente diálogo íntimo com Ele.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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