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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 4 de abril de 2013

TOMÉ


II DOMINGO DA PÁSCOA


D07 de Abril de 2013 - Ano C

Não seja incrédulo, mais sim, fiel!

INTRODUÇÃO


       Prezados irmãos. Neste domingo em que continuamos a celebração da Páscoa, a liturgia nos mostra a 4ª prova da Ressurreição de Jesus Cristo.  Domingo passado apresentamos dez provas deste fato inesquecível, que alimenta a nossa fé. Continua

 

 

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DOMINGO DIA 07 DE ABRIL
João 20,19-31
: Colocar as mãos nas chagas de Jesus para nós, muitas vezes é viver o sofrimento e experimentar a dor. -Maria Regina

                    A primeira mensagem que Jesus deu aos Seus discípulos quando lhes apareceu depois de ressuscitado foi de paz. Neste Evangelho, por três vezes Jesus anunciou a paz aos Seus discípulos que, ainda temerosos, se reuniam a portas fechadas. Jesus surgiu no meio deles e lhes desejou a Paz. Em seguida, Jesus também lhes disse: “Recebei o Espírito Santo”. A paz de Jesus nos vem através do Espírito Santo. O sopro do Espírito Santo de Jesus em nós nos traz a paz e nos faz levar a paz ao mundo, assim como também nos motiva a oferecer o perdão e a misericórdia de Deus aos nossos irmãos.
                  A paz da nossa consciência é oriunda da justiça de Deus que para nós é o Seu perdão e a Sua misericórdia. Se, perdoarmos, seremos perdoados e teremos paz. Jesus nos conscientiza de que o perdão deve ser ministrado por nós mesmos. Portanto, se nós não perdoarmos aos nossos irmãos os seus pecados, diante de Deus eles serão retidos pela nossa falta de perdão. Consequentemente, nós também, não teremos o perdão dos nossos pecados por parte dos nossos irmãos diante do Pai. É o Espírito Santo também quem nos leva a crer no Cristo Ressuscitado, mesmo sem precisar colocar o dedo nas marcas dos pregos de Jesus como fez Tomé. Colocar as mãos nas chagas de Jesus para nós, muitas vezes é viver o sofrimento e experimentar a dor. “Felizes os que creram sem terem visto!” Felizes, portanto, são os que sem experimentarem a dor confiam que Jesus está vivo. Não percamos tempo: o Espírito Santo já foi soprado e está dentro de nós. Portanto, proclamemos com convicção: ‘MEU SENHOR E MEU DEUS!” – Você tem consciência firme de que o Espírito Santo mora em você? – O que tem lhe dado paz? – Você já aprendeu a dar e receber perdão das pessoas? – Você encontrou Jesus no amor ou na dor? – Você costuma anunciar ao mundo que Jesus Cristo está vivo na sua vida?
Amém
Abraço carinhoso  de
-Maria Regina

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SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA 07/04/2013
Diac. José da Cruz

1ª Leitura Atos 5, 12-16
Salmo 117 (118) “Louvai o Senhor, porque ele é bom: porque eterna é a sua misericórdia”
2ª Leitura Apocalípse 1,9-11ª.12-13. 17-19
Evangelho João 20, 19-31
O ESPÍRITO QUE DÁ A VIDA PLENA...” propaganda é a alma do negócio
A descrença de Tomé persiste ainda hoje nas comunidades cristãs, pois em sã consciência, é difícil as vezes, ter a crença inabalável de que o Senhor está vivo e presente na comunidade. Não só porque não podemos vê-lo nem tocá-lo, mas principalmente porque a vida em comunidade nem sempre é o que sonhamos e esperamos.
Como pode Jesus estar presente se certas coisas dão tão errado, como pode Ele estar presente e as intrigas, fofocas, divisões, mal entendidos, ciúmes e inveja, serem tantas no seio da comunidade. Enfim, são tantos pecados da nossa Igreja, da parte dos fiéis e dos ministros, que é impossível crer que o Senhor está realmente presente. Parece mesmo que o Senhor desistiu da barca da Igreja e ela foi a deriva.
O próprio ambiente, e as condições em que a comunidade se encontrava, após a morte de Jesus, já era algo mais para a incredulidade e o fracasso, do que um retorno ao projeto do Reino anunciado por Jesus. Estavam de portas fechada, por medo, provavelmente iriam fazer uma última reunião, dizer que foi um prazer caminharem aqueles três anos juntos, mas que infelizmente era melhor cada um tomar o seu rumo e retornar á vidinha de antes.
Muitos cristãos, marcados por desilusões, pensam assim, alguns até insistem em procurar uma comunidade perfeita e pensam tê-la encontrado, até que nova desilusão provém e a fé vai perdendo o seu encanto. Parece que a Igreja e o Cristianismo, tornaram-se intrusos na vida do homem.
Entretanto, uma assembléia que estava destinada a dissolver-se, porque havia perdido o seu rumo, é surpreendida pela presença do Senhor! É nos momentos de fracasso, medo e desânimo, que Jesus se revela na assembléia. Quantos momentos e períodos assim, a Igreja já não viveu, desde os primórdios até os dias atuais? Digamos que, se ela fosse uma grande “farsa” como pensam alguns “iluminados”, como alguém poderia sustentar uma “farsa” ao longo de dois milênios de História....
“A Paz esteja convosco!” É a primeira saudação do Ressuscitado. Como viver a paz em meio ao “caos” da Família, sociedade, comunidade, será que a Paz tem algum significado, será que ela é realmente buscada? Não! Da parte do homem nada há que se possa fazer para se construir a paz... Que não é ausência de guerras e conflitos, que não é ausência de problemas, isso seria a plenitude, e o ser humano, com suas limitações e fragilidades, jamais concretizaria o sonho da paz, mesmo porque, para quem detém algum poder, paz é quando tudo está sob controle, como era a famosa Pax Romana.
Paz, no contexto da igreja comunidade, é a presença do Senhor, entretanto, é bom compreender bem, o que significa a presença misteriosa de Jesus em nosso meio, pois há muitos que a compreendem como uma espécie de “alívio”. Jesus caminha com a nossa igreja, então vamos deixar que Ele resolva todos os problemas e dificuldades, podemos cruzar nossos braços e ficar no aguardo do grande Dia, em que seremos todos com Ele, arrebatados ao céu....
O evangelho de João, escrito 90 anos após a ascensão de Jesus, quer ajudar as comunidades cristãs, daquele tempo e também as de hoje, a perceberem que a Fé não nasce de uma experiência humana, não é resultado do raciocínio e nem produto da lógica. O Reino de Deus anunciado por Jesus, não é um reino lá de cima, sem qualquer conexão com as realidades humanas, é um reino aqui de baixo, com suas raízes plantadas no chão da história, mas que, apesar disso, não depende do homem, de suas aspirações ou ideologias, para atingir a plenitude.
Este homem novo, que não é alienado, mas que também não é só uma realidade carnal e psíquica, nasceu no “sopro” de Jesus, este homem convocado para viver uma nova realidade celestial, mesmo em meio ao “caos” estabelecido na humanidade, é que forma a Igreja dos que crêem, e que não encontrando em si mesmo uma força que transforme aas relações, sonha, constrói e vai a luta, impelido pelo Espírito do Senhor Ressuscitado, que vai á frente da sua Igreja, como um General vai á frente da Batalha, convicto da vitória.
Há uma missão a cumprir, dificílima e sempre desafiadora, para cada Cristão Batizado, mas o bom êxito da missão está assegurado, porque é o Espírito do Senhor, que nos move, anima, direciona e impulsiona. Não importa as nossas fragilidades, vacilo e indecisões, pois o mais importante é que, como São Tomé, reconheçamos Jesus como nosso único Deus e Senhor, tudo o mais, inclusive a tenebrosa força do mal, está abaixo desse Senhorio, a Soberania pertence a Cristo, e somente a Ele...
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A PAZ ESTEJA CONVOSCO. COMO O PAI ME ENVIOU, TAMBÉM EU VOS ENVIO!” – Olívia Coutinho

II DOMINGO DA PÁSCOA

Dia 07 de Abril de 201

Evangelho - Jo 20,19-31

Segundo domingo da Páscoa! Ainda ecoa em nossos corações o anuncio Pascal, a notícia mais bela que mudou o rumo da nossa história: JESUS CRISTO RESSUSCITOU, ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS!
Angustia, sofrimento, morte, era sempre noite na humanidade, até que na noite mais clara do que o dia, as trevas deu lugar a luz, a vida venceu a morte!
O acontecimento mais importante  de toda a história, tirou das trevas, a humanidade corrompida pelo pecado e a devolveu ao coração do Pai!
Agora não vivemos mais ao léu,  encontramos uma direção, nossa vida ganhou um novo sentido, temos em quem confiar e a quem seguir: JESUS DE NAZARÉ!
As celebrações  do domingo da Páscoa,  falaram fundo ao nosso coração, nos envolveu no mistério da vida que a morte não venceu, mas não podemos ficar somente  na emoção, no encantamento das celebrações, agora a vida retoma o seu curso normal, é hora de sairmos  da emoção  e partirmos para a ação, voltar a nossa realidade, assumindo o nosso compromisso Pascal: fazer chegar  a outros  corações, a Luz do Cristo ressuscitado!
 “A liturgia de hoje, nos apresenta a comunidade de Homens Novos, que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus: a Igreja! A missão da Igreja consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição”.
Assim que Jesus aparece para os discípulos, o medo que os mantinha presos, dá  lugar a alegria e a coragem! A paz do Cristo Ressuscitado, não isenta os discípulos das dificuldades do mundo, mas oferece a eles  a força e a coragem para exercerem a missão.
A paz de Jesus, é diferente da paz que o mundo oferece, é uma  paz que não isenta da cruz, mas que  dá suporte no sofrimento!
Ao soprar o Espírito Santo sobre os discípulos, Jesus nos recorda o sopro de Deus que deu  vida a criatura humana!  Gesto que Jesus repete como início de uma nova criação.
“Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhe serão  perdoados;  a quem os não perdoardes, eles lhe serão retidos”.  Aqui se trata da  transmissão do Espírito Santo para uma missão particular. (Só  em   Pentecostes, que a descida do Espírito Santo seria sobre todo o povo de Deus). Com o sopro do Espírito Santo, Jesus concede o poder de perdoar ou não perdoar os pecados a um grupo específico de pessoas. É Deus quem tem o poder de perdoar os pecados, mas Jesus concede este poder e o transmite à sua Igreja, através dos discípulos. Trata-se do “sacramento da reconciliação. É importante termos em mente, que “reter os pecados", não significa uma condenação e sim,  um renovado apelo a conversão.
No sopro do Espírito Santo, sobre os discípulos, é expressa a criação renovada! É O Espírito Santo que recria a comunidade dos apóstolos e descerra suas portas para a missão!
Os discípulos só conseguiram tomar atitudes corajosas para anunciar Jesus, depois que receberam o Espírito Santo!
O Texto nos fala também da incredibilidade de Tomé. Muitos de nós, o vemos como apenas  um homem  sem fé, pois o próprio Senhor o exorta dizendo: “Não sejas incrédulo, mas fiel”!  Além do mais, ele não aderiu a fé  quando seus irmãos atestaram que haviam visto Jesus. Tomé  não  acreditou  no testemunho dos discípulos, pretendendo  uma constatação pessoal, simbolizando todos aqueles  que precisam ver para crer. Entretanto, foi  por meio de Tomé,  que recebemos a belíssima promessa de Jesus: “Bem-aventurados os que creram sem terem visto”. Mesmo antes da nossa existência, já estávamos incluídos nestas palavras de Jesus!  Somos felizes porque cremos na ressurreição de Cristo, graças ao testemunho dos discípulos.   
“As pessoas de todos os tempos e lugares encontram nas Escrituras o testemunho dos discípulos, mas  isso não dispensa a necessidade de um encontro pessoal e íntimo com o Ressuscitado”! O encontro com Jesus é  transformador, foi o que aconteceu com Tomé, depois do seu vacilo na fé, ele se prostrou  diante do Cristo Ressuscitado e fez a belíssima  profissão de fé, que hoje nós fazemos na celebração Eucarística : “MEU SENHOR E MEU DEUS”!
A fé no Cristo ressuscitado é um processo lento que  vai crescendo gradativamente e quando percebemos, já estamos tão envolvidos com Ele, que não vemos mais sentido na vida, sem Ele!
Na ressurreição de Jesus, a vida divina entrou na vida humana e  assim como as sementes, espalhadas pelo vento, esta boa notícia se espalhou em todos os rincões da terra e chegou  até a nós!
Experimentemos as alegrias de um novo tempo, deixando para trás as escuridões do passado, de um passado  que nos trouxe sofrimento, que ofuscou os nossos olhos diante as maravilhas que nos vem de Deus!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

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Evangelhos Dominicais Comentados

07/abril/2013 – 2o Domingo da Páscoa

Evangelho: (Jo 20, 19-31)

Na tarde do primeiro dia da semana, estando trancadas as portas do lugar onde estavam os discípulos, por medo dos judeus, Jesus chegou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos se alegraram ao ver o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio”. Após essas palavras, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados serão perdoados. A quem não perdoardes os pecados não serão perdoados”. Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos lhe disseram: “Vimos o Senhor”. Mas ele respondeu: “Se eu não vir nas mãos os sinais dos cravos, e não puser o dedo no lugar dos cravos e minha mão no seu lado, não acreditarei”. Oito dias depois, os discípulos estavam outra vez no mesmo lugar, e Tomé com eles. Jesus entrou com as portas fechadas, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe aqui o dedo e olha minhas mãos, estende a mão e põe no meu lado, e não sejas incrédulo mas homem de fé”. Tomé respondeu-lhe: “Meu Senhor e meu Deus”. Jesus lhe disse: “Porque me viste, acreditaste. Felizes os que não viram e creram”

COMENTÁRIO

Estamos no período Pascal e vivendo ainda a alegria da Ressurreição de Jesus. O evangelho de hoje nos fala que os apóstolos estavam escondidos, trancados e com muito medo dos anciãos e dos chefes dos sacerdotes.

Não somente eles, todos nós! Observe como vivemos com medo e assustados com a violência, assaltos, seqüestros, balas perdidas... o medo faz parte do nosso dia-a-dia. É um sentimento que nos acompanha sempre. Somos medrosos por natureza.

O medo de encarar um mundo novo, perigoso e bem diferente daquele em que estivemos durante nove meses, nos leva a chorar logo ao nascer. Lentamente, porém, o carinho materno, a mão forte e amiga do pai nos transformam, trazem-nos confiança e segurança para superarmos os obstáculos que o medo coloca em nosso caminho.

Certamente, também os grandes heróis sentiram medo um dia. Herói não é aquele que não tem medo de coisa alguma, herói é aquele que supera o medo e parte para a luta. Jesus transmite essa força! Tomé não acreditou, mas os discípulos criaram coragem e foram anunciar que o Mestre estava vivo,
   

É isso que Jesus espera de seus discípulos. Coragem, sair e anunciar, essa é a receita. Não podemos ficar trancados. Ainda hoje os fariseus e chefes dos sacerdotes estão por ai, disfarçados em aliciadores de menores, distribuidores de drogas e pregadores da prostituição.

É preciso coragem e persistência para proclamar o nome de Jesus. Os riscos são enormes, a perseguição é constante, porém, o discípulo comprometido com o Mestre, sente a firmeza de sua mão e não desiste nunca.

Parece que tínhamos razão de chorar ao nascer, pois nosso mundo é maldoso e cheio de mentiras. No entanto, não podemos ficar chorando a vida toda sem agir. Milhares de “Tomés” desconhecem a verdade e duvidam que Jesus esteja realmente vivo. São frágeis vítimas dos predadores, são filhos de Deus que dependem da nossa ação para reencontrar o Pai.

Evangelizar, levar paz ao mundo, é a nossa missão. Se anunciarmos que Jesus não morreu, se mostrarmos para esses milhares de irmãos as chagas do Salvador, e se lhes dermos a oportunidade de reencontrar o Mestre e tocá-lo, certamente seus olhos irão brilhar e exclamarão: "Meu Senhor e meu Deus!"

Jesus disse: "A paz esteja com vocês!" essa saudação era muito comum entre os judeus. Deveria também ser mais usada entre nós, pois desejar a paz ao próximo é desejar o melhor. Nada supera a paz. Paz é a ausência de conflito e violência. Paz é sinônimo de serenidade e de amor. Jesus é a verdadeira Paz!

A paz deve ser procurada permanentemente. Em Belém, no nascimento de Jesus, os anjos anunciaram a paz de Deus para todas as pessoas. Antes de sua paixão, Jesus disse aos seus apóstolos: "Eu vos deixo a paz, Eu vos dou a minha paz". Agora, o Vencedor da morte confirma a sua promessa e anuncia a paz aos apóstolos e a todos nós.

A verdadeira paz está reservada para quem acreditar, para quem colocar em prática a sua fé e que transformar em gestos concretos a sua crença. Portanto, paz é o prêmio para quem vive o evangelho. Vamos construir a paz, transformar e inovar. Vamos mudar o mundo e a nós mesmos! Um mundo de paz é um mundo renovado... um coração de paz é um coração novo.


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Tomé

Este domingo pode ser chamado de Domingo da Divina Misericórdia, porque, de fato, Jesus mostrou a Tomé e a seus companheiros, assim como a todos nós, a sua imensa misericórdia. Quando Jesus se colocou no meio dos discípulos no dia da sua ressurreição, Tomé não estava lá. Os discípulos contaram a ele que tinham visto Jesus ressuscitado, mas ele não acreditou, e desafiou Jesus, dizendo que só acreditaria se pudesse pôr o dedo em suas chagas. Na sua misericórdia, Jesus atendeu ao desejo de Tomé, que então acreditou.
A misericórdia de Jesus se estende a todos nós, que não vimos o Ressuscitado, mas recebemos o testemunho de Tomé e dos outros que viram. O testemunho de Tomé é confiável porque ele não acreditou. Portanto, ele não inventou a ressurreição de Jesus nem nos transmitiu uma mentira. Ele teve que se dobrar quando viu o Ressuscitado e pôde colocar sua mão em suas chagas. Mais tarde, o apóstolo São Paulo também verá Jesus vivo diante dele no caminho de Damasco.
A visão do Ressuscitado pode ser exterior e interior ou apenas interior. Ela não pode ser somente exterior. Os discípulos de Emaús e Maria Madalena viram o Senhor em seu exterior e não o reconheceram. O reconhecimento se dá na visão interior, que é a da fé. Esta visão pode também ser chamada de experiência interior. Ela é sumamente importante no seguimento de Jesus. Ele, na sua misericórdia, permite que você o veja, permite que você o sinta presente em sua vida. É uma experiência única. Quem a tem não fala. Quem a tem vive do impulso que ela lhe dá. Há muita gente com o sentimento profundo da presença de Deus em sua vida.
Em geral é gente muito boa e gente corajosa. Trata bem os outros e é capaz de se sacrificar por uma causa comum em benefício da humanidade. Jeremias falava de um fogo que o queimava por dentro e o impulsionava a continuar no meio das tribulações. Sem a experiência viva de Jesus na nossa própria vida somos apenas funcionários de uma grande instituição, semelhante a qualquer empresa, mas com o nome de Igreja.
São Pedro nos anima quando escreve na sua primeira carta: "Sem terdes visto o Senhor, vós o amais. Sem o verdes ainda, n'Ele acreditais. Isto será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação".
Os primeiros cristãos perseveravam no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Vendiam o que tinham e partilhavam os seus bens conforme a necessidade de cada um. Ora, nada disso se faz sem uma profunda convicção de fé. A gente não segue Jesus Cristo somente por costume, por tradição familiar, pelas amizades, pelos sentimentos, pela música. Tudo isso ajuda e facilita a dedicação, mas não nos pode faltar a certeza de fé de que Ele está vivo em nós e entre nós, o que nos leva a dar a vida, se preciso for, por Ele e por seu Evangelho. Nem precisamos ser muitos, se formos bom fermento ou luz que ilumina, ou sal que salga e dá sabor.
Que o tempo da Páscoa nos leve a viver a fé no Ressuscitado em profundidade, a superar a superficialidade de uma vida cristã sem fundamento. Se quiser, desafie a Deus e peça para tocar na chagas de seu Cristo, para que a sua existência seja significativa.
cônego Celso Pedro da Silva

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Como se chega à fé na ressurreição de Jesus Cristo?
A questão importante posta pelo evangelho deste domingo é a seguinte: como se chega à fé na ressurreição de Jesus Cristo? Há, no evangelho segundo João, no que concerne aos relatos da aparição do Ressuscitado, uma unidade de tempo: o primeiro dia da semana. O primeiro dia da semana é o primeiro dia da nova criação em Cristo, nosso Senhor; o dia em que a LUZ foi feita: “A luz brilha nas trevas” (Jo 1, 5). Todos os relatos da aparição do Senhor ressuscitado são uma catequese sobre a ressurreição. Eles apresentam didaticamente um itinerário através do qual se chega à fé na ressurreição de Jesus Cristo. São relatos que têm uma força simbólica evidente, isto é, eles extrapolam o tempo e o lugar de sua redação para ganhar uma validade permanente. A observação de que as portas do lugar onde os discípulos se encontravam estavam “fechadas” e que, mesmo assim, Jesus se colocou no meio deles, nos quer fazer compreender que a presença do Ressuscitado é de outra natureza, que não a física, o que exige para o reconhecimento da presença do Senhor não o exercício ótico, mas a abertura própria da fé. É no primeiro dia da semana, segundo o nosso texto, que o Espírito Santo é dado como sopro do Senhor (cf. v. 22). A ausência de Tomé e sua objeção para crer, e o relato da aparição do Ressuscitado a ele (vv. 26-28), é o que nos permite afirmar que a fé na ressurreição e no Ressuscitado é dada pela aceitação do testemunho: “Bem-aventurados os que não viram, e creram” (v. 29). É esta aceitação que permite ao discípulo, e a todos nós, experimentar os efeitos da ressurreição, qual seja, a paz e a alegria. Não há acesso imediato à ressurreição de Jesus Cristo, mas somente mediato, isto é, através do testemunho. Nesse sentido, a fé é eminentemente tradição.
Carlos Alberto Contieri,sj

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A liturgia deste domingo põe em relevo o papel da comunidade cristã como espaço privilegiado de encontro com Jesus ressuscitado.
O Evangelho sublinha a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã; é à volta d’Ele que a comunidade se estrutura e é d’Ele que ela recebe a vida que a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho) que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo.
A segunda leitura insiste no motivo da centralidade de Jesus como referência fundamental da comunidade cristã: apresenta-O a caminhar lado a lado com a sua Igreja nos caminhos da história e sugere que é n’Ele que a comunidade encontra a força para caminhar e para vencer as forças que se opõem à vida nova de Deus.
A primeira leitura sugere que a comunidade cristã continua no mundo a missão salvadora e libertadora de Jesus; e quando ela é capaz de o fazer, está a dar testemunho desse Cristo vivo que continua a apresentar uma proposta de redenção para os homens.
1ª leitura: Atos dos Apóstolos 5,12-16 - AMBIENTE
O livro dos Atos dos Apóstolos apresenta o “caminho” que a Igreja de Jesus percorreu, desde Jerusalém até Roma, o coração do império. No entanto, foi de Jerusalém, o lugar onde irrompeu a salvação – isto é, onde Jesus sofreu, morreu, ressuscitou e subiu ao céu –, que tudo partiu. Foi aí que nasceu a primeira comunidade cristã e que essa comunidade, pela primeira vez, se assumiu como testemunha de Jesus diante do mundo.
O texto que nos é proposto é um dos três sumários que aparecem na primeira parte dos “Atos”; esses sumários apresentam temas comuns e afinidades de estrutura que convidam a considerá-los conjuntamente. No conjunto, esses sumários pretendem apresentar as várias facetas do testemunho dado pela Igreja de Jerusalém. O primeiro aparece em 2,42-47 e é dedicado ao tema da unidade e ao impacto que o estilo cristão de vida provocou no povo da cidade; o segundo aparece em 4,32-37 e é dedicado ao tema da partilha dos bens; o terceiro (a primeira leitura de hoje) apresenta o testemunho da Igreja através da atividade miraculosa dos apóstolos.
MENSAGEM
A primeira frase desta leitura apresenta o tema: “pelas mãos dos apóstolos realizavam-se muitos milagres e prodígios entre o povo”.
A descrição da ação dos apóstolos e da reação do povo é, neste contexto, muito parecida com certos relatos de curas e certos resumos da atividade taumatúrgica de Jesus que encontramos nos evangelhos sinópticos. Isso diz-nos, desde logo, duas coisas: que não se trata de uma reportagem fotográfica de acontecimentos, mas de um resumo teológico; e que Lucas vê uma continuidade entre a missão de Jesus e a missão da comunidade cristã (a mesma atividade salvadora e libertadora de Jesus em favor dos pobres e dos oprimidos é continuada agora no mundo pela sua Igreja).
Um desenvolvimento especialmente interessante é a atribuição à “sombra” de Pedro de virtudes curativas (cf. At. 5,15b). Isso nunca foi dito acerca de Cristo… Significa que Pedro tinha mais poder do que Cristo? Não. Significa, provavelmente, que nada é impossível àquele que se coloca na órbita de Cristo e recebe d’Ele a força para testemunhar.
Devemos ter presente, para entender a mensagem, o cenário de fundo deste texto: os apóstolos são as testemunhas de Jesus ressuscitado e do seu projeto libertador para o mundo; os gestos realizados servem para dar testemunho da ressurreição, isto é, dessa vida nova que em Cristo começou e que, através dos seguidores de Cristo ressuscitado, deve chegar a todos os homens.
ATUALIZAÇÃO
• A comunidade cristã tem de ser, fundamentalmente, uma comunidade que testemunha Cristo ressuscitado. Se formarmos uma família de irmãos “unidos pelos mesmos sentimentos”, solidários uns com os outros, capazes de partilhar, estaremos a anunciar esse mundo novo que Jesus propôs e a interpelar os nossos conterrâneos. É isso que acontece habitualmente com o testemunho das nossas comunidades? O que nos falta para sermos – como a comunidade primitiva – uma comunidade que testemunha Jesus ressuscitado?
• Os milagres não são, fundamentalmente, acontecimentos espantosos que subvertem as leis da natureza; mas são sinais que mostram a presença libertadora e salvadora de Deus e que anunciam essa vida plena que Deus quer dar a todos os homens. Não são, portanto, coisas reservadas a certos feiticeiros ou super-heróis, mas são coisas que eu posso fazer todos os dias: sempre que os meus gestos falam de amor, de partilha, de reconciliação, eu estou a realizar um “milagre” que leva aos irmãos a vida nova de Deus, estou a anunciar e a fazer acontecer a ressurreição. Tenho consciência disto e procuro, com gestos concretos, anunciar que Jesus ressuscitou e continua a querer salvar os homens? Os meus gestos são “sinais” de Deus?
2ª leitura: Ap. 1,9-11a.12-13.17-19 - AMBIENTE
Estamos nos finais do reinado de Domiciano (à volta do ano 95); os cristãos eram perseguidos de forma violenta e organizada e parecia que todos os poderes do mundo se voltavam contra os seguidores de Cristo. Muitos cristãos, cheios de medo, abandonavam o Evangelho e passavam para o lado do império. Na comunidade dizia-se: “Jesus é o Senhor”; mas lá fora, quem mandava mesmo como senhor todo-poderoso era o Imperador de Roma.
É neste contexto de perseguição, de medo e de martírio que vai ser escrito o Apocalipse. O objetivo do autor é apresentar aos crentes um convite à conversão (primeira parte – Ap 1-3) e uma leitura profética da história que os ajude a enfrentar a tempestade com esperança e a acreditar na vitória final de Deus e dos crentes (segunda parte – Ap. 4-22).
O texto da primeira leitura de hoje pertence à primeira parte do livro. Nele, apresenta-se – recorrendo à linguagem simbólica, pois é através dos símbolos que melhor se expressa a realidade do mistério – o “Filho do Homem”: é Ele o Senhor da história e Aquele através de quem Deus revela aos homens o seu projeto.
MENSAGEM
Esse “Filho do Homem” é Cristo ressuscitado. Para o descrever em pormenor, o autor (um tal João, exilado na ilha de Patmos por causa do Evangelho) vai recorrer a símbolos herdados do mundo vétero-testamentário que sublinham, antes de mais, a divindade de Jesus.
O texto que hoje a liturgia nos propõe não apresenta a descrição original completa (faltam os versículos 14-16). Nos versículos que nos são propostos, este “Filho do Homem” é apresentado como o Senhor que preside à sua Igreja (no v. 12, os sete candelabros representam a totalidade da Igreja de Jesus; recordar que o sete é o número que indica plenitude, totalidade) e que caminha no meio dela e com ela (vers. 13a); Ele está revestido de dignidade sacerdotal (a longa túnica, distintivo da dignidade sacerdotal revela que Ele é, agora, o verdadeiro intermediário entre Deus e os homens – v. 13b) e possui dignidade real (o cinto de ouro, porque n’Ele reside a realeza e a autoridade sobre a história, o mundo e a Igreja – v. 13c). Sobretudo, Ele é o Cristo do mistério pascal: esteve morto, voltou à vida e é agora o Senhor da vida que derrotou a morte (v. 18). A história começa e acaba n’Ele (v. 17b). Por isso, os cristãos nada terão a temer.
A João, Cristo ressuscitado confia a missão profética de testemunhar. O fato de João cair por terra como morto e o fato de o Senhor o reanimar com um gesto (v. 17) fazem-nos pensar em vários relatos de vocação profética do Antigo Testamento. O “profeta” João é, pois, enviado às igrejas; a sua missão é anunciar uma mensagem de esperança que permita enfrentar o medo e a perseguição. Sobretudo, é chamado a anunciar a todos os cristãos que Jesus ressuscitado está vivo, que caminha no meio da sua Igreja e que, com Ele, nenhum mal nos acontecerá pois é Ele que preside à história.
ATUALIZAÇÃO
• Há muitas coisas e interesses que hoje são erigidos em deuses, que recebem a nossa adoração, que nos desviam do essencial e que acabam por nos destruir e escravizar. Que coisas são essas? É Jesus, vivo e ressuscitado que está no centro das nossas vidas e das nossas comunidades?
• O medo aliena, escraviza, impede-nos de construir de forma positiva… Temos consciência de que nada temos a temer porque Cristo, o Senhor da história, caminha conosco?
• Os homens de hoje, apesar de todas as descobertas e conquistas, têm, muitas vezes, uma perspectiva pessimista que lhes envenena o coração e a existência. Se a esperança está em crise, nós, testemunhas do ressuscitado, temos uma proposta de novidade e de salvação a apresentar ao mundo. Sentimo-nos profetas, enviados – como João – a anunciar uma mensagem de esperança, a dar testemunho de Jesus ressuscitado e a dizer que esse mundo novo já está a fazer-se?
Evangelho Jo 20,19-31 - AMBIENTE
Continuamos na segunda parte do Quarto Evangelho, onde nos é apresentada a comunidade da Nova Aliança. A indicação de que estamos no “primeiro dia da semana” faz, outra vez, referência ao tempo novo, a esse tempo que se segue à morte/ressurreição de Jesus, ao tempo da nova criação.
A comunidade criada a partir da ação de Jesus está reunida no cenáculo, em Jerusalém. Está desamparada e insegura, cercada por um ambiente hostil. O medo vem do fato de não terem, ainda, feito a experiência de Cristo ressuscitado.
MENSAGEM
O texto que nos é proposto divide-se em duas partes bem distintas.
Na primeira parte (cf. Jo 20,19-23), descreve-se uma “aparição” de Jesus aos discípulos. Depois de sugerir a situação de insegurança e fragilidade que dominava a comunidade (o “anoitecer”, “as portas fechadas”, o “medo”), o autor deste texto apresenta Jesus “no centro” da comunidade (v. 19b). Ao aparecer “no meio deles”, Jesus assume-Se como ponto de referência, fator de unidade, a videira à volta da qual se enxertam os ramos. A comunidade está reunida à volta d’Ele, pois Ele é o centro onde todos vão beber a vida.
A esta comunidade fechada, com medo, mergulhada nas trevas de um mundo hostil, Jesus transmite duplamente a paz (vs. 19 e 21: é o “shalom” hebraico, no sentido de harmonia, serenidade, tranquilidade, confiança). Assegura-se, assim, aos discípulos que Jesus venceu aquilo que os assustava: a morte, a opressão, a hostilidade do “mundo”.
Depois (v. 20a), Jesus revela a sua “identidade”: nas mãos e no lado trespassado, estão os sinais do seu amor e da sua entrega. É nesses sinais de amor e doação que a comunidade reconhece Jesus vivo e presente no seu meio. A permanência desses “sinais” indica a permanência do amor de Jesus: Ele será sempre o Messias que ama, e do qual brotarão a água e o sangue que constituem e alimentam a comunidade.
Em seguida (v. 22), Jesus “soprou sobre eles”. O verbo aqui utilizado é o mesmo do texto grego de Gn 2,7 (quando se diz que Deus soprou sobre o homem de argila, infundindo-lhe a vida de Deus). Com o “sopro” de Gn. 2,7, o homem tornou-se um ser vivente; com este “sopro”, Jesus transmite aos discípulos a vida nova que fará deles homens novos. Agora, os discípulos possuem o Espírito, a vida de Deus, para poderem – como Jesus – dar-se generosamente aos outros. É este Espírito que constitui e anima a comunidade.
As palavras de Jesus à comunidade contêm ainda uma referência à missão (v. 23). Os discípulos são enviados a prolongar o oferecimento de vida que o Pai apresenta à humanidade em Jesus. Quem aceitar essa proposta de vida, será integrado na comunidade; quem a rejeitar, ficará à margem da comunidade de Jesus.
Na segunda parte (cf. Jo 20,24-29), apresenta-se uma catequese sobre a fé. Como é que se chega à fé em Cristo ressuscitado? João responde: podemos fazer a experiência da fé em Jesus vivo e ressuscitado na comunidade dos crentes, que é o lugar natural onde se manifesta e irradia o amor de Jesus. Tomé representa aqueles que vivem fechados em si próprios (está fora) e que não faz caso do testemunho da comunidade nem percebe os sinais de vida nova que nela se manifestam. Em lugar de se integrar e participar da mesma experiência, pretende obter uma demonstração particular de Deus.
Tomé acaba, no entanto, por fazer a experiência de Cristo vivo no interior da comunidade. Porquê? Porque, no “dia do Senhor”, volta a estar com a sua comunidade. É uma alusão clara ao domingo, ao dia em que a comunidade é convocada para celebrar a Eucaristia: é no encontro com o amor fraterno, com o perdão dos irmãos, com a Palavra proclamada, com o pão de Jesus partilhado, que se descobre Jesus ressuscitado.
A experiência de Tomé não é exclusiva das primeiras testemunhas; mas todos os cristãos de todos os tempos podem fazer esta mesma experiência.
ATUALIZAÇÃO
• A comunidade cristã gira em torno de Jesus, constrói-se à volta de Jesus e é d’Ele que recebe vida, amor e paz. Sem Jesus, estaremos secos e estéreis, incapazes de encontrar a vida em plenitude; sem Ele, seremos um rebanho de gente assustada, incapaz de enfrentar o mundo e de ter uma atitude construtiva e transformadora; sem Ele, estaremos divididos, em conflito e não seremos uma comunidade de irmãos… Na nossa comunidade, Cristo é verdadeiramente o centro? É para Ele que tudo tende e é d’Ele que tudo parte?
• A comunidade tem de ser o lugar onde fazemos, verdadeiramente, a experiência de Jesus ressuscitado. É nos gestos de amor, de partilha, de serviço, de encontro, de fraternidade, que encontramos Jesus vivo, a transformar e a renovar o mundo. É isso que a nossa comunidade testemunha? Quem procura Cristo encontra-O em nós?
• Não é em experiências pessoais, íntimas, fechadas, egoístas que encontramos Jesus ressuscitado; mas encontramo-l’O no diálogo comunitário, na Palavra partilhada, no pão repartido, no amor que une os irmãos em comunidade de vida. O que é que significa, para mim, a Eucaristia?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho


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Testemunhas da Ressurreição
As leituras de hoje apresentam três temas importantes: a realidade da ressurreição, a confissão de fé, a relação entre ver e crer. A experiência do encontro com Jesus ressuscitado leva o discípulo a professar: meu Senhor e meu Deus! A profissão de fé resume a caminhada de Israel e da Igreja. Todos os sinais que perpassam pela Escritura pedem do leitor uma profissão de fé como a de Tomé.
Evangelho (Jo. 20,19-31)
Os primeiros discípulos testemunham a ressurreição de Cristo
Na tarde daquele mesmo dia (o da ressurreição), Jesus aparece aos discípulos reunidos. Tomé está ausente. O Ressuscitado dá-se a conhecer, dá-lhes o Espírito e o poder de perdoar o pecado, fazendo que os apóstolos sejam investidos para continuar a sua missão.
“Vimos o Senhor”, dizem os apóstolos a Tomé, mas este não lhes dá crédito. Com essa expressão atribuída aos apóstolos, encontramos o primeiro testemunho eclesial e o querigma da ressurreição.
Tomé não crê no testemunho dos discípulos e pretende uma constatação pessoal – simboliza a pessoa que precisa ver para crer. Muitos outros, durante o evangelho, pediram de Jesus milagres para crer em sua pessoa. Mas Jesus lhes disse que não teriam outro sinal senão o de Jonas. Esse sinal é dado agora: Cristo ressuscitado está no meio de sua comunidade. Tomé quer atestar sua fé vendo e tocando Jesus. Mas o evangelista chama a atenção para o crer sem ver, baseado no testemunho dos discípulos.
No domingo seguinte, Jesus aparece novamente aos discípulos, desta vez na presença de Tomé, a quem repreende por sua incredulidade. Jesus mostra-lhe as mãos e o lado para certificar-lhe que o Ressuscitado é o Crucificado, mas está diferente, vive numa nova realidade, além do tempo e do espaço.
O medo transforma-se em alegria. A paz e a alegria são dons do Cristo ressuscitado e, ao mesmo tempo, condição para reconhecê-lo. Jesus realiza as promessas feitas aos discípulos, enviando sobre eles o Espírito. A missão a que são destinados continua a missão de Jesus (17,18). Como o Pai enviou seu Filho para perdoar os pecados, assim Jesus envia os discípulos. Ao soprar sobre eles (v. 22), expressa a idéia de criação renovada. O Espírito recria a comunidade dos apóstolos e descerra suas portas para a missão.
1º leitura (At. 5,12-16)
A ação do Espírito Santo na Igreja testemunha a ressurreição de Cristo
O relato é uma descrição resumida da vida das primeiras comunidades. Os milagres realizados pelos apóstolos ratificam a assistência do Espírito Santo à comunidade, confirmando com sinais a palavra anunciada pelos apóstolos.
A menção ao “Pórtico de Salomão” destaca a proclamação do evangelho, já que esse local, no Templo de Jerusalém, ficava no átrio dos gentios e era destinado à instrução.
O número dos fiéis crescia cada vez mais (v. 4) e o evangelho despertava o interesse das cidades vizinhas, dando ocasião para que a Igreja se expandisse para além de Jerusalém, estendendo-se pela Judeia.
2º leitura (Ap. 1,9-11a.12-13.17-19)
A Igreja testemunha a ressurreição de Cristo até que ele venha
A expressão “dia do Senhor”, no Antigo Testamento, significa principalmente a intervenção de Deus por meio do Messias, no fim dos tempos. Para o Novo Testamento, a ressurreição de Cristo inaugurou os últimos tempos, que já estão presentes, embora ainda não tenham chegado à plenitude.
No “dia do Senhor”, o Espírito Santo fez que João, homem atribulado por causa da palavra e do testemunho, contemplasse a atuação do Ressuscitado na Igreja.
A comunidade dos seguidores de Jesus em sua totalidade, simbolizada pelo número sete, recebe a luz de Cristo e a reflete para o mundo. A visão do Filho do homem em meio ao candelabro de ouro assegura a presença do Ressuscitado em sua Igreja até o fim dos tempos.
Seus cabelos brancos simbolizam a eternidade. Seus olhos “como chamas de fogo” representam a visão penetrante, ou seja, seu conhecimento de realidades não percebidas por mais ninguém. Essas realidades escondidas ao olho natural é que serão reveladas ao ser humano.
Os pés de bronze simbolizam a sua estabilidade inabalável. As sete estrelas são os líderes das comunidades em sua totalidade. Estes estão amparados na mão direita do Ressuscitado, que sustenta e mantém a sua Igreja.
O Filho do homem diz palavras de consolo: “Não temas!” (v. 17). Sua natureza é divina: ele é o “primeiro e o último”, título de Deus no Antigo Testamento (Is. 44,6; 48,12).
O texto afirma que o Filho do homem esteve morto, é o crucificado, mas venceu a morte e possui a vida eterna. Seu domínio se estende sobre os céus, sobre a terra e sobre o reino da morte. Ele controla a história.
Pistas de reflexão
Felizes os que creem sem ter visto, pois confiam nas testemunhas da ressurreição de Cristo. As pessoas de todos os tempos e lugares encontram nas Escrituras o testemunho dos apóstolos. Mas isso não dispensa um encontro pessoal e íntimo com o Ressuscitado. Esse encontro se dá nos locais onde ele está presente de maneira mais profunda: a liturgia da Igreja (culto eclesial), a liturgia do coração (adoração pessoal e interior de Deus) e a liturgia da vida (apostolado, compromisso com o outro).
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj

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Elogio à fé
Mais uma vez chega ao fundo de nossos corações o relato da profissão de fé de Tomé. Quantas vezes, de modo particular após a comunhão da missa, na trajetória dos caminhos de nossa tentativa de fidelidade ao Senhor temos certeza da força e da presença do  Senhor e dizemos com Tomé; “Meu Senhor e meu Deus”.
Vejamos passo a passo o relato do evangelista João. Era o final do primeiro dia da semana. Os apóstolos vivem sentimentos  de perplexidade e de medo. Afinal, de contas o fim da vida daquele Mestre tão luminoso foi sem brilho. Sensação de fracasso e de medo. Os mais íntimos do Senhor estão com as portas fechadas.
Há qualquer coisa de inusitado. O Ressuscitado passa pelas portas fechadas. Não está mais sujeito às leis da física. É ele, é o mesmo, mas é diferente. Saiu do universo das coisas comuns. Colocando-se no meio dos seus deseja-lhes a paz. Traz a paz da vitória sobre a morte. Paz que precisa vencer o medo. Paz que é perdão dos pecados. Paz que é dom  do Espírito.
O Ressuscitado sopra sobre os apóstolos confiando-lhes o ministério da reconciliação, do perdão. Os corações contritos e arrependidos podem se purificar nas águas da salvação. Esse vem da morte e passa pelas portas fechadas, esse que já não é da mesma ordem coisas.  Felizes e cheios de profunda paz aqueles que conseguem reorientar suas vidas e suas histórias para as coisas do Senhor depois de viverem o absurdo de  uma vida vazia e oca, quando recebem o perdão de suas loucuras e vivem na paz, plenitude de todos os bens.
Tomé não estava presente quando Jesus passara pelas portas fechadas. Seus colegas dizem: Vimos o Senhor! Sim, viram o Senhor igual e diferente, aquele que vive, mas vida na atmosfera de um universo novo. Jesus se manifesta novamente e se dirige a Tomé. Ele se diz o mesmo… pede que Tomé toque suas mãos, coloque a mão no seu lado. Há uma manifestação especial do Senhor ao apóstolos com dificuldades para crer.   Nesse momento é que brota de seu coração aquela expressão de confiança e de humildade que aprendemos a fazer nossa: “Meu Senhor e meu  Deus!” Felizes os que, pelo testemunho  dos apóstolos e das primeiras comunidade de fé , creem sem ver.
A primeira leitura tirada dos Atos dá a entender que os apóstolos continuam a obra de Jesus: ensino e cura dos doentes. Repetem-se as cenas: camas, macas, gente doente,  gente que quer tocar ao menos a beirada da roupa dos apóstolos, pessoas que querem que a sombra de Pedro se projete sobre eles.
O  tempo pascal nos convida a aprofundar nossa fé na presença do Ressuscitado em nosso meio.
frei Almir Ribeiro Guimarães

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Páscoa: nova criação
O segundo domingo pascal, domingo das “vestes brancas”, acentua a nova existência do cristão regenerado pelo batismo (ou pela renovação do compromisso batismal). Na 1ª leitura, início de uma série de leituras de Atos, esta novidade se manifesta na atuação da primeira comunidade cristã, suscitando admiração por causa de sua união e dos sinais que a acompanham. O novo povo de Deus cresce ligeiro. Com razão, o salmo responsorial comenta: a pedra rejeitada tornou-se pedra angular.
A 2ª leitura é a visão inicial do Apocalipse. No “primeiro dia da semana”, dia da ressurreição e da assembléia cristã, ele vê o Cristo glorioso, o “primeiro e o último” (1,17), o “vivo que foi morto” (1,18) e que “tem as chaves da morte”, ou seja, tem a morte em seu poder (1,8). É a aparição do Cristo como Senhor do Universo. Os tempos são nele resumidos e recapitulados. No fim do livro, ele se manifestará como o renovador do Universo.
A novidade da situação pascal aparece também no legado que o Ressuscitado deixa para sua Igreja: a paz, como dom e como missão. A paz é dom escatológico por excelência, a renovação da harmonia com Deus, o perdão (evangelho). Esta nova realidade vem no Espírito, o Espírito do batismo, o Espírito de Cristo. Não é fruto do mero esforço nosso. É um dom dado a todos os verdadeiros fiéis, os que se confiam a Cristo e em Cristo se tornam homens novos; os que não são determinados por critérios biológicos e sociológicos, mas “nasceram de Deus” (Jo 1,12-13). De modo especial, a liturgia de hoje se dirige aos recém-nascidos filhos de Deus (canto da entrada, oração do dia).
A esta novidade podemos dedicar uma consideração comunitária e histórica, como é sugerido especialmente pelas duas primeiras leituras. A comunidade cristã aparece, no mundo, como um mundo novo, escatológico (cf. os sinais). As pessoas aderem a ela para “serem salvas” (na hora do Juízo). No Ap, Cristo aparece como o Senhor da História, o “Filho do Homem” daniélico (1,12). Este Senhor da História foi morto. Sua morte aconteceu por causa de sua total solidariedade com a história humana, na qual ele se integrou, numa práxis autêntica, conscientizadora e libertadora, procurando restituir ao homem seu Deus, e a Deus, sua Lei e seu povo. Sua prática em prol da vida o levou ao testemunho radical da morte (cf. Ap 1,4: a Testemunha Fiel). Ora, se este Senhor, que por nós e conosco enfrentou a rejeição e finalmente a morte, agora vive, então, a História, que ele assumiu, vive com ele. No Cristo pascal revive a História humana para uma vida nova, totalmente diferente, vencedora do antigo pecado, que em Cristo foi crucificado. Uma História que já pertence à não-História, ao fim dos tempos. Pois “ele” é o primeiro dos homens, realizando a vocação original da humanidade, ou seja, a completa filiação divina; mas nisso ele é também o último, a plenitude.
Essa novidade da História humana deve transparecer na comunidade dos renovados pelo batismo. A renovação pascal não é apenas uma revigoração interior, nem apenas um retomar de algumas boas práticas e um provisório desistir de alguns vícios. Isso seriam apenas “variações sobre um tema antigo”, como se diz na música. Temos de compor uma peça nova, tendo uma estrutura nova. E, mesmo se esta não for a melhor, o fato de ser nova e melhor que a anterior será um sinal de que escolhemos o lado daquele em quem nossa história antiga morreu, para ressuscitar na força de Deus.
Johan Konings "Liturgia dominical"

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Aos domingos à tarde, as primeiras comunidades cristãs se reuniam para celebrar a Ressurreição de Jesus, a vitória da vida sobre a morte, pois foi na tarde do domingo da Páscoa que Jesus, ressuscitado, apareceu aos discípulos.
Porém, a condição em que eles estavam reunidos, fechados atrás de paredes, não era condizente com a liberdade e a vida, e sim com a opressão e a morte, pois as portas estavam trancadas e sentiam muito medo das autoridades dos judeus.
Para Jesus não existem barreiras. Ele entrou, ficou no meio deles e fez a mesma saudação da sua despedida: “A paz esteja com vocês”, para tranqüilizá-los, pois Ele já estava ali, e a presença Dele trazia segurança aos seus seguidores.
Jesus ainda trazia no seu corpo as marcas do seu sofrimento e as apresentou como testemunho da vitória da vida e, ao mesmo tempo, sinais da injustiça.
A alegria dos discípulos ao vê-Lo foi transformada em disponibilidade, e Jesus soprou sobre eles o Seu Espírito dando-lhes nova vida, nascendo então a comunidade dos seguidores de Jesus aos quais Ele confia Sua própria missão. O sopro recorda Gênese 2,7, o sopro vital do Deus que comunica a vida. Eles estavam, a partir de então, com o mesmo Espírito que esteve com Jesus, e receberam a missão de continuar o projeto de Deus que é a luta pela justiça, permitindo que todos tenham acesso à vida.
Tomé impõe uma condição para crer: era preciso ver. O fato dele não ter acreditado nos discípulos quando disseram que Jesus estava vivo e que tinha ressuscitado, não faz dele uma pessoa menos importante, pois o importante não é ter estado com Jesus antes de sua morte, e sim, viver a vida que nasce da ressurreição, assumindo o projeto de Deus como uma opção pessoal.
Jesus se dá a conhecer, primeiramente, apenas para alguns, pois todas as gerações futuras O conhecerão e acreditarão na ressurreição somente pelo testemunho de poucos.
Tomé ao encontrar-se com Jesus faz a sua profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus!”. Esta é a primeira vez que Jesus é chamado de Deus (depois do prólogo – início do Evangelho de João), motivo de Sua condenação.
Jesus diz que são felizes aqueles que não receberam provas concretas da sua ressurreição, e sim os que crêem porque aceitam o testemunho da comunidade. E isto está ao alcance de todos e serve para despertar o compromisso da fé, experimentando a vida que Jesus veio trazer.

O livro dos Atos dos Apóstolos, o Apocalipse e o evangelho de João foram escritos quase na mesma época. A Igreja de Jesus, formada por muitas e diferentes comunidades, estava recolhendo as diversas tradições sobre o Jesus histórico e cada comunidade as reelaborava e contava de acordo com as novas situações que estavam vivendo. Eram tempos de grandes conflitos com o império romano e com os fariseus de Yamnia, o único grupo oficial judeu que havia sobrevivido à destruição do templo no ano 70. As igrejas estavam descobrindo sua própria identidade e Pedro (que por este tempo já havia sido martirizado em Roma), já era reconhecido como autoridade dentro e fora da Igreja. Com textos destes três livros, a liturgia de hoje nos oferece a oportunidade de refletir sobre o fundamento da nossa fé.
Assim como em nossas ruas necessitamos de sinais que nos indiquem as curvas, as pontes, os caminhos estreitos, também no caminho da Igreja necessitamos desses sinais que nos indicam se andamos no bom caminho ou não. Os sinais são os mesmos de sempre: a prática libertadora de Jesus, sua opção pelos mais necessitados e seu trabalho pela vida. Começando pela boa sombra de Pedro que curava os enfermos, vemos como, em meio aos conflitos, as primeiras comunidades repetiam a prática libertadora de Jesus. Também o Apocalipse nos convida a olhar o Filho do Homem, centro da vida da Igreja.
O evangelho de João nos remete a um dia como o de hoje, oito dias depois da páscoa. Jesus entra e se coloca no meio da comunidade. Sopra sobre eles e lhes concede o Espírito Santo. Para a comunidade de João, a Páscoa da Ressurreição e Pentecostes aconteceram no mesmo dia em que Jesus ressuscitou. Para Lucas, que tem outra teologia, e que talvez por razões catequéticas tenha sido a única recolhida pela Igreja, é preciso esperar 50 dias para o Pentecostes. E nessa Páscoa-Pentecostes toda a comunidade de discípulos e discípulas recebe a autoridade para perdoar os pecados. Isto corresponde à tradição que também Mateus conservou em seu evangelho (Mt. 18,18) e que logo a Igreja, em seu processo de clericalização, foi perdendo, mas que foi recuperada por algumas Igrejas evangélicas.
Na segunda parte deste evangelho, encontramos o diálogo de Jesus e Tomé. Olhos que não vêem, coração que não sente, diz o refrão. Contam que quando July Gagarin, o astronauta russo que regressou daquele primeiro passeio na lua, disse: "Andei pelo céu e não vi a Deus". Pobre July, tão parecido a Tomé, que poderia chamar-se seu irmão gêmeo.
É que fora da comunidade não se vê Jesus, nem no céu nem na terra. É na comunidade onde se percebe a presença do Senhor. É aí onde se realiza o seguimento de Jesus. A comunidade não é optativa. É parte essencial da mensagem cristã, o mesmo se diga da opção pelos pobres. Nas Comunidades Eclesiais de Base temos experiências que se assemelham às vividas nas primeiras comunidades. Avaliamos o caminho retomando sempre a prática libertadora de Jesus e suas opções; experimentamos na luta pela vida a força da Páscoa-Pentecostes e também temos a experiência do perdão na comunidade, porque recortar o perdão se a alegria de Deus é perdoar, curar e salvar.
Quando Jesus não está no centro, perde-se parte de sua mensagem libertadora, impedindo a novidade que brota do Espírito.
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Os cristãos são testemunhas da ressurreição de Jesus
Faz uma semana que estamos celebrando a Páscoa da ressurreição de N. S. Jesus Cristo. Hoje é o dia da segunda aparição de Jesus aos apóstolos reunidos. Jesus dá uma ajuda a são Tomé, que não queria acreditar. Essa Palavra de Deus também vai ser uma ajuda que Jesus Cristo vai dar a todos nós para a gente crescer na fé. Com os olhos da fé a gente vê novamente os acontecimentos da vida, morte e ressurreição de Cristo. E vai testemunhar isto para todo mundo. Os apóstolos eram testemunhas de Cristo ressuscitado. Eles viram Jesus e conversaram com ele, depois da ressurreição. A missão deles era dar testemunho da ressurreição de Cristo. Contavam a todo mundo, que Jesus tinha ressuscitado. Ensinavam isso com suas palavras e com a sua vida. Isso a gente entende. Mas nós, que vivemos dois mil anos depois, não vimos Jesus com nossos olhos.
Como a gente vai poder ser testemunha da ressurreição dele? A gente pode enxergar também com os olhos da fé. Quem tem fé, enxerga muita coisa que os outros não enxergam. Os olhos da fé enxergam longe. Assim por exemplo, todo mundo admira uma flor, sua beleza, seu perfume. Mas quem tem fé, logo vê ali a bondade de Deus alegrando a vida de seus filhos. Na Eucaristia, os nossos olhos enxergam um pedaço de pão, mas os olhos da fé enxergam muito mais: ali está o próprio Jesus Cristo.
Também os olhos da fé nos fazem descobrir a pessoa de Cristo na pessoa de nosso irmão. Quem tem fé em Jesus ressuscitado, e procura viver de acordo com esta fé, então experimenta uma vida nova. Jesus fica sendo o esteio da sua vida. A gente começa a viver ressuscitado com Cristo.
A gente sente Jesus vivo unto de nós. Muito mais do que se o enxergasse com nossos olhos. Se eu vejo Jesus com os olhos da fé, eu posso devo dar esse testemunho para todo mundo.
Jesus ressuscitado faz crescer a nossa fé
Interessante. Quanto mais eu vivo pela fé, mais ela cresce em mim. Se eu acredito mesmo, que Jesus está presente em meu irmão, eu vou confiar nele e acreditar no que ele me falar.
Foi a falta de são Tomé. Os outros apóstolos contaram a ele que viram Jesus ressuscitado e ele não acreditou. Foi preciso Jesus aparecer de novo para ele acreditar. Até hoje é a mesma coisa. Jesus não pára de ajudar a gente a crescer na fé. Nossa fé é tão pequena. Quase todos nós temos um pouquinho de São Tomé dentro da gente. Então, Jesus dá muitos sinais da sua presença viva junto de nós. É um doente que sara por milagres. São graças e mais graças que Deus nos concede. Tudo para ajudar a nossa fé.
A nossa fé cresce com a vida em comunidade. O evangelho de hoje conta duas aparições de Jesus. Ele faz questão de aparecer na hora em que os apóstolos estavam reunidos. A primeira vez, foi no dia da ressurreição.
Era o primeiro dia da semana, que corresponde ao nosso domingo. A segunda vez, foi oito dias depois. No outro domingo. Na hora da reunião dos apóstolos. Há gente que fala que é católico mas não vai à missa, não freqüenta o culto dominical e nem participa das reuniões da comunidade. Foi o que aconteceu com São Tomé. Ele falhou da reunião. E quase perdeu a fé.
Nas reuniões e celebrações da comunidade, nossa fé aumenta. Temos mais força para viver de acordo com a fé. E levamos uma vida de  verdadeira paz. Foi isto que ouvimos hoje várias vezes, da boca de Jesus Cristo: “A paz esteja com vocês ! “Quem tem a paz de Deus, vive ressuscitado com Cristo. E se torna testemunha da ressurreição para o mundo.
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A Palavra de Deus
Era de tarde, naquele primeiro dia da semana. Os discípulos estavam reunidos de portas fechadas, com medo dos judeus.
Jesus entrou, chegou para o meio deles, e disse: “A paz esteja com vocês!” E mostrou para eles as suas mãos e o seu lado. Os discípulos, quando viram o Senhor, ficaram cheios de alegria. Jesus falou de novo com eles: “A paz esteja com vocês! Assim como o Pai me enviou, assim também eu envio vocês”. Depois, soprou sobre eles e disse: “Recebam o Espírito Santo. Se vocês perdoarem os pecados de alguém esses pecados vão ficar perdoados. Mas se vocês não perdoarem eles não vão ficar perdoados”. Tomé, um dos 12, apelidado o Dídimo, não estava com eles, quando Jesus veio. Os outros discípulos vieram contar para eles: “Nós vimos o Senhor!” Mas ele falou: “Olhem!
Se eu não enxergar com os meus olhos o sinal dos pregos nas mãos dele, se eu não puser o meu dedo no lugar dos pregos e se eu não encostar a minha mão no lado dele, eu não acredito”.
Oito dias depois, os discípulos estavam de novo reunidos naquela casa, com as portas fechadas. Tomé estava com eles. Jesus entrou, chegou para o meio deles e disse: “A paz esteja com vocês!”
Logo em seguida, virou-se para Tomé e disse: “Põe aqui o seu dedo! Olhe as minhas mãos! Estique o seu braço e coloque a sua mão aqui no meu lado! Não fique mais duvidando! Tenha fé!” Tomé exclamou: “Meu Senhor e meu Deus!” E Jesus então disse: “Olhe, Tomé! Você acreditou, porque você me viu. Felizes os que acreditam sem precisar de ver!” Jesus ainda fez, na presença de seus discípulos, muitos outros milagres, que não estão escritos, neste livro. Mas esses foram escritos para que vocês acreditem que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. E, acreditando nele, vocês tem uma vida em seu nome!
O núcleo central da mensagem cristã - o "querigma" - é a Ressurreição de Jesus. Bastaria ouvir são Pedro no seu primeiro discurso ao povo, no dia de Pentecostes: "Esse homem, que fora entregue segundo o desígnio bem determinado e a presciência de Deus, vós o entregastes, crucificando-o por mãos de ímpios. Deus, porém, o ressuscitou, livrando-o das dores da mansão dos mortos" (At. 2,23-24). Isso mesmo vamos encontrar em muitos outros lugares, especialmente em São Paulo, que declara solenemente: "Se Cristo não ressuscitou é ilusória a vossa fé; ainda estais nos vossos pecados" (1Cor. 15,17). Por onde se vê que a Ressurreição não é apenas objeto de nossa fé, mas é o próprio fundamento da fé cristã.
A Ressurreição é um fato histórico, embora com referências para além da História: é um mistério da ação de Deus, que se projeta na eternidade. E o principal argumento de nossa certeza, além da morte de Jesus, de seu sepultamento e do sepulcro encontrado vazio, são as aparições. Sem elas, seria inexplicável a fé inabalável da comunidade cristã. E é a narração dessas aparições que vão enriquecendo as leituras da liturgia nestes domingos da Páscoa. Jesus se mostra na sua identidade conhecida da sua vida pública.
Era Ele mesmo! Mas, ao mesmo tempo, seu modo de ser era diferente. Não dependia mais do tempo e do espaço. Entrava na sala, sem que se precisasse abrir as portas. Apareceu na mesma tarde da Ressurreição aos apóstolos reunidos sem a presença de Tomé.
E oito dias depois, apareceu de novo, contando com a presença de Tomé. A dúvida desse apóstolo só serviu para confirmar em todos a fé. Sua palavra de adoração diante de Jesus -"Meu Senhor e meu Deus" - era um prelúdio de toda a adoração que a Igreja iria prestar ao longo dos séculos ao Senhor ressuscitado.
Não podemos deixar de sublinhar a palavra de Jesus, tanto na primeira como na segunda aparição: "A paz esteja convosco!". Era um eco da palavra dos anjos no dia em que Jesus apareceu no mundo, em Belém: "Paz na terra aos homens de boa vontade". Não era apenas a saudação tradicional dos hebreus. Tinha um sentido de promessa de paz para aqueles que acolhessem a verdade da Ressurreição. E a promessa de paz se completou com o grande dom do perdão que nesse dia Jesus deixou nas mãos da Igreja, quando disse aos apóstolos: "Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-Ihes-ão perdoados; aqueles aos quais não perdoardes, ser-Ihes-ão re- tidos" (Jo 20,22-23). Jesus é o Salvador. E, agora que está glorificado, deixa aos ministros da Igreja o poder do perdão que Ele exercera durante sua vida aqui na terra. É como que um imenso gesto de gentileza do Redentor. Quer que brilhe para todos a luz da Ressurreição e a alegria da paz que ele nos trouxe.
Pela Ressurreição é que Cristo é glorificado e se senta à direita de Deus Pai, como está no salmo 109: "O Senhor disse a meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que eu faça de teus inimigos escabelo de teus pés". E São Pedro - no sermão já citado acima - o diz explicitamente ao povo de Jerusalém: "Saiba, portanto, toda a casa de Israel, com certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo, a esse Jesus que vós crucificastes" (At. 2,36).
Como que para pôr em evidência essa verdade tão consoladora, a Igreja nos faz ler a passagem, do Apocalipse, onde São João vê a glória de Cristo, rei e juiz definitivo do mundo.
Foi num dia de domingo que João teve a visão. No meio de sete candelabros de ouro, ele viu "alguém semelhante a um filho de Homem. Vestido com uma túnica longa - o sacerdócio - e cingido à altura do peito com um cinto de ouro - a realeza. Os cabelos de sua cabeça eram brancos como lã branca, como neve - a eternidade; e seus olhos pareciam uma chama de fogo - ciência divina. Os pés tinham o aspecto do bronze quando está incandescente no forno - estabilidade; e sua voz era como o estrondo de águas torrenciais - autoridade" (Ap. 1,12-15). Vamos guardar esse quadro grandioso, e as palavras que o personagem disse, testemunho da Ressurreição: "Não temas! Eu sou o Primeiro e o último, o Vivente; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da Morte e do Reino dos mortos" (Ibid. , 17-18).
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"A Paz esteja convosco"
Um olhar, ainda que rápido, para as belas leituras da Liturgia da Palavra deste II domingo da Páscoa - o antigo domingo "in albis", em que os recém-batizados da Vigília Pascal depunham as vestes alvas que tinham usado durante a semana - pode mostrar-nos facilmente três ricos elementos: a fé, o perdão dos pecados, a perfeita vida cristã da comunidade nascente de Jerusalém. Afinal, tudo irradia do grande mistério pascal, da glória de Cristo Ressuscitado.
Em primeiro lugar, a fé que brotou alegre no coração dos discípulos, ao verem o Senhor ressuscitado e ao contemplarem no seu corpo glorioso os sinais dos cravos que lhe tinham atravessado as mãos e os pés, e o sinal da lança que lhe tinha traspassado o lado. Aliás, esses sinais são agora eternos, a lembrar que foi pela morte que Ele alcançou a glória. No Apocalipse, São João vai contemplá-lo na glória da eternidade. Ele é "o Cordeiro imolado". Está de pé, mas traz os sinais da imolação (cf. Ap. 5,6). Mas, por isso mesmo, "é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor" (ibid., 12).
A fé pascal é o núcleo mais íntimo de nossa fé cristã. Ela iluminou a vida dos apóstolos e dos primeiros discípulos, e ilumina toda a vida da Igreja. Costumam os comentaristas notar que a própria incredulidade inicial de Tomé acabou provocando uma confirmação da verdade da Ressurreição. E foi, em todo o caso, uma prova de que os apóstolos não eram homens crédulos, que aceitassem puras aparências. Todos eles tinham tido seu momento de dúvida, quando chegaram as primeiras notícias do sepulcro vazio e da aparição a Madalena. Mas o esplendor do Ressuscitado os convenceu.
O perdão dos pecados é a segunda nota que brilha na página do Evangelho, no episódio da primeira aparição. Jesus, depois de saudá-Ios com a saudação habitual" A paz esteja convosco", - mas evidentemente com um desejo de paz muito mais eficaz do que uma simples saudação de cortesia - declarou:
"Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. Soprou em seguida sobre eles - um prelúdio de Pentecostes! -e disse: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados. A quem os retiverdes, serão retidos" (Jo 20,21-23). É o grande presente pascal do perdão. Dele precisa tanto a Igreja, que é feita de homens sujeitos ao pecado, e que precisam ser perdoados, não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete vezes. Por isso Jesus deixa na Igreja o sacramento do perdão. É o dom da redenção, que se vai distribuindo ao longo dos séculos, na medida da nossa necessidade. O próprio contexto pascal em que Jesus nos outorga esse sacramento está a nos dizer que ele é um sacramento portador de paz, de festa e de alegria. Não é de tristeza e de humilhação. Triste e humilhante é o pecado. O perdão, que traz a paz de Deus, só pode ser causa de alegria. De festa. Como aquela que alegrou a casa do filho pródigo, no dia em que ele voltou para junto do Pai.
E temos que olhar para o terceiro quadro. É uma pintura em rápidas pinceladas do estilo de vida, exemplarmente evangélica, em que vivia a primeira comunidade cristã de Jerusalém. Unidos. Na oração e na escuta atenta do testemunho dos apóstolos a respeito da Ressurreição de Jesus. Desapegados de seus bens, de sorte que o que era de um era de todos. Formando uma comunidade tão harmoniosa, que toda aquela multidão era como um só coração e uma só alma. Como conseqüência - como consta de outra passagem dos Atos (2,47) - eram estimados por todos, e o número dos fiéis ia crescendo dia a dia (cf. At. 4,32-35).
Não estavam pondo em prática nenhum plano sofisticado de economia política. Estavam simplesmente vivendo o Evangelho. Vivendo o "Sermão da Montanha". Seguindo os passos de Cristo. Como os seguiu São Francisco. E muita gente com ele. Aí está o segredo da felicidade. Da paz, da harmonia, do bem-estar. Até da coragem, da paciência e da esperança, para suportar os sofrimentos, companheiros inseparáveis de nossa peregrinação. A famosa "Ilha da Utopia", imaginada por Tomás More, pode no cristianismo tornar-se de algum modo realidade. Não caricatural, mas sincera.
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Na Páscoa, Deus recria o homem
Numa cena parecida com a da criação do mundo, e parecida com a manhã de Pentecostes, João nos conta como na tarde de Páscoa, Jesus apareceu aos apóstolos e os enviou com a mesma missão salvadora com que ele fora enviado para o Pai. Oito dias depois, dá mais uma prova de sua ressurreição e pede a Tomé que creia nele, mesmo sem vê-lo fisicamente.
Com o episódio, o evangelista nos dá uma lição: Jesus está presente e atuante no meio da comunidade, ainda que não possamos vê-lo com os olhos do corpo. Carregados de fé no Senhor Jesus e revestidos pela força do Espírito Santo, recebemos o poder de perdoar pecados. E quantas ocasiões de perdoar se nos oferecem cada dia! Quem sabe perdoar, e perdoa de fato e de coração, experimenta a alegria e a paz da presença de Cristo, que tira e apaga os pecados de do mundo.
A partir da páscoa os cristãos guardam o domingo
Os dois episódios narrados hoje, acontecem numa tarde da Páscoa e no domingo seguinte. Para os Hebreus, era o Primeiro dia da semana, já que o sábado, que era guardado como santo, era o último. Foi a partir da Páscoa, que aconteceu no primeiro dia da semana, que os cristãos passaram a guardar, não mais o último dia, mas o primeiro, que chamaram de dies Domini ou dies Dominica (dia do Senhor), de onde se originou nossa palavra Domingo. Jesus vem. Para não sobrar dúvida, mostra as mãos e o lado chagados. Depois de ressuscitado, Jesus tem outro modo de existir. Mas é Ele verdadeiramente. Hoje, quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia, Jesus também vem e se põe em nosso meio. Não com seu corpo físico visível. Mas de forma misteriosa. Verdadeira.
É o Cristo vivo que estará sempre conosco (Mt. 28,20) e é percebido e recebido pela fé. Os mesmos dois sentimentos dos apóstolos nos invadem hoje. Sem Jesus, enche-nos o medo da perseguição, da incompreensão, da decepção e da morte; e por causa dessas e de outras razões fechamo-nos em nossa casa e em nós mesmos. Fechar-se é morrer. Com a presença de Jesus enche-nos a alegria, o contentamento e a paz. E abrimo-nos como flor de quintal. O catolicismo é abertura para os outros. É porta aberta para receber e ir ao encontro.
Somos embaixadores de cristo ressuscitado
A presença de Jesus em nosso meio não nos deixa parado. Ele faz de nós seus braços, pés e coração. Ele reparte conosco sua missão salvadora. Sua presença de ressuscitado tem a força de recriar o homem. Observe-se quanta semelhança tem a cena da aparição de Jesus na tarde da Páscoa, com a cena da criação do mundo. (Gn. 2,7). De fato, a paixão e a ressurreição de Cristo  criaram uma nova humanidade, onde o Espírito Santo de Deus faz de cada discípulo de Jesus um continuador responsável da missão de Cristo.
Hoje ele reparte com os apóstolos seu poder de salvar e condenar. E o faz em forma de envio. Como o Pai do céu o enviara para salvar os homens, assim ele envia os apóstolos a todos os povos. Nós somos os apóstolos. Apóstolo quer dizer “enviado”. Quando Jesus diz: “Eu vos envio”, está dizendo: “Eu vos faço apóstolo”. Para isso nos dá o Espírito Santo. Deveríamos ter a convicção de São Paulo que escrevia ao Coríntios: “Desempenhamos o cargo de embaixadores em nome de Cristo, e é Deus mesmo quem exorta por nosso intermédio”(2Cor 5,20). Embaixadores do perdão e da misericórdia, da fraternidade e da paz, da justiça e do amor, da pessoa de Jesus ressuscitado e de sua doutrina contida no Evangelho.
A fé nos dá olhos para ver Cristo glorioso
Quase sempre se fala de Tomé como símbolo de incredulidade. O episódio de hoje, antes de tudo, é mais uma prova da ressurreição de Jesus. Ninguém diga que os apóstolos combinaram o milagre. Ninguém diga que eles criaram a ressurreição para dar certo. A ressurreição foi um fenômeno inteiramente novo.
A incredulidade de Tomé é normal. E ao narrá-la, o evangelista quer dar mais uma prova. Tomé, hoje, sente Jesus ressuscitado pelo olho (viu), pelo ouvido (escutou) e pelo tato (o tocou). Os principais sentidos do homem atestam a ressurreição. A segunda grande lição do episódio de Tomé é a nova forma de perceber Jesus presente na comunidade. Antes, Jesus estava fisicamente presente.
A Tomé ele está gloriosamente presente. Hoje, ele continua na comunidade, presente com outra forma de presença - invisível - , mas tão verdadeira quanto a física e a gloriosa. A fé nos dá olhos suficientes para vê-lo.
Somos bem-aventurados, se cremos sem vê-Lo fisicamente. Somos bem-aventurados se, com a mesma fé de Tomé, com nosso coração, isto é, com nosso ser inteiro, invocarmos a este Cristo presente como “Meu Senhor e Meu Deus”. Todo o Evangelho foi escrito para que reconheçamos Jesus de Nazaré, morto e ressuscitado, como “O Cristo, Filho de Deus”, e nele “tenhamos a vida”.
padre Lucas de Paula Almeida, CM

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