.

I N T E R N A U T A S - M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 25 de abril de 2013

UM NOVO MANDAMENTO: AMAI-VOS UNS AOS OUTROS


V DOMINGO DA PÁSCOA
28 DE ABRIL

Comentário Prof.Fernando


UM NOVO MANDAMENTO: AMAI-VOS UNS AOS OUTROS
========
            Deus nos ama e quer a nossa felicidade.  E como Ele conhece como ninguém o funcionamento  da nossa mente, como Ele conhece os nossos estados emocionais,  Ele deixou-nos através de Seu Filho, a receita, a dica, a regra número um para podermos nos relacionar de forma harmoniosa sem atritos, sem brigas, sem violência e com aquilo que mais se faz necessário na convivência humana, a PAZ.  A paz verdadeira, espontânea e constante.
           

============================
“EU VOS DOU UM NOVO MANDAMENTO: AMEM-SE  UNS AO OUTROS.” – Olívia Coutinho

V DOMINGO DA PÁSCOA

Dia 28 de Abril de 2013

Evangelho Jo,13- 31-35

O amor de Deus, infundido em nossos corações, é a fonte que nos sustenta e nos faz  ser sustento na vida do outro!
Quem ama verdadeiramente, ama com o amor de Deus, abraçando neste amor, até mesmo os inimigos.
O amor é a nossa primeira vocação, Deus nos criou por amor e para o amor!
É impossível encontrar a nossa plenitude sem a vivencia do amor! 
No amor, não existe meio termo, ama, ou não se ama. O nosso amor pelo outro,  tem que ser gratuito, do contrario não é amor, é apenas conveniência.
Fazer o bem ao outro, independente do que ele possa nos oferecer, é amar do jeito de Jesus: gratuitamente, nisto se consiste o verdadeiro amor!
São muitos, os que rejeitam o amor de Deus, para se entregarem aos “amores” do mundo que se fundamenta  em  troca, e não em  gratuidade! Estes, são incapazes de amar, porque se  fecham,  ao amor Maior.
O amor, não é um preceito e  nem  é algo que se impõe , o amor é entrega, é doação, é uma oferta de gratuidade que parte de dentro para fora.
No evangelho de hoje, Jesus nos ensina com a própria vida, o caminho que devemos percorrer se quisermos de fato, permanecer Nele e com Ele: que é  o caminho do amor, que às vezes pode nos parecer difícil, mas nunca intransponível, pois o próprio amor abre caminho!
 O  ponto determinante de todos os  ensinamentos de Jesus sempre foi o amor, Jesus era movido pelo o  amor, por onde Ele passava exalava amor, todas  as suas ações se  convergiam  para o bem do outro e não o seu!
No final de sua trajetória, Jesus deixa grandes  exemplos  para quem  deseja fazer com Ele, o caminho de encontro ou reencontro com o Pai! No episódio do lava pés, Ele nos ensinou na prática, a viver o  amor serviço, ao  se inclinar, numa atitude de humildade, para lavar os pés dos apóstolos.  E já nos seus últimos passos, deixa-nos o exemplo do amor perdão, quando em  respeito a liberdade humana, não se defende da traição de um dos seus.
Certamente, o que doeu mais em Jesus, não foi a dor da  traição em si, e sim, a dor de conhecer o estrago que a ausência do amor, provoca no coração humano.
Concluindo a sua missão aqui na terra, Jesus chega a extremidade do amor:  traído, Ele  toma o caminho da cruz, como um cordeiro, que segue em silencio o caminho da dor, já  sabendo o que lhe reserva pela frente.
 Jesus partirá para o lugar de onde  veio, mas não quer se  separar dos seus amigos,  e,  para continuar unido a eles, deixa-lhes um mandamento novo, uma  síntese de  tudo que ele viveu.
A falta de  amor, separa o homem de  Deus, como separou  Judas, esta, provavelmente,  era a grande preocupação de Jesus: não  ver aconteceu com os demais, o mesmo  que aconteceu com Judas, que deixou se vender, trocando os valores divinos pelos “valores” do mundo, atitude esta, que nunca  levará alguém a um final feliz.
No findar de sua missão terrena, Jesus, divino e humano  é glorificado pelo Pai. O Pai glorifica o Filho, e  é glorificado Nele!
 Deus nunca  separa do  homem, pois Deus é amor, é a falta  de amor, que separa o homem de Deus! Daí, a insistência de Jesus, em querer que todos nós, filhos e filhas de Deus, vivamos no amor, inseridos  no coração de Deus, pois é este, o nosso verdadeiro lugar!
Jesus nos deixa um “mandamento,” no sentido de destacar  a importância do amor na vida de cada um, o que não se trata de uma recomendação e muito  menos de uma lei imposta por Ele , mas sim, de uma condição para que Ele possa estar em nós e nós Nele.  
O mandamento novo, supera todos os mandamentos, ou seja, quem ama como Jesus nos ama, faz a vontade de Deus, por isto, observa os demais mandamentos.
Não pode haver sintonia entre o homem e Deus  sem a vivencia do amor e o  que  Jesus nos pede, é que amemos uns aos outros, com o mesmo amor que Deus  infundiu em nossos corações, amor que só irá  aflorar, quando nos esvaziamos de nós mesmos!
O amor quando vivido na prática, gera vida onde a vida se desfaz, nos torna testemunhas vivas  do amor de Deus no mundo, nos possibilita  viver  a nossa humanidade de forma  divina!
O reino de Deus não se espalha através de cumprimento de normas, de rituais vazios e nem com propagandas, o Reino de Deus, se espalha pelo contagio do amor, pois amor é “contagioso”, pega de um para o outro!
O mandamento do amor é um mandamento sempre novo, pois o amor é atual, não entra em decadência.
A nossa identidade, o que nos distingue como cristão, é a nossa vivencia no amor! Onde não há amor não há vida cristã.
O nosso amor pelo outro, deve ser um amor que responda ao amor de Deus em nós!
Se somos filhos do amor, amor devemos ser!
FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia
============================
5º DOMINGO DA PÁSCOA 28/04/2013
1ª Leitura Atos 14, 21b – 27
Salmo responsorial 144(145) “Ó Meu Deus, meu Rei, eu vos glorificarei e bendirei o vosso nome pelos séulos dos séculos”
2ª Leitura Ap. 21, 1-5ª
Evangelho João 13, 31-33ª.34-35
“A Glória e o Amor” -Diac. José da Cruz

Podemos trocar neste evangelho, a palavra Glória por Sucesso, que significa ser bem sucedido em algum empreendimento humano, obtendo o reconhecimento de todos, recebendo as honras e os elogios, por ter sido o melhor, por ter sido um vencedor. É assim em uma carreira profissional ou política, é assim no mundo das artes, da ciência ou do esporte, onde o mais agil, o mais forte, o mais bem dotado, sempre vence. Uma vitória traz algo muito buscado por todos que é o poder, e quem o alcança tem as pessoas á sua disposição, que irão manifestar sempre o apoio, em uma clara submissão ao seu ídolo. É a glória! Como exclamam feliz, os que a alcançaram. O ídolo se torna uma referência, uma marca, um estilo de vida que irá servir de modelo a todos.
Alimenta-se assim uma verdadeira veneração do Ego do vencedor, que pensa sempre em si mesmo, em seus interesses, em suas conveniências, que planeja e arquiteta sempre o que lhe favorece e lhe faz bem, ou em outras palavras; que tem um “mundo” girando ao seu redor. Em um sistema egoísta que favorece um só ou alguns felizardos, basta olharmos o modelo econômico corrompido pelo neoliberalismo, e que mantém na ponta da pirâmide quem chegou lá, por merecimento ou por mecanismos escusos porque sendo assim, cada irmão ou irmã torna-se um concorrente que deve e precisa ser eliminado, quando se busca o sucesso e a fama. O sistema nos faz pensar e agir desta forma e assim, simples adversários são transformados em inimigos!
Entretanto, a glória para Deus é o oposto do que é para os homens, porque não tem como fundamento o egoísmo, mas sim a solidariedade e um modo de amar que o homem nunca tinha visto ou experimentado antes. Um amor verdadeiro quer construir, renovar, ajudar o outro a crescer, quer a vida e o bem do próximo, quer vê-lo livre para tomar decisões sábias, para conquistar seus ideais, construir sua própria vida e fazer a própria história. Mas tudo isso poderá ter um preço muito alto, que nem sempre estamos dispostos a pagar, pois o sistema nos convence de que, qualquer investimento deverá sempre ser feito para nós mesmos e não para os outros, pois é perigoso ajudar as pessoas a crescerem em dignidade, amanhã elas poderão ser mais um concorrente.
Esse modo de pensar e de viver é sempre perigoso, pois pode representar a perda até da própria vida, é melhor pensar e viver como todos os outros, pois somos condicionados a vencer, ninguém quer perder, ninguém quer a derrota, ninguém deseja o fracasso. Não vale a pena dar a vida pelos outros, ninguém irá reconhecer!
Pois essa é a glória para Deus, quando pensamos e agimos diferente do mundo, por causa do evangelho, Deus é glorificado, porque pensamos e agimos exatamente como o Filho Jesus. Por essa razão que neste evangelho, exatamente quando começa a delinear-se um aparente fracasso do ideal do reino, proposto por Jesus, com a traição de Judas, o Mestre anuncia que o Filho do Homem foi glorificado e que Deus foi glorificado nele. Ao ser glorificado pelo Filho, que não pensa e não age conforme o sistema marcado pelo pecado do egoísmo, mas sim pelos valores do Reino, o Pai o glorificará quando chegar a sua hora, a hora da cruz, que será aparente fracasso para os homens, mas a gloria para Jesus, provavelmente é este o sentido do ensinamento que ele faz aos seus discípulos na citação “quem perder a sua vida por causa de mim, irá ganhá-la”.
Mas como percorrer um itinerário tão desafiador, que vai na contra mão do sistema opressor e explorador? Onde poderá o discípulo encontrar força para seguir o Mestre e trilhar esse mesmo caminho? Na segunda parte deste evangelho Jesus deixa\aos discípulos o seu legado e o seu testamento, que é dado na forma de um mandamento novo “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. Esse amor é muito mais que um sentimento, muito mais que uma virtude, esse amor é o próprio Deus, que tem a força renovadora, única capaz de transformar a tudo e a todos, dando-nos um novo céu e uma nova terra, levando o homem a seu destino glorioso junto a ele. Quem ama como Cristo nos amou, e não tem medo de perder, já antecipa em sua vida um pouco deste novo céu e desta nova terra! Que nossas comunidades sejam assim! Amém. ( V Domingo da Páscoa Evangelho João 13,31 -33.. 34-35)
============================
Evangelhos Dominicais Comentados

28/abril/2013 – 5o Domingo da Páscoa

Evangelho: (Jo 13, 31-33a.34-35)

Assim que Judas saiu, disse Jesus: “Agora o Filho do homem foi glorificado e Deus nele. Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo e o glorificará em breve. Filhinhos, só por pouco tempo estarei convosco. Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros. Assim como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Todos saberão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”.

COMENTÁRIO

Estamos nos aproximando do dia das mães, no próximo mês celebraremos a rainha do lar, e neste evangelho parece que Jesus quer prestar sua homenagem a todas elas. Jesus, com uma ternura materna, chama seus amigos de filhinhos e nos fala de coisas alegres, fala de glória, vida e amor.

Jesus sabe que chegou a sua hora e conversa com seus discípulos. O evangelista narra uma despedida entre pessoas que se amam. A atitude de Jesus é igual daquela mãe que precisa viajar e que vai ficar um bom tempo longe da família. Aproveita até o último minuto para passar orientações aos filhos.

Já está na hora de partir, é a última chamada para o embarque, e a mãe está ali, passando ainda as últimas instruções. Cuide-se! Evite hambúrgueres e refrigerantes, não durma tarde e nem até tarde! Despedida entre pais e filhos parece gravação. As palavras, usadas na despedida, parecem sempre as mesmas.

Não é o que acontece com Jesus. Ele usa palavras profundas. Seu ensinamento agora é para valer, sua preocupação é muito maior do que parece. Vai deixar seus discípulos, os seus filhinhos, à mercê dos inimigos e sabe que só no amor poderão encontrar forças, só a união poderá salvá-los.

Tente imaginar a cara dos amigos de Jesus: deviam estar desanimados, sentindo-se desamparados, talvez com uma vontade enorme de chorar e de acompanhar o Mestre, mas ainda não era chegada a hora, não estavam entendendo nada do que estava acontecendo, nem preparados para enfrentar a realidade.



Jesus sabia até onde poderiam chegar. Eram tão limitados... muito parecidos conosco. Certamente iriam fraquejar na hora de demonstrar força e toda sua fibra. Jesus sabia também que só o tempo, a união, a convivência fraterna e a ação do Espírito Santo poderiam mudar aqueles homens. Jesus também fala de glórias.

Deus Pai dá glória ao Filho, e Jesus com sua obediência, com seu gesto de aceitação e amor, glorifica o Pai entregando-se à morte para redimir a humanidade. A cruz é para Jesus uma forma de glorificação, pois foi através dela que venceu o pecado e a morte. Coisas profundas, difíceis de entender.

Não eram somente os apóstolos que não estavam entendendo nada, nós também nunca entenderemos o porquê de tanto sofrimento. Entregar-se aos malfeitores, submeter-se às humilhações e até mesmo à morte para salvar a todos, inclusive aqueles que queriam matá-lo. Como entender isso?

Nunca entenderemos, porém, com um pouco de boa vontade, podemos pelo menos, perceber o tamanho do amor de Jesus por nós. Esse é o amor que Jesus pede a cada um de nós, seus discípulos. Um amor sem medidas, enorme! Um amor capaz de trazer a paz e a salvação; um amor capaz de devolver a vida ao irmão.

"Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei!" Jesus não manda simplesmente amar, tem que ser do seu jeito, da sua maneira. Quem souber amar com essa intensidade estará testemunhando que um novo céu e uma nova terra já começaram.

"Amem-se uns aos outros, essa será a grande prova que vocês são meus discípulos". Realmente, Jesus tem toda razão, não basta carregar no peito, um crachá escrito “cristão” e a Bíblia debaixo do braço, sem viver a aproximação e a partilha. O que identifica o cristão é o amor. Essa é a mensagem de Jesus.

Ele manda amar sem restrições, sem olhar raça, cor ou classe social. Jesus quer que amemos também aqueles à quem relutamos dar amor. O jeito novo de Jesus manda amar da forma como amam as mães; sem restrições, sem divisões... amar não só porque o outro merece, mas sim, porque ele precisa do nosso amor.

 (1799) / (2761)

============================
DOMINGO
João 13,31-33a.34-35
:  “Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros - - Maria Regina.
                       Com este mandamento : “amai-vos uns aos outros.Como eu vos amei, assim também vós deveis amar uns aos outros”Jesus mostra aos discípulos a maneira pela qual ele estará presente no meio deles e desta forma direciona o comportamento dos discípulos.Estes devem se orientar pelo amor que receberam de Jesus,e este amor em cada um deve representar para o outro o próprio amor de Jesus,aceitando o outro como ele é ,ajudando-o,prestando atenção às suas necessidades , exatamente como fazia Jesus.
               Com estas palavras,Jesus nos propões um grande desafio :que nos amemos uns aos outros,da mesma forma como ele nos amou,porém é necessário entendermos Seu amor por nós.Cristo nos amou doando-Se até a morte, sendo humilhado, espancado, cuspido, zombado e derramando todo o Seu sangue por nós na Cruz.Assim Jesus nos ensina que amar implica em ação, em desprendimento,em despojamento, em doação.Amar é decisão.O mandamento de Cristo é novo pelo seu conteúdo,e mais ainda pela sua possibilidade.
            Jesus viveu pelo amor e por amor,e experimentou esse amor até as últimas conseqüências,o poder deste amor,levou a Jesus a nos perdoar e morrer por nós.Amando-nos, Jesus nos resgatou, nos livrou das trevas,nos levou para luz,e isso só amor pode fazer.Esse amor de Jesus por nós ,nos fez filhos do mesmo Pai.Portanto somos todos irmãos,e como irmãos,devemos nos amar uns aos outros:Reflita,Acreditas que cada um de nós e capaz de oferecer amor a este mundo?E você ,ama simplesmente,ou impõe condições para  amar?Acreditas que só amor pode transformar esse mundo?Lembremo-nos que  seremos conhecidos como discípulos de Cristo pelo amor com que amarmos as pessoas, e principalmente pelos nossos atos.Qual a  medida deste amor?E a mesma medida com que Ele nos amou!É um amor sem medidas.
Amém
Abraço carinhoso

============================
DOMINGO DIA 28 DE ABRIL
João 13, 31-35

erusalém, Jerusalém! Quantas vezes eu quis reunir teus filhos, mas tu não quiseste!
O Evangelho de hoje começa com alguém sugerindo a Jesus que fosse embora de Jerusalém, porque Herodes queria matá-lo. Herodes não se dava bem com profetas. Já tinha mandado matar João Batista, e agora tentava desfazer-se de Jesus, intimidando-o, para que se afastasse do seu território. Herodes tinha medo de os profetas, com a sua influência sobre o povo, desestabilizarem o seu poder e o seu prestígio.
Mas Jesus é um profeta corajoso: “Ide dizer a essa raposa: eu expulso demônios e faço curas hoje e amanhã; e no terceiro dia terminarei o meu trabalho”. Foi uma referência à sua ressurreição, três dias após a sua morte.
Nenhuma ameaça detinha Jesus; ele continuava fazendo o bem e cumprindo a missão que o Pai lhe confiara.
Jesus não procurou a morte, mas também não correu dela. Ele não queria morrer, como qualquer ser humano não quer morrer. Ele queria viver na terra noventa anos ou mais, a fim de consolidar bem o Reino de Deus.
Mas quando colocaram a morte no seu caminho, ele não arredou o pé. Foi duro para ele, como para qualquer ser humano; chegou a suar sangue, mas ficou firme.
Quando S. Pedro, diante do perigo da condenação de Jesus em Jerusalém, sugeriu a ele que não fosse para lá, Jesus lhe deu uma resposta pesada: “Vai para trás de mim, satanás! Tu estás sendo para mim uma pedra de tropeço, pois não tens em mente as coisas de Deus, e sim, as dos homens!” (Mt 16,23).
“Coisas de Deus” é fazer a vontade de Deus, confiando nele e arriscando até a vida terrena. “Coisas dos homens” é querer salvar a vida terrena, mesmo que se afaste um pouco da vontade de Deus. Jesus caminhava para Jerusalém porque fazia parte da sua missão recebida do Pai.
Que bom se nós fôssemos assim! “Tenham em vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus” (Fl 2,5).
“Se alguém quer me seguir, tome a sua cruz...” (Mc 8,34).
“Jesus Cristo me deixou inquieto, com as palavras que ele proferiu. Nunca mais eu pude olhar o mundo sem sentir aquilo que Jesus sentiu” (Música do Pe. Zezinho).
Vamos renunciar aos nossos interesses pessoais, e acolher com generosidade as mensagens dos profetas católicos de hoje, ainda que exijam de nós mudanças profundas!
Havia, certa vez, uma jovem, que cursava o primeiro ano de faculdade, e andava muito deprimida. Ela era, por sinal, uma garota muito bonita.
Um dia, ela foi ao banheiro da faculdade, olhou-se no espelho e pensou: como estou feia! E deu-lhe vontade de chorar.
Naquele instante, sentiu algo bater na sua perna. Olhou. Era uma moça cega, com a sua bengala, que lhe perguntou: “Moça, onde é a pia?” A cega também estudava na universidade, apesar da sua limitação. E, ali no banheiro, perdida, pediu ajuda a quem sentiu que estava na sua frente.
A menina que estava deprimida recebeu aquilo como um sinal de Deus. Deus estava lhe dizendo que o sentido da vida não está em ser bonita ou feia; está em servir o próximo.
O mundo está aí, em volta de nós, precisando de alguém que lhe ajude. Não podemos nos fechar em nosso mundinho! A garota ajudou a colega cega, da melhor maneira que pôde, e a fossa sumiu de uma vez.
Deus nos manda profetas e profetizas, que nos falam das mais diversas formas. Que saibamos entender e acolher as suas mensagens, não imitando o povo de Jerusalém do tempo de Jesus.
A firmeza de Maria Santíssima, cujo coração foi transpassado pela espada de dor, seja para nós um exemplo. E que ela nos ajude a seguir o seu Filho, para onde quer que ele vá.
Jerusalém, Jerusalém! Quantas vezes eu quis reunir teus filhos, mas tu não quiseste!

Padre Queiroz


============================



Dia 25 de Abril 2013

Evangelho de Mc 16,15-20

 “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o evangelho a toda criatura!” Esta, foi a convocação  que Jesus  fez aos primeiros discípulos, antes de sua volta para o Pai, convocação decisiva, que mudou a história de um povo!
A partir desta convocação, abriram-se as cortinas de uma nova era, sinalizando os primeiros passos da igreja missionária, que através do testemunho dos discípulos, tornou Jesus conhecido em todos os rincões da terra! 
O anuncio do Reino se espalhou por todo o universo, como fagulhas de fogo, incendiando o coração da humanidade com a presença viva do Cristo libertador. Um anuncio, que tirou uma multidão da solidão das trevas e replantou  em seus corações, a semente da fé e da esperança.
Hoje, somos nós, os convocados para dar continuidade a esta missão!  É urgente a necessidade de fazer chegar a outros corações, o anuncio do Reino de Deus, de um reino de amor e de justiça  implantado por Jesus aqui na terra! Não podemos deixar que outros irmãos, privem-se da alegria de vivenciar a presença deste Reino em suas vidas!
“Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado.” Eis ai, a responsabilidade de quem assume o compromisso de anunciar o Reino de Deus, pois  é a partir deste anuncio, que muitos vão conhecer a verdade que liberta! Por tanto, como seguidores e anunciadores de Jesus,  somos co-responsáveis  pela salvação do outro.
Antes, pensávamos que esta missão, era  específica  aos  padres , bispos, religiosos,   hoje  sabemos que é missão de todo batizado!
 A partir do nosso batismo, assumimos o compromisso de anunciar Jesus. Não precisamos partir para terras estrangeiras, como fizeram os primeiros discípulos, podemos anunciá-lo no meio em que vivemos.  E mesmo quando pensamos não ter uma sabedoria  suficiente para anunciá-Lo com palavras, podemos fazer Jesus chegar  ao coração do outro pelo nosso testemunho de vida!
O anuncio do reino, só produzirá frutos, quando feito através do mergulho na profundidade do amor, Isto é, só quem vive o amor faz Jesus chegar ao outro!
Todo aquele que se abre ao amor, aceita a proposta de Jesus, tornando portador e anunciador da verdade que liberta!
Crer Naquele que o Pai enviou, é comprometer-se com a vida, é tornar-se servidor do Reino!
O crer que implica a adesão concreta ao projeto de Deus insere o discípulo na vida eterna!
O evangelho de hoje provoca-nos a uma tomada de posição: Estar com Jesus, ou não estar com Ele!  Podemos escolher em dar a Ele uma resposta de fé, ou uma resposta de descrença. A fé, e descrença já contêm o juízo de Deus: salvação, ou condenação.
 É importante conscientizarmos, de que a condenação não vem de Deus, nós é que nos condenamos quando não acolhemos e não colocamos a sua verdade de Deus  no nosso existir!
 É o próprio Jesus quem nos diz: ”Quem crer será salvo, quem não crer já está condenado”.
Quem não crer não será salvo, pois não viverá de acordo com os seus ensinamentos.
Crer em Jesus é continuar a sua presença atuante aqui na terra, não crer, é não assumir o seu projeto de vida, por tanto, é não seguir as suas pegadas, é rejeitar a luz.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia 

============================
A fundação da Igreja não terminou ainda: Cristo continua fundando-a ainda hoje, ainda agora, nesta Eucaristia sagrada!

Durante todo o tempo pascal a Igreja nos faz contemplar o Ressuscitado e o fruto da sua obra: o dom do Espírito, a nossa santificação, os sacramentos que nascem do seu lado aberto, a Igreja, sua Esposa, desposada no leito da cruz...
Hoje, precisamente, é para a Igreja, comunidade nascida da morte e ressurreição de Cristo, que a Palavra de Deus orienta o nosso olhar.
Primeiramente, é necessário que se diga sem arrodeios: Cristo sonhou com a Igreja, a amou e fundou-a. A Igreja, portanto, é obra do Cristo, foi por ele fundada e a ele pertence! Ela não se pertence a si mesma, não se pode fundar a si própria, não pode estabelecer ela própria a sua verdade. Tudo nela deve referir-se a Cristo e a ele deve conduzir! Mas, há mais: não é muito preciso, não é muito correto dizer que Cristo “fundou” a Igreja. Não! A fundação da Igreja não terminou ainda: Cristo continua fundando, Cristo funda-a ainda hoje, ainda agora, nesta Eucaristia sagrada! Continuamente, o Cordeiro de pé como que imolado, Cabeça da Igreja que é o seu Corpo, funda, renova, sustenta, santifica, sua dileta Esposa pela Palavra e pelos sacramentos: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la com o banho da água e santificá-la pela Palavra, para apresentá-la a si mesmo a Igreja, gloriosa, se mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível!” (Ef 5,25-27). São afirmações impressionantes, belas, profundas: (1) Cristo amou a sua Igreja e, por ela, morreu e ressuscitou; (2) pela sua morte e ressurreição, de amor infinito, ele purifica continuamente a sua Igreja, santifica-a totalmente, sem desfalecer. Por isso a Igreja é santa, será sempre santa e não poderá jamais perder tal santidade, apesar das infidelidades de seus membros! (3) Este processo de contínua fundação e santificação da Igreja em Cristo dá-se pelo “banho da água” – símbolo do Batismo e dos sacramentos em geral – e pela “Palavra” – símbolo da pregação do Evangelho. Então, Cristo continua edificando sua Igreja neste mundo pela Palavra e pelos sacramentos, sobretudo o Batismo e a Eucaristia. A Igreja não se pertence: ela é de Cristo! E, como esposa de Cristo, é nossa Mãe: ela nos gerou para Cristo no Batismo, para Cristo ela nos alimenta na Eucaristia e de Cristo ela nos fala na sua pregação! Ela é a nossa Mãe católica, desposada pelo Cordeiro imolado na sua Páscoa, como diz o Apocalipse: “estão para realizar-se as núpcias do Cordeiro e sua Esposa já está pronta: concederam-lhe vestir-se com linho puro, resplandecente!” (19,7s).
Pois bem, esta Igreja, tão amada por Cristo, tão nossa Mãe, deve caminhar neste mundo nas dores de parto. Temos um exemplo disso na primeira leitura da Missa de hoje. Paulo e Barnabé vão animando as comunidades, “encorajando os discípulos ... a permaneceram firmes na fé”, pois “é preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”. Assim caminha o Povo de Deus, Comunidade fundada por Cristo e vivificada pelo seu Espírito: entre as tribulações do mundo e as consolações de Deus. Muitas vezes, a Igreja enfrentará dificuldades por parte de seus inimigos externos – aqueles que a perseguem direta ou veladamente, aqueles que desejam o seu fim e, vendo-a com antipatia, trabalham para difamá-la. Mas, também, muitas vezes, a provação vem de dentro da própria Igreja: das fraquezas de seus membros, dos escândalos provocados pela humana fraqueza daqueles que deveriam dar exemplo de uma vida nova em Cristo Jesus. Se é verdade que isto não fere a santidade da Igreja - porque essa santidade vem de Cristo e não de nós -, por outro lado, é verdade também que nossos escândalos e maus exemplos atrapalham e muito a credibilidade do nosso anúncio do Evangelho e a credibilidade do próprio Evangelho como força que renova a humanidade! Infelizmente, enquanto o mundo for mundo, enquanto a Igreja estiver a caminho, experimentará em si a debilidade de seus membros. Assim, foi no grupo dos Doze, assim, nas comunidades do Novo Testamento, assim é hoje. É interessante que o Evangelho de hoje começa com Judas, o nosso irmão, que traiu o Senhor, saindo do Cenáculo, saindo do grupo dos Doze, saindo da Comunidade: “Depois que Judas saiu do cenáculo”... – são as primeiras palavras do Evangelho... E, no entanto, apesar da fraqueza de Judas e dos Doze, apesar da nossa fraqueza, Jesus continua nos amando e crendo em nós: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros”. Não tenhamos medo, não desanimemos, não nos escandalizemos: o Senhor está conosco, ama-nos, porque somos o seu rebanho, as suas ovelhas, a sua Igreja. Ama-nos e derramou sobre nós o seu amor e sua força que é o Espírito Santo!
Se agora vivemos entre tribulações e desafios, nossa esperança é firmemente alicerçada em Cristo; nele, venceremos, nele, a Mãe católica, um dia, triunfará, totalmente glorificada e tendo em seu regaço materno toda a humanidade. Ouçamos – é comovente: “Vi um novo céu e uma nova terra... O primeiro céu e a primeira terra passaram e o mar já não existe” – o Senhor nos promete um mundo renovado, sem a marca do pecado, simbolizado pelo mar. “Vi a Cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, vestida qual esposa enfeitada para o seu marido”. - É a Igreja, totalmente renovada pela graça de Cristo, totalmente Esposa, numa eterna aliança de amor, realizada na Páscoa e consumada no fim dos tempos! “Esta é a morada de Deus entre os homens. Deus vai morar no meio deles. Eles serão seu povo, e o próprio Deus estará com eles”. - A Igreja é o “lugar”, o “espaço” onde o Reino acontece visivelmente: Deus, em Cristo, habita no nosso meio e será sempre “Deus-com-eles”, Deus-conosco, Emanuel! “Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, nem morte, porque passou o que havia antes. Aquele que está sentado no trono disse: ‘Eis que eu faço novas todas as coisas’”.
Olhem para mim, olhem-se uns para os outros! Somos a cara da Igreja, o cheiro da Igreja, a fisionomia da Igreja, a fraqueza e a força, a fidelidade e a infidelidade, a glória e a vergonha da Igreja! Tão pobre, tão frágil, tão deste mundo... mas também tão destinada à glória, tão divina, tão santa, tão católica, tão de Cristo! Coragem! Vivamos profundamente nossa vida de Igreja; é o único modo de ser cristão como Cristo sonhou! Soframos as dores e desafios da Igreja agora, para sermos partícipes da vitória que Cristo dará a Igreja na glória! Como diz o Apocalipse, "estas palavras são dignas de fé e verdadeiras”.
dom Henrique Soares da Costa

============================
A fé em Jesus Cristo ressuscitado nos dá a certeza de sua presença no meio de nós. Ele nos oferece o caminho da plena realização humana, dando-nos o mandamento novo. Pelo amor uns aos outros, revelamos que somos discípulos de Jesus (evangelho). Ele nos amou primeiro, entregou sua vida pelo resgate da dignidade de todos os seres humanos. Essa boa notícia precisa ser acolhida e anunciada com entusiasmo. Todo discípulo é também missionário. O discípulo missionário vive e orienta sua vida comunitariamente (I leitura). Uma comunidade de amor torna-se espaço sagrado, pois aí mora Deus. Toda a humanidade é chamada a viver de modo a respeitar a presença de Deus, que, definitivamente, estabeleceu sua tenda no mundo. Sua presença transforma todas as coisas. A utopia de um novo céu e uma nova terra torna-se realidade (II leitura). Acolher essa verdade implica viver e promover novas relações entre nós, seres humanos, com a natureza e com todo o universo.
Evangelho (Jo 13,31-33a.34-35)
O estatuto da nova comunidade
Este texto está situado logo após o relato do lava-pés e do anúncio da traição de Judas. No lava-pés, durante a Ceia, Jesus dá o exemplo do que significa amar. Respeita a liberdade do ser humano, mesmo que isso implique prejuízo da própria vida. Ele a entrega também para o seu traidor. O amor de Jesus não julga, não usa de violência nem condena. O fruto desse seu amor livre e radical consiste na salvação do mundo. Esse amor, puro dom, deve ser entendido e posto em prática por seus discípulos.
A glória de Deus manifesta-se em Jesus, seu Filho encarnado, que realiza em plenitude o projeto do Pai. O amor infinito de Deus é comunicado a toda a humanidade por meio de Jesus. O advérbio “agora” refere-se aos últimos acontecimentos da vida de Jesus. Paradoxalmente, em sua morte manifesta-se sua glória e a do Pai. Em 12,23-24 Jesus anunciara: “É chegada a hora em que será glorificado o Filho do homem. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo que cai na terra não morrer, permanecerá só; mas, se morrer, produzirá muito fruto”. O “agora” (a hora de Jesus) supera o sentido cronológico, para indicar a maneira pela qual Jesus cumpre fielmente a missão a ele confiada pelo Pai. Ambos vivem em total intimidade, ambos são glorificados pela entrega da vida que Jesus faz, livre e conscientemente, em resgate da vida de todos (vv. 31-32).
Ao anunciar aos discípulos a sua partida iminente, Jesus enfatiza o que deve caracterizar a vida da comunidade de fé. O amor que ele manifestou, na fidelidade ao Pai, com todas as suas consequências, deve ser a nota distintiva dos seus seguidores. O novo mandamento do amor é a síntese de toda a Lei da Nova Aliança. Constitui o estatuto que fundamenta a comunidade cristã. É importante prestar atenção na partícula “como”. Amar como Jesus amou é viver cotidianamente a atitude de serviço. Lembremo-nos que esse novo mandamento é formulado no contexto do lava-pés. O amor estende-se também aos inimigos. Mesmo traído por um membro do seu grupo íntimo, Jesus não entra no jogo da vingança, da violência e do ódio. Ele respeita a liberdade alheia e permanece em atitude de amor-serviço. Os discípulos estão convidados a amar como o Mestre.
1º leitura (At. 14,21b-27)
O cuidado com a comunidade
O episódio situa-se no contexto da primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé. Estão no caminho de volta para Antioquia da Síria, de onde partiram como delegados daquela comunidade cristã. Em cada local por onde passam, os missionários organizam uma Igreja, formada pelas pessoas que aderem à fé em Jesus Cristo. Sempre que possível, visitam as comunidades, para “confirmar o coração dos discípulos, exortando-os a permanecerem na fé”, mesmo no meio de conflitos de toda ordem. Designam “anciãos” (presbíteros), lideranças responsáveis pela animação da comunidade, tendo em vista a fidelidade ao evangelho aí anunciado. Em cada Igreja, estabelecem uma estrutura básica para assegurar a perseverança no caminho de Jesus.
Esse cuidado expresso pelos missionários revela profunda convicção da verdade anunciada, Jesus Cristo, o Salvador. Em vista desse anúncio, enfrentam todo tipo de tribulação. Atentando para a experiência vivida ao longo dessa primeira viagem, Paulo e Barnabé preocupam-se com os novos convertidos, a fim de que se mantenham fiéis à verdade que, de agora em diante, deve governar a vida da comunidade. Os recém-convertidos, certamente, ainda necessitam de uma catequese mais profunda, e, além disso, sua adesão ao novo caminho deve ter provocado incompreensões e até cisões na própria família. Outrossim, num mundo onde proliferavam doutrinas e filosofias diversas, como era o greco-romano, faziam-se necessárias orientações claras para que o evangelho não fosse deturpado ou manipulado.
Viver na fidelidade a Jesus Cristo é como “remar contra a corrente” das ideologias dominantes. A fidelidade à Verdade pode provocar tribulações. O sofrimento, porém, longe de levar ao desânimo, deve tornar o discípulo ainda mais fortalecido em sua opção pelo reino de Deus. Para isso, a oração em comum e a solidariedade fraterna são fundamentais.
2º leitura (Ap. 21,1-5a)
Um novo céu e uma nova terra
Este texto tem ligação com os primeiros capítulos do Gênesis. Refere-se a uma nova criação. É o anúncio da era messiânica. A antiga ordem, alicerçada no mal, passará. O mar, morada do dragão da maldade, vai desaparecer. Não se trata, logicamente, do mar físico, mas do símbolo do caos construído pelos que seguem o projeto de Satanás – que, no caso das comunidades do Apocalipse, se refere ao império romano.
Esta nova ordem social – o novo céu e a nova terra – é fruto da intervenção divina. O Criador de todas as coisas, conforme descrito no início do primeiro livro da Bíblia, é também aquele que renova todas as coisas, conforme descreve o último livro. Ambos os relatos não se opõem, mas completam-se. O relato do Gênesis revela o rosto de Deus criador, que convive com suas criaturas e dialoga com o ser humano; do mesmo modo, o Apocalipse resgata essa feliz realidade da presença de Deus que recria e transforma.
A tenda definitiva nesta cidade santa – a Jerusalém nova – relembra a ação de Javé na caminhada do êxodo, conduzindo o povo de Israel para longe da escravidão do império egípcio. Agora, as comunidades cristãs, em meio à violenta opressão do império romano, iluminadas pela manifestação de Deus na tradição judaico-cristã, vislumbram a certeza da libertação definitiva.
O mundo sem males sempre motivou a caminhada do povo de Deus, sobretudo em contextos sociopolíticos caracterizados pelo autoritarismo, pela escravidão e pela exclusão da maioria. A monarquia israelita e os diversos domínios externos (babilônico, persa, grego e romano) são demonstrações mais que suficientes do poder do mal. Apesar de sua força e de suas pretensões, não poderão, porém, impedir a vinda do novo tempo da justiça e da paz. A tradição profética, de maneira especial, levantou continuamente a perspectiva da esperança militante, animando o povo à fidelidade à aliança (cf., por exemplo, Jr. 31,31-34 e Is. 65,17-25). Mas, sempre que essa fidelidade é rompida, Deus demonstra sua justiça e sua misericórdia, oferecendo gratuitamente a salvação. A expressão máxima da salvação divina revelou-se em seu Filho, Jesus Cristo, o Cordeiro que tira o pecado do mundo.
Pistas para reflexão
Jesus, antes de formular o estatuto da nova comunidade – o mandamento do amor –, viveu exemplarmente. O lava-pés caracteriza-se como a atitude-síntese de toda a vida de Jesus: ele veio para servir e não para ser servido. Seu testemunho de vida se dá junto à pequena comunidade constituída pelos apóstolos; eles deverão viver esse mandamento como condição para serem reconhecidos como seguidores de Jesus. Como fez o Mestre, os discípulos são chamados à opção radical pelo amor até a extrema fidelidade: dar a vida por quem se ama. Nisso consiste a glória de Deus.
Paulo é um dos que optaram por esse amor radical. Como discípulo missionário, põe-se a serviço da organização e da animação de comunidades cristãs. Participa de uma comunidade concreta – Antioquia da Síria – e é enviado com Barnabé para a missão. Ambos enfrentam todo tipo de conflitos e tribulações, mas não se deixam abater, pois são movidos por profunda convicção de fé. O sofrimento por causa da fidelidade ao evangelho pode ser importante fator que nos faz sair da superficialidade e entender o verdadeiro significado do seguimento de Jesus.
As comunidades do Apocalipse dão seu testemunho de fé e esperança no meio da opressão do império romano. Ligando a realidade com a Sagrada Escritura, professam sua fé na presença permanente e dinâmica de Deus, que fez sua tenda no meio de nós e renova todas as coisas.
Enfrentamos hoje muitos desafios. Também nós, como discípulos missionários de Jesus, somos convidados a manter a fidelidade ao mandamento do amor em forma de solidariedade e apoio mútuo, em serviços concretos a partir da nossa comunidade de fé. A certeza da presença de Deus em nosso meio nos faz colaborar com sua graça na construção de um mundo justo e fraterno.
–Ao refletir sobre o amor como o estatuto da comunidade, podem-se recordar as prioridades pastorais na paróquia, pois são expressões concretas do nosso amor diante dos desafios da realidade em que vivemos...
Celso Loraschi
============================
Quando se ama de verdade
Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros (Jo.  13, 35).
Aos poucos vamos avançando em nosso grande e alegre  retiro do tempo pascal.  O evangelho hoje proclamado, é tirado do Discurso de despedida de Jesus, no texto do quarto evangelista. O Mestre está consciente da proximidade de sua paixão e morte.  O traidor já saiu para realizar seus propósitos.  Jesus afirma: “Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco”.   Tem diante de seus olhos o espectro da paixão.  Será preciso ficar fiel ao Pai até o fim.  Ele viera da parte de seu Pai para  salvar o mundo, para resgatar os perdidos,  para  dizer com palavras e gestos que o amor é mais forte do o ódio, que a morte é vencida pela força do amor.  Poderá  dizer que amor é dar a vida pelos seus.
Jesus fala de um mandamento novo.  Existem muitas modalidades de bem querer, de amor. Há esse amor “química”.  Há os laços amorosos entre homem e mulher, pais e filhos,  parentes, amigos.  Nem sempre esses amores se revestem de limpidez.  Há  sentido de posse.  Não poucas vezes ficamos sabendo de crimes passionais,  de pais que são assassinados pelos filhos,  de amigos que se tornam inimigos.  Muitos discursos sobre o amor, cheios de emotividade e regado com lágrimas que secam rapidamente, não podem ser classificados de amor.
Amar é desejar que o outro seja e  seja em plenitude.  É dar espaço para ele cresça. É se interessar pelo seu presente e ajudá-lo a preparar o futuro. É incentivar, animar, ajudar.  É corrigir, exortar, agir com firmeza.  É dizer sim quando o sim faz crescer.  É colher aquele que está  jogado à beira da estrada,  leva-lo pessoalmente à hospedaria do coração,  curar-lhe as feridas,  deixar dinheiro na recepção para que suas necessidades possam ser atendidas.
Amar é dar tempo para o outro, vida para os desanimados.  É inventar meios e modos de quebrar a solidão do semelhante. É  colocar esse outro em primeiro lugar. É  dominar o desejo legítimo de brigar, de gritar e de vociferar  quando alguém é atingido em sua honra e em seus bens.  É ter, como dizia  Francisco de Assis, o inimigo como irmão.
Amar é engajar-se em todos os movimentos que libertam as pessoas da miséria, que defendem seus direitos, busca os  dependentes de álcool e de drogas.  É visitar os presos que vivem no inferno de nossas prisões, os doentes que esperam apenas a chegada da morte.
Nada mais importante e urgente que o amor.  Trata-se de amar na qualidade do amor do  Senhor Jesus. É esse o novo mandamento.  “Como eu vos amei, assim vós deveis amar-vos uns aos outros”.
Retomamos a passagem do evangelho que abriu esta nossa reflexão:   não temos uma carteira numerada que garanta que somos discípulos de Jesus.  Não são as missas e orações, eventuais jejuns e penitências que provam que somos discípulos. Seremos assim reconhecidos se tivermos amor uns pelos outros e ponto final…
frei Almir Ribeiro Guimarães
============================
O novo mandamento e a nova criação
“Novo” é uma palavra mágica, que domina a publicidade e os jornais, mas também traduz a esperança que se expressa em numerosas páginas da Bíblia. O entendimento do cristianismo é baseado na sucessão da antiga e da nova Aliança, do antigo e do novo Povo de Deus. E, também, na passagem da antiga para a nova vida (páscoa, batismo!) e na observância de uma nova Lei em vez da antiga. Vivemos da perspectiva de uma total renovação. Esta perspectiva se expressa, na liturgia de hoje, sob as imagens de um novo céu e uma nova terra, uma nova Jerusalém e uma nova criação. Entretanto, parece que tudo fica no velho …
Por isso, importa refletir sobre o próprio da novidade que Jesus Cristo nos propõe, nas simples palavras de Jo. 13,34: “Dou-vos um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros”. A própria construção da frase, o paralelismo dos 1° e 3°, 2° e 4° segmentos da frase, sugere que o “novo” deste mandamento (1º segmento) consiste, exatamente, no “como eu vos amei” (3º segmento). Nem a palavra “amar”, nem o mandamento do amor são novos (cf. Lv. 19,18 etc.). Novo é amar como Jesus, amar em Jesus, por causa de sua palavra (evangelho).
Tudo tem um contexto histórico. Também esta frase. Seu contexto é complexo.
Por um lado, existia no judaísmo o amor ao próximo, no sentido de membro da comunidade, combinado com o respeito pelo estrangeiro que morava na vizinhança, e com certa filantropia para com os outros seres humanos. Existia também o amor humano do mundo grego, espécie de filantropia universal, baseada na igualdade essencial do ser humano (pelo menos, em teoria); era um amor antes ao longínquo do que ao próximo, porque o longínquo não incomoda … Existia também o amor erótico. Existia a amizade. Mas, como diz Paulo em Rm 5,7-11, mesmo a amizade não produz o efeito de alguém dar sua vida pelo amigo; quanto menos pelo inimigo! Ora, o amor de Cristo é um amor dando vida, dandosua vida em prol dos “irmãos”, subentendendo-se que irmão pode ser qualquer um que, pelo Pai, é levado a Cristo ou à sua comunidade. É possível existir tal amor em outros ambientes culturais e religiosos. E nem todos os cristãos vivem, ou pretendem viver, o mandamento do amor que Cristo ilustrou com sua morte. Porém, não se conhece outra comunidade que se caracterize especificamente por este mandamento. “Nisso conhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns pelos outros” (13,35). E bem aquele amor que é ilustrado pelo contexto literário de Jo. 13,31-35 (contexto anterior: o lava-pés, sinal de amor até o fim; contexto posterior: o amor até o fim em realização: a morte na cruz).
Onde reina este amor, as coisas não ficam como estão. O status quo é garantido pelo instinto de conservação do homem: ninguém quer sacrificar algo a favor dos outros “primeiro eu, depois meu vizinho”. Quem quebra o status quo é Deus. É dele que podemos esperar a total novidade (pois deixar tudo como está não parece ser a melhor das soluções). É o que sonha o autor do Ap. (2ª  leitura). No fim da História, ele vê um novo céu e uma nova terra (realização de Is. 65,17). Não tem mar, moradia do Leviatã. A nova realidade tem a aparência de uma noiva enfeitada para seu esposo: as núpcias messiânicas. É a moradia de Deus com os homens (cf. Ez. 37,27). É a nova Aliança: eles serão seu povo e ele será seu Deus (ibid.). É a plenitude do Emanuel, Deus-conosco (Is. 7, 14ss). É a consolação completa (Is. 25,8; 35,10). É tudo o que se pode esperar. É a nova criação (cf. Is. 65,17).
O sonho da nova criação … Os que dizem que a utopia é a mola propulsora da História geralmente não concebem tal utopia como sendo a de Deus. Preferem ter sua própria utopia. Ora, quem reflete um pouco, deve entender que a utopia é coisa importante demais para depender do ser humano … Ou deveremos pensar como o filósofo: “Eu posso conceber que, em vez do homem individual, a própria lógica da História estabeleça a utopia”? Mas quem perscruta a lógica da História? .. Portanto, é bom sermos dirigidos por uma utopia que venha de Deus. E como é que a conhecemos? Pela fé em Jesus Cristo, que inspirou o autor do Apocalipse. Na medida em que o sonho do visionário de Patmos traduz a plenitude do “novo” que Jesus nos deixou – o amor segundo o seu exemplo – nós também podemos sonhar nesta linha. Um sonho não é científico, mas nos transmite uma mensagem: a mensagem da ausência de todo o mal, agressividade, exploração, opressão, divisão … Convida-nos a nos empenhar nesta direção. Nisto está sua força propulsora.
Aquilo que “Deus obrou com Paulo e Barnabé”, na 1ª  viagem de missão, início da grande expansão do cristianismo no mundo não judeu (1ª  leitura; cf. dom. pass.), se inscreve nesta utopia. Quem move esta obra é Deus. “Que todas as tuas obras te louvem, Senhor” (salmo responsorial).
Johan Konings "Liturgia dominical"
============================
Glorificação e amor
Esse Evangelho refere-se ao momento em que, após ter anunciado a traição de Judas, Jesus fala de sua glorificação como realidade presente, unida à sua paixão. Esses fatos O afastarão de seus discípulos mas, antes de deixá-los, assegura a sua presença através do amor.
Remetendo-nos ao contexto histórico, o amor é visto de diferentes formas: No judaísmo amar o próximo era amar os membros de sua comunidade, respeitar os estrangeiros que vivessem na vizinhança e praticar filantropia; já no mundo grego amavam-se, antes, quem estava longe que o próximo, pois quem está longe não incomoda e este amor é colocado menos à prova.
Na liturgia de hoje, o novo na proposta de Jesus não é o amor, pois este mandamento Ele já havia ensinado. É o “novo mandamento “ que ensina a forma de amar com a intensidade que Ele sempre amou, sem impor condições ou esperar algo em troca. É preciso amar em Jesus, por Jesus e com Jesus, amor este que Ele demonstra de uma forma especial amando seu próprio traidor e se doando por todos até as últimas conseqüências na morte de cruz.
Uma comunidade onde reina o verdadeiro amor é uma comunidade justa e fraterna. Isto parece ser uma utopia, um sonho, pois o homem dificilmente consegue amar com essa grandeza. Ninguém quer sacrificar seus interesses em benefício do outro, nos dias de hoje, e o que se vê são injustiças, guerras, fome, abandono, enfim violência de todas as formas, e diante disto todos se sentem incapazes achando mais fácil acreditar que não se pode fazer nada. Uma pessoa sozinha não pode mesmo fazer muito, mas Jesus faz uma aliança com seu povo, e sempre que se ama verdadeiramente não se ama sozinho, pois Jesus ama junto.
Este é o legado deixado por Ele, o sentido de sua missão, a orientação mais importante para seus seguidores que ainda não estão preparados para a missão, mas que ao receberem o Espírito Santo serão capazes de uma missão semelhante a de Jesus. Se observarmos bem, a instrução de Jesus, neste momento, não é para amar a Deus ou a Ele, e sim ao próximo, pois amando ao próximo ama-se verdadeiramente ao Pai e ao Filho.
============================
O distintivo do discípulo
A profissão de fé no Cristo Ressuscitado incide, diretamente, na vida do discípulo. Ela não é um discurso vazio, uma abstração intelectual, nem tampouco uma bela teoria. A fé consiste em acolher Jesus de tal forma, que toda a existência do cristão passe a ser moldada por esta opção. E o molde da vida cristã é a vida de Jesus. Seu distintivo é o amor mútuo.
Estando para concluir o ciclo de orientações aos discípulos, o Mestre resumiu tudo quanto havia ensinado, num único mandamento, chamado de mandamento novo: "Amem-se uns aos outros, como eu amei vocês". A prática do amor mútuo é a expressão consumada da fé em Jesus. Não existe fé cristã autêntica, se não chegar a desembocar no amor.
Não se trata de um amor qualquer. O modelo é: amar como Jesus amou as pessoas, a ponto de entregar a própria vida para salvá-las.
O verdadeiro discípulo distingue-se pelo amor. Quanto mais autêntico e radical for este amor, mais revelará o grau de sua adesão a Jesus.
A capacidade de amar-se mutuamente indica o quanto Jesus está agindo na vida do cristão. A presença salvadora de Jesus tem o efeito de desatar o nó do egoísmo, que afasta os indivíduos de seus semelhantes e, por conseqüência, de Deus também. O cristão, salvo por Jesus, manifesta a eficácia desta salvação na vivência do amor.
Oração
Espírito de amor não permitas que eu seja mesquinho no amor; antes, que eu seja capaz de amar como Jesus.
padre Jaldemir Vitório
============================
O mandamento do amor é a expressão máxima da vida cristã
O texto dos Atos dos Apóstolos relata a missão de Paulo e Barnabé entre os pagãos. A missão itinerante de ambos visa encorajar os discípulos a permanecerem firmes na fé, não obstante perseguições e sofrimentos (cf. v. 22). A comunidade primitiva vai se organizando com o fim de cuidar daqueles que abraçavam a fé (cf. v. 23). A Igreja que nasce do mistério pascal de Jesus Cristo é impulsionada pelo Espírito Santo para fazer com que a Boa-Notícia da salvação ultrapasse os limites de Israel: a “porta da fé” é aberta aos pagãos (cf. v. 27).
O evangelho é a sequência imediata da última ceia de Jesus com os seus discípulos (Jo 13,1-30). A última ceia, segundo o evangelho de João, foi o lugar do gesto simbólico do lava-pés, em que os discípulos são chamados a tirar as consequências dos gestos para a própria vida e a “imitar” o Mestre (cf. 13,12-17). Aí, na mesa da comunhão, é anunciada a traição de Judas (13,21-30).
Os versículos que nos ocupam são o indício de um longo discurso de despedida (13,31–14,31). A saída de Judas, à noite, do lugar da ceia, desencadeia o discurso que é instrução e revelação. Em Jesus, Deus revelou a sua própria glória. A glorificação do Filho está, em primeiro lugar, na sua paixão e morte por amor – esta é a glorificação de Deus pelo homem, e do homem por Deus. É à paixão e morte que a glorificação se refere (cf. v. 33). Deus é glorificado na entrega do Filho por amor (cf. 13,1).
O mandamento do amor é a expressão máxima da vida cristã. Em que ele é novo, uma vez que já se encontra prescrito pela Lei (Lv. 19,18.34; Dt. 10,19)?
A identidade dos discípulos é dada pelo mesmo dinamismo que levou o Senhor a entregar-se por nós: “Nisto conhecerão que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (v. 35). A medida do amor fraterno é o amor de Cristo: “Como eu vos amei” (v. 34).
O amor não é uma ideia, nem se reduz a nenhum “sentimento”, mas é um movimento de entrega que faz o outro viver, que gera vida: “Sabemos que passamos da morte para a vida porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte” (1Jo 3,14). A Igreja, “morada de Deus com os homens” (Ap 21,3), deve ser a imagem do Deus que acolhe, que se entrega e faz viver plenamente.
Carlos Alberto Contieri,sj
============================
O tema fundamental da liturgia deste domingo é o do amor: o que identifica os seguidores de Jesus é a capacidade de amar até ao dom total da vida.
No Evangelho, Jesus despede-Se dos seus discípulos e deixa-lhes em testamento o “mandamento novo”: “amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”. É nessa entrega radical da vida que se cumpre a vocação cristã e que se dá testemunho no mundo do amor materno e paterno de Deus.
Na primeira leitura apresenta-se a vida dessas comunidades cristãs chamadas a viver no amor. No meio das vicissitudes e das crises, são comunidades fraternas, onde os irmãos se ajudam, se fortalecem uns aos outros nas dificuldades, se amam e dão testemunho do amor de Deus. É esse projeto que motiva Paulo e Barnabé e é essa proposta que eles levam, com a generosidade de quem ama, aos confins da Ásia Menor.
A segunda leitura apresenta-nos a meta final para onde caminhamos: o novo céu e a nova terra, a realização da utopia, o rosto final dessa comunidade de chamados a viver no amor.
1ª leitura: – Atos 14,21b-27 - AMBIENTE
Vimos, no passado domingo, como o entusiasmo missionário da comunidade cristã de Antioquia da Síria lançou Paulo e Barnabé para a missão e como a Boa Nova de Jesus alcançou, assim, a ilha de Chipre e as costas da Ásia Menor… A leitura de hoje apresenta-nos a conclusão dessa primeira viagem missionária de Paulo e de Barnabé: depois de chegarem a Derbe, voltaram para trás, visitaram as comunidades entretanto fundadas (Listra, Icónio, Antioquia da Pisídia e Perge) e embarcaram de regresso à cidade de onde tinham partido para a missão. Estes sucessos desenrolam-se entre os anos 46 e 49.
MENSAGEM
No texto que nos é proposto, transparecem os traços fundamentais que marcaram a vida e a experiência dos primeiros grupos cristãos: o entusiasmo dos primeiros missionários, que permite afrontar e vencer os perigos e as incomodidades para levar a todos os homens a boa notícia que Cristo veio propor; as palavras de consolação que fortalecem a fé e ajudam a enfrentar as perseguições (vs. 22a); o apoio mútuo (vs. 23b); a oração (vs. 23b.c).
Sobretudo, este texto acentua a ideia de que a missão não foi uma obra puramente humana, mas foi uma obra de Deus. No início da aventura missionária já se havia sugerido que o envio de Paulo e Barnabé não era apenas iniciativa da Igreja de Antioquia, mas uma ação do Espírito (cf. At. 13,2-3); foi esse mesmo Espírito que acompanhou e guiou os missionários a cada passo da sua viagem. E aqui repete-se que o autêntico ator da conversão dos pagãos é Deus e não os homens (cf. v. 27).
Verdadeira novidade no contexto da missão é a instituição de dirigentes ou responsáveis (“anciãos” – em grego, “presbíteros”), que aparecem aqui pela primeira vez fora da Igreja de Jerusalém. Correspondem, provavelmente, aos “conselhos de anciãos” que estavam à frente das comunidades judaicas. Os “Atos” não explicitam as funções exatas destes dirigentes e animadores das Igrejas; mas o discurso de despedida que Paulo faz aos anciãos de Éfeso parece confiar-lhes o cuidado de administrarem, de vigiarem e de defenderem a comunidade face aos perigos internos e externos (cf. At. 20,28-31). Em todo o caso, convém recordar que os ministérios eram algo subordinado dentro da organização e da vida da primitiva comunidade; não eram valores absolutos em si mesmo, mas só existiam e só tinham sentido em função da comunidade.
ATUALIZAÇÃO
·  Como é que vivem as nossas comunidades cristãs? Notamos nelas o mesmo empenho missionário dos inícios? Há partilha fraterna e preocupação em ir ao encontro dos mais débeis, em apoiá-los e ajudá-los a superar as crises e as angústias? São comunidades que se fortalecem com uma vida de oração e de diálogo com Deus?
·  Temos consciência de que por detrás do nosso trabalho e do nosso testemunho está Deus? Temos consciência de que o anúncio do Evangelho não é uma obra nossa, na qual expomos as nossas ideias e a nossa ideologia, mas é obra de Deus? Temos consciência de que não nos pregamos a nós próprios, mas a Cristo?
·  Para aqueles que têm responsabilidades de direção ou de animação das comunidades: a missão que lhes foi confiada não é um privilégio, mas um serviço que está subordinado à construção da própria comunidade. A comunidade não existe para servir quem preside; quem preside é que existe em função da comunidade e do serviço comunitário.
2ª leitura: Ap. 21,1-5ª - AMBIENTE
Depois de descrever o confronto entre Deus e as forças do mal e a vitória final de Deus, o autor do “Apocalipse” apresenta o ponto de chegada da história humana: a “nova terra e o novo céu”; aí, os que se mantiveram fiéis ao “cordeiro” (Jesus) encontrarão a vida em plenitude. É o culminar da caminhada da humanidade, a meta última da nossa história.
Esse mundo novo é, simbolicamente, apresentado em dois quadros (cf. Ap. 21,1-8 e 21,9-22,5). A leitura que hoje nos é proposta apresenta-nos o primeiro desses quadros (o outro ficará para o próximo domingo). É o quadro do novo céu e da nova terra – um quadro que apresenta a última fase da obra regeneradora de Deus e que aparece já em Is. 65,17 e em 66,22. Também se encontra esta imagem abundantemente representada na literatura apocalíptica (cf. Henoch, 45,4-5; 91,16; 4 Es. 7,75), bem como em certos textos do Novo Testamento (cf. Mt. 19,28; 2Pe. 3,13).
MENSAGEM
Neste primeiro quadro, o profeta João chama a essa nova realidade nascida da vitória de Deus a “Jerusalém que desce do céu”. Jerusalém é, no universo religioso e cultural do povo bíblico, a cidade santa por excelência, o lugar onde Deus reside, o espaço onde vai irromper e onde se manifestará em definitivo a salvação de Deus. A “nova Jerusalém” é, portanto, o lugar da salvação definitiva, o lugar do encontro definitivo entre Deus e o seu Povo.
No contexto da teologia do livro do Apocalipse, esta cidade nova, onde encontra guarida o Povo vitorioso dos “santos”, designa a Igreja, vista como comunidade escatológica, transformada e renovada pela ação salvadora e libertadora de Deus na história. Dizer que ela “desce do céu” significa dizer que se trata de uma realidade que vem de Deus e tem origem divina; ela é uma absoluta criação da graça de Deus, dom definitivo de Deus ao seu Povo.
Esta nova realidade instaura, consequentemente, uma nova ordem de coisas e exige que tudo o que é velho seja transformado. O mar, símbolo e resíduo do caos primitivo e das potências hostis a Deus, desaparecerá; a velha terra, cenário da conduta pecadora do homem, vai ser transformada e recriada (v. 1). A partir daí, tudo será novo, definitivo, acabado, perfeito.
Quando esta realidade irromper, celebrar-se-á o casamento definitivo entre Deus e a humanidade transformada (a “noiva adornada para o esposo”). Na linguagem profética, o casamento é um símbolo privilegiado da aliança. Realiza-se, assim, o ideal da aliança (cf. Jr. 31,33-38; Ez. 37,27): Deus e o seu Povo consumam a sua história de intimidade e de comunhão; Deus passará a residir de forma permanente e estável no meio do seu Povo, como o noivo que se junta à sua amada e com ela partilha a vida e o amor. A longa história de amor entre Deus e o seu Povo será uma história de amor com um final feliz. Serão definitivamente banidos do horizonte do homem a dor, as lágrimas, o sofrimento e a morte e restarão a alegria, a harmonia e a felicidade sem fim.
ATUALIZAÇÃO
· O testemunho profético de João garante-nos que não estamos destinados ao fracasso, mas sim à vida plena, ao encontro com Deus, à felicidade sem fim. Esta esperança tem de iluminar a nossa caminhada e dar-nos a coragem de enfrentar os dramas e as crises que dia a dia se nos apresentam.
· A Igreja de que fazemos parte tem de procurar ser um anúncio dessa comunidade escatológica, uma “noiva” bela e que caminha com amor ao encontro de Deus, o amado. Isto significa que o egoísmo, as divisões, os conflitos, as lutas pelo poder, têm de ser banidos da nossa experiência eclesial: eles são chagas que deturpam o rosto da Igreja e a impedem de dar testemunho do mundo novo que nos espera.
· É verdade que a instauração plena do “novo céu e da nova terra” só acontecerá quando o mal for vencido em definitivo; mas essa nova realidade pode e deve começar desde já: a ressurreição de Cristo convoca-nos para a renovação das nossas vidas, da nossa comunidade cristã ou religiosa, da sociedade e das suas estruturas, do mundo em que vivemos.
Evangelho: Jo 13,31-33a.34-35 - AMBIENTE
Estamos na fase final da caminhada histórica do “Messias”. Aproxima-se a “Hora”, o momento em que vai nascer – a partir do testemunho do amor total cumprido na cruz – o Homem Novo e a nova comunidade.
O contexto em que este trecho nos coloca é o de uma ceia, na qual Jesus Se despede dos discípulos e lhes deixa as últimas recomendações. Jesus acabou de lavar os pés aos discípulos (cf. Jo 13,1-20) e de anunciar à comunidade desconcertada a traição de um do grupo (cf. Jo 13,21-30); nesses quadros, está presente o seu amor (que se faz serviço simples e humilde no episódio da lavagem dos pés e que se faz amor que não julga, que não condena, que não limita a liberdade e que se dirige até ao inimigo mortal, na referência a Judas, o traidor). Em seguida, Jesus vai dirigir aos discípulos palavras de despedida; essas suas palavras – resumo coerente de uma vida feita de amor e partilha – soam a testamento final. Trata-se de um momento muito solene; é a altura em que não há tempo nem disposição para “conversa fiada”: aproxima-se o fim e é preciso recordar aos discípulos aquilo que é mesmo fundamental na proposta cristã.
MENSAGEM
O texto divide-se em duas partes. Na primeira parte (vs. 31-32), Jesus interpreta a saída de Judas, que acabou de deixar a sala onde o grupo está reunido, para ir entregar o “mestre” aos seus inimigos. A morte é, portanto, uma realidade bem próxima… Jesus explica, na sequência, que a sua morte na cruz será a manifestação da sua glória e da glória do Pai. O termo grego “doxa” aqui utilizado traduz o hebraico “kabod” que pode entender-se como “riqueza”, “esplendor”. A “riqueza”, o “esplendor” do Pai e de Jesus manifesta-se, portanto, no amor que se dá até ao extremo, até ao dom total. É que a “glória” do Pai e de Jesus não se manifesta no triunfo espetacular ou na violência que aniquila os maus, mas manifesta-se na vida dada, no amor oferecido até ao extremo. A entrega de Jesus na cruz vai manifestar a todos os homens a lógica de Deus e mostrar a todos como Deus é: amor radical, que se faz dom até às últimas consequências.
Na segunda parte (vs. 33a.34-35) temos, então, a apresentação do “mandamento novo”. Começa com a expressão “meus filhos” (v. 33a) – o que nos coloca num quadro de solene emoção e nos leva ao “testamento” de um pai que, à beira da morte, transmite aos seus filhos a sua sabedoria de vida e aquilo que é verdadeiramente fundamental.
Qual é, portanto, a última palavra de Jesus aos seus, o seu ensinamento fundamental?
“Amai-vos uns aos outros. Como Eu vos amei, vós deveis também amar-vos uns aos outros”. O verbo “agapaô” (“amar”) aqui utilizado define, em João, o amor que faz dom de si, o amor até ao extremo, o amor que não guarda nada para si mas é entrega total e absoluta. O ponto de referência no amor é o próprio Jesus (“como Eu vos amei”); as duas cenas precedentes (lavagem dos pés aos discípulos e despedida de Judas) definem a qualidade desse amor que Jesus pede aos seus: “amar” consiste em acolher, em pôr-se ao serviço dos outros, em dar-lhes dignidade e liberdade pelo amor (lavagem dos pés), e isso sem limites nem discriminação alguma, respeitando absolutamente a liberdade do outro (episódio de Judas). Jesus é a norma, não com palavras, mas com atos; mas agora traduz em palavras os seus atos precedentes, para que os discípulos tenham uma referência.
O amor (igual ao de Jesus) que os discípulos manifestam entre si será visível para todos os homens (v. 35). Esse será o distintivo da comunidade de Jesus. Os discípulos de Jesus não são os depositários de uma doutrina ou de uma ideologia, ou os observantes de leis, ou os fiéis cumpridores de ritos; mas são aqueles que, pelo amor que partilham, vão ser um sinal vivo do Deus que ama. Pelo amor, eles serão no mundo sinal do Pai.
ATUALIZAÇÃO
·  A proposta cristã resume-se no amor. É o amor que nos distingue, que nos identifica; quem não aceita o amor, não pode ter qualquer pretensão de integrar a comunidade de Jesus.
·  Falar de amor hoje pode ser equívoco… A palavra “amor” é, tantas vezes, usada para definir comportamentos egoístas, interesseiros, que usam o outro, que fazem mal, que limitam horizontes, que roubam a liberdade… Mas o amor de que Jesus fala é o amor que acolhe, que se faz serviço, que respeita a dignidade e a liberdade do outro, que não discrimina nem marginaliza, que se faz dom total (até à morte) para que o outro tenha mais vida. É este o amor que vivemos e que partilhamos?
·  Por um lado, a comunidade de Jesus tem de testemunhar, com gestos concretos, o amor de Deus; Nos nossos comportamentos e atitudes uns para com os outros, os homens descobrem a presença do amor de Deus no mundo? Amamos mais do que os outros e interessamo-nos mais do que eles pelos pobres e pelos que sofrem?
padre Joaquim Garrido – padre Manuel Barbosa – padre Ornelas Carvalho
============================
“Esse é o novo mandamento: Amai-vos uns aos outros”
Em nossa última reflexão (21) aprendemos que o Bom pastor dá a vida por suas ovelhas. O falso pastor (mercenário) pelo contrário, quando o inimigo se aproxima abandona as ovelhas. Concluímos então que o mundo moderno precisa cada vez mais de lideranças identificadas com o Bom Pastor do Evangelho. Jesus Cristo deve ser modelo de liderança a ser seguido pela autoridade eclesiástica e civil. O Evangelho deste 5ºDomingo da Páscoa (João 13,31-33 a.34-35) recorda a liturgia da 5ª Feira Santa quando após lavar os pés dos discípulos Jesus fala de sua glorificação. Antes de partir para o Pai deixa seu mandamento essencial: “Assim como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” (v.34). Esse é o novo mandamento. É novo porque deve ter como modelo o amor de Jesus – um amor doação total. Assim como Jesus, cada cristão é chamado a glorificar Deus amando e lavando os pés dos irmãos e irmãs. Outro fato que chama a nossa atenção são as palavras de Jesus para os discípulos: “Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Eu vos dou um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros”. Vejamos: A proposta de Jesus é clara. Existia no tempo de Jesus, milhares de preceitos e normas que era praticamente impossível conhecer e seguir todos. O novo mandamento supera a todos, pois somente amando aos irmãos e irmãs é que amamos a Deus. Carinhosamente Jesus nos chama de filhinhos. Portanto se somos filhos somos também herdeiros. Ao novo mandamento está relacionada também a nova e definitiva Jerusalém Celeste para onde caminhamos confiantes. Queremos rezar hoje para que o Senhor Deus ilumine nossas famílias em especial os pais que amam seus filhos com absoluta generosidade a exemplo de madre Tereza de Calcutá que tanto amou os doentes e moribundos. Existe ainda outra dimensão do amor que a comunidade cristã deve viver: A dimensão do perdão e da reconciliação. Praticar o perdão é testemunhar o amor de Jesus. A Palavra de Deus proclamada hoje nos convida para que honestamente nos examinemos verificando se este amor-serviço que Jesus ensinou ainda é marca característica de nós discípulos (as) na nossa vida pessoal e comunitária.
Pedro Scherer

Evangelho: Jo 13,31-33a.34-35
1. Despedida. O texto é a introdução do discurso de despedida, no qual Jesus apresenta seu testamento antes de voltar ao Pai. Estamos, portanto, diante de uma síntese da vida de Jesus, diante das normas que irão traçar o caminho da comunidade que procura concretizar o projeto de Deus.
2. Glorificar. Versículos 31-32 “foi glorificado e glorificará”. O que significa glorificar? Precisamos ir ao Prólogo (1,1-18 – que também é uma síntese-) escrito com grande probabilidade após a redação do corpo do evangelho. É lá que encontramos pela primeira vez o termo “glória”. “E a Palavra se fez homem e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória; glória do Filho único do Pai, cheio de amor e fidelidade” (v. 14).
3. Glória = revelação. A idéia básica de glória, em João, é a de revelação. A glória que os discípulos viram em Jesus (1,14) é a sua revelação progressiva por meio dos sinais que fazia, e sobretudo por meio de sua adesão incondicional ao projeto do Pai, até a morte na cruz. Com isso, ele se revela plenamente fiel à vontade do Pai e plenamente coerente na execução do projeto divino. Daí deriva sua unicidade na filiação. E por ser o único Filho, é a plenitude do dom da fidelidade (= cheio de amor e fidelidade) de Deus. A glória de Jesus é, portanto, a revelação do projeto de Deus, concretizado no seu Filho único, na sua humanidade, desde o nascimento até a cruz. É nesta – na cruz, – que ele manifesta de modo definitivo sua glória, isto é, nela revela plenamente o projeto de Deus.
4. Conceitos diferentes.
4.1. Glória no AT. No Antigo Testamento acreditava-se que Deus manifestasse sua glória nos fenômenos da natureza (fogo, relâmpagos, trovões, tempestades, etc.), provocando um misto de curiosidade que atrai e de medo que provoca distância.
4.2. Glória no NT. Para o evangelho de João, Jesus manifesta a glória de Deus pelo fato de ser um de nós, extremamente humano a ponto de se tornar divino. A glória de Deus é o humano de Jesus, que confere ao humano sua expressão mais elevada.
5. Tendo isso como pressuposto voltamos ao nosso texto.
6. Agora . Depois que Judas se afastou para entregar Jesus nas mãos das autoridades, este declara: “Agora foi manifestada a glória do Filho do Homem. Se nele foi manifestada a glória do próprio Deus, Deus mesmo vai manifestar a glória do Filho do Homem” (vv. 31b-32a).
7. Agora = hora de Jesus. O “agora” refere-se à HORA de Jesus, que culmina no mistério pascal. É nessa HORA que ele leva a pleno cumprimento a vontade do Pai, revelando-se plenamente Filho obediente e revelando ao mesmo tempo todas as dimensões do projeto de Deus. Percebe-se desse modo a estreita relação entre aquele que revela e aquele que é revelado. Pouco antes Jesus declarara: “Eu e o Pai somos UM” (10,30).
8. O Pai manifesta a glória de Jesus ressuscitando-o. O versículo 32 retoma o mesmo pensamento e o amplia, trazendo nova explicitação da expressão “manifestar a glória”, agora projetada para o futuro junto de Deus. Aqui já não se fala mais da ação de Jesus que revela, mas a do Pai que manifesta a glória de Jesus, ressuscitando-o e tornando-o fonte de vida para todos os que nele acreditam.
9. Novo tema : o amor. Os versículos 33-35 apresentam novo tema, o do amor. A glória de Jesus outra coisa não é senão a obediência ao Pai e o amor às pessoas, manifestados em suas palavras e sinais. Agora ele se dirige aos discípulos, chamando-os carinhosamente de “filhinhos”. Diante da iminente partida de Jesus, à comunidade resta só um caminho para continuar unida a ele: viver o amor. Este é o estatuto e a identidade de quem pretende permanecer unido a Jesus.
11. Amem–se. A herança deixada à comunidade é o mandamento novo: ”amem-se uns aos outros. Como eu os amei, assim também vocês devem se amar uns aos outros” (v. 34). O mandamento é novo porque supera a Lei, incapaz de revelar de forma definitiva a vontade de Deus. O mandamento é uma ordem, um imperativo – amem-se, – porque é dado por quem preencheu todas as exigências de Deus. Não é imposto de fora, mas vem de dentro, como condição indispensável para a consecução do projeto divino. Não é norma, e sim o único modo de proceder do cristão.
12. É ele quem dá o exemplo. Jesus dera o exemplo. Pouco antes, lavara os pés dos discípulos mostrando o que é amar: “como eu os amei”. O amor é gratuito. Poder-se-ia esperar que Jesus dissesse: “amem a mim como eu amei vocês”. Mas não. Ele não pede retribuição para si. Pede que os discípulos se amem uns aos outros. É assim que amarão Jesus.
13. Amor em gestos concretos. O amor é ativo. Deve ser manifestado em gestos. Dessa forma, a revelação de Jesus se prolonga no amor das pessoas na comunidade: “nisso todos conhecerão que vocês são meus discípulos: se tiverem amor uns para com os outros” (v. 35).
1ª leitura: At 14,21b–27
14. Primeira viagem de Paulo. Para que? O texto mostra a conclusão da primeira viagem missionária de Paulo acompanhado por Barnabé. Partiram de Antioquia da Síria – onde havia uma comunidade heterogênea, multicultural e multirracial – e a ela retornam (anos 46 a 48). No caminho de volta, passam pelas comunidades fundadas anteriormente.
15. A ação de Paulo e Barnabé. A ação dos missionários, – de retorno, -consiste em:
- encorajar os discípulos,
- exortar a ficar firme na fé,
- confirmar que, para entrar no Reino, é preciso passar por muitos sofrimentos,
- designar presbíteros para cada comunidade.
15.1. Encorajar os discípulos (literalmente: confirmar o coração). O coração é a sede das opções. Confirmá-lo significa reforçar a adesão a Cristo. O encorajamento mostra que ser cristão é algo dinâmico, necessitando ser retomado constantemente.
15.2. Exortar a ficar firme na fé. Nas cartas, Paulo faz constante uso do gênero literário exortação. Faz parte de sua visão do ser cristão, situado entre o já possuir Cristo e o ainda não sermos por ele possuídos plenamente. Daí a necessidade de explicitar constantemente a fé.
15.3. Confirmar que, – para entrar no Reino, – é preciso passar por muitos sofrimentos (literalmente: tribulações). Certamente, ao retornar às comunidades, os missionários as encontraram envolvidas em perseguições e sofrimentos por causa do testemunho. A tribulação é indispensável para entrar no Reino e é comprovação de que a mensagem é autêntica. Comunidades que não sofrem por causa do testemunho correm sério perigo de não estar sendo fiéis a Jesus.
15.4. Designar presbíteros para cada comunidade. A escolha é precedida de oração e jejum. De agora em diante, esses dirigentes se ocuparão com o bem e a organização da comunidade, tendo como paradigma de conduta o Senhor.
16. Vida e atitudes. O final da viagem mostra:
- por um lado, que os missionários tinham sido entregues (esta palavra é importante, porque remete à entrega de Jesus na Paixão) à graça de Deus, concluindo um trabalho (esta palavra faz referência ao trabalho de Jesus);
- por outro lado, faz ver os missionários prestando contas à comunidade do que tinham realizado (avaliação pastoral).
17. Deus é o autor. Tudo é atribuído a Deus, agente da ação missionária. Foi Ele quem abriu aos gentios as portas da fé (v. 27).
18. Esse último “detalhe” é a característica principal da primeira viagem de Paulo (na perspectiva de Lucas, autor dos Atos); os não-judeus aderiram à fé em Jesus, graças à ação corajosa da comunidade de Antioquia da Síria. Não fosse por ela, o cristianismo corria risco de ser simplesmente um ramo do judaísmo.
2ª leitura: Ap. 21,1–5a
19. Intervenção definitiva do Cordeiro. O trecho pertence à seção conclusiva (16,17-22,5) da 2ª parte do Apocalipse (4,1-22,5). O tema central dessa seção é a intervenção definitiva do Cordeiro que decreta a condenação da Babilônia (a Prostituta), a sociedade gananciosa, violenta e opressora por excelência, e prepara o triunfo da Nova Jerusalém (a Esposa), a sociedade plenamente humana por causa da justiça, da qual o Cordeiro é seu centro e sua razão de ser.
20. Tudo é novo e o mal já não existe. O nosso texto se abre com uma visão onde é apresentada a nova ordem de coisas. Tudo é novo e o mal (simbolizado pelo mar, a personificação das forças hostis) já não existe (v. 1).
21. Jerusalém, esposa de Javé. O autor do Apocalipse retoma um tema da literatura profética, o de Jerusalém enquanto esposa de Javé. Mas aqui esse simbolismo é reelaborado e ampliado. De fato, a Jerusalém é nova (pertence a outra ordem social) e desce do céu, de junto de Deus (é presente de Deus). Está enfeitada (em 19,8b se afirma que o linho com que está vestida representa as ações de justiça dos cristãos) e pronta para seu marido, o Cordeiro (v. 2). O próprio Deus (a voz que vem do trono) a proclama como a tenda de Deus com os homens. Em outras palavras, a sociedade fundada na prática da justiça.
22. Deus é um no meio do povo. A tenda recorda o tempo em que Israel viveu no deserto, tempo de namoro e intimidade com seu Aliado. Estabelece-se, assim, a nova Aliança, caracterizada pela proximidade de Deus e por sua intimidade com as pessoas. Deus é um no meio do povo, caminhando com ele. A humanidade inteira está debaixo de uma única tenda. E Deus deixou o céu para habitar debaixo da mesma lona onde moram todos os seres humanos. Inicia, também, a nova criação (v. 5a), suprimindo a antiga com tudo o que pudesse atormentar a vida humana: morte, luto, clamor, dor (v. 4).
23. O paraíso terrestre. O paraíso terrestre, portanto, não está às costas, mas diante de nossos olhos. Com nossa colaboração, Deus quer transformar a Babilônia (em que vivemos) numa sociedade diferente, a Nova Jerusalém. E o segredo para chegarmos lá está em mudarmos as relações sociais (política e economia) para que a vida, em todas as suas manifestações, tenha a última palavra.
24. Questionamentos. Então a gente se pergunta:
- quando surgirá a Nova Jerusalém? Só no final dos tempos?
- Será que o autor do Apocalipse só tem perspectivas futuras?
- Será que o autor teria pensado: “essa vida não tem jeito mesmo. É melhor se conformar com o futuro que virá, no além”?
25. Tarefa dos cristãos… transformar a sociedade. Há muitos que gostam de pensar assim (para o além). Contudo, não devemos esquecer que a Nova Jerusalém é já, de algum modo, o resultado da presença ativa de Cristo na caminhada das comunidades. Cabe aos cristãos a importante tarefa de, – junto com ele, – transformar a Babilônia em que vivemos em nova Jerusalém. E isso sem esperar o amanhã.
Refletindo...
1. Antiga Aliança e Nova Aliança. Antigo povo de Deus e Novo povo de Deus. Novo é uma palavra mágica que domina a publicidade e os jornais, mas também traduz a esperança que encontramos na Bíblia. O entendimento do cristianismo é baseado na sucessão da antiga e nova Aliança, do antigo e novo Povo de Deus.
2. Nova Vida… Nova Lei… total renovação. E também, na passagem da antiga para a nova Vida (Páscoa, batismo!) e na observância de uma nova Lei em vez da antiga. Vivemos na perspectiva de uma total renovação. Esta perspectiva se expressa, na liturgia de hoje, sob as imagens de um novo céu e uma nova terra, uma nova Jerusalém e uma nova criação. . . . Entretanto, nos parece que tudo fica mais velho...
3. Novo é amar como Jesus . Por isso, importa refletir sobre o próprio (= o específico, o diferente) da novidade que Jesus Cristo nos propõe, nas simples palavras de João 13,34: “dou-vos um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros”. A própria construção da frase, o paralelismo dos 1º e 3º, 2º e 4º segmentos da frase, sugere que o “novo” deste mandamento (1º segmento) consiste, exatamente, no “como eu vos amei” (3º segmento). Nem a palavra “amar”, nem o mandamento do amor são novos (cf. Lv. 19,18 etc.). Novo é amar como Jesus, amar em Jesus, por causa de sua palavra (evangelho). (Lv. 19,18: “não te vingarás e não guardarás rancor contra os filhos do teu povo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou Javé”).
4. Amor em seu contexto. Tudo tem um contexto histórico. Também esta frase. Seu contexto é complexo. Judaísmo. Por um lado, existia no judaísmo o amor ao próximo, no sentido de um membro da comunidade, combinado com o respeito pelo estrangeiro que morava na vizinhança, e com certa filantropia para com os outros seres humanos. Mundo grego. Existia também o amor humano do mundo grego, espécie de filantropia universal, baseada na igualdade essencial do ser humano (pelo menos, em teoria). Era um amor antes ao longínquo do que ao próximo, porque o longínquo não incomoda. Existia também o amor erótico. Existia a amizade.
5. Amor especial = dar a vida. Mas como diz Paulo em Romanos (5,7-11), mesmo a amizade não produz o efeito de alguém dar sua vida pelo amigo; quanto menos pelo inimigo! Ora, o amor de Cristo é um amor dando vida, dando sua vida em prol dos “irmãos”, subentendendo-se que irmão pode ser qualquer um que, pelo Pai, é levado a Cristo ou à sua comunidade.
6. Característica do discípulo. É possível existir tal amor em outros ambientes culturais e religiosos e nem todos os cristãos vivem, (-ou pretendem viver-), o mandamento do amor que Cristo ilustrou com sua morte. Porém, não se conhece outra comunidade que se caracterize especificamente por este mandamento: “nisto conhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns pelos outros” (13,35). E bem “aquele amor” que é ilustrado pelo contexto literário de João 13,31-35 (contexto anterior: o lava-pés, sinal de amor até o fim; contexto posterior: o amor até o fim em realização: a morte na cruz).
7. Só Deus mesmo para inovar! Onde reina este amor, as coisas não ficam como estão. O “status quo” é garantido pelo instinto de conservação do homem: ninguém quer sacrificar algo a favor dos outros = “primeiro eu, depois meu vizinho”. Quem quebra o status quo é Deus. É dele que podemos esperar a total novidade (pois deixar tudo como está não parece ser a melhor das soluções!).
8. O que se espera … o que nos aguarda. É o que sonha o autor do Apocalipse. No fim da História, ele vê um novo céu e uma nova terra (realização de Is 65,17). Não tem mar, moradia do Leviatã. A nova realidade tem a aparência de uma noiva enfeitada para seu esposo: as núpcias messiânicas. É a moradia de Deus com os homens (Ez. 37,27). É a nova Aliança: eles serão seu povo e ele será seu Deus (ibidem). É a plenitude do Emanuel, Deus-conosco (Is. 7,14 ss.). É a consolação completa (Is 25,8; 35,10). É tudo o que se pode esperar. … É a nova criação (cf. Is. 65,17).
9. O sonho da nova criação !!! Os que dizem que a utopia é a mola propulsora da História geralmente não concebem tal utopia como sendo a de Deus. Preferem ter sua própria utopia. Ora, quem reflete um pouco, deve entender que a utopia é coisa importante demais para depender do ser humano… Ou deveremos pensar como o filósofo: “eu posso conceber que, em vez do homem individual, a própria lógica da História estabeleça a utopia”? Mas quem perscruta a lógica da História? … Portanto, é bom sermos dirigidos por uma utopia que venha de Deus.
10. Utopia que vem de Deus . Portanto, é bom sermos dirigidos por uma utopia que venha de Deus . E como é que a conhecemos? Pela fé em Jesus Cristo, que inspirou o autor do Apocalipse. Na medida em que o sonho do visionário de Patmos traduz a plenitude do “novo” que Jesus nos deixou – o amor segundo o seu exemplo – nós também podemos sonhar nesta linha. Um sonho não é científico, mas nos transmite uma mensagem: a mensagem da ausência de todo o mal, agressividade, exploração, opressão, divisão… Convida-nos a nos empenhar nessa direção. Nisto está sua força propulsora.
11. Deus é quem impulsiona. Aquilo que “Deus operou com Paulo e Barnabé”, na primeira viagem de missão, início da grande expansão do cristianismo no mundo não judeu, se inscreve nesta utopia. Quem move esta obra é Deus. “Que todas as tuas obras te louvem, Senhor!” (salmo responsorial).
12. Um mundo novo ! Todo mundo sonha com um mundo novo… mas também todo mundo quer que esse mundo caia do céu, que não precise nem exija esforço algum de nossa parte. Mas… nada acontece de graça. Só a graça de Deus é graça por excelência! Tudo o mais exige nosso comprometimento, nossa participação, nosso esforço. Se quisermos um mundo diferente, um mundo novo de justiça, de fraternidade, de paz, precisamos arregaçar as mangas e trabalhar duro… Só para não esquecer: Jesus trabalhou duro para este mundo até o fim da vida … e fim numa cruz. Lembra!.
13. Mandamento novo para um mundo novo. Muitas pessoas hoje demonstram desânimo. As notícias são deprimentes. Guerras intermináveis ou ameaças de guerras que sempre de novo se inflamam por baixo das brasas. Populações africanas que se apagam pela fome, pelas epidemias. Cruéis guerras religiosas na Ásia, na Indonésia. Extermínio de crianças no oriente e no ocidente. Violência em nossas cidades, em nossos bairros… Corrupção em nossas instituições… em todos os escalões. E mesmo na Igreja, quantas incongruências com o evangelho de Jesus Cristo…
14. Um mundo sem rumo! Existe alguém que possa dar um rumo a este mundo? A resposta é você mesmo, mas não sozinho. Alguém faz aliança com você. Ou melhor, com vocês, com a comunidade dos que se dispuseram a ser discípulos. E em sinal dessa aliança, deixou-lhes um exemplo e modo de proceder: um novo mandamento. “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” – isto é, até o dom da própria vida, seja vivendo, seja morrendo. É o que nos recorda o evangelho de hoje.
15. Amar com ações e em verdade. Não há governo ou poder que nos possa eximir deste mandamento. Só se o assumirmos como regra de nossa vida o mundo vai mudar. Não existe um mundo tão bom e tão bem governado que possamos deixar de nos amar mutuamente com ações e de verdade. Mas, por mais desgovernado que o mundo seja, se nos amarmos mutuamente – como Jesus nos tem amado, – o mundo vai mudar.
16. Cristianismo x mundo ruim. Por que, então, depois de dois mil anos de cristianismo, o mundo está tão ruim? A este respeito podem-se fazer diversas perguntas, por exemplo: será que os homens se tem amado suficientemente com o amor que Jesus nos mostrou? E como seria o mundo se não tivesse existido um pouco de amor cristão? Não seria bem pior, ainda?
17. Esperamos e construímos uma nova criação. O Apocalipse (lido nas liturgias do tempo pascal) muitas vezes é considerado um livro de terror e de medo. Mas, na realidade, ele termina numa visão radiante da nova criação, da nova Jerusalém, simbolizando a indizível felicidade, a “paz-shalom” que Deus prepara para os que são fiéis ao novo mandamento de seu Filho. A nova Jerusalém é o povo de Deus envolvido pelo esplendor, ainda escondido, do amor de Cristo, que o torna radiante, como o amor do noivo torna radiante a sua amada. Quem é amado e se entrega ao amor, torna-se amor!
18. Uma Igreja de cristãos que amam de verdade. É isso que deve acontecer entre nós. Jesus nos amou até o fim. Nossa comunidade eclesial deve transformar-se em amor, irradiando luz num mundo infeliz e desviado por interesses egoístas e mortíferos. Ao invés de ver somente o lado ruim da Igreja, talvez porque nosso olho é ruim, vamos tratar de ver a Igreja como uma moça um tanto desajeitada e acanhada, mas que, aos poucos, vai sentindo quanto ela está sendo amada e, por isso, se torna cada dia mais amável e radiante. Ora, para isso, é preciso que deixemos penetrar em nós o amor de Deus e o façamos passar para nossos irmãos, não em palavras, mas em ações e de verdade.
prof. Ângelo Vitório Zambon

============================

Nenhum comentário:

Postar um comentário