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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 31 de maio de 2013

A CURA DO EMPREGADO DO OFICIAL ROMANO

IX DOMINGO DO TEMPO COMUM

DOMINGO DIA 02 DE JUNHO

Comentário Prof.Fernando



INTRODUÇÃO


 Evangelho - Lc 7,1-10

        Na época de Jesus, Roma dominava ou escravizava a terra da Palestina. Soldados romanos mantinham guarda em vários lugares ou pontos estratégicos daquele país para evitar que o povo se revoltasse contra a invasão romana.
        Porém, o oficial romano do Evangelho de hoje, não era um invasor igual aos demais...
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“MAS DIZE UMA PALAVRA E O MEU EMPREGADO FICARÁ CURADO!” – Olivia Coutinho

XI DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 02 de Junho de 2013

Evangelho de Lc 7,1-10


 A presença de Jesus no meio de nós significa a chegada de um tempo novo, a certeza de nunca estarmos sós!
Os sinais de libertação realizados por Jesus é a prova concreta da imensidão do amor Deus, afinal, Ele é o próprio Deus que se humanizou para ficar mais próximo de nós, respeitando a nossa liberdade, Jesus só  entra  na nossa vida, quando chamamos por Ele.
É a fé que nos torna dependentes de Deus, que nos faz ir ao encontro de Jesus!
A fé, não é algo que se tem e pronto, a fé é construção, uma construção que se desenvolve através de um processo lento, que vai se solidificando à medida que em nos deixamos inundar pelo amor de Deus.
Quem tem fé, nunca perde a esperança e nem se deixa abater diante às dificuldades, pois carrega consigo, a certeza de que em Deus, está o seu porto seguro!  
Precisamos a todo instante nos abastecer na fé,  pois a fé é o pilar que nos sustenta e nos torna suporte para o outro!
Em todas as suas ações libertadoras, Jesus sempre deixava claro, que cura de quem recorria a Ele, era fruto da fé. O que vem nos dizer, que a nossa libertação só acontece pelos  caminhos da fé!
O Evangelho de hoje, chega até a nós como um convite a refletirmos  sobre a essencialidade da fé, de uma fé que nos torna imbatíveis!  A narrativa nos mostra um belíssimo testemunho de fé, que encantou Jesus! Um soldado romano, movido pelo amor ao próximo e a confiança no poder libertador de Jesus, pede a Ele, a cura de um de seus  empregados.
O texto nos chama a atenção  para três virtudes que devem nortear a nossa vida: FÉ, CARIDADE FRATERNA, E HUMILDADE.  
O soldado romano, embora não pertencesse ao povo  que  seguia  Jesus,  dá um grande testemunho de fé, ao acreditar, que bastava uma palavra de Jesus à distancia, para que  o seu empregado ficasse  curado. Intercedendo  em  favor do seu empregado, ele  dá também, um testemunho do seu amor ao próximo, e da sua  humildade ao reconhecer indigno de receber Jesus em sua casa.
Deste  episódio, podemos tirar uma grande lição: não é pela religião que se dá testemunho de fé, e sim, pela confiança no  poder de Deus.
A fé é um dom de Deus, cabe a cada um de nós, acolhe-la, reconhecendo as nossas fragilidades  na certeza de que, em Deus, está a nossa verdadeira segurança!
 Fé e vida são inseparáveis! Viver a fé, é cuidar da vida, é ser vida para o outro,  é  ter a certeza deque somos amados e conhecidos intimamente pelo Pai!
Ter fé, é acreditar naquilo que não se vê, é  caminhar como se visse o invisível!
Exercitemos pois, a nossa fé, através da oração, da reflexão da palavra, da vivencia em comunidade e principalmente através eucaristia.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

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SENHOR, EU NÃO SOU DIGNO QUE ENTREIS EM MINHA CASA -Diac. José da Cruz
IX DOMINGO DO TEMPO COMUM 02/06/2013
1ª Leitura 1Reis 8, 41-43
Salmo 16,15 “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura”
2ª Leitura Gálatas 1, 1-2.6-10
Evangelho Lucas 7, 1-10
Ninguém melhor do que o próprio Centurião para dar seu testemunho nesta reflexão
___Por que vocês, de fora de Israel, tidos como pagãos, acreditam em Jesus de Nazaré demonstrando uma Fé muito maior do que a de um Israelita ?
___Primeiro porque o conhecia e ouvia falar muito dele, era um Judeu diferente, se dava com todas as pessoas, conversava com elas, ía em suas casas, fossem quem fossem, não tinha tanto preconceito como o restante da comunidade de Israel.
___E como foi o seu encontro com ele em Cafarnaum?
___Eu estava muito triste e desesperado com o meu servo enfermo e acamado, os médicos do Império Romano já tinham o desenganado, eu o estimava muito e por isso estava triste.
___Escuta Centurião, mas um servo é tão importante assim em sua vida?
___Talvez para os demais oficiais um servo é apenas um escravo, uma peça que se substitui quando não serve mais para o trabalho, mas eu não penso desta forma e sabia que Jesus de Nazaré concordava com esse meu jeito de ser. Afinal, meu servo é um ser humano e não um animal, respira como eu, tem sentimentos, dores, necessidades, devo tratá-lo como meu semelhante....
___O Senhor pediu a cura do servo?
___Na verdade não, mas queria muito que Jesus fizesse algo por ele, pois seu sofrimento era muito grande e me comovia...Quando Jesus falou que iria até lá para curá-lo, me senti pequeno para receber tão grande graça....
___Mas o Senhor é um centurião, comanda cem homens, é respeitado e dá ordens a todos...
___Pois é, mas o poder de Jesus é maior que o meu, não há nada nesta vida e nem no império romano que seja superior a ele, e ao perceber a sua grandeza senti que estava diante de Deus e confessei a minha pequenez dizendo "Senhor, não sou digno de que entreis em minha casa, mas dizei uma palavra e meu servo ficará curado"
___O Senhor sabe que ficou famoso? Sua frase é repetida até hoje na missa, na apresentação do Cordeiro. Poderia nos explicar o por que dessa frase?...
___Sim, senti que Jesus queria fazer parte da minha vida, e que eu fizesse parte da vida dele, mas pobre de mim, imperfeito, pecador, nem ao povo escolhido eu pertencia.
___E como terminou essa bela história?
___Bom, meu servo foi curado e eu também....Algo novo começou em minha vida, continuei a ser um Centurião Romano, mas agora seguidor de Jesus. A verdade é que, eu é que fui curado, pois quem nesta vida não conhecer a Jesus e não experimentá-lo, permanecerá sempre enfermo....
___E sobre o elogio que Jesus fez a você publicamente, enaltecendo a sua grande Fé ?
___Olha, a Fé é apenas uma resposta que damos a Deus quando ele nos toca através de Jesus, mas é preciso abrir-se e se deixar ser tocado por ele, os Israelitas não faziam isso, iludidos com suas tradições religiosas e suas leis rigorosas e moralistas. Nós de fora, aderimos sem reservas a Jesus e o aceitamos.......E espero que vocês, cristãos aí do terceiro milênio, não se acomodem na religião do formalismo religioso, do trabalho pastoral e do sacramentalismo, mas façam uma experiência íntima com Jesus, a Vida da gente nunca mais é a mesma....eu garanto!
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JESUS CURA À DISTÂNCIA - José Salviano

  O funcionário real seria o centurião romano do episódio paralelo em Mateus e Lucas.  Toda vez em que conto este milagre nas escolas em que eu evangelizo, eu digo que Jesus curava ou fazia milagre até à distância, e vejam que nem existia controle remoto naquela época.
É que para Deus não existe distância, parede, ou barreira, nenhum tipo de empecilho, nada o atrapalha ou dificulta pois para Deus tudo é possível.
E em Mateus e Lucas temos uma descrição mas detalhada, que mostra a admiração de Jesus pela grande fé do centurião romano, que disse: "Senhor, eu não sou digno que entreis em minha casa, basta que diga uma só palavra e meu criado será curado."
A nossa confiança em Deus deveria ser assim também. Mas, às vezes, balançamos na fé. Ficamos apavorados quando perdemos o emprego, quando temos que passar em um bairro perigoso, quando ficamos doentes, quando o avião decola, quando a tempestade elétrica é muito barulhenta, etc.
É nessa hora que precisamos lembrar as palavras do Mestre. "Por que temeis, homens de pouca fé?"  E "Não vos preocupeis com o dia de amanhã". 
É claro que temos de ir à luta, fazer a nossa parte, pois ter fé não é ficar de braços cruzados e dizer "Não esquenta, brother. Deus vai me dar tudo que preciso." Assim, não. Temos de ter muita fé, rezar direto, mas temos de fazer a nossa parte, que nem Deus faz por nós. O pai que faz as lições do filho está impedindo que o mimado aprenda caminhando com suas próprias pernas. Pelo mesmo motivo Deus não faz a nossa parte, pois nós é que temos de fazê-la.

Salviano
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FÉ, HUMILDADE E SABEDORIA: TAMBÉM PODEMOS TER
O evangelho de hoje nos remete a um dos maiores exemplos de fé, humildade e sabedoria. Um oficial romano, tendo piedade de um de seus empregados que encontrava-se doente em sua casa, suplicou a Jesus que o curasse.
Jesus, possivelmente, já estava acostumado com o povo que o seguia acreditando nele apenas por terem visto algum milagre, ou por terem sido curados. Diante de tantos exemplos de pouca fé, Ele prontamente disse ao romano que o curaria. Entretanto, Jesus não esperava encontrar em um estrangeiro, tamanha fé, demonstrada nas palavras do oficial: "Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado."
O romano sabia que Jesus era capaz de realizar este milagre. Além da fé, destacam-se também a humildade e a sabedoria, pois ele suplica pelo empregado e apesar de ser oficial (provavelmente rico) e ter muitos escravos, sente-se indigno de receber "O Mestre" em sua casa. A sabedoria é percebida quando ele utilizou uma situação vivenciada por ele, sua rotina, para exemplificar o poder de Jesus sobre todas as coisas: "Pois eu também sou subordinado e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: 'Vai!', e ele vai; e a outro: 'Vem!', e ele vem; e digo a meu escravo: 'Faze isto!', e ele faz". "
Todas estas palavras fizeram Jesus surpreender-se e dizer aos seus seguidores: "Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé. Eu vos digo: muitos virão do Oriente e do Ocidente, se sentarão à mesa no Reino dos Céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó, enquanto os herdeiros do Reino serão jogados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes".
Logo depois Jesus manda o oficial para casa e revela que a fé dele salvou o empregado. Jesus cura também a sogra de Pedro e várias outras pessoas levadas a Ele. Assim cumpre-se a escritura de Isaías que diz: "Ele tomou as nossas dores e carregou as nossas enfermidades".
        Lendo o evangelho de hoje, me recordei que nas inúmeras vezes que me sinto indigna da comunhão (receber Jesus em minha casa/meu corpo), posso nesta frase da missa: " Senhor eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e eu serei salva" trabalhar minha fé e comungar em Espírito. E que a nossa fé possa salvar outras pessoas e que possamos sempre buscar a santidade, para que Jesus possa nos visitar, sem estarmos constrangidos.

Manuele Jardim Pimentel
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SENHOR EU NÃO SOU DIGNO

Quantas pessoas escuto dizer que a Missa é sempre a mesma coisa. Antes de entender o mistério da Santa Missa, concordava com isso, achava mesmo repetitivo, sempre as mesmas palavras, respostas, mesmos gestos, todavia, quando passei a entender o tesouro que é, nunca mais nenhuma Missa foi igual para mim, nem mesmo aquelas que celebro duas vezes no mesmo dia.
Certo dia, estava mal com alguma coisa, não me recordo exatamente o que era, mas achei que não deveria comungar, que precisava me confessar antes. Estava decidida, mas quando o Padre continuou a oração depois da Paz, e toda a comunidade inclusive eu, dissemos em voz alta e em bom som: SENHOR, NÃO SOU DIGNO DE QUE ENTREIS EM MINHA MORADA, MAS DIZEI UMA SÓ PALAVRA E SEREI SALVO.  Aquela frase, que na verdade é tirada dessa passagem teve um significado diferente para mim. O soldado falava de casa, estrutura imóvel, material, mas eu falo aqui de alma. De fato não somos dignos de Cristo, mas Ele nos quis assim, humanos, pecadores, quis tanto que bastando uma palavra Sua, tudo que era velho torna-se novo, o que era morte transforma-se em vida.
A fé daquele homem foi suficiente para que seu empregado fosse curado e ele expressou sua fé naqueles dizeres, e porque é tão difícil para nós sermos participantes deste milagre diário, se formos à Missa todos os dias, todos os dias iremos proferir essas palavras, mas porque mesmo assim, não acreditamos que Deus poderá entrar dentro de nossa casa e fazer o milagre?
Somos, sim, pecadores e devemos sempre procurar o caminho reto, não devemos nos acomodar na benevolência e misericórdia de Deus, porque Ele também pedirá contas de nossos atos, mas devemos, sim, nos sentir amados e queridos, dignos não por merecimento, mas por bondade de Deus e tomar posse desse Amor, sabendo que nada poderá nos separar do Amor de Deus, pois somente com uma palavra Ele nos livra de toda tristeza, rancor, angústia, precisamos somente, abrir nossos ouvidos e coração à voz de Deus, que é suave e doce.
Ah! Pra terminar a história, comunguei naquele dia, mas logo depois da Missa fui procurar o Padre pra me confessar.

Ana Luíza Medeiros
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Exercitando a fé, a humildade e a amizade
        Este é um Evangelho repleto de pontos interessantes para reflexão. O tema principal é a fé, mas o detalhe é que não é a fé de uma pessoa qualquer... Vejamos...
        O centurião era o braço direito do "prefeito" da cidade, pois era quem comandava o exército romano. Ele era subordinado ao poder de Roma, mas tinha autoridade plena sobre o seu exército. Era um homem poderoso e rico! E é aí que entra a primeira parte que deixou Jesus admirado: a preocupação daquele homem com a saúde de um de seus inúmeros empregados. Ao Jesus dizer que iria imediatamente curá-lo, o centurião disse uma frase que é repetida em todas as missas do mundo: "Senhor, eu não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e meu servo será curado." A diferença é que na missa nós não pedimos pelo nosso servo, mas por nós mesmos. A humildade e a fé do centurião foram tamanhas, que nem teve coragem de pedir nada para ele, mas apenas para o seu servo e AMIGO. Um homem que tinha autoridade para dar ordens ao exército da cidade poderia ter mandado alguém trazer Jesus para curar o seu empregado, certo? Mas ele saiu de sua casa, abriu mão de todo o poder e autoridade que a sua posição lhe garantia, e foi pedir a Jesus que curasse o seu amigo dali mesmo, para que Jesus nem se incomodasse de ir a sua casa... E mais do que isso: por não ser judeu, nem se achava merecedor de receber a atenção e muito menos a visita de alguém tão importante como Jesus em sua casa. E Jesus conclui reconhecendo que nunca viu tanta fé nem nos próprios judeus, e por isso também reconheceu que virão multidões de não-judeus assentar-se à mesa com os patriarcas judeus, no Reino dos Céus.
        De tantos pontos, queria destacar um que vai especialmente para aqueles que têm alguém muito querido, precisando de ajuda, e não sabem mais o que fazer para ajudá-lo. Faça como o centurião... Saia da sua casa, e vá pessoalmente buscar a ajuda daquele que pode curar o seu amigo com apenas uma palavra. E mesmo que você não considere a sua casa digna de receber Jesus, deixe-o entrar... A sua impureza não vai tirar a pureza de Jesus, mas pelo contrário, a pureza de Jesus é que vai tornar você e a sua casa puros... Jesus não nega quando você pede algo bom para outra pessoa... Experimenta...

Jailson Ferreira

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Evangelhos Dominicais Comentados

02/junho/2013 – 9o Domingo do tempo Comum

Evangelho: (Lc 7, 1-10)

Tendo Jesus concluído todos seus discursos ao povo que o escutava, entrou em Cafarnaum. Havia ali um oficial romano, que tinha um escravo muito estimado; o escravo estava muito mal, à beira da morte. Tendo ouvido falar de Jesus, enviou alguns chefes dos judeus para pedir-lhe que viesse salvar da morte seu escravo. Aproximando-se de Jesus, pediram-lhe com insistência, dizendo: “Ele merece que lhe faças o favor, pois ama nossa gente; ele mesmo foi quem construiu para nós a sinagoga”. Jesus se pôs a caminho com eles. Já estava perto da casa, quando o oficial enviou alguns amigos para lhe dizerem: “Senhor, não te incomodes, pois eu não sou digno de que entres em minha casa. Nem me julguei digno de ir a ti. Mas dize só uma palavra e meu escravo ficará curado. Pois eu também estou submisso à autoridade e tenho soldados a meu comando, e digo a um: Vai, e ele vai; a outro: Vem, e ele vem; a meu escravo: Faze isto, e ele o faz”. Ouvindo estas palavras, Jesus ficou admirado com ele; voltou-se para a multidão que o seguia e disse: “Eu vos digo que nem em Israel encontrei tamanha fé”.e Ao voltar para casa, os enviados encontraram o escravo em perfeita saúde.

COMENTÁRIO

Este evangelho nos leva a refletir sobre uma frase que repetimos sistematicamente em nossas celebrações e, que nem sempre levamos em conta o significado destas palavras: “Senhor eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo!”

Estas palavras saíram da boca de um centurião do exército romano. O centurião era comandante de cem soldados (uma centúria), que patrulhava a Judéia. Sabe-se que ele era pagão, porém acreditava em Deus e participava dos ofícios religiosos judaicos.

Jesus ressalta a grande fé desse anônimo soldado e afirma que jamais vira tamanha fé, nem mesmo em Israel. Diante de sua atitude, podemos concluir também, que ele tinha grande estima por seu escravo, a quem chamava de servo, pois demonstrou grande preocupação ao vê-lo doente.

Preocupou-se, mas não se desesperou. Ele sabia onde poderia encontrar a cura para aquela pessoa que tanto amava. Jesus era a solução para o problema que enfrentava.  De imediato mandou alguns judeus conversarem com Jesus a fim de solicitarem seu auxílio.


Os judeus enviados a Jesus, antes mesmo de pedirem a ajuda esperada, puseram-se a ressaltar as qualidades do centurião. Falaram de sua presença ativa na comunidade, a ponto de construir-lhes uma sinagoga. Contaram tudo, de maneira bem detalhada esperando com isso que Jesus não iria negar auxilio a uma pessoa tão prestativa para sua comunidade.

A intercessão dos judeus, certamente foi importante, fez com que o Mestre se dispusesse a ir até a casa onde se encontrava o doente, entretanto, o que deixou Jesus extremamente feliz foi poder constatar o testemunho de humildade e de fé do centurião.

A fé, a confiança demonstrada aqui por alguém que somente havia ouvido falar em Jesus deve levar-nos a refletir sobre tantas dúvidas que acumulamos dentro de nós. Espero estar enganado, mas parece-me que fraquejamos com muita facilidade.

Nestes dois mil anos que se passaram já obtivemos milhares de provas do amor e da misericórdia de Deus e, mesmo assim, diante dos problemas diários, diante de uma doença, às vezes nem tão grave, nos desesperamos, não procuramos Jesus na Eucaristia e logo recorremos ao imediatismo.

O comodismo e a certeza de que o dinheiro é capaz, até mesmo, de comprar saúde e bem estar, fazem com que nos sintamos auto-suficientes. Acreditando que não dependemos de Deus saímos à procura dos milhares de vendedores de milagres e sucesso financeiro, facilmente encontrados em cada esquina. Essa atitude é uma ofensa ao nosso Deus e nos torna piores do que os pagãos.

Por isso, pedimos ao Pai Misericordioso que nos dê a graça de agir como o centurião deste evangelho. Que sejamos misericordiosos para com os menos favorecidos e verdadeiramente humildes para perceber que somos indignos de receber tantas graças em nosso dia a dia.

Rezemos juntos pedindo que os nossos olhos se abram para enxergar que tudo o que somos e que temos, são graças que o Deus misericordioso faz questão de nos conceder, apesar de não sermos merecedores.

(2348)


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Evangelho - Lc 7,1-10
Você se acha indigno?
        Nos primeiros dias desse mês de setembro, refletimos sobre o início da vida pública de Jesus, quando Ele pregava nas sinagogas e curava os doentes em Cafarnaum. No Evangelho de hoje, Jesus volta a esta cidade e é procurado pelos anciãos judeus, que trazem o recado do oficial romano que não se acha digno de ir pessoalmente ao seu encontro. E o recado é um pedido para que Jesus cure um de seus empregados, pelo qual tem grande estima. O evangelista diz que Jesus se admirou muito, e vamos ver por quê.
        Os romanos que viviam na Palestina, naquele tempo, eram as autoridades políticas da região. Roma dominava cada cidade e tinha um oficial que era dono daquela terra, e dispunha de soldados preparados para seguir as suas ordens. Os judeus tinham seus líderes religiosos, mas estes eram subordinados a autoridade romana. Por isso, até para construir uma sinagoga, quem tinha o poder de autorizar era o oficial romano. Cafarnaum era privilegiada, pois contava com um oficial que tinha enorme simpatia pelos judeus, e isso era muito incomum para a época. O que deixou Jesus admirado foi o fato de que este oficial poderia ter usado do poder, que lhe fora concedido, para ordenar que trouxessem Jesus ao seu encontro, a fim de resolver os seus problemas pessoais. Mas não era isso que o oficial queria... Ele queria pedir a Jesus que viesse a sua casa para salvar a vida de um de seus empregados, que estavamorrendo. Mas não se achava digno nem de ir ao encontro de Jesus, nem que Jesus entrasse em sua casa! Jesus ficou tão admirado com isso, que chegou a dizer: "Eu vos declaro que nem em Israel encontrei tamanha fé."
        Agora vou trazer para a nossa realidade...
        Cada um de nós tem um certo grau de autoridade. Uns mais, outros menos. Uns têm autoridade para iniciar uma guerra mundial; outros têm autoridade para comandar um país, um estado, uma cidade, uma multinacional, e têm dinheiro e influência suficiente para satisfazer todos os seus desejos; e outros, ainda, têm autoridade pelo menos na sua casa, sobre seus filhos, sobre seu grupo, sobre seus amigos, ou pelo menos sobre si próprio. E por esse mínimo poder que lhe é dado, já se acha tão importante, que nem se vê mais precisando de Deus. Imagine Jesus chegando na sua cidade, querendo falar com você... mas você se acha tão importante que teria que ver um horário na agenda pra ver se poderia recebê-lo. É absurdo? Pois acredite: você faz isso, eu faço isso... E incontáveis vezes nem cheguei a encontrar um horário pra Ele, e a "audiência" teve que ficar pro outro dia, ou pra outra semana, enfim, pra uma hora que eu tivesse tempo.
        Um tempo atrás, circulava na internet, um texto com Jesus dando "bom dia", dizendo que está conosco o tempo inteiro, mas nós nem percebemos... E é isso mesmo! Temos Jesus na Eucaristia, mas às vezes estamos tão cansados ou temos outro compromisso mais importante...
Se tivéssemos a fé daquele oficial, que acreditou sem nem precisar ver, nós nos sentiríamos indignos de recebê-lo. Mas Ele é quem quer habitar em nós! Jesus entrou na casa do fariseu, do cobrador de impostos, dos pobres, entraria na casa do oficial romano, e entraria na nossa também... "Eis que estou à porta e bato, se abrires a porta, entrarei, sentarei à mesa contigo, e cearemos juntos."
Jailson Ferreira
jailsonfisio@hotmail.com
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Nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé-Irmã Patrícia Silva
Evangelho - Lc 7,1-10

O que diz o texto do dia?
Leio atentamente o texto: Lc 7,1-10 - Jesus cura sem limites.
Quando Jesus acabou de dizer essas coisas ao povo, foi para a cidade de Cafarnaum. Havia ali um oficial romano que tinha um empregado a quem estimava muito. O empregado estava gravemente doente, quase morto. Quando o oficial ouviu falar de Jesus, enviou alguns líderes judeus para pedirem a ele que viesse curar o seu empregado. Eles foram falar com Jesus e lhe pediram com insistência:
- Esse homem merece, de fato, a sua ajuda, pois estima muito o nosso povo e até construiu uma sinagoga para nós.
Então Jesus foi com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial romano mandou alguns amigos dizerem a Jesus:
- Senhor, não se incomode, pois eu não mereço que entre na minha casa. E acho também que não mereço a honra de falar pessoalmente com o senhor. Dê somente uma ordem, e o meu empregado ficará bom. Eu também estou debaixo da autoridade de oficiais superiores e tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Digo para um: "Vá lá", e ele vai. Digo para outro: "Venha cá", e ele vem. E digo também para o meu empregado: "Faça isto", e ele faz.
Jesus ficou muito admirado quando ouviu isso. Então virou-se e disse para a multidão que o seguia:
- Eu afirmo a vocês que nunca vi tanta fé, nem mesmo entre o povo de Israel!
Aí os amigos do oficial voltaram para a casa dele e encontraram o empregado curado.
O oficial romano, por ser pagão, era para os judeus " impuro", isto é, inaceitável. Um judeu observante não falava com um pagão e, muito menos, entrava na sua casa. Era o preconceito por ser considerado impuro. O oficial romano é também chamado "centurião", derivado de "cento", ou seja, chefe de um batalhão de cem soldados. Pela sua fé, elogiada por Jesus, o centurião se torna representante de todos os pagãos que vão crer em Jesus. Fica também entendido, neste fato do Evangelho, que as fronteiras do Reino de Deus vão muito além das fronteiras que criamos. A fronteira é a fé. Sem esta fé não se entra no Reino.
Meditação (Caminho)
O que o texto diz para mim?
Jesus não se deixa vencer pelo preconceito. Deixou-se vencer pela humildade e pela fé do oficial romano. Questiono-me se a minha fé me permite abrir as portas da minha casa, do meu coração, da minha família, do meu trabalho para Cristo. Pergunto-me ainda se me deixo vencer por algum preconceito. Se ainda não tenho fé que rompe as fronteiras, vou repetir hoje muitas vezes:
Senhor! Eu não mereço que o Senhor entre na minha casa.
Os bispos, na Conferência de Aparecida, disseram: "Neste momento, com incertezas no coração, perguntamo-nos com Tomé: "Como vamos saber o caminho?" (Jo 14,5). Jesus nos responde com uma proposta provocadora: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14,6). Ele é o verdadeiro caminho para o Pai., quem tanto amou ao mundo que deu a seu Filho único, para que todo aquele que nele creia tenha a vida eterna (cf. Jo 3,16). Esta é a vida eterna: "que te conheçam a ti o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo teu enviado" (Jo 17,3). A fé em Jesus como o Filho do Pai é a porta de entrada para a Vida. Como discípulos de Jesus, confessamos nossa fé com as palavras de Pedro: "Tuas palavras dão vida eterna" (Jo 6,68); "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo" (Mt 16,16)" (DAp 101).
Contemplação (Vida e Missão)
Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Lembrarei do centurião e me motivarei no dia de hoje, com as palavras do papa Bento XVI no início de seu Pontificado, fazendo eco a João Paulo II: "Não temam! Abram, abram de par em par as portas a Cristo!... quem deixa Cristo entrar a não perde nada, nada - absolutamente nada - do que faz a vida livre, bela e grande. Não! Só com esta amizade abrem-se as portas da vida. Só com esta amizade abrem-se realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só com esta amizade experimentamos o que é belo e o que nos liberta... Não tenham medo de Cristo! Ele não tira nada e nos dá tudo. Quem se dá a Ele, recebe cem por um. Sim, abram, abram de par em par as portas a Cristo e encontrarão a verdadeira vida."
Bênção
- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
-Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.
Irmã Patrícia Silva

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“O oficial romano pagão procura Jesus” – Claudinei M. Oliveira

       
Evangelho –  Lc 7,1-10     
            A fé curou o empregado do oficial romano. Nesta passagem do Evangelho de Lucas aprendemos com Jesus, a amar todos, sem distinção, se possível até os inimigos. Jesus era perseguido pelas tropas romanas por apresentar um Deus diferente. Mas provocava euforia quando passava numa cidadela e fazia curas. Assim, multidão seguia Jesus para ouvir e para ser curado dos males, ou seja, a multidão queria ser libertada.
Um oficial romano sentiu-se atraído pela idéia da cura, pois um empregado estava muito mal, e deu um jeito de fazer Jesus curar seu empregado, mas sem ir a sua casa, pois se um judeu entrasse na casa de um pagão o tornaria impuro. Por isso que o pagão oficial romano, sabendo das circunstâncias, deu ordens aos seus empregados para interpelar Jesus: Senhor, não se incomode, pois eu não mereço que entre na minha casa. E acho também que não mereço a honra de falar pessoalmente com o senhor. Dê somente uma ordem, e o meu empregado ficará bom.Surpreendentemente o empregado do oficial romano ficou curado.
O mais surpreendente foi a afirmação de Jesus:eu afirmo a vocês que nunca vi tanta fé, nem mesmo entre o povo de Israel! Perguntamos: por que Jesus fez está afirmação nas palavras de Lucas? O que o evangelista Lucas estava sentido quando escreveu o espanto ou a admiração de Jesus? Mas, Jesus não sabia da extensão de sua pregação? Sem sombra de dúvidas que Jesus sabia tudo o que estava acontecendo ao seu redor. Ele até sabia o que iria acontecer com o advento de suas palavras proferidas para o povo. Mas Lucas quis mostrar que, às vezes, as pessoas que não participam da comunidade cristã tem mais ouvidos e afeição pela Palavra do que aquelas que vivem inseridas na comunidade. Quer dizer ainda que a comunidade esteja tão envolvida no projeto que esquece a sua volta. Esta comunidade que tão acesa Jesus não consegue enxergar o outro que tanto precisa da ajuda e da fraternidade.
Portanto, caros leitores, não basta conhecer o Salvador e fazer a sua vontade. É preciso ter ação concreta, envolver com o projeto de justiça e vida, não ter medo de  absorver o Deus libertador que não tem desprezo por ninguém. Quando abraçamos a causa de vida em plenitude dos irmãos, estamos diante do Pai que nos revela o amor. Buscamos com fervor mensurar a praticidade do evangelho nas nossas ações, com pensamentos voltados para o bem de todos. Não fechamos para tão somente a nossa comunidade, abrimos nossas palavras para as pessoas fora do nosso convívio. Jesus fez isto com simplicidade, prova disso foi a aproximação do pagão querendo a cura, ou seja, querendo a libertação. Que nós aprendemos com Jesus a cativar o irmão de pouca fé e nos fortalecemos no Cristo Ressuscitado. Que assim seja, amém!
Claudinei M. de Oliveira

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Senhor, eu não sou digno...- Sal

Evangelho - Lc 7,1-10
Não existem pessoas totalmente boas e santas, assim como não existem pessoas totalmente más. Porque no íntimo das pessoas santas sempre há uma pitadinha de malícia ou mesmo de ruindade, e no inconsciente dos maiores bandidos há sempre uma pequena chama de bondade.
Aquele homem fazia parte dos cruéis dominadores romanos que agiam no território daquele povo com toda injustiça que achavam ter direito. Tomando o dinheiro deles, e subjugando-os ao seu domínio, o qual tinha o apoio dos líderes judaicos, os saduceus, entre eles os sacerdotes, em troca do controle lucrativo da religiosidade praticada no Templo.
Mas aquele não era um dominador totalmente mau e injusto. Além de ser um homem disfarçadamente de muita fé, “Nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.”, Aquele oficial romano estimava muito o seu empregado, o qual estava doente, à beira da morte. Além disso, ele merecia aquele favor, porque estimava o povo dominado, chegando até a construiu uma sinagoga. Tudo isso foi relatado pelos homens encarregados de interceder por ele diante de Jesus.
O que tiramos do Evangelho de hoje como lição para a nossa vida, é que aquele oficial romano, era dominador sim, porém era um merecedor da graça que pedira ao Filho de Deus, por dois motivos: Ele tinha fé. Acreditava plenamente que Jesus podia operar aquele milagre mesmo à distância, sem que precisasse ir até a sua casa, e ele se considerava indigno dessa visita, por fazer parte daqueles que oprimiam aquela gente indefesa. Em segundo lugar, além disso, como acabamos de mencionar, ele era um bom homem apesar de ser um dos romanos.
Aqui percebemos duas coisas de fundamental importância para a nossa salvação, segundo Jesus: Fé e caridade. Apesar das aparências de mau, e de dominador, aquele oficial romano acreditava e era caridoso.
Já fiquei sabendo de muitos casos em que bandidos socorreram pessoas em casos de grandes necessidades, como levar em seu próprio carro para o hospital, um pai de família que havia caído do telhado, dar dinheiro a uma viúva para pagar o aluguel, socorrer uma mulher na hora do parto, ajudar a desenterrar pessoas soterradas pelos desabamentos causados pelas enchentes, etc.
Tudo isso nos mostra que nem todos os santos são totalmente santos, assim como nem tosos os maus são totalmente maus. O que nos leva a não nos considerar perfeitos e por outro lado não julgar, não condenar os que vivem do outro lado, na ilegalidade, como casos totalmente perdidos. Só Jesus é que tem o direito de julgar.
Sal.
CONCLUSÃO:
Uma coisa é a fé em si, e outra coisa é como ela se expressa. Para muitos, a fé em si nem sequer é percebida, de modo que existe uma necessidade muito grande de ritualismo e de formas exteriores de expressão da fé. Quem tem verdadeiramente fé em Jesus, acredita na autoridade do seu nome e na força da sua Palavra, e não necessita de manifestações exteriores para acreditar na eficácia da sua ação. Deste modo, todos nós somos convidados a reconhecer que a grandiosidade da fé do Centurião que acreditou plenamente no poder da Palavra de Jesus e não exigiu dele nenhum rito ou gesto exterior e, porque acreditou, foi atendido naquilo que tdesejava.(CNBB)

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Nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé- Missionários Claretianos

Primeira leitura: 1 Coríntios 11, 17-26.33
Se têm surgido divisões entre vós, de fato, já não é para comer a Ceia do Senhor que vos reunis. 
Salmo responsorial: 39, 7-10.17-18
Irmãos, anunciai a morte do Senhor, até que ele venha! 
Evangelho: Lucas 7, 1-10
Nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.
A exortação do evangelho deste dia é bem concreta: viver a fé desde a experiência em Jesus. Um centurião romano ouviu falar de Jesus e ao ver a situação em que seu criado se encontrava mandou-o chamar. A fé intensa que demonstra o centurião, sendo alguém “não religioso”, mas que certamente simpatizava com o judaísmo, manifesta a profunda experiência que deve ter tido de Deus, apesar de sua condição.

E essa mesma experiência faz que ocorra algo insólito: o centurião pede a alguns judeus “notáveis” que rogassem junto a Jesus a cura de seu servo. Isto não se vê em nenhuma outra passagem. O próprio Jesus se surpreende e exclama que não encontrou em Israel uma fé semelhante! A fé profunda desse centurião deve chamar nossa atenção a ponto de nos questionar: como estou vivendo minha fé e compromisso diante das necessidades do outro?

A Igreja celebra um grande santo neste dia: São João Crisóstomo. Crisóstomo significa “Boca de Ouro”, porque suas pregações eram admiradas por seus ouvintes. É considerado o orador mais famoso da Igreja. Peçamos ao Senhor que continue enviando muitos pregadores como ele.
Missionários Claretianos

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“Jesus cura o empregado de um oficial romano” Rita


Lc 7,1-10
Jesus entrou em Cafarnaum ali havia um oficial romano que tinha um empregado doente e este tendo ouvido falar de Jesus, cheio de fé pede a Jesus que cure seu empregado. A fé e a humildade daquele homem considerado pagão levam Jesus a realizar a cura de seu empregado. O oficial não fazia parte dos escolhidos, daqueles que eram considerados salvos, mas sua fé causou admiração em Jesus, tal qual a fé da mulher Cananéia.
Jesus nos mostra que a fronteira do Reino é a fé no Filho de Deus e em sua ação libertadora que gera vida. Doravante não basta apenas pertencer a este ou aquele grupo religioso. O que prevalece é a fé no nome de Jesus Cristo e a vivência cristã de seus ensinamentos.
A palavra de Deus não conhece barreiras ela as ultrapassa e vai gerando vida nova a todo aquele que tem fé. Por causa desta palavra que gera vida e paz a todos é que precisamos assumir nosso papel como igreja missionária indo anunciar Jesus ressuscitado a todos e ajudando materialmente e com nossas orações aqueles que vão além-fronteiras para que todos os povos e nações possam conhecer e acolher Jesus como salvador.
Em Cristo
Rita Leite

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Deus se revela a todos os povos
As leituras deste domingo nos proporcionam a oportunidade de refletir quem é Deus, onde ele mora e qual o seu plano para a humanidade. O rei Salomão constrói um grandioso templo em Jerusalém como habitação para Deus. Neste lugar, pelo que se percebe na oração de Salomão, todos os povos teriam oportunidade de conhecer o nome de Deus conforme revelado ao povo de Israel. (I leitura). A abertura a todos os povos completa-se com a vinda de Jesus. Ele (e não mais o templo) é a fonte e o caminho de salvação universal. Jesus é “Deus conosco”, independente do templo. Ele revela o verdadeiro nome de Deus que não se circunscreve num recinto sagrado, mas comunica-se no lugar social das pessoas necessitadas, libertando-as (evangelho). Deus não faz acepção de pessoas, ultrapassa barreiras culturais e manifesta-se a todos os povos oferecendo-lhes gratuitamente a salvação em Jesus Cristo. Este é o evangelho assumido e pregado pelo apóstolo Paulo. Na defesa desta boa notícia da salvação gratuita, Paulo enfrenta toda espécie de conflitos (2ª leitura). Para nós hoje, como discípulos missionários de Jesus, é importante compreender, acolher e anunciar com ousadia o Evangelho da vida plena para todos, sem exclusão.
1ª leitura (1Rs. 8,41-43): A grandeza do nome de Deus
Esta pequena oração de Salomão situa-se no contexto da festa da Dedicação do Templo de Jerusalém. Lendo todo o capítulo 8 de 1Reis, percebe-se que a Arca da Aliança que acompanhou o povo de Israel desde a sua saída da escravidão no Egito, é agora transportada para dentro do templo num cerimonial de grande pompa. Salomão, além de rei, exerce a função de sacerdote. Declara que edificou uma casa para residência eterna de Deus (8,13), cumprindo-se assim a promessa feita ao seu pai Davi. Em sua oração, o rei Salomão exalta o templo como o centro gravitacional de todos os povos. Apesar de confessar que nem “os céus dos céus podem conter Deus” (8,27), é para o templo de Jerusalém que os estrangeiros poderão acorrer para reconhecer “a grandeza do vosso nome, a força de vossa mão e o poder do vosso braço”, conforme expressa o texto deste domingo. Ainda mais, é a partir deste lugar que “todos os povos da terra conhecerão o vosso nome, vos temerão como o vosso povo de Israel e saberão que o vosso nome é invocado sobre esta casa que edifiquei”.
Sabe-se que a construção do templo e a centralização do culto em Jerusalém tiveram por objetivo legitimar o poder monárquico e, mais tarde, o sistema sacerdotal de pureza que excluiu a maioria das pessoas da pertença ao povo eleito. No entanto, a teologia do texto indica uma abertura universal. A experiência religiosa de Israel não pode ser exclusivista. Deve irradiá-la a todos os povos. O Deus da vida pode ser conhecido e invocado por judeus e estrangeiros. Afinal, todos são seus filhos e filhas.
Evangelho (Lc. 7,1-10): Jesus e a fé de um estrangeiro
Deus encarnou-se em Jesus de Nazaré. Fez sua morada no meio da humanidade. Solidarizou-se com as vítimas do sistema religioso de pureza organizado pela casta sacerdotal do templo de Jerusalém. Ao invés de promover a abertura universalista segundo a vocação que Deus dera a Israel, a elite religiosa fechou-se em suas concepções de pureza e impureza, mantendo o povo sob o jugo de um emaranhado de leis.
A prática de Jesus, porém, não corresponde à doutrina disseminada pelos doutores da lei. Enquanto estes consideram os pobres e estrangeiros como impuros e excluídos do povo santo de Deus, Jesus promove a vida sem exclusão, como se constata no relato evangélico deste domingo. Um centurião romano dirige-se a Jesus, cheio de confiança, para fazer-lhe um pedido a favor de um servo. Os centuriões normalmente não eram bem vistos pelos judeus. Representavam a opressão que o império romano exercia sobre o povo. Aquele centurião, porém, sabia manter boas relações com a população de Cafarnaum e manifestava simpatia pela própria religião judaica. Não só construiu uma sinagoga, mas interessou-se pelo que diziam de Jesus.
Este centurião, segundo o evangelho de Lucas, não vai pessoalmente ao encontro de Jesus. Envia anciãos judeus para fazer-lhe um pedido. Na versão de Marcos (8,5-13) é o próprio centurião que se dirige a Jesus. Temos a impressão de que Lucas enfatiza a consciência de “indignidade” manifestada pelo centurião diante da grandeza do nome de Jesus que ele ouvira falar.
O centurião representa aqui o povo gentio. A mediação dos anciãos judeus resgata a vocação de Israel de promover a inclusão também dos estrangeiros na graça libertadora de Deus. A missão de Jesus não se restringe ao povo de Israel. Ele veio para todos. Tem o coração aberto para acolher e valorizar o testemunho de amor, de humildade, de respeito e de fé dado por um estrangeiro. Testemunho de amor porque o centurião manifesta cuidado pela vida de um servo; de humildade porque se sente indigno de achegar-se a Jesus; de respeito porque sabe que um judeu ficaria impuro se entrasse na casa de um pagão; e finalmente o testemunho de fé porque, a partir de sua própria experiência de obedecer e de dar ordens, reconhece o poder das palavras. Pelo que ele ouviu falar de Jesus, tem certeza da eficácia de suas palavras. Jesus impressiona-se com a atitude daquele centurião. Volta-se para o povo e declara: “Em verdade vos digo: nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”.
O texto enfatiza a importância da Palavra de Jesus. As comunidades cristãs, organizadas após a morte e a ressurreição de Jesus, alimentam-se essencialmente da Palavra. “Dize somente uma palavra e meu servo será curado”. As comunidades de fé e de amor são o novo templo, o lugar da presença libertadora de Jesus. Nelas não pode haver discriminação de pessoas. Judeus e estrangeiros são igualmente portadores da Boa Notícia da vida em plenitude. É missão dos cristãos difundir o evangelho pelo mundo afora. Lucas vai dedicar o livro de Atos dos Apóstolos para mostrar a trajetória da Palavra, “de Jerusalém aos confins do mundo” (At 1,8). A Palavra que liberta não tem fronteiras. Não é um sistema religioso, nem os laços de sangue que determinam a pertença ao Reino de Deus e sim a prática da justiça, como vai expressar o apóstolo Pedro na casa de outro centurião, chamado Cornélio: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz discriminação entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença” (At. 10,34-35).
2ª leitura (Gl. 1,1-2.6-10): Não há dois evangelhos
Paulo, após seu encontro com Jesus ressuscitado, entregou-se por inteiro na missão de evangelizar os povos. Entre os diversos problemas pelos quais ele passou está o conflito com os chamados “judaizantes” que pregavam a necessidade da circuncisão e do cumprimento de outras leis judaicas para os cristãos provindos do paganismo. Muitos se deixavam influenciar por estes judaizantes. A autoridade de Paulo, como apóstolo e fundador daquelas comunidades cristãs, estava sendo desprestigiada. Ao ser informado destas coisas, Paulo fica muito indignado. A indignação é manifestada até mesmo no modo como escreve a carta: não começa com a costumeira ação de graças e nem termina com a bênção. Ele escreve num tom de muita firmeza, gravidade e convicção. Já de início esclarece que seu apostolado não é por uma decisão humana, mas “por Jesus Cristo e por Deus Pai que o ressuscitou dos mortos”. Portanto, a carta aos Gálatas se reveste de uma profunda seriedade. Caracteriza-se como uma forte advertência com a intenção de fazer que aquelas comunidades cristãs retomem o caminho do único evangelho.
A que evangelho Paulo se refere? No conjunto da carta constata-se que se refere ao “evangelho da liberdade” que se baseia na certeza de que a salvação é obra gratuita de Deus por Jesus Cristo. Não tem mais sentido a obrigatoriedade da circuncisão nem do legalismo. Não tem mais sentido as barreiras entre povos. Agora todos fazem parte do corpo de Cristo: “Não há mais diferença entre judeu e grego, entre pessoa escrava e livre, entre homem e mulher, pois todos vocês são um só em Jesus Cristo” (3,28). Cristo uniu a todos numa única família e concedeu a todos a verdadeira liberdade: “É para sermos livres que Cristo nos libertou. Portanto, fiquem firmes e não se submetam de novo ao jugo da escravidão” (5,1).
Para Paulo é fundamental compreender e assumir este evangelho que torna as pessoas maduras, convictas, responsáveis e não mais dependentes de normas externas. É uma vida pautada segundo o Espírito de Deus. Não há outro evangelho. Caso contrário coloca-se a perder o significado da vida, da morte e da ressurreição de Jesus Cristo.
Pistas para reflexão
Deus revelou-se na história do povo de Israel como aquele que liberta os oprimidos de todo tipo de escravidão. A aliança que fez com o seu povo visou abranger toda a humanidade. A vocação de Israel é irradiar o nome do Deus da vida e da libertação para todos os povos. Apesar das tentativas de centralização e de exclusividade da eleição do povo de Israel, Deus sempre manifestou através dos movimentos proféticos e sapienciais o seu plano de salvação universal. Enviou o seu filho, Jesus Cristo, cuja proposta de Reino de Deus visa a inclusão de todos na vida em plenitude. O episódio do evangelho deste domingo – Jesus e o centurião romano – caracteriza-se como um apelo a todos os discípulos de Jesus, no sentido de abrir-se ao “outro”, acolhendo e valorizando sua fé. Outro dado importante é a autoridade da Palavra de Jesus: o que ele diz acontece. A Palavra de Deus é viva e eficaz! Jesus rompe com as barreiras impostas pelo sistema do templo, supera o legalismo, ensina com autoridade e oferece seu amor e salvação a todos.
A salvação gratuita de Deus a todos os povos – ofertada através da vida, morte e ressurreição de Jesus - foi assumida pelo apóstolo Paulo como “único evangelho”. O seu testemunho de total entrega por esta causa de inclusão de todos os povos no plano de salvação de Deus, ilumina e fortalece a nossa missão hoje como discípulos missionários de Jesus.
► Pode-se ligar a Palavra de Deus da liturgia deste domingo com a primeira urgência da ação evangelizadora da Igreja no Brasil: Igreja em estado permanente de missão (cf. Diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil, 2011-2015)
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Coisas de corações retos
“Quando acabou de falar ao povo  Jesus  que o escutava Jesus entrou  em Cafarnaum”. Sempre andando, sempre falando aquilo que o coração mandava falar. E, livre de preocupações e cuidados consigo mesmo, Jesus estava disponível. Tinha tempo para acolher pessoas com suas  alegrias e seus dramas.  Havia aquele oficial romano que tinha um empregado a quem aprendera a estimar.  Estava ele doente às portas da morte.  O romano ouvira falar de Jesus e pediu que influentes judeus fossem ter com ele e pedissem que ele viesse  salvar o empregado que tanto estimava.
Os enviados judeus não pestanejaram: “O oficial merece que lhe faças esse favor  porque ele estima o nosso povo.  Ele até nos construiu uma sinagoga”.
Jesus se põe a caminho, sempre em frente, sempre a caminho. Talvez Jesus andou se informando a respeito do tipo de doença, detalhes e circunstâncias.
E lá vem outra embaixada da parte do oficial romano. Esses  novos emissários não pedem a presença ou a força de Jesus. Parece que o homem se sentiu invadido por um sentimento de admiração pela disponibilidade  de  Jesus. O que o oficial mandou dizer a  Jesus  continua ressoando aos nossos ouvidos. “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno que entres em minha casa. Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente ao teu encontro, mas ordena com tua palavra e meu empregado ficará curado”. Mesmo à distância o oficial romano ia sendo trabalhado interiormente pela força e pela pessoa de Jesus.  Hoje ainda, ao recebermos o Corpo e Sangue do Senhor, dizemos que não somos dignos de receber  a  visita do Senhor.  Mas que ele diga uma só palavra e seremos salvos. Esse episódio se reveste de confiança, fé, respeito.   Jesus chega mesmo a dizer que um pagão demonstrou mais fé do que seus  irmãos na fé judaica: “Eu vos declaro que nem mesmo em  Israel encontrei tamanha fé”. Estamos diante de pessoas com consciência delicada e coração reto. Precisamente com esses predicados é que se constrói  uma humanidade renovada. Nesses corações pode começar a existir o  Reino novo de Jesus.
Lucas observa: “Os mensageiros voltaram para casa do oficial  e encontraram  o empregado em perfeita saúde”.
frei Almir Ribeiro Guimarães
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A fé do pagão e a cura de seu empregado
A fé do centurião de Cafarnaum é emocionante (evangelho). É tenente do exército romano, “pagão”, mas estima muito o judaísmo. Sendo Jesus judeu, o centurião se julga indigno de fazer-lhe um pedido direto e manda os anciãos da comunidade judaica (afinal, ajudara-os a construir a sinagoga). Estes insistem com Jesus, e ele vai com eles. Ainda no caminho, o centurião lhes corre ao encontro: “Não, Senhor, não entre em minha casa. Eu não sou digno. Mas fale só uma palavra, que meu servo já fica bom. Pois eu sou militar, eu sei o que uma palavra é capaz de fazer quando a gente tem poder de mandar!” E Jesus cura o servo, à distância.
História emocionante, porque mostra a grande fé do homem e também sua expressão tão espontânea, nascida de sua vida profissional. “Eu sei o que é mandar!” Emocionante ainda é a simplicidade com que, primeiro, procura intermediários e, depois, corre ao encontro de Jesus. Para o evangelista dos “pagãos”, Lucas, porém, a maior emoção se encontra na palavra de Jesus: “Nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé” (v. 9).
O universalismo transparece na 1ª leitura, tirada da bela oração de Salomão por ocasião da Dedicação do Templo. Salomão pede a Deus que também os que vêm de longe encontrem ouvido quando rogarem no templo de Jerusalém. Mas há certa ambiguidade. Pode ser uma maneira de promover o templo que ele, Salomão, construiu inclusive, para atrair interesses estrangeiros, colocou estátuas de divindades estrangeiras em Jerusalém (1Rs. 11,7-8). Um universalismo que cheira a propaganda barata. Universalismo para promover as próprias instituições. Nesta atitude, a gente se mistura um pouco com Deus. O verdadeiro universalismo faz abstração do ganho próprio, mas deseja que cada um encontre Deus no caminho que lhe é próprio. No encontro de Jesus com o centurião romano, Jesus faz abstração das instituições judaicas.
São Paulo, nas suas viagens, evangelizara uma região bem “subdesenvolvida”, de pouca cultura, lá no interior da Turquia: a Galácia (2ª leitura). Eram bárbaros, que mal falavam um pouco de grego. Mas, uma vez que Paulo abriu o caminho, outros judeus, valendo-se do nome de Jesus de Nazaré, começaram a pregar para os gálatas, ávidos por qualquer novidade do mundo das grandes culturas e religiões. Estes novos missionários consideravam o cristianismo como sendo apenas uma variante do judaísmo. Segundo eles, Jesus era um grande mestre, mas não tinha iniciado algo realmente novo; o judaísmo permanecia o único caminho seguro de salvação. Quando fica sabendo disso, Paulo inflama-se e escreve uma carta severa para explicar aos gálatas que Jesus pôs fim ao judaísmo. O judaísmo tinha crucificado Jesus e, com ele, suas próprias prerrogativas e privilégios. O judaísmo servia para os judeus (Paulo o observava ainda), mas não devia ser imposto aos não-judeus: ou Jesus salva o homem, ou o judaísmo, mas não ambos ao mesmo tempo; se a Lei salva, Jesus morreu em vão (cf. Gl. 2,21).
As leituras de hoje evocam, portanto, um problema bastante crucial entre nós também. Por um lado, temos pessoas que acham que fora do catolicismo romano (de preferência na sua forma mais tradicional) não existe salvação. Por outro, o povão quer garantir sua salvação por uma combinação de várias crenças (o sincretismo). Nenhuma das duas maneiras entende o universalismo da salvação de Deus. Deus salva a quem o procura de modo sincero e autêntico, no caminho que lhe é próprio, seja esse caminho budista, animista, espírita, ou seja lá o que for. Mas Deus se manifestou também para ser conhecido melhor em Jesus Cristo, de maneira única. Quem tem a felicidade de conhecer Jesus Cristo deve, por isso, ajudar a todos a crescerem lá onde Deus os fez brotar. Se assim eles descobrirem que é Jesus quem os coloca em contato com o Deus que buscam, tanto melhor. Mas não desejemos um monopólio para as nossas instituições religiosas. Isso é contraproducente, como mostra a “implantação” da Igreja no Brasil, que talvez não tenha sido uma verdadeira evangelização.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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A cura do empregado do oficial romano
Os oficiais romanos da época de Jesus eram pagãos, porém, este oficial, diferentemente da maioria, acredita em Jesus, e pede que O tragam para curar o empregado o qual ele tem muita estima.
Ele mesmo não se sente digno de ir pessoalmente ao encontro de Jesus e, por isso, manda mensageiros. Primeiramente, foram os anciãos Judeus até Jesus e falam da bondade do oficial e de sua estima pelo judaísmo, o que o torna digno de receber a graça pedida. No entanto, o oficial sabe que os judeus se sentem impuros ao entrar na casa de um pagão, e mesmo Jesus tendo se colocado a caminho para atender o seu chamado, ele envia outro grupo de mensageiros, desta vez alguns amigos para dizerem a Jesus que ele se sente indigno de recebê-Lo em sua casa, e até mesmo de falar com Ele, mas que acredita que, com Suas palavras, mesmo sem estar próximo, Jesus pode salvar seu empregado.
Chega-se então ao ponto principal deste Evangelho, no versículo 9, quando Jesus diz: "Eu afirmo que nem mesmo em Israel vi tanta fé!"
Esta afirmação de Jesus demonstra que a fé não é maior ou menor em quem se declara ou não cristão, mas são as atitudes que dão o verdadeiro testemunho da fé de cada um. Jesus mostra que atende sempre aqueles que O invocam de forma sincera e autêntica, demonstrando uma fé verdadeira.
Sendo pagão, o oficial não só respeita a religião dos outros, como também incentiva-a e proporciona- lhe um espaço celebrativo. O respeito é ressaltado no momento em que o oficial envia amigos ao encontro de Jesus pensando ser Ele, um judeu tradicional. O oficial quer poupar-lhe do vexame da contaminação ritual e reconhece em Jesus, alguém que tem poderes especiais, apelando para a Sua autoridade.
A cura do empregado do oficial romano se reveste de sentido especial por tratar-se de um não-judeu, e Jesus atende ao pedido do estrangeiro porque a fé não conhece fronteiras.
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Fé e universalidade da salvação
O tema deste nono domingo do tempo comum é a fé e a universalidade da salvação.
O trecho do primeiro livro dos Reis é a resposta à questão posta imediatamente depois do exílio na Babilônia, quando do retorno dos deportados à terra de Israel. Os que voltam do exílio encontram na terra um “povo mesclado”. A pergunta é: que atitude adotar quanto aos estrangeiros que habitavam a terra? Pode-se admitir na sinagoga todos os que o desejam? Se algum estrangeiro se aproxima do Templo e busca o Deus de Israel, é porque reconhece a sua grandeza. Deus não rejeitaria a sua oração, pois ele acolhe a todos. Se Deus assim procede, convém não fechar as portas a quem quer que seja.
O perícope de Lucas, situada na primeira parte do evangelho, em que a questão é a identidade de Jesus, vai para a mesma direção. A menção de Cafarnaum já é importante, pois, simbolicamente, esta cidade, às margens do lago de Genesaré, abre a mensagem de Jesus aos pagãos, em face de Nazaré, cidade de Jesus (cf. 4,23). O centurião, chefe de cem soldados, é um pagão. A súplica do centurião a Jesus é por um servo seu, que ele estimava muito (v. 2). Para o centurião, o valor essencial parece ser a vida do seu servo (cf. v. 3). Estando a serviço do império romano, ele é considerado impuro. Mas ele mesmo não se diz impuro, pois isso é um conceito judaico-religioso; ele diz ser indigno: “Eu não sou digno de que entres sob o meu teto” (Lc. 7,6). Ele conhece as normas dos judeus quanto à pureza, por isso não vai pessoalmente ter com Jesus, mas envia anciãos judeus para intercederem por ele junto a Jesus. Dizer-se indigno é reconhecer a autoridade de Jesus. O Senhor acolhe a todos e toma a iniciativa de querer ir à casa do centurião. No entanto, o chefe pede que Jesus simplesmente dê uma ordem, pois é o poder da palavra que importa (cf. vv. 7-8). A fé do centurião causa uma profunda admiração em Jesus (v. 9). A fé do pagão ultrapassa a manifestada em Israel. A constatação da cura revela o poder vivificante e eficaz da palavra do Senhor (cf. v. 10).
Carlos Alberto Contieri,sj
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A fé não conhece fronteiras
O tema central da liturgia deste domingo é a fé que não conhece fronteiras, raças e línguas. Reunidos em comunidade no dia do Senhor, queremos rezar pelos irmãos e irmãs que não crêem ou que seguem alguma denominação religiosa diferente da nossa. Segundo Escritos Sagrados do Antigo Testamento, Deus (Javé) desde sempre foi o Deus de todos os povos. Na era cristã, segundo o Evangelho de Jesus Cristo cada povo pode expressar a sua fé a partir de sua cultura e realidade (Gl. 1,1-12).
O texto do Evangelho de hoje (Lucas 7,1-10) relata que Jesus encontrou mais fé fora que dentro do ambiente religioso. Vejamos a fé do centurião oficial do exercito romano. Naquele tempo Jesus entrou em Cafarnaum às margens do lago de Genesaré e um oficial romano que estava aflito em virtude da doença de seu empregado, enviou mensageiros para pedirem que Jesus viesse curar seu servo. Sabemos que pelo conceito judaico quem estava a serviço do exército romano era considerado impuro.
O centurião (oficial), portanto autoridade militar reconhece a autoridade de Jesus dizendo: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entreis em minha casa...” Dizer-se indigno já é reconhecer a autoridade, ou seja, o Senhorio de Jesus. Ciente de sua condição de pagão, mas com uma fé segura o centurião se aproxima de Jesus e o milagre da cura de seu servo acontece. Admirado com a fé do centurião Jesus disse: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé!” Para nós hoje esta passagem bíblica é um convite à conversão e ao acolhimento de todos. A nossa comunidade é uma comunidade acolhedora? Rotulamos as pessoas pela aparência ou por participarem deste ou daquele grupo; muitas vezes colocamos barreiras entre batizados e não batizados, entre os que têm participação ativa e aqueles que aparecem só na Semana Santa. Com a Nova e Eterna Aliança Jesus abriu as portas da salvação para todos.
Pedro Scherer
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Nesta semana o papa Francisco fez um alerta contra o triunfalismo: “Nós queremos o triunfo imediato, sem passar pela cruz, um triunfo mundano, um triunfo razoável”. A Igreja não pode ser triunfalista, não pode se sentir dona de Deus e da salvação. É chamada a ser sinal de salvação no mundo e a reconhecer os sinais de fé e de amor em todas as realidades e mesmo naqueles que não fazem parte do número dos batizados ou não frequentam nossas paróquias.
O próprio Jesus teve esta atitude diante da religião de sua época. No evangelho deste domingo, deixa claro que a instituição e a pertença religiosa não são garantias de nada. O que importa é a atitude da pessoa, sua abertura de coração. Aliás, os de fora parecem ser mais abertos do que os teólogos e sacerdotes que tiveram contato com Jesus, no Evangelho.
O centurião era um pagão. Se tantos se impressionaram com Jesus, desta vez, o próprio Cristo se impressiona com a atitude de uma personagem. E diante dele, declara algo inaudito, uma verdadeira heresia para qualquer judeu ortodoxo: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé” (Lc. 7,9). Em Israel, a maior fé não era de um saduceu, mestre da lei, escriba, fariseu, ou varão piedoso, frequentador do templo e da sinagoga. Para Jesus, a fé maior estava no coração de um pagão. Talvez também nós, que nos consideramos “católicos praticantes”, tenhamos também uma fé mísera, ou, ao menos, podemos nos envergonhar diante de tantos que nem conhecem nossos templos, mas que cultivam gestos de piedade e amor. Talvez alguns que até mesmo consideremos pecadores públicos.
Ninguém é dono da fé. E ela vem pelo caminho da humildade. Jesus nem precisou entrar na casa deste homem. Ele que tinha consciência de que podia dar ordens aos seus empregados, no entanto considerou que a simples palavra do Senhor poderia curar o seu funcionário. Pela humilde súplica da fé vem a graça do Senhor.
As instituições humanas e os seres humanos são caminhos para que cheguemos até Deus. Contudo, somos todos falhos, pecadores. Por isso, sem negar que a Igreja seja caminho de salvação, como também afirma o papa Francisco, colocamos a nossa confiança em Deus. É nesta linha que são Paulo nos diz que a iniciativa da graça não é humana, mas divina. Adverte que os homens podem falar em nome de Deus como pregadores, mas podem até mesmo pregar um evangelho diferente do Evangelho de Jesus. Que ninguém utilize o Evangelho para defender seus próprios princípios: triunfalismo, zelo agressivo, legitimação de poder, guerra religiosa, fanatismo... Nada disso tem a ver com a Boa Nova.
A coragem, sempre com caridade, com a doçura nos lábios, é necessária. Agradar a todos e sempre é caminho para a falta de autenticidade que trai princípios. São Paulo nos exorta a buscar sempre a verdade a todo custo: “Se eu ainda estivesse preocupado em agradar aos homens, não seria servo de Cristo” (Gl. 1,10).




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