.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 10 de maio de 2013

AFESTA DA ASCENSÃO DO SENHOR


AFESTA DA ASCENSÃO DO SENHOR

DOMINGO DIA 12 DE MAIO

Itrodução

-ASCENSÃO DO SENHOR-José Salviano


            Prezados irmãos. A liturgia deste domingo é muito rica. Pois temos para comemorar e refletir: A Ascensão  de Jesus, o Dia das Mães, o dia mundial das comunicações, a promessa  do envio do Espírito Santo aos discípulos e o  envio dos apóstolos para continuar a missão de  Jesus.  Continua


            ============================


“a força do alto”- HELENA COLARES SERPA


DOMINGO 12 DE MAIO 


Antes de subir ao céu Jesus dá as últimas instruções aos Seus discípulos recomendando-lhes que permanecessem na cidade e esperassem a “força do alto” que viria sobre eles e lhes daria poder para testemunhar tudo o que haviam visto e ouvido. A narrativa nos revela que Jesus os abençoou enquanto se afastava subindo para o céu e eles O adoraram. Depois voltaram para Jerusalém com grande alegria e permaneciam no templo esperando a promessa de Deus. A “força do alto”, prometida por Jesus é o Espírito Santo que já foi enviado, o qual nós já possuímos, por isso, hoje, somos nós as testemunhas de Jesus. O Espírito Santo é o presente que Jesus deixou para nós. Sob o olhar de Jesus o Espírito se manifesta na nossa vida. É o Espírito Santo quem nos revela os pensamentos do Pai e nos motiva a fazer a Sua vontade. Para refletirmos sobre a ascensão de Jesus ao céu nós precisamos nos situar naquele mesmo contexto que os apóstolos vivenciaram a fim de nos apossarmos da bênção de Jesus que nos legitima como Suas testemunhas aqui na terra. Quando Jesus abençoou os discípulos Ele o fazia também a cada um de nós que seríamos Seus seguidores. Jesus ainda hoje se mostra vivo diante de nós e as suas revelações são muito claras aos nossos olhos e ouvidos. Assim sendo Ele também diz para nós: “não vos afasteis de Jerusalém, mas espera a realização da promessa do Pai”! Nós já recebemos do alto o Espírito Santo e somos convocados para anunciar ao mundo a salvação de Jesus com o mesmo poder e sentindo a mesma alegria que os apóstolos tiveram, no entanto, precisamos permanecer juntos, unidos, em comunidade, na Igreja, que é lá que o Espírito Santo mais se manifesta. Quando, em comunidade, contemplamos a Ascensão de Jesus nós também podemos adorá-Lo, em espírito e verdade percebendo que Ele não nos deixou sozinhos (as), pois o Seu olhar continua posto sobre nós e o Seu Espírito nos sustenta e nos dá forças, para cumprir com o que nos foi proposto. Assim fazendo, nós também nos conservaremos firmes na certeza de que Jesus está vivo no céu, à direita do Pai, mas continua na terra, perto de nós, dentro do nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado. Reflita – Você já pensou nisto? – Você já experimentou contemplar a Ascensão de Jesus e receber a mesma bênção que Ele deu aos apóstolos? – Você se sente sozinho (a) no mundo? – Você confia na assistência de Jesus? – Você é testemunha de Jesus?
HELENA
============================
Ascensão significa a volta de Jesus para o Pai - Diac. José da Cruz
FESTA DA ASCENSÃO DO SENHOR 12/05/2013
1ª Leitura Atos 1, 1-11
Salmo 46 (47), 6 “Subiu Deus por entre aclamações, o Senhor, ao som, da trombeta”
2ª leitura Efésios 1, 17-23
Evangelho Lucas 24, 46-53

“DE VOLTA PARA O CÉU..
Um leitor que acompanha as nossas reflexões, e que costumeiramente sempre lê o evangelho antes do domingo, me fez uma observação muito interessante, e que na verdade serviu de “gancho” para esta reflexão. “Olha, achei que o evangelho desse domingo, fosse aquele tão bonito, quando Jesus vai subindo ao céu, de volta para o Pai, de onde saiu para realizar a Salvação, mas parece que o autor Lucas, não deu muita atenção para esse detalhe cinematográfico, de Jesus flutuando entre as nuvens”
Em parte o leitor tem razão, pois Ascensão significa a volta de Jesus para o Pai. Entretanto, precisamos entender uma coisa importante: enquanto Verbo Divino, Jesus nunca saiu do lado do Pai, mas como Verbo encarnado, ele esteve em meio a humanidade, e no dia da sua paixão e morte, ressuscitou e voltou para o Pai, isso significa dizer que, um homem subiu ao céu e assentou-se á direita de Deus Pai.
O Evangelista Lucas gosta de nos mostrar em seu evangelho, que Jesus é o Salvador, e nesta narrativa da Ascensão do Senhor, resume em praticamente uma linha, no que consiste esse ato de salvação que Jesus realizou a favor do gênero humano. “Assim está escrito, o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, e no seu nome, serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém”.Eis aí a Salvação que Deus havia prometido nas Escrituras antigas, e que agora se cumpre plenamente na missão de Jesus: o perdão dos pecados...!
A comunhão de vida que o homem havia perdido por causa do pecado, agora é resgatada, poderíamos dizer em uma linguagem mais simples, que a ascensão significa: o Céu desceu á terra, e esta subiu ao céu! Os anjos Querubins que em Gênesis, após a queda do homem, guardavam a entrada do Paraíso com espadas de fogo, agora saem de cena, o paraíso é destino de toda humanidade, Deus quer e deseja intensamente, que toda a humanidade volte um dia aquele estado de vida de comunhão plena, com ele, no paraíso.
É precisamente essa “Esperança Escatológica”, Dom que Jesus concede, que alimenta a vida de um cristão, dando um sentido totalmente novo á sua vida. Nesse sentido, a vida terrena não é um “Esperar para ver o que vai acontecer no pós-morte”, esperar para ver no que vai dar tudo isso, esperar para ver qual a sorte que está nos reservada, ou pior ainda, esperar, como se a Salvação fosse um jogo de loteria, se dermos sorte, chegaremos na Casa de Deus que fica em algum lugar, longe daqui.
Se Esperança Cristã fosse isso, não teríamos o que celebrar, e nem valeria a pena ter Fé, a Igreja já teria ido à falência nos primeiros séculos do seu nascimento, e Jesus Cristo seria apenas mais um, entre aos homens célebres, que marcaram a História da Humanidade.
Esse “Céu” já está no coração de quem crê não como uma utopia, como um “faz de conta”, como uma imagem alegórica do mundo das idéias, como imaginava Platão, mas como algo real, que reflete o “Pensar Cristão” nas atitudes e nas relações com o próximo, na Vida Verdadeira e na Esperança que se celebra em comunidade, no Louvor e no Bendizer a Deus, pela possibilidade da Salvação que ele nos deu em Cristo, e acima de tudo, nesse amor infinito que permite ao homem tomar decisões no se dia a dia, capaz de refletir o paraíso que já está no meio de nós, mas que ainda não chegou.
Ascensão de Jesus é o reencontro da Humanidade com Deus, e não há e nem haverá por certo, expressão mais acertada do que aquela que escreveu o apóstolo, na carta aos Hebreus, 9,20 “Ele nos abriu um caminho novo e vivo, através da cortina, quer dizer, através da sua humanidade”.
Que em nossa vida de cristãos, não haja lugar para o desânimo, devemos saber que a conquista do céu não depende de nós, mas é dom que em Cristo, Deus Pai nos concedeu, e se a aceitarmos, viveremos como aqueles apóstolos, em nossas comunidades, louvando, agradecendo e testemunhando essa obra, que mudou definitivamente a sorte de toda humanidade, porque a Fé nos leva a crer, que esta realidade invisível e sobrenatural, se tornou visível na Igreja, assembléia dos que crêem e louvam o Senhor Jesus, como o único Deus e Salvador de todos.,. (Festa da Ascensão do Senhor)
José da Cruz é diácono permanente da Paróquia Nossa S. Consolata-Votorantim - e-mail:cruzsm@uol.com.br
============================

A VITÓRIA DE JESUS É TAMBÉM A NOSSA VITÓRIA! - Olívia Coutinho

ASCENSÃO DO SENHOR.
Dia 12 de Maio de 2013
Evangelho Lc 24,46-53

Celebramos hoje, a ascensão do Senho! A plenitude da Páscoa!
Com a volta de Jesus ao Pai, abriram-se as cortinas de uma nova era, sinalizando os primeiros passos da igreja missionária, que através do testemunho dos primeiros discípulos, tornou Jesus conhecido em todos os rincões da terra! O anuncio do Reino, se espalhou por todo o universo, como fagulhas de fogo, incendiando o coração da humanidade com a presença viva do Cristo libertador, o Deus Filho, que mudou o rumo da nossa história, que nos tirou da solidão das trevas,  replantando em nossos corações a semente da fé e da esperança!
Hoje, somos nós, os responsáveis pela propagação deste anúncio, pois é urgente a necessidade de fazer chegar a outros corações, a proposta  de um Reino de paz, de amor e de justiça, implantado  por Jesus aqui na terra! Não podemos deixar que outros irmãos, privem-se da alegria de vivenciar a presença do Cristo Ressuscitado em suas vidas!  
Contemplando a ascensão do Senhor, estamos também  nos preparando para a grande festa litúrgica de Pentecostes: a vinda do Espírito Santo, Espírito Santo, que  já está no meio de nós, mas que  nem sempre percebemos a sua ação no mundo. O momento é propício para refletirmos sobre o a importância do nosso batismo, quando recebemos o Espírito Santo que nos insere na comunidade cristã! O batismo, é a nossa entrada para a família de Deus!  É a partir do nosso batismo, que assumimos o compromisso de anunciadores do Reino de Deus, e para isto, não precisamos partir para terras estrangeiras, como fizeram os primeiros discípulos, podemos anunciá-lo no meio em que vivemos, até mesmo, sem usar palavras, simplesmente com o nosso testemunho de vida!
A vitória de Jesus que é também a nossa vitória, começa na ressurreição e se concretiza na ascensão!  Viver esta  verdade, é vivenciar,  já aqui na terra, as alegrias do céu! O que não significa, distanciar dos problemas existentes aqui na terra e sim, transformá-los em trampolim para a nossa ascensão!  Não é olhando para o alto que vamos encontrar Jesus, e sim, olhando para a nossa realidade terrena, para os rostos desfigurados de tantos irmãos, excluídos por uma sociedade insensível, que não os reconhece como pessoa.
  Jesus disse aos discípulos de ontem: “Sereis minhas testemunhas”. Esta afirmação de Jesus,  vale  também para nós: os discípulos de hoje! E para que o nosso testemunho seja eficaz, Jesus nos envia o Espírito Santo. É o Espírito Santo, que abrirá  a nossa mente e nos fará entender as suas  palavras  e a   discernir o que é de Deus e o que não é Deus!
A  ascensão  do Senhor, não ressoou para os discípulos como separação, pelo contrário,  foi a partir de então, que a presença de Jesus tornou-se ainda mais  intensa   entre eles, e hoje entre nós, através do Seu Espírito!
A todo instante, somos beneficiados pelos frutos da ascensão do Senhor! Pela  grande riqueza que nos foi conquistada por Jesus: o Espírito Santo e pela  última benção dada por Ele  aos  discípulos, no momento de sua subida ao céu; bênção, que se prolonga em toda história, chegando  até a cada um de nós!
Entre a solenidade da ascensão e Pentecostes a Igreja convida-nos a celebrar a semana da unidade dos cristãos. Participar deste mutirão em favor da unidade,  é apostar na diversidade e não na adversidade, é tornar possível, viver a unidade na diversidade. 
Mesmo na diversidade, todos nós  pertencemos ao corpo de Jesus, a  uma só família: a família de Deus: PAI, FILHO, ESPÍRITO SANTO.

VEM ESPÍRITO SANTO VEM! VEM ILUMINAR!

FIQUE NA PAZ DE JESUS!- Olívia

 

============================


Evangelhos Dominicais Comentados

12/maio/2013 – Ascensão do Senhor

Evangelho: (Lc 24, 46-53)

Jesus disse: “Assim estava escrito que o Cristo haveria de sofrer e ao terceiro dia ressuscitar dos mortos e, começando por Jerusalém, em seu nome seria pregada a todas as nações a conversão para o perdão dos pecados. Vós sois testemunhas disso. Eu vos mandarei aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto”. Levou-os em seguida até perto de Betânia. Ali, levantou as mãos e os abençoou. Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi levado ao céu. E eles, depois de se prostrarem diante dele, voltaram para Jerusalém com grande alegria. Permaneciam no Templo, louvando a Deus.

COMENTÁRIO

Hoje comemoramos a Ascensão do Senhor, por isso, como verdadeiros cristãos, devemos estar alegres e com os corações preparados para receber o Espírito Santo.

O evangelho de hoje nos fala da alegria dos apóstolos ao verem o Mestre subindo para a Glória Celeste. Fala também da vinda do Prometido de Deus, o Espírito Santificador, que haveria de descer sobre os filhos de Deus.

Jesus deixa esta ordem aos discípulos: "Não saiam da cidade, até que sejam revestidos da força do alto". Assim como o Pai prometeu, agora é Jesus quem promete aos apóstolos que o Espírito virá.

Em nome do Cristo Ressuscitado, o apóstolo deve anunciar e testemunhar a conversão e o perdão dos pecados. Com isso Jesus quer indicar quais serão os frutos da sua morte e ressurreição. Quem acreditar e fizer penitência dos pecados, receberá o perdão.

Apesar da urgente necessidade de sair e pregar a Palavra de Deus, os discípulos não poderiam iniciar esse trabalho sem um bom preparo. Por isso Jesus insiste para que esperem na cidade. Lá receberão o Espírito e, com Ele, o conhecimento e a coragem para desenvolverem a difícil tarefa de apresentar Jesus ao mundo.

Jesus levantou as mãos e os abençoou. Com esse gesto Jesus pede ao Pai Eterno a proteção para os seus discípulos. Os judeus costumavam rezar com os braços estendidos. Moisés também se manteve em oração, com os braços erguidos, enquanto seu povo lutava contra os amalequitas. (Ex 17, 11-13)

Enquanto abençoava seus discípulos, Jesus afastou-se deles e subiu para o céu. É importante ressaltar que Jesus não foi levado ao céu por anjos ou através de qualquer outro meio, Jesus subiu ao céu por sua própria vontade e poder.

Essa é a grande diferença entre a Ascensão do Senhor e a Assunção de Nossa Senhora. Maria Assunta ao céu é um dogma de fé, portanto, nós cremos que Nossa Senhora foi elevada ao céu em corpo e alma, porém, não por suas próprias forças, mas sim através de anjos enviados de Deus.

Maria trouxe ao mundo ensinamentos e graças, através de sua vida, especialmente com exemplos de humildade, pureza, sacrifício e íntima união com seu Filho Jesus. O corpo da filha preferida que o Pai preparou para ser a esposa do Espírito Santo e Mãe do seu Filho, tinha que ser preservado, por isso Maria foi elevada ao céu e glorificada em corpo e alma.

Jesus que esteve entre nós, que entregou sua vida para nos salvar, agora volta glorioso para o Pai. No entanto, Jesus não quer ficar sozinho. Ele mesmo nos disse que iria antes para nos preparar um lugar e aguarda ansiosamente a minha, a sua, a nossa presença no Reino Celeste.
                                                         
Jesus já cumpriu a sua parte, o terreno já está preparado, só falta agora a nossa parte... falta semear. Semear significa anunciar a conversão e o perdão dos pecados, apresentar Jesus a todas as nações começando pela nossa “Jerusalém” que é o nosso lar, nossa família, nossa comunidade, até atingir o mundo inteiro.

O Espírito Santo já nos foi dado, e com Ele o discernimento e o entendimento. Quem entende a mensagem de Jesus, é alegre, irradia felicidade e fé. Sabe que está amparado ao ver confirmada sua esperança de vida eterna.

Um lugar no céu está garantido para quem seguir os passos de Jesus. Mas não nos esqueçamos que o caminho da ascensão é o calvário. Quem segue Jesus, está sujeito ao martírio, porém, é preciso anunciar e viver o evangelho. Compartilhar da Paixão de Jesus, para então, receber o prêmio maior... a glória da Ressurreição.

(1579)


============================

Celebramos hoje a Ascensão do Senhor: Cristo não somente foi ressuscitado pelo Pai, que derramou sobre ele o Espírito
Santo, Senhor que dá a vida, mas também, neste mesmo Espírito, recebeu do Pai, como verdadeiro homem, todo o poder no céu e na terra. É este o sentido da festa de hoje. Mas, vejamo-lo por partes.
Cristo Jesus, ao ressuscitar, saiu da morte e entrou na glória do Pai. A ressurreição e a ascensão são dois momentos, dois aspectos de um único acontecimento: a glorificação do Cristo feito homem e entregue à morte. Jesus não ressuscita, passa quarenta dias aqui na terra e, somente depois, vai para o Pai. Não. Ele já ressuscita no Pai, sua páscoa é passar deste mundo, atravessando o vale da morte, para entrar no Pai, saindo da morte. O que os Atos dos Apóstolos narram na primeira leitura de hoje, não é a ida de Jesus ao Pai, mas a despedida solene de Jesus, o fim daquele período de encontros do Ressuscitado, glorificado com o Pai, com os seus logo após a ressurreição.
Então, qual a diferença entre a ressurreição e a ascensão? Na ressurreição, contemplamos o Cristo totalmente glorificado pelo Pai na força do Espírito. Toda a sua natureza humana, corpo e alma, foi divinizada, impregnada pela vida divina, que é o Espírito Santo. Jesus, agora, é um homem totalmente novo, totalmente “espirituado”, totalmente glorificado, divinizado na sua humanidade. É este o mistério da ressurreição. Mas, há mais: ao ser glorificado, ele, que é uma pessoa divina, é entronizado com todo o poder no céu e na terra: ele, ressuscitado, é constituído Senhor do universo, Senhor da história, Senhor da nossa vida. É isto que a Escritura e a Tradição querem dizer ao afirmar que ele está “sentado à direita de Deus Pai”: ele tem o mesmo poder do Pai, ele recebeu o senhorio sobre tudo. Mas, não já o tinha antes? Não! Tinha como Verbo eterno e divino; mas, agora, é o Verbo como Filho feito homem que recebe tal poder! É este o significado da ascensão. Um de nossa raça está dentro da Trindade, um de nossa raça é Senhor do céu e da terra, um de nossa raça é Senhor dos anjos, um de nossa raça está no topo de todas as coisas. É o que dirá a oração após a comunhão da Missa de hoje: “Deus eterno e todo-poderoso... fazei que nossos corações se voltem para o alto, onde está junto de vós a nossa humanidade”.
São Lucas exprime esta realidade, nos Atos dos Apóstolos, afirmando que Jesus “foi elevado ao céu” e “uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo”. Não pensemos aqui numa subida espacial, como se o Senhor Jesus fosse fazer uma viagem pelo espaço sideral, de um lugar para o outro. O “subir”, aqui, tem um sentido qualitativo: subiu para uma vida superior, para uma plenitude que não é deste mundo. Ele, agora, está totalmente imerso no mundo de Deus. É este o significado da nuvem que o encobre. Ela é símbolo do Espírito que, divinizando-o completamente, coloca-o diretamente no âmbito de Deus Pai. Por isso já não podemos mais vê-lo com os olhos da carne.
Mas, a partida de Jesus não é um afastamento de nós. Ele estará, para sempre, interior e realmente, presente no coração da Igreja e de cada fiel através da potência do seu Espírito Santo. É o mistério que celebraremos no domingo próximo. Na glória, sentado à direita do Pai, ele agirá sempre como “Cabeça da Igreja, que é seu corpo”, vivificando-a, sustentando-a, e conduzindo-a sempre mais a ele, até que venha “do mesmo modo como o vistes partir”.
Para nós, a solenidade hodierna tem dois aspectos muito importantes. O primeiro, a certeza que, por mais incerta e sem sentido que muitas vezes a realidade e a nossa vida apareçam, há um Senhor no céu, há o Cristo, que tudo tem, amorosa e poderosamente, em suas mãos. Recordemos o que diz a segunda leitura: o Pai “manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa mencionar não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro”. Não há o que temer, cristão: teu Senhor é aquele que tudo dirige, tudo conduz e tudo plenifica. Tu e o mundo em que vives, tu e a história em que caminhas, estão nas mãos daquele que se senta no trono, à direita do Pai. Finalmente, ao olhar para o céu, contemplamos, glorioso, aquele que é nossa Cabeça, aquele de cujo Corpo somos membros. Pois bem, a sua glória é antecipação e garantia da nossa, como dizia a oração inicial da Missa: “membros do seu Corpo, somos chamados a participar da sua glória”.
Caríssimos, não tenhamos medo! Ainda que com os olhos da carne não possamos contemplar aquele que é o nosso Senhor e reina sobre tudo, sustentados pelo Espírito Santo e com os olhos da fé, temos a certeza que este mundo e nossa vida têm um sentido e são conduzidos pelo Crucificado que foi glorificado à direita do Pai. Renovemos o nosso ânimo e recordemos que o Senhor nos convida a voltar cheios de alegria, como os apóstolos, e sermos testemunhas suas em toda a terra. Sejamos fiéis ao mandato do Senhor, fortalecidos pela esperança que a festa de hoje suscita em nós. É assim que glorificaremos o Cristo, bendito para sempre.
dom Henrique Soares da Costa
============================

Os relatos da ascensão do Senhor não querem indicar o afastamento de Jesus deste mundo. Querem, sim, revelar plenamente quem é Jesus, conforme já anunciado nas Sagradas Escrituras: o Messias sofredor que é glorificado. Revelam também que a missão de Jesus deve ser continuada pelos seus discípulos. Em nome dele, a boa notícia do perdão dos pecados, mediante o arrependimento, deverá ser proclamada a todas as nações. O Espírito Santo, promessa de Deus, é a força do alto que revestirá os discípulos missionários. Sem essa força, prevalecem os interesses próprios e as ambições de poder. Confessar a fé em Jesus que morreu, ressuscitou e subiu ao céu é voltar o olhar para a realidade deste mundo e comprometer-se com sua transformação (evangelho e Atos). Sejam dadas honra e glória a Deus, pois nos ama de maneira humilde e criativa. Sua grandeza e seu amor revelam-se plenamente em Jesus Cristo. O seu Espírito abre a nossa mente para que possamos conhecê-lo verdadeiramente. E nos chama a participar do Corpo Místico, a Igreja, cuja cabeça é Cristo, o qual está acima de todo poder (II leitura). Esta unidade precisa ser conservada e cultivada em cada comunidade e também entre as Igrejas cristãs, pois as divisões entre os membros do mesmo corpo impedem a vida digna e saudável.
Evangelho (Lc. 24,46-53): a bênção de Jesus
O Evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos são dois volumes da mesma obra. Tanto no final do Evangelho como no começo do livro de Atos consta o relato da ascensão de Jesus, de formas diferentes. Originalmente, como muitos estudiosos defendem, não havia dois volumes, mas, sim, uma unidade, com apenas um relato da ascensão (o que se encontra em Atos). O que importa aqui, porém, é o sentido teológico dos dois relatos, assim como se encontram na Bíblia.
No Evangelho de Lucas, percebemos que todos os fatos acontecidos após a morte de Jesus se realizam no mesmo dia. Em Atos, Jesus ressuscitado permanece 40 dias entre seus discípulos, ensinando-lhes coisas referentes ao reino de Deus. Teologicamente, o tempo de um dia ou de 40 dias tem o mesmo significado: é o tempo propício concedido aos discípulos para serem testemunhas qualificadas de Jesus Cristo ressuscitado. Esse testemunho inaugura um novo tempo e deverá ser irradiado para o mundo inteiro. Para essa missão eles precisam ser preparados.
É por isso, então, que Lucas enfatiza a preocupação de Jesus em “abrir a mente” (v. 45) dos discípulos a fim de que entendam as Escrituras. Aprofunda a tarefa catequética de Jesus, já demonstrada no episódio dos dois discípulos a caminho de Emaús (24,13-35). Parece insistir na necessidade de uma retomada dos textos do Primeiro Testamento à luz do evento Jesus de Nazaré. Assim, tudo ficará esclarecido a respeito do Messias, o Salvador.
De fato, entre os apóstolos, bem como entre as comunidades cristãs, o processo de entendimento da pessoa de Jesus e de adesão profunda ao seu projeto não foi tão tranquilo como se pode pensar à primeira vista. É o que se percebe pelas reações dos discípulos diante das aparições de Jesus ressuscitado: os de Emaús caminham um longo trecho sem reconhecê-lo, pois eram “lentos de coração para crer no que os profetas anunciaram” (24,25); ao apresentar-se aos onze, desejando-lhes a paz, eles ficaram “tomados de espanto e temor, imaginando que fosse um espírito”, além de “perturbados e cheios de dúvidas em seus corações”, a ponto de Jesus insistir para que o apalpassem e entendessem... (cf. 24,36-40).
Diante dessas dificuldades, Jesus lhes anuncia o que o Pai prometeu: a força do alto. Enquanto isso não acontece, pede-lhes que permaneçam em Jerusalém, que, para Lucas, tem uma importância teológica muito especial, pois aí se deu o acontecimento salvador mediante a morte e ressurreição de Jesus. A partir desse espaço, a proclamação do arrependimento e da remissão dos pecados atingirá o mundo inteiro: é a boa notícia da salvação oferecida a toda a humanidade.
Lucas, porém, distingue a Jerusalém teológica da cidade em seu sentido político-econômico, com suas instituições opressoras. Não é por acaso que Jesus os tira desta cidade e os leva a Betânia. Isso lembra o êxodo do povo de Israel, tirado da escravidão do Egito. É em Betânia que ele os abençoa enquanto se eleva ao céu. As pessoas aí abençoadas tornar-se-ão portadoras da bênção divina a todos os povos.
1º leitura (At. 1,1-11): a exaltação de Jesus
O prólogo de Atos dos Apóstolos faz ligação com o início do Evangelho de Lucas, esclarecendo que se trata da continuação da obra endereçada ao mesmo destinatário, Teófilo (etimologicamente “amigo de Deus”), o qual, no plano simbólico, pode representar a comunidade cristã. Enquanto o primeiro volume tratou da vida de Jesus Cristo, o segundo vai ocupar-se da vida da Igreja, guiada pelo Espírito Santo. Ela está intimamente ligada à vida e à missão de Jesus, bem como à história de Israel, representada pelo seu centro religioso, Jerusalém, e pelo cumprimento da promessa anunciada na Sagrada Escritura.
O cristianismo tem suas raízes no judaísmo. Não há ruptura entre Israel e a Igreja: há continuidade. O testemunho dos apóstolos deverá percorrer uma trajetória sempre mais ampla, partindo de Jerusalém até os confins do mundo (1,8). Para isso, deverão antes mergulhar na experiência do Espírito Santo, que descerá sobre eles no dia de Pentecostes.
Para a narrativa da ascensão em Atos, Lucas inspira-se em passagens do Primeiro Testamento, como o arrebatamento de Elias aos céus (2Rs 2,1-18). Eliseu, discípulo de Elias, por testemunhar o arrebatamento do seu mestre, recebe “dupla porção” do seu espírito e torna-se o continuador da missão profética; como testemunhas oculares da ascensão de Jesus, seus discípulos receberão o Espírito Santo para continuar a sua obra. Os dois homens vestidos de branco são os mesmos de Lc 24,4, que anunciam às mulheres a ressurreição de Jesus e as fazem recordar as palavras por ele ditas. Aqui, em Atos, eles recordam aos discípulos a verdade da ascensão.
Ressurreição e ascensão são dois momentos que exprimem o novo modo de ser de Jesus: aquele que foi obediente ao Pai até a morte é glorificado e exaltado, mas permanece na comunidade. O transcendente manifesta-se na história humana.
2º leitura (Ef. 1,17-23): Jesus, cabeça da Igreja
A carta aos Efésios, com muita probabilidade, é fruto da reflexão das comunidades fundadas por Paulo. Escrita ao redor do ano 90, enfatiza o projeto de salvação de Deus para todos os seres humanos. O texto de hoje, num estilo litúrgico, apresenta a figura de Jesus glorioso como aquele que tem a soberania sobre toda a criação, está acima de toda autoridade e de todo poder.
O conhecimento de Deus dá-se por sua graça. É ele que nos concede “o espírito de sabedoria e de revelação”; é ele que “ilumina os olhos do coração” para compreendermos “a extraordinária grandeza do seu poder para nós” manifestada em seu Filho, Jesus Cristo. A ressurreição e a ascensão de Jesus são aqui lembradas como sinais que revelam a glória e a soberania de Jesus em tudo e em todos.
O discernimento da verdade a respeito de Jesus estende-se à verdade sobre a Igreja: formamos o Corpo Místico, cuja cabeça é Cristo. Ao mesmo tempo em que está sujeita à autoridade de Jesus Cristo, a Igreja vive intimamente unida a ele. É uma união vital, pois sem a cabeça não existe corpo e não existe vida.
Pistas para reflexão
A ascensão de Jesus não significa que ele tenha ido embora para retornar no final dos tempos. Na verdade, ele é exaltado, mas permanece no meio de nós. Os olhos da fé o vêem perfeitamente e o coração dos que acreditam o acolhem com amor e gratidão.
Jesus Cristo e a Igreja formam um corpo. Ter essa consciência implica cuidar uns dos outros com muito carinho e respeito. Significa responsabilizar-se pela promoção da vida, dando prioridade aos membros que sofrem. Significa acolher os que são diferentes, sem julgamentos superficiais, mas exercitando o diálogo e a mútua compreensão.
Nesta semana, situada entre as festas de Ascensão e Pentecostes, celebra-se no Brasil a “semana de oração pela unidade dos cristãos”, com o tema: “Vós sois testemunhas destas coisas” (Lc. 24,48). Participar desse grande mutirão em favor da unidade das Igrejas cristãs é expressão concreta de pertença ao Corpo de Jesus e de edificação do seu reino de fraternidade no mundo.
– É uma boa oportunidade de lembrar os nomes das Igrejas cristãs que possuem comunidades no espaço geográfico da paróquia ou da região. Durante a semana, pode-se celebrar um culto ecumênico e/ou outras iniciativas com as Igrejas que desejarem.
Celso Loraschi
 ============================



A história de Jesus continua na vida da comunidade
Os estudiosos da Bíblia concordam em afirmar que Mc 16,9-20 não é de Marcos. Esses versículos existiam à parte, como um dos relatos pós-pascais. Mais tarde foram anexados ao final do Evangelho de Marcos, talvez para atenuar a maneira incomum com que Marcos encerra sua obra. Os versículos que interessam à liturgia de hoje (15-20) são parte desse acréscimo posterior. Desde o Concílio de Trento (1546) a Igreja considera esse apêndice como texto inspirado.
Apesar de não pertencer à obra original de Marcos, esse apêndice está em íntima sintonia com o evangelho. De fato, os versículos hoje propostos à nossa reflexão falam do mandato de Jesus aos discípulos: eles deverão anunciar o evangelho a todos (vv. 15-18), exatamente como Jesus tinha feito; depois, Jesus é levado ao céu (v. 19); a seguir, os discípulos saem a pregar, ajudados pelo Senhor (v. 20). Em outras palavras, podemos afirmar que não há ruptura entre a missão de Jesus e a dos discípulos. A história de Jesus continua no testemunho da comunidade. É importante ainda ter presente que, apesar de Jesus ter-se sentado à direita de Deus (v. 19), continua caminhando nas estradas da humanidade, nos passos e ensinamentos dos discípulos (v. 20). Isso nos leva à afirmação de que a ascensão de Jesus não nos priva de sua presença; pelo contrário, oferece-nos modos novos de senti-lo e de encontrá-lo.
O texto de hoje inicia-se com a ordem de Jesus: “Vão pelo mundo inteiro e anunciem o evangelho a toda criatura!” (v. 15). Começa, definitivamente, o tempo da comunidade cristã. No Evangelho de Marcos, Jesus se apresenta anunciando o evangelho (cf. 1,14). Os discípulos vão, portanto, dar sequência ao que Jesus fez, ampliando o campo de ação (em 1,14, Jesus anuncia o evangelho na Galileia; em 16,15, os discípulos deverão fazê-lo pelo mundo inteiro e a toda criatura). O evangelho de hoje conclui afirmando que os discípulos saíram, segundo a ordem do Senhor, e anunciaram por toda parte (cf. v. 20a). Portanto, a grande tarefa da comunidade cristã é anunciar o que o Mestre anunciou: a boa notícia do mundo novo, inaugurado com Jesus.
Se os vv. 15.20a insistiam na palavra anunciar, o v. 16 enfatiza o resultado do anúncio: a fé que ele suscita. O anúncio provoca decisão: crer ou não crer. Também nesse aspecto encontramos ressonância desse versículo nas primeiras palavras de Jesus (Mc 1,15: creiam no evangelho). A pregação de Jesus leva as pessoas à resposta na fé; o anúncio dos discípulos tem como resultado provocar a fé que conduz à salvação: “Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado” (v. 16).
Os vv. 17-18 falam de sinais que acompanharão os que acreditarem (isto é, todos os que forem aderindo a Jesus na fé). Os dois primeiros sinais (expulsar demônios em nome de Jesus e falar novas línguas, v. 17) mostram que também a ação dos discípulos é libertadora e comunicadora do mundo novo. De fato, o primeiro milagre que Jesus realiza em Mc é o da expulsão de um espírito mau (1,21-28; cf. 1,32-34). Com esse gesto, e por força de sua palavra, Jesus vence e elimina tudo o que despersonaliza, oprime e marginaliza as pessoas, falando-lhes a nova linguagem da vida e liberdade. Assim deverão fazer os que tiverem fé em Jesus: libertar as pessoas de todo tipo de alienação.
O terceiro e quarto sinais (pegar serpentes ou beber veneno mortal, v. 18a) falam dos confrontos e conflitos suscitados pela fé. Quem anuncia o projeto de Deus sofre oposições imprevistas e veladas (serpentes) ou evidentes e abertas (tentativa de matar os discípulos por envenenamento). Com Jesus foi assim: já em 3,6 do Evangelho de Marcos, sua morte fora decretada. Os discípulos não terão sorte diferente. Contudo, o Pai não permitiu que a morte de Jesus tivesse a última palavra. Assim também ele agirá em favor dos fiéis.
O quinto sinal (impor as mãos sobre os doentes, curando-os, v. 18b), à semelhança do primeiro e do segundo sinais (v. 17), põe os discípulos em estreita comunhão com a prática de Jesus, que optou pelos sofredores, curando-os (cf. 1,34.40-45 etc.).
O v. 19 marca o fim do caminho de Jesus: “Depois de falar aos discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu e sentou-se à direita de Deus”. Agora seu caminho e história continuam nos passos e ações da comunidade. Ele supera as barreiras de tempo e espaço: está sentado à direita de Deus, mas ao mesmo tempo ajuda os discípulos, provando, por meio dos sinais que os acompanham, que o ensinamento deles é verdadeiro (v. 20b). O tempo da salvação e do reino de Deus (cf. 1,15) não se fechou; pelo contrário, abriu-se universalmente por meio da ação de quem crê em Jesus e se torna seu representante em meio aos conflitos.
============================

Do céu desceu, para o céu subiu.
Nossa reflexão de hoje nos oferecida por santo Agostinho.
Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu;  suba também com ele o nosso coração.
Ouçamos as palavras do Apóstolo:  “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está  Cristo sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres” (Cl. 3,1-2).  E assim como ele subiu sem se afastar de nós, também  nós subimos com ele, embora ainda não tenha se realizado em nosso corpo o que nos está prometido.
Cristo já foi elevado ao mais alto dos céus; contudo, continua sofrendo na terra através das tribulações  que nós experimentamos  como seus membros. Deu testemunho desta verdade  quando se fez ouvir lá do céu: Saulo, Saulo por que me persegues? (At. 9,4). E ainda:  Eu estava com fome e me deste de comer (Mt. 25,35).
Por que razão  nós também não trabalhamos  aqui na terra de tal modo  que, pela fé, esperança e caridade que nos unem a nosso Salvador, já descansemos com ele no céu? Cristo está no céu., mas também está conosco; e nós, permanecendo na terra, estamos também com ele. Por sua divindade, por seu poder e por seu amor  ele está conosco;  nós, embora  não possamos realizar isso pela divindade, com ele, ao menos podemos realizar pelo amor que temos para com ele.
O Senhor  Jesus  Cristo não deixou o céu  quando de lá desceu até nós;  também não se afastou de nós quando  subiu novamente ao céu.  Ele mesmo  afirma que se encontrava no céu quando vivia na terra, ao dizer: “Ninguém  subiu ao céu, o Filho do homem, que está no céu” (cf. Jo 3,13).
Isto foi dito para  significar a unidade que existe entre ele, nossa cabeça, e nós, seu corpo. E ninguém senão ele podia realizar esta unidade que nos identifica com ele mesmo, pois tornou-se  Filho do homem  por  nossa causa, e nós por meio dele  nos tornamos filhos de Deus.
Neste sentido  diz o Apóstolo: Como o corpo é um só,  embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo,  embora sejam muitos,  formam um só corpo, assim também acontece com Cristo (1Cor. 12,12)  Ele não diz: “assim é Cristo”, mas,   assim acontece com Cristo.  Portanto,  Cristo é um só, formado por muitos membros.
Desceu do céu  por sua misericórdia e ninguém mais subiu senão ele;  mas nele pela graça, também nós subimos. Portanto,  ninguém mais desceu senão  Cristo e ninguém mais subiu além de Cristo.
Isto não quer dizer que a dignidade da cabeça se confunde com a do corpo, mas que a unidade do corpo não se separa da cabeça.
Liturgia das Horas  II, p.828-830
frei Almir Ribeiro Guimarães
============================
Preparação para a missão
Em todos os evangelhos, a Ascensão de Jesus aparece como o início d amissão da Igreja (cf. ano A e B). Isso fica especialmente claro no relato do arrebatamento de Jesus no fim do evangelho de Lc, antecipando a Ascensão narrada no início dos Atos dos Apóstolos. Jesus explica aos Onze a reta compreensão das Escrituras, o verdadeiro sentido do messianismo de Jesus (messias padecente, mas exaltado por Deus). Explica-lhes também que agora está na hora de cumprirem-se as profecias de Isaías a respeito da missão universal do povo de Deus: ser luz das nações, propagar a salvação até os confins da terra (Is. 2,3; 49,6; 42,6; cr. At. 1,8;). Assim como Jesus foi “luz das nações” desde sua primeira apresentação em Jerusalém (Lc. 2,32), a Igreja o será, a partir de Jerusalém, cumprindo a missão daquele que agora é seu Senhor (24,47). Deus visitou seu povo e seu templo (Ml 3). Agora, Jerusalém torna-se, apesar da incredulidade de seus chefes, o centro de onde sai a salvação para o mundo inteiro (cf. Is. 49,21-22; 55,4-5; 56,7; 60,1ss etc.). Para isso, porém, é preciso que os Apóstolos recebam a força do Altíssimo: o Espírito (cf. At. 2).
Quando os Apóstolos, depois da ascensão de Jesus, voltam a Jerusalém, eles passam o tempo em oração: preparam-se para receber “a força do Alto”, o Espírito que impelira Jesus em sua missão. Como ele sempre orava, assim rezam eles agora.
A missão de Jesus tornou-se a de sua Igreja. Depois dele, a Igreja deve ser a luz para as nações, “saindo de Jerusalém”. Hoje, Jerusalém já fica longe para trás, e a Roma dos imperadores também. A Igreja do Cristo glorioso chegou à periferia do mundo, aos “confins da terra” (At. 1,8; 1ª leitura). Na “periferia do mundo ” brilha a luz das comunidades-testemunha, que por sua fraternidade, solidariedade, justiça e amor atestam que Jesus é verdadeiramente o Senhor da Glória.
============================
Johan Konings "Liturgia dominical"
O Evangelho deste domingo traz o último relato do Evangelho de Lucas, idêntico ao início do livro dos Atos dos Apóstolos, onde Jesus volta para a casa do Pai. Lucas termina seu Evangelho no mesmo lugar onde começou, no Templo. Local onde Zacarias recebeu o anuncio da vinda de João Batista, que viria preparar o caminho para a chegada de Jesus, e agora termina com os Apóstolos reunidos em louvor esperando a vinda do Espírito Santo de Deus, para lhes fortalecer no cumprimento da missão de levar a Palavra de Deus a todas as nações.
Jesus antes de Sua ascensão entrega a seus onze Apóstolos a grande missão, de anunciar Sua mensagem a todas as nações, começando por Jerusalém que se torna com isso o local de onde parte a Salvação para o mundo inteiro, cumprindo assim as Escrituras (Is. 2,3; 49,6). Por esta razão a ascensão de Jesus marca o início da missão da Igreja em continuidade à Sua própria, devendo com isso ser Luz para as nações.
Com a Ascensão de Jesus fecha-se o ciclo do Mistério Pascal (Morte, Ressurreição e ascensão). Jesus volta para a casa do Pai, o que não significa distanciamento, e sim uma maior proximidade, pois Ele se encontra no mais íntimo de cada pessoa, sendo fonte de água viva a todo aquele que dela desejar beber.
A Ascensão do Senhor é a coroação da sua Ressurreição, após as humilhações que sofreu no Calvário. É a volta ao Pai, por Ele anunciada.
E a reação de alegria, de reconhecimento e de expectativa dos discípulos à Ascensão é semelhante à reação do povo no Antigo Testamento quando ‘a glória do Senhor apareceu para todo o povo… que O aclamou e se prostou com o rosto por terra em sinal de adoração’ (Lv. 9,23-24). Eles reconhecem que Jesus realizou o Projeto do Pai, e por isso é digno de adoração. E a alegria dos discípulos é, também, por saberem que Jesus não lhes foi tirado, mas que Ele se manifestará no seu Espírito, a fonte de sustentação para a caminhada dos cristãos.
============================
Eis que a boa nova se completa
Jesus recorda aos seus discípulos a trajetória redendora de sua vida como cumprimento das Escrituras: era necessário que padecesse. O caminho incluiu sofrimento que, na dimensão bíblico-teológica, resultou na ressurreição.
Eis que, agora, os discípulos estão legitimados para a missão: pregar a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações.
A missão visa a conversão e o perdão dos pecados. Dádiva, Graça da vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Sob a força do Prometido de seu Pai, os discípulos, entendem a missão, adoram o seu Mestre e Redentor e dirigem-se à Jerusalém, cheios de júbilo.
padre Jaldemir Vitório
============================
Promessa do envio do Espírito Santo
É a ascensão do Senhor que lhes permite afirmar que ele, por sua ressurreição, está junto do Pai, sentado à sua direita. Tanto no Evangelho de Lucas como nos Atos dos Apóstolos, que é a segunda parte da obra lucana, o relato da Ascensão é precedido da promessa do envio do Espírito Santo e da missão confiada aos discípulos de serem testemunhas de Jesus Cristo (Lc. 24,47-49; At. 1,8).
Se o Evangelho dá uma breve notícia, dizendo simplesmente que “afastou-se deles e foi levado ao céu” (Lc. 24,51), os Atos dedicam um espaço maior à ascensão (At. 1,9-11).
O Cristo Ressuscitado continua a ter palavra e a ensinar os apóstolos, mas não de viva voz, e sim pelo Espírito Santo, que faz na comunidade dos discípulos a memória de Jesus, atualiza e esclarece suas palavras e move ao testemunho. Pela ação do Espírito, a presença do Senhor podia e pode ser sentida e reconhecida em todos os âmbitos da vida. É no cotidiano da existência humana que o Senhor se deixa encantar. A sua “elevação” é sentida em todos os lugares e em todo tempo.
Os três versículos que narram a ascensão nos Atos têm por finalidade instruir os discípulos. Em primeiro lugar, a ascensão é uma profissão de fé: tendo ressuscitado dos mortos, Jesus Cristo foi elevado ao céu. Nesse sentido, o relato não se oferece ao exercício ótico nem deve aguçar a imaginação, perguntando-se como se deu esta elevação. A imagem apresentada é ajuda para a intelecção da fé.
Em segundo lugar, o relato da ascensão visa responder à pergunta pelo onde e como encontrar o Ressuscitado elevado ao céu. O verbo “elevar” no passivo – “foi elevado” (v. 9.11), chamado de passivo divino, indica que foi Deus, o Pai, quem o elevou. “Uma nuvem o envolveu” (v. 9). A nuvem é, na tradição bíblica, símbolo da presença de Deus (ver: Ex. 13,22). Jesus entra no mistério de Deus; no que é seu, antes da criação do mundo.
Os dois mensageiros celestes auxiliam na compreensão do mistério: “Esse Jesus que vocês viram ser elevado ao céu, virá, assim, do mesmo modo como o vistes partir para o céu” (v. 11). Agora, não depois, o modo da presença de Jesus Ressuscitado é envolto no mistério. Ele se oferece para o reconhecimento na nossa própria humanidade e nas vicissitudes do tempo e da história: “Por que ficais parados, olhando pra o céu?” (v. 11). Neste novo tempo é a fé que permite ver.
Na fé a “elevação” de Jesus não é sentida como ausência, mas como uma forma de presença. O fruto desta presença é a alegria: “Em seguida olharam para Jerusalém, com grande alegria” (Lc. 24,52).
Carlos Alberto Contieri,sj
============================

A solenidade da Ascensão de Jesus que hoje celebramos sugere que, no final de um caminho percorrido no amor e na doação, está a vida definitiva, em comunhão com Deus. Sugere, também, que Jesus nos deixou o testemunho e que somos agora nós, seus seguidores, que devemos continuar a realizar o projecto libertador de Deus para os homens e para o mundo.
O Evangelho apresenta-nos as palavras de despedida de Jesus que definem a missão dos discípulos no mundo. Faz, também, referência à alegria dos discípulos: essa alegria resulta do reconhecimento da presença no mundo do projecto salvador de Deus e resulta do fato de a ascensão de Jesus ter acrescentado à vida dos crentes um novo sentido.
Na primeira leitura, repete-se a mensagem essencial desta festa: Jesus, depois de ter apresentado ao mundo o projeto do Pai, entrou na vida definitiva da comunhão com Deus – a mesma vida que espera todos os que percorrem o mesmo caminho de Jesus. Quanto aos discípulos: eles não podem ficar a olhar para o céu, numa passividade alienante, mas têm de ir para o meio dos homens continuar o projeto de Jesus.
A segunda leitura convida os discípulos a terem consciência da esperança a que foram chamados (a vida plena de comunhão com Deus). Devem caminhar ao encontro dessa esperança de mãos dadas com os irmãos – membros do mesmo “corpo” – e em comunhão com Cristo, a “cabeça” desse “corpo”. Cristo reside nesse “corpo”.
1ª leitura: Atos 1,1-11 - AMBIENTE
O livro dos “Atos dos Apóstolos” dirige-se a comunidades que vivem num certo contexto de crise. Estamos na década de 80, cerca de cinquenta anos após a morte de Jesus. Passou já a fase da expectativa pela vinda iminente do Cristo glorioso para instaurar o “Reino” e há uma certa desilusão. As questões doutrinais trazem alguma confusão; a monotonia favorece uma vida cristã pouco comprometida e as comunidades instalam-se na mediocridade; falta o entusiasmo e o empenho… O quadro geral é o de um certo sentimento de frustração, porque o mundo continua igual e a esperada intervenção vitoriosa de Deus continua adiada. Quando vai concretizar- se, de forma plena e inequívoca, o projeto salvador de Deus?
É neste ambiente que podemos inserir o texto que hoje nos é proposto como primeira leitura. Nele, o catequista Lucas avisa que o projeto de salvação e libertação que Jesus veio apresentar passou (após a ida de Jesus para junto do Pai) para as mãos da Igreja, animada pelo Espírito. A construção do “Reino” é uma tarefa que não está terminada, mas que é preciso concretizar na história e exige o empenho contínuo de todos os crentes. Os cristãos são convidados a redescobrir o seu papel, no sentido de testemunhar o projeto de Deus, na fidelidade ao “caminho” que Jesus percorreu.
MENSAGEM
O nosso texto começa com um prólogo (vs. 1-2) que relaciona os “Atos” com o 3º Evangelho – quer na referência ao mesmo Teófilo a quem o Evangelho era dedicado, quer na alusão a Jesus, aos seus ensinamentos e à sua ação no mundo (tema central do 3º Evangelho). Neste prólogo são, também, apresentados os protagonistas do livro – o Espírito Santo e os apóstolos, ambos vinculados com Jesus.
Depois da apresentação inicial, vem o tema da despedida de Jesus (vs. 3-8). O autor começa por fazer referência aos “quarenta dias” que mediaram entre a ressurreição e a ascensão, durante os quais Jesus falou aos discípulos “a respeito do Reino de Deus” (o que parece estar em contradição com o Evangelho, onde a ressurreição e a ascensão são apresentadas no próprio dia da Páscoa – cf. Lc. 24). O número quarenta é, certamente, um número simbólico: é o número que define o tempo necessário para que um discípulo possa aprender e repetir as lições do mestre. Aqui define, portanto, o tempo simbólico de iniciação ao ensinamento do Ressuscitado.
As palavras de despedida de Jesus (vs. 4-8) sublinham dois aspectos: a vinda do Espírito e o testemunho que os discípulos vão ser chamados a dar “até aos confins do mundo”. Temos aqui resumida a experiência missionária da comunidade de Lucas: o Espírito irá derramar-se sobre a comunidade crente e dará a força para testemunhar Jesus em todo o mundo, desde Jerusalém a Roma. Na realidade, trata-se do programa que Lucas vai apresentar ao longo do livro, posto na boca de Jesus  ressuscitado. O autor quer mostrar com a sua obra que o testemunho e a pregação da Igreja estão entroncados no próprio Jesus e são impulsionados pelo Espírito.
O último tema é o da ascensão (vs. 9-11). Evidentemente, esta passagem necessita de ser interpretada para que, através da roupagem dos símbolos, a mensagem apareça com toda a claridade.
Temos, em primeiro lugar, a elevação de Jesus ao céu (v. 9a). Não estamos a falar de uma pessoa que, literalmente, descola da terra e começa a elevar-se; estamos a falar de um sentido teológico (não é o “repórter”, mas sim o “teólogo” a falar): a ascensão é uma forma de expressar simbolicamente que a exaltação de Jesus é total e atinge dimensões supra-terrenas; é a forma literária de descrever o culminar de uma vida vivida para Deus, que agora reentra na glória da comunhão com o Pai.
Temos, depois, a nuvem (v. 9b) que subtrai Jesus aos olhos dos discípulos. Pairando a meio caminho entre o céu e a terra, a nuvem é, no Antigo Testamento, um símbolo privilegiado para exprimir a presença do divino (cf. Ex. 13,21.22; 14,19.24; 24,15b-18; 40,34-38). Ao mesmo tempo, a nuvem, simultaneamente, esconde e manifesta: sugere o mistério do Deus escondido e presente, cujo rosto o Povo não pode ver, mas cuja presença adivinha nos acidentes da caminhada. Céu e terra, presença e ausência, sombra e luz, divino e humano, são dimensões aqui sugeridas a propósito de Cristo ressuscitado, elevado à glória do Pai, mas que continua a caminhar com os discípulos.
Temos, ainda, os discípulos a olhar para o céu (v. 10a). Significa a expectativa dessa comunidade que espera ansiosamente a segunda vinda de Cristo, a fim de levar ao seu termo o projeto de libertação do homem e do mundo.
Temos, finalmente, os dois homens vestidos de branco (v. 10b). O branco sugere o mundo de Deus – o que indica que o seu testemunho vem de Deus. Eles convidam os discípulos a continuar no mundo, animados pelo Espírito, a obra libertadora de Jesus; agora, é a comunidade dos discípulos que tem de continuar, na história, a obra de Jesus, embora com a esperança posta na segunda e definitiva vinda do Senhor.
O sentido fundamental da ascensão não é que fiquemos a admirar a elevação de Jesus; mas é convidar-nos a seguir o caminho de Jesus, olhando para o futuro e entregando-nos à realização do seu projeto de salvação no meio do mundo.
ATUALIZAÇÃO
♦ A ressurreição/ascensão de Jesus garante-nos que uma vida vivida na fidelidade aos projetos do Pai é uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo caminho de Jesus subirá, como Ele, à vida plena.
♦ A ascensão de Jesus recorda-nos, sobretudo, que Ele foi elevado para junto do Pai e nos encarregou de continuar a tornar realidade o seu projeto libertador no meio dos homens nossos irmãos. É essa a atitude que tem marcado a caminhada histórica da Igreja? Ela tem sido fiel à missão que Jesus, ao deixar este mundo, lhe confiou?
♦ O nosso testemunho tem transformado e libertado a realidade que nos rodeia?
Qual o real impacto desse testemunho na nossa família, no local onde desenvolvemos a nossa atividade profissional, na nossa comunidade cristã ou religiosa?
♦ Não é invulgar ouvirmos dizer que os seguidores de Jesus vivem a olhar para o céu e ignoram os dramas da terra. Estamos, efetivamente, atentos aos problemas e às angústias dos homens, ou vivemos de olhos postos no céu, num espiritualismo alienado? Sentimo-nos questionados pelas inquietações, pelas misérias, pelos sofrimentos, pelos sonhos, pelas esperanças que enchem o coração dos que nos rodeiam? Sentimo-nos solidários com todos os homens?
2ª leitura: Ef. 1,17-23 - AMBIENTE
A Carta aos Efésios é, provavelmente, um dos exemplares de uma “carta circular” enviada a várias igrejas da Ásia, numa altura em que Paulo está na prisão (em Roma?). O seu portador é um tal Tíquico. Estamos por volta dos anos 58/60. Alguns vêem nesta carta uma espécie de síntese da teologia paulina, numa altura em que a missão do apóstolo está praticamente terminada na Ásia.
Em concreto, o texto que nos é proposto aparece na primeira parte da carta e faz parte de uma acção de graças, na qual Paulo agradece a Deus pela fé dos Efésios e pela caridade que eles manifestam com todos os irmãos na fé.
MENSAGEM
À ação de graças, Paulo une uma fervorosa oração a Deus para que os destinatários da carta conheçam “a esperança a que foram chamados” (v. 18). A prova de que o Pai tem poder para realizar essa “esperança” (isto é, conferir aos crentes a vida eterna como herança) é o que ele fez com Jesus Cristo: ressuscitou-O e sentou-O à sua direita (v. 20), exaltou-O e deu-Lhe soberania sobre todos os poderes angélicos (Paulo está preocupado com a perigosa tendência de alguns cristãos em dar uma importância exagerada aos anjos, colocando-os, até, acima de Cristo – cf. Col. 1,6). Essa soberania estende-se, inclusive, à Igreja – o “corpo” do qual Cristo é a “cabeça”. O mais significativo deste texto é, precisamente, este último desenvolvimento. A ideia de que a comunidade cristã é um “corpo” – o “corpo de Cristo” – formado por muitos membros, já havia aparecido nas grandes cartas, acentuando-se sobretudo a relação dos vários membros do “corpo” entre si (cf. 1Cor. 6,12-20;10,16-17;12,12-27; Rm. 12,3-8); mas nas cartas do cativeiro, Paulo retoma a noção de “corpo de Cristo” para refletir, sobretudo, sobre a relação que existe entre a comunidade e Cristo.
Neste texto, em concreto, há dois conceitos muito significativos para definir o quadro da relação entre Cristo e a Igreja: o de “cabeça” e o de “plenitude” (em grego, “pleroma”).
Dizer que Cristo é a “cabeça” da Igreja significa, antes de mais, que os dois formam uma comunidade indissolúvel e que há entre os dois uma comunhão total de vida e de destino; significa, também, que Cristo é o centro à volta do qual o “corpo” se articula, a partir do qual e em direção ao qual o “corpo” cresce, se orienta e constrói, a origem e o fim desse “corpo”; significa, ainda, que a Igreja/“corpo” está submetida à obediência a Cristo/“cabeça”: só de Cristo a Igreja depende e só a Ele deve obediência.
Dizer que a Igreja é a “plenitude” (“pleroma”) de Cristo significa dizer que nela reside a “plenitude”, a “totalidade” de Cristo. Ela é o receptáculo, a habitação onde Cristo Se torna presente no mundo; é através desse “corpo” onde reside que Cristo continua todos os dias a realizar o seu projeto de salvação em favor dos homens. Presente nesse “corpo”, Cristo enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que o próprio Cristo “seja tudo em todos” (v. 23).
ATUALIZAÇÃO
♦ Na nossa peregrinação pelo mundo, convém termos sempre presente “a esperança a que fomos chamados”. A ressurreição de Cristo é a garantia da nossa própria ressurreição. Formamos com Ele um “corpo”, destinados à vida plena. Esta perspectiva tem de dar-nos a força de enfrentar a história e de avançar – apesar das dificuldades – nesse caminho do amor e da entrega total que Cristo percorreu.
♦ Dizer que fazemos parte do “corpo de Cristo” significa que devemos viver numa comunhão total com Ele e que nessa comunhão recebemos, a cada instante, a vida que nos alimenta. Significa, também, viver em comunhão, em solidariedade total com todos os nossos irmãos, membros do mesmo corpo, alimentados pela mesma vida.
♦ Dizer que a Igreja é o “pleroma” de Cristo significa que temos a obrigação de testemunhar Cristo, de torná-l’O presente no mundo, de levar à plenitude o projeto de libertação que Ele começou em favor dos homens. Essa tarefa só estará acabada quando, pelo testemunho e pela ação dos crentes, Cristo for “um em todos”.
Evangelho: Lc. 24,46-53 - AMBIENTE
O Evangelho de hoje situa-nos no dia de Páscoa. Cristo já se manifestou aos discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35) e aos onze, reunidos no cenáculo (cf. Lc 24,36-43). No texto que nos é proposto, apresentam-se as últimas instruções de Jesus (cf. Lc 24,44-49) e a ascensão (cf. Lc 24,50-53).
Ao contrário dos “Atos”, ressurreição, aparições de Jesus ressuscitado aos discípulos e ascensão são colocados – aqui – no mesmo dia, o que parece mais correto do ponto de vista teológico: ressurreição e ascensão não se podem diferenciar; são apenas formas humanas de falar da passagem da morte à vida definitiva junto de Deus.
MENSAGEM
O nosso texto está dividido em duas partes: despedida dos discípulos (vs. 46-49) e ascensão (vs. 50-53).
Na primeira parte temos, portanto, as palavras de despedida de Jesus. Os discípulos que fizeram a experiência do encontro pessoal com Jesus ressuscitado são agora convocados para a missão: Jesus envia-os como testemunhas, a pregar a conversão (“metanoia” – a transformação radical da vida, da mentalidade, dos valores) e o perdão dos pecados (ou seja, o anúncio de que Deus ama todos os homens e os convida a deixar o egoísmo, o orgulho e a auto-suficiência para iniciarem uma vida de Homens Novos). Para esta tarefa ingente, os discípulos contam com a ajuda e a assistência do Espírito. Temos também, aqui, todos os elementos daquilo que será a futura missão da Igreja. O testemunho apostólico terá como tema central a morte e ressurreição de Jesus, o Messias libertador anunciado pelas escrituras (vs. 44.46). Desde Jerusalém, esta proposta deve ser anunciada a todas as nações. Este “percurso” será explicitado no livro dos “Atos”.
Na segunda parte, Lucas descreve a ascensão, situada em Betânia. Há duas indicações de Lucas que importa realçar. A primeira é a bênção que Jesus dá aos discípulos antes de ir para junto do Pai: essa bênção sugere um dom que vem de Deus e que afeta positivamente toda a vida e toda a ação dos discípulos, capacitados para a missão pela força de Deus. A segunda é a alegria dos discípulos: a alegria é o grande sinal messiânico e escatológico; indica que o mundo novo já começou, pois o projeto salvador e libertador de Deus está em marcha.
ATUALIZAÇÃO
♦ A ressurreição/ascensão de Jesus convida-nos a ver a vida com outros olhos – os olhos da esperança. Diz-nos que o sofrimento, a perseguição, o ódio, a morte, não são a última palavra para definir o quadro do nosso caminho; diz-nos que no final de um caminho percorrido na doação, na entrega, no amor vivido até às últimas consequências, está a vida definitiva, a vida de comunhão com Deus. Esta esperança permite-nos enfrentar o medo, os nossos limites humanos, o fanatismo, o egoísmo dos fazedores de pecado e permite-nos olhar com serenidade para esse qualquer coisa de novo que nos espera, para esse futuro de vida plena que é o nosso destino final.
♦ A ascensão de Jesus e, sobretudo, as palavras finais de Jesus, que convocam os discípulos para a missão, sugerem a nossa responsabilidade na construção desse mundo novo onde habita a justiça e a paz; sugerem que a proposta libertadora que Jesus fez a todos os homens está agora nas nossas mãos e que é nossa responsabilidade torná-la realidade; sugerem que nós, os seguidores de Jesus, temos de construir, com o esforço de todos os dias, o novo céu e a nova terra. Sentimos, de fato, esta responsabilidade? Preocupamo-nos em tornar realidade no mundo os gestos libertadores de Cristo? Procuramos construir, no dia a dia, esse mundo novo de justiça, de fraternidade, de liberdade e de paz?
♦ A alegria que brilha nos olhos e nos corações desses discípulos que testemunham a entrada definitiva de Jesus na vida de Deus tem de ser uma realidade que transparece na nossa vida. Os seguidores de Jesus, iluminados pela fé, têm de testemunhar, com a sua alegria, a certeza de que os espera, no final do caminho, a vida em plenitude; e têm de testemunhar, com a sua alegria, a certeza de que o projeto salvador e libertador de Deus está a atuar no mundo, está a transformar os corações e as mentes, está a fazer nascer, dia a dia, o Homem Novo.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
============================
“Enquanto os abençoava foi arrebatado ao céu" (Lucas 24,9)
Relata o texto do Evangelho da Ascensão que Jesus levou os discípulos para fora da cidade até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e enquanto os abençoava foi arrebatado para o céu. Segundo o Livro dos atos dos Apóstolos, elevou-se à vista deles e uma nuvem o ocultou. Ainda que Jesus tenha em sua catequese dito aos discípulos que isto iria acontecer, eles ficaram perplexos parados olhando para o céu. Em Atos dos Apóstolos capítulo primeiro está escrito que apareceram dois mensageiros celestes dizendo: “Homens da Galileia por que ficais ali parados olhando para o céu? A nuvem que encobriu Jesus designa ao mesmo tempo a invisibilidade e a presença de Deus, pois ao retornar para o Pai leva consigo a humanidade abrindo-nos a possibilidade de vida plena em Deus. Antes de partir para o céu, Jesus deixa as últimas recomendações para os discípulos e confirma sua presença na vida da Igreja. “Ide e pregai o Evangelho a toda criatura até os confins da terra”. Eu estarei convosco todos os dias  até o fim dos tempos (Mt. 28)”. A Ascensão não é uma espécie de viagem de astronauta ao universo. O “céu” não é um lugar... É estar com Deus. A Ascensão faz parte do Mistério Pascal. Nós também saímos de Deus para um dia voltarmos a Ele. Jesus subiu ao céu, não para se afastar de nós, mas para nos dar a esperança de que um dia iremos ao seu encontro onde Ele nos precedeu. Jesus disse aos apóstolos: “Na casa de meu Pai há muitas moradas, vou preparar um lugar para vos”. Então, a Ascensão de Jesus é o preparo de nossa Ascensão. Paulo em sua pregação confirma: “Quando Jesus sobe ao céu, não está abandonando seus filhos, mas sim enchendo-os com a Luz da sua presença permanente (Ef. 4)”. A presença corporal de Jesus é substituída pela presença espiritual. O Espírito é a memória de Jesus que continua viva e presente na comunidade cristã. Essa presença não pode ficar fechada e escondida no coração dos discípulos. Pelo contrario, deverá ser revelada até os confins da terra. É esta a missão dos primeiros. É esta a missão de todo aquele que foi batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A interpretação teológica da Ascensão sugere não ficar parado olhando para o céu ou trancados na sacristia.
Pedro Scherer



Nenhum comentário:

Postar um comentário