.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 14 de maio de 2013

Comentário Prof.Fernando


Comentário Prof.Fernando(*)                          PENTECOSTES 19 maio 2013

 – Sem a luz nada o homem pode e nele há bem algum (hino do dia de Pentecostes) –
·                   De repente veio um som como de um vento impetuoso e encheu toda a casa. Estando a cidade cheia de gente oriunda de todas as nações, cada um os ouvia falar em sua própria língua. At2. Judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito 1Cor 12,3-7.12- A paz esteja convosco. O Pai me enviou e eu vos envio.. Soprou e disse: Recebei o Espírito Jo 20,23.
·                  Das 3 maiores festas religiosas de Israel, Shavuot, a festas das Semanas, era a segunda em importância. Tinha início aos 50 dias após a Páscoa. Originariamente uma festa agrícola (na qual se agradecia a Deus as colheitas) relembrava a entrega a Moisés da Toráh. Esse termo passou a significar “a Lei” mas se traduz melhor como o Ensinamento, a Instrução dada por Deus para se conhecer o caminho da vida (não o da morte, que o ser humano conhece por sua conta). Com o domínio grego, essa festa ficou mais conhecida pelo nome Quinquagésimo (dia) após a Páscoa, data de início da Festa dos judeus.
·                  No cristianismo é o Espírito que traz o ensinamento. Pentecostes, a partir daquele ano (por volta de 33 d.C.) em que os discípulos já não tinham mais a presença visível do Mestre, refere-se ao dia em que o Espírito foi “derramado” sobre eles, acompanhado de muitos Sinais extraordinários. O principal sinal foi a experiência da comunicação sem confusão e segundo a língua materna de cada ouvinte. Pentecostes é o inversos da figura da “torre de Babel” e mostra a unidade  possível entre diferentes. Supera a divisão e a confusão de línguas. Por isso é data de “fundação” da Igreja; ou do novo “tempo” da “história da salvação”. Com a Ascensão terminou o “tempo” do Cristo visível, mas ele continua presente no mundo por meio do seu Espírito multiforme, que é capaz de unir (cf. 1Cor12) judeus e gregos (todas as nações, pessoas de qualquer categoria social e de qualquer povo, nação ou etnia).
·                   
– A comunicação –
·                 Cristo é a Boa Notícia. Seu anúncio caberá agora aos discípulos. Este novo momento é inaugurado conforme os quatro passos do dia de Pentecostes:
1)    Primeiro vem o som (no original o “eco”, a voz, a fala, a comunicação). Ele vem como se fosse um “vento impetuoso” vindo do céu e que “encheu toda a casa”.
2)       Depois em forma de “línguas” de fogo, isto é, como chamas “fogo” que se multiplicam e repousaram sobre a cabeça de cada um dos discípulos.
3)       Em seguida – “preenchidos” (completos ou “repletos”) pelo Espírito santo – eles começam a falar (até em outras línguas: o mesmo termo grego das “línguas de fogo”) com vocabulário e formas diferentes, como diversos são os povos e sua expressão.
4)       Finalmente – milagre ainda maior – cada pessoa que os ouvia, compreendia em sua própria língua materna (cada um escutava no seu dialékto próprio).
·                 A continuação da leitura (Atos) traz o discurso de Pedro que interpreta Pentecostes e faz o primeiro Kerýgma (Kerygma é o termo usado para aquele “núcleo” da pregação dos apóstolos). Pedro interpreta o ocorrido citando o profeta Joel cap. 3 (o dom da profecia será derramado sobre todos). O Kerýgma resume a fé na salvação proveniente da morte e ressurreição de Jesus. Aceitar esse anúncio é viver de forma renovada pelo Espírito.

– Uma Vida renovada –
·                 O Espírito é comparável à respiração de Deus, pela qual tudo respira e vive também. Todo ser humano está mergulhado nesse “ecossistema” divino. O que significa, então, aceitar o anúncio pascal (morte e ressurreição de Jesus) e viver no Espírito? Em primeiro lugar é dar-se conta de que, pelo dom da Fé que recebemos, somos impelidos pelo “vento” e movidos por esse “fogo” divino. Em seguida, por causa desse ar que “encheu toda a casa”, o discípulo do Cristo é impelido a repartir e distribuir esse “fogo” para outros.
·                  Não se trata de sair por aí falando línguas estranhas. Os recursos tecnológicos atuais, sobretudo da TV, facilitaram inúmeras divulgações do cristianismo, mas também são grande risco, podendo reduzir a pregação ao espetáculo, conforme o estilo próprio de programas de auditório e a atração dos shows e “festivais de rock”. O som (quando não o barulho e a gritaria) às vezes estão acima da mensagem. O nome de Deus pode acabar “banalizados”, servindo à venda de “produtos” (ou vice-versa...). Jean Tauler, pregador do séc. XIV Jean Tauler comentava em seu sermão26 sobre Pentecostes): Encheu toda a casa” (At 2,2): Esta casa simboliza primeiramente a santa Igreja, morada de Deus, mas, em segundo lugar, simboliza cada homem em quem habita o Espírito Santo. Assim como numa casa há muitas divisões e quartos, também o homem possui muitas faculdades, sentidos e diferentes energias; e o Espírito Santo a todas visita de modo especial. (...) Nem todos sentem da mesma maneira esta visita e ação interiores. Ainda que o Espírito Santo habite em todos os homens corajosos, aquele que quer tomar consciência da sua operação, sentir e saborear a sua presença, deve recolher-se em si mesmo (...) na calma e no silêncio.
·                 Como o demonstra a experiência de Pentecostes, não é a tecnologia que importa. Hoje complexa, como simples era a pregação em praça pública no tempo dos apóstolos. É o Espírito quem garante a percepção interior: a Palavra e a Fé chegam a cada um, segundo seu dialeto próprio, sua cultura e até mesmo sua religião. Anunciar o Evangelho é mais do que divulgação de doutrinas ou pregação sobre textos bíblicos. É, antes de mais nada, viver de tal mdo que a pessoa de fé seja expressão de Deus para os outros. “Nisso conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. Não viver pela violência que divide e mata, mas viver segundo o Amor, não é uma fórmula, nem uma proposta romântica e utópica. Pedro dirá: é viver como Jesus, que passou fazendo o bem.
·                  O Pentecostes é Dom e Comunicação de Deus a nós. E nós, pela força do seu Espírito, somos comunicadores do Mistério divino, anunciando a Boa Notícia.

ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
·        (*).Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) fesomor2@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário