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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 14 de maio de 2013

PENTECOSTES


PENTECOSTES

DOMINGO 19 DE MAIO


Comentário Prof.Fernando


Introdução


                                                      Que o fogo do Espírito Santo desça sobre nós e nos transforme em ardentes e corajosos anunciadores das maravilhas ensinadas pelo Filho Unigênito.  Continua

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O ESPÍRITO SANTO NOS RENOVA E NOS IMPULSIONA À MISSÃO! – Olívia Coutinho

DOMINGO DE PENTECOSTES!
Dia 19 de Maio de 2013
Evangelho Jo 20,19-23
   Vivemos hoje, a  alegria de celebrar a solenidade de Pentecostes!  O coroamento do tempo Pascal, quando se cumpre a promessa de Jesus: o envio do Espírito Santo! Espírito Santo, que já se faz presente no meio de nós, mas que é importante percebermos a sua ação no mundo. 
A definição marcante desta festa de hoje, podemos dizer que é a "Germinação da Igreja", pois a  caminhada missionária  da Igreja, começa  em Pentecostes, quando o Espírito Santo entra em  suas  entranhas e a torna  viva e atuante! É a partir daí, que a igreja começa a falar, a falar a linguagem do amor, que é uma linguagem universal, e que mesmo sendo desdobrada em vários idiomas, é a única linguagem capaz de ser compreendida pelos povos de todas as nações.
A  missão da Igreja, consiste em revelar aos homens, a vida nova que brota da ressurreição de Jesus! Sua grande riqueza, está na  abertura a todos os povos e culturas! A Igreja é unidade, é  a guardiã do amor, do amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
 Nesta festa, que  também podemos  chamar de festa missionária, devemos alargar o nosso olhar para o mundo inteiro, onde a  igreja se faz presente na pessoa de muitos missionários, homens e mulheres,  que apesar das inúmeras dificuldades, se prontificam a gastar a vida  na difusão da verdade  do  evangelho. Unamos a estes missionários, no desejo  de fazer chegar a outros irmãos, a verdade que liberta!
Sabemos que os desafios de quem se entrega a missionariedade  são inúmeros,   mas sabemos também, que o Espírito Santo, anima e dá força quem abraça a missão  de  anunciar e  testemunhar o Evangelho, ponto decisivo para a história da salvação!
O evangelho deste domingo de Pentecostes, nos  apresenta  a comunidade de Homens Novos, que nasce da cruz e da ressurreição e são libertados pela força santificadora e libertadora do Espírito Santo. Tudo começa com o primeiro encontro de Jesus com os  discípulos, logo após a sua ressurreição.   Foi neste  encontro, que Jesus comunicou a eles o seu Espírito, no gesto de soprar sobre eles.
Ao soprar o Espírito Santo sobre os discípulos, Jesus nos recorda o sopro de Deus na criação, o sopro que deu  vida a criatura humana, gesto que Jesus repete como início de uma nova criação!
Cheios do Espírito Santo, os discípulos se libertam do medo que os aprisionavam, e a partir deste momento, as palavras de Jesus se tornam claras para eles.
 “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhe serão perdoados;  a quem os não perdoardes, eles lhe serão retidos”.   Com o sopro do Espírito Santo, Jesus concede a igreja, o poder de perdoar pecados.   É Deus quem tem o poder de perdoar  pecados, mas Jesus concede este poder e o transmite a sua Igreja. Trata-se do sacramento da reconciliação.  “Reter os pecados”, não significa  uma condenação e sim,  um insistente apelo à conversão.
É importante entendermos, que  não é a Igreja( sacramento da Reconciliação) que não perdoa,   pelo  contrário, a Igreja trabalha o arrependimento, favorecendo as condições para isto. Pecados “retidos,” são aqueles pecados, que permanecemos neles, ou seja, temos a consciência destes pecados, mas não  nos abrimos ao arrependimento, com o  propósito de mudança.
No sopro do Espírito Santo sobre os discípulos, é expressa a criação renovada! É O Espírito Santo que recria a comunidade dos apóstolos e descerra suas portas para a missão!
Os discípulos só conseguiram tomar atitudes corajosas para anunciar Jesus, depois que receberam o Espírito Santo. Era tão grande a coragem que eles  passaram a ter, e tão seguras  as suas decisões, que eles estavam dispostos a tudo, até mesmo a dar a vida pelo evangelho.
Todos nós recebemos o Espírito Santo no Sacramento do Batismo, sacramento  que é confirmado  no Crismo. Com certeza, esta presença  permanente do Espírito Santo em nós,  nos leva a viver com mais alegria e  vontade de comunicar a todos, as coisas bonitas que Jesus realizou e continua realizando através do seu Espírito!
Com Pentecostes, encerra-se o tempo Pascal, mas este acontecimento não é final, é o começo do nosso peregrinar!
Os atos dos Apóstolos começaram com Pentecoste, também os nossos atos, devem começar com a presença, a força e a luz do Espírito Santo! 
A todo instante somos chamados  a sermos continuadores da comunicação  do  amor de Jesus, a verdade do evangelho!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia 

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DOMINGO DE PENTECOSTES 19/05/2013
1ª Leitura Atos 2, 1-11
Salmo 103(104),30 “Se enviais, porém, o vosso sopro, eles revivem a renovais a face da terra”
2ª Leitura 1Cor 12, 3b-7; 12-13
Evangelho João 20, 19 -23

RENASCIDOS NO ESPÍRITO"- Diac. José da Cruz
Quando se capricha na reforma de uma casa antiga, mudando totalmente sua fachada, costuma se dizer que ela ficou como nova, a esse respeito, lembro-me também do tempo em que a compra de um sapato novo era onerosa e a gente optava por levar o velho ao sapateiro, que colocava meia sola, passava uma tinta, dava um brilho e quando ia buscar, era como se fosse um sapato novo, e um último exemplo, um dos carros que tive foi uma Brasília, que em certa ocasião , mandei fazer uma reforma caprichada e ao sair com ela da oficina, dizia orgulhoso que ficou “novinha” em folha. Nesses três casos, a palavra NOVA é apenas força de expressão, pois a casa, o sapato e a Brasília, continuaram velhos, apenas com aparência de novos. O que o Espírito de Deus realiza em nós, não é uma reforma de fachada, não somos uma casa velha reformada, mas nele somos recriados, renascidos e renovados, passando a ser realmente novas criaturas., porque estamos em Cristo (1 Cor 5, 17-21).
Quando o homem toma conhecimento dessa verdade, fica confuso como Nicodemos, que perguntou a Jesus como é que podia um homem, sendo já velho, nascer de novo,e se era necessário entrar novamente no útero materno. Nas leituras da missa da vigília, e do domingo de Pentecostes descobrimos que esse renascimento e essa renovação não dependem do homem, mas é iniciativa de Deus. Quando celebramos Pentecostes estamos na verdade celebrando o renascimento de todo gênero humano, a renovação de toda humanidade, onde o homem, consciente e crente desta renovação, se une a seu Deus e aos irmãos em comunhão perfeita, na Igreja, que é o Povo da Nova Aliança, a Assembléia ou a reunião dos que crêm e vivem segundo o Espírito, vivenciando um amor que se traduz em serviço, impelido pelos carismas.
Igreja não é um grupo fechado e particular que têm exclusividade sobre o Espírito Santo, monopolizando seus dons e carismas, o Espírito é derramado sobre todos e não canalizado para alguns em particular como pensam algumas correntes religiosas. Todos os textos que ilustram essa Festa de Pentecostes, da missa da Vigília e da própria Festa, não deixam margem para dúvidas a esse respeito. “Derramarei o meu Espírito sobre todo ser humano” – (Joel 3, 1) “todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o espírito os inspirava. Moravam em Jerusalém, judeus devotos de todas as nações do mundo, quando ouviram o barulho, juntaram-se á multidão e cada um os ouvia falarem em sua própria língua” (Atos 2, 4-5) Através do seu Espírito que é único, Deus se comunica com todos os homens no pluralismo de valores, de culturas e religiões, em uma única linguagem!
No espírito descobrimos que somos todos iguais embora queiramos parecer diferentes. Se atendêssemos aos apelos do Espírito, derrubaríamos por terra todas as barreiras que nos separam e homens de todas as nações, culturas e religiões, iriam se dar às mãos e em uma única voz cantariam um único louvor, ao único e verdadeiro Deus, reunidos em uma única Igreja que já não seria mais este ou aquele templo, esta ou aquela denominação religiosa, mas sim as entranhas do homem. Eis aí algo esplendido que Pentecostes nos revela: nascemos de novo e nos renovamos porque Deus em seu Espírito Santo, entra em nós. “Nossos ossos estavam secos, nossa esperança havia acabado , texto que em Ezequiel 17, mostra não só a situação de um povo, que tinha perdido a sua identidade de povo de Deus, mas da própria humanidade, que sem Deus não consegue sonhar, ou esperar nada de bom, mas só tem pesadelos, e neste mesmo texto vemos a maravilhosa profecia “Porei em vós o meu Espírito para que vivais... e os anciãos voltarão a sonhar, e os jovens profetizarão” isso significa que todos, jovens e velhos poderão esperar algo novo, uma nova e feliz realidade.
Essa possibilidade se concretizou ao anoitecer daquele dia, quando Jesus soprou sobre a comunidade dos discípulos, concedendo-lhes o dom da paz e o seu próprio Espírito. Precisamente ali surgiu a nova humanidade, em uma Igreja que na força do Espírito Santo perdeu o medo, abriu suas portas que estavam fechadas e saiu em missão para anunciar a todos os homens essa verdade, que o Espírito do Senhor nos renovou, que em todos os homens, a graça é maior e mais abundante que o pecado. E quando todo homem olhar para dentro de si e tomar consciência dessa verdade, de que é uma Igreja ambulante porque o Senhor habita nele em Espírito, então passará a produzir os frutos doces e saborosos da caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, lealdade e mansidão. Você já fez essa experiência? (Domingo de Pentecostes)

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“reunidos no mesmo lugar” - Helena Colares Serpa

Os apóstolos seguiram a orientação de Jesus e permaneceram reunidos no mesmo lugar. Assim sendo foi que o Espírito Santo prometido do Pai e anunciado por Jesus, lhes veio no dia de Pentecostes para fazer uma revolução nas suas vidas. De tímidos e covardes, eles se tornaram corajosos, destemidos, e com sabedoria “falavam em outras línguas” O povo se admirava porque os apóstolos falavam em outras línguas e eles compreendiam no seu próprio idioma. Falar em línguas sob a ação do Espírito Santo é deixar que Ele, na Sua linguagem, exponha através dos nossos lábios as moções que Deus deseja nos fazer conhecer. A ação do Espírito Santo é justamente a de nos dar o entendimento para as coisas que antes nós não compreendíamos. A experiência com o Espírito Santo nos faz encarar os fatos e os acontecimentos com coragem e ardor. O barulho e o vento do Espírito Santo são sentidos por todo batizado que se deixa apossar pelo Seu poder. Todos nós podemos experimentar as maravilhas de Deus na nossa própria língua, isto é, no nosso entendimento, na nossa situação pessoal, nas nossas necessidades reais, na realidade da nossa vida. Por isso, é que nas nossas reuniões de oração, quando estamos unidos (as) no mesmo Espírito, nós recebemos os “recados” de Deus por meio uns dos outros. – Você entendeu por que precisamos permanecer reunidos (as), em oração? – Você já teve uma experiência com o Espírito na “sua própria língua”? 

“Recebei o Espírito Santo” - Helena Colares Serpa



Depois de ressuscitado Jesus apareceu aos Seus discípulos e trouxe-lhes a Sua paz e o Seu Espírito. No nosso Batismo, portanto, nós também recebemos o Espírito Santo, portanto, não podemos separar a paz de Jesus do Seu Espírito. Quem tem o Espírito Santo, tem paz porque sente o amor do Pai e do Filho. Todos nós que temos convicção do amor de Deus, sentimos a paz no nosso coração, pois provamos da misericórdia do Pai e temos a certeza de que os nossos pecados são perdoados. Nunca precisaremos trazer a nossa alma atribulada pelos acontecimentos do mundo, se recebemos o Espírito de Jesus no nosso Batismo e com Ele também a sua paz. A nossa carne é fraca e se ressente, porém o nosso coração está firme porque Jesus é quem nos assegura: “A paz esteja convosco”, “Recebei o Espírito Santo”. Somos enviados a levar ao mundo esta paz e o amor de Cristo que experimentamos com o poder do Seu Espírito. O Espírito Santo é quem nos envia, nos acompanha e nos motiva a irmos em frente, na nossa caminhada e é quem nos sustenta nas batalhas que travamos no nosso dia a dia. É também Ele quem nos tira da acomodação e nos faz enxergar as coisas do céu, que fogem da nossa visão humana. - Você tem tido experiência com o Espírito Santo? – Você sente o seu coração em paz mesmo que o mundo ao seu redor esteja desabando? A que o Espírito tem lhe motivado? – O que você entende por “renovar a face da terra”?

Helena Serpa,
“falando novas línguas” - Helena Colares Serpa

Atendendo às recomendações de Jesus os apóstolos permaneceram reunidos no mesmo lugar a espera do cumprimento da Promessa do Pai. E o Espírito Santo prometido do Pai e anunciado por Jesus, lhes veio no dia de Pentecostes para fazer uma revolução nas suas vidas. De tímidos e covardes, eles se tornaram corajosos, destemidos, e com sabedoria “falavam em outras línguas”. Assim, todo o povo que se reunia para a festa, devotos de todas as nações do mundo se admirou e ficou confuso, pois os apóstolos falavam em outras línguas e eles compreendiam no seu próprio idioma as maravilhas que Deus operava no meio deles. Nós também hoje vivemos um Pentecostes permanente. Todo dia é dia útil para que o Espírito Santo aja em nós e nos motive a falar em línguas e profetizar anunciando as Suas maravilhas. Falar em línguas sob a ação do Espírito Santo é deixar que Ele, na Sua linguagem, exponha através dos nossos lábios as moções que Deus deseja nos fazer conhecer. A ação do Espírito Santo é justamente a de nos dar o entendimento para as coisas que antes nós não compreendíamos. A experiência com o Espírito Santo nos faz encarar os fatos e os acontecimentos com coragem e ardor. O barulho e o vento do Espírito Santo são sentidos por todo aquele (a) que é batizado e se deixa apossar pelo Seu poder. Todos nós podemos experimentar as maravilhas de Deus na nossa própria língua, isto é, no nosso entendimento, na nossa situação pessoal, nas nossas necessidades reais, na realidade da nossa vida. Por isso é que nas nossas reuniões de oração, quando estamos unidos (as) no mesmo Espírito, nós recebemos os “recados” de Deus por meio de uns e de outros. – Você entendeu por que precisamos permanecer reunidos (as), em oração? – Você já teve uma experiência com o Espírito na “sua própria língua”?

“a beleza da unidade da Igreja” - Helena Colares Serpa

São Paulo nos faz compreender a beleza da unidade da Igreja, que é guiada pelo Espírito Santo quando afirma que “Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos”. O Espírito Santo é quem fortalece a nossa caminhada de cristãos, pois nos dá os dons necessários para que caminhemos, cada um dentro da sua realidade e do seu chamado. Cada um de nós é uma parte do todo e formamos um único Corpo, bebendo de um único Espírito. Só o Espírito Santo de Deus pode nos fazer reconhecer o Senhorio de Jesus na nossa vida, por isso São Paulo nos adverte: “ninguém pode dizer Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo”. É Ele quem nos motiva a formar comum unidade, vivendo sob a autoridade de um só Senhor. Por isso, em qualquer área ou atividade da nossa vida podemos proclamar que Jesus é o Senhor. Senhor da nossa casa, do nosso trabalho, do nosso lazer, da nossa Comunidade! Somos UM, porque fomos batizados e possuímos o Espírito Santo como motivador. A nossa oração deve ser constante e em todos os momentos podemos suplicar: “”Vinde, Espírito Santo e renovareis a face da terra”. É Deus quem pelo poder do Espírito Santo realiza todas as coisas em todos, por isso, não podemos nos calar. O Espírito Santo nos impulsiona, nos ensina, nos revela os mistérios de Deus e se não o invocamos, perdemos tempo e oportunidades. – Você sabe acolher os dons do Espírito Santo tanto em você como nos outros? – Você percebe que as diferenças entre as pessoas formam uma unidade no Espírito? – Jesus é o Senhor da sua vida? – Você tem consciência de que o Espírito Santo mora no seu coração?

 “A paz do Espírito Santo” - Helena Colares Serpa

O Espírito Santo é o portador da paz de Jesus. O mesmo Espírito Santo que Jesus, depois de ressuscitado soprou sobre os Seus apóstolos quando lhes desejou a paz, nós também O recebemos no nosso Batismo. Consequentemente, não podemos separar a paz de Jesus do Seu Espírito Santo. Quem tem o Espírito Santo, tem paz porque sente o amor do Pai e do Filho manifestando-se dentro do seu coração. Todas as pessoas que têm convicção do amor de Deus, sentem no coração a presença amorosa da Sua paz. A paz de Jesus nos dar a certeza de que os nossos pecados são perdoados. Nunca precisaremos trazer a nossa alma atribulada pelos acontecimentos do mundo, pois recebemos o Espírito de Jesus no nosso Batismo e com Ele também a sua paz. A nossa carne é fraca e se ressente, porém o nosso coração está firme porque Jesus é quem nos assegura: “A paz esteja convosco”, “Recebei o Espírito Santo”. Somos enviados a levar ao mundo esta paz e o amor de Cristo o qual experimentamos pelo poder do Seu Espírito Santo. O Espírito Santo é quem nos envia, nos acompanha e nos motiva a irmos em frente, na nossa caminhada e é quem nos sustenta nas batalhas que travamos no nosso dia a dia. É também Ele quem nos tira da acomodação e nos faz enxergar as coisas do céu, que fogem da nossa visão humana. - Você tem tido experiência com o Espírito Santo? – Você sente o seu coração em paz mesmo que o mundo ao seu redor esteja desabando? A que o Espírito tem lhe motivado? – O que você entende por “renovar a face da terra”?

Helena Serpa,

“o Espírito da verdade está em nós” - Helena Colares Serpa


Jesus falava aos seus discípulos e lhes acenava com a vinda do Espírito Santo, o Espírito da verdade. E demonstrava que o Espírito não é conhecido pelo mundo, isto é, pelas pessoas que não amam a Deus e não guardam os seus mandamentos. Jesus garantia, então aos seus discípulos: “Vós o conheceis, (o Espírito da verdade), porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós.” Podemos entender, então, que até aquele momento o Espírito Santo estava apenas perto dos discípulos, porque estava em Jesus Cristo. Mais uma vez Ele lhes garantia que não os deixaria órfãos e que viria a eles. No dia de Pentecostes Jesus cumpriu esta promessa. Hoje, nós podemos entender que o Espírito Santo já foi enviado do céu e permanece dentro de nós. O Pai está em nós, o Filho está em nós e o Espírito Santo confirma em nós o Amor entre o Pai e o Filho. Portanto, o nosso poder é muito maior ainda do que o dos Apóstolos antes de Pentecostes. Há em nós o poder do Amor de Deus que é o dínamo que impulsiona as nossas ações conforme o pensamento do Pai. “Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós!” Não podemos mais perder tempo; o Espírito da verdade está, isto é, mora dentro de nós para nos instruir na verdade que são os mandamentos da Lei de Deus. Sabemos que amamos a Deus se observamos os Seus mandamentos. Isto faz toda a diferença na nossa vida. – O Espírito da verdade mora no seu coração? – Você já sente a Sua manifestação? – Qual é a verdade? – Como se expressa a verdade do Espírito através de você? – Você tem ações concretas de amor ao próximo?

Helena Serpa, 

“movidos pelo Espírito de Deus” - Helena Colares Serpa

São Judas nos orienta a nos edificarmos sobre o fundamento dos apóstolos, ou seja, a fé na condução do Espírito Santo enviado em Pentecostes. O Espírito Santo é o prometido do Pai que nos foi dado em vista da Sua Misericórdia por meio do Seu Filho Jesus Cristo. Agora, sob a luz do Espírito Santo nós podemos apreender melhor o que a liturgia deste tempo nos ensina para acolhermos a salvação de Jesus no dia a dia da nossa vida e ajudarmos àqueles que ainda não entenderam isso. Os conselhos que nos são dados têm como intuito nos fazer experimentar de um modo concreto a vida nova que os apóstolos e discípulos de Jesus viveram, porque acreditaram. Portanto, o AMOR de Deus se revela a nós pela manifestação do Seu Espírito que age no nosso coração e tem influência na nossa vida, desde os nossos pensamentos, sentimentos e ações. Todos nós que tivemos um dia a experiência do amor do Pai e do Filho por meio do Espírito Santo estamos firmes na fé e nada poderá nos abalar. Mas existem aquelas pessoas que ainda duvidam e outras que vivem no pecado porque ainda não tiveram este encontro pessoal com Jesus. A esses o apóstolo nos ensina a ter piedade e paciência com eles, sem, no entanto, nos envolvermos com o seu pecado. Muitas vezes queremos ajudar alguém que se encontra no vício, na desordem e conseguimos apenas cair com ele nas mesmas faltas. No entanto, continua São Judas, o Espírito Santo de Deus pela misericórdia de Cristo é o único capaz de nos guardar das quedas e de nos apresentar perante a glória que nos é oferecida. Assim sendo, confiantes no poder de Jesus não podemos desistir de salvar as almas aflitas dos que estão perdidos no mundo. O sangue de Jesus Cristo tem poder para nos libertar da escravidão do pecado, por isso não podemos nos justificar diante dos desafios que estão à nossa frente. – Você já teve um encontro pessoal com Jesus? – Você deseja que outras pessoas também experimentem? – Você tem medo de se contaminar com o pecado do irmão? – O Espírito Santo já é o seu motivador? – Você tem fé?

“Precisamos desistir das nossas próprias opiniões” - Helena Colares Serpa

Os sumos sacerdotes, os anciãos e os mestres da Lei nunca iriam entender Jesus porque Ele falava das coisas que O Pai lhe revelava, coisas que os homens não entendem por si mesmos. Seria fácil para Jesus dar uma resposta correta, porém Ele sabia que por mais que Ele esclarecesse as dúvidas, eles não compreenderiam. Assim sendo, muitas vezes Ele respondia aos seus interlocutores fazendo-lhes também uma pergunta confundindo ainda mais àqueles que armavam ciladas contra Ele. Jesus operava com sabedoria, porque tinha conhecimento da falsidade daqueles que o inquiriam. Quantas vezes nós também fazemos perguntas a Jesus e não recebemos as respostas? Quantas vezes nós também abrimos a Bíblia querendo um retorno para as nossas indagações e o que vemos não satisfaz a nossa expectativa? Isto acontece conosco porque também nunca entenderemos quando Jesus nos falar de coisas que não queremos aceitar porque já temos uma opinião formada e não nos afastamos dela. Porque nós não nos abrimos ao Espírito Santo para compreender os mistérios de Deus e aceitá-Los, porque a mentalidade do mundo ainda é muito poderosa nas nossas ações. Precisamos desistir das nossas próprias opiniões para que as respostas de Jesus ecoem dentro de nós de uma maneira forma convincente. Precisamos deixar ecoar dentro de nós o pensamento de Deus sem querer que prevaleçam os nossos pensamentos e as nossas deduções. O Espírito Santo é quem nos faz entender os segredos do Pai que nos são revelados pela Palavra de Jesus. Que possamos confiar na autoridade de Jesus sem questionamentos e tudo mais nos será revelado. – Você tem dado abertura ao Espírito Santo para que Ele elucide as suas dúvidas? – Quais as perguntas que você tem feito a Jesus? – Ele tem respondido? – Você tem entendido o que Ele fala? – Você é daquelas pessoas que abrem a Palavra esperando logo uma resposta que lhe seja agradável? – Você acredita que Deus fala com você?

Helena Serpa,

 

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Evangelhos Dominicais Comentados

19/maio/2013 – Pentecostes

Evangelho: (Jo 20, 19-23)

Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, estando trancadas as portas do lugar onde estavam os discípulos, por medo dos judeus, Jesus chegou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos se alegraram ao ver o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio”. Após essas palavras, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados serão perdoados. A quem não perdoardes os pecados não serão perdoados”.

COMENTÁRIO

Hoje celebramos Pentecostes. Completam-se cinqüenta dias da Páscoa da Ressurreição de Jesus. Quase dois meses depois que Jesus se foi, nós encontramos seus discípulos trancados no cenáculo, por medo dos judeus. 

Apesar do evangelista não mencionar neste Evangelho, nós sabemos que no cenáculo também estavam algumas mulheres, inclusive Maria a Mãe de Jesus. Outro fato que deve ser ressaltado, é que eles se encontravam em oração. Parece que a intenção de João é mostrar o poder da oração na vida do cristão, principalmente nos momentos difíceis.

João faz questão de dizer que o medo estava presente entre eles. Não sabiam o que poderia lhes acontecer se fossem descobertos pelos judeus. A única certeza que tinham é que jamais iriam assumir publicamente que eram cristãos.

No entanto, Jesus chega como quem não quer nada, entra sem fazer alarde, coloca-se no meio deles e diz: “A paz esteja com vocês”! Pronto... bastou isso. Mudou o clima do ambiente, a alegria é geral. Os discípulos ficaram alegres ao verem o Senhor.

Jesus trouxe consigo o Espírito Santo e o entregou aos apóstolos. O medo e a insegurança foram jogados pela janela. O temor que paralisava suas pernas, simplesmente desapareceu.

Isso chama-se paz. Paz é liberdade, é coragem, é a busca permanente da vida plena. Paz é doação, é a luta por justiça e dignidade. Paz, um nome tão pequeno, mas que guarda dentro de si todas as Palavras de Jesus. 

Paz é o resumo de tudo. Na palavra paz está contido todo evangelho, por isso Jesus nos deseja a paz. Apesar de não serem sinônimos, é impossível separar a paz do amor. Paz é conseqüência do amor, e o amor é o caminho que leva à paz.

Jesus, o próprio Amor entra, deseja-lhes a paz e faz algumas recomendações. Manda que continuem a sua missão. Missão de denunciar e distribuir. Missão de evangelizar, de lutar por justiça e contra a opressão. Realmente, não é nada fácil essa missão, eles teriam que dar continuidade a luta que levou Jesus à morte. Mas, como enfrentar a multidão que eliminou Jesus?

Onde encontrar coragem para encarar o inimigo, a sociedade violenta e dividida? Onde encontrar coragem para enfrentar o mundo? O medo era enorme, mas ao receberem o Espírito Santo, transformam-se totalmente. Abrem as portas, escancaram as janelas, nada temem, tudo enfrentam. Falam em público com destemor e sabedoria.

Assim é a obra do Espírito Santo. Ela faz maravilhas nos seguidores de Jesus. Opera transformações radicais naqueles que se entregam aos seus cuidados. Age em nossa vida e em nosso dia-a-dia. O Espírito se faz presente através dos seus sete dons.

A festa de Pentecostes nos leva a concluir que o Espírito Santo dá vida e dinamismo à comunidade cristã. Sob a ação do Espírito todos falam a mesma língua, os irmãos se entendem e se unem em torno do mesmo Pai. A covardia é substituída pela coragem na pregação do evangelho, a tristeza dá lugar à alegria, e as atividades são alicerçadas no amor e na paz de Jesus.

(2949)

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A força do Espírito rompe barreiras e renova o mundo!
Na era da internet, uma notícia chega aos quatro cantos do mundo em frações de segundos. Por meio do computador, vemos o mundo e nos comunicamos com ele, mobilizamo-nos para coisas boas e ruins. Tudo se parece com um espírito que corre veloz nas ondas invisíveis e nas fibras ópticas de um mundo globalizado, que, apesar dos avanços tecnológicos, ainda persiste em mostrar o incômodo da miséria, do racismo, da exploração sexual e das injustiças sociais reinantes em grande parte do nosso planeta. A globalização ainda não acontece satisfatoriamente na promoção da solidariedade, da cultura da paz, do acesso aos bens necessários à vida, da justiça. 
É neste contexto de século XXI que continuamos celebrando Pentecostes como acontecimento profundamente aglutinador, pois nele todos os povos são reunidos por Deus para desfrutar da Páscoa de seu Filho, fonte de paz, salvação e vida plena para todos. Pentecostes é o oposto de Babel (Gn. 11,1-9), pois não envolve multiplicação de línguas, mas é a plenitude da comunicação entre o divino e o humano e o evento basilar do cristianismo primitivo, ao reler a manifestação de Deus no monte Sinai. É o que veremos nas leituras de hoje.
1ª leitura (At 2,1-11)
Pentecostes  é a releitura simbólica do Sinai
Haviam se passado os 50 dias entre as festas da Páscoa e Pentecostes. Era o quinquagésimo dia da festa das Semanas, daí o nome hebraico da festa: “Pentecostes”. Era o dia 6 do mês de sivan – 22 de maio no nosso calendário. Jerusalém estava repleta de peregrinos. Todos teriam trazido as primeiras colheitas para serem ofertadas no Templo. A peregrinação até Jerusalém teria sido linda. Imagine grupos de pessoas caminhando juntos com cestos de uva, trigo, azeitonas, tâmaras, mel... Imagine o povo sendo acolhido em Jerusalém ao som de harpa, flauta e recitação de salmos. Todos carregavam dentro de si o desejo de agradecer a Deus pelas primeiras colheitas e de comemorar o “dom da Torá”, da Lei dada ao povo no monte Sinai tantos séculos atrás. Nisso consistia a festa judaica de Pentecostes: comemorar o recebimento da Torá no monte Sinai e afirmar, com isso, que no dia de sua revelação “eu também estava lá” (Dt. 5,24). O ontem se torna hoje (Lc. 4).  
Em Jerusalém estavam todos. E todos presenciaram a vinda do Espírito Santo. Como podemos interpretar esse episódio narrado por Lucas nos Atos? Não estaria aí uma releitura do evento Sinai? Lucas descreve o acontecido em Pentecostes tendo na memória a narrativa do Sinai. Era preciso demonstrar que um novo Sinai estava acontecendo para legitimar a ação da comunidade de Jerusalém. Jesus teria dito para voltarem a Jerusalém e lá eles receberiam o Espírito Santo. Pentecostes passa a ser o batismo da comunidade cristã, o qual a confirma na missão de ir para o mundo e evangelizar. Mais que de um dado histórico, estamos diante de uma profissão de fé. Sem Pentecostes, a Páscoa (passagem) para uma nova vida em Jesus não estaria completa. É belíssima a simbologia usada por Lucas para falar de uma experiência tão importante, que marca o início da missão das comunidades cristãs. 
Em At 2,1-13, temos dois relatos unidos: um mais antigo (vv. 1-4 + 12-13) e um mais desenvolvido redacionalmente (vv. 5-11). O objetivo do primeiro é chamar a atenção para o fato carismático e apocalíptico de Pentecostes, e o do segundo, demonstrar o caráter profético e missionário do evento. Vamos considerar o texto como um todo e interpretá-lo simbolicamente, também como releitura do Sinai.
Eis os símbolos:
a) Casa em Jerusalém: a vinda do Espírito Santo ocorre, segundo a tradição, em uma casa de dois andares na cidade de Jerusalém, que está situada sobre o monte Sião. Esses dois detalhes evocam claramente o monte Sinai, local onde Moisés recebeu as Dez Palavras de Deus. No Primeiro Testamento, os montes eram considerados lugares privilegiados da manifestação de Deus.
b) Língua/linguagem: Lucas substitui o termo voz, que aparece na narrativa do Sinai, por língua. Esses termos são semelhantes e ambos se referem à Palavra. E cada um entende na sua própria língua. A Palavra é a presença de Deus. Língua (idioma) e linguagem (modo de se comunicar) têm o mesmo sentido no texto. O milagre de Pentecostes consiste no fato de os presentes poderem entender os apóstolos no interior de sua própria cultura. É o mesmo que dizer: a evangelização está sendo realizada com sucesso. Por isso, esse fenômeno, também encontrado em At 10,46 e 19,6, 1Cor 12,10.28.30 e 14,2.4-6.9, aparece nessa leitura com o acréscimo de “outras línguas”, com a intenção de demonstrar que a evangelização era para “todos no mundo todo”. Evangelizar não é falar em língua que ninguém entende, mas justamente o contrário. Não importa o idioma (língua-mãe), mas a linguagem comum, o modo como é transmitida a proposta do reino.
c) De fogo: representa a manifestação de Deus; é um modo apocalíptico de dizer que Deus se manifestou (Ex. 3,2-3; 13,21; 19,18). Deus acompanha o povo pelo deserto numa coluna de fogo que iluminava a noite (Ex. 13,20-22). Deus desce para falar com o povo e Moisés no Sinai por meio do fogo (Ex. 19,18). A comunidade de Mateus conservou a memória da fala de João Batista que anuncia o batismo no Espírito Santo e no fogo que Jesus deveria realizar (Mt 3,11). E é isso que ocorre em Pentecostes, segundo a interpretação da comunidade dos Atos dos Apóstolos. O Espírito Santo é o fogo da palavra de Jesus que deve ser anunciada pelos seus seguidores. 
d) Multidão: simboliza o povo no deserto que recebeu as tábuas da Lei. No dia de Pentecostes, 3 mil pessoas estavam em Jerusalém. Não se trata aqui de uma cifra exata. A comunidade dos Atos quis, com isso, afirmar que a comunidade dos convertidos era uma multidão, proveniente de 12 povos e 3 regiões.
e) Vendaval impetuoso: simboliza a manifestação de Deus. É a “violência” do Espírito que leva a comunidade a ser profética e missionária. Deus fala no Primeiro e Segundo Testamentos.
f) Estão cheios de vinho doce: essa acusação simboliza os que não estão abertos ao novo da comunidade cristã. Segundo os Rolos do Templo (cf. FITZMYER, J. The acts of the apostles, The Anchor Bible, vol. 31, p. 235), gruta 11, os judeus de Qumrã celebravam três Pentecostes: a) a festa das Semanas e do Novo Trigo (50 dias após a Páscoa); b) a festa do Novo Vinho (50 dias após a festa do Novo Trigo); c) a festa do Novo Óleo (50 dias após a festa do Novo Vinho). Essa sequência de festas nos mostra que, depois da Páscoa, de 50 em 50 dias, era celebrada uma festa. Sendo uma das festas a do Novo Vinho, podemos entender melhor esta zombaria no texto: “estão cheios de vinho doce”. Lucas pode ter conhecido múltiplos Pentecostes entre os contemporâneos judeus e fez alusão ao Pentecostes do Novo Vinho, quando fala, mais propriamente, do Pentecostes do Novo Trigo.
Evangelho (Jo 20,19-23)
Pentecostes é a nova Páscoa para os seguidores  de Jesus, na paz e no anúncio do Espírito Santo
A comunidade está reunida e com medo. O Ressuscitado ultrapassa as barreiras físicas e aparece diante dela. Ele lhes diz: “A paz esteja convosco”. “Paz” se diz em hebraico shalom, palavra originada do verbo shlm, que, no tempo verbal piel, significa pagar, devolver, ressarcir, indenizar, conservar. Da mesma raiz, o adjetivo shalem significa estar completo, inteiro. Pagar em hebraico tem o sentido de completar o valor justo. É forma simbólica de completar o vazio deixado pelo objeto tirado. Quem compra e não paga mutila o outro. Paz é eterna harmonia com Deus, com o outro e com o universo. Os judeus acreditam que o Messias só virá quando a justiça social estiver implantada em nosso meio. Jerusalém, a cidade (yeru) da paz (shalem), é protótipo desse sonho, dessa esperança. Jerusalém, em hebraico, escreve-se, na verdade, Ierushalaim. Duas vezes aparece o i (em hebraico yod), ainda que na segunda vez ele não seja pronunciado, pois representa o nome de Deus, Iahweh. Os outros povos, não compreendendo o significado do i no nome dessa cidade santa, traduziram-no como Jerusalém. O yod representa, para o semita, a esperança. E é nesse contexto que podemos entender a fala de Jesus: “Nem um i sequer será tirado da Lei” (Mt 5,18). A esperança de paz, de voltar ao tempo de Deus, jamais acabará para quem sabe esperar. Jesus pôde dizer Paz a vós, pois ele é a paz. A sua presença já é paz e esperança. Quando, na missa, saudamos o outro com a expressão “paz de Cristo”, desejamos que Cristo esteja dentro dele e ele seja qual outro ressuscitado. A expressão “paz de Cristo” reúne os elementos do ser completo, da harmonia e, mais que isso, da presença duradoura de Deus transmitida por Jesus aos seus.
Para as comunidades joaninas, Pentecostes, como dom do Espírito, realiza-se na Páscoa. Jesus, na sua morte de cruz, entrega o Espírito (Jo 19,30). Jesus ressuscitado aparece aos discípulos e lhes oferece o Espírito Santo, como nos atesta o evangelho de hoje (v. 22). A comunidade pascal é portadora da paz e da força do Espírito do Ressuscitado que deve ser levado ao mundo. Ela é sinal da ação do Espírito que faz passar da morte para a vida todo o universo. Por isso, Jesus envia a comunidade ao mundo, com a missão de reconciliá-lo com Deus, combatendo as forças do mal. A nova comunidade dos judeu-cristãos é portadora do projeto de Deus para a verdadeira unificação do mundo. Esse segredo chama-se: Páscoa do Ressuscitado. Sua força é a mesma de Pentecostes: reunir a diversidade na unidade. O desafio da comunidade é abrir as portas da “casa”: sair de si para reconhecer no universo o “vendaval” do Espírito que tudo renova, tudo recria e que sopra onde quer.
2ª leitura (1Cor 12,3b-7.12-13)
O Espírito, fonte de diversidade e de comunhão
Tendo aprofundado o caráter simbólico da solenidade de Pentecostes, deparamos com a segunda leitura de hoje, a qual é um desafio proposto à comunidade de Corinto, em meio às divisões que ela sofria. Paulo insiste na comunhão no mesmo Espírito, na diversidade de ministérios, atividades, raças, culturas e povos. Diversidade é sinal da riqueza do único corpo de Cristo e condição para a unidade. O Espírito distribui os dons e reúne tudo e todos em Cristo. Assim, todos devem ser responsáveis e contribuir para o crescimento da comunidade, o Corpo do Senhor. Essa unidade só é possível porque envolve três realidades:
1) a ressurreição de Jesus que reúne o corpo e a comunidade;
2) a força do Espírito que impulsiona esse corpo; e
3) a diversidade de dons necessários à vida do corpo. 
Na comunidade de Corinto e nas de hoje, reconhecer Jesus como Senhor, título do Ressuscitado, é abandonar toda e qualquer divisão entre os irmãos. É ser sinal do amor de Deus para o mundo, deixando a energia do Espírito nos conduzir ao diferente, ao novo, manifestando a todos a vida que Deus dá. É o que expressa o prefácio litúrgico de Pentecostes: “[...] é ele quem dá a todos os povos o conhecimento do verdadeiro Deus e une, numa só fé, a diversidade das raças e línguas”. A unidade dos cristãos é desafio constante para todos nós. É nesse espírito que somos convidados a viver a Páscoa do Senhor como fator de unidade entre todas as Igrejas e entre todo o gênero humano. Pentecostes, assumido pela tradição cristã como plenitude da Páscoa de Jesus, é a força capaz de nos fazer compreender e viver em profundidade o projeto universal de vida para todos. Faz-nos enxergar no diferente, e até no estranho, a força da vida divina. A vida nova em Cristo tem força “simbólica”, unificadora: supõe abandonar tudo o que divide, afasta e cria abismos na convivência humana e ecológica, para abraçar outra norma de vida: o amor que reúne, aproxima e refaz a convivência na humanidade. É o Espírito, força de vida e de unidade, o único capaz de nos conectar com todo o universo e com a fonte da vida.
Pistas para reflexão
– Demonstrar que o Espírito Santo é o coração palpitante que animou a vida das primeiras comunidades cristãs no anúncio do evangelho e na fé em Jesus ressuscitado. Somos herdeiros dessa fé intrépida que rompeu barreiras e ganhou o mundo. 
– Demonstrar que a grande mensagem de Pentecostes é a evangelização e não o falar línguas. A vivacidade de nossas comunidades é exemplo de um novo Pentecostes acontecendo. 
– O Espírito de Deus em Pentecostes enche todo o universo, e mantém unidas todas as coisas; gera novas relações na comunidade e no mundo; realiza a plenitude da aliança do Sinai: o amor sem fronteiras.
padre Jacir de Freitas Faria, ofm

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A igreja, o espírito e a unidade
Pentecostes é a plenificação do mistério pascal: a comunhão com o Ressuscitado é completada, levada à plenitude, pelo dom do Espírito, que continua em nós a obra do Cristo e sua presença gloriosa. A liturgia de hoje acentua a manifestação histórica do Espírito no milagre de Pentecostes (1ª leitura) e nos carismas da Igreja (2ª leitura), sinais da unidade e da paz que o Cristo veio trazer. Isso porque a pregação dos apóstolos, anunciando o Ressuscitado, supera a divisão de raças e línguas e porque a diversidade de dons na Igreja serve para a edificação do povo unido, o Corpo do qual Cristo é a cabeça. Ambos os temas, a diversidade das línguas e a unidade no Espírito, alimentam a reflexão de hoje.
No antigo Israel, Pentecostes era uma festa agrícola (primícias da safra, no hemisfério setentrional). Mais tarde, foi relacionada com o êxodo, evento salvífico central da memória de Israel, no sentido de comemorar a proclamação da Lei no monte Sinai. Tornou-se uma das três grandes festas em que os judeus subiam em romaria a Jerusalém (as outras são Páscoa e Tabernáculos). Foi nessa festa que se deu a “explosão” do Espírito Santo, a força que levou os apóstolos a tomar a palavra e a proclamar, diante da multidão reunida de todos os cantos do judaísmo, o anúncio (“querigma”) de Jesus Cristo. Seria errado pensar que o Espírito tivesse sido dado naquele momento pela primeira vez. Deus envia sempre seu Espírito, e o evangelho (de João) nos ensina que Jesus comunicou de modo especial o Espírito no próprio dia da Páscoa (cf. também o evangelho do segundo domingo pascal). O Espírito está sempre aí. Mas foi no dia de Pentecostes que essa realidade se manifestou ao mundo na forma do querigma cristão, aparecendo em forma de línguas e reparando a “confusão babilônica”.
1ª leitura (At. 2,1-11)
A primeira leitura narra o milagre das línguas no dia de Pentecostes, interpretado como acontecimento escatológico, a partir da profecia de Jl. 3 (cf. At. 2,16-21). Mas é, sobretudo, o cumprimento da palavra do Cristo (Lc. 24,49; At. 1,4; cf. Jo 14,16-17.26). O sopro do Espírito se faz perceber como um vendaval ao ouvido, como fogo aos olhos. Realiza a transformação do “pequeno rebanho” – os apóstolos reunidos no cenáculo em torno de Maria – em Igreja missionária. Todos ouvem o anúncio do Crucificado-Ressuscitado na língua que eles entendem. Assim acontece também hoje. A Igreja do Cristo se reconhece pelo espaço que ela dá ao Espírito e pela capacidade de proclamar sua mensagem.
2 leitura (1Cor. 12,3b-7.12-13)
A segunda leitura ensina a unidade do Espírito na diversidade dos dons. “Jesus é o Senhor”, assim soa a profissão de fé que une a Igreja (cf. Fl. 2,9-11). E essa profissão só consegue manter-se na força do Espírito (1Cor. 12,3; cf. Rm. 10,9). O mesmo Espírito que produz a unidade da profissão de fé dá também a multiformidade dos serviços na Igreja. Todos os que pertencem a Cristo são membros diversos do mesmo Corpo (cf. Rm. 12,3-8; Ef. 4,4-6). Se a primeira leitura mostra mais o que o Espírito causa para fora (a missão proclamadora), a segunda evoca mais a obra “intraeclesial” do Espírito (para dentro): do mesmo Espírito provém a multiformidade dos dons, comparada às múltiplas funções que movimentam um mesmo corpo. Paulo chama isso de “carismas”, dons da graça (de Deus); pois sabemos muito bem que tal unidade na diversidade não é algo que vem de nossa ambição pessoal (a qual, normalmente, só produz divisão). É o Espírito do amor de Deus que tudo une.
Sequência: Veni Sancte Spiritus
Esse hino expressa maravilhosamente o sentido profundo do dom do Espírito à comunidade dos fiéis como chama do amor de Deus em Cristo. Não se deixe de pôr os fiéis, mediante canto ou recitação, em contato com esse rico texto.
Evangelho (Jo 20,19-23)
Esse evangelho, que retoma em parte o do segundo domingo pascal, descreve o dom do Espírito feito pelo Cristo ressuscitado. Celebramos a Sexta-Feira Santa, Páscoa e Pentecostes em três dias diferentes, mas a realidade é uma só: a “exaltação” de Cristo na cruz e na glória, fonte do Espírito que ele nos dá. Se Lucas descreve a manifestação do Espírito no anúncio no quinquagésimo dia da ressurreição (I leitura), João descreve o dom do Espírito no próprio dia da ressurreição de Jesus. Essa, de fato, é a visão joanina da “exaltação” ou “enaltecimento” de Jesus: sua morte, ressurreição e dom do Espírito constituem uma realidade única, pois sua morte é a obra em que Deus é glorificado, e seu lado aberto é a fonte do Espírito para os fiéis (Jo 7,37-39; 19,31-37). Jesus aparece aos seus, identifica-se pelas marcas de sua paixão e morte e comunica-lhes a sua paz, que ele prometera (cf. 14,27). Então, concede-lhes o dom do Espírito, que os capacita para tirar o pecado do mundo, ou seja, para continuar a missão salvadora do próprio Jesus (cf. 1,29.35). O mundo ressuscita com Cristo, pelo Espírito dado à Igreja.
Laço de amor da nova criação
O Espírito do Senhor exaltado é o laço do amor divino que nos une, que transforma o mundo em nova criação sem mancha nem pecado, na qual todos entendem a voz de Deus. É essa a mensagem da liturgia de hoje. O mundo é renovado conforme a obra de Cristo, que nós, no seu Espírito, levamos adiante. Nesse sentido, é a festa da Igreja que nasceu do lado aberto do Salvador e manifestou sua missão no dia de Pentecostes. Igreja que nasce não de organizações e instituições, mas da força graciosa (“carisma”) que Deus infunde no coração e nos lábios. A festa de hoje nos ajuda, assim, a entender o que é “renovação carismática”: não uma avalanche de fenômenos de um movimento religioso, mas o espírito da unidade, do perdão e da mútua solidariedade que ganha força decisiva na Igreja. O Espírito Santo é a “alma” da Igreja, o calor de nossa fé e de nossa comunhão eclesial.
Pentecostes, festa do “Divino” Espírito Santo, é oportunidade para entender melhor uma realidade central de nossa fé: o Espírito de Deus que nos é dado em virtude de nossa fé em Jesus Cristo. O ponto de partida pode ser o Evangelho de João, que narra como, no próprio dia da Páscoa, o Jesus glorioso comunica aos apóstolos, da parte do Pai, o Espírito Santo, para que exerçam o poder de perdoar os pecados. Pois Jesus é “o cordeiro que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29), e os discípulos devem continuar essa missão.
São Lucas, na 1ª leitura, dos Atos dos Apóstolos, distingue diversos momentos. No seu evangelho e no início do livro dos Atos, descreveu a Páscoa da ressurreição e a ascensão do Senhor Jesus como entrada na glória, com a manifestação do Espírito Santo ocorrendo poucos dias após, mais exatamente 50 dias depois da Páscoa, no Pentecostes (que significa “quinquagésimo dia”). Nesse dia, em que a religião de Israel comemora o dom da Lei no monte Sinai, descem sobre os apóstolos como que línguas de fogo, para que eles proclamem o evangelho a todos os povos, representados em Jerusalém pelos romeiros da festa, que ouvem a proclamação cada qual em sua própria língua.
Entre os primeiros cristãos, os de Corinto gostavam demais do “dom das línguas”, pelo qual eles podiam exclamar frases em línguas estranhas. Mas Paulo os adverte de que os dons não se devem tornar fonte de desunião. Os fiéis, com sua diversidade de dons, devem completar-se, como os membros de um mesmo corpo (II leitura). No milagre de Pentecostes, um falava e todos entendiam (em sua própria língua). No “dom das línguas”, ou glossolalia, corre-se o perigo de que todos falem e ninguém entenda. Por isso, Paulo prefere um falar que todos entendam (ler 1Co. 14).
Nós hoje somos chamados a renovar o milagre de Pentecostes: falar uma língua que todos entendam, a linguagem da justiça e do amor. É a linguagem de Cristo, e é uma “língua de fogo”! Aliás, o evangelho nos lembra que a primeira finalidade do dom do Espírito é tirar o pecado do mundo (Jo 20,22-23). A linguagem do Espírito é a linguagem da justiça e do amor. Por outro lado, devemos reconhecer a enorme diversidade de dons no único “corpo” da Igreja. Somos capazes de considerar as nossas diferenças (pastorais, ideológicas etc.) como mútuo enriquecimento? Pomo-las em comum? O diálogo na diversidade pode ser um dom do Espírito muito atual.
padre Johan Konings, sj

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Assim se exprime o  Concílio  do Vaticano II a respeito do Espírito Santo:  “Terminada na terra o obra  que o Pai confiou ao Filho, o Espírito Santo foi enviado  no dia de Pentecostes a fim de santificar continuamente a Igreja e, por Cristo, no único Espírito terem os fiéis acesso junto ao Pai.  Ele é o Espírito da vida,  a fonte de água que jorra para a vida eterna. Por ele o Pai dá a vida aos homens mortos pelo pecado, até ressuscitar em Cristo seus corpos mortais” (Lúmen  Gentium, 4).
Ele vem como o vento e como o fogo, como a brisa e como a chama. Lucas descreve com tintas fortes a chegada do Espírito que procede do Pai e do Filho e que é derramado em nossos corações como água benfazeja.
Os discípulos estavam reunidos no mesmo lugar. Unidos. Unidos esperando a força do alto. Unidos com medo dos judeus.
Primeiro uma ventania forte, um barulho que parece ensurdecer. O Espírito é força que desinstala. Ele sopra, dilata, recria, transforma, desarruma, empurra. Não deixa que a Igreja se acomode, se instale, se fixe. O Espírito é movimento. Questiona a vida das paróquias, dos movimentos, das estruturas que gostam de se fixar. Não admite qualquer forma de fixismo.  Assim, a força do Espírito não é conivente com o velho, com o ultrapassado. O Espírito abre caminhos insuspeitados. Nada de caminhos batidos. O Espírito costuma apontar para o insuspeitado, para o excepcional. Afasta-se da mesmice e da rotina empobrecedora.
O Espírito quando chega é luz que esclarece.  Os viandantes não sabem que rumo  escolher, ignoram a decisão a ser tomada. O Espírito é luz e claridade no meio das trevas.  É luz que ajuda o discernimento: como educar nossos filhos, que caminhos tomar para que o resto de nossa vida seja bem sucedido, como chegar à santidade quando o pecado mora em nós, que caminhos tomará a pastoral em nossos dias, que trilhas percorrerá a vida consagrada.
O Espírito é brisa suave que a tudo impregna. Belamente rezamos na seqüência da missa de  Pentecostes:  “No labor descanso, na aflição remanso, no calor aragem”.
O Espírito é impregnação, interiorização, inabitação.  Ele cria comunhão entre os povos.  Vários povos,  várias línguas e todos compreendem o que ele pede. Essa força suave reza em nós. Dentro de cada um ele geme, rezando em nós.  Os que se abrem à sua ação se tornam hospedaria dele.
Quando o  sacerdote, na celebração eucarística, estende as mãos sobre as oferendas ele  atualiza a presença de Jesus entre nós, o mesmo Espírito que fizera o Verbo nascer da Virgem Maria.Assiste a Igreja e não permite que ela tome caminhos errados nas coisas essenciais.
Festa do vento e do fogo.  Festa solene do Espírito derramado como água no coração dos fiéis
frei Almir Ribeiro Guimaeães

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A Igreja, o Espírito e a Unidade
Pentecostes é a plenificação do Mistério pascal: a comunhão com o Ressuscitado só é completa pelo dom do Espírito, que continua em nós a obra do Cristo e sua presença gloriosa.
A liturgia de hoje acentua a manifestação histórica do Espírito no milagre de Pentecostes (1ª leitura) e nos carismas da Igreja (2ª leitura), sinais da unidade e paz que o Cristo veio trazer. Isto, porque a pregação dos apóstolos, anunciando o Ressuscitado, supera a divisão de raças e línguas, e porque a diversidade de dons na Igreja serve para a edificação do povo unido, o Corpo do qual Cristo é a cabeça. Ambos estes temas podem alimentar a reflexão de hoje.
No antigo Israel, Pentecostes era uma festa agrícola (primícias da safra, no hemisfério setentrional). Mais tarde, foi relacionada com o evento salvífico central da Aliança mosaica: ganhou o sentido de comemoração da proclamação da Lei no monte Sinai. Tomou-se uma das três grandes festas em que os judeus subiam em romaria a Jerusalém (as outras são Páscoa e Tabernáculos). Foi nesta festa que aconteceu a “explosão” do Espírito Santo, a força que levou os apóstolos a tomarem a palavra e a proclamarem, diante da multidão reunida de todos os cantos do judaísmo, o anúncio (“querigma”) de Jesus Cristo. Seria errado pensar que o Espírito tivesse sido dado naquele momento pela primeira vez. O evangelho (de João) nos ensina que Jesus comunicou o Espírito no próprio dia da Páscoa. O Espírito está sempre aí. Mas foi no dia de Pentecostes que esta realidade se manifestou ao mundo. Por isso, ele aparece em forma de línguas, operando o milagre das línguas e reparando a “confusão babilônica” (cf. vigília)15.
A essa proclamação universal aludem o canto da entrada (opção 1), a oração do dia e a 1ª leitura. O Espírito leva a proclamar os magnalia Dei em todas as línguas. O conteúdo desta proclamação, já o conhecemos dos domingos anteriores: é o querigma da ressurreição de Jesus Cristo. Novamente, o Sl. 104[103] comenta este fato (salmo responsorial).
A 2ª leitura mostra, por assim dizer, a obra “intra-eclesial” do Espírito: a multiformidade dos dons, dentro do mesmo Espírito, como as múltiplas funções em um mesmo corpo. Paulo chama isto de “carismas”, dons da graça de Deus; pois sabemos muito bem que tal unidade na diversidade não é algo que vem de nossa ambição pessoal (que, normalmente, só produz divisão). É o Espírito do amor de Deus que tudo une.
No evangelho encontramos a visão joanina da “exaltação” de Jesus: é a realidade única de sua morte, ressurreição e dom do Espírito, pois sua morte é a obra em que Deus é glorificado, e seu lado aberto é a fonte do Espírito para os fiéis (Jo 7,37-39; 19,3 1-37; cf. vigília). Assim, no próprio dia da ressurreição, Jesus aparece aos seus para lhes comunicar a sua paz (cf. 14,27) e conceder o dom do Espírito, para tirar o pecado do mundo, ou seja, para que eles continuem sua obra salvadora (cf. 1,29.35).
Este Espírito do Senhor exaltado é o laço do amor divino que nos une, que transforma o mundo em nova criação, sem mancha nem pecado, na qual todos entendem a voz de Deus. É essa a mensagem da liturgia de hoje. O mundo é renovado conforme a obra de Cristo, que nós, no seu Espírito, levamos adiante. Neste sentido, é a festa da Igreja que nasceu do lado aberto do Salvador e manifestou sua missão no dia de Pentecostes. Igreja que nasce, não de organizações e instituições, mas da força graciosa (“carisma”) que Deus infunde no coração e nos lábios. A festa de hoje nos ajuda a entender o que é renovação carismática: não uma avalanche de fenômenos estranhos, mas o espírito do perdão e da unidade que ganha força decisiva na Igreja. O Espírito Santo é a “alma” da Igreja, o calor de nossa fé e de nossa comunhão eclesial. A antiga seqüência Veni Sancte Spiritus expressa isso maravilhosamente, e seria bom pôr os fiéis, mediante canto ou recitação, novamente em contato com esse rico texto.
A Igreja, por sua unidade no Espírito, no vínculo da paz (Ef. 4,3), toma-se sacramento (sinal operante), do perdão, da unidade, da paz no inundo, na medida em que ela o coloca em contato com o senhorio do Cristo pascal, no querigma e na práxis.
15. Este tema lembra uma antiga lenda judaica, segundo a qual, no Sinal, a proclamação da Lei teria sido confiada aos setenta anciãos, em setenta línguas (no relato do Pentecostes cristão, o anúncio é confiado aos doze apóstolos, talvez em doze línguas).
Johan Konings "Liturgia dominical"

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O Espírito de Jesus é chamado de Espírito da verdade, o Advogado para aqueles que enfrentam o ódio e a injustiça, Aquele que os defenderá nesta causa, não os deixando sozinhos. Este mesmo Espírito não é alguém que vai impedir os discípulos e o povo de sofrer e nem libertá-los dos conflitos, mas os acompanhará e os ajudará na tarefa de testemunhar Jesus Cristo.
Jesus diz aos discípulos que Deus enviará o Espírito que sempre esteve com Ele, e isso significa que serão Batizados no Espírito Santo e receberão um dom que todos podem receber. Não são apenas alguns privilegiados que o recebem, como se pode pensar, mas todos aqueles que são batizados!
A missão do Espírito Santo não é diferente da missão de Jesus, portanto, todo aquele que O recebe, recebe também o discernimento para desmascarar a injustiça; o dom de proclamar a Palavra e a força para anunciá-la em qualquer tempo ou lugar; e a capacidade de transformar a tristeza em alegria, o medo em coragem, a angústia em força.
O Espírito Santo é um guia constante na vida dos homens, falando-lhes ao coração o que ouve do próprio Jesus que, por sua vez, recebe do Pai.

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Pentecostes era uma festa agrícola celebrada no antigo Israel que, após o recebimento dos dez mandamentos por Moisés no monte Sinai, passou a marcar a comemoração desta aliança, tornando-se juntamente com a Páscoa e Tabernáculos - ou Festa das Tendas que celebravam o tempo que os Israelitas estiveram no deserto, abrigados debaixo de tendas de ramos e folhagens - as três grandes festas em que os judeus subiam para Jerusalém.
No dia de Pentecostes, cinquenta dias depois da Páscoa, os apóstolos se encontravam reunidos para celebrar a vitória de Jesus sobre a morte, costume que estava surgindo entre as primeiras comunidades cristãs.
As portas do local onde se encontravam estavam fechadas, atitude que demonstra o medo dessas comunidades diante das perseguições que sofriam, mas Jesus entra porque não existe barreiras para Ele ir ao encontro dos Seus. Ele fica no meio deles e diz “A paz esteja com vocês”, a mesma saudação na Sua despedida.
Esta aparição fortaleceu a fé dos discípulos para que cumprissem com mais intensidade a missão dada por Jesus, e para que acreditassem e pudessem viver uma vida autêntica, inserida nos ensinamentos que Ele deixou. Em seguida Jesus diz: “Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.” Este é um momento especial em que Jesus transfere para a comunidade a Sua missão entre os homens, entregando-lhes o Seu Espírito para conduzi-los.
A partir deste momento, o Espírito Santo que esteve sempre presente em Jesus é entregue à Sua comunidade que, inundada por Ele, será capaz de levar adiante o projeto de Deus iniciado por Jesus, de anunciar o Reino de Deus e dando a eles a autoridade para perdoar os pecados através do Sacramento da Reconciliação.
Naquele dia de Pentecostes, O Espírito Santo desce sobre os apóstolos como línguas de fogo, para que eles proclamem o Evangelho a todos os povos, de forma que eles possam entendê-los. O “dom das línguas” foi dado à comunidade cristã com a finalidade de que ela professe a Palavra, e todos possam entender “a linguagem da justiça e do amor”.
A partir de então, os apóstolos repletos do Espírito Santo, começaram a proclamar as “maravilhas de Deus”. Os que creram na pregação de Pedro e seus companheiros, e se fizeram batizar, também receberam o Espírito Santo e seus dons.

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Recebei o Espírito Santo
O dom do Espírito Santo foi um elemento fundamental na experiência missionária dos primeiros cristãos. Com a ascensão do Senhor, eles se viram às voltas com uma tarefa descomunal: levar a mensagem do Evangelho a todo o mundo. A missão exigiria deles inculturar a mensagem, fazendo o Evangelho ser entendido por pessoas das mais variadas culturas. Deveriam ser capazes de enfrentar dificuldades, perseguições e, até mesmo a morte, por causa do nome de Jesus. Muitos problemas proviriam dos judeus, pois a ruptura com eles seria inevitável, dada a intransigência da liderança judaica para com a comunidade cristã que tomaria um rumo considerado inaceitável. Sem dúvida, não faltariam problemas dentro da própria comunidade, causados por partidarismos, falsas doutrinas e atitudes incompatíveis com a opção pelo Reino.
Os discípulos eram demasiado fracos para, por si mesmos, levar a cabo uma empresa tão grande. Jesus, porém, concedeu-lhes o auxílio necessário ao comunicar-lhes o Espírito Santo. Fortalecidos pelo Espírito, eles não se intimidaram, antes, cumpriram, com denodo, o ministério da evangelização.
O dom de Pentecostes renova-se, cada dia, na vida da Igreja. O Espírito, ontem como hoje, não permite que os cristãos cruzem os braços diante do mundo a ser evangelizado.
padre Jaldemir Vitório

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Que o Espírito de Deus envie do céu um raio de luz para iluminar o nosso mundo. Ele vem e se hospeda em nós. É o pai dos pobres, o consolo que acalma e alivia. No muito trabalho e na aflição, Ele é o nosso alívio. Não podemos nada sem Ele. É a brisa suave nos dias de calor. Ele lava o que está sujo, rega o que está seco e cura o doente. Aquece no frio, guia no escuro e dobra o que é duro. Que Ele venha e derrame sobre toda a Igreja os seus sete dons. Que o mundo inteiro sinta a amorosa presença do Espírito pela presença amiga e gratuita da Igreja. Que no entusiasmo dos membros da Igreja pela causa de Cristo e do Evangelho o mundo inteiro perceba que o Amor existe. Que o Espírito nos conceda falar línguas que os outros entendam e com o dom das línguas renovar a esperança.
At. 2,1-11 – Cinqüenta dias depois da Páscoa, a comunidade de Israel celebrava a Festa das Semanas. Nesse dia, o qüinquagésimo ou pentecostes em grego, o Espírito Santo veio sobre a comunidade dos apóstolos e discípulos reunidos com Maria, a mãe de Jesus. Desde então, os cristãos chamam de Pentecostes o dia da vinda do Espírito Santo e consideram esse dia o início da vida da Igreja de Jesus.
Nesses dias sopra sobre Jerusalém um vento quente vindo do deserto chamado de hamissim, que também quer dizer cinqüenta. Foi assim que o Espírito começou a se manifestar. Um vento forte passou pelo lugar onde os discípulos estavam reunidos. A palavra “espírito” significa sopro ou vento. Línguas de fogo pairaram sobre a cabeça de cada um deles e aconteceu o fenômeno das línguas. Eles começaram a falar em outras línguas. Por causa da festa das Semanas, havia muita gente de fora em Jerusalém. Os discípulos estavam anunciando as maravilhas de Deus e cada um os entendia na sua própria língua.
Sl. 103 (104) – Se Deus tira o seu sopro todas as criaturas morrem e voltam ao pó da terra, canta o Salmista. Se Ele envia o seu vento, o seu sopro, todas as criaturas nascem de novo e se renova a face da terra.
1Co. 12,3b-7.12-13 – É por graça do Espírito Santo que podemos dizer que Jesus é o Senhor. Ele nos dá esse dom e todos os outros que estão distribuí-
dos na comunidade cristã. Temos muitas atividades, muitos tipos de serviços, e tudo em vista do bem de todos. O Espírito, porém, é um só. Todos nós que fomos batizados no único e mesmo Espírito formamos um só corpo. É o Espírito que nos junta na unidade. Bebemos todos da mesma fonte, que é o Espírito.
Jo 20,19-23 – Lemos no Evangelho de são João que, já no dia da ressurreição, Jesus soprou sobre os discípulos reunidos e lhes deu o Espírito Santo para o perdão dos pecados. Eles estavam reunidos com as portas fechadas quando Jesus ressuscitado entrou e deu a todos a paz. Foi um momento de grande alegria. Novamente Jesus desejou a paz a todos e soprou sobre eles. Um gesto muito interessante e muito significativo porque o Espírito Santo é sopro de vida. Ao dizer “recebam o Espírito Santo”, disse também: “Quem for perdoado por vocês estará perdoado, quem não for não estará”. Não recebemos o Espírito para não perdoar. Se não perdoarmos, o pecado permanece. É melhor perdoar sempre para que o pecado desapareça.
cônego Celso Pedro da Silva

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Jesus renova a comunicação de sua paz
As festas religiosas, nas religiões primitivas em culturas de economia agrícola, como acontecia em Canaã, eram associadas ao tempo de colheitas, ao longo do ano. Assim acontecia com as festas da Páscoa, dos Ázimos e de Pentecostes, celebradas no Templo de Jerusalém. A festa da Páscoa, que antecipa o primeiro dia dos Ázimos, era celebrada no começo da colheita do trigo (14º dia do mês de Nisã - geralmente em abril) e a festa de Pentecostes celebrada sete semanas (cinquenta dias) depois.
João, no seu evangelho, após a crucifixão de Jesus na véspera de um sábado, apresenta os grandes eventos do primeiro dia da semana que se inicia. Este dia, o da ressurreição, bem delimitado no evangelho de João, começa com a ida de Maria Madalena ao túmulo de Jesus, de madrugada. Encontrando o túmulo vazio, avisa a Pedro e João, que correm para constatá-lo (cf. 8 abril). Ao anoitecer deste mesmo dia, os discípulos estão reunidos com as portas fechadas, o que indica o temor que os tomava diante da execução de Jesus pelos judeus. Jesus entra e se põe no meio deles. De imediato lhes comunica a paz, a eles que estavam perturbados. Aquele que fora crucificado se apresentava vivo entre eles, o que é motivo de grande alegria, ainda mais quando Jesus renova a comunicação de sua paz. Soprando sobre eles, comunica-lhes o Espírito Santo. É o Espírito de Amor que liberta do pecado e une a todos formando um só corpo (segunda leitura) na diversidade, na fraternidade, no serviço e na compaixão. É o Espírito que renova a face do mundo inundando-o de amor e paz.
Lucas, na passagem paralela a esta, em seu evangelho, não menciona o dom do Espírito com o sopro de Jesus. É em Atos dos Apóstolos que será feita, com um grande realce, a narrativa do dom do Espírito Santo, com uma teofania caracterizada por grandes sinais espantosos, como acontecimento que ocorre na festa judaica de Pentecostes (primeira leitura). Tal narrativa contrasta com a simplicidade da narrativa de João, bem como com o clima de perseguição aos discípulos, que nela transparece. Trata-se de uma narrativa teológica a fim de vincular o movimento de Jesus aos judeus cristãos de Jerusalém, que continuaram frequentando o Templo até sua destruição, no ano 70, e as sinagogas, das quais foram expulsos na década de 80.
As narrativas da ressurreição e as aparições sucessivas exprimem uma realidade que as antecede. São a confirmação da condição humana e divina de Jesus que, em toda sua vida, revelou o amor libertador e vivificante de Deus, que a todos comunica sua vida divina e eterna.

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Jesus comunica o Espírito Santo soprando sobre os discípulos
No primeiro dia da semana, de madrugada, Maria Madalena, Pedro e o outro discípulo constatam que o sepulcro de Jesus estava vazio; em seguida, ocorre a aparição de Jesus a Maria Madalena. Agora, à tarde desse mesmo dia, Jesus vem aos discípulos que estavam com as portas trancadas por medo dos judeus. Coloca-se no meio deles e, por duas vezes, anuncia-lhes a paz. Com o primeiro anúncio, Jesus identifica-se, mostrando suas chagas: não é um fantasma, mas é o próprio Jesus de Nazaré que com eles convivera e que, no fim, foi crucificado. Agora, aquele que fora crucificado se apresentava vivo entre eles, o que é motivo de grande alegria, ainda mais quando Jesus, renova a comunicação de sua paz, feita na última ceia.
Com o segundo anúncio da paz Jesus envia os discípulos. É o envio em missão, genérico. A característica essencial é que os discípulos são enviados assim como Jesus foi enviado pelo Pai. A missão de Jesus foi comunicar o amor do Pai ao mundo e a esta missão os discípulos são enviados. Após a comunicação da paz, no mesmo dia da ressurreição, Jesus comunica o Espírito Santo soprando sobre os discípulos. O "soprar" é o mesmo ato de Deus ao infundir a vida ao homem, na criação: "Então Javé Deus modelou o homem com a argila do solo, soprou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente" (Gn. 2,7). Agora, o Espírito Santo é a comunicação da própria vida divina a homens e mulheres, criados por Deus. Lucas, antes desta narrativa discreta de João sobre o dom do Espírito Santo, tinha feito sua narrativa, em estilo apocalíptico, em Atos (primeira leitura).
Segundo a versão de Lucas, em vez do sopro de Jesus, o Espírito Santo vem por ocasião da festa de Pentecostes, cinquenta dias depois da ressurreição, sob a forma de línguas de fogo que vêm do céu com um ruído como de um vento forte, e pousam sobre os discípulos. Pentecostes era uma festa do judaísmo, com raízes no antigo Israel e nas tradições agrícolas de Canaã, associada à colheita do trigo, bem como as festas dos Ázimos e da Páscoa. A associação do dom do Espírito à festa judaica de Pentecostes é feita exclusivamente por Lucas e foi incorporada na tradição das igrejas cristãs. Assim como Jesus não veio ao mundo para condená-lo, assim também não cabe à comunidade missionária a condenação. É à palavra anunciada que cabe o julgamento. Porém, à missão cabe o anúncio da prática da justiça, a qual tira o pecado do mundo e instaura o amor.
O Espírito é a plenitude do amor. O fruto do amor é a união. Pelos atos de comunicação, misericórdia, perdão, solidariedade, partilha, serviço, nos unimos em um só corpo. Um só corpo, com diversos membros, com diversidade de funções e carismas. Um só corpo, com membros sadios, que usufruem os bens deste mundo, e com membros doentes, excluídos, pobres, sofrendo privações. A vida deste corpo deve irradiar-se ao corpo todo, comunicando vida plena a todos seus membros.
José Raimundo Oliva

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