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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 4 de maio de 2013

SE ALGUÉM ME AMA GUARDA A MINHA PALAVRA


VI DOMINGO DA PÁSCOA

Comentário Prof.Fernando


DIA 05 DE MAIO

Introdução

"Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará,
e nós viremos e faremos nele a nossa morada. Quem não me ama, não guarda a minha palavra."
Continua...   

       

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DOMINGO 05 DE MAIO


João14,23-29

“SE ALGUÉM ME AMA, GUARDARÁ A MINHA PALAVRA"


: Guardar a Palavra significa vivê-La sem questioná-la mesmo quando ainda não A compreendemos - Maria Regina

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                        “Se alguém me ama, guardará a minha palavra”, essa é a proposta de Jesus para nós. Assim sendo, não precisamos de muitas provas para descobrir se amamos ou não a Jesus, mas apenas fazer um exame de consciência para percebermos se estamos guardando a Sua Palavra. Guardar a Palavra significa vivê-La sem questioná-la mesmo quando ainda não A compreendemos. Para nós já é uma grande graça o fato de temos acesso à Palavra de Deus Pai, nosso Criador e grande motivo para que sejamos gratos a Jesus que veio nos revelar.
                       Jesus veio em Nome do Pai para nos dar uma vida de felicidade e, isto também é o motivo maior para que nós O amemos com todo o nosso ser. Quem acolhe os ensinamentos de Jesus está assumindo a vida em abundância prometida por Ele, assim como também fazendo a vontade do Pai. Com efeito, a prova de que amamos a Jesus é a vivência da Palavra do Pai que Ele veio nos anunciar. “… e o Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada”, disse ainda Jesus.
                      Quando nós vivemos o Evangelho nós temos a garantia de que O Pai e o Filho moram em nós com todo o Poder do Espírito Santo. Assim sendo, cumprir a Palavra é morar na casa do Pai. Reflita – Você guarda a Palavra de Deus? – Como tem sido a sua vivência dos ensinamentos de Jesus? – Você pode afirmar que ama a Jesus? – Você dá testemunho desse amor ao mundo?
Amém
Abraço carinhoso de

- Maria Regina

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“QUEM ME AMA GUARDA A MINHA PALAVRA.” – Olívia Coutinho

VI DOMINGO DA PÁSCOA

Dia 05 de Maio de 2013

Evangelho de Jo 14,23-29

Quanto maior a nossa intimidade com a palavra de Deus, que nos foi revelada por Jesus, maior é a nossa possibilidade de identificação com Ele, na vivencia do amor!
Acolher a mensagem de Jesus e colocá-la em prática é dar a Ele uma resposta de amor! 
Viver esta dinâmica de escuta e de resposta a esta palavra de vida, é estar continuamente em comunhão com O Filho e com O Pai!
Deus escolheu nos amar, Ele nos amou primeiro, não corresponder a este amor é abdicar-se da felicidade plena!    
 Não são com palavras bonitas, com longas orações, que daremos testemunho do nosso amor à Deus, e sim, com as nossas atitudes do dia a dia! De nada adianta, erguermos as nossas mãos para louvar a Deus, se não somos capazes de abaixá-las, de ser as mãos de Deus a erguer o irmão que está no chão.
Quando damos passos no sentido de corresponder ao amor de Deus, estamos preparando o nosso coração  para ser a sua  morada, o santuário, de onde Ele agirá no mundo, em favor do outro!
Deus quer participar da nossa vida, e quer que nós também participemos da vida do outro,  no intuito de criar laços de ternura e cumplicidade entre irmãos!
Quem ama, faz a vontade da pessoa amada, portanto, se amamos verdadeiramente a Deus, faremos a sua vontade e a sua vontade,  é que todos nós vivamos no amor!
O amor é a vida de Deus presente em nós e Jesus é a revelação deste amor!
Ninguém se realiza longe do amor, a falta de amor nos paralisa, pode até nos causar doenças! O amor é vital em nossas vidas, ele é a força que nos move, é o alimento da nossa alma!
A plenitude da nossa alegria, deve partir da nossa disposição de permanecer no amor de Jesus, sendo fiel aos seus mandamentos, como Ele fora fiel ao querer do Pai!
No evangelho de hoje, Jesus, continuando o  seu discurso de despedida visa, fazer brotar nos corações dos discípulos, sentimentos positivos, garantindo-lhes que  mesmo na sua ausência física, eles não estariam  sós!
As palavras consoladoras de Jesus, dirigidas aos discípulos, nos consolam também, chegam até a nós como uma injeção de ânimo a nos encorajar.   
Respondendo a uma pergunta feita por Judas, não o Iscariotes, Jo14,22 Jesus, disse:  “Se alguém me ama, guarda a minha palavra e o meu Pai o amará.”
Guardar a palavra de Jesus é o mesmo que trazer para nossa vida o seu  modo de viver!
Quem guarda a palavra de Jesus, caminha com segurança sem temer os desafios, pois sabe que em qualquer situação adversa, ele poderá contar com a ajuda do Espírito Santo. É o Espírito Santo, que o fará recordar a palavra que fora guardada em seu  coração e é nesta palavra, que ele encontrará a sua direção! Ter a palavra de Jesus, guardada no coração, é como ter permanentemente nas mãos,  um “manual” de instrução de Deus e deixar-se orientar por ele!  
O amor foi e é, a  fonte inspiradora de Jesus!  Quem observa e põe  em prática as suas  palavras, com certeza, O ama verdadeiramente!
Só um amor que pressupõe vínculos  estreitos de relação com Jesus, a ponto de nos transformar, pode garantir o êxito da nossa caminhada de fé!
 A melhor escola de amor para todos nós é sem dúvida, o testemunho de vida de Jesus! E ao colocarmos em prática este amor, que nos leva a salvação, nós criamos caminhos de fraternidade e de vida nova!
“Deixo-vos a paz, minha paz vos dou...” Estas palavras de Jesus que encorajaram os discípulos, nos encorajam também, nos tira  do comodismo e nos coloca na dinâmica do Reino!
Às vezes, quando  falamos  de paz, pode nos vir a idéia de uma situação externa, onde não há conflitos abertos, no entanto, a paz verdadeira, é um estado interior de contentamento e  de tranqüilidade mesmo dentro de realidades difíceis.   É como sentir um raio de sol penetrar em nossa janela em dia chuvoso, sentir o frescor das manhãs de primavera em pleno  calor de verão, ou a cadência do pulsar do nosso coração, em meio ao barulho do mundo!
No final do texto que nos foi apresentado hoje, Jesus assegura aos discípulos, de que, os acontecimentos que estavam por vir, não poriam fim na relação entre eles.  A nós também, Jesus assegura:  guardar a sua palavra é a certeza de nunca estarmos  sós!
 Podemos até não ter todos os bens materiais que desejamos ter, mas amor, todos nós podemos ter, basta-nos, esvaziar  de nós mesmos e nos preencher de Deus!

FIQUE NA PAZ DE JESUS – Olívia

 

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Evangelhos Dominicais Comentados

05/maio/2013 – 6o Domingo da Páscoa

Evangelho: (Jo 14, 23-29)

Jesus disse: “Se alguém me ama, guarda minha palavra; meu Pai o amará, viremos a ele e nele faremos morada. Aquele que não me ama não guarda as minhas palavras. A palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai que me enviou. Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos trará à memória tudo quanto eu vos disse.
Deixo-vos a paz, eu vos dou a minha paz. Eu vo-la dou não como o mundo a dá. Não fiqueis perturbados nem tenhais medo. Ouvistes que eu vos disse: eu vou, mas volto para vós. Se me amásseis, certamente haveríeis de alegrar-vos. Porque eu vou para junto do Pai, e o Pai é maior do que eu. Disse-vos agora estas coisas antes que aconteçam, para que creiais quando acontecerem.

COMENTÁRIO

Um grande abraço para você que vive a Palavra de Deus. Você que é Templo do Espírito Santo e que faz do seu coração Morada da Santíssima Trindade. É tão bonita esta forma de cumprimentar as pessoas e, é uma pena não nos sentirmos dignos desta saudação. Não costumamos levar a sério tudo isso que dissemos.

Parece um amontoado de palavras bonitas e nada mais, no entanto, foi o próprio Jesus quem disse essas verdades. Dá a impressão que essas palavras não foram dirigidas para nós e que essa mensagem é endereçada somente aos sacerdotes, religiosos e religiosas.

Todos somos dignos, foi para isso que Deus enviou seu próprio Filho, para restituir a vida e devolver a dignidade. Deus, em toda sua plenitude, quer estar próximo dos seus filhos, quer habitar em cada um dos corações.

Este Evangelho é continuação do domingo passado, Jesus está no cenáculo, preparando o coração dos seus discípulos para a sua partida. Trata-se de uma despedida, e como todas as despedidas, esse momento é carregado de emoção. Os discípulos amam o Mestre e não querem nem pensar em separação.

"Se vocês me amassem, ficariam alegres com a minha partida para junto do Pai". Por essa frase dá para perceber como pensamos e agimos de forma totalmente contrária a Deus. Quem ama de verdade, se satisfaz com a felicidade do outro. Renuncia até mesmo ao convívio e a proximidade.

Amor sacrifício, amor renúncia, um amor que para ser vivido plenamente, chega a trazer dissabores. Não dá para entender e, muito menos para aceitar um amor assim. O amor que pensamos conhecer só traz satisfação e alegria, nunca traz contrariedades. É o chamado amor unilateral, nunca é dividido.

O amor se complementa na doação. Quanto mais distribuímos, mais recebemos. Os matemáticos que se deixarem levar pela lógica, dificilmente entenderão esta verdade: “A matemática divina ensina que o amor é uma coisa que se multiplica, quando a dividimos”.

O amor deve ser a principal ocupação do cristão e seu único objetivo nesta vida. Quem vive o amor, está vivendo a Palavra de Deus. Esse é o Novo Mandamento, o verdadeiro discípulo testemunha o amor de Deus, através do seu amor ao próximo.

O Espírito Consolador vai estar permanentemente nos lembrado, cobrando atitudes corajosas para mudar e excluir tudo que oprime e divide. Lembrará também que seremos julgados de acordo com o bom uso que fizermos dos nossos dotes, virtudes e dons, em favor dos necessitados.

O cristão é o mensageiro da paz. Essa mesma Paz que Jesus, não só desejou como realmente deu, aos seus discípulos. Uma paz verdadeira, que nasce na união e se fortifica através da procura constante da verdade, da justiça e da partilha. Quem procura amor encontra Paz, porque a Paz é fruto do Amor.

“Quem me ama guarda minhas Palavras e, Eu e o Pai faremos nele a nossa morada”. Viu como é fácil? Basta amar para ser um Templo Vivo de Deus! Jesus diz para não se intimidar nem se perturbar, entretanto lembra também que ninguém pode dizer que ama a Deus que não vê se não ama o irmão, tão próximo e tão necessitado.

Eis aqui mais um bom motivo para vivermos a caridade: Jesus termina dizendo que vai ao Pai, mas voltará...

(1043) /(1163)

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6º DOMINGO DA PÁSCOA 05/05/2013
1ª Leitura Atos 16, 1-2. 22-29
Salmo 66(67), 4 “Que os povos todos vos louvem, ó Deus, eu todos os povos vos glorifiquem”
2ª Leitura Apocalípse 21, 10-14. 22-23
Evangelho João 14, 23-29
“O ESPÍRITO QUE ENSINA!”-DIAC. JOSÉ DA CRUZ

Tive um amigo que era “fera” em ciências exatas, conhecia e sabia de cor conceitos e fórmulas de matemática, física e química, que assombrava os professores e a todos nós da sua classe, que morríamos de inveja quando o víamos tirar notas altas nessas matérias, sem nunca ser preciso fazer a prova final porque bem antes de encerrar o ano letivo, já tinha fechado todas essas matérias. Findo o segundo grau, prestou vestibular para engenharia sem fazer nenhum cursinho e de maneira brilhante obteve classificação para cursar engenharia. Em certa ocasião encontrei-o na empresa, prestando serviço como auxiliar administrativo em uma renomada empreiteira de montagens industriais e ao perguntar-lhe por que trabalhava como auxiliar se já era engenheiro formado, respondeu-me que queria especializar-se nessa área e que este aprimoramento profissional só era possível se tivesse a prática e daí sim, estaria habilitado para exercer aquela profissão “Na teoria é uma coisa, na prática é outra”, disse-me sorrindo, ao concluir a nossa conversa.
É este precisamente o ensinamento do evangelho desse Sexto domingo da Páscoa: passarmos da teoria à prática da verdadeira religião, que nada mais é do que o amor na relação com Deus e com o próximo, porque parece que as nossas comunidades cristãs, algumas um pouco mais, outras um pouco menos, são todas bem parecidas com o meu amigo dos tempos de escola, vive-se muito uma religião teórica, um amor teórico, nossos conceitos de religião e de amor, segundo o evangelho que aprendemos na catequese e que ouvimos em cada celebração, são os mais belos e verdadeiros, tanto é verdade que Jesus Cristo é conhecido e admirado por milhões e milhões de pessoas no mundo inteiro, dentro e fora das igrejas.
E essa praticidade seria impossível se não fosse à ação do Espírito Santo, que de maneira ininterrupta, 24 horas nos ensina e nos recorda as palavras de Jesus, sem essa ação do Espírito Santo, a Sagrada Escritura e particularmente o Novo Testamento, não passaria de belos conceitos e fórmulas de “Como se Viver Bem” com a gente mesmo, com os outros e com Deus, uma espécie de manual com instruções práticas sobre um eletro doméstico, desses que deixamos empoeirar, esquecido no fundo de uma gaveta. O Espírito Santo não nos ensina algo novo e diferente do que Jesus nos ensinou, mas ele atualiza a palavra em nossa vida, dando-nos a resposta que precisamos diante de certos acontecimentos ou situações, que o Jesus Histórico não viveu, pois naquele tempo não tinha TV, Celular, Internet, avião, naves espaciais, tecnologia avançada, aborto, divórcio, violência, corrupção, tráfico de drogas, globalização, essas e outras coisas são realidades do nosso tempo, diante das quais, o ensinamento de Jesus tem sempre uma resposta que é atual e verdadeira, pela ação do Espírito Santo.
Mas o Espírito Santo só age em nossa vida se já tivermos ouvido e guardado a Palavra de Jesus, que é a Palavra do Pai, mesmo porque, as três pessoas da Santíssima Trindade nunca agem isoladamente, mas sempre juntas, em perfeita comunhão. O Espírito Santo não é apenas um lado de Deus, mas é Deus por inteiro e, portanto, não faz mágica, mas sua ação está intimamente ligada ao Pai e ao Filho. E o amor a Deus e ao próximo, é o sinal de que guardamos a Palavra de Jesus, é por isso mesmo que o evangelho coloca a prática desse amor como “Carro Chefe de Tudo”, porque todo o ensinamento de Jesus, suas palavras e obras, revelam ao homem essa Verdade absoluta que é o amor de Deus, e para estar nele com ele e com o Pai, não há outro caminho que não seja o do amor.
A presença de Deus em nós não está condicionada às práticas religiosas, grandiosas liturgias e arrebatamentos celestiais, mas a vivência do amor, porque a liturgia eucarística nada mais é do que a celebração do Amor que se encarnou no meio dos homens e quem faz do cristianismo, apenas o cumprimento de preceitos e práticas religiosas, fica apenas na teoria, sabe tudo, conhece tudo, mas não vive a principal verdade revelada por Jesus, que é o amor. Isso é tão claro para o evangelista João, que ele irá dizer para sua comunidade, que “Deus é Amor”. A Paz que Jesus dá ao mundo, a partir dessa verdade, não é a paz do comodismo, da ausência dos problemas, das dificuldades e desafios. Não existe uma comunidade assim, mas a Paz significa essa presença de Deus em nossa vida por isso o nosso coração não deve se perturbar nem ter medo.
Trata-se, portanto, de uma paz inquietante, que questiona e que busca algo de belo, na plenitude que só Jesus pode nos dar, é dom, mas também conquista ao mesmo tempo, está sujeita aos conflitos na relação com o mundo porque busca algo que o mundo não pode nos dar. O mundo quer nos convencer do contrário, mas quando amamos e guardamos no coração a Palavra de Jesus, podemos contar com o melhor de todos os advogados: o Espírito Santo, que nos transforma em evangelho vivo! (VI domingo da Páscoa)

 

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No domingo passado, dizíamos que a Igreja é fruto da Páscoa do Senhor, que ela nasceu do lado do Cristo morto e ressuscitado, que ela vive e continua a nascer da água do Batismo e do sangue da Eucaristia, que o Senhor, na sua fidelidade, haverá de levá-la à plenitude, que até lá, a Igreja deve ser sinal vivo do Reino de Deus entre as provações da história e deve viver no amor – herança que o Senhor nos deixou...
No domingo presente, a Palavra de Deus continua a nos falar da Igreja, dessa Comunidade do Ressuscitado, Comunidade que peregrina já há dois mil anos na história humana, como um povo tão pobre, tão débil, humanamente falando, mas também tão rico e tão forte pela presença do Ressuscitado entre nós.
É ainda o Apocalipse que nos apresenta, de modo belíssimo, a glória da Jerusalém celeste, Esposa do Cordeiro, nossa Mãe católica: “Mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, brilhando com a glória de Deus” – Esta Jerusalém gloriosa é a Igreja! Ela não nasce do povo, não nasce de um projeto humano; ela nasce do coração do Pai, que, através do Filho Jesus, doador do Espírito, chamou-nos, reuniu-nos, salvou-nos e fez de nós um novo povo, uma nova cidade, uma nova aliança, início de uma nova humanidade. A Igreja é a verdadeira Jerusalém, a verdadeira Cidade de Deus, que desce do céu e que é santificada pelo sangue do Cordeiro e, um dia, será totalmente transfigurada na glória de Deus. Não na sua própria glória, mas na de Deus, aquela glória que já brilha na face do Cristo ressuscitado!
Ela é a herança e a realização plena do antigo povo de Israel, ela é a plenitude do povo de Israel, é o Israel da nova aliança. Por isso, “nas suas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel”. Mas, a Igreja é mais que Israel: ela é aberta a todos os povos, suas portas são abertas para todos os lados: “havia três portas do lado do oriente, três portas do lado norte, três portas do lado sul e três portas do lado do ocidente”. A nova Jerusalém é católica, é aberta a todos, aberta em todas as direções, pois nela todos os povos, todas as culturas terão abrigo. A Igreja não é simplesmente uma continuação do antigo Israel e a nova aliança não é simplesmente uma continuação da antiga! Não somos judeus! Em Cristo, tudo foi renovado: “Eis que eu faço novas todas as coisas!” (Ap 21,5). Se a Igreja tem nas suas portas os nomes das doze tribos de Israel, tem, por outro lado, como alicerce, o doze apóstolos do Cordeiro: “A muralha da cidade tinha doze alicerces, e sobre eles estavam escritos os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro”. Isso aparece muito claramente na primeira leitura da Missa de hoje: os apóstolos, assistidos pelo Espírito Santo, decidiram que os cristãos vindos do paganismo não necessitavam tornarem-se judeus, não precisavam cumprir a Lei de Moisés! Os cristãos não são uma seita judaica! É interessante como os apóstolos, ao tomarem uma decisão tão importante, tinham consciência de que eram assistidos pelo Espírito do Cristo ressuscitado: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós...” - foi o que eles disseram... o que a Igreja ainda hoje diz, quando os bispos, sucessores dos apóstolos, decidem algo sobre a fé, em comunhão com o Sucessor de Pedro. A Igreja sabe e experimente que o seu Esposo ressuscitado não a abandona; não a abandonará jamais! Recordemos a promessa de Jesus no Evangelho de hoje: “O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará o que eu vos tenho dito”. Este Espírito Santo santifica continuamente a Igreja, guia-a, sustenta-a, vivifica-a, orienta-a! Ele é a própria vida do Ressuscitado em nós, seja pessoalmente, seja como comunidade de fé. Por isso Jesus olha para nós e pode dizer com toda verdade e segurança e com toda eficácia: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou! Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes o que eu vos disse: ‘Vou e voltarei a vós!’” – É verdade: o Ressuscitado permanece conosco na potência do seu Espírito! Não precisamos ter medo, não precisamos nos sentir sozinhos, confusos, abandonados: na potência do Espírito, o Cristo estará sempre conosco!
É por isso que o Autor sagrado afirma ainda: "Não vi nenhum templo na cidade, pois o seu Templo é o próprio Senhor, o Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro. A cidade não precisa de sol, nem de luz que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz e a sua lâmpada é o Cordeiro”. Que imagens, irmãos e irmãs! A Igreja, nova Jerusalém está toda imersa em Deus e no seu Cristo. Ela mesma é templo de Deus no Espírito Santo! Ela vive na luz do Cristo, apesar de caminhar nas trevas deste mundo! Para o mundo, que somente pode enxergar a Igreja na sua realidade exterior, ela é apenas mais uma instituição, entre tantas do mundo. Mas, para nós, que cremos, para nós somos Igreja viva, para nós que dela nascemos e nela vivemos, para nós que nos nutrimos de seus sacramentos, ela é muito mais, ela é este admirável mistério de fé! É isto que queremos dizer quando dizemos: “Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica”. Renovemos nossa fé na Igreja e mergulhemos cada vez mais no seu mistério, pois é aí, é aqui, que podemos viver na nossa vida o mistério e a salvação do Cristo, nosso Deus.
Gostaria de terminar com as palavras de Carlo Carreto: “Como és contestável para mim, Igreja! E, no entanto, como te amo!
Como me fizeste sofrer! E, no entanto, quanto te devo!
Gostaria de te ver destruída. E, no entanto, tenho necessidade de tua presença.
Deste-me tantos escândalos! E, no entanto, me fizeste compreender a santidade.
Nunca vi nada de mais obscurantista, mais comprometido e mais falso no mundo. Mas também nunca toquei em nada tão puro, tão generoso e tão belo!
Quantas vezes tive vontade de bater em tua cara a porta de minha alma! E quantas vezes orei para um dia morrer em teus braços seguros!
Não, não posso me libertar de ti, porque eu sou tu, mesmo não sendo completamente tu!
Além disso, aonde iria eu? Construiria outra?
Mas não poderia construí-la, senão com os mesmos defeitos, porque são os meus defeitos que levo para dentro dela.
E, se a construísse, seria a minha igreja e não a Igreja de Cristo!
E já estou bastante velho para compreender que não sou melhor que os outros.”
dom Henrique Soares da Costa

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Quem ama Jesus ouve sua palavra. Meditada e praticada em comunidade, a Palavra produz muitos e bons frutos. O Espírito Santo, dom de Deus, recorda aos discípulos tudo o que o Mestre ensinou. Uma comunidade que ama é, por excelência, o espaço sagrado, pois nela habita a Trindade. Onde mora Deus, há a verdadeira paz (evangelho). O Espírito Santo também inspira e fortalece os discípulos de Jesus para continuarem sua missão. Como anunciadores da verdade do evangelho, encontram oposições por parte dos que seguem as propostas do mundo. A paz de Deus é diferente da paz que o mundo dá. A paz de Deus não é ausência de conflitos. No dinamismo do Espírito Santo, os seguidores de Jesus precisam encontrar-se, dialogar, discernir e decidir pelo melhor caminho (I leitura). As comunidades cristãs são convidadas a acolher a “nova Jerusalém”, a cidade da paz, que desce do céu, fruto da graça divina e da fidelidade dos que ouvem sua palavra. É a nova humanidade, cujos alicerces se encontram no testemunho dos apóstolos, os quais viram, acolheram e transmitiram a palavra da vida: Jesus Cristo morto e ressuscitado (II leitura). Iluminados e encorajados pelo mesmo Espírito Santo, continuamos a testemunhar a fé em Jesus, reunindo-nos para rezar, para comungar a palavra-eucaristia, para dialogar, discernir e viver o amor, conscientes de que a Trindade fez sua morada no meio de nós.
Evangelho: Jo 14,23-29
Ser humano, morada de Deus
A redação do Evangelho de João se dá ao redor do ano 100. Constitui-se numa reflexão pós-pascal das comunidades joaninas. O texto deste domingo faz parte do discurso de despedida de Jesus junto aos seus discípulos. Percebe-se íntima relação entre Jesus e Moisés. Assim como Moisés fora enviado para guiar o seu povo rumo à terra prometida, Jesus foi enviado por Deus para dar a vida à humanidade. Assim como Deus se manifestou no Êxodo por meio de dez sinais, Jesus realiza sete sinais libertadores. Assim como Deus revelou, por meio de Moisés, os Mandamentos como estatutos para o povo de Israel, Jesus revela o Mandamento do Amor, estatuto do novo povo de Deus, conforme o texto do domingo passado.
Há, porém, uma novidade radical, sintetizada no texto da liturgia de hoje. É fruto da experiência de fé, ao longo da caminhada das comunidades joaninas, que iluminou a compreensão da pessoa e da proposta de Jesus: ele e o Pai vivem intimamente unidos. O que Jesus diz e faz é a própria expressão de Deus Pai. Jesus e o Pai são UM. A intimidade amorosa entre ambos estende-se às pessoas que praticam o amor. Nelas Deus faz sua morada. O mesmo foi dito do Espírito Santo (v. 17). Então, a pessoa que crê torna-se morada da Trindade. Cumpre-se a antiga promessa da habitação de Javé no meio de seu povo: “Estabelecerei a minha habitação no meio de vós e não vos rejeitarei jamais. Estarei no meio de vós, serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo” (Lv 26,11s). Em João, porém, é ainda mais profundo: a habitação divina não se dá apenas “no meio”, mas “dentro”. É uma experiência única e maravilhosa.
A comunidade cristã, portanto, é a expressão viva de Deus-Amor. As pessoas participantes ouvem a sua palavra, que é o próprio Jesus feito carne, presente no meio delas. O Espírito Santo, dom do amor de Deus, recorda todos os ensinamentos de Jesus. Como ouvintes e praticantes da Palavra, unidas na fé e no amor, as comunidades cristãs transformam-se num espaço da paz e da alegria de Deus. O termo “paz”, na Bíblia, expressa a síntese dos bens necessários para uma vida plena, tanto temporais como espirituais.
1ª leitura: At. 15,1-2.22-29
Conflitos fazem parte da caminhada
Após a primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé permaneceram algum tempo na comunidade cristã de Antioquia da Síria. Ela se tornou importante centro irradiador da proposta cristã. A experiência que trouxeram da viagem foi partilhada e meditada na comunidade. O principal ponto polêmico levantado por Lucas, neste texto, é a questão da circuncisão. Trata-se de polêmica suscitada por judeu-cristãos que manifestam ainda muita dificuldade de desvencilhar-se da lei judaica como constitutiva da salvação. Alguns deles se deslocam de Jerusalém para Antioquia a fim de pregar a obrigatoriedade da circuncisão como manifestação de fidelidade à Lei de Moisés. A seu ver, somente assim se poderia obter a salvação.
Paulo e Barnabé, missionários junto às nações, não concordam com essa obrigatoriedade, pois a verdadeira fonte de salvação é Jesus Cristo. Com tal convicção dirigem-se à Igreja-mãe, Jerusalém. O conflito é evidente. Para discernir qual o caminho a ser seguido, é convocada uma assembleia. Realizou-se, então, o que é normalmente conhecido por “Concílio de Jerusalém”. Estamos no ano 49.
O relato de Lucas tem a preocupação de mostrar a disposição dos participantes desse “concílio” para salvar a unidade da Igreja. Percebe-se isso, especialmente, pela acolhida mútua e carinhosa entre os representantes da Igreja de Antioquia e os de Jerusalém. A unidade vem junto com a preocupação de inclusão de toda a gente, pois a salvação que Jesus trouxe é para todos os povos. O decreto final determina a abstenção de algumas atitudes que feriam profundamente a fé judaica: das “carnes sacrificadas aos ídolos”, pois isso significaria participar dos cultos pagãos, o que seria um sacrilégio; do “sangue e das carnes sufocadas”, pois o sangue expressa a própria vida, que só a Deus pertence (por isso, ao ser sacrificado, o sangue do animal deveria ser totalmente derramado – cf. Lv. 1,5); das “uniões ilegítimas” (cf. Lv. 18). Transparece claramente, nas decisões da assembleia, uma estratégia pastoral com o objetivo mais alto: proporcionar a acolhida do evangelho da salvação por todas as culturas.
2ª leitura: Ap. 21,10-14.22-23
A nova humanidade
Os dois últimos capítulos do Apocalipse apontam para a nova criação, em que já não há lugar para a maldade. O texto da liturgia deste domingo relata essa visão utópica que se dá num alto monte. Na tradição judaica, a montanha carrega um significado simbólico de muita importância. Basta lembrar a concessão dos Mandamentos a Moisés e a morte salvadora de Jesus. Também a Jerusalém histórica se situa no monte Sião.
O alto monte contrasta com o deserto para onde o visionário João havia sido levado anteriormente (cf. 17,3). Enquanto o deserto é, simbolicamente, a morada da meretriz, a montanha é o lar da Noiva de Cristo, a nova Jerusalém constituída pelo povo justo. A meretriz representa a “Babilônia”, nome simbólico de Roma, promotora da morte e da destruição. A nova Jerusalém é a cidade perfeita que desce do céu trazendo a própria glória de Deus. A muralha, grossa e alta, tendo os anjos como guardas, está totalmente protegida e segura.
O número doze é articulado no texto como expressão da nova realidade da qual participa o novo povo de Deus. É o número da perfeição teocrática que lembra as doze tribos de Israel, os doze apóstolos e, por extensão, o povo fiel a Jesus Cristo. Esse número cruza-se com o número três, referindo-se quatro vezes às portas abertas para os quatro cantos do mundo. É, portanto, a realidade-síntese de um mundo novo.
A cidade perfeita é dom de Deus. Nela já não há templo, pois toda ela é habitação divina. Essa perspectiva teológica do Apocalipse aponta para a realização plena do desígnio de Deus inaugurada com a vinda de Jesus, o Messias. Ele é o Cordeiro: a lâmpada que ilumina a cidade. A situação da humanidade transformou-se. Seu relacionamento com Deus se dá de forma íntima, perfeita e definitiva. A aliança é plenamente acolhida e vivida com fidelidade.
PISTAS PARA REFLEXÃO
A utopia do “novo céu e da nova terra” exerceu um papel de resistência, de coragem e de perseverança nas comunidades cristãs do Apocalipse. As violentas perseguições pelas quais passaram as pessoas discípulas de Jesus, por causa do testemunho de fé em Jesus Cristo, desafiaram a sua fidelidade. Muitas foram mortas. O seu martírio, porém, é o sinal por excelência que ilumina e confirma o caminho do seguimento de Jesus.
O testemunho dos primeiros cristãos nos interpela profundamente. A fidelidade aos valores evangélicos permanece como caminho para um mundo novo. É neste mundo onde vivemos que Deus deseja estabelecer sua morada. Tudo, então, torna-se sagrado. Quando nossas palavras e nossas ações respeitarem a presença de Deus em cada ser humano, na natureza e em toda a sociedade, o mundo será outro...
No evangelho, Jesus anuncia e garante a presença de Deus Trindade nas pessoas que o amam e ouvem a sua palavra. Desta verdade decorre o nosso compromisso de contemplar cada pessoa como morada de Deus e, portanto, respeitá-la em sua dignidade. Daí decorre também o nosso compromisso de proteger e promover a vida em todas as suas dimensões. Como faz a mãe (hoje se comemora o “dia das mães”) com relação aos seus filhos, amando-os sem discriminação, dando prioridade àquele que mais necessita, somos todos convidados a adotar esse mesmo jeito de amar em nossa comunidade e na sociedade por meio da participação nas pastorais, movimentos, organizações...
Por isso, iluminados pelas atitudes dos primeiros discípulos e missionários, reunimo-nos em comunidade para celebrar, realizar encontros e assembleias para discernir e decidir o que fazer, tendo em vista a vida digna sem exclusão...
–Podem-se valorizar os diversos momentos de reuniões, encontros, celebrações, estudos e assembleias que se realizam na paróquia (e em outros espaços), bem como refletir sobre a importância da participação neles como Igreja viva que somos...
Celso Loraschi
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Viver na presença de Cristo e de Deus
A nova Jerusalém é a “morada de Deus com os homens”, dizia-nos a utopia que escutamos domingo passado. Mas uma utopia serve para mostrar o sentido da realidade presente. Hoje, a liturgia insiste na presença da utopia de Deus: a “inabitação” de Deus nos homens não acontece apenas na utópica Nova Jerusalém, mas em cada um que guarda a palavra do Cristo, seu mandamento de amor. Pois a palavra do Cristo não é sua, mas a do Pai que o enviou (Jo 13,24; evangelho).
Os discípulos não entenderam isso logo. Por isso, grande parte dos primeiros anos do cristianismo decorreu em “tensão escatológica”: aguardava-se a vinda de Cristo com o poder do alto, a Parusia, como instauração do Reino de Deus. Só aos poucos, o cristãos começaram a entender que a nova criação já tinha iniciado, na própria comunhão do amor fraterno, testemunho do amor de Cristo a todos os homens. Esta compreensão, esta “memória esclarecida” de Cristo é uma das realizações, talvez a mais importante, do Espírito Santo.
Neste tempo intermediário, não devemos ficar com medo ou tristes porque Cristo não está conosco. Ele permanece conosco, neste Espírito, que nos faz experimentar a inabitação em nós dele e do Pai – portanto, muito mais do que significa sua presença na terra, pois o Pai vale mais do que a presença física de Cristo (14,28). Ele permanece conosco também no dom messiânico que ele nos deixa, a “paz”, porém, não como o mundo a concebe (14,27). Escrevendo isso, Jo parece polemizar com a idéia de paz dos tratados políticos (3) e também com o conceito judaico da paz messiânica, a realização de um Reino de Deus mundano, dirigido pelas mesmas leis e mecanismos que dirigiram os reinos até agora, portanto, uma paz que prepara a guerra …
Antes de ver o que é, no concreto, a inabitação de Deus e de Cristo entre nós hoje, é bom olhar para a sugestiva descrição da nova Jerusalém, na 2ª leitura (cf. domingo passado). Observemos alguns detalhes: os nomes das doze tribos de Israel e dos doze apóstolos, símbolos do novo povo de Deus fundamentado sobre os apóstolos; a ausência do templo – idéia cara ao N.T., já que Cristo substituiu o templo de Jerusalém pelo de seu corpo ressuscitado (cf. Jo 2,18-22 etc.); sua “iluminação”: a glória de Deus, e o Cordeiro, sua lâmpada. Não se deve explicar muito essas imagens, importa captar o que querem sugerir, num espírito global. É uma cidade que tem doze portas com os nomes das doze tribos, para acolhê-las no dia em que elas forem reunidas dos quatro ventos, para viverem na paz messiânica, tendo por centro só e exclusivamente Deus e o Cordeiro. É a cidade para viver na presença de Deus e Cristo. E isto é a paz.
Nossa comunidade cristã deve ser a antecipação da Jerusalém celeste. Tendo Cristo por centro e luz, certamente haverá unidade e comunhão entre seus habitantes. A 1ª  leitura de hoje pode ilustrar isso. O conflito na comunidade era grave, certamente tão grave quanto hoje o conflito entre os defensores da cristandade e os de uma Igreja-testemunha, despojada, que vai ao encontro dos mais pobres. O problema era análogo: a Igreja devia ser concebida como uma instituição acabada, à qual os outros se deveriam agregar? Neste caso, ela podia conservar suas instituições tradicionais, que eram judaicas. Ou seria a Igreja um povo a ser constituído ainda, aberto para a forma que o Espírito lhe quisesse dar? Para este fim, Paulo e Barnabé procuraram a união dos irmãos em redor daquilo que o Espírito tinha obrado junto com eles. Conseguiram. Não esforçaram em vão (cf. Gl. 2,2). O “Concílio dos Apóstolos”, como se costuma chamar este episódio (At. 15), confirmou a prática de admitir pagãos sem passar pelas instituições judaicas (circuncisão, sábado etc.). Apenas, em nome da mesma união fraterna, os cristãos do paganismo deviam abster-se de quatro coisas que eram realmente tabu para os judeu-cristãos; não respeitar isso seria tornar a vida em comunidade impossível. A caridade fraterna acima de tudo!
Na caridade fraterna, Deus e “o Cordeiro” moram conosco. A cidade de Deus não é uma grandeza de ficção científica, nem uma cristandade sociologicamente organizada. Ela é uma realidade interior, atuante em nós e, naturalmente, produzindo também modificações no mundo em que vivemos. Ela é obra do Espírito de Deus que nos impele.
(3) - Cf.a pax romana, ideologia da supremacia romana no mundo mediterrâneo no tempo de Cristo e dos primeiros cristãos.
Johan Konings "Liturgia dominical"

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Espírito Santo e paz
Hoje, Jesus começa falando novamente do amor: “Quem me ama obedecerá a minha palavra, e meu Pai o amará.”, reforçando mais uma vez a importância do verdadeiro amor já descrito no Evangelho da semana passada (Jo 13,31-35), porém agora, destaca a necessidade da ação da obediência por parte de seus seguidores às palavras proferidas por Ele e que vêm do Pai.
Esta passagem tem intenção de testamento-herança: Este é o momento em que Jesus se despede de seus seguidores, mas não os deixa sozinhos na missão, pois o Pai lhes enviará Seu Espírito Santo, para lhes amparar, orientar e fortalecer. Os discípulos não compreendem de imediato a presença do Espírito Santo, e sentem-se abandonados, uma vez que Jesus não está mais presente fisicamente junto a eles. Esta presença física de Jesus é substituída pela espiritual, interior, prometida a todos que O amam. Por esta razão, nos primeiros anos do cristianismo, os seguidores de Jesus ficaram aguardando Sua volta, e só aos poucos compreenderam que a nova criação havia começado na comunhão do amor fraterno de Cristo com a humanidade, compreensão esta que só é possível com a presença do Espírito Santo.
Jesus deixa seu Espírito Santo, para auxiliar e defender Seu povo. Ele é a presença de Jesus sempre viva junto à comunidade, ajudando-a a compreender o sentido das ações e das mensagens que quer transmitir com elas, para assegurar ao Seu povo, através dos tempos, a verdadeira libertação. A função do Espírito na caminhada da comunidade é lembrar e ajudar a interpretar a palavra de Jesus à luz de sua morte e ressurreição.
No momento de sua morte, Jesus deixa como herança a Sua Paz. É difícil compreender este desprendimento de falar de paz e alegria num momento de dor e aflição e, só à luz do Espírito Santo esta mensagem pode ser compreendida, vendo a morte não como o fim, mas como o começo de uma nova vida; e a paz por Ele deixada, não é esta paz humana que precede a guerra, mas uma paz verdadeira que vem da ressurreição, da vitória da vida sobre a morte. Uma Paz que nesta vida não dispensa o sofrimento, mas infunde coragem para enfrentar sem medo a luta para conservar a fé em Deus.

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Sob a guia do paráclito
Pensando em sua ausência futura, Jesus tomou providências para que os seus discípulos não se sentissem abandonados, ao se verem entregues à missão, sem a presença física de seu Mestre. Esta sua falta, no entanto, haveria de ser compensada com a presença do Paráclito - o Defensor - que daria continuidade ao papel desempenhado por Jesus, junto aos discípulos.
O Paráclito iria ensinar-lhes todas as coisas, outrora transmitidas por Jesus, e recordar-lhes todas as orientações transmitidas. Ou seja, assumiria a função magisterial, antes desempenhada pelo Mestre. Os discípulos não teriam necessidade escolher um dos membros do grupo como mestre dos demais. Todos continuariam a ser discípulos do Mestre Jesus, pela mediação do Paráclito.
Por conseguinte, não deveriam esperar novidades por parte do Paráclito. Sua missão consistiria em fazê-los compreender, sempre mais e melhor, o que já havia sido transmitido por Jesus, mas, quiçá mal assimilado. O Espírito Santo iluminaria, aprofundaria e atualizaria as palavras do Filho de Deus, nos contextos plurais de desempenho da missão. Em cada circunstância concreta, as palavras do Senhor haveriam de revestir-se de apelos novos, pela luz oferecida pelo Paráclito.
O discípulo não pode dispensar o auxílio do Paráclito se deseja conservar sua fidelidade ao Senhor.
Oração
Espírito de iluminação ensina-me e recorda-me todos os ensinamentos do Mestre Jesus, para que eu possa vivê-los com mais fidelidade.
padre Jaldemir Vitório

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O Sopro de Deus em nós
O trecho do evangelho deste domingo é parte do discurso de despedida de Jesus (13,31–14,31). Trata-se, aqui, de encorajar os discípulos para que não desanimem ante as perseguições, paixão e morte de Jesus. A paz que o Senhor oferece para a missão e a constância dos discípulos é a sua própria vida, pois ele é o “fazedor de paz” (Mt 5,9), o “príncipe da paz” que, entrando em sua cidade, Jerusalém, reconciliou pela sua entrega a humanidade com Deus. A paz é um dos primeiro dons do Cristo Ressuscitado. O Senhor promete a sua volta: “Voltarei a vós” (Jo 14,28). Não se trata de retorno à vida terrestre. A missão do Espírito Santo é tornar o Cristo presente a nós e sua palavra viva em nós. No Espírito Santo, a partida de Jesus não é sentida como ausência, pois ele estará conosco “todos os dias até os fins dos tempos” (Mt 28,20). O Espírito Santo, dom de Deus, não permite que a palavra de Jesus fique sem sentido ou caia no esquecimento; o Sopro de Deus em nós ensina e recorda tudo o que Jesus disse. A fé é necessária para manter viva em nós a Palavra do Senhor e não sucumbirmos diante das dificuldades na realização da missão, que é participação na missão daquele que, enviado pelo Pai, passou por este mundo fazendo o bem, sofreu a paixão e morreu crucificado, mas ressuscitou ao terceiro dia.
O Apocalipse, livro escrito em fins do primeiro século, busca encorajar os cristãos a permanecerem firmes na fé e a guardarem a palavra de Cristo em meio à perseguição. A Igreja, lugar da habitação de Deus, é iluminada pelo Senhor: “A cidade não precisa de sol nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz, e a sua lâmpada é o Cordeiro” (Ap 21,23). A Igreja, fiel ao Senhor, não tem o que temer, pois o Senhor está no seu meio qual uma luz. Sob essa luz nenhum mal pode se esconder, e não há o que possa levá-la a tropeçar. A luz de Deus e do Cordeiro desvela as armadilhas do mal, as falsas doutrinas que buscam se impor como verdadeiras e necessárias. A questão sobre a circuncisão dos pagãos, como, queriam alguns, necessária para a salvação, leva os apóstolos a darem uma resposta apostolicamente criativa e teologicamente brilhante. É um duplo problema que está presente na questão apresentada: o da unidade da Igreja e o da salvação. Para a unidade da Igreja é fundamental a aceitação da diferença – a unidade só é possível por causa da diferença. Em segundo lugar, não é a Lei que salva, mas a fé em Jesus Cristo.
Que neste dia, o primeiro da semana, sejamos iluminados para que todos os demais dias sejam vividos neste mesmo clarão.
Carlos Alberto Contieri,sj

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Na liturgia deste domingo sobressai a promessa de Jesus de acompanhar de forma permanente a caminhada da sua comunidade em marcha pela história: não estamos sozinhos; Jesus ressuscitado vai sempre ao nosso lado.
No Evangelho, Jesus diz aos discípulos como se hão-de manter em comunhão com Ele e reafirma a sua presença e a sua assistência através do “paráclito” – o Espírito Santo.
A primeira leitura apresenta-nos a Igreja de Jesus a confrontar-se com os desafios
dos  novos  tempos.  Animados  pelo  Espírito,  os  crentes  aprendem  a  discernir  o essencial do acessório e atualizam a proposta central do Evangelho, de forma que a mensagem libertadora de Jesus possa ser acolhida por todos os povos.
Na segunda leitura, apresenta-se mais uma vez a meta final da caminhada da Igreja: a “Jerusalém messiânica”, essa cidade nova da comunhão com Deus, da vida plena, da felicidade total.
1ª leitura: Atos 15,1-2.22-29 - AMBIENTE
A entrada maciça de crentes gentios na comunidade cristã (sobretudo após a primeira viagem missionária  de Paulo e Barnabé) vai trazer a lume uma questão  essencial: deve impor-se aos crentes de origem pagã a prática da Lei de Moisés? Não se trata, aqui, de um problema acidental ou secundário, de uma medida disciplinar ou de puros costumes, mas de algo tão fundamental como saber se a salvação vem através da circuncisão e da observância da “Torah” judaica, ou única e exclusivamente por Cristo. Dito de outra forma: Jesus Cristo é o único Senhor e salvador, ou são precisas outras coisas além d’Ele para chegar a Deus e para receber d’Ele a graça da salvação?
A comunidade cristã de Antioquia (onde o problema se põe com especial acuidade) não tem a certeza sobre o caminho a seguir. Paulo e Barnabé acham que Cristo basta; mas os “judaizantes” – cristãos de origem judaica, que conservam as práticas tradicionais do judaísmo – defendem que os ritos prescritos pela “Torah” também são necessários para a salvação. Decide-se, então, enviar uma delegação a Jerusalém, a fim de consultar os Apóstolos e os anciãos acerca da questão. Estamos por volta do ano 49.
MENSAGEM
Este texto começa por pôr a questão e por apresentar os passos dados para a solucionar: Paulo, Barnabé e alguns outros (também Tito, de acordo com Gl. 2,1) são enviados a Jerusalém para consultar os Apóstolos e os anciãos (vs. 1-2). A questão é de tal importância que se organiza a reunião dos dirigentes e animadores das comunidades, conhecida como “concílio apostólico” ou “concílio de Jerusalém”. Essa assembléia  vai, pois, discutir o que é essencial na proposta cristã (e que devia ser incluído no núcleo fundamental da pregação) e o que é acessório (e que podia ser dispensado, não constituindo uma verdade fundamental da fé cristã).
O texto que nos é proposto hoje interrompe aqui a descrição dos acontecimentos. No entanto, sabemos (pela descrição dos “Atos”) que nessa “assembléia eclesial” vão enfrentar-se várias opiniões. Pedro reconhece a igualdade fundamental de todos– judeus e pagãos – diante da proposta de salvação, que a Lei é um jugo que não deve ser imposto aos pagãos e que é “pela graça do Senhor Jesus” que se chega à salvação (cf. At. 15,7-12); mas Tiago (representante da ala “judaizante), sem se opor à perspectiva de Pedro, procura salvar o possível das tradições judaicas e propõe que sejam mantidas algumas tradições particularmente caras aos judeus (cf. At. 15,13-21). Na realidade, há acordo quanto ao essencial. Embora o texto de Lucas não seja totalmente explícito, percebe-se a decisão final: não se pode impor aos gentios a lei judaica; só Cristo basta. Assim dá-se luz verde à missão entre os pagãos. É a decisão mais importante da Igreja nascente: o cristianismo cortou o cordão umbilical com o judaísmo e pode, agora, ser uma proposta universal de salvação, aberta a todos os homens, de todas as raças e culturas.
O nosso texto retoma a questão neste ponto. Nos vs. 22-29 da leitura de hoje apresenta-se o “comunicado final” da “assembléia de Jerusalém”: a práxis judaica não pode ser imposta, pois não é essencial para a salvação… No entanto, pede-se a abstenção de alguns costumes particularmente repugnantes para os judeus.
É de destacar, ainda, a referência ao Espírito Santo do v. 28: a decisão é tomada por homens, mas assistidos pelo Espírito. Manifesta-se, assim,  a  consciência  da presença  do  Espírito, que conduz e que assiste a Igreja  na  sua  caminhada  pela história.
ATUALIZAÇÃO
♦  A  questão  de  cumprir  ou  não  os  ritos  da  Lei  de  Moisés  é  uma  questão ultrapassada, que hoje não preocupa nenhum cristão; mas este episódio vale, sobretudo, pelo seu valor exemplar. Faz-nos pensar, por exemplo, em rituais ultrapassados, em práticas de piedade vazias e estéreis, em fórmulas obsoletas, que exprimiram num certo contexto, mas já não exprimem o essencial da proposta cristã.  Faz-nos  pensar  na  imposição  de  esquemas  culturais  –  ocidentais,  por exemplo – que muitas vezes não têm nada a ver com a forma de expressão de certas  culturas…  O  essencial  do  cristianismo  não  pode  ser  vivido  sem  o concretizar em formas determinadas, humanas e, por isso, condicionadas e finitas. Mas  é  necessário  distinguir  o  essencial  do  acessório;  o  essencial  deve  ser preservado e o acessório deve ser constantemente atualizado. Quais são os ritos e  as  práticas  decididamente  obsoletos,  que  impedem  o  homem  de  hoje  de redescobrir o núcleo central da mensagem cristã? Será que hoje não estamos a impedir,  como  outrora,  o  nascimento  de  Cristo  para  o  mundo,  mantendo-nos presos a esquemas e modos de pensar e de viver que têm pouco a ver com a realidade do mundo que nos rodeia?
♦  É necessário ter presente que o essencial é Cristo e a sua proposta de salvação.
Essa é que é a proposta revolucionária que temos para apresentar ao mundo. O resto são questões cuja importância não nos deve distrair do essencial.
♦  Devemos também ter consciência da presença do Espírito na caminhada da Igreja de Jesus. No entanto, é preciso escutá-l’O, estar atento às interpelações que Ele lança, saber ler as suas indicações nos sinais dos tempos e nas questões que o mundo nos apresenta… Estamos verdadeiramente atentos aos apelos do Espírito?
♦  É preciso aprender com a forma como os Apóstolos responderam aos desafios dos tempos:  com audácia,  com imaginação,  com liberdade, com desprendimento
e, acima de tudo, com a escuta do Espírito.  É assim que a Igreja de Jesus deve enfrentar hoje os desafios do mundo.
2ª leitura: Ap. 21,10-14.22-23 - AMBIENTE
Continuamos a ler a parte final do livro do “Apocalipse”. Nela, João apresenta-nos o resultado da intervenção definitiva de Deus no mundo: depois da vitória de Deus sobre as forças que oprimem o homem e o privam da vida plena, nascerá a comunidade nova e santa, a criação definitiva de Deus, o novo céu e a nova terra.
A  liturgia  do  passado  domingo  apresentou-nos  um  primeiro  quadro  dessa  nova realidade; hoje, a mesma realidade é descrita através de um segundo quadro – o da “Jerusalém messiânica”.
MENSAGEM
É, ainda, a imagem da “nova Jerusalém que desce do céu” que nos é apresentada. Já vimos na passada semana que falar de Jerusalém é falar do lugar onde irá irromper a salvação definitiva, o lugar do encontro definitivo entre Deus e o seu Povo.
Na apresentação desta “nova  Jerusalém”,  domina  o  número  “doze”:  na  base da muralha há doze  reforços  salientes  e  neles  os  doze  nomes  dos  Apóstolos do “cordeiro”; a cidade tem, igualmente, doze portas (três a nascente, três ao norte, três ao sul e três a poente), nas quais estão gravados os nomes das doze tribos de Israel; há, ainda, doze anjos junto das portas. O número “doze” indica a totalidade do Povo
de Deus (doze tribos + doze Apóstolos): ela está fundada sobre os doze Apóstolos – testemunhas do “cordeiro” – mas integra a totalidade do Povo de Deus do Antigo e do Novo  Testamento,  conduzido à vida  plena  pela ação salvadora e  libertadora  de Cristo. As portas, viradas para os quatro pontos cardeais, indicam que todos os povos (vindos do norte, do sul, de este e do oeste) podem entrar e encontrar lugar nesse lugar de felicidade plena.
Num desenvolvimento que a leitura de hoje não conservou (vs. 15-17), apresentam-
se  as  dimensões  dessa  “cidade”:  144  côvados  (12  vezes  doze),  formando  um quadrado  perfeito. Trata-se de mostrar que  a cidade (perfeita,  harmoniosa)  está traçada segundo o modelo bíblico do “santo dos santos” (cf. 1 Re 6,19-20): a cidade inteira aparece, assim, como um Templo dedicado a Deus, onde Deus reside de forma permanente no meio do seu Povo.
É por isso que a última parte deste texto (vs. 22-23) diz que a cidade não tem
Templo: nesse lugar de vida plena, o homem não terá necessidade de mediações, pois viverá sempre na presença de Deus e encontrará Deus face a face. Diz-se ainda que toda a cidade estará banhada de luz: a luz indica a presença divina (cf. Is. 2,5; 24,23; 60,19): Deus e o “cordeiro” serão a luz que ilumina esta comunidade de vida plena.
Após a intervenção definitiva de Deus na história nascerá, então, essa nova “cidade” construída sobre o testemunho dos apóstolos; cidade de portas abertas, ela acolherá todos os homens que aderirem ao “cordeiro”; nela, eles encontrarão Deus e viverão na sua presença, recebendo a vida em plenitude.
ATUALIZAÇÃO
♦ Já o dissemos a propósito da segunda leitura do passado domingo: o profeta João garante-nos que as limitações impostas pela nossa finitude, as perseguições que temos de enfrentar por causa da verdade e da justiça, os sofrimentos que resultam dos nossos limites, não são a última palavra; espera-nos, para além desta terra, a vida plena, face a face com Deus. Esta certeza tem de dar um sentido novo à nossa caminhada e alimentar a nossa esperança.
♦ A Igreja em marcha pela história não é, ainda, essa comunidade  messiânica da vida plena de que fala esta leitura; mas tem de apontar nesse sentido e procurar ser, apesar do pecado e das limitações dos homens, um  anúncio  e  uma prefiguração dessa comunidade escatológica da salvação, que dá testemunho da utopia e que acende no mundo a luz de Deus. A humanidade necessita desse testemunho.
♦ Ainda que esta realidade de vida plena, de felicidade total, só aconteça na “nova Jerusalém”, ela tem de começar a ser construída desde já nesta terra. Deve ser essa  a  tarefa  que  nos  motiva,  que  nos  empenha  e  que  nos  compromete:  a construção de um mundo de justiça, de amor e de paz, que seja cada vez mais um reflexo do mundo futuro que nos espera.
Evangelho: Jo 14,23-29 - AMBIENTE
Continuamos no contexto da “ceia de despedida”. Jesus, que acaba de fundar a sua comunidade, dando-lhe por estatuto o mandamento do amor (cf. Jo 13,1-17;13,33-35), vai  agora  explicar como é que essa comunidade manterá, após a sua partida,  a relação com Ele e com o Pai.
Nos versículos anteriores ao texto que nos é proposto, Jesus apresentou-Se como “o caminho” (cf. Jo 14,6) e convidou os discípulos a percorrer esse mesmo “caminho” (cf. Jo 14,4-5). O que é que isso significa? Jesus, enquanto esteve no mundo, percorreu um  “caminho”  – o da  entrega  ao  homem,  o do  serviço,  o do  amor  total;  é nesse “caminho  que  o homem”  – o Homem  Novo  que  Jesus  veio  criar  – se  realiza.  A comunidade de Jesus tem, portanto, que percorrer esse “caminho”. A metáfora do “caminho” expressa o dinamismo da vida que é progressão; percorrê-lo, é alcançar a plena maturidade do Homem Novo, do homem que desenvolveu todas as suas potencialidades, do homem recriado para a vida definitiva. O final desse “caminho” é o amor radical, a solidariedade total com o homem. Nesse “caminho”, encontra-se o Pai. Os discípulos, no entanto, estão inquietos e desconcertados. Será possível percorrer esse “caminho” se Jesus não caminhar ao lado deles? Como é que eles manterão a comunhão com Jesus e como receberão dele a força para doar, dia a dia, a própria vida?
MENSAGEM
Para seguir esse “caminho” é preciso  amar Jesus e guardar  a sua Palavra  (cf. Jo 14,23). Quem ama Jesus e O escuta, identifica-se com Ele, isto é, vive como Ele, na entrega da própria vida em favor do homem… Ora, viver nesta dinâmica é estar continuamente em comunhão com Jesus e com o Pai. O Pai e Jesus, que são um, estabelecerão a sua morada no discípulo; viverão juntos, na intimidade de uma nova família (vs. 23-24).
Para que os discípulos  possam  continuar  a percorrer  esse “caminho”  no tempo da Igreja, o Pai enviará o “paráclito”, isto é, o Espírito Santo (vers. 25-26). A palavra “paráclito” pode traduzir-se como “advogado”, “auxiliador”, “consolador”, “intercessor”. A função do “paráclito” é “ensinar” e “recordar” tudo o que Jesus propôs. Trata-se, portanto, de uma presença dinâmica, que auxiliará os discípulos trazendo-lhes continuamente à memória os ensinamentos de Jesus e ajudando-os a ler as propostas de  Jesus  à luz  dos  novos  desafios  que  o mundo  lhes  colocar. Assim, os crentes poderão continuar a percorrer, na história, o “caminho” de Jesus, numa fidelidade dinâmica às suas propostas. O Espírito garante, dessa forma, que o crente possa continuar a percorrer esse “caminho” de amor e de entrega, unido a Jesus e ao Pai. A comunidade cristã e cada homem tornam-se a morada de Deus: na ação dos crentes revela-se o Deus libertador, que reside na comunidade e no coração de cada crente e que tem um projeto de salvação para o homem.
A última parte do texto que nos é proposto contém a promessa da “paz” (v. 27). Desejar a “paz” (“shalom”) era a saudação habitual à chegada e à partida. No entanto, neste contexto, a saudação não é uma despedida trivial (“não vo-la dou como a dá o mundo”), pois Jesus não vai estar ausente. O que Jesus pretende é inculcar nos discípulos apreensivos a serenidade e evitar-lhes o temor. São palavras destinadas a tranquilizar os discípulos e a assegurar-lhes que os acontecimentos que se aproximam não porão fim à relação entre Jesus e a sua comunidade. As últimas palavras referidas por este texto (vers. 28-29) sublinham que a ausência de Jesus não é definitiva, nem sequer prolongada. De resto, os discípulos devem alegrar-se, pois a morte não é uma tragédia sem sentido, mas a manifestação suprema do amor de Jesus pelo Pai e pelos homens.
ATUALIZAÇÃO
♦ Falar do “caminho” de Jesus é falar de uma vida gasta em favor dos irmãos, numa doação total e radical, até à morte. Os discípulos são convidados a percorrer, com Jesus, esse mesmo “caminho”. Paradoxalmente, dessa entrega (dessa morte para si mesmo) nasce o Homem Novo, o homem na plenitude das suas possibilidades, o homem que desenvolveu até ao extremo todas as suas potencialidades. É esse “caminho” que eu tenho vindo a percorrer? A minha vida tem sido doação, entrega, dom, amor até ao extremo? Tenho procurado despir-me do egoísmo e do orgulho que impedem o Homem Novo de aparecer?
♦ A comunhão do crente com o Pai e com Jesus não resulta de momentos mágicos nos quais, através da recitação de certas fórmulas, a vida de Deus bombardeia e inunda incondicionalmente o crente; mas a intimidade e a comunhão com Jesus e com  o Pai estabelece-se  percorrendo  o caminho  do amor  e da entrega,  numa doação total aos irmãos. Quem quiser encontrar-se com Jesus e com o Pai, tem de sair do egoísmo e aprender a fazer da sua vida um dom aos homens.
♦ É impressionante essa pedagogia de um Deus – o nosso Deus – que nos deixa ser os  construtores  da  nossa  própria  história, mas não nos abandona.  De  forma discreta,  respeitando  a  nossa  liberdade, Ele  encontrou formas  de  continuar conosco, de nos animar, de nos ajudar a responder aos desafios, de nos recordar que só nos realizaremos plenamente na fidelidade ao “caminho” de Jesus.
♦ O cristão tem de estar, no entanto, atento à voz do Espírito, sensível aos apelos do Espírito; tem de procurar detectar os novos caminhos que o Espírito propõe; tem de estar na disposição de se deixar questionar e de refazer a sua vida, sempre que o Espírito  lhe dá a entender  que ela está a afastar-se  do “caminho”  de Jesus. Estamos sempre  atentos  aos sinais  do Espírito  e disponíveis  para enfrentar  os seus desafios?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho

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“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou!”
No domingo passado (28) refletimos sobre o Novo Mandamento: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Hora, sabemos muito bem como Jesus nos amou – entregando sua vida por nós. Portanto, não se trata de um amor qualquer. No texto do Evangelho de hoje (João 14,23-29) Jesus diz: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou! Não a dou como o mundo”. Então, também não é uma paz qualquer! Ao refletir sobre o Mandamento do Amor e a Paz de Jesus segundo João, entendemos que somente orações e discursos vazios não são o suficiente. Precisamos observar e colocar em prática tudo aquilo que Jesus pede e ensinou. Não basta ser apenas ouvinte da Palavra, é necessário colocá-la em pratica na vida cotidiana e fazer a experiência de acolher a Palavra. Então será possível sentir em nós a presença do Ressuscitado – o único capaz de preencher nossa existência. Também não será possível amar a Deus sem guardar sua Palavra. Aos discípulos que se dirigem a Ele com amor Jesus promete manifestar-se dizendo: “Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, Ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que vos tenho dito (v 26)”. Realmente sem amor por Jesus não pode haver conhecimento Dele, nem do Pai e nem do Espírito Santo. Se Deus é amor, então quem não ama, não conheceu a Deus. Na Festa de Pentecostes que se aproxima iremos refletir sobre a importância da presença do Espírito Santo na vida pessoal e comunitária. Diz o Evangelho de Jesus segundo João 14: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos, então rogarei ao Pai e Ele dará a vocês o Espírito Santo Paráclito para que permaneça com vocês para sempre”. Vejamos: “Paráclito” palavra grega que significa advogado de defesa. Jesus complementa: “Aquele que crê em mim, fará também as obras que eu faço.” Estamos terminando o Tempo Pascal. O Espírito é a memória de Jesus que continua viva e presente na comunidade cristã. A liturgia de hoje ensina que o “Shalom” de Jesus é o conjunto de todas as bênçãos messiânicas da Nova Aliança. Com a paz de Jesus poderemos superar todos os conflitos na família e na sociedade. Pense nisto e tenha uma semana abençoada.
Pedro Scherer

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