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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Comentário Prof.Fernando

Comentário Prof.Fernando(*) (3ºdom.postPentecostes):
10ºdom.tempo Comum 2 junho 2013 – entrando na Cidade –
– INFORMAÇÕES DE ESTUDIOSOS DA BÍBLIA –
1.          O Senhor ouviu a voz de Elias: e ele recuperou a vida. Elias entregou-o à sua mãe 1Rs 17,17-24. Aquele que me chamou revelou-me o seu Filho para que eu o pregasse entre os pagãos Gl 1,11. Levavam um defunto, filho único de sua mãe que era viúva e uma multidão saía com eles da cidade. Ao vê-la o Senhor sentiu compaixão: "Não chores!"  e aproximou-se e tocou o caixão. E pararam os que o levavam. Jesus disse: Jovem, levanta-te!. O morto sentou-se, começou a falar. Jesus o entregou à sua mãe Lc 7,11-17. Entre não crentes (pagãos) e crentes, por toda parte a finalidade é manter a vida. Ou recuperá-la, quando foi perdida. Tocar no caixão, segundo os costumes da lei tornavam a pessoa impura. Jesus despreza esse medo pois suas mãos trazem vida. Paralisa o desfile dos que saem da cidade, em direção à casa dos mortos. Seu grupo caminha em direção à cidade pois carrega a Boa Notícia. À mãe que, pela segunda vez, perde seu arrimo e mergulha ainda mais na pobreza de uma sociedade que discrimina as viúvas – mulheres sem defesa social – ele diz: Não chores. Ele é movido pela compaixão, como quem não suporta ver tanta miséria e dor.
2.         No primeiro livro de Lucas (evangelho) o autor gosta de mostrar o ministério de Jesus comparável aos dos grandes profetas de Israel: de Elias e de seu discípulo Eliseu. O segundo livro (Atos dos Apóstolos) trata dos discípulos que continuaram a obra de Jesus. Também o segundo livro de Reis mostra Eliseu, continuando a obra do seu mestre Elias. No cap. 4 (v.25ss) do relato evangélico Lucas lembra que Elias e Eliseu – como Jesus – muitas vezes deram prioridade à cura de estrangeiros, já que conterrâneos e concidadãos não os aceitavam como profetas de Deus.
3.         Relatos sobre voltar da morte, na Bíblia, são poucos. Além da Ressurreição do próprio Jesus (é o diferencial próprio da fé cristã) encontramos só 7 passagens, sempre ocorridas após a oração de profetas ou dos Apóstolos, quando não foram “Sinais” (milagres) do próprio Jesus. Eis a lista: - o filho da viúva de Sarepta, com Elias (leitura de hoje, 1Reis 17); - o filho da Sunamita (oração de Eliseu, 2Reis 4,20; - o filho da viúva de Naim (leitura de hoje, Lc 7); - a filha de Jairo (Lc 8,41); - o amigo pessoal de Jesus, Lázaro (Jo11); - a mulher, Tabhita (oração de Pedro (Atos 9,36); - o jovem Eutíquio, numa queda do terceiro andar durante uma pregação de Paulo (Atos 20,7).
– CENAS E SENTIMENTOS DA VIDA HUMANA COMUM –
1.         Como qualquer outro livro de literatura, a Bíblia traz também seus personagens retratando a vida humana. A economia está presente, enfrentando intempéries da natureza, secas e escassez de alimentos. Nunca falta o desprezo pelos mais pobres cujos protótipos são a viúva e o órfão (sem o arrimo próprio de uma sociedade patriarcal). As mães choram a morte de seus jovens filhos. Aflitos pela compaixão há um chefe da sinagoga ou surge um oficial militar romano, questionando a morte de filhos ou de empregados da casa. Uma mulher numa cidadezinha perdida do oriente (Jope). Ou um adolescente caído da janela do 3ºandar (dormiu no sermão de Paulo).
2.         A vida inclui busca constante pelo alimento de cada dia, relações na intimidade da família ou afetos na comunidade ou entre grandes amigos (por ex.: Jesus e Lázaro). A vida traz dores (“a alma em amargura” como reconhece Eliseu na mulher sunamita 2Rs4, 27). Também traz dores s lágrimas de velórios: de mães ou das amigas de Tabita em Jope. O próprio Jesus, diante do túmulo do amigo, é agitado por muitos sentimentos: derramado em lágrimas (“edákrysen” -  verso 35), num quase “grito de revolta no seu espírito”; “agitado por forte comoção” (“enebrimésato”/ etáraksen”, v.33).
– ESSA VIDA DE QUALQUER UM, SEGUNDO A BÍBLIA –
1.         Sob outro aspecto, a Bíblia é “porta-voz” da Palavra de Deus cujo coração é feito de compaixão.  A devolução da vida, nos episódios apontados, era um sinal voltado para fortificar a fé. Foram mortos que voltaram para viver mais algum tempo nesse nosso espaço-tempo. Ressurreição propriamente dita é a que traz vida nova e imortal. Essa é afirmada na Escritura apenas para Jesus de Nazaré segundo a Fé cristã. E também para quem aceitar esse dom, constitui-se na Esperança de igual destino. E sua garantia é dada pelo Amor do Espírito. Este clama dentro de nós chamando a Deus de Pai (ou Papai). É ele quem atrai para se fazer o bem e tomar distância do ódio.
2.         A vida exige buscar alimento e nunca desejar a morte. A vida inclui dores e choro, afetos e conflitos, sonhos e frustrações. No fundo, a vida exige alguma Fé no poder impossível e silencioso do Criador. Exige também Esperança numa superação progressiva da violência. Mas é preciso fazer de algum modo a experiência de doação de vida para caminhar em sentido inverso ao féretro que sai da Cidade. Hoje há medo da Cidade, tida como violência sem limite. Imagina-se que condomínios fechados e câmeras por todo lado evitem o mal. Filmes filmam, mas não impedem a loucura dos homicidas de muitas idades.
3.         Mas há também, por toda parte e na brisa do Espírito, secretas doações de vida, de mães silenciosas ou de profissionais dedicados. De gente humilde e de todas as classes, médicos ou comerciantes, operários ou empreendedores. A vida resiste silenciosa, embora apareçam mais, na mídia e no imaginário coletivo, a vaidade e a violência, parteiras dessa sensação de insegurança e medo das ameaças à Vida. É preciso tocar no esquife e parar o cortejo da morte.

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(*).Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) fesomor2@gmail.com

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