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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Comentário Prof.Fernando

Comentário Prof.Fernando(*)Apóstolos Pedro e Paulo 30 jun 2013
A cabeça e o Corpo, e um texto (413d.C.) de Agostinho  

Pedro e Paulo, os apóstolos mártires do Império romano
·                 No Brasil o calendário católico transfere para o domingo a solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo (o 29 de junho continua em outros países e outras igrejas). Domingo, 30 (para quem celebrou a data tradicional) é o 6º domingo após Pentecostes ou 13º-tempo Comum (cf. calendários católicos na Europa e o Lecionário Comum). Suas leituras principais são:  Gal 5, 1.13-18 (ou.25) e Lc 9,51-62. Outras: 2Rs19,16.19-21 (2Rs2,1-2.6-14). Martírio dos apóstolos: 1ªleitura= Atos 12,1-11; 2: perseguido, Pedro é preso e miraculosamente libertado; 2ªleitura= Tm 4,6-8.17-18: Paulo prevê que sua missão vai custar-lhe a vida; o texto da 3ªleitura= Mt 16,13-19 traz a declaração de Pedro (inspirado pelo Espírito) sobre o Cristo e o Mestre o designa como uma “pedra”.
Pedro e Paulo, “colunas da Igreja
·                  Hoje recorda-se o martírio (= testemunho dado com entrega da própria vida) dos apóstolos Pedro e Paulo. Aprofundemos o sentido dos textos sobre o Mistério da Igreja, i.é., a comunidade dos seres humanos chamados à liberdade (cf.Gl 5). Cristo é o Rochedo (petra em grego) sobre o qual está edificada a Igreja; Simão Pedro (pétros em grego) é uma pedra que sinaliza a unidade. Neste dia é comum deixarmos em segundo plano o Mistério da Igreja. Focalizamos mais Simão, filho de Jonas, chamado “feliz’ ou “abençoado” pelo Mestre. Com o foco voltado para Pétros em termos gregos: pequena pedra por contraste com a Rocha= pétra). Acabam por prevalecer discussões sobre o ministério petrino e o nome apenas de Pedro (até na Cnbb já se escreveu: [cf. 25-6-2010, POR: CNBB]No dia 29 de junho, a Igreja celebra a festa de São Pedro” ...). O exclusivismo talvez se deva à tradicional doação católica nesse dia (“óbolo de S.Pedro”) conhecido como “dia de S.Pedro” e também “dia do papa”. É de se notar, no entanto, que o atual, Francisco, parece ter usado em sua primeira saudação (13 de março de 2013) esta frase: Fratelli e sorelle:  voi sapete che il dovere del Conclave era di dare un Vescovo a Roma” – “ Irmãos e irmãs: sabeis que a obrigação do Conclave era dar um Bispo a Roma”. Ele tem privilegiado em discursos e homilias a constante atenção ao Mistério da Igreja. Na mesma direção, transcreve-se, a seguir, o famoso sermão “dos Apóstolos Pedro e Paulo” (em29-6-413ou411d.C.; P.L.38, sermão 295 ) feito por Agostinho de Hipona, o maior escritor da patrística latina.
Agostinho, entre o fim do Império romano e o início da Idade Média
·                  Agostinho viveu no século IV (354-430d.C.). Pessoalmente, passou por dois grandes sofrimentos (a morte de um filho muito jovem) e a separação da mulher (que a lei da época não permitia casar-se com ele por ser de classe inferior – cf.Confissões, VI, parte III, 15). Aclamado presbítero com 37 anos foi da mesma forma eleito bispo de Hipona. Como intelectual e cidadão romano, viveu num período de grandes convulsões políticas, sociais e religiosas, mas , com seu enorme talento filosófico e dons de orador e escritor, colocou em sua obra profundas análises de problemas de seu tempo. Era professor Retórica quando descobriu a filosofia, que passou a ser uma nova paixão em sua vida. Também é teólogo, uma vez convertido ao cristianismo (foi batizado aos 33 anos com o filho – então com 15). Adepto no começo de sua carreira intelectual do maniqueísmo, desenvolve uma eclesiologia marcada pela crítica a várias heresias da época, buscando a unidade da igreja. Da oposição ao movimento Donatista a história da Igreja herdou duas importantes conclusões: a validade dos sacramentos não depende do compartamento de seus ministros (o Donatismo considerava inválidos os sacramentos operados pelos suspeitos de “fuga” do martírio durante as perseguições); a segunda conclusão foi a doutrina agostiniana sobre o mistério da Igreja que, construída a partir da oposição ao Donatismo, sublinhava a comunhão com os bispos e, particularmente com o bispo de Roma.Sua obra gigantesca foi a principal referência de toda a filosofia e teologia, para além da idade Média, comparável ao genial Tomás de Aquino (que viveu 800 anos depois). Sua importância continua presente até nossa época e as grandes linhas de seu pensamento são admiradas igualmente por católicos, anglicanos e protestantes (principalmente no calvinismo, mas deve-se lembrar que proposta da Reforma de Lutero (que foi monge da ordem agostiniana) também se apoiava na doutrina de Agostinho sobre salvação e graça. Segue o extrato (3 de 8 partes do sermão).

« (n.1) A pedra sobre a qual a Igreja foi edificada é o próprio Cristo
A paixão dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo tornou sagrado para nós este dia. (...) Feliz é Pedro, o primeiro dos Apóstolos, que amava ardorosamente o Cristo e que pôde ouvir: Eu te digo que és Pedro. Ele dissera Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Cristo responde: E eu te digo que és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Sobre esta pedra edificarei a fé que tu confessas. Sobre o que disseste Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo, edificarei a minha Igreja. Pois de fato és Pedro. Pedro, de pedra, e não pedra, de Pedro. Pedro, de pedra, assim como cristão, de Cristo. Queres saber de qual pedra seja chamado Pedro? Ouve: Não quero que ignoreis, irmãos, diz o Apóstolo de Cristo, que os nossos pais estiveram todos sob a nuvem e todos atravessaram o mar, e todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar, e todos comeram o mesmo alimento espiritual, e todos beberam da mesma pedra espiritual que os acompanhava:  e a pedra era Cristo. (1 Cor 10, 1-4)
(n.2) A Pedro, que personifica a Igreja, as chaves do reino dos céus. A um só, pois dadas à Igreja una. Cristo primeiro ressuscita, depois dá-nos a Igreja.
O Senhor Jesus, antes de sua paixão, como sabeis, escolheu os que chamou Apóstolos. Entre eles só Pedro pôde personificar toda a Igreja. Ao personificar toda a Igreja, pôde ouvir: Eu te darei as chaves do reino dos céus (Mt16,16-18). De fato não foi um só homem que recebeu estas chaves, mas a unidade da Igreja. Daí celebrar-se a excelência de Pedro, porque representando a Igreja na sua universalidade e unidade foi-lhe dito: a ti entrego, o que foi entregue a todos. Para que possais saber que a Igreja recebeu as chaves do reino dos céus, ouvi o que diz o Senhor em outra passagem, a todos os seus Apóstolos: Recebei o Espírito Santo, e em seguida: A quem perdoardes os pecado eles serão perdoados; se de alguém os retiverdes, serão retidos (Jo20,22-23). Isto são as chaves das quais foi dito: O que desligardes na terra, será desligado também no céu (Mt16,19). Mas isso disse a Pedro: para que saibas que Pedro então personificava a Igreja universal, escuta o que foi dito a ele e a todos os santos fiéis: Se o teu irmão pecar contra ti, corrija-o entre ele e ti somente (...) se não os escutar então refere-o à Igreja (...) o que ligardes sobre a terra, será no céu também, e tudo o que desligado na terra, também o será no céu (Mt18,15-18). A pomba liga, a pomba absolve; o edifício fundado sobre a pedra liga e absolve.
       (n.6) Paulo: de perseguidor a Apóstolo de Cristo.
Que venha Paulo de Saulo, como o cordeiro vem do lobo: primeiro adversário, depois apóstolo; antes perseguidor e depois pregador. Que venha, pegue cartas de apresentação dos sumos sacerdotes e vá encontrar cristãos para conduzi-los prisioneiros para a condenação. Que receba; receba e se ponha a caminho: deseje a matança, tenha sede de sangue. (...) De fato ele andava (como foi escrito – At 9,1) desejando a matança. E se aproximava de Damasco. Então o Senhor do céu: Saulo, Saulo, por que me persegues? Eu estou aqui, eu estou lá: aqui a cabeça, lá o corpo. (...) E ele, apavorado e tremendo: Quem és tu, Senhor? E o Senhor: Eu sou Jesus o Nazareno que tu persegues. Repentinamente transformado em outra pessoa (...) lhe é dito o que fazer. E antes mesmo que Paulo seja batizado, o Senhor fala a Ananias: Vai àquela estrada, até um homem chamado Saulo, batiza-o, porque é para mim um vaso escolhido. (...) Um vaso é para ser preenchido. De quê, senão de Graça? Mas Ananias responde: Senhor, soube que este homem fez muita maldade aos teus fiéis (...). Ananias tremia ao ouvir o nome de Saulo. Tremia a ovelha frágil pela fama do lobo, ainda que sobre ela estivesse a mão do pastor. »
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(* ): Prof./consultor (filos. educ. teol. ética) fesomor2@gmail.com 

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