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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

domingo, 9 de junho de 2013

Jesus ressuscitou o filho da viúva de Naim

X DOMINGO DO TEMPO COMUM
DIA 09 DE ABRIL

 

Comentário Prof.Fernando


Jesus teve compaixão daquela viúva e disse: "Não chore!"

Introdução

JESUS RESSUSCITOU O FILHO DA VIÚVA DE NAIM-José Salviano

Prezados irmãos, neste domingo em que revivemos o milagre no qual Jesus ressuscita o filho da viúva de Naim, vamos fortalecer a nossa fé no Deus da vida. Pois Cristo, o vencedor da morte, nos estende a sua mão a cada dia para nos tirar da preguiça, do marasmo em que vivemos a nossa vidinha sem muito significado ou sem nenhum sentido, pelo fato de ignorarmos os chamados diários deste Deus que quer que vivamos em paz e que tenhamos vida em abundância. CONTINUA...


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X DOMINGO DO TEMPO COMUM 09/06/2013
1ª Leitura 1Reis 17, 17-24
Salmo29(30) “Eu vos exaltarei, Senhor, porque me livrastes”
2ª Leitura Gálatas 1, 11-19
Evangelho Lucas 7, 11-17

                                   O SENHOR DA VIDA” Diac. José da Cruz

Jesus não ressuscitou muita gente naquele tempo, os evangelhos mencionam apenas três: Lázaro de Betania, irmão de Marta e Maria, a filhinha de Jairo, Chefe da Sinagoga, e o filho da viúva de Naim, que Lucas narra no evangelho desse domingo.
Conclui-se, portanto, que não era propósito de Jesus libertar e salvar os homens da morte biológica, pois se fosse assim, sua missão teria sido um fracasso já que ressuscitou apenas esses três e nem José, seu pai adotivo, ele teria conseguido livrar da morte. Há ainda outra questão importante a ser considerada: que vantagem teria se ressuscitar fosse apenas retornar a esta vida, com todas as suas limitações e aprendizado, suas angústias e tribulações? Por acaso não iríamos morrer novamente, como o próprio Lázaro, a filha de Jairo e o moço que Jesus ressuscita nesse evangelho? Não, não valeria a pena, com toda certeza!
Essa vida nova que Cristo nos dá, através de sua paixão, morte e ressurreição, é infinitamente melhor e superior a esta existência terrena, a ponto do apóstolo Paulo afirmar em uma de suas cartas “os sofrimentos do tempo presente nem se comparam àquilo que Deus irá nos revelar”, ou ainda “o que vemos hoje é como se fosse em um espelho, mas depois nos veremos como de fato o somos”.
A chave que decifra esse mistério da Vida e da morte está precisamente em Cristo, nele o Pai não só se revela, mas revela também quem é o homem. A graça de Deus que em Cristo recebemos nos faz criaturas novas onde o mistério é iluminado pela luz da Fé.
Essa grande e feliz Verdade chegou até nós por causa do evangelho, anunciado pelo próprio Cristo – filho de Deus feito homem, que ao trazer-nos a Boa Nova permitiu-nos conhecer a Deus, descobrindo o sentido da nossa vida na Vida de Cristo, onde todos os limites humanos foram superados, ao dar-nos acesso a Deus, rompendo para sempre a barreira do pecado.
Sem este anúncio e esta graça, a nossa esperança por uma Vida Nova, seria vã, não passaria de uma grande utopia, uma fantasia e ilusão que um belo dia chegaria ao seu final, mas o homem que vive pela fé, a comunhão com Cristo, sabe em seu coração que não caminha para o fracasso da morte e esta esperança viva é que dá a esta vida terrena um sentido novo.
Portanto, nossa Vida está em Cristo porque nele nos movemos e somos, sem ele, nossa caminhada terrena não passa de um cortejo fúnebre, onde somos como um morto vivo, caminhando para a ruína da morte biológica, para ser devorado pela terra.
A vida do homem que tomou a decisão de viver sem Deus, ignorando esta Salvação e Libertação oferecida por Jesus, é muito triste, porque ele se ilude com toda pompa que esta vida oferece, satisfazendo seus desejos egoístas, colocando toda sua esperança nas coisas que passam, e no final, descobre que foi enganado, quando percebe que caminha para a morte. Mas nunca é tarde para reverter esse quadro doloroso, pois, para quem caminha assim, como se fosse um corpo sem vida, irradiando tristeza e dor aos que o acompanham, o evangelho desse domingo anuncia algo maravilhoso: no sentido contrário, vem chegando Cristo Jesus, Senhor da Vida, aquele que movido de compaixão, como na entrada da cidade de Naim, irá dizer a viúva e aos que a seguiam no enterro de seu filho: não chores!
Hoje há tantas mães caminhando tristes, levando seus filhos para a sepultura, há tanta gente caminhando cabisbaixa, sem uma perspectiva de vida e sem esperança no coração. Não chores mais – diz o Senhor, que ao tocar no esquife, que são as misérias do homem, dirá com firmeza “Moço, eu te ordeno, levanta-te!”.
E diante de sua palavra libertadora e restauradora, o homem renasce e se torna uma nova criatura, só Cristo é a nossa vida, só ele tem a palavra de ordem, capaz de nos levantar de todos os nossos pecados que querem nos arrastar inexoravelmente para a morte. Longe de Deus e da sua Salvação oferecida por Jesus, iremos fatalmente morrer, mas com ele teremos a Vida Eterna, que extrapola os nossos limites e nos reconduz ao paraíso da plenitude, resgatando a nossa imagem e semelhança com que fomos criados por Deus.
É missão nossa como Igreja anunciar a toda criatura esta vida que vem de Jesus, mas isso só será possível se como ele, tivermos no coração essa compaixão, que nos leve a sofrer e chorar com quem sofre e chora, onde um sorriso, um abraço, uma palavra de consolo ou um gesto de caridade, sempre feito em nome de Jesus, terá a mesma força de sua palavra libertadora, capaz de levantar quem se julga morto. O cristão, como qualquer ser humano, também pranteia seus mortos, mas a diferença está naquilo que ele espera: a plenitude da Vida, reservada aos que crêem que esta vida é uma peregrinação para a casa do Pai, predestinados que fomos desde toda a eternidade.

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OLHAR DE JESUS: UM OLHAR QUE COMPADECE DIANTE DOS QUE SOFREM! - Olívia Coutinho

Dia 09 de Junho de 2013

Evangelho Lc 7,11-17

Por onde  passamos, é comum deparamos com pessoas tristes, sem esperanças, pessoas carregando pesadas cruzes, necessitadas  do nosso auxílio para  se reerguerem.  E  nós, que dizemos seguidores de Jesus,  nem sempre  as enxergamos por estarmos focados nossos interesses pessoais.
Só quando experimentamos  uma intimidade maior com Jesus, é que tudo muda em nós, que os nossos interesses pessoais, passam a ser secundários diante às necessidades do nosso  irmão.
Assim como a chuva que cai de mansinho, despertando a semente que adormece nas profundezas  da terra seca, os ensinamentos de Jesus, vão  infiltrando lentamente em nossos corações, às vezes seco, despertando-nos  para a importância da solidariedade entre irmãos!
 Quando os ensinamentos de Jesus entram em nós, passamos a ter o olhar semelhante ao Dele, a observar as necessidades dos nossos irmãos.
 É o amor a Jesus, que nos transforma de indiferentes, a atentos a necessidade  do outro! O amor à Jesus,  nos move, nos torna sensíveis,  nos aproxima do irmão que sofre.
  O  evangelho de hoje, nos mostra a sensibilidade de Jesus, diante de uma viúva que levava seu único filho para ser sepultado.
Naquela época, a mulher era totalmente dependente do marido, quando  viúva, ficava a mercê do filho mais velho, pois quem herdava os bens deixados pelo marido era o primeiro filho homem e não a esposa, era  este filho que ficava encarregado de prover o seu sustento.
Conhecedor de toda esta situação, Jesus demonstra uma grande compaixão para com àquela viúva, pois Ele sabia, que além da dor de perder o único filho, ela  teria que enfrentar pela frente, sérias dificuldades por não ter quem cuidasse dela.
Fica claro para nós, que a grande preocupação de Jesus, não era com a morte daquele jovem, afinal, para Ele, a morte não é o fim, a sua preocupação era com a situação daquela viúva dali por diante.
Jesus devolve a vida àquele jovem, não com  o objetivo de que ele  voltasse a usufruir dos prazeres da vida terrena, mas  para ele estar a serviço da vida, isto é, cuidar de sua mãe. O que nos mostra, que o sentido da nossa vida, não se resume em vivermos somente para nós, mas em vivermos uns para os outros!
O relato deste evangelho, nos desperta sobre a importância de termos um olhar sensível, um olhar semelhante  ao olhar de Jesus  que  vê a necessidade do outro e age em seu favor.
Jesus tinha  um cuidado todo especial com os pequenos, principalmente com os órfãos e as viúvas, que eram, e ainda continuam sendo discriminados por uma sociedade capitalista que só visa lucro, um mundo, onde quem não produz é descartado.
O  texto de hoje, chama a nossa atenção para a importância de sermos solidários com as pessoas que sofrem.  Como filhos do mesmo Pai temos a responsabilidade de cuidar do outro, de ser apoio nos momentos difíceis, como nas perdas de entes queridos.  Tão importante quanto a nossa presença no sepultamente daquele que se vai, é cuidar daqueles que ficam, principalmente quando se trata de órfãos e viúvas.
   O que  deve chamar mais a nossa atenção neste episódio, não é  o milagre em si, e sim, o que moveu Jesus a realizar aquele milagre, que foi a sua sensibilidade diante daquele que sofre.
Devolvendo a vida ao filho daquela viúva, Jesus devolve a ela a sua dignidade, o seu sustento, poupando-a de ser mais uma vítima dos fariseus, acostumados a explorar as viúvas apoderando-se de tudo que de direito lhe pertencia.
Assim como Jesus compadeceu da viúva de Naim, ele compadece de todos que hoje,  se sentem cansados, aflitos, enfermos , marginalizadas.
Jesus  assume a  dor de cada um de nós, ajudando-nos a carregar as  nossas cruzes.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia
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Evangelhos Dominicais Comentados

09/junho/2013 – 10o Domingo do tempo Comum

Evangelho: (Lc 7, 11-17)
Jesus foi para uma cidade chamada Naim, acompanhado dos discípulos e de uma grande multidão. Ao aproximar-se da porta da cidade, saía o enterro de um jovem, filho único de uma viúva. Uma multidão numerosa da cidade o seguia. Ao vê-la, o Senhor ficou com muita pena e lhe disse: “Não chores”. E, aproximando-se, tocou o caixão; os que o carregavam, pararam; e Jesus disse: “Moço, eu te ordeno, levanta-te”. O morto sentou-se e começou a falar, e Jesus o entregou à mãe. O medo se apoderou de todos, e louvavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta surgiu entre nós”, Deus visitou seu povo”. A notícia do fato correu por toda a Judéia e por toda a redondeza.

COMENTÁRIO

Quem já não ouviu falar do episódio da viúva de Naim? No Evangelho de hoje nos deparamos com essa mãe angustiada. Uma viúva que por infelicidade perdeu seu único filho e que por felicidade, encontrou-se com Jesus.

Conhecendo-se as mães como conhecemos, acredito que ela não estava apenas chorando. A seu modo, devia também estar rezando por seu filho. No entanto, é provável que ela pouco soubesse a respeito daquele a quem chamavam de o Profeta de Nazaré.

Observe que ela nem sequer teve tempo de implorar por seu filho. O evangelista Lucas nos diz que Jesus, ao vê-la encharcada de lágrimas, teve compaixão. Jesus tentou consolá-la dizendo: “Não chores!”

Antes mesmo que parasse de chorar, Jesus tomado pela misericórdia e para mostrar à multidão, quem Ele era e porque viera, tocou no caixão e ordenou que o jovem se levantasse. O morto sentou-se e começou a falar.

Uma coisa que nos chama a atenção é o fato de Jesus entregar o jovem à sua mãe. Coloque-se no lugar dela. Como você se sentiria recebendo de volta, seu filho que estava morto? Jesus faz exatamente isso. Devolve-lhe a sua maior riqueza, seu único filho.

Será que existe para uma mãe algo mais valioso do que um filho? Só mesmo alguém que ama, verdadeiramente, é capaz de imaginar e entender a alegria estampada no rosto daquela pobre mãe. 

Como sempre, a Palavra de Deus é bastante atual. E este Evangelho não é diferente. Quantas e quantas mães choram a morte de seus filhos nos dias de hoje. Caminham tristes e a passos lentos, como se estivessem acompanhando o funeral daqueles a quem tanto amam.

São filhos jovens, subnutridos, famintos, sem emprego, sem oportunidades, sem teto e sem cidadania. Outros, mortos para a sociedade, envolvidos com a prostituição, consumo e tráfico de drogas. Levados pelas más companhias estão prestes a perderem, também, a sua vida física.

Não sabemos o nome dessa viúva, por isso, decidi chamá-la de Mônica. Ela me faz lembrar da mãe de Santo Agostinho. Um cabeça dura, prestes a morrer para Deus, mas que, graças às orações de Santa Mônica, foi ressuscitado por Jesus. Ela também recebeu de volta sua maior preciosidade.

Lucas acentua que a notícia do fato correu por toda Judéia. A partir desse episódio, muitas outras mães devem ter recorrido a Jesus, pedindo por seus filhos. Em resumo, esse Evangelho deve fortalecer nossa certeza no poder da oração.

Se você é mãe, ou pai, não importa. Basta amar e recorrer a Jesus. A Boa Notícia de hoje é a certeza de que Deus é misericordioso. Sabe das nossas necessidades e, mesmo nos momentos mais escuros, é Luz, é Caminho e Vida. Ao seu lado, de cabeça erguida e passos firmes, alegremente caminhamos para a glória futura.

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Jesus teve compaixão daquela viúva  e disse: "Não chores." - Jailson Ferreira

         No Evangelho de hoje, Jesus está no velório de um jovem, filho único de uma mãe viúva. Jesus ficou comovido com a situação, ao ver a mãe chorando, e chegou até ela para dizer: "Não chores." Não sei se com vocês é assim, mas quando eu vejo uma pessoa chorando, e vem alguém para dizer "Não chores", aí é que a pessoa chora mais ainda...
        Quanta tristeza devia estar passando pelo coração daquela mãe... Passaria o resto dos seus dias sozinha no mundo, em uma sociedade extremamente machista...
Jesus, como Deus, tinha o poder da vida e da morte em suas mãos. Chegou até o caixão e repousou suas mãos sobre ele. As pessoas que conduziam o caixão pararam. Foi então que Jesus disse:"Jovem, eu te ordeno, levanta-te!" E o jovem se sentou e começou a falar. Então Jesus entregou-o a sua mãe.
O nosso querido padre Fábio de Melo disse em uma de suas pregações que se Deus o concedesse um único dom especial, esse seria o seu pedido: trazer de volta à vida os filhos de mães viúvas. Que dom extraordinário!
E por fim, lembre-se da mãe do próprio Jesus. Maria, que só tinha o seu Filho amado, vê-lo ser julgado, condenado injustamente, humilhado, carregar a sua própria cruz até o calvário e lá ser morto... Quanta dor... E Jesus sabia disso... É tanto que algumas de suas últimas palavras foram dirigidas a ela e a João, seu discípulo amado:"Mulher, eis aí teu filho. Filho, eis aí tua mãe."
Já que não temos esse dom de trazer de volta da morte os filhos das mães viúvas, que peçamos a Deus o dom maravilhoso de sermos bons filhos. E também o dom de sermos exemplos de bons filhos, para que muitas famílias sejam restauradas.
Que cada filho que ler essa reflexão ou o Evangelho de hoje seja reanimado por Jesus e entregue de volta a sua mãe, e possa enxugar as lágrimas dela...

Jailson Ferreira
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Para a tristeza e a depressão - Jailson Ferreira

        O Evangelho de hoje tem uma mensagem muito forte para quem está abatido, depressivo. Jesus sentiu compaixão da mãe viúva, que perdeu seu filho único, e trouxe o menino de volta à vida. Não foi uma ressurreição, foi uma reanimação. Este é um termo bem sugestivo...
        Se você passou pela fase de adolescência já teve, no mínimo, uma crise de depressão. Grande parte das mulheres, pelo menos uma vez por mês sente aquela vontade de se isolar do mundo, que só quem passa por isso é quem sabe... Quem já perdeu algo ou alguém que gostava muito... Quem nunca teve esse alguém... Quem se sente um nada, e acha que a sua presença não faz diferença no mundo... Quem já chegou até a pensar em tirar a própria vida por não ver mais sentido nessa vida... A mensagem de Jesus é para você:
"JOVEM, EU TE ORDENO, LEVANTA-TE!"
        Jesus quer lhe devolver para a sua mãe, para o seu lar, para uma vida nova! Encare esse dia de hoje como sendo o primeiro dia de uma nova fase da sua vida. Jesus não está pedindo, Ele está ORDENANDO! Qual é o pecado da sua vida? O que te prende ao que passou? Mude seu ponto de vista... Onde você vê apenas dificuldades e barreiras, passe a ver desafios, que devem ser encarados como oportunidades de crescer.
        E para quem convive com pessoas que estão assim, em depressão, eu tenho uma pequena história pra contar... Certa vez, tive uma aluna que estava muito triste pela morte da avó, e segundo ela, isso estava atrapalhando sua concentração nos estudos... Eu senti compaixão, e meu primeiro pensamento foi o de aliviar a carga da disciplina para ela... mas aí eu perguntei há quanto tempo a avó dela havia morrido, e ela disse que já fazia mais de um mês. Então eu vi que a minha atitude deveria ser completamente diferente... É normal que haja um tempo de adaptação e recolhimento após a perda de alguém importante... Mas ela estava precisando mais do incentivo e do apoio (de uma mão com a palma para cima), do que da mão na cabeça... Às vezes é difícil sair de um buraco sozinho... e saber que você está lá, dando suporte, que vai saber ouvir e aconselhar, é tudo o que essa pessoa precisa... Detalhe: ninguém pediu a Jesus que Ele reanimasse o jovem, a iniciativa foi dEle. Quem está em depressão não costuma pedir ajuda, espera que a ajuda apareça...
Jailson Ferreira

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“Deus veio salvar o seu povo” – Claudinei M. Oliveira



Evangelho –  Lc 7,11-17

            No Evangelho de hoje Jesus tem compaixão de uma viúva pela perca de seu filho amado. Jesus sente a dor de uma mãe que chora a morte de seu filho. Não se conteve em assistir a cena do enterro na entrada da cidade de Naim, comove com a situação e ajuda a mãe sofredora.
            A multidão que seguia Jesus e seus discípulos ficaram assustados com a cena. Jesus toca a esteira onde o rapaz está envolvido e ordena a levantar-se para chegar ao aconchego dos braços da mãe. Todos que assistiram o drama ficaram pasmados! Não perderam tempo e bendizeram a Deus pela gratuidade do amor de seu filho.
            É o amor incondicional de nosso Pai para com o seu povo. Logo Deus veio através de seu Filho salvar os seus rebentos. Ele não quer ver choro, angústia, sofrimento. Deus quer ver alegria e paz entre todos.
            A figura da mulher chorando pela morte do filho representa a dor do povo que estava sendo explorado pelos dominadores. Quanto mais sofrimento e desespero, mais o soberano apaixona-se pelas barbáries. O Criador sente-se incomodado com a aflição dos cristãos, pois, isto significa contrariar sua proposta inicial. O sofrimento não foi feito pelo criador, mas pelas ações egoístas do próprio homem.
            Enquanto que o toque de Jesus na esteira onde o rapaz estava envolvido representa a libertação da morte e da dor. A libertação é o mergulho do cristão para o envolvimento com o projeto de vida de Jesus. Afinal, uma das metas do pregador de Nazaré era a vida em abundância. Se a vida é o necessário para o encontro com Deus, a morte é um atropelo para o cristão.
            Assim, a morte é a escuridão por onde o povo de Deus caminha. Cegos diante das trevas não enxergam a solidariedade, a fraternidade para elevar-se a Deus. Jesus toca a morte para os confins e apresenta a vida liberta. Agora, cada um pode encontrar-se consigo mesmo e projetar nos braços de Deus.
            A comoção da multidão continua sendo a alegria da descoberta de Deus. Sabemos que nosso Mestre comove multidão com seu jeito simples de falar e agir. Esta é a conquista que o cristão deve aprender:surpreender com novos gestos de renovação.
            Portanto, Deus vem até seu povo para indicar novas vidas cheias de plenitudes valorosas. Ainda hoje, em pleno século XXI continua a visitar seu povo. Parece que este povo prefere viver na solidão, na angústia e na morte. Assistimos cenas cada vez mais escandalosas como assassinatos entre irmãos, abandonos de filhos e idosos, desleixo do poder público com a saúde, segurança, habitação, transporte e educação. São cenas diariamente de horrores e mortes.
            Mas este Deus da vida que não aceita o choro da mãe, comove-se e sente-se compaixão, não abandona seus filhos. Ele insiste em mandar alguém nos convencer em nossa porta. Acontece que sempre encontra a porta do coração fechada.
            Lembremos sempre: Ele vem nos visitar diariamente, basta termos a sensibilidade da compreensão. Que ficamos atentos para os sinais em nossas portas e não fechamos o coração. Que assim seja, amém!

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Claudinei M. de Oliveira

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Evangelho Lc 7,11-17

Em todos os lugares por onde  passamos, deparamos com pessoas carregando pesadas cruzes, são nossos irmãos marginalizados, esquecidos às margens do caminho, necessitadas do nosso auxílio.  Mas nós, nem sempre o enxergamos, por estarmos focados somente nos nossos interesses pessoais.   
Só quando experimentamos  uma intimidade maior com Jesus, que tudo muda em nós, ficamos  parecidos com Ele, os nossos interesses pessoais, passam a ser secundários diante às necessidades do irmão que sofre. De apreciadores das  palavras de Jesus, passamos a ser anunciadores desta fonte de vida, com a nossa própria vivencia!
 Assim como a chuva que cai de mansinho, despertando a semente que adormece nas profundezas  da terra, a palavra de Deus, vai infiltrando lentamente em nós,  despertando-nos  para a importância de vivermos no amor!
É o amor que nos move, que nos torna sensíveis, que nos aproxima de Jesus, na pessoa do irmão que sofre.
  O  evangelho de hoje, nos mostra a sensibilidade de Jesus, diante de uma viúva que levava seu único filho para ser sepultado!
Naquela época, a mulher era totalmente dependente do marido, quando ficava viúva, ficava a mercê do filho mais velho, pois quem herdava os bens deixados, era o primeiro filho homem e não a esposa, este filho, ficava encarregado de prover o seu sustento. Conhecedor de toda esta situação, Jesus demonstrou grande compaixão daquela viúva, que além da dor de perder o filho amado, teria que enfrentar pela frente, sérias dificuldades, por não ter quem cuidasse dela.
Fica claro para nós, que a grande preocupação de Jesus, não era com a morte daquele jovem e sim, com a situação daquela viúva dali por diante.
Jesus devolve a vida aquele jovem, não com o objetivo dele voltar a usufruir da vida, mas para estar a serviço vida, cuidando de sua mãe!  Isso nos mostra, que o sentido da nossa vida, não se resume em vivermos somente para nós, mas em vivermos uns para os outros!
O relato deste evangelho, nos desperta sobre a importância de termos um olhar sensível, semelhante que se compadecia diante do sofrimento do outro.
Jesus tinha  um cuidado todo especial com os pequenos, principalmente com os órfãos e as viúvas, que até nos tempos de hoje, continuam sendo  discriminados por uma sociedade capitalista, que só visa lucro.
Jesus nos deixa um grande ensinamento: Mais importante do que lamentar a morte de alguém,  é cuidar daqueles que ficaram principalmente em se tratando de órfãos e viúvas.
   O que nos chama mais atenção neste episódio, não é  o milagre realizado por Jesus e sim a sua sensibilidade diante daquele que sofre.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia
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Evangelho: Lc 7, 11-17

            Começamos nossa reflexão  na ação da bondade do Senhor que ressuscitou o moço e o entregou para sua mãe. Jesus sentiu pena da mãe que chorava a morte do filho, sendo uma viúva, dependia do serviço do menino para continuar levando a vida, mas a morte levou sua esperança e seu afeto. Contudo, o Mestre resgata a felicidade e o encanto da vida  no seio da família para o recomeço de um novo tempo.
            Para Deus nada é impossível, com a vontade e o querer de mudar algo que não está dando certo, pode ser feito a partir do discernimento correto. A morte simboliza a passagem de uma vida para outra, mas também pode simbolizar a mudança de uma vida ofuscada por uma  vida de Luz. Neste caso, Jesus mostrou para os acompanhantes do funeral e para a viúva que já estava na hora de mudar de vida.  Pois continuar com uma vida sem a presença de Deus e sem a vivacidade do Espírito santificador não corresponderia com o projeto humanizado de Jesus.
            Ao ressuscitar o moço Jesus propagava novos rumos para horizontes que levem a serenidade da vida. Lugar de apreço que abraça a fraternidade igualitária. Porém, o choro da mãe representa o sofrimento da perca e por estar numa realidade desajustada onde o valor da pessoa esta na posse e não no sentimento do amor e da fé.
            Perder o rapaz para a mãe era como perder uma jóia, algo inimaginável, portanto, seu retorno significou  a esperança de reconstruir toda uma realidade que não fazia sentido. Veja que muitas pessoas acompanhavam o funeral  ficaram assustados em ver o moço levantar do caixão. Sem dúvida, não era para menos, mas o susto foi da alegria em poder  ver algo aos seus olhos que jamais pensaram em vê-los um dia.
            Quantas vidas o homem não podem recomeçar! Quantas alegrias o homem furtam-se por não acreditar na força poderosa do Deus Onipresente e Onipotente! Quantas maneiras de recomeçar não existem para dar sentido à vida! Agora, só falta à vontade e o querer em agir para fazer acontecer o novo de verdade.
            Diante das dificuldades o homem desanima e não se apossa do jeito corajoso de Jesus para dar a volta por cima. A mãe do moço chorava, mas viu  esperança em Jesus que ressuscitou seu filho. Ela não deixou de acreditar, mas fez a coisa certa: entregou nas mãos de Deus sua vontade de viver e de buscar algo bom para sua família. Assim, também aqueles que presenciaram  o retorno da vida disseram: “Que grande profeta apareceu entre nós! Deus veio salvar o seu povo”!  Todos louvaram o Senhor com humildade.
            Serve de lição para todos que crêem na palavra Santa do Evangelho de que precisa urgentemente reconstruir a vida para não perecer na miséria e no descaso, mas abraçar  o Cristo Ressuscitado e encontrar N’ele força para lutar com vigor.
            Portanto, o moço ressuscitou para sua mãe nas mãos de Jesus. Este gesto amável de Jesus perpassa a maldade mundana em querer para si a vida e projeta na coletividade. Seja um cristão autêntico que acredita no poder da oração e busca a retidão no caminho da paz. Amém!
            Claudinei M. Oliveira

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DOMINGO- 09/06

Lc 7,11-17

Professor Isaías da Costa

LEVANTA-TE!

ENTENDENDO O EVANGELHO

Naim era uma cidade que ficava a sete quilômetros do Monte Tabor e possuía uma única porta tanto para a entrada quanto para a saída. No evangelho ha uma narração de um enterro em Naim. Normalmente os enterros eram feitos ao cair da tarde. E o enterro aqui citado era referente a um jovem , filho único de uma viúva.
Quando Jesus observa o sofrimento desta viúva vai ao seu encontro e a consola, pois o coração do mestre transborda de compaixão e misericórdia. Então, Jesus ordena ao jovem que se levante. Assim sendo, o jovem ouvindo a voz de Jesus, se levanta. Ao ver isso a multidão fica intrigada. Sem dúvida muitas pessoas se questionaram da realidade do que viram. Muitos não conseguiram conter em seus corações o que viram. Por isso, foram contar a outras pessoas. Com certeza alguns distorceram os fatos para enaltecer Jesus ou para desfigurar sua pessoa. Esta ressurreição, assim como a de Lázaro, foram temporárias tempo depois eles voltaram a morrer.

VIVENDO O EVANGELHO

Você está vivo? Deve estar pensando que sim, uma vez que está lendo esta reflexão. Porém, não basta estar vivo apenas com o corpo. Nosso espírito deve estar vivo com todo o nosso ser. Jesus vem chamar você a vida. Às vezes pela rotina do mundo nos esquecemos de Deus e pouco a pouco nosso espírito vai se decompondo.
Todavia, pensamos que ninguém está preocupado conosco. Porém, isso é irreal, uma vez que, existem pessoas que estão ao seu redor, pois querem te ver bem. Querem que você volte a vida.
Porém, se você está vivo é necessário fazer com que outras pessoas possam voltar a viver. Diga a eles “... eu te ordeno, levanta-te” e ele levantará. Isso não é coisa de outro mundo, não é algo impossível que você não consiga fazer e viver. Tudo está ao seu alcance, basta se levantar.
Você pode, você consegue.
SEJA SIMPLESMENTE FELIZ.
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Deus se dá a conhecer como aquele que caminha com seu povo e o liberta de toda opressão. Demonstra sua ternura e misericórdia especialmente às pessoas que se encontram em situação de sofrimento. Escolhe e envia os profetas que, inseridos no lugar social dos excluídos, abrem caminhos novos, suscitando-lhes esperança e vida. O profeta é o portador da palavra de Deus, capaz de transformar radicalmente a realidade pessoal e social (1ª leitura). Deus envia o seu próprio Filho, que, junto às pessoas marginalizadas e exauridas, lhes devolve a vida e a garantia de um futuro feliz. Sua prática revela o caminho alternativo para uma sociedade justa (evangelho). Jesus escolhe e envia discípulos missionários, como Paulo, para anunciar a palavra que liberta e salva a todos os povos. É a proposta de vida plena, revelada por Jesus (2ª leitura). Os discípulos e discípulas de Jesus, hoje, estão convidados a acolher a palavra de Deus como boa notícia e torná-la boa realidade por meio de gestos concretos de compaixão e solidariedade.
1º leitura (1Rs. 17,17-24): A profecia vence a morte
A missão profética de Elias revela-se como fundamento de todo o movimento profético ao longo da Bíblia. Ele é considerado o pai dos profetas. Sua prática serve, ademais, de inspiração para a prática libertadora de Jesus.
A atuação do profeta Elias se dá no Reino do Norte, durante o reinado de Acab e de Ocozias, entre os anos de 874 e 852 a.C. Elias demonstra profundo zelo pela vontade de Iahweh, de quem se põe totalmente a serviço, conforme ele mesmo declara no início de sua missão: “Pela vida de Iahweh, a quem sirvo...” (1Rs. 17,1). Faz jus, assim, ao significado de seu nome: “Meu Deus é Iahweh”.
Suas ações, de forma predominante, são desdobramento do compromisso com a solução dos problemas que afetam o cotidiano das pessoas necessitadas. A necessidade é o critério-chave que faz o profeta aproximar-se e pôr-se a serviço de quem precisa de ajuda. Essas pessoas são vítimas de um sistema monárquico que produz alto índice de exclusão social. O desenvolvimento econômico se dá com a exploração do povo. O fortalecimento político do Estado privilegia um grupo que concentra poder e dinheiro. A expropriação dos bens (cf. 1Rs. 21) e o abuso da mão de obra dos pequenos causam empobrecimento, miséria, fome e morte.
A viúva de Sarepta e seu filho sintetizam a situação da maioria do povo, cujo futuro permanece fechado. As viúvas, os órfãos e os estrangeiros (Sarepta não faz parte do território de Israel) representam, na Bíblia, as categorias de necessitados. Deus não os quer abandonados nem quer a morte de ninguém. Elias põe-se a serviço de Deus, acolhe o clamor das pessoas que sofrem, vai ao seu encontro para defender e promover o direito à vida digna.
O profeta se hospeda na casa da viúva pobre e estrangeira: a profecia é acolhida pelas pessoas empobrecidas e elas se tornam o lugar teológico-social onde são gestados novos caminhos. Essa gente marginalizada é capaz de solidariedade e partilha. A proximidade com as pessoas sofredoras, o anúncio da palavra que liberta, a oração confiante ao Deus da vida, a insistência em passar a energia profética ao que já se encontra em situação de morte são atitudes que revelam o método de restauração, transformação e ressurreição. Na verdade, a profecia é a manifestação da presença e da misericórdia de Deus, que age por meio do amor afetivo e efetivo. É boa notícia para os pobres. É o projeto de Deus sendo acolhido a partir da casa. Constitui-se em fidelidade à aliança sagrada. Os protagonistas são as próprias pessoas excluídas do sistema oficial. Nelas reside a força e a criatividade divinas, capazes de mudanças radicais. A palavra profética infunde nelas essa consciência.
Evangelho (Lc. 7,11-17): Jesus liberta das garras da morte
O relato do episódio da ressurreição do filho da viúva de Naim encontra-se somente no Evangelho de Lucas. Tem estreita ligação com o episódio de Elias: ambos tratam da morte do filho único, cuja mãe é viúva. Os filhos únicos representam a garantia de futuro para as famílias. A situação de morte não pode deixar acomodadas as pessoas que servem a Deus.
Nos evangelhos, os sinais de cura e libertação, em sua maior parte, são realizados por Jesus em atendimento à súplica dos necessitados. No caso da viúva de Naim, porém, é Jesus mesmo que toma a iniciativa de ir ao seu encontro. “Seus discípulos e numerosa multidão caminhavam com ele.”
Naim é uma cidade amuralhada. Do seu interior para a porta vem uma procissão, acompanhando o enterro do filho único de uma viúva. “Grande multidão da cidade estava com ela.” Duas procissões em sentido contrário. Encontram-se na “porta da cidade”. Jesus vê a situação em que se encontra aquela mãe e fica comovido, isto é, “ele é movido em suas entranhas”, conforme o verbo grego (splanchnizomai). É o mesmo sentimento de amor e compaixão que leva o samaritano a socorrer a pessoa espancada e abandonada à beira do caminho (10,33); é também o mesmo sentimento que leva o pai do filho pródigo a ir correndo ao seu encontro, acolhê-lo nos braços e beijá-lo (15,20).
Jesus, movido pela compaixão, dirige-se à mulher com palavras de consolação e esperança: “Não chores”. Não são palavras de meras condolências. Ele se aproxima, toca no esquife e pede que o jovem se levante. Percebe-se, aqui também, como na narrativa de Elias, alguns verbos-chave reveladores da metodologia que proporciona a transformação de uma realidade de morte.
As pessoas que testemunham o fato glorificam a Deus, reconhecem Jesus como profeta e exclamam: “Deus visitou o seu povo”. É o eco do cântico de Zacarias, que bendiz a Deus “porque visitou e redimiu o seu povo e suscitou-nos uma força de salvação” (1,68s). Não é por acaso que Lucas situa o féretro vindo da cidade, lugar onde o poder se articula e se organiza. É como um seio que, ao invés de gerar a vida, provoca a morte. Jesus, força de salvação, vem com outro projeto que faz parar essa procissão de gente sem vitalidade. Junto com a vida, também restitui ao jovem a palavra. O povo, assim, é chamado a resgatar o direito à palavra e à vida e tornar-se protagonista de uma nova sociedade.
2º leitura (Gl. 1,11-19) - A graça da conversão
Na carta aos Gálatas, Paulo aprofunda, especialmente, o evangelho da liberdade: “Foi para sermos livres que Cristo nos libertou” (Gl. 5,1). A primeira dimensão dessa liberdade se verifica na própria pessoa. Neste sentido, Paulo dá o seu próprio testemunho. Quando arraigado no judaísmo, era ferrenho perseguidor das comunidades cristãs com o intuito de destruí-las. Como judeu, seguia zelosamente as tradições de Israel. Conhecia muito bem as leis e se esforçava por praticá-las, pois aprendera que a salvação de Deus seria concedida por meio da observância legalista.
Com a conversão, porém, muda radicalmente a sua visão teológica. Adquire a consciência de que Deus o escolheu desde o seio materno e o chamou por sua graça. Em seu itinerário pessoal, sempre com maior clareza e profundidade, percebe que a salvação oferecida por Deus se fundamenta na total gratuidade. A sua experiência pessoal o comprova: ele foi agraciado por Deus quando ainda era pecador e confiava nas seguranças humanas. Com essa nova compreensão, Paulo se desvencilha de seu apego à raça de Israel e lança-se ao anúncio do evangelho da salvação a todos os povos. Encontra, nessa missão, forte oposição, especialmente da parte de alguns pregadores judeu-cristãos. É o que se depreende ao ler o texto imediatamente anterior ao da liturgia de hoje (cf. Gl. 1,6-10).
Esses pregadores, também conhecidos como “judaizantes”, procuravam convencer os gentio-cristãos a aderir a certas normas judaicas, especialmente à circuncisão. Certamente diziam que o evangelho pregado por Paulo não era verdadeiro. Vários cristãos deixam-se influenciar por tais pregadores. Paulo põe-se veementemente contra a doutrina desses missionários e alerta as comunidades da Galácia para não se deixarem enganar (cf. Gl. 1,6-10).
Ao enfatizar o seu próprio testemunho de conversão, Paulo quer reafirmar a ação da graça de Deus, revelada em Jesus Cristo. A salvação por ele trazida estende-se a todos os povos sem discriminação. Este é o evangelho da liberdade a que todos podem ter acesso pela fé. É dom de Deus!
Pistas para reflexão
Deus, desde a criação do mundo, estabeleceu um plano de amor e salvação para toda a humanidade. Firmou uma aliança com o seu povo, protegendo-o e amando-o com fidelidade. O egoísmo humano, porém, quebra a aliança sagrada e organiza sistemas que excluem e matam. Deus, no entanto, não abandona o seu povo. Chama pessoas, como o profeta Elias, capazes de ouvir o grito dos necessitados e comprometer-se com sua libertação. Deus envia o seu próprio Filho, Jesus, que assume o programa de anunciar a boa notícia aos pobres, proclamar a liberdade aos presos, recuperar a vista aos cegos e libertar as pessoas oprimidas (cf. Lc. 4,18s). Tanto o profeta Elias como Jesus de Nazaré revelam o caminho que deve ser seguido por todas as pessoas que amam a Deus.
O desafio de uma sociedade justa e fraterna permanece atual. Os discípulos missionários do Senhor não podem acomodar-se. O testemunho de Paulo nos alerta para a necessidade do desapego das seguranças baseadas no poder, normalmente legitimado por sistemas religiosos. A liberdade em Cristo nos leva a acolher a graça da salvação que ele nos trouxe e, por isso mesmo, a amar gratuitamente os irmãos. “O povo pobre das periferias urbanas ou do campo necessitam sentir a proximidade da Igreja, seja no socorro de suas necessidades mais urgentes, como também na defesa de seus direitos e na promoção comum de uma sociedade fundamentada na justiça e na paz. Os pobres são os destinatários privilegiados do evangelho” (DAp 550).
Pode-se fazer a memória dos profetas e profetisas de nossos tempos...
Pode-se também levantar as situações de morte que nos desafiam hoje e valorizar as diversas ações que estão sendo desenvolvidas em favor da vida, estimulando a participação e a criatividade para novas iniciativas...
Celso Loraschi
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Um homem todo possuído pelo Evangelho
Em nossos tempos muito ouvimos falar de evangelho, evangelização, nova evangelização. Há como que uma convicção de que precisamos retomar as coisas desde o inicio. E no início respirava-se o vigor do Evangelho. Os apóstolos pregavam na força  do Evangelho. Sentimos que não podemos dar nossa colaboração a uma pastoral marcada por uma mentalidade meramente conservadora e fria. Queremos agir no frescor do Evangelho. Há uma urgência:  voltar ao vigor e à seiva do Evangelho. Parece que a figura de Francisco de Assis, o homem “catholicus et totus evangelicus” vai ganhando destaque nesse tempo de volta ao frescor e à força do Evangelho. Sim, evangelho que não é texto impresso, mas uma pessoa viva que se chama  Jesus  Cristo, morto e ressuscitado.   Quando o Papa Francisco  fala de pobres e de Francisco de Assis, leia-se e entenda-se retorno ao evangelho.
Ora, no trecho da Carta aos Gálatas proclamado hoje encontramos  um homem  todo possuído pelo evangelho: Paulo de Tarso. Tudo leva a crer que os gálatas lhe faziam dificuldade. “O evangelho que prego não é  obra humana, não se baseia nem se apoia em critérios humanos,  não o  recebi de homem algum, mas por revelação de Jesus  Cristo.   Vocês certamente estão a par de minha conduta anterior… Fui um devastador da Igreja. Não podia aceitar que alguns  de minha gente fizessem de Jesus um deus a ser adorado. Afinal de contas, para mim, havia somente o Deus único  de Abraão, Isaque e Jacó.  Sempre me mostrei zeloso pelas tradições de meus antepassados”
E Paulo passa a falar de sua transformação interior e exterior. “Houve um acontecimento único e inesperado em minha vida. Aconteceu um chamamento todo especial. Desde o ventre materno fui separado.  O Senhor dignou-se revelar-me seu Filho para que eu o pregasse aos pagãos. Compreendi claramente que eu estava possuído pelo Filho de Deus que eu andava perseguindo nos seus discípulos.  E obedeci imediatamente ao chamado. Não subi logo para Jerusalém para  estar com os apóstolos. Tive a certeza que precisava começar imediatamente minha missão. Parti para a Arábia e voltei a Damasco”.
Paulo não anuncia “outro” evangelho. Foi ter com Cefas mais tarde.  Ficou com ele quinze dias. Não esteve com nenhum outro apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor.
Uma boa nova dirigida aos gentios, aos de longe, um evangelista das nações. Hoje precisamos nos preparar para saber dizer a Boa Nova a todos os que não são dos nossos, os que  adotam caminhos de espiritualidades diferentes dos nossos.  Precisamos criar o novo, acolher as diferenças e no meio das diferenças dizer Jesus Cristo vivo, ressuscitado e que deu a vida por todos, sem acepção de pessoas. Os novos evangelizadores são pessoas de grande intimidade com o Senhor, desejosos de estar próximos das pessoas na dinâmica do diálogo e de uma profunda bondade.
frei Almir Ribeiro Guimarães
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A confiança da viúva e a ressurreição de seu filho
No tempo de Jesus, Israel esperava a volta do profeta por excelência, para preparar a “visita” de Deus. Havia certa dúvida se o profeta seria Moisés (Dt. 18,16, interpretado no sentido de um novo Moisés) ou Elias (Ml. 3,23-24). Mas, quando Jesus ressuscita o filho de uma viúva (evangelho), não hesitam em reconhecer nele o novo Elias: “Um grande profeta levantou-se entre nós!
Deus visitou seu povo!” Jesus é sinal da presença de Deus, com sua graça e misericórdia. Ele se “comiserou” (Lc. 7,13), como o povo esperava de Deus, no seu Dia. No quadro do evangelho de Lc. esta narração tem ainda outra função: logo depois segue o episódio do Batista, que pergunta se Jesus é aquele que deve vir (o profeta escatológico). E a resposta de Jesus é: “Olha só o que está acontecendo: todas as categorias mencionadas nas profecias messiânicas (especialmente em Is. 35,5-6) encontram cura, e até mortos são ressuscitados (Lc. 7,11-17); e aos pobres é anunciada a Boa Nova (programa de Jesus, cf. Lc. 4,16-19 e Is. 61,1); será que existe ainda dúvida?”
A 1ª  leitura é narrada para ilustrar como em Jesus se realiza a esperança do novo Elias (tema especialmente caro a Lucas). É uma tipologia: Elias é o “primeiro esboço” (tipo) que é levado à perfeição em Cristo (antítipo). Por trás destas tipologias, frequentes na antiga teologia cristã, está a fé na continuidade da obra de Deus: o que ele tinha iniciado em Israel, levou-o a termo em Jesus Cristo. Que Jesus supera Elias aparece nos detalhes da narração: ele não é apenas “homem de Deus”, mas “o Senhor”; não precisa fazer todos os “trabalhos” que Elias fez para reanimar a criança…
Tanto a 1ª leitura como o evangelho revelam grande valorização da vida. Deus quer conservar seus filhos em vida. Isso está em violento contraste com a leviandade e até o desprezo que a vida humana enfrente em nossa sociedade. Deus se comisera para fazer reviver uma criança, enquanto nossa sociedade as mata ainda no útero. Será que poderemos novamente falar de uma visita de Deus, quando restaurarmos o sentido do valor da vida, não só no caso do aborto, mas também das guerras, repressão, torturas, poluição do ambiente, dos alimentos, do trânsito assassino, e, sobretudo, da fome? O salmo responsorial destaca também o valor da vida, que Deus dá.
A 2ª leitura continua a leitura de Gálatas, iniciada no domingo passado. Para refutar as teorias dos “judaizantes”, não basta que Paulo recorra ao fato de pregar Jesus Cristo, pois também eles o pregam, ainda que com outras intenções. Então, para provar que seu “evangelho” é o verdadeiro, Paulo mostra a sua origem. Não foi ele mesmo, nem outro ser humano, que o inventou (1,11.16.19). Paulo faz questão de dizer que não foi instruído por homem algum. Quem fez de Paulo seu mensageiro foi Cristo mesmo, que o “fez cair do cavalo”; a transformação operada em Paulo, tomando o antigo rabino, fariseu e perseguidor, um apóstolo de Cristo, não é obra humana. E também seu evangelho não é obra humana. Por isso, este resumo de sua história pessoal é história da salvação …
A oração do dia e a oração final sublinham a iniciativa e transformação que Deus assume em nossa vida. Num mundo do “ter e vencer” é bom lembrar esta realidade fundamental, não para levar ao fatalismo, mas à responsabilidade pelo plano de Deus, que é: que o homem viva, em todos os sentidos.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Ressurreição do filho da viúva de Naim
Na época de Jesus, as mulheres eram sempre dependentes, primeiramente de seu pai e depois do marido. E quando uma mulher ficava viúva, todos os bens do marido eram herdados pelo filho mais velho, e ela passava a ser dependente deste filho. As viúvas eram uma parte desprotegida da sociedade e estavam expostas à ganância dos poderosos que, principalmente com a morte de um filho único, seus bens corriam o risco de passar para as mãos de juízes gananciosos.
No evangelho de hoje encontramos uma viúva levando para a sepultura o seu único filho, aliando o sofrimento da perda ao do desamparo.
Jesus sempre se mostrou sensível ao sofrimento humano, tendo compaixão dos que sofrem, demonstrando assim sua natureza humana e, ao contrário do que normalmente acontece, Ele não espera que a viúva ou outra pessoa interceda pela vida do jovem. Quando Ele se depara com tamanho sofrimento, se compadece e compartilha de seus sentimentos, o que O leva a trazer o jovem de volta à vida, mostrando agora Sua grande natureza divina. Jesus não invoca a Deus por várias vezes como Elias e os outros profetas para realizar o milagre, Ele apenas ordena que o jovem se levante: “Moço, eu ordeno a você: Levante-se!”.
A compaixão é feita de palavras e gesto, pois quem tocava num morto naquela cultura era contaminado pela impureza, mas Jesus quebra o tabu e cria as suas próprias leis, e o povo reage com medo diante do extraordinário e maravilhoso.
O povo de Deus esperava pela volta de um profeta e alguns achavam que seria Elias, outros que seria Moisés. Quando Jesus ressuscita o filho da viúva, a multidão que o acompanhava vê Nele o novo profeta que traz toda a graça e a misericórdia de Deus.
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A vida restaurada
A ressurreição do filho único da viúva de Naim revela Jesus como o Messias, prenunciado pelos profetas, restaurador da vida fragilizada pelo pecado. Esta será uma chave de leitura importante de seu ministério.
O profeta Elias havia ressuscitado o filho de uma pobre viúva, que lhe havia dado de comer, num tempo de seca e de carestia. A expectativa da volta desse profeta, no fim dos tempos, levava muitos a nutrir a esperança de que ele realizaria a mesma sorte de milagres. No apocalipse de Isaías, os habitantes do pó - os mortos - são convocados para despertar e se alegrar, já que, pela força de Deus, os defuntos reviverão e os cadáveres ressurgirão. Estes e outros textos do Antigo Testamento levavam os judeus a esperar uma era messiânica, na qual haveria uma ressurreição geral de todos os justos de Israel.
O milagre evangélico projeta-se neste pano de fundo. Em Jesus, as esperanças messiânicas atingem seu pleno cumprimento. Ele é o Messias esperado. Mas, seu modo de ser superava em muito os esquemas messiânicos acalentados pela piedade popular. Tinham razão as testemunhas do milagre, quando proclamaram: "um grande profeta surgiu entre nós, e Deus visitou seu povo!" Entre eles, porém, estava o Filho querido do Pai, com a missão de oferecer vida nova à humanidade. O rapaz ressuscitado tornava-se um símbolo desta realidade.
padre Jaldemir Vitório
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O Senhor encheu-se de compaixão
O relato do evangelho é próprio a Lucas. Inspira-se em 1Rs. 17,8-24, no episódio do filho de uma viúva, em Sarepta.
Jesus vai para Naim, pequeno vilarejo entre Cafarnaum e a Samaria. É acompanhado de seus discípulos e grande multidão (v. 11). Às portas da cidade, Jesus e seus discípulos se encontram com outro grupo: “... levavam um morto para enterrar, um filho único, cuja mãe era viúva. Uma grande multidão da cidade a acompanhava” (v. 12). O paralelo é evidente: os dois grupos caminham em direções opostas; o primeiro segue um homem poderoso em gestos e palavras, o segundo grupo, um morto. Até este ponto a descrição da cena e dos personagens é puramente objetiva. De repente somos surpreendidos por uma focalização interna, a menção da compaixão de Jesus: “Ao vê-la, o Senhor encheu-se de compaixão por ela e disse: ‘Não chores!’” (v. 13). A iniciativa de Jesus é provocada pela sua compaixão. A palavra de Jesus permite entrar no coração das pessoas. É por Jesus que somos informados do sofrimento da mulher: “Não chores” (v. 13), e da idade do morto: um “jovem” (v. 14). Não é da morte que Jesus tem compaixão, nem do morto, mas da pessoa que sofre. O acento de todo o episódio é posto em Jesus, sobre sua compaixão e sua palavra poderosa. Nomeando Jesus como senhor no versículo 13, o narrador nos informa que se trata do Senhor da vida que se dirige à viúva.
Nesta passagem não é a morte nem o morto que importam, nem mesmo o retorno à vida, mas que uma mãe já viúva tenha perdido o seu filho único. O retorno à vida não é o objetivo da iniciativa de Jesus, mas a consolação da mãe que chora. A ação de Jesus termina com uma observação: “E Jesus o entregou à sua mãe” (v. 15b). O texto apresenta uma transformação que se dá não somente pelo retorno de um jovem à vida, mas das duas multidões que, primeiramente separadas, são reunidas, num segundo momento, no louvor a Deus. A passagem de Jesus por Naim possibilita um duplo reconhecimento, a saber: da identidade de Jesus (profeta) e da visita salvífica de Deus (cf. v. 16).
Lucas situou o episódio do filho da viúva de Naim antes do da mulher pecadora (7,36-50). A razão: ele quer ir da morte física à espiritual, da ressurreição física à espiritual. Procedimento semelhante ele utilizará com relação aos dois tipos de cegueira (18,35-43; 19,1-10).
Carlos Alberto Contieri,sj
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A dimensão profética percorre a liturgia da Palavra deste domingo, em Elias, o profeta da esperança e da vida, em Paulo, o profeta do Evangelho recebido de Deus, e, particularmente, em Jesus, o grande profeta que visita o seu povo em atitude de total oblação.
A primeira leitura apresenta-nos a figura da mulher de Sarepta, que significa a perda da esperança e o sentimento de derrota e de procura de um culpado, e a figura do profeta Elias, que acredita no Deus da vida, que não abandona o homem ao poder da morte, ressuscitando o filho da viúva.
No Evangelho, temos a revelação de Deus expressa na atitude de piedade e compaixão de Jesus no milagre da ressurreição do filho da viúva. Deus visita o seu povo em Jesus, “um grande profeta”, realizando o reino pela ressurreição, oferecendo a sua vida e dando-lhe pleno sentido.
Na segunda leitura, acolhemos a absoluta gratuidade da conversão de Paulo, para quem o Evangelho é uma força vital e criadora, que produz o que anuncia; a sua força é Deus. É uma força vital, uma dinâmica profética que ele recebeu diretamente de Deus.
1º leitura: 1 Reis 17,17-24 - COMENTÁRIO
O episódio de hoje, a ressurreição do filho da viúva de Sarepta, é um dos milagres atribuídos a Elias e enquadra-se na polemica contra a religião cananeia do deus Baal.
Este era considerado o senhor e o esposo da terra e simbolizava a fertilidade dos campos, dos animais, das famílias. Enfim, era o deus da fecundidade e da vida.
Portanto, em Canaan, celebrava-se todos os anos a festa da morte e da ressurreição da natureza na figura de Baal.
O milagre de Elias, como outros a eles atribuídos, significa fundamentalmente que Yahveh é a única fonte da vida e da fertilidade. A vida vem de Deus. Toda a vida e ação de Elias apontam nesse sentido; o próprio nome Elias significa “Yahveh é o meu Deus”. Portanto, todos os elementos da mensagem devem ser vistos à luz desta centralidade. Todo o relato, que pode denotar referências mágicas na relação entre pecado e doença, baseia-se na oração de Elias, que deixa clara a sua fé num Deus pessoal, senhor e fonte de vida.
A viúva de Sarepta, uma mulher estrangeira, confessa a fé em Elias como “homem de Deus”, “porta-voz de Deus”: “Agora vejo que és um homem de Deus e que se encontra verdadeiramente nos teus lábios a palavra do Senhor”. Naamã confessará uma fé semelhante, depois de ser curado e se ter lavado no Jordão por indicação de Eliseu (cf. 2 Re. 5,15). Jesus fará referência à viúva de Sarepta e ao sírio Naamã como representante dos gentios que entram n Igreja, após receber o Evangelho (cf. Lc. 4,25 27).
A figura da mulher significa a perda da esperança e o sentimento de derrota e de procurar um culpado. O profeta Elias é a figura que acredita no Deus da vida, que não abandona o homem ao poder da morte.
Como pensamos e agimos hoje, nós que somos cristãos? Não ficamos muitas vezes no paganismo, na falta de esperança, no derrotismo das desgraças que nos atingem? Quando é que, verdadeiramente, agimos como se Deus fosse verdadeiramente o único Deus da vida e da bondade? Quanto caminho a fazer para sermos profetas à maneira de Elias…
2º leitura: Gl. 1,11-19 - COMENTÁRIO
O texto de hoje enquadra-se na acentuação muito forte da absoluta gratuidade da conversão de Paulo. A essa luz Paulo prega um Evangelho que não é de origem humana. Poder-se-ia pensar que este Evangelho tem um conteúdo da catequese sobre os fatos e os ditos de Jesus. Ora, Paulo, quando perseguia ferozmente os cristãos, conhecia bem o conteúdo da sua doutrina. Para Paulo, o Evangelho é uma força vital e criadora, que produz o que anuncia; a sua força é Deus. É uma força vital, uma dinâmica profética que Paulo recebeu diretamente de Deus.
Para Paulo, a sua conversão é obra exclusiva de Deus. Temos aqui um equilíbrio dinâmico entre a gratuidade da fé e a adesão à tradição e magistério eclesiástico.
Somos convidados a estarmos sempre abertos à revelação de Deus, à autêntica conversão, ao acolhimento do Evangelho vivo de Deus.
Evangelho: Lc. 7,11-17 - COMENTÁRIO
Temos aqui o episódio da ressurreição do filho de uma viúva, em paralelismo com o da primeira leitura. O milagre relatado neste texto, assim como o dos versículos anteriores, respondem à pergunta de João de Baptista a Jesus: “és Tu que hás-de vir ou devemos esperar outro?” Jesus oferece a salvação (cf. Lc. 7,1-10) e mostra o verdadeiro triunfo da vida (cf. Lc. 7,11-17). Não é o relato em si que é o mais importante, mas o sentido que nos transmite.
Antes de mais, temos aqui uma revelação de Deus. Diante da atitude de piedade e compaixão de Jesus, neste milagre de ressurreição, vemos a exclamação do povo:
“Deus visitou o seu povo”. Jesus é “um grande profeta”, não apenas porque transmite a Palavra de Deus e anuncia o reino com palavras, mas sobretudo porque veio realizar o reino pela ressurreição, oferecendo a sua vida.
Em seguida, vemos aqui o sentido da vida. Jesus veio criar, oferecer ao homem a alegria de uma vida aberta com todo o sentido.
Percebemos ainda todo o caráter de sinal presente no milagre. A ressurreição do filho da viúva testemunha Jesus que há-de vir, cuja vida triunfa plenamente sobre a morte.
Significa que para nós, hoje como então, Deus Se encontra onde há o sentido da piedade, do amor vivificante. Significa ainda que, seguindo Jesus, só podemos também suscitar vida, ter piedade dos que sofrem, oferecer a nossa ajuda, ter uma atitude de oblação.
Das duas, uma: ou fazemos da nossa vida um cortejo de morte, dos sem esperança, que acompanham o cadáver, em atitude de choro, de luto, de desespero; ou fazemos do nosso peregrinar um caminho de esperança, de ressurreição, de transformação do choro e da morte em sentido de vida. Podemos escolher, é certo. Mas se somos seguidores de Cristo e nos deixamos visitar por esta grande profeta, não temos alternativa!
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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 “Não chores!”
Os evangelhos apresentam-nos três ressurreições que Jesus realizou. Uma criança, a filha de Jairo, chefe de uma sinagoga; um jovem, o único filho da viúva de Naim, que hoje nos é narrada; e Lázaro, o irmão de Marta e de Maria, a família de irmãos de Betânia onde Jesus gostava de ficar. Em todas se descreve a comoção de Jesus e pressentimos a sua comunhão na dor dos que sofrem. É o Deus cheio de compaixão que Jesus revela, sempre do lado da vida, a libertar, a perdoar, a abraçar, a comprometer na luta pela justiça. Porque veio para que tenhamos vida.
Estar vivo apela a uma atenção constante ao que é mais essencial, a não desperdiçar o tempo sem contemplar o que é belo, e sem fazer o maior bem possível. É estar aberto ao lado luminoso de tudo o que existe, ainda que haja dias menos bons e muitos males no mundo. É acreditar que não temos a solução de tudo, mas quando nos abrimos a Deus e aos outros, vamos dando uma mãozinha para que o bem triunfe. É desenvolver todas as capacidades que temos e que os outros têm, sem guardar para um futuro longíquo os sonhos que crescem conosco, e nunca desistir de ainda dar, um dia, uma volta ao mundo. É descobrir que tudo é mais feliz quando se partilha e coopera, quando a morte deixa de ser um fim mas o momento máximo de uma vida dada!
“Não chores” podia ser um verdadeiro “slogan” da nova evangelização. Não como uma promessa vazia ou um convite a fugir do sofrimento, mas como atitude de verdadeira compaixão por quem sofre, como Jesus fez em toda a sua vida terrena. Não como numa “solução” para os problemas mas como uma presença que transforma a solidão da dor na comunhão da esperança. Como se pode acreditar n’Ele sem viver a mesma misericórdia diante da dor humana, a mesma paixão por cuidar da vida, a mesma entrega em ressuscitar e salvar?
 Dizia o filósofo Gabriel Marcel: “Amar alguém é dizer-lhe: Tu não morrerás jamais!” É esse o centro da mensagem e da vida de Jesus. É amando e cuidando desta vida que sabemos passageira, é enchendo-nos de compaixão e agindo no que é possível em favor de quem sofre, aqui e agora, que a ressurreição irrompe já na história. Viver não é aprender a morrer, mas tudo fazer para viver bem! Esse é o grande programa pastoral que a Igreja sempre terá. Ser cheia de compaixão como o Mestre, enfrentar o sofrimento e a morte com palavras e atitudes de vida abundante, assumir a fragilidade e a confiança de quem ama o Senhor e sabe que Ele abraça todos. A compaixão é a condição necessária para que todas as estruturas humanas não esqueçam que estão ao serviço de todas as pessoas, e que Deus quer enxugar as lágrimas de todas as faces!
padre Vitor Gonçalves
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Diante da dor e da necessidade
I. Contemplamos no Evangelho da missa (1) a chegada de Jesus a uma pequena cidade chamada Naim, acompanhado pelos seus discípulos e por um grupo numeroso de pessoas que o seguem.
Perto da porta da cidade, a comitiva que rodeava o Senhor cruzou-se com outra que levava a enterrar o filho único de uma mulher viúva. Segundo o costume judaico, levavam o corpo envolvido num lençol, sobre uma padiola. Formavam o cortejo a mãe e grande multidão de pessoas da cidade.
A caravana que entrava na cidade parou diante do defunto e Jesus, ao ver a mãe que chorava o seu filho, compadeceu-se dela e avançou ao seu encontro. “Jesus vê a angústia daquelas pessoas com quem se cruzou ocasionalmente. Podia ter passado ao largo, ou esperar por um chamado, por um pedido. Mas nem se afasta nem espera. Toma Ele próprio a iniciativa, movido pela aflição de uma viúva que havia perdido tudo o que lhe restava: o filho.
“O evangelista explica que Jesus se compadeceu: talvez se tivesse emocionado externamente, como por ocasião da morte de Lázaro. Jesus Cristo não é insensível ao sofrimento [...].
“Cristo tem consciência de estar rodeado de uma multidão que ficará atônita perante o milagre e irá apregoando o acontecido por toda a região. Mas o Senhor não se comporta artificialmente, não pretende realizar um grande gesto: sente-se simplesmente afetado pelo sofrimento daquela mulher e não pode deixar de consolá-la. Aproximou-se dela e disse-lhe: Não chores (Lc. 7,13). Foi como se lhe dissesse: não te quero ver em lágrimas, porque eu vim trazer a alegria e a paz à terra. A seguir vem o milagre, manifestação do poder de Cristo-Deus. Mas antes tivera lugar a comoção da sua alma, manifestação da ternura do coração de Cristo-Homem” (2). Tocou o corpo do jovem e ordenou-lhe que se levantasse. E sentou-se o que estava morto, e começou a falar. E Jesus entregou-o à sua mãe.
O milagre é, ao mesmo tempo, um grande exemplo dos sentimentos que devemos ter diante das desgraças alheias. Devemos aprender de Jesus. E para termos um coração semelhante ao seu, devemos recorrer em primeiro lugar à oração: “Temos de pedir ao Senhor que nos conceda um coração bom, capaz de se compadecer das penas das criaturas, capaz de compreender que, para remediar os tormentos que acompanham e não poucas vezes angustiam as almas neste mundo, o verdadeiro bálsamo é o amor, a caridade: todos os outros consolos apenas servem para distrair por um momento e deixar mais tarde um saldo de amargura e desespero” (3).
Podemos perguntar-nos na nossa oração de hoje se sabemos amar todos aqueles que vamos encontrando pelos caminhos da vida, se nos detemos eficazmente diante das suas desgraças, e, portanto, se no fim de cada dia, ao examinarmos a nossa consciência, temos as nossas mãos repletas de obras de caridade e de misericórdia para oferecer ao Senhor.
II. Jesus Cristo vem salvar o que estava perdido (4), vem carregar as nossas misérias para nos aliviar delas, vem compadecer-se dos que sofrem e dos necessitados. Ele não passa ao largo; detém-se, como vemos no Evangelho da missa de hoje, consola, salva. “Jesus faz da misericórdia um dos principais temas da sua pregação [...]. São muitas as passagens dos ensinamentos de Cristo que manifestam o seu amor-misericórdia sob um aspecto sempre novo. Basta ter diante dos olhos o bom pastor que vai à procura da ovelha tresmalhada, ou a mulher que varre a casa à procura da dracma perdida” (5). E Ele próprio nos ensinou com o seu exemplo constante como devemos comportar-nos diante do próximo, particularmente diante do próximo que sofre.
Pois bem, assim como o amor a Deus não se reduz a um sentimento, mas leva a obras que o manifestem, assim também o nosso amor ao próximo deve ser um amor eficaz. É o que nos diz são João: Não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e de verdade (6). E “essas obras de amor – serviço – têm também uma ordem precisa. Já que o amor leva a desejar e a procurar o bem daquele a quem se ama, a ordem da caridade deve levar-nos a desejar e procurar principalmente a união dos outros com Deus, pois nisso está o máximo bem, o definitivo, fora do qual nenhum outro bem parcial tem sentido” (7). O contrário – buscar em primeiro lugar os bens materiais, mesmo que seja para os outros – é próprio dos pagãos ou daqueles cristãos que deixaram esfriar a sua fé.
Juntamente com a primazia do bem espiritual sobre qualquer bem material, não se deve esquecer, no entanto, o compromisso que todos os cristãos de consciência reta têm de promover uma ordem social mais justa, pois a caridade refere-se também, ainda que secundariamente, ao bem material de todos os homens. A importância da caridade no atendimento às necessidades materiais do próximo – caridade que pressupõe a justiça e a informa – é tal que o próprio Jesus Cristo, ao falar do Juízo, declarou: Vinde, benditos de meu Pai... porque tive fome e me destes de comer... tive sede e me destes de beber... estive nu e me vestistes... (8)
Peçamos a Deus uma caridade vigilante, porque para se conseguir a salvação é necessário “reconhecer Cristo que nos sai ao encontro nos nossos irmãos, os homens” (9). Todos os dias Ele sai ao nosso encontro: na família, no trabalho, na rua... Ele, Jesus.
III. O episódio da viúva de Naim põe de manifesto que Jesus se apercebe imediatamente da dor e compreende os sentimentos daquela mãe que perdeu o seu único filho. Jesus compartilha o sofrimento daquela mulher. Pedimos hoje ao Senhor que nos dê uma alma grande, cheia de compreensão, para sabermos sofrer com quem sofre, alegrar-nos com quem se alegra..., e para procurarmos evitar esse sofrimento e sustentar e promover essa alegria à nossa volta.
Compreensão também para entendermos que o verdadeiro e principal bem dos outros, sem comparação alguma, é a sua união com Deus, que os levará à felicidade plena do Céu. Não se trata de distribuir “consolos fáceis” entre os desamparados deste mundo ou entre os que sofrem ou fracassam, mas de incutir em todos a esperança profunda do homem que se sabe filho de Deus e co-herdeiro com Cristo da vida eterna, seja qual for a sua condição. Roubar essa esperança aos homens, substituindo-a por outra de felicidade puramente natural, material, é uma fraude que, pela sua precariedade ou utopia, cedo ou tarde conduz esses homens ao desespero mais profundo (10).
A nossa atitude compassiva e misericordiosa – feita de obras – deve exercer-se em primeiro lugar com aqueles com quem nos relacionamos habitualmente, com aqueles que Deus pôs ao nosso lado. Dificilmente poderá ser grata a Deus uma compaixão pelos que estão mais longe se desprezarmos as inúmeras oportunidades que se apresentam cada dia de praticarmos a justiça e a caridade com aqueles que pertencem à nossa família ou trabalham conosco.
Por outro lado, a Igreja sabe muito bem que não pode separar a verdade sobre Deus que salva da manifestação do seu amor preferencial pelos pobres e pelos mais necessitados11. “As obras de misericórdia, além do alívio que trazem aos necessitados, servem-nos para melhorar as nossas próprias almas e as dos que nos acompanham nessas atividades. Todos experimentamos que o contacto com os doentes, com os pobres, com as crianças e os adultos famintos de verdade, constitui sempre um encontro com Cristo nos seus membros mais fracos ou desamparados e, exatamente por isso, um enriquecimento espiritual: o Senhor entra mais intimamente na alma daquele que se aproxima dos seus irmãos mais pequenos, movido não apenas por um simples desejo altruísta – nobre, porém ineficaz do ponto de vista sobrenatural –, mas pelos mesmos sentimentos de Jesus Cristo, Bom Pastor e Médico das almas” (12).
Peçamos ao Coração Sacratíssimo de Jesus e ao de sua Mãe Santa Maria que nunca permaneçamos passivos diante dos apelos da caridade. Desse modo, poderemos invocar Nossa Senhora com as palavras da liturgia: Recordare, Virgo Mater... Lembrai-vos, ó Virgem Mãe de Deus, quando estiveres na presença do Senhor, ut loquaris pro nobis bona, de dizer-lhe coisas boas em nosso favor e pelas nossas necessidades (13).
Francisco Fernández-Carvajal
(1) Lc. 7,11-17;
(2) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 166;
(3) ib., n. 167;
(4) Lc. 19,10;
(5) João Paulo II, Enc. Dives in misericordia, 30-XI-1980, 3;
(6) 1Jo 3,18;
(7) F. Ocariz, Amor a Deus, amor aos homens, 4ª ed., Palabra, Madrid, 1979, pág. 103;
(8) cf. Mt. 25,31-40;
(9) cf. Josemaría Escrivá, op. cit., n. 111;
(10) cf. F. Ocariz, op. cit., pág. 109;
(11) cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris Mater, 25-III-1987, 37;
(12) A. del Portillo, Carta, 31-V-1987, n. 30;
(13) Abadia de Solesmes, Graduale Romanum, Desclée, Tournai, 1979; Antífona da Missa comum de Nossa Senhora.
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“Moço, eu te ordeno, levanta-te!” – a compaixão que dá vida
Ao participar da celebração de Corpus Christi na quinta feita (31), manifestamos publicamente nossa fé no Cristo presente na eucaristia. Preparamos tapetes coloridos e altar para dar honra a Deus. A sociedade muitas vezes estende tapete vermelho para receber determinadas autoridades, como não iríamos preparar tapetes coloridos e altares para prestar homenagem ao Rei dos Reis – Deus da vida! Em nossa última reflexão vimos que o centurião (oficial do exército romano) ciente de sua condição de pagão, mas com uma fé segura se aproximou de Jesus e o milagre da cura de seu servo aconteceu (Lc. 7,1-10).
O texto do Evangelho de hoje (Lc. 7,11-17) relata que Jesus e sua comitiva ao entrar na pequena cidade de Naim situada entre Cafarnaum e a Samaria, se depararam com uma procissão de enterro. Seguindo a tradição judaica que previa a interrupção de toda atividade, inclusive o estudo da Lei, uma grande multidão acompanhava o funeral. Tratava-se de um jovem, filho único de uma viúva. Esta pobre viúva com a morte do único filho, homem da casa, torna-se pessoa indefesa e discriminada perante a sociedade patriarcal judaica. Compadecido Jesus vai ao encontro desta pobre viúva e diz: “Não chores”. Em seguida toca no caixão dizendo: “Moço, eu te ordeno, levanta-te!” O jovem que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. A compaixão de Jesus inicialmente é expressa em palavras – “não chore”, seguido pelo gesto concreto, ou seja, tocou no esquife. Com este gesto Jesus quebra mais um tabu considerando que pela tradição judaica o morto era considerado impuro e conseqüentemente aquele que nele tocasse igualmente ficaria impuro. Jesus usou e continua usando seu poder em favor da vida.
Em Naim a atividade libertadora de Jesus foi a Boa Noticia que rapidamente se espalhou por toda a região e o povo glorificava a Deus dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo” (Lc. 7,16). A liturgia de hoje nos convida a rezar para que o Deus da vida tenha compaixão dos jovens desfalecidos nas cracolandias, dos dependentes químicos e excluídos da sociedade. É certo que nós não temos o poder de ressuscitar fisicamente os mortos, mas podemos lutar pela vida, em favor de políticas públicas de inclusão social, por mais segurança, educação e saúde. Caros jovens tenham coragem. Jesus, o companheiro de caminhada ordena que se levantem e acreditem no Deus da vida que tem poder até sobre a morte. “Jovem, eu te ordeno: Levanta-te”!
Pedro Scherer
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Compaixão
O texto de hoje é caracterizado pela compaixão. Pois tudo nasce de um sentimento espontâneo do Senhor como homem mas senhor da vida. Não é pedido, não exige a fé, é o Senhor que tem compaixão dos órfãos e é o que faz justiça às viúvas. E de repente Jesus levanta a voz para a viúva e diz: não chores. O autor da vida usa o verbo no presente do imperativo para dizer que deve parar de chorar uma vez que não mais vai existir motivo para esse lamento e dor. Quem tem Jesus, deixa de sofrer a morte. E os sofrimentos do tempo presente não têm nada haver com gloria que se ha-de revelar no final dos tempos quando tudo se consumar em todos, dirá são Paulo. Portanto, trata-se de uma palavra de consolação, que prepara uma intervenção, que evitará a causa do pranto. E então tendo-se adiantado, tocou o caixão. Os portadores, páram e disse: Jovem a ti digo:levanta-te. E ergueu-se o morto e começou a falar e Jesus o entregou à sua mãe.
A ordem de Jesus é imperiosa e contundente. O verbo é imperativo passivo, que podemos traduzir por impessoal ou reflexivo. Jesus era senhor dos mortos e estes lhe obedecem assim como as forças da natureza. Quem é este a quem os ventos e o mar obedecem? O morto ergueu-se ou incorporou-se. E começou a falar. O alento da vida se expressa de novo por meio da fala.
Jesus tomou o jovem pela mão e o levou até a mãe que não podia acreditar o que seus olhos estavam vendo. No ato há uma reminiscência da atitude de Elias quando, ressuscitado o filho, desceu até o andar térreo para entregá-lo à sua mãe viúva. Além de ser dono dos mortos, Jesus atua como uma cópia de Elias, o antigo profeta, restaurador do verdadeiro culto divino a Javé entre os israelitas. Por isso, a exclamação dos presentes: Um grande profeta há surgido! Deus visitou seu povo e sua fama se espalhava por toda a parte!
Num mundo como o atual, em que a ausência do Deus criador, entrega ao homem o direito de sua vida e até a faculdade sobre outras vidas sob seu domínio, como no caso dos fetos maternos, é bom refletir sobre este milagre de Jesus. A vida depende de quem a pode dar, não de quem a quer tirar. Destruir é fácil; porém isso não implica direito, mas força; justiça, mas violência. O verdadeiro poder tem como base a construção e o bem, a saúde e a cura. O médico cura, o criminoso mata: aí está a diferença.
Jamais Jesus destruiu um inimigo ou ameaçou um rival: Quem soube recriminar discípulos que queriam botar fogo sobre os que não queriam hospedá-los (Lc. 9,54), chorou sobre Jerusalém, prevendo a destruição (Lc. 19,41) e advertiu as mulheres que o compadeciam da sina fatal de seus filhos (Lc. 23,28), sempre usou seu poder e sua autoridade para fazer o bem (At. 10,38). Usou sua autoridade moral para pedir perdão para os inimigos e fazer o bem para os perseguidores (Lc. 6,27). Deriva-se desta conduta uma Teologia que tem como base a revolução e a luta pela justiça, que considera inimigos e opressores os mais favorecidos e oprimidos e com direito à retaliação os mais desprotegidos?
No episódio de hoje, vemos como Jesus atua sem ser pedido, unicamente pela sua compaixão, como ser humano. Ter piedade dos que sofrem é um exercício aprovado pela atuação de Jesus até tal ponto que opera um milagre com poderes fora do comum. Oxalá esta seja a tua atitude perante os teus irmãos!
padre João Francisco Ribeiro
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A segunda leitura deste domingo nos traz o início da carta de são Paulo aos Gálatas. Esta carta tem como uma das características a apologia de São Paulo em seu próprio favor, pois ele não era considerado por muitos destes seus interlocutores como verdadeiro apóstolo. Parece que os judeus da comunidade sentiam falta de uma pregação mais severa sobre a lei, sobre as obras, sobre atos que poderiam levar a salvação. Certamente, o testemunho de uma experiência de amor gratuito frustrou os que esperavam um ensinamento mais rigoroso. Hoje também existem aqueles que preferem se apegar a religião legalizante, de imposições às práticas que garantiriam a salvação. São Paulo nos mostra que o Evangelho segue outra via: prega a partir de sua experiência com o Senhor, que produziu um novo Saulo, agora Paulo; foi chamado por graça, não por méritos. Hoje devemos avaliar a nossa vida, verificar se estamos ainda mais presos nas leis, nos detalhes, nas práticas de devoção, nas normas frias, ou se acolhemos em primeiro lugar o Evangelho como experiência da vida nova, da alegria, da presença de uma graça salvífica que age acima de nossas aparentes fidelidades.
São Paulo ainda se defende afirmando que permaneceu anos em preparação na comunidade para então ser um apóstolo. Antes ainda, foi confirmado pelos outros apóstolos, o que legitimou sua atividade de pregador. É preciso considerar a comunidade cristã como lugar de acolhida e de preparação; é preciso fazê-la ter esta função, pois muitos outros “paulos” precisam dela, de seu amor, de seu sustento, de sua formação. São Paulo nos ensina que antes de uma grande missão, precisamos nos preparar bem; é preciso haver um tempo de incubação, de gestação. É o que acontece com os jovens que desejam se casar, com os seminaristas a caminho do presbitério, com os catequizandos que serão iniciados na vida cristã, com os casais que pensam em ter filhos... Não se pode assumir grandes responsabilidades sem antes estar consciente do que significa a missão assumida.
O Evangelho nos traz a ressurreição do filho da viúva de Naim. Como Elias, Jesus também devolve a vida, mostrando que Ele é o grande profeta esperado. Mas, se Elias precisa evocar a força de Deus, Jesus tem autoridade própria para chamar o jovem à vida. O milagre esconde verdades mais sublimes que uma reanimação de cadáver que apenas prolongaria uma existência terrena. Lembremos de que o próprio Jesus iria passar pela morte biológica. O que Jesus deseja revelar é a presença do Deus da vida. A vida nova começa aqui, dependendo do modo como a conduzimos, e se efetiva de um modo sublime no futuro da eternidade. A paradoxal proibição do choro, por parte de Jesus, esconde uma promessa.
No caminho, em Naim, duas comunidades se encontraram. Uma é a comunidade dos discípulos de Jesus (representa a comunidade cristã), outra é a comunidade do cortejo fúnebre (representa todos os que cortejam a morte, a vida sem Deus). O Evangelho nos ensina que é tarefa da comunidade cristã trazer a vida para os que estão mortos. Há muitos mortos sendo carregados pelo mundo: que pessoas que perderam o sentido da existência, o gosto pela vida; alguns deles estão refugiados nos paliativos da sociedade pós-moderna. A comunidade cristã, e não apenas cada um individualmente, precisa ser canal para vida, para trazer vida em abundância como nos promete o Senhor (Jo 10,10).
A falta de sentido e a angústia são os males da moda. Anunciar a Boa Nova é recuperar a confiança. Precisamos olhar para o nosso interior, para nossas instituições e para o mundo. Eu preciso ter coragem de andar, de não ficar preso nos féretros da existência. A Igreja precisa destruir o que está podre, para poder transmitir a vida. O mundo anseia por nossa ação em prol da vida. Precisamos ter a coragem de dizer a nós mesmos e ao mundo: “Eu te ordeno, levanta-te”! Então, a vida brotará!
padre Roberto Nentwig
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Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo!
1. O programa de Jesus.
Tomado metaforicamente, o episódio é a concretização do programa de Jesus anunciado na sinagoga de Nazaré: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos …” (4,18).
2. O tema da “misericórdia”.
Na Galileia – terra de gente empobrecida – Jesus realiza 14 dos 18 milagres relatados por Lucas em seu evangelho. Este, a ressurreição do filho único da viúva de Naim, é texto exclusivo de Lucas, ressaltando o tão apreciado tema da “misericórdia”.
3. Veremos:
a. o sofrimento dos pobres – vv. 11-12
b. a compaixão que dá vida – vv. 13-15
c. “Deus visitou o seu povo … ” – vv. 16-17
a. o sofrimento dos pobres – vv. 11-12
4. Encontro de duas comitivas: a da morte com a da vida.
Naim era uma aldeia insignificante da Galileia, nunca recordada no AT. Sabe-se que a vida das aldeias era dura, mas ao mesmo tempo seus habitantes tinham profundo senso de solidariedade. Lucas mostra Jesus chegando a Naim com grande comitiva – os discípulos e numerosa multidão (v. 11). Na porta da cidade há o encontro da comitiva de Jesus com uma procissão de enterro. Também aí se fala de “grande multidão”, sinal de que a aldeia parou para se solidarizar com a viúva. De fato, a tradição judaica previa a interrupção de toda atividade – inclusive o estudo da Lei – para participar de um enterro.
5. Os desprotegidos: viúvas, órfãos e estrangeiros.
Lucas, em poucas palavras, mostra como é dramática a situação: o defunto era filho único de uma viúva. As viúvas estavam entre os mais desprotegidos e expostos à ganância dos poderosos. Mais adiante, Jesus acusará os doutores da Lei de devorarem as casas das viúvas sob o pretexto de longas orações (20,47). A perda do filho único representava a perda potencial dos bens (casa, etc.).
b. a compaixão que dá vida – vv. 13-15
6. A predileção de Deus pelos desamparados.
Muitos textos do AT mostram a predileção de Deus pelos desamparados – órfãos, viúvas e estrangeiros (ver por exemplo: Sl. 68,6; 149,9, que faz parte da oração da manhã dos judeus).
6.1. Lucas descobre em Jesus essa predileção e diz que – ao ver a mãe - encheu-se de compaixão (v. 13).
6.2. Em grego, temos o verbo splangnízomai, que significa “comover-se nas entranhas”, “sentir as entranhas estremecerem”, como na clássica citação de Is. 49,15 (a trepidação interior da mãe por seu bebê).
7. A misericórdia.
Convém notar a importância que Lucas confere a esse termo, atribuindo-o apenas a três pessoas – a trindade compassiva: Jesus, o samaritano (10,33) e o pai do filho irresponsável (15,20).
8. A compaixão. A compaixão é feita de palavras -”não chore!” – e do gesto de tocar a maca que carrega o defunto (v. 14a).
8.1. O gesto é significativo, pois tocar um morto, naquele cultura, contaminava. O morto transmitia impureza.
8.2. A compaixão quebra tabus e cria suas próprias leis. Em vez de Jesus ser contaminado pelo morto, é o defunto quem acaba “contaminado” pela palavra de vida: “jovem, eu lhe ordeno, levante-se!” (v. 14b).
8.3. O resultado é a vida que retorna àquele que morrera prematuramente e àquela que perdera tudo com a perda do filho: “o morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe” (v. 15; compare com a 1ª leitura).
c. “Deus visitou o seu povo… ” – vv. 16-17
9. A reação do povo. A reação do povo é,
- em primeiro lugar, de medo. É a reação típica diante do extraordinário e maravilhoso. O medo é como se o povo dissesse: “isso só pode vir de Deus”.
- Em segundo lugar, a reação das duas comitivas é uma aclamação: “um grande profeta apareceu entre nós, e Deus veio visitar o seu povo” (v. 16).
- A lembrança do “grande profeta” recorda a promessa de Dt. 18,15: “Javé seu Deus fará surgir, dentre seus irmãos, um profeta como eu em seu meio … ” Evoca igualmente o profeta Elias (1ª leitura). No começo do seu evangelho, Lucas falara da visita de Deus ao seu povo: Jesus é o sol nascente que nos veio visitar (cf. 1,68.78).
10. O comentário final (v. 17) fica por conta de Lucas.
Jesus está na Galileia, mas a notícia repercute também no sul, na Judeia. Assim se prepara o ambiente para a cena seguinte – a pergunta de João Batista acerca de quem é Jesus (7,18-23).
1ª leitura: 1Rs. 17,17–24
11. Elias – o homem de Deus.
Elias era um “homem de Deus”: agia com a força de Deus. É conhecido por sua luta contra os ídolos, no séc. VIII a.C. Sua presença no meio do povo falava de Deus; seus gestos eram “sinais” de Deus. Assim, a ressurreição do filho da viúva não é magia, e sim a resposta de Deus à oração de Elias.
12. Situação desesperadora.
O trecho pertence ao começo do ciclo de Elias (1Rs 17 – 2Rs1) e se passa na casa da viúva de Sarepta, que alimentara e hospedara o profeta (vv. 7-16). É tempo de seca, sinônimo de morte. A situação do povo – representado pela mulher e seu filho – é extremamente grave. E para piorar, o menino morre (v. 17). A mãe, já viúva, encontra-se sem arrimo. Na perspectiva de um judeu, com a morte do filho, seus poucos bens podem passar para as mãos de juízes gananciosos (compare com o evangelho).
13. Deus pune o erro dos pais nos filhos.
Na primeira cena da perícope (vv. 17-19a), no piso inferior, o clima é de consternação. A mãe, com o filho morto nos braços queixa-se contra o profeta. Ela supõe que a presença do homem de Deus tenha desenterrado as faltas dela, provocando a ira de Deus, que pune o erro dos pais nos filhos. Noção cruel de Deus (!).
14. O profeta suplica ao Deus da vida.
A segunda cena (19b-23) se passa no andar de cima, onde Elias se hospeda. O profeta toma o menino no colo ,sobe, coloca-o na cama, suplica clemência para a viúva, e procede a um ritual estranho: deita-se três vezes sobre o menino e de novo suplica para que torne a viver. O profeta se mostra, assim, instrumento de vida, suplicando ao Deus da vida. E o menino revive.
15. Elias é realmente profeta de Javé.
A última cena (vv. 23-24) acontece no piso inferior. Elias toma o menino vivo no colo, desce e o entrega à mãe: “olhe, o seu filho está vivo”. E a mudança provocada na viúva é extraordinária: reconhece que Elias é realmente profeta por meio do qual se cumpre a palavra de Javé (v. 24; cf. Dt. 18,18: “do meio dos irmãos deles, eu farei surgir para eles um profeta como você. Vou colocar minhas palavras em sua boca, e ele dirá para eles tudo o que eu lhe mandar”).
2ª leitura: Gl. 1,11–19
16. O Evangelho muda a vida de Paulo . Paulo (no domingo passado) acabara de declarar maldito quem anunciasse um evangelho diferente do dele. No trecho de hoje, mostra porque não existe outro evangelho, e o faz revelando a fonte (de onde vem) e a mudança radical acontecida na vida dele por causa do Evangelho.
17. Seu Evangelho vem de Deus. Ele começa afirmando que seu Evangelho não veio a ele por tradição nem se orientou por critérios humanos, mas o recebeu diretamente de Jesus cristo, mediante revelação (vv. 11-12). É difícil, a partir das cartas, encontrar referências a esse acontecimento revelador (cf. 2Cor. 12,1ss). O fato de o ter recebido diretamente de Jesus Cristo lhe confere veracidade indiscutível, na perspectiva de Paulo. Pode-se dizer que é de origem divina, e é por isso que Paulo não negocia, não cede e se for o caso, empenhará a vida.
18. De perseguidor se torna apóstolo . Para reforçar essa ideia e fazer os gálatas verem que ele não entrou nessa missão por brincadeira, Paulo evoca-lhes o seu passado de fariseu fanático e escrupuloso (cf. Fl. 3,5ss). De perseguidor e devastador da Igreja de Deus, sobressaindo em relação a seus companheiros, fanático pelas tradições farisaicas (Gl. 1,13-14), mudou radicalmente seu modo de ver e de agir. Como aconteceu com o profeta Jeremias (Jr. 1,5), sente-se chamado profeta desde o ventre materno. No tempo oportuno, recebeu a revelação e a missão de levar o anúncio aos pagãos (Gl. 1,15-16). Em vez de ir a Jerusalém para checar seu evangelho com outros após- tolos, Paulo toma um rumo totalmente diferente, sem consultar ninguém (carne ou sangue – v.16b): vai para a Arábia e volta a Damasco (v. 17). Somente três anos mais tarde é que vai a Jerusalém conhecer Cefas (Pedro) e Tiago (vv. 18-19).
19. Por que Paulo escreve essas coisas? Parte da resposta já foi dada: seu evangelho não é fruto de tradição humana, mas de revelação divina. Mas isso foi registrado porque os gálatas haviam abandonado a graça e o Espírito, para voltar à escravidão. Se aceitam a circuncisão como condição para serem cristãos, anulam a força do evangelho de Jesus Cristo.
Refletindo...
1. Um grande profeta. No tempo de Jesus, Israel esperava a volta do profeta por excelência, para preparar a “visita” de Deus. Havia certa dúvida se o profeta seria Moisés (Dt. 18,16, interpretado no sentido de um novo Moisés) ou Elias (Ml. 3,23-24). Mas, quando Jesus ressuscita o filho de uma viúva, não hesitam em reconhecer nele o novo Elias: “um grande profeta levantou-se entre nós! Deus visitou seu povo!”
2. Jesus é sinal da presença de Deus com sua graça e misericórdia. Ele se ”compadeceu” (Lc. 7,13), como o povo esperava de Deus, no seu Dia. No quadro do evangelho de Lucas, esta narração tem ainda outra função: logo depois segue o episódio do Batista, que pergunta se Jesus é aquele que deve vir (o profeta escatológico). E a resposta de Jesus é: “olha só o que está acontecendo: todas as categorias mencionadas nas profecias messiânicas (especialmente em Is. 35,5-6) encontram cura, e até mortos são ressuscitados (Lc. 7,11-17); e aos pobres é anunciada a Boa Nova; será que existe ainda dúvida?
3. Em Cristo tudo é levado à perfeição.
A 1ª leitura é narrada para ilustrar como em Jesus se realiza a esperança do novo Elias (tema especialmente caro a Lucas). É uma tipologia: Elias é o “primeiro esboço” (tipo) que é levado à perfeição em Cristo (antítipo). Por trás destas tipologias, frequentes na antiga teologia cristã, está a fé na continuidade da obra de Deus: o que ele tinha iniciado em Israel, levou-o a termo em Jesus Cristo. Que Jesus supera Elias aparece nos detalhes da narração: ele não é apenas “homem de Deus”, mas “o Senhor”; não precisa fazer todos os “trabalhos” que Elias fez para reanimar a criança …
4. Deus é o Deus da vida… sempre!
Tanto a 1ª leitura como o evangelho revelam grande valorização da vida. Deus quer conservar seus filhos em vida. Isso está em violento contraste com a leviandade e até o desprezo que a vida humana enfrenta em nossa sociedade. Deus se comisera para fazer reviver uma criança, enquanto nossa sociedade as mata ainda no útero. Será que pode-remos falar novamente de uma visita de Deus, quando restauramos o sentido do valor da vida, não só no caso do aborto, mas também das guerras, repressão, torturas, poluição do ambiente, dos alimentos, do trânsito assassino, e sobretudo da fome? O salmo responsorial destaca também o valor da vida, que Deus dá.
5. Cristo fez de Paulo seu mensageiro e apóstolo.
A 2ª leitura continua a leitura de Gálatas, iniciada no domingo passado. Para refutar as teorias dos judaizantes, não basta que Paulo recorra ao fato de pregar Jesus Cristo, pois também eles pregam, ainda que com outras intenções.
5.1. Então, para provar que seu “evangelho” é o verdadeiro, Paulo mostra a sua origem. Não foi ele mesmo, nem outro ser humano, que o inventou (1,11.16.19). Paulo faz questão de dizer que não foi instruído por homem algum. Quem fez de Paulo seu mensageiro foi Cristo mesmo. No caminho de Damasco, Cristo o chamou e com sua luz ao mesmo tempo o cegou e iluminou.
5.2. A transformação, operada em Paulo, tornando o antigo rabino, fariseu e perseguidor, um apóstolo de Cristo, não é obra humana. E também seu evangelho não é obra humana. Por isso, este resumo de sua história pessoal é história da salvação…
6. Também na sua vida Deus aconteceu!
A oração do dia e a oração final sublinham a iniciativa e a transformação que Deus assume em nossa vida. Num mundo do “ter e vencer” é bom lembrar esta realidade fundamental, não para levar ao fatalismo, mas à responsabilidade pelo plano de Deus, que é: que o homem viva, em todos os sentidos.
7. Deus não esquece … ele visita seus filhos.
Em Israel, no tempo de Jesus, não havia situação pior que a da viúva. Tinha de se virar sozinha para se sustentar a si mesma e a seus filhos. Estes, por sua vez, eram a esperança de sua velhice, pois, ainda crianças, já podiam ajudar um pouco, e mais tarde cuidariam dela. A 1ª leitura e o evangelho nos contam como respectivamente Elias e Jesus ressuscitam um filho de uma viúva. Se Elias era um “homem de Deus”, um profeta, Jesus é o “Senhor”, Ele é a revelação do amor da graça de Deus. E o povo exclama: “um grande profeta nos visitou! Deus visitou o seu povo!”
8. A visita de Deus… quem ele visita.
Esta visita de Deus a seu povo é muito peculiar. Quando um governador ou presidente visita uma cidade, dificilmente vai parar para se ocupar com um cortejo fúnebre de enterro que casualmente cruza seu caminho. Vai ver o prefeito, isso sim. Mas o Filho de Deus se torna presente à vida de uma pobre viúva que está levando seu filho – sua esperança – ao enterro. Deus visita os pobres e os pecadores: a viúva, Zaqueu… aqueles que são abandonados pelos outros. Em Jesus, Deus nos mostra o caminho que conduz aos marginalizados.
9. Assim é o sistema de Deus, diferente do nosso. Enquanto nós gostamos de investir naqueles que já tem poder e influência, Jesus começa com aqueles que estão à margem da sociedade. O Reino de Deus começa na periferia. E revela-se um Reino da vida para os deserdados.
10. Um Deus próximo de nós… quando? A visita de Deus deixa seu povo também com a “responsabilidade da gratidão”. O povo espalhou a fama de Jesus por toda a região. Mostrou que soube dar valor à visita que recebeu. A Igreja terá de celebrar a mesma gratidão por Deus, que faz grandes coisas aos pequenos. Muitos ainda não são capazes disso. Não sabem alegrar-se com a visita de Deus aos pequenos. Por isso lhes escapa a grandeza da visita. Mas, afinal, quando é que sentimos Deus mais verdadeiramente próximo de nós: ao se realizar uma grande solenidade, ou quando um gesto de amor atinge uma pessoa carente?
11. Um Deus que ama e quer a vida.
Deus ama e quer a vida, e nós também devemos amá-la e querê-la. Duas mulheres e dois jovens filhos mortos nos sensibilizam e nos movem à compaixão. Se não nos movem à solidariedade é porque não temos em nós os sentimentos que havia em Jesus Cristo. O apóstolo Paulo é exemplo de determinação, enfrentando riscos e incompreensões, tribulações e perseguições para ser fiel àquele que o separou desde o ventre materno para uma ação evangelizadora específica. Nosso olhar para com os mais pobres, mais esquecidos, mais deserdados, mais relegados à beira do caminho é o termômetro do nosso compromisso com o projeto do Reino do Jesus de Nazaré.
12. Limitações da convivência humana. A presença do profeta Elias na casa da viúva de Sarepta reforça a importância da fé para a superação das injustiças e das limitações que a convivência humana impõe a todos nós. Elias revela a constante e solícita presença de Deus junto aos excluídos e o amor concreto do Deus da vida pelas pessoas.
13. De fora para dentro. Da periferia para o centro. O evangelho descreve o cortejo que leva os dois, a viúva e o filho, para fora da cidade, para o lugar da não-dignidade, sepultando-a com o filho morto. Na cidade estava a estrutura político-religiosa detentora (segundo a mentalidade do tempo) da presença de Deus … e esta nada fizera. De fora da cidade vem uma outra comitiva: Jesus e seus discípulos. Sua comoção-compaixão revela as entranhas de Deus, que, movido pelo amor, interrompe a caminhada da morte. De fato, a atitude dele, ao convocar o jovem à vida, promove dupla ressurreição: a do filho, da morte física, e a de sua mãe, da morte social e religiosa.
14. Em Jesus, Deus está do nosso lado. Os textos de hoje convidam-nos a superar o rigor das estruturas e das leis. O encontro com Deus – em Jesus, – revela que ele se põe ao lado da humanidade (ao lado do homem e da mulher de carne e osso) fragilizada. Por isso, a vivência da fé em Cristo ressuscitado e ressuscitador pressupõe que o serviço à vida e à dignidade das pessoas nos identifica com o Reino e está acima de leis e estruturas, mesmo religiosas, que discriminam e excluem (nº. 12-15 – Deus Conosco – 09.06.2013).
15. A nossa fé tem que passar por um processo contínuo de purificação, para que, nos libertando da excessiva preocupação conosco, abramo-nos para a acolhida do outro, que, no nível da esperança é Deus, e no nível da história, são nossos semelhantes.
16. “Foi para sermos livres que Cristo nos libertou” (Gl. 5,1). O desafio de uma sociedade justa e fraterna permanece atual e sempre nos incomoda e desafia. Paulo alerta a nós, discípulos missionários do Senhor, para não nos acomodarmos com as falsas seguranças (baseadas no poder econômico-político-social-religioso) que nos enfeitiçam… A liberdade em Cristo nos leva a acolher a graça-gratuidade da salvação que ele nos trouxe, e por isso mesmo, amar gratuitamente os irmãos. “O povo pobre das periferias urbanas ou do campo necessitam sentir a proximidade da Igreja … na promoção comum de uma sociedade fundamentada na justiça e na paz” (DAp 550).
prof. Ângelo Vitório Zambon
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O enviado de Deus
As leituras deste domingo nos mostra a missão profética de todo homem chamado por Deus. O profeta é portador da Palavra de Deus, capaz de trazer a vida, àqueles que neste mundo, vivem como mortos. Jesus é “O profeta” por excelência.  Ele é a presença de “Deus que veio visitar o seu povo”. Na sua palavra podemos confiar. N’Ele podemos colocar nossa esperança. Assim como Elias (1ª leitura) e são Paulo (2ª leitura), também nós somos chamados por Deus, pelo batismo, a anunciar e levar a vida a todos que nos rodeiam.
A 1ª leitura (1 Reis 17,17-24) apresenta-nos uma história que acontece na casa da viúva de Sarepta. Após ter hospedado o profeta Elias em sua casa, seu filho ficou doente e morreu. Todo profeta é como uma lâmpada que ilumina onde passa. Sua atitude de amor a Deus, faz ver o quanto estamos longe de Deus. A viúva de Sarepta, embora tenha acolhido o profeta, era uma pagã e vivia como tal. Por isso, com a morte do seu filho, volta-se contra o profeta e diz: “Porventura vieste à minha casa para me lembrares os meus pecados e matares o meu filho?”.  A viúva interpreta a morte de seu filho como um castigo de Deus. Diferente do deus Baal, que para os pagãos daquela época representava a fertilidade, o profeta Elias mostra que o verdadeiro Deus e única fonte da vida e fertilidade. O profeta Elias, roga a Deus pelo filho da viúva recuperando-lhe a vida.  Não podemos encarar a morte física como um castigo, pois Deus nos ama, e quer nos dar a vida. O principal não foi a vida retomada pelo filho da viúva, pois um dia ele voltou a morrer fisicamente. O principal foi a conversão, o encontro com o Deus Verdadeiro, que provoca a mudança de vida, que gera uma vida nova e plena. A presença de Deus em nossa vida nos resgata da aflição, do medo, da morte, e nos dá a verdadeira Paz. Ele é a Vida por excelência, por isso Jesus nos disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.”(Jo 11,25).
No salmo 29 (30) exaltamos o Deus da vida, pois Ele nos livrou e preservou nossa vida da morte. Não da morte física, mas da morte de nossa alma, pois esta é para sempre. Por isso o salmista nos diz: “Vós tirastes minha alma dos abismos e me salvastes, quando estava já morrendo!”.
Na 2ª leitura (Gálatas 1,11-19) Paulo, assumindo seu papel de profeta, de escolhido e enviado por Deus, anuncia que o Evangelho que ele prega vem de Deus. O profeta não anuncia uma idéia sua, mas é portador da Palavra de Deus. Ele é apenas um instrumento nas mãos de Deus para levar a Boa Nova de Cristo. Paulo recebeu o evangelho diretamente de Jesus, mas sabemos que da mesma forma tudo lhe foi revelado também através da Igreja, em Damasco, em Jerusalém pelos apóstolos, ou até mesmo através de sua perseguição à Igreja, quando Deus vai se revelando a são Paulo. Como aconteceu com o profeta Jeremias (Jr. 1,5), são Paulo sente-se chamado profeta desde o ventre materno. E a Boa Nova revelada a são Paulo, não se trata de um Evangelho diferente dos anunciados pelos apóstolos, mas o mesmo Evangelho, revelado no coração de Paulo, pelo mesmo Espírito Santo. Trata-se do mesmo Evangelho da Igreja Católica, fundada por Cristo, e que teve “Cefas”, isto é, Pedro, como primeiro papa, e com o qual são Paulo esteve durante quinze dias. Foi com a benção e encaminhamento dos primeiros apóstolos, que são Paulo fez sua primeira missão juntamente com Barnabé (Gálatas 2,9 e Atos 11,30). Para Paulo, o Evangelho é um só, vem de Deus e é n’Ele que tem seu fundamento. Em Deus somos uma nova pessoa, temos uma nova vida, n’Ele temos a Vida Eterna.
O Evangelho (Lucas 7,11-17) de hoje, como na 1ª leitura, também narra a ressurreição do filho de uma viúva. São dois milagres semelhantes ocorridos em épocas diferentes por intermédio de um profeta de Deus. É importante primeiro que entendamos o sentido dos milagres. Os milagres, na bíblia, são “sinais”, manifestações da presença de Deus. Este milagre apresentado na leitura do Evangelho de hoje, tem como objetivo manifestar a presença do Reino de Deus e que Jesus é o Messias anunciado (Is. 61,1; 55,5-6; 26,19). É importante olharmos para o milagre apenas como um sinal que nos aponta um caminho. Que caminho o milagre da viúva de Naim nos aponta? Ele nos aponta para Jesus, que Ele é o messias que o Pai enviou, e nos convida a crer n’Ele, para gerar fé em Jesus como o Cristo, o Filho de Deus, e todo o que crer n’Ele, tenha a vida eterna.  Por isso não se pode exigir de Deus que faça o milagre, como se fosse uma obrigação. O milagre não é objeto de troca ou barganha feita por um crente. Ele é produto do amor de Deus e tem como objetivo único nossa adesão pessoal a Deus. Os milagres de Jesus significam que o Reino já chegou e está presente n’Ele.
Se continuarmos a ler os versículos seguintes deste Evangelho, veremos que este milagre vem a responder a pergunta de João de Batista a Jesus: “és Tu que hás de vir ou  devemos  esperar  outro?” (Lc. 7,19-20). Jesus vai responder dizendo: “Ide anunciar a João o que tendes visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, aos pobres é anunciado o Evangelho” (Lc. 7,22).  
O mais importante não é o milagre em si, pois sabemos que depois de alguns anos o filho da viúva, voltou a morrer de morte natural. O que é o mais importante é o sinal, é o que ele nos aponta como vemos na exclamação do povo: 'Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo.'  É o eco do cântico de Zacarias, que bendiz a Deus “porque visitou e redimiu o seu povo e suscitou-nos uma força de salvação” (Lc. 1,68s). Jesus é o grande profeta, não apenas porque transmite a Palavra de Deus e anuncia o reino, mas mostra sinais deste Reino e nos oferece a sua Vida Eterna. O milagre da ressurreição do filho da viúva de Naim é um sinal da vinda dos tempos messiânicos, da salvação, é o Cristo vencedor da morte. Portanto sigamos este sinal, e sigamos com fé, Jesus que nos dá a vida completa, plena, Eterna.
Francisco Jaeckson Moreira de Oliveira
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Deus veio visitar o seu povo!
O Salmo 29 deste domingo nos ajuda a seguir na trilha da primeira leitura. Elias, hóspede de uma viúva na cidade de Sarepta, castigada pela fome – sinal de morte – se encontra diante de um dilema. O único filho daquela mulher morre. A viúva, com o filho nos braços, questiona o profeta: O que há entre mim e ti? Por acaso vieste à minha casa para me lembrar dos meus pecados? É o grito de uma mulher que sente abandonada e ameaçada pela presença do homem de Deus. O profeta carrega o menino nos braços para o andar de cima da casa e realiza um rito. Deita-se sobre o cadáver e suplica a Deus a ressurreição. Elias realiza um ritual de vida onde a morte castigava. Na sequencia ele entrega o menino vivo à mãe, que o recebe exultante. Ela reconhece que a Palavra de Deus é sinal de vida na boca do profeta.
O salmo 29 completa, então, a oração do profeta e da mulher, quando diz: Eu vos exalto, ó Senhor e preservaste minha vida da morte. Todo o Salmo é uma ação de graças que invoca o Deus da vida e da justiça.
Na segunda leitura temos a continuação da mensagem de Paulo aos gálatas chamando a atenção à fidelidade ao Evangelho que ele recebeu do próprio ressuscitado e não de lábios humanos, rompendo, portanto, com toda escravidão da Lei. Um grupo de judeus queria que os cristãos da Galácia voltassem aos costumes antigos para serem de fato chamados de cristãos – a questão judaizante – Paulo rejeita tal atitude e fala da sua conduta antes de conhecer a Palavra da vida – perseguidor – e mais uma vez repete sua nova condição de homem novo renascido no encontro com o ressuscitado. Esta passagem é fundamental. No salmo 29 tem uma expressão que diz: vós tirastes minha alma dos abismos e me salvastes. Exatamente isto que Paulo experimenta no processo de conversão e para o qual chama os gálatas.
No Evangelho Jesus chega à pequena e insignificante cidade de Naim. Encontra uma viúva em prantos que leva o filho morto ao cemitério. Ele sente compaixão. Aproxima-se da mulher e diz: não chores. Toca no caixão e diz ao menino: Jovem, eu te ordeno, levanta-te. Diante do menino que ressuscita a multidão se alegra e exulta. Novamente nos recordamos do salmo 29: Transformastes meu pranto numa festa. Foi exatamente o que aconteceu. Todos glorificavam a Deus pelo gesto de compaixão e vida ali realizado.
Duas viúvas e dois jovens mortos que sensibilizam e movem a compaixão de Deus. Isto significa que se não somos capazes de ser movidos pela compaixão – sentir com – não temos parte com Deus. Nosso compromisso enquanto comunidade em rede solidária, sobretudo com os mais pequenos e sofredores deve ser o termômetro do nosso compromisso com Deus. Onde não há amor ao próximo e verdadeira fraternidade Deus não está.
padre João Mendonça, sdb

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“Ele veio devolver a vida”
Nesta Páscoa semanal de Jesus, somos convidados a ter os olhos abertos para encontrarmos o grande profeta, capaz de trazer a vida e, mais que isso, capaz de restituir a vida até mesmo onde a morte já plantara sua semente. A dinâmica da ressurreição cria na comunidade a capacidade de se “revoltar” contra a morte de crianças e de jovens não permitindo que as mesmas sejam consideradas como algo “normal”.
1. Situando-nos
Hoje, mais uma vez, nosso Deus, “fonte de todo o bem” (cf. Oração da coleta de hoje), nos reúne e nos dá a graça de ouvirmos sua Palavra de vida e celebrarmos a Eucaristia. Ele nos fala com muito carinho e, com mais carinho ainda nos oferece depois um banquete em memória da morte e ressurreição de Jesus. Por isso chamamos a Eucaristia também de “ceia memorial do Senhor”.
Esta nossa reunião acontece num contexto mais amplo da vida da Igreja. Hoje, celebramos a memória do grande ‘apostolo do Brasil’, o beato José de Anchieta. É bom também lembrar que estamos no mês de junho, mês das festas juninas, como a do popular Santo Antônio, celebrado na próxima quinta-feira, dia 13. Quais outros acontecimentos importantes nós poderíamos lembrar?
Neste domingo do tempo comum, advento da Jornada mundial da juventude – Rio 2013 nos apresenta Jesus Cristo que “veio devolver a vida”, especialmente aos nossos Jovens que vivem uma cruel cultura de morte: muitos abandonados pelas famílias; buscando uma melhor Educação básica e Ensino fundamental e médio; entregues à falta de oportunidades e perspectivas; engolidos pelas drogas e balas de “acerto de contas” em tenra idade; inclinados à violência disparada e à promiscuidade de contravalores.
Imaginemos os gritos para “Aquele que vem em nome do Senhor para a Jornada Mundial da Juventude – Rio 2013, entre 23 e 28 de julho próximo, o papa Francisco!” sob o tema da mesma: ‘Ide e fazei discípulos entre todas as nações! (Mt. 28,19)’. Quanta esperança plantada no coração dos milhões de jovens e comunidades, que se preparam para este evento ímpar em nosso País.
Agora vamos partilhar um pouco sobre a Palavra do nosso Deus que acabamos de ouvir. Tomara que, também nesta partilha, possamos sentir, de fato, a presença do projeto do próprio Jesus que nos explica as Escrituras (cf. Sagrada Congregação dos Ritos. Instrução “Eucharistium Mysterium” sobre o culto eucarístico, n.55. Petrópolis: Vozes, 1967, p.40 (Documentos Pontifícios, n.168).
2. Recordando a Palavra
Estamos em Naim, um povoado da Galileia. Próximo, portanto, de Nazaré. Próximo também de Cafarnaum, aonde Jesus, como vimos domingo passado, curou o empregado daquele oficial romano, portanto um pagão, que acreditou em Jesus mais do que os judeus.
É para o povoado de Naim que Jesus se desloca e, claro, os discípulos e “uma grande multidão” iam com ele. Podemos imaginar uma verdadeira procissão! Apenas chegando ao povoado, eis que se depara com um cortejo fúnebre. Uma senhora viúva, ao lado do caixão, chorava copiosamente a perda de seu único filho. Jesus, ao ver a aflição daquela mulher, moveu-se de compaixão para com ela e lhe dirigiu uma palavra de consolo: ”Não chore!”.
Aproximou-se, então, e tocou o caixão. As pessoas que o carregavam pararam. Jesus, emite uma palavra de ordem: “Moço, levanta-te!”. O morto levantou-se, começou a falar, sendo então entregue por Jesus à mãe. Observemos um detalhe: o povo toda dali, que estava ao redor, ficou com muito medo e, ao mesmo tempo, dava glórias a Deus, dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo”. Deus veio visitar o seu povo! Evidentemente, a notícia logo se espalhou por todos os lados.
Encontramos história parecida com esta, de um defunto, filho único de uma senhora viúva, voltar a viver, lá no século 8º antes de Cristo. Trata-se da história do filho de uma viúva do povoado de Sarepta, generosa hospedeira do profeta Elias (cf. 1Rs. 17,7-16). Tempo de seca. A situação do povo era grave. Para piorar, o filho daquela dona de casa morre (v. 17). Imaginem a situação daquela mãe: viúva, e, agora, totalmente sem arrimo, e havendo possibilidade de aos poucos bens do falecido passaram para as mãos de juízes gananciosos!
Consternada, com o filho morto nos braços, “se queixa contra o profeta. Ela supõe que a presença do homem de Deus, que pune o erro dos pais e filhos. Noção cruel de Deus (…) O profeta toma o menino no colo, sobe ao piso superior, coloca-o na cama, suplica a clemência para a viúva, e procede a um ritual estranho: deita-se três vezes sobre o menino e de novo suplica para que torne a viver. O profeta se mostra, assim, instrumento de vida, suplicando ao Deus da vida. E o menino revive” (J. Bortolini. Roteiros homiléticos, p. 613).
Elias desce, entrega o menino vivo à mãe que, diante do acontecido, muda completamente de ideia. Ela reconhece que Elias é realmente o profeta por meio do qual se cumpre a palavra do Senhor. Diz ela: “agora vejo que és um homem de Deus, e que a palavra do Senhor é verdadeira em tua boca” (v. 24).
Duas histórias parecidas, com conteúdos complementares. Enquanto, na história vivida em Sarepta, a viúva reconhece o profeta como ”um homem de Deus” (v. 24), na história a ressurreição do jovem de Naim, Jesus é visto pelo povo como “um grande profeta que apareceu no meio de nós” e, na sua pessoa, “Deus veio visitar o seu povo”. O Evangelho o apresenta como sendo o próprio “Senhor” (cf. v. 13). É desse Senhor que Paulo nos diz que lhe foi revelado como Filho de Deus a ser anunciado aos pagãos, como vimos na segunda leitura.
3. Atualizando a Palavra
Em Israel, no tempo de Jesus, a situação da mulher viúva era a pior que existia. Ela tinha que se “virar sozinha” para sustentar a si e aos filhos. Os filhos eram para ela a esperança de sua velhice. Agora, imaginem a situação de uma viúva, cujo filho único vem a morrer. Pois bem, a Palavra de Deus nos conta hoje ”como respectivamente Elias e Jesus ressuscitam um filho de uma viúva: Elias, com muito trabalho; Jesus, com um toque de mão. Se Elias era um ‘homem de Deus’, um profeta, Jesus é o ‘Senhor’, e o povo exclamou: ‘Um grande profeta nos visitou! Deus visitou o seu povo’!” (J. Konings. Liturgia dominical, p. 420).
Deus visitou seu povo! E como o fez? Sabemos que “quando um governador ou presidente visita uma cidade, dificilmente vai parar para se ocupar com um cortejo que casualmente cruza seu caminho. Vai ver o prefeito, isso sim. Mas o Filho de Deus se torna presente à vida de uma pobre viúva que esta levando seu filho – sua esperança – ao enterro. Deus visita os pobres e os pecadores: a viúva, Zaqueu… Aqueles que são abandonados pelos outros. Em Jesus, Deus nos mostra o caminho que conduz aos marginalizados” (Ibid, p. 421).
A divina Palavra nos mostra que o sistema de Deus é bem diferente do nosso. “Enquanto que nós gostamos de investir naqueles que já tem poder e influencia, Jesus começa com aqueles que estão à margem da sociedade. O Reino de Deus começou na periferia. E revela-se um Reino de vida para os deserdados” (Ibid).
Há ainda mais outro detalhe. A visita de Deus leva o povo também a sentir uma natural responsabilidade: a “responsabilidade da gratidão. O que povo fez? Ele espalhou a fama de Jesus por toda a região. Mostrou que soube dar valor à visita que recebeu. A Igreja terá de celebrar a mesma gratidão por Deus, que fez grandes coisas aos pequenos. Muitos ainda não são capazes disso. Não sabem se alegrar com a visita de Deus aos pequenos. Por isso lhes escapa a grandeza da visita. Mas, afinal, quando é que sentimos. Deus mais verdadeiramente próximo de nós: ao se realizar uma grande solenidade, ou quando um gesto de amor atinge uma pessoa carente?” (Ibid).
4. Ligando a Palavra com a ação eucarística
Logo mais, durante a liturgia eucarística, louvaremos e bendiremos nosso “Pai misericordioso e Deus fiel” que nos deu “seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor e Redentor, que sempre se mostrou cheio de misericórdia pelos pequenos e pobres, pelos doentes e pecadores, colocando-se ao lado dos perseguidos e marginalizados”.
Louvamos nosso Deus, porque esse Jesus nos mostrou, com sua vida e palavra, que temos um Pai que cuida de todos como filhos e filhas. Ao mesmo tempo, pedimos que o Senhor Deus, por seu Espírito, nos dê “olhos para ver as necessidades e os sofrimentos dos nossos irmãos e irmãs”; que ele nos inspire “palavras e ações para confortar os desanimados e oprimidos”; e que, “a exemplo de Cristo, e seguindo o seu mandamento, nos empenhemos lealmente no serviço a eles”.
E pedimos que a Igreja de Deus, que somos todos nós, “seja testemunha viva da verdade e da liberdade, da justiça e da paz, para que toda a humanidade se abra à esperança de um mundo novo” (cf. Oração Eucarística VI D, para diversas circunstâncias).
Enfim, que Deus misericordioso, que por Jesus Cristo e seu Espírito vem curar nossos males, modele nossos corpos por esta Eucaristia, libertando-nos das más inclinações e orientando para o bem a nossa vida (cf. oração depois da comunhão de hoje).


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