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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Maria escolheu a melhor parte...

XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM
Dia 21 de Julho
ANO    C

Comentários Prof.Fernando


Maria escolheu a melhor parte...

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MARIA ESCOLHEU A MELHOR PARTE-José Salviano


Enquanto Marta estava agitada com os afazeres domésticos, preparando uma refeição para aquela visita especial, Maria escolheu ESCUTAR O QUE JESUS DIZIA. Continua...

 

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“PORÉM UMA  SÓ COISA É NECESSÁRIA”. Olívia Coutinho

XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 21 de Julho  2013
Evangelho de Lc 10,38-42

Neste mundo agitado em que vivemos, a correria do nosso dia a  dia, rouba todo  o nosso tempo,  impedindo - nos de cultivar os nossos relacionamentos afetivos!
A nossa  preocupação em fazer, fazer, fazer, nos impede de “ser”, de  ser amigo, de ser pai, de ser mãe, esposo, esposa, filhos... E assim, vamos deixando de ser de Deus, por não termos  tempo de  relacionar com  Ele!
A todo instante, Jesus nos  convida a entrar  no coração do Pai, e  o  caminho que nos faz chegar a este oásis repousante, começa pela escuta da sua palavra, uma  escuta atenta,  que não corresponda apenas na nossa audição física, mas que nos leva  a interiorizar o que escutamos e assim poder viver de acordo com os seus ensinamentos.
O evangelho de hoje, nos convida mais uma vez  a esta escuta atenta da palavra de Deus, palavra, que chega até a nós, por meio de Jesus!  
O texto nos coloca em Betânia, exatamente na casa de duas amigas de Jesus: Marta e Maria! Duas irmãs, que O recebe com alegria em sua casa! As duas,  acolhe bem Jesus, cada  uma a seu modo, uma, pela escuta atenta, a outra pelo serviço. 
O episódio nos diz, que Maria sentou-se para ouvir Jesus, o que caracteriza  a postura  do discípulo que  escuta atento os ensinamentos do Mestre! Maria, naquele momento tão especial, não quis perder tempo com outros afazeres, o que indica, que ela colocava as coisas de  Deus em primeiro lugar! Nela, temos o exemplo de como deve ser a nossa  postura diante de Jesus: interromper nossas atividades cotidianas, para ouvi-Lo!
Foi o que Marta deixou de fazer, devido a sua  preocupação exagerada com os  afazeres, chegando ao ponto de se queixar com Jesus sobre  a atitude da irmã! Certamente, Marta também desejava ouvir Jesus, mas a sua preocupação com as tarefas domesticas foi maior, privando-a  de desfrutar das maravilhas  daquele momento único que  tivera com  a pessoa de Jesus!Talvez, a sua falha, não tenha sido na sua  dedicação  ao trabalho, e sim, em querer  desempenhá-lo, sem antes dedicar um tempo para ouvir Jesus!
Quando Marta reclama com Jesus, sobre a postura de Maria, Ele, com uma suave repreensão, acalma Marta dizendo: “Marta, Marta tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém uma só coisa é necessária... Como entender o significado desta afirmação de Jesus? Estas palavras de  Jesus, chama a nossa atenção, sobre a  necessidade do nosso ser de Deus! Necessidade, que nos leva a estar com Jesus!
Assim como Marta, nós também, preocupamos com  tantas coisas, mas só uma coisa nos é necessária: estar com Jesus! Estar com Jesus, não, em busca de  resoluções imediatas  para os nossos problemas e sim, para nos orientar por Ele!  Estar com Jesus, para conhecê-Lo melhor e assim, poder propagar o seu evangelho!
Quando  colocamos Jesus como centro de  nossa vida, nada consegue nos  tirar de junto Dele, a sua presença, os seus ensinamentos passam a ser prioridade  no nosso cotidiano!
Um trabalho, ainda  que seja realizado com a melhor das intenções,  não será frutuoso se  exercido, sem uma sintonia com os ensinamentos Jesus,   é Ele   quem vai nos dizer o que fazer e como fazer!
O nosso relacionamento  com Jesus é imprescindível! A eficácia  do nosso trabalho, depende de  nos deixar orientar por Ele!  
 Esta passagem do evangelho de hoje, vem  nos mostrar que, o que nos afasta de Jesus, não é só o pecado mas também,  a nossa falta de tempo para estar com Ele!  
O amor, a busca pela santidade, deve ser o nosso objetivo primeiro, o horizonte que não podemos perder  de vista, em meio as nossas ocupações cotidianas!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia

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Domingo, 21 de Julho de 2013
16º Domingo do Tempo Comum

Claretianos

São Lourenço de Bríndisi, Presbítero e Doutor da Igreja (Memória facultativa).
Outros Santos do Dia: Arbogasto de Estrasburgo (bispo), Constantino de Monte Cassino (abade, foi discípulo de São Bento), Daniel (profeta bíblico do Antigo Testamento), João de Edessa (eremita), Júlia de Troyes (virgem, mártir), Praxedes de Roma (virgem), Vítor de Marselha e Companheiros (mártires), Wastrada de Utrecht (mãe de família), Zótico da Capadócia (bispo, mártir). 
Primeira leitura: Gênesis 18, 1-10a 
Meu Senhor, não prossigas viagem, sem parar junto a mim, teu servo.  
Salmo responsorial: 14, 2-3ab. 3cd-4ab.5
Senhor, quem morará em vossa casa?  
Segunda leitura: Colossenses 1, 24-28 
O mistério escondido por séculos e gerações, mas agora revelado aos seus santos. 
Evangelho: Lucas 10, 38-4 
Marta recebeu-o em sua casa. Maria escolheu a melhor parte.
O texto da primeira leitura apresenta uma cena familiar. Abraão, sentado diante da tenda, recebe a visita do Senhor. Abraão o recebe com hospitalidade. Deus o premia com a fecundidade de Sara. Três traços fundamentais caracterizam o texto: a fé de Abraão ao reconhecer o Senhor. A hospitalidade com que se recebe o Senhor e a familiaridade de Deus com Abraão e sua família. É um belo exemplo da relação e acolhida de Deus pelo ser humano. 
Voltamos a encontrar, na segunda leitura de hoje, o pensamento de Paulo sobre o mistério de Deus e sua revelação por meio da pregação e o que Paulo acrescenta a essa revelação pelo sofrimento. Cristo revela a riqueza de Deus na pobreza da cruz e o apóstolo será o distribuidor da mesma a homens e mulheres.
Um primeiro comentário ao evangelho de hoje: Lucas nos apresenta finalmente uma historia pertencente ao fundo das tradições recebidas pelo evangelista no círculo de seus discípulos, especialmente mulheres. Marta e Maria, irmãs de Lázaro, recebe Jesus em sua casa. O caso de Marta e Maria é aproveitado uma vez mais por Lucas para ressaltar o valor da escuta da Palavra de Deus.
Sem entrar na teoria do valor da contemplação sobre a ação, que se quis ver nas duas atitudes opostas de Marta e Maria, o centro da historia é que o Reino de Deus não pode deixar-se distrair por uma preocupação excessiva pelas realidades terrenas. Por outra parte, escutar a Palavra de Deus não é ocasional, mas essencial.
Encontramo-nos com um quadro de uma visita familiar. Jesus visita suas amigas, Marta e Maria, e elas o recebem em casa. Marta se multiplicava para dar conta do serviço para atender o hóspede e Jesus a repreende porque anda inquieta “com tantas coisas”.... Marta não encontra a colaboração de ninguém. A irmã, de fato, sentou-se aos pés de Jesus e está completamente ocupada na escuta de sua palavra.
O Mestre não aprova o afã, a agitação, a dispersão, o andar em mil direções “de dona de casa”. Qual seria então o erro de Marta? O não entender o que a chegada de Cristo significa, principalmente a grande ocasião que não pode ser desperdiçada, e por conseguinte a necessidade de sacrificar o urgente e o importante. Porém, a defasagem do comportamento de Marta é resultado, sobretudo, do contraste a respeito da postura assumida pela irmã.
Maria, frente a Jesus, escolhe “recebê-lo”, Marta, pelo contrario, toma decididamente o caminho do agir; Maria se coloca no plano do ser e da primazia da escuta. Marta se precipita a “fazer”e este “fazer”não parte de uma escuta atenta da palavra de Deus, por isso corre o perigo de converter-se em um estéril girar no vazio. Apesar de todas as suas boas intenções, Marta se limita a acolher Jesus em sua casa. Maria o acolhe “dentro de si”, se faz recipiente seu. Oferece-lhe hospitalidade naquele espaço interior, secreto, que foi disposto por ele, e que está reservado para ele.
Marta oferece a Jesus coisas, Maria se oferece a si mesma. Segundo o juízo de Jesus, Maria escolheu “a melhor parte” (que apesar das aparências não é a mais cômoda: fica muito mais fácil mover-se que “entender a palavra”). Marta, infelizmente, não quer que nada falte ao hóspede importante; ela que pretende providenciar tudo, acaba deixando passar por alto “o único necessário”.
Marta reclama a Jesus, não sabe o que ele prefere. O problema é precisamente este: descobrir, pouco a pouco, o que é que Jesus quer de nós. Por isso é necessário parar, deixar ele ir e vir, e tirar tempo para escutar a Palavra de Jesus e compreender qual é realmente a vontade de Deus a nosso respeito.
SEGUNDO COMENTARIO DO EVANGELHO DE HOJE
No evangelho de Lucas, o caminho de Jesus a Jerusalém marca uma progressiva manifestação do Reino. À medida que avança, vai formando os discípulos em atitudes de misericórdia, de abandono às pretensões de poder e na atenta escuta da Palavra. Por esse caminho, igual aos missionários que vieram anunciando sua presença, Jesus é recebido por duas mulheres em uma casa. Aí damos de frente com duas atitudes diferentes. Uma de total atenção e escuta, a outra de afã pelos afazeres habituais e de distração.
A labuta da vida cotidiana havia armado uma arapuca a Marte e, provavelmente, a havia tornado surda à palavra de Deus. Ela recebe Jesus, porém não o escuta. Ainda que Jesus entre em casa, ela não abre as portas do coração abertas. Jesus propõe um plano destinado a formar verdadeiros ouvintes da palavra, autênticos discípulos – que Marta não esta disposta a atender.
Maria, ao contrario, compreende bem o projeto de Jesus e rompe com os preconceitos culturais de sua época. Em luar de andar atarefada com as atividades domésticas, “próprias das mulheres”, se coloca “aos pés do Senhor para escutar sua palavra”. Esse gesto era reservado então aos discípulos homens; portanto, temos aí a inclusão da mulher como discípula.
Marta, ao fatigar-se com o interminável trabalho da casa, questiona a contraditória atitude de Maria e interpela o Mestre para que “coloque a mulher em seu lugar”. Jesus lhe dá uma resposta inesperada: felicita Maria porque acertou na sua eleição e repreende a Marta por deixar-se envolver nas preocupações cotidianas sem atender ao mais importante.
Efetivamente, Maria fez a melhor opção, a única necessário para colocar-se no caminho de Jesus e ser seu discípulo: decidiu aprender a escutar a Palavra e se deixa interpelar pela presença do Mestre. Em seu caminho, Jesus vai formando seus seguidores nas atitudes indispensáveis para chagar a ser verdadeiros discípulos.
Uma das atitudes é a de escutar atenta e serenamente sua Palavra. Atitude que exige romper com o ritmo louco e interminável da vida cotidiana para colocar-se, serena e atentamente, aos pés do Mestre. Essa escolha, que aos olhos da eficiência pode parecer superficial e inútil, é uma condição fundamental para chegar a ser um autêntico discípulo.
Nós hoje nos defrontamos com um ritmo de vida mais agitado do que em épocas passadas. Os meios proporcionados pela tecnologia para economizar tempo... também multiplicam as ocasiões e acabam fazendo-nos cair em um ativismo desenfreado. E o excesso de preocupações nos leva a esquecer o fundamental... Nosso cristianismo se converte assim em um tímido cumprimento de algumas obrigações religiosas, sem espaço para a escuta da Palavra.
Somos exortados e bombardeados continuamente com mensagens que nos convidam a ser “eficazes, produtivos e competitivos”... Porém, com Marta e Maria, Jesus nos interpela e nos chama a respeitar a hierarquia de valores e a colocar em seu lugar a “opção pelo fundamental”: estar a seus pés e escutar sua palavra. Jesus nos convida a que nosso cristianismo seja um verdadeiro discipulado. Para aprender a lição do Mestre, precisamos nos formar na escuta atenta da Palavra da Bíblia e na vida.
A Bíblia não pode permanecer guardada em uma caixa ou gaveta, enquanto nós nos afogamos em interminável torvelinho de atividades cotidianas. A Palavra de Deus existe para caminhar conosco passo a passo, dia a dia, minuto a minuto, para nos ensinar a viver em comunidade e solidariedade, e a tornar efetivo o reinar de Deus, para nos ajudar a escutar a Palavra que Deus nos dirige na difícil realidade de nossos povos: nas desumanas condições das grandes cidades, na solidão e no isolamento dos campos.
Devemos, pois, optar pelas atitudes que nos convertem em verdadeiros discípulos de Jesus e autênticos cristãos. Evidentemente, não seria bom interpretar o texto em um sentido dualista (ou uma coisa ou outra): “ou contemplação e escuta passiva da Palavra, por uma parte... ou, por outra, ação caritativa sem oração nem contemplação”. Marta e Maria não devem ser símbolos de extremos parciais; se o fossem, a escolha não iria por nenhuma delas em particular, mas pelas duas em conjunto. É o que nos diz o poeta Casaldaliga em “o difícil tudo” escolhido pela “outra Maria”.
O DIFICIL TUDO
Tão somente melhor que a melhor parte que Maria escolheu, o difícil tudo.
Acolher o Verbo doando-se ao seu serviço. Vigiar sua ausência, gritando seu nome descobrir seu rosto Em todos os rostos.
Fazer do silencio a maior escuta Traduzir em atos as Sagradas Letras.
Combater amando.
Morrer pela vida lutando na paz. Derribar os troncos com as velhas armas quebradas de ira, Forradas de flores.
Cantar sobre o mundo. E o seu advenimento. Que o mundo reclama Talvez sem sabê-lo.  O difícil tudo. Que soube escolher .
A outra Maria...
Oração: Ó Deus, nosso Pai, que em Jesus nos mostraste “o caminho”: ajuda-nos a encontrar como ele a síntese harmoniosa entre a oração e a ação, entre contemplar-te e obedecer-te, o servir-te e servir os irmãos. Por Jesus Cristo, nosso Senhor.
Claretianos
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“SER ou FAZER, eis a questão!” - Diácono José da Cruz

16º DOMINGO DO TC 21/07/2013
1ª Leitura Gênesis 18, 1-10a
Salmo 14 (15),1ª “Senhor, quem há de morar em vosso tabernáculo?”
Evangelho Lucas 10, 38 – 42
                 

Pensei em conversar com Maria ou a própria Marta, mas o Evangelista São Lucas seria o mais indicado, afinal como autor, ele é imparcial na história dessas duas mulheres.
___São Lucas, quem ganha essa parada, Marta ou Maria? Está muito claro que Maria escolheu a melhor parte, será que a reflexão é só isso mesmo?
São Lucas____Não podemos nos esquecer que o evangelho é uma reflexão das comunidades onde nós evangelistas estávamos em contato permanente e é como uma colcha de retalhos, pegavam uma palavra de Jesus aqui, um relato diferente acolá, alguma coisa que alguém de outra comunidade falou sobre o fato, costura-se tudo e se faz o evangelho, sempre inspiração do Espírito Santo, Palavra de Deus revelada.
___O Senhor está querendo com isso, dizer o que ? Que esse episódio não ocorreu?
___Quero dizer que  o mais importante é prestarmos muita atenção na reflexão em si, que se tira desse ensinamento do mestre, a reflexão é a essência, é como uma laranja onde a casca é importante, mas não mais do que aquilo que está dentro. Ao chupar uma laranja, se você ficar prestando atenção excessivamente nos detalhes da casca, irá perder o melhor, que são os gomos com o suco doce.
___Mas São Lucas, Jesus ia sempre hospedar-se na casa dessas duas irmãs, que são também irmãs de Lázaro, não ?
____Claro que sim, eles formavam a Comunidade Betânia, mas sendo um escrito pós pascal, por trás de Marta e Maria há duas comunidades, isso é muito claro. Uma dessas comunidades, muito hospitaleira por sinal, havia ao que parece  muitas atividades que hoje chamaríamos de pastorais. Era uma correria com reunião prá cá, reunião para lá, decisões e encontros, planejamento. Um ativismo exacerbado.
___Opa! Parece que o Senhor está falando de nossas comunidades? Ás vezes é assim também aqui em nosso tempo!
____ E a outra comunidade fazia um pouco menos de todas essas tarefas, pois tinham como prioridade as celebrações com a escuta da Santa Palavra, dos ensinamentos de Jesus. Não chegava a ser uma comunidade contemplativa, mas eram capazes de ficarem horas e horas meditando a Palavra e não se cansavam em ouvi-la.
_____ São Lucas, nem precisa dizer mais nada, agora ficou fácil a meditação. Pois o Documento 94 das DGAE (Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora)  nos ensina a fazer tudo, A PARTIR DE JESUS.  Ele é o ponto inicial e o ponto final, sem ele, não caminhamos e nem chegamos a lugar nenhum. Uma Igreja Sacramentalista e Pastoralista parece Marta, que até acolhe, mas depois prioriza o FAZER em detrimento do SER, e o ideal mesmo é ser como Maria, primeiro o SER que vem com a Palavra de Jesus que transforma o nosso íntimo, daí o nosso FAZER será requalificado. 
___Pois é, acho que o fechamento da reflexão foi perfeito. É isso mesmo, e em vez de ficar se perguntando que estava com a razão,se Marta ou Maria, olhe para o modo de como vocês fazem as coisas hoje nas comunidades, e se Jesus Cristo está no centro de tudo....

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Evangelhos Dominicais Comentados

21/julho/2013 – 16o Domingo do Tempo Comum

Evangelho: (Lc 10, 38-42)


COMENTÁRIO

Na liturgia deste domingo encontramos Jesus em Betânia, na casa de duas irmãs. Marta e Maria são também irmãs de Lázaro. Todos os três sempre foram grandes amigos de Jesus.

A cidade de Betânia ficava no caminho entre Jericó e Jerusalém. E, em suas viagens, para lá ou para cá, Jesus não deixava de entrar em Betânia para visitar seus amigos. Sabia que lá encontraria uma calorosa acolhida. Diante dessa certeza, por mais pressa que tivesse, nunca passaria por ali sem dar uma "paradinha".

Como é bom entrar na casa de amigos! Como é bom sentir-se acolhido e amado. Jesus também fica muito feliz quando o recebem com amor. O lar que acolhe Jesus adquire ar festivo. É o que podemos notar no evangelho de hoje. As duas irmãs dão a Jesus uma recepção digna de um grande amigo.

Lucas não menciona outras pessoas neste evangelho. Ele fala somente de Jesus e das irmãs Marta e Maria, mas Jesus andava sempre acompanhado dos seus discípulos, e Lucas inicia o Evangelho dizendo: “Enquanto caminhavam”... por isso, é bastante provável que seus doze apóstolos também estivessem naquela casa, esperando pelo almoço que Marta estava preparando.

Diante de tanto serviço e de tantas preocupações, não é de se estranhar que Marta tenha reclamado com Jesus da falta de colaboração de sua irmã. É muito importante ressaltar também, a forma como Marta falou com Jesus.

Ela fala de maneira meio chorosa, e reconhece a autoridade de Jesus ao pedir-lhe que mande Maria ajudá-la. Seu jeito de conversar com Jesus deixa transparecer a grande amizade existente entre eles. Marta via Jesus como alguém da família e falou com Ele como se fala para um pai ou para um grande amigo.

Falou sem rodeios e naturalmente, não falou por mal. Estava somente transmitindo o que sentia. Sentia-se sozinha e abandonada em meio a tantos afazeres, e sem ninguém com quem dividir as tarefas. 

As palavras de Jesus não devem ser interpretadas como advertência para Marta, nem como elogios para o comportamento de Maria. Jesus não está censurando o trabalho e muito menos, elogiando Maria por não ajudar sua irmã. Sabe que Marta tem muitos motivos para estar preocupada com seus afazeres.

No entanto, Jesus sabe também como é importante que as coisas de Deus estejam em primeiro lugar em nossas vidas. É isso que Jesus tenta ensinar para Marta e para cada um de nós. As preocupações do dia-a-dia sempre existirão e não devem ser negligenciadas, entretanto é preciso cuidado para não nos envolvermos somente com as coisas materiais, a ponto de colocarmos Deus em segundo plano. 

Marta e Maria se complementam. Por isso se entendem, vivem juntas e são tão companheiras. Não podemos analisá-las de forma isolada, pois uma é o complemento da outra. Uma é o exemplo vivo do trabalho, da ação e do gesto concreto. A outra representa a vida contemplativa e a meditação da palavra de Deus. Representa, acima de tudo a oração.

A união das duas representa a perfeição da vida. O trabalho de Marta deve ser visto como algo necessário e a oração de Maria, como algo indispensável. Como dizia São Tiago, a fé sem obras é morta, no entanto a boa obra é fruto da oração. Quem dera fôssemos metade Marta, metade Maria; para estarmos sempre disponíveis, sem nunca nos afastarmos de Jesus.


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O Senhor hoje nos acolhe em sua Casa, hospeda-nos ao redor do seu Altar sagrado, para nos falar de hospitalidade. Aquele que nos hospeda bate à nossa porta, humildemente, como hóspede, esperando ser acolhido por nós: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap. 3,20). Abramos para ele nosso coração e nossa vida.
A Palavra de Deus apresenta-nos, nas leituras deste Domingo, dois modos de acolher o Senhor; dois modos distintos, mas que se relacionam e mutuamente se condicionam. O primeiro, é acolhendo-o na sua Palavra, como Maria, a irmã de Marta e de Lázaro. Para nós, ela é modelo do discípulo perfeito, pois“sentou-se aos pés do Senhor, e escutava sua palavra”. Marta também acolheu Jesus, mas é um acolhimento exterior e, portanto, superficial, como o daqueles que são cristãos tão empenhados em trabalhar por Cristo e em falar de Cristo, que esquecem de estar com Cristo, de realmente dar-lhe atenção na escuta da Palavra e na oração. Ora, é nisto, precisamente, que Maria, hoje, é exemplo para nós: “sentou-se aos pés do Senhor”. – Vejam a disponibilidade, à atenção à Pessoa de Cristo, a disposição em acolher a Palavra que brota do coração do Salvador: “escutava sua palavra”. Aqui, cabe-nos perguntar: neste mundo dispersivo e agitado, neste mundo da competição e do estresse, tenho tido tempo, realmente, para acolher o Cristo que bate à minha porta? “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei...”Não tenhamos dúvida que grande parte da crise de fé e de entusiasmo de muitos cristãos decorre da falta desse acolhimento íntimo em relação ao Senhor, da incapacidade de hospedá-lo no nosso afeto e no nosso coração pela escuta da Palavra que se torna oração amorosa e perseverante. Talvez sirva para todos nós, ativos em excesso e dispersos contumazes, a advertência de Jesus: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária”. Qual? Que coisa é a única necessária? Estar aos pés do Senhor, abrindo-se à sua Palavra: “O homem não vive somente de pão, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). É esta a parte que Maria escolheu e que, por nós escolhida, jamais nos será tirada, porque Deus é fiel!
Mas, há um outro modo de acolher Aquele que está à porta e bate. Este modo deve decorrer da escuta da Palavra e mostra se essa Palavra é eficaz na nossa vida. Trata-se de acolher os outros, de hospedá-los no nosso coração e na nossa vida. Recordemos a cena de Abraão, nosso pai na fé. Colhamos os detalhes! Abraão estava sentado, talvez descansando do almoço, “no maior calor do dia”. Ao ver os estrangeiros que lhe estão próximos, corre ao encontro deles. Observem a solicitude de nosso pai na fé: não os conhecia, mas corre, com pressa, até eles e os reverencia: “Assim que os viu, correu ao seu encontro e prostrou-se por terra”. Observem a insistência no convite para que os estranhos comam de sua mesa; notem a solicitude em preparar rápido o melhor que tem: entrou logo na tenda, tomou farinha fina, correu ao rebanho e pegou um dos bezerros mais tenros e melhores, pegou coalhada e colocou tudo diante dos hóspedes... Por que fez isso? Porque tem fé! Para Abraão, não existe acaso. Notem como ele diz aos estrangeiros: “Foi para isso mesmo que vos aproximastes do vosso servo”. Ou seja: fizestes-vos próximos de mim para que eu me faça próximos de vós e vos sirva! Notem ainda como a situação se inverte: ao início, Abraão estava sentado e os hóspedes, de pé; agora, Abraão está de pé, servindo, e os hóspedes, comodamente sentados. Sem saber, naqueles estrangeiros, acolhidos desinteressadamente, Abraão estava acolhendo o próprio Senhor. E, ao fazê-lo, ao esquecer-se de si para preocupar-se com os outros, tornou-se fecundo: “Onde está Sara, tua mulher? Voltarei, sem falta, no ano que vem, por esse tempo, e sara, tua mulher, já terá um filho!” Bendita hospitalidade, que gera vida! Bendito sair de nós, que nos torna fecundos!
Domingo passado, a Palavra nos fazia perguntar: quem é o meu próximo? Pois hoje, a pergunta volta, insistente: quem são aqueles e aquelas que estão de pé, à porta da minha tenda esperando que eu os acolha no meu coração e na minha atenção? Pensemos nos pobres, nos desvalidos, nos sem amor, nos que caíram, nos que se sentem sozinhos, nos que batem à nossa porta pedindo uma esmola e nos que pedem atenção, respeito, compreensão, perdão e amor... Somos tão tentados ao fechamento no nosso mundo e nas nossas preocupações! E, no entanto, neles, o Senhor bate à nossa porta, pede-nos hospedagem: “Eis que estou à porta e bato!” E isso não é de hoje nem de ontem: desde Belém, que ele está à porta, desde Belém, que ele procura o nosso acolhimento! Desde Belém, não “havia lugar para ele na hospedaria” (Lc. 2,7).
Então, somente poderemos hospedar Jesus em plenitude quando estes dois modos se completam: hospedá-lo na escuta da Palavra e no silêncio da oração e hospedá-lo naqueles que vêm a nós pelos caminhos da vida. Calha maravilhosamente hoje o conselho do Autor da Carta aos Hebreus: “O amor fraterno permaneça. Não vos esqueçais da hospitalidade, porque graças ela alguns, sem saber, acolheram anjos” (Hb 13,1s). Mais que anjos: acolheram o próprio Deus, aquele que disse: “Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes!” (Mt. 25,40).
dom Henrique Soares da Costa
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O único necessário
Neste domingo, a liturgia nos propõe dois exemplos de hospitalidade, o de Abraão e o de Marta. A história de Abraão dirige nosso olhar para o mistério escondido na hospitalidade. A história de Marta e Maria nos ensina que, antes de se desdobrar em gestos de hospitalidade, importa saber acolher. A verdadeira hospitalidade não consiste em preparar muitas coisas, mas em acolher o dom que é a pessoa. Receber as pessoas com atenção, dar-lhes audiência, pode ser uma ocasião para receber a única coisa verdadeiramente necessária, a palavra de Deus: sua promessa (no caso de Abraão), seu ensinamento (no caso de Maria).
O lema que se repete durante a celebração pode ser: “Em primeiro lugar, escute o Senhor”.
1º leitura: Gn. 18,1-10a
A primeira leitura nos mostra como a hospitalidade de Abraão é recompensada pela promessa de Deus. Sob a aparência de três viajantes, Deus apresenta-se, incógnito, a Abraão, que demonstra toda aquela hospitalidade tão apreciada no Oriente. Aos poucos, o foco da narrativa se desloca da hospitalidade de Abraão para a promessa de Deus. Abraão não perguntou pela identidade de seus hóspedes. Agiu por bondade gratuita. Com a mesma gratuidade, Deus lhe concede o que era estimado impossível: um filho de sua mulher Sara, já idosa.
A leitura mostra que, quando se está oferecendo hospitalidade, na realidade se está recebendo a generosidade de Deus. A hospitalidade que Abraão, generosa e gratuitamente, oferece a três homens, perto do carvalho de Mambré, transforma-se em receber. Ele recebe a coisa que mais deseja: um filho de sua mulher legítima, Sara. Talvez por isso se diz que a hospitalidade é “receber” uma pessoa: o hóspede é um dom para nós...
Deus passa por nossa vida, junto de nossa casa, e importa fazê-lo entrar (Gn. 18,3), para que a nossa vida não fique vazia. Deus pode chegar como um viajante, um necessitado, e nossa gratuita bondade deve estar pronta para o “receber” no momento imprevisto.
Evangelho: Lc. 10,38-42
O evangelho, com o episódio de Jesus na casa de Marta e Maria, focaliza “o único necessário”.
Quem acolhe um hóspede parece estar oferecendo algo – a hospitalidade –, mas pode ser que, na realidade, esteja recebendo mais do que oferece, como foi o caso de Abraão na primeira leitura. Lida nessa ótica, a história de Marta e Maria se torna reveladora. Hospedar e cuidar é bom; mais fundamental, porém, é “receber” o dom que é o hóspede, com tudo o que tem de mais importante. E o mais importante, no caso, é a palavra de Jesus. Ele não veio para se fazer servir como um freguês num hotel; veio para servir (Mt. 20,28), e serve por meio de sua palavra, de sua vida inteira. Ele é inteiramente Palavra, Palavra de Deus, no seu dizer, no seu fazer, no seu sofrer. Acolher essa Palavra é o único necessário.
Quem se esgota em “fazer coisas” para o outro, sem realmente o “receber”, pode ser chamado de ativista. O ativismo é um mal de nosso tempo, mas não data deste século. É doença que espreita a humanidade desde sempre. Jesus aproveita as intensas ocupações da “dona Marta”, sua anfitriã, para falar desse assunto. Marta dá muita importância aos próprios afazeres e pouca àquilo que recebe de Jesus. Ela deseja que Maria, imersa na escuta das palavras do mestre, interrompa sua escuta e a ajude a preparar a comida. Mas por que preparar comida se não se sabe para quê? Se alguém não se abre para receber a mensagem, para que acolher o mensageiro? Um bom anfitrião procura servir o melhor possível, mas, se não escuta o que o visitante tem para dizer, fará uma montão de coisas, mas a finalidade real da visita não se realizará. “Marta, Marta, tu te ocupas com muitas coisas; uma só, porém, é realmente necessária...”. Jesus não diz o que é essa coisa necessária, mas a história nos faz entender que é o que Maria estava fazendo: escutar Jesus. Maria escolheu a parte certa. Mais fundamental do que a casa bem arrumada e a mesa bem provida com que Marta se preocupa é acolher Jesus, com suas palavras, no coração. Então a mesa bem preparada servirá para sua verdadeira finalidade.
O ativismo, mesmo a serviço dos outros, corre o perigo de ser um serviço a si mesmo: auto-afirmação à custa de quem é o “objeto” de nossa caridade. A superação do ativismo consiste em ver o mistério de Deus nas pessoas, assim como Maria o enxergou em Jesus, o porta-voz de Deus, o portador das “palavras de vida eterna” (cf. Jo 6,68).
O hóspede vem a nós com uma recomendação de Deus, e por isso lhe dedicamos atenção. Nossa preocupação não deve ser o nosso próprio afazer, mas a interpelação que o rosto do outro nos dirige. Então não lhe imporemos uma hospitalidade que nós inventamos em proveito de nossa auto-afirmação, mas abriremos o coração àquilo que ele diz e é. É isso que Jesus lembra a Marta.
A verdadeira contemplação não é uma fuga a pensamentos aéreos, mas aquele realismo superior que nos leva a ver Deus no homem e o homem em Deus. Essa contemplação é também o fundamento da verdadeira práxis da fé, que consiste, precisamente, em tratar o homem como filho e representante de Deus. Para isso, o centro de nossa preocupação não deve ser nossa atividade, mas a pessoa humana que nos é dada e que nós “recebemos” como um dom da parte de Deus.
2º leitura: Cl. 1,24-28
A segunda leitura nos fala da manifestação do mistério de Cristo na missão do apóstolo. Servir a Cristo é participar de seu sofrimento. No sofrimento próprio, Paulo vê confirmada sua comunhão com Cristo, e isso é para ele uma alegria. Ele quer revelar o “mistério de Deus” – que é Cristo – por sua vida. Cristo é a “esperança da glória”. “Cristo no meio de nós” (1,27) não é um belo pensamento, mas força que nos impele ao encontro dos irmãos. Cristo é, em nós, a esperança, a impaciência do Dia que há de manifestar, plenamente, o que ele é e o que nós seremos nele.
Deus vem ao ser humano. Paulo sabe dessa união de Deus e Cristo com o ser humano, que lhes pertence. O apóstolo considera o seu sofrimento como a complementação, no próprio corpo, do sofrimento de Cristo. Não que faltasse algo ao sofrimento de Cristo por parte deste – faltava algo por parte de Paulo; o sofrimento de Cristo precisava ser completado pela participação de Paulo. Isso, aliás, vale para todos nós. Só nos apropriamos, por assim dizer, da paixão de Cristo por nossa “com-paixão”.
Paulo anuncia a palavra de Deus em sua plenitude: o mistério escondido desde a eternidade, a realidade só conhecida por quem dela participa, a esperança da glória, “Cristo em vós”. Na comunidade dos fiéis, da qual Paulo se tornou apóstolo, está presente aquele que assume todo o sentido de nossa vida e da criação toda (Cl. 1,15-20, cf. domingo passado). Para que fossem levados à perfeição os que receberam sua pregação, Paulo oferece sua vida.
(Querendo usar um texto mais afinado com o tema do evangelho e da primeira leitura, veja-se 1Pd. 4,9-11: “Sede hospitaleiros”.)
Pistas para reflexão
O importante e o necessário
Grande mal em nossa sociedade, e também na Igreja, é o ativismo, a falta de disposição para aprofundar o essencial, sob o pretexto de tarefas urgentes.
Na primeira leitura, vimos a virtude da hospitalidade, na figura de Abraão. Deus, que nos anjos se tornou seu hóspede, recompensa-o com a promessa de um filho. Será que o evangelho não contradiz essa lição? Jesus dá a impressão de valorizar mais a presença passiva de Maria, que fica a escutá-lo, do que a preocupação de Marta em bem recebê-lo. Ou será que o jeito certo de recebê-lo é o de Maria: escutar sua palavra?
Jesus observa a Marta que ela anda ocupada e preocupada com muitas coisas, enquanto uma só é necessária. Essa observação não é uma crítica à hospitalidade, mas indica uma escala de valores: a melhor parte é a que Maria escolheu! O que esta faz é fundamental e indispensável: escutar. O resto (as correrias pastorais, as reuniões) é importante, mas deve ter fundamento no escutar. Jesus censura Marta não porque ela cuida da cozinha, mas porque quer tirar Maria do escutar para fazê-la entrar no ritmo das suas próprias ocupações. Marta não conhecia a escala de valores de Jesus.
Paulo, na segunda leitura, pode ser um exemplo. Ele passou pela “passividade” do sofrimento, assumindo no próprio corpo a sua participação no sofrimento de Cristo. Dessa identificação profunda com Cristo ele tirou a força para seu surpreendente apostolado.
Gente ocupada é o que menos falta. Mas sabemos muito bem que toda essa ocupação não gira, necessariamente, em torno do fundamental. Dá até pena ver certas pessoas complicar a vida com mil coisas das quais dizem que vão simplificá-la. Por outro lado, encontramos também, especialmente entre os pobres “de coração” (não aqueles com mania de rico), pessoas que levam uma vida simples, porém com muito mais conteúdo e, sobretudo, com um coração sensível e solidário.
Importa acolher (a Deus, a Jesus, os outros) em primeiro lugar no coração. Só então as demais atuações terão sentido. Isso vale na vida pessoal e também na vida comunitária. Comunidades que giram exclusivamente em torno de preocupações e reivindicações materiais acabam esvaziando-se, caem em brigas geradas pelo personalismo e pela ambição. Mas comunidades que primeiro acolhem com carinho a palavra de Jesus num coração disposto saberão desenvolver os projetos certos para pôr essa palavra em prática.
padre Johan Konings, sj.
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Duas mulheres admiráveis: Maria e Marta
Uma só coisa é necessária (Lc  10,42).
“Enquanto o grupo de discípulos prossegue seu caminho, Jesus entra sozinho numa aldeia e se dirige a uma casa onde encontra duas irmãs de quem ele gosta muito.  A presença de seu amigo  Jesus vai provar nelas duas reações diferentes.
Maria, certamente a irmã mais jovem,  deixa tudo e “fica sentada aos pés do Senhor”.  Sua única preocupação é escutá-lo. O evangelista descreve-a com traços que caracterizam o verdadeiro discípulo:  aos pés do Mestre, atenta à sua voz, acolhendo sua Palavra e alimentando-se de seu ensinamento.
A reação de Marta é diferente. Desde que Jesus chegou, ela não faz senão desvelar-se  para acolhê-lo e atende-lo devidamente.  Lucas descreve-a angustiada por muitas ocupações. Chega um momento em que, sobrepujada pela situação e magoada com sua irmã, expõe sua queixa a Jesus: “Senhor, não te importa que  minha irmã me tenha  deixado  sozinha com o serviço? Dize-lhe que me dê uma mãozinha”.
Jesus não perde a calma. Responde a Marta  com um grande carinho, repetindo devagar seu nome; depois faz ver que ele também se preocupa com o sufoco que ela está passando,  mas ela precisa saber que escutar a ele  é tão necessário que nenhum discípulo  que nenhum discípulo pode ser privado de sua  Palavra:  “Marta, Marta  andas inquieta e nervosa  com tantas coisas.   Só uma coisa é necessária e Maria escolheu  a melhor parte e está não lhe será tirada”.
Jesus não critica o serviço de Marta. Como iria fazê-lo se ele próprio, com seu exemplo, está ensinando a todos a viver acolhendo, servindo e ajudando os outros?  O que ele critica é seu modo de trabalhar, com os nervos à flor da pele, sob a pressão de demasiadas ocupações.
Jesus  não contrapõe a vida ativa à vida contemplativa, nem a escuta fiel de sua Palavra e o compromisso de viver praticamente a entrega aos outros.  Antes, alerta quanto ao perigo de viver  absorvidos por um excesso de atividade, apagando em nós  o Espírito e transmitindo mais nervosismo e afobação  do que paz e amor.
Sob pressão da escassez de forças, estamos nos habituando a pedir aos cristãos mais generosos todo tipo de compromissos dentro e fora da Igreja. Se, ao mesmo tempo, não lhes oferecemos   espaços e momentos  para conhecer Jesus, escutar sua Palavra e alimentar-se de seu Evangelho, corremos o risco de fazer crescer na Igreja  a agitação e o nervosismo, mas não seu Espírito e sua paz.  Podemos nos deparar  com comunidades animadas pro funcionários afobados, mas não por testemunhas que irradiam vigor”.
(José A. Pagola, O caminho aberto por Jesus: Lucas,  Vozes, p. 187-188)
frei Almir Ribeiro Guimarães
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O único necessário
O ativismo não data deste século.  É uma doença que espreita a humanidade desde sempre. Jesus, às vezes um tanto irreverente para com seus anfitriões (cf. Lc. 13,27ss), aproveita as intensas ocupações da Da. Marta, sua anfitriã, para falar do assunto (evangelho). Pois ela deseja que Da. Maria, imersa na escuta das palavras de Jesus, interrompa sua audiência e a ajude para preparar a comida. Mas, por que preparar comida, se não se sabe para quê? Se a gente não se abre para acolher a mensagem, para que acolher o mensageiro? Um bom anfitrião procura servir o melhor possível, mas se ele não faz tempo para se abastecer, que poderá oferecer? Um montão de coisas, mas não aquilo que serve. “Marta, Marta, tu te ocupas com muitas coisas; uma só, porém, é realmente indispensável”. Não diz o quê. Só diz que Maria escolheu a parte certa: escutar Jesus. Muito mais importante do que acolher Jesus numa casa bem arrumada, a uma mesa bem provida, é acolhê-lo, com suas palavras, no coração. Então saberemos preparar a mesa do modo certo.
Marta dá muita importância àquilo que ela está fazendo, e pouca àquilo que ela recebe de Jesus. A 1ª leitura mostra que, quando se está oferecendo hospitalidade, na realidade está recebendo. A hospitalidade que Abraão generosa e gratuitamente oferece a três homens, perto do carvalho de Mamré, transforma-se num receber; recebe a coisa que mais deseja: um filho de sua mulher legítima, Sara. Talvez por isso se diga que a hospitalidade é “receber” uma pessoa: o hóspede é um dom para nós.
A verdadeira hospitalidade não é preparar muitas coisas, mas acolher o dom que é a pessoa. Receber as pessoas com atenção, dar-lhes audiência, pode ser uma ocasião para receber a única coisa verdadeiramente necessária, a palavra de Deus: sua promessa (no caso de Abraão), seu ensinamento (no caso de Maria). Deus vem no ser humano. Paulo (2ª  leitura) sabe desta união de Deus e Cristo com o homem que lhes pertence. Seu sofrimento, ele o considera como a complementação, no seu próprio corpo, do sofrimento de Cristo. Ele leva em si o mistério escondido desde a eternidade, a realidade que só conhece quem dela participa, a esperança da glória, “Cristo em vós”. Na comunidade dos fiéis, especialmente, desses pagãos dos quais Paulo se tomou o apóstolo, está presente aquele que assume todo o sentido de nossa vida e da criação toda (Cl. 1,15-20). Para que esses fiéis sejam levados à perfeição, Paulo oferece sua vida.
O ativismo, mesmo a serviço dos outros, corre o perigo de ser um serviço a si mesmo: auto-afirmação às custas do “objeto” de nossa caridade. A superação do ativismo consiste em ver o mistério de Deus nas pessoas, assim como Maria o enxergou em Jesus, certamente, o porta-voz de Deus, o portador das “palavras de vida eterna” (cf. Jo 6,68). Mas podemos também enxergar no homem o destinatário do carinho de Deus: é também uma maneira de ver Deus nele. A verdadeira contemplação não é uma fuga em pensamentos aéreos, mas aquele realismo superior que nos leva a ver Deus no homem e o homem em Deus. Esta contemplação é também o fundamento da verdadeira práxis da fé, que consiste, precisamente, em tratar o homem como filho e representante de Deus. Para isso, o centro de nossa preocupação não deve ser nossa atividade, mas a pessoa humana que nos é dada e que nós “recebemos” como um dom da parte de Deus.
Johan Konings "Liturgia dominical"

A cena se passa em Bethânia, na casa de Marta e Maria. Jesus entra na casa delas e, naquele tempo, as mulheres eram colocadas à margem, não participavam oficialmente no culto e não podiam se dedicar aos estudos da Lei. Jesus, porém, anula essas regras, elas tornam-se também discípulas que Ele procura.
As duas irmãs, de temperamento bastante diferente, cada uma à sua maneira recebe Jesus com alegria. Enquanto Marta se preocupa em receber a pessoa de Jesus servindo-lhe, procurando acomodá-lo e Lhe prepararando um banquete, Maria se concentra em servir-se dos ensinamentos do Senhor.
Este texto pode ser visto por dois ângulos: No primeiro, a escolha certa de Maria em deixar tudo e receber os ensinamentos de Jesus, acolher sua palavra, pois Ele não veio para ser servido, mas para servir; e Marta, ao se preocupar em servir a Jesus, negligencia receber em seu coração seus ensinamentos. Quando Deus visita os homens é para lhes trazer seus Dons, sua Palavra, que valem muito mais do que tudo aquilo que os homens possam fazer por Ele. Sem a Palavra de Deus não há salvação, por isso ouvi-la é necessidade absoluta.
Olhando por outro ângulo, este texto está inserido no evangelho de Lucas logo na sequência do domingo passado, onde Jesus deixa clara a forma correta de agir com amor. Por este contexto, e observando que o conteúdo dos ensinamentos de Jesus que Maria ouve com tanta atenção sequer são relatados, pode-se acreditar que, ao repreender Marta, Jesus não o faz por ela estar se dedicando aos afazeres domésticos, pois todas as atividades são importantes aos olhos Dele, mas sim pela forma como faz. Ele quer que Marta compreenda um modo novo de realizar as tarefas seguindo seus ensinamentos e, não importando qual seja a missão, elas devem ser realizadas com amor e alegria, sem atropelos. Não é a multiplicidade de obras que salva o homem, mas sim viver a Palavra de Deus com amor, fidelidade e muita alegria.
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A melhor parte
A cena evangélica desafia-nos a fazer uma leitura integrativa, sem contrapor Maria e Marta, como se uma fosse símbolo da ação e a outra, da contemplação, como se uma tivesse feito uma ação louvável e a outra, uma ação censurável. Portanto, quando Jesus fala que Maria escolheu a melhor parte, pensa-se logo que a contemplação é mais importante que a ação ou, mais radicalmente, a contemplação pode prescindir da ação.
Tanto a atitude de Maria quanto a de Marta foram de carinhosa acolhida a Jesus e a seus discípulos. A primeira deteve-se a escutar o amigo recém-chegado, enquanto a outra pôs-se a preparar uma refeição para esses hóspedes. Diante de amigos com fome, nada melhor do que oferecer-lhes algo para restaurar as forças. O erro de Marta consistiu em não começar por acolher a quem chegava, talvez depois de um longo período de ausência. Era preciso acolher o Mestre, antes de pôr-se em ação. Afinal, Jesus estava mais interessado em partilhar alguns momentos de convívio com uma família amiga do que em degustar uma excelente refeição.
No caso de Maria, sua amabilidade inicial transformar-se-ia em insensibilidade, se fosse incapaz de perceber a situação dos amigos e não se apressasse em dar-lhes comida. Ela, porém, agiu corretamente. Sua ação foi precedida da escuta da palavra do Mestre. Ou seja, a contemplação culminou e expressou-se na ação caridosa para com os visitantes.
padre Jaldemir Vitório
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Se a nossa pastoral se faz na rua, a exemplo dos apóstolos e do Senhor Jesus, nossas igrejas e todas as nossas instituições materiais são casas de acolhida. A casa de Marta e Maria acolhendo Jesus é o modelo das nossas instituições. "Quem vos acolhe a mim acolhe", e "o que fizerdes ao menor de meus irmãos, a mim o fareis" - disse Jesus.
Quem recebe o hóspede recebe Jesus. O anonimato de nossas "celebrações" pode ser amenizado pela acolhida. Acolher, indicar um lugar mais próximo do altar, entregar material de canto ou folhetos, assim como despedir-se, cumprimentar na porta da igreja, tudo isso ajuda a criar um ambiente humano e bom relacionamento. O importante, porém, no exemplo de Marta e Maria, é a acolhida que escuta e que serve com boa vontade, valorizando aquele que chega. Esse tipo de acolhida não acontece somente na igreja, mas em qualquer lugar.
Jesus se movimenta de um lado para outro, entra nos povoados, para nas casas. Ele se comporta como um morador do lugar, como alguém desprotegido que depende da boa acolhida dos outros. Marta e Maria o acolhem. Enquanto Marta prepara uma refeição, Maria dá especial atenção ao hóspede. Senta-se com Ele e o escuta. Parece que isso provocou algum ciúme em Marta ou, o que é muito comum, ela não gostou de ter de arcar sozinha com o serviço.
O ambiente da casa é tranquilo, normal e humano, com seus problemas de relacionamento. Jesus procura ajudar mostrando onde estão os valores e afirma que Maria escolheu a melhor parte. A melhor parte consiste em estar com Cristo e ouvir a sua Palavra. As ocupações materiais vêm depois. O que importa, porém, é que as duas foram acolhedoras, assim como Abraão, que sem saber acolheu anjos e o próprio Deus.
Abraão estava diante da sua tenda quando viu três homens que se aproximavam. Não esperou que eles chegassem e pedissem alguma coisa. Adiantou-se em preparar a acolhida e ofereceu a eles o seu espaço. Abraão e Sara foram recompensados com o anúncio do nascimento de Isaac, o filho da promessa.
Sabemos, de forma realista, que os católicos praticantes não são tão numerosos hoje em dia. Entendemos por praticantes os que participam da missa dominical e das atividades da sua comunidade. Esses deveriam constituir um núcleo forte de testemunho cristão no ambiente em que vivem, tanto em relação aos não praticantes quanto em relação aos não católicos.
Os contatos, a amizade, as visitas, a ajuda mútua para que ninguém passe necessidade deveriam ser uma prática comum. Às vezes, é mais comum a dissensão, o falatório, a concorrência, a "fofoca". No entanto, a solidariedade fora da Igreja pode se tornar um forte testemunho de vida evangélica. E na Igreja também com a atenção aos mais velhos, a indicação dos lugares vazios e mais próximos do altar, a ajuda nas informações, a entrega de material litúrgico e de evangelização. Os antigos ostiários, que cuidavam das portas, continuam sendo importantes e necessários, mais até do que o serviço do próprio altar, que se faz com mais facilidade.
A hospitalidade é a flor da caridade e revela os mistérios ocultos, porque nos torna perfeitos em nossa união com Cristo.
cônego Celso Pedro da Silva
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Jesus aceita o convite das duas irmãs
O evangelho deste domingo está situado na parte central de Lucas, a “subida de Jesus para Jerusalém”.
É preciso, como ponto de partida, eliminar um equívoco, a saber, a oposição entre ação e contemplação. Neste caso, Jesus daria prioridade à contemplação sobre a ação.
Aqui, a questão é bem outra: trata-se de receber Jesus, de recebê-lo de verdade.
Foi Marta quem o recebeu: “… e uma mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa” (v. 38). Daí que é não só precipitado, mas uma má leitura do texto, desqualificá-la. Jesus aceita o convite de Marta. Aliás, ele espera ser convidado: “... eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3,20). Nós temos sempre uma porta a abrir para acolher Jesus.
A fé em Jesus é hospitalidade – trata-se de recebê-lo em si, em sua intimidade pessoal e familiar. E recebê-lo bem! Receber bem é deixar o outro falar e se dispor a ouvi-lo. Escutar é um trabalho, exige esforço.
Frequentemente, há muito barulho à nossa volta, muito barulho em nós. Escutar alguém exige atenção. Escutar distraidamente, continuando a fazer as tarefas, é um modo de dizer àquele que fala que o que ele diz não tem nada de decisivo ou de importante. Escutar alguém exige, como ponto de partida, admitir que ele possa ter razão no que diz. Nosso relato tem um valor simbólico. Ele responde a uma questão fundamental para o cristão: o que é ser, realmente, discípulo de Jesus? A lição deste episódio é que ele não opõe duas opções. Ele afirma uma prioridade: escutar, receber uma palavra que se instala em nós como um hóspede se instala em nossa casa.
O erro de Marta foi ter obstruído este tempo de escuta, de ter considerado que receber Jesus é simplesmente preparar a mesa, pôr pequenos pratos, como é o costume até hoje no Oriente. Marta queria fazer-se apreciar.
Tal zelo acaba se transformando em tristeza, amargura, inveja; ela estima que o seu trabalho não é reconhecido o bastante: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda, pois, que ela venha me ajudar!” (v. 40).
O texto é um apelo a dar prioridade a uma palavra que precede tudo e que nos faz agir em consequência dela.
Carlos Alberto Contieri,sj
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As leituras deste domingo convidam-nos a refletir o tema da hospitalidade e do acolhimento. Sugerem, sobretudo, que a existência cristã é o acolhimento de Deus e das suas propostas; e que a ação (ainda que em favor dos irmãos) tem de partir de um verdadeiro encontro com Jesus e da escuta da Palavra de Jesus. É isso que permite encontrar o sentido da nossa ação e da nossa missão.
A primeira leitura propõe-nos a figura patriarcal de Abraão. Nessa figura apresenta-se o modelo do homem que está atento a quem passa, que partilha tudo o que tem com o irmão que se atravessa no seu caminho e que encontra no hóspede que entra na sua tenda a figura do próprio Deus. Sugere-se, em consequência, que Deus não pode deixar de recompensar quem assim procede.
No Evangelho, apresenta-se um outro quadro de hospitalidade e de acolhimento de Deus. Mas sugere-se que, para o cristão, acolher Deus na sua casa não é tanto embarcar num ativismo desenfreado, mas sentar-se aos pés de Jesus, escutar as propostas que, n’Ele, o Pai nos faz e acolher a sua Palavra.
A segunda leitura apresenta-nos a figura de um apóstolo (Paulo), para quem Cristo, as suas palavras e as suas propostas são a referência fundamental, o universo à volta do qual se constrói toda a vida. Para Paulo, o que é necessário é “acolher Cristo” e construir toda a vida à volta dos seus valores. É isso que é preponderante na experiência cristã.
1ª leitura: Gn. 18,1-10ª - AMBIENTE
Os capítulos 12-36 do Livro do Gênesis são um conjunto de textos sem grande unidade e sem caráter de documento histórico ou de reportagem jornalística de acontecimentos. Fundamentalmente, estamos diante de uma mistura de “mitos de origem” (que narravam a chegada de um “fundador” a um determinado local e a tomada de posse daquela terra), de “lendas cultuais” (que relatavam como um deus qualquer apareceu em determinado local a um desses “fundadores” e como esse lugar se tornou um local de culto) e de relatos onde se expressa a realidade da vida nômade durante o segundo milênio antes de Cristo.
Na origem do texto que hoje nos é proposto como primeira leitura está, provavelmente, uma antiga “lenda cultual” que narrava como três figuras divinas tinham aparecido a um cananeu anônimo junto do carvalho sagrado de Mambré (perto de Hebron), como esse cananeu os tinha acolhido na sua tenda e como tinha sido recompensado com um filho pelos deuses (Mambré é um famoso santuário cananeu, já no terceiro milênio a.C., muito antes de Abraão aí ter chegado). Mais tarde, quando Abraão se estabeleceu nesse lugar, a antiga lenda cananaica foi-lhe aplicada e ele passou a ser o herói desse encontro com as figuras divinas. No séc. X a.C. (reinado de Salomão), os autores jahwistas recuperaram essa velha lenda para apresentar a sua catequese.
MENSAGEM
Qual é, então, a proposta catequética que os autores jahwistas querem fazer passar, servindo-se dessa velha “lenda cultual”?
No estado atual do texto, a personagem central é Abraão. É esta figura que os catequistas jahwistas vão apresentar aos israelitas da época de Salomão, como um modelo de vida e de fé.
O texto apresenta-nos Abraão “sentado à entrada da sua tenda, na hora de maior calor do dia” (v. 1). De repente, aparecem três homens diante de Abraão (v. 2). Abraão convida-os a entrar; não se limita a trazer-lhes água para lavar os pés, mas improvisa um banquete com pão recentemente cozido, com um vitelo “tenro e bom” do rebanho, com manteiga e leite; depois, fica de pé junto deles, na atitude do servo sempre vigilante para que nada falte aos convidados (vs. 3-8): é a lendária hospitalidade nômade no seu melhor.
Abraão é, assim, apresentado, como o modelo do homem íntegro, humano, bondoso, misericordioso, atento a quem passa e disposto a repartir com ele, de forma gratuita, aquilo que tem de melhor.
Terminada a refeição, é anunciada a Abraão a próxima realização dos seus anseios mais profundos: a chegada de um filho, o herdeiro da sua casa, o continuador da sua descendência (vs. 9-10). Aparentemente, o dom do filho é a resposta de Deus à ação de Abraão: o catequista jahwista pretende dizer que Deus não deixa passar em claro, mas recompensa uma tal atitude de bondade, de gratuidade, de amor.
O texto apresenta, complementarmente, a atitude do verdadeiro crente face a Deus. Ao longo do relato – sem que fique expresso se Abraão tem ou não consciência de que está diante de Deus – transparece a serena submissão, o respeito, a confiança total (num desenvolvimento que, contudo, não aparece na leitura que nos é proposta, Sara ri diante da “promessa”; mas Abraão conserva-se em silêncio digno, sem manifestar qualquer dúvida – vs. 10b-15): tais são as atitudes que o crente israelita é convidado a assumir diante desse Deus que vem ao encontro do homem.
Atente-se, também, na sugestiva imagem de um Deus que irrompe repentinamente na vida do homem, que aceita entrar na sua tenda e sentar-Se à sua mesa, constituindo-Se em comunidade com ele. Por detrás desta imagem, está o significado do comer em conjunto: criar comunhão, estabelecer laços de família, partilhar vida. O jahwista apresenta, assim, um Deus dialogante, que quer estabelecer laços familiares com o homem e estabelecer com ele uma história de amor e de comunhão.
O catequista jahwista aproveitou a velha “lenda cultual” e a figura inspirativa de Abraão para apresentar aos homens do seu tempo o modelo do crente: ele é aquele a quem Deus vem visitar, que o acolhe na sua casa e na sua vida de forma exemplar, que coloca tudo o que possui nas mãos de Deus e que manifesta, com o seu comportamento, a sua bondade, a sua humanidade, a sua confiança e a sua fé; ele é aquele que partilha o que tem com quem passa e cumpre em grau extremo o sagrado dever da hospitalidade. A realização dos anseios mais profundos do homem é a recompensa de Deus para quem age como Abraão.
ATUALIZAÇÃO
• Cada vez mais, o sagrado sacramento da hospitalidade está em crise, pelo menos na nossa civilização ocidental. O egoísmo, o fechamento, o “salve-se quem puder”, o “cada um que se meta na sua vida”… parecem marcar cada vez mais a nossa realidade. No entanto, são cada vez mais as pessoas perdidas, não acolhidas, que têm por teto os buracos das nossas cidades… De África, do Leste da Europa, da Ásia, da América Latina, chegam todos os dias à fronteira da “fortaleza Europa” bandos de deserdados, que procuram conquistar, com sangue, suor e lágrimas, o direito a uma vida minimamente humana. Que fazer por eles? Como os acolhemos: com indiferença e agressividade, ou com a atitude humana e misericordiosa de Abraão? Temos consciência de que, em cada irmão deserdado, é Deus que vem ao nosso encontro?
• É com atenção, com bondade, com respeito, que as pessoas são acolhidas na nossa família, na nossa comunidade cristã, nas nossas repartições públicas, nas urgências dos nossos hospitais, nas recepções das nossas igrejas, nas portarias das nossas comunidades religiosas?
• A atitude de Abraão face a Deus é, também, questionante, numa época em que muita gente vê em Deus um concorrente ou um rival do homem… Abraão é o crente que acolhe Deus na sua vida, que aceita viver em comunhão com Ele, que aceita pôr tudo o que tem nas mãos de Deus e que se coloca diante de Deus numa atitude de respeito, de submissão, de total confiança. Qual é a atitude que marca, dia a dia, a nossa relação com Deus?
2ª leitura: Cl. 1,24-28 - AMBIENTE
Continuamos com a leitura dessa carta aos Colossenses que já vimos no passado domingo. Recordemos que é uma carta escrita por Paulo da prisão (em Roma), convidando os habitantes da cidade de Colossos (Ásia Menor) a não darem ouvidos a esses doutores para quem a fé em Cristo devia ser complementada com o culto dos anjos, com rituais legalistas, com práticas ascéticas rigoristas e com a observância de certas festas… Para Paulo, o único necessário é Cristo: a sua vida, o seu testemunho, a sua cruz (o dom da vida por amor) e a sua ressurreição. Estamos por volta dos anos 61/63.
O texto que nos é proposto inicia a parte polêmica da carta. Nele, Paulo apresenta o seu próprio exemplo, para que ele sirva de estímulo aos Colossenses.
MENSAGEM
Qual é, então, o exemplo que o apóstolo quer propor aos cristãos de Colossos? É um exemplo de alguém que, a partir da sua conversão, se alheou de tudo o resto, fez de Cristo a referência fundamental e se preocupou apenas em pôr a sua vida ao serviço de Cristo.
Ao longo do seu caminho de missionário, Paulo sofreu muito para levar a proposta de salvação a todos os homens, sem exceção (cf. 2Cor. 11,23-29). Inclusive, no momento em que escreve, Paulo está prisioneiro por causa do anúncio do Evangelho. No entanto, o apóstolo sente-se feliz pois sabe que esses sofrimentos não foram em vão, mas deram frutos e levaram muita gente a descobrir Jesus Cristo e a sua proposta de libertação.
Mais ainda: os sofrimentos de Paulo completam “o que falta à paixão de Cristo, em favor do seu corpo que é a Igreja”. Que significa isto? Para uns, Paulo refere-se à união da Igreja/corpo com o Cristo/cabeça: uma vez que a cabeça (Cristo) sofreu, os membros devem sofrer também para partilhar a sorte que a cabeça suportou. Esta explicação põe em relevo a união dos cristãos com Cristo e dos cristãos entre si.
Para outros, Paulo refere-se à ação redentora de Jesus: para Jesus, a redenção significou a cruz e o dom da vida; se os apóstolos aceitam ser testemunhas da redenção, isso implica, também para eles, o dom da vida (que passa pela perseguição e pelo sofrimento). Esta explicação põe em relevo a unidade do ministério de Cristo e dos apóstolos e a necessidade do testemunho apostólico. Esta explicação – que aparece já nos Padres Gregos – é a que está mais de acordo com o contexto.
De resto, Paulo tem consciência de que foi chamado por Cristo a anunciar o “mistério” (“mystêrion” – v. 26). Esta palavra (que a “Lumen Gentium” retomará para definir a Igreja e a sua missão no mundo – cf. LG 1) designa, em Paulo, o plano salvador de Deus, escondido aos homens durante séculos, revelado plenamente na vida, na ação e nas palavras de Jesus Cristo e continuado pelos discípulos de Jesus (Igreja) na história. O esforço de Paulo (e dos cristãos em geral) deve ir no sentido de continuar a apresentação desse projeto de salvação/libertação que traz a vida em plenitude aos homens de toda a terra.
Paulo convida, pois, os Colossenses a construir a sua vida à volta de Jesus e do seu projeto (mesmo que isso implique sofrimento e perseguição); com o seu exemplo, Paulo estimula-os a uma comunhão cada vez mais perfeita com Cristo, pois é em Cristo (e não nos anjos, ou nas prática legalistas, ou nas práticas ascéticas) que os crentes encontrarão a salvação e a vida em plenitude.
ATUALIZAÇÃO
• Paulo é, para os crentes, uma das figuras mais questionantes da história do cristianismo. É o cristão de “vistas largas”, que não se deixa amarrar pelas coisas secundárias, mas sabe discernir o essencial e lutar por aquilo que é importante… Mas, sobretudo, é o exemplo do apóstolo por excelência, do apóstolo para quem Cristo é tudo e que põe cada batida do seu coração ao serviço do Evangelho e da libertação dos homens. É com o mesmo empenho de Paulo que eu “agarro” a missão que Cristo me confiou? Como é que a nossa comunidade trata e considera esses irmãos que, tantas vezes escondidos atrás da sua simplicidade e humildade, dão a vida à causa do Evangelho e da libertação dos outros?
• A centralidade que Cristo assume na experiência religiosa de Paulo leva-o à conclusão de que Cristo basta e que tudo o resto assume um valor relativo (quando não serve, até, para “desviar” os crentes do essencial). Que valor ocupa Cristo na minha experiência de fé? Ele é a prioridade fundamental, ou há outras imagens ou ritos que chegam a ocupar o lugar central que só pode pertencer a Cristo?
Evangelho: Lc. 10,38-42 - AMBIENTE
Este episódio situa-nos numa aldeia não identificada, em casa de duas irmãs (Marta e Maria). Estas duas irmãs são, provavelmente, as mesmas Marta e Maria, irmãs de Lázaro, referidas em Jo 11,1-40 e Jo 12,1-3. Se assim for, a acção passa-se em Betânia, uma pequena aldeia situada na encosta oriental do Monte das Oliveiras, a cerca de 3 quilômetros de Jerusalém. Continuamos, de qualquer forma, a percorrer esse “caminho de Jerusalém”, durante o qual Jesus vai revelando aos seus discípulos os projetos do Pai e os vai preparando para o testemunho do Reino.
MENSAGEM
Estamos no contexto de um banquete. Não se diz se havia muitos ou poucos convidados; o que se diz é que uma das irmãs (Marta) andava atarefada “com muito serviço” (v. 40), enquanto a outra (Maria) “sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua Palavra” (v. 39). Marta, naturalmente, não se conformou com a situação e queixou-se a Jesus pela indiferença da irmã. A resposta de Jesus (vs. 41-42) constitui o centro do relato e dá-nos o sentido da catequese que, com este episódio, Lucas nos quer apresentar: a Palavra de Jesus deve estar acima de qualquer outro interesse.
Há, neste texto, um pormenor que é preciso pôr em relevo. Diz respeito à “posição” de Maria: “sentada aos pés de Jesus”. É a posição típica de um discípulo diante do seu mestre (cf. Lc. 8,35; At. 22,3). É uma situação surpreendente, num contexto sociológico em que as mulheres tinham um estatuto de subalternidade e viam limitados alguns dos seus direitos religiosos e sociais; por isso, nenhum “rabbi” da época se dignava aceitar uma mulher no grupo dos discípulos que se sentavam aos seus pés para escutar as suas lições. Lucas (que, na sua obra, procura dizer que Jesus veio libertar e salvar os que eram oprimidos e escravizados, nomeadamente as mulheres) mostra, neste episódio, que Jesus não faz qualquer discriminação: o fato decisivo para ser seu discípulo é estar disposto a escutar a sua Palavra.
Muitas vezes, este episódio foi lido à luz da oposição entre ação e contemplação; no entanto, não é bem isso que aqui está em causa… Lucas não está, nesta catequese, a explicar que a vida contemplativa é superior à vida ativa; está é a dizer que a escuta da Palavra de Jesus é o mais importante para a vida do crente, pois é o ponto de partida da caminhada da fé. Isto não significa que o “fazer coisas”, que o “servir os irmãos” não seja importante; mas significa que tudo deve partir da escuta da Palavra, pois é a escuta da Palavra que nos projeta para os outros e nos faz perceber o que Deus espera de nós.
ATUALIZAÇÃO
• O nosso tempo vive-se a uma velocidade estonteante… Para ganhar uns minutos, arriscamos a vida porque “tempo é dinheiro” e perder um segundo é ficar para trás ou deixar acumular trabalho que depois não conseguimos “digerir”. Mudamos de fila no trânsito da manhã vezes incontáveis para ganhar uns metros, passamos semáforos vermelhos, comemos de pé ao lado de pessoas para quem nem olhamos, chegamos a casa derreados, enervados, vencidos pelo cansaço e pelo stress, sem tempo e sem vontade de brincar com os filhos ou de lhes ler uma história e dormimos algumas horas com a consciência de que amanhã tudo vai ser igual… Claro que estas são as exigências da vida moderna; mas, como é possível, neste ritmo, guardar tempo para as coisas essenciais? Como é possível encontrar espaço para nos sentarmos aos pés de Jesus e escutarmos o que Ele tem para nos propor?
• Nas nossas comunidades cristãs e religiosas, encontramos pessoas que fazem muitas coisas, que se dão completamente à missão e ao serviço dos irmãos, que não param um instante… É ótimo que exista esta capacidade de doação, de entrega, de serviço; mas não nos podemos esquecer que o ativismo desenfreado nos aliena, nos massacra e asfixia. É preciso encontrar tempo para escutar Jesus, para acolher e “ruminar” a Palavra, para nos encontrarmos com Deus e conosco próprios, para perceber os desafios que Deus nos lança. Sem isso, facilmente perdemos o sentido das coisas e o sentido da missão que nos é proposta; sem isso, facilmente passamos a agir por nossa conta, passando ao lado do que Deus quer de nós.
• Esta época do ano – tempo de férias, de evasão, de descanso – é um tempo privilegiado para invertermos a marcha alienante que nos massacra. Que este tempo não seja mais uma corrida desenfreada para lugar nenhum, mas um tempo de reencontro conosco, com a nossa família, com os nossos amigos, com Deus e com as nossas prioridades. A oração e a escuta da Palavra podem ajudar-nos a recentrar a nossa vida e a redescobrir o sentido da nossa existência.
• Qual é a nossa perspectiva da hospitalidade e do acolhimento? Esta leitura sugere que o verdadeiro acolhimento não se limita a abrir a porta, a sentar a pessoa no sofá, a ligar a televisão para que ela se entretenha sozinha, e a correr para a cozinha para lhe preparar um banquete opíparo; mas o verdadeiro acolhimento passa por dar atenção àquele que veio ao nosso encontro, escutá-lo, partilhar com ele, a fazê-lo sentir o quanto nos preocupamos com aquilo que ele sente…
• A atitude de Jesus – que, contra os costumes da época, aceita Maria como discípula – faz-nos, mais uma vez, pensar nas discriminações que, na Igreja e fora dela, existem, nomeadamente em relação às mulheres. Fará algum sentido qualquer tipo de discriminação, à luz das atitudes que Jesus sempre tomou?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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Maria escolheu a melhor parte - Maria Elian
Evangelho – (Lucas 10, 38-42)
Marta a mulher que recebe Jesus em sua casa é a irmã de Lázaro, e de Maria, e o povoado era Betânia que mesmo sabendo do risco que corriam, não tiveram medo de recebê-lo em sua casa e ofereceram a Jesus um jantar. Lázaro que estava à mesa com Jesus, por ter sido ressuscitado, representa a vitória da vida sobre a morte. Marta servia a todos e Maria agradecida por Jesus ter trazido Lázaro de volta a vida, unge os pés de Jesus com perfume e enxuga-os com seus cabelos.
Jesus foi acolhido por Lázaro, Marta e Maria, com carinho, humildade, honra e respeito. Aquela família reconhecia em Jesus o Messias. E com certeza, Jesus deseja ser recebido com esse mesmo carinho, na casa de cada um de nós. Jesus quer fazer morada em nosso coração. Que tal nos prepararmos, e abrir nosso coração para receber Jesus? Assim como Maria aguardou o melhor e mais caro perfume para ungir com toda humildade os pés de Cristo, vamos buscar transformar nossas vidas e oferecer a Ele o que temos de melhor. Maria, se fez servidora de Cristo. Ele reconheceu naquele gesto a gratidão, a fé, a devoção, a aceitação e o amor que Maria tinha por Jesus. Marta reclama queria que Jesus mandasse Maria ajudá-la. Quantas vezes também não fomos mal interpretados? O importante é que Jesus entenderá, aceitará e saberá que estamos oferecendo a Ele o que temos melhor, com sinceridade e amor.
Nos não vamos discutir agora o comportamento de Marta e de Maria. Mas é importante entender que Marta representa para nós o serviço, ao qual todos nos somos chamados, servir a Deus, ao próximo em comunhão com a vida. E Maria representa todo aquele que contempla Jesus e a sua Palavra que nos orienta como seus discípulos. E Jesus elogia Maria por isso, por ele ter preferido lhe escutar. Com certeza desejando que Marta que sempre estava ocupada, deixasse de lado suas ocupações e O ouvisse também. Quantas também estamos tão ocupadas com nossos afazeres que não temos tempo pra Jesus, e para ouvir sua palavra.
E não podemos esquecer, que Jesus ofertou sua vida para remissão de nossos pecados, nos aproximando definitivamente do Pai. Todos somos convidados a caminhar com Jesus, acolher sua Palavra, a fazer vontade do Pai, viver a maior demonstração de amor por nós, o amor de Deus por nós, na pessoa de Jesus, seu Filho muito amado, que pela morte de cruz nos libertou de todos os nossos pecados e nosso egoísmo, vencendo a morte.
Um abraço a todos.
Elian
Oração:
“Senhor Jesus, a exemplo de Maria de Betânia, desperta em mim uma amizade autêntica, que me coloque em perfeita sintonia contigo. Que eu saiba demonstrar meu amor a Jesus, servindo os pobres deste mundo. Que o meu agir não seja movido por um ativismo insensível à palavra de Jesus. Antes, seja toda a minha ação decorrência da escuta atenta desta palavra.

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Maria escolheu a melhor parte.- Missionários Claretianos

Primeira leitura: Gálatas 1, 13-24
Dignou-se revelar-me o seu Filho, para que eu o pregasse entre os pagãos. 
Salmo responsorial: 138, 1-3.13-15
Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor! 
Evangelho: Lucas 10, 38-42
Marta, recebeu-o em sua casa. Maria escolheu a melhor parte.
O evangelista Lucas nos apresenta o alcance histórico do discipulado: o seguimento de Jesus é aberto a homens e mulheres. Este é o sentido profundo do texto que lemos hoje. Nele se destaca a universalidade da missão de Jesus. É lógico que se olharmos esta passagem fora de contexto, poderíamos chegar a considerações anacrônicas, injustas e não evangélicas.

Jesus está atuando radicalmente contra todo legalismo destruidor da integridade humana, mostrando-se em total liberdade para deslegitimar três normas culturais de seu tempo: Jesus se encontra sozinho com mulheres que não pertencem à sua família; uma mulher mostra sua hospitalidade; Jesus ensina a uma mulher em sua própria casa.

As atitudes contra-culturais de Jesus configuram as exigências que implica segui-lo: formar uma comunidade onde cada ser humano que faça parte dela tenha seu lugar e tarefa, uma comunidade crente e acreditável que coloque em prática a solidariedade, a hospitalidade e o serviço que dignifique; uma comunidade de discípulos com os ouvidos bem atentos à escuta e ao serviço da palavra de Deus manifestada na história; uma comunidade eclesial, que reconheça o discipulado ativo de toda pessoa; definitivamente, um discipulado sem atitudes patriarcais, excludentes ou misóginas.
Missionários Claretianos

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ESCUTAR JESUS

Lc 10, 38-42
“Maria, a sua irmã, sentou-se aos pés do Senhor e ficou ouvindo o queEle ensinava”.
Com todo respeito ao esforço de Marta que cuidava dos afazeres domésticos inclusive para servir uma refeição ao visitante, Maria escolheu a melhor parte, escutar Jesus.
Nós escutamos Jesus? Será que damos preferência e atenção especial a Jesus quando nos fala?
Eu ouço Jesus no barulho da brisa que refresca, no canto dos pássaros, no barulho das gotas da chuva, e no quebrar das ondas do mar. Ao olhar o sol e as nuvens eu sinto a presença de Deus.
Mas é de madrugada que às vezes Jesus me acorda para falar comigo. E eu sinto a sua presença dizendo-me o que eu devo escrever aqui.
Deus pode nos falar através de uma pessoa amiga ou estranha, através de um acontecimento ou mesmo pelos nossos pensamentos. Mais para ouvir Jesus, é preciso prestar atenção, ficar ligado direto, pois Ele é imprevisível, surpreendente e incrível! Jesus é imprevisível porque o seu momento não tem lugar nem hora certa. É surpreendente e incrível porque pode nos surpreender das maneiras mais incríveis.
Maria escutava atentamente a palavra de Jesus, quando foi interrompida por Marta que se sentiu prejudicada por estar trabalhando sem a ajuda de sua irmã. Acontece que Maria preferiu ouvir a palavra de vida eterna que prepara para a missão de conduzir outras pessoas a escutarem, seguir e praticarem os ensinamentos do Mestre. Ensinamentos que nos conduzem à vida eterna.
E foi por isso que Jesus disse que Maria havia escolhido a melhor parte, embora Marta achasse que era a hora errada de escutar o Mestre.
Mais Jesus deixou claro que qualquer hora é hora de escutar a palavra de Deus, que é fundamental para o estímulo ao serviço amoroso à vida, o qual é o caminho para a comunhão com Jesus e com o Pai.
Jesus não estava desvalorizando o serviço doméstico da mulher quando disse à Marta que ela estava muito agitada com os afazeres. Mas, talvez estivesse empenhado em aproveitar o interesse de Maria, e prepará-la para fazer parte do seu grupo de discípulas, o qual iria ampliar o envolvimento das santas mulheres nas novas comunidades. Assim, além dos serviços elementares necessários, as mulheres também foram chamadas a assumir a condição de discípulas. E para tal missão, é coisa indispensável dedicar-se à escuta da Palavra, para poder exercer com eficiência crescente a função catequética, não somente através das palavras, mas também pelo testemunho e pelo exemplo.
Também nós catequistas e líderes comunitários, não podemos sair por aí dizendo qualquer coisa que vier em nossa cabeça. Precisamos ler a palavra de Deus assim como ficar atentos para ouvir a voz de Jesus que nos fala e nos orienta na caminhada. Ele no ensina, nos ilumina sobre o como devemos proceder, e o que devemos falar quando estamos a evangelizar.
Fiquemos atentos, pois a qualquer momento Jesus poderá falar conosco.
Sal.
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“Maria ouvia atentamente Jesus” – Claudinei M. Oliveira
       
                                     
Evangelho   Lc  10,38-42


            O evangelista Lucas mostra um Jesus atento aos serviços das pessoas. Na visita a Betânia, cidade na qual moravam Marta e Maria, conversava longamente com Maria. O evangelista não relata o teor do diálogo, mas assegura que Jesus sempre se voltava para a ordem do amor, da boa convivência, da mística da oração.  Maria ouvia pacientemente os ensinamentos, pois tinha paixão por aquele Homem que falava bem e suas palavras penetravam a alma.

            Maria simboliza a espera. Simboliza a igreja peregrina que acolher e preserva o bem entre as pessoas. Maria simboliza a pureza e o encanto da igreja que escuta o clamor do seu povo e este povo também ouve destemidamente o seu Mestre.  Aos pés de Jesus, seu tempo está voltado para encher-se do Espírito renovador, abastecer-se do vigor de alguém que sabe cativar e ensinar o bem para ultrapassar barreiras. Maria é o amor que une o céu e a terra no laço da escuta e acomodação.

            Marta é espirituosa. Quer fazer tudo ao mesmo tempo. Vai a labuta da cozinha, os afazeres de casa e ouve Jesus, seu visitante. Reclama de Maria. Ela está trabalhando sozinha e sua irmã sem fazer nada. Jesus adverte Marta,          Maria escolheu a melhor parte, enquanto Marta não tinha tempo para dar ouvidos a Jesus.

            Marta simboliza amargura. Simboliza o dia-a-dia corriqueiro sem tempo para ouvir e vivenciar palavras de transformação. Marta vive para o mundo e aceita ser explorada para atender as necessidades do mercado, do trabalho, da vida corrida. Marta vive angustiada, sem amor no coração. Marta... se continuar assim, vai conhecer as trevas, a escuridão, o caminho do mal.

            A escuta é fundamental para quem quer alcançar a salvação e o amor de Deus. Para estar ao lado de Deus nos fins dos tempos é preciso começar a ouvir o ensinamento das Escrituras. Atentar para o chamado do Pai e colocar a disposição para o trabalho na messe. A glória de Deus estará nas mãos e nas ações dos cristãos quando aprenderem a poupar um tempinho do dia-a-dia para rezar, agradecer, visitar e ajudar quem quer que seja. Se esgotar todo o tempo com trabalho exigente do mundo moderno, o amor glorificado no Deus vivo e transformador dificilmente aparecerá nas ações do cotidiano. Ficamos sem tempo para Deus e colocamos o mundo terreno em primeiro plano, mas longe do Pai celestial.

            Contudo, aprendemos com Maria a ouvir as palavras dos profetas. Aceitamos cordialmente as vicissitudes do Santo Evangelho e coloquemos em prática todo amor que recebemos por intermédio de Filho de Deus. Amamos nossa igreja peregrina e amorosa com seu povo, o povo de Deus. Amém!

-- 
Claudinei M. de Oliveira
Tenha a Paz de Cristo em seu Coração!

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As duas irmãs acolhem Jesus - Padre Bantu.

Lc 10,38-42

As duas irmãs acolhem Jesus. Querem servir bem a Jesus. Só que de modos diferentes. Uma pela escuta atenta. Maria não se preocupa. Senta-se aos pés de Jesus como os discípulos no Oriente se sentam aos pés de seu mestre. Marta repreende Maria. Jesus a defende. Para ele basta pouca coisa. Marta passa a imagem daquela mulher trabalhadora, dona de casa, que tem prazer em receber as visitas e acolhê-las, desmanchando-se em cortesias. Ela é a típica mãezona das nossas cidades interioranas. As casas dessas senhoras são impecáveis em matéria de limpeza e organização. Os enfeites na geladeira, na estante da sala, nas paredes… A comida deliciosa, feita na hora e servida até a visita dizer que não agüenta mais comer. Só quem visita uma casa que tem uma "Marta" sabe o que é ser bem acolhido.
A alegria de mulheres assim é ver que a sua ilustre visita se sente bem em sua casa. Esse é o maior prazer que ela pode sentir. Mas esta atitude não basta para Jesus. Acabamos de ouvir como no Evangelho, quando Marta pede que Jesus mande sua irmã Maria ajudá-la. É bem provável que Jesus tenha dado aquele sorriso acolhedor para Marta, e as suas palavras devem ter sido bem mais amenas do que as escritas por Lucas. Jesus deve ter dito, com um sorriso: "Ô Marta, por que te preocupas tanto? Isso que você está fazendo é importante, mas vocês podem deixar para fazer noutra hora. Maria escolheu a melhor parte! Não a recrimine. Mais tarde ela vai lhe ajudar. Por enquanto, sente-se aqui conosco". E Marta deve ter percebido que, de fato, estava deixando passar uma oportunidade rara de receber os ensinamentos do mestre Jesus, e deve ter se sentado para ouvi-lo.
Portanto, o importante é ouvir. Jesus certamente apreciava o trabalho de Marta, mas não aprovava que ela pensasse só no trabalho. Hoje devemos juntar as duas coisas: o trabalho e a escuta da Palavra, porque a melhor parte não é aquela que multiplica as coisas; a melhor parte é aquela que torna Deus presente em nós; então, o silêncio é mais eloqüente do que todas as palavras. No meio da escuridão do mundo de hoje, a escuta se torna difícil.
Vivemos num mundo apressado hoje. Corre para aqui corre para lá! Mas nos esquecemos que correr não quer dizer crescer. Na fúria consumista, o homem perde os valores da contemplação e da prece. O Senhor pede para parar um pouco e ouvir. Escute Deus falar-lhe das coisas do céu! Não tenha pressa de sair quando está na missa. Ou na oração. Esqueça o tempo do mundo e viva o tempo da graça de Deus e com Deus.
Você escuta voluntariamente a Palavra de Deus? Na missa, o sermão não se torna enjoativo? O povo prefere estar parado na frente da televisão. O jornal e o rádio têm preferência à palavra divina proclamada na igreja.
Eu não saí muito da Santa Marta original do Evangelho… Todavia, conheço bem as "Santas Martas" que convivem em nosso meio: mães, avós, tias, vizinhas, amigas, que nos acolhem tão bem em suas casas, por mais ingratos que sejamos. Elas apenas oferecem o que têm de melhor. E, às vezes, precisam ser lembradas que ainda mais importante do que deixar a casa impecável para recebê-lo, é preciso abrir a porta do coração para receber Jesus.
Pai, que o meu agir não seja movido por um ativismo insensível à Palavra de Jesus. Antes, seja toda a minha ação decorrência da escuta atenta da Palavra do Teu Filho que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Padre Bantu Mendonça K. Sayla
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A versão feminina da Parábola do Filho Pródigo

Quando começamos a juntar as pecinhas das histórias da Bíblia, ela fica ainda mais interessante do que já é! Veja...
O povoado citado nesta passagem é Betânia. Marta e Maria são irmãs de Lázaro, aquele que Jesus livrou da morte alguns dias antes da Páscoa (João 11). Jesus tinha uma enorme afeição por estes 3 irmãos.
Na passagem de hoje, observe que Lucas fala que Jesus foi recebido na "casa de Marta". Portanto, ela deveria ser a irmã mais velha. Em resumo, o que aconteceu foi que Marta estava muito ocupada com os afazeres domésticos, e Maria estava aos pés de Jesus, ouvindo suas palavras. Marta pede a Jesus que MANDE Maria ajudá-la, e Jesus responde que Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada.
Marta é aquela irmã mais velha que quer chamar a atenção da visita por ser trabalhadora. Eu imagino Jesus na casa dela, e ela passando de um lado pro outro arrumando a casa, varrendo, limpando os móveis e gritando: "Ô Maria, vem me ajudar!" E resmungando: "Ô menina preguiçosa..." E Maria lá na sala, bem sentadinha junto dos homens, perto do seu irmão...
Maria era preguiçosa? Não sabemos. Lucas não entra nesses detalhes. Mas Padre Léo diz que essa Maria de Betânia é a mesma citada em Lucas 7,36-50 (e nesse caso, esta passagem estaria fora da seqüência correta dos acontecimentos), que é a prostituta que serve aos leprosos, se converte exatamente 6 dias antes da Páscoa (João 12), e na passagem de hoje, vinha em processo de conversão... É interessante perceber, nestes textos, a preferência de Jesus por Maria. E Marta tinha ciúmes disso, como deu para perceber hoje. Seria a versão feminina da parábola do filho pródigo. Voltaremos a falar dessa família na segunda-feira da Semana Santa.
A lição prática para a nossa vida, hoje, é que por mais atarefados que estejamos, Jesus nos chama pelo nome... "Jailson, Jailson! Tu te preocupas e andas agitado com muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária!" Experimente substituir o meu nome (ou o de Marta) pelo seu... Às vezes, temos mais medo do que preguiça de sentar aos pés de Jesus...Vai que Ele diz exatamente aquilo que eu tenho que mudar (e sei que tenho que mudar), mas que é tão difícil... Por isso que não queremos parar um pouco para silenciar nosso coração e nossa mente... mudar de pensamento e atitude exige que saiamos da inércia... exige que saiamos da correnteza (que está nos levando para a fossa)... ou que saiamos da "cama" (tão quentinha e confortável)... Mas é sempre bom lembrar que se a fé sem obras é morta... da mesma forma, não adianta estar aos pés de Jesus, orando e escutando, se não levar suas palavras para a vida diária.
Jailson Ferreira
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Evangelho - Mc 8,14-21

Maria preferiu escutar Jesus - Padre Queiroz.
Este Evangelho que Jesus e os discípulos estavam na barca, e os discípulos estavam preocupados porque tinham se esquecido de levar pão. "Jesus falou: Tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes". Eles pensaram que Jesus estava falando do fermento material. Jesus os repreendeu. Lembrou-lhes que no dia anterior havia multiplicado pães para uma multidão, e disse: "Tendo olhos, não vedes, e tendo ouvidos, não ouvir?"
Tanto os fariseus como Herodes buscavam exageradamente a própria segurança, sem confiar em Deus. E essa busca se transformava em ganância, que gera a exploração do próximo, a desunião etc. Como os fariseus e Herodes pertenciam à classe alta, o seu exemplo de vida atuava na sociedade como o fermento, isto é, transformava toda a massa.
Nós passamos a vida preocupados com o pão material, e nos esquecemos de nos dedicar mais às coisas de Deus. O cristão não se preocupa demais com as coisas materiais, sabendo que Deus é Pai providente. Por isso não acumulam bens, e substituem o comércio pela gratuidade e a concentração pela partilha.
Na visita de Jesus aos seus amigos Marta, Maria e Lázaro, Marta cometeu um erro semelhante. Ao invés de ouvir Jesus, como sua irmã, ficou atarefada na preparação de comida e pouso para os queridos visitantes. E Jesus deu bronca: "Marta, Marta! Tu te preocupas com tantas coisas, mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada".
Os três grandes pecados do mundo são a concupiscência da carne, a cobiça dos olhos e a soberba da vida. Todos provêm da falta de fé, e são as raízes de todos os pecados que cometemos (Cf 1Jo 2,15-16).
O "fermento dos fariseus e o fermento de Herodes" era a preocupação exagerada pela própria segurança e sobrevivência, esquecendo-se de confiar mais em Deus, e obedecer-lhe servindo ao próximo.
O milagre da multiplicação dos pães aconteceu exatamente quando Jesus e os discípulos fizeram o contrário dos fariseus e de Herodes: repartiam com os outros o pouco que tinham.
Os fariseus tinham uma maneira de ser religioso muito comum em todos os tempos: praticar a religião de forma egoísta, sem viver no amor. E sendo, tanto os fariseus como Herodes, gente importante na sociedade, os Apóstolos corriam sério perigo de ir na onda deles, o que já estava começando a acontecer naquela preocupação com o esquecimento dos pães.
Os fariseus estavam dispostos a servir a Deus; mas Deus, em troca, devia reconhecer os méritos deles e premiá-los. Esta é a mentalidade da maioria das seitas atualmente, torcendo para o inverso a frase de S. Francisco em sua oração: "É dando que se recebe".
O fariseu evita o trato simples com os demais, por medo de que descubram seus sentimentos. Ele sabe que tem as mesmas fraquezas, apesar de ser praticante da Lei. Mas não tem a chave da superação dos próprios defeitos, que é a oração humilde. Não lhe resta, portanto, outro caminho senão salvar as aparências, através de uma conduta externa irrepreensível.
A Irmã Dulce nasceu em Salvador – BA, em 1914. Como jovem, formou-se em enfermagem. Com dezoito anos entrou na Congregação das Irmãs da Caridade, onde se tornou Irmã em 1932.
Dois anos depois, ela estava caminhando na vila Ilha dos Ratos, periferia de Salvador, e um menino lhe pediu ajuda. Conversando com o garoto, ela viu que ele não tinha onde morar. Olhou de lado, viu um barraco abandonado, arrombou a porta e colocou a criança dentro.
No dia seguinte, ela voltou ao local para ver como estava o menino. Uma velhinha que sofria de câncer e um deficiente físico lhe pediram ajuda. Como os dois não tinham onde morar, Irmã Dulce os colocou junto com o menino no barraco.
Apareceu o dono do barraco reivindicando a posse, e a Irmã levou os três para um mercado de peixe desativado. Ali, como espaço era maior, o grupo cresceu. Mas o prédio pertencia à prefeitura e o prefeito foi implacável: mandou a Irmã embora de lá.
Ela conseguiu licença da madre superiora e transformou o galinheiro do convento em albergue. E assim foi. Nada desanimava a Irmã.
Numa noite, em 1952, ela ouviu o barulho forte na rua. Foi até a janela e viu que um ônibus e um bonde tinham colidido. Correu ao local, pegou um caixote, subiu em cima e quebrou o vidro da janela do ônibus, salvando doze pessoas. Seu hábito ficou toda chamuscado. Resumindo, a Ir Dulce foi uma bênção para os pobres de Salvador. Está em processo de beatificação.
Esta não foi contaminada pelo fermento dos fariseus.
Maria Santíssima não acumulava bens para si, nem procurava dar uma aparência melhor do que ela era realmente. Mesmo não tendo pecado, era humilde e se reconhecia indigna dos favores divinos. Que ela nos ajude no testemunho da verdade, da humildade e da transparência, da confiança em Deus e do serviço aos irmãos.
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Marta e Maria - Ana Luíza de M. Gomes

Lc 10, 38-42
Esse Evangelho é difícil de entender e fazê-lo ter sentido na nossa vida atual. Infelizmente, somos tentados a todo momento de ter os pensamentos de Marta. Estamos num mundo onde queremos ver resultado, queremos agradar as pessoas, especialmente se elas têm alguma influência em nossas vidas. Marta se queixa com Jesus sobre a atitude de sua irmã que não a esta ajudando, pois ela queria mostrar a Ele que estava fazendo bem o serviço, que tinha coisas boas a oferecê-Lo e se formos olhar pela ótica do mundo ela tinha razão de achar ruim aquela situação. É como se você fosse receber alguém importante em casa e pedisse a ajuda de seu irmão nesta recepção, porém, na hora H, ela vai ficar lá com o convidado, batendo papo. Oras, era pra estar te ajudando a servir o convidado e a todos que estavam com ele e não aproveitar a festa.
Mas, Jesus não é qualquer convidado. Ele não estava nem um pouco interessado na recepção que estavam preparando pra ele, se teria salgadinhos finos, vinho, água mineral das fontes mais puras, ou se seria croquete e cerveja quente. Ele queria era falar de Amor. E que todos escutassem. Ele sabia que isso sim era a melhor parte da festa, que o que Ele estava falando era de verdadeiro sabor. E é assim que Cristo quer conosco. Nós já experimentamos e sabemos qual a melhor parte.
Não fomos nós que escolhemos, mas Ele que nos escolheu primeiro. Acredite no quanto Deus fica feliz de você ter escolhido também por Ele, acredite que agora é como um barco em alto-mar e não tem mais como voltar. E não ser que você queira, essa felicidade de estar com a melhor parte, ninguém te tira. Tome posse, acredite e seja feliz.
Ana Luíza de M. Gomes
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